Logo Passei Direto
Buscar

Capítulo sobre Indústria 4.0 que apresenta objetivos de aprendizagem e discute impactos no mercado de trabalho, mudanças no perfil e nas atividades profissionais, competências exigidas, tecnologias-base (sistemas ciberfísicos, IoT, Big Data, nuvem, Machine Learning), interação com robôs e falta de mão de obra qualificada.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

INDÚSTRIA 4.0
Léia Maria Erlich Ruwer
O perfil do profissional 4.0
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Interpretar o impacto da implementação da Indústria 4.0 no perfil 
profissional.
  Distinguir as atividades profissionais antes e depois da Indústria 4.0.
  Analisar as competências necessárias na Indústria 4.0.
Introdução
O advento da Indústria 4.0 traz impactos para as relações de trabalho, impondo 
novas formas de atuar no ambiente laboral. Esses impactos afetam tanto as 
empresas — exigindo estruturas hierárquicas diferenciadas e colaborativas 
— quanto os profissionais — que necessitam adquirir novas competências 
para fazer frente às novas demandas do mercado de trabalho nessa nova era.
Para tanto, neste capítulo, você verá os aspectos relacionados à Indus-
tria 4.0 e ao mercado de trabalho e as consequentes mudanças no perfil 
profissional, bem como as mudanças nas atividades profissionais com essa 
revolução, com destaque para as competências necessárias na Indústria 4.0.
A Indústria 4.0 e o mercado de trabalho
Desde seu advento, a nova Revolução Industrial ou Indústria 4.0 traz impactos 
e mudanças com sua onda de alterações radicais relacionadas à produção 
industrial, impulsionada por avanços da robótica, nanotecnologia, biotecno-
logia, das tecnologias de informação e da inteligência artifi cial, entre outras, 
causando alterações também nas relações com os clientes e colaboradores, 
além de diversas outras demandas.
Para Schwab (2016), a Revolução Industrial atual difere em escala e complexi-
dade de qualquer outro evento vivenciado pela sociedade: é a Quarta Revolução 
Industrial. As revoluções industriais anteriores foram as impulsionadas pela 
introdução da máquina a vapor e o uso do carvão como combústível, seguidas do 
uso da eletricidade e da produção em massa, causando grandes transformações 
nos modos de produção, e ainda aquelas relativas à tecnologia e à automação, 
com o uso de computadores e da internet. Agora, em sua quarta versão, esta 
Revolução Industrial, impulsionada pela era digital e pelo mundo virtual, conduz 
a humanidade a outro patamar de interação e desenvolvimento. Se comparada às 
revoluções anteriores, a Indústria 4.0 (que tem na sua base tecnológica sistemas 
cibernéticos, Internet das Coisas, Big Data, Computação em Nuvem, Machine 
Learning, entre outros) é a revolução industrial mais rápida vista até agora e 
proporciona sensíveis mudanças nas cadeias globais de valor, alterando as formas 
de produzir, distribuir e consumir de toda a sociedade. 
As transformações relacionadas à Indústria 4.0 se apresentam com pers-
pectivas e potencial para o aumento da flexibilidade, da velocidade, da pro-
dutividade e da qualidade dos processos produtivos (GELBERT, 2015). Sua 
influência, entretanto, permeará outros âmbitos, como a política, a economia, 
as empresas e seus modelos de negócios, os governos, os indivíduos e, prin-
cipalmente, o mundo do trabalho. 
Nesse contexto, preveem-se impactos profundos nas relações de trabalho, 
uma vez que “[...] a união da Internet das Coisas com a rápida automatização 
desenha um novo cenário dentro das fábricas de todo o mundo” (ESTÚDIO 
ABC, 2016, documento on-line), revolucionando linhas de montagens e gerando 
produtos inovadores e customizados, com robôs cada vez mais integrados aos 
processos. Exige, assim, um novo perfil profissional a ser buscado pelas orga-
nizações: o de profissionais com novas habilidades, dentre as quais a de atuar 
de forma colaborativa com os robôs, para aumentar a produtividade, dentre 
outras características. Esse novo perfil não será mais apenas responsável por 
parte específica da linha de montagem, mas por todo o processo produtivo. 
