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CM1 – Yasmin Bedim 2 Existe uma frase em medicina que diz que o abdômen é uma caixa de segredos, já que não temos uma visão direta e a dor abdominal é mal informada pelo doente mal interpretada pelo médico. Devemos lembrar que a inervação do abdômen sai do plexo e chega a determinados órgãos, então uma dor como apendicite, começa no epigástrio e vai irradiar depois lá na fossa ilíaca direita. 5 FS 1T (O QUE CRESCE NO ABDOMEN) Existe um método mnemônico em inglês que remete a tudo que cresce no abdômen: Fat (gordura). Fluid (líquidos). Fetus (gravidez). Feces (fezes). Flatus (gazes). Tumor Na inspeção e observação do paciente, temos muitas vezes o diagnóstico da doença pela ectoscopia do doente. Alguns sinais que você pode observar no paciente são: Sinal de Troisier – Gânglio de Wirchow: indica provável neoplasia de estômago Tilose – 40% dos casos são relacionados a neoplasia de esôfago. É uma hiperceratose que ocorre na palma da mão e planta dos pés. Sinal se Irmã Maria José: uma freira na clínica observava que todos os pacientes que tinham essa protusão da cicatriz umbilical tinham uma invasão tumoral da cicatriz umbilical + invasão do ligamento redondo (do fígado). Assim, esse sinal está ligado com uma neoplasia de fígado com metástase e invasão do ligamento redondo + cicatriz umbilical. Sinal de veia cava superior: a veia capa superior na IC, síndrome de r4estição diastólica e pericardite constritiva, pode fazer com que as veias superiores do abdômen fiquem ingurgitadas. Sinal de veia cava inferior: pacientes com cirrose e hipertensão portal apresentam o sinal da veia cava 3 inferior. Esse3 diagnóstico é fico através do esvaziamento da veia e ao soltar observamos se enche de cima pra baixo (cava superior) ou de baixo pra cima (cava inferior) Sinal cabeça de medusa: circulação colateral que acontece principalmente em pacientes cirróticos. Ascite: pode indicar muitas patologias e é observável, mas também pode ser feito seu diagnóstico através do sinal de piparote. Icterícia: as obstruções biliares que cursam com impregnação da bilirrubina direta de pele, mucosas, urinas e fezes com aspecto amarelado. Com relação às hérnias, nós podemos ter: Hérnias epigástricas Hérnias inguinais Hérnias umbilicais: formada pela protusão de uma alça mais aberta que o normal e uma protusão de aça intestinal desse seguimento Hérnias femorais: sai por trás do canal inguinal e sai na fáscia do músculo femoral (deve ser pensada em todo caso de obstrução intestinal) Diástase de retos: afastamento dos retos abdominais anteriores (comum pós gestação) As hérnias com pedículo largo não são tão preocupantes. Devemos nos preocupais mais com as hérnias que possuem orifício estreito, porque quando entra uma parte da alça intestinal, ocorre um edema, assim, o sangue arterial entra, mas a veia é incapaz de 4 retirar. Com isso, ocorre um encarceramento e consequentemente um abdome agudo. As hérnias nem sempre são redutíveis, pois se eu comprimo a circulação arterial, pode ocorrer uma isquemia de alça. Dependendo do tempo que o paciente está com a hérnia encarcerada/estrangulada, ao voltar com a alça para o intestino corre o risco de uma onda peristáltica perfurar a hérnia. As causas mais frequentes de obstrução intestinal são as hérnias, por isso, devemos avaliar toda a parede abdominal e não esquecer da região inguinal e femoral. Pancreatite: é um caso extremamente importante de patologia abdominal. O pâncreas possui muitas enzimas importantes e uma delas é a elastase, que é muito perigosa na pancreatite, já que essa enzima possui a capacidade de lesar vasos, gerando os sinais de Cullen (ao redor do umbigo) e de Grey-Turner (na lateral ou dorsal do tronco) Sinal do Piparote: sinal da macicez móvel, com a mão do paciente sob seu abdômen, dê uma pequena batida de um lado e com a outra mão sente-se uma onda de choque. Manobra de Murphy: no hipocôndrio direito, faremos a palpação da vesícula, no ponto cístico que é fictício. Traçamos uma linha imaginária entre os arcos costais inferiores e o umbigo e no meio você pressiona. A manobra de Murphy é quando você comprime o hipocôndrio direito e manda o paciente respirar e ele sente dor (porque o fígado rebaixa e a vesícula entra em contato com a sua mão). Ponto de McBurney: um ponto na fossa ilíaca direita que é o ponto do apêndice. Sinal de Blumberg: descompressão dolorosa na fossa ilíaca direita. 5 Sinal de Rovsing: no paciente com apendicite, fazemos uma palpação no sentido contrário do “fluxo intestinal” e o paciente vai sentir dor quando o “ar” chegar no apêndice. Sinal do obturador interno: ao você levar a perna do paciente e fletir a perna e rodar o pé para fora, ele sente dor. Esse sinal é indicativo de apendicite. Sinal de Lenander: relacionado com a apendicite. Ocorre quando você tem a temperatura retal 1°C maior do que a temperatura axilar. Sinal de Lenander Invertido: Isquemia mesentérica. Sinal de Dunphy: dor na fossa ilíaca direita, mais intensa na tosse. Sinal de Psoas: dor na extensão da coxa direita, com o paciente em decúbito latera esquerdo. Sinal de Psoas Maligno: dor tipo psoíte relacionada a câncer de pâncreas. Toque retal: é um exame extremamente importante quando eu tenho um paciente com neoplasia gástrica que vai para a cirurgia, então ao tocar o reto, verificamos se há nódulos naquele local (se houver o paciente não vai para cirurgia – fora de possibilidade terapêutica), esse acontecimento recebe o nome de sina da prateleira de Blumer. Devemos também avaliar se há sangue (é muito importante em casos de hemorroida e no caso de crianças é um caso de pólipo intestinal), massas (25% das neoplasias digestivas são palpáveis no reto) e fecaloma. (importante observar nos casos de obstrução intestinal em idosos). 6 É uma doença com uma prevalência extremamente alta e com consequência muitas vezes graves (por conta da sua alta mortalidade). Possui um sintoma clássico de DIARRÉRIA. Nós somos feitos 70% de água, se perdemos muito dessa água, ficamos desidratados e nos extremos da vida (crianças e idosos) pode ser muito perigoso. Qualquer que seja a etiologia da gastroenterite, sempre haverá má absorção de água e eletrólitos. Nós temos uma consistência fecal entre 60 e 80% de água e até 90% as fezes são pastosas e acima de 100% as fezes se tornam líquidas. A gastroenterite é uma doença cosmopolita, ou seja, acomete cidades, escolas, navios, hospitais e etc. e está relacionada com a diminuição de higiene. Ela incide no mundo inteiro, principalmente me países com baixa condição higiênica e custa muito (nos EUA se gasta cerca de 23 milhões de dólares/ano com gastroenterite), calcula- se de que cada 6 americanos 1 terá a doença. Fora os custos de saúde, temos os gastos com saneamento, etc. PREVALÊNCIA Estima-se que no mundo ocorra 2 bilhões de casos/ano (segundo a OMS) e 18 a 25 milhões de morte/ano. A Entamoeba histolytica causa cerca de 150 mil mortes/ano. A diarreia é secretora, ou seja, ela é ingesta dependente. Teremos os seguintes mecanismos de diarreia: Ação de enterotoxinas sem lesar a mucosa: ativam a adenilciclase transformando ATP em AMP cíclico, e com isso, inativam enzimas da bora em escova, aumentam a secreção de sódio e cloro no fundo da cripta e diminuem a absorção de sódio e água na vilosidade. É causada por: estafilococus, clostrídios, E. coli, enterro- toxigênica, vibrium. Bactéria capaz de invadir a mucosa, destruindo-a, provocando infiltrdo inflamatório com perda de muco e sangue. É causada por: E. coli, enteroinvasiva e shigela. Bactéria capaz de invadir a mucosae causar inflamação da lâmina própria. É causada por: Salmonelas (atua sobre a placa de pyer e gera uma reação inflamatória, podendo levar à perfuração), Campylobacter, Yiercínia. Entero-toxinas capazes de causar lesão na mucosa, inflamação e pseudo membranas. É causada por: Clostridium difficile. Reprodução bacteriana, levando a inativação dos sais biliares Antibióticos (ampicilina, clorafenicol, lincomicina, tetracilinas) causando recolonização bacteriana de Staphylococcus, proteus, klebsiella, cândida e Clostridium difficile. Bactérias que hidrolisam ácidos graxos → ácido 10- hidroesteárico que é igual ao óleo de rícino. Não absorção de ácidos biliares que chegam ao cólon, inibem o transporte de água e aumentam o AMP cíclico. E. Coli Enterohemorrágica O 104:H4 e O 157:H7 produzem Toxinas, Verotoxina e Shiga Toxina, essa última capaz de produzir Síndrome Hemolítica Urêmica. Em 2011, na Alemanha, 4 mil casos de diarreia, 900 casos de SHU, 48 óbitos, 32 por SHU. São responsáveis por até ¾ de todas as diarreias de origem infecciosa e é a segunda mais comum causa de doença, ficando atrás apenas das infecções respiratórias. As GEVs existe cerca de 10 milhões de mortes por anos, sendo o rotavírus responsável por 500 mil mortes por ano. 7 ROTAVÍRUS É um vírus que causa 50-80% de todos os casos de gastroenterites virais, especialmente em crianças. Causa até 30% de mortes em crianças subdesnutridas. CONTRA VÍRUS NÃO HÁ REMÉDIO, APENAS VACINAS. Costuma ser mais severa em neonatos, crianças jovens e idosos. Enquanto costumam ser assintomáticas comuns em adultos e crianças mais velhas. 