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Direito de Família - Resumo Completo (aula Katia Regina)

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da celebração.
§ 5o Serão dispensadas as formalidades deste e do artigo antecedente, se o enfermo convalescer e puder ratificar o casamento na presença da autoridade competente e do oficial do registro.
	Essa hipótese do chamado casamento em iminente risco de vida também é chamada pelos doutrinadores de casamento nuncupativo ou in extremis. Pessoa já está para receber a extrema unção, e não precisa ser uma situação de longa data. O noivo pode, por exemplo, ser atropelado. O outro nubente, não o enfermo, pode até ser representado por um procurador. Se não houver possibilidade de comparecimento da autoridade competente, eles vão convocar 6 testemunhas que não tenham com os nubentes parentesco na linha reta ou colateral até o segundo grau. No casamento nas CNTP, não existe essa exigência. Por que aqui existe? Por causa da questão patrimonial - esses parentes são aqueles que estão na linha sucessória. O cônjuge, no CC/02, galgou um status que não tinha antes - ele não era herdeiro necessário, podia ser afastado da linha sucessória por testamento (se fosse regime de comunhão de bens, ele teria direito à sua parte, mas isso é de fato direito seu). O Código Civil de 2002 ainda tornou o cônjuge, dependendo do regime de bens, herdeiro concorrentemente com os ascendentes (antes ele era o 3º da linha sucessória). Por isso que as 6 testemunhas no caso do casamento nuncupativo não podem ser parentes em linha reta ou colateral até o 2º grau. 
	No casamento nuncupativo, temos uma hipótese de habilitação a posteriori - testemunhas e nubente sobrevivente vão ao cartório e apresentarão os documentos necessários. Primeiro o juiz verá se era caso mesmo de iminente risco de vida ou se eles podiam ter se habilitado normalmente - primeiro vem a celebração e depois a análise da documentação. O juiz pode julgar improcedente essa habilitação a posteriori e aí, se verificar que havia algum impedimento ou que eles podiam ter se habilitado da forma ordinária. Se for julgado procedente, registrará-se no livro de registro a decisão do juiz, não o termo do casamento. A partir de quando produz efeitos essa decisão do juiz? Vai retroagir até a data da celebração, porque se não você vai ter morto casando. 
	Par. 5º - "mega errado". O que o legislador quis dizer é que se o enfermo que estava em iminente risco de vida sobreviver, ele pode ratificar essa vontade nupcial. Mas não há como dispensar essas formalidades todas. A apresentação da documentação para verificar a idoneidade dos nubentes para casar não pode ser dispensada! Não existe casamento ou até conversão da união estável em casamento sem a verificação dos impedimentos matrimoniais. 
Art. 1.542. O casamento pode celebrar-se mediante procuração, por instrumento público, com poderes especiais.- o casamento por procuração é admitido expressamente pelo ordenamento brasileiro. Na prática, se exigia a escritura pública, mas essa exigência não estava na lei - todos os doutrinadores diziam que tinha que ser por escritura pública, CC/02 adicionou isso! Assim, é ad substantiva - se a procuração para o casamento não for feita por escritura pública, o casamento não vale. Para que o procurador tenha poderes para casar em nome de alguém, tem que qualificar, além do outorgante e do outorgado, o outro nubente e expressamente definidos os poderes para receber em casamento, no regime tal, de acordo com o pacto nupcial (isso não é indispensável, mas professora acha que tem que colocar esse regime de bens na procuração). É uma procuração por escritura pública com poderes especiais. 
§ 1o A revogação do mandato não necessita chegar ao conhecimento do mandatário; mas, celebrado o casamento sem que o mandatário ou o outro contraente tivessem ciência da revogação, responderá o mandante por perdas e danos. - ver 1550, V. Se o nubente se arrepende e resolve revogar a procuração por instrumento público e nada fez, fica silente, o casamento é anulável. Assim, é óbvio que o outorgante da procuração tem que tomar todas as providências para que a revogação do mandato chegue ao conhecimento de ambos ou pelo menos de um dos 2, do mandatário ou do outro nubente. Legislador quis dizer que, mesmo que não chegue ao conhecimento do mandatário, o casamento não vai ser válido, vai ser anulável. Além disso, a mandante responderá por perdas e danos se houver revogação do mandato e ainda assim o casamento for celebrado. 
§ 2o O nubente que não estiver em iminente risco de vida poderá fazer-se representar no casamento nuncupativo.- o cônjuge que não estiver correndo risco. O que estiver em iminente risco de vida precisa manifestar sua vontade ele própria, 6 testemunhas precisam estar olhando pra ele e vendo que ele está lúcido, consciente. 
§ 3o A eficácia do mandato não ultrapassará noventa dias- esse prazo não precisa estar no mandato, uma vez que está previsto em lei. 
§ 4o Só por instrumento público se poderá revogar o mandato.- da mesma forma que se exige instrumento público pra fazer o mandato, exige-se para revogá-lo.
	Todos esses tipos de casamento são casamentos civis. Falta tratarmos, portanto, do casamento religioso com efeitos civis. 
Art. 1.515. O casamento religioso, que atender às exigências da lei para a validade do casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua celebração.
Art. 1.516. O registro do casamento religioso submete-se aos mesmos requisitos exigidos para o casamento civil.
§ 1o O registro civil do casamento religioso deverá ser promovido dentro de noventa dias de sua realização, mediante comunicação do celebrante ao ofício competente, ou por iniciativa de qualquer interessado, desde que haja sido homologada previamente a habilitação regulada neste Código. Após o referido prazo, o registro dependerá de nova habilitação.
§ 2o O casamento religioso, celebrado sem as formalidades exigidas neste Código, terá efeitos civis se, a requerimento do casal, for registrado, a qualquer tempo, no registro civil, mediante prévia habilitação perante a autoridade competente e observado o prazo do art. 1.532.
§ 3o Será nulo o registro civil do casamento religioso se, antes dele, qualquer dos consorciados houver contraído com outrem casamento civil - mesmo que a pessoa tenha se divorciado, não pode registrar o casamento dessa forma. 
	Quando a pessoa resolve casar em ambas as jurisdições - civil e canônica (não são todos os tipos de seitas em que se reconhece efeitos civis para o casamento, como acontece com a igreja católica, judaísmo, islamismo, etc... Na umbanda, por exemplo, não se reconhece). 
	Corre o processo de habilitação no registro civil no domicílio dos nubentes. Corre, também, o processo da habilitação canônico - tem seus próprios impedimentos (ex: não pode casar com o padrinho do seu filho). A celebração será realizada pelo ministro religioso - ou seja, o Estado confere autoridade e juiz de paz a esses ministros religiosos. Depois que ele pronuncia aquelas palavras, aquele ato vai ser lavrado por termo, as testemunhas vão assinar também e vai ser levado ao registro civil. A especificidade está apenas na celebração, que é presidida por um ministro religioso. 
	A última parte do par. 1º e o par. 2º tratam da segunda hipótese que o ordenamento jurídico tem de habilitação a posteriori (a outra é o casamento nuncupativo) - efeitos do registro retroagem à data da celebração. Não é necessário fazer nova celebração. Aqui o requerimento é de registro do casamento religioso, apresentando os documentos do 1525, e aí corre tudo normalmente. Ou seja, você ter casamento religioso com efeitos civis com habilitação a posteriori.
Aula 7 – 24 de Março de 2010
Art. 1.543. O casamento celebrado no Brasil prova-se pela certidão do registro.
Parágrafo único. Justificada a falta ou perda do registro civil, é admissível qualquer outra espécie de prova.
	O registro que faz prova. Em hipótese de perda de registro (ex: perde o livro do registro, ele é roubado, cartório pega fogo, etc) ou quando ele não tiver sido feito, é admissível qualquer outra