Prévia do material em texto
PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Programa de Pós-Graduação EAD UNIASSELVI-PÓS Autoria: Edmundo Sebadelhe Valério Neto CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Ivan Tesck Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Prof.ª Bárbara Pricila Franz Prof.ª Tathyane Lucas Simão Prof. Ivan Tesck Revisão de Conteúdo: Jorge Hilário Bertoldi Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Copyright © UNIASSELVI 2018 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. 22 N469p Neto, Edmundo Sebadelhe Valério Práticas de gestão de processos / Edmundo Sebadelhe Valério. Indaial: UNIASSELVI, 2018. 111 p. : il. ISBN 978-85-69910-99-2 1.Gestão Empresarial. I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. Msc. Edmundo Sebadelhe Valério Neto Engenheiro ambiental (2013) e mestre em engenharia de Processos (2015) pela Universidade Tiradentes. Atualmente constitui o quadro de discentes de doutorado do programa de pós-Graduação em engenharia de processos (PEP) da Universidade Tiradentes desde 2015, atuando principalmente nos seguintes temas: oxidação eletroquímica, nanofios, células a combustível e nanocatalisadores. Possui experiência na área de engenharia de processos, em eletroquímica e no desenvolvimento de novos materiais catalíticos para modificação de eletrodos de trabalho. É revisor do periódico Interfaces Científicas – Exatas e Tecnológicas desde 2016, participou de 1 banca de trabalho de conclusão de curso em engenharia civil e supervisionou 3 projetos de iniciação científica. Sumário APRESENTAÇÃO ....................................................................01 CAPÍTULO 1 Introdução à Gestão de Processos .....................................9 CAPÍTULO 2 Papéis na Orientação por Processos.................................41 CAPÍTULO 3 Gestão Corporativa de Processos .....................................77 APRESENTAÇÃO O tema gestão de processos tem como objetivo principal servir de instrumento para conectar tudo o que é realizado em uma organização, fornecendo boas e inúmeras ferramentas para facilitar a comunicação e a cooperação, servindo de ponte entre as estratégias organizacionais e as atividades diárias realizadas junto aos processos organizacionais. Todavia, o modelo de gestão necessita ser bem difundido e praticado, pois para alcançar uma maior aceitação da gestão de processos na cultura organizacional, ainda é necessário percorrer um longo e árduo caminho. A discussão sobre processos e a gestão de processos não é algo recente e está originalmente associada à tradição da engenharia industrial e aos estudos dos sistemas sociotécnicos. Perceba que não existe uma interpretação consensual do termo, o que acaba por gerar confusão quanto à aplicação do conceito de processo em diferentes contextos. A gestão dos processos do negócio acaba representando uma nova maneira de visualizar as operações de negócios que vai além das estruturas funcionais tradicionais. Essa visão engloba todo o trabalho executado para entregar o produto ou serviço do processo, independentemente de quais áreas funcionais ou localizações estejam envolvidas. A gestão se inicia em um nível mais alto que aquele nível que realmente realiza o trabalho e, então, subdivide-se em processos menores ou subprocessos que devem ser realizados por uma ou mais atividades, que por sua vez, são decompostas em tarefas e em cenários de realização das tarefas. Esta disciplina discute amplamente o conceito da gestão dos processos em uma organização, servindo como uma estrutura teórica, que fornece embasamento teórico para que o aluno possa estudar e se preparar para implementar a gestão de processos em toda e qualquer organização, colhendo os frutos do sucesso em curto ou médio prazo. Além disso, a disciplina fornece meios para que o aluno possa escolher o melhor método para a realizar a gestão de processos e como gerencia-las durante todo o período de transição. Nesse contexto, foram apresentados, primeiramente, vários modelos de ciclo de vida que podem ser utilizados como guia para a implementação da gestão. Entretanto, vale ressaltar, que a utilização desses modelos não garante o sucesso da gestão de processos, cabendo as pessoas responsáveis pelo processo saber observar, encontrar os possíveis problemas e saber direcionar, quando necessário. Nesse contexto da gestão de processos, o primeiro capítulo desse módulo apresenta detalhadamente as considerações gerais da gestão por processos, passando pelos ciclos de vidas e seus mais diferentes modelos, passando pela diferença entre a estrutura funcional e orientada por processos, chegando na cultura de processos e matriz de desempenho. Por fim, o segundo capítulo e o terceiro capítulos apresentam em detalhes os diversos cargos que as pessoas podem desempenhar na gestão de processos organizacionais, assim como, os diversos setores que podem ser criados para guiar a organização ao sucesso. Boa leitura, bons trabalhos e uma excelente e profunda aprendizagem na gestão de processos. CAPÍTULO 1 Introdução à Gestão de Processos A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Compreender a gestão de processos e suas características. � Definição das diferenças entre as estruturas. � Compreender a transição entre as estruturas. � Identificar as diferenças entre a estrutura funcional e orientada por processos, para realizar essa transição. � Elaborar uma matriz de desempenho. 10 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS 11 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 Contextualização O Gerenciamento de Processos é utilizado para melhorar a forma como os negócios das organizações são realizados e administrados. É uma abordagem disciplinada para identificar, desenhar, executar, medir, monitorar e controlar pro- cessos de negócio ponta-a-ponta com o objetivo de atender as estratégias da organização. As formas de gerenciamento têm se tornado o grande diferencial na gestão da produção, atualmente é preciso gerenciar com uma visão sistêmica que alca- nce fatores de produtividade considerando também aspectos de personalidade, capacitação, conhecimento técnico e comportamento. Sendo assim, como qualquer gerenciamento eficaz necessita de boas práticas, a gestão de processos produtivos do contexto atual trabalham em prol de uma produção planejada, controlada e devidamente acompanhada em todas as suas etapas. A Gestão de Processos O estudo de processos sempre teve uma grande demanda por parte das organizações em todo o planeta. No início da década de 90, houve uma maior concentração do foco na melhoria das operações, com as lógicas da Administração Científica de Taylor, o qual é considerado um dos precursores da engenharia de produção. A utilização de técnicas e instrumentos para entender e melhorar os processos organizacionais, sempre acompanhou os profissionais nas organizações produtivas. No fim da década de 80 e no início da década de 90, houve uma intensificação no uso do conceito de processos sob a alcunha de reengenharia, a qual foi sucedida por uma deterioração do conceito de processos (PAIM et al., 2009). Paralelamente, as propostas do Sistema Toyota de Produção, em particular o Controle da Qualidade Total (TQC), continuaram a se disseminar, em muito baseados na abordagem processual, ainda que de modo aparentemente periférico, mas sem movimentos objetivos de adoção da gestão deprocessos. A primeira década dos anos 2000, em especial nos últimos anos, está assistindo novamente a uma corrida das organizações para o conceito de processos. Diversos estudos reforçam uma retomada do crescimento da demanda das organizações pelo conceito de gestão de processos (PAIM et al., 2009). 12 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Melhorar os processos é uma ação básica para as organizações responderem às mudanças que estão constantemente ocorrendo em seu ambiente de atuação e para manter o sistema produtivo competitivo. Pode-se dizer que esse movimento mais recente de gestão de processos está fortemente associado à adoção da tecnologia da informação. Qualquer organização produtiva tem, sem exceção, que coordenar o trabalho. Os mecanismos de coordenação do trabalho estão intrinsecamente relacionados à forma como os recursos e as atividades estão projetados, ao modo como essas atividades são geridas no cotidiano e aos meios pelos quais a organização irá gerar o aprendizado e promover as melhorias nas operações e na forma de coordenação do trabalho em si. Dessa maneira, gerir processos é útil para qualquer organização, pois a necessidade de governar deriva exatamente da própria ação de dividir e organizar o trabalho em si (PAIM et al., 2009). A figura a seguir apresenta uma comparação gráfica entre a visão departamental e a visão por processos. Apesar de discussões de que na realidade a visão funcional passou a existir a partir de uma visão de linhas de montagem de Henry Ford, a realidade é que essa visão se disseminou para outras atividades fora do chão da organização. Além disso, as técnicas fordistas eram funcionais, já que cada trabalhador tinha uma visão departamental. A visão orientada por processos procura entender “o que precisa ser feito e busca formas de fazê-lo”. Nela, as tarefas não são definidas exclusivamente em função dos departamentos da organização. Ao decidir o que precisa ser feito, primeiramente têm-se em mente as atividades que agregarão valor para a organização sem se preocupar inicialmente em saber qual o departamento que as executará (BALDAM et al., 2014). Melhorar os processos é uma ação básica para as organizações responderem às mudanças que estão constantemente ocorrendo em seu ambiente de atuação e para manter o sistema produtivo competitivo. Figura 1 – Visão departamental x visão de processos Companhia Visão Departamental Visão Departamental Evento Evento Companhia Processo Fonte: <https://tecproit.wordpress.com/2009/08/12/gestao-por-processos-diferenca- entre-a-visao-departamento-e-visao-por-processos/>. Acesso em: 24 jan. 2018. 13 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 O pensamento por processo é uma orientação gerencial visando agir pró-ativamente na identificação de oportunidades de melhoria nos processos, implementar novos conceitos de processos na solução de problemas organizacionais e atingir ganhos com a transferência de conhecimento e do pensamento por processos para funcionários, clientes e parceiros. O quadro a seguir apresenta as características de uma organização centrada e não centrada em processos, para se ter uma ideia mais clara sobre a visão de processos na organização. Quadro 1 – Características de organização centrada e não centrada em processos Organização centrada em processos Organização não centrada em processos Entende que processos agregam signif- icativo valor para a organização e facili- tam à organização atingir seus objetivos estratégicos. Não está completamente convencida da contribuição que a visão e estudos de processos podem trazer para a organi- zação e para a estratégia. Incorpora o BPM como parte da prática gerencial. Gerenciamento de processos não é o foco primário. Envolve o BPM na estratégia. Apoia várias iniciativas isoladas de BPM. Os executivos seniores possuem foco em processos, especialmente o presidente, pois os demais tendem a seguir o líder. Entende que o processo é importante pelos problemas que causa (qualidade, lista de reclamações etc.). Possui clara visão de seus processos e como se relacionam. Pode possuir cadeia de valor bem defin- ida, lista de processos e subprocessos. Talvez até possua alguns processos modelados. A estrutura da organização reflete seus processos. A estrutura da organização reflete seus departamentos. Entende que podem surgir tensões entre os processos e departamentos e possui meios de sanar tais situações. Pode tornar uma tensão em frustração e criar mentalidade de punição. Possui um executivo sênior destacado para área de processos e integração deles dentro da organização. Funcionalidades baseadas em respons- abilidade que não cruzam departamentos. Recompensas e prêmios baseados em metas de processos. Recompensas e prêmios baseados em metas e departamentos. Fonte: BALDAM et al. (2014). 14 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Os dois modelos ideais apresentados no quadro representam um conjunto de sintomas, em que pode haver uma mistura de sinais na organização. A mistura dessas duas visões, na verdade, é comum. Suas fronteiras são na maioria das vezes sutis, entretanto, a observação do quadro permite perceber que existem algumas diferenças cruciais entre as duas abordagens. As técnicas contemporâneas de gestão de processos, buscam esclarecer a contribuição de cada processo para a agregação de valor, para a geração de saídas indesejadas, conforme a International Organization for Standardization (ISO) 14000 que define diretrizes para a gestão ambiental de forma a garantir o controle do desempenho, e para a responsabilidade social da organização. Entretanto, isso não quer dizer que os processos ocorram de fato, conforme o modo previsto nos documentos escritos inicialmente. Afinal, as ferramentas que estes dispõem retratam somente uma parte do conhecimento necessário e ignoram as instabilidades técnicas e financeiras (BALDAM et al., 2014). Percebe-se que a maioria das organizações atuais são estruturadas em volta de estruturas funcionais, geográficas ou por produto. São raras as organizações que são estruturadas em torno de seus processos de negócio. A transformação dos processos e abordagens organizacionais pode parecer complicado e desafiador a princípio, mas se deve ter em mente que a organização pode realizar uma alteração nos seus valores, cultura, estrutura, processos e responsabilidades, buscando adotar uma visão centrada em processos e com orientação voltada para os clientes. Assim, na medida em que as organizações forem alcançando uma maior maturidade em processos, poderão ser implementadas (gradativamente) novas estruturas, competências e maneiras de motivar e recompensar os colaboradores. Esses novos papéis, responsabilidades e relacionamentos, geralmente levam a ocorrência de uma mudança significativa no foco do gerenciamento organizacional, e consequentemente, na forma como o trabalho é realizado, partindo de uma estrutura mais tradicional centrada em uma determinada função ou atividade, para uma visão centrada no desempenho interfuncional de processos ponta a ponta, os quais irão entregar valor para os clientes. Nesse contexto, a cadeia de valor de processos de negócio de uma organização descreve uma forma de pôr em foco esta cadeia que fornece valor ao cliente. Dessa maneira, cada uma das atividades tem seus próprios objetivos de desempenho conectados aos seus processos de negócio de origem. Os processos primários podem fluir através das funções da organização, através dos departamentos ou até mesmo entre empresas que fornecem uma visão completa do valor criado. Na medida em que as organizações forem alcançando uma maior maturidade em processos, poderão ser implementadas (gradativamente) novas estruturas, competências e maneiras de motivar e recompensar os colaboradores. 15 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 A globalizaçãoe seus atuais cenários dinâmicos exigem mais agilidade por parte das organizações, sejam elas públicas ou privadas, o que acaba implicando em profundas transformações na maneira de como a administração e a gestão são conduzidos. Dessa maneira, as organizações têm buscado tomar ações iniciativas para as mudanças, entretanto, na maioria das vezes, essas mudanças não chegam a ser implementadas, e quando são implementadas, seus resultados raramente são avaliados de forma objetiva e clara (MANUAL DE GESTÃO POR PROCESSOS, 2013). Isso mostra que o foco da qualidade e melhoria dos processos não deriva apenas da competência e vontade dos profissionais, é uma série de fatores estratégicos que vão contribuir de fato para a mudança organizacional (MANUAL DE GESTÃO POR PROCESSOS, 2013). Os gestores e/ou responsáveis por conduzir uma organização deve sempre ter em mente a pergunta: De que maneiras eu posso melhorar os processos da organização? A partir desse questionamento, buscar e encontrar o rumo para alcançar o resultado desejado, como o método mais adequado de realizar a gestão do processo. A gestão dos processos une, então, as pessoas da organização, de maneira a criar um ambiente agradável, cooperativo e produtivo, o qual assegura os resultados da organização. Identificar um processo é muito importante para definir a organização dos indivíduos e dos demais recursos da instituição. É um conceito fundamental na projeção dos meios pelos quais a instituição pretende entregar seus produtos ou serviços aos seus clientes. Um processo, em essência, representa uma sequência de atividades a serem realizadas para a obtenção de um produto final (bem ou serviço). Por outro lado, processo de negócio é, então, um conjunto de atividades que tem por objetivo transformar as entradas (insumos), adicionando-lhes valor por meio de procedimentos, em bens ou saídas (serviços) que serão entregues e devem atender aos clientes (PRADELLA; FURTADO; KIPPER, 2012). Nesse contexto, é importante relembrar ao leitor que existem três tipos diferentes de processos de negócio ponta a ponta: • processos primários ou essenciais; • processos de suporte; • processos de gestão. Os processos primários são definidos como processos ponta a ponta, multifuncionais, que direcionam as entregas de valor aos clientes. São também denominados como processos de núcleo, pois representam as atividades essenciais que a organização desempenha para cumprir sua missão. Esses processos constituem a cadeia de valor que cada etapa somada à etapa A gestão dos processos une, então, as pessoas da organização, de maneira a criar um ambiente agradável, cooperativo e produtivo, o qual assegura os resultados da organização. 16 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS precedente, em que a cadeia de valor de processos de negócio de uma organização descreve uma forma de pôr em foco esta cadeia de processos que fornece valor ao cliente. Cada uma dessas atividades tem seus próprios objetivos de desempenho conectados aos seus processos de negócio de origem (PRADELLA, FURTADO e KIPPER, 2012). Esses processos primários podem fluir através das funções da organização, através dos departamentos ou até entre empresas que fornecem uma visão completa do valor criado. As atividades principais, por sua vez, são aquelas que estão envolvidas na criação física do produto ou do serviço, por meio das ações de marketing, e transferem para o comprador e para o suporte de pós-venda, denominado valor adicionado. Já os processos de suporte são estruturados para dar suporte aos processos primários. A principal diferença entre processos primários e de suporte é que os processos de suporte não entregam diretamente o valor aos clientes, enquanto que os processos primários fazem (PRADELLA, FURTADO e KIPPER, 2012). Entretanto, isso não significa que os processos primários são menos importantes para uma organização, devendo ser deixados de lado. Esses processos podem ser críticos e estratégicos para as organizações, na medida em que a organização efetivamente executar os processos primários. Por fim, os processos de gestão são entendidos como processos usados para medir, monitorar e controlar as atividades de negócios. A nomenclatura “gestão de processos” deriva do inglês: Business Process Management (BPM). Os processos de gestão garantem que um processo primário ou um processo de suporte atinjam metas operacionais, financeiras, reguladoras e legais. Esses processos não conferem valor diretamente aos clientes, mas são de extrema importância para garantir que a organização opere com eficiência e eficácia (PRADELLA; FURTADO; KIPPER, 2012). As atividades principais, por sua vez, são aquelas que estão envolvidas na criação física do produto ou do serviço, por meio das ações de marketing, e transferem para o comprador e para o suporte de pós- venda, denominado valor adicionado. Visto tudo isso, o que é gestão de processos de negócios? Segundo William J. Kettinger e Varun Grover, a gestão de processos é um método que envolve a formalização ou institucionalização do planejamento, estruturação e avaliação dos processos, que pode ser implementada de forma radical (reengenharia) ou incremental (melhoria contínua). Dessa maneira, as organizações que se engajarem na gestão de processos devem aplicar múltiplos métodos para coletar informações, redesenhar e acessar os seus processos. 17 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 Jeston 2008 lista os principais termos utilizados na definição da gestão por processos de negócios, os quais serão apresentados no quadro a seguir. Quadro 2 – Definições dos termos utilizados para a definição de BPM Realização Realizar os objetivos estratégicos como descrito no planeja- mento estratégico da organização no nível do projeto e sobre a realização do valor ou benefícios do negócio como descrito no projeto do negócio. Organização Refere-se a uma empresa ou partes de uma empresa, talvez uma unidade de negócio que é discreto por direito. É o negócio de processo de ponta a ponta associado com essa parte de uma organização. Esse foco de ponta a ponta irá garantir que uma abordagem de silo não ocorra. Objetivos Varia de metas estratégicas ao longo de uma organização até metas individuais de processos. É alcançar os resultados do pro- cesso ou seus objetivos. O BPM não é exatamente um objetivo, mas sim um meio para se atingir os objetivos. Melhoria Refere-se a fazer os processos de negócios mais eficientes e efetivos. Gestão Refere-se à gestão, desempenho e medição dos processos e das pessoas. É organizar todos os componentes e subcomponentes para os seus processos, ou seja, organizar pessoas e suas habi- lidades, motivações, desempenho, recompensas, processos, es- trutura e sistemas, necessários para dar suporte aos processos. Controle É fazer a gestão dos processos de ponta a ponta e envolver todo o ciclo PDCA. Um componente essencial do controle de habilidade de medir corretamente os parâmetros. Se não for possível medir alguma coisa, você não poderá o controlar nem fazer a sua gestão. Essencial Nem todo processo em uma organização contribui diretamente para alcançar os objetivos estratégicos da organização. So- mente os processos essenciais são os que contribuem. Negócio A implementação de um BPM deve ter um impacto no negócio at- ravés da entrega de benefícios. Deve ter foco no “coração” dos pro- cessos de negócios que são essenciais para a atividade primária da organização, ou seja, aqueles processos que realmente contribuem para que a organização alcance os seus objetivos estratégicos. Processos Existem muitas definições para processos, assim, como existem muitos processos. Segundo Roger Burlton, um processo verda- deiro engloba todas as coisas que se faz para fornecer a al- guém que se preocupa com o que eles esperam receber. Essa definição cobre o processo de ponta a ponta, partindo do gatilho original doprocesso para a satisfação das partes interessadas. O teste final para a plenitude de um processo é se o processo entregar um produto ou serviço que satisfaça completamente uma parte interessada externa ou outro processo interno. Fonte: Adaptado de Jeston (2008). 18 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Muitos comentaristas e vendedores fornecem definições que especificam a tecnologia (ferramentas de automação) como um componente essencial da gestão por processos de negócios. De fato, a gestão por processos é uma tecnologia. O gerenciamento de processos é uma parte integrada do gerenciamento normal. É importante para a liderança e para a gestão, reconhecer que não existem limites para a melhoria dos processos de negócios dentro de uma organização. Assim, a gestão acaba se configurando como um programa que deve ser continuamente mantido. Por último, mas não menos importante, a gestão requer que a organização possua uma visão de ponta a ponta e bom senso, ambos os quais muitas vezes pode estar em falta dentro do ambiente de trabalho (JESTON, 2008). Considerações Gerais da Gestão por Processos A literatura especializada propõe alguns modelos que podem ser utilizados para orientar a gestão dos processos de negócios. Muitos deles assumem a forma de ciclos, ou seja, contêm uma série de ações que se repetem na fase seguinte. Assim, em assuntos relacionados à gestão de processos, é comum encontrar o termo “ciclos de BPM” (BALDAM et al., 2014). Todos os modelos de ciclos de vida de BPM envolvem seis etapas, as quais estão representadas na figura a seguir. Figura 2 – Modelo de ciclo de vida de um BPM Fonte: O autor. 