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CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E 
QUALIDADE DE VIDA 
Autora 
ERINEIDE DA COSTA E SILVA 
 
 
 
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
2 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DISCUTINDO O CONHECIMENTO CIENTÍFICO: 
APONTAMENTOS SOBRE AS CIÊNCIAS 
HUMANAS – UNIDADE – 1 
Professor Pesquisador/Conteudista 
ERINEIDE DA COSTA E SILVA 
Coordenação da Produção de Material 
Didático 
ARTEMILSON LIMA 
Design Instrucional 
ILANE CAVALCANTE 
Coordenação de Tecnologia 
ELIZAMA LEMOS 
Revisão Linguística 
ROBERTA DUARTE DE ARAUJO 
KALINA ALESSANDRA RODRIGUES DE PAIVA 
Formatação Gráfica 
MARCELO POLICARPO ALVES 
Ilustrador 
MARCELO POLICARPO ALVES 
 
 
GOVERNO DO BRASIL 
 
Presidente da República 
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA 
Ministro da Educação 
FERNANDO HADADD 
Secretário de Educação a Distância 
CARLOS EDUARDO BIELSCHOWSKY 
Reitor do IFRN 
BELCHIOR DA SILVA ROCHA 
Chefe da DETED/UAB 
ERIVALDO CABRAL 
Coordenadora da UAB/IFRN 
ANA LÚCIA SARMENTO HENRIQUE 
Coordenadora do Curso de 
Especialização em Educação Ambiental 
e Geografia do Semi-Árido numa 
abordagem interdisciplinar 
LECI MARTINS MENEZES REIS 
 
 
 
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
3 
 
 
UNIDADE 01: 
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 
 
 APRESENTANDO A UNIDADE 
 
 
Nesta primeira unidade, em que daremos início à componente curricular Ética, 
Cidadania e Meio Ambiente, será abordado o tema cidadania, meio ambiente e qualidade de 
vida. Será um momento de refletirmos sobre uma temática complexa, mas possivelmente 
inquietante e desafiante para nós, educadores e cidadão, que acreditamos na perspectiva de 
um mundo mais justo e menos egocêntrico/antropocêntrico. 
Nesse momento, em que abordaremos a relação cidadania, meio ambiente e 
qualidade de vida, a questão da cidadania será focalizada como maior ênfase, por ser ponto de 
partida para que obtenha qualidade de vida e meio ambiente equilibrado. 
A palavra cidadania é bastante utilizada em nosso cotidiano e tem vários sentidos. 
Mas, atualmente, significa em sua essência, o direito de viver decentemente. (DIMENSTEIN, 
1994). Esse direito essencial à vida distancia-se, cada vez mais, de uma grande parcela da 
nossa sociedade que, à margem de seus direitos básicos, fica excluída da vida social e 
democrática no país. 
Essas desigualdades entre povos e nações resultam da concentração das riquezas 
que ficam nas mãos de uma pequena minoria, a elite, a qual passa a concentrar o poder na 
economia, na política e na comunicação. Consequentemente, impedem o acesso à educação, à 
saúde e ao bem-estar social da maioria da população dos países pobres que se submetem a 
condições de trabalho indignas, com salários irrisórios para produzir bens que, dificilmente, 
terão acesso por meios legais. Tudo isso gera degradação humana e exaure as riquezas 
naturais. 
As misérias cultural e material corroem a dignidade humana, fazendo o homem 
trabalhar por qualquer preço, quando há trabalho; vender seu voto em troca de um produto 
e/ou algum tipo de favor. Desse modo, só há uma chance de mudança: é necessário que todo 
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
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cidadão tenha acesso à educação, à saúde, aos bens culturais e materiais indispensáveis a uma 
vida digna, para que, assim, possa participar das decisões que afetam a qualidade do meio 
ambiente, de sua vida e de suas relações sociais. 
Como esperar que essa parcela de seres humanos se torne sujeita de sua própria 
história, protagonistas sociais não só na busca da satisfação de suas necessidades imediatas 
não atendidas mas também no processo de tomadas de decisões que interferem na sua 
realidade? 
Essa discussão fará parte desse momento inicial, que considera: o que é cidadania e 
quais os seus desafios; a relação entre cidadania, meio ambiente e qualidade de vida. 
Também, refletiremos acerca da relatividade do conceito de qualidade de vida e seus possíveis 
indicadores. Logo, esperamos que, ao final dessa unidade, você seja capaz de: 
 compreender o que é cidadania e a importância da participação social no 
processo de transformação da realidade socioambiental, local, global e, consequentemente, 
da melhoria da qualidade de vida; 
 fundamentar o seu discurso sobre concepções de cidadania, a fim de que 
este passe a articular sua teoria-prática no cotidiano, seja como cidadão e/ou como 
profissional; 
 refletir sobre a relatividade do conceito de qualidade de vida e seus 
possíveis indicadores; 
 Estabelecer uma relação entre meio ambiente, cidadania e qualidade de 
vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
 
