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GESTÃO DE SERVIÇOS Susana Elisabeth Neumann Em um mundo altamente globalizado, as organizações são pressionadas a me- lhorar continuamente seus produtos e serviços, de modo mais rápido e eficaz que a concorrência. Por isso, a atuação com serviços diferenciados poderá propiciar às organizações resultados efetivos, assim como a rentabilidade e a manutenção de vantagem competitiva para sobreviver em longo prazo e asse- gurar a fidelidade e a lealdade de seus consumidores. Este livro percorre os diversos processos da administração de serviços, setor que mais cresce em todas as economias mundiais, e tem como objetivo ser um norteador valioso a todos os que desejam se atualizar sobre os novos caminhos que a área de serviços vem construindo nos últimos anos. G es tã o G E S T Ã O D E S E R V IÇ O S S us an a E lis ab et h N eu m an n 46239_CAPA_Gestao_de_servicos.indd 1 13/06/2016 15:18:41 Susana Elisabeth Neumann IESDE BRASIL S/A Curitiba 2016 Gestão de Serviços 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 1 30/06/2016 08:39:11 CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ N411g Neumann, Susana Elisabeth Gestão de serviços / Susana Elisabeth Neumann. - 1. ed. - Curitiba, PR : IESDE BRASIL S/A, 2016. 272 p. : il. ; 21 cm. ISBN 978-85-387-5767-2 1. Administração de empresas. 2. Prestação de serviços. I. Título. 16-30451 CDD: 658 CDU: 658 Direitos desta edição reservados à Fael. É proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem autorização expressa da Fael. © 2016 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais. Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br Produção FAEL Direção Acadêmica Francisco Carlos Sardo Coordenação Editorial Raquel Andrade Lorenz Revisão IESDE Projeto Gráfico Sandro Niemicz Capa Evelyn Caroline dos Santos Betim Imagem Capa brainpencil/Shutterstock.com Arte-Final Evelyn Caroline dos Santos Betim Sumário Carta ao Aluno | 5 1. Introdução ao setor de serviços | 9 2. Serviços como diferencial competitivo | 33 3. Diferenciação entre produtos e serviços |55 4. Conceituação e características dos serviços | 77 5. Os serviços e o gerenciamento de processos | 95 6. Estratégias na operacionalização de serviços | 121 7. Introdução ao comportamento do consumidor | 145 8. A administração dos recursos humanos em serviços | 169 9. O processo da qualidade em serviços | 197 10. A influência da tecnologia da informação em serviços | 219 Gabarito | 247 Referências | 259 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 3 30/06/2016 08:39:12 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 4 30/06/2016 08:39:13 Carta ao aluno Em um mundo altamente globalizado, as organizações são pressionadas a melhorar continuamente seus produtos e serviços, de modo mais rápido e eficaz que a concorrência. Por isso, a atuação com serviços diferenciados poderá propiciar às organizações resulta- dos efetivos, tais como a rentabilidade e a manutenção de vantagem competitiva para sobreviver em longo prazo e assegurar a fidelidade e lealdade de seus consumidores. Este livro percorre os diversos processos da administração de serviços, o setor que mais cresce em todas as economias mun- diais, e tem como objetivo ser um norteador valioso a todos os que desejam se atualizar sobre os novos caminhos que a área de servi- ços vem construindo nos últimos anos. Inicialmente, o capítulo 1 contextualiza o setor de serviços e sua importância no cenário eco- nômico no Brasil, abordando os principais desafios e as tendências para esse setor. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 5 30/06/2016 08:39:13 – 6 – Gestão de Serviços Em seguida, o capítulo 2 aborda as diversas oportunidades existentes no setor de serviços e os desafios para as empresas competirem nesse cenário, de tal modo que possam assegurar uma sustentável criação de valor através de seus serviços. O capítulo 3 identifica e apresenta as diferenças entre os produ- tos, bens e serviços e explica como os serviços poderão ser um diferencial para os consumidores que cada vez mais procuram praticidade, conforto, bem- -estar e comodidade em seus atos de consumo. É fato que os serviços possuem características específicas que os diferen- ciam de bens físicos. Desse modo, o capítulo 4 conceitua e classifica os servi- ços e detalha as principais características dos serviços, como a intangibilidade, inseparabilidade, heterogeneidade e perecibilidade. No entanto, o gerenciamento dos processos de serviços é essencial, visto que o serviço normalmente é oferecido, produzido e consumido simultanea- mente, exigindo processos eficazes em sua execução. Nesse contexto, o capí- tulo 5 analisa o gerenciamento de processos no setor de serviços, bem como a utilização dos serviços aplicados ao varejo, comércio e à indústria. Porém, devem ser utilizadas diferentes estratégias para a operacionaliza- ção dos serviços, especialmente em ambientes competitivos. Diante disso, o capítulo 6 aborda a necessidade de planejamento estratégico, com forte visão estratégica e análise do ambiente interno e externo para posicionar melhor em relação aos concorrentes. Evidentemente, reconhecer a existência dos diferentes tipos de com- portamentos dos consumidores é um fator fundamental para a atuação em serviços. Por isso, o capítulo 7 analisa os principais conceitos e definições sobre o comportamento do consumidor, fazendo um breve relato sobre o consumidor brasileiro e a importância de satisfazer, reter e tornar os clientes leais, uma vez que os mesmos selecionam, adquirem, compram, utilizam ou descartam ideias, experiências, emoções, produtos e serviços para satisfazer suas necessidades ou desejos. Nas organizações, a estrutura de recursos humanos é um elemento fun- damental para o processo de relacionamento com os consumidores. Diante disso, o capítulo 8 aborda o papel da linha de frente em serviços, avaliando as principais fontes de conflitos com colaboradores e clientes e a administração 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 6 30/06/2016 08:39:13 – 7 – Gestão de Serviços de colaboradores de serviços, que executam um papel primordial especial- mente nos contatos diretos com os consumidores. Além disso, o capítulo 9 estuda a importância do processo de qualidade na prestação de serviços, refletindo sobre os conceitos e definições de quali- dade, suas dimensões e os determinantes da qualidade em serviços. Devido à importância da gestão na disseminação da cultura e na melhoria contínua da qualidade em serviços, será feita uma análise sobre esse aspecto. Outro enfo- que é o processo de customização de serviços para atender e satisfazer uma gama maior de clientes. Finalmente, o capítulo 10 resgata o papel estratégico e a influência da tecnologia da informação nos processos do setor de serviços e aborda a sua interferência no consumo e na vida do consumidor, evidenciando a mudança de comportamento dos clientes na era da internet. Além disso, apresenta os principais desafios e tendências nesse segmento. Portanto, nestas páginas você encontrará diversas particularidades para adotar, incorporar e aplicar nas organizações e na administração de serviços. Adicionalmente, a utilização deste livro é tão diversa quanto os assuntos que ele aborda, por isso, caro leitor, aproveite. Boa leitura. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 7 30/06/2016 08:39:13 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 8 30/06/2016 08:39:13 Introdução ao setor de serviços O objetivo destecapítulo é proporcionar situações de ensino-aprendizagem para compreender o setor de serviços e sua importância no contexto econômico. Dessa forma, serão estudados os seguintes conteúdos: 2 o papel dos serviços na moderna economia; 2 a revolução e o crescimento do setor dos serviços; 2 a natureza e o significado dos serviços; 2 os serviços como um imperativo nos negócios; 2 estratégias de marketing para empresas prestadoras de serviços; 2 os desafios e as tendências para o setor de serviços. Iniciamos destacando que o setor de serviços está cada vez mais presente em nosso cotidiano e em constante evolução nas orga- nizações de forma geral. Os consumidores procuram a cada dia mais facilidades, praticidade e conforto, razões pelas quais o setor de ser- viços está crescendo em todas as economias mundiais. 1 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 9 30/06/2016 08:39:14 Gestão de Serviços – 10 – 1.1 O papel dos serviços na moderna economia No Brasil e no mundo observa-se uma rede complexa de serviços à dis- posição dos consumidores, das empresas e das organizações, que estão bus- cando maior comodidade e atendimento diferenciado. Há menos de 10 anos, poucas pessoas previam a necessidade de e-mail, serviços bancários online, hospedagem de sites na web e muitos outros novos serviços. Hoje, em muitos casos, não sobreviveríamos sem eles. Notadamente, no desenvolvimento econômico, observa-se que o setor de serviços está evoluindo gradativamente, a partir das sociedades pré-indus- triais, para as industriais e para as sociedades pós-industriais. O aumento da produtividade e da automação na agricultura e na indústria, combinado com a demanda crescente por serviços novos e tradicionais, resultaram, em conjunto, no aumento contínuo ao longo do tempo do percentual de mão de obra empregada em serviços (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). Assim, os serviços estão presentes em nossa vida diária, seja quando pensamos em comunicação, alimentação, transporte, turismo, educação, ou mesmo quando precisamos utilizar serviços pessoais, como assistência médica, cabeleireiro, bancos, entre vários outros exemplos, que, consequen- temente, movimentam a economia. Figura 1 – Mudança na estrutura de empregos. Pa rti cip aç ão n o em pr eg o Tempo, renda per capita Agricultura Serviços Indústria Fonte: LOVELOCK; WIRTZ, 2007, p. 5. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 10 30/06/2016 08:39:14 – 11 – Introdução ao setor de serviços No mercado, novos serviços são lançados continuamente para satisfazer nossas necessidades, razão pela qual o setor de serviços está crescendo em quase todas as economias do mundo. À medida que uma economia nacional se desen- volve, a participação dos setores agrícolas, industriais e de serviços vai mudando drasticamente, abrindo maior espaço para o setor de serviços, conforme afir- mam Lovelock e Wirtz (2007), de acordo com a figura 1. Por essa razão, o setor de serviços representa um importante incre- mento na economia, especialmente por proporcionar facilidades à população em geral e principalmente por oferecer uma fonte de crescimento e lucro para diversos negócios, e, desse modo, proporcionar uma fonte importante de empregabilidade. No Brasil, os serviços correspondem a 55% do Produto Interno Bruto, o que ocorre também nos Estados Unidos, com 72% e no Canadá com 67% do Produto Nacional Bruto (LOVELOCK; WRITZ, 2005; CHURCHILL JR.; PETER, 2000). Desse modo, o setor de serviços passa a ser responsável pelo emprego de diversos profissionais, conforme demonstrado na tabela 1, que mostra a evolução, de 1988 a 1999, do percentual de empregos no setor de serviços em nações industrializadas do mundo: Tabela 1 – Percentual de empregos no setor de serviço em nações industrializadas País 1980 1987 1993 1999 Estados Unidos 67,1 71,0 74,3 80,4 Canadá 67,2 70,8 74,8 73,9 Japão 54,5 58,1 59,9 72,4 França 56,9 63,6 66,4 70,8 Israel 63,3 66,0 68,0 70,7 Itália 48,7 57,7 60,2 61,1 China 13,1 17,8 21,2 26,4 Fonte: 1999, STATISTICAL YEARBOOK apud FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005, p. 32. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 11 30/06/2016 08:39:14 Gestão de Serviços – 12 – Nesse contexto, o segmento de serviços representa uma grande opor- tunidade de emprego, contribuindo para a estabilidade econômica de um país. De acordo com Hoffman et al. (2010), o crescimento e a migração de emprego do setor de manufatura para serviços são evidentes, assim como a absorção de trabalhadores das indústrias tradicionais como a manufatura, mineração e agricultura, para as indústrias de serviços. No entanto, o crescente dinamismo e a competitividade do ambiente empresarial vêm gerando novas formas de organização e de interação entre os diversos agentes econômicos e sociais, ao mesmo tempo em que induzem à criação e consolidação de novos estilos de gestão adaptados às novas necessi- dades do mercado (SOBANSKI, 1995). Desse modo, Lovelock e Wirtz (2007, p. 7) ressaltam que as empresas têm de gerar negócios por meio de inovações em serviços, impulsionadas pelas forças políticas governamentais, mudanças sociais, tendências em negó- cios, avanços na tecnologia e internacionalização, conforme mostra a figura 2: Figura 2 – Fatores que estimulam a transformação da economia de serviços. Fonte: LOVELOCK, WIRTZ, 2007, p. 7. Políticas governamentais • Mudanças nas regulamentações. • Privatização. • Novas regras de proteção ao consumidor, funcionários e ambiente. • Novos acordos comerciais em serviços. Mudanças sociais • Maiores expectativas dos consumidores. • Maior afluência. • Mais pessoas com falta de tempo. • Maior desejo de comprar experiências versus objetivos. • Número crescente de pessoas que têm computadores e telefones móveis. • Imigração. Tendências de negócios • Empresas manufatureiras agregam valor por meio de serviços e vendem serviços. • Mais alianças estratégicas. • Ênfase no marketing por organizações sem fins lucrativos. • Afroxamento de padrões de associações. • Movimento de qualidade. • Ênfase sobre produtividade e economia de custos. • Crescimento de franquias. • Práticas inovado- ras de contratação. Avanços na tecnologia de informação • Convergência entre computa- dores e teleco- municações. • Maior largura de banda. • Miniaturização cria equipamen- tos móveis mais compactos. • Redes sem fio. • Software mais rápidos e mais poderosos. • Digitalização de textos gráficos, áudio e vídeo. • Crescimento da internet. Internacionalização • Mais empresas operando em bases transnacionais. • Aumento no número de viagens internacionais. • Fusões e alianças internacionais. Maior demanda por serviços. Concorrência mais intensiva. Inovação em serviços estimulada pela aplicação de tecnologias novas e aprimoradas. Maior foco em marketing e gerenciamento de serviços. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 12 30/06/2016 08:39:14 – 13 – Introdução ao setor de serviços Dessa forma, a área de serviços está inserida em cenários com constantes mudanças e diante de fortes pressões competitivas. Por essa razão, é um seg- mento que precisa estar em constante evolução e em sintonia com o mercado e em processo de alerta, adaptação e readequação aos mutáveis ambientes aos quais está inserido para manter sua sobrevivência e sustentabilidade. Nesse sentido, é necessário que as organizações se mantenham em alerta e abertas para atuarem em ambientes cada vez mais adversos e dinâmicos para superar as expectativas dos consumidores finais. 