80% da população apresenta anticorpos contra rotavírus aos 3 ANOS DE IDADE. Sua transmissão é fecal-oral e seu período de incubação dura de 24-48h, seguido de aparecimento súbito de vômitos e diarreia, podendo ou não ter febre. Na imagem acima vemos uma mucosa normal e do lado direito uma mucosa lesada (pelo rotavírus). Esse vírus produz a enterotoxina viral NSP4, que é capaz de aumentar a peristalse, diminuir a absorção da mucosa e causar danos na região apical das vilosidades. Diagnóstico: é feito por ELISA em busca de antígenos virais nas fezes, eletroforese em gel de poliacrilamida, látex aglutinação ou RT- PCR e suas variantes. Sendo o ELISA o método “padrão ouro”. A sorologia nesse caso é pouco útil, pois certamente todos nós já entramos em contato com esse vírus alguma vez na vida, sendo assim, soropositivo. Tratamento e Prevenção: no tratamento devemos combater principalmente a hidratação e na prevenção além dos métodos de higiene devemos vacinar as crianças (as vacinas disponíveis são rotarix e rotateq). NOROVÍRUS Aquela diarreia comum em navios e, por exemplo, Guarapari na época de verão onde começa muita gente circulando e a possibilidade de contaminação aumenta, ou seja, é um vírus epidêmico (embora ocasionalmente origine casos endêmicos). É o mais importante calicivírus causador de diarreias presentes. O vírus é altamente infectante e 1g de diarreia ou de vômito tem cerca de 1 milhão de vírus. É a causa mais comum de GEVs na Europa (10%) e causa cerca de 23 milhões de caos/ano nos EUA. São responsáveis por mais de 85% das GE não bacterianas. Seu período de incubação pode ser de somente 12h e pessoas infectadas são contagiosas desde os primeiros sinais, até pelo menos 3 dias após a recuperação. Alguns casos, as pessoas são contagiosas por até 2 semanas após a recuperação, tendo uma disseminação infecciosa do vírus. A maioria das pessoas têm anticorpos aos 3 anos de idade. Sintomas: diarreias, vômitos (na maior parte em crianças), náuseas e cólicas, sendo a desidratação seu sintoma mais importante. Ocasionalmente ocorre febre baixa, calafrios, dor de cabeça e dores musculares. Sua infecção se dá por ingestão e possui disseminação rápida em ambientes fechados. Frutas, vegetais e frutos do mar contaminados por esgoto são fontes comuns de surtos. Na maioria das pessoas a doença é autolimitada e dura poucos dias. Está sempre relacionado a surtos epidêmicos de gastroenterite, sendo mais frequente em adultos (somente 50% dos adultos são soropositivos aos 50 anos) do que em crianças. Sua transmissão se dá por forma fecal-oral. O subtipo G24 está relacionado a maioria das gastroenterites no mundo. Diagnóstico: é feito por microscopia eletrônica e por RT/PCR. ADENOVÍRUS ENTÉRICOS São vírus com DN de fita dupla e os tipos 40 e 41 estão associados a gastroenterites. Usualmente ocorre casos de gastroenterites endêmicos em crianças jovens (até 3 anos) e neonatos, já que a maioria das pessoas possuem anticorpos aos 3 anos de idade. É possivelmente a segunda maior causa de GEVs. Diagnóstico: feito por ELISA (para a detecção de antígenos), PCR 8 ou microscopia eletrônica. ASTROVÍRUS Os subtipos 1 e 8 são responsáveis por 10% dos casos de diarreia esporádica, aguda e não bacteriana em crianças. Em humanos as diarreias duram de 2 a 4 dias e a maioria ocorre em crianças com menos de 2 anos, idosos e imunocomprometidos. OUTROS POSSÍVEIS AGENTES VIRAIS DE DIARREIAS Saporovírus Pequenos vírus redondos: parvovirus, enterovírus ou bacteriófagos icosaédricos. Ocasionalmente a Entamoeba histolytica, Giardia lamblia e Cryptosporidium cursam com diarreias. São capazes de causar mortes e casos diarreicos. Bactérias: coprocultura e ELISA Virais: pesquisa de anticorpos, ELISA e PCR BACTÉRIAS Antibioticoterapia não é indicado exceto quando for causada por: Shigella: azitromicina ou cefixima, cotrimoxazon ou ácido nadilixico Salmonella: ceftriaxona, azitromicina ou clotrimoxazol Campylobacter: azitromicina PARASITAS Nitazoxamida, albendazol, tinidazol e metronidazol VIRAL Hidratação vigorosa e sintomáticos. Só existe vacina para o rotavírus. 9 O pâncreas é um órgão de cerca de 15 cm que se localiza no retroperitônio. Ele pode ser dividido em: Cabeça Corpo Cauda É importante relembrarmos que a cabeça pancreática mantém uma intima relação com o duodeno (cabeça pancreática descansa sobre o arco duodenal). Agora relembrando algumas características embrionárias, o colédoco (ducto biliar comum) na sua porção distal, passa por uma chanfradura (reentrância) na cabeça pancreática, antes de desaguar na segunda porção duodenal (papila duodenal), esse local é o chamado esfíncter de Oddi, que é uma junção de 2 esfíncteres (um englobando o colédoco e outro englobando o ducto pancreático), ambos desaguando no mesmo local (papila duodenal – ampola de Vater). O pâncreas pode ser dividido em 2 porções: Porção exócrina: formada por ácinos e ductos que liberam as enzimas pancreáticas. Porção endócrina: formada pelas ilhotas de Langerhans, onde estão situadas as células beta (produtora de insulina e peptídeo C), células alfa (produtora de glucagon) e células PP (produtora de peptídeo pancreático). PÂNCREAS EXÓCRINO Sabemos que o pâncreas secreta diariamente de 1,5 a 3L de liquido alcalino, essa secreção é estimulada principalmente por 3 estímulos: Secretina: liberada pela mucosa duodenal principalmente estimulada pelo ácido gástrico e estimula a liberação pancreática de suco pancreático rico em água e bicarbonato. Colecistoquinina (CCK): também é produzida pela mucosa do intestino delgado e sua produção é estimulada por ácido gástrico, aminoácidos essenciais e acido graxo e a CCK estimula a secreção pancreática rica em enzimas (proteolíticas, amidolíticas e lipolíticas). Nervo vago: também tem um importante papel no contole da secreção pancreática, uma vez que ele possui um efeito permissivo de secretina e CCK e estímulo independente de secretina e CCK. O pâncreas precisa de uma regulação muito fina, porque as secreçõesproduzidas por ele possuem um potencial digestivo muito grande. 10 MECANISMOS QUE IMPEDEM A AUTODIGESTÃO Os principais são: Proteases e lisoensimas são acondicionadas sob sua forma precursora (inativa), como zimogênios no complexo de Golgi. Caso ocorra uma ativação precoce dessas proteases dentro da glândula, existe a síntese de inibidores de proteases, como os inibidores da tripsina secretória pancreática (PSTI) e inibidores da protease serina (SPINK 1). A baixa concentração de cálcio no leito vascular pancreático também é um mecanismo protetor, uma vez que reduz a atividade da tripsina pancreática. É uma condição inflamatória aguda do pâncreas com acometimento variável das estruturas adjacentes e à distância, cuja gênese depende da autodigestão pancreática. Ou seja, alguma coisa vai acontecer para que haja uma ativação das enzimas dentro do pâncreas, burlando os mecanismos protetores. Possui 2 espectros: Pancreatite edematosa (intersticial, leve): maioria dos casos. Pancreatite necrosante (necro-hemorrágica, grave). ETIOLOGIA Hoje em dia já está bem estabelecida que a etiologia biliar, ou seja, a presença de cálculos biliares é a mais frequente. Geralmente são cálculos pequenos (menores de 5mm) que ultrapassam o ducto cístico, caem no colédoco e quando chegam no esfíncter de Oddi, ficam impactados (presos) por ser uma região de maior estreitamento. Isso gera um aumento da pressão do ducto pancreático, e isso leva a uma autoativação das enzimas pancreáticas. Uma outra etiologia é o consumo excessivo de álcool. O álcool é capaz de induzir um mecanismo inflamatório do pâncreas por vias e mecanismos ainda não tão esclarecidos. NÃO É NECESSÁRIO O CONSUMO CRÔNICO DO ÁLCOOL PARA LEVAR A PANCEATITE (aguda), AO CONTRÁRIO DA HEPATTE NÃO VIRAL. Uma outra causa relativamente prevalente, é a hipertrigliceridemia, que é causada por níveis séricos de triglicerídeos acima de 1000mg/dL (o normal seria até 150). Existem relatos de pancreatite aguda com triglicerídeo entre 500- 1000 mg/dL. E o mais tradicional que vemos na pancreatite é quando o triglicerídeo está acima de 4000 e alto VLDL (hipertrigliceridemia familiar). Outras causas menos frequentes são: Pós-CPRE: a CPRE é um procedimento parecido com a endoscopia, porém é um duodenoscópio, ele tem a finalidade de localizar a papila duodenal e além da câmera ele possui a função de cateterização do local e injetação de contraste. Isso tudo pode aumentar a pressão da árvore pancreática, então já pode induzir por si só a pancreatite. Trauma abdominal (contuso) Cirurgias (especialmente as abdominais) Disfunção do esfíncter Medicamentos Abrimos uma atenção maior para a pancreatite pós uso de antirretrovirais, que já é bem estudada. Fibrose cística Causas vasculares Insuficiência renal crônica Hipercalcemia Câncer de pâncreas Idiopática Pâncreas divisum? PATOGÊNESE – TEORIA DA AUTO-DIGESTÃO: Fase 1: ativação intrapancreática das enzimas Fase 2: injúria tecidual que leva a um recrutamento de células inflamatórias Fase 3: consequência da ativação enzimática e citocinas nos órgãos a distância (SIRS) 11 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS O principal achado é a dor abdominal, de forte intensidade e caracteristicamente em barra no andar superior do abdômen que irradia para o dorso. Além disso, podemos ter outros sintomas como: Náuseas Vômitos Distensão abdominal Peristalse reduzida Febre baixa Icterícia Nódulos subcutâneos (paniculite na parte distal da perna) Alterações pulmonares: atelectasias, estertores e derrame pleural à esquerda. Sinais de Cullen (secundário ao sangramento para a cavidade abdominal) e Gray-Turner (secundário ao sangramento para retroperitônio) Xantomas eruptivos: comum nos asos de pancreatite por hipertrigliceridemia DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Em geral é clínico-laboratorial. Eu penso em pancreatite quando meu paciente possui algumas das manifestações clinicas descritas anteriormente, e para confirmar eu peço exames laboratoriais. Os exames que eu tenho que pensar são os dosadores de amilase e lipase. Quando eu tenho uma elevação das enzimas pancreática em um nível 3x acima do limite superior normal, eu posso dizer que, com o quadro de dor compatível, o paciente apresenta uma pancreatite aguda. Amilase: tende a se elevar em 6-12h e normaliza após 48-72h. Lipase: permanece elevada de 7-14 dias. NÃO HÁ RELAÇÃO ENTRE NÍVEL DE ELEVAÇÃO E GRAVIDADE DE DOENÇA. Exames adicionais que podem ser solicitados: Leucocitose Hiperglicemia (por conta de uma menor liberação de insulina e maior liberação de glucagon) Aumento do LDL Aumento da PTN C reativa Aumento da elastase, TNF e IL-6 Exames complementares: USG abdominal: peço o USG para avaliar a doença biliar como etiologia TC abdominal: é, na sua grande maioria, usada para avaliação prognóstica. Ela avalia a classificação de risco pela classificação de balthazar. 12 FATORES PROGNÓSTICOS Sempre que recebemos um paciente no PS, com quadro clínico compatível com pancreatite e com exame laboratorial confirmando, eu firmo o diagnóstico de pancreatite. Sabemos que 80% dos pacientes terão a forma leve e 20% a forma grave/necrotizante, e por isso devemos fazer uma avaliação prognóstica. Podemos olhar: 1. Critérios de Ranson 2. APACHE 3. Classificação de Balthazar (TC) TRATAMENTO Como 80-90% dos casos de pancreatite aguda possuem boa evolução, o tratamento se baseia em: Dieta zero (pelo menor tempo possível): os critérios para realimentar são melhora da dor, dome e peristalse presente Hidratação venosa vigorosa Analgesia potente (opioide) Teremos também um tratamento de suporte baseado no controle rigoroso da glicemia Já nos casos de pancreatite grave, o tratamento se baseia em: Dieta oral zero (mas vou garantir uma nutrição enteral ou parenteral, sendo a de escolha a nutrição enteral) Hidratação venosa vigorosa Analgesia potente (opioide) Antibiótico? : tendência atual é não usar pois aumenta a incidência por Candida sp. No caso de piora, pensamos em um tratamento invasivo de: Necrosectomia: se houver necrose infectada CPRE com papilotomia: PA biliar com cálculo impactado e má evolução. Deve ser feita uma colecistectomia em TODOS OS CASOS de PA biliar e é recomendado que seja feito na mesma internação, após a recuperação da PA. COMPLICAÇÕES A pancreatite aguda pode ter uma série de complicações, como: Abcesso Necrose do pâncreas Pseudocisto 13 A doença ulcerosa péptica é uma patologia frequente que afeta milhões de pessoas a cada ano. Nas últimas décadas, o entendimento acerca da fisiopatologia da DUP evoluiu muito, particularmente em relação à infecção pelo H. pilory e à utilização de anti-inflamatórios não hormonais (AINES). Estima-se que nos EUA, 4,5 milhões de pessoas sejam afetadas anualmente. A DUP possui uma mortalidade de 1 a cada 100.000 casos e uma hospitalização de 30 a cada 100.000 casos. Nos EUA, 10% do shomens e 5% das mulheres são afetados pela DUP. Fundamentalmente a fisiopatologia da DUP possui 2 fatores: Ácido clorídrico H. pylori: mudou totalmente a visão sobre a fisiopatologia da DUP. H . PYLORI A partir de uma infecção com H. pylori ocorre uma sensibilização de mastócitos e liberação de mediadores, que podem ser: NO: tem um feedback positivo que estimula mais liberação de mediadores. Leucotrienos, PAF: causa o comprometimento da perfusão vascular e consequente diminuição da capacidade de restauração da mucosa. TNF, leucotrienos: estimula um infiltrado inflamatório quepode tanto liberar IL-1 (que vai estimular a secreção de mais mediadores), quanto estimular a liberação de proteases. Tanto a diminuição da capacidade de restauração da mucosa, quando a liberação de proteases, de forma persistente, vai levar a uma ulceração gástrica ou duodenal. No gráfico acima temos a informação de que 96% dos casos de ulceração duodenal e 75% dos casos de ulceração gástrica são testados positivos para H. pylori. Aqui vemos que a partir da presença de H. pylori na parede do estômago, ocorre um processo inflamatório na lâmina própria, que vai ao final determinar as DUPs. Hoje em dia é muito fácil determinar se há ou não a presença de H. pylori no líquido gástrico, sendo o mais comum, a coleta de mucosa gástrica durante a endoscopia e teste em um meio de uréase (que é amarelo, e qualquer reatividade que começa a avermelhar o teste significa que é positivo. 14 ÁCIDO CLORÍDRICO Vamos relembrar os mecanismos de liberação do ácido clorídrico. Ele é produzido pela célula parietal e junto com o pepsinogênio, forma a secreção péptica do estômago, que, juntamente com o H. pylori vai ser responsável pela formação da úlcera. Após muito estudo, descobriram os estímulos que a célula parietal precisaria receber para produzir uma quantidade acima do necessário de ácido clorídrico para formar a ulceração péptica. Foram achados 3 estímulos de secreção: Acetilcolina: estimulador responsável pela fase cefálica Gastrina: estimulador responsável pela fase gástrica Histamina: relevância grande porque além de estimular diretamente a célula parietal, também funciona potencialmente como um estimulador final pelas outras vias. A prostaglandina E também foi valorizada por muito tempo, mas depois de estudos viram que sua supressão não foi eficaz e que o fármaco utilizado para isso é totalmente abortivo. Basicamente nosso organismo luta permanentemente para que não tenhamos uma DUP através do controle de fatores agressivos e fatores defensivos. Os fatores agressivos que mais se destacam são o ácido clorídrico, pepsina, sais biliares, drogas (AAS e AINES), H. pylori e álcool. Já os fatores defensivos que mais se destaca é a barreira mucosa (espécie de gel que protege a mucosa contra a sua própria secreção). O diagnóstico da úlcera é clínico na maioria das vezes (dor que abdominal que quando come passa e depois volta a doer). 15 A endoscopia é extremamente importante, pois além de fazer o diagnóstico de úlcera, também já pode ser feita a biópsia de H. pylori. Além disso, é um exame que o paciente pode fazer com um espaço de tempo permitindo o acompanhamento da doença. Paciente faz endoscopia sempre em decúbito lateral esquerdo. Hemorragia Perfuração Estenose pilórica Penetração intratabilidade Todos os pacientes com queixas dispépticas devem ser inquiridos quanto ao uso de AINES. Em pacientes de risco para o desenvolvimento de úlcera e/ou complicações, a erradicação do HP diminui, mas não impede o risco de úlcera ou complicações. Nesse caso, é recomentado o uso profilático de IBP. O tratamento do HP está recomendado em casos de: Úlcera duodenal Linfoma MALT de baixo grau Pós cirurgia para câncer gástrico avançado, em pacientes submetidos a gastrectomia parcial Pós-ressecção de câncer gástrico precoce (endoscopia ou cirurgia) Gastrite histológica intensa 16 1. Classificação de Savary-Milller Modificada: não é mais usada. 2. Classificação de Los Angeles: é a que devemos usar. Pode ser dividia em grau A, B, C e D. Grau A: uma ou mais soluções de continuidade da mucosa, não maiores que 5mm casa, que não se estendem entre 2 pregas longitudinais. Grau B: uma ou mais soluções de continuidade da mucosa, com mais de 5mm casa, não contiguas entre o topo de duas pregas longitudinais. Grau C: soluções de continuidade da mucosa contíguas entre o topo de duas (ou mais) pregas, porém, envolvendo menos que 75% da circunferência do esôfago. Grau D: soluções de continuidade envolvendo mais de 75% da circunferência do esôfago. 3. Classificação de Praga – Esôfago de Barrett Aqui temos o algoritmo para abordagem do paciente com doença do refluxo gastroesofágico. 