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CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 1 CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA Autora ERINEIDE DA COSTA E SILVA CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 2 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO DISCUTINDO O CONHECIMENTO CIENTÍFICO: APONTAMENTOS SOBRE AS CIÊNCIAS HUMANAS – UNIDADE – 1 Professor Pesquisador/Conteudista ERINEIDE DA COSTA E SILVA Coordenação da Produção de Material Didático ARTEMILSON LIMA Design Instrucional ILANE CAVALCANTE Coordenação de Tecnologia ELIZAMA LEMOS Revisão Linguística ROBERTA DUARTE DE ARAUJO KALINA ALESSANDRA RODRIGUES DE PAIVA Formatação Gráfica MARCELO POLICARPO ALVES Ilustrador MARCELO POLICARPO ALVES GOVERNO DO BRASIL Presidente da República LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Ministro da Educação FERNANDO HADADD Secretário de Educação a Distância CARLOS EDUARDO BIELSCHOWSKY Reitor do IFRN BELCHIOR DA SILVA ROCHA Chefe da DETED/UAB ERIVALDO CABRAL Coordenadora da UAB/IFRN ANA LÚCIA SARMENTO HENRIQUE Coordenadora do Curso de Especialização em Educação Ambiental e Geografia do Semi-Árido numa abordagem interdisciplinar LECI MARTINS MENEZES REIS CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 3 UNIDADE 01: CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA APRESENTANDO A UNIDADE Nesta primeira unidade, em que daremos início à componente curricular Ética, Cidadania e Meio Ambiente, será abordado o tema cidadania, meio ambiente e qualidade de vida. Será um momento de refletirmos sobre uma temática complexa, mas possivelmente inquietante e desafiante para nós, educadores e cidadão, que acreditamos na perspectiva de um mundo mais justo e menos egocêntrico/antropocêntrico. Nesse momento, em que abordaremos a relação cidadania, meio ambiente e qualidade de vida, a questão da cidadania será focalizada como maior ênfase, por ser ponto de partida para que obtenha qualidade de vida e meio ambiente equilibrado. A palavra cidadania é bastante utilizada em nosso cotidiano e tem vários sentidos. Mas, atualmente, significa em sua essência, o direito de viver decentemente. (DIMENSTEIN, 1994). Esse direito essencial à vida distancia-se, cada vez mais, de uma grande parcela da nossa sociedade que, à margem de seus direitos básicos, fica excluída da vida social e democrática no país. Essas desigualdades entre povos e nações resultam da concentração das riquezas que ficam nas mãos de uma pequena minoria, a elite, a qual passa a concentrar o poder na economia, na política e na comunicação. Consequentemente, impedem o acesso à educação, à saúde e ao bem-estar social da maioria da população dos países pobres que se submetem a condições de trabalho indignas, com salários irrisórios para produzir bens que, dificilmente, terão acesso por meios legais. Tudo isso gera degradação humana e exaure as riquezas naturais. As misérias cultural e material corroem a dignidade humana, fazendo o homem trabalhar por qualquer preço, quando há trabalho; vender seu voto em troca de um produto e/ou algum tipo de favor. Desse modo, só há uma chance de mudança: é necessário que todo CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 4 cidadão tenha acesso à educação, à saúde, aos bens culturais e materiais indispensáveis a uma vida digna, para que, assim, possa participar das decisões que afetam a qualidade do meio ambiente, de sua vida e de suas relações sociais. Como esperar que essa parcela de seres humanos se torne sujeita de sua própria história, protagonistas sociais não só na busca da satisfação de suas necessidades imediatas não atendidas mas também no processo de tomadas de decisões que interferem na sua realidade? Essa discussão fará parte desse momento inicial, que considera: o que é cidadania e quais os seus desafios; a relação entre cidadania, meio ambiente e qualidade de vida. Também, refletiremos acerca da relatividade do conceito de qualidade de vida e seus possíveis indicadores. Logo, esperamos que, ao final dessa unidade, você seja capaz de: compreender o que é cidadania e a importância da participação social no processo de transformação da realidade socioambiental, local, global