1.2 A revolução e o crescimento do setor de serviços Como consumidores, diariamente utilizamos os serviços de água, ener- gia, transporte coletivo, cabeleireiro, lavanderia,bancos, restaurantes, telefo- nia móvel, entre vários outros. Além disso, existem diversos serviços de massa, como os supermercados, que, em geral, são predominantemente baseados em equipamentos e orientados para o “produto”, ou seja, executam grande volume de atendimento e fazem baixa customização do serviço ao consumi- dor (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). Assim, encontramos no segmento de serviços gigantescos conglome- rados internacionais que atuam em setores como seguros, bancário, teleco- municações, rede hoteleira e transporte aéreo, e também localizamos diver- sas empresas de menor porte, como restaurantes, hotéis, creches, salões de beleza, lavanderias, locadoras, serviços jurídicos, contábeis, entre vários outros exemplos (LOVELOCK; WIRTZ, 2007; FITZSIMMONS; FITZ- SIMMONS, 2005). Por outro lado, de acordo com Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005), a administração pública proporciona uma gama de serviços que são funda- mentais para o bem-estar da população e para o crescimento do país. Nesse sentido, destacam-se os serviços de saúde, educação, saneamento, segurança, transportes, entre outros. Em outras palavras, podemos afirmar que o porte das empresas que atuam com serviços é diversificado e que o setor de serviços passa por uma grande revolução e expansão. Diariamente serviços inovadores são oferecidos à 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 13 30/06/2016 08:39:14 Gestão de Serviços – 14 – população, assim como novos padrões de serviços que não haviam sido explo- rados pelos concorrentes e que têm agradado aos consumidores mais exigentes. Por essas razões, muitas empresas têm encontrado terreno fértil para criar e estabelecer novas oportunidades no segmento de serviços, impulsionadas prin- cipalmente pela revolução no setor que possui algumas causas salientadas por Lovelock e Wright (2005): 2 novos padrões estabelecidos pelo governo; 2 privatização de alguns serviços públicos sem fins lucrativos; 2 inovações tecnológicas; 2 crescimento das redes de serviços e franquias; 2 internacionalização e globalização; 2 pressões para a melhoria da produtividade; 2 o aumento da qualidade dos serviços; 2 expansão das empresas de leasing e aluguel; 2 fabricantes atuando como fornecedores de serviços; 2 necessidade de geração de novas receitas; 2 contratação e promoção de profissionais inovadores. As inovações tecnológicas, em especial, têm alterado radicalmente o nosso modo de vida e a forma de conduzir as organizações. O avanço da tecnologia e a integração das telecomunicações com a informática proporcio- naram mudanças inimagináveis em muitos aspectos, abrindo espaço para a oferta de diferentes serviços ao consumidor. Além disso, as facilidades proporcionadas pela tecnologia oportuniza- ram a criação de diversos serviços que, além de melhorar substancialmente nosso dia a dia, possibilitam a realização de atividades na internet, como a oferta de serviços bancários, compra de mercadorias, busca de informações, compra de passagens aéreas, entre uma infinidade de outras atividades. É notório observar que também é crescente a preferência das empresas por terceirizar os serviços internos que podem ser feitos com maior eficiência por uma empresa especializada, como a folha de pagamento, limpeza de escritórios, jardinagem, recrutamento, serviços jurídicos, contábeis ou propaganda. Inclu- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 14 30/06/2016 08:39:14 – 15 – Introdução ao setor de serviços sive, diversos serviços que eram regulamentados pelo governo foram desregula- mentados, o que permite aos consumidores escolher a sua empresa de serviços. Outro fator evidente de transformação é a internacionalização das empresas de serviços. Como exemplo, podemos citar o aumento de trans- porte de passageiros aéreos ao exterior, assim como restaurantes de fast-food, agências de propaganda, cadeias de hotéis e agências de locação de veículos que operam em diversos países (LOVELOCK; WRITH, 2005). Por outro lado, Haksever et al. (2000) destacam que a crescente neces- sidade em melhorar a qualidade e a satisfação dos consumidores fez com que diversos gerentes de organizações de serviços colocassem em prática algumas ações. Como resultado, melhorias foram implantadas para aperfeiçoar a qua- lidade dos serviços. Porém, até hoje existem serviços de qualidade medíocre em diversos países e, portanto, em várias organizações. 1.3 A natureza e o significado dos serviços Os serviços possuem características diversas, e reconhecê-las é funda- mental para proporcionar diferentes formas de atuação e ação nos negócios oferecidos aos consumidores que, por sua vez, possuem anseios e necessidades diferentes. Por isso, cabe uma análise nos diferentes contextos e ambientes dos sistemas de serviços. Inicialmente, observamos que muitos produtos podem vir acompanhados de serviços, conforme exemplificam Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) no quadro 1: Quadro 1 – Conjunto de bens e serviços Elemento Exemplo de mercadoria essencial Exemplo de serviço essencial Negócio Loja de roupas Hotel executivo Essência Ternos Quarto para pernoite Mercadorias periféricas Mala Roupão de banho Serviço periférico Planos de pagamento parcelado Restaurante no próprio hotel Variante Cafeteria Transporte para o aeroporto Fonte: FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005, p. 41. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 15 30/06/2016 08:39:14 Gestão de Serviços – 16 – Por isso, é importante estabelecer a diferença entre produtos e serviços. Não obstante, Lovelock e Wirtz (2007) destacam que podemos classificar os diferentes tipos de serviços baseados na natureza dos processos em que os serviços são elaborados e entregues ao consumidor, que podem variar de pro- cedimentos simples, como lavar um veículo, até procedimentos complexos, como o transporte de passageiros aéreos. Ainda, os processos de serviços que são operacionais podem ser classifi- cados em modalidades baseadas em ações tangíveis executadas no corpo das pessoas ou em bens físicos dos consumidores, e ações intangíveis realizadas na mente dos clientes ou em ativos intangíveis, conforme mostra o quadro 2, de acordo com Lovelock e Wirtz (2007): Quadro 2 – Natureza do ato do serviço Quem ou o que recebe diretamente o serviço? Qual é a natureza do ato de serviço? Pessoas Posses Ações tangíveis Processamento de pessoas (serviços dirigidos aos corpos das pessoas) Transporte de passageiros Cuidados com a saúde Hospedagem Salões de beleza Fisioterapia Academias de ginástica Restaurantes/bares Barbeiros Serviços funerários Processamento de posses (serviços dirigidos às posses físicas) Transportes de cargas Consertos e manutenção Depósito/armazenagem Serviços de limpeza de escritórios Distribuição no varejo Lavanderia conven- cional e a seco Reabastecimento de combustíveis Paisagismo/jardinagem Descarte/recicla- gem de resíduos 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 16 30/06/2016 08:39:14 – 17 – Introdução ao setor de serviços Quem ou o que recebe diretamente o serviço? Ações intangíveis Processamento de estímulo mental (serviços dirigidos à mente das pessoas) Propaganda/Rela- ções Públicas Artes e entretenimento Transmissão de rádio e TV Consultoria de gerenciamento Educação Serviços de informação Concertos musicais Psicoterapia Religião Telefone Processamento de informações (serviços dirigido a ati- vos intangíveis) Contabilidade Serviços bancários Processamento de dados Transmissão de dados Seguros Serviços jurídicos Programação Pesquisa Investimentos em segurança Consultoria em software Fonte: LOVELOCK; WIRTZ, 2007, p. 14. Adaptado. Notadamente, observamos com esses dois exemplos que os produtos e os serviços agregados podem oferecer diferenciaisaos clientes, ou ainda diferenciar uma empresa de seus concorrentes. Porém, na classificação do quadro 2, podemos observar que cada categoria possui processos diferen- tes, exigindo, portanto, diferentes ações dos gerentes de marketing, recur- sos humanos e operações, especialmente no sentido de criar inovações que podem ser obtidas através da análise das demais categorias. 2 Processamento de pessoas: nesses serviços, as pessoas entram fisi- camente no processo, sendo serviços dirigidos a elas próprias e, por- tanto, interagem e cooperam ativamente com o prestador de serviço, demandando tempo e esforço. Citam-se como exemplos os serviços de saúde, beleza, alimentação e transporte. 2 Processamento de posses: nesses serviços, é fornecido auxílio a uma posse física do cliente, como o conserto de um computador. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 17 30/06/2016 08:39:14 Gestão de Serviços – 18 – O envolvimento do cliente é menor, pois ele leva o equipamento, requisita o serviço, explica o problema, retorna para buscar o equi- pamento e pagar pelo serviço. 2 Processamento de estímulo mental: esses serviços requerem tempo das pessoas e tocam suas mentes, podendo moldar as atitu- des e influenciar no seu comportamento. Como exemplo, citam- -se os serviços de educação, informações, consultorias profissionais e psicoterapia. 2 Processamento de informações: são serviços que dependem de informações e do seu processo eficaz, como serviços financeiros, contábeis, consultorias e diagnóstico médico. O envolvimento do cliente é menor, pois o serviço é baseado na confiança e caracteri- zado pelo desejo de contato pessoal, podendo ser mantido contato exclusivamente por telefone, web ou e-mails. O crescimento do setor de serviços nos últimos anos favoreceu o emprego, sendo atualmente as indústrias de serviços a maior fonte de liderança econô- mica (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Contudo, a expectativa por serviços inovadores é alta, especialmente aqueles que atuam com a terceira idade, saúde e sustentabilidade ambiental. Dados nos EUA apontam que nas recessões, os empregos nas indústrias de serviços aumentaram e na manufatura diminuíram. De acordo com Fitz- simmons e Fitzsimmons (2005), isso sugere que os clientes adiam a compra de produtos, mas não os serviços fundamentais, como educação, telefonia, saúde e segurança. Portanto, a natureza resistente à recessão do setor de serviços pode ser justificada, em primeiro lugar, porque os serviços não são estocáveis, como os produtos. Apesar da recessão, os serviços essenciais, como a saúde, operam normalmente sem a necessidade de demissão de colaboradores. Em segundo lugar, nas recessões, consumidores e empresas reduzem os seus gastos e con- sertam equipamentos que já possuem, o que garante a empregabilidade. Desse modo, o setor de serviços está presente em nosso cotidiano em diversos momentos e oportunidades diversificadas, satisfazendo nossas neces- sidades, tendo, portanto, um significado muito importante em nossas vidas. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 18 30/06/2016 08:39:14 – 19 – Introdução ao setor de serviços Por essas razões, os gerentes de serviços devem ter a constante preocupação em oferecer uma prestação de serviços eficiente, efetiva e eficaz. 1.4 Os serviços como um imperativo nos negócios O crescimento contínuo e a expansão do setor de serviços é realidade em todos os países. As organizações que atuam com serviços, têm, portanto, o desafio de inserir sempre mais serviços em seu portfólio ou poderão redu- zir os seus resultados. Observa-se que mesmo as indústrias precisam oferecer serviços ao seu mercado consumidor, ou contratá-los de terceiros para que efetivamente agreguem valor aos seus clientes. Observamos a explosão dos serviços no mundo, como empresas de cartão de crédito, que atuam globalmente. No Brasil, vivemos uma econo- mia de serviços, devido à sua importância perante os demais setores. Em outras palavras, 55% da produção e dos empregos brasileiros são providos pelo setor de serviços, conforme ilustra a figura 3: Figura 3 – O setor de serviços na economia brasileira. 15% 55% 16% 7% 7% Serviços Indústria de transformação Comércio Construção civil Outras atividades Fonte: CHURCHILL JÚNIOR; PETER, 2000. Adaptado. Essa afirmação reforça a necessidade de gerentes do setor de serviços prestarem atenção aos seus consumidores, e maior cuidado com a satisfação dos clientes, além de manter o estado de alerta com a atuação da concorrên- cia. Portanto, os serviços no para as empresas são um imperativo em decor- rência de diversos motivos: 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 19 30/06/2016 08:39:14 Gestão de Serviços – 20 – 2 as indústrias se aperfeiçoaram no desenvolvimento dos produtos, ou seja, todas oferecem produtos de qualidade semelhante; 2 a qualidade dos produtos, que são ofertas tangíveis, não representam uma fonte de vantagem competitiva, pois existe equilíbrio na oferta; 2 o diferencial está cada vez maior no tipo de serviço que se agrega ao produto, ou ao serviço; 2 as indústrias de bens manufaturados acabarão tendo que se tornar prestadoras de serviços ou contratar quem fará essa atividade para elas; 2 o serviço poderá se tornar uma das poucas alternativas, senão a única, para ampliar a participação no mercado e, portanto, o seu lucro. Welch e Welch (2005) traduzem, de forma objetiva, esse assunto ao afirmar que a General Eletric está atuando no setor de serviços para expandir e aumentar a fatia de mercado da empresa. Adicionalmente, os serviços no contexto das empresas foram ampliados, em decorrência de diversos motivos: 2 crescente concorrência na maioria dos setores da indústria dos serviços; 2 facilidade de imitação nos serviços na sua dimensão primária; 2 complexidade de oferta na dimensão seletiva dos consumidores; 2 clientes cada vez mais exigentes, procurando melhores serviços; 2 alta pressão para a redução de preços; 2 melhoria crescente na qualidade dos serviços oferecidos; 2 maior pressão e maior exigência dos consumidores; 2 redução da fidelidade e lealdade dos consumidores; 2 crescente necessidade de inovação no mercado; 2 criação de novos nichos de mercado. Porém, apesar de todos esses motivos, observa-se que muitas empresas possuem uma capacidade limitada para atender às necessidades do mercado consumidor (SOUKI, 2006). Hoffman et al. (2010) ilustram essa afirmação comentando que, embora a economia em serviços seja crescente, muitos estão 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 20 30/06/2016 08:39:14 – 21 – Introdução ao setor de serviços insatisfeitos com o serviço, especialmente com o salário pago para pessoas com menos de 30 anos nesse setor, que recebem 25% menos do que o valor pago na manufatura. Grönroos (2004) estabelece que é imperativo nos processos de serviços e de relacionamento o gerenciamento eficaz da concorrência em serviços. Clien- tes procuram soluções, ou ainda, os benefícios que bens ou serviços poderão lhe proporcionar. Portanto, o consumidor adotará a empresa que melhor lhe atender, provendo soluções completas e que agreguem valor. Como exemplo, podemos citar um restaurante que possui uma refeição excelente, porém, na hora do almoço, possui uma fila demasiadamente longa e que atrasa o consu- midor para os demais compromissos do dia. No entanto, nos Estados Unidos existe equilíbrio em algumas áreas de serviços comparadas com a indústria, como a área de finanças, comércio e educação (BATESON; HOFFMAN, 2001). Essas ocupações normalmente requerem profissionais habilitados e com alto grau de escolaridade, o que contribui para melhorar a prestação de serviços e, consequentemente, o pro- cesso da organização. 1.5 Estratégias de marketing para empresasprestadoras de serviços Uma atividade fundamental para as empresas prestadoras de serviços e para os profissionais de marketing de serviços é achar meios de adequar os níveis de demanda de mercado à capacidade da organização, através de incen- tivos de promoção, preços e publicidade. Cabe, também, avaliar as oportuni- dades para reduzir a quantidade de colaboradores, espaço físico e quantidade de equipamentos necessários para a execução dos serviços (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). Porém, o ambiente atual de negócios requer um marketing eficaz para as organizações obterem sucesso, especialmente devido ao cenário desafiador e de constante mudança. Tradicionalmente, as empresas de serviços têm des- tinado pouca atenção ao uso eficaz da estratégia e execução em marketing. Notadamente, as práticas de marketing utilizadas pelas indústrias não podem ser transferidas para a área de serviços, e sim, tendem a ser diferentes 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 21 30/06/2016 08:39:14 Gestão de Serviços – 22 – em diversos aspectos, devido às diferenças entre bens e serviços. Como exem- plo, Lovelock e Wirtz (2007) esclarecem que: 2 clientes não obtêm a posse de serviços; 2 serviços não podem ser estocados; 2 elementos intangíveis dominam a criação de valor; 2 clientes podem ser envolvidos na produção do serviço; 2 outras pessoas podem fazer parte do produto; 2 existe maior variedade de tipos de serviços; 2 diversos serviços são difíceis de serem avaliados pelos clientes; 2 o fator tempo adquire grande importância no contexto de serviços; 2 existem diferentes canais de distribuição. Portanto, é importante reconhecer essas diferenças e compreender que as diferenças entre bens e serviços estabelecem implicações gerenciais funda- mentais que deverão nortear as práticas de marketing e, consequentemente, a adoção de estratégias diferenciadas para o êxito em ambientes de elevada competividade, especialmente para o setor de serviços. As empresas do setor de serviços, portanto, devem compreender as implicações dos sete componentes do mix de marketing de serviços para o desenvolvimento de estratégias eficazes, também conhecidas como 7Ps do marketing de serviços, conforme descritas por Lovelock e Wirtz (2007), que representam as sete decisões integradas: 2 elementos do produto – é papel do gerente estar atento ao desem- penho de serviço, especialmente aqueles que são importantes para o cliente; 2 lugar (praça) e hora – rapidez e conveniência de horário e lugar são determinantes na estratégia de entrega de serviço; 2 promoção e educação – a comunicação eficaz é essencial em servi- ços para prover informações, persuadir consumidores e incentivá-los; 2 preço e outros desembolsos – são os desembolsos realizados para obter os benefícios do produto, que é serviço; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 22 30/06/2016 08:39:14 – 23 – Introdução ao setor de serviços 2 ambiente físico – gerenciar a aparência de edifícios, paisagismo, veículo, mobiliário, equipamentos, pessoal e outros para causar impacto positivo; 2 processo – elaborar e implementar processos eficazes. Portanto, é importante ter método e a sequência de ações no desempenho de serviços; 2 pessoas – diversos serviços dependem da interação direta entre cliente e profissionais da área de serviços, como o corte de cabelo. Kotler (2000) ressalta que as empresas de serviços estão atrasadas com a utilização do marketing, se comparadas ao setor industrial, inclusive alguns serviços, como faculdades e hospitais, enfrentavam uma alta demanda e baixa concorrência em que não utilizavam as técnicas de marketing. Porém, esse quadro agora é outro. É necessário que as empresas de serviços consigam adequar e entregar os serviços utilizando os 7Ps. Portanto, é imprescindível a interdependência e integração entre o gerenciamento de marketing, de operações e de recursos humanos, que passam a ser as funções centrais em serviços na empresa, ressal- tadas por Lovelock e Wirtz (2007) e Grönroos (2004) na figura 4: Figura 4 – Natureza do ato do serviço. MARKETING RECURSOS HUMANOS OPERAÇÕES CLIENTES Fonte: LOVELOCK; WIRTZ, 2007; GRÖNROOS, 2004. Adaptado. Grönroos (2004) ressalta que a função do marketing de serviços é maior do que as atividades do marketing de produto, exigindo a atuação em equipe entre os profissionais de marketing, operações e recursos humanos. A alta 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 23 30/06/2016 08:39:14 Gestão de Serviços – 24 – administração tem, portanto, como papel o estabelecimento de políticas do produto ou serviço, definição de preço, posicionamento de mercado, análise da concorrência, entre outros (PORTER, 1989; MOREIRA et al., 2008). 1.6 Os desafios e as tendências para o setor de serviços Infelizmente, conforme Lovelock e Wirtz (2007), nem sempre os clien- tes estão contentes com a qualidade e o valor dos serviços que recebem. Eles reclamam principalmente pelas entregas atrasadas, funcionários incompe- tentes, horários de funcionamento inconvenientes, falta de cortesia, proce- dimentos desnecessariamente complicados, longas filas e uma infinidade de outros problemas. Bernardes e Andreassi (2007) explicam que a economia de serviços é um grande desafio na política econômica e objeto de pesquisa. De forma geral, as principais características da globalização dos serviços são ressaltados por Hoffman et al. (2010, p. 4): 2 indicadores econômicos e força de trabalho dominados pelo setor de serviços; 2 maior envolvimento dos clientes nas decisões estratégicas dos negócios; 2 produtos focados nas necessidades de mercado e acompanhando a constante evolução; 2 colaboradores com autonomia para desenvolver soluções personalizadas; 2 surgimento de novas indústrias do setor de serviços; 2 imperativo de serviço, que se torna uma característica fundamental para a diferenciação no mercado. Notadamente, as mudanças crescentes ocorridas no ambiente global de negócios sugerem a necessidade de melhores profissionais para atuar no setor de serviços (TEBOUL, 2008) e, em especial, existe alta demanda pelo conhe- cimento em marketing de serviços, fundamentada devido a diversos fatores, conforme Hoffman et al. (2010): 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 24 30/06/2016 08:39:14 – 25 – Introdução ao setor de serviços 2 expressivo crescimento do número de empregos no setor de serviços; 2 crescentes contribuições do setor de serviços para a economia mundial; 2 mudança da filosofia gerencial sobre a organização das empresas de serviços. Berry (2001) esclarece que existem desafios específicos para sustentar o sucesso de uma empresa de serviços e que são notadamente mais acentuados naquelas que atuam exclusivamente com serviços. Segundo o autor, quanto maior a dependência da empresa com a mão de obra, maiores serão os desa- fios de: 2 operar de forma eficaz durante o rápido crescimento; 2 atuar de forma eficaz quando houver concorrência de preços; 2 reter o espírito empreendedor da empresa quando a mesma era jovem e menor. Recentemente, o crescimento pelo estudo da área de serviços devido ao seu valor para a economia lançou luz sobre a necessidade de aumentar o entendimento sobre a inovação em serviços, assim como a exploração de pes- quisas científicas, pois a grande safra de estudos esteve mais voltada ao setor industrial (BERNARDES; ANDREASSI, 2007). Contudo, Kotler (2000) observa que a gerência de serviços precisa estar atenta à internet, pois ela rapidamente vem se tornando parte da estratégia de serviços da empresa. Como exemplo, os blocos de notas Post-it da 3M, que são amplamente conhecidos, mas mantêm a sua estratégia de divulgação na internet. Portanto, a internet é um importante aliado ao setor de serviços, mas aindaum grande desafio para as empresas. Na atualidade, o foco primordial das empresas são os clientes (RUST; ZEITHAML; LEMON, 2001; ZEITHAML; BITNER, 2003; SHETH; MITTAL; NEWMAN, 2008), porém muitas empresas de serviços sabem dessa importância, mas não sabem como implementar as mudanças e pensar estrategicamente no cliente. Porém, o caminho para a satisfação e lealdade dos clientes perpassa esse desafio. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 25 30/06/2016 08:39:14 Gestão de Serviços – 26 – Ampliando seus conhecimentos Os serviços que os consumidores querem (SENIOR, 2008) Conheça as quatro maneiras de desenvolver melhor e lan- çar primeiro conceitos de serviços realmente atraentes. Criar novos serviços que cativem os consumidores e gerem lucro é um trabalho difícil hoje em dia. A abundância de ofertas, fornecedores e canais torna a concorrência pela atenção dos clientes particularmente intensa. Pense nas opções disponíveis para alguém que quer assistir a um filme. Além de ir ao cinema, a pessoa pode alugar um DVD por meio de um serviço de locação online, alugar um vídeo sob demanda de um provedor de TV por assinatura, assistir a um filme gravado pelo TiVo ou fazer um download a partir do iTunes, da Amazon.com ou de uma série de outros sites. Para sair à frente da concorrência, gestores responsáveis pelo desenvolvimento de novos serviços emergentes precisam: 2 identificar os próximos serviços atraentes com mais certeza; 2 priorizar ideias e investimentos que concorrem entre si com rapidez e eficiência; 2 desenvolver propostas de valor que os consumidores achem convincentes; 2 implementar a estratégia escolhida mais rapidamente. Em nosso trabalho com companhias da área de serviços em todo o mundo, identificamos quatro maneiras pelas quais os gestores podem desenvolver melhor e lançar antes conceitos de serviços atraentes. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 26 30/06/2016 08:39:14 – 27 – Introdução ao setor de serviços 1. Comece pelo cliente, não pela tecnologia Os engenheiros têm forte influência na criação de novos conceitos na maior parte das empresas. Mas, quando se coloca a tecnologia em primeiro lugar, corre-se o risco de criar serviços que estejam muito distantes das prioridades do cliente, por seu uso ser muito complicado ou porque sua produção é muito dispendiosa. Uma mentalidade que colocou a tecnologia à frente dos negócios levou à morte serviços como o Nomad, da Creative Technology, equi- pamento portátil para tocar MP3 que viu o iPod tomar e ampliar seu mercado. Novos conceitos devem ser orientados pelas necessidades dos consumidores, saibam eles disso ou não. Procedimen- tos pouco apropriados e possivelmente desarticulados para descobri-las incluem: 2 fóruns interativos online com usuários sofisticados, que podem dar uma luz sobre o que outros, menos sofistica- dos, gostariam de fazer nos próximos anos; 2 análise de atividades de vanguarda de consumidores em mercados internacionais avançados; 2 análises de investimentos em produtos em seto- res relacionados. A combinação de ideias de fontes tão diversas como essas permite aos gestores construir uma predição mais coerente de proposições de valor e produtos com sucesso provável. Ajudamos uma empresa de comunicação digital e negócios de mídia a desenvolver uma estratégia de serviços online internacional. Uma análise do comportamento do consu- midor online e off-line revelou que a maioria dos consumi- dores de mercados emergentes era usuário mais intenso de mídia digital e serviços de comunicação do que a maioria dos consumidores norte-americanos. Em um país da Ásia, atividades comunitárias geravam mais 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 27 30/06/2016 08:39:14 Gestão de Serviços – 28 – uso online, mas, em outro país asiático, o uso em educa- ção e informação vinha em primeiro lugar. Esses insights permitiram à empresa desenhar uma estratégia de serviços online para cada novo mercado. 2. Priorize conceitos a partir de crité- rios muito precisos, não pela intuição Confiar em métodos rudimentares de priorização para sele- cionar novos conceitos em estágios iniciais leva à falta de foco no desenvolvimento e ao atraso da entrada no mer- cado. É muito mais efetivo basear as decisões em critérios que reflitam objetivos estratégicos tanto de curto como de longo prazo. As métricas podem incluir o impacto sobre fidelização versus conquista do consumidor, market share versus receita média por usuário, tempo de colocação no mercado, probabilidade de sucesso e exigências de inves- timento de recursos. Usar critérios definidos torna a tomada de decisão mais rápida e transparente para todos os envolvidos, instila maior confiança nos resultados e permite à organização focar um pequeno conjunto de serviços de alto potencial. 3. Desenhe o modelo de negócio, não apenas as funcionalidades e características do serviço A maioria das organizações investe grande quantidade de tempo no desenvolvimento de funcionalidades e carac- terísticas, gastando apenas pequena fração do tempo na definição de um modelo de negócio em torno do serviço. Mas um novo serviço geralmente exige um novo modelo de negócio para criar valor contínuo para o consumidor e obter lucro. A BSkyB, sediada no Reino Unido, fez isso com muito sucesso. Quando a Sky foi lançada, a empresa adotou um 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 28 30/06/2016 08:39:14 – 29 – Introdução ao setor de serviços modelo de TV por assinatura. Com foco em homens de 20 a 40 anos, a BSkyB obteve direitos exclusivos de vários eventos esportivos de destaque e foi capaz de convencer considerá- vel parte da audiência a pagar um valor extra para assistir. A BSkyB continuou a inovar seu modelo original. Ao oferecer acesso exclusivo a séries de TV de alta popula- ridade, como Lost e 24 Horas, ampliou o apelo ao seu serviço de televisão para uma base maior de consumidores e aumentou sua fidelidade. Deu aos assinantes mais opções por meio de diferentes pacotes e serviços interativos, cons- truídos em torno dos principais esportes. Então ofereceu internet de banda larga e serviços telefônicos para agregar fontes de receita. Manter o serviço e o modelo de negócios alinhados permi- tiu à BSkyB proteger seu nível de preço premium, aumentar a penetração de serviços de maior valor e garantir sua posi- ção estratégica no cada vez mais competitivo mercado de TV paga no Reino Unido. 4. Teste rapidamente e com rigor as grandes apostas ou conceitos pioneiros com os clientes Ferramentas sofisticadas de análise de consumo já estão dis- poníveis para testar novos conceitos e embasar decisões de criação de produtos com fatos, antes de investir em protótipos. Vídeos e animações podem demonstrar as funcionalidades e benefícios-chave de um novo conceito de serviço, e uma simulação do ambiente de concorrência pode determinar quais características realmente influenciam a demanda e como as respostas do consumidor podem afetar o mercado. Uma empresa de mídia norte-americana com a qual traba- lhamos usava testes de conceito avançados e técnicas de análise com três objetivos: 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 29 30/06/2016 08:39:14 Gestão de Serviços – 30 – 1. determinar rapidamente quais novos serviços os consumi- dores realmente valorizariam; 2. definir prioridades de produtos; 3. aperfeiçoar a estratégia de oferta. Construímos um ambiente simulado online no qual os con- sumidores podiam ver os conceitos concorrentes de vários fornecedores com preços diferentes e fazer sua escolha. Essa abordagem claramente identificou quais novos con- ceitos deveriam ser desenvolvidos para atender às maiores prioridades do cliente: segurança e proteção, capacidade de lidar com imagens eoferta de música e entretenimento. Adicionalmente, revelou de quais fornecedores eles pre- feririam comprar e – mais importante – quanto estariam dispostos a pagar. Com base nesse insight em relação ao comportamento prová- vel de compra, a empresa de mídia duplicou seu investimento em segurança e serviços fotográficos e tirou ênfase de outras atividades de desenvolvimento do novo serviço. O resultado foi uma entrada mais rápida no mercado e uma posição de liderança na categoria de segurança e proteção online. Uma abordagem às avessas que rigorosamente explora os dados do consumidor, do concorrente e do mercado para criar novos conceitos aumentará drasticamente as possibilida- des de identificar conceitos de produtos de grande poten- cial. Usar critérios de negócios predefinidos para analisar rapidamente as novas ideias e identificar as de alto potencial permite à organização focar seus recursos. Finalmente, testar os conceitos de alto potencial usando análises avançadas do consumidor ajuda os gestores a fazer escolhas mais rápi- das e sábias – tudo isso contribui para reduzir o tempo de entrada no mercado e impulsiona as possibilidades de um lançamento bem-sucedido. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 30 30/06/2016 08:39:14 – 31 – Introdução ao setor de serviços Atividades 1. Quais as causas destacadas por Lovelock e Wright (2005) para a gran- de revolução no setor de serviços que consequentemente estabelece novas oportunidades de mercado para as empresas de serviços? 2. De acordo com Lovelock e Wirtz (2007), existem algumas categorias na natureza do ato do serviço que exigem diferentes ações dos geren- tes de marketing, recursos humanos e operações, especialmente no sentido de criar inovações que podem ser obtidas através da análise das demais categorias. Quais são as categorias e quais as suas caracte- rísticas principais? 3. Quais as principais características da globalização dos serviços que são ressaltadas por Hoffman et al. (2010) e que desafiam as empresas de serviços? 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 31 30/06/2016 08:39:14 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 32 30/06/2016 08:39:14 Serviços como diferencial competitivo O objetivo deste capítulo é proporcionar situações de ensino-aprendizagem para compreender, discutir e analisar o setor de serviços como um diferencial competitivo para as organizações. Desse modo, serão estudados os seguintes conteúdos: 2 o posicionamento e a busca da vantagem competitiva; 2 as oportunidades de mercado no setor de serviços; 2 os desafios das empresas de serviços; 2 posicionando serviços em mercados competitivos; 2 desenvolvimento e formatação de serviços; 2 o desafio de precificar serviços. O setor de serviços atualmente representa o segmento de maior economia para a maioria dos países, e observa-se a crescente competitividade nesse cenário. Porém, empresas que competem com serviços são diferentes das que competem com um produto físico. Desse modo, é fundamental que as empresas gerenciem a concorrência para permanecerem competitivas no mercado de atu- ação, ou de outro modo, que assegurem uma sustentável criação de valor através de seus serviços. 