A maior rede de estudos do Brasil

Alguém pode me ajudar com o histórico da alfabetizaçao e do letramento?


4 resposta(s)

User badge image

Jéssica Fernanda Schenfeld

Há mais de um mês

Ao analisar a história do país, podemos perceber que o domínio da língua escrita foi, durante muito tempo, privilégio de classes com melhores condições econômicas. Assim, apenas uma minoria era favorecida, deixando grande parte da população marginalizada. 

            Ainda no século XIX, mais precisamente em 1876, foi publicada a Cartilha Maternal ou Arte da Leitura, escrita por João de Deus, que foi significativa no contexto da alfabetização no Brasil, ficando conhecido como “Método João de Deus” ou “Método da palavração”, que se baseava na palavração – em iniciar o ensino da leitura pela palavra, para depois analisá-la a partir dos valores fonéticos das letras, sendo diferente das propostas metodológicas que vigoraram na época, que começavam pelo estudo das unidades menores (letra, som e sílaba). 

            Com a Proclamação da República, em 1889, o Brasil passou por um período de grandes mudanças em todas as áreas, incluindo a educacional. O ensino da leitura e da escrita começou a ser considerado relevante, já que isto é fundamental em uma sociedade com ideais de modernidade e preocupada com o desenvolvimento social. Assim, a aprendizagem da leitura e da escrita começou a ser sistematizada nas escolas.

            A partir da segunda metade do século XIX, surgiram, diferentes caminhos para o trabalho com a alfabetização. As metodologias aplicadas partiam de 2 possibilidades: 

  • Métodos sintéticos (que enfatizavam a aprendizagem partindo das menores unidades da língua, como a letra, a sílaba e o som);
  • Métodos analíticos (que tinham como objetivo trabalhar inicialmente com palavras, frases ou textos para se chegar à compreensão da língua escrita). 

            Cada novo método criado trazia uma expectativa de que aquele seria o mais adequado para garantir a eficácia da aprendizagem da leitura e da escrita. Contudo, isso não evitou o que se chama de fracasso escolar na alfabetização. 

            Até 1980, a 1 série (hoje, 2° ano) era considerada o período de alfabetização e só o aluno avaliado como alfabetizado tinha sua promoção garantida para a 2ª série. Nessa fase, quando retidos, muitos alunos abandonavam a escola. 

            A partir de 1980, as políticas públicas se mobilizaram no sentido de modificar esse cenário. Foi quando surgiram, em muitos municípios do Brasil, propostas voltadas para a organização da escola em ciclos, nesse modelo, a alfabetização é entendida como um processo que ocorre ao longo do primeiro ciclo, assim, os alunos só podem ficar retidos ao final dele, sem precisarem repetir a série/ano. 

            Pode-se dizer que o problema permanece, os alunos não rompem a barreira do 1° ciclo ou, no caso de sistemas que optaram pela progressão continuada, passam ao ciclo seguinte ainda não alfabetizados. 

Ao analisar a história do país, podemos perceber que o domínio da língua escrita foi, durante muito tempo, privilégio de classes com melhores condições econômicas. Assim, apenas uma minoria era favorecida, deixando grande parte da população marginalizada. 

            Ainda no século XIX, mais precisamente em 1876, foi publicada a Cartilha Maternal ou Arte da Leitura, escrita por João de Deus, que foi significativa no contexto da alfabetização no Brasil, ficando conhecido como “Método João de Deus” ou “Método da palavração”, que se baseava na palavração – em iniciar o ensino da leitura pela palavra, para depois analisá-la a partir dos valores fonéticos das letras, sendo diferente das propostas metodológicas que vigoraram na época, que começavam pelo estudo das unidades menores (letra, som e sílaba). 

            Com a Proclamação da República, em 1889, o Brasil passou por um período de grandes mudanças em todas as áreas, incluindo a educacional. O ensino da leitura e da escrita começou a ser considerado relevante, já que isto é fundamental em uma sociedade com ideais de modernidade e preocupada com o desenvolvimento social. Assim, a aprendizagem da leitura e da escrita começou a ser sistematizada nas escolas.

            A partir da segunda metade do século XIX, surgiram, diferentes caminhos para o trabalho com a alfabetização. As metodologias aplicadas partiam de 2 possibilidades: 

  • Métodos sintéticos (que enfatizavam a aprendizagem partindo das menores unidades da língua, como a letra, a sílaba e o som);
  • Métodos analíticos (que tinham como objetivo trabalhar inicialmente com palavras, frases ou textos para se chegar à compreensão da língua escrita). 

            Cada novo método criado trazia uma expectativa de que aquele seria o mais adequado para garantir a eficácia da aprendizagem da leitura e da escrita. Contudo, isso não evitou o que se chama de fracasso escolar na alfabetização. 

            Até 1980, a 1 série (hoje, 2° ano) era considerada o período de alfabetização e só o aluno avaliado como alfabetizado tinha sua promoção garantida para a 2ª série. Nessa fase, quando retidos, muitos alunos abandonavam a escola. 

            A partir de 1980, as políticas públicas se mobilizaram no sentido de modificar esse cenário. Foi quando surgiram, em muitos municípios do Brasil, propostas voltadas para a organização da escola em ciclos, nesse modelo, a alfabetização é entendida como um processo que ocorre ao longo do primeiro ciclo, assim, os alunos só podem ficar retidos ao final dele, sem precisarem repetir a série/ano. 

            Pode-se dizer que o problema permanece, os alunos não rompem a barreira do 1° ciclo ou, no caso de sistemas que optaram pela progressão continuada, passam ao ciclo seguinte ainda não alfabetizados. 

User badge image

Dayane Caroline

Há mais de um mês

Percebe-se que na educação, apesar de do professor possuir um norte que o oriente, o modo como ele vai fazer seu trabalho, é algo muito pessoal e particular, mesmo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) colocando em pauta que o ensino da linguagem deve abordar três aspectos fundamentais: leitura, interpretação e escrita. Sendo assim, o método de alfabetizar letrando, depende de cada profissional, porém eu acredito que se torna um maneira eficaz, pois traz o aluno ao cotidiano e a realidade em que está inserido, fazendo assim com que o alfabetizando, torne-se curioso e perceba que pode buscar a leitura em tudo que o cerca, não se restringindo apenas às cartilhas que são disponibilizadas pela escola, além disso, ele passa a compreender o que está lendo, não se resumindo apenas a repetir o som das letras quando estão juntas, tornando simplesmente códigos de leitura.

Infelizmente, devido a legislação, muitos alunos, nem sempre estão preparados para irem para os anos seguintes, porém, o problema é passado adiante e o aluno vai para o próximo ano, em alguns casos sem conseguir ler, escrever e interpretar uma frase, e o problema acaba sendo transferido de professor. Deste modo, cabe ao profissional da educação, o desafio de “ensinar o aluno a ler”, nos anos finais do ensino fundamental, esta tarefa normalmente é incumbida ao Professor de Português, que tenta fazer com que o aluno se interesse pela leitura e perceba que ela faz parte do seu cotidiano, já que, se o aluno não consegue compreender a leitura, terá dificuldade em toda sua vida escolar, e não somente com a Língua Portuguesa propriamente dita. Porém, conforme descrito na PCN (1998, p.31) “a tarefa de formar leitores e usuários competentes da escrita não se restringe, portanto, à área de Língua Portuguesa, já que todo professor depende da linguagem para desenvolver os aspectos conceituais de sua disciplina”. Sendo assim, o letramento é um trabalho que deve ser realizado por todos os professores, para que desta forma, ocorra uma educação verdadeiramente interdisciplinar.

Brasil. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes