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Aula 4 Educação Profissional Teoria e prática

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Aula 4 – Educação Profissional – Teoria e prática
As duas Racionalidades que Orientam a Educação Profissional
Objetivos
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
1. Analisar a temática da Educação Profissional e suas modalidades; 
2. Proceder à realização das tarefas dadas nesta aula; 
3. Participar do estudo de modo a atingir os objetivos propostos.
Considerando que a teoria crítica emancipatória destaca o conceito de Emancipação Humana, pode-se afirmar então que esta concepção estimula mudanças reais e concretas na concepção de ensino, do conteúdo, do método e das condições das possibilidades da prática pedagógica também na Educação profissionalizante. 
O ensino na concepção crítico-emancipatória deve ser um ensino construído pelos alunos numa visão de mundo que se apresenta a partir da aquisição do conhecimento.
Baseado na concepção crítica do ensino e a partir dos questionamentos, o estudante acaba por entender a estrutura autoritária dos processos institucionalizados e impostos pelo sistema educacional e social.
O autor Kunz (1994) apresenta algumas de suas limitações.
“A primeira delas diz respeito à deficiência das práticas efetivamente testadas na realidade concreta, que questionava, criticava e dava a entender que tudo estava errado na Educação (...), sem, no entanto, fornecer elementos para uma mudança ao nível de prática.”
Pode-se comentar então que a tarefa da Educação crítica é promover condições para que as estruturas autoritárias sejam extintas e o ensino encaminhado no sentido de uma racionalidade emancipatória.
Podendo para tal utilizar-se da linguagem que tem um papel importante no agir comunicativo funcionando como uma forma de expressão do mundo social, para que todos possam participar em todas as instâncias de decisão.
Na primeira, os alunos descobrem, pela própria experiência manipulativa, as formas e meios para uma participação bem sucedida.
Na segunda, em atividades de movimentos se manifestando pela linguagem ou representação cênica, o que experimentaram e o que aprenderam numa forma de exposição.
Na terceira e última fase, os alunos aprendem a perguntar e questionar sobre suas aprendizagens e descobertas, com a finalidade de entender o significado cultural da aprendizagem.
Lembre-se:
Para se alcançar tais fases, a estrutura do trabalho deve estar apoiada em pressupostos teóricos com base em critérios de uma ciência humana e social, formando alicerces do conhecimento para um agir racional e com comunicação.
A teoria instrumental tem o papel de fornecer os elementos específicos para uma pedagogia crítico-emancipatória nas suas sequências e nos seus procedimentos regrados.
A didática comunicativa fundamenta a função do esclarecimento e da prevalência de racionalidade comunicativa, na qual se desenvolvem ações comunicativas, ou intenções simbolicamente mediadas.  
A emancipação aqui é entendida como o processo que mede o uso da razão crítica e todas as ações, sendo elas: social, cultural, política, econômica e subjetiva do sujeito e que devem ser desenvolvidas pela educação. Este processo também induz à autorreflexão, possibilitando aos alunos um estado de maior liberdade além da aquisição de conhecimentos de seus verdadeiros interesses.
Assim, a emancipação pode ser entendida como o processo de libertar o jovem das condições que limitam o uso da razão crítica e todo o seu agir social e profissional se desenvolve pela educação.
A emancipação só é possível quando os responsáveis pela vida cidadã do indivíduo, ou seja, os agentes sociais, se tornam elucidados e identificam a causa da dominação e/ou alienação.
Uma forma dinâmica do professor trabalhar com seus alunos é caminhar para uma educação emancipatória por meio da promoção da ação e da comunicação objetivando expressar entendimentos do mundo social e do mundo subjetivo.
Considerando que cada aula segue um plano de curso, inserido em um currículo elaborado pelo professor, apresentado e discutido com os alunos e que cada aula tem uma essência que apresenta um conteúdo a ser desenvolvido, um objetivo a ser atingido, uma metodologia que orienta a ação e, um prazo ou tempo total em meses a ser cumprido, torna-se interessante elaborar arranjos materiais para alcançar as deficiências de cada aluno.
Kunz chama a atenção, no entanto, que a transformação não pode se resumir a esses pontos que ele chama de transformação prática. Esse tipo de transformação, de uma prática exigente para uma menos exigente, segundo o autor, não garante a condição crítico-emancipatória do ensino. O que vai garantir a condição crítico-emancipatória, aliada à transformação prática, é a transformação do sentido individual e coletivo das atividades da instituição requerendo, para isso, o elemento reflexivo.
Na concepção crítico-emancipatória (KUNZ, 2001b, p. 148), segundo a leitura de BUSSO, Gilberto L. e VINDITTI JÚNIOR; Rubens, o ensino “deve obrigatoriamente incluir a reflexão sobre o Mundo Vivido e respectivo Mundo do Movimento do aluno”, pois “entre a dimensão de determinada visão de mundo e uma correspondente visão de Homem, existe uma relação muito tensa pela qual se pode chegar a interpretar a Educação como um processo real (KUNZ, 2001a, p. 135)”.  