O homem integral é um ser em busca solidária de sobrevivência e 
transcendência. 
Ubiratan D´Ambrósio 
1. O que é cidadania? 
O tema cidadania tem estado, cada vez mais, em evidência no mundo contemporâneo, 
principalmente diante das grandes transformações, decorrentes do estágio atual da 
globalização, vivenciado no Planeta. 
Em princípio, sua expressão originária do latim, “civitas”, era atribuída ao indivíduo 
habitante da cidade ou pólis grega. Na Roma antiga, indicava a situação política de homens 
livres e seus direitos em relação ao Estado romano, excetuando-se mulheres, escravos, 
crianças, entre outros. 
Essa concepção do conceito de cidadania relacionada à vida na cidade foi evoluindo, 
dando ênfase à capacidade do exercício do direito e do dever de cidadão até chegar à 
formação do estado democrático, com o surgimento da possibilidade de todos os homens 
serem iguais, ao menos perante a lei. Atualmente, sua dimensão remete-se ao exercício da 
cidadania plena que pressupõe os direitos civis, políticos e sociais de cada cidadão. 
Covre (2007), em sua obra O que é cidadania, discute essa categoria, a partir de 
concepções diferentes e, em alguns momentos, até mesmo opostas. Por quê? Como pensar 
em um tema tão presente em nosso cotidiano, tão complexo, seja em seu aspecto teórico, seja 
em seu aspecto prático? A autora nos convida a buscar essa resposta por meio da leitura dessa 
obra, destacando inicialmente o conceito de cidadania como “o resultado não de uma 
representação estanque, mas de um processo dialético em incessante percurso em nossa 
sociedade”. (COVRE, 2007, p. 8). 
Partilhamos do entendimento dessa autora e esperamos que, ao final de suas leituras, 
você tenha encontrado respostas satisfatórias para tal questionamento. Mesmo assim, para 
fins didáticos, apresentamos o ponto de vista de Dallari (1998), expresso na obra Direitos 
humanos e cidadania: 
[...] um conjunto de direitos que dá ao ser humano a possibilidade de 
participar ativamente da vida e do governo de seu povo. [...] Quem não tem 
cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de 
decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social. 
(DALLARI, 1998, p. 14). 
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃOAMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
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O artigo de Santana, intitulado O que é cidadania, nos mostra que esta se confunde 
com a história das lutas pelos direitos humanos, por isso esteve em permanente construção e, 
assim, permanece. É um referencial de conquista da humanidade, através daqueles que 
sempre lutaram por mais direitos, maior liberdade, melhores garantias individuais e coletivas, 
e não se conformam frente às dominações arrogantes, seja do próprio Estado, seja de outras 
instituições ou pessoas que não abrem mão de seus privilégios, da opressão e de injustiças 
contra uma maioria desassistida a qual não consegue se fazer ouvir, exatamente porque lhe é 
negada a cidadania plena. Mesmo assim, sua conquista, ainda que tardia, não poderá ser 
impedida por ser inerente à vida humana. 
Essa compreensão encontra aporte teórico no pensamento de Covre (2007, p. 11), 
quando enfatiza que “cidadania é o próprio direito à vida no sentido pleno”, ou seja, trata-se 
de direito que precisa ser construído coletivamente, não só em temos de atendimento às 
necessidades básicas, mas acesso a outros elementos (material, espiritual) imprescindíveis à 
existência humana, incluindo o mais abrangente, que é o papel do ser humano no universo. 
Ao compreender a cidadania como categoria estratégica para uma vida melhor, essa 