19 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 Dentre os modelos mais importantes, podem-se citar (BALDAM et al., 2014): a) Modelo de Burlton (2001) Baseia-se na ideia de fases sequenciais que se alinham desde a fase de definição da estratégia até a operação do processo. Esse modelo defende a estrutura em dois níveis, modos e fases. Assim, os modos são: • modo de estratégia: envolve as fases de definir todo o contexto do negócio para que ocorra a mudança, assim como, arquitetura de processos e alinha- mento das estratégias de negócios; • modo de design: envolve as fases de criação da visão para a mudança, compreensão do processo existente e renovação do modelo do processo; • modo de realização: engloba as fases de desenvolvimento de habilidades e mecanismos de suporte e implantação da mudança; • modo operacional: envolve a fase de operar o processo e implantação da melhoria contínua. As fases que estão contidas nesse modelo são: • definição do contexto do negócio para mudança: deve-se assegurar que ocorra uma compreensão comum do cenário de negócios, que esteja plenamente esclarecida por todos aqueles que tomarão as decisões. É um esforço para garantir que os membros da organização compartilhem da visão que os envolvidos em alto nível possuem, que por sua vez, irá determinar o sucesso da organização futuramente. O resultado dessa fase deve ser um relatório com resumos do estado atual e futuro durante a implementação do plano; • arquitetura de processos e alinhamento das estratégias: arquitetar e alinhar as relações entre os processos de negócios, tecnologias e recursos. Nessa fase, o resultado esperado é a produção de prioridades para um programa de mudança organizacional; • criar a visão da mudança: determinar e confirmar os requerimentos de desempenho do estado futuro que são desejados do processo a ser renovado, definir o escopo e outras variáveis características a serem analisadas; • compreensão do processo existente: obter uma compreensão suficiente do processo atual da organização, o qual irá criar uma base para mudanças futuras; • renovação do modelo do processo: desenhar ou redesenhar o processo, assim como, suas diretrizes e habilitadores de modo a se alinhar com os requerimentos dos envolvidos no processo. O resultado esperado é uma maior confiança e menor risco para o processo; 20 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS • desenvolver os habilitadores e mecanismos de suporte: detalhar todos os componentes para a entrega da solução dos processos de negócio. A organização deverá construir ou alterar os mecanismos de suporte requeridos ao novo processo. Além disso, são definidas as ações, papéis, regras, estrutura e realinhamento de incentivo a colaboradores; • implementação da mudança: tem como objetivo preparar todos os envolvidos que serão afetados de alguma maneira pela solução que será implementada. Geram versões dos acordos para a estratégia de transformação; • operação do processo e implantação da melhoria continuada: tem como principal objetivo o uso continuado e estável do processo, além da busca contínua por oportunidades de melhoria baseada em experiência, novos habilitadores e melhoria do conhecimento. O resultado esperado é a implementação de todas as mudanças necessárias para atingir a melhoria desejada. b) Modelo de Havey (2006) Tem como propósito a criação de uma estrutura de compreensão simples no entendimento do BPM. Esse modelo apresenta seis fases essenciais: • obtenção de requerimentos: evidenciar os objetivos gerais do processo a ser tratado. O resultado esperado é um relatório com os direcionadores gerais do processo que será trabalhado; • documentação dos casos de uso: o processo a ser trabalhado deve ser documentado, o que resultará na geração do modelo desejado e especificações gerais de implantação; • arquitetura e design: as especificações gerais e individuais do processo a ser implantado, infraestrutura, equipamentos, programas, treinamentos e são preparados; • desenvolvimento: implantação da solução planejada, preparação dos treinamentos e planos de marketing; • fase de teste: realização de testes da solução implantada; • produção: uso continuado da solução implementada. c) Modelo de Khan (2004) O início desse modelo foi caracterizado pela definição do processo que será estudado e melhorado. Após essa etapa, o processo apresenta progresso contínuo, o qual é composto pelas fases de modelar, automatizar, gerenciar e otimizar o processo: • modelar: fazer o mapeamento do processo ideal e definição dos “donos do processo”, que são os seus responsáveis; 21 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 • automatizar: verificação dos possíveis erros antes do processo ser colocado realmente em prática; • gerenciar: os processos passam de eletrônicos para reais, deve ser realizado o acompanhamento do processo para solucionar as circunstâncias não esperada; • otimizar: utilização de ferramentas de tecnologias da informação para fornecer informações sobre custos e gargalos no processo, para poder realizar estudos sobre os processos sobre trocas de recursos e tarefas. d) Modelo de Harrington, Esseling & Nimwegen (1997) O mais antigo dos modelos apresentados nesse módulo, neste modelo, é necessário a criação de uma estrutura de planejamento, de maneira a traçar ações gerais dos projetos dos processos que serão realizados. e) Modelo de Smith & Fingar (2003) Neste modelo, o ciclo de vida do BPM é dividido nas fases de descoberta, design, distribuição, execução, interação, controle, otimização e análise do processo. Esse modelo faz muito sentido se for aplicado para projetos isolados no processo. f) Modelo de Muehlen & Ho (2005) Modelo amplo que atinge todas as áreas essenciais do ciclo de vida de um BPM. Apresenta uma visão continuada e conexão de informação bem formuladas. É focado em ferramentas de tecnologia da informação. g) Modelo de Schurter (2006) Esse modelo foi proposto na XIV Conferência Anual do Business Management Group. Possui a visão integrada como ciclo, sem atividades isoladas, assim, tem uma visão voltada para um grupo de atividades, com três fases interligadas e uma fase adicional, são elas: • fase inicial ou fase de entrega: visa a captação da essênciada visão estratégica, resultando na definição de um projeto de negócio especialmente projetado para fornecer um objetivo estratégico ou que melhor sirva à organização. Essa fase cruza oito categorias, sendo, a fase da descoberta, análise, modelagem, validação, integração, implantação, controle e melhoria; através de quatro dimensões, estratégia, pessoas, processos e sistemas; • refinamento interativo: o ciclo de vida do BPM se move no sentido para uma visão mais estreita do processo inicialmente entregue. Geralmente, o 22 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS refinamento do processo é uma etapa que possui o menor tempo de duração; • ponto de mudança: quando um processo é requerido para atender um objetivo novo ou refinado, pode ser que o processo precise passar por um ponto de mudança, que se caracteriza por um estágio que requer enorme esforço de mudança do design para que alterações sensíveis ocorram nos processos organizacionais; • retirada de operação do processo: quando o processo não servir mais (não responder as metas), o mesmo deve ser retirado de operação. Na prática, isso ocorre quando mudanças ocorrem na organização. h) Modelo de Jost e Scheer (2002) Modelo com ideia de ciclo ininterrupto, em que as etapas envolvidas são: • design: modelagem, integração e documentação do processo desejado, que são, por sua vez, baseados em uma estrutura de processos global da organização; • implantação: desenvolver as ferramentas dos programas ou trabalho manual, além de realizar o treinamento das equipes, fazer a gestão da mudança e monitoramento das instancias que estão em uso no processo; • controle: verificar se o processo está funcionando de acordo com as metas que foram estabelecidas para o seu funcionamento perfeito. Todos esses modelos, que foram apresentados anteriormente, têm em comum o fato de que todos eles supõem que a organização já possua sua estrutura toda voltada para a realização do BPM. Entretanto, nenhum desses modelos apresentados corresponde exatamente a realidade encontrada em uma organização. Assim, na prática, é impossível prever a partir de um simples esquema teórico, como que a gestão dos processos ocorrerá exatamente, assim como, os seus resultados. Qualquer modelo que seja utilizado, serve como uma orientação valiosa e poderosa para a prática, todavia, as pessoas responsáveis pela implementação do BPM possuem desenvolvem um papel fundamental e fazem toda a diferença na gestão dos processos de negócios. As formas de gestão são imprescindíveis para o sucesso e longevidade de uma organização e vem se tornando cada vez mais o grande diferencial na gestão dos processos de uma organização. Atualmente, é preciso realizar o gerenciamento com uma visão sistêmica que alcance fatores de produtividade considerando também aspectos de personalidade, capacitação, conhecimento técnico e comportamento. Um outro diferencial é conhecer a fundo os objetivos do trabalho nos diferentes níveis da organização. A gestão dos processos precisa abranger as atividades intelectuais do processo produtivo garantindo o Nenhum desses modelos apresentados corresponde exatamente a realidade encontrada em uma organização. 23 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 planejamento adequado e a organização das atividades sob a liderança eficaz, ou seja, com controles bem definidos e monitorados possibilitando a implementação de ações corretivas em tempo hábil, de maneira a evitar perdas relevantes (ARAUJO, 2011). O foco da organização em resultados e nos clientes, é alvo de vários sistemas de gestão e a aplicação de várias metodologias diferenciadas busca garantir resultados esperados para os indicadores de processos. Neste contexto, destacam-se seis pontos principais para as boas práticas de gestão dos processos de produção e negócios (ARAUJO, 2011): 1) O planejamento é a função administrativa que vai determinar antecipadamente quais são os objetivos que deverão ser atingidos, assim como, o que deve ser feito para atingir esses objetivos da melhor maneira possível, ou seja, sem objetivos definidos e planejamento, a organização fica sem direcionamento. 2) Determinação das metas a serem alcançadas pela produção, objetivos e metas indicando em que a organização pretende chegar mostram a visão, valor e missão da mesma. 3) A liderança é um fator primordial e relevante, necessita de objetivos, metas e planos bem elaborados e definidos que levem ao alcance de resultados sólidos sem esquecer de cumprir regras e procedimentos agregados, promovendo o desenvolvimento constante através da utilização de ferramentas, como a capacitação técnica. 4) Conhecimento técnico do processo e domínio do processo produtivo. A gestão da produção tem por finalidade aumentar a eficiência e eficácia do processo produtivo como um todo, cuidando para que os objetivos dos processos sejam alcançados. 5) A definição da metodologia do trabalho é um fator crítico de sucesso em muitas organizações, já que a avaliação permanente do processo, identifica falhas e corrigi durante o processo de produção. Ela é fundamental e recebe o nome de gerenciamento da rotina do dia a dia. 6) Os resultados devem ser controlados, ou seja, os resultados só serão bons se seus objetivos, metas e princípios forem bem observados durante a fase de planejamento. A análise dos resultados de uma organização é a visão do desempenho, permitindo a organização gerir meios de fato, não de suposições ou opiniões. Visto tudo, nota-se que a maioria das organizações ao longo de sua operação, acabam descobrindo que para serem eficazes e eficientes em suas operações de gestão dos processos, as mesmas devem atribuir claramente as responsabilidades pelo desenho, documentação, manutenção dos processos, aparelhos e saúde em longo prazo. Além disso, com o passar do tempo e aprimoramento das atividades, novas funções, atribuições, responsabilidades e estruturas funcionais podem surgir. 24 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Diferenças Entre Estrutura Funcional e Orientada por Processos A estrutura tradicional das organizações engloba o gerenciamento hierárquico dos recursos e delegação das responsabilidades de um nível para outro. Por outro lado, aquelas organizações que são orientadas por processos atribuem a responsabilização horizontal pela entrega de valor ao cliente, isso envolve, o desenho dos processos e sua medição, documentação e transformação. Em vez de comando e controle, os gerentes do processo capacitam, orientam, defendem e apoiam os gestores funcionais e as equipes que executam o processo (GUIA ABPM CBOK, 2013). Existem ainda algumas organizações que podem criar estruturas híbridas (entre estrutura tradicional e estrutura voltada para o processo). Essa estrutura híbrida inclui uma dimensão de processo combinada com uma dimensão funcional, de produto ou geográfica. Na estrutura híbrida, a estrutura matriarcal, na qual permanecem unidades funcionais, que por sua vez, é responsável pela especialização do trabalho e dos indivíduos. Por outro lado, existe uma nova unidade, transversal à estrutura, responsável por alocar os recursos nos processos. Essa estrutura, chamada de matriarcal forte, define que o gestor do processo tem maior autonomia sobre os recursos em relação ao gestor funcional. Esse modelo híbrido teve os clássicos conflitos de dupla subordinação e dos indicadores de desempenho globais e locas (PAIM et al., 2009). Outras organizações podem dar um salto complexo e ousado, se estruturando quase inteiramente em torno de processos (GUIA ABPM CBOK, 2013). A estrutura funcional possui o enfoque muito forte em cumprir as metas estabelecidas pela organização. Na maioria das vezes, essa estrutura acaba esquecendo que várias atividades da área funcional da organização estão inseridas na parte dos processos que fazem parte da cadeia de valor da organização. Nota-se que os resultados apresentadosde cada departamento, influenciam diretamente os resultados que são obtidos pela organização. Entretanto, o enfoque funcional proporciona uma perda de conexão com o objetivo da empresa em relação ao cliente, fortalecendo o isolamento relacionado à busca do resultado departamental. Dessa maneira, as áreas realizam o seu trabalho de forma isolada e com baixa comunicação interdepartamental (ASSESPRO, 2011). Uma das maiores dificuldades que as organizações encontram em começar a aplicar a visão de processos é que geralmente as pessoas têm experiência muito forte e aprendizado empresarial parcial e fixado em um departamento e/ou áreas funcionais, ou seja, foca apenas em aprender sobre a sua área de atuação. Nota- se que desde criança, as pessoas são acostumadas a estudar separadamente Em vez de comando e controle, os gerentes do processo capacitam, orientam, defendem e apoiam os gestores funcionais e as equipes que executam o processo. 25 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 as matérias, e leva esse hábito para a vida adulta e profissional; e isso é normal. Entretanto, esse “molde” mental pode e deve ser alterado, resultando em uma mudança de paradigma. Assim, é importante que se tenha consciência de que não se deve levar em consideração que uma organização irá conseguir mudar a sua visão rapidamente, partindo de uma visão de departamentos separados para um modelo orientado por processos. Essa mudança significa que a organização irá evoluir de uma visão de processos verticais (processos departamentais) para uma visão em que processos são desenhados e executados horizontalmente (orientado por processos) (ASSESPRO, 2011). Percebe-se que o caminho para se alcançar a orientação por processos é longo e passa por um amadurecimento gradativo. O ponto inicial parte da conscientização inicial da organização e do pessoal envolvido sobre a importância de observar e realizar o acompanhamento e gerenciamento do processo. Se em um primeiro momento a organização tem seus processos verticais como o principal foco, a primeira evolução é fazer com que a organização tenha seus processos transversais reconhecidos. Um processo transversal é um processo que representa de maneira básica os principais processos de uma organização, e geralmente, são reconhecidos como processos primários. Retornado para visão organizacional, é muito importante que cada processo possua uma espécie de “dono”, o qual é responsável por realizar o acompanhamento da execução do processo, fazendo também a gestão do desempenho do mesmo e estando sempre atento para correção das possíveis falhas, e dessa maneira, dando prosseguimento ao processo. A partir desse momento, a organização apresenta uma estrutura matriarcal fraca, a qual valoriza muito as áreas e departamentos funcionais, ou seja, nesse tipo de estrutura, a parte mais importante é o gerente da área. Nesse contexto, as decisões são mais fortes na visão funcional. Em seguida, com a evolução e amadurecimento da organização na visão orientada por processos, nota-se que essa visão ainda apresenta uma fraca visão orientada ao cliente, já que valoriza muito as áreas funcionais. Por outro lado, a estrutura matriarcal forte, está relacionada com a evolução da percepção de que os processos transversais são mais importantes, já que englobam o valor ao cliente. Nesse caso, departamentos ainda existem, entretanto, perdem força e passam a servir os processos (ASSESPRO, 2011). Na visão orientada por processos, os departamentos podem evoluir para o conceito de centros de excelência. Assim, nesses centros de excelências, os profissionais com habilidades especificas ou maior grau especialização podem ser contratados, entretanto, os mesmos são alocados com a necessidade de prover suporte ao processo como um todo e no desenvolvimento da equipe de processos, de tal maneira que as habilidades necessárias para a correta execução dos processos sejam garantidas. As diferenças entre a estrutura funcional e a estrutura orientada por processos são apresentadas na figura a seguir. Um processo transversal é um processo que representa de maneira básica os principais processos de uma organização, e geralmente, são reconhecidos como processos primários. 26 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Figura 3 – Visão funcional tradicional x visão orientada por processos Fonte: Disponível em: <http://blogdobpm.blogspot.com.br/2011/03/o-tombamento-da- gestao-empresarial-por.html>. Acesso em: 24 jan. 2018. A figura anterior apresenta uma trajetória de mudança partindo da estrutura funcional tradicional até uma estrutura orientada por processos, na qual as unidades funcionais têm menor destaque. Esse esquema reforça alternativas em que os processos vão gradativamente sendo priorizados na estrutura. Na primeira imagem, não há representação formal dos processos na estrutura, e somente os departamentos ou unidades organizacionais integram. Na segunda imagem (no sentido da seta vermelha), os processos transversais passam a ser reconhecidos pela organização, que continua a ter elementos funcionais, mas reconhece em segundo plano, os processos transversais, caracterizando uma estrutura matriarcal fraca. Ela também pode ser definida como uma organização funcional, que gerencia seus processos transversais, e não necessariamente uma estrutura matriarcal. A diferença estaria em não formalizar a responsabilidade pelo processo como um todo (PAIM et al., 2009). Na terceira imagem, a estrutura continua a ser matriarcal, porém os processos estão priorizados. Isso caracteriza uma estrutura matriarcal forte, conforme citado anteriormente. No caso de conflitos, a prioridade de decisão fica com os processos. Na quarta e quinta imagens, as unidades funcionais perdem importância e são, muitas das vezes, repositórios de recursos ou unidades para desenvolvimento dos recursos. Os processos transversais passam a ser o principal eixo em torno do qual a organização constrói seu projeto organizacional. Essas duas últimas imagens são utilizadas na Gestão por Processo (GPP) (PAIM et al., 2009). Esse esquema reforça alternativas em que os processos vão gradativamente sendo priorizados na estrutura. 27 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 Geralmente, as organizações formam trajetórias relacionadas com o modelo de gestão de processos, e essas trajetórias usualmente pendulam entre os três modelos citados (gestão funcional, gestão transversal e gestão por processos). No movimento que vai da gestão pura funcional para uma gestão por processos, a seguinte trajetória pode ser proposta (PAIM et al., 2009): Figura 4 – Trajetória sentido gestão por processos Fonte: Adaptado de PAIM et al. (2009). Na gestão por processos, há alterações na estrutura organizacional e em outros elementos integrantes do projeto organizacional visando priorizar os processos como um eixo gerencial de maior importância que o eixo funcional. Há mudanças maiores do que simplesmente enfatizar os processos em oposição a hierarquia e colocar ênfase especial sobre os resultados dos clientes. Isso acaba implicando em mais do que orientar a gestão para entender os processos transversais e incluir ou alterar elementos integrantes do projeto organizacional para além da orientação por processos e para além de uma estrutura organizacional por processos (PAIM et al., 2009). Na gestão por processos, há alterações na estrutura organizacional e em outros elementos integrantes do projeto organizacional visando priorizar os processos como um eixo gerencial de maior importância que o eixo funcional. 28 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Na gestão por processos funcionais, as decisões tendem a ter mecanismos de coordenação, capacitação, reconhecimento, sistemas de informação, avaliação de desempenho, alocação de recursos financeiros, reprojeto de processos e tratamento de requisitosde clientes centrados nas unidades funcionais, ao passo que, na gestão por processos, essas decisões são orientadas prioritariamente pelos processos (PAIM et al., 2009). Além da Figura 3, o quadro a seguir pode ajudar na compreensão das diferenças entre a gestão por estrutura funcional e a gestão por estrutura orientada por processos. Quadro 3 – Principais diferenças entre gestão por função e gestão por processos Gestão por estrutura funcional Gestão por estrutura orientada por processos Visão restrita apenas à estrutura or- ganizacional. Abordagem voltada ao cliente. Nenhum departamento possui a re- sponsabilidade total por um trabalho ou processo completo. Busca gerenciar, medir e melhorar os processos organizacionais de forma global, e não apenas localizada. Muitas vezes, o departamento não compreende completamente o seu papel produção de produtos ou serviços entregues aos clientes. Gestão orientada à eficiência e eficácia, objetivos e tomadas de decisão basea- das nas necessidades dos clientes. Barreiras interdepartamentais di- ficultam a gestão do fluxo de infor- mações a otimização do trabalho. Estabelecimento de metas, indicadores de desempenho e controles através de equipes interfuncionais. Foco baseado apenas na gestão dos recursos internos. Foco na satisfação das necessidades dos clientes e nos resultados. Fonte: Cruz (2010). As tarefas que objetivam para a gestão de processos com sucesso emergem como resposta à natureza comparativa e competitiva das organizações privadas e públicas em uma constante busca por formas de aumentar a produtividade, maximizar o retorno e adquirir excelência em seus mercados. Essa natureza desdobra influências externas para as organizações, que precisam de respostas internas que podem ser dadas ou alcançadas pelo projeto ou reprojeto de processos, pelo gerenciamento do funcionamento no dia a dia, assim como pelo registro e acompanhamento sistemático do desempenho histórico dos processos. O objetivo é promover o aprendizado sobre os processos e, assim, sustentar o aprimoramento constante no desempenho da organização (PAIM et al., 2009). Percebe-se que quando se permite a criação de um ambiente em que o colaborador, pode chegar a sua empresa todos os dias sabendo que terá a 29 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 oportunidade de aprender alguma coisa nova e, quando é estimulado, a ter curiosidade em saber como as coisas funcionam, a organização adquire uma boa vantagem competitiva (FALCO; CASTANHEIRA, 2012). Nesse contexto, a mudança de orientação pode servir como uma espécie de impulso em direção ao sucesso da organização. Cultura de Processos Algumas organizações encontram dificuldades em amadurecer na gestão dos processos devido a questões exclusivamente culturais. A depender da cultura da organização implementada, os colaboradores podem ser acomodar, sentindo- se desestimulados para toda e qualquer tentativa de inovação, renovação ou revisão de processos. Muitas vezes, a cultura organizacional acaba funcionando como uma barreira, que acaba fazendo com que muitos gestores encontrem dificuldades durante a implementação da gestão de processos ou projetos de maneira eficiente (PROJECT BUILDER). O que é cultura organizacional de processos? Cultura organizacional é um conjunto de padrões de comportamento, determinadas posturas ou filosofias de trabalho que acabam dominando as rotinas da organização. Se configura como uma mentalidade impregnada no modo de agir de cada colaborador, estabelecendo modelos e direcionando o comportamento diário das equipes. No dia a dia de uma organização é muito simples observar os aspectos culturais de uma empresa. Uma jornada de trabalho flexível, possuir determinados padrões relacionados à qualidade dos projetos e/ ou processos, instituir o uso de roupas formais ou informais, apresentar níveis de controle e autonomia estruturados, estabelecer políticas de reconhecimento de resultados e de valorização dos profissionais, são apenas alguns poucos exemplos (PROJETC BUILDER). Alguns modelos culturais são apresentados no quadro a seguir. Cultura organizacional é um conjunto de padrões de comportamento, determinadas posturas ou filosofias de trabalho que acabam dominando as rotinas da organização. Se configura como uma mentalidade impregnada no modo de agir de cada colaborador, estabelecendo modelos e direcionando o comportamento diário das equipes. 30 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Quadro 4 – Alguns modelos culturais que podem ser encontrados nas organizações Cultura do poder Incide mais em pequenas organizações, principalmente pelo fato do poder permanecer canalizado em um úni- co ponto central, com poucos processos, regras e pro- cedimentos. Valorizam o colaborador e apresentam um alto índice de rotatividade na área intermediária de hi- erarquia. Cultura dos papéis Destaca-se por sua lógica e racionalidade excessiva. Nesse tipo de organização, há descrição de tarefas, definição de autoridades, lista de procedimentos para comunicação e regras para a solução de conflitos. Nes- sa cultura, a organização é vagarosa para consolidar a identificação de mudanças. Cultura da tarefa É orientada para trabalhos e projetos. A determinação de equipes multidisciplinares para resolver problemas é fomentada e valorizada, o que acaba viabilizando uma reação rápida e criativa. O clima tende a ser agradável e costuma a concentrar disputa por recursos, proporcio- nando um maior rigor de controle, através de normas rígidas e procedimentos. Cultura da pessoa Considerada rara pois está relacionada aos indivíduos e seus valores. Fonte: Adaptado de PROJETC BUILDER [s.d]. Para criar uma cultura, as pessoas precisam se inserir nos processos de uma organização de maneira uniforme e consistente. Esses processos englobam um conjunto de normas, procedimentos, padrões, ferramentas, crenças e demais aspectos do desenvolvimento humano que as pessoas empregam para uma determinada finalidade. A prática contínua faz com que a organização atinja a maturidade nos seus processos, ponto no qual, os processos são definidos, administrados, medidos, controlados e otimizados (ABPMP, 2013). Segundo ABPMP (2013), alguns indicadores de maturidade em processos são: • acordo geral sobre o que são os processos do negócio; • compreensão de como os processos de negócio interagem e afetam uns aos outros; • definição clara do valor que cada processo produz para os clientes; • documentação de como cada processo produz seus respectivos resultados; • entendimento de quais habilidades são necessárias para cada processo; • compreensão da maneira que cada processo é executado; • medição contínua do desempenho de processos; 31 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 • decisões de gerenciamento com base no conhecimento do desempenho do processo; • mudança de abordagem de gerenciamento para incorporar processos; • novos papéis para gerenciar processos em estruturas organizacionais. Transição de Estrutura Funcional Para Estrutura Orientada por Processos Antes mesmo da revolução industrial e do surgimento do paradigma fordista-taylorista, os sistemas de medidas de desempenho contábeis já eram utilizados por artesãos. No início do século XIX, os gestores das fábricas passaram a tomar decisões que se baseavam em informações sobre o custo por hora da transformação da matéria-prima em produtos totalmente finalizados, particularizadas e por departamentos e indivíduos. Dessa maneira, os gestores eram obrigados utilizar meios que fossem eficientes para acompanhar o desempenho do processo produtivo de cada funcionário, e as informações que eram obtidas, eram utilizadas como informações extras para conceder remuneração adicional aos funcionários mais produtivos e estipular metas para que os demais também tivessem sucesso (TEZZA, BORNIA e VEY, 2010). A partir dos anos 1960, como surgimento da visão voltada para a qualidade dos processos, as organizações passaram a utilizar indicadores não financeiros focados em qualidade e em outras categorias, como a velocidade e a flexibilidade, ao lado do custo, como fatores importantes para o sucesso, fazendo com que os indicadores financeiros que eram tradicionalmente utilizados, se tornassem menos importantes. Dessa maneira, iniciava-se uma ruptura e aqueles velhos e obsoletos indicadores financeiros que eram utilizados em meados dos anos 80, e assim, a visão das organizações começou a se voltar para os mais diversos tipos de abordagens teóricos, práticos, financeiros, não financeiros, estratégicos, táticos, operacionais, focados em processos e nas pessoas, e muitas outras variações (TEZZA, BORNIA e VEY, 2010). Dessa maneira, é imprescindível que uma organização tenha adotado e incorporado um sistema de acompanhamento ou de medição de desempenho, já que é extremamente necessário que a organização disponha de dados e informações que permitam gerenciar o seu presente e simular a situação futura, sempre levando em consideração as constantes mudanças que o mercado interno e externo impõe sobre a mesma. Nesse contexto, o sistema de medição de desempenho é um conjunto de medidas referentes à organização como um todo, 32 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS às suas partições (divisões, departamentos, seção etc.), aos seus processos, de forma que as suas atividades estejam organizadas em blocos bem definidos, para assim, refletir as características do desempenho de cada nível gerencial interessado (ALMEIDA, 2013). Percebe-se que o objetivo principal da utilização de um sistema de medição de desempenho é poder estabelecer com sucesso o grau de evolução ou estagnação de todos os processos envolvidos e também dos seus bens e/ou serviços, para assim, no momento adequado, a organização seja capaz de aplicar ações preventivas ou corretivas, de maneira a colocar a organização de volta no rumo certo, alcançando os objetivos traçados inicialmente. Visto isso, as medidas de desempenho podem ser utilizadas para poder conhecer: • a maneira como os processos estão sendo realizados; • se as metas estão sendo atingidas; • a satisfação dos clientes; • o controle dos processos; • em que é necessário a instalação de um processo de melhoria. Segundo Almeida (2013), o sucesso de um sistema de medição de desempenho se baseia nos seguintes princípios: • medir somente aquilo que é importante. Não medir demais. Medir coisas que dê impacto ou sejam indicadores do sucesso organizacional. Entretanto, deve ser ressaltado que medir gera custos; • equilibrar o conjunto de medidas. Procurar, no momento de definição das medidas, e considerar as perspectivas das pessoas que tomam as decisões, ou seja, questionar para as pessoas o que elas acham que deva ser medido; • oferecer uma visão, tanto vertical quanto horizontal do desempenho da organização. A visão vertical se refere à gestão dos recursos da organização e a visão horizontal, à gestão dos resultados; • envolver os funcionários no desenho e na implementação dos sistemas de medição. Proporcionar aos funcionários o senso de propriedade, o que leva a melhorar a qualidade do sistema de medição; • alinhar as medidas com os objetivos e as estratégias organizacionais. As medidas, em todos os níveis de organização, devem dar suporte à tomada de decisões e alavanca à orientação dos esforços para o alcance das metas estabelecidas. 33 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 A medição do desempenho é reconhecidamente um elemento importante na administração dos programas de qualidade por permitir orientar os esforços organizacionais e levar a conhecimentos em que, como e quando implementar as mudanças. Perceba que tanto na implementação das medidas de desempenho como na metodologia para a gestão dos processos, deve-se procurar o envolvimento dos funcionários e incentivar o levantamento de ideias, reafirmando e orientando os esforços da organização para alcançar o sucesso. A medição do desempenho organizacional não se refere apenas a uma coleta de dados associados a um objetivo em específico. As melhores medidas de desempenho são uma espécie de medida de alerta, a qual envolve, por sua vez, a prevenção e identificação, direcionando a organização para a obtenção da melhor adequação ao uso dos produtos e/ou serviços e da satisfação dos clientes. A medição do desempenho nada mais é que uma gestão dos resultados, procurando eliminar as variações dos processos, produtos ou serviços (ALMEIDA, 2013). Seus atributos principais, segundo o autor são: • refletir tanto as necessidades dos clientes quanto as necessidades da organização; • fornecer uma base adequada para a tomada de decisões; • ser compreensíveis; • ter uma ampla aplicação; • ser interpretados uniformemente; • ser compatíveis (mensuráveis) com os sensores existentes; • ser precisos na interpretação de dados; • ser economicamente aplicáveis. Para a medição do desempenho, as organizações podem utilizar os indicadores de desempenho organizacional, as quais se configuram como ferramentas básicas utilizadas para dar suporte a gestão dos processos organizacionais. Com esses indicadores, as organizações são capazes de medir efetivamente os processos organizacionais, apontando os possíveis desvios no planejamento realizado inicialmente. Esses indicadores são essenciais para o controle e gestão dos processos organizacionais, possibilitando o estabelecimento de metas e o seu desdobramento, pois os resultados são de fundamental importância para toda organização, para a tomada de decisões e para o novo ciclo de planejamento. Os indicadores podem ser classificados de acordo com a figura a seguir. As melhores medidas de desempenho são uma espécie de medida de alerta, a qual envolve, por sua vez, a prevenção e identificação, direcionando a organização para a obtenção da melhor adequação ao uso dos produtos e/ ou serviços e da satisfação dos clientes. 34 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Figura 5 – Classificação dos indicadores de desempenho Fonte: O autor. Em que: Quadro 5 – Classificação dos indicadores de desempenho e suas definições Fonte: O autor. Indicadores estratégicos Informam o quanto que a organização se encon- tra na direção da conquista de sua visão. Refletem o desempenho com relação aos fa- tores críticos para o êxito organizacional. Indicadores de produtividade Medem a proporção de recursos consumidos com relação às saídas dos processos. Devem andar juntos com os indicadores de qualidade. Indicadores de qualidade Focam as medidas de satisfação dos clientes e as características do produto ou serviço. Medem se o produto ou serviço é percebido pe- los usuários do processo e a capacidade do pro- cesso em atender os requisitos desses usuários. Indicadores de capacidade Medem a capacidade de resposta de um pro- cesso através da relação entre saídas produzi- das por unidade de tempo. 35 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 Quais os benefícios de utilizar as medidas de desempenho na adoção da visão orientada por processos? Os benefícios da utilização das medidas de desempenho são várias, dentre as quais podem ser citadas: • observar mais claramente se as necessidades dos clientes estão sendo atendidas; • melhorar a compreensão de todos os processos organizacionais; • garantir que as decisões da organização sejam tomadas por meio dos fatos; • indicar os pontos que devem receber atenção e melhorias; • mostrar claramente se as melhorias estão realmente acontecendo; • revelar os problemas encobertos; • observar se os fornecedores e/ou patrocinadores estão satisfeitos plenamente; • ver se a visão orientada por processos foi realmente implementada. Nesse contexto, a estrutura orientada por funções (estrutura funcional) representa um agrupamento de executores especializadospara realizar tarefas relacionadas a um determinado recurso, conhecimento ou habilidade. Essas estruturas funcionais verticais tradicionais apresentam vários problemas, entretanto, houve um momento em que essa estrutura funcionava bem, pois era assim que o mercado funcionava. O foco do cliente não era relevante e as organizações ditavam o que o consumidor necessitava. Conforme citado anteriormente, cada colaborador era especializado em fazer apenas o trabalho de sua área funcional específica (ABPMP, 2013). O surgimento dos sistemas Entreprise Resource Planning (ERP), foi o que impulsionou as organizações a buscarem a orientação por processos. As transformações que foram impostas com o advento do ERP, tiveram sucesso justamente por levar em consideração a visão voltada por processos e não na tecnologia, dessa maneira, as organizações que adotaram essa visão começaram a ter uma maior taxa de sucesso que as organizações come estruturas funcionais. O ERP se configurou como um ponto de ruptura que forçou as integrações entre funções tradicionais de negócio colocando em evidencia uma maior necessidade das organizações se voltassem para a orientação por processos. A estrutura orientada por funções (estrutura funcional) representa um agrupamento de executores especializados para realizar tarefas relacionadas a um determinado recurso, conhecimento ou habilidade. 36 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Matriz de Desempenho A matriz de desempenho reflete o conceito de uma abordagem integrada para que ocorra a melhoria do desempenho do processo. Aqui, o principal é a ênfase em uma abordagem integrada e a interação dinâmica entre os demais níveis e as variáveis da matriz. As organizações que colocam em prática o conceito da matriz de desempenho são aquelas que realmente fizeram uma transição significativa rumo a organização orientada por processos (ABPMP, 2013). O quadro a seguir apresenta a visão de uma organização que adotou a visão orientada por processos. Quadro 6 – Matriz de desempenho Nível Objetivos e medições Desenho e im-plementação Gerencia- mento Corporativo. Objetivos e medições da organi-zação para o sucesso corporativo. Corporativo. Corporativo. Processo. Objetivos e medições de proces-so para o sucesso do processo. Desenho e implementação de processo. De processo. Trabalho ou executor do trabalho. Objetivos e medições de suces- so do trabalho ou executor. Desenho e implementação de trabalho. Do trabalho ou executor. Fonte: Adaptado de ABPMP (2013). Na avaliação do desempenho de uma organização, a mesma deve escolher quais serão os fatores críticos que serão empregados como parâmetros para a realização da comparação e adequação do sistema. Após a definição desses fatores, a organização estará pronta para comparar os resultados obtidos por ela, com um padrão pré-estabelecido. Caso algum resultado não esteja satisfatório, a organização deve impor ações corretivas para solucionar de vez os problemas encontrados. A matriz de desempenho é construída com base na inter-relação entre os ambientes interno e externo, focando na questão dos custos, evidenciando as vacâncias de desempenho e clarificando as prioridades do negócio (TEZZA, BORNIA e VEY, 2010). 37 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 Atividades de Estudos: 1) O que significa visão orientada por processos? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 2) Qual a definição de processos de gestão? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 3) O que é ciclo de vida de BPM? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 4) Qual a definição de cultura de processos? Cite alguns modelos culturais geralmente encontrados em uma organização. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 5) Qual a classificação dos indicadores de desempenho? Explique resumidamente cada um deles. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 38 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS 6) Disserte brevemente sobre a matriz de desempenho. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ ____________________________________________________ Algumas Considerações Este capítulo teve como objetivo principal apresentar uma revisão bibliográfica detalhada, expondo e explicando em detalhes os principais conceitos envolvidos na gestão dos processos. O modulo é iniciado com uma introdução que busca fazer com que o aluno entenda o porquê de melhorar os processos dentro de uma organização, apresentando as diferenças entre a visão departamental e a visão por processos. Em seguida, o leitor é apresentado ao conceito de ciclos de vida de BPM e a alguns modelos principais de ciclos de vida. Esses ciclos de vida, simplificadamente, são uma espécie de “receita” contendo uma lista de ações cíclicas que vão se repetindo nas fases seguintes. Vários modelos de ciclo de vida foram apresentados, os quais podem ser aplicados para alcançar o sucesso na gestão de uma organização, entretanto, ressalta-se que esses modelos apresentados não correspondem ao que é realmente encontrado em uma organização. Em seguida, o leitor é apresentado ao conceito de cultura de processos e ao conceito de matriz de desempenho. A cultura de processos é o conjunto de ações, padrões e comportamentos que dominam os pensamentos e tomada de decisão, dentro do ambiente organizacional. É muito importante que essa cultura seja uniforme e consistente, para que dessa maneira a organização possa atingir a maturidade nos seus processos. A maturidade de uma organização pode ser utilizada como um meio de avaliação e comparação para melhoria, de modo a gerar informações para incremento de capacidade e competência de uma específica área dentro de uma organização, ou seja, é uma ferramenta que pode ajudar a organização a ser melhor sucedida em sua área. Por fim, chegamos na matriz de desempenho, a qual é uma maneira da organização acompanhar a realização e o sucesso de seus processos, através da utilização alguns parâmetros. Embora tudo o que foi apresentado no decorrer desse modulo foi apresentado com um bom nível de detalhe, perceba que mesmo assim há uma necessidade de o leitor buscar mais formas para explorar a literatura disponível e ampliar os seus conhecimentos sobre o assunto. 39 Introdução à Gestão de Processos Capítulo 1 Referências ABPMP – Association of Business Process Management Professionals. Guia para o gerenciamento de processos de negócio corpo comum de conhecimento. v. 3, 1. ed. Brasil, 2013. ALMEIDA, M. Sistemas de medição de desempenho. [s.d.]. Disponível em:<http://marcioqualy.blogspot.com.br/2013/06/sistemas-de-medicao-de- desempenho.html>.Acesso em: 15 jul. 2017. ARAUJO, K. F. N. As boas práticas do gerenciamento dos processos de uma cadeia produtiva. 2011. Disponível em: <http://www.administradores.com. br/artigos/negocios/as-boas-praticas-do-gerenciamento-dos-processos-de-uma- cadeia-produtiva/57169/>. Acesso em: 14 jul. 2017. ASSESPRO. Organização de empresas orientada por processos. 2011. Disponível em: <http://assespro.org.br/na-midia/noticias-regionais/2011-10-14- organizacao-de-empresas-orientada-por-processos/>. Acesso em: 14 jul. 2017. BALDAM, R. L., et al. Gerenciamento de processos de negócios: BPM – Business Process Management. 2. ed. São Paulo: Érica, 2014. CRUZ, T. BPM & BPMS. Business process management & business process management Systems. 2. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2010. FALCO, A.; CASTANHEIRA, R. O processo de gestão de pessoas em empresas de comunicação. Revista Comunicação & Mercado, v. 1, n. 1, 2012. p. 21-35. JESTON, J.; NELIS, J. Business process management: practical guidelines to successful implementations. 2. ed. Estados Unidos: Elservier Publishing Company, 2008. MPF. Secretaria Jurídica e de Documentação Escritório de Processos Organizacionais do MPF. Manual de gestão por processos. Brasília: Copyright, 2013. PAIM, R.; CARDOSO, V.; CAULLIRAUX, H.; CLEMENTE, R. Gestão de processos: pensar agir e aprender. Porto Alegre: Bookman, 2009. PRADELLA, S.; FURTADO, J. C.; KIPPER, L. M. Gestão de processos: da teoria à prática: Aplicando a metodologia de simulação para a otimização do redesenho de processos. São Paulo: Atlas, 2012. 40 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS PROJECT BUILDER. A cultura organizacional e o gerenciamento de projetos: qual a relação? 2017. Disponível em: <http://www.projectbuilder.com.br/blog- home/entry/blog-gestao-de-projetos/a-cultura-organizacional-e-o-gerenciamento- de-projetos-qual-a-relacao>. Acesso em: 15 jul. 2017. TEZZA, R.; BORNIA, A. C.; VEY, I. H. Sistemas de medição de desempenho: uma revisão e classificação da literatura. 2010. p. 75-93. CAPÍTULO 2 Papéis na Orientação por Processos A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Compreender os papeis e funções dos responsáveis pela instância do processo; � Entender os organismos de governança para poder definir ações a serem tomadas; � Controlar e implementar mudanças em um processo. � Identificar os donos do processo e detalhar as suas funções. 42 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS 43 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 Contextualização Organizações orientadas por processos nos diversos estágios de desenvolvimento incluem indivíduos que realizam ou dão suporte à execução e transformação de processos, dentre os quais se destacam os seguintes papéis: Dono de processos; Gerente; Analista; Designer; Arquiteto de processos entre outros. Para ter sucesso, a organização precisa ter esses papéis bem definidos. Mas apenas rotular não basta, é fundamental entender por que esses papéis e responsabilidades existem e por que são importantes. Assim como, o entendimento de que um único indivíduo pode realizar vários papéis, isso irá variar conforme o tamanho da organização e a extensão de seus processos. O tamanho da organização e a dimensão dos seus processos irá definir a quantidade de papéis e organismos de governança necessários para a orientação de processos. Conhecendo os Principais Papéis Para a implantação de um sistema de gestão por processos de negócios é necessário que a organização possua uma estrutura mínima para que ocorra a execução do processo de gestão de maneira satisfatória. Entretanto, vale frisar que, ainda que essa estrutura possa, em certos casos, ser informal, um reconhecimento formal de que as pessoas possuem papéis bem definidos e constantes facilita a continuidade e permite melhor acompanhamento das metas. É também necessária uma infraestrutura composta por computadores, ambiente de publicação dos resultados e espaço físico para reuniões (BALDAM et al., 2014). A composição de um BPM varia conforme a política da organização. É muito comum, a gestão dos processos ser considerada uma atividade de suporte, cruzando a cadeia de valor da organização, associada às atividades correlacionadas com o desenvolvimento organizacional (BALDAM et al., 2014). A cadeia de valor, nesse contexto, representa o conjunto de atividades que são desempenhadas por uma organização, englobando desde as relações com os fornecedores e ciclos produtivos, até a fase de distribuição final. Algumas das atividades são realizadas de maneira pontual (por exemplo, modelagem e otimização de processos específicos). Dessa maneira, parte da equipe que está envolvida numa organização matricial se caracteriza por uma rede de interações entre as equipes de projeto e os elementos tradicionais. 44 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Assim, no estudo de um determinado processo, haverá pessoas de diversos departamentos ou setores. Por conseguinte, a equipe deve possuir competências para atuar segundo essa abordagem (BALDAM et al., 2014). Para a realização de um BPM com sucesso, Baldam et al. (2014) sugerem três equipes, com os papéis funcionais que se seguem: a) Equipe de BPM Equipe permanente na estrutura organizacional, a qual ficará responsável por coordenar as diversas ações de BPM na empresa. A equipe de BPM é composta basicamente por: • gerente de BPM: é chamado na literatura, em inglês, de Chief of Process Office (CPO), é o cargo mais alto na organização durante o BPM. Pode ser também um diretor, superintendente ou outro, a depender da estrutura e porte da empresa; • líderes de processo: atuam em desenhos e redesenhos de processos, modelagem, atividades de formatação, cadastro e controle de revisões de padrões no sistema de gerenciamento de documentos e execução do autodiagnóstico de conformidade de processos. Podem fazer parte, ou não, da equipe de BPM; • auditor de processos: tem a função principal de verificar se o processo modelado corresponde ao que está sendo executado, verificar registros, desvios de documentação etc., ou seja, garantir o alinhamento do processo à gestão e vice-versa. A experiência que a empresa porventura possua em uma auditoria interna, de programas de ISO 9000 (gestão da qualidade em organizações), pode ser muito útil nessa atividade. b) Equipe do processo É uma equipe temporária e multidisciplinar, em estrutura matricial, que possui o propósito de atuação específica em um dado processo. Uma vez que o processo é implantado e está funcionando perfeitamente, a operação dele é repassada aos usuários finais, controladores etc. Essa equipe inclui: • dono do processo: é a pessoa responsável pelo alinhamento do processo às diretrizes estratégicas da organização, estabelecendo metas e resultados esperados e analisando os riscos envolvidos. Deve ser necessariamente um membro da alta direção; • gestor do processo: é responsável pela implementação e melhoria contínua do processo, desdobrando as metas em itens de controles e definindo ações de melhoria; 45 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 • líder do processo: é escalado a partir da equipe de BPM para auxiliar nos trabalhos específicos do processo em análise; • gerentes de departamento: principais contatos no site, responsáveis pelo sucesso do projeto, coordenam recursos da empresa, comunicam progresso do projeto ao dono do processo; • especialistas no tema: é responsável por fornecer conhecimento e know how sobre o tema, apresenta perspectiva do usuário final para o novo sistema e processo, fornece percepções de novas maneiras de atingir eficiência e eficácia operacional; • equipe de tecnologia da informação: responsável por fornecer informações sobre infraestrutura disponível para a solução de processos em andamento e sobre ajustes necessários para as novas soluções sugeridas. c) Equipes decontrole e avaliação: Embora não façam parte da estrutura formal da organização (podendo também ser externas à organização), são muito úteis como consultoria, para comparar, avaliar e homologar resultados dos processos em execução, modelagem (As Is e To Be) etc. Para que um processo tenha sucesso em uma organização, é necessário que os papéis e responsabilidades necessárias para realizar as atividades envolvidas no processo estejam claramente definidos. Nesse contexto, um papel se configura como um conjunto de responsabilidades, atividades ou autorizações concedidas a uma pessoa ou grupo de pessoas. Além disso, um papel é definido em um processo ou uma função. Assim, uma pessoa ou equipe pode ter vários papéis, conforme apresentado na figura a seguir. Um papel se configura como um conjunto de responsabilidades, atividades ou autorizações concedidas a uma pessoa ou grupo de pessoas. Figura 6 – Relação entre papéis e pessoas Fonte: Disponível em: <https://gustavocanaver.wordpress.com/2014/04/15/itil_11/>. Acesso em: 15 ago. 2017. 46 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Donos do Processo Todo processo organizacional precisa ter um “dono”, ou seja, aquela pessoa que será responsável por cuidar do ciclo de vida do processo e seus resultados, e isso é um fator crítico para que a organização tenha sucesso em sua gestão. O dono do processo é a pessoa que tem a responsabilidade pelo resultado e desempenho do mesmo; tem autoridade e habilidades para fazer as melhorias necessárias, no momento em que for necessário (SANTOS, 2012). Além de poder ser uma pessoa ou até mesmo grupo de pessoas com responsabilidade e a prestação de contas pelo desenho, desempenho, execução de um ou mais processos de negócios. O dono do processo desenvolve um papel central durante a implementação de um BPM, possuindo a responsabilidade central sobre os processos organizacionais de ponta a ponta. Isso significa dizer que o dono do processo é responsável, em última instância, por assegurar que o processo atenda às expectativas de desempenho estabelecidas previamente (eficácia e eficiência), satisfazendo plenamente os clientes (GUIA ABPM CBOK, 2013). As organizações podem chamar os donos do processo de diversas maneiras, e assim como o título, a essência do papel também pode variar. Geralmente, os donos do processo são indivíduos em nível executivo, com responsabilidades que cruzam silos verticais. Além disso, podem ter responsabilidade direta ou indireta sobre as estratégias organizacional, recursos e orçamentos. Outra coisa que pode variar é o escopo de responsabilidade. Os donos dos processos focam os processos dos negócios ponta a ponta em que irão entregar valor diretamente para os clientes e também àqueles que proveem suporte ou gerenciam esses processos para que a entrega de valor ao cliente realmente aconteça (GUIA ABPM CBOK, 2013). O dono do processo é a pessoa que tem a responsabilidade pelo resultado e desempenho do mesmo; tem autoridade e habilidades para fazer as melhorias necessárias, no momento em que for necessário Quais são as responsabilidades dos donos do processo? Segundo Santos (2012), os donos do processo possuem as seguintes responsabilidades: 47 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 a) prestar contas pelo resultado e desempenho do processo, de maneira a garantir a eficiência e eficácia dos processos; b) tomar decisão em relação às seguintes atividades: • fazer aprovação e validação: é responsável por aprovar e validar o processo. Atividades essas que podem ser feitas em colaboração com as demais partes interessadas; • alinhar os resultados dos processos com os objetivos organizacionais: o dono do processo deve garantir que o objetivo do processo esteja alinhado em harmonia com os objetivos da organização; • definir objetivos, metas e indicadores: cabe ao dono do processo a definição de metas e indicadores para aferir o desempenho e resultados dos processos. Esta atividade pode ser realizada em comum acordo com as demais partes interessadas; • mitigar riscos: deve ser capaz de propor ações para mitigar os riscos dos processos. Esta atividade pode ser realizada em colaboração com as demais partes interessadas, juntamente com o pessoal da gestão de risco; • gerenciar as capacidades: o dono do processo deve requerer, e em algumas situações exigir que as capacidades necessárias para a execução das atividades do processo estejam disponíveis. Sem essas capacidades é impossível que o dono possa garantir o resultado do processo; • melhorar o processo: o dono do processo deve garantir que as melhorias dos processos sejam facilmente identificadas e implementadas. Esta atividade poderá ser feita em colaboração com as demais partes interessadas e em conjunto com a equipe de melhoria contínua. Quem pode ser o dono (ou donos) do processo? Tecnicamente, qualquer pessoa capacitada pode ser nomeada como dono do processo. Entretanto, existe uma lista de pré-requisitos que a pessoa deve possuir para ser um bom dono do processo. Além disso, também pode haver donos de subprocessos preocupados com os subsequentes de um processo de negócio de ponta a ponta. Geralmente, esses requisitos são (SANTOS, 2012): 48 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS • ter conhecimento pleno sobre o projeto (desde a entrada até a saída); • conhecer bem os negócios organizacionais; • possuir uma visão sistêmica (visão total da organização e não apenas do processo do qual é dono); • ter autoridade sobre os executantes das atividades do processo; • ter “peso”, ou seja, influência direta sobre as decisões organizacionais e sobre as demais partes interessadas no processo; • ter boa capacidade de negociação, pois é muito importante que o dono do processo consiga negociar bem com os clientes e fornecedores atrelados ao sistema; • ter bom relacionamento interpessoal; • possuir boa capacidade de comunicação; • possuir grande capacidade para resolução de problemas que possam surgir, sejam ele fáceis ou complicados. Percebe-se que o dono do processo possui muita responsabilidade, pois ele deve estar atento a todo momento sobre como está o andamento do processo, para então poder tomar as possíveis ações gerenciais e/ou corretivas. Entretanto, como o dono do processo não é um chefe das pessoas que atuam ou que são interessados no processo, o mesmo não pode usar o poder ou mandar, dessa maneira, o dono do processo deverá negociar e exercer influência para atingir os seus objetivos. O modelo de gestão adotado não poderá ser baseado no comando: precisa de negociação e liderança (SANTOS, 2012). O papel do dono do processo também envolve outros deveres, tais como: patrocinar esforços de transformação, integrar resultados de processos com o de outros donos de processos, defender prioridades nos processos ou de processos e comparar desempenho dos processos. Além disso, os donos dos processos também podem desempenhar outros papéis na organização. Seja qual for o título, autoridade ou escopo, os donos dos processos compartilham uma responsabilidade única de prestação de contas pelos processos de negócio (GUIA ABPM CBOK, 2013). Ainda segundo o Guia ABPM CBOK (2013), para cumprir com as suas responsabilidades, os donos de processos tipicamente: • envolvem as partes interessadas para definir o contexto de processos de negócios e assegurar o alinhamento com os objetivos estratégicos; • envolvem partes interessadas e especialistas de maneira a assegurar que o desenho de processos de negócio atenda às expectativas definidas no contexto organizacional; • atuam como instância máxima para questões relacionadas ao processo; O modelo de gestão adotado não poderá ser baseado no comando: precisa de negociação e liderança 49 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 • asseguram a compreensão de como as pessoas e os sistemas estão envolvidos para proversuporte à execução do processo; • executam papel de parte interessada ativa em iniciativas de negócio e tecnologia que impactam o processo; • facilitam a adoção de processos de negócio; • colaboram com os donos de outros processos para assegurar alinhamento; • patrocinam iniciativas de transformação de processos. Os donos de processos podem compartilhar a alçada de decisão sobre o desenho de processos com os gestores funcionais e suas equipes, onde serão os responsáveis finais pela integridade geral do desenho do processo. Além disso, os donos de processos irão prestar contas sobre o gerenciamento do desempenho dos processos, mas não necessariamente serão as pessoas que realizarão o trabalho (GUIA ABPM CBOK, 2013). A figura a seguir apresenta qual o envolvimento dos donos de processos nos processos organizacionais. Figura 7 – Donos do processo Fonte: Disponível em: <https://gustavocanaver.wordpress.com/2014/04/15/itil_11/>. Acesso em: 15 ago. 2017. Nesse contexto, prestar contas significa desenvolver uma estratégia para o processo, estabelecendo metas e objetivos de desempenho. Os donos de processos devem ser capazes de assegurar que recursos e habilidades estejam disponíveis, medir e comunicar o desempenho real dos processos, patrocinar e validar esforços de transformação de processos e definir incentivos que assegurem que os processos continuem a agregar valor à organização (GUIA ABPM CBOK, 2013). 50 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Responsáveis Pela Instância do Processo Neste cenário dos papéis das pessoas na gestão por processos organizacionais, surge um novo conceito, chamado de responsáveis pela instância do processo. Esse conceito é diferente de dono do processo. Enquanto o dono do processo é aquela pessoa (ou grupo de pessoas) que é responsável pelos resultados e desempenho do processo como um todo, possuindo habilidades específicas, responsável pela instância do processo é aquela pessoa que tem responsabilidade apenas por um ciclo do processo, que nesse caso é chamado de instância. A pessoa responsável pela instância do processo será responsável por cuidar de ponta a ponta de cada atendimento de cliente e integra várias funções para atender os pedidos, desde o momento em que o cliente entra na fila até o momento em que o cliente sai com o pedido entregue. Nesse contexto, é muito comum encontrar nas organizações várias pessoas exercendo o trabalho de responsáveis pela instância do processo, as quais irão realizar o seu trabalho simultaneamente, de maneira a atender todos os clientes. Assim, cada cliente que entra na fila da organização para receber determinado produto, caracteriza-se como uma instância de atendimento. Ao final do dia, o indivíduo nesse papel foi responsável por várias instâncias no processo como um todo. Responsável pela instância do processo é aquela pessoa que tem responsabilidade apenas por um ciclo do processo, que nesse caso é chamado de instância. Gerente, Analista, Designer e Arquiteto de Processos A tecnologia é um fator vital para auxiliar as organizações na obtenção de competitividade, em um mercado que muda constantemente, com um consumidor cada vez mais exigente e orientado para informações e conhecimentos. Além disso, a ideia de criar um relacionamento com o cliente ao longo do tempo não é resultado deste desenvolvimento tecnológico. Na verdade, a tecnologia apenas tem mudado o método de como estabelecer esse relacionamento. A atuação das pessoas com as diversas funções que podem assumir é importante neste contexto, uma vez que elas vão estabelecer um contato direto com o cliente, podendo perceber direcionamentos e atender às suas necessidades (XAVIER; DORNELAS, 2006). A seguir serão apresentados e detalhados os principais papéis em uma instância do processo. 51 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 a) Gerente de processos Uma das mudanças mais significativas em relação à estrutura organizacional orientada ao cliente foi o aumento da ênfase no gerente da organização e o estabelecimento de gerentes por segmento de clientes dentro da organização dos processos e das vendas. Nesse contexto, o gerente de processos é definido como uma designação de uma pessoa especial responsável pelo desempenho das atividades dirigidas para os clientes da organização. Além disso, o gerente organizacional é responsável pelo desenvolvimento de diferentes habilidades, atitudes, expectativas e percepções. Muitas organizações, no intuito de desenvolver e aprimorar a relação com os clientes mais próximos e com os melhores clientes, vislumbraram na institucionalização do gerente de processos uma maneira de atingir os seus objetivos mais rapidamente (XAVIER; DORNELAS, 2006). O estilo decisório destes gerentes, aquilo que lhes dá mais categoria ou visibilidade no cenário externo a organização, é justamente a capacidade cognitiva e o modo de pensar. Nesse contexto, os gerentes organizacionais devem explorar a proatividade no comportamento organizacional, identificando as diferenças entre pessoas e em que grau suas ações influenciam o ambiente, quanto à iniciativa, identificação de oportunidades e tomada de decisão. Assim, a disposição para a proatividade é uma tendência para iniciar e manter ações que alteram o ambiente organizacional (XAVIER; DORNELAS, 2006), sendo uma característica muito importante em um gerente de processos organizacionais. Perceba que neste cenário, proatividade significa o comportamento de antecipação e de responsabilização pelas próprias escolhas e ações durante as situações impostas pelo ambiente organizacional. Segundo o Guia ABPM CBOK (2013), em organizações mais maduras, um dono de processos tem subordinado a si um gerente de processos com atribuições de apoio no dia a dia. Assim, gerente de processos é definido como: “Gerente de processos coordena e gerencia o desempenho dos processos no dia a dia e lidera iniciativas de transformação de processos”. Segundo o Manual de Gestão por Processos (2013), gerente de processo é a pessoa responsável pelo gerenciamento das atividades do processo de trabalho e suas atribuições são: • coordenar, organizar e acompanhar a execução de atividades do processo de trabalho ao dirigente da unidade para a tomada de decisão; • fornecer informações detalhadas do processo de trabalho ao dirigente da unidade para a tomada de decisão; O gerente de processos é definido como uma designação de uma pessoa especial responsável pelo desempenho das atividades dirigidas para os clientes da organização. Além disso, o gerente organizacional é responsável pelo desenvolvimento de diferentes habilidades, atitudes, expectativas e percepções. 52 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS • participar de projetos de melhoria de processos, quando for necessário; • propor melhorias do processo de trabalho, quando não houver projeto em andamento. Transcendendo, segundo o Guia ABPM CBOK (2013), são atribuições do gerente de processos: • apoia os gestores funcionais a trabalharem juntos, de maneira a governar a operação do processo; • controla, prioriza e acompanha as necessidades do processo; • apura e reporta dados de desempenho do processo; • provê suporte ao dono de processos no gerenciamento do desempenho de processos; • propõe curso de ação corretiva se o desempenho de processos não é atingido; • escala instâncias para problemas de desempenho que exigem atenção; • lidera equipe para avaliar, priorizar e implementar requisições de mudanças de processos; • lidera iniciativas de transformação de processos. O gerente de processos é responsável pelo monitoramento, controle e eficácia global de um ou mais processos, a depender do seu tamanho e grau de complexidade. É complementar ao gerenciamento funcional e reporta ao dono dos processos, a função do gerente de processos possui independência de preocupações funcionais das operações de negócios. Deveter autoridade para trabalhar com os mais diversos e exigentes gerentes funcionais, e no momento em que a colaboração for interrompida, deve ter acesso a níveis superiores para arbitragem (GUIA ABPM CBOK, 2013). Além disso, o gerente de processos irá atuar no nível tático, medir o desempenho do processo no dia a dia e auxiliar os gestores funcionais a trabalharem e se relacionarem com outros gestores funcionais a fim de promover uma colaboração e contribuir com o processo e seus resultados. É uma função de medição e resolução de problemas que envolve a criação e coordenação de comitês compostos por gestores funcionais que irão executar o trabalho do processo como um todo (GUIA ABPM CBOK, 2013). Segundo Marcondes (2017), a função de gerente requer pelo menos três habilidades básicas: técnica, humana e conceitual. • Habilidade técnica: é a capacidade de aplicar conhecimentos, técnicas, métodos e equipamentos necessários para a execução de tarefas específicas. É adquirida através da experiência, da educação e do treinamento. É importante que o gerente conheça todas as técnicas (ainda que superficialmente) que a 53 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 sua equipe utiliza, para que tenha noção de prazos, riscos e impedimentos. Um gerente sem habilidade técnica fica refém da opinião da equipe e se torna facilmente manipulável por ela. • Habilidade humana: é a capacidade e o discernimento para trabalhar com e por meio de pessoas, incluindo a capacidade de liderança. Um gerente deve conhecer as pessoas, tanto em termos das habilidades técnicas de cada um individualmente, mas também suas personalidades e como interagir com elas. Um bom gerente deve ter conhecimentos sobre técnicas de gestão de pessoas e de liderança. A liderança, por sua vez, irá aparecer sempre que alguém procurar influenciar o comportamento de um indivíduo ou de um grupo, qualquer que seja a finalidade. • Habilidade conceitual: é a capacidade de compreender a complexidade da organização e onde cada área específica se enquadra. A capacidade de interpretar e de agir de acordo com o planejamento estratégico da organização. Além disso, a habilidade conceitual envolve ainda a capacidade de transmitir as aspirações e objetivos da organização para a equipe que administra a organização. b) Analista de processos O analista de processos é aquela pessoa responsável por liderar as iniciativas operacionais da transformação dos processos, conduzindo os trabalhos de descoberta e de definição dos novos processos, além de guiar a realização de treinamentos internos em sua unidade, em processos bem definidos. O mesmo deve possuir uma grande habilidade em coordenação, documentação e entendimento de desenho de processos. Além disso, deve realizar análises e avaliações dos processos atuais da organização, podendo identificar as oportunidades para a implantação de melhorias e fazendo recomendações sobre possíveis modificações, se for necessário. O seu trabalho geralmente é referenciado como projetista de processos, devido as suas características analíticas e habilidades criativas para a proposição de soluções. Mais adiante, o seu trabalho deve ser norteado por padrões e melhores práticas corporativas, as quais, por sua vez, devem ser elaboradas pelo gerente do processo (GUIA DE GESTÃO POR PROCESSOS, 2014). Segundo o Guia ABPM CBOK (2013), um analista de processos, tipicamente, possui uma grande habilidade em documentação de processos e padrões de desempenho. Os mesmos criam modelo do estado atual (AS-IS), O analista de processos é aquela pessoa responsável por liderar as iniciativas operacionais da transformação dos processos, conduzindo os trabalhos de descoberta e de definição dos novos processos, além de guiar a realização de treinamentos internos em sua unidade, em processos bem definidos. 54 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS realizam análise e avaliação de processos, sugerindo melhorias de processos e alternativas de desenho, fazendo recomendações de transformação. As conclusões obtidas fornecem ideias de integração, desenho e estruturação de processo. Muitas organizações costumam combinar o papel do analista do processo com o de designer de processos, visando a economia, e, assim, o mesmo indivíduo realiza as duas atividades. A depender da estratégia da organização, o analista de processos pode ter responsabilidades durante todas as fases do ciclo de vida dos processos do negócio ou se especializar em um ou mais aspectos importantes da disciplina. Visto isso, as responsabilidades de um analista de processos são: • modelagem dos processos da organização; • colaboração com o dono do processo e com o gerente do processo para diagnosticar problemas, propondo soluções; • realizar análises conforme a solicitação do dono do processo ou gerente do processo; • participa da equipe que avalia e prioriza solicitações de mudança de processo; • participa das equipes de implementação da mudança. O analista de processo pode ser um profissional muito reconhecido, entretanto, esse reconhecimento só virá se o profissional demonstrar o conhecimento e a habilidade técnica para desempenhar algumas atividades sem as quais a gestão por processos ficaria prejudicada (VENKI, 2015). Ainda segundo Venki (2015), as 15 competências essenciais ao analista de processos são: 1) criação de indicadores de desempenho; 2) possuir grande conhecimento sobre a gestão por processos; 3) análise e diagnósticos dos processos; 4) modelagem de processos; 5) técnicas de melhoria de processos; 6) arquitetura organizacional orientada por processos; 7) automação de atividades com BPMS; 8) melhoria de processos com o foco no cliente; 9) conhecimento de metodologias práticas para implantação do BPM; 10) técnicas avançadas de medição de valor; 11) formação em gestor de processos; 12) implantação de escritório de processos; 13) conhecimentos avançados em BPM CBOK; 14) impacto de BPM em pequenas e médias empresas; 15) empreendedorismo e BPM. 55 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 Perceba que dentro de um contexto do trabalho cotidiano de uma determinada organização, um analista de processos exerce um papel de “analista de mudança”. Dessa maneira, o analista de processos deve estar sempre pronto para ouvir e entender os motivos que levam todas as pessoas envolvidas no processo a pensar e agir de uma determinada maneira. São indivíduos responsáveis por implementar qualquer melhoria no processo, conforme a necessidade ou até mesmo visando maximizar os benefícios aos clientes. Se não houver o analista de processos na organização, todas as possíveis alterações nos processos ficarão arquivadas e simplesmente nunca irão acontecer. Para acabar com esse cenário, o analista deve ter a capacidade de entender a raiz dos problemas, para assim, tentar resolvê-los ou diminui-los (NEPOMUCENO, 2015). Para o analista, o primeiro passo é mostrar para os integrantes do processo que o mesmo está lá para ajudar e diminuir os problemas encontrados por todos durante o processo, no dia a dia organizacional. Quando houver uma reunião, todos os participantes devem se sentir confortáveis e envolvidos por um sentimento de empatia. Além disso, o analista deve deixar extremamente claro quais resultados almeja atingir e por quais meios vai consegui-los, não devendo entrar em uma reunião sem uma pauta que esclareça todas as situações, deixando clara a metodologia a ser empregada e o escopo da reunião. Durante a reunião, é muito importante que o analista saiba proporcionar momentos de descontração, pois assim a reunião fica menos cansativa. Outro ponto muito importante é que o analista nunca deve deixar de ressaltar e apresentar todas as melhorias já alcançadas, mesmo que sejam poucas, analisando os processos constantemente e enfatizando as melhorias alcançadas, tratando problemas e as dificuldades encontradas pelo caminho.Por fim, talvez o mais importante, o analista deve ouvir atentamente a tudo o que é discutido na reunião, para tentar formar uma imagem geral do cenário em que o ator do processo está inserido e jamais se “contaminar” com o pessimismo dos funcionários ou descrença de melhoria (NEPOMUCENO, 2015). Perceba que dentro de um contexto do trabalho cotidiano de uma determinada organização, um analista de processos exerce um papel de “analista de mudança”. E quanto à modelagem dos processos? Mesmo que qualquer pessoa na organização esteja encarregada de mapear o processo de acordo com a sua situação atual (AS-IS) da melhor maneira e forma mais completa possível, por mais extraordinário que pareça, no momento de realizar um repasse geral com o gerente do processo e todos os envolvidos, 56 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS geralmente surgem outros microprocessos, os quais não foram identificados nem levantados durante a fase de descoberta do novo processo. Neste momento, o analista dos processos é quem vai remodelar o processo, adicionando todas as novas informações, no mesmo tempo em que forem sendo descobertas. É nesse momento que este profissional não se acomode dentro do mesmo projeto, já que dificilmente ele desvendará todo o processo na primeira modelagem. Isto faz parte do processo de modelagem (BARRIOS, 2012). As falhas no levantamento podem ser de várias fontes, como: inexperiência do analista, consultar pessoas que não são realmente envolvidas no processo ou algum gestor que está “centralizando o poder” em torno dele e não está querendo contribuir para o sucesso da empreitada. Perceba que, neste caso, a função do gestor é motivar as pessoas para que elas possam contribuir da melhor maneira para o sucesso dos novos processos. Se ocorrerem falhas nessa fase, novamente o analista terá que colocar pôr em prática ações para realizar as modificações e retratar a realidade da organização (BARRIOS, 2012). Nota-se que se essas falhas já ocorriam durante o mapeamento do estado AS-IS da organização, é possível imaginar como será a fase do desenho do processo TO-BE, com tantas ideias motivadoras, soluções interessantes que ainda não foram testadas. Com certeza, o analista de processos passará pelo ciclo de desenhar o processo e avaliar junto ao cliente algumas vezes até chegar a uma solução final, a qual será homologada. Praticamente, quem conduz essa fase será o analista de processos, e se ele não for capaz de lidar com mudanças e reformulação de ideias e pensamentos, ficará exaurido com o projeto e não o conduzirá de uma forma proativa. O segredo é aceitar que as coisas mudam e que não são exatamente um retrabalho, mas uma evolução contínua do processo, mesmo na fase de desenho (BARRIOS, 2012). c) Designer de processos Segundo o Guia ABPM CBOK (2013), designer de processos é a pessoa responsável por desenhar novos processos, e, analogamente ao analista de processos, transformar novos processos de negócios. O designer de processos, tipicamente, deve possuir habilidades analíticas e criativas e ser hábil na descrição visual e lógica dos processos e na forma de organização do trabalho. O mesmo deve assegurar que o desenho do processo esteja sempre alinhado e em conformidade com as políticas e objetivos gerais do negócio. Assim, como citado anteriormente, em muitas organizações, esse papel é frequentemente combinado com o papel do analista de processos e uma pessoa só realiza as duas funções. O Guia ABPM CBOK (2013) lista algumas das responsabilidades de um designer de processos: Designer de processos é a pessoa responsável por desenhar novos processos, e, analogamente ao analista de processos, transformar novos processos de negócios. 57 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 • simular alternativas para desenhos futuros; • definir o melhor desenho futuro para os processos, de acordo com as necessidades do negócio; • definir a melhor maneira de automação da execução e gerenciamento do processo. O desenho dos processos, por sua vez, é uma etapa que ocorre depois da análise dos processos. Os sete princípios do desenho dos processos são: 1) Integração entre os clientes: corresponde à relação entre a organização e os clientes. Todo o trabalho de gestão visa a cadeia de valor agregado entregue para o cliente, ou seja, algo que ele perceba que é valioso e pelo qual esteja a pagar um determinado valor que gere lucro para a organização. 2) Atividades que adicionam valor: especificar as atividades que fazem com que os clientes aceitem pagar por elas, pois são elas que tornam o produto ou serviço mais valioso aos olhos do cliente e servem de estudos para a implantação de melhorias. 3) Redução de Handsoff: hansoff são atividades simples e delicadas que correm risco ou estão sujeitas a erros. Aqui, o ideal é diminuir ao máximo sua existência ao fazer o novo desenho do processo. Para isso, a utilização da tecnologia pode ser uma alternativa inteligente e segura. 4) Evitar a automatização excessiva: antigamente tudo que era possível automatizar era automatizado, entretanto, atualmente é uma tendência atrasada. Essa visão acaba por tornar um processo antigo igualmente ineficaz e ineficiente. 5) Padronização dos processos: como os processos dentro de uma organização são interligados, a padronização fornecerá à organização rapidez e facilidade. 6) Regras do negócio: algumas regras devem permear todos os processos organizacionais, de maneira a facilitar a tomada decisão e a sua execução. 7) Conformidade: aplicar os padrões mais usados pelo segmento de mercado, ao qual a organização pertence, lembrando sempre de verificar se existe uma norma nacional diferente da internacional, visando selecionar melhor qual utilizar. d) Arquitetura de processos e arquiteto de processos Antes de entrar no conceito de arquiteto de processos, é necessário falar da arquitetura de processos, já que a função do arquiteto de processos deriva da 58 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS mesma. Assim, a arquitetura de processos é uma atividade que tem como objetivo principal garantir que uma organização automatize os seus processos de negócio de maneira eficiente. Pode-se afirmar que a arquitetura de processos é a definição geral de todo um sistema de processos envolvidos na organização (VENKI, 2016). Ao definir a arquitetura de processos, a organização fará uma conexão entre a equipe e a força de trabalho que estão disponíveis com os recursos e tecnologias que domina, para, dessa maneira, determinar como atingir os objetivos estratégicos da melhor maneira possível, o que irá gerar um alto valor em cada etapa da cadeia (VENKI, 2016). A arquitetura de processos possibilita ainda compreender os principais processos primários que uma organização executa para entregar valor aos seus clientes, assim como os processos de suporte e gerenciamento que mantêm o bom funcionamento da organização. Entretanto, a arquitetura de processos não se configura em uma representação esquemática de como a organização funciona. A mesma é um instrumento fundamental para a execução da estratégia e operacionalização da gestão. A intenção da utilização de uma boa arquitetura de processos é melhorar a gestão de processos, consequentemente, aprimorando e otimizando os resultados. Além disso, é preciso que a arquitetura do processo contida na ferramenta BPM empregada proporcione uma ampla possibilidade de customização do sistema utilizado para atender às características específicas de cada organização (VENKI, 2016). Nesse contexto, é de fundamental importância compreender que a arquitetura de processos deve comportar funcionalidades que atendam a todo o ciclo de vida da gestão de processos de uma forma ampla, partindo de sua modelagem e até atingir a etapa de monitoramento. Assim, a seguir serão listadas todas as etapas do ciclo de vida do BPM, as quais devem ser necessariamente atendidaspela arquitetura de processos (VENKI, 2016): • modelagem de processos; • modelagem de dados; • definição do formulário; • definição de regras do negócio; • definição dos participantes do negócio; • definição das integrações; • simulação dos processos; • execução dos processos; • monitoramento dos processos. Assim, quanto melhor for executada cada uma dessas fases citadas anteriormente, melhor será a execução da arquitetura dos processos. Nesse contexto, de arquitetura de processos, surge a função de arquiteto de processos. 59 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 Arquiteto de processos é o colaborador que foca na manutenção da arquitetura de processos, de maneira a garantir o seu desenvolvimento constante, com base nas referências do mercado e nas conclusões determinadas pelo processo de melhoria contínua, as quais são amparadas pelas ferramentas de BPM (VENKI, 2016). Já o Guia ABPM CBOK (2013, p. 312) define arquiteto de processos como: “Pessoas responsáveis por desenvolver um modelo de arquitetura corporativa de processos, implementar e manter um repositório de processos de negócio, metodologia, modelos de referência e padrões relativos a processos.” Os arquitetos de processos devem ser envolvidos na análise de processos de negócio e em desenho durante as iniciativas de transformação. Seu envolvimento pode ser a partir de uma perspectiva de padrões e conformidade ou como especialistas para aconselhar a equipe na metodologia e abordagens de processos da organização. Por meio da análise da arquitetura corporativa de processos, as organizações identificam as oportunidades de vantagem competitiva, integração do negócio e diversas outras iniciativas de processos. São responsabilidades do arquiteto de negócios (GUIA ABPM CBOK, 2013): • desenvolver a arquitetura de processos da organização; • avaliar impactos decorrentes da necessidade de exclusão, alteração ou inclusão de processos na arquitetura; • prover alinhamento entre a arquitetura de processos e outros ativos organizacionais (relacionados aos processos da organização que contribuem para o sucesso do projeto); • manter o repositório de processos da organização; • desenvolver e manter metodologias e padrões associados a processos. Outros Papéis Os papéis relacionados à gestão dos processos de negócios buscam cobrir as perspectivas necessárias para se atingir resultados satisfatórios por meio de processos. Como a gestão é um processo bem amplo, apenas uma pessoa não consegue desempenhar bem todas as atividades que envolvem análise, desenho, transformação, gerenciamento de desempenho e automação. Assim como existem vários outros papéis que as pessoas podem assumir, devendo ter a capacitação necessária para tratar os processos. A seguir serão apresentados outros papéis que as pessoas podem assumir durante a gestão dos processos. Arquiteto de processos é o colaborador que foca na manutenção da arquitetura de processos, de maneira a garantir o seu desenvolvimento constante, com base nas referências do mercado e nas conclusões determinadas pelo processo de melhoria contínua, as quais são amparadas pelas ferramentas de BPM. 60 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS a) Analista de negócios É o profissional encarregado de reproduzir a contabilidade e todo o sistema do departamento no computador, aplicando a sua parte gerencial e estratégica ao departamento. Além disso, é responsável por dar suporte aos níveis mais altos na escala organizacional, como presidentes e diretoria, dando-lhes suporte para a tomada de decisões (RIBEIRO, 2010). Segundo o Guia ABPM CBOK (2013), o analista de negócios é responsável por realizar o levantamento de requisitos e propostas de solução de tecnologia da informação, podendo atuar facilitando reuniões para auxiliar a equipe no mapeamento de tecnologias ou estar envolvido em operações de negócio e desenho de novas funcionalidades de tecnologia da informação. O analista de negócios, dentro do ciclo de desenvolvimento de sistemas, assume tipicamente a posição de ligação entre áreas funcionais da organização e a área de tecnologia da informação ou provedores de serviços externos. Neves (2016) listou algumas atividades que o analista de negócios deve estar pronto para realizar: • descobrir as reais necessidades organizacionais; • explicitar os requisitos da organização; • documentar os requisitos observados; • lembrar aos desenvolvedores sobre as reais necessidades; • reunir-se com o cliente e validar a solução que está sendo construída; • facilitar conflitos entre as partes interessadas; • identificar as reais necessidades das partes interessadas. b) Facilitador É um representante da gestão por processos em seu departamento, unidade especial ou superintendência de atuação. É responsável pela disseminação de boas práticas de processos em sua área de atuação e por reportar informações sobre gestão de processos. É o multiplicador da metodologia da gestão por processos e do padrão de modelagem em sua unidade. O mesmo deve incentivar a melhoria contínua, acompanhando resultados dos processos e os comunicando para as áreas superiores. Entretanto, o facilitador não coordena o processo de implantação e nem modela ou redesenha o processo (MANUAL INTERATIVO DE GESTÃO POR PROCESSOS ORGANIZACIONAIS, 2015). c) Executores do processo São os servidores e colaboradores que, como o próprio nome já diz, executam, operacionalizam as tarefas de cada atividade de um processo de trabalho. São eles as pessoas que mais podem contribuir para o enriquecimento do processo 61 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 de modelagem e redesenho. Os mesmos atuam auxiliando o gerente a criar um indicador para um processo de trabalho, além de auxiliá-lo na formulação das descrições de atividades e igualmente medir e acompanhar o desenvolvimento do processo. Assim como o facilitador, os executores do processo não coordenam o processo de implantação e nem modelam ou redesenham o processo (MANUAL INTERATIVO DE GESTÃO POR PROCESSOS ORGANIZACIONAIS, 2015). d) Especialista São pessoas que possuem conhecimento profundo sobre certas funções ou operações de negócios; frequentemente, possuem anos de experiência como participante em uma determinada operação de negócio. Fornecem informações sobre o processo corrente e apoiam no desenho de novos processos. Podem possuir conhecimento institucional sobre regras que governam os processos da organização, requisitos de clientes ou sobre a cultura organizacional. Frequentemente, validam modelos e pressupostos e são membros de equipes de implementação como partes interessadas confiáveis provendo o direcionamento para mudança (GUIA ABPM CBOK, 2013). e) Tecnólogos Atuam ajudando na definição de soluções de tecnologias de suporte, podendo também ajudar na definição de novas capacidades para os processos de negócio com base em tecnologias habilitadoras. Prestam suporte em iniciativas de transformação de processos por meio da implementação de novas tecnologias enquanto asseguram que os padrões técnicos da organização são respeitados (GUIA ABPM CBOK, 2013). f) Patrocinador É um dos principais incentivadores da abordagem por processos na organização. É o servidor que busca as condições necessárias para a consecução das atividades de um processo de trabalho em sua unidade, sejam essas condições estruturais, financeiras ou de pessoal. Apoia de forma irrestrita o gerente do processo em seu papel de implantar um processo de trabalho. Além dessas atividades, indica os servidores que atuarão como gestores de processos e facilitadores e cobra os resultados do desempenho do processo (MANUAL INTERATIVO DE GESTÃO POR PROCESSOS ORGANIZACIONAIS, 2015). O papel do patrocinador é de fundamental importância para as iniciativas de BPM. Já que atua determinando a direção e a estratégia do gerenciamento dos processos de negócio, focando a organizaçãoem seus principais objetivos. Aloca 62 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS recursos e recompensa os sucessos. Além disso, pode unificar as várias missões e grupos ao longo da organização e designar indivíduos para assumir papéis- chave durante o BPM. Os patrocinadores podem inclusive ser os próprios donos do processo, assumindo e institucionalizando o processo de gerenciamento de processos. Devem inspirar a organização a mudar, às vezes, por meio de criação de um senso de urgência para superar o ceticismo e a resistência. Para isso, devem promover o gerenciamento de processos e remover os obstáculos que possam impedir o progresso rumo ao objetivo. São também responsáveis pela criação de um ambiente voltado para o sucesso, algumas vezes, através de influência e persuasão e, outras vezes, pela resolução de conflitos e remoção de obstáculos (GUIA ABPM CBOK, 2013). Organismos de Governança A governança tem como objetivo organizar e ordenar a gestão de processos nas organizações de forma a viabilizá-la como um elemento da gestão organizacional capaz de contribuir para a melhoria da eficiência dos processos e, consequentemente, da eficiência organizacional. A ausência de organismos de governança na gestão de processos é colocada pelos especialistas como um dos principais problemas encontrados, pois diminui e até mesmo impossibilita os retornos que podem ser alcançados com a aplicação do BPM, configurando-se como um grande desafio a ser superado. Atualmente, existem dois motivos que impulsionam a gestão de processos nas organizações, um fator externo que provém das demandas exigidas pelo novo contexto em que as organizações estão inseridas, e outro fator interno, que deriva da evolução das ações de processos realizadas pelas organizações ao longo dos anos. Ambas situações exigem um escopo de atuação mais abrangente e a inserção do BPM como um mecanismo cotidiano de gestão das organizações. Essa passagem de BPM para uma ferramenta de gestão cotidiana não é trivial e, além da ausência de governança, outros problemas são encontrados nesse sentido, tais como: falta de padronização nas ações de processos, falta de métodos e o não alinhamento das iniciativas de processo entre si e com os objetivos estratégicos da organização, o que faz com que a governança de BPM ganhe destaque e importância nos estudos do BPM. Percebe-se que a governança é um assunto emergente, não possuindo, portanto, uma definição amplamente difundida e de consenso entre autores (ELOGROUP, 2015). As organizações devem possuir uma estrutura de governança clara para que dessa maneira forneça direcionamento e esclareçam limites de alçada de decisão, a fim de habilitar a transformação de processos interfuncionais e intrafuncionais 63 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 ou programas de gerenciamento bem-sucedidos (GUIA ABPM CBOK, 2013). Muitas vezes, as deficiências na estrutura de governança são a raiz da resistência às iniciativas de gerenciamento de processos, que podem levar até mesmo ao fracasso. O BPM atravessa fronteiras organizacionais tradicionais e requer que os mecanismos pelos quais as decisões são tomadas e recursos alocados também estejam alinhados com os processos de negócio de ponta a ponta. Nota-se que a boa governança proporciona uma estrutura de autoridade e uma estrutura de colaboração. Essas estruturas permitem, por sua vez, a alocação adequada dos recursos e uma coordenação eficiente de controle de atividades ao longo da organização (GUIA ABPM CBOK, 2013). A governança de processos é uma das mais importantes dimensões para o sucesso da gestão por processos em uma organização, já que sem uma estrutura de governança é extremamente difícil uma organização atingir algo além de pequenas e pontuais melhorias. A governança atua orientando, direcionando, ditando regras e procedimentos e provendo ferramentas e instrumentos que orientam a gestão de processos. As partes da governança de processos são: elaboração, implantação, controle e revisão de políticas, diretrizes, regras, procedimentos, ferramentas e instrumentos que orientam a gestão de processos (PIRES, 2011). O papel da governança de processos é habilitar, orientar e direcionar a gestão de processos envolvendo a organização e esclarecendo o que deve ser feito, dizendo quem deve fazer e como deve ser realizado. Além disso, o papel da governança de processos engloba preencher espaços vazios entre a estratégia e a execução, promovendo o alinhamento da gestão de processos com os negócios organizacionais, perfilando também as partes interessadas, papéis e responsabilidades necessárias ao BPM (PIRES, 2011). A governança consiste na definição, disseminação e controle da gestão de processos com relação a (PIRES, 2011): • objetivos, princípios, orientações, controles e limites decisórios; • normas da organização e estruturação; • definição de papéis e responsabilidades; • forma de avaliação e controle a fim de aproveitar oportunidades de melhorias e inovação na forma de realizar os trabalhos; • manter a definição de papéis e responsabilidades às necessidades organizacionais, o que acaba significando promover a distribuição de papéis e responsabilidades relacionadas à gestão por processos. A governança atua orientando, direcionando, ditando regras e procedimentos e provendo ferramentas e instrumentos que orientam a gestão de processos. 64 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Pode-se resumir o papel da governança de processos organizacionais em dez principais metas, são elas: • padronizar as iniciativas dos processos; • favorecer o alinhamento dessas iniciativas em conjunto; • melhoria contínua dos processos organizacionais; • definir papéis e responsabilidades sobre os processos; • determinar quem tem o poder de decisão sobre os processos; • fazer com que a organização fique mais ágil na resposta ao surgimento de mudanças; • potencializar as qualidades das iniciativas de processos; • transformar a gestão de processos em uma cultura de aplicação cotidiana; • alinhar a gestão de processos com os objetivos estratégicos organizacionais; • fornecer meios para garantir que o escritório de processos coordene essas iniciativas e dê o apoio necessário para todas as áreas envolvidas. Além disso, pode-se dividir as responsabilidades da governança em três níveis, as quais podem ser exercidas e coordenadas pelo escritório de processos (PIRES, 2011): • condução direta, execução e controle dos processos; • coordenação, facilitação e visão geral da efetividade da gestão por processos; • assegurar a integridade da gestão por processos em toda a organização. São elementos da governança de processos (PIRES, 2011): • estratégia e objetivos; • papéis de governança; • divisão de tarefas; • estrutura e critérios para escalonamento (priorização de projetos e processos); • padrões e instrumentos (metodologia e ferramentas); • mecanismos de controle e avaliação (verificação de conformidades e qualidade). a) Conselho de BPM Um conselho de BPM pode ser composto por uma combinação de líderes executivos, líderes funcionais e donos de processos. Sua missão pode incluir a identificação e resolução de problemas de integração interfuncional, conflitos entre processos e propriedade de processos, alocação de recursos, e desenvolvimento e alinhamento dos objetivos de negócio, metas e estratégias da organização (GUIA ABPM CBOK, 2013). 65 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 Um conselho de BPM não é necessariamente uma nova estrutura a ser criada na organização. Muitas vezes, o conselho de BPM é representado por uma estrutura ou fórum já existente, por exemplo, reunião de liderança. O importante é que as organizações assegurem que a estrutura do conselho de BPM seja criada visando alcançar a eficiência e eficácia na execução, ao invés de se perder na burocracia interna do conselho (GUIA ABPM CBOK, 2013). Sãoreponsabilidades do conselho de BPM (GUIA ABPM CBOK, 2013): • definição da visão e estratégia para o BPM; • garantia de que objetivos de desempenho de processos estejam alinhados com a direção estratégica; • validação das recomendações de mudança de processo e priorizações em relação ao alinhamento estratégico. b) Comitê de processos O comitê de processos deve ser responsável pela avaliação do atendimento dos acordos de nível de serviço e alcance de metas de tempo, custo, capacidade e qualidade, bem como de melhoria no processo e nas áreas funcionais individuais. O comitê deve olhar para as mudanças propostas nas áreas funcionais e se certificar de que as soluções não impactam negativamente as respectivas áreas ou o processo. A criação e manutenção desse comitê deve ser parte da responsabilidade formal do gerente de processos (GUIA ABPM CBOK, 2013). A implementação da gestão por processos em uma organização deve ter a ajuda de um ambiente diferenciado que facilite a aceitação da mudança organizacional, permitindo que as pessoas se comprometam com o projeto destacado. Perceba que os processos precisam ser executados no sentido de garantir a gestão do conhecimento e a busca pela melhoria contínua no desempenho da organização. Para isso, o comitê assume o papel de catalisador organizacional, de maneira a assegurar a perfeita harmonia entre os sistemas (MOTA, 2009). Ao constituir um comitê de processos, a alta direção deve definir uma política de atuação. Este posicionamento irá assegurar a autoridade aos membros do comitê, que a partir daí segue para a definição dos objetivos e metas de desempenho, que logicamente devem ser compatíveis com a política adotada. Outra providência importante é garantir que as responsabilidades de cada membro sejam comunicadas a toda a organização, para que os processos sejam instituídos, implementados e mantidos dentro de um ambiente corporativo (MOTA, 2009). 66 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Ademais, essa nova ordem exige que um membro de confiança da organização faça uma verificação e relate à direção o desempenho do comitê de processos, incluindo qualquer necessidade de melhoria. Dessa maneira, pode-se definir padrões, empregando técnicas e ferramentas para a gestão de processos organizacionais de alta eficiência. Esse núcleo também será responsável por treinar e desenvolver a equipe com base nos conceitos e técnicas de gestão de processos. Além disso, esse núcleo também será responsável por dar apoio ao gerente dos processos no acompanhamento, avaliação e monitoramento do desempenho dos processos, em situações críticas (MOTA, 2009). Percebe-se que o comitê de processos não deve ser instituído a partir de uma ação impulsiva, sem qualquer planejamento e adequada estruturação. Além disso, o objetivo desse comitê não deve ser a busca por resultados urgentes e emergenciais, mas por melhorias consolidadas a partir da evolução organizacional como um todo (MOTA, 2009). O comitê de processos está posicionado no nível estratégico de atuação e representa o patrocínio das iniciativas de processos na organização. O comitê trabalha com os macroprocessos agregados e é responsável por fazer um link com a estratégia da organização, devendo garantir que a organização se desdobre para os níveis mais baixos e que os processos e suas iniciativas estejam alinhados com a estratégia. O comitê fica encarregado de selecionar e priorizar os projetos nos processos, a alocação de orçamento e a aprovação do plano de projetos e métodos (ELOGROUP, 2015). c) Escritório de processos O escritório de processos é o dono do processo de gerenciamento de processos de negócio. São menos centrados no conteúdo dos processos e mais sobre como o processo é gerenciado, incluindo as seguintes responsabilidades (GUI ABPM CBOK, 2013): • definir princípios, práticas e padrões de BPM; • proporcionar ferramentas e métodos comuns; • formar e educar sobre práticas e princípios de gerenciamento de processos de negócios; • difundir a cultura do BPM na organização; • fornecer orientação, mentoria e treinamento em melhores práticas e padrões, reforçando a conformidade; • prover recursos para projetos de análise de desenho; • identificar, monitorar, apoiar, consolidar e relatar a situação em diversos projetos de transformação de processos; • garantir que os princípios, práticas e padrões de BPM sejam escaláveis ao longo do escopo atual e futuro; 67 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 • proporcionar governança; • integrar processos de negócio em nível corporativo; • criar e manter um repositório de processos; • fomentar a inovação e mudança de paradigma. Alguns exemplos das áreas com as quais o escritório de processos tem que se relacionar estão apresentados na figura a seguir. Essa figura, no entanto, não esgota todos os tipos de relacionamentos, e, por exemplo, podem ser incluídos relacionamentos com agências reguladoras, conselho de administração, comitê de processos e outros. O escritório de processos busca a criação de um espaço comum, com visão compartilhada dos processos, capaz de apoiar cada uma das partes na gestão de seus processos e no alcance de resultados globais. Mesmo com o escritório no centro da figura a seguir, não há a intenção de definir que o escritório de processos centraliza (ou descentraliza) a gestão de processos. O escritório auxilia na promoção da articulação da gestão de processos. Além disso, o escritório conforma uma área fortemente focada na permanência na organização – a garantia de que práticas e a lógica da gestão de/ou por processos vão continuar internalizadas e atualizadas (PAIM et al., 2009). Figura 8 – Típicos relacionamentos do escritório de processos Fonte: Adaptado de PAIM et al. (2009). 68 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS O modelo de escritório de processos define-o como uma unidade relacional, normativa e coordenada, que prescreve métodos e ferramentas que orientem o gerenciamento dos processos da organização e que atua como elo na comunicação entre os diferentes departamentos envolvidos nos processos gerenciados. A visão sistemática do escritório sobre os processos permite uma análise mais eficaz, gerando e coordenando sugestões de melhoria que beneficiem um dado processo como um todo. Seu objetivo vai além das tarefas sistemáticas de modelagem, análise, proposta de melhorias e redesenho de processos, propondo-se a constituir a instância organizacional responsável por inserir e gerir a prática de gestão de/ou por processos no escopo da atuação e na cultura da organização. Além disso, o escritório deve estar apto a priorizar os processos, não necessariamente trabalhando com todos da organização. Ele pode focar nos seus processos-chave ou definir, através de um método, sobre quais processos deve atuar (PAIM et al., 2009). Um escritório de processos é muito importante para prover uma abordagem consistente, por meio da criação de políticas e normas para processos e trabalhar com áreas da organização, de maneira a coordenar os padrões e evitar sobreposição, conflitos e falta de clareza. A necessidade de concentrar o conhecimento sobre o gerenciamento de processos se tornará evidente em algum momento da evolução da organização para a orientação por processos. O papel do escritório de processos tende a mudar conforme a maturidade da organização evolui. Organizações pouco maduras são normalmente dependentes da equipe do escritório de processos para conduzir projetos de qualquer natureza. No entanto, em organizações mais maduras, essa dependência é menor. Com gerentes de processos já instituídos e treinados, o escritório de processos pode se concentrar em manter padrões, disseminar conhecimentos e focar iniciativas de maior relevância (GUIA ABPM CBOK, 2013). Uma vez contextualizado e definido o escopo de atuação do escritório de processos, podem-se delinear os macro-objetivos a serem alcançados e que justificama implantação de uma unidade. Para o alcance de tais objetivos, uma série de atividades específicas e consistentes deve ser desdobrada. Novamente, o detalhamento de tais atividades está diretamente relacionado ao escopo da organização, cujos processos em questão estão sendo gerenciados. Entretanto, podem-se listar algumas ações que, quando aplicadas aos casos específicos, contribuem para a realização dos objetivos enunciados (PAIM et al., 2009). d) Centros de excelência de negócios Um centro de excelência reúne pessoas com diferentes habilidades e experiência, visando a solução de complexos problemas de negócios. O centro de excelência engloba um tradicional conceito de gestão de projetos muito além da 69 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 sua preocupação primária da implementação técnica do projeto. De fato, o centro de excelência demanda uma faixa de competências visando mover os projetos de BPM através de muitas fases de ciclo de vida de concepção, desenvolvimento, implementação e revisão (JESTON; NELIS, 2008). O centro de excelência visa facilitar a cooperação entre os negócios e a tecnologia da informação, dando aos negócios uma grande responsabilidade para a entrega de soluções automatizadas e não automatizadas no BPM. Ele será, de fato, uma aposta a fim de dar assistência a uma ampla gama de unidades de negócios para desenvolver, implementar e gerenciar o autoaperfeiçoamento dos projetos de BPM. O centro de excelência é um grupo de pessoas que são os experts da organização em BPM. Eles não são pessoas que irão executar todo o trabalho associado com um projeto, pois isso não conduzirá a uma boa duração e resultados sustentáveis. Em vez disso, o centro de excelência é um grupo centralizado, cujos membros devem providenciar perícia para facilitar que unidades relevantes da organização sejam bem-sucedidas nos seus esforços para o BPM. Isso permitirá que a organização possua habilidade e conhecimento para repetir vários projetos de BPM (JESTON; NELIS, 2008). As atividades do centro de excelência devem incluir: • estabelecimento dos padrões dos processos, os quais podem incluir metodologia, medidas da eficiência dos processos, garantia da qualidade para os processos, ferramentas e técnicas; • providência de recursos para processos de negócios qualificados; • implementação organizacional contínua do BPM através da definição apropriada dos donos dos processos e os gestores dos processos; • manutenção da posição de liderança dentro da gestão dos processos de negócios. Um centro de excelência deve ser composto pelo menos por (JESTON; NELIS, 2008): • Gerente de excelência no processo de negócios, o qual terá a responsabilidade principal de garantir que o centro de excelência seja capaz de ajudar as unidades do processo da organização de maneira a garantir o sucesso da organização. É crucial que esse gerente seja capaz de motivar e guiar a equipe ao invés de ser a pessoa com a maior perícia. É muito importante que esse gerente possua a capacidade de comunicação e trabalhe bem com os outros gerentes de negócios e gestores executivos. • Arquiteto do processo, o qual irá garantir que a arquitetura do processo seja formulada, atualizada e colocada em prática. O arquiteto do processo também irá ter papel fundamental na formulação e execução da arquitetura da organização. 70 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS • Consultor de BPM ou gerente de contas, o qual irá trabalhar com o negócio para identificar as oportunidades para a melhoria dos processos e gestão dos processos dentro da organização e coordenar como o centro de excelência pode ser assistido. O consultor de BPM deve ser a primeira pessoa a discutir as oportunidades de negócios e o papel dos clientes. • Controladores de qualidade de processo ou modeladores de processos sênior, os quais irão assegurar que vários projetos e iniciativas estejam em conformidade com os padrões estabelecidos previamente. Essas pessoas devem guiar os modeladores de processos dentro dos projetos de BPM e fornecer o devido treinamento. Eles também podem ajudar durante a fase de modelagem. • Administrador de ferramentas de modelagem e gerenciamento de processos, o qual irá garantir que um conjunto mínimo de padrões seja mantido. • Treinador de BPM, o qual será responsável por preparar e providenciar os treinamentos. Com o aumento do número de pessoas sendo treinadas, o treinador também será responsável por customizar o treinamento para os requisitos particulares da organização, ao invés de apenas providenciar um curso padrão. Atividades de Estudos: 1) Qual a definição de dono do processo? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ ____________________________________________________ 2) Cite as principais responsabilidades do dono do processo. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ ____________________________________________________ 71 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 3) Diferencie gerente de processos, analista de processos e designer de processos. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 4) O que é arquitetura de processos? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 5) Defina arquiteto de processos. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 6) Qual a importância dos organismos de governança para o sucesso da gestão? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 7) Conceitue escritório de processos e centro de excelência de negócios. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 72 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Algumas Considerações Este módulo teve como objetivo principal apresentar uma revisão bibliográfica detalhada, expondo e explicando em detalhes os principais papéis envolvidos na gestão dos processos. Primeiramente, foi apresentado ao leitor o conceito de dono do processo, o qual se configura como a pessoa que será responsável pelo resultado e desempenho do processo, tendo autoridade para tomar as devidas ações para colocar o processo em ordem. Em seguida, surge o conceito de instância de processo e o leitor é apresentado ao conceito de responsável pela instância de processo. Assim, instância de processo é um ciclo do processo e o responsável é aquela pessoa que irá cuidar pessoalmente e de ponta a ponta do atendimento do cliente, integrando várias funções para atender aos requisitos dos clientes. Dando continuidade, o leitor é apresentado ao conceito(em detalhes) de gerente de processos, analista de processos, designer de processos e arquiteto de processos. Por fim, são apresentados outros papéis que as pessoas podem assumir durante a realização da gestão de processos e aos organismos de governança. A partir desse ponto, o leitor já deve estar pronto para identificar prontamente os papéis desempenhados pelas pessoas dentro de uma organização, assim como, conseguir montar equipes para fazer o controle de todo o processo de gestão, de maneira a guiar a organização ao sucesso. De modo geral, os papéis que suportam e guiam a execução de um BPM trazem consigo diversas oportunidades e desafios, que em princípio podem causar um certo desconforto. Entretanto, a definição correta dos papéis para pessoas com capacitação e perfil de liderança é fundamental para que a organização possa colher bons frutos imediatamente ou em um futuro próximo. Embora tudo o que foi apresentado no decorrer desse módulo foi exposto com um bom nível de detalhe, perceba que mesmo assim há uma necessidade de o leitor buscar mais formas para explorar a literatura disponível e ampliar os seus conhecimentos sobre o assunto. 73 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 Referências ALMEIDA, M. Sistemas de medição de desempenho. Disponível em: <http:// marcioqualy.blogspot.com.br/2013/06/sistemas-de-medicao-de-desempenho. html>. Acesso em: 15 jul. 2017. ARAUJO, K. F. N. As boas práticas do gerenciamento dos processos de uma cadeia produtiva. Comunidade Adm. Disponível em: <http://www.administradores.com. br/artigos/negocios/as-boas-praticas-do-gerenciamento-dos-processos-de-uma- cadeia-produtiva/57169/>. Acesso em: 14 jul. 2017. ASSESPRO. Organização de empresas orientada por processos. Disponível em: <http://assespro.org.br/na-midia/noticias-regionais/2011-10-14-organizacao- de-empresas-orientada-por-processos/>. Acesso em: 14 jul. 2017. BALDAM, R. L. et al. Gerenciamento de processos de negócios: BPM – Business Process Management. 2. ed., 9. reimpr. São Paulo, SP: Érica, 2014. 240 p. BARRIOS, B. Perfil do analista de processos: tudo menos acomodado. TI Especialistas. Disponível em: <https://www.tiespecialistas.com.br/2012/06/perfil- do-analista-de-processos-tudo-menos-acomodado//> Acesso em: 20 jul. 2017. CANAVER, G. ITIL Foundation – papéis genéricos no gerenciamento de serviços. Disponível em: <https://gustavocanaver.wordpress.com/2014/04/15/itil_11/>. Acesso em: 17 jul. 2017. CTEP – COORDENAÇÃO TÉCNICA DO ESCRITÓRIO DE PROCESSOS. Manual interativo de gestão por processos organizacionais. Brasília, DF, 2015. p. 1-39. CRUZ, T. BPM & BPMS: Business process management & business process management systems. 2. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2010. DE FALCO, A; CASTANHEIRA, R. O processo de gestão de pessoas em empresas de comunicação. Comunicação & Mercado, v. 1, n. 1, 2012. p. 21-35. ELOUGROUP. Governança de bpm: abordagem para a governança de bpm – parte 1. 24 nov. 2015. Disponível em: <http://elogroup.com.br/conhecimento/ insights/governanca-de-bpm-abordagem-para-a-governanca-de-bpm-parte-1/>. Acesso em: 26 jul. 2017. Guia para o Gerenciamento de Processos de Negócio Corpo Comum de Conhecimento ABPM BPM CBOK v. 3, Association of Business Process Management Professionals, 2013. 74 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS IDEIA CONSULTORIA. Gerenciamento corporativo de processos. 17 mar. 2016. Disponível em: <https://ideiaconsultoria.com.br/post/2291/gerenciamento- corporativo-de-processos>. Acesso em: 30 jul. 2017. JESTON, J.; NELIS, J. Business process management: practical guidelines to successful implementations. 2. ed. Estados Unidos: Elsevier Publishing Company, 2008. MIRANDA, S. V. de; FERNANDO, L.; WILLS, Z. Gestão corporativa de processos. 2011. p. 19-68. MOTA, A. Comitê de processos o catalisador organizacional. 17 jul. 2009. Disponível em: <https://www.baguete.com.br/artigos/671/alexandre- mota/17/07/2009/comite-de-processos-o-catalisador-organizacional>. Acesso em: 26 jul. 2017. NEPOMUCENO, B. G. O analista de processos deve saber ouvir. Portal BGNWEB. 10 abr. 2015. Disponível em: <http://www.bgnweb.com.br/portal2/2015/04/10/o- analista-de-processos-deve-saber-ouvir/>. Acesso em: 20 jul. 2017. NEVES, M. Profissão de analista de negócios: por onde começar. Comunidade Adm. 10 mar. 2016. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/ tecnologia/profissao-de-analista-de-negocios-por-onde-comecar/94121/>. Acesso em: 25 jul. 2017. PAIM, R.; CARDOSO, V.; CAULLIRAUX, H. et al. Gestão de processos: pensar agir e aprender. Rio de Janeiro: Bookman, 2009. PIRES, M. L. A. V. Governança de processos. Ideias sobre BPM. 22 ago. 2011. Disponível em:<http://ideiasbpm.blogspot.com.br/2011/08/governanca-de- processos.html>. Acesso em: 26 jul. 2017. PRADELLA, S.; FURTADO, J. C.; KIPPER, L. M. Gestão de processos: da teoria à prática – aplicando a metodologia de simulação para a otimização do redesenho de processos. São Paulo, SP: Atlas, 2012. PROJECT BUILDER. A cultura organizacional e o gerenciamento de projetos: qual a relação? Project Builder. Disponível em: <http://www.projectbuilder. com.br/blog-home/entry/blog-gestao-de-projetos/a-cultura-organizacional-e-o- gerenciamento-de-projetos-qual-a-relacao>. Acesso em: 15 jul. 2017. RIBEIRO, C. P. O papel do analista de negócios em TI nas empresas. Administradores.com. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/ artigos/tecnologia/o-papel-do-analista-de-negocios-em-ti-nas-empresas/49702/>. Acesso em: 25 jul. 2017. 75 Papéis na Orientação por Processos Capítulo 2 SANTOS, R. O Dono do processo. Disponível em: <http://www.rildosan. com/2012/02/dono-do-processo.html>. Acesso em: 17 jul. 2017. SECRETARIA JURÍDICA E DE DOCUMENTAÇÃO ESCRITÓRIO DE PROCESSOS ORGANIZACIONAIS DO MPF. Manual de gestão por processos. Brasília, DF, 2013. p. 1-61. SOFTPLAN. Gerenciamento corporativo de processo: vale a pena. e-Gestão Pública. 22 jan. 2016. Disponível em: <http://www.e-gestaopublica.com.br/ gerenciamento-corporativo-de-processo-vale-a-pena/>. Acesso em: 29 jul. 2017. TEZZA, R.; BORNIA, A. C.; VEY, I. H. Sistemas de medição de desempenho: uma revisão e classificação da literatura. Gestão & Produção, v. 17, n. 1. 2010. p. 75–93. XAVIER, R. O.; DORNELAS, J. S. O papel do gerente num contexto de mudança baseada no uso da tecnologia CRM. Revista de Administração Contemporânea, v. 10, n. 1, 2006. p. 9-30. VENKI, G. Analista de processos BPM: quem é esse profissional no Brasil. Disponível em: <http://www.venki.com.br/blog/analista-de-processos-bpm/>. Acesso em: 19 jul. 2017. ______. Arquitetura de processos: a base do BPM em sua empresa. Disponível em: <http://www.venki.com.br/blog/arquitetura-de-processos/>. Acesso em: 25 jul. 2017. 76 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS CAPÍTULO 3 Gestão Corporativa de Processos A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Compreender os requisitos para gerenciamento corporativo de processos. � Realizar a transição para o EPM. � Conhecer alguns modelos de referência utilizados. � Detalhar os requisitos para o EPM. � Realizar um modelo para a transição para o EPM. 78 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS 79 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 Contextualização Melhorar os processos é uma ação fundamental para que as organizações possam responder ativamente às mudanças que estão sempre ocorrendo em seu ambiente de atuação. A expressão “gestão de processos” passou a ter uma maior utilização no final da década de 1990 e, principalmente, no início da primeira década do século XXI (PAIM et al., 2009). Durante muito tempo, as atividades administrativas foram alvo de racionalizações que, devido à visão limitada dos que as praticavam, nunca conseguiram firmar-se solidamente. Primeiro porque não se envolviam com os processos industriais,somente com os administrativos, e segundo porque limitavam-se a analisar e a melhorar rotinas, fluxos de documentos, a criar formulários e modificar o layout das áreas administrativas. Devido a esses fatores, acabaram entrando em declínio a partir da década de 1980, até fins da década de 1990. E agora retornaram, de forma revigorada, como imprescindíveis ao trabalho dos analistas de processos (PRADELLA; FURTADO; KIPPER, 2012). A adoção da prática de gestão de processos tem sido amplamente encarada como uma forma de apoio ao progresso gerencial na busca por melhores resultados dos processos de negócios organizacionais. Fato este que, de certa maneira, tem justificado a incorporação do tema no ambiente das organizações. Já que não se pode entender a gestão de processos como mais um modismo gerencial relacionado à modernização administrativa, uma vez que diversos casos de sucesso têm demonstrado a contribuição do tema para as organizações (PRADELLA; FURTADO; KIPPER, 2012). A necessidade de mudança contínua nas organizações, para atender aos desejos dos clientes e aos objetivos dos acionistas, traz consigo a demanda por instrumentos para controlar e conduzir os processos de forma eficiente e eficaz. Dessa forma, as organizações que quiserem prosperar na era da informação devem utilizar metodologias de análise e redesenho de processos tendo como base as estratégias e capacidades da organização. Essa metodologia deve ser capaz de representar e traduzir os objetivos estratégicos em metas mensuráveis, por meio de processos consistentes, para que se possa agregar maior valor ao cliente final e aos agentes do processo. Assim, as organizações podem canalizar as energias, habilidades e conhecimentos específicos das pessoas ao longo da organização para alcançar os resultados desejados (PRADELLA; FURTADO; KIPPER, 2012). Nesse contexto, a gestão de processos pode ser resumida em uma abordagem disciplinada para identificar, desenhar/projetar, executar, medir, 80 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS As mudanças são essenciais para a sobrevivência das organizações. Aquelas organizações que permanecem estagnadas sem a realização de alterações e implementações em seus sistemas, estão fadadas ao insucesso e acabam por se perder no tempo. monitorar e controlar os processos, visando alcançar consistência e resultados alinhados com os objetivos estratégicos da organização. Um aspecto da gestão de processos é entender as especificidades que ela assume quando aplicada em diferentes setores da economia. Inequivocamente, existem algumas semelhanças nas práticas de gestão de processos em praticamente todos os setores industriais ou de serviços. Por outro lado, as tarefas para a gestão de processos podem e devem sofrer adaptações em função das particularidades do setor, ou mesmo da organização em si (PAIM et al., 2009). Introdução à Gestão Corporativa de Processos Após tudo o que foi apresentado no decorrer deste curso, nota-se que as transformações nos processos organizacionais são fundamentais para que uma organização possa atingir o sucesso e se manter por muito tempo obtendo esse sucesso. Nesse contexto, as transformações que ocorrem no interior de uma determinada organização são decorrentes e próprias a qualquer tipo de negócio, e dentro do ambiente corporativo, obviamente, essas transformações irão implicar em alterações não apenas em equipamentos e/ou infraestrutura, mas também refletem fortemente na organização dos recursos humanos, administrativos ou nos indicadores econômicos. Indo mais além, as mudanças são essenciais para a sobrevivência das organizações. Aquelas organizações que permanecem estagnadas sem a realização de alterações e implementações em seus sistemas, estão fadadas ao insucesso e acabam por se perder no tempo. Perceba que mudanças ou até mesmo transformações radicais são partes inerentes a qualquer tipo de negócio. Entretanto, essas transformações devem ser sempre para melhor, não podendo limitar a tecnologia, equipamentos e processos na organização. A partir desse ponto é que surge a necessidade da implantação do gerenciamento corporativo de processos, já que este irá servir para organizar, alinhar, reduzir e/ou maximizar os processos, através de métodos e modelos que garantam a condução dos processos corporativos de acordo com a estratégia organizacional. Partindo dessa visão, o BPM pode ser encarado a partir de um sistema holístico como resultado de iniciativas ou projetos, sendo chamado assim de Gerenciamento (ou Gestão) Corporativo de Processos, o qual é um conceito derivado do inglês: Enterprise Process Management (EPM). Nesse contexto, o 81 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 gerenciamento corporativo de processos se configura como um sistema que pode auxiliar as organizações no manejo de suas atividades, de maneira a alcançar benefícios financeiros tanto para os clientes quanto para os negócios. O mesmo inclui a estratégia, valores, cultura, estruturas, papéis, um conjunto de processos de ponta a ponta, metas de desempenho, indicadores associados, tecnologias e pessoas. Assim, o grau de progresso que a organização terá alcançado poderá ser avaliado por meio do nível de maturidade em processos. O gerenciamento corporativo de processos apresenta uma visão geral da organização, a qual atua auxiliando na identificação das melhores técnicas, ferramentas e modelos que podem ser utilizados com sucesso para melhorar as condições da organização. O mesmo atua também apresentando alguns caminhos que a organização pode trilhar para obter várias melhorias, tais como: redução de custos, otimização de tempo, maximização da eficiência dos processos, alinhamento estratégico, melhoria da relação com os clientes, melhoria dos produtos entregues aos clientes, entre outros. Além dessas melhorias, a utilização de um sistema de gerenciamento corporativo de processos aprimora ou constrói as metas da organização de forma mais clara e tangível, especificando as tecnologias adotadas, estratégias corporativas, objetivos de desempenho etc. Perceba que o gerenciamento corporativo de processos é fundamental para que a empresa consiga mudar a sua filosofia de trabalho e ter uma organização mais consciente das necessidades de seus clientes e seus objetivos de negócios, pois o mesmo irá fornecer meios para a organização “perceber” o que precisa ser feito para se alcançar o sucesso. Existem muitas vantagens para uma organização em usar o sistema de gerenciamento corporativo de processos, pois nesse sistema há uma medição, gerenciamento e melhoria dos sistemas dentro da organização, de tal maneira que os processos operacionais sejam executados da melhor forma, estejam alinhados e possuam integração. Com a aplicação de uma abordagem baseada nesse sistema, a empresa irá satisfazer todas as suas necessidades, e assim, toda a concentração é fornecida para que a organização como um todo se beneficie e evite colocar esforços localmente, pois esses esforços, embora possam parecer bons, apresentam poucas vantagens para toda a organização. Deve-se ter em mente que o gerenciamento corporativo de processos irá ajudar a organização através do fornecimento de ferramentas, técnicas e métodos para avaliar os níveis de maturidade do gerenciamento, juntamente com outras áreas da organização, de modo a melhorar todas as condições no interior da empresa. Dentro do gerenciamento corporativo de processos ocorre a interação O gerenciamento corporativo de processos é fundamental para que a empresa consiga mudar a sua filosofia de trabalho e ter uma organização mais consciente das necessidades de seus clientes e seus objetivos de negócios. 82 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS de vários processos entre si e entre os modelos que vinculam o desempenho, as metas, tecnologias, pessoas e controles (sejam eles financeiros ou operacionais) às estratégias corporativase aos objetivos de desempenho (SOFTPLAN, 2016). Uma vez definido o processo organizacional ideal, os seus recursos e as ações necessárias para a sua completa realização, a etapa final do trabalho consiste justamente na implementação deste processo e seu constante monitoramento. Monitoramento este que busca aferir o sucesso da implementação do processo ideal, bem como identificar as eventuais mudanças nesse processo, em função dos novos objetivos de negócio. A análise e a gestão dos processos fazem com que a organização apresente resultados significativos na eliminação ou minimização dos chamados custos invisíveis que consomem tempo, energia, emoção e dinheiro da organização. Além disso, a análise e o gerenciamento também contribuem para uma mudança de filosofia de trabalho e a ter uma organização consciente das necessidades dos seus clientes e de seus objetivos de negócio (SOFTPLAN, 2016). A seguir serão listados alguns benefícios que a implantação de um sistema de gerenciamento corporativo de processos pode trazer para uma organização: • Mais controle sobre as operações da organização com a integração do gerenciamento; • Otimização global dos processos da organização com a padronização de procedimentos e com foco total na atividade principal da empresa; • Redução de gastos com retrabalho e inconsistências, como resultado do constante monitoramento; • Melhoria na qualidade da informação, padronização de informações e conceitos, eliminando discrepâncias entre informações de diferentes departamentos. Segundo o Guia ABPM CBOK (2013, p. 330), o gerenciamento corporativo de processos pode ser definido como: Gerenciamento corporativo de processos é a aplicação de princípios, métodos e práticas de BPM em uma organização para (a) assegurar o alinhamento entre o portfólio e a arquitetura de processos ponta a ponta com a estratégia e os recursos da organização e (b) proporcionar um modelo de governança para o gerenciamento e a avaliação de iniciativas de BPM. Obviamente, existem muitos outros fatores além do gerenciamento corporativo de processos que irão conduzir uma organização para o sucesso. Entretanto, esse gerenciamento se configura em uma prática essencial de gerenciamento para garantir a melhoria do desempenho, a plena satisfação do cliente, bem como fornecer meios para a organização melhor engajar o seu pessoal, mover 83 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 a cultura em direção ao modelo de gestão centrado em processos, habilitar lideranças e facilitar o crescimento. Perceba que essa forma de gerenciamento não deve dominar os processos de negócios nem substituir o foco da área funcional ou a necessidade de foco funcional. Ao invés disso, o gerenciamento corporativo de processos representa uma típica e valiosa prática de gerenciamento, que, por sua vez, complementa e enfatiza a maneira como a organização cria valor para os seus clientes. O EPM envolve uma análise estratégica de alto nível de processos e uma avaliação de desempenho, não devendo ser confundida com modelagem e análise detalhada de processos (GUI ABPM CBOK, 2013). O gerenciamento corporativo de processos deve disseminar, uniformizar e institucionalizar o entendimento sobre a gestão de processos, definindo o escopo das atividades da organização em níveis de gestão, sejam elas corporativas, de modelagem ou de processos. Nesse tocante, a gestão corporativa deve ter as seguintes preocupações: • acompanhamento do portfólio de processos com vistas a eliminar sobreposições; • minimizar redundâncias; • manutenção do alinhamento entre os processos e seus resultados com os objetivos organizacionais; • visão de futuro; • valores organizacionais. Para isso, deve ocorrer um alinhamento entre as ações relativas à gestão corporativa de processos, ao planejamento estratégico e ao gerenciamento de projetos. Além disso, a estratégia, a rotina dos processos e as mudanças ou inovações nos projetos devem ser tratadas de maneira conjunta, para aumentar as chances de a organização atingir os seus resultados de forma mais integrada e harmônica. A gestão corporativa de processos deve se utilizar de mecanismos de governança como uma maneira de garantir o cumprimento de seus objetivos dentro da organização. Dentre os mecanismos internos de governança estão os conselhos de administração, a definição da estrutura de propriedade e de códigos de conduta e de resolução de conflitos de interesses e a implantação de controles internos (MIRANDA; FERNANDO; WILLS, 2011). Ainda segundo Miranda, Fernando e Wills (2011, p. 7), a área do gerenciamento corporativo de processos em uma organização pode apresentar duas formas de atuação junto às unidades da organização e seus processos: O EPM envolve uma análise estratégica de alto nível de processos e uma avaliação de desempenho, não devendo ser confundida com modelagem e análise detalhada de processos. 84 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS a) Atuação normativa e coordenadora (não executa processos): • Prescreve métodos e ferramentas para orientar o gerenciamento dos processos- chave da organização, atuando como elo de comunicação e negociação entre diferentes departamentos envolvidos nos processos gerenciados. • Mantém uma visão sistêmica sobre os processos e sobre a cadeia de valor que permita inserir a prática de gestão no escopo de atuação e a cultura da organização. • Integra e uniformiza o entendimento da forma de trabalho, analisa e melhora o fluxo de informações, explicita e armazena o conhecimento sobre os processos. b) Atuação executiva (gerencia o ciclo de cada processo): • Identifica os processos. • Modela, estuda, analisa e identifica os problemas. • Identifica formas de melhoria e projeta os processos melhorados. • Implanta novos processos. • Registra, avalia e acompanha os resultados. • Registra os caminhos percorridos e gera aprendizado. A forma de atuação de cada área do gerenciamento corporativo de processos deve estar adequada à cultura organizacional, aos marcos legais e regulamentares da organização e aos seus recursos (MIRANDA; FERNANDO; WILLS, 2011). Requisitos Para o Gerenciamento (epm) A maioria das organizações atuais possui a sua estrutura funcional centrada em áreas funcionais, entretanto, a aplicação do EPM requer que as organizações possuam a cadeia de valor completamente envolvida, definida, melhorada e gerenciada no fornecimento de produtos e serviços aos clientes, de forma integrada. Além disso, o EPM requer o acontecimento de uma mudança na mentalidade funcional tradicional, que domina o modo de pensar de muitas organizações e é conhecido como efeito silo, na qual cada área funcional está completamente preocupada com seus fluxos de trabalho, criando, dessa maneira, uma vacância de coordenação com outras áreas funcionais. Na maneira de pensar de uma organização que adotou o sistema EPM, o foco deve estar em aferir as necessidades dos clientes, visualizando o que realmente importa para eles, e a partir daí o ponto de vista adotado será sempre o do cliente, isso fará com que a organização se beneficie amplamente. Para a maior parte Na maneira de pensar de uma organização que adotou o sistema EPM, o foco deve estar em aferir as necessidades dos clientes, visualizando o que realmente importa para eles, e a partir daí o ponto de vista adotado será sempre o do cliente, isso fará com que a organização se beneficie amplamente. 85 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 das organizações em operação, essa visão incluirá métricas de qualidade, oportunidade, completude, precisão, perícia, agilidade, dos produtos e serviços que serão entregues para os clientes. O Guia ABPM CBOK (2013) listou alguns objetivos fundamentais que uma organização deve possuir quando opta por uma visão de gerenciamento de processos, são eles: • compreender quem são os clientes da organização e quais são os serviçose/ou produtos que agregam valor aos mesmos; • definir os processos interfuncionais de negócio que agregam valor para o cliente; • articular a estratégia da organização em termos de seus processos interfuncionais do negócio; • atribuir a responsabilidade de prestação de contas para a transformação e gerenciamento de processos interfuncionais da organização; • definição das métricas de desempenho que realmente importam, adotando a perspectiva dos clientes; • definir o nível de desempenho da organização em termos dessas métricas centradas em clientes. O EPM diz respeito a uma aplicação de alto nível de processos, a qual está relacionada à criação de valor para os clientes (conforme citado anteriormente), através de estratégias e avaliação de desempenho. Além disso, a modelagem e análise detalhada de processos fazem parte das etapas iniciais de implantação, e nesse ponto já devem ter sido superadas há tempos. No gerenciamento corporativo de processos deve-se proporcionar a identificação dos papéis de cada parte funcional da organização na busca pela satisfação do cliente, o que, por sua vez, irá envolver os colaboradores, deixando claro o que se espera deles. Aqui, os indicadores tradicionais de desempenho não desempenham o papel de buscar a satisfação dos clientes. O ideal é conseguir medir fielmente o que realmente importa para os clientes e quais atividades e/ou serviços irão agregar valor no seu produto ou serviço (IDEIA CONSULTORIA, 2016). O cliente nunca estará preocupado com o faturamento da organização e sim com a pontualidade na entrega dos produtos e/ou serviços, qualidade dos mesmos e ausência de defeitos. O grande problema está no fato de a maioria dos gestores ou líderes, muitas vezes, não conhecerem o processo de ponta a ponta, e isso acaba reduzindo muito a capacidade de tomada de decisão da organização, e além disso, acaba reduzindo a autoridade dos mesmos perante todos os seus subordinados. O desmembramento dos indicadores de desempenho permite que esse quadro citado anteriormente seja revertido, gerando valor para os líderes e gestores da organização, seus subordinados e, consequentemente, para os clientes. Segundo Ideia Consultoria (2016, s.p.), as melhores práticas que podem ser realizadas para garantir um conjunto efetivo na governança dos processos são: 86 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS • ver de fora para dentro: enxergar o processo adotando a ótica do cliente, permitindo a identificação de detalhes que refletem alguns requisitos importantes; • atribuir corretamente nomes aos processos: substituir os antigos nomes funcionais (vendas/faturamento) para nomes que permitam entender qual é o processo ponta a ponta; • descrever os processos com clareza: detalhar e revisar, garantindo o entendimento fácil sobre o passo a passo do processo; • fazer rápido: não se deve perder muito tempo buscando uma modelagem perfeita. Ao invés disso, a organização deve desenvolver um modelo útil, aplicando e reaplicando as análises; • analisar o desempenho: dados difíceis de reunir sobre o desempenho atual podem ser realizados observando pequenas amostras, a intenção nessa etapa é obter dados para medir e comparar a evolução dos processos; • construir um plano: após a realização das análises, é preciso definir qual processo será transformado, qual vai ser a extensão dessa transformação e quem irá conduzir a transformação. Para facilitar mais, a organização pode buscar modelos de referências e selecionar as melhores práticas para aplicá-los com sucesso aos seus processos, reduzindo o tempo e o esforço aproveitando de estudos e trabalhos com comprovação de sucesso. No início desse tópico foram apresentados dois conceitos novos: cadeia de valor e efeito silo. Estes serão explicados a seguir. a) Cadeia de valor O conceito de cadeia de valor foi introduzido primeiramente por Michael Porter (1985) e consiste em uma cadeia de atividades relacionadas e desenvolvidas por uma instituição que busca satisfazer de forma mais completa as necessidades de seus clientes. A cadeia de valor comporta os macroprocessos da organização e estão relacionados de forma hierárquica (MANUAL DE GESTÃO POR PROCESSOS, 2013). A ideia de cadeia de valor surgiu a partir da análise de valor, que é a percepção de que existem custos que aumentam a qualidade do produto Cadeia de atividades relacionadas e desenvolvidas por uma instituição que busca satisfazer de forma mais completa as necessidades de seus clientes. 