e, consequentemente, da melhoria da qualidade de vida; fundamentar o seu discurso sobre concepções de cidadania, a fim de que este passe a articular sua teoria-prática no cotidiano, seja como cidadão e/ou como profissional; refletir sobre a relatividade do conceito de qualidade de vida e seus possíveis indicadores; Estabelecer uma relação entre meio ambiente, cidadania e qualidade de vida. CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O homem integral é um ser em busca solidária de sobrevivência e transcendência. Ubiratan D´Ambrósio 1. O que é cidadania? O tema cidadania tem estado, cada vez mais, em evidência no mundo contemporâneo, principalmente diante das grandes transformações, decorrentes do estágio atual da globalização, vivenciado no Planeta. Em princípio, sua expressão originária do latim, “civitas”, era atribuída ao indivíduo habitante da cidade ou pólis grega. Na Roma antiga, indicava a situação política de homens livres e seus direitos em relação ao Estado romano, excetuando-se mulheres, escravos, crianças, entre outros. Essa concepção do conceito de cidadania relacionada à vida na cidade foi evoluindo, dando ênfase à capacidade do exercício do direito e do dever de cidadão até chegar à formação do estado democrático, com o surgimento da possibilidade de todos os homens serem iguais, ao menos perante a lei. Atualmente, sua dimensão remete-se ao exercício da cidadania plena que pressupõe os direitos civis, políticos e sociais de cada cidadão. Covre (2007), em sua obra O que é cidadania, discute essa categoria, a partir de concepções diferentes e, em alguns momentos, até mesmo opostas. Por quê? Como pensar em um tema tão presente em nosso cotidiano, tão complexo, seja em seu aspecto teórico, seja em seu aspecto prático? A autora nos convida a buscar essa resposta por meio da leitura dessa obra, destacando inicialmente o conceito de cidadania como “o resultado não de uma representação estanque, mas de um processo dialético em incessante percurso em nossa sociedade”. (COVRE, 2007, p. 8). Partilhamos do entendimento dessa autora e esperamos que, ao final de suas leituras, você tenha encontrado respostas satisfatórias para tal questionamento. Mesmo assim, para fins didáticos, apresentamos o ponto de vista de Dallari (1998), expresso na obra Direitos humanos e cidadania: [...] um conjunto de direitos que dá ao ser humano a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. [...] Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social. (DALLARI, 1998, p. 14). CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃOAMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 6 O artigo de Santana, intitulado O que é cidadania, nos mostra que esta se confunde com a história das lutas pelos direitos humanos, por isso esteve em permanente construção e, assim, permanece. É um referencial de conquista da humanidade, através daqueles que sempre lutaram por mais direitos, maior liberdade, melhores garantias individuais e coletivas, e não se conformam frente às dominações arrogantes, seja do próprio Estado, seja de outras instituições ou pessoas que não abrem mão de seus privilégios, da opressão e de injustiças contra uma maioria desassistida a qual não consegue se fazer ouvir, exatamente porque lhe é negada a cidadania plena. Mesmo assim, sua conquista, ainda que tardia, não poderá ser impedida por ser inerente à vida humana. Essa compreensão encontra aporte teórico no pensamento de Covre (2007, p. 11), quando enfatiza que “cidadania é o próprio direito à vida no sentido pleno”, ou seja, trata-se de direito que precisa ser construído coletivamente, não só em temos de atendimento às necessidades básicas, mas acesso a outros elementos (material, espiritual) imprescindíveis à existência humana, incluindo o mais abrangente, que é o papel do ser humano no universo. Ao compreender a cidadania como categoria estratégica para uma vida melhor, essa autora enfatiza que ela depende da ação dos sujeitos e dos grupos básicos em conflito, bem como das condições globais em sociedade. Nesse sentido, o homem é um sujeito histórico, cujas ações estão atreladas às necessidades humanas de indivíduos subjetivos, mas também sujeitos grupais, partindo de espaços de vivências cotidianas (bairro, trabalho, etc.) até chegar a uma dimensão mais global da sociedade. E se nos questionarmos qual o retrato da nossa cidadania, hoje, em nosso país? Entendendo sob o aspecto da dialética marxista defendida por Covre (2006), observa-se que, ao logo de nossa história, novos instrumentos foram colocados à disposição daqueles que lutam por um país cidadão, registrando-se avanços significativos a partir da Constituição de 1988. Dentre outras conquistas, a partir da Nova Carta, intitulada “Constituição cidadã”, veio o Código de Defesa do Consumidor; um novo Código de Trânsito; um novo Código Civil, citando ainda direitos referentes às minorias, como o Estatuto da Criança e do Adolescente; o do Idoso, entre outros. Em relação à defesa do meio ambiente, ganhou-se espaço nessa Constituição com um capítulo específico para esse tema. Vale ressaltar que a existência do direito em aparato legal não assegura a existência da cidadania. Esta depende do contínuo enfrentamento político adotado pelos diversos segmentos sociais, ou seja, sua existência depende da prática da reivindicação, da apropriação do direito, fazendo-o valer. Lembrando, ainda, que os associados aos direitos do cidadão veem os seus respectivos deveres. Destacamos, entre eles, ter responsabilidade em conjunto pela coletividade; cumprir normas e propostas elaboradas e decididas coletivamente; fazer parte de um governo direta ou indiretamente, ao votar, ao pressionar via movimentos sociais, etc. A existência de uma cidadania ativa e participativa e, portanto, efetiva, depende de um Estado verdadeiramente democrático. Lamentavelmente, uma massa de excluídos que o atual modelo de desenvolvimento criou, ainda vive à margem de seus direitos básicos, por isso não têm condições de acessar alguns instrumentos jurídicos para buscar os seus direitos. Às vezes, o próprio Estado, via alguns órgãos, atropela direitos básicos e fundamentais que, para requerer, o cidadão precisa submeter-se a excessos de burocracia para ter um direito que na prática não lhe é oferecido. Como exemplos, podemos citar excesso de comprovantes de documentos, fotocópias, requerimentos que significam obstáculos intransponíveis, CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 7 principalmente para aqueles menos favorecidos, pois requerem idas e vindas, custos com passagens/transportes, saída em horários de trabalhos, fazendo-os deixar os afazeres domésticos e etc. A cidadania é uma questão política e está extremamente relacionada a um Estado e a uma sociedade democrática. Em relação ao Estado brasileiro, mesmo diante de avanços consideráveis, nas últimas décadas, ainda se tem muito a realizar para que a verdadeira cidadania não seja utópica. Por outro lado, não devemos esquecer de que a verdadeira cidadania vem dessas pequenas coisas das quais precisamos para o seu exercício; o que requer um esforço concentrado para que não nos submetamos a comportamentos injustos que, ainda, persistem em nosso cotidiano. Nesse sentido, tornamo-nos cidadãos à medida que passamos a intervir na realidade e nos apropriamos de mecanismos de luta para modificar essas estruturas injustas e perversas que nos são impostas. A partir da construção desse comportamento cidadão, passamos a nos posicionar perante o mundo, os nossos semelhantes e nós mesmos. 2. Cidadania e meio ambiente O surgimento e a evolução do pensamento ambiental estão diretamente associados ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia, ocorridos ao longo da história da civilização, assim como as degradações e alterações ambientais processadas no planeta Terra. Embora as preocupações com o meio ambiente e a ocorrência da degradação ambiental sejam antigas, foi a partir da segunda metade do século XX que essas preocupações se intensificaram e a humanidade começou a perceber que a vida nesse planeta se tornaria impossível, se a degradação ambiental continuasse de forma progressiva, como vem se caracterizando atualmente. Por isso, a crise ambiental e a manutenção da vida na Terra passaram a ser preocupações planetárias que precisam ser enfrentadas em todas as escalas: global, nacional e local. Sob esse prisma, o