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A PERDA DE UMA CHANCE NA RESPONSABILIDADE CIVIL - 3 MÓDULO

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1 
 
A PERDA DE UMA CHANCE NA RESPONSABILIDADE CIVIL 
 
 
Jéssica Cristina HILÁRIO
1
 
Anézio Adriel BRITO² 
 
Sumário: 1. Introdução; 2. Evolução histórica; 3. 
Conceitos; 4. Responsabilidade Civil Pela Perda de Uma 
Chance; 4.1. Aplicabilidade 5. Considerações finais; 6. 
Referências bibliográficas. 
 
 
 
Resumo 
 
 
O presente artigo tem por objetivo discorrer sobre a perda de uma chance na responsabilidade civil. Tema este muito 
aplicado na prática, porém, ainda há controvérsias sobre o mesmo. A perda de uma chance trata-se de um instituto 
doutrinário e nada mais é do que a impossibilidade de obter algo que era esperado pela vítima, mas que em razão de 
algum ato ilícito a vítima acaba perdendo esse direito, gerando assim um dano. 
 
 
 Palavras-chave: Dano; Responsabilidade civil; Teoria da perda de uma chance. 
 
 
Abstract 
 
This article aims to discuss the loss of a chance in civil liability. This theme is very applied in practice, however, there 
are still controversies about it. The loss of a chance is a doctrinal institute and is nothing more than the impossibility of 
obtaining something that was expected by the victim, but that by virtue of some illicit act the victim ends up losing that 
right, thus generating an injury. 
 
Key words: Damage; Civil responsability; Theory of the loss of a chance. 
 
 
 
 
 
 
1 Advogada e pós-graduanda em Direito Civil e Processo Civil - PROJURIS 
2 Bacharel 
em Direito e Pós-graduando em Direito Civil e Processo Civil - PROJURIS 
 
2 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 
O trabalho aqui desenvolvido tratará da perda de uma chance na responsabilidade civil. 
Primeiramente há que se demonstrar que este tema é um instituto doutrinário e que é bastante 
aplicado na prática, mas que ainda existem muitas controvérsias sobre o mesmo. 
Neste trabalho pretende-se abordar a evolução histórica, para que possa ser mais bem 
compreendido, o conceito de responsabilidade civil e da perda de uma chance, como forma de 
confirmar o fundamento deste instituto, mas principalmente expor sobre a responsabilidade civil na 
perda de uma chance e sua aplicabilidade, expondo casos concretos para melhor entendimento. 
A perda de uma chance é um instituto elaborado pela doutrina, e ocorre quando a vítima 
deixa de receber uma vantagem ou de evitar um prejuízo, em vista da ocorrência de um ato ilícito 
causado por outra pessoa. Porém, para que seja aplicada a teoria da perda de uma chance é 
necessário que o dano causado à vítima seja da perda de uma chance real, com a certeza de que 
aquele fato causou prejuízo à vítima. 
A perda de uma chance é um instituto autônomo, e não deve ser confundido com outros 
institutos como lucros cessantes, dano moral e etc. Por ser um tema relativamente novo no 
ordenamento jurídico, muitas vezes acaba por se confundir com estes outros institutos, mas sua 
natureza jurídica tem a ver com a responsabilização do autor do dano. 
Esta teoria é aplicada em muitos países, e também no Brasil pelo STJ, mas para que seja 
aplicada no ordenamento jurídico brasileiro são necessários três requisitos, que o dano causado à 
vítima seja real, atual e certo. 
Isto quer dizer que a perda de uma chance não será aplicada em qualquer caso em que uma 
pessoa perca uma oportunidade, e sim, somente em casos reais, com a demonstração de certeza de 
que aquele dano causou a impossibilidade de obter uma vantagem ou evitar um prejuízo. 
Por se tratar de um dano de difícil constatação acaba por gerar controvérsias ainda discutidas 
doutrinariamente e também pela jurisprudência. 
É importante mencionar que a teoria da perda de uma chance é aplicada em vários ramos do 
direito, porém neste trabalho aborda-se somente o ramo da responsabilidade civil. 
Muitos podem ser os casos em que à aplicabilidade desta teoria, como por exemplo, nos 
casos de médicos e advogados. 
O médico tem o dever de cuidado e ao provocar um dano ao paciente que confiou sua vida a 
ele, pode ser responsabilizado pela perda de uma chance. Caso em que o paciente teria uma chance 
de obter alguma vantagem futura, e por um erro do médico acaba perdendo essa chance, gerando 
assim um dano irreversível, o qual gerará a possibilidade de uma indenização pela perda de uma 
chance. 
Já no caso do advogado ocorre a perda de uma chance, quando, por exemplo, esse deixa de 
propor uma ação no tempo razoável, gerando um dano ao seu cliente que poderia obter uma 
vantagem ou evitar um prejuízo em relação ao Judiciário, e pela falta de atenção do profissional, 
acaba por perder esta oportunidade. Assim sendo, este profissional terá a responsabilidade de 
indenizar seu cliente em razão daquele dano. 
Existem muitos outros casos de responsabilização da perda de uma chance, esses 
mencionados acima foram apenas uma introdução para melhor entendimento do leitor. 
Por fim, nota-se que este instituto, tem como finalidade responsabilizar o causador de um 
dano à vítima, que por culpa daquele teve um prejuízo em relação a uma chance da qual era certeza 
o seu ganho, assim essa vítima será indenizada, para evitar mais constrangimentos e prejuízos. 
 
