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dos direitos humanos foi consolidado pela 
Carta de São Francisco, que a partir do consenso entre os Estados elevou a 
promoção desses direitos. Ao aderir a Carta da ONU, os Estados 
reconheceram que os direitos humanos são de elevada importância 
internacional e, nessa medida, não são mais uma preocupação exclusiva dos 
Estados nacionais. 
 
O Conselho Econômico e Social, órgão da ONU, composto por cinquenta e 
quatro membros, tem atribuição para promover a cooperação em questões 
econômicas, sociais, culturais e os direitos humanos. Esse órgão pode ainda 
criar comissões para o desempenho dessas funções. Nesse sentido, foi 
concebido em 1946, a Comissão de Direitos Humanos, substituída 
posteriormente pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, que possui 
quarenta e sete membros, eleitos pela Assembleia Geral. 
 
Muitos documentos internacionais sobre direitos humanos adotados pela 
ONU, alguns sobre novos direitos, outros relativos ao tratamento de pessoas 
consideradas como vulneráveis, foram redigidos pela antiga Comissão e pelo 
atual Conselho de Direitos Humanos. 
 
 
 13 
Sistema Regional de Proteção dos Direitos Humanos 
No plano regional, complementando o sistema universal, surgem construções 
de proteção dos direitos humanos, particularmente no âmbito europeu, 
interamericano e africano. Tal sistema apresenta certa vantagem sobre o 
sistema universal na medida em que reflete com maior fidedignidade as 
especificidades da região sob os auspícios dessa estrutura de proteção dos 
direitos humanos. Além disso, o sistema regional acaba sendo mais efetivo do 
que o sistema global, pois dada a proximidade dos Estados num espaço 
geográfico, esses acabam exercendo pressões ao Estado violador dos direitos 
humanos. Porém, devemos perceber que a convivência dos sistemas universal 
e regional não são inconciliáveis, mas complementares e benéficos para a 
promoção dos direitos humanos. 
 
Cada sistema regional apresenta um mecanismo jurídico específico. Assim, 
passaremos à análise dos sistemas regionais da Europa, das Américas e da 
África. 
 
 Sistema europeu 
O continente europeu destaca-se como a região do planeta mais desenvolvida 
no tocante à proteção dos direitos humanos, exercendo enorme influência 
sobre os demais sistemas regionais. A elaboração da Convenção Europeia 
para a Proteção dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais, de 
1950, teve como propósito atenuar as insuficiências normativas e processuais 
do sistema global. Quando a Convenção entrou em vigor, contava com a 
ratificação de apenas oito Estados, e em 2013 já possuía quarenta e sete 
Estados-partes. 
 
Assevera-se que a Convenção Europeia originariamente criou a Comissão e a 
Corte Europeia de Direitos Humanos. Entretanto, o Protocolo nº 11, que 
vigora desde 1998, realizou a fusão desses dois órgãos, criando uma nova 
Corte permanente, com intuito de dar maior efetividade aos direitos 
humanos. Assim, com a entrada em vigor do Protocolo, o indivíduo-vítima de 
 
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violação de direitos humanos deve apresentar sua ação diretamente à Corte 
Europeia de Direitos Humanos. 
 
 Sistema africano 
O sistema regional mais recente de proteção dos direitos humanos é o 
africano e encontra-se em fase de construção, pois somente começou a ser 
esboçado na década de 80 do século passado, no âmbito da Organização da 
Unidade Africana, transformada em 2001 na União Africana. 
 
Como sabemos, a África passou pela luta da descolonização e enfrentou 
graves violações aos direitos humanos, como o massacre ocorrido em 
Ruanda, em 1994, as guerras civis em Angola, na Somália e na Libéria, o 
genocídio na região de Darfur, no oeste do Sudão, os desaparecimentos de 
pessoas nos Estados do Congo, Burundi, Chade e Camarões. 
Em 1981 foi adotada a Carta Africana de Direitos Humanos e dos Povos, que 
passou a vigorar apenas em 1986, e representou um importante avanço ao 
abrir novos caminhos para o reconhecimento e a proteção nessa região. Ela 
criou a Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, com sede na 
capital Banjul, na República da Gâmbia e tem como intuito a promoção e 
proteção dos direitos humanos. Trata-se de órgão político integrado por onze 
membros eleitos por escrutínio secreto pela Conferência dos Chefes de 
Estado, para o mandato de seis anos, admitindo-se a recondução. 
 