87 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 (aumentam a satisfação do cliente) e outros não. Consiste numa cadeia de atividades relacionadas e desenvolvidas por uma instituição que procura satisfazer de uma maneira mais completa todas as necessidades de seus clientes. Nesse contexto, cliente é o recebedor final de um produto sintetizado através de um produto de trabalho, podendo ser interno ou externo (MANUAL DE GESTÃO POR PROCESSOS, 2013). Dessa forma, a cadeia de valor pode ser entendida como a descrição (geralmente gráfica) dos componentes básicos da operação em uma organização e dos relacionamentos entre eles, demonstrando como a organização concretiza seus objetivos e suas missões, permitindo obter uma visão sistêmica do negócio, desde o macro até a descrição detalhada das atividades (MANUAL DE GESTÃO POR PROCESSOS, 2013). A figura a seguir apresenta um exemplo de cadeia de valores e dentro da cadeia de valor existem dois tipos de processos: • processos primários: processos que diretamente, na visão da organização, entregam valor aos clientes; • processos de apoio: são processos que suportam processos primários, para que os mesmos possam ocorrer. Figura 9 – Exemplo de cadeia de valores GERENCIAR BPM PLANEJAR BPM MODELAR E OTIMIZAR PROCESSOS IMPLANTAR PROCESSOS CONTROLAR E ANALISAR PROCESSOS Fonte: Manual de Gestão por Processos (2013). 88 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Cada parte da figura anterior está detalhada a seguir: • planejamento: visa definir as atividades que contribuirão para o alcance das metas estratégicas; • modelagem e otimização: aqui estão incluídas as atividades que possam gerar informações atuais sobre o processo, bem como uma proposta futura. Relacionados a essas atividades estão os seguintes processos: modelar a situação atual (AS-IS), comparar com melhores práticas da administração pública, definir soluções para os problemas atuais, realizar o redesenho com a proposta futura (TO-BE), criar o cronograma da implantação e realizar o planejamento do BPM; • implantação: nessa etapa são necessários os seguintes processos: realizar testes ou pilotos, coordenar o ajuste de equipamentos e softwares disponíveis, treinar equipes, realizar mudanças, fazer ajustes de curto prazo, implantar o novo processo e publicar o processo; • controle: controlar o processo por meio da utilização de indicadores. Essas informações irão fornecer o retorno necessário às atividades de otimização e desempenho. O controle reúne as seguintes atividades: registrar o desempenho dos processos, fornecer dados de realimentação, realizar auditorias dos processos e avaliar a conformidade com o planejamento. O correto gerenciamento de uma cadeia de valor pode se tornar um diferencial competitivo, na medida em que colabora para a melhoria da rentabilidade da instituição, por meio da identificação e eliminação de atividades que não adicionam valor ao produto. A análise da cadeia de valor possibilitará para a organização (MANUAL DE GESTÃO POR PROCESSOS, 2013): 1) compreender as fontes de vantagens competitivas da organização; 2) rever as práticas de negócio e antecipar as tendências de mercado; 3) declarar as regras de negócio da organização; 4) apresentar uma visão completa do fluxo de informação nas relações entre os processos; 5) promover a evolução do desempenho dos processos na organização; 6) detectar necessidade de reposicionamento estratégico e realinhamentodos processos de negócio. 89 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 b) Efeito silo O efeito silo em uma organização é quando uma organização realiza as suas atividades sem levar em consideração as diversas áreas da organização. Assim, esses “silos” operam em um vácuo e podem existir em todas as organizações, incluindo os ministérios. Quando eles existem, os líderes e gestores vão travar uma luta árdua para mover a sua organização para frente. Uma organização deve parecer muito mais com uma plantação do que com uma grande silagem de grãos, em que cada silo pensa somente naquilo que lhe deve e é confiado. O efeito silo em uma organização é quando uma organização realiza as suas atividades sem levar em consideração as diversas áreas da organização. Transição Para epm Muitas das mudanças que ocorrem com a implementação do BPM em uma organização são centradas em realizar melhorias adicionais ou na resolução de problemas aparentes. Entretanto, poucas dessas mudanças são realmente profundas ao ponto de causar transformações fundamentais na maneira como o negócio é visto e também na forma como o negócio é conduzido. Normalmente, pequenas mudanças nas regras do negócio, nas operações, políticas internas e externas e nos procedimentos são realizadas constantemente e com o passar do tempo se tornam institucionalizadas, se tornando uma espécie de “lei” não escrita na forma como o negócio opera. Perceba agora que essas constantes mudanças causam perdas de rendimento e produtividade (não intencionadas) em torno do trabalho que é realizado diariamente. Enquanto essa sobrecarga não causar danos intencionais ao processo, o maior problema gerado é um efeito em cadeia à medida que seu impacto acumula, introduzindo constantes problemas nos fluxos de trabalho antecessores e sucessores (GUIA ABPM CBOK, 2013). Entretanto, embora as pequenas mudanças apresentem em um primeiro momento um impacto mínimo em outras partes da organização, com o passar do tempo e firmação dessas mudanças, as mudanças combinadas irão apresentar um sério impacto em toda a organização, que, por sua vez, irá resultar em uma ruptura no processo, degradando a qualidade e o desempenho do mesmo. Essa ruptura é causada pela perspectiva estreita do paradigma funcional e os limites que impõe ao focar mudança e seu impacto. Retirar essa limitação está entre as razões-chave para criar uma abordagem de gerenciamento corporativo de processos para controlar as mudanças e melhorar o desempenho geral (GUIA ABPM CBOK, 2013). As organizações atualmente dão muita atenção sobre a essência da estratégia e execução, entretanto, pouco tem sido discutido sobre os benefícios de 90 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS ter uma estratégia bem definida e consolidada em um contexto de gerenciamento corporativo de processos, apesar de muitos considerarem que são os processos de negócio que definem todo o contexto organizacional, ou seja, a maneira que o trabalho é realizado e como o mesmo irá criar valor para os seus clientes. Note que uma estrutura de processos centrada nos clientes, em nível corporativo, permite a definição do tamanho da lacuna entre o desempenho atual da organização e o desempenho que se espera atingir para os processos interfuncionais. Naturalmente, alinhar os processos com as estratégias de negócio da organização irá implicar no desenvolvimento de definições adequadas de estratégias, e isso pode acabar se configurando em alguns problemas. Contudo, para uma organização tomar uma determinada ação para o gerenciamento dos seus processos corporativos, é essencial atribuir a responsabilidade de prestação de contas para o desempenho desses processos. Esse é um desafio maior do que parece, já que a grande maioria das organizações continua sendo estruturada em limites funcionais (GUIA ABPM CBOK, 2013). Umas das formas de atender as necessidades de melhoria dos processos e implantar corretamente a visão voltada para a gestão corporativa de processos é atender as demandas dos gestores dos processos de negócio, gestão e suporte adotando algum critério de prioridade. Podem existir pelo menos três formas para o surgimento de demandas por melhoria contínua nos processos (MIRANDA; FERNANDO; WILLS, 2011): 1) Demandas vindas das prioridades estratégicas: projetos que necessitem de modelagem de negócio; 2) Demandas vindas do gerenciamento de processos: necessidades de automatização de processos, desenvolvimento de sistemas, dificuldade de alcance de metas, existência de risco de RH, problemas com atendimento aos clientes, sugestão de oportunidades de melhorias etc.; 3) Outras demandas provenientes de: recomendações de auditorias, demandas de legislação ou regulamentos. O atendimento dessas demandas citadas anteriormente deve obedecer algum tipo de priorização dos trabalhos de modelagem de processos no nível da gestão corporativa de processos ou no nível tático das unidades organizacionais com seus colaboradores, por meio de ações pontuais (iniciativas). Uma das formas de atender coordenadamente todas essas demandas é catalogá-las e programar os trabalhos com bastante antecedência. Uma boa prática é incluir essas demandas no planejamento de cada uma das áreas a serem atendidas, 91 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 de forma a institucionalizar as solicitações dos serviços da área de processos. Dessa forma, existem maiores chances de melhoria integrada e harmônica, principalmente dos processos que percorrem mais de uma unidade organizacional (MIRANDA; FERNANDO; WILLS, 2011). Uma saída para o atendimento pleno dessas demandas é a utilização da cadeia de valor como uma espécie de guia, o qual irá permitir seguir com as rotinas sem necessariamente modelar todos os processos. A organização e integração das necessidades de melhoria apresentadas ajuda a manter o foco da agregação de valor no cumprimento da missão organizacional e dos objetivos estratégicos da organização (MIRANDA; FERNANDO; WILLS, 2011). O BPM é sobre realizar uma transformação rápida e constante, de maneira a alcançar o sucesso e longevidade organizacional. Assim, não se espera que uma organização gaste muito tempo em análise e desenho de um novo processo, em uma tentativa desesperada de alcançar a perfeição ou ficar muito próximo ao 100%. Mas espera-se avançar rapidamente e se aproximar do correto, para então encontrar os furos e erros e passa a interagir novamente. Nesse modelo, tudo evolui e mudanças ocorrem rapidamente, sendo os principais problemas os que devem ser corrigidos primeiramente. Isso traz maiores benefícios de imediato e muda a curva de benefícios. A organização pode identificar um primeiro corte em processos de alto nível e o modo como interagem e, então, interagir e refinar os modelos, fornecendo uma estrutura de trabalho para a evolução de detalhes em diferentes áreas funcionais (GUIA ABPM CBOK, 2013). Modelos de Referência e Estruturas de Trabalho Para Processos Em essência, um modelo de referência de processo é uma noção utilizada em padronização conceitual para diversos segmentos da indústria. É uma representação abstrata das entidades e relações envolvidas em um tema, criando uma base conceitual para o desenvolvimento de modelos mais concretos e aplicáveis a casos reais, e em última instância, a sua implementação. Serve assim como um modelo abstrato para o desenvolvimento de modelos mais específicos em um determinado domínio, e permite comparação entre modelos similares (BALDAM et al., 2014). É uma representação abstrata das entidades e relações envolvidas em um tema, criando uma base conceitual para o desenvolvimento de modelos mais concretos e aplicáveis a casos reais, e em última instância, a sua implementação. 92 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Partindo do princípio de que, ao montar um modelo de referência de processos consistente, ele já passoupor fases de inovação de processo, benchmarking e análise de melhores práticas, esse modelo poderia representar um suprassumo do uso de determinados processos (BALDAM et al., 2014). a) Supply-chain operations reference-model (SCOR) da Suply-Chain Council O Supply-Chain Operations Reference-model (SCOR) é um modelo de referência de processos que tem sido desenvolvido e sustentado pelo Supply- Chain Council como uma ferramenta de diagnóstico para vários tipos de indústria para gerenciamento de cadeia de suprimentos. O SCOR habilita os usuários a encaminhar, melhorar e comunicar práticas de gerenciamento de cadeia de suprimentos entre todas as partes interessadas. Foi desenvolvido para descrever atividades associadas com todas as fases de satisfação da demanda do cliente (BALDAM et al., 2014). Por descrever a cadeia de suprimentos através da utilização de blocos de processos, o modelo pode ser usado corretamente para descrever desde simples a complexas cadeias, usando um conjunto comum de definições de processos (planejar, prover, executar, entregar e retornar). Como resultado, diferentes indústrias podem ser conectadas para descrever com profundidade virtualmente qualquer cadeia de suprimentos. Com influência em um número significativo de organizações no mundo, este é um dos modelos de referência mais conhecidos. Algumas organizações obtiveram grandes benefícios a partir de processos baseados no SCOR, pela análise de sua respectiva cadeia de suprimentos (BALDAM et al., 2014): • A Alcatel melhorou sua entrega imediata em 10% a 50% em nove meses e reduziu custos de aquisição de material para um terço; • A Mitsubishi Motors reduziu o número de veículos em portos de 45.000 para zero, economizando mais de US$ 100.000. Entretanto, perceba que obviamente o modelo em si não alcança os objetivos desejados, se configurando apenas como uma ferramenta de discussão e análise de processos (BALDAM et al., 2014). 93 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 b) Processes classification framework da APQC Fundada em 1977, a APQC é uma organização sem fins lucrativos que provê pesquisas de benchmarking e melhores práticas para aproximadamente 500 organizações espalhadas pelo mundo em todos os segmentos de indústrias. Criou em 2004, baseado no amplamente adotado Process Classification Framework, o OSBC, que é projetado para apoiar melhorias e mudança de pontos de vista sobre processos pela (BALDAM et al., 2014): • identificação de definições e métricas comuns; • acesso a benchmarks confiáveis e objetivos; • acessos a melhores práticas e direcionadores que proporcionaram alto desempenho. A Figura 10 trata de uma visão de alto nível do modelo neutro, aplicável a benchmarking, que permite que organizações vejam suas atividades a partir do ponto de vista de qualquer indústria (BALDAM et al., 2014). Originalmente criada em 1992 pela APQC e um grupo de membros, a estrutura de trabalho tem sido atualizada por mais de uma década. A PCF é apoiada pela base de dados OSBC e conselhos de empresas líderes mundiais, como um padrão aberto. A PCF permite à organização entender seus processos internos a partir de um ponto de vista horizontal, em vez do tradicional ponto de vista organizacional. Não são listados todos os processos de uma organização específica nem todos os processos listados são presentes em todas as organizações. Originalmente criado como uma taxonomia de processos de negócios, o projeto inicial envolveu mais de 80 empresas interessadas no avanço do benchmarking no mundo, independentemente do tamanho da indústria e localização. Empresas como Boeing, Ford, IBM e U.S. Navy participaram do projeto (BALDAM et al., 2014). Perceba que essa estrutura de classificação de processos ajuda a organização a realizar o alinhamento do seu processo de negócios com as melhores práticas do setor e a comparar seus processos de negócios com os processos de outras organizações. Dessa maneira, o quadro de classificação de processos é uma taxonomia de processos de negócios multifuncionais destinados a permitir a comparação objetiva do desempenho organizacional dentro e entre as organizações. 94 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Figura 10 – Modelo de estrutura de trabalho para classificação de processos APQC 1. Desenvolver visão e estratégia 4. Entregar produtos e serviços 5. Gerenciar serviços a clientes 2. Projetar e desenvolver produtos e serviços 3. Executar marketing e vender produtos e serviços 6. Desenvolver e gerenciar capital humano 11. Gerenciar relacionamentos externos 7. Gerenciar tecnologia da informação 12. Gerenciar conhecimento, melhoria e mudança 8. Gerenciar recursos financeiros 9. Adquirir, construir e gerenciar propriedades 10. Gerenciar saúde e segurança ambientais Fonte: Adaptado de Baldam et al. (2014). c) Enhanced telecommunications operations map (ETOM) da Telemanagement Forum Esse modelo é a referência de padrão de processos mais utilizada e aceita na indústria de telecomunicação. O eTOM descreve o escopo completo de processos de negócios requerido por um provedor de serviços da área afim, definindo elementos-chave de processos e como eles interagem. O eTOM equivale ao Information Technology Infrastructure Library (ITIL), o qual corresponde às melhores práticas na área de Tecnologia da Informação (BALDAM et al., 2014). A figura a seguir apresenta uma visão global de processos na visão eTOM, mostrando em primeiro plano como esses processos podem ser organizados quando essa visão é levada em consideração. Para organizações que adotam o eTOM, esse modelo serve como base de referência de processo (blue print) e provê um ponto de referência neutro para as necessidades de reengenharia, parcerias, alianças e acordos gerais com outros provedores. Já para fornecedores, o eTOM evidencia fronteiras em potencial de componentes de software com necessidades de clientes e aponta requerimentos funcionais, entradas e saídas que precisam ser apoiados pelos produtos de software (BALDAM et al., 2014). 95 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 Figura 11 – Visão Global de Processos na visão eTOM Clientes Suporte e Fácil da Operação Implantação FaturamentoGarantiaProdutos Gerência Infraestrutura Gerência Estratégia & Compromisso Gerência de Marketing e Oferta Gerência de Relacionamento com Clientes Gerência e Operação de Serviços Gerência e Operação de Recursos Gerência de Relacionamento com Fornecedores/ Parceiros Desenvolvimento e Gerência de serviços Desenvolvimento e Gerência de recursos Desenvolvimento e Gerência de Canais de Fornecimento Gerenciamento da Empresa Planej. Estratégico e Empresarial Ger. de Marca, Pesquisa Mercado e Propaganda Gestão da Qualidade Emp., Processos, Planej. e Arquit. de IT Pesq., Desenv., e Aquisição de Tecno. Ger. Financeira e Ativos Ger. Relacionamentos Externos e Interessados Ger. de Recursos Humanos Ger. de Fraudes, Segurança e Restauração de Desastres Fonte: Disponível em: <http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialgermud/pagina_3.asp>. Acesso em: 14 jul. 2018. d) Mit Process Handbook O MIT Process Handbook é um projeto do Massachusetts Institute of Technology iniciado em 1991 e pode ser conhecido tanto por meio do seu site quanto por meio do livro: Organizing Business Knowledge: The MIT Process Handbook, escrito por W. Thomas e Kevin Malone (CRUZ, 2010). A meta do MIT Process Handbook Project é desenvolver bibliotecas on-line para compartilhar e gerenciar vários tipos de conhecimento sobre negócios. Por exemplo, as bibliotecas podem ajudar a encontrar exemplos de casos, gerar ideias inovadoras sobre possibilidades de negócios e desenvolver novos programas de computador. Criado em 1991, consiste de extensivo repositório incluindo mais de cinco mil atividades de negócios e um conjunto de ferramentas de software para gerenciar esse conhecimento. O conhecimento no MIT eBusiness Process Repositoryé classificado usando uma estrutura de duas dimensões, compondo uma bússola de orientação da atividade dentro dos diversos processos relacionados. Essa estrutura ajuda a criar conexões entre diferentes tipos de conhecimento de negócios. Permite ainda criar novas ideias de como funcionam as atividades nas interações de negócios (BALDAM et al., 2014). 96 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS e) Rosettanet O RosettaNet é um consórcio sem fins lucrativos cuja meta é estabelecer padrões de processos para o compartilhamento de informações em negócios (B2B). Fazem parte do consórcio as maiores companhias de eletrônicos de consumo e computadores, componentes eletrônicos, fabricantes de semicondutores, telecomunicações e logística, que trabalham para criar e implementar padrões de processos para B2B abertos. Estes padrões formam uma linguagem comum, alinhando processos entre parceiros de cadeia de valor numa base global. O RosettaNet é uma subsidiária da GSI USA (os padrões GS1 são as empresas de idiomas compartilhadas que se usam para vender, crescer, continuar competindo e até mesmo se reinventar), formando o Uniform Code Council, Inc. (UCC) (BALDAM et al., 2014). Entre os principais benefícios possíveis com a adoção do RosettaNet, incluem-se: • Processos de compra 100% livres de erro; • 80% de redução em transações manuais; • Redução de inventários de quatro a duas semanas; • Diminuição em alterações de pedidos de 16,5% a 7,8%; • 78% menos envios de material, diminuindo custos de logística; • Redução em tempo de planejamento de oito a quatro semanas. B2B significa business-to-business e se refere a duas empresas que fazem negócios como cliente e fornecedor. O oposto desse conceito seria B2C, ou seja, business-to-costumer, em que o consumidor final é uma pessoa física. A sigla B2B se tornou um modelo de negócio extremamente lucrativo, com métricas e técnicas de gestão específicas, um marketing lucrativo e modelo de vendas agressivo. O B2B pode também ser definido como trocas de mensagens estruturadas com outros parceiros comerciais a partir de redes privadas ou de internet, de maneira a criar ou inovar as relações de negócios. f) Modelo DOMP O modelo DOMP foi criado por Cruz (2010) ao longo de mais de 20 anos de prática em projetos de análise, desenho, redesenho, modelagem, melhoria, organização, documentação, otimização e gerenciamento de processos de 97 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 negócios. DOMP significa Documentação, Organização e Melhoria de Processos. Esse modelo busca sintetizar a complexidade que todo e qualquer processo de negócio tem, por mais simples que ele seja. O ponto central da metodologia DOMP é a análise de três princípios fundamentais, existentes em qualquer processo de negócio. Batizados de eventograma, infograma e funcionograma, eles permitem a análise da menor parte de qualquer processo de negócio: o evento e o microevento. Eles não são atividades, são as menores partes de um processo de negócio (CRUZ, 2010). Sejam simples ou complexos, os processos têm que ter (são) pelo menos uma cadeia de eventos, porque têm que ter (são) pelo menos uma cadeia de atividades. Na vida real, os processos em geral têm muitas cadeias de eventos também porque têm muitas cadeias de atividades. Atividades estão sempre ligadas a eventos e estes estão, às vezes, ligados a microeventos (CRUZ, 2010). Por isso, a rigor: Todo processo é um conjunto de eventos inter-relacionados, dispostos numa sequência lógica e cronológica para produzir um bem ou serviço. O princípio DOMP aplica-se até mesmo a processos que são executados na vida pessoal de qualquer um, embora esses processos geralmente passem despercebidos por já estarem incorporados no nosso cotidiano. g) Modelo de processo de negócio do NP2TEC-UNIRIO Embora não seja considerado um modelo de processo de negócio stricto sensu, a abordagem desenvolvida pelos pesquisadores do NP2TEC da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO) para desenho, redesenho e modelagem de processos tem o mérito de integrar as fases desenvolvidas em tempos variáveis com a fase de gerenciamento, permitindo uma visão global de todo o ciclo de vida de qualquer processo de negócio (CRUZ, 2010). A abordagem NP2TEC se baseia em iterações sucessivas nas quais os diversos modelos que representam o negócio são construídos de forma incremental. A situação atual (AS-IS) dos processos é modelada e avaliada, e melhorias são propostas e refletidas no modelo desejado (TO-BE ou What If). Dessa maneira, o ciclo evolutivo dos modelos parte da estratégia do projeto e segue até a implementação da situação desejada (CRUZ, 2010). 98 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS O modelo do NP2TEC-UNIRIO para a gestão integrada de processos mostra que a construção de sistemas de informações deve estar totalmente aderente ao processo de negócio por meio de uma arquitetura tecnológica corporativa, desenvolvida, criada e implantada a partir da modelagem dos processos, dando origem a um círculo virtuoso extremamente benéfico à organização (CRUZ, 2010). h) Modelo genérico de processo de negócio Seja qual for o modelo consultado e empregado para as discussões iniciais sobre processos de negócio, a preocupação deve ser sempre a de entender o modelo à luz das nossas necessidades e assim servir dele para encontrar soluções para os problemas de produção que viermos a ter nas organizações. Mesmo com as características próprias de cada modelo, enxerga-se em cada um os princípios básicos de um processo de negócio (CRUZ, 2010). Figura 12 – Modelo genérico de processo de negócio Fonte: Adaptado de Cruz (2010). Quase todos os modelos de processos de negócios têm como preocupação principal mostrar clara e objetivamente a dependência da produção de bens e serviços com uma ordem “processual” das tarefas que têm que executar para produzi-las. Nada que tenhamos que produzir o poderá ser sem que as sequências lógica e cronológica, a que damos nome de processo de negócio, tenham sido criadas e implantadas (CRUZ, 2010). i) Análise e modelagem de processos de negócio A seguir será apresentado um roteiro simplificado de análise de processos, segundo Pradella, Furtado e Kipper (2012). Fase I – Preparando-se para a análise dos processos Os processos dentro de uma organização nem sempre são totalmente visíveis e conhecidos. Assim, para se preparar para a análise de processos, o 99 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 mapeamento de processos pode ser uma ferramenta gerencial analítica de comunicação cujo objetivo seria ajudar a melhorar os processos existentes. A partir disso, é o momento de identificar o conjunto de atividades que compõem os processos. Todas as ações dentro de um processo são realizadas de acordo com as atividades a serem desenvolvidas. Quando não se consegue realizar um processo conforme as metas estabelecidas, é necessário descobrir, analisar e corrigir nas atividades os problemas que estão causando o não atingimento dos resultados esperados, pois, a rigor, a não ser por suas atividades, todo o processo é considerado abstrato. Regularmente, muitas organizações realizam revisões e acabam atualizando seus planos estratégicos. As mesmas estudam o mercado e o cenário da concorrência para novas oportunidades e estabelecem novas metas a serem alcançadas. A análise do processo precisa ocorrer seguindo uma atualização do plano estratégico, para realinhar os processos de forma a atingirem os novos objetivos da organização. Etapa 1 – Identificar a necessidade de melhoria Identificar os processos onde haja a necessidade de melhoria. Se for identificado mais de um processo, deve ser feita uma avaliação e ordená-los, uma vez que não é aconselhável disparar várias iniciativas de modelagem e análise simultâneas. Uma vez identificado o processo a ser analisado, suas oportunidades de melhoria deverão ser formalmente definidaspara servirem de objetivo do trabalho a ser executado e, principalmente, para conhecimento dos escalões superiores da organização. Etapa 2 – Obter patrocínio da alta administração Um dos fatores de sucesso de um projeto de otimização de processos é o apoio dos mais altos níveis da administração da organização. Etapa 3 – Designar representantes setoriais para formar o comitê de mudanças Deve ser nomeado um comitê de mudanças com o propósito de decidir entre alternativas identificadas, e quais serão efetivamente as mudanças a serem implementadas. Esse comitê deverá atuar sob a orientação do patrocinador. Etapa 4 – Implementação da ferramenta 100 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Se estiver previsto o uso da ferramenta de análise de processos, nessa etapa deve ser escolhida e implementada a ferramenta em questão. Etapa 5 – Nivelamento sobre o trabalho a ser realizado Deve ser preparada palestra para dois níveis: • Genérica: para ser aplicada a toda a equipe profissional dos setores envolvidos; • Técnica: profissionais para os diretamente envolvidos no projeto. Etapa 6 – Identificar as fases do ciclo de vida dos processos Após o treinamento do comitê de mudanças, o ciclo de vida completo dos processos de negócio precisa ser identificado e documentado. Para fazer isso, esse comitê precisará identificar os componentes estratégicos da organização (visão, missão, objetivos etc.) tendo como diretrizes a política e a estratégia de negócio da organização. Etapa 7 – Criar uma visão estratégica Para progredir, a organização deve possuir ou, ainda não tendo, deve construir uma “visão” para o que deseja ser no futuro, onde pretende chegar em seu segmento, no mercado em geral, no país ou no mundo. Deve ser identificada a estratégia sob a qual será lançado esse objetivo. Etapa 8 – Analisar o contexto do projeto Antes de iniciar a etapa de análise, o comitê de mudança deve examinar e entender o ambiente e as condições em que o processo opera, identificando os níveis de mudanças necessárias e os obstáculos que precisam ser superados para que a análise de processos tenha êxito. Com isso, será determinado o escopo de análise, inclusive temporal, limitando os esforços do trabalho a um horizonte factível. Etapa 9 – Implementar um programa gerencial de mudanças Para agilizar o trabalho, otimizando resultados, devem ser implementadas ações proativas para monitorar a condução dos trabalhos. Fase II – Seleção do processo a ser otimizado 101 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 Apesar de que o processo a ser analisado tenha sido previamente selecionado, pode haver instâncias de prioridades concorrentes e diversos processos que deveriam ter sido analisados. Escolher qual processo deve receber prioridade para otimização é um exame das metas mais importantes dos negócios da organização. Uma meta crítica define a razão da existência de uma determinada organização e é o que controla o seu sucesso. Um bom exemplo disso são as companhias aéreas. As mesmas existem para colocar pessoas em aviões e é assim que elas ganham o seu dinheiro. Quanto mais pessoas elas puderem colocar no ar, mais aviões elas poderão ter e, consequentemente, mais lucro terão. Seja qual for o método escolhido para classificar os processos de análise, os processos escolhidos devem estar alinhados diretamente com os objetivos da organização e devem ter um impacto positivo para o resultado dos negócios mais importantes. Etapa 1 – Identificar e selecionar os processos de negócio a serem analisados Preferencialmente, deve-se analisar a menor quantidade de processos possível como forma de centrar esforços nos processos que ofereçam melhores oportunidades de resultado, o que também deve ser mensurado. Assim, os processos candidatos deverão ser avaliados e o escolhido será então trabalhado. Devem ser identificados possíveis critérios de escolha, e estes devem ser ranqueados, identificando-se os mais importantes para a organização. Os processos escolhidos deverão ser modelados mediante decomposição em subprocessos e atividades que possam ser entendidas, analisadas e otimizadas. Etapa 2 – Definição de medidas de desempenho Para medir o desempenho de um processo, é comum usar três medidas básicas: eficiência, eficácia e adaptabilidade. A eficiência é uma medida de volume e serve para avaliar a produtividade de um processo, ou seja, quanto de produção pode ser obtida para cada unidade de recurso despendido. A eficácia define quanto o processo atende as necessidades e expectativas dos clientes internos e/ou externos. Mede a qualidade do processo em gerar produto ou serviço de acordo com o padrão de qualidade esperado. Já a adaptabilidade é a medida de “quanto” um produto ou serviço pode ser customizado para atender a seu cliente – interno ou externo. Fase III – Identificar as melhorias a serem implementadas 102 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Toda informação obtida através da análise deve estar em concordância com todos os envolvidos e os que interagem com o processo. Deve representar o que realmente está ocorrendo e não o que é imaginado ou desejado que aconteça. Deve ser também uma visão imparcial, sem atribuir culpas pelas ineficiências existentes. O resultado dessa análise deve identificar quais pontos devem ser melhorados, assim como as melhorias que podem ser implementadas, formando uma base para o projeto do processo. A identificação irá certamente gerar um conjunto de informações necessárias para a organização tomar decisões bem fundamentadas, acessando as atividades do negócio. Sem isso, as decisões são tomadas com base em opiniões ou intuições, em detrimento dos fatos documentados e validados. Da mesma forma, assim como o ciclo dos negócios flutua e as necessidades dos clientes mudam, os produtos e serviços oferecidos também irão se alterar. Ao serem combinados com as modificações das regras do governo, condições econômicas, estratégias da sociedade, tecnologia e mudanças internas de liderança, os processos podem rapidamente se tornar inconsistentes em comparação com o seu desenho original e, assim, as melhorias são de extrema importância. Etapa 1 – Identificar os requisitos dos clientes Obter a opinião e a definição das necessidades e expectativas dos clientes quanto ao produto ou serviço gerado pelo processo. Essas informações são fundamentais para o atendimento dos objetivos estratégicos de qualidade e satisfação e devem ser consideradas na avaliação. Etapa 2 – Determinar o nível de melhoria a ser atingido Cada processo deve ser avaliado e confrontado com o objetivo final de otimização definido no item anterior. Recomenda-se que seja elaborada uma tabela de avaliação, contendo o nome do processo e suas atividades para determinação do nível de melhoria a ser atingido. Etapa 3 – Avaliação de desempenho com outras organizações A avaliação comparativa do desempenho da organização em estudo contra outras de mesma atuação/porte ou com empresas líderes em seu segmento pode trazer contribuição significativa para determinar o desempenho ideal a ser obtido pelo processo. Essa prática deve ser uma constante, para que o desempenho possa ser frequentemente aferido e possam ser tomadas eventuais providências para manutenção de um desempenho compatível com a concorrência. 103 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 Etapa 4 – Reengenharia do processo Em geral, as atividades ou ações visando à otimização do processo compreendem: • Obter sugestões dos profissionais que atuam no processo para que contribuam na otimização; • Eliminar ou modificar as atividades que não agreguem valor ou que sejam explicitamente retrabalho; • Identificar e implementar melhorias na sequência das atividades, evitando repetições ou retrocessos desnecessários; • Selecionar e designar o melhor executor para cada atividade; • Agrupar as atividades complementares; • Transferir as decisões operacionaispara o nível do processo; • Racionalizar os controles mantendo apenas os essenciais; • Reduzir o tempo de atividade com a substituição do recurso; • Eliminar os pontos de retenção e os gargalos. Etapa 5 – Revisão dos modelos Com os resultados das ações do item anterior, os modelos originais devem ser revisados e as melhorias devem ser implementadas em seu escopo. Em casos onde haja mais de uma sugestão de melhoria, deve ser feita mais de uma versão do mapa para que possam ser avaliadas, comparadas e escolhida a melhor. Etapa 6 – Simulação das alternativas de melhoria As alternativas de melhoria propostas devem ser analisadas e, caso se disponha de uma ferramenta de análise/simulação, essas alternativas devem ser submetidas à ferramenta para que se possa avaliar o comportamento do processo em cada cenário proposto. O modelo que apresentar melhor resultado deverá ser o escolhido para a implementação final. Fase IV – Implementação do processo otimizado O cenário precisa ser aprimorado para que as organizações possam atingir melhores níveis. Enquanto os programas de melhoria contínua mantêm um nível incremental e constante no aperfeiçoamento dos processos, as abordagens que permitem mudanças mais profundas, ou que quebram antigos paradigmas, permitem incrementos maiores. A implementação de um novo processo otimizado 104 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS se inicia com a revisão de todo o trabalho efetuado nas etapas anteriores, levantamento dos problemas a serem resolvidos, a inovação a ser efetuada e os critérios e metas estabelecidos para o novo processo. Com base nessas informações, busca-se conhecer outras práticas através de benchmarking, que possam servir de subsídio ao projeto a ser desenvolvido, elaborando o mapa do novo processo, mais otimizado, de maneira a incorporar o máximo de melhorias possíveis. Etapa 1 – Disponibilizar a infraestrutura necessária • Definir o método de implementação: instantâneo ou em paralelo; • Obter a aprovação formal e final para implementação; • Identificar e implementar as mudanças organizacionais necessárias; • Identificar e implementar a infraestrutura necessária; • Disponibilizar os recursos extras necessários, inclusive pessoas e treinamento. Etapa 2 – Implementação • Programar uma simulação; • Implementar a nova estrutura do processo; • Definir e programar ciclos de monitoramento e reavaliação. Casos de Destaque na Gestão de Processos A adoção de propostas de modernização deve considerar características específicas do setor, visto que a realidade no Brasil é bastante complexa e difere amplamente da realidade externa. Isso faz com que algumas medidas não funcionem sem o enfretamento de problemas relacionados com burocratização, formalismo, corporativismo, centralização e distanciamento do cidadão. Da mesma forma que o setor público, o setor privado também necessita de propostas de modernização. Diante da percepção de problemas, pode-se constatar a necessidade de analisar os processos, visando melhorá-los para se obter sucesso. O principal e mais importante não está em encontrar uma solução ótima e definitiva, como em outros métodos de gerenciamento, mas sim, conseguir o compromisso com a mudança a ser feita, para depois relatar a aplicação da teoria e também resistência à aplicação de determinada técnica. A seguir serão apresentados alguns exemplos de organizações que alcançaram o sucesso através da adoção de técnicas de gestão de processos. 105 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 a) Natura A Natura se destacou pela capacidade de perceber e praticar uma gestão de processos inserida dentro do contexto da gestão organizacional como um todo. Também se destacou por apresentar uma estrutura/framework e uma metodologia para gestão de processos. A gestão de processos na Natura está vinculada à área de gestão, responsável pelo Sistema de Gestão Natura. A organização faz questão de não chamar essa área de escritório de processos. Essa decisão tem o objetivo de reforçar que a gestão se faz com lógica de processos, não só com processos (PAIM et al., 2009). Na Natura, os processos são desdobrados da estratégia, há relação com indicadores de desempenho e também integração entre outros elementos gerenciais. A metodologia da Natura tem 10 passos bem estruturados. Essa metodologia é aplicada gradativamente em diferentes processos e tem os seguintes destaques (PAIM et al., 2009): • suporta a estratégia de internacionalização da Natura; • está claramente referenciada por um macroprocesso, que vem sendo aprimorado ao longo de três anos. Atualmente, esse macroprocesso se encontra em uma versão que já incorpora uma lógica de processos transversais (de...até...). Estão caminhando muito bem para melhorar essa representação e alinhar os processos ao modelo de gestão da Natura e à estratégia de negócios; • há uma ferramenta para priorização de processos que considera a maturidade dos processos e orienta bem a decisão de qual processo selecionar para apoiar a estratégia e gerar resultados para a organização e os acionistas; • há uma ferramenta para a classificação da maturidade e a qualidade dos processos; • os processos são entendidos como importantes para o crescimento porque contribuem para uma estruturação organizacional e para melhorar a coordenação, dificultada pela hierarquia verticalizada, como em qualquer empresa; • em relação à gestão de processos, a área de gestão tem os seguintes objetivos: desenvolver, implantar e manter a metodologia de gestão de processos; promover melhorias nos processos da Natura; assegurar a certificação ISO 9001 dos processos; documentar os processos; promover a capacitação (treinamento) em gestão de processos dos colaboradores Natura; criar desdobramento e instrumentos para difusão da gestão de processos, como a inclusão na PLR (participação nos lucros e resultados); • o modelo de gestão de processos da Natura também se destaca por perceber a relação de processos com a cultura organizacional. Em função dessa percepção, as lideranças são atores-chave para a disseminação da gestão de processos. 106 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS b) CSC da Vale O Centro de Serviços Compartilhados da Companhia Vale, ou CSC da Vale, teve como maior destaque o foco em resultados e a estruturação interna do escritório de processos. A principal motivação da criação do escritório de processos no CSC da Vale foi a internalização e a necessidade de padronizar suas operações em diferentes localidades. A estruturação do escritório desde sua formação seguiu uma lógica forte de busca pela geração de resultados. Por exemplo, o objetivo não é somente produzir modelos de processos, mas modelar processos dentro de um contexto de aprimorar a gestão e, como consequência, gerar mais resultados para a organização como um todo. Esses resultados são orientados para o “cliente” do CSC, que pode ser entendido como a própria CVRD, mas gera uma diretriz de produzir resultados para o próprio CSC ao reduzir custos e aumentar a produtividade (PAIM et al., 2009). A estruturação interna do escritório de processos do CSC conta com um gestor principal do escritório, um assessor e vários gerentes de processos. Cada um desses gerentes fica responsável por levantar, melhorar e implantar os processos. Esses gerentes são auxiliados pelos profissionais que atuam nos departamentos funcionais quando entram no ciclo de vida do desenho de processos. A gestão do dia a dia no CSC tem donos de processos fora do escritório de processos, que são responsáveis por receber a demanda da CVRD e atendê-la por completo. De modo simplificado, o escritório tem estrutura interna com gestor de processos em cada unidade, responsável pelas melhorias nos processos funcionais de apoio indicados nas unidades de linha. Nessas unidades, a única exceção é a unidade para desenhar macroprocessos. Ainda nas unidades de linha, pode ser percebido que elas estão definidasem função das áreas do CSC. O escritório tem a sigla de COGPR – Coordenação de Gestão por Processos (PAIM et al., 2009). O escritório de processos surgiu em agosto de 2006, a partir de uma iniciativa individual, com o intuito de padronizar o entendimento dos processos. Em abril de 2007, o escritório foi fisicamente criado e passou a atender todas as demandas de processos do Centro de Serviços Compartilhados da Vale. Atualmente, o escritório já é completamente aceito por demonstrar ganhos de eficiência (PAIM et al., 2009). O escritório, subordinado a área de Planejamento & Gestão, conta com o apoio de consultoria externa para modelar todos os processos do CSC. Com apoio dessa consultoria, o CSC definiu que o escritório tem como objetivo sustentar a dispersão geográfica, replicando o “conceito” e a estrutura da visão por processos para os demais países de atuação no mundo. De forma mais específica, o escritório objetiva aportar metodologias; dar visibilidade aos processos e aos resultados gerados por eles; manter padrão do modelo de gestão (função normativa); estabelecer uma gestão por processos; e garantir replicabilidade de suas ações em qualquer 107 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 situação/lugar. Além disso, deve estabelecer prazos para ações que envolvam processos, garantir que todas as iniciativas estejam alinhadas à estratégia da empresa, definir as iniciativas prioritárias e garantir que existam indicadores que medirão a evolução das iniciativas depois das implantadas (PAIM et al., 2009). O escritório está em fase de levantamento de alguns processos e de melhoria em outros, mas seguirá todo o ciclo de vida do desenho de processos para, principalmente, conseguir implantar os mesmos processos em diferentes localidades (PAIM et al., 2009). Atividades de Estudos: 1) Conceitue EPM. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 2) Qual o significado de cadeia de valor. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 3) Conceitue efeito silo. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 4) O que é um modelo de referência para processos? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 108 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Algumas Considerações Este capítulo teve como objetivo principal apresentar uma pesquisa detalhada sobre a gestão corporativa de processos (do inglês EPM: Enterprise Process Management), buscando mais especificamente apresentar meios de como realizar a introdução dessa prática no meio organizacional e como manter a mesma. Sempre buscando estabelecer um diálogo com o aluno, de maneira a facilitar o entendimento do assunto, explicando detalhadamente conceitos e/ou técnicas disponíveis para se realizar a transição para o EPM, corretamente. Nesse sentido, foi realizada uma revisão bibliográfica, em que o aluno foi posicionado em um cenário atual de uma organização, sendo introduzidos ao aluno os requisitos para o gerenciamento corporativo de processos e dois conceitos novos: cadeia de valor e efeito silo. Em seguida, o aluno é apresentado aos modelos de referência de processos, os quais se configuram como um modelo abstrato para o desenvolvimento de modelos mais específicos em um determinado domínio, permitindo a comparação entre modelos similares. Os modelos citados nesse capítulo foram: Supply- Chain Operations Reference-model (SCOR) da Suply-Chain Council, Processes Classification Framework da APQC, Enhanced Telecommunications Operations Map (eTOM) da Telemanagement Forum, MIT Process Handbook, RosettaNet, Modelo DOMP e Modelo de processo de negócio do NP2TEC-UNIRIO. Dando continuidade ao conteúdo, é apresentado ao aluno um roteiro para análise e modelagem de processos de negócios, composto por quatro fases e, por fim, são citados dois casos de sucesso na gestão de processos: Natura e CSC da Vale. Embora tudo o que foi apresentado no decorrer desse capítulo foi exposto com um bom nível de detalhe, perceba que mesmo assim há uma necessidade de o leitor buscar mais formas para explorar a literatura disponível e ampliar os seus conhecimentos sobre o assunto. 109 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 Referências ALMEIDA, M. Sistemas de medição de desempenho. Disponível em: <http:// marcioqualy.blogspot.com.br/2013/06/sistemas-de-medicao-de-desempenho. html>. Acesso em: 15 jul. 2017. ARAUJO, K. F. N. As boas práticas do gerenciamento dos processos de uma cadeia produtiva. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/ negocios/as-boas-praticas-do-gerenciamento-dos-processos-de-uma-cadeia- produtiva/57169/>. Acesso em: 14 jul. 2017. ASSESPRO. Organização de empresas orientada por processos. Disponível em: <http://assespro.org.br/na-midia/noticias-regionais/2011-10-14-organizacao- de-empresas-orientada-por-processos/>. Acesso em: 14 jul. 2017. BALDAM, R. L. et al. Gerenciamento de processos de negócios: BPM - Business Process Management. 2. ed., 9. reimpr. São Paulo, SP: Érica, 2014. 240 p. BARRIOS, B. Perfil do analista de processos: Tudo menos acomodado. Disponível em: <https://www.tiespecialistas.com.br/2012/06/perfil-do-analista-de- processos-tudo-menos-acomodado//>. Acesso em: 20 jul. 2017. CANAVER, G. ITIL Foundation – Papéis Genéricos no Gerenciamento de Serviços. Disponível em: <https://gustavocanaver.wordpress.com/2014/04/15/ itil_11/> Acesso em: 17 jul. 2017. Coordenação Técnica do Escritório de Processos/CTEP. Manual Interativo de Gestão por Processos Organizacionais. Brasília, DF. P 1 - 39, 2015. CRUZ, T. BPM & BPMS: Business Process Management & Business Process Management Systems. 2. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2010. DE FALCO, A; CASTANHEIRA, R. O processo de gestão de pessoas em empresas de comunicação. Comunicação & Mercado, v. 01, n. 01, p. 21–35, 2012. ELOUGROUP. Governança de bpm: abordagem para a governança de bpm – parte 1. Disponível em: <http://elogroup.com.br/conhecimento/insights/ governanca-de-bpm-abordagem-para-a-governanca-de-bpm-parte-1/>. Acesso em: 26 jul. 2017. 110 PRÁTICAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Guia para o Gerenciamento de Processos de Negócio Corpo Comum de Conhecimento ABPM BPM CBOK V. 3.0, 1ª edição, Association of Business Process Management Professionals, 2013. IDEIA CONSULTORIA. Gerenciamento corporativo de processos. Disponível em:<https://ideiaconsultoria.com.br/post/2291/gerenciamento-corporativo-de- processos>. Acesso em: 30 jul. 2017. JESTON, J.; NELIS, J. Business process management: practical guidelines to successful implementations. 2. ed. Estados Unidos: Elsevier Publishing Company, 2008. MIRANDA, S. V. de; FERNANDO, L.; WILLS, Z. Gestão corporativa de processos. p. 19-68, 2011. MOTA, A. Comitê de processos o catalisador organizacional. Disponível em: <https://www.baguete.com.br/artigos/671/alexandre-mota/17/07/2009/comite-de- processos-o-catalisador-organizacional>. Acesso em: 26 jul. 2017. NEPOMUCENO, B. G. O Analista de processos deve saber ouvir. Disponível em:<http://www.bgnweb.com.br/portal2/2015/04/10/o-analista-de-processos- deve-saber-ouvir/> Acesso em: 20 jul. 2017. NEVES,M. Profissão de analista de negócios: por onde começar. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/tecnologia/profissao-de-analista- de-negocios-por-onde-comecar/94121/>. Acesso em: 25 jul. 2017. PAIM, R.; CARDOSO, V.; CAULLIRAUX, H.; CLEMENTE, R. Gestão de processos – pensar agir e aprender. Ed. Bookman, 2009. PIRES, M. L. A. V. Governança de processos. Disponível em: <http://ideiasbpm. blogspot.com.br/2011/08/governanca-de-processos.html>. Acesso em: 26 jul. 2017. PRADELLA, S.; FURTADO, J. C.; KIPPER, L. M. Gestão de processos: da teoria à prática: Aplicando a metodologia de simulação para a otimização do redesenho de processos. São Paulo, SP: Atlas, 2012; PROJECT BUILDER. A cultura organizacional e o gerenciamento de projetos: qual a relação? Disponível em: <http://www.projectbuilder.com.br/blog-home/ entry/blog-gestao-de-projetos/a-cultura-organizacional-e-o-gerenciamento-de- projetos-qual-a-relacao>. Acesso em: 15 jul. 2017. 111 Gestão Corporativa de Processos Capítulo 3 RIBEIRO, C. P. O papel do analista de negócios em TI nas empresas. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/tecnologia/o-papel-do- analista-de-negocios-em-ti-nas-empresas/49702/>. Acesso em: 25 jul. 2017. SANTOS, R. O Dono do Processo. Disponível em: <http://www.rildosan. com/2012/02/dono-do-processo.html>. Acesso em 17 jul. 2017. SECRETARIA. Jurídica e de Documentação Escritório de Processos Organizacionais do MPF. Manual de gestão por processos. Brasília, DF. P 1 - 61, 2013. SOFTPLAN. Gerenciamento corporativo de processo: vale a pena. Disponível em: <http://www.e-gestaopublica.com.br/gerenciamento-corporativo-de-processo- vale-a-pena/>. Acesso em: 29 jul. 2017. TEZZA, R.; BORNIA, A. C.; VEY, I. H. Sistemas de medição de desempenho: uma revisão e classificação da literatura. p. 75–93, 2010. XAVIER, R. O.; DORNELAS, J. S. O papel do gerente num contexto de mudança baseada no uso da tecnologia CRM. p. 9–30, 2006. VENKI, G. Analista de processos BPM: quem é esse profissional no Brasil. Disponível em: <http://www.venki.com.br/blog/analista-de-processos-bpm/>. Acesso em: 19 jul. 2017. VENKI, G. Arquitetura de processos: a base do BPM em sua empresa. Disponível em: <http://www.venki.com.br/blog/arquitetura-de-processos/>. Acesso em: 25 jul. 2017.