exercício da cidadania, em relação à temática ambiental, tem se tornado um dos principais desafios para a sociedade atual. Sua discussão avança em diversos campos, a saber, na política, na economia e no cotidiano da sociedade que tem como grandes aliados os meios de comunicação. Estes têm contribuído bastante na propagação da questão ambiental, embora sua maior ênfase seja a formação da cultura em massa e do consumo, fatores extremamente perversos, sejam para degradação da natureza, sejam na ampliação das desigualdades sociais. O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, em nosso país, foi assegurado pela Constituição Cidadã, promulgada em 1988, com capítulo específico sobre Meio Ambiente, cujo Artigo 225 destaca: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e coletividade o dever de preservá-lo *...+”. (BRASIL, CF, 1988). Esse fato sinaliza a ampliação da responsabilidade e consciência individuais para uma responsabilidade e consciência coletivas; o que exige da sociedade um engajamento em ações voltadas às relações harmoniosas com a natureza. Essas ações passam por mudanças que exigem adoção de novos comportamentos e estilos de vida da sociedade. Estes, por sua vez, CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 8 devem ser refletidos nos padrões de produção, consumo e proteção. Para tal, reconhece-se como imprescindível o papel do Estado via políticas efetivas voltadas para diversos setores, principalmente, no campo educacional, por se constituir como um dos pilares indispensáveis à garantia da formação de uma consciência ambiental e, por conseguinte, à sustentabilidade do planeta. Vale ressaltar que a formação de uma consciência ambiental vai além dos aspectos cognitivos, pois estádiretamente vinculada a uma postura ética, contemplando hábitos, costumes, normas e valores. Assim, à medida que a sociedade adquire essa compreensão, passa a perceber o meio ambiente em sua complexidade, numa dimensão de totalidade, cujo ser humano é parte integrante deste. Na condição de integrante, precisa cuidar de si e do meio para que a vida esteja e continue em sintonia com o ambiente. Assim, torna-se evidente o papel da educação ambiental na formação de uma cidadania ambiental. O reconhecimento do eu, enquanto parte integrante da natureza e da sensibilidade do cuidar/cuidar-se, depende de uma prática educativa que oportunize à sociedade a aquisição de uma nova postura, novos valores, aptidões e ações indispensáveis ao seu relacionamento com o ambiente. Em sua essência, a base da alfabetização ambiental está inserida em um ato político voltado para a transformação social. Daí, “tem-se um cidadão com a capacidade de vigiar e participar na instrumentalização das políticas públicas e com um projeto próprio para alcançar uma manipulação de recursos naturais mais racional e eqüitativo, e um entorno mais habitável”. (BÁRCENA, 2000, p.16). Ao assumir essa postura, a sociedade torna-se consciente de que as relações harmoniosas são indispensáveis à qualidade de vida no presente e no futuro, começando, então, a desempenhar o seu papel, adotando novos comportamentos em relação ao meio ambiente. Como resultado, espera-se um cidadão que, além de se sentir em sintonia com a natureza, torne-se crítico e consciente, disposto a reclamar e a exigir um ambiente saudável. Nesse exercício, tem-se uma prática voltada para sua própria responsabilidade ambiental. Essa responsabilidade é conduzida por sujeitos individuais e coletivos, que optam pela construção de novos caminhos, estabelecidos atualmente pela sociedade. Sua ação, enquanto cidadão, vai além do comportamento individual e volta-se à construção de uma nova postura ética, embasada nos direitos humanos e na justiça social, vieses imprescindíveis na construção da cidadania. Essa dimensão política torna-se objeto imprescindível na formação de uma consciência ambiental, pois é a partir dessa visão crítica que se questiona e problematiza a realidade socioambiental, buscando-se potencializar uma reflexão que subsidie uma prática em busca da transformação. 3. Qualidade de vida O que seria exatamente qualidade de vida? Seu conceito é bastante antigo e, por mais que tenhamos dificuldade em definir, na prática, entendemos bem o que implica qualidade de vida, ou não. No século XX, o conceito de qualidade de vida passou a ser correlato ao de consumo. A partir dessa concepção, a sociedade passou a ser dominada pelo cálculo econômico e, CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 9 consequentemente, pela cultura do ter e do desperdício. Assim, ao determinar padrões de qualidade de vida pautados em possibilidades de consumo em massa, o indivíduo passou a ser valorizado pelo que possuia e não pelo que era. Isso refletiu diretamente na forma de uso e apropriação dos recursos naturais e nas desigualdades sociais. Em virtude do símbolo de qualidade de vida ter passado a ser o de bem-estar, conseguido graças ao uso de bens de consumo, a contribuição de cada produto passou a ser não apenas o grau de conforto que ele oferece, mas também o grau de inovação que ele apresenta e, consequentemente, o acesso a tais produtos, ou seja, aos equipamentos que a simbolizam. Essa falsa percepção de qualidade de vida, em que o supérfluo passa ser visto como gênero de primeira necessidade, acaba gerando a degradação dos recursos naturais, ocasionando desigualdades sociais e, ao mesmo tempo, distanciando a sociedade dos seus verdadeiros valores éticos e cidadãos. Na atualidade, esse tema também tem estado cada vez mais em evidência, embora acompanhe a evolução humana e sofra alterações, conforme a capacidade de percepção e imaginário social de cada povo. A verdade é que a lógica de uma sociedade, fundamentada no desenvolvimento humano e nas relações mais harmônicas entre homem-sociedade-natureza, é imprescindível à qualidade de vida. O ponto de partida é a superação da crença de que todos teriam acesso a ela via objetos que a simbolizam, tendo em vista a impossibilidade do acesso igualitário a esses produtos, já que as reservas naturais não têm como atender o uso irracional dos seus recursos por muito tempo. A superação desse conceito de qualidade de vida, como sinônimo de consumo, torna- se imperativo nesse novo século. Superá-lo, pressupõe um processo de reeducação calcado na essência do ser. A noção de desenvolvimento deve ir além do aspecto material, incluindo valores humanos, como o intelectual, afetivo e moral. Através da construção dessa nova consciência, estaremos aptos a viver mais e melhor. Descobriremos nossa essência, enquanto seres humanos e cidadãos, a partir das relações mais harmônicas entre sociedade e natureza, tendo em vista que esse modelo de qualidade de vida adotado pela sociedade de consumo serviu para aumentar as desigualdades entre os povos e ameaçar o futuro do planeta. Indicadores de qualidade de vida O que determina, então, a qualidade de vida de uma sociedade? Embora essa resposta seja vista como algo extremamente subjetivo, observamos um ponto comum, o elemento cultural. Com o estágio atual da globalização, a cultura do “Ter” foi massificada, desconsiderando as necessidades reais de cada grupo social as quais devem ser asseguradas pelo Estado no que concerne aos direitos essenciais à população. A referência dos indicadores de qualidade de vida baseia-se nas definições da Organização das Nações Unidas (ONU) e nos direitos humanos. Em 1947, passou-se a usar como parâmetro, em escala mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) que apresenta restrições CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 10 por se referir a um indicador de progresso econômico quantitativo. Diante das restrições deste, em meados da década de 60, novas referências passaram a ser adotadas como: necessidades básicas, crescimento com igualdades social, entre outros. Os índices, referentes às condições de vida e de desenvolvimento humano, comumente utilizados são: o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDHM e o Índice de Condições de Vida – ICV, entre outros. Esses indicadores oferecem informações condensadas sobre as condições de vida da população, servindo de referência para comparações e processos decisórios para gestores públicos, bem como para a sociedade perceber a realidade vivenciada e se mobilizar, a fim de pressionar determinadas decisões dos seus representantes políticos. Esperamos que