DJi - Legítima Defesa
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DJi - Legítima Defesa


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doloso, culposo ou
exculpante (sem dolo ou culpa).
Moderação: é o emprego dos meios necessários dentro do limite razoável
para conter a agressão. A jurisprudência tem entendido que a moderação
não deve ser medida milimetricamente, mas analisadas as circunstâncias de
cada caso. O número exagerado de golpes, porém, revela imoderação por
parte do agente.
Imoderação: afastada a moderação, deve-se indagar se houve excesso.
Conhecimento da situação justificante: mesmo que haja agressão injusta,
atual ou iminente, a legítima defesa estará completamente descartada se o
agente desconhecia essa situação. Se, na sua mente, ele queria cometer um
crime e não se defender, ainda que, por coincidência, o seu ataque acabe
sendo uma defesa, o fato será ilícito.
Inevitabilidade da agressão e "commodus discessus": alguns doutrinadores
exigem a inevitabilidade da agressão como requisito da legítima defesa. De
acordo com esse requisito somente se configurará a legítima defesa se a
agressão for inevitável, ou seja, se não havia a possibilidade de o agente
evitar a agressão ou dela se afastar discretamente. A lei brasileira, contudo,
não exige a obrigatoriedade de evitar-se a agressão (commodus discessus),
pois, ao contrário do estado de necessidade, cujo dispositivo legal obriga à
evitabilidade da lesão ao dispor "nem podia de outro modo evitar", a
legítima defesa não traz tal requisito em seu dispositivo, de modo que o
agente poderá sempre exercitar o direito de defesa quando agredido.
Assis Toledo, com muita propriedade, faz uma ressalva quando se tratar de
agressão proveniente de inimputáveis, pois, "segundo lição de Jescheck,
diante de crianças, jovens imaturos, doentes mentais, agentes que atuam em
estado de erro ou imprudentemente etc., a legítima defesa fundase
exclusivamente na faculdade de autodefesa, pelo que o agredido deverá
limitar-se à proteção dos bens e só poderá causar lesão ao agressor se não
puder dele afastar-se sem o abandono do interesse ameaçado" (Princípios
básicos, cit., p. 197.).
Excesso: é a intensificação desnecessária de uma ação inicialmente
justificada. Presente o excesso, os requisitos das descriminantes deixam de
existir, devendo o agente responder pelas desnecessárias lesões causadas
ao bem jurídico ofendido.
Espécies de excesso
a) Doloso ou consciente: ocorre quando o agente, ao se defender de uma
injusta agressão, emprega meio que sabe ser desnecessário ou, mesmo
tendo consciência de sua desproporcionalidade, atua com imoderação.
Exemplo: para defender-se de um tapa, o sujeito mata a tiros o agressor ou,
então, após o primeiro tiro que fere e imobiliza o agressor, prossegue na
reação até a sua morte. Em tais hipóteses caracteriza-se o excesso dolos o
em virtude de o agente consciente e deliberadamente valer-se da situação
vantajosa de defesa em que se encontra para, desnecessariamente, infligir ao
agressor uma lesão mais grave do que a exigida e possível, impelido por
motivos alheios à legítima defesa (ódio, vingança, perversidade etc.) (Nesse
sentido, Assis Toledo, Princípios básicos, cit., p. 208.).
Conseqüência: constatado o excesso doloso, o agente responde pelo
resultado dolosamente. Exemplo: aquele que mata quando bastava tão-
somente a lesão responde por homicídio doloso.
b) Culposo ou inconsciente: ocorre quando o agente, diante do temor,
aturdimento ou emoção provocada pela agressão injusta, acaba por deixar a
posição de defesa e partir para um verdadeiro ataque, após ter dominado o
seu agressor. Não houve intensificação intencional, pois o sujeito imaginava-
se ainda sofrendo o ataque, tendo seu excesso decorrido de uma
equivocada apreciação da realidade.
Segundo Francisco de Assis Toledo (Princípios básicos, cit., p. 209.), são
requisitos do excesso culposo:
a) o agente estar, inicialmente, em uma situação de reconhecida legítima
defesa;
b) dela se desviar, em momento posterior, seja na escolha dos meios de
reação, seja no modo imoderado de utilizá-Ios, por culpa estrito senso;
c) estar o resultado lesivo previsto em lei (tipificado) como crime culposo.
