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ANATOMIA DA MAMA Localização: parede toráxica anterior, na altura do 2º e 6º arcos costais. Limites anatômicos: ✓ Superiormente: segunda costela ✓ Inferiormente: sulco inframamário ✓ Medialmente: borda esternal ✓ Lateralmente: linha axilar anterior A mama ainda se estende até o andar inferior da axila, onde se situa o prolongamento axilar da mama, ou cauda de Spence. A mama assemelha-se a uma glândula sudorípara especializada. ↳ Sistema ductal tem origem ectodérmica ↳ Estroma (conjuntivo e adiposo) tem origem mesodérmica. Composição da mama: pele, tecido adiposo e glandular. Elas são frequentemente assimétricas! PELE Na pele identifica-se a aréola e a papila. rinoceronte alegre ARÉOLA: Tem de 10 a 15 diminutos nódulos subcutâneos, denominados tubérculos de Morgagni, que correspondem às glândulas sebáceas. Esses nódulos tornam-se salientes durante a gravidez e o aleitamento, sendo designados, então, de tubérculos de Montgomery. coelho ninja PAPILAS: Nas papilas, abrem-se de 15 a 20 ductos lactíferos. MAMA E GLÂNDULA MAMÁRIA As mamas são estruturas tubuloacinosas que apresentam de 15 a 20 lobos distribuídos radialmente e separados entre si por tecido conjuntivo denso. De cada lobo emerge um ducto lactífero que se abre no ápice da papila. Sob a aréola, o ducto lactífero apresenta uma dilatação saciforme denominada de seio lactífero. Os ductos lactíferos subdividem se dicotomicamente, a partir da papila, com progressiva diminuição do calibre canalicular (dúctulos), até terminarem em formações acinares (os ácinos mamários). Lóbulo = Conjunto de ácinos + células secretoras de leite Lobo = Conjunto de lóbulos sabonete As glândulas mamárias fixam-se à pele sobrejacente e à fáscia do peitoral subjacente por meio de septos fibrosos, denominados ligamentos de Cooper (ligamento suspensor da mama). A fáscia superficial do peitoral é contínua com a fáscia superficial abdominal de Camper. A estrutura das glândulas mamárias varia com a idade, gravidez e lactação. cachorro malassombrado ● Ao nascer, consiste apenas em ductos lactíferos, não havendo ácinos. ● Na puberdade, sob a influência dos estrogênios, os ductos ramificados, aparecendo em suas extremidades pequenas massas celulares que são ácinos potenciais macacp curioso A mama masculina consiste, basicamente, em um pequeno mamilo e em uma aréola. O tecido mamário é rudimentar e constitui-se de ductos. Em 30% dos homens adultos é possível identificar uma Laura Ellen | Medicina | P4 | 2021.1 estrutura firme que corresponde ao tecido glandular, que se torna mais evidente nos casos de ginecomastia. LINFONODOS Os linfáticos da mama drenam para os linfonodos mamários internos (3%) e axilares (97%). Os linfonodos axilares podem ser divididos em níveis, segundo a classificação de Berg (1955): ■ Nível 1, os linfonodos encontram- se lateralmente à borda do músculo peitoral menor; ■ Nível 2, atrás do músculo peitoral menor; ■ Nível 3, medialmente à borda do músculo peitoral menor. Os linfonodos dos lóbulos mamários, mamilo e aréola drenam para o plexo linfático subareolar. Dali, cerca de 75% da linfa (principalmente dos quadrantes laterais da mama) drena para os linfonodos peitorais, e em seguida para os linfonodos axilares. O restante drena para os linfonodos paraesternais. É por isso que os linfonodos axilares são os primeiros a serem removidos cirurgicamente em algumas fases do câncer de mama. Os linfonodos axilares drenam para os troncos linfáticos subclávios, que também drenam os membros superiores. Os linfonodos paraesternais drenam para os troncos broncomediastinais, que também drenam os órgãos torácicos. Além dos linfonodos axilares e paraesternais, alguma drenagem da mama pode ocorrer através dos linfonodos intercostais, que estão localizados ao redor das cabeças e colos das costelas. Os linfonodos intercostais drenam para o ducto torácico ou para os troncos linfáticos broncomediastinais. Plexo linfático subareolar -> linfonodos (gânglios linfáticos) peitorais -> linfonodos (gânglios linfáticos) axilares -> troncos linfáticos subclávios (75%) Plexo linfático subareolar -> linfonodos (gânglios linfáticos) paraesternais -> troncos linfáticos broncomediastinicos (25%) Os linfonodos interpeitorais também são conhecidos como linfonodos de Rotter. O plexo subareolar de Sappey recebe os vasos linfáticos do mamilo e da aréola e se comunica com os demais linfáticos da mama. SUPRIMENTO SANGUÍNEO O suprimento sanguíneo da mama é proveniente das artérias subclávia (torácica interna ou mamária interna), axilar (torácica lateral ou mamária externa) e intercostais. INERVAÇÃO DA MAMA A inervação da mama em sua parte superior é dependente do plexo cervical, enquanto na parte inferior é proveniente dos nervos intercostais. O nervo torácico longo (nervo de Bell), responsável pela inervação do músculo serrátil anterior, quando lesado cirurgicamente, resulta no surgimento da escápula alada. Laura Ellen | Medicina | P4 | 2021.1 O nervo toracodorsal, que inerva o músculo grande dorsal, deve ser preservado durante o ato operatório, principalmente quando se considera a reconstrução com retalho do grande dorsal. O nervo intercostobraquial (nervo cutâneo do braço) também deve ser preservado durante as cirurgias, uma vez que sua lesão pode levar a parestesia na região medial do braço e base da axila. O mamilo contém abundantes terminações nervosas sensoriais, incluindo os corpos de Ruffini e os corpúsculos de Krause. RECEPTOR SENSAÇÃO Receptores de Krause Frio Receptores de Ruffini Calor MORFOLOGIA E FISIOLOGIA DAS MAMAS As mudanças cíclicas dos níveis de hormônios esteróides sexuais durante o ciclo menstrual influenciam a morfologia e as funções da mama feminina. FASE FOLICULAR: ↳ Influência do FSH e LH e estrogênio(secretado pelo folículos de Graaf ovarianos) ↳ Proliferação da mama APÓS A OVULAÇÃO: ↳ A progesterona induz a dilatação ductal; ↳ As células alveolares se diferenciam em células secretoras levando a um edema interlobular. MENSTRUAÇÃO: ↳ Declinio dos níveis de esteroide sexuais; ↳ Diminuição da atividade secretora epitelial; ↳ Diminuição da DURANTE A GRAVIDEZ: ↳ Aumento ductular, lobular e alveolar devido à influência do estrogênio, progesterona, lactogênio placentário, prolactina e gonadotrofina coriônica humana (hCG). APÓS O PARTO: ↳ Redução do estrogênio, a progesterona e do hormônio lactogênio placentário, a prolactina, que estava sendo inibida, é liberada, iniciando a lactação.; ↳ A prolactina, na presença do hormônio de crescimento, da insulina e do cortisol, converte as células epiteliais mamárias de um estado pré-secretório para um estado secretório; MENOPAUSA: ↳ Involução de epitélio e estroma mamários, sendo gradativamente substituídos por tecido adiposo; ↳ Mulheres na pré- menopausa tendem a apresentar mamas mais densas quando comparadas a mulheres na pós menopausa; A prolactina tem papel relevante nas modificações das mamas! Na puberdade, a elevação dos níveis de estrogênio, causada pelo maior estímulo gonadotrófico, é responsável pelo crescimento dos órgãos genitais. Outros hormônios, como os corticosteroides, a tiroxina (T4) e a ocitocina, favorecem a biossíntese e a liberação da prolactina. Durante a gravidez e a lactação, o nível de prolactina no sangue é três a cinco vezes maior que o normal. Seus níveis plasmáticos elevados também na puberdade. O aumento da idade e a pós menopausa leva a involução do tecido mamário! A diferença de densidade mamária existe em função de alterações no tecido mamário que se iniciam antes da menopausa, acentuando se na pós menopausa com a redução progressiva da função ovariana. Assim, a redução da densidade mamária ou densidade mamográfica que ocorre com o aumento da idade e na pós menopausa reflete a involução do tecido mamário. Involução ou regressão do tecido mamário: ✓ Diminuição dos elementos epitelial, estromal e fibroso; ✓ Aumento do tecido adiposo; ✓ Padrão menos denso radiograficamente. A diminuição desses elementos não significa que eles nãorespondam a estímulos hormonais. Isto pode ser observado no seguimento de mulheres climatéricas em uso de terapia hormonal. Ao se comparar a mamografia prévia à terapia hormonal com aquela realizada após uso de hormônios, Laura Ellen | Medicina | P4 | 2021.1 verifica-se claramente o aumento da densidade. DIVISÃO CLÍNICA DAS MAMAS Para fins clínicos, as mamas são divididas em quadrantes, por meio de duas linhas que se cruzam no nível da papila, uma na direção horizontal e outra na vertical. Essas linhas dividem as mamas nos quadrantes superiores e inferiores e nos laterais e mediais. A aréola é usada como ponto de referência, o que possibilita uma localização mais precisa (distância em centímetros do “achado semiológico” em relação à aréola). EXAME FÍSICO Para a realização do exame físico, a paciente deve estar vestida apenas com avental de fácil remoção, despindo-se de sutiã, camisa ou blusa. O exame físico mamário é dividido em três etapas distintas, quais sejam: ➔ Inspeção (estática e dinâmica); ➔ Palpação (cadeias linfáticas, mamas e outras estruturas); ➔ Expressão mamária. INSPEÇÃO ESTÁTICA Posição: ortostática ou sentada, com os braços soltos ao longo do corpo. Obs: Lembrar que nas pacientes com mamas muito volumosas, e/ou muito flácidas, devemos elevá-las para melhor visualização do pólo inferior e sulco inframamário. Deve-se observar: ● Número de mamas; ● Localização; ● Forma; ● Volume (tomando-se o cuidado de se graduar quando se fizer a anotação); ● Contornos (abaulamentos e retrações); ● Simetria. Em relação à pele, deve-se observar: ● Cor; ● Brilho; ● Presença de cicatrizes; ● Vascularização e distribuição dos vasos; ● Pêlos; ● Edema cutâneo (“peau d’orange”); ● Lesões (úlceras e feridas). Em relação ao complexo aréolo-mamilar (CAM), avalia-se: ● Forma; ● Dimensões; ● Simetria; ● Características da pele; ● Pigmentação da aréola; ● Aspectos da papila; ● Presença de retração e abaulamentos. Devem-se observar ainda eventuais alterações do tórax (cifoses, escolioses e defeitos das articulações costoesternal) e da cintura escapular. INSPEÇÃO DINÂMICA Posição: Da mesma forma que a inspeção estática, paciente ou em posição ortostática ou sentado. A inspeção dinâmica consiste em três manobras distintas que visam mobilizar a glândula mamária sobre a parede torácica. PRIMEIRA MANOBRA Primeiramente pedimos que a paciente eleve progressivamente os braços, que devem estar estendidos, com o objetivo de tornar tenso a pele e ligamentos de Cooper. Laura Ellen | Medicina | P4 | 2021.1 SEGUNDA MANOBRA Na sequência pedimos que a paciente coloque as mãos na cintura e faça compressão, ou com os braços na frente do tórax, comprima a palma da mão esquerda contra a palma da mão direita. O objetivo desta manobra é contrair o músculo peitoral maior, o que pode realçar eventuais nódulos mamários que estejam aderidos a esta estrutura. TERCEIRA MANOBRA A terceira manobra utilizada implica que a paciente estenda os braços e flexione o tronco anteriormente, de modo que as mamas fiquem pêndulas. Nesta etapa do exame físico devemos observar se há limitação da movimentação dos membros superiores, se há edema dos mesmos e a presença de escápula alada, principalmente em pacientes submetidas à cirurgia prévia. Toda e qualquer alteração observada durante a realização desta etapa deve ser meticulosamente anotada. PALPAÇÃO Posição: sentada. Partes: ✓ Palpação das cadeias ganglionares; ✓ Palpação das mamas. PALPAÇÃO DAS CADEIAS GANGLIONARES Deve-se observar: Presença de gânglios, localização dos mesmos, tamanho, consistência, mobilidade, relação entre si, aderência a planos profundos e eventuais ulcerações. 1. Palpação dos linfonodos axilares, supra e infraclaviculares Para a palpação destas cadeias, preferimos nos posicionar de frente para a paciente, Com a mão espalmada (a mão direita examina o lado esquerdo da paciente e vice versa), faz-se a palpação deslizante do oco axilar e de suas proximidades. As fossas supra e infraclaviculares e as axilas são palpadas com as pontas dos dedos. Fig. Palpação dos linfonodos axilares. A. Paciente sentada de frente para o examinador, que usa sua mão direita para levantar o braço direito da paciente. Com a mão esquerda espalmada, faz se palpação deslizante do oco axilar e nas proximidades. B. Para a axila esquerda, o braço esquerdo é levantado com a mão esquerda e palpa se a axila com a mão direita. Fig. Palpação dos linfonodos supraclaviculares (A) e infraclaviculares (B). A palpação é feita com a ponta dos dedos. 2. Palpação dos linfonodos mamários Deve-se fazer a palpação da cadeia da mamária interna com a paciente deitada. PALPAÇÃO DAS MAMAS Posição: Para a palpação das mamas, a paciente deve estar em decúbito dorsal, de forma que toda a mama se distribua sobre a parede torácica. Os braços devem estar elevados com as mãos atrás da nuca. Deve-se colocar um coxim embaixo do dorso (espádua) correspondente à mama que se palpa. Preconizamos iniciar a palpação pela mama “sadia”, palpando a mama afetada após, e sempre comparando os achados. A palpação deve ser sempre sistematizada, de forma suave e deve abranger toda a extensão mamária. Laura Ellen | Medicina | P4 | 2021.1 Na palpação das mamas, lembrar que este tempo implica no exame da região que tem como limites a clavícula, o sulco infra-mamário, a linha axilar posterior, a linha médio-esternal e o prolongamento axilar. A palpação pode ser executada por meio de duas técnicas: Velpeaux, em que utilizasse a região palmar dos dedos; Bloodgood, em que são utilizadas as falanges distais, semelhante ao tocar de um piano. A palpação deve ser feita delicadamente, partindo da região subareolar e estendendo-se até as regiões paraesternais, infraclaviculares e axilares (prolongamento axilar da mama). Em um primeiro momento, a palpação deve ser executada com leve pressão, a fim de permitir a detecção de nódulos superficiais, e, em seguida, com mais vigor, procurando nódulos profundos Achados como nódulos, espessamentos, consistência do parênquima, temperatura e dolorimento devem ser criteriosamente anotados. Lembrar que em pacientes com mamas volumosas, grandes, devemos fazer a palpação também com a pacientes sentada. EXPRESSÃO PAPILAR Terminada a palpação, faz -se uma delicada pressão no nível da aréola e da papila, identificando as características da secreção: ↳ Coloração (sero hemática, citrina, serosa, láctea, esverdeada ou acastanhada); ↳ Se ocorre por ducto único ou múltiplo, se é espontânea ou provocada. A pesquisa do ponto do gatilho, que é a digitopressão realizada de forma circular ao redor da aréola, pode auxiliar na identificação do ducto comprometido. Geralmente os derrames papilares contendo sangue, sero hemáticos ou cristalinos em água de rocha levantam a suspeita de neoplasia (papiloma ou carcinoma) e devem ser investigados com biopsia excisional. Se sair secreção secreção avaliar tipo de secreção e faz cultura microbiana se for purulenta; se tiver coloração amarelada faz citologia mamária. Primeiro dedilhando e depois com a mão espalmada