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Doença de Caroli

Sobre a Doença de Caroli, é correto afirmar, EXCETO:
a) Pode associar-se a fibrose hepática congênita.
b) Deve-se associar antibioticoterapia quando do surgimento de colangite.
c) Quando acomete canais biliares em um único lobo do fígado, a hepatectomia écurativa.
d) A anastomose biliodigestiva, após a ressecção do segmento de via biliar
acometido, é o tratamento de escolha.


1 resposta(s)

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Bit

Há mais de um mês

Olá. A bile, após ser produzida no fígado, passa pelos dutos biliares e mistura-se aos alimentos sendo digeridos no duodeno a fim de facilitar a digestão de gorduras. Esse processo natural e saudável para de acontecer com eficiência numa pessoa cujos dutos biliares sofrem de doenças (muitas vezes congênitas) que os fazem se dilatar demais. Tais doenças são coletivamente chamadas de cistos coledocianos e classificadas de acordo com a localização dos dutos dilatados. A doença de Caroli, em particular, refere-se à dilatação dos dutos intrahepáticos, isto é, dentro do fígado. Ela ainda pode ser subdividida em doença de Caroli, forma simples, e síndrome de Caroli, quando é associada a uma hipertensão portal causada por fibrose hepática congênita. (A está certa).

Muitas vezes, o fluxo dificultado de bile através dos dutos biliares numa pessoa com doença de Caroli favorece a criação de um microambiente na qual as poucas bactérias que conseguem passar do duodeno para os dutos se proliferam demais. O resultado é uma inflamação dos dutos chamada colangite. As bactérias podem ser combatidas com antibióticos de amplo espectro. (B está certa).

Na doença de Caroli, nem sempre acontece dilatação generalizada (difusa) dos dutos biliares intrahepáticos; há vezes em que os dutos dilatados são localizados, afetando apenas um dos lobos do fígado (90% dessas vezes no lobo esquerdo). Nesses casos, é realizada uma ressecção hepática local (também conhecida como hepatectomia parcial), efetivamente curando a doença, apesar de ser necessário um acompanhamento por algum tempo. Outro benefício dessa ressecção é a diminuição drástica da possibilidade da instalação de um colangiocarcinoma, um câncer dos dutos que quase sempre aparece em pessoas que não tratam a doença de Caroli ou tratam-na muito tarde. (C está certa).

Apesar de a execução de uma "anastomose biliodigestiva, após a ressecção do segmento de via biliar acometido" seja um procedimento recomendado por grande parte dos casos de outros cistos coledocianos, o melhor tratamento para a doença de Caroli dependerá de sua situação clínica. Por exemplo, uma dilatação localizada pode ser sanada com uma resecção, enquanto uma difusa requerirá um transplante. Além disso, seria preciso analisar possíveis complicações como um câncer instalado, fibrose hepática congênita, colangite, o estágio da doença com que se está lidando, pois uma ressecção num fígado comprometido pode ser até pior do que outros tratamentos. (D está errada).

Até mais. Espero ter ajudado.

Olá. A bile, após ser produzida no fígado, passa pelos dutos biliares e mistura-se aos alimentos sendo digeridos no duodeno a fim de facilitar a digestão de gorduras. Esse processo natural e saudável para de acontecer com eficiência numa pessoa cujos dutos biliares sofrem de doenças (muitas vezes congênitas) que os fazem se dilatar demais. Tais doenças são coletivamente chamadas de cistos coledocianos e classificadas de acordo com a localização dos dutos dilatados. A doença de Caroli, em particular, refere-se à dilatação dos dutos intrahepáticos, isto é, dentro do fígado. Ela ainda pode ser subdividida em doença de Caroli, forma simples, e síndrome de Caroli, quando é associada a uma hipertensão portal causada por fibrose hepática congênita. (A está certa).

Muitas vezes, o fluxo dificultado de bile através dos dutos biliares numa pessoa com doença de Caroli favorece a criação de um microambiente na qual as poucas bactérias que conseguem passar do duodeno para os dutos se proliferam demais. O resultado é uma inflamação dos dutos chamada colangite. As bactérias podem ser combatidas com antibióticos de amplo espectro. (B está certa).

Na doença de Caroli, nem sempre acontece dilatação generalizada (difusa) dos dutos biliares intrahepáticos; há vezes em que os dutos dilatados são localizados, afetando apenas um dos lobos do fígado (90% dessas vezes no lobo esquerdo). Nesses casos, é realizada uma ressecção hepática local (também conhecida como hepatectomia parcial), efetivamente curando a doença, apesar de ser necessário um acompanhamento por algum tempo. Outro benefício dessa ressecção é a diminuição drástica da possibilidade da instalação de um colangiocarcinoma, um câncer dos dutos que quase sempre aparece em pessoas que não tratam a doença de Caroli ou tratam-na muito tarde. (C está certa).

Apesar de a execução de uma "anastomose biliodigestiva, após a ressecção do segmento de via biliar acometido" seja um procedimento recomendado por grande parte dos casos de outros cistos coledocianos, o melhor tratamento para a doença de Caroli dependerá de sua situação clínica. Por exemplo, uma dilatação localizada pode ser sanada com uma resecção, enquanto uma difusa requerirá um transplante. Além disso, seria preciso analisar possíveis complicações como um câncer instalado, fibrose hepática congênita, colangite, o estágio da doença com que se está lidando, pois uma ressecção num fígado comprometido pode ser até pior do que outros tratamentos. (D está errada).

Até mais. Espero ter ajudado.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes