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Neoconstitucionalismo, na descrição, está correta ?

O Neoconstitucionalismo é uma nova ordem constitucional que visa colocar a constituição como centro e fonte norteadora para todo o ordenamento jurídico. Buscando fortalecer os princípios fundamentais, principalmente a dignidade da pessoa humana, e efetivar os direitos fundamentais. Baseando-se nas ideias jusnaturalista, sobrepondo o formalismo da absunção pela ponderação racional da norma, reaproximando o direito do que é ético e moral. E tendo também como característica o ativismo jurídico, onde não se limita mais a jurisdição só pela norma, mas também pelo direito, vinculando agentes públicos e cidadãos diretamente ao texto constitucional.

Sintam-se a vontade para acrescentar ou corrigir algo.


2 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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DLRV Advogados Verified user icon

Há mais de um mês

O Neoconstitucionalismo consiste em um estilo mais aberto de raciocinar o direito, uma retórica e argumentação mais abrangente, a ponderação sobre a razão, os princípios se sobrepõe as regras, a Constituição como centro do ordenamento jurídico, a reaproximação entre o direito e a moral e como reflexo direto o judiciário concentrando um papel mais expressivo na sociedade, havendo o fenômeno chamado de constitucionalização das decisões.

Segundo Daniel Sarmento, “a percepção de que as maiorias políticas podem perpetrar ou acumpliciar-se com a barbárie, como ocorrera no nazismo alemão, levou as novas constituições a criarem ou fortalecerem a jurisdição constitucional, instituindo mecanismos potentes de proteção dos direitos fundamentais mesmo em face do legislador. Sob esta perspectiva, a concepção de Constituição na Europa aproximou-se daquela existente nos Estados Unidos, onde, desde os primórdios do constitucionalismo, entende-se que a Constituição é autêntica norma jurídica, que limita o exercício do Poder Legislativo e pode justificar a invalidação de leis. Só que com uma diferença importante: enquanto a Constituição norte-americana é sintética e se limita a definir os traços básicos de organização do Estado e a prever alguns poucos direitos individuais, as cartas europeias foram, em geral, muito além disso.”

As mudanças trazidas pelo neoconstitucionalismo, portanto, permitem um controle mais eficaz ao poder das maiorias eventuais, e reduzem as chances de grupos radicais colocarem em prática idéias que afetam determinados grupos sociais.

O Neoconstitucionalismo tem como marco histórico o pós-guerra, e traz traços filosóficos do Pós-Positivismo. No Neoconstitucionalismo houve a adoção de uma nova hermeneutica constitucional, na qual a Constituição é vista como dotada de força normativa, houve ampliação da jurisdição constitucional, e dos direitos fundamentais.

O Neoconstitucionalismo consiste em um estilo mais aberto de raciocinar o direito, uma retórica e argumentação mais abrangente, a ponderação sobre a razão, os princípios se sobrepõe as regras, a Constituição como centro do ordenamento jurídico, a reaproximação entre o direito e a moral e como reflexo direto o judiciário concentrando um papel mais expressivo na sociedade, havendo o fenômeno chamado de constitucionalização das decisões.

Segundo Daniel Sarmento, “a percepção de que as maiorias políticas podem perpetrar ou acumpliciar-se com a barbárie, como ocorrera no nazismo alemão, levou as novas constituições a criarem ou fortalecerem a jurisdição constitucional, instituindo mecanismos potentes de proteção dos direitos fundamentais mesmo em face do legislador. Sob esta perspectiva, a concepção de Constituição na Europa aproximou-se daquela existente nos Estados Unidos, onde, desde os primórdios do constitucionalismo, entende-se que a Constituição é autêntica norma jurídica, que limita o exercício do Poder Legislativo e pode justificar a invalidação de leis. Só que com uma diferença importante: enquanto a Constituição norte-americana é sintética e se limita a definir os traços básicos de organização do Estado e a prever alguns poucos direitos individuais, as cartas europeias foram, em geral, muito além disso.”

As mudanças trazidas pelo neoconstitucionalismo, portanto, permitem um controle mais eficaz ao poder das maiorias eventuais, e reduzem as chances de grupos radicais colocarem em prática idéias que afetam determinados grupos sociais.

O Neoconstitucionalismo tem como marco histórico o pós-guerra, e traz traços filosóficos do Pós-Positivismo. No Neoconstitucionalismo houve a adoção de uma nova hermeneutica constitucional, na qual a Constituição é vista como dotada de força normativa, houve ampliação da jurisdição constitucional, e dos direitos fundamentais.

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Ricardo Alencar

Há mais de um mês

Sim, está corretíssimo. Parabéns!

Conforme muito bem tratado pelo jurista Luís Roberto Barroso, existem três marcos determinantes para isso:

a) marco histórico: o constitucionalismo do pós-guerra, que "redefiniu o lugar da Constituição e a influência do direito constitucional nas instituições contemporâneas". As principais referências são: a Lei Fundamental de Bonn, de 1949 (Alemanha), e a Constituição da Itália, de 1947. No Brasil, cita-se a Constituição de 1988.

b) marco filosófico: o pós-positivismo. Explicando melhor o que se entende por pós-positivimo, podemos dizer que é a junção das ideias no jusnaturalismo do século XVIII com as do positivismo do século XIX, criando uma nova forma de entender o direito. A corrente jusnaturalista fundou-se na crença de que existem princípios de justiça universalmente válidos para todos os seres humanos. Ela impulsionou as revoluções liberais do século XVIII, mas, por ter sido considerada "abstrata" ou metafísica, foi substituída pelas ideias do positivismo. Este igualou o Direito à lei, retirando toda carga valorativa e filosófica da norma. Era a Ciência pura do Direito. Com a crise desse sistema em meados do século XX, era preciso repensar a filosofia jurídica. Como esclarece Barroso: "o pós-positivismo busca ir além da legalidade estrita, mas não despreza o direito posto; procura empreender uma leitura moral do Direito, mas sem recorrera categorias metafísicas."

c) marco teórico: primeiramente, a constituição passou a ser dotada de força normativa. Isso quer dizer que o texto constitucional deixa de ser um convite à atuação do governante, uma mera carta política, e reconhece o papel do Judiciário na concretização de direitos. Em segundo lugar, consequentemente, há uma expansão da jurisdição constitucional, criando-se Tribunais Constitucionais com o objetivo de efetivar o texto constitucional, na perspectiva da Supremacia da Constituição. Por fim, em terceiro lugar, houve uma mudança em relação à forma de se interpretar a norma constitucional. A nova interpretação constitucional passou a ter que lidar com a existência de princípios e conceitos abertos, a serem concretizados pelo intérprete, a exemplo do princípio da dignidade da pessoa humana. Além disso, a técnica da ponderação de interesses e a argumentação jurídica se tornam fundamentais para a solução de colisões entre direitos.

No site do Senado Federal, você pode se aprofundar ainda mais sobre o Direito Constitucional e ganhar carga horária para as atividades complemetares através dos cursos disponíveis.

http://saberes.senado.leg.br/

 

 

 

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