2 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 33 30/06/2016 08:39:15 Gestão de Serviços – 34 – 2.1 O posicionamento e a busca da vantagem competitiva As empresas produzem determinados bens e serviços no mercado ini- cialmente de forma isolada. Os consumidores, nesse caso, não têm escolha e são obrigados a adquirir o produto ou serviço dessa empresa. Porém, com o passar dos anos, outras empresas começam a produzir bens e serviços seme- lhantes, disputando a mesma fatia de consumidores. Assim, nasce a concorrência entre as empresas e a necessidade em buscar estratégias e diferenciais competitivos para estar melhor posicionada que os seus concorrentes. É importante observar que se não existissem outros con- correntes ou competidores no mercado de atuação não haveria razão para o uso de estratégias. De acordo com Ansoff (1977), a partir da década de 1960, as empresas passaram a se preocupar com a elevação da concorrência, estabelecendo rela- ções entre a estratégia, inovação e vantagem competitiva. Inclusive estudiosos da área acadêmica e da área de negócios passaram a estudar a competitividade das empresas e a concorrência entre elas a partir dessa época. No entanto, não existe uma única definição de competitividade, aceita por vários pensadores, devido aos seus diferentes pontos de vista e percepções (PORTER, 1993). Contudo, Henderson (1998) descreve a competitividade como a capacidade que a empresa tem em formular e implementar estraté- gias perante os concorrentes, de modo que possa ampliar ou conservar uma posição sustentável no mercado, ou ainda, obter vantagens com o uso de estratégias para estar a frente dos concorrentes. Considerado um grande estudioso da competitividade nas organizações, Porter (2004) lembra que as empresas devem se preocupar com seus concor- rentes, fornecedores, clientes, novos produtos substitutos e potenciais novas empresas entrantes que influenciam na concorrência do setor e na geração da rentabilidade da empresa. Ele define como forças competitivas o relaciona- mento entre a empresa e esses elementos. Como destacado, a competitividade deve ser perseguida por toda orga- nização para que a empresa possa ampliar seu posicionamento estratégico no mercado (ANGELONI; MUSSI, 2008). Os autores sintetizam que a organi- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 34 30/06/2016 08:39:15 – 35 – Serviços como diferencial competitivo zação que apresenta desempenho e eficiência adota a estratégia em suas ações e está à frente das demais empresas. Cabe considerar que a responsabilidade pela formulação da estratégia corporativa é da alta administração da empresa (proprietários, diretores, ger- entes, entre outros), (WRIGHT; KROLL; PARNELL, 2000) e que a estraté- gia é um requisito indispensável para as empresas sobreviverem e se manterem no mercado (HAMEL; PRAHALAD, 2002). Nesse contexto, Kaplan e Norton (2006) sugerem que a organização precisa ter uma visão única, ou seja, um alinhamento estratégico para não comprometer sua performance, ou mesmo perder oportunidades e desperdiçar recursos, como pessoas, materiais e equipamentos. Os princípios importantes para a implementação da estratégia bem-sucedida estão dispostos na figura 1: Figura 1 – Princípios da organização focada na estratégia. Fonte: KAPALN; NORTON, 2004. Adaptado. Mobilizar a mudança na empresa por meio da liderança executiva • Mobilização • Processo de Governança • Sistema Gerencial Estratégico Transformar a estratégia em processo contínuo • Conectar orçamen- tos e estratégias • Sistemas de infor- mação e análise • Aprendizado estratégico Transformar a estratégia em atividades de todos • Consciência estratégica • Scorecards pessoais • Contracheques equilibrados Demonstrar a estratégia em termos operacionais • Mapas de estratégia • Balanced scorecards Alinhar e ajustar a orga- nização à estratégia • Papel da corporação • Sinergias entre as uni- dades de negócios • Sinergias entre servi- ços compartilhados ESTRATÉGIA 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 35 30/06/2016 08:39:15 Gestão de Serviços – 36 – Como observado, os autores destacam que as organizações, ao imple- mentarem suas estratégias, precisam mobilizar toda a equipe para as mudanças por meio da liderança e sistematizar o processo continuamente. A estratégia, portanto, é uma tarefa de toda a organização. No setor de serviços, observa-se que os recursos humanos são fundamentais na realização do processo, seja em empresas de pequeno, médio ou grande porte. Desse modo, uma importante estratégia é manter a equipe de profissionais sempremotivada e sintonizada com a missão e os objetivos da empresa. É necessário que as organizações tenham visão do seu negócio, além de clara orientação estratégica na condução de processos e melhorias opera- cionais e de governança para desfrutar de crescimento e sucesso sustentável (KAPLAN; NORTON, 2008). Nesse cenário, Polidoro (2003) registra a importância de a empresa manter o foco e a sinergia constante no mercado, de modo que possa analisar e selecionar as estratégias para sobreviver, crescer, manter-se, desenvolver-se, diferenciar-se, ou, ainda, para diversificar seus pro- dutos e serviços. Assim, é indispensável que a empresa estude e analise as forças competi- tivas dos clientes, fornecedores, substitutos e dos potenciais concorrentes para definir as suas estratégias, de modo que possa encontrar uma posição mais favorável que as demais. Portanto, a essência da formulação de estratégias é conhecer a concorrência e avaliar as cinco forças competitivas básicas (figura 2) que variam de intensas a moderadas (PORTER, 2004): Figura 2 – Forças que dirigem a concorrência nas indústrias. Ameaça de novos entrantes. CONCORRENTES NA INDÚSTRIA Poder de negociação dos fornecedores. Ameaça de pro- dutos ou serviços substitutos. Poder de negociação dos compradores. Rivalidade entre as empresas existentes. ENTRANTES POTENCIAIS SUBSTITUTOS Fonte: PORTER, 2004. Adaptado. COMPRADORESFORNECEDORES 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 36 30/06/2016 08:39:15 – 37 – Serviços como diferencial competitivo Porter (1999) acrescenta que ter estratégia significa desempenhar ou apre- sentar diferenciais quando comparado aos concorrentes, ou desempenhar os mesmos processos, porém de maneira diferente. Uma empresa pode fabricar um lápis, por exemplo, cujo objetivo é riscar, desenhar ou escrever. Como exemplo, a Faber-Castell possui vários modelos de lápis, de diferentes cores e formatos, fabricados com madeira reflorestada. Porém, a empresa Bic tam- bém fabrica diferentes modelos de lápis, com um importante diferencial: uma pequena, mas prática, borracha na ponta superior em alguns modelos. Por isso, é fundamental que a organização conheça profundamente o seu setor de atuação para que ela possa tomar as decisões sobre como será o seu posi- cionamento estratégico, que lhe favorecerá com a vantagem competitiva, ou seja, poderá estar melhor posicionada que seus concorrentes, ou ainda sobreviver no longo prazo (RIES; TROUT, 2009). Essas afirmações nos indicam que a organização que atua por meio da diferenciação possui vantagens competitivas. Contudo, Porter (1989) esclarece que as empresas podem adotar diferentes estratégias de posiciona- mento, mas se classificam basicamente na vantagem competitiva por preço ou na vantagem por diferenciação. A empresa, ao se posicionar, deve analisar cuidadosamente o ambiente externo, pois a maioria das estratégias e informações utilizadas pela concorrên- cia estão disponíveis. A partir disso, cabe à empresa decidir pelas suas estraté- gias, além de se preparar para que possa gerar retornos superiores às demais organizações (PORTER, 1997; HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2002). Desse modo, uma empresa bem-sucedida desenvolve e amplia as suas competências essenciais para se posicionar perante a concorrência (DRANOVE; MARCIANO, 2007). Kotler (1998) apresenta o posiciona- mento como uma importante ferramenta para criar e manter a diferenciação das demais organizações. Ries e Trout (2009) concordam que o posiciona- mento competitivo é uma estratégia imprescindível às organizações e uma forma de estabelecer sua marca na mente do consumidor. Nesse contexto, é importante lembrar que a China, que é um fenômeno mundial, tornou-se a maior fábrica do mundo (BERNARDES; ANDRE- ASSI, 2007). A expansão chinesa nos mercados de diversos países mundi- ais desacelera a economia de produtos industrializados e abre espaço para 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 37 30/06/2016 08:39:15 Gestão de Serviços – 38 – a inovação em serviços. Porém, o passo mais importante na definição de estratégia em serviços é concentrar-se e colocar foco nas necessidades dos clientes e consumidores. 2.2 As oportunidades de mercado no setor de serviços No Brasil, o que mais promove a abertura de novos negócios é o desem- prego, ou seja, o empreendedorismo por necessidade, que induz à criação de novo negócio para asubsistência pessoal e da família. Sabemos que o ideal é que um negócio seja criado devido a uma oportunidade vislumbrada pelo empreend- edor, com o devido planejamento. Por outro lado, o mundo dos negócios possui diversos exemplos de empresas que começaram pequenas, muitas vezes em uma garagem, com pequenos investimentos e que cresceram substancialmente. Notadamente, muitas oportunidades podem ser vislumbradas pelos empreendedores por meio da análise das necessidades dos consumidores, produtos e serviços exis- tentes, canais de distribuição, governo federal e pesquisa e desenvolvimento (HISRICH; PETERS, 2009). Desse modo, convém observar e prestar muita atenção ao que os consum- idores desejam ou sentem necessidade de consumir através do monitoramento informal de ideias e necessidades, que podem gerar a concepção de novos pro- dutos e serviços ou aperfeiçoar produtos e serviços que o mercado já oferece. É importante, porém, que haja um mercado amplo para absorver os custos de lançamento desses novos elementos. No setor de serviços existem inúmeras oportunidades de mercado a serem exploradas, especialmente pela crescente necessidade de satisfazer os consumidores. A seguir, relacionam-se algumas empresas que são voltadas para a prestação de serviços nascidas das necessidades dos consumidores e que podem ser aperfeiçoadas para aumentar a satisfação destes: 2 bancos e financeiras; 2 contabilidade e auditorias; 2 oficinas mecânicas e elétricas; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 38 30/06/2016 08:39:15 – 39 – Serviços como diferencial competitivo 2 restaurantes e lancherias; 2 universidades, escolas de treinamento e ensino; 2 professores e instrutores; 2 cabeleireiros e salões de beleza; 2 hospitais e clínicas médicas; 2 consultórios médicos e dentários; 2 escritórios de advocacia e consultorias em geral; 2 agências de comunicação e propaganda; 2 transportes urbano e interurbano (rodoviário, aéreo, marítimo e ferroviário); 2 lojas e comércio em geral. É importante considerar que as oportunidades existem em todos os lados, seja em âmbito local, como em âmbito global. Portanto, é importante estar em constante alerta para observar as fontes de oportunidades que aux- iliam na melhoria ou nova concepção de produtos ou serviços. As fontes de oportunidades, a seguir, podem ser analisadas e exploradas, especialmente na área de serviços (HISRICH; PETERS, 2009): 2 criar um novo produto ou serviço com base em novo conceito; 2 desenvolver um novo produto ou serviço com base em um con- ceito existente; 2 observar, estudar e analisar as necessidades dos consumidores; 2 avaliar o aperfeiçoamento de um produto ou serviço; 2 explorar os hobbies dos consumidores; 2 desenvolver um novo serviço derivado da ocupação; 2 observar as tendências. Na área de serviços uma grande oportunidade pode ser concebida através da análise detalhada das tendências existentes no mercado e que poderão propiciar a oferta de novos serviços, resultando na demanda de novas neces- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 39 30/06/2016 08:39:15 Gestão de Serviços – 40 – sidades dos consumidores. A seguir, apresentam-se algumas tendências que podem ser exploradas, especialmente na área de serviços: 2 a mudança de perfil das crianças em relação aos produtos eletrônicos; 2 idosos ativos e com maior expectativade vida; 2 oferta de serviços voluntários; 2 busca pela maior qualidade de vida; 2 aumento do estresse devido à vida agitada e a competitividade; 2 aumento do número de separações e divórcios; 2 preocupação com o meio ambiente e sustentabilidade. Porém, em um ambiente com elevada concorrência, as empresas pre- cisam diferenciar os produtos e serviços ofertados ao mercado. Caso a empresa obtenha sucesso na sua oferta, em seguida algum concorrente irá copiar e oferecer produto ou serviço similar ao mercado. Desse modo, de acordo com Kotler (2000), a vantagem competitiva irá durar pouco tempo. Por essa razão, as empresas constantemente devem repensar seus produtos e serviços, de tal forma que despertem e atraiam a atenção dos consumidores mais exigentes. Ou seja, as empresas constantemente precisam diferenciar seus produtos e serviços dos concorrentes. 2.3 Os desafios das empresas de serviços Atualmente, os consumidores encontram à sua disposição uma varie- dade crescente de serviços e produtos. Cobra (2001) ressalta a importância das organizações direcionarem ações para o mercado, de tal modo que pos- sam atender os consumidores que a cada dia tornam-se mais exigentes. Nessa perspectiva, observa-se que a elevada competitividade e a tecno- logia da informação proporcionam maior informação ao consumidor, o que o torna mais exigente e com maior poder de barganha. Consumidores muni- dos de informações acabam selecionando as empresas que melhor possam atender às suas necessidades. Cobra (2001) salienta que os consumidores de serviços buscam preço baixo, serviços personalizados e alta quali- dade no atendimento. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 40 30/06/2016 08:39:15 – 41 – Serviços como diferencial competitivo Em outras palavras, as empresas de sucesso devem concentrar-se nas necessidades de seus clientes, sendo esta uma definição estratégica para quem atua no setor de serviços (COBRA, 2001; KOTLER, 2000). É importante destacar que lacunas não atendidas pelas atuais empresas disponíveis no mer- cado geram novos potenciais concorrentes. Desse modo, um grande desafio para as empresas de serviços é oferecer atendimentos personalizados e prestados por colaboradores atenciosos, prepa- rados e que rapidamente resolvam as necessidades dos consumidores. Con- vém observar que, no futuro, com maior acesso às informações, as exigências dos consumidores tenderão a ser mais específicas e de grau mais elevado, obrigando as empresas a melhorar continuamente seus serviços e produtos. Por outro lado, as empresas precisam garantir agilidade e eficácia aos seus consumidores. O tempo é um recurso cada vez mais escasso, e por isso, é preciso criar serviços que poupem o tempo das pessoas. O atendimento médico, por exemplo, é um tipo de serviço normalmente com hora marcada. Hoje clientes exigem pontualidade no atendimento para aumentar a sua sat- isfação. A conveniência dos serviços deve proporcionar aos consumidores fac- ilidades, economia de tempo e praticidade. Assim, é fundamental que as empresas conheçam muito bem os seus produtos e serviços, ou seja, saibam o que estão vendendo e quem os está comprando. Em síntese, as necessidades dos consumidores passam a ser a principal orientação para melhorar a qualidade dos serviços prestados. Ao buscar uma vantagem competitiva, portanto, as empresas possuem alguns desafios para manter a lealdade dos consumidores. Em mercados competitivos, a perda de clientes é um custo elevado para as empresas, que estrategicamente devem satisfazer as necessidades dos consumidores e reter a sua lealdade. Entretanto, Almeida (1999) mostra que as maiores razões de perda de consumidores são relacionadas à qualidade do atendimento prestado, baseado nos resultados da pesquisa realizada em diversos países, inclusive no Brasil, pela US News and World Report que divulga os motivos da perda de clientes: 2 68% estão insatisfeitos com as atitudes do pessoal que os atende; 2 14% desapontados com a qualidade dos produtos; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 41 30/06/2016 08:39:15 Gestão de Serviços – 42 – 2 9% dos clientes consideram o preço muito elevado; 2 5% adotaram novos hábitos; 2 3% trocaram de cidade; 2 1% por falecimento. No total observa-se que 68% dos consumidores mudaram de fornecedor devido às atitudes do atendente no atendimento ou no processo de prestação de serviço. Esse resultado evidencia que a relação da empresa com os clientes deve ser a mais estreita possível. Atendê-los da melhor maneira possível deve ser uma prioridade permanente da organização. O contato direto com o cli- ente é rico e insubstituível, pois supre o ser humano da necessidade de calor humano, afeto e atenção. 