 
 
 
3 
 
2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA 
 
 
Para entendermos melhor este novo instituto, é importante que seja feito um breve histórico 
acerca da responsabilidade civil e da teoria da perda de uma chance. 
Segundo Esdras Carvalho: 
 
 
É incontestável que o direito deve andar lado a lado com a evolução, de uma sociedade, de 
maneira que vá se adaptando ao meio que regula, esta estando sujeita a se mostrar como 
uma medida inútil a regulação. Neste aspecto, a responsabilidade civil passou por diversas 
linhas de pensamento, adotando e abandonando inúmeras teorias até atingir, atualmente, o 
que se pode acreditar ser o mais aproximado do ideal (2015, p.4). 
 
 
Conforme Carvalho (2015, p. 4) explica em seu artigo a responsabilidade civil passou por 
diversas fases, evoluindo cada vez mais, exemplificando que na mais remota história, aquele que 
provocasse um dano a outro, pagava na mesma proporção, usando-se da seguinte frase ―olho por 
olho, dente por dente‖. No caso, por exemplo, de uma mulher grávida que fosse atingida na briga de 
algum homem, este era obrigado a indenizar o marido daquela da forma como ele estabelecesse, 
isso no caso de não gerar danos mais graves, pois gerando danos como a morte, deveria o causador 
pagar com a própria vida. 
Com o passar do tempo essa concepção foi mudando. Nesse contexto Esdras Carvalho 
explica que: 
 
 
o homem, por seu próprio instinto e pela historicidade, já tinha a tendência de expulsar o 
mal da forma que lhe melhor conviesse, e assim sendo, quase na maioria dos casos o 
sentimento se traduzia no instinto de vingança, sendo assim aplicado ao agressor o mesmo 
prejuízo suportado pela vítima, com isso sendo consolidado sentimento de vingança, de 
retaliação. Apenas com o decorrer do tempo, juntamente com a consolidação do estado de 
direito e o monopólio jurisdicional, que passou-se a ser adotado outros métodos de 
responsabilização, exaurindo-se a concepção de vingança pessoal e adentrando ao 
patrimônio do agressor para indenizar cabalmente todo o dano ocasionado (2015, p.4). 
 
 
 
Portanto, aquela forma de pensar da época deixou de existir, passando-se a indenizar o dano 
causado à vítima com o patrimônio do causador. 
 Acerca desta evolução, Esdras Carvalho informa que: 
 
 
originou-se a Lex Aquília e os primordiais aspectos da responsabilidade aquiliana, que se 
impôs como um divisor de águas no que diz respeito a responsabilidade civil. Logo passou-
se a admitir a punibilidade dos agentes por danos injustificadamente provocado, seja qual 
fosse a relação obrigacional preexistente, restando para que fosse configurada apenas que o 
dano decorresse de uma conduta humana culposa e que daí surgisse o dever reparador, 
vindo a culpa a ser compreendida em suaforma mais extensa, abarcando não somente a 
negligência e a imprudência, como o próprio dolo (2015, p.4). 
 
 
Conforme preceitua Carvalho (2015, p.5), a partir deste momento a responsabilidade civil 
foi se aprimorando e hoje esta mais próxima do ideal, levando-se em conta alguns requisitos na 
aplicação da responsabilidade causadora de um dano, isto é, a teoria da responsabilidade civil 
subjetiva, ou teoria da culpa, fundada no adágio romano que versa neminem laedere, ou seja, não 
lesar ninguém. 
4 
 
Depois de explicar a evolução histórica da responsabilidade civil, passa-se a descrever a 
evolução histórica da perda de uma chance. 
De forma resumida, a teoria da perda de uma chance surgiu na França do final do século 
XIX, em um caso concreto enfrentado pela Corte de Cassação, propagando-se posteriormente para a 
Inglaterra e outros países da commonwealth, a partir de caso enfrentado em 1911 pelos tribunais 
ingleses, antes de se espalhar pelo restante da Europa e do mundo, ocasionalmente chegando ao 
Brasil (OLIVEIRA, 2016, p.1). 
O surgimento da teoria da perda de uma chance ocorreu na França, conforme mencionado 
acima, no final do século XIX, mais precisamente em meados de 1965, em uma decisão da Corte 
Francesa em relação à responsabilidade médica. 
Em um caso concreto da época a Corte de Cassação Francesa teve de utilizar-se do conceito 
da teoria da perda de uma chance para julgar a responsabilidade de um médico que havia dado um 
diagnóstico errado ao paciente, gerando assim a perda da cura deste. Depois desta decisão a Corte 
Francesa passou a aplicar esta teoria em outros casos. 
Diferente do que era necessária para a aplicação de uma indenização na geração de um dano 
antes desta teoria, a Corte passou a entender que não era preciso uma certeza e a comprovação de 
um dano, mas que somente pela alta probabilidade da ocorrência de um prejuízo ou perda de uma 
vantagem à vítima, já geraria a possibilidade de indenização à mesma. Ou seja, nesta teoria não há 
necessidade de nexo causal entre a conduta culposa e o dano gerado à vítima. 
Com a aplicação desta teoria pela Corte Francesa, deu-se a ela um nome perte d’une chance 
de survie ou guérison (perda de uma chance de cura ou de sobrevivência), pois até então era 
somente aplicada em casos médicos. Depois de algum tempo passou-se a aplicar a teoria da perda 
de uma chance em outros casos que não só de médicos. 
Portanto, a teoria da perda de uma chance, nasceu com intuito de responsabilizar os médicos 
por danos causados aos pacientes, mas com o tempo foi ganhando espaço em outras áreas. 
Na Inglaterra houve um caso emblemático, conforme descreve Flavia Selvaggi: 
 
 
Vale a releitura de um dos casos mais antigos em que se aplicou a teoria da perda de uma 
chance, em 1911, na Inglaterra, conhecido como Chaplis V. Hicks. A autora da ação, 
inscrita num concurso de beleza, estava entre as 50 finalistas, e ao ter a chance de vencer o 
concurso, foi interrompida pelo réu, que não a deixou participar da última etapa. O juiz, ao 
julgar o caso, aplicou o instituto, valendo-se da proporção de chances da vítima ganhar para 
delimitar a indenização (2015, p. 1). 
 
 
Diante do caso concreto nota-se que houve a perda de uma chance a candidata, gerando um 
dano a ela, e aplicado o instituto da perda de uma chance esta teve o direito à indenização. 
Já na Itália, este instituto demorou a ser aplicado, tendo seu primeiro caso em 1983, mais 
precisamente num caso trabalhista, em que uma empresa convocou trabalhadores para um processo 
seletivo de motoristas, estes foram submetidos a exames médicos, e ao final alguns deles foram 
impedidos de participar das demais provas, que eram necessárias para a admissão do cargo ofertado 
pela empresa (MELO, 2007). 
Este caso em questão gerou muitas controvérsias, sendo que ao final foi decidido pela Corte 
de Cassação que houve a perda da possibilidade de conseguirem um emprego, pois caso houvessem 
participado das últimas etapas haveria a obtenção do cargo mencionado. Depois disso a Corte 
Italiana passou a aceitar o instituto como um dano indenizável. 
No direito brasileiro a teoria da perda de uma chance também ganhou espaço, porém é um 
tema relativamente novo no ordenamento. Não está previsto na legislação de forma explícita, sendo 
abordado pela doutrina e jurisprudência, portanto trata-se de um tema que deve ser analisado pela 
analogia. 
Apesar de ser bastante conflituoso pela doutrina, este instituto vem sendo bastante aplicado 
no Brasil pelo STJ. 
Acerca da aplicação desta teoria no direito brasileiro, Katiane da Silva Oliveira entende que: 
 
5 
 
 
A aplicação da teoria da perda de uma chance no ordenamento brasileiro não é uma questão 
pacífica nem na doutrina nem na jurisprudência. A doutrina tradicional não reconhece a 
teoria da perda de uma chance, pois como inexiste possibilidade de se determinar qual seria 
o resultado final, não se cogita em dano pela perda da chance, pois esta recai na seara do 
dano hipotético, eventual. Com a devida vênia, aos doutrinadores que não reconhecem a 
teoria, entendo que a indenização não está relacionada com o resultado final, ou seja, com a 
vantagem em si, mas sim com a perda da possibilidade de obter um beneficio ou de evitar 
um prejuízo. No sentido jurídico, a perda de uma chance é a probabilidade real de alguém 
obter um lucro ou evitar um prejuízo (2010, p. 3). 
 
 
 
Sendo assim, denota-se que este instituto ainda faz muita confusão acerca de sua aplicação, 
deixando-se claro que o mesmo não tem o intuito de indenizar a qualquer um, e sim apenas aqueles 
em que existe uma certeza de que haveria a possibilidade de alcançar uma vantagem ou evitar um 
prejuízo, mas que em razão daquele dano não seria mais possível alcança-lo. 
 
 
3. CONCEITOS 
 
 
Para falar sobre o conceito da perda de uma chance é necessário, num primeiro momento 
demonstrar o que é responsabilidade civil. E para isso, trouxemos conceitos de alguns autores, para 
melhor entendimento. 
Para Carlos Roberto Gonçalves: 
 
 
A palavra responsabilidade tem sua origem na raiz latina spondeo, pela qual se vinculava o 
devedor, solenemente, nos contratos verbais do direito romano. Dentre as várias acepções 
existentes, algumas fundadas na doutrina do livre-arbítrio, outras em motivações 
psicológicas, destaca-se a noção de responsabilidade como aspecto da realidade social. 
Toda atividade que acarreta prejuízo traz em seu bojo, como fato social, o problema da 
responsabilidade. Destina-se ela a restaurar o equilíbrio moral e patrimonial provocado pelo 
autor do dano. Exatamente o interesse em restabelecer a harmonia e o equilíbrio violados 
pelo dano constitui a fonte geradora da responsabilidade civil. Pode-se afirmar, portanto, 
que exprime ideia de restauração de equilíbrio, de contraprestação, de reparação de dano. 
Sendo múltiplas as atividades humanas, inúmeras são também as espécies de 
responsabilidade, que abrangem todos os ramos do direito e extravasam os limites da vida 
jurídica, para se ligar a todos os domínios da vida social. Coloca-se, assim, o responsável 
na situação de quem, por ter violado determinada norma, vê-se exposto às consequências 
não desejadas decorrentes de sua conduta danosa, podendo ser compelido a restaurar o statu 
quo ante (2014, p. 15). 
 
 
Portanto, a responsabilidade civil, exige do causador do dano, a reparação daquilo que foi 
danificado. 
Na concepção de Pablo Stolze Gagliano, a responsabilidade civil: 
 
 
pressupõe a atividade danosa de alguém que, atuando a priori ilicitamente, viola uma norma 
jurídica preexistente (legal ou contratual), subordinando-se, dessa forma, às consequências 
do seu ato (obrigação de reparar). Trazendo esse conceito para o âmbito do Direito Privado, 
e seguindo essa mesma linha de raciocínio, diríamos que a responsabilidade civil deriva da 
agressão a um interesse eminentemente particular, sujeitando,assim, o infrator, ao 
pagamento de uma compensação pecuniária à vítima, caso não possa repor in natura o 
estado anterior de coisas (2014, p. 36). 
 
 
6 
 
Diante deste conceito, pode-se afirmar que a responsabilidade civil decorre de um ato ilícito 
praticado pelo agente causador do dano, e, portanto, responsável por arcar com os prejuízos 
causados à vítima, podendo ser feito em dinheiro quando não houver possibilidade de repor a coisa 
danificada no estado em que se encontrava antes do dano. 
Para que ocorra a comprovação da ocorrência do ato ilícito, causador do dano à vítima é 
necessários três elementos, quais sejam eles: a conduta seja positiva ou negativa, o dano e o nexo de 
causalidade. 
Segundo Cavalieri responsabilidade civil é: 
 
 
O anseio de obrigar o agente, causador do dano, a repará-lo inspira-se no mais elementar 
sentimento de justiça. O dano causado pelo ato ilícito rompe o equilíbrio jurídico-
econômico anteriormente existente entre o agente e a vítima. Há uma necessidade 
fundamental de se restabelecer esse equilíbrio, o que se procura fazer recolocando o 
prejudicado no statu quo ante. Impera neste campo o principio da restitutio in integrum, isto 
é, tanto quanto possível, repõe-se a vítima à situação anterior à lesão. Isso se faz através de 
uma indenização fixada em proporção ao dano (2012, p. 39). 
 
 
Enfim, fica evidente que a função da responsabilidade civil é a reparação do prejuízo à 
vítima, pois a partir do momento em que o agente causa um dano, ele estará obrigado a repará-lo, da 
melhor maneira possível, podendo ser restituída a coisa danificada, ou caso não seja possível, será à 
vítima indenizada em pecúnia. 
Demonstrada a noção de responsabilidade civil, pode-se esclarecer o que é a perda de uma 
chance neste instituto. 
Segundo Sérgio Cavalieri: 
 
 
A teoria da perda de uma chance (perte d'une chance) guarda certa relação com o lucro 
cessante uma vez que a doutrina francesa, onde a teoria teve origem na década de 60 do 
século passado, dela se utiliza nos casos em que o ato ilícito tira da vítima a oportunidade 
de obter uma situação futura melhor. Caracteriza-se essa perda de uma chance quando, em 
virtude da conduta de outrem, desaparece a probabilidade de um evento que possibilitaria 
um benefício futuro para a vítima, como progredir na carreira artística ou militar, arrumar 
um melhor emprego, deixar de recorrer de uma sentença desfavorável pela falha do 
advogado, e assim por diante. Deve-se, pois, entender por chance a probabilidade de se 
obter um lucro ou de se evitar uma perda (2012, p.81). 
 
 
Sendo assim, a perda de uma chance ocorre quando a vítima deixa de obter uma vantagem 
ou de evitar um prejuízo em decorrência da conduta ilícita de outra pessoa. 
Para Sérgio Savi: 
 
 
O termo chance utilizado pelos franceses significa, em sentido jurídico, probabilidade de 
obter lucro ou de evitar uma perda. No vernáculo, a melhor tradução para o termo chance 
seria, em nosso sentir, oportunidade. Contudo, por estar consagrada tanto na doutrina, como 
na jurisprudência, utilizaremos a expressão perda de uma chance, não obstante entendemos 
mais técnico e condizente com o nosso idioma a expressão perda de uma oportunidade 
(2006, p. 3). 
 
 
Diante da concepção de Sérgio Savi, nota-se que a perda de uma chance é a perda de uma 
oportunidade. E assim, demonstra-se que a partir da conduta do agente causador do dano, a vítima 
deixou de obter uma oportunidade. 
Segundo Gabrielle Gazeo Ferrara, a perda de uma chance: 
 
7 
 
 
constitui situação em que a prática de um ato ilícito ou o abuso de um direito impossibilita 
a obtenção de algo que era esperado pela vítima, seja um resultado positivo ou não 
ocorrência de um prejuízo, gerando um dano a ser reparado. Assim como os danos 
materiais, morais e estéticos, a perda de uma chance também exige a presença de um dano, 
ocasionado por uma conduta culposa do agente (ato ilícito e/ou abusivo) para formar o nexo 
causal e gerar a obrigação de indenizar, porém, o que o difere dos outros tipos de danos, 
nos quais o dano é concreto ou no mínimo facilmente perceptível, é o fato de ser de difícil 
verificação e quantificação (2016, p. 1). 
 
 
Portanto, a perda de uma chance é um instituto inserido pela doutrina na responsabilidade 
civil. E tem como intuito indenizar a vítima de um dano ocorrido, pela perda de uma oportunidade 
de obter uma vantagem ou de evitar um prejuízo. 
Sendo assim, esta teoria difere-se dos danos morais, materiais e estético, visto que na perda 
de uma chance existe a ocorrência de um dano, porém este dano é causado por uma situação que 
deixou de acontecer, de uma oportunidade que a vítima não poderá mais alcançar. Sendo um tipo de 
dano que é mais difícil de ser comprovado e quantificado. 
 
 
4. RESPONSABILIDADE CIVIL PELA PERDA DE UMA CHANCE 
 
 
A Responsabilidade Civil pela Perda de uma Chance é dotada de características peculiares, 
uma vez que a sua configuração, identificação e indenização são feitas de uma forma distinta das 
hipóteses que envolvem perdas e danos. Neste sentido, Adriano de Cupis, nos informa que: 
 
 
A mesma deverá ser feita de forma equitativa pelo juiz sem, contudo, estabelecer 
adequadamente os critérios que deverão embasar a atividade do julgador. Ressalta, todavia, 
que a cotação das apostas, onde houver, facilitará a quantificação do dano da perda da 
chance (1966, p. 264). 
 
 
Pois, a Perda de uma Chance o autor do dano é responsabilizado não por ter causado um 
prejuízo direto e imediato à vítima, ou seja, decorre do fato de ter privado alguém da obtenção da 
oportunidade de chance de um resultado útil ou também de ter privado esta pessoa de evitar um 
prejuízo, que em proporções poderia ter a capacidade de sanar. Nesta senda, é vislumbrado apenas a 
não ocorrência do fato, uma vez que a pessoa foi impedida de realizar ou privada na obtenção da 
coisa. Sendo assim, deve indenizar, não é a perda da vantagem esperada, mas sim a perda da chance 
de obter a vantagem ou de evitar o prejuízo. 
Ao aplicar a teoria não pode valer da oportunidade como certa, pois, não há certeza em qual 
o resultado efetivamente seria obtido, o que deve ser levado em conta é a probabilidade de aquela 
chance perdida ter um resultado satisfatório a vitima. Assim discorre Sergio Cavalieri Filho: 
 
 
Não se deve, todavia, olhar para a chance como perda de um resultado certo porque não se 
terá a certeza de que o evento se realizará. Deve-se olhar a chance como a perda da 
possibilidade de conseguir um resultado ou de se evitar um dano; devem-se valorar as 
possibilidades que o sujeito tinha de conseguir o resultado para ver se são ou não relevantes 
para o ordenamento (2012. p.82). 
 
 
 
Antes de se conceder a indenização deve analisar com muita cautela as chances perdidas, 
quando, a distância temporal entre a utilização das chances e o evento danoso seja de grande tempo, 
será dificultoso a utilização da teoria. Porém, mesmo que haja um grande lapso temporal em 
8 
 
determinadas situações, pode conter casos que não afastará o cabimento da indenização, ou seja, 
podem ter outros fatores que confirmaram as chances. Veja o entendimento de Peteffi em relação a 
segunda situação: 
 
 
Consiste na probabilidade que o autor teria de utilizar-se das chances em um momento 
futuro, de essas chances alcançarem a vantagem almejada. Na pesquisa dessa 
probabilidade, a jurisprudência tem em conta a proximidade temporal do momento em que 
ocorreu o ato danoso que extinguiu as chances e o momento em que essas chances seriam 
utilizadas, na obtenção da vantagem esperada (Ibidem. P.450). 
 
 
 A ampliação do conceito a perda de uma chance tem que sempre levar em consideração a 
relevância do dano causado, analisando sempre a potencialidade da chance perdida, mesmo que, a 
sociedade mereça a mais ampla proteção que o Estado e o Poder Judiciário podem lhe proporcionar.Diante deste exposto, Rafael Peteffi assim discorre assunto: 
 
―Nesse sentido, o novo paradigma solidarista, fundado na dignidade da pessoa humana, 
modificou o eixo da responsabilidade civil, que passou a não considerar como seu principal 
desiderato a condenação de um agente culpado, mas a reparação da vítima prejudicada. 
Essa nova perspectiva corresponde à aspiração da sociedade atual no sentido de que a 
reparação proporcionada às pessoas seja a mais abrangente possível‖ (2009, p. 71). 
 
É nessa perspectiva que surge a dúvida em relação à maneira correta de quantificar a 
probabilidade de sucesso que seja suficiente para configurar a perda de uma chance. Existindo essa 
obscuridade, pois, cabe socorrer-se de bons direcionamentos doutrinários, como o de Silva que, ao 
comentar um caso, dá-nos a seguinte contribuição: 
 
 
―Aquele que busca um emprego se encontra em um processo aleatório, cuja probabilidade 
de êxito varia conforme a capacitação do candidato e a oferta de vagas existentes no 
mercado de trabalho. Esse critérios deveriam ter sido utilizados para medir a quantidade de 
chances perdidas pelas vítimas, podendo até levar à conclusão de que as chances eram por 
demais hipotéticas, carecendo de seriedade mínima para gerar a reparação"(2009, p. 210). 
 
 
Portanto, conclui-se que a perda da chance de obter uma vantagem é feita utilizando um 
rigoroso critério de probabilidade, pois nem todo impedimento o cerceamento pode caracterizar de 
forma efetiva a perda da chance. Mesmo, tendo em vista que este prejuízo tem caráter de dano 
emergente e não de lucro cessante, uma vez que o seu critério de fixação é feito tomando por norte a 
verossimilhança, ou seja, jamais será possível afirmar com certeza e clareza que realmente o 
prejudicado teria alcançado aquela vantagem na hipótese da não ocorrência do ato ou fato do agente 
que o privou da chance de poder chegar ao resultado esperado. Até porque, como estamos dentro de 
―um campo estatístico da probabilidade‖, poderia nesse lapso temporal ter ocorrido algum caso 
fortuito que fugisse do controle do ser humano, o qual em hipótese alguma poderia ser evitado por 
este. Cabe salientar, ainda que a chance de alcançar o resultado útil, necessariamente, deve ser séria 
e real, uma vez que o dano meramente hipotético não é passível de indenização. 
 