Uma pesquisa da consultoria Roland Berger estimou a escassez de mais 
de 200 milhões de trabalhadores qualificados no mundo nos próximos 
20 anos. Um dos motivos que contribuem para esse cenário é a neces-
sidade de cada vez mais mão de obra qualificada. Técnicos deixarão 
de exercer funções repetitivas, como o encaixe de uma peça em um 
smartphone, por exemplo. Isso não significa, porém, que os funcionários 
serão eliminados das linhas de produção. Eles ficarão concentrados em 
tarefas estratégicas e no controle de projetos (ESTÚDIO ABC, 2016).
O perfil do profissional 4.02
Para Schwab (2016) e Hecklau (2016), os principais desafios sociais decor-
rentes da Indústria 4.0 serão observados na força de trabalho, na empregabi-
lidade e na exigência de que os indivíduos aperfeiçoem cada vez mais suas 
competências para fazer frente às novas tecnologias e, dessa forma, possam ter 
garantias de empregabilidade — aliadas às mudanças demográficas já em curso 
e ao envelhecimento da população, entre outros desafios a serem superados. 
O Relatório “Futuro do Trabalho: Emprego, Competências e Estratégia da 
força de trabalho para a Quarta Revolução Industrial” apresentado no Fórum 
Econômico Mundial em 2016, em Davos, na Suíça, aponta impactos nas 
relações de trabalho nos países cobertos pelo estudo que vão desde a perda 
de postos de trabalho concentrados principalmente em funções de rotina de 
escritório e administrativas até um aumento de milhões de empregos em áreas 
específicas (como computação, matemática, arquitetura e engenharia), bem 
como exigências no sentido de maior produtividade do trabalho e ampliação 
das habilidades (SCHWAB; SAMANS, 2016).
O referido relatório aponta que, juntos, aspectos tecnológicos, socioeco-
nômicos, geopolíticos, evolução demográfica, bem como as interações entre 
esses aspectos, irão gerar novas categorias de empregos e ocupações, além 
de alterações nos conjuntos de habilidades exigidas em antigas e novas ocu-
pações (grande parte nas industrias), e, ainda, vão transformar como e onde 
os indivíduos trabalham, trazendo, com isso, novos desafios administrativos 
e de caráter regulatório (SCHWAB; SAMANS, 2016).
Ainda, segundo o mesmo documento, nesse cenário de emprego em rápida 
evolução, capacidades como a de se antecipar e se preparar frente aos requisitos 
de habilidades futuras, conteúdo do trabalho e efeito agregado sobre o emprego 
são cada vez mais necessárias para empresas, governos e indivíduos — para 
que possam aproveitar plenamente as oportunidades dessa nova revolução e 
também mitigar qualquer resultado indesejável (SCHWAB; SAMANS, 2016). 
Esse cenário é confirmado por estudos como o realizado por Tessarini e 
Saltorato (2018) sobre os impactos da Indústria 4.0 na organização do trabalho, 
no qual, verificando as principais publicações e fazendo uma revisão sistemá-
tica da literatura sobre o tema, os autores destacaram os seguintes impactos:
  aumento do desemprego tecnológico, em contrapartida à criação e/
ou ao aumento de postos de trabalho mais complexos e qualificados;
  necessidade de desenvolvimento de novas competências e habilidades;
  maior interação entre homem e máquina;
  transformações nas relações socioprofissionais.
3O perfil do profissional 4.0
Nessa perspectiva, os profissionais que quiserem se manter ativos e con-
quistar seu espaço na Indústria 4.0 necessitam desenvolver novas habilidades, 
além daquelas que já existiam e que já tinham. 
No link a seguir, você terá acesso ao relatório completo do World Economic Forum 
para aprofundar seu conhecimento.
https://qrgo.page.link/tpEo
Indústria 4.0: mudanças nas atividades 
profissionais 
Segundo Schwab (2016), a Quarta Revolução Industrial é marcada por veloci-
dade (acontecimentos em ritmo muito mais rápido), amplitude e profundidade 
(muitas mudanças radicais simultaneamente envolvidas) e a transformação 
completa de sistemas inteiros. Para o autor, levando-se em conta esses impulsio-
nadores, pode-se afi rmar que “[...] as novas tecnologias mudarão drasticamente 
a natureza do trabalho em todos os setores e ocupações” (SCHWAB, 2016, p. 
