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A fraude contra credores é um ato maldoso, do devedor que usa de artifícios, para se desfazer e esconder seu patrimônio. Com o objetivo de não responder pelas suas obrigações perante terceiros.
A atual doutrina tem certa discussão a respeito, de qual a quantidade necessária de requisitos, para que seja considerada a fraude.
Usarei como norteador a posição da jurisprudência (STJ), para falar a respeito.
Então, segundo a jurisprudência do STJ, para ser caracterizada a fraude contra credores, é necessário.
1. Eventus damni;
2. Consilium fraudis ou Scientia fraudis;
3. Anterioridade do crédito;
1. O eventus damni é a comprovação do prejuízo a credor.
O prejuízo se da através da comprovação de insolvência do devedor posterior o negócio jurídico celebrado.
Com isso, o terceiro adquirente, em regra, tem que conhecer o estado de insolvência do devedor. Essa ciência é conhecida como “scientia fraudis”.
A comprovação dessa ciência, também pode se dar pela prova de conluio entre as partes para prejudicar terceiros.
Neste caso, há o denominado “consilium fraudis”. 
Tanto o concilium fraudis como a scientia fraudisnão são requisitos indispensáveis. 
Por exemplo, a ementa abaixo do E. Tribunal de Justiça de São Paulo: 
“Ação pauliana. Doação do imóvel do pai, devedor, para a filha. Crédito anterior em favor da apelada. Transmissão gratuita do bem entre membros da mesma família. ‘Consilium fraudis’ presumido. Devedor que não comprovou a existência de outros bens que pudessem suportar a dívida. Ônus que lhe competia. Desfazimento antecipado de bens configura óbice para que o credor venha a obter o cumprimento total do crédito. Ação pauliana apta a sobressair, ante a situação fática apresentada. Ausência de efeito da doação em relação à credora, autora da demanda. Devido processo legal observado. Apelo desprovido.“ (TJ-SP – AC: 10261355020158260602 SP 1026135-50.2015.8.26.0602, Relator: Natan Zelinschi de Arruda, Data de Julgamento: 06/06/2019, 4ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 10/06/2019)
Há de se observar que o STJ vai além…
O mero grau de parentesco, por vezes, é suficiente para presumir o concilium fraudis ou scientia fraudis. 
Temos como fundamentação o art. 159 do CC/02 dispõe que “serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante“. 
“A respeito desse conhecimento presumido, assentou a jurisprudência a seguinte orientação: 
a) – o parentesco próximo, ou afinidade próxima, entre os contratantes é indício de fraude.”(STJ – REsp: 1100525 RS 2008/0235177-5, Relator: Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Data de Julgamento: 16/04/2013, T4 – QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 23/04/2013) (STJ – REsp: 1100525 RS 2008/0235177-5, Relator: Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Data de Julgamento: 16/04/2013, T4 – QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 23/04/2
Segundo essa decisão, “relações íntimas de amizade, convivência freqüente, negócios mútuos ou comuns, levam a presumir ciência do adquirente quanto à má situação patrimonial do devedor e impossibilidade de solver suas obrigações“. 
O STJ pretende dizer com isso é que, por exemplo, se o filho compra um imóvel do pai, deveria o filho saber que o pai está em situação de insolvência, motivo pelo qual presume-se a ciência ou conluio das partes. 
Porém o reconhecido da condição de credor por decisão judicial não é imprescindível. 
Segundo Enunciado 292 da IV jornada de direito civil, “para os efeitos do art. 158, § 2º, a anterioridade do crédito é determinada pela causa que lhe dá origem, independentemente de seu reconhecimento por decisão judicial“. 
Para anular essa espécie de negócio jurídico, deve-se lançar mão da ação pauliana no prazo decadencial de 4 anos, contado da celebração do negócio jurídico. 
Poderá ser ajuizada contra o devedor insolvente, a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé (art. 161 do CC/02). 
Vale salientar que o STJ não autoriza a aplicação da teoria do actio nata, segundo a qual o início do prazo se dá a partir do conhecimento inequívoco da lesão ou violação. 
É o que disciplinar o art. 178, II, do Código Civil. 
“Portanto conclui-se que, comprovação de fraude contra corredores exige o preenchimento de certos requisitos legais, sendo eles: anterioridade de crédito; que exista a comprovação de prejuízo ao credor (eventos damni); que o ato jurídico praticado tenha levado o devedor à insolvência; e que o terceiro adquirente conheça o estado de insolvência do devedor (scientia fraudis).”

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