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expressa e inequívoca, a 
sua competência. 
 
A Corte é órgão jurisdicional, composto por sete juízes nacionais de Estados 
membros da OEA. Possui competência consultiva e contenciosa. Sua decisão, 
neste último caso, possui força vinculante e obrigatória. 
 
Em sua função consultiva, destaca-se a OC-17, de 2002, solicitada pela 
Comissão Interamericana de Direitos Humanos, na qual a Corte 
Interamericana de Direitos Humanos6 foi chamada a se pronunciar sobre a 
interpretação dos artigos 8º e 25 da Convenção Interamericana sobre Direitos 
 
6Estiveram presentes os juízes Antônio Augusto Cançado Trindade, Presidente; Alirio Abreu Burelli; 
Máximo Pacheco Gómez; Hernán Salgado Pesantes; Oliver Jackman; Sergio García Ramírez e Carlos 
Vicente de Roux Rengifo, bem como os secretários Manuel E. Ventura Robles e Pablo Saavedra 
Alessandri. 
 
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Humanos, com o propósito de saber se as medidas especiais estabelecidas no 
artigo 19 do mesmo diploma constituíam limites ao arbítrio ou a 
discricionariedade dos Estados em relação às crianças. Convém assinalar que 
nesse caso a Corte permitiu, por audiência pública, a manifestação dos 
Estados e, em suas comunicações escritas e orais, o México questionou a 
determinação em procedimentos administrativos ou judiciais sobre direitos 
fundamentais da criança sem a sua devida oitiva e o desprezo de sua opinião. 
 
Destaca-se também que quanto à obrigação assumida pelo Estado-parte em 
um tratado internacional sobre direitos humanos em relação ao indivíduo, a 
Corte na opinião consultiva nº 2 de 24 de setembro de 1982, enfatizou que 
os tratados modernos sobre direitos humanos não são tratados multilaterais 
de tipo tradicional, firmados em função de um intercâmbio recíproco de 
direitos, para o benefício mútuo dos Estados-partes. Assim, seu objeto e 
finalidade são, sobretudo, a proteção dos direitos fundamentais dos seres 
humanos, independentemente da sua nacionalidade, tanto frente ao seu 
próprio Estado como frente a outros Estados. 
 
Um exemplo interessante de influência do Direito Internacional Regional em 
nosso Direito Interno é a chamada lei Maria da Penha que endureceu as 
penas para aqueles que praticam violência doméstica. Em 2001, a Comissão 
Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos 
(OEA) ressaltou que o Brasil foi negligente e omisso pela demora de 19 anos 
em punir o ex-marido da biofarmacêutica, recomendando ainda o pagamento 
de indenização. 
 
Marco Herredia foi condenado à pena de um pouco mais de seis anos de 
prisão por atirar nas costas de Maria da Penha, deixando-a paraplégica em 
1983 e, depois, por tentar matá-la eletrocutada. Herredia foi preso somente 
em 2003 e está em liberdade. Em 2006, foi sancionada a Lei Maria da Penha, 
que prevê que os agressores sejam presos em flagrante ou tenham decretada 
 
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prisão preventiva. A lei acabou com o pagamento de cestas básicas ou 
multas, penas a que estavam sujeitos anteriormente os agressores. 
 
O sistema americano de proteção não prevê, como ocorre no sistema 
europeu, o acesso da vítima por violação dos direitos humanos ou da 
organização não governamental à Corte Interamericana. 
 
O Brasil e a Corte Interamericana de Direitos Humanos 
A partir de agora, vamos conhecer alguns casos levados à Corte 
Interamericana por violação dos direitos humanos praticados no Brasil. 
 
 Caso Damião Ximenes Lopes versus Brasil 
Em 2006 a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil pela 
morte de Damião Ximenes, indivíduo que havia sido internado em hospital 
psiquiátrico no Estado do Ceará e foi morto brutalmente pelos maus tratos 
por funcionários da clínica. 
 
Foi a primeira vez que o Brasil foi condenado na Corte Interamericana de 
Direitos Humanos por violações dos direitos humanos, o que constitui um 
marco histórico para a proteção de direitos humanos. O caso foi levado à 
Corte pela Organização não Governamental Justiça Global, que representou a 
família. Por sete votos a zero, os juízes da Corte concluíram que o Estado 
brasileiro foi corresponsável pela morte por maus-tratos do portador de 
transtorno mental Damião Ximenes Lopes, ocorrida em outubro de 1999 
numa clínica psiquiátrica de Sobral (CE). 
 