17 A DII como o próprio nome diz, se refere a um processo inflamatório crônico que acomete o TGI. S ISTEMA IMUNOLÓGICO DO TGI Esse SI precisa ser bastante apurado e complexo, porque existe uma balança que permite a entrada de nutrientes e substâncias adequadas, mas por outro lado, defende, ou seja, tem uma resposta inflamatória que impede a entrada de microrganismos/substâncias indevidas. Então, o nosso SI do TGI, deve estar equilibrado para funcionar corretamente, impedindo a entrada de substâncias indevidas e não agredir o que deve ser absorvido. Vai ocorrer na DII exatamente um desbalanço do SI, em que há a agressão de substâncias que não deveriam ser agredidas. Essa resposta inflamatória exacerbada, vai levar a um processo inflamatório do TGI, ou seja, é como se perdêssemos a resposta imunomoduladora e passássemos a agredir estruturas próprias como non-self. Os 2 espectros da DII são Doença de Crohn (DC) Retocolite Ucerativa Idiopática (RCUI) Primeiramente eu tenho um indivíduo geneticamente predisposto que foi exposto ao longo da vida por uma série de fatores de gatilho (ACO, fumo, stress, ag. Infecciosos?) e esse conjunto (genética + gatilho) leva a uma desregulação imune da mucosa TGI gerando uma resposta inflamatória indevida. A DII possui uma incidência mais elevada na Europa (principalmente no Reino Unido) e na América do Norte, mas é sabido que está em ascensão na América Latina e que tem maior prevalência nas áreas urbanas. Tem 2 faixas etárias mais acometidas pela DII, o primeiro pico (pico mais tradicional) acomete pessoas entre 15-30 anos e sabemos que existe também o segundo pico entre 60 e 80 anos. Existem vários fatores de risco, mas hoje sabemos que os mais estudados são para predispor a Doença de Crohn são: ACO Fumo Apendicectomia prévia: entra sempre naquele questionamento “será que esse processo inflamatório já não era um primeiro sinal de inflamação da DII?” ou será que é realmente um fator predisponente pra doença se manifestar? Um fato interessante é que alguns fatores de risco para a DC são tidos como fatores protetores para a RCUI. Sabemos que o uso de ACO e o fumo diminui o risco de RCUI. A DII possui esses 2 espectros bem conhecidos, mas observamos que tem uma área de intercessão entre as 2 doenças, isso significa que possui um grupo de doentes que podemos caracterizar como portadores da DII, por outro lado, eu não consigo definir com precisão se ele está tendendo mais para RCUI ou DC, apesar de que precisamos sempre definir um nome para a doença uma vez que isso implica no seu tratamento. Assim, o que define cada um desses espectros? RETOCOLITE ULCERATIVA IDIOPÁTICA (RCUI ) Como o próprio nome diz, é uma doença que acomete o intestino grosso, e principalmente o reto. 18 A maioria dos pacientes com RCUI possui a proctossigmoidite (40- 50%), ou seja, quase metade dos pacientes tem o acometimento do cólon esquerdo. Em torno de 20% dos doentes essa inflamação ascende por todo o intestino grosso, recebendo o nome de pancolite. Uma outra característica da RCUI é que a agressão do intestino grosso ocorre de forma contínua. Macroscopicamente, quando eu olho essa mucosa, eu terei focos de ulcerações, edema, focos de hemorragia e pseudopólipos. Aqui vemos uma colonoscopia normal Aqui temos as lesões causadas pela RCUI (edema e úlceras) Aqui temos ulcerações e pseudopólipos. O grande diagnóstico diferencial quando eu vejo essas imagensde colonoscopia é com o adenocarcinoma de intestino grosso, por isso que os pseudopólipos devem ser biopsiados. Ao biopsiar, ou seja, em uma característica microscópica, podemos observar que é uma inflamação restrita a mucosa e submucosa e possui um achado bem característico chamado de criptite, que é um abscesso das criptas intestinais. Manifestações clínicas: diarreia mucossanguinolenta e dor abdominal (tipo cólica). O que é diarreia? Quando o paciente apresenta diminuição da consistência das fezes e mais que 3 evacuações por dia. A maioria dos pacientes pode ter a presença de sintomas intermitentes antes do diagnóstico, como náuseas, perda ponderal e anorexia. O portador de retocolite pode ter uma forma de apresentação que é a mais temida: MEGACÓLON TÓXICO O megacólon tóxico é causada por um processo inflamatório tão intenso que causa a dilatação das alças intestinais, podendo ter perda das haustrações e risco de perfurações. Definimos que o paciente está com megacólon quando medimos o cólon transverso e o mesmo está com mais de 5-6cm de diâmetro + ausência de haustrações. O paciente com megacólon possui uma diarreia sanguinolenta e dor abdominal acentuada. DOENÇA DE CROHN (DC) Inicialmente já temos uma diferenciação bem importante da RCUI, já que a RCUI acomete intestino grosso e a DC pode acometer qualquer região do TGI. A porção distal do intestino delgado e o intestino grosso, são os lugares mais acometidos, ou seja, 40-50% dos indivíduos com DC tem a chamada íleocolite, em segundo lugar 30-40% dos pacientes terão ileíte (acometimento do íleo terminal) e em terceiro lugar, com 15-25% dos casos, teremos a colite que é o acometimento do intestino grosso. Uma outra característica da DC é a presença do acometimento salteado, isso é, eu posso ter um acometimento do cólon esquerdo, depois uma área poupada, depois uma área acometida no cólon transverso, mucosa normal, depois uma área acometida no cólon direito. Na macroscopia teremos a presença de ulcerações aftosas profundas, áreas normais entremeadas (aspecto de “ruas de pedra”). Na microscopia vemos que ocorre um acometimento de todas as camadas do intestino grosso, ou seja, ele é transmural, podendo ter presença de abcessos em criptas, mas o seu marco microscópico é a presença de granulomas não caseosos. Mas, esses granulomas não existem em 100% dos pacientes, por isso que mesmo que o paciente não apresente isso na microscopia, ele pode ter DC. 19 Por conta do aspecto transmural, a DC pode ter 3 tipos de apresentação: Inflamatória Estenosante: pela fibrose no TGI Fistulante: como uma fora de drenar o conteúdo alimentar para passar por outra área (que não esteja estenosada) pode ocorrer a fistulização (trajetos para drenar uma área estenosada e tentar garantir a passagem do conteúdo fecal adiante). O problema das fistulas, é que nem sempre elas são organizadas, ou seja, ligam uma parte do intestino a outra parte (se isso acontecesse o problema seria somete absortivo), algumas vezes podem ocorrer trajetos fistulosos para outros órgãos, por exemplo, fístulas que ligam o intestino à vagina (fistulas retovaginais), ou à uretra (fístulas retovesicais) e até mesmo à pele (fístulas retocutâneas/enterocutâneas). Existem também as fistulas não organizadas, quando não ligam o intestino a outro órgão e podem drenar material fecal para cavidade peritoneal, levando a uma sepse. Manifestações clínicas: vai depender da forma de inflamação e do local de acometimento (já que temos 3 formas de apresentação e pode acometer todo o TGI). Os achados mais prevalentes serão: Inflamatória: diarreia mucossanguinolenta, dor abdominal (tipo cólica) e má absorção (quando houver envolvimento do intestino delgado). Estenosante: distensão abdominal, dor abdominal, episódios de suboclusão intestinal (abdome agudo obstrutivo). Fistulizante: saída de material fecalóide de acordo com a localização da fístula. É frequente o acometimento da doença perianal na DC, ocorre em 1/3 dos pacientes. Essa doença pode se manifestar na forma de fistulas, abcessos perianais e estreitamentos. Elevação de marcadores inflamatórios séricos inespecíficos: Aumento de VHD Aumento de PTN C reativa Aumento de mucoproteínas Aumento de plaquetas (trombocitose) Fezes com elementos anormais (sangue muco e pus). P-ANCA: anticorpo citoplasmático antineutrófilo perinuclear ASCA: anticorpo anti Saccharomyces cervisae. Outros: antiporinaC da membrana, anti-I2, anticelula caliciforme. CALPROLECTINA FECAL: caracteriza que estou diante de uma diarreia inflamatória (ele não diferencia DC e RCUI). Colonoscopia: vai até o íleo terminal (é a mais indicada e deve ser usada sempre que possível. Retossigmoidoscopia: só vê o cólon esquerdo. 20 Os 3 exames mais utilizados são: Enteroscopia: usada quando eu quero acessar as alças de delgado e percorrer com o aparelho de forma cirúrgica. Quase nunca é usado por ser muito invasivo. Exame contrastado: trânsito de delgado. Paciente ingere o contraste e é feita a imagem do intestino. Ele é bom para avaliar áreas estenosadas. Cápsula endoscópica: é um comprimido que bate 2 fotos por segundo e isso vira um filme a medida que percorre todo o intestino delgado, assim é possível visualizar o aspecto macroscópico da mucosa. Ele é contraindicado em casos de estenose. É uma adaptação da TC e RM, que é a chamada enterro TC ou enterro RM, que é especifica para visualização de alças intestinais. Usamos lactulose na maioria das vezes como contraste. É muito bom para intestino delgado. Dermatológicas: eritema nodoso (paniculite – nódulos dolorosos geralmente na área pré tibial), pioderma gangrenoso (MMII e face), estomatite aftosa, D Reumatológcas: artrite periférica, espondilite anquilosante, sacroileíte. Oculares: episcleíte, uveíte. Hepatobiliares: colangite esclerosante primária Fenômenos trombóticos: arteriais e venosos O tto cirúrgico deve ser reservado para uma doença refratária. 