autora enfatiza que ela depende da ação dos sujeitos e dos grupos básicos em conflito, bem 
como das condições globais em sociedade. Nesse sentido, o homem é um sujeito histórico, 
cujas ações estão atreladas às necessidades humanas de indivíduos subjetivos, mas também 
sujeitos grupais, partindo de espaços de vivências cotidianas (bairro, trabalho, etc.) até chegar 
a uma dimensão mais global da sociedade. 
E se nos questionarmos qual o retrato da nossa cidadania, hoje, em nosso país? 
Entendendo sob o aspecto da dialética marxista defendida por Covre (2006), observa-se que, 
ao logo de nossa história, novos instrumentos foram colocados à disposição daqueles que 
lutam por um país cidadão, registrando-se avanços significativos a partir da Constituição de 
1988. Dentre outras conquistas, a partir da Nova Carta, intitulada “Constituição cidadã”, veio 
o Código de Defesa do Consumidor; um novo Código de Trânsito; um novo Código Civil, 
citando ainda direitos referentes às minorias, como o Estatuto da Criança e do Adolescente; o 
do Idoso, entre outros. Em relação à defesa do meio ambiente, ganhou-se espaço nessa 
Constituição com um capítulo específico para esse tema. 
Vale ressaltar que a existência do direito em aparato legal não assegura a existência da 
cidadania. Esta depende do contínuo enfrentamento político adotado pelos diversos 
segmentos sociais, ou seja, sua existência depende da prática da reivindicação, da apropriação 
do direito, fazendo-o valer. Lembrando, ainda, que os associados aos direitos do cidadão veem 
os seus respectivos deveres. Destacamos, entre eles, ter responsabilidade em conjunto pela 
coletividade; cumprir normas e propostas elaboradas e decididas coletivamente; fazer parte 
de um governo direta ou indiretamente, ao votar, ao pressionar via movimentos sociais, etc. 
A existência de uma cidadania ativa e participativa e, portanto, efetiva, depende de um 
Estado verdadeiramente democrático. Lamentavelmente, uma massa de excluídos que o atual 
modelo de desenvolvimento criou, ainda vive à margem de seus direitos básicos, por isso não 
têm condições de acessar alguns instrumentos jurídicos para buscar os seus direitos. Às vezes, 
o próprio Estado, via alguns órgãos, atropela direitos básicos e fundamentais que, para 
requerer, o cidadão precisa submeter-se a excessos de burocracia para ter um direito que na 
prática não lhe é oferecido. Como exemplos, podemos citar excesso de comprovantes de 
documentos, fotocópias, requerimentos que significam obstáculos intransponíveis, 
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
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principalmente para aqueles menos favorecidos, pois requerem idas e vindas, custos com 
passagens/transportes, saída em horários de trabalhos, fazendo-os deixar os afazeres 
domésticos e etc. 
 A cidadania é uma questão política e está extremamente relacionada a um Estado e a 
uma sociedade democrática. Em relação ao Estado brasileiro, mesmo diante de avanços 
consideráveis, nas últimas décadas, ainda se tem muito a realizar para que a verdadeira 
cidadania não seja utópica. Por outro lado, não devemos esquecer de que a verdadeira 
cidadania vem dessas pequenas coisas das quais precisamos para o seu exercício; o que requer 
um esforço concentrado para que não nos submetamos a comportamentos injustos que, 
ainda, persistem em nosso cotidiano. 
 Nesse sentido, tornamo-nos cidadãos à medida que passamos a intervir na realidade e 
nos apropriamos de mecanismos de luta para modificar essas estruturas injustas e perversas 
que nos são impostas. A partir da construção desse comportamento cidadão, passamos a nos 
posicionar perante o mundo, os nossos semelhantes e nós mesmos. 
 