2.4 Posicionando serviços em mercados competitivos Em mercados competitivos, os administradores possuem o desafio de tentar atrair os mesmos consumidores que os seus concorrentes, em especial se a demanda de produtos ou serviços estiver estagnada ou, ainda, em declínio. Ao formular e definir a estratégia de uma empresa, convém analisar o meio ambiente externo e interno da organização, de tal modo que se tenha uma visão clara das competências dos concorrentes e das competências da organização. Sem dúvida, no ambiente empresarial atual é importante manter um contínuo ajuste e adaptação das estratégias e das atividades de modo que a organização tenha sucesso em suas ações. Como exemplo, Ansoff (1977) e Ghemawat (2000) sugerem que no desenvolvimento de estratégias esteja presente a possibilidade de aumentar o tamanho e a penetração de mercado, bem como criar, diversificar e desen- volver novos produtos e mercados para o crescimento da empresa. Definir a melhor estratégia significa escolher como competir para vencer a concorrência, e os executivos devem implementá-la com obstinação e con- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 42 30/06/2016 08:39:15 – 43 – Serviços como diferencial competitivo trole, desafiando as melhores pessoas para sua consolidação e melhorá-la gra- dativamente na sua execução (WELCH; WELCH, 2005). Evidentemente, a crescente competitividade nacional e internacional exige constante planejamento e monitoramento para implementar a estraté- gia mais adequada a cada situação. Porter (1998) comenta que a competição aumentou globalmente nas últimas décadas. Porém, esse cenário desafia as organizações a construírem seu futuro diferente do presente e, embora este seja um processo doloroso, permite a criação de novos horizontes. Segundo Clausewitz (1996), o concorrente gradativamente se adapta às táticas praticadas no mercado, por isso o autor orienta que não se lute con- tra o mesmo concorrente por muito tempo. No entanto, Sun Tzu (2007) recomenda o uso da dissimulação, do segredo e da surpresa na luta contra adversários, e prescreve o uso da inteligência, da confiabilidade, da humani- dade, da coragem e da austeridade aos líderes. Nesse exemplo, a organização que é competente deve mostrar incom- petência aos seus concorrentes e, se for eficiente, deve aparentar ineficiência, de tal modo que não seja conhecida pelos concorrentes. O grande trunfo, sem dúvida, é manter segredo e oferecer informações distorcidas, que possibilitam que a organização atue com novidades antes dos demais concorrentes. Em mercados competitivos, o setor de serviços deve atuar com inteligên- cia, criatividade, imaginação e recursos diferenciados para provocar impactos notáveis aos consumidores. Os bancos são um exemplo clássico em posiciona- mento de serviços. Quem não se recorda que há alguns anos, para sacar dinheiro, era preciso esperar por longas filas em horários predeterminados nas agências bancárias. Hoje, temos a possibilidade de efetuar saques em diversos caixas eletrônicos, em qualquer horário e normalmente sem filas. Portanto, empresasdevem tentar diferenciar a sua oferta no mercado, através do desenvolvimento de um conjunto de diferenças significativas de modo que o consumidor possa colocá-la em posição de destaque quando comparada à empresa concorrente. Em sua oferta, as empresas podem difer- enciar-se de seus concorrentes a partir de cinco dimensões: produto, serviço, pessoal, canal e imagem (KOTLER, 2000), conforme apresentado na figura 3: 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 43 30/06/2016 08:39:15 Gestão de Serviços – 44 – Figura 3 – Variáveis de diferenciação. • forma • características • desempenho • conformidade • confiabilidade • facilidade de reparo • estilo • design PRODUTO • cobertura • especialidade • desempenho CANAL • símbolos • mídia • atmosfera • eventos IMAGEM • facilidade de pedido • entrega • instalação • treinamento do cliente • orientação ao cliente • manutenção e reparo • serviços diversos SERVIÇOS • competência • cortesia • credibilidade • confiabilidade • capacidade de resposta • comunicação PESSOAL Fonte: KOTLER, 2000. Adaptado. Nessa perspectiva, observa-se a importância de conhecer os concorrentes para tentar superá-los. Kotler (2000) observa que as empresas ruins ignoram seus concorrentes, as medianas os copiam e as empresas vencedoras lideram seus concorrentes. Desse modo, recomenda-se que as empresas de serviços criem melho- rias estratégicas para diferenciar-se de seus concorrentes, e, especialmente, que busquem o desenvolvimento e a inovação tecnológica de seus servi- ços, com a constante preocupação em oferecer algo novo ou com inova- ções incrementais que satisfaçam as necessidades de seus clientes melhor que os concorrentes. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 44 30/06/2016 08:39:15 – 45 – Serviços como diferencial competitivo 2.5 Desenvolvimento e formatação de serviços Conforme verificado anteriormente, a chave para a empresa ter êxito perante a concorrência, em ambientes em que produtos podem ser facilmente copiados e que não apresentam diferenças entre os concorrentes, é apresen- tar serviços valorizados pelo consumidor e apostar na constante melhoria da qualidade. Lovelock e Wirtz (2007) e Kotler (2000) apresentam os grandes diferenciadores de serviços: 2 facilidade na emissão do pedido – consumidores procuram fac- ilidade para fazerem as suas compras. Um exemplo é o aumento de compras realizadas pela internet em que facilmente os consum- idores podem realizar os seus pedidos e receber as mercadorias no conforto de sua casa; 2 entrega – é a qualidade com que um produto ou serviço é entregue ao consumidor sem gerar desgaste ao mesmo. A rapidez da entrega e a pontualidade são diferenciais que criam uma grande vantagem ao negócio. Como exemplo, pode-se citar as pizzarias com telen- trega, cuja pizza é entregue no horário combinado, quente e com todos os ingredientes inteiros; 2 instalação – refere-se ao serviço de instalar um produto em local definido pelo consumidor. Cita-se como exemplo, os equipamen- tos de informática ou eletrodomésticos, como a máquina de lavar roupas, ou ainda um armário que precisa ser montado e instalado antes de ser utilizado pelo consumidor; 2 treinamento ao cliente – refere-se à capacidade de a empresa tre- inar os consumidores a utilizarem os equipamentos de maneira apropriada e eficiente. Cita-se como exemplo um sofisticado equi- pamento de ressonância magnética adquirido por um hospital que precisa ter colaboradores capacitados para utilizá-lo em pacientes; 2 orientação ao cliente – refere-se aos dados e informações ofere- cidos aos consumidores, como as editoras de livros, que além do livro oferecem material de apoio aos professores, facilitando o pro- cesso de ensino em sala de aula. Outro exemplo são as empresas farmacêuticas que oferecem aos médicos novos medicamentos 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 45 30/06/2016 08:39:15 Gestão de Serviços – 46 – apresentando prospectos, material promocional, pesquisas de mar- keting com clientes, financia workshops, entre outros; 2 manutenção e reparo – apresenta serviços de qualidade aos con- sumidores auxiliando-os a manter os produtos comprados em boas condições de funcionamento, ou oferecendo facilidades para a manutenção ou assistência técnica. Como exemplo, citam-se as concessionárias de veículos que oferecem revisões programadas nos mesmos de modo que possam reparar os desgastes antes de danifi- car o funcionamento do veículo; 2 serviços diversos – clientes esperam que os serviços proporcionem facilidades, economia de tempo e praticidade. Postos de gasolina, por exemplo, oferecem serviços adicionais no local como caixa eletrônico, farmácia, cafeteria, banheiros, entre outros. Além disso, é importante mencionar que produtos são normalmente similares no mercado, mas o que os diferencia é o toque humano na prestação do serviço. Como consumidores gostamos do calor humano, da atenção e disponibilidade apresentada pela equipe de profissionais, que deve apresentar seis características básicas, defendidas por Kotler (2000): 2 competência – habilidade e conhecimento necessário para transmitir ao cliente; 2 cortesia – são agradáveis, respeitosos e corteses no tratamento aos clientes; 2 credibilidade – são dignos de crédito; 2 confiabilidade – realizam o serviço conforme anunciado; 2 capacidade de resposta – são rápidos na resolução de problemas e no atendimento; 2 comunicação – são claros, objetivos e facilitadores no processo de atendimento ao cliente. Restaurantes de fast-food, como o McDonald’s, oferecem produtos com- plementados por serviço de valor agregado que são importantes para os consu- midores. O diferencial é a rapidez, comida recém-preparada, possibilidade de pedir, pagar e levar o produto sem sair do veículo e a qualidade do alimento. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 46 30/06/2016 08:39:15 – 47 – Serviços como diferencial competitivo Outro exemplo são os serviços bancários que oferecem segurança e comodidade ao efetuar diversas transações através da conexão de internet e uso de computadores. Desse modo, clientes não precisam aguardar pelo horário de abertura do banco, esperar pelo atendimento em filas de espera, ter perda de tempo com deslocamento, ou mesmo, passar pelo risco de ser assaltado ou roubado devido à manutenção com pagamentos ou uso de quan- tias em espécie. Portanto, a empresa que quer se destacar na prestação de serviços eviden- temente deve identificar e desenvolver alguns diferenciadores de serviços que promovam rapidez, agilidade e qualidade ao cliente. As posições de mercado, porém, raramente permanecem constantes no mercado. Por isso, as empresas precisam estar atentas ao que acontece ao seu redor e criar diferenciais sempre que sentirem necessidade. 2.6 O desafio de precificar serviços Notadamente, todas as empresas que visam ao lucro definem o preço de seus produtos e serviços. Nas pequenas empresas, normalmente, o pro- prietário define o preço, e em empresas maiores existe uma estrutura que absorve a tarefa de levantar informações para auxiliar na tomada de decisões de preços, que tem influência do gerente de vendas, gerente de produção, gerente financeiro, entre outros (KOTLER, 2000). A definição e a determinação eficaz de preços são fundamentais para a saúde financeira nas organizações, pois o preço é o mecanismo pelo qual o serviço prestado é remunerado e, portanto, gera receitas e lucratividade para a empresa. Conforme Lovelock e Wirtz (2007), as organizações de serviços usam diversos termos para descrever seus preços: 2 custo de ensino – universidades e escolas; 2 honorários – empresas profissionais ou profissionais liberais; 2 juros e taxas de serviço – bancos; 2 comissões– corretoras; 2 aluguéis – locadoras de veículos, imóveis, entre outros; 2 ingresso – museus, cinemas; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 47 30/06/2016 08:39:15 Gestão de Serviços – 48 – 2 diárias – hotéis, motéis; 2 fretes – transportadores; 2 títulos – clubes; 2 pedágio – cobrado em algumas rodovias; 2 tarifas – serviços públicos; 2 prêmios – seguradoras. Ao definir o seu preço, a empresa precisa identificar quais são os seus custos internos para conceber produtos e serviços, além de conhecer os preços praticados pela concorrência e ter conhecimento da disponibilidade de pagamento de seus potenciais consumidores. Portanto, na definição de preços a empresa deve considerar a demanda, custo, cliente, concorrência, lucro, produto e aspectos legais (HOFFMAN et al., 2010; LOVELOCK; WIRTZ, 2007). De fato, em alguns tipos de serviços a definição do custo unitário pode ser de difícil determinação, como identificar todos os custos unitários dos elementos que compõem pratos em restaurantes que servem bufê a quilo, ou, ainda, levantar os custos fixos de funcionamento na emergência em hospitais. Adicionalmente, as empresas de serviços têm como desafio mensurar o preço que o consumidor está disposto a pagar, mas que ofereça um retorno lucrativo para a organização. Por outro lado, Hoffman et al. (2010) destacam que especialistas da área apresentam fatores que influenciam a sensibilidade do cliente ao preço: 2 baixo número de concorrentes; 2 reduzido número de serviços similares no mercado; 2 possibilidade de troca de produtos ou serviços; 2 dificuldade de comparar com substitutos; 2 preço é considerado justo quando comparado com serviços semel- hantes adquiridos sob circunstâncias semelhantes; 2 custos podem ser compartilhados; 2 a extensão em que o preço é usado como indicador de qualidade; 2 efeito do consumidor ao benefício final. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 48 30/06/2016 08:39:15 – 49 – Serviços como diferencial competitivo Ao pagar por um serviço, normalmente, os clientes sentem-se explo- rados. Ao chamarmos os serviços de um encanador, por exemplo, paga-se pelos diversos custos que o proprietário possui: aluguel da empresa, telefone, seguro, veículo, combustível, energia, colaboradores, despesas com o deslo- camento da empresa até a residência, tempo do profissional e a margem para produzir lucro ao proprietário (LOVELOCK; WRIGHT, 2005). Outro fator importante que influencia no preço e na percepção do serviço prestado ao cliente é o tempo de resolução ou atendimento. Alguns clientes se dispõem a pagar mais por um serviço ágil e rápido (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). Ao utilizar os serviços de um banco eletrônico, por exemplo, alguns consumidores gostam da conveniência de fazer transações rápidas e impessoais, e outros têm aversão à tecnologia e preferem o atendimento com um caixa no próprio banco. Em geral, estabelecer as tabelas de preços para os serviços é uma atividade complexa que requer análise e estudo. Os clientes, ao comprarem determinado serviço, compram os benefícios advindos do serviço prestado, como a rapi- dez, economia de tempo, esforço indesejado e economia de tempo. Em outras palavras, ao usufruir serviços, observa-se que os consumidores estão propícios a pagar preços mais altos pelos benefícios percebidos como o tempo, esforço físico, esforço mental, conveniência, segurança, velocidade, simplicidade e automação que resultam em sua satisfação com a organização (ZEITHAML; BITNER, 2003; FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Ampliando seus conhecimentos Dê valor ao preço que você cobra (HOGAN, 2007) Quanto vale o benefício que você dá a seus clientes? A pergunta e suas inúmeras respostas são pontos-chave de quem busca encontrar o equilíbrio ideal para se definir números a serem cobrados para garantir um posicionamento de mercado equilibrado e lucrativo, de acordo com o especialista em 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 49 30/06/2016 08:39:15 Gestão de Serviços – 50 – estratégia de preços Dr. John Hogan. “Visão estratégica de precificação alavanca negócios”, definiu. Reconhecido internacionalmente como um dos maiores pensa- dores na gestão de preços, Hogan, coautor do best-seller The strategy and tatics of pricing, fez os executivos questionarem suas estratégias para definição preços e se estão em caminhos certos em seus mercados. E alertou sobre erros comuns, como estar baseado em custos, nos concorrentes ou nos clientes já existentes, esquecendo-se do valor. “Trabalho em estratégia de precificação há quase 20 anos e este é um dos maiores problemas enfrentados pelas empresas”, afir- mou Hogan. As dificuldades, lembrou, cresceram ainda mais com globalização nos últimos cinco anos. “Cerca de 85% das empresas reclamam da globalização para definir preços.” Como maior ensinamento em São Paulo, John Hogan disse que é preciso analisar todas as condições que estes executivos terão pela frente antes de tomarem uma decisão. E que eles evitem cair em ciladas como redução de preços para ganhar mercado, por exemplo. Também explicou que o grupo de precificação de uma institu- ição tem de trabalhar próximo a setores de marketing, desen- volvimento de produtos e vendas para entender o cliente, para oferecer a ele algo que tenha valor e, assim, consiga-se definir preço que garanta lucratividade e solidificação de mercado. Estratégia X tática – Hogan alertou para o fato de se ter cuidado com as táticas do dia a dia para definição de preços. É preciso saber trabalhar com estratégias, explicar ao cliente o valor de seu produto, não cair nas armadilhas que ele irá lhe impor. “As empre- sas têm hoje equipes de compras muito eficientes, que usam cartil- has com táticas para fazer você reduzir seu preço”, afirmou. Todos os dias executivos tomam decisões táticas como, por exemplo, reduzir preço para manter participação no mercado, proteger o volume de vendas ou para fechar negócio. “Quando 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 50 30/06/2016 08:39:15 – 51 – Serviços como diferencial competitivo as pessoas agem com pensamentos voltados exclusivamente desta maneira, não pensam nas implicações estratégicas”, aler- tou. “Em um mercado maduro, o concorrente também vai redu- zir seu preço e esta guerra não é saudável para ninguém, ou seja, é uma ótima receita para o fracasso, para a dificuldade.” Custo X valor – qual o problema básico da abordagem tática? Primeiro, o custo. Cerca de 40% das empresas usam o custo para definir preços, afirmou Hogan. O especialista usou o exemplo de uma indústria de computadores, que criou um ótimo produto, mas baseou-se apenas em seus custos para definir o preço. Ou seja, na guerra com outros grandes fabri- cantes, cobrou muito acima dos índices praticados em mercado, esqueceu dos valores de seus computadores. Resultado? Ela faliu. A análise? A empresa poderia ter planejado o retorno financeiro com prazo e maneiras diferentes. Convença o cliente – ao invés de deixar o cliente impor suas regras, é preciso reverter a situação, explicou Hogan. O espe- cialista ensinou os executivos presentes no Special Manage- ment Program a oferecerem uma troca ao cliente: “Você abre mão do valor e criamos um serviço diferente com menor preço”. Outra dica para convencer o cliente é aprender a se rela- cionar com ele, entender seus problemas. É isso que se faz quando se possui informações de quem está do outro lado do negócio. Ou seja, dessa maneira, você consegue con- vencê-lo de que há um valor enorme no que é oferecido, de que ele irá ter lucro. “Questione se ele sabe qual benefício está sendo agregado a ele.” Faça a pergunta certa – o cliente precisa compreender o valor do que lhe é oferecido, se interessa a ele pagar por um preço premium de um produto ou serviço. Assim,pergunte à sua equipe: quais são os preços capazes de persuadir os compra- dores de que esses preços estão ancorados no valor de produ- tos e serviços oferecidos? Como se pode segmentar melhor o 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 51 30/06/2016 08:39:16 Gestão de Serviços – 52 – mercado refletindo as diferenças de valor para diferentes tipos de clientes? Quanto valem os benefícios dados aos clientes? Mudança de hábito – é preciso criar uma estrutura de preços, encontrar formas de se estabelecer preços mais altos para clientes que querem mais valores e mais baixos para os que querem menos valores e se defender diante dos concor- rentes. “Aí teremos uma boa estratégia”, explicou. Hogan usou o exemplo do jornal norte-americano The New York Times, que mudou a metodologia de vendas para atin- gir diferentes anunciantes em mercados artísticos. “Pequenos teatros teriam de pagar o mesmo preço dos grandes, porque a metodologia para se definir os números era única, ou seja, por centímetro”, afirmou. “A publicação passou a cobrar de acordo com o número de cadeiras na casa de espetáculos e atingiu a todos.” Em um primeiro momento, lembrou, os grandes teatros recla- maram, mas aos poucos entenderam o valor do que lhes era oferecido. E os pequenos também tiveram chances de anunciar. “A comunicação do valor é muito mais importante do que se pode imaginar. Mexe com a sensibilidade do preço”, ensinou. Atividades 1. Porter (2004) ressalta que a essência de formular estratégias é saber lidar com a concorrência. Segundo ele, quais são as cinco forças com- petitivas que dirigem a concorrência? 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 52 30/06/2016 08:39:16 – 53 – Serviços como diferencial competitivo 2. Atualmente, no mercado, existem diversas empresas que atendem a diferentes necessidades dos consumidores. Relacione algumas empre- sas que estão voltadas para a prestação de serviços. 3. As empresas constantemente poderão repensar seus produtos e serviços. Porém, é possível observar que diversas oportunidades podem ser exploradas no setor de serviços. Quais são as principais tendências que podem ser exploradas para a concepção de novos serviços ao mercado? 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 53 30/06/2016 08:39:16 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 54 30/06/2016 08:39:16 Diferenciação entre produtos e serviços O objetivo deste capítulo é proporcionar situações de ensino- -aprendizagem para compreender as diferenças entre produtos e serviços ofertados ao consumidor. Sendo assim, serão estudados os seguintes conteúdos: 2 conceitos de produtos; 2 as diferenças fundamentais entre produtos e serviços; 2 o planejamento de produtos que são serviços; 2 atuando com produtos e serviços: a importância do equilíbrio; 2 serviços aos clientes como diferencial do produto; 2 referências de eficiência em produtos e serviços. Ao longo da história, a evolução dos produtos e serviços garantiu maior qualidade de vida aos consumidores. Atualmente, ao observarmos o ambiente dinâmico em que estamos inseridos, percebemos uma imensa oferta de produtos e serviços que estão disponíveis para satisfazer as necessidades em nosso cotidiano. Como consumidores, procuramos praticidade, conforto, bem-estar e comodidade. 3 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 55 30/06/2016 08:39:16 Gestão de Serviços – 56 – 3.1 Conceitos de produtos Ao longo dos séculos, os produtos evoluíram a partir das necessidades humanas. Inicialmente desenvolvidos pelos artesãos, os produtos eram ela- borados artesanalmente por quem detinha conhecimento técnico para trans- formar matérias-primas em produtos elaborados. Na Revolução Industrial, a partir do século XVIII, ocorreu uma grande mudança com a industrializa- ção e desenvolvimento de produtos, impactando na organização da sociedade humana e no crescimento das cidades (MAXIMIANO, 2002). Por outro lado, o crescimento e expansão das grandes ferrovias, estradas e navegação permitiram o aumento da escala e a distribuição ininterrupta de produtos para uma grande quantidade de consumidores nas diversas cidades ao redor do mundo. Nesse cenário, também surgiram empresas de varejo. Desse modo, a logística passou a ser um elemento fundamental na integração dos processos empresariais e industriais, unindo os fornecedores até os consu- midores de produtos e serviços. Lovelock e Wright (2005) descrevem produtos como objetos ou dispo- sitivos físicos. Las Casas (2007) indica que bens possuem embalagem. Zei- thaml e Bitner (2003) complementam dizendo que a maioria dos bens ou produtos são produzidos e, somente após, são comercializados e consumidos. De acordo com Kotler (2000), produtos podem ser oferecidos aos con- sumidores de modo a atender desejos ou necessidades, ou ainda, exceder as suas expectativas. Porém, os consumidores comprarão um produto ou serviço da empresa que oferecer o maior conjunto de benefícios esperados por eles. Os produtos são classificados em (KOTLER, 2000): 2 bens duráveis – são bens tangíveis, que podem ser usados várias vezes, geralmente requerem venda pessoal e serviço, como um tele- visor ou uma geladeira; 2 bens não duráveis – normalmente são consumidos após poucas utilizações, como lenços de papel ou canetas. Nessa perspectiva, Slack, Chambers e Johnston (2009) salientam que o processo de produção é a função central das organizações, e, em sua maioria, as operações são baseadas na composição e oferta de produtos e serviços. Porém, para oferecer produtos e serviços que atendam às expectativas dos consumi- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 56 30/06/2016 08:39:16 – 57 – Diferenciação entre produtos e serviços dores, a organização deve estar atenta na busca interna e externa de possíveis oportunidades e ideias para inovar, ampliar ou melhorar a oferta de produtos e serviços, conforme demonstrado a seguir: Figura 1 – Fontes de novos produtos ou serviços. Departamento de Marketing Geração do conceito Fonte: SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2009. Adaptado. FONTES INTERNAS FONTES EXTERNAS Análise das necessida- des dos consumidores. Sugestões do pessoal de contato com os clientes. Ideias de pesquisa e desenvolvimento. Pesquisa de mercado. Sugestão dos clientes. Ações dos concorrentes. Notoriamente, as ideias de fornecedores, consumidores, concorrentes ou tendências são importantes fontes para serem analisadas pelas organiza- ções e serem transformadas em conceitos de novos produtos ou serviços: Figura 2 – Transformação de ideia em conceito de produto ou serviço. Forma A forma global do produto. Função A maneira como o produto funciona. Propósito A necessidade que o produto deve satisfazer. Ideia Conceito Benefícios As vantagens que o produto trará aos consumidores. Fonte: SLACK; CHABERS; JOHNSTON, 2009. Adaptado. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 57 30/06/2016 08:39:16 Gestão de Serviços – 58 – O papel, por exemplo, que utilizamos neste momento, existe há séculos. Entretanto, ao longo dos anos, ele foi modificado e adaptado de acordo com as necessidades de mercado. Entre as múltiplas aplicações do papel cita-se a impressão de livros, revistas, jornais, bem como o papel para escrever em folhas avulsas, cadernos e cartões disponíveis em diversas formas e formatos. O papel também é utilizado nas embalagens de remédios, alimentos, roupas, guardanapos, lenços, absorventes, papéis adesivos, filtros de café, selos, papel- -moeda, entre vários outros exemplos. Neste contexto, observa-se que a indústria papeleira apresentou melho- rias significativas no processo de elaboração do papel ao longo do tempo, procurando atender os avanços industriais e as necessidades do consumidor, oferecendo uma diversidade de produtoselaborados a partir do papel. Portanto, ao elaborar o conceito de um produto ou serviço deve-se aliar os objetivos de desempenho da organização (qualidade, rapidez, confiabili- dade, flexibilidade e custo), pois essa definição afetará diretamente a escolha dos mesmos consumidores (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2009). Por outro lado, Davis, Aquilano e Chase (2001) e Corrêa e Corrêa (2006) alertam que as pressões do mercado globalizado estão cada vez maio- res, mudando rapidamente as necessidades dos consumidores devido à reação às inovações e ao encurtamento do ciclo de vida dos produtos. Nesse sentido, o desenvolvimento de produtos inovadores nas organizações tem se mostrado fundamental no mercado cada vez mais competitivo. Nessa perspectiva fica evidente que o desenvolvimento de novos pro- dutos e serviços é fundamental para ampliar o número de consumidores e especialmente para estabelecer uma vantagem competitiva para a organiza- ção. Convém, também, analisar que algumas organizações oferecem ape- nas produtos, e outras oferecem somente serviços (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2009). Contudo, cada vez mais, as organizações oferecem um composto de produtos e serviços. 3.2 As diferenças fundamentais entre produtos e serviços De acordo com Bateson e Hoffman (2001), um produto ou bem é algo que o consumidor compra e leva embora com ele, ou ainda, consome, ou, de 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 58 30/06/2016 08:39:16 – 59 – Diferenciação entre produtos e serviços alguma maneira, usa. Porém, se não é físico, se não é algo que se pode levar embora ou consumir (fazer desaparecer, transformar), então podemos chamá- -lo de serviço. Hoffman et al. (2010, p. 6) ressaltam que, de forma geral, os bens podem ser definidos como objetos, dispositivos ou coisas, ao passo que ser- viços podem ser definidos como ações, esforços ou desempenhos. Portanto, o grande desafio envolvido na formação dos preços de serviços para os admi- nistradores é que não existe um custo mensurável de bens vendidos. Desse modo, podemos dizer que o custo principal da produção de um serviço é a execução do trabalho (HOFFMAN et al., 2010). Ainda, um serviço é um ato ou desempenho essencialmente intangível que uma parte pode oferecer a outra e que não resulte na posse de nenhum bem, assim, sua execução pode ou não estar ligada a um produto físico. Ser- viço é qualquer atividade ou benefício que uma parte possa oferecer a outra, que seja essencialmente intangível e não resulte na propriedade de qualquer coisa (KOTLER, 2000). Lovelock e Wirtz (2007) esclarecem que um serviço é um ato ou desem- penho oferecido por uma parte à outra. Embora o processo possa estar vin- culado a um produto físico, o desempenho é transitório, frequentemente de natureza intangível, e não resulta normalmente em propriedade de quaisquer dos fatores de produção. Um serviço é uma atividade econômica que cria valor e proporciona benefícios a clientes em horários e locais específicos, efetuando uma mudança desejada em quem recebe o serviço, ou em seu nome. Talvez a distinção fun- damental entre bens e serviços esteja no fato de que clientes normalmente não obtêm a propriedade de serviços. Portanto, ressalta-se algumas características básicas dos serviços (LOVELOCK; WIRTZ, 2007; HOFFMAN et al., 2010): 2 Natureza predominantemente intangível do produto; 2 Participação do cliente no processo de produção; 2 Pessoas como parte do produto; 2 Dificuldades em estabelecer e manter padrões de qualidade; 2 Maior dificuldade de avaliação pelo cliente; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 59 30/06/2016 08:39:16 Gestão de Serviços – 60 – 2 Impossibilidade de estocagem; 2 Maior relevância do fator tempo; 2 Estrutura de distribuição diferenciada. Nesse segmento, existem algumas implicações estratégicas em que, dife- rentemente da área de produção, observa-se que os serviços não podem ser estocados, portanto são altamente perecíveis. Além disso, os serviços sofrem forte influência de tempo, pois não é possível entregar o serviço antes que aconteça a demanda propriamente dita. Por outro lado, serviços sofrem forte influência de lugar ou da cultura local, em que ocorre o consumo, assim, não é possível produzir em um lugar, entregar em outro e efetuar o consumo em um terceiro local. O quadro a seguir apresenta as principais diferenças entre os produtos e serviços: Quadro 1 – Diferenças entre produtos e serviços Produtos Serviços Controle Facilitado Dificultado Qualidade Padronizada Customizada Produção Com estoque No ato do consumo Tipo de venda Concreta/física Promessa/abstrata Características Tangíveis Intangíveis Participação humana Baixa Alta Distribuição Facilitada Dificultada Industrialização Obrigatória Rara Fonte: LOVELOCK; WIRTZ, 2007; KOTLER, 2000. Adaptado. Também observa-se que os consumidores de serviços estão sempre envolvidos na fabricação do serviço, sendo, portanto, participantes na sua concepção. Desse modo, existem as seguintes classificações dos tipos de servi- ços, de acordo com Lovelock e Wirtz (2007): 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 60 30/06/2016 08:39:16 – 61 – Diferenciação entre produtos e serviços 2 Serviços profissionais – tendem a ser baseados em pessoas, em vez de equipamentos, com ênfase no “processo” (como o serviço é pres- tado) em vez de no “produto” (o que é fornecido). Como exemplo, pode-se citar os consultores de gestão, advogados, arquitetos, cirur- giões, auditores, inspetores de segurança, alguns serviços especiais na área de computadores, entre outros. 2 Serviços de massa – em geral, são predominantemente baseados em equipamentos e orientados para o “produto”, com a maior parte do valor adicionado no escritório de retaguarda, com relativamente pouca atividade de julgamento exercida pelo pessoal da linha de frente. Como exemplo, pode-se citar os supermercados, redes nacionais de estradas, aeroportos, serviços de telecomunicações, livrarias, emissoras de televisão, atendimento em um serviço público, entre outros. 2 Lojas de serviços – caracterizadas por níveis de contato com o cliente, customização, volumes de clientes e liberdade de decisão pessoal, que as posiciona entre os extremos do serviço profissional e de massa. O serviço é proporcionado através de combinações de atividades dos escritórios da linha de frente e da retaguarda, pessoas e equipamentos e ênfase no produto/processo. Cita-se, como exemplo, os bancos, lojas em ruas comerciais e shopping centers, operadores de excursões de lazer, empresas de aluguel de carros, escolas, hotéis, entre outros. De forma geral, os serviços de massa são os tipos de serviços que atendem ao maior número de clientes. Normalmente são serviços pouco personalizados, com alto grau de padronização de operações (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). No entanto, a padronização favorece o uso de equipamentos para a produção do serviço, no qual, geralmente, seja necessária a presença do cliente, o grau de contato é baixo e impessoal. Alguns exemplos de serviços de massa típicos são o transporte urbano (metrô e ônibus), grandes supermercados, serviços de comunicações telefônicas e transmissão de rádio e televisão. Além disso, algumas empresas classificam-se como serviços de massa, que em geral, são predominantemente baseados em equipamentos e orientados para o “produto”, ou seja, executam grande volume de atendimento e fazem baixa customização do serviço ao consumidor (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 61 30/06/2016 08:39:16 Gestão de Serviços – 62 – 3.3 O planejamento de produtos que são serviços Inicialmente cabe fazer a distinção entre bens, serviços e produtos. De acordo com Hoffman et al. (2010, p. 6), “bens são objetos, dispositivos ou coisas, ao passo que serviços sãoações, esforços ou desempenhos, e produtos, por sua vez, podem ser um bem ou um serviço”. Nessa perspectiva, os serviços possuem diversas características distintas. No planejamento e desenvolvimento de novos serviços, Fitzsimmons e Fitzsim- mons (2005) sugerem a análise cuidadosa e atenta de diversos pontos antes de qualquer tomada de decisão. Elencam que é indispensável que seja um processo criativo, conceituando o serviço único e diferenciado da concorrência mediante a definição de características específicas. A elaboração de um projeto envolve a análise acurada de diversos aspec- tos como a cultura e os hábitos existentes no local em que serão ofertados os produtos e serviços (KOTLER, 2000). Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) destacam a importância de analisar os avanços tecnológicos por representa- rem o pilar de sustentação para a inovação radical em serviços. Por outro lado, ao conceber um novo projeto em serviços devem ser avaliados os aspectos como a localização do projeto, o layout do ambiente, o fluxo dos processos, os procedimentos, as definições das tarefas, o nível de qualidade, os equipamentos utilizados, a demanda e a capacidade operacional do serviço (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Na organização também é preciso considerar se o serviço deverá ser entregue em tempo real aos clientes. Nos serviços de alto contato e na com- plexa interação dos colaboradores com os clientes, de acordo com Lovelock e Wirtz (2007), o envolvimento de especialistas em recursos humanos e a elaboração do esquema ou fluxograma do processo devem ser avaliados. Cita- -se como exemplo o desenvolvimento de um novo edifício por uma empresa de engenharia ou arquitetura, ou ainda, a análise de sistemas de computador, que, devido à complexidade da estrutura do processo, torna a sua visuali- zação dificultada. Convém ressaltar que o crescimento do setor de serviços tem sido uma grande tendência global. Além disso, observam-se empresas dispensando colaboradores e terceirizando os serviços que eram desenvolvidos por eles. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 62 30/06/2016 08:39:16 – 63 – Diferenciação entre produtos e serviços Kotler (2009) destaca que os setores de serviços são diversificados, conforme a seguir: 2 setor governamental – tribunais, serviços de emprego, hospitais, serviços militares, polícia, bombeiros, correios, escolas, entre outros; 2 setor privado que não visa lucro – museus, igrejas, instituições de caridade, faculdades, fundações, hospitais, entre outros; 2 setor comercial – linhas aéreas, bancos, serviços de informática, hotéis, seguradoras, advogados, consultorias, serviços médicos, odontológicos, eletricistas, encanadores, imobiliárias, entre outros; 2 setor de produção – trabalhadores são fornecedores de serviços, como analistas de informática, contadores, assessores jurídicos, entre outros. Todavia, cada vez mais empresas preferem terceirizar os serviços internos que podem ser feitos com maior eficiência por uma empresa especializada, como folha de pagamento, limpeza de escritórios, jardinagem, recrutamento, serviços jurídicos, contábeis, propaganda (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). Essa prática, na maioria dos casos, garante a redução de custos e maior espe- cialização na execução do serviço. No planejamento do setor de serviços, a qualidade do serviço é medida e avaliada de acordo com a capacidade e a motivação demonstrada pelos ele- mentos humanos que compõe a organização. Por isso, Berry (2001, p. 12) comenta que “as empresas de serviços criam valor através do seu desempe- nho”. Como exemplo, cita-se a companhia aérea TAM, que asseguradamente oferece um atendimento personalizado e excepcional aos clientes. Notadamente, é necessário atuar com uma equipe que tenha muito pre- paro para oferecer um atendimento de qualidade especialmente nos mercados com elevada concorrência. Berry (2001) evidencia que quanto maior for a dependência de mão de obra na elaboração dos serviços, maiores serão os desafios da organização em: 2 operar eficazmente enquanto o negócio cresce; 2 operar eficazmente ao competir com preço; 2 reter o espírito empreendedor de quando a empresa era menor e mais jovem. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 63 30/06/2016 08:39:16 Gestão de Serviços – 64 – A tecnologia, evidentemente, é uma força propulsora fundamental para a inovação de serviços, especialmente para automatizar e acelerar processos, reduzir custos (talvez preços), facilitar a entrega dos serviços, manter um relacionamento mais próximo com os clientes, e oferecer conveniência, agre- gar atrativos a produtos existentes e o desenvolvimento de novos serviços (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). 3.4 Atuando com produtos e serviços: a importância do equilíbrio Na atualidade, os consumidores desejam que suas expectativas sejam excedidas pelas empresas que geram produtos e prestam serviços; especial- mente as novas gerações possuem uma alta expectativa, como o atendimento rápido, objetivo e eficiente. Afinal, eles não podem perder tempo. Normal- mente, essa geração, ao procurar por um produto e serviço, primeiramente pesquisa na internet. Como exemplo, podemos analisar a Pizza Hut que concebe um pro- duto, a pizza, e que também presta serviços, como efetuar o atendimento à mesa, ou ainda, disponibilizar o serviço de telentrega. Ao pensarmos em usar esse serviço, o telefone continua sendo o principal canal para efetuar o pedido, porém novas formas têm sido requisitadas no mercado como o pedido via site. Outro exemplo é a Editora Escala, que oferece produtos, como publi- cações, livros, DVDs e revistas, e presta serviços, como efetuar o serviço de assinatura de revistas, ou, ainda, disponibilizar a compra de produtos pelo site com a entrega no endereço definido pelo cliente. Nesse caso, o cliente, do conforto de sua casa, escolhe os produtos que possuem características e informações técnicas disponíveis, além de definir a forma de pagamento e de entrega. Em ambos os casos, ao pensarmos na compra de produtos, o telefone continua sendo o principal canal para efetuar o pedido e tirar dúvidas sobre os produtos e serviços. Porém, não pode mais ser o único. As organizações aten- tas à revolução de mercado oferecem facilidades como o atendimento telefô- nico, e-mail, atendimento online via chat, pagamento eletrônico, interação via 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 64 30/06/2016 08:39:16 – 65 – Diferenciação entre produtos e serviços redes sociais, entre outros. Cabe às empresas estarem atentas a essas mudanças, de modo que aproveitarem as oportunidades lançadas pelo mercado. Contudo, o aumento da produtividade e da automação na agricultura e na indústria, combinado com a demanda crescente por serviços novos e tradicionais, resultaram, em conjunto, no aumento contínuo ao longo do tempo do percen- tual de mão de obra empregada em serviços (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). É notório que projetar, planejar e atuar com produtos e serviços é uma atividade desafiadora para as organizações que requer um fino ajuste em processos e colaboradores que tragam um resultado positivo ao consumidor (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). As sequências operacionais amigáveis dos processos trazem benefícios se estiverem adequadamente sendo executados por colaboradores, ou ainda, quando consumidores executam autosserviços ou self services. Na atualidade, muitos clientes optam pelo autosserviço, ou seja, os ser- viços não são executados pelos colaboradores, e sim pelos próprios clientes. Diversos setores permitem que os consumidores participem ativamente do processo de execução de compra de produtos e serviços, por exemplo: 2 participação ativa de alunos na realização de seminários com enfo- que no aprendizado; 2 postos de gasolina permitem que os americanos abasteçam seu veículo; 2 consumidores servema sua refeição nos serviços de bufê de restaurantes; 2 o cliente leva a bandeja até a lata do lixo em lancherias e restaurantes; 2 clientes executam a tarefa de empacotamento nos caixas de supermercados; 2 o consumidor faz a pesquisa de dados técnicos e de valores na com- pra de produtos eletroeletrônicos pela internet; 2 os clientes de bancos realizam diversos serviços pela internet ou em caixas eletrônicos que antes eram realizados pelos caixas dos próprios bancos. É interessante observar que em diversos momentos o consumidor não consegue efetivamente distinguir bens de serviços, embora bens sejam objetos 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 65 30/06/2016 08:39:16 Gestão de Serviços – 66 – ou dispositivos, e serviços sejam ações, esforços ou desempenhos (HOFF- MAN et al., 2010), em decorrência de que poucos produtos podem ser classi- ficados como um serviço puro. Porém, quanto melhor for o serviço prestado pelas empresas, independentemente de produzir bens ou não, mas competi- tiva a empresa se tornará. Como observado, a maioria das empresas presta algum tipo de serviço, algumas em maior escala outras em menor escala. Por isso, pode-se afirmar que não existe distinção entre empresas prestadoras de serviços e empresas industriais e comerciais. Existem, sim, empresas nas quais a prestação de ser- viços é maior refletindo em maior competitividade, e maior demanda de mão de obra de colaboradores ou execução do serviço pelo próprio cliente. 3.5 Serviços aos clientes como diferencial do produto Com a evolução dos mercados, as empresas continuamente melhoraram o produto principal, porém algumas também mantiveram o foco e ênfase em otimizar a oferta de serviços complementares que são vendidos com o produto principal. A combinação de produto principal e serviços comple- mentares é denominada produto ampliado (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). O serviço está presente em todos os momentos em que o cliente tem contato com a empresa. Alguns serviços são ofertados para facilitar a utilização do bem ou do serviço principal, ou ainda, para somar um apelo extra ao con- sumo. Por essa razão, muitas organizações que agregam valor aos seus produtos já desenvolveram um pacote de benefícios para conquistar o cliente, como: 2 customização; 2 maior conveniência; 2 serviços mais rápidos; 2 mais e/ou melhores serviços; 2 orientação, treinamento ou consultoria; 2 oferecer uma garantia extraordinária; 2 ferramentas úteis de software e hardware; 2 associação a um programa de benefícios, entre outros. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 66 30/06/2016 08:39:16 – 67 – Diferenciação entre produtos e serviços Ao analisar uma companhia aérea, percebemos a oferta de bens e servi- ços, sendo que alguns são tangíveis, como a aeronave, a comida e a bebida, e outros são intangíveis, como o transporte em si, o serviço pré e pós-voo, a frequência do serviço e o serviço de bordo. Desse modo, conforme Zeithaml e Bitner (2003) os serviços agregados ao produto físico proporcionam ao consumidor e a empresa: 2 maior satisfação; 2 credibilidade; 2 continuidade e melhoria do relacionamento; 2 ampliação do volume de negócios; 2 maior fidelidade dos clientes. Os consumidores, evidentemente, procuram soluções que possam criar valor nas atividades ou tarefas do cotidiano. Como exemplo, um restaurante cria valor ao cliente ao atendê-lo em seu horário de intervalo e oferecer uma saborosa refeição rapidamente e sem necessidade de espera. Grönroos (2004) conclui que os clientes buscam soluções, e não produtos ou serviços em si. Essa afirmação evidencia a importância de definir quais as soluções ou benefícios que a empresa oferece ao seu cliente ao projetar seus produtos ou serviços. Qualquer empresa, independentemente de tamanho ou do produto principal ser um bem físico ou um serviço, pode ofertar diversos serviços que gerem soluções aos consumidores. Porém na visão do cliente, as empresas podem ofertar várias perspectivas estratégicas conforme Grönroos (2004): 2 perspectiva de serviço: oferecer uma variedade de serviços adicio- nalmente ao produto central; 2 perspectiva de produto central: o produto é diferenciado no mer- cado, sendo único ou diferenciado tecnologicamente; 2 perspectiva de preço: o preço baixo é a principal forma de competir no mercado; 2 perspectiva de imagem: a empresa atua fortemente com marketing para criar valores imaginários. A empresa que define a perspectiva estratégica baseada em serviços esta- belece que o relacionamento com os clientes proporciona sua maior vanta- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 67 30/06/2016 08:39:16 Gestão de Serviços – 68 – gem competitiva. Como exemplo, citam-se as empresas de seguro, em que o cliente não troca a empresa em virtude do relacionamento e atendimento que recebe do gerente. Nesse caso, além do produto central, a empresa se diferenciará dos concor- rentes colocando à disposição do cliente informação, atendimento personalizado, atenção pessoal, facilidades, entre outros. Ao adotar a perspectiva de serviço, a organização é denominada uma empresa de serviços (GRÖNROOS, 2004). 3.6 Referências de eficiência em produtos e serviços No desenvolvimento de produtos e serviços a palavra fundamental é a inovação. Oportunidades e ideias podem surgir de diversas formas e fontes, especialmente observando as tendências de mercado e analisando as necessi- dades dos consumidores. Observa-se que é necessário analisar a diversidade de culturas e hábitos existentes na localização da oferta dos produtos e serviços. No Brasil, por exemplo, a global Unilever determinou que a oferta do sabão em pó para lavar roupas precisa ter espuma abundante – cultura local que indica que a roupa será bem lavada – e que o pó precisa estar na cor azul, associada à limpeza, uma vez que o anil de cor azul foi usado durante muito tempo para lavar as roupas (VEJA, 2009). A grande distribuição comercial tem mudado radicalmente o consumo e a alimentação da população mundial, centralizada nos interesses econômicos do setor. De fato, é produzido, distribuído e comercializado o que é rentável, em detrimento da qualidade do consumo humano resultando em doenças como a obesidade, pressão alta, intolerâncias e alergias, elevando os custos da saúde pública. Os diversos aditivos, corantes e conservantes têm presença significativa em nossa alimentação. E em vez de consumirmos produtos naturais, na ver- dade, consumimos produtos quimicamente industrializados. Nesse cenário, no setor de supermercados, o Grupo Pão de Açúcar tem sido uma referência no Brasil, especialmente devido à oferta de serviços dife- renciados aos seus clientes e por oferecer e reiterar o consumo adequado de produtos sustentáveis e saudáveis. A marca própria de alimentos saudáveis está exposta em locais estratégicos e difundida pelos colaboradores. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 68 30/06/2016 08:39:16 – 69 – Diferenciação entre produtos e serviços Outro exemplo é a empresa brasileira de cosméticos Natura, presente em sete países da América Latina e na França, que é referência em produtos e ser- viços. A empresa atua criando valor para a sociedade, gerando resultados eco- nômicos, sociais e ambientais. Os seus produtos são concebidos integrando o conhecimento científico e a sabedoria das comunidades tradicionais, pro- movendo a sustentabilidade da biodiversidade botânica brasileira (NATURA, 2011). Os consultores da Natura são constantemente desenvolvidos e incen- tivados a estabelecer relações de qualidade com os clientes, baseadas no rela- cionamento através da consultoria, conhecimento, utilização e aplicação dos benefícios dos produtos e serviços da Natura. Como referência global cita-se o Greenpeace Internacional, cuja missão é coordenar atividades e projetosligados à preservação dos recursos naturais da terra, do ar, da água e do ser humano. Mantém disponíveis e atualizadas infor- mações através do seu site sobre produtos transgênicos, energia, tóxicos, clima, oceanos, biodiversidade, entre outros (MOREIRA et al., 2008). Seus serviços de informações e denúncias sobre situações que afetam a vida na terra estão disponíveis 24 horas para qualquer cidadão do mundo. Evidentemente, quanto mais desenvolvido for o país, maior importância terá o setor de serviços em vista de maior poder aquisitivo da população. Por essa razão, serviços oferecidos aos consumidores, como cortar o cabelo, transa- ções bancárias, fazer uma cópia de chave, imprimir fotos digitais ou consertar um aparelho eletrônico, são tipos de serviços que eles buscam cada vez mais para facilitar e agilizar a resolução de problemas do cotidiano, ou ainda, como define Grönroos (2004), que ofereçam soluções rápidas ao seu dia a dia. Ampliando seus conhecimentos O sabão que aqui lava não lava como lá (BETTI, 2009) Conhecer em detalhes as predileções à mesa e na limpeza da casa, os tipos de pele e até os hábitos do brasileiro ao escovar os dentes é prioridade para as empresas de bens de consumo que atuam no país. Esse, acreditam elas, é o caminho para 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 69 30/06/2016 08:39:17 Gestão de Serviços – 70 – ganhar espaço num mercado em franca expansão. Nos últimos seis meses, o egípcio Tarek Farahat, presidente da Procter & Gamble no Brasil, adotou como rotina a visita diária a supermercados. O objetivo é observar os consumidores na hora da compra, o que faz parte de uma estratégia maior. Só neste ano, a empresa reforçou em 20% sua verba de pesquisas no país, para mapear os hábitos de consumo locais. “Temos uma meta: dobrar as vendas. E para isso é preciso adaptar ao máximo os produtos à realidade e ao gosto dos brasileiros”, diz Farahat. A tendência de adaptar produtos para atender às particulari- dades de um país começou nos anos 50 com a indústria auto- mobilística e tornou-se crucial depois da globalização. Hoje, multinacionais do setor de bens de consumo, como a Procter & Gamble, lideram os investimentos nessa direção. A medida é estratégica quando se trata de conquistar mercado em países emergentes, onde a classe média ainda alarga suas fronteiras. No Brasil, nada menos do que 20 milhões de pessoas foram alçadas à classe C nos últimos três anos, dando novo con- torno à sociedade de consumo. Isso é o que compensa os altos gastos com aquilo que o jargão do marketing chama de segmentação. O processo pode ser simples, como a adição de açúcar à receita de um biscoito, ou implicar na completa transformação de um produto. Tudo para contemplar hábitos ou até condições climáticas que variam de um país para outro. No Brasil, a tarefa é tanto mais difícil quanto mais necessá- ria. Por sua dimensão continental, muda quase tudo de uma região para outra. O segmento de bens de consumo abarca alimentos, bebidas e produtos de higiene e limpeza – basicamente tudo o que se encontra em um supermercado. Ele é composto, grosso modo, de 15 grandes empresas no mundo, entre gigantes de alimentos, como a Pepsico e a Kraft, e aquelas voltadas exclu- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 70 30/06/2016 08:39:17 – 71 – Diferenciação entre produtos e serviços sivamente para higiene e beleza, como a Johnson & Johnson. Apenas duas dessas companhias globais, a Procter & Gamble e a Unilever, produzem mercadorias tão variadas como sor- vete, xampu, detergente, ração para cachorro e pilha. Ambas estão esparramadas por mais de uma centena de países e, juntas, faturam algo como 140 bilhões de dólares por ano – quase o mesmo que todo o setor de eletrônicos. Para as empresas, o melhor seria investir na fabricação, por exemplo, de uma única pasta de dentes e vendê-la no mundo inteiro. Mas, para se firmarem em tantos países, elas se veem obrigadas a diversificar seu portfólio de produtos e adaptá-lo ao gosto de cada lugar. Segmentar significa, num primeiro momento, sacrificar ganhos de escala. Se o item é voltado para um grupo específico, o volume da produção se reduz e os custos aumentam. Em mer- cados como o brasileiro, o chinês ou o indiano, contudo, mesmo quando um produto se destina a determinado nicho, seu alcance é grande. A Nestlé criou, em 2005, um leite em pó exclusivamente para o Nordeste, ao qual adicionou vitaminas que são deficientes na alimentação local, e ainda o embalou em saco plástico, para baixar o preço. Com tais ajustes, já vende nessa única região brasileira quantidade de leite em pó equivalente à que consome a população inteira de um país como o México. “Criar e adaptar produtos para atender às demandas de um país torna-se interessante quando ele oferece um mercado consumidor de tamanho razoável e que dá sinais de eferves- cência”, diz Eugenio Foganholo, diretor de uma consultoria especializada em varejo. Dose extra de açúcar Boa parte das adaptações feitas em países mais pobres, como 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 71 30/06/2016 08:39:17 Gestão de Serviços – 72 – o Brasil, tem como prioridade tornar esses produtos acessíveis a pessoas com poder aquisitivo menor. É o que se observa no exemplo do leite em pó, mas também na decisão dos fabrican- tes de chocolate de substituir manteiga de cacau por gordura vegetal, o que significou um corte de 50% no preço final das barras brasileiras, ou na aposta da indústria no velho sabonete em barra, em detrimento das versões líquidas, que dominam o mercado na Europa e nos Estados Unidos (veja esses e outros exemplos no quadro). O que ocorre hoje no Brasil, no entanto, é uma verdadeira ampliação no rol de adaptações. Adaptar um produto custa caro e é muito trabalhoso – uma verdadeira operação de guerra. A depender do tipo de modi- ficação, setores que vão do laboratório ao departamento de marketing se envolvem no processo. Eis o que aconteceu, por exemplo, quando a Procter & Gamble decidiu lançar, neste ano, uma nova pasta de dentes no Brasil. Ainda que a fórmula fosse bastante semelhante à de outras pastas já criadas pela empresa, só nessa foi preciso investir algo como 100 milhões de dólares e três anos de trabalho, período em que se realizaram nada menos do que 15 pesqui- sas com 5 000 consumidores para desbravar, entre outras coi- sas, hábitos de escovação e a predileção por sabores. Foram criadas ainda 50 embalagens, para se escolher apenas uma. Esse tipo de investimento leva de três a cinco anos para ser recuperado. Se as escolhas são acertadas, o retorno é alto. “Nossas vendas quadruplicaram depois que fizemos ajustes nos chocolates vendidos no mercado brasileiro”, diz a gerente de marketing da americana Hershey's no Brasil, Renata Vieira. Em 2001, com os tabletes importados encalhando nas pratelei- ras, a Hershey's não teve alternativa senão construir uma fábrica para atender a uma exigência local: os brasileiros desaprovavam a barra individual, por considerá-la grande demais. O peso, de 70 gramas, havia sido calculado para atender à demanda dos 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 72 30/06/2016 08:39:17 – 73 – Diferenciação entre produtos e serviços americanos. Para fabricar os atuais tabletes de 25 gramas no Bra- sil, foi necessário montar uma linha de produção inteiramente diferente. À receita original, adicionaram-se ainda açúcar e cacau nacional, que, ao contrário do americano, deixa um leve gosto de queimado. Era o que queriam os brasileiros, segundo apontavam as pesquisas. Curiosamente, o mesmo chocolate sofreu mutação contrária na China. Ali, a Hershey's reduziu o açúcar para ajustar-se a um paladar que preza mais o salgado. Existe o consenso de que em poucos países o desafio da adaptação é tão complexoquanto no Brasil. “Em nenhum dos 175 países em que atuamos é preciso segmentar tanto os pro- dutos”, diz Juliana Sztrajtman, gerente de marketing da John- son & Johnson no Brasil. Isso porque não há algo como um perfil único do consumidor brasileiro. Além das disparidades de renda, é preciso levar em conta os hábitos regionais e a diversidade do clima – coisa que não se vê, por exemplo, em países menores e culturalmente mais homogêneos. No Brasil, até o paladar varia de uma região para outra. Assim, a Nestlé se viu obrigada a inventar três versões de café solúvel – mais concentrado no Sul, intermediário no Sudeste e suave no Nordeste. Em razão de sua diversi- dade racial, o Brasil ainda reúne dezenas de tipos físicos. Para uma empresa como a L’Oréal, a maior do mundo no setor de produtos de beleza, isso significa produzir uma variedade quatro vezes maior de xampus e condicionadores do que em outros países. Só para cabelos cacheados, há cinco variações. “É tão difícil criar produtos para o mercado brasileiro que, se eles dão certo aqui, têm grande chance de fazer sucesso em outros lugares”, diz o francês Olivier Blayac, diretor de desen- volvimento da empresa na América Latina. Explica o americano Philip Kotler, considerado um dos maio- res especialistas do mundo em marketing: “Com um tremor na economia, as pessoas ficam mais cautelosas e, para convencê- -las a comprar, é preciso se esmerar para oferecer o que elas 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 73 30/06/2016 08:39:17 Gestão de Serviços – 74 – realmente buscam”. A crise, portanto, só veio reforçar a prática da segmentação no país. Com a quinta maior população do mundo, a economia estável e o oitavo mercado consumidor mais lucrativo do planeta – que, diga-se, se expandiu 5,4% no ano passado, mesmo sob o impacto da crise –, o Brasil é hoje tido como prioritário pelas empresas globais do setor de bens de consumo. Diz o holandês Kees Kruythoff, que assumiu o comando da operação brasileira da Unilever, no ano passado, com a ambiciosa meta de transformá-la na segunda maior da companhia no mundo. “Para chegar lá, precisaremos criar pro- dutos cada vez mais específicos para os brasileiros”. A velha expressão “ao gosto do freguês” nunca fez tanto sentido no mundo dos negócios. Cada cultura, um sabão O exemplo do sabão para lavar roupas ajuda a entender por que uma empresa global como a Unilever precisa adaptar um mesmo produto para vendê-lo em diversos países Brasil (Omo) Em nenhum outro lugar a espuma é tão abundante – um sinal, para os brasileiros, de que a roupa será bem lavada. A cor azul, outra particularidade local, é associada à limpeza, uma vez que, por muito tempo, se usou no país o anil para alvejar as roupas. Argentina (Ala) A ausência de espuma é uma adaptação ao tipo de máquina de lavar mais comum no país. Como o aparelho tem uma abertura na frente – e não em cima, como os modelos brasileiros –, a espuma poderia transbordar e estragar o aparelho. D iv ul ga çã o. D iv ul ga çã o. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 74 30/06/2016 08:39:17 – 75 – Diferenciação entre produtos e serviços China (Omo) Produz pouquíssima espuma. A ideia é facilitar o enxágue, uma verdadeira obses- são para os chineses, que temem que os resíduos do sabão na roupa causem alergia. Inglaterra (Persil) A versão líquida domina o mercado inglês e o de outros paí- ses europeus. Considerada mais simples de usar e sem deixar pó no chão, adéqua-se bem à realidade de pessoas que cos- tumam lavar a própria roupa. D iv ul ga çã o. El Salvador (Xtra) Quase ninguém tem máquina de lavar, daí o sabão ser em barra e redondo – feito para deslizar num tipo de tanque horizontal e sem ondulações, o mais comum no país. Dado o apreço por perfumes na América Central, a concentração deles no sabão é a mais alta do mundo. D iv ul ga çã o. D iv ul ga çã o. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 75 30/06/2016 08:39:18 Gestão de Serviços – 76 – Atividades 1. O supermercado em que você efetua suas compras inova e oferece novidades aos clientes? Além disso, quais são os diferenciais que o supermercado oferece comparado ao supermercado mais próximo? 2. Alguns termos são confundidos por grande parte da população. Por isso, defina os seguintes termos: bens, serviços e produtos. 3. Quais as principais classificações e características dos tipos de servi- ços? Cite alguns exemplos. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 76 30/06/2016 08:39:18 Conceituação e características dos serviços O objetivo deste capítulo é proporcionar situações de ensino-aprendizagem para compreender e identificar os principais conceitos e as características dos serviços ofertados ao consumidor. Dessa forma, serão estudados os seguintes conteúdos: 2 conceitos e definição de serviços; 2 a classificação dos tipos de serviços; 2 as características básicas dos serviços: 2 intangibilidade; 2 inseparabilidade; 2 heterogeneidade; 2 perecibilidade. 4 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 77 30/06/2016 08:39:18 Gestão de Serviços – 78 – A diversificação da oferta de serviços em nosso cotidiano instiga a neces- sidade de ampliar os nossos conhecimentos sobre a definição, os tipos e as características dos serviços disponibilizados pelas diferentes empresas no mer- cado. É fato que os serviços possuem algumas características específicas que os diferenciam de bens físicos. Em outras palavras, a maioria dessas diferenças pode ser analisada devido à intangibilidade, inseparabilidade, heterogenei- dade e perecibilidade dos serviços. 4.1 Conceitos e definição de serviços Um serviço é o ato de oferecer ou executar algo para alguém. A própria palavra serviço deriva do verbo servir, que significa estar à disposição de outra pessoa. Também é definido como a atividade ou necessidade atendida que é oferecida junto com a venda de mercadorias, sendo, portanto, um com- plemento ou um adicional ofertado para proporcionar alguma conveniên- cia ao consumidor. De acordo com Lovelock e Wirtz (2007), um serviço é definido com uma atividade ou um processo econômico que cria valor e proporciona bene- fícios e vantagens aos consumidores em horários e locais específicos, efetu- ando uma mudança ou alteração desejada em quem recebe o serviço, ou em seu nome. Serviços também são processos e atuações disponibilizados a favor dos consumidores ou clientes. Em outras palavras, serviços podem ser definidos como ações, esforços ou desempenhos, sendo que o processo de execução do serviço é classificado como o custo principal da produção do mesmo (HOFFMAN et al., 2010). É importante esclarecer que os serviços normalmente são produzidos e consumi- dos simultaneamente e requerem, portanto, uma relação com contato direto entre o consumidor e o prestador de serviço. É oportuno ressaltar que existem muitas definições e conceitos de ser- viços, sendo que a maioria converge e concorda que serviços são intangíveis e têm consumo instantâneo (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Zeithaml e Bitner (2003, p. 28) definem serviços como “ações, pro- cessos ou atuações” que não são produzidos apenas pelas empresas de serviços, como também estão inclusos juntamente com os bens que as indústrias oferecem. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 78 30/06/2016 08:39:18 – 79 – Conceituação e características dos serviços Como exemplo, pode-se destacar os fabricantes de automóveis ou compu- tadores no qual o automóvel ou o computador é o bem. Porém, os fabricantes oferecem adicionalmente garantias e serviços de manutenção para os veículos e computadores. As indústrias oferecem serviços de entrega dos equipamentos e oferecem serviços de assistência técnica e manutenção.Nesses casos temos a conjunção de produtos e serviços. Normalmente, ao utilizarem serviços, os clientes não obtêm a proprie- dade do mesmo, ou seja, serviços são essencialmente intangíveis, embora pos- sam ser comercializados juntamente com bens tangíveis (KOTLER, 2000; LOVELOCK; WIRTZ, 2007). O conforto de uma cama de hotel ou a lim- peza e higiene dos banheiros de um restaurante são exemplos de serviços intangíveis, que podem ser sentidos ou percebidos, mas não apalpados ou tocados pelo cliente. Por definição, os serviços são relacionais, ou seja, são pautados em rela- cionamentos, e normalmente existe a interação humana. Desse modo, o pres- tador de serviço está normalmente presente na execução do processo e interage com o cliente. Enquanto bens e produtos são os objetos, os serviços são os pro- cessos envolvidos entre cliente e prestador. Ao atuar com serviços, o prestador deve fazer com que o cliente se sinta: 2 respeitado e valorizado; 2 importante, único e especial; 2 parte do negócio do prestador de serviços. Desse modo, perder clientes é relativamente uma tarefa fácil na atuação em serviços, pois a maioria dos serviços requer um contato direto entre pres- tadores de serviços e consumidores. O relacionamento pode ser face a face, como no varejo, nos serviços profissionais, ou, ainda, no entretenimento ao vivo, como shows musicais e peças de teatro. Por outro lado, muitos serviços têm relacionamento remoto, como é o caso de compras ou acesso de informa- ções através da internet ou televisão. Por isso, as empresas e os profissionais de serviços que estão atentos ao con- sumidor conseguem maior êxito em seus negócios. Hoffman et al. (2010, p. 470) destacam que organizar uma empresa de serviço significa prestar serviços con- tinuamente, “sem interrupção, confusão ou inconveniências para o cliente”. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 79 30/06/2016 08:39:18 Gestão de Serviços – 80 – Na maioria dos casos, os clientes que utilizam serviços demonstram quando não ficaram satisfeitos com o atendimento recebido. Por essa razão, é muito importante que a empresa ou