Compete à Comissão além de promover e assegurar os direitos humanos 
previstos na Carta, realizar estudos, pesquisas, investigações, elaborar 
relatórios e adotar resoluções. Cabe a ela também receber comunicações de 
outros Estados, petições de indivíduos e Organizações não governamentais, 
sempre buscando uma solução amistosa aos conflitos apresentados, sem no 
entanto, adotar decisões juridicamente vinculantes. 
 
Em 1998, após sofrer inúmeras pressões internacionais, foi adotado o 
Protocolo à Carta Africana para a criação de umTribunal Africano dos Direitos 
 
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Humanos e dos Povos, com sede em Arusha, no Estado da Tanzânia. O 
Tribunal é composto por onze juízes nacionais de Estados africanos, com 
mandato de seis anos, sendo permitida uma recondução. Possui competência 
consultiva e contenciosa, cabendo-lhe complementar as funções da Comissão 
Africana. 
 
A Carta Africana ainda apresenta características peculiares em razão do 
próprio contexto sociopolítico no qual se insere a maioria dos países 
signatários, enfatizando, por isso, a eliminação de quaisquer formas de 
opressão e colonialismo, e reservando especial atenção aos direitos de 
solidariedade, como o direito ao desenvolvimento dos povos, disposições 
estas contidas no próprio preâmbulo da Carta. 
 Sistema interamericano 
No âmbito das Américas, merece destaque a Declaração Americana dos 
Direitos e Deveres do Homem, aprovada pela IX Conferência de Bogotá em 
30 de março de 1948, na qual também foi aprovada a Carta Internacional 
Americana de Garantias Sociais. Em 1969, foi adotada a Convenção 
Americana de Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de São José 
de Costa Rica, que entrou em vigor em 1978. 
 
O Pacto de São José da Costa Rica assegurou um catálogo de direitos 
análogos ao previsto pelo Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e 
posteriormente, adotou, em 1988, o Protocolo Adicional à Convenção 
Americana nas áreas de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, denominado 
de Protocolo de São Salvador. 
 
A Convenção Americana institucionalizou, como meio de proteção dos direitos 
nela reconhecidos, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos prevista 
na Resolução VIII da V Reunião de Consulta dos Ministros das Relações 
Exteriores e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. 
 
 
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A Comissão é composta por sete membros nacionais de qualquer Estado 
membro da OEA, eleitos para o mandato de quatro anos, permitida uma 
única recondução. Compete à Comissão a proteção dos direitos humanos no 
âmbito americano, promovendo estudos, pesquisas, relatórios, solicitação de 
informações aos Estados, exame de comunicações encaminhadas por 
indivíduos ou Organizações não governamentais, que contenham denúncias 
de violações aos direitos consagrados na Convenção. O órgão fará o exame 
da admissibilidade da petição, como o prévio esgotamento dos recursos 
internos, salvo no caso de injustificada demora processual ou da não 
observância pelo Estado do devido processo legal. Além disso, é preciso 
verificar a ausência de que o caso não esteja sendo apreciado por outra 
instância internacional. 
 
A Comissão buscará uma solução amistosa entre os envolvidos, e se essa não 
for possível, emitirá um relatório e, eventualmente, apresentará 
recomendações ao Estado violador do direito, que terá o prazo de três meses 
para cumpri-las. Cabe ressaltar que o caso poderá ser encaminhado à Corte 
Interamericana de Direitos Humanos e somente pode por ela ser apreciado se 
o Estado-parte reconhecer, através de declaração

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