Segundo Kunz, sobre HOMEM E MUNDO, “a dimensão política contida em toda a ação educacional é resultado de uma consequência lógica expressa pela imagem de Homem e Mundo que fundamenta toda a teoria educacional” (Ibid, p. 136). (...) Para a superação (de uma educação através de um sistema ‘bancário’, citado por Freire) é necessário uma leitura crítica da Realidade Social, que no campo pedagógico é possível pelo processo dialético da Ação Comunicativa entre Educador/educando, na medida em que a Compreensão de Mundo dos participantes passa a ser analisada e entendida como objeto de conhecimento da ação educativa (Ibid, p. 145). (...)
Uma formação de consciência no sentido crítico e dialético, o que quer dizer: Consciência e Mundo como Subjetividade de Objetividade são inseparáveis (Ibid, p. 154-155). (...) “A consciência e o Mundo se dão ao mesmo tempo: exterior por essência à consciência, o Mundo é por essência, relativo a ela” (SARTE apud KUNZ, 2001a, p. 155). Sobre SOCIEDADE E CULTURA, na Concepção Crítico-Emancipatória (KUNZ, 2001a, p. 136) “a educação não é apenas uma qualificação de indivíduos, no sentido individual. Esta qualificação de Sujeitos capazes de atuarem através de uma ‘ação comunicativa’ competente deve visar, também, à Emancipação da Sociedade”. 
Cada indivíduo, em seu respectivo mundo, estrutura suas experiências interacionais, se estabilizando por condicionamentos de antecipações recíprocas à medida que os agentes da educação se tornam responsáveis pelas descobertas feitas pelos alunos, que podem ser  boas ou não, mas que como educadores devem ter condições de propiciar condições de trabalho considerando os aspectos ou componentes de ordem social, econômica, cultural e até mesmo subjetivo dos indivíduos que buscam o conhecimento por meio da instituição escolar, não apenas por estar numa escola profissionalizante, mas também e principalmente porque um dia vai se tornar um profissional.
Cabe aos agentes educacionais, e aqui citando os docentes, conhecerem seus alunos e se adaptarem às suas realidades favorecendo a aquisição dos conhecimentos teóricos, sem contudo descartar os aspectos afetivos e interacionais.
Para melhor concluir este estudo, é necessário refletir a respeito da proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998 apud GALVÃO, 2002). 
No referido documento, os conteúdos escolares são abordados em três dimensões.
Estas competências, ao que tudo indica, fazem parte do “mundo virtual”, são fundamentos que “antecedem” a prática docente. Para “que as mesmas, os conceitos citados deverão ser organizados em dimensões: conceituais, procedimentais e atitudinais.”
“(...) Assim se forma a ‘Identidade Social’ para cada indivíduo. Pedagogicamente são extremamente, neste processo, as instâncias da Primeira Socialização, que são para a formação desta identidade social do Educando.”(KUNZ, 2001a, p. 141).
Sobre o CONHECIMENTO, a concepção crítico-emancipatória (KUNZ, 2001a, p. 151) defende “que o campo pedagógico deve assim ser estruturado como um campo de ação a partir do conhecimento da prática social - histórica e desse conhecimento e do conhecimento sistematizado o saber universal e historicamente acumulado chegar à avaliação crítica da Realidade e das relações sociais. Esta ação deverá estabelecer, assim, a continuidade do conhecimento da prática social ao conhecimento teórico do professor, deverá proporcionar a Dimensão crítica ao educando, o que deverá levar, por sua vez, à ruptura do limitado saber e da experiência da Realidade Social restrita, e simultaneamente reagir sobre esta própria Realidade Social no sentido de sua transformação. 
Este sistema de ação deverá então estabelecer um sistema circular, ou seja, do conhecimento crítico-teórico e novamente retornando à prática social concreta. Em um ‘processo de ação – reflexão - ação’ (Ibid, p. 184).
Sobre EDUCAÇÃO, a Concepção Crítico-Emancipatória (KUNZ, 2001a) defende o seguinte: “A educação é vista, desta forma, como uma interação com todos os aspectos consciente e socialmente regulamentados, na qual o jovem no percurso de seu desenvolvimento deverá ser qualificado, tanto para assimilar, como para dar continuidade ao desenvolvimento da Produção Cultural de uma Sociedade e neste processo de qualificação, ainda, se tornar uma pessoa independente e responsável.”
BRODTMANN e Outros apud KUNZ, 2001a, p. 136). “A Educação, no entanto, não pode ‘cruzar os braços’ e esperar que estas mudanças no plano político, econômico e social, por intermédio de outras instâncias, aconteçam. As mudanças na sua estrutura básica devem ser um objetivo imediato. Neste sentido, o sistema educacional brasileiro tem a obrigação de se antecipar às reformas sociais” (KUNZ, 2001a, p. 159).
Nessa aula você:
· Discutiu o tema Educação Profissional e as modalidades que a orientam incluindo a totalidade que constitui a vida do trabalhador, em suas dimensões no campo econômico, social, cultural, político e subjetivo.