30). Já quanto às incertezas desse processo, o autor aponta questionamentos 
como: qual é a quantidade de postosde trabalho a serem substituídos pela 
automação e qual é o tempo para que isso ocorra? 
Nesse cenário, ainda de acordo com Schwab (2016), verifica-se o efeito 
destrutivo comum às rupturas ocasionadas pela tecnologia e pela automação ao 
substituir o trabalho por capital e que levam os trabalhadores ao desemprego 
ou a realocar as suas habilidades em outras atividades. Por outro lado, esse 
efeito destrutivo é acompanhado de um efeito capitalizador, que promove 
a demanda de novos bens e serviços, que, por sua vez, acarreta aumento e 
criação de novas profissões e até mesmo organizações. 
As atividades profissionais que surgem na Indústria 4.0 estão relacionadas 
às novas tecnologias a serem empregadas em todas as áreas; dessa forma, as 
profissões existentes sofrerão uma adaptação às evoluções que a revolução em 
curso traz para seus produtos e processos. Segundo Gonçalves (2018), na área 
O perfil do profissional 4.04
automotiva, por exemplo, estarão em evidência ocupações que se relacionam 
às áreas de programação e mecânica dos controles eletrônicos, telemetria e 
informática veicular, além de mecânicos de veículos híbridos. Ainda segundo o 
autor, na área de tecnologia da informação e comunicação, estarão em destaque 
os especialistas em análise de Internet das Coisas e Big Data, bem como enge-
nheiros de softwares de gestão e cibersegurança para as empresas. No setor de 
máquinas, a demanda será sobre profissionais preparados para manutenção e 
automação industrial e relacionados a projetos para as tecnologias 3D. 
Em referência ao futuro das atividades profissionais, cabe destacar o estudo 
apresentado pela consultoria americana McKinsey e Company, que, em 2017, 
analisou 800 profissões em 46 países do mundo e apontou que até um terço 
dos trabalhos atuais existentes sofrerá automatização num prazo de até 12 anos 
(MANYIKA et al., 2017). Além disso, o relatório destaca que os empregos que 
mais estarão suscetíveis à automação são aqueles que envolvem atividades físicas 
em ambientes previsíveis ou funções de trabalho repetitivo (a exemplo de opera-
dores de máquinas e funcionários do setor de alimentação). Os resultados também 
apontam como vulneráveis ao processo de automação as atividades relacionadas 
à coleta e ao processamento de dados (como corretores imobiliários, assistentes 
jurídicos, contadores e profissionais ligados a setores administrativos). Por outro 
lado, aqueles empregos que envolvem gestão de pessoas, expertise e interações 
sociais (como médicos, advogados, professores, etc.) têm chances menores de 
substituição por robôs, considerando-se que as máquinas ainda não conseguem 
reproduzir a performance humana nesse âmbito. Enquanto isso, trabalhos mais 
especializados, mas com salários mais baixos e ambiente imprevisível (como o de 
jardineiros, encanadores, cuidadores, etc.), também se apresentariam como menos 
vulneráveis, pois são atividades tecnicamente difíceis de automatizar e em que os 
custos fazem com que essa ação seja menos atraente (MANYIKA et al., 2017).
Cabe observar ainda que, segundo o relatório, mesmo que algumas ta-
refas sejam automatizadas, o número de empregos nessas ocupações pode 
permanecer igual, pois os indivíduos podem começar a realizar novas tarefas 
(MANYIKA et al., 2017). Em suma, o referido estudo indica que existem 
possibilidades de manter todos os empregos na maior parte dos cenários 
avaliados; entretanto, as transições se apresentarão de forma extremamente 
desafiadora (MANYIKA et al., 2017). 
