No debate sobre bilinguismo e ensino de línguas adicionais com foco na escrita, destaca-se a contribuição de Jim Cummins, cuja hipótese da interdependência linguística sustenta que habilidades cognitivas e acadêmicas desenvolvidas na língua materna podem transferir-se para a segunda língua, favorecendo a produção escrita. Nessa perspectiva, a escrita em contexto bilíngue não se constrói do zero, mas apoia-se em competências previamente consolidadas, como organização textual e argumentação. Complementarmente, Ofelia García amplia o debate ao propor uma visão dinâmica do bilinguismo, em que práticas translíngues podem funcionar como recurso estratégico no desenvolvimento da escrita, valorizando o repertório linguístico integral do estudante.
Fontes:
CUMMINS, J. Linguistic interdependence and the educational development of bilingual children. Review of Educational Research, Washington, v. 49, n. 2, p. 222-251, 1979.
GARCÍA, O.; WEI, L. Translanguaging: Language, Bilingualism and Education. London: Palgrave Macmillan, 2014.
No debate sobre bilinguismo e ensino de línguas, questiona-se frequentemente se aprender a escrever em língua inglesa pode prejudicar a escrita na língua materna. Estudos na área da educação e da linguística aplicada indicam que não há evidências de que o aprendizado da escrita em língua estrangeira cause prejuízo à escrita em língua materna. O que deve ser considerado é a forma como esse ensino é conduzido, especialmente em relação ao excesso de estímulos e à imposição precoce de exigências formais. Escrever em inglês envolve o aprendizado de um novo sistema linguístico, diferentemente do português, no qual o estudante já domina vocabulário, coesão e organização textual. Assim, o processo em língua estrangeira exige mediação adequada e abordagem natural. Assinale a alternativa correta:
A) O aprendizado da escrita em língua estrangeira influencia negativamente o vocabulário da língua materna.
B) Aprender a escrever em língua inglesa prejudica diretamente a organização textual na língua materna.
C) A escrita em língua inglesa e na língua materna mobilizam exatamente os mesmos conhecimentos linguísticos.
D) Para evitar interferências, o ensino da escrita em inglês deve ocorrer somente após o completo domínio acadêmico da língua materna.
E) Não há evidências de que aprender a escrever em inglês prejudique a escrita em português, desde que o ensino seja conduzido de forma adequada e sem estímulos excessivos.
Ed
há 3 dias
Vamos analisar as alternativas uma a uma: A) O aprendizado da escrita em língua estrangeira influencia negativamente o vocabulário da língua materna. - Esta afirmação não é suportada pelos estudos mencionados, que indicam que não há evidências de prejuízo. B) Aprender a escrever em língua inglesa prejudica diretamente a organização textual na língua materna. - Novamente, os estudos não apoiam essa ideia, pois a organização textual é uma competência que pode ser transferida. C) A escrita em língua inglesa e na língua materna mobilizam exatamente os mesmos conhecimentos linguísticos. - Isso não é verdade, pois cada língua tem suas particularidades, embora haja interdependência. D) Para evitar interferências, o ensino da escrita em inglês deve ocorrer somente após o completo domínio acadêmico da língua materna. - Essa afirmação é muito restritiva e não é apoiada pela pesquisa. E) Não há evidências de que aprender a escrever em inglês prejudique a escrita em português, desde que o ensino seja conduzido de forma adequada e sem estímulos excessivos. - Esta alternativa está alinhada com o que foi mencionado no texto, que afirma que não há evidências de prejuízo, desde que o ensino seja adequado. Portanto, a alternativa correta é: E) Não há evidências de que aprender a escrever em inglês prejudique a escrita em português, desde que o ensino seja conduzido de forma adequada e sem estímulos excessivos.
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