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Aula 04 -  COMÉRCIO EXTERIOR EM EXERCÍCIO

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AULA 04: LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E REGIMES 
ADUANEIROS ESPECIAIS 
 
E aí pessoal, tudo bem? Começamos aqui mais uma aula de 
comércio internacional, hoje tratando especificamente da legislação tributária 
que permeia o comércio exterior brasileiro. 
Este assunto é bastante específico e conta com certos detalhes que 
vão exigir muito de sua atenção. Vocês, como futuros AFRFB precisarão, e 
muito, estar familiarizados com a legislação aduaneira, particularmente com 
seus aspectos tributários. 
Durante a aula falaremos do imposto de importação, imposto de 
exportação, IPI, ICMS e ainda do Adicional ao Frete para Renovação da 
Marinha Mercante – tributos incidentes sobre as operações de comércio 
exterior brasileiro. Depois de tecermos comentários sobre os principais 
aspectos desses tributos, falaremos dos regimes aduaneiros especiais e dos 
regimes aduaneiros aplicados em áreas especiais. 
Como você pode ver, este é um assunto que está em muito 
envolvido com o Direito Tributário. Vez por outra, conceitos desse ramo do 
direito serão apresentados nesta aula. 
 
QUESTÕES COMENTADAS 
1- (AFRF 2002.2) - O imposto de importação tem como elementos que o 
caracterizam, na essência: 
a) o lançamento por declaração; o valor da fatura como base de cálculo; 
tem por finalidade o incremento da arrecadação federal. 
b) alíquota ad valorem; lançamento misto; o preço normal da mercadoria 
no comércio internacional como base de cálculo. 
c) incidência inclusive sobre as mercadorias objeto de contrabando; a 
base de cálculo, para as mercadorias vendidas em leilão, é o valor da 
arrematação; lançamento de ofício. 
d) as alíquotas previstas em acordos internacionais sempre prevalecem 
sobre as alíquotas da Tarifa Externa Comum; é contribuinte, além do 
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importador, o adquirente, em licitação de mercadoria estrangeira; o 
depositário de mercadoria sob sua custódia é contribuinte relativamente à 
mercadoria cuja falta for apurada pela autoridade aduaneira. 
e) lançamento por homologação; decai após 5 (cinco) anos da data do 
registro da declaração de Importação no SISCOMEX; o valor de transação 
previsto no Acordo de Valoração Aduaneira não é aplicável quando a 
alíquota for específica. 
No âmbito da legislação tributária aplicável às operações de 
comércio exterior, o imposto de importação é o que apresenta maiores detalhes 
que merecem comentário. Aproveitemos essa questão para darmos uma visão 
geral do imposto de importação. 
O imposto de importação está previsto no art 153, inciso I da CF/88 
e tem caráter nitidamente extrafiscal, já que seu principal objetivo não é 
satisfazer a sanha arrecadadora do Estado. Logicamente, a incidência do 
imposto de importação sobre a entrada de mercadorias no país arrecada 
recursos para os cofres públicos. No entanto, não é esse o seu principal 
objetivo. 
O imposto de importação tem como principal objetivo servir como 
mecanismo de controle sobre as importações, podendo ser utilizado como 
mecanismo de proteção a um determinado setor sensível da indústria nacional 
ou que esteja sofrendo dificuldades face à concorrência de produtos 
estrangeiros. 
Justamente devido a essa finalidade extrafiscal do imposto de 
importação, é que ele foi expressamente dispensado pelo legislador 
constituinte da obediência aos princípios da anterioridade, noventena e da 
legalidade estrita quanto à alteração de alíquotas. 
“Peraí, como assim Ricardo? Dispensado da anterioridade, 
noventena e da legalidade estrita?” 
Calma, concurseiro! Me explico! A anterioridade é o princípio 
constitucional do sistema tributário que veda que os entes federativos cobrem 
tributos no mesmo exercício financeiro da lei que os houver instituído ou 
aumentado. A noventena, por sua vez, exige um interstício mínimo de 90 dias 
entre a lei que institui ou aumenta um tributo e a cobrança pelo respectivo ente 
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federativo. Já o princípio da legalidade estrita quanto à alteração de alíquotas, 
determina que qualquer alteração destas, deverá ser realizado por meio de lei. 
Recordaram aí os princípios? 
Bom, o imposto de importação não precisa obedecer a nenhum 
deles. Assim, a alteração de alíquotas poderá ser feita por decreto. Da mesma 
forma, se houver um aumento de alíquotas, este já poderá ser imediatamente 
aplicado e o imposto cobrado pelo seu novo valor. 
Na aula 00, vimos que uma das atribuições da CAMEX era a de fixar 
a alíquota do imposto de importação. Quanto a isso, algumas explicações se 
fazem necessárias. O Brasil, como vocês sabem, integra o MERCOSUL, o qual 
se caracteriza por ser uma união aduaneira. Aí eu lhes pergunto: qual a 
principal característica de uma união aduaneira? 
A união aduaneira caracteriza-se por possuir uma liberação do 
trânsito de mercadorias dentro do bloco e ainda por possuir uma política 
comercial unificada em relação a terceiros países. Quando falamos em 
política comercial unificada em relação a terceiros países, queremos dizer que 
as alíquotas do imposto de importação que os países da união aduaneira 
cobram para mercadorias provenientes de países não-integrantes do bloco é a 
mesma. 
Assim, se o café é tributado com a alíquota de 3% pelo Brasil, 
também o será pela Argentina, Uruguai e Paraguai, certo? Numa união 
aduaneira, quem você acha que vai determinar as alíquotas do I.I então? Cada 
país terá total liberdade para isso? 
Com certeza não! As alíquotas do I.I serão determinadas pelo órgão 
decisório do bloco. No MERCOSUL acontece exatamente dessa maneira e as 
alíquotas do I.I estão consubstanciadas na TEC (Tarifa Externa Comum). O 
que a CAMEX faz é internalizar as decisões do MERCOSUL no que diz 
respeito a modificações da TEC. Cabe ressaltar aqui que o MERCOSUL ainda 
é uma união aduaneira imperfeita, convivendo com as famosas Listas de 
Exceção à TEC. Cada país pode incluir nessa lista um determinado número de 
produtos em que tem liberdade para fixar as alíquotas do I.I para terceiros 
países. Falaremos mais sobre o MERCOSUL na aula sobre integração 
regional. 
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O fato gerador do imposto de importação está definido pelo art.19 do 
Código Tributário Nacional: 
Art 19 – O imposto, de competência da União, sobre a importação de 
produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada destes no 
território aduaneiro. 
 
O Regulamento Aduaneiro, em concordância com o CTN, afirma, por 
sua vez, que o fato gerador do imposto de importação é a entrada de 
mercadoria estrangeira no território aduaneiro. 
Agora olhem que interessante: o fato gerador do I.I ocorre 
simplesmente quando uma mercadoria estrangeira entra em nosso território, ou 
seja, não há necessidade de que ela seja objeto de um contrato de compra e 
venda internacional. Vamos imaginar, por exemplo, que uma determinada 
escultura esteja entrando no país para uma exposição e depois vá retornar ao 
exterior. Não há qualquer contrato de compra e venda, mas será que está 
ocorrendo o fato gerador do imposto de importação? Sim, está ocorrendo o fato 
gerador do I.I. Esta obra de arte, que está vindo para uma exposição e depois 
retornará ao exterior, será submetida ao regime aduaneiro especial de 
admissão temporária e o imposto de importação ficará suspenso. Mas quanto a 
isso, deixemos para páginas futuras! 
Um detalhe interessante e que mormente gera dúvidas entre os 
concurseiros é acerca da modalidade de lançamento do imposto de 
importação. Já vi muita gente por aí dizendo