21 22 São as mais frequentes e com maior potencial de gravidade. São sangramentos que se originam de pontos do tubo digestivo que mantém contato com a solução péptica do estômago: Esôfago inferior Estomago Primeira porção do duodeno Segunda porção do duodeno eventualmente É uma enfermidade frequente, sendo 10x mais frequente que as hemorragias digestivas baixas (HDB). Por conceito anatômico rígido, é aquela que começa no esôfago e que vai até o ângulo de trás (junção do duodeno com o jejuno). Geram cerca de 300.000 internações hospitalares anualmente com altos custos e com índices de mortalidade de 6 a 12% (no caso de HDB o índice de mortalidade é menor que 5%). A primeira coisa a se fazer quando chega um paciente com HDA descompensado é a compensação hemodinâmica (reposição volêmica e transfusão sanguínea). Depois da compensação, realizamos a endoscopia digestiva para descobrir a origem do sangramento. A partir disso, podemos dividir os pacientes em 2 grupos: HDA de origem varicosa (varizes esofagianas) HDA de origem não varicosa DIAGNÓSTICO Devemos fazer uma história clinica detalhada investigando o uso de drogas e doenças preexistente e detalhando as eliminações de sangue. Além disso, devemos fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças toracoabdominais, procurar saber a história de cirurgias recentes e um exame físico acurado. APRESENTAÇÃO CLÍNICA Hematêmese Melena Enterorragia EXAME FÍSICO TRATAMENTO INICIAL Internação hospitalar ou UTI Dieta zero – endoscopia ou cirurgia 23 Monitorização dos sinais vitais – evolução Aceso à veia profunda – reposição Estabilização hemodinâmica– PA> 90mmHg Hemotransfusão – instável após 2L SNG – discutível Manter perveidade das vias aéreas superiores Cateter vesical – decúbito urinário ECG – pacientes com mais de 50 anos EXAMES LABORATORIAIS INICIAIS Hemograma completo Classificação do tipo sanguíneo e fator Rh Coagulograma Provas de função hepática Provas de função renal Solicitações adicionas em razão de eventuais comorbidades existentes CAUSAS E EXEMPLOS 24 25 CAUSAS 26 CARACTERÍSTICAS GERAIS O fígado é um órgão que pesa 1,4kg nas mulheres e 1,8kg nos homens e se localiza no hipocôndrio direito e tem como hepatimetria normal, em torno de 12cm. O fígado pode ser dividido em torno de 8 segmentos de respeitarmos a vasculatura hepática. Essa segmentação é muito importante porque qualquer abordagem cirúrgica precisa respeitar esses parâmetros. Se formos retirar um nódulo do fígado, precisamos respeitar a vasculatura e retirar o segmento inteiro. FUNÇÕES DO FÍGADO É um órgão fundamental para a manutenção da homeostase corporal. Dentre suas funções, teremos: Metabolização de carboidratos, lipídeos, proteínas e álcool. Estoque de ferro e vitaminas. Produção e secreção da bile. Detoxicação do sangue. Produção de proteínas plasmáticas e fatores de coagulação. D IVISÃO FUNCIONAL Para desempenhar todas essas funções, o fígado possui 3 compartimentos: Hepatócitos: são a grande célula funcional do fígado disposto em forma de cordões em forma hexagonal que tem em cada vértice o espaço porta (ramo portal + ramo venoso + ramo venoso + ducto). Ductos biliares: responsável pela drenagem da bile que adentra o tubo digestivo através da ampola de Vater na segunda porção duodenal. Sistema vascular Aprendemos que a grande maioria dos órgãos chegam nos órgãos através de uma artéria e é drenado pela veia. Porém, no fígado o suprimento sanguíneo chega na sua grande maioria (80%) pela veia porta (que é uma junção da esplênica e das mesentéricas superior e inferior) e isso tem uma função: todo o sangue proveniente do TGI passa pelo fígado para a filtragem de determinadas substâncias e ser capaz de sintetizar outras através da matéria prima absorvida no sistema digestivo. Então, existe essa peculiaridade de que apenas 20% do sangue que chega ao fígado, chega pela artéria hepática. PROGRESSÃO PARA CIRROSE É importante a gente entenda a organização normal dos compartimentos hepáticos porque uma série de doenças pode acometer o fígado, levar a um processo de inflamação que pode culminar com fibrose, até que a gente chegue em um estado mais crítico denominado de cirrose. 27 Nada mais é do que um diagnóstico histológico. Chamamos de cirrose um fígado que tem a distorção da sua arquitetura pelo aparecimento de traves fibrosas. Então, normalmente temos os hepatócitos bem organizados como já falamos anteriormente e mediante a um processo inflamatório, ocorre o surgimento da fibrose, até que chega a um ponto que a fibrose é tão intensa que distorce a arquitetura normal. Essa distorção de arquitetura é o que faz o fígado não funcionar normalmente. Assim, as fases iniciais de cirrose até podemos ter um funcionamento adequado do fígado, mas com o agravamento disso, perdemos o funcionamento do fígado. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Infelizmente a grande maioria das hepatopatias evoluem de formas assintomáticas até a fase mais avançada da doença, e isso faz com que ocorra um diagnóstico tardio. Para que não ocorra o diagnóstico tardio é fundamental uma história e exame clínico detalhados. Podemos dividir os sinais em sintomas da cirrose em 3 grupos: Fases iniciais da hepatopatia: assintomático, mal-estar, anorexia e desconforto no hipocôndrio direito. Hepatopatia instalada: icterícia (conjuntiva, sendo o freio lingual o local mais fidedigno), eritema palmar, atrofia testicular, ginecomastia, rarefração pelo. Hepatopatia avançada: ascite, encefalopatia e sangramento por varizes de esôfago. É importante lembrar que a sensibilidade álgica do parênquima hepático é muito reduzida e a inflamação do hepatócito pode passar sem dor. 28 Por definição é uma elevação do gradiente de pressão portal. O cirrótico tem hipertensão portal porque a fibrose, dificulta a passagem sanguínea e aumenta a resistência intra-hepática. Além disso, como o cirrótico tem liberação de uma série de substâncias vasodilatadoras, como o NO, também aumenta o fluxo sanguíneo no leito esplâncnico. Então tem mais sangue em um sistema com a pressão aumentada. Isso vai levar a: Hiperesplenismo: causado por uma esplenomegalia congestiva. Abertura de vasos das circulações colaterais: varizes de esôfago e gástricas. Ascite: pelo aumento da pressão hidrostática Assim, a hipertensão portal é fundamental para a gênese das complicações da fibrose e ela é instalada gradualmente juntamente com a fibrose no fígado. HIPERESPENISMO Se o fluxo sanguíneo nesse leito portal tem uma maior pressão, o sangue tende a se acumular no espaço portal, e como a veia porta é formada por uma confluência da esplênica com as mesentéricas, esse baço sem dúvida nenhuma terá uma congestão venosa. Assim, ele aumenta de tamanho. Se eu tenho um baço de tamanho aumentado sem doença implícita, ele está hiperfuncionante = Hiperesplenismo. Então, caracteristicamente, na hipertensão portal teremos: Plaquetopenia Leucopenia Anemia E tudo isso, vai ser causado pelo Hiperesplenismo. SURGIMENTOS COLATERAIS Ocorre exatamente pelo aumento da pressão, fazendo com que aquele vaso tenha um maior calibre e consequente ruptura. Assim, pode ocorrer: Varizes esofágicas Varizes gástricas Shunts ASCITE A presença da ascite tem como fisiopatogenia o aumento da pressão hidrostática + outros fatores associados, assim, é uma complicação multifatorial. As complicações são: Hipertensão portal: aumento da pressão hidrostática. Hipoalbuminemia: pressão oncótica diminuída. Aumento de substâncias vasodilatadoras (NO): aumento do fluxo sanguíneo esplâncnico. 29 É um procedimento de drenagem do líquido peritoneal. No cirrótico, esse liquido que se acumula no peritônio é pobre em defesa, ou seja, um transudato. Por conta disso, esse paciente pode apresentar uma translocação bacteriana do TGI causando uma infecção espontânea do líquido peritoneal. O quadro clínico é pouco exuberante: Desconforto abdominal Descompensação da hepatopatia Febre pode não ocorrer Para classificarmos o líquido ascitico como um caso de PBE, devemos fazer a paracentese diagnóstica e avaliar a quantidade de polimorfonucleados naquele local, se o valor for maior que 250, estaremos diante de uma PBE. É uma complicação grave da cirrose hepática proveniente da hipertensão portal. A hipertensão portal causa um desvio do fluxo sanguíneo do fígado para a circulação colateral porto-sistêmica, fazendo com que neurotoxinas provenientes do TGI não sejam filtradas adequadamente pelo fígado, principalmente AMONIA (mas existem outras neurotoxinas). Esse paciente apresentará uma alteração do estado mental e função cognitiva. Devemos sempre tratar a CAUSA da cirrose. Podemos tratar com: Diuréticos. Dieta rica em proteína vegetal. Restrição de sódio. Medidas para encefalopatia. Prevenção de hemorragia digestiva por rupturas de varizes de esôfago. Em fases mais avançadas, podemos ter que pensar em um transplante hepático. 30 É um órgão tubular que mede cerca de 18 a 26cm e tem como principal função, o transporte de alimentos. Ele é revestido por um epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado, assim,ele não possui serosa, assim, ele fica mais sujeito a perfuração e complicações como mediastinite. TRASNPORTE DE ALIMENTOS o primeiro processo após o alimento ser deglutido, é o seu encaminhamento para a hipofaringe. Nesse momento, ocorre o relaxamento do esfíncter esofágico superior, que é uma camada muscular mais robusta que normalmente fica fechada, mas com a chegada do alimento há esse relaxamento para a entrada do alimento no esôfago. Onde ele vai percorrer e ser impulsionado pelas ondas peristálticas até que chegue na sua porção distal, que também é composta por um esfíncter: esfíncter esofágico inferior, que também se relaxa para que o alimento adentre a câmara gástrica. “De cara” a gente já teria uma condição fisiológica que facilitaria o refluxo do conteúdo gástrico, tanto de alimentos quando de ácido gástrico e pepsina. Essa condição facilitadora é que normalmente (em condições normais/fisiológicas) a nossa pressão intra-abdominal é maior que a nossa pressão intratorácica, favorecendo o refluxo do conteúdo para esôfago, cavidade oral e até mesmo as vias respiratórias. Denominamos isso de condição facilitadora do RGE, mas obviamente não somos portadores de DREG, e isso ocorre em um geral, porque possuímos mecanismos que impedem o refluxo. PR INCIPAIS MECANISMOS QUE IMPEDEM O RGE Pressão do esfíncter esofágico inferior: normalmente esse esfíncter fica com um tônus maior para impedir o RGE, seu relaxamento deve acontecer comente quando há “alimento” na porção inferior do esôfago. Compressão extrínseca do EEI pelo hiato diafragmático: anatomicamente o esfíncter esofágico inferior sofre uma compressão do diafragma que o mantém fechado. Posição oblíqua da junção esofagogástrica: anatomicamente falando, existe uma obliquidade dessa junção. Gravidade: ajuda a facilitar aa drenagem do conteúdo esofágico, por isso que uma das orientações que nós damos para o portador da DRGE é nunca comer e se deitar logo em seguida. Esvaziamento rápido do estômago: em condições ideais não fica muito alimento parado na câmara gástrica. Salivação: vai umidificando toda essa região à medida que vamos deglutindo ajuda a “empurrar” esse alimento para o estômago. A falha em algum desses mecanismos, leva a ocorrência da DRGE. Normalmente, os mecanismos mais acometidos (que mais falham) são os 3 primeiros. FALHA DA PRESSÃO DO EEI Pode se dar por duas situações principais: Relaxamentos transitórios do EEI Hipotensão do EEI (cronicamente) Precisamos lembrar que o epitélio do esôfago ele não foi feito (adaptado) para ter um contato crônico com a acidez gástrica. O epitélio do estômago (colunar) ele é muito mais resistente e preparado para estar em contato com o ácido gástrico. Assim, a partir do momento em que há um contato crônico do esôfago com o ácido gástrico, temos o surgimento da DRGE. FALHA DA COMPRESSÃO EXTRÍNSECA DO EEI E DA POSIÇÃO OBLÍQUA DA JGE Podemos ter um problema relacionado à anatomia da porção esôfago gástrica, que nada mais é do que a presença da hérnia hiatal. Essa hérnia destroce a anatomia e faz com que haja perda de pressão do hiato sobre o EEI. Existem basicamente 2 tipos de hérnia de hiato: Por deslizamento (+ implicada na doença do refluxo): uma parte do estomago passa a habitar a região intratorácica. 31 Paraesofágica: estômago passa a habitar a região intratorácica, mas sua localização é paralela à junção gastro- esofágica. Sem dúvidas é a doença mais prevalente do esôfago e acomete cerca de 12% da população brasileira. Ela possui um impacto negativo na qualidade de vida, por conta dos seus sintomas que incomodam no dia a dia. Além do impacto negativo, a DRGE pode causae diversas complicações, uma vez que a mucosa esofágica não foi feita para estar em contato com o ácido. Essas complicações podem ser: Erosões Úlceras Estenoses Esôfago de Barrett Entre outros Por definição, é qualquer manifestação clínica que resulte da exposição do esôfago ou de órgãos adjacentes ao conteúdo gástrico, decorrente do seu fluxo retrógrado. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Temos 2 tipos de manifestações: Típicas: sintomas mais relacionados à presença de ácido no esôfago. Atípicas: sintomas mais inespecíficos da DRGE Esses sintomas possuem uma frequência mínima de 2 vezes por semana por no mínimo 1-2 meses. D IAGNÓSTICO O diagnóstico de DRGE é clinico, assim, ele se dá pela presença dos achados clínicos dentro da frequência mínima. EXAMES COMPLEMENTARES Endoscopia digestiva alta: sem duvidas é o mais importante na avaliação de um doente com DRGE, principalmente para avaliar as complicações da doença. Assim, a endoscopia digestiva alta é um método de escolha para diagnóstico das lesões causadas pelo refluxo. Teremos 2 classificações para os achados da endoscopia: Savary-Miller Los Angeles: + usada 32 CONSEQUÊNCIAS DO RGE As principais são: Erosões Ulceras Estenose Esôfago de Barrett: é a condição mais temida por ser predisponente para adenocarcinomas de esôfago. Essa condição é caracterizada pela “reepitelização” do esôfago a longo prazo, assim, ocorre uma metaplasia intestinal no esôfago (recubro o meu esôfago distal com células caliciformes). ALGORITMO DE ABORDAGEM – DRGE EXAMES COMPLEMENTARES ADICIONAIS Esofagografia Manometria esofágica pHmetria esofágica RESUMINDO A DRGE 33 Podemos dividir o tratamento de 3 formas: Medidas comportamentais: Tratamento farmacológico: tem como objetivo inibir a produção de HCL, apesar de não ser comum a hipersecreção gástrica. Os pró-cinéticos não possuem beneficio comprovado e é indicado somente quando o paciente tem queixa de plenitude associada. Tratamento cirúrgico: a intervenção cirúrgica consiste na recolocação do esôfago na cavidade abdominal, a aproximação dos pilares do hilo diafragmático (hiatoplastia) e no envolvimento do esôfago distal pelo fundo gástrico (fundoplicatura). O tto cirúrgico de escolha na DRGE é a hiatoplastia com fundoplicatura a Nissem. 34 Temos uma estrutura hepática bem definida com suas circulações bem estruturadas, lembrando que cerca de 70% da sua circulação de faz por via venosa através do sistema porta e 30% apenas por artérias. Então, o aporte de sangue venoso é extremamente alto e por isso quando ocorre alguma obstrução, as consequências podem ser catastróficas. Sabemos que dentro da arquitetura do fígado temos os lobos hepáticos com os sinusóides, ao mesmo tempo com todo quadro circulatório que envolve esse sistema. Cada hepatócito que compõe o fígado possui uma importância muito grande no metabolismo e na síntese proteica. Assim, o funcionamento adequado do é crucial e fundamental para todo o funcionamento do sistema orgânico. Temos vários vírus causadores de hepatite, um abecedário. Fazemos referência a um pássaro: verdelhão, que em grego quer dizer icterus, que representa a explicação do nome icterícia, pelo pássaro ser amarelado. Em uma visão global da parte epidemiológica da hepatite, temos: Temos um macete que os vírus das extremidades (A e E) são transmitidos de forma fecal-oral, que tem a ver com as condições sanitárias do local. Os vírus B, C e D que são os do meio, tem como mecanismo de transmissão a via biológica, por sangue e derivados (transfusão, acidente perfuro cortante, etc.). Outra diferença importante é que o vírus A nunca leva a uma infecção crônica, enquanto a E pode levar a uma condição crônica ou não dependendo do grau de imunocomprometimento do indivíduo. Já os vírus B, C e D, fazem essa evolução para a cronicidade. Dessa forma, podemos agora falar sobre a prevenção que se dá pela vacinação nos casos dehepatite A e B e ficamos sem vacina pelo menos por enquanto para o vírus C e E. No boletim epidemiológico que usamos no brasil, temos o seguinte gráfico: Nesse gráfico podemos perceber que o vírus A tem caindo na sua incidência e isso tem vários motivos, como, melhoria social, melhoria de saneamento, introdução da vacina (em 2010/2012). Os outros vírus temos cada vem mais um caimento, com exceção do vírus B, que se mantém estável. Quanto a mortalidade temos o seguinte gráfico: Aqui podemos ver que na sua grande maioria, o vírus C é responsável pela maioria dos casos letais, em segundo lugar a hepatite B e em terceiro a hepatite A. Precisamos nos lembrar que não necessariamente a hepatite será causada pelos vírus A, B, C, D e E. ela também pode ser causada pelo vírus EBV/CMV, dengue, febre amarela e além de quadros infecciosos, temos outros bacterianos que também são capazes de 35 causar esse quadro, como leptospirose, rickettsiose. Além disso, temos também as condições não infecciosas, como uso de medicamentos e álcool. HEPATITE A É um enterovírus, chamado de picornavirus, composto por RNA. Patogenia: vírus penetra via TGI e vai para os hepatócitos, onde se prolifera e causa a viremia inicial, após 2 semanas antes dos sinais cínicos ele já é eliminado nas fezes. Possui um período de incubação em torno de 30 dias, podendo variar