9 
 
 
 
4.1. APLICABILIDADE 
 
 
Para a concessão da indenização com base na perda de uma chance, além da comprovação 
da perda da vítima da oportunidade de auferir o resultado almejado, a perda desta chance deve ser 
séria e real, pois simples esperanças subjetivas e danos meramente hipotéticos não são capazes de 
ensejar a responsabilidade civil pela perda de uma chance. Desta forma, para que seja cobrado do 
agente a reparação do dano causado a vítima, sempre deve notar o caráter de certeza do dano a ser 
julgado. 
Sendo assim, desde que possa ser comprovado que caso não tivesse ocorrido à ação ou 
omissão do agente, a vítima teria uma chance séria e real de conseguir o resultado esperado, fica 
configurada a responsabilidade civil decorrente da perda de uma chance. O tema da 
Responsabilidade Civil pela Perda de uma Chance possui notória discussão e aplicação na doutrina 
e jurisprudência estrangeira há um bom tempo, já no direito nacional o tema vem despertando 
recente interesse pelos seus doutrinadores e juristas, no entanto ainda é muito pouco utilizado na 
prática, apesar de ser mencionado e aplicado em alguns julgados. Neste sentido vejamos algumas 
ementas: 
 
 
TJ-DF - Apelação Cível APC 20140110473337 (TJ-DF) 
Ementa: Contrato de serviços advocatícios. Obrigação de meio. Teoria da perda de 
uma chance. Cerceamento de defesa. 1 - O julgamento antecipado da lide, quando a questão 
é exclusivamente de direito ou, sendo de direito e de fato, não existir a necessidade de 
outras provas, não leva a cerceamento de defesa. 2 - No contrato de prestação de serviços 
advocatícios a obrigação é de meio e não de resultado. Ao aceitar a causa, o advogado 
obriga-se a conduzi-la com toda a diligência. Não se obriga, contudo, a resultado certo. 3 – 
A teoria da perda de uma chance preconiza que quando houver uma probabilidade 
suficiente de ganho da causa, o responsável pela frustração deve indenizar o interessado. Se 
a ação se fundar em mero dano hipotético não cabe reparação. 4 – Honorários fixados em 
valor elevado reclamam redução. 5 – Apelação provida em parte. 
 
 
 
STJ - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL EDcl no REsp 
1321606 MS 2011/0237328-0 (STJ) 
Ementa: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO 
RECURSO ESPECIAL. RECEBIMENTO COM AGRAVO REGIMENTAL. 
RESPONSABILIDADE CIVIL. DANOS MORAIS. CONDUTA OMISSIVA E 
CULPOSA DO ADVOGADO. TEORIA DA PERDA DE UMA CHANCE. 
RAZOABILIDADE DO VALOR ARBITRADO. DECISÃO MANTIDA. 1. 
Responsabilidade civil do advogado, diante de conduta omissiva e culposa, pela impetração 
de mandado de segurança fora do prazo e sem instrui-lo com os documentos necessários, 
frustrando a possibilidade da cliente, aprovada em concurso público, de ser nomeada ao 
cargo pretendido. Aplicação da teoria da "perda de uma chance". 2. Valor da indenização 
por danos morais decorrentes da perda de uma chance que atende aos princípios da 
razoabilidade e da proporcionalidade, tendo em vista os objetivos da reparação civil. 
Inviável o reexame em recurso especial. 3. Embargos de declaração recebidos como agravo 
regimental, a que se nega provimento. 
 
 
Nas ementas vemos a primeira, o recebimento dela em parte uma vez que o advogado 
quando patrono de um processo não tem por obrigação assumir o risco e nem dar certeza do ganho 
de causa, na segunda, um caso perfeito de perda de uma chance uma vez que o advogado perde o 
prazo para impetração de mandado de segurança e ao mesmo tempo não anexa junto documentos 
necessários, frustrando a possibilidade de ganho de causa do cliente. 
Sendo assim, diante de tantas evidencias a Responsabilidade Civil não pode mais deixar de 
lado acontecimentos, que antes, todavia eram considerados apenas como uma pequena fatalidade ou 
https://tj-df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/305587564/apelacao-civel-apc-20140110473337
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/23280614/embargos-de-declaracao-no-recurso-especial-edcl-no-resp-1321606-ms-2011-0237328-0-stj
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/23280614/embargos-de-declaracao-no-recurso-especial-edcl-no-resp-1321606-ms-2011-0237328-0-stj
10 
 
caso comum do destino fora do seu campo de aplicabilidade, umas que o código Civil brasileiro 
deixa claro que aquele que provocar dano a outrem fica obrigado a reparar o ato lesivo ou prejuízo. 
Seja este qualquer ato, desde que ao analisar fique evidenciado o eventual prejuízo pela perda de 
uma chance, como nas ementas a seguir: 
 
 
TJ-DF - Apelação Cível APC 20140910232290 (TJ-DF) 
Ementa: DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. CONSÓRCIO. EXTRAVIO 
DO CONTRATO. TEORIA DA PERDA DE UMA CHANCE NÃO CONFIGURADA. 1. 
A teoria da perda de uma chance visa reparar a perda de uma oportunidade retirada de 
alguém por ato ilícito praticado por outro. Para que se configure, é necessário que a 
oportunidade perdida seja real e relevante. 2. Recurso conhecido e improvido. 
 
 
TRT-3 - RECURSO ORDINARIO TRABALHISTA RO 00279201507103007 0000279-
36.2015.5.03.0071 (TRT-3) 
Ementa: INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. TEORIA DA "PERDA DE 
UMA CHANCE". Para se caracterizar o prejuízo passível de ensejar reparação, é necessária 
uma oportunidade real e concreta que deixe de ser obtida pela intromissão determinante de 
alguém, resultando no dano. No caso dos autos, ainda que seja incontroverso que não havia 
caminhões na empresa para serem vendidos, não se pode garantir se e quantos caminhões 
seriam vendidos pela reclamante, caso houvesse. Assim, não há falar na aplicação da 
"teoria da perda de uma chance". 
 
 
Ao observarmos os artigos186, 402, 927 e 949 do Código Civil de 2002, bem como o artigo 
5º, inciso V da Constituição Federal, é possível concluir que apesar de não haver na legislação 
brasileira um dispositivo específico para a perda de uma chance, o Jurista se valendo do critério da 
analogia pode adaptar a legislação vigente ao caso concreto desde que respeitadas a 
proporcionalidade e a adequação. Isso porque, a vítima tem direito a ver o seu prejuízo reparado por 
aquele que lhe deu causa. Assim vejamos os referidos artigos: 
 
 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar 
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
 
 
O referido artigo em uma analise mais profunda leva ao entendimento, que aquele por ação 
(fazer uma coisa, para impedir ou que cause impedimento), violar direito e causar dano a outrem, 
come ato ilícito, ou seja, o referido artigo pode ser usado perfeitamente na fundamentação da perda 
de uma chance, uma vez, que fazer com que a pessoa perda a oportunidade de conquistar, ganhar, 
certa coisa por ato de outrem, este sim tem o dever de repara. 
 
 
Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao 
credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de 
lucrar. 
 
 
Mais uma vez, quando o artigo 402 do Código Civil faz menção, "o que razoavelmente 
deixou de lucrar", simplesmente esta mostrando a perda da chance que a pessoa teve de lucrar em 
razão das perdas e danos que o devedor causou ao credor, assim cobra uma coisa que poderia ter 
acontecido na ausência das perdas e danos sofridos. Nesta mesma linha vejamos o artigo 927 do 
Código Civil, exalta que quando ato de alguém se torna lesivo a outrem independente de culpa, 
cerceando os direitos futuros que por hora são como certos, deverá reparar o dano causado. 
 
 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. 
https://tj-df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/229772543/apelacao-civel-apc-20140910232290
https://trt-3.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/243861653/recurso-ordinario-trabalhista-ro-279201507103007-0000279-3620155030071
https://trt-3.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/243861653/recurso-ordinario-trabalhista-ro-279201507103007-0000279-3620155030071
11 
 
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos 
casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do 
dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. 
 
 
Neste sentido, de reparar um evento futuro e incerto, vejamos a luz do artigo 949 do Código 
Civil, que além do causador do dano pagar ao ofendido as despesas por tratamento médico e os 
lucros cessantes, deverá arcar também com os eventuais prejuízos sofridos, ou seja, o que o 
ofendido deixou de ganhar por causa da referida lesão. 
 
 
Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das 
despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum 
outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido. 
 
 
Para realçar com mais clareza o instituto civil da perda de uma chance, um exemplo que 
merece destaque é o entendimento de Sílvio de Salvo Venosa, sobre o impedimento que o brasileiro 
Vanderlei Cordeiro de Lima em grande vantagem para vencer a maratona das olimpíadas de 2004, 
citando como exemplo em sua obra: 
 
Veja com exemplo elucidativo de perda de chance, o fato ocorrido nas Olimpíadas de 2004, 
quando um atleta brasileiro que liderava a prova da maratona foi obstado por um 
tresloucado espectador, que o empurrou, o retirou do curso e suprimiu-lhe a concentração. 
Discutiu-se se o nosso compatriota deveria receber a medalha de ouro, pois conseguiu a de 
bronze, tendo chegado em terceiro lugar da importante competição. Embora tivesse ele 
elevada probabilidade de ser o primeiro, nada poderia assegurar que, sem o incidente, seria 
ele o vencedor. Caso típico de perda de chance, chance de obter o primeiro lugar, mas sem 
garantia de obtê-lo. Um prêmio ou uma indenização, nesse caso, nunca poderia ser o 
equivalente ao primeiro lugar na prova, mas sim em razão da perda dessa chance. Tanto 
assim é que os organizadores da competição acenaram-lhe com um prêmio 
alternativo.(VENOSA:2006, p.30) 
 
Reforçando tal entendimento acerca da perda de uma chance de uma hipotética vitória, De 
Cupis (apud SAVI) aduz que: 
―a vitória é absolutamente incerta, mas a possibilidade de vitória, que o credor pretendeu 
garantir, já existe [...] no momento em que se verifica o fato me função do qual ela é 
excluída: de modo que se está em presença não de uma lucro cessante em razão da 
impedida futura vitória, mas de um dano emergente em razão da atual possibilidade de 
vitória que restou frustrada"(2006, p. 11). 
 
Enfim, a responsabilidade pela perda de uma chance ganhou espaço e popularidade nos 
tribunais brasileiros, podendo ser verificadas diversas decisões aplicando a mencionada teoria, 
desde que as ―chances‖ sejam sérias e reais. Um bom exemplo é o caso do Show do Milhão, 
transmitido pelo SBT, garantiu indenização depois de ter se recusado a responder uma pergunta mal 
formulada. 
 A decisão é da 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça. A Turma reduziu a reparação por 
danos morais e materiais de R$ 500 mil para R$ 125 mil, assim vejamos: 
 
 
 
 
12 
 
Decisão 
O relator do processo no STJ, ministro Fernando Gonçalves, entendeu que houve culpa da 
empresa. Portanto, nesse caso, cabe indenização. Porém, não há como concluir que o 
normal andamento dos fatos conduziria ao acerto da questão. 
―Falta, assim, pressuposto essencial à condenação da recorrente no pagamento da 
integralidade do valor que ganharia a recorrida caso obtivesse êxito na pergunta final, qual 
seja, a certeza — ou a probabilidade objetiva — do acréscimo patrimonial apto a qualificar 
o lucro cessante‖. 
O ministro acolheu o valor da indenização sugerido pela empresa — BF Utilidades 
Domésticas, de R$ 125 mil, equivalente a um quarto do valor em questão, por ser uma 
―probabilidade matemática‖ de acerto de uma questão de múltipla escolha com quatro itens. 
Resp 788.459 
 
 
 
Entretanto, o que não se pode deixar de considerar é que a mencionada responsabilidade será 
aplicada desde que o dano seja real, atual e certo, dentro de um juízo de probabilidade, e não de 
uma mera possibilidade, uma vez que o dano potencial ou incerto, no âmbito da responsabilidade 
civil, não é indenizável. Dessa forma, a reparação da perda de uma chance baseia-se em uma 
probabilidade e uma certeza; que a chance seja realizada e que a vantagem perdida resulte em um 
prejuízo. 
Nesta senda, responsabilidade civil pela perda de uma chance baseia-se no direito à 
reparação em virtude de ―dano‖, da perda de uma oportunidade, não necessariamente de alcançar 
determinada coisa, mas de tentar alcançar. Assim, pode claramente ver que o dano provocado pela 
perda da chance ou oportunidade, não se classifica como dano emergente, tampouco como lucro 
cessante, uma vez que há uma probabilidade e não uma certeza absoluta em relação ao resultado 
final, assim, não se sabe ao certo se a vítima conseguiria o resultado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Diante de todo o exposto, observa-se que a perda de uma chance como um dano relevante, 
que se caracteriza como dano emergente e deve ser avaliado em relação à sua ocorrência, após a 
constatação de um evento de caráter prejudicial a um indivíduo, desde que esse dano seja mesmo 
capaz de atrapalhar um futuro ganho. 
No tocante a sua reparação, constatou que, apesar de não ser de simples quantificação e nem 
constatação pelo motivo de procurar averiguar os prejuízos futuros incertos, a perca de uma chance 
é um tema imperioso, onde se deve reservarespecial atenção, procurando reparar o dano dentro dos 
limites da possibilidade e da maneira mais razoável, com o objetivo de indenizar a vítima, a partir 
da ideia da condenação devidamente construída e fundamentada, ou seja, é muito necessário que se 
haja equidade no julgamento dos casos. 
O artigo optou por mostra que o dano pela perda de uma chance é um dano emergente, onde 
tratou a chance como algo que torna viável, pois, se o dano não estivesse obstruído a possibilidade 
de alcance do objetivo não seria impossibilita, na qual o prejudicado teria como tentar ou buscar a 
vantagem desejada. 
Resta expor, por fim, que os critérios de fixação e avaliação aqui demonstrados, podem 
sofrer variações na jurisprudência a partir da análise do caso concreto. Não se deve esquecer, 
todavia, que o magistrado necessita de acuidade, perspicácia e sensibilidade para atender todas as 
necessidades advindas da possibilidade da aplicação do dano pela perda de uma chance e, assim, 
contribuir para sua evolução e disseminar sua compreensão e aceitação. 
Diante do exposto, conclui que a Responsabilidade Civil pela Perda de Uma Chance trata de 
tema bastante relevante no direito Civil Brasileiro, pois amplia a área de atuação da 
responsabilidade civil, uma vez que possibilita a indenização da vítima por uma nova espécie de 
dano. Ou seja, é possível a indenização de um sujeito que se vê privado da oportunidade de 
conseguir um lucro ou evitar um prejuízo e o seu escopo principal concerne em reconhecer uma 
nova categoria de dano passível de indenização. Dano este autônomo e fundado na perda da 
oportunidade de alcançar o resultado esperado. Isso porque, a perda dessa chance possui um valor 
econômico, o qual pode ser quantificado, independente do resultado final, desde que presente a 
possibilidade séria e real de conseguir esta vantagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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FERRARA, Gabrielle Gazeo. Aspectos gerais sobre a teoria da perda de uma chance: quando 
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FILHO, Sergio Cavalieri. Programa de Responsabilidade Civil. 5ª Ed. São Paulo: Editora 
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FILHO, Sergio Cavalieiri. Op. Cit. 2012. P.82 
 
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GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 4: responsabilidade civil. 9 ed. 
São Paulo: Saraiva, 2014. 
 
Ibidem. P.450 
 
MELO, Raimundo Simão de. Indenização pela perda de uma chance. Boletim Jurídico, 
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OLIVEIRA, Katiane da Silva. A teoria da perda de uma chance: Nova vertente na 
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PETEFFI DA SILVA, Rafael. Responsabilidade Civil pela Perda de uma Chance. 2 ed., São 
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2009, 263 p. 
 
15 
 
STJ - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL EDcl no REsp 1321606 MS 
2011/0237328-0 (STJ) 
 
TJ-DF - Apelação Cível APC 20140910232290 (TJ-DF) 
 
TJ-DF - Apelação Cível APC 20140110473337 (TJ-DF) 
 
TRT-3 - RECURSO ORDINARIO TRABALHISTA RO 00279201507103007 0000279-
36.2015.5.03.0071 (TRT-3) 
 
VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: responsabilidade civil. 6 ed. São Paulo:Atlas, 2006. 
 
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www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=TEORIA+DA+PERDA+DE+UMA+CHANC 
 
 
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/23280614/embargos-de-declaracao-no-recurso-especial-edcl-no-resp-1321606-ms-2011-0237328-0-stj
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https://tj-df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/229772543/apelacao-civel-apc-20140910232290
https://tj-df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/305587564/apelacao-civel-apc-20140110473337
https://trt-3.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/243861653/recurso-ordinario-trabalhista-ro-279201507103007-0000279-3620155030071
https://trt-3.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/243861653/recurso-ordinario-trabalhista-ro-279201507103007-0000279-3620155030071

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