Atividade
1º passo: Leia o artigo “Educação Profissional na LDB”;
2º passo: Faça a leitura do “ART 36/I, da LDB 9394/96”;
3º passo: reflita sobre o trecho que segue abaixo e, em seguida, responda ao que se pede:
A palavra usada, inclusive na LDB, é articulação. A efetiva integração ocorre quando o currículo é integrado. Se não há currículo integrado, é preciso aumentar ao máximo o nível de articulação, mas ainda serão cursos [de educação básica e profissional] distintos, em instituições e escolas distintas ou não. Mas não existe conhecimento técnico prescindido de conhecimento tecnológico e dos valores da cultura do trabalho. Por isso, o perfil profissional de conclusão que defendemos, quando elenca competências, está pensando em conhecimentos, habilidades, valores, atitudes, emoções: tudo de maneira integrada. (Leila leal / 2010)
R.: Será necessário aumentar o nível de articulação do currículo, se o mesmo não for integrado, visando atender à necessidade de se atingir uma verdadeira integração entre o conhecimento técnico, conhecimento tecnológico e os valores da cultura do trabalho.
1. Dentre os princípios básicos que orientam a educação profissional, marque:
1. INSTRUMENTAL ou 2. EMANCIPATÓRIA
( 2  ) conhecimento da realidade do trabalho, do ponto de vista social e técnico-científico
( 1  ) polivalência (multitarefas)
( 2  ) incorporação dos diferentes ângulos da prática produtiva
( 2 ) politecnia
( 1 ) execução com precisão de múltiplas tarefas
( 2 ) multilateralidade
Assinale a alternativa que indica a sequência correta das correspondências:
R.: 2; 1; 2; 2; 1; 2
2. A educação básica mantém uma relação de complementaridade com a educação profissional, que deve qualificar «jovens e adultos com capacidades e habilidades gerais e específicas para o exercício de atividades produtivas». Esta capacitação objetiva, em níveis diferentes deve:
R.: qualificar
Explicação:
Esta capacitação objetiva, em níveis diferentes: qualificar, reprofissionalizar e atualizar jovens e adultos com qualquer nível de escolaridade; habilitar profissionais matriculados ou egressos do ensino médio ou da educação superior; especializar e aperfeiçoar profissionais em áreas afins.
3. Em se tratando da Educação Profissional e Técnica de Nível Médio, a legislação estabelece que:
R.: as instituições de educação profissional/técnica poderão oferecer cursos de formação inicial e continuada.
4. Uma escola formativa deve ser capaz de "adequar o nível cultural das massas trabalhadoras ao desenvolvimento das forças produtivas, além de introduzi-las nas noções de direitos e deveres, fundamentais à constituição da cidadania." (MOCHCOVITCH, 1999, p. 64). Essa afirmativa está relacionada a uma educação do seguinte tipo:
R.: emancipatória.
5. Ferretti (2004) destaca a presença de diferentes racionalidades que orientam a prática pedagógica da educação profissional. A racionalidade emancipatória compreende a formação profissional como incorporada à educação integral, que se amplia para "incluir a elevação de escolaridade, a educação para o exercício da cidadania, a totalidade das dimensões que constituem a vida do trabalhador (econômica, social, cultural, política, subjetiva)" e tem como perspectiva a crítica social e a transformação.
A respeito dessa racionalidade emancipatória é possível afirmar que ela:
I) está centrada no desenvolvimento de uma percepção crítica em relação ao conteúdo técnico e ao contexto sócio-cultural do trabalho
II) tem por objetivo o questionamento das concepções de conhecimento dominantes, negando as propostas curriculares que favorecem os processos de inserção social e de aceitação do modelo social vigente
III) defende a prática profissional integral (dimensão técnica e política), e a articulação entre teoria e prática.
Assinale a opção correta:
R.: Todas as afirmativas são verdadeiras.
6. Gramsci (1979, p. 118) defende uma: "formação geral e humanista que equilibre equanimente o desenvolvimento da capacidade de trabalhar (tecnicamente, industrialmente) e o desenvolvimento das capacidades de trabalho intelectual" O texto expressa o conceito de educação:
R.: emancipatória.
7. As propostas de educação profissional emancipatórias estão orientadas para a construção de uma educação profissional integrada, que possa superar a dualidade sócio-educacional. Uma prática educacional cidadã, que forme sujeitos ativos, críticos e autônomos e rompa com: 
I. uma formação unilateral, orientada para a preparação de homens capazes apenas de realizar um trabalho alienado; 
II. as propostas instrumentais que adotam os enfoques da eficiência social, que atrelam a educação aos interesses imediatos do mundo produtivo; 
III. os formatos que buscam incorporar no currículo apenas os saberes necessários para execução de atividades profissionais segundo as exigências do mercado; 
Assinale a opção correta:
R.: Todas as afirmativas são verdadeiras.
8. Para a realização de um trabalho de educação profissional baseado numa concepção emancipadora, é fundamental:
I) priorizar a formação do sujeito-político e critérios éticos
II) incorporar uma abordagem tecnicista e instrumentalizante
III) articular os princípios científicos que regem as tecnologias à sua operacionalização
IV) adotar uma abordagem individualizante das competências
Assinale a opção correta:
R.: apenas as alternativas I e III são verdadeiras.

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