2. Cidadania e meio ambiente 
O surgimento e a evolução do pensamento ambiental estão diretamente associados ao 
desenvolvimento das ciências e da tecnologia, ocorridos ao longo da história da civilização, 
assim como as degradações e alterações ambientais processadas no planeta Terra. 
Embora as preocupações com o meio ambiente e a ocorrência da degradação 
ambiental sejam antigas, foi a partir da segunda metade do século XX que essas preocupações 
se intensificaram e a humanidade começou a perceber que a vida nesse planeta se tornaria 
impossível, se a degradação ambiental continuasse de forma progressiva, como vem se 
caracterizando atualmente. Por isso, a crise ambiental e a manutenção da vida na Terra 
passaram a ser preocupações planetárias que precisam ser enfrentadas em todas as escalas: 
global, nacional e local. 
Sob esse prisma, o exercício da cidadania, em relação à temática ambiental, tem se 
tornado um dos principais desafios para a sociedade atual. Sua discussão avança em diversos 
campos, a saber, na política, na economia e no cotidiano da sociedade que tem como grandes 
aliados os meios de comunicação. Estes têm contribuído bastante na propagação da questão 
ambiental, embora sua maior ênfase seja a formação da cultura em massa e do consumo, 
fatores extremamente perversos, sejam para degradação da natureza, sejam na ampliação das 
desigualdades sociais. 
O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, em nosso país, foi assegurado 
pela Constituição Cidadã, promulgada em 1988, com capítulo específico sobre Meio Ambiente, 
cujo Artigo 225 destaca: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, 
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder 
Público e coletividade o dever de preservá-lo *...+”. (BRASIL, CF, 1988). 
Esse fato sinaliza a ampliação da responsabilidade e consciência individuais para uma 
responsabilidade e consciência coletivas; o que exige da sociedade um engajamento em ações 
voltadas às relações harmoniosas com a natureza. Essas ações passam por mudanças que 
exigem adoção de novos comportamentos e estilos de vida da sociedade. Estes, por sua vez, 
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
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devem ser refletidos nos padrões de produção, consumo e proteção. Para tal, reconhece-se 
como imprescindível o papel do Estado via políticas efetivas voltadas para diversos setores, 
principalmente, no campo educacional, por se constituir como um dos pilares indispensáveis à 
garantia da formação de uma consciência ambiental e, por conseguinte, à sustentabilidade do 
planeta. 
Vale ressaltar que a formação de uma consciência ambiental vai além dos aspectos 
cognitivos, pois estádiretamente vinculada a uma postura ética, contemplando hábitos, 
costumes, normas e valores. Assim, à medida que a sociedade adquire essa compreensão, 
passa a perceber o meio ambiente em sua complexidade, numa dimensão de totalidade, cujo 
ser humano é parte integrante deste. Na condição de integrante, precisa cuidar de si e do meio 
para que a vida esteja e continue em sintonia com o ambiente. 
Assim, torna-se evidente o papel da educação ambiental na formação de uma 
cidadania ambiental. O reconhecimento do eu, enquanto parte integrante da natureza e da 
sensibilidade do cuidar/cuidar-se, depende de uma prática educativa que oportunize à 
sociedade a aquisição de uma nova postura, novos valores, aptidões e ações indispensáveis ao 
seu relacionamento com o ambiente. Em sua essência, a base da alfabetização ambiental está 
inserida em um ato político voltado para a transformação social. Daí, “tem-se um cidadão com 
a capacidade de vigiar e participar na instrumentalização das políticas públicas e com um 
projeto próprio para alcançar uma manipulação de recursos naturais mais racional e 
eqüitativo, e um entorno mais habitável”. (BÁRCENA, 2000, p.16). 
Ao assumir essa postura, a sociedade torna-se consciente de que as relações 
harmoniosas são indispensáveis à qualidade de vida no presente e no futuro, começando, 
então, a desempenhar o seu papel, adotando novos comportamentos em relação ao meio 
ambiente. Como resultado, espera-se um cidadão que, além de se sentir em sintonia com a 
natureza, torne-se crítico e consciente, disposto a reclamar e a exigir um ambiente saudável. 
Nesse exercício, tem-se uma prática voltada para sua própria responsabilidade ambiental. 
Essa responsabilidade é conduzida por sujeitos individuais e coletivos, que optam pela 
construção de novos caminhos, estabelecidos atualmente pela sociedade. Sua ação, enquanto 
cidadão, vai além do comportamento individual e volta-se à construção de uma nova postura 
ética, embasada nos direitos humanos e na justiça social, vieses imprescindíveis na construção 
da cidadania. Essa dimensão política torna-se objeto imprescindível na formação de uma 
consciência ambiental, pois é a partir dessa visão crítica que se questiona e problematiza a 
realidade socioambiental, buscando-se potencializar uma reflexão que subsidie uma prática 
em busca da transformação. 
 
3. Qualidade de vida 
O que seria exatamente qualidade de vida? Seu conceito é bastante antigo e, por mais 
que tenhamos dificuldade em definir, na prática, entendemos bem o que implica qualidade de 
vida, ou não. 
No século XX, o conceito de qualidade de vida passou a ser correlato ao de consumo. A 
partir dessa concepção, a sociedade passou a ser dominada pelo cálculo econômico e, 
 
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UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
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consequentemente, pela cultura do ter e do desperdício. Assim, ao determinar padrões de 
qualidade de vida pautados em possibilidades de consumo em massa, o indivíduo passou a ser 
valorizado pelo que possuia e não pelo que era. Isso refletiu diretamente na forma de uso e 
apropriação dos recursos naturais e nas desigualdades sociais. 
Em virtude do símbolo de qualidade de vida ter passado a ser o de bem-estar, 
conseguido graças ao uso de bens de consumo, a contribuição de cada produto passou a ser 
não apenas o grau de conforto que ele oferece, mas também o grau de inovação que ele 
apresenta e, consequentemente, o acesso a tais produtos, ou seja, aos equipamentos que a 
simbolizam. Essa falsa percepção de qualidade de vida, em que o supérfluo passa ser visto 
como gênero de primeira necessidade, acaba gerando a degradação dos recursos naturais, 
ocasionando desigualdades sociais e, ao mesmo tempo, distanciando a sociedade dos seus 
verdadeiros valores éticos e cidadãos. 
Na atualidade, esse tema também tem estado cada vez mais em evidência, embora 
acompanhe a evolução humana e sofra alterações, conforme a capacidade de percepção e 
imaginário social de cada povo. 
A verdade é que a lógica de uma sociedade, fundamentada no desenvolvimento 
humano e nas relações mais harmônicas entre homem-sociedade-natureza, é imprescindível à 
qualidade de vida. O ponto de partida é a superação da crença de que todos teriam acesso a 
ela via objetos que a simbolizam, tendo em vista a impossibilidade do acesso igualitário a esses 
produtos, já que as reservas naturais não têm como atender o uso irracional dos seus recursos 
por muito tempo. 
A superação desse conceito de qualidade de vida, como sinônimo de consumo, torna-
se imperativo nesse novo século. Superá-lo, pressupõe um processo de reeducação calcado na 
essência do ser. A noção de desenvolvimento deve ir além do aspecto material, incluindo 
valores humanos, como o intelectual, afetivo e moral. Através da construção dessa nova 
consciência, estaremos aptos a viver mais e melhor. Descobriremos nossa essência, enquanto 
seres humanos e cidadãos, a partir das relações mais harmônicas entre sociedade e natureza, 
tendo em vista que esse modelo de qualidade de vida adotado pela sociedade de consumo 
serviu para aumentar as desigualdades entre os povos e ameaçar o futuro do planeta. 
 
Indicadores de qualidade de vida 
O que determina, então, a qualidade de vida de uma sociedade? Embora essa resposta 
seja vista como algo extremamente subjetivo, observamos um ponto comum, o elemento 
cultural. Com o estágio atual da globalização, a cultura do “Ter” foi massificada, 
desconsiderando as necessidades reais de cada grupo social as quais devem ser asseguradas 
pelo Estado no que concerne aos direitos essenciais à população. 
A referência dos indicadores de qualidade de vida baseia-se nas definições da 
Organização das Nações Unidas (ONU) e nos direitos humanos. Em 1947, passou-se a usar 
como parâmetro, em escala mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) que apresenta restrições 
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
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por se referir a um indicador de progresso econômico quantitativo. Diante das restrições 
deste, em meados da década de 60, novas referências passaram a ser adotadas como: 
necessidades básicas, crescimento com igualdades social, entre outros. 
Os índices, referentes às condições de vida e de desenvolvimento humano, 
comumente utilizados são: o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, Índice de 
Desenvolvimento Humano Municipal – IDHM e o Índice de Condições de Vida – ICV, entre 
outros. Esses indicadores oferecem informações condensadas sobre as condições de vida da 
população, servindo de referência para comparações e processos decisórios para gestores 
públicos, bem como para a sociedade perceber a realidade vivenciada e se mobilizar, a fim de 
pressionar determinadas decisões dos seus representantes políticos. 
Esperamos que as considerações iniciais que você acabou de ler, tenham despertado 
para a necessidade de um melhor aprofundamento teórico acerca dessa temática. Lembramos 
que cidadania tem uma dimensão abrangente, indo do convívio social ao mercado de trabalho 
e consumo; também considerando o fato de o homem encontrar-se no mundo e intervir na 
realidade. Sob essa ótica, um indivíduo é cidadão, não só por pelo simples fato de viver em 
sociedade mas também quando nela passa a intervir, na perspectiva de transformar a 
sociedade em que vive. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
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 ATIVIDADE 
 