entre 15-50 dias. Uma coisa que chama atenção, é que crianças menores de 6 anos possui uma chance muito pequena (10%) de desenvolver icterícia, já crianças ente 6 a 14 anos possuem um chance entre 40-50% de desenvolver icterícia e pessoas acima de 14 anos já possuem uma chance entre 70-80% de desenvolver icterícia. Com isso, chegamos a uma conclusão de que a icterícia na criança cursa de forma benigna e com pouca sintomatologia. Algumas das complicações que podem ser causadas pela hepatite A, são: Hepatite fulminante Hepatite colestatica Recaída da hepatite Além disso, sempre devemos lembrar que NÃO há sequela crônica. Sua transmissão de dá de forma por contato próximo, água/comida contaminada e raramente por exposição sanguínea. Quadro clínico se dá por: Cansaço Dor abdominal Enjoo e/ou vômito Febre Tontura Icterícia Na hepatite aguda temos que sempre vigiar o paciente, porque se o paciente com o quadro clinico acima + manifestações cutâneas como eritema palmar e teleangiectasias + manifestações neurológicas e torpor/queda do estado geral, faz a gente pensar em um quadro mais grave de insuficiência hepática. Além disso, precisamos estar alertas ao quadro de encefalopatia hepática. Diagnóstico laboratorial é feito através de: Avaliação do dano hepático com a dosagem de aminotransferases (TGP/TGO), fosfatase alcalina, gama- glutamiltransferase e desidrogenase lática. Avaliação da função hepática: Depuração de metabólitos: bilirrubinas séricas e amônia Função da síntese hepática: tempo e atividade de protrombina, albumina, lipídios e lipoproteínas séricas. Avaliação imunológica: globulinas, anticorpos antinucleares, anticorpo antimitocondrial, anticorpos anti músculo liso, marcadores de hepatite viral. HEPATITE B É um vírus da família hepadnaviridae, formado por fita dupla de DNA. Ele possui 2 gêneros: Ortohepadnavirus: hepB Avihepadnavirus A questão da cura da hepatite B é discutível, uma vez que as partículas do vírus podem permanecer para sempre no organismo. 36 Existem vários genótipos de HBV, mas isso não possui relevância, uma vez que não muda seus aspectos clínicos. Seu período de incubação tem uma média de 60-90 dias, mas pode acontecer entre 45-180 dias. É interessante saber que a forma aguda ocorre com menor frequência em crianças com menos de 5 anos (10%) e acima de 5 anos ela já ocorre numa frequência de 30-50% dos casos. 1% dos casos evolui de forma aguda fatal. A evolução para a doença crônica abaixo de 5 anos possui uma prevalência entre 30-90% e por conta disso que a vacinação é tão importante. Já acima de 5 anos a prevalência da doença crônica diminui para 2-10%. A estrutura do vírus é muito importante: Entre suas proteínas de membrana temos o HBsAg e algumas proteínas derivadas do S. Enquanto no corpo teremos proteínas HBcAg e HBeAg (que só aparece depois que o vírus se multiplica). Essas proteínas são importantes na hora de fazer a detecção da doença de forma que podemos fazer testes para identificar a presença de HBsAg e anticorpos anti-HBcAg/HBeAg. Concentração do vírus HBV nos fluidos corporais: E a hepatite B pode ser transmitida de forma sexual, parenteral e perinatal. Temos 4 fases da infecção crônica pelo HBV, sendo elas: Fase de imunotolerância ALT normal Fase de imuno-clearence: ALT elevada Fase de controle imune: ALT normal Fase de escape imune ALT elevada Seu quadro clinico é composto por: Cansaço Dor abdominal Enjoo e/ou vômito Febre Tontura Icterícia Diagnóstico laboratorial é feito através de: Avaliação do dano hepático com a dosagem de aminotransferases (TGP/TGO), fosfatase alcalina, gama- glutamiltransferase e desidrogenase lática. Avaliação da função hepática: Depuração de metabólitos: bilirrubinas séricas e amônia Função da síntese hepática: tempo e atividade de protrombina, albumina, lipídios e lipoproteínas séricas. Avaliação imunológica: globulinas, anticorpos antinucleares, anticorpo antimitocondrial, anticorpos anti músculo liso, marcadores de hepatite viral. Manifestações extra-hepáticas: Vasculite mucocutânea Glomerulonefrite Poliarterite nodosa Fibromialgia/Polimialgia Crioglobulinemia Pericardite/pleurite Manifestações neurológicas Anemia aplásica 37 Purpura de Henoch-Schonlein O tratamento da HBV possui vários fármacos, mas sem duvidas o principal é o tenofovir. O objetivo do tto do HBV é: HEPATITE C É um vírus semelhante a evolução da hepatite B porém o vírus é RNA. Seu período usual de incubação é de 6 a 7 semanas, mas pode variar de 2 a 26 semanas. Sua forma aguda é rara, acometendo menos de 20% dos pacientes e seu grau de hepatite fulminante é muito baixo. A sua evolução para a forma crônica, por outro lado, é alta e 75- 85% dos pacientes irão apresentar essa forma. Sua mortalidade é teoricamente baixa entre 1-5%. As formas de transmissão de hepatite C são: Os fatores que promovem uma progressão ou severidade da HCV são: Aumento da ingestão de álcool Mais de 40 anos na época da infccção HIV co-infecção Outros que ainda não são 100% estudados: sexo masculino e outras co-infecções, como HBV por exemplo. Seu quadro clinico é composto por: Cansaço Dor abdominal Enjoo e/ou vômito Febre Tontura Icterícia 38 Diagnóstico laboratorial é feito através de: Avaliação do dano hepático com a dosagem de aminotransferases (TGP/TGO), fosfatase alcalina, gama- glutamiltransferase e desidrogenase lática. Avaliação da função hepática: Depuração de metabólitos: bilirrubinas séricas e amônia Função da síntese hepática: tempo e atividade de protrombina, albumina, lipídios e lipoproteínas séricas. Avaliação imunológica: globulinas, anticorpos antinucleares, anticorpo antimitocondrial, anticorpos anti músculo liso, marcadores de hepatite viral. Sua manifestações extra-hepáticas são compostas por: Possuímos 4 genótipos no brasil, e é importante sabe-los pois o tratamento pode mudar. São vários medicamentos e cada vez mais novos são lançados: HEPATITE D É um vírus defectivo que precisa da presença do HBV no organismo para causar doença. Coinfecção: doença severa aguda e baixo risco de infecção crônica Superinfecção: usualmente envolvem HD crônica,alto risco de doença crônica severa e pode se apresentar como hepatite aguda. Sua transmissão se dá por forma percutânea e permucosa. HEPATITE E É mais relacionado com transmissão fecal oral. 39 É fundamental e deve ser relacionada com cada doença. 40 Sempre que a gente fala das doenças que acometem o fígado, temos que lembrar que cada doença pode acometer um compartimento prioritário de lesão. Então, existem algumas doenças que acometem primariamente os hepatócitos, outras que cursam com acometimento primário dos ductos biliares e um terceiro grupo que acomete o sistema vascular. Aqui vamos falar de hepatites não virais, que nada mais são que doenças que cursam com o acometimento dos hepatócitos levando a um processo inflamatório que pode culminar inclusive com a ocorrência da cirrose hepática. Relembrando: os hepatócitos são as células funcionas do fígado que se organizam sob a forma de cordões formando figuras hexagonais que possui em cada vértice o espaço porta, que é formado por um ramo portal, um ramo arterial e um ducto biliar. Então, vamos falar especificamente de situações clínicas que levam a um processo inflamatório desse hepatócito e essa inflamação pode culminar com fibrose e por fim levar à cirrose. Vírus Álcool Doença hepática gordurosa não-alcóolica Hepatite autoimune Doenças metabólicas Doença de Wilson Hemocromatose Deficiência de alfa-1-antitripsina Medicamentos Sempre que estamos de frente de um quadro de hepatite, temos que pensar logo em qual é a etiologia e as principais causas de leões de hepatócito estão ali em cima. Relembrando: quando vou pensar que aquele acometimento do fígado é primário do hepatócito? O quadro clinico nem sempre é tão exuberante! A presença de icterícia é um marco que faz a gente pensar em hepatopatias, mas o que direciona realmente para hepatite é a elevação de TGP (ALT) e TGO (AST). Assim, sempre que eu tenho suspeita de lesão do hepatócito, eu doso esses marcadores. HEPATOPATIA ALCÓOLICA Sem duvida nenhuma é uma causa frequente de hepatopatia crônica e a cirrose pelo álcool ainda é uma situação de necessidade frequente de transplante hepático. Sabemos que a primeira lesão induzida no hepatócito se relaciona ao acumulo lipídico dentro da célula, ou seja, a esteatose. A esteatose até certo ponto é reversível, mas a medida que o processo se instala, gera um grau de inflamação, ou seja, uma esteatohepatite que culmina com a formação de cicatrizes nesse parênquima, que é a esteatofibrose, até que um momento essa fibrose fica mais extensa causando uma distorção da arquitetura normal do parênquima hepático, recebendo o nome de cirrose. Relembrando: cirrose hepática é um diagnostico histológico. Qual a quantidade de álcool toxica? Um conceito que é muito importante, é que: se meu paciente tem alguma outra hepatopatia anterior, doses menores de álcool podem causar uma resposta inflamatória mais facilmente. DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO-ALCÓOLICA Possui uma extrema importância e também pode ser chamada de esteatose hepática, mas esse nome não é certo. Essa doença é causada com uma alteração metabólica que culmina com o acumulo de lipídeos nos hepatócitos. 