Conseqüência: o agente responderá pelo resultado produzido, a título de
culpa.
c) Exculpante: não deriva nem de dolo, nem de culpa, mas de um erro
plenamente justificado pelas circunstâncias (legítima defesa subjetiva).
Apesar de consagrada pela doutrina, tal expressão não é adequada, uma
vez que não se trata de exclusão da culpabilidade, mas do fato típico,
devido à eliminação do dolo e da culpa. O excesso na reação defensiva
decorre de uma atitude emocional do agredido, cujo estado interfere na sua
reação defensiva, impedindo que tenha condições de balancear
adequadamente a repulsa em função do ataque, não se podendo exigir que
o seu comportamento seja conforme à norma.
Questão processual - quesitação da legítima defesa no júri: superados os
dois primeiros quesitos obrigatórios, relativos à autoria e materialidade (1º) e
ao nexo causal, também conhecido como letalidade (2º), caso ambos sejam
respondidos afirmativamente, passa-se à quesitação da legítima defesa, que
é desdobrada em tantos quesitos quantos forem os seus pressupostos legais.
Negada a injustiça ou a atualidade e iminência da agressão, desaparece por
completo a excludente, respondendo o agente pelo crime praticado. Se,
afirmados esses requisitos, os jurados negarem a necessidade dos meios ou
a moderação, passa-se à indagação acerca do excesso doloso, culposo ou
exculpante.
Quesitação
1) O réu, no dia 22 de janeiro do ano 2000, por volta de 2h, no interior de
sua residência, efetuou disparos de arma de fogo em direção à vítima,
produzindo-lhe os ferimentos descritos no laudo necroscópico de fls. l8?
(autoria e materialidade).
2) Tais ferimentos foram a causa da morte dessa vítima? (letalidade).
Este quesito só é indagado aos jurados se a resposta ao primeiro for
afirmativa por unanimidade ou maioria de votos.
3) O réu praticou o fato em defesa de sua própria pessoa?
4) Defendeu-se de uma agressão atual?
5) Defendeu-se o réu de uma agressão iminente? (a afirmação do quesito
anterior toma prejudicado este).
6) Defendeu-se o réu de uma agressão injusta? (a resposta negativa ao
quesito 3, aos quesitos 4 e 5 conjuntamente ou ao quesito 6 elimina a
legítima defesa, e o agente passa a responder pelo crime cometido).
7) O réu empregou os meios necessários em sua defesa? (a resposta
negativa a este quesito não afasta a legítima defesa, mas toma prejudicado o
seguinte e leva diretamente à quesitação do excesso).
8) O réu usou moderadamente desses meios? (a resposta negativa a este
quesito não afasta a legítima defesa de plano, levando à quesitação do
excesso).
9) O réu excedeu, dolosamente, os limites da legítima defesa? (se afirmativa
a resposta, surge o chamado excesso doloso ou consciente, e o agente
responde pelo crime praticado, a título de dolo, não se beneficiando da
legítima defesa; se negativa, passa-se ao quesito seguinte).
10) O réu excedeu, culposamente, os limites da legítima defesa? (se
afirmativa a resposta, o agente responde pelo crime que cometeu, a título de
culpa; se negativa, os jurados responderam que houve um excesso, mas que
este não derivou nem de dolo, nem de culpa, surgindo a chamada legítima
defesa subjetiva ou excesso exculpante, em que não existe fato típico, ante a
exclusão de dolo e culpa).
Conceitos finais
a) Legítima defesa sucessiva: é a repulsa contra o excesso. Como já
dissemos, quem dá causa aos acontecimentos não pode argüir legítima
defesa em seu favor, razão pela qual deve dominar quem se excede sem
feri-Io.
b) Legítima defesa putativa: é a errônea suposição da existência da legítima
defesa por erro de tipo ou de proibição. Só existe na imaginação do agente,
pois o fato é objetivamente ilícito.
c) Legítima defesa subjetiva: é o excesso derivado de erro de tipo escusável,
que exclui o dolo e a culpa.
"Aberratio Ictus" na reação defensiva: é a ocorrência de erro na execução
dos atos necessários de defesa. Exemplo: para