 
 
01. Procure explicar o seu entendimento sobre cidadania e cidadão, a partir de suas 
vivências e leituras realizadas nessaunidade. 
02. Covre (2007) assim expressa seu entendimento sobre cidadania: “resultado não de 
uma representação estanque, mas de um processo dialético em incessante percurso 
em nossa sociedade”. Você partilha desse entendimento? Justifique. 
03. Levando-se em consideração o que foi estudado sobre o que é cidadania, você se acha 
capaz de, no seu cotidiano, exercer seu papel de cidadão (a)? Argumente. 
04. Qual o conceito de qualidade de vida elaborado no decorrer do século XX e quais as 
suas consequências? 
05. A partir dos pressupostos teóricos a que você teve acesso nessa primeira unidade, 
elabore um texto reflexivo relacionando cidadania, meio ambiente e qualidade de 
vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
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 REFERÊNCIAS 
 
 
COVRE, Maria de Lourdes M. O que é cidadania. São Paulo: Brasiliense, 2007. 
DALLARI, Dalmo de Abreu. Direitos humanos e cidadania. São Paulo: Moderna, 1998. 
DIMENSTEIN, Gilberto. O cidadão de papel: a infância, a adolescência e os direitos 
humanos no Brasil. São Paulo: Ática, 1994. 
SANTANA Marcos Silvio de. O que é cidadania. Disponível em: 
<http://www.advogado.adv.br/estudantesdireito/fadipa/marcossilviodesantana/cidad
ania.htm>. Acesso em: 16 de out. 2008. 
 
Leituras complementares e consulta em sites: 
1. GUTIÉRREZ, Francisco; PRADO, Cruz. Ecopedagogia e cidadania planetátia. 2. ed. 
São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 2000. (Guia da escola cidadã, v. 3). 
2. http://www.webciencia.com/18_cidadania.htm 
3. MEC. Programa Ética e Cidadania. Disponível em: 
<http://mecsrv04.mec.gov.br/seif/eticaecidadania/index.html>. Acesso em: 15 de 
set. 2009. 
4. O que é cidadania. Disponível em: 
<http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/textos/Oque_e_cidadania.html>. Acesso 
em: 16 de jul. 2009. 
5. <http://www.correiocidadania.com.br/content/blogcategory/19/6/> 
6. Frei Beto. Um Sentido para Vida. Disponível em: 
http://www.monografias.brasilescola.com/religiao/um-sentido-para-vida--frei-
beto.htm>Acesso em: 28 de jul. 2009. 
7. Frei Beto. Consumo, logo existo. 
<http://forum.cifraclub.terra.com.br/forum/11/169140/> Acesso em: 28 de jul. 
2009. 
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http://www.advogado.adv.br/estudantesdireito/fadipa/marcossilviodesantana/cidadania.htm%3e.%20Acesso%20em:16%20de%20out.%202008
http://www.advogado.adv.br/estudantesdireito/fadipa/marcossilviodesantana/cidadania.htm%3e.%20Acesso%20em:16%20de%20out.%202008
http://www.webciencia.com/18_cidadania.htm
http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/textos/
http://www.correiocidadania.com.br/content/blogcategory/19/6/
http://www.monografias.brasilescola.com/religiao/um-sentido-para-vida--frei-beto.htm
http://www.monografias.brasilescola.com/religiao/um-sentido-para-vida--frei-beto.htm
 
 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA 
 
 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 
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8. Frei Beto. Cidadania: Educação em Direitos Humanos. Disponível em: 
<http://moodle3.mec.gov.br/ufam/file.php/1/Biblioteca_Geral_do_Curso/cidadani
a_freibetto.pdf>. Acesso em: 15 de set. 2009. 
9. Frei Beto. Direito e Cidadania. Disponível em: 
<http://www.nossacasa.net/dire/texto.asp?texto=62>. Acesso em: 15 de set. 2009. 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://moodle3.mec.gov.br/ufam/file.php/1/Biblioteca_Geral_do_Curso/cidadania_freibetto.pdf
http://moodle3.mec.gov.br/ufam/file.php/1/Biblioteca_Geral_do_Curso/cidadania_freibetto.pdf
http://www.nossacasa.net/dire/texto.asp?texto=62

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