Complementando, a McKinsey e Company apresenta, também, algumas 
fontes possíveis de nova demanda por profissionais capazes de promover a 
criação de empregos até 2030, mesmo sob os efeitos da automação, como:
5O perfil do profissional 4.0
  renda e consumo crescentes, especialmente nas economias emergentes: 
empregos para todas as categorias; 
  envelhecimento da população (e suas consequentes demandas): empregos 
para médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, assistentes de saúde em 
domicilio, cuidadores e auxiliaries de enfermagem); 
  desenvolvimento e implementação de novas tecnologias: empregos em 
serviços de tecnologia da informação; 
  infraestrutura e imóveis (se houver investimentos para corrigir falhas 
e acabar com o déficit habitacional): empregos para arquitetos, enge-
nheiros, eletricistas, carpinteiros e outros profissionais especializados 
e também para os trabalhadores da construção civil);
  investimentos em energia renovável (aeólica e solar, por exemplo): 
empregos para diversas ocupações, como manufatura, construção e 
instalação;
  remuneração de serviços atualmente não remunerados: empregos com 
trabalhos domésticos, assistência a crianças, educação infantil, limpeza 
geral, culinária e jardinagem (MANYIKA et al., 2017).
Por fim, a McKinsey e Company analisou as variações líquidas no au-
mento do emprego em todos os países e apontou como categorias de maior 
crescimento (mesmo levando em conta a automação) as seguintes ocupações: 
prestadores de serviços de saúde; profissionais como engenheiros, cientistas, 
contadores e analistas, profissionais de TI e outros especialistas em tecnolo-
gia; gerentes executivos, educadores, profissionais criativos, construtores e 
profissões afins; trabalhadores manuais e prestadores de serviços em geral 
(MANYIKA et al., 2017).
Buscando contribuir com o debate acerca das oportunidades e mudanças 
geradas pela tecnologia no ambiente de produção, Tessarini e Saltorato (2018, 
documento on-line) apontam que o que parece ser consenso entre os diversos 
estudiosos a esse respeito é que a criação de novas vagas será “[...] em níveis 
gerenciais ou em áreas que exigem maior qualificação, como ciências mate-
máticas e da computação, engenharia e arquitetura; enquanto o declínio de 
empregos ocorrerá principalmente em tarefas simples e rotineiras e portanto 
mais suscetíveis à automação”. Além disso, os autores apresentam um quadro 
que ilustra os impactos da indústria 4.0 na organização do trabalho, abordando 
as transformações que ocasionarão redução de empregos em determinadas 
áreas de atuação (Quadro 1).
O perfil do profissional 4.06
Fonte: Adaptado de Tessarini e Saltorato (2018).
Transformação
Redução de 
empregos
Criação de empregos
Utilização de Big 
Data no controle 
de qualidade
Especialistas em 
controle de qualidade
Analistas de dados 
industriais
Utilização de robôs, 
veículos autônomos 
e impressoras 3D nas 
linhas de produção
  Operadores 
de produção, 
montagem e 
embalagem;
  Pessoal de logística
  Coordenadores de 
robôs; 
  Engenheiros e espe-
cialistas em pesquisa e 
desenvolvimento
Redes de suprimentos 
e linhas de produção 
autônomas e 
inteligentes
Especialistas em 
planejamento 
de produção
Especialistas em 
modelagem e 
interpretação de dados
Manutenção preditiva 
automatizada
Técnicos de 
manutenção 
tradicionais
Analistas de dados, 
sistemas e TI
 Quadro 1. Impactos da Indústria 4.0 na organização do trabalho 
Esse quadro demonstra que, na Indústria 4.0, ao mesmo tempo que muitas 
funções tendem a ser extintas, outras novas devem surgir para atender às 
novas demandas. 
Desenvolvimento de competências requeridas 
pela Indústria 4.0
Por se tratar de uma revolução ainda em curso, não existe um consenso dos 
autores acerca das competências e habilidades exigidas e esperadas na Indústria 
4.0. Sabe-se de antemão que, a exemplo das revoluções industriais anteriores, 
também estão postas exigências no que diz respeito à adaptação às novas tecno-
logias e às mudanças organizacionais provocadas por elas, de forma a manter a 
empregabilidade. Entretanto, verifi ca-se que estão sendo feitos inúmeros estudos, 
contemplando diferentes abordagens e metodologias, para detectar e qualifi car as 
competências e habilidades comuns e que são indispensáveis aos profi ssionais nessa 
nova era, independentemente da função que exerçam e das suas particularidades.
7O perfil do profissional 4.0
Com o objetivo de levantar e apresentaresses estudos sob diferentes perspec-
tivas, Tessarini e Saltorato (2018, documento on-line) identificaram as principais 
competências comuns nas pesquisas do tema, classificando-as em três categorias: 
  competências funcionais: aquelas que se fazem necessárias para o 
desempenho técnico e profissional das tarefas; 
  competências comportamentais: aquelas mais intrínsecas e que dizem 
respeito às atitudes do indivíduo; 
  competências sociais: aquelas que se relacionam com a capacidade de 
interação e trabalho com outras pessoas. 
A partir dessas informações, os autores formularam as competências 
requeridas na Indústria 4.0, apresentadas no Quadro 2, a seguir.
Fonte: Adaptado de Tessarini e Saltorato (2018).
Competências 
funcionais
  Resolução de problemas complexos
  Conhecimento avançado de TI, incluindo codificação 
e programação
  Capacidade de processar, analisar e proteger dados e 
informações
  Operação de controle de equipamentos e sistemas
  Conhecimento estatístico e matemático
  Alta compreensão nos processos de manufatura
Competências 
comportamentais
  Flexibilidade
  Criatividade
  Capacidade de julgar e tomar decisões
  Autogerenciamento do tempo
  Inteligência emocional
  Mentalidade orientada para aprendizagem
Competências 
sociais
  Habilidade de trabalhar em equipe
  Habilidades de comunicação
  Liderança
  Capacidade de transferir conhecimento
  Capacidade de persuasão
  Capacidade de comunicar-se em diferentes idiomas 
 Quadro 2. Competências requeridas pela Indústria 4.0 
O perfil do profissional 4.08
Pelas competências apontadas no Quadro 2, é possível perceber que as 
exigências da Indústria 4.0 não são, necessariamente, de novas habilidades. O 
que ocorre é a maior exigência dessas competências e a compreensão de que os 
profissionais que não as adquirirem estarão sujeitos a desemprego (EDWARDS; 
RAMIREZ, 2016). Pode-se apreender, ainda, que as competências requeridas 
pela Indústria 4.0 delineiam um professional muito mais generalista do que 
especialista em função dos conhecimentos interdisciplinares exigidos consi-
derando a organização, os processos e as tecnológicas envolvidas. 
A partir disso, cabe verificar como será possível desenvolver as compe-
tências requeridas pela Indústria 4.0 e elencar estratégias para promover o 
potencial humano nas organizações para fazer frente a essa necessidade. Para 
Tessarini e Saltorato (2018), é possível apontar como principais estratégias 
emergentes, nesse sentido, a aprendizagem e a inovação no ambiente de trabalho 
e a reformulação nos sistemas educacionais, de forma a unificar interesses 
públicos, privados e científicos. 
Segundo a revista EXAME, “O processo industrial está se transformando 
de forma irreversível — e quem quiser ter sucesso nesse novo cenário terá que 
desenvolver novas habilidades” (ESTÚDIO ABC, 2015, documento on-line). 
Nesse sentido, quatro características se destacam entre as que os profissionais 
precisarão desenvolver para fazer frente à Indústria 4.0 (Quadro 3).
Fonte: Adaptado de Estúdio ABC (2015).
Formação 
multidisciplinar
As indústrias continuarão precisando de gente com 
formação específica, mas terão de lidar cada vez mais 
com áreas sobre as quais não estudaram na faculdade.
Capacidade de 
adaptação
Os profissionais precisarão aprender a lidar 
com máquinas e robôs inteligentes.
Senso de 
urgência
Se exigirá dos profissionais discernimento 
para entender os limites entre o que é urgente 
e o que pode ser resolvido depois.