41 Sua cascata de eventos, é muito parecida com a da hepatite alcoólica: Como a lesão nesse caso é muito parecida com aquela induzida pelo álcool, para que eu possa dizer que o paciente é portador de uma DHGNA, tem que haver um consumo alcoólico menor do que aquele estipulado anteriormente. A sua prevalência é bem elevada, estima-se que ocorra a esteatose em 80% dos obesos e esteatohepatite em 10 a 15% dos obesos. Patogênese: a chave para a esteatose está ligada com a resistência insulínica, então essa seria o primeiro gatilho, e o segundo gatilho seria o stress oxidativo, que consideramos como o adicional necessário para que se manifeste aquele componente necro- inflamatorio, ou seja, passar de esteatose para esteatohepatite e evoluir para uma cirrose. Doenças associadas: A DHGNA é muito prevalente por possuir uma intima relação com a síndrome metabólica. A síndrome metabólica compreende as alterações do metabolismo glicídico, lipídico, obesidade e hipertensão. Que nada mais são que doenças muito prevalentes na população mundial. Além disso, a DHGNA é tida como o componente hepático da síndrome metabólica. Sem duvida nenhuma, hoje em dia temos cada vez mais casos de transplante hepático por conta da DHGNA. HEPATOPATIAS HEPATITE AUTOIMUNE Como toda doença imunomediada tem um individuo que é geneticamente predisposto e que uma vez exposto a uma série de fatores gatilho, desencadeia uma auto agressão. N Nesse caso, teremos uma auto agressão do parênquima hepático, com isso, o corpo passa a reconhecer como non-self os hepatócitos. As mulheres jovens e as crianças são o grupo mais acometido e pode causar graus variados de hepatopatia, podendo variar inclusive para cirrose hepática. A predisposição genética, nesse caso, está ligada aos antígenos de HLA da classe II (HLADR3 e DR4). Sempre que pensamos na possibilidade dessa doença, existem 2 marcadores sorológicos que são os mais utilizados para auxilio diagnóstico na hepatite autoimune do adulto, que são: FAN (fator antinuclear) Anticorpo anti musculo liso DOENÇAS METABÓLICAS 1. HEMOCROMATOSE: é uma doença genética causada pela absorção excessiva (desenfreada) de ferro pelo TGI. Isso gera uma sobrecarga de ferro no parênquima hepático (principalmente) que é um dos locais de maior armazenamento do ferro. É importante lembrarmos do metabolismo do ferro: devemos lembrar que nosso corpo não possui uma via excretória eficiente de ferro, e com isso, tudo de ferro que adentra nosso organismo tende a se acumular se não for utilizado para síntese das células vermelhas (que é a função do ferro). Assim, se temos um doente politransfundido, esse pode ter uma sobrecarga de ferro porque não existe uma via excretória normal do excesso de ferro. Como ocorre a homeostase de ferro no organismo? Isso é mediado pelo enterócito, que uma vez que entra em contato com o ferro 42 da dieta, esse ferro é absorvido e a partir daí recebe uma série de sinalizadores que informam como está a quantidade de ferro do nosso organismo. Em situações de necessidade de ferro, os sinalizadores informam ao enterócito e esses transportam o ferro dentro dele para a corrente sanguínea. Na corrente sanguínea, o ferro é carreado por uma proteína chamada transferrina e levado para os locais de armazenamento. O principal local de armazenamento é no fígado, sob a forma de ferritina. Por outro lado, quando a nossa reserva de ferro está adequada, o enterócito recebe essa informação, essa informação faz com que o enterócito não internalize o ferro para a corrente sanguínea, assim, ocorre a descamação do enterócito e eliminação daquele ferro que não precisa ser reabsorvido. Então, podemos dizer que a via excretora de ferro do nosso organismo é o enterócito. Na hemocromatose hereditária, temos uma perda desses sinalizadores, assim, quando nosso estoque de ferro está adequado, o enterócito continua interpretando como se a pessoa sempre necessite de ferro e isso gera uma absorção desenfreada e o acumulo de ferro no parênquima hepático. Assim, na hemocromatose hereditária ocorre uma mutação no gene HFE, que regula a absorção de ferro. As 2 mutações mais encontradas são: C282Y (peso maior) H63D O excesso de ferro pode causar: Hepatopatia Diabetes Artropatia Pele “bronzeada” Insuficiência cardíaca 2. Doença de Wilson: nessa doença existe um defeito na excreção biliar de cobre. O cobre no nosso organismo tem como principal via excretora, a via biliar, assim, todo excesso decobre é internalizado pelo hepatócito e o hepatócito elimina pelo canalículo biliar, para que seja eliminado juntamente da bile. Na doença de Wilson, que também é uma doença genética, uma herança autossômica recessiva no cromossoma 13, existe um problema na exportação do cobre do hepatócito para a via biliar. Assim, o cobre começa a se acumular no parênquima hepático, levando a uma hepatopatia. Depois que o hepatócito não aguenta mais acumular todo o excesso de cobre, esse começa a se acumular em outros órgãos, tendo preferência por: SNC Córnea Rins Os sinais e sintomas dessa doença, geralmente aparece no final da infância e na adolescência. 3. Deficiência de alfa-1-antitripsina: A alfa-1-antitripsina é uma proteína produzida pelo hepatócito e que tem como função a nível pulmonar de inibir a elastase (responsável pelo turnover alveolar), ou seja, ela impede a destruição alveolar. Na doença da deficiência de alfa-1-antitripsina o fígado não consegue exportar a mesma para a corrente sanguínea, assim, ela se acumula no parênquima hepático, levando a uma lesão de hepatócitos e consequentemente à hepatite Assim, ela se acumula no fígado e falta no pulmão, fazendo com que ocorra uma destruição alveolar excessiva, assim, o quadro clinico clássico desse paciente, será a presença de enfisema pulmonar. HEPATITE MEDICAMENTOSA A hepatotoxicidade medicamentosa precisa muito da nossa atenção. Ela pode ocorre não só pela lesão induzida por fármacos, mas também, pelo grande consumo de fitoterápicos e até alguns 43 suplementos. A gente tende a achar que os fitoterápicos são medicamentos mais benignos e que tem menos efeitos colaterais, as hoje em dia já está provado que existe uma serie de efeitos colaterais no fígado relacionado também a esses remédios, ou seja, hepatotoxicidade por ervas fitoterápicas. Assim, precisamos saber que existe uma serie de medicamentos que são capazes de induzir a hepatotoxicidade e essa lesão pode ocorrer em vários tipos de padrão: Lesão específica do hepatócito Lesões mais relacionadas as vias biliares Padrões mistos (hepatócitos + via biliar) Assim, devemos sempre prescrever medicamentos com prudência, e quando sabemos do potencial lesivo, isso pode ser acompanhado. 44 No brasil ou no mundo ocidental, a maior parte dos cálculos são de colesterol, isso faz com que eles sejam rádio transparentes e não apareçam na RX simples de abdômen. Os cálculos pigmentados se originam na maior oferta de bilirrubinato de cálcio no fígado, principalmente em doenças hematológicas que cursam com surto de hemólise. 45 DIAGNÓSTICO CLINICO A história e exame clinico (palpação do abdome) geralmente são suficientes para fazermos o diagnóstico. Como diagnostico diferencial da dor à palpação podemos ter: EXAMES COMPLEMETARES USG TC RM 46 Inflamatório Obstrutivo Vascular Hemorrágico Perfurativo ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO Quadro clinico clássico de dor abdominal continua, febre e sinais de irritação peritoneal. Podemos classifica-lo de acordo com o MANTRELS score A apendicite aguda é uma das causas mais frequentes de abdome agudo inflamatório, sua dor origina em epigástrio e migra para a FID. Podemos avaliar o abdome agudo por: RX USG TC Podemos ter 4 tipos de apendicite: Catarral Fleigmonosa Gangrenosa Perfurada Outra situação em podemos ter um caso de abdome agudo é na colecistite e colelitíase. Possui manifestações especificas, mas que eventualmente pode migrar e gerar uma cólica biliar. 47 Pode ser avaliado por: USG RX Fora esses casos, o abdome agudo inflamatório pode ser causado também por: Pancreatite aguda Doença diverticular ABDOME AGUDO PERFURATIVO Para esse tipo, devemos fazer um RX de tórax ABDOME AGUDO HEMORRÁGICO Seu quadro clinico cursa com: Dor abdominal súbita Choque hipovolêmico Punção abdominal com sangue Seu diagnóstico é feito através de RX. ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO Pode ser causado por: Tumores Fecaloma Íleo paralitico Volvo de sigmoide Atresia duodenal Obstrução mecânica Seu diagnostico é feito por RX. ABDOME AGUDO VASCULAR O quadro clinico cursa com dor abdominal mal referida, geralmente em paciente idoso com arteriopatia crônica. Pode ser causado também por choque e punção abdominal com liquido necrótico. Se diagnostico é feito pela arteriografia abdominal.