as considerações iniciais que você acabou de ler, tenham despertado para a necessidade de um melhor aprofundamento teórico acerca dessa temática. Lembramos que cidadania tem uma dimensão abrangente, indo do convívio social ao mercado de trabalho e consumo; também considerando o fato de o homem encontrar-se no mundo e intervir na realidade. Sob essa ótica, um indivíduo é cidadão, não só por pelo simples fato de viver em sociedade mas também quando nela passa a intervir, na perspectiva de transformar a sociedade em que vive. CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 11 ATIVIDADE 01. Procure explicar o seu entendimento sobre cidadania e cidadão, a partir de suas vivências e leituras realizadas nessaunidade. 02. Covre (2007) assim expressa seu entendimento sobre cidadania: “resultado não de uma representação estanque, mas de um processo dialético em incessante percurso em nossa sociedade”. Você partilha desse entendimento? Justifique. 03. Levando-se em consideração o que foi estudado sobre o que é cidadania, você se acha capaz de, no seu cotidiano, exercer seu papel de cidadão (a)? Argumente. 04. Qual o conceito de qualidade de vida elaborado no decorrer do século XX e quais as suas consequências? 05. A partir dos pressupostos teóricos a que você teve acesso nessa primeira unidade, elabore um texto reflexivo relacionando cidadania, meio ambiente e qualidade de vida. CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 12 REFERÊNCIAS COVRE, Maria de Lourdes M. O que é cidadania. São Paulo: Brasiliense, 2007. DALLARI, Dalmo de Abreu. Direitos humanos e cidadania. São Paulo: Moderna, 1998. DIMENSTEIN, Gilberto. O cidadão de papel: a infância, a adolescência e os direitos humanos no Brasil. São Paulo: Ática, 1994. SANTANA Marcos Silvio de. O que é cidadania. Disponível em: <http://www.advogado.adv.br/estudantesdireito/fadipa/marcossilviodesantana/cidad ania.htm>. Acesso em: 16 de out. 2008. Leituras complementares e consulta em sites: 1. GUTIÉRREZ, Francisco; PRADO, Cruz. Ecopedagogia e cidadania planetátia. 2. ed. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 2000. (Guia da escola cidadã, v. 3). 2. http://www.webciencia.com/18_cidadania.htm 3. MEC. Programa Ética e Cidadania. Disponível em: <http://mecsrv04.mec.gov.br/seif/eticaecidadania/index.html>. Acesso em: 15 de set. 2009. 4. O que é cidadania. Disponível em: <http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/textos/Oque_e_cidadania.html>. Acesso em: 16 de jul. 2009. 5. <http://www.correiocidadania.com.br/content/blogcategory/19/6/> 6. Frei Beto. Um Sentido para Vida. Disponível em: http://www.monografias.brasilescola.com/religiao/um-sentido-para-vida--frei- beto.htm>Acesso em: 28 de jul. 2009. 7. Frei Beto. Consumo, logo existo. <http://forum.cifraclub.terra.com.br/forum/11/169140/> Acesso em: 28 de jul. 2009. mailto:N%C3%A3o%20h%C3%A1%20trabalhos%20publicados. http://www.advogado.adv.br/estudantesdireito/fadipa/marcossilviodesantana/cidadania.htm%3e.%20Acesso%20em:16%20de%20out.%202008 http://www.advogado.adv.br/estudantesdireito/fadipa/marcossilviodesantana/cidadania.htm%3e.%20Acesso%20em:16%20de%20out.%202008 http://www.webciencia.com/18_cidadania.htm http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/textos/ http://www.correiocidadania.com.br/content/blogcategory/19/6/ http://www.monografias.brasilescola.com/religiao/um-sentido-para-vida--frei-beto.htm http://www.monografias.brasilescola.com/religiao/um-sentido-para-vida--frei-beto.htm CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA UNIDADE – 1 - CIDADANIA, MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GEOGRAFIA DO SEMI-ÁRIDO 13 8. Frei Beto. Cidadania: Educação em Direitos Humanos. Disponível em: <http://moodle3.mec.gov.br/ufam/file.php/1/Biblioteca_Geral_do_Curso/cidadani a_freibetto.pdf>. Acesso em: 15 de set. 2009. 9. Frei Beto. Direito e Cidadania. Disponível em: <http://www.nossacasa.net/dire/texto.asp?texto=62>. Acesso em: 15 de set. 2009. http://moodle3.mec.gov.br/ufam/file.php/1/Biblioteca_Geral_do_Curso/cidadania_freibetto.pdf http://moodle3.mec.gov.br/ufam/file.php/1/Biblioteca_Geral_do_Curso/cidadania_freibetto.pdf http://www.nossacasa.net/dire/texto.asp?texto=62