 A Corte condenou o Brasil por violar quatro artigos da Convenção Americana 
de Direitos Humanos: o 4º (direito à vida), o 5º (direito à integridade física), 
o 8º (direito às garantias judiciais) e o 9º (direito à proteção judicial), 
ressaltando as falhas e lentidão na investigação judicial. Foi estabelecida 
indenização de US$ 146 mil dólares em favor da família da vítima. 
 
 19 
 
 Caso do Presídio Urso Branco versus Brasil 
Entre 1º de janeiro a 5 de julho de 2002, trinta e sete presos foram 
assassinados brutalmente no presídio Urso Branco, situado em Rondônia. A 
Corte interamericana determinou, por uma série de resoluções, medidas 
provisórias para evitar novas mortes naquele local. 
 
 Caso Gomes Lund e outros versus Brasil – Guerrilha do 
Araguaia 
Diante do desaparecimento de diversas pessoas integrantes da guerrilha do 
Araguaia, ocorrida no Brasil durante a ditadura militar, a Corte condenou o 
país. O caso foi submetido à Corte após a análise pela Comissão. A decisão 
prolatada em novembro de 2010 ressaltou que a Lei de Anistia, editada no 
ano de 1979, era incompatível com os preceitos da Convenção Americana e 
não poderia ser obstáculo para eventual investigação de violação aos direitos 
humanos. Como reflexo da decisão da Corte, o Brasil editou em 2011 duas 
leis de importância para o direito de transição: a Lei 12.527, que regulou o 
acesso à informação e a Lei 12.528, que criou a Comissão da Verdade. 
 
Tribunal Penal Internacional 
Após o estudo dos sistemas de proteção dos direitos humanos, cabe ressaltar 
a importância do Tribunal Penal Internacional, criado pelo Estatuto de Roma, 
em 1998. 
 
Diferentemente da Corte Internacional de Justiça, que constitui um órgão da 
ONU, cuja jurisdição é restrita aos Estados, o TPI constitui uma corte criminal 
permanente, com personalidade jurídica internacional própria, de jurisdição 
global, com competência para julgar indivíduos acusados de terem cometido 
os crimes tipificados no Estatuto de Roma. Vale destacar que o TPI também 
não se confunde com os tribunais penais ad-hoc criados pelo Conselho de 
 
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Segurança da ONU, a saber, TPI para Ruanda, para a ex-Iugoslávia, uma vez 
que estes possuem limitações geográficas e temporais. 
 
Os crimes sujeitos à jurisdição do Tribunal Penal Internacional são os de 
genocídio, de ameaça, os de guerra e os chamados crimes contra a 
humanidade. As penas que poderão ser aplicadas estão previstas no Estatuto: 
a) Pena de prisão por um número determinado de anos, até ao limite máximo 
de 30 anos; ou b) Pena de prisão perpétua, se o elevado grau de ilicitude do 
fato e as condições pessoais do condenado o justificarem. Além da pena de 
prisão, o Tribunal poderá aplicar: a) uma multa, de acordo com os critérios 
previstos no Regulamento Processual; b) A perda de produtos, bens e 
haveres provenientes, direta ou indiretamente, do crime, sem prejuízo dos 
direitos de terceiros que tenham agido de boa-fé. 
 
O Brasil assinou o Estatuto em 7 de fevereiro de 2000 e aderiu à jurisdição do 
TPI em 2002, por força do Decreto 4.388 de 2002. Posteriormente, com o 
advento da Emenda Constitucional nº 45, houve o acréscimo do § 4º ao art. 
5º da Constituição da República. Tal dispositivo é categórico ao afirmar que o 
Brasil está sujeito diretamente à jurisdição do Tribunal Penal Internacional, e 
conduziu ao entendimento de que tal obrigação possui hodiernamente força 
constitucional. 
 
O Tribunal é composto por quatro diferentes órgãos: a Presidência, as 
Seções, o Gabinete do Promotor e a Secretaria. Possui 18 juízes escolhidos 
dentre as pessoas de alto caráter

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