Bom 
relacionamento
O avanço da automação exigirá competências 
diferentes de cada um. Em um ambiente cada vez 
mais digitalizado, a colaboração ganhará força.
 Quadro 3. Características dos profissionais da indústria 4.0 
9O perfil do profissional 4.0
Para Gonçalves (2018), as organizações passarão a atuar cada vez mais com 
equipes multidisciplinares, que compreendam a indústria como um todo, e não 
somente de acordo com suas especialidades. Nesse sentido, o autor destaca a 
necessidade e a importância de que os profissionais e organizações busquem 
capacitação relacionada ao funcionamento de novas ferramentas de gestão e 
produção que a Indústria 4.0 proporciona, seja por meio de cursos, treinamento 
e desenvolvimento e especializações — somente assim estarão capacitados na 
transição para o novo modelo de indústria e suas particularidades.
EDWARDS, P.; RAMIREZ, P. When should workers embrace or resist new technology? 
New Technology, Work and Employment, [s. l.], v. 31, n. 2, p. 99–113, 2016. Disponível em: 
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/ntwe.12067. Acesso em: 3 abr. 2019.
ESTÚDIO ABC. Como será o profissional da indústria 4.0? Exame, Rio de Janeiro, RJ, 3 jun. 
2016. Disponível em: https://exame.abril.com.br/tecnologia/como-sera-o-profissional-
-da-industria-4-0/. Acesso em: 3 abr. 2019.
ESTÚDIO ABC. Indústria 4.0 exigirá um novo profissional. Exame, Rio de Janeiro, RJ, 20 
jul. 2015. Disponível em: https://exame.abril.com.br/tecnologia/industria-4-0-exigira-
-um-novo-profissional/. Acesso em: 3 abr. 2019.
GELBERT, P. et al. Industry 4.0: the future of productivity and growth in manufacturing 
industries. Boston Consulting Group, [s. l.], 9 abr. 2015. Disponível em: https://www.bcg.
com/pt-br/publications/2015/engineered_products_project_business_industry_4_fu-
ture_productivity_growth_manufacturing_industries.aspx. Acesso em: 3 abr. 2019.
GONÇALVES, E. Indústria 4.0: qual o impacto no mercado de trabalho? A Voz da Indústria, 
[s. l.], 25 set. 2018. Disponível em: https://avozdaindustria.com.br/industria-4-0-impacto-
-no-mercado-de-trabalho/. Acesso em: 3 abr. 2019.
HECKLAU, F. et al. Holistic approach for human resource management in industry 4.0. 
Procedia CIRP, [s. l.], v. 54, p. 1-6, 2016. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/
science/article/pii/S2212827116308629?via%3Dihub. Acesso em: 3 abr. 2019.
MANYIKA, J. et al. O futuro do Mercado de trabalho: impacto em empregos, habilidades 
e salários. McKinsey & Company, [s. l.], nov. 2017. Disponível em: https://www.mckinsey.
com/featured-insights/future-of-work/jobs-lost-jobs-gained-what-the-future-of-work-
-will-mean-for-jobs-skills-and-wages/pt-br. Acesso em: 3 abr. 2019.
SCHWAB, K. A quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro, 2016.
O perfil do profissional 4.010
SCHWAB, K.; SAMANS, R. The future of jobs: employment, skills and workforce strategy 
for the fourth industrial revolution. Global challenge insight report. Geneva: World 
Economic Forum, 2016. Disponível em: http://www3.weforum.org/docs/WEF_Fu-
ture_of_Jobs.pdf. Acesso em: 3 abr. 2019.
TESSARINI, G.; SALTORATO, P. Impactos da indústria 4.0 na organização do trabalho: 
uma revisão sistemática da literatura. Revista Produção Online, Florianópolis, SC, v. 18, 
n. 2, p. 743-769, 2018. Disponível em: https://www.producaoonline.org.br/rpo/article/
view/2967. Acesso em: 3 abr. 2019.
Leitura recomendada
SCHWAB, K. Aplicando a quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro, 2018.
11O perfil do profissional 4.0

Mais conteúdos dessa disciplina