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ANEMIA FERROPRIVA E SANGRAMENTO OCULTO Ian Dondoni PINTO DE OLIVEIRA MARIA CARMEn LOPES FERREIRA SILVA SANTOS UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE Departamento de patologia Apresentação do caso 2 Anamnese ID: Feminino, 78 anos QP: “Fraqueza e anemia” HDA: Paciente em acompanhamento no ambulatório de hematologia devido a anemia crônica com necessidade de hemotransfusões periódicas, foi atendida neste PS na semana passada em 06/01 pelas mesmas queixas, recebendo 2 concentrados de hemácias e liberada no dia 07/01. Paciente relata que no final de semana começou a apresentar astenia e adinamia. Realizou coleta de exames em laboratório externo hoje, com resultado de Hb de 3,1, sendo encaminhada por médico assistente ao PS para suporte transfusional. Nega exteriorização de sangramentos. HPP: HAS Hemoglobinopatia Ac Em seguimento por anemia ferropriva (HD: déficit absortivo) Nega melena ou sangramentos evidentes 3 Anamnese Subjetivo: paciente relata melhora completa dos sintomas após hemotransfusão. Nega todos os questionamentos sobre exteriorização de sangramentos. Relata ter interrompido o tratamento com ferro EV (orientação do Dr. Marcos Pretti) há cerca de 8 meses, sem necessidade de hemotransfusão nesse meio tempo. Relata uso de omeprazol diário a 6 meses por desconforto gástrico. Nega uso de AINES. Controles: FC: 76 – 90 BPM FR: 18 – 19 IPM PA: 110/70 – 130/60 mmHg TAX: 35,1 – 36,3°C SAT: 95 – 98% 4 Exame físico Geral: BEG, hipocorada (3+/4+), anictérica, afebril, hidratada. Neuro: lúcida e orientada, sem déficits focais aparentes, Glasgow 15. ACV: RCR, 2T, BNF, sem sopros. FC: 75 BPM. PA: 109/55 mmHg. Pulsos amplos e simétricos. Extremidades quentes e bem perfundidas. AR: MV+ bilateral, sem RA, eupneica em ar ambiente. FR: 14 ipm. SAT: 96%. ABD: globoso, RHA+, timpânico, indolor, sem sinais de irritação peritoneal. MM: movimenta os 4 membros, edema MMII +/4+ cacifo positivo, panturrilha sem sinais de empastamento. 5 Anemia 6 Anemia Condição na qual o conteúdo de hemoglobina no sangue está abaixo do normal, levando à diminuição da capacidade de transporte de oxigênio. 7 Anemia Principais causas: Deficiência de ferro: que pode ser devida à perda sanguínea Deficiência de folato e de vitamina B12: devidas tanto à má-absorção como a dieta deficiente Anemia de doença crônica: causada por doenças, tais como câncer, infecções ou inflamações Anemia de causas mais raras 8 Anemia ferropriva Anemia por deficiência de ferro; Baixos níveis de ferro no organismo, havendo não só a diminuição do número de hemácias, mas também de hemoglobina; Sintomas: cansaço frequente, fraqueza, tontura, sensação de desmaio, queda de cabelo, unhas fracas e quebradiças e falta de apetite; Causas: falta de ferro na alimentação, diminuição da absorção do ferro pela mucosa intestinal e perda de sangue recorrente. 9 Anemia ferropriva Achados no hemograma: Baixa hemoglobina (3,1); Hematócrito baixo; Baixa ferritina sérica. 10 Hemoglobinopatia AC 11 Hemoglobinopatia AC Hemoglobinopatias: são alterações hereditárias que afetam a hemoglobina. Alterações estruturais: ocorre a alteração em uma ou mais cadeias da hemoglobina. Mutações de ponto Deficiência de síntese: ocorre uma depressão parcial ou total da síntese de um ou mais tipos de cadeias polipeptídicas da globina. A hemoglobinopatia mais frequente em nosso meio é a anemia falciforme. 12 Raciocínio clínico 13 Raciocínio clínico Anemia crônica ferropriva Não exterioriza sangramento Precisa de transfusão recorrente 14 Hipóteses diagnósticas 15 Hipóteses diagnósticas Esofagite Varizes esofagianas Laceração de esôfago Gastrite Úlceras Neoplasias (câncer) Pólipos Divertículos de cólon Gastroenterites Hemorroida 16 Alguma lesão que justifique a anemia da paciente! 16 Exames complementares 17 Exames complementares Endoscopia Digestiva Alta: esse exame é muito usado no diagnóstico de doenças frequentes do trato digestivo, como gastrite e refluxo. Além disso, ajuda no diagnóstico de doenças mais graves, como o câncer de estômago; Colonoscopia: com o objetivo de saber se a causa para a anemia da paciente estava no final do intestino delgado, ao longo do intestino grosso ou no reto. Tal exame pode diagnosticar infecções, tumores e pólipos, além de sangramentos no TGI. Pesquisa de sangramento digestivo com hemácias marcadas: exame utilizado para localização de focos de hemorragia digestiva 18 Endoscopia Digestiva Alta (20/01) Esôfago: introdução do aparelho sob controle de visão com boa tolerância ao exame. A mucosa encontra-se íntegra e de coloração normal em todo seu trajeto. Transição esofagogástrica coincidindo com o pinçamento diafragmático. Estômago: em boas condições para exame. Volume, forma e expansibilidade preservados. Lago mucoso claro e de volume habitual. À retrovisão, o hiato diafragmático encontra-se continente, justo ao aparelho. Mucosa de cárdia e fundo sem alterações. Pregueado mucoso de fundo e corpo preservado. Mucosa do corpo de aspecto normal. Mucosa de antro adelgaçada com visualização dos vasos da submucosa, sugestivo de atrofia – Realizada biópsias no protocolo OLGA/OLGIM. Incisura angular sem deformidades. Piloro pérvio e centrado. Duodeno: bulbo e segunda porção duodenal de conformação interna anatômica e com mucosa normal. Conclusão: adelgaçamento de mucosa de antro sugestivo de atrofia – correlacionar com histopatológico 19 Corte histológico da mucosa gástrica antral. H&E. 20 Mucosa gástrica normal. H&E Estadiamento segundo o sistema OLGA/OLGIM: Estadiamento OLGIM III: Atrofia severa no antro e nenhuma atrofia no corpo. Mais comumente associado a metaplasia intestinal. Não é achado comum em população de baixo risco, pode estar associado a neoplasia não invasiva ou até avançada. 21 Sistema OLGA/OLGIM 22 Estadiamento OLGA Considera a atrofia gástrica como fator de risco individual para desenvolvimento do câncer gástrico e propõe-se a graduar os diferentes fenótipos da atrofia gástrica de forma a predizer as chances de desenvolver a neoplasia. 23 Estadiamento OLGIM É mais recente e considera como fator de risco para o adenocarcinoma gástrico (tipo intestinal) a presença de metaplasia intestinal. Mantém os mesmos estádios do sistema OLGA (0-IV) e resulta da análise de fragmentos de biópsia obtidos do corpo e antro. 24 Colonoscopia (25/01) Colonoscopia total e ileoscopia distal com bom preparo. Íleo: sem alterações nos 5 cm distais. Ceco: com 01 pólipo séssil de superfície regular e enantematosa medindo 0,2 cm – polipectomia a frio. De cólon ascendente a sigmoide: nota-se múltiplos óstios diverticulares sem sinais de sangramento ou inflamação, sendo mais proeminentes no cólon esquerdo. Reto: normal. Conclusão: Íleoscopia distal normal Diminuto pólipo séssil em ceco (paris 0-Is) – polipectomia Diverticulose colônica não complicada. 25 Pólipos 26 Pólipos Conceito: no TGI, pólipo é uma lesão originada e constituída pela proliferação de seus componentes. MACRO: pode de ser séssil ou pediculado. Séssil: possui um formato aplanado (sem pedículo) Pediculado: possui uma morfologia semelhante a um cogumelo, com tronco e cabeça. 27 Pólipos séssil (A) e pediculado (B). Pólipos MICRO: Inflamatório: infiltrado inflamatório. Comum na Doença de Crohn. Hamartomatoso: desorganização das estruturas próprias do tecido. Hiperplásico: séssil e múltiplo. Não apresenta grau de displasia. Serrilhado: lesões sésseis ou planas, comum em mulheres tabagistas e similar ao pólipo hiperplásico. Neoplásico ou adenomatoso: possui potencial para evoluir para adenocarcinoma. Hereditário: Polipose familiar. 28 Pólipo hiperplásico Criptas bem definidas, com a borda interna de aspecto serrilhado e revestidas por células caliciformes e absortivas com maturação preservada. 29 Corte histológico do pólipo do ceco. H&E. Pesquisa de sangramento digestivo com hemácias marcadas (02/02) Evidencia de discreto acúmulo anormal do traçadorna região lateral esquerda do abdome que progride para mesogástrio. Estudo positivo para sangramento no TGI com provável origem no delgado. 30 Cirurgia do Aparelho Digestivo 31 32 Ângulo de TREITZ 33 Ângulo de TREITZ É o ângulo formado ao nível da junção duodenojejunal; Função: limitar o trato gastrointestinal superior. 34 Corte histológico do tumor do intestino delgado. H&E. 35 Diagnóstico anatomopatológico 36 Diagnóstico anatomopatológico Tumor do estroma gastrointestinal (GIST) É necessário realizar imuno-histoquímica para confirmar a origem histológica e auxiliar na determinação da gravidade do tumor. 37 Sinal enviado para as células Passam a se multiplicar TUMOR Mutação do c-KIT Referências Brasileiro, F. G. Bogliolo Patologia. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2016. https://www.hemocentro.unicamp.br/doencas-de-sangue/hemoglobinopatias/ https://www.minhavida.com.br/saude/temas/anemia-ferropriva https://endoscopiaterapeutica.com.br/assuntosgerais/estadiamento-olga-para-gastrite-atrofica/ https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/gastrite/ http://www.ipnm.com.br/entrevista-com-o-dr-anderson-gastroenterologia-em-belo-horizonte-mg/#:~:text=O%20sistema%20OLGA%20considera%20a,chances%20de%20desenvolver%20a%20neoplasia. https://www.saudebemestar.pt/pt/clinica/gastrenterologia/polipos-intestinais/ https://www.minhavida.com.br/saude/temas/anemia-ferropriva https://www.hemocentro.unicamp.br/doencas-de-sangue/hemoglobinopatias/ https://www.espacorafah.com.br/a-anemia-e-uma-doenca-frequente-em-idosos/ https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/533744/anemia+ferropriva+definicao+causas+sintomas+diagnostico+tratamento+evolucao+e+prevencao.htm#:~:text=A%20anemia%20ferropriva%20%C3%A9%20o,produzir%20hem%C3%A1cias%20provoca%20a%20anemia%20. https://www.tuasaude.com/valores-de-referencia-do-hemograma/ https://www.pfizer.com.br/sua-saude/oncologia/gist-tumor-estromal-gastrointestinal#:~:text=A%20maioria%20dos%20GISTs%20n%C3%A3o,atribu%C3%ADdas%20ao%20desenvolvimento%20do%20GIST. http://kolibri.teacherinabox.org.au/modules/en-boundless/www.boundless.com/physiology/textbooks/boundless-anatomy-and-physiology-textbook/digestive-system-23/the-stomach-221/microscopic-anatomy-of-the-stomach-1082-8910/images/micrograph-showing-a-cross-section-of-the-stomach-wall-in-the-body-portion-of-the-stomach-h-e-stain/index.html 38 Obrigado! IAN.D.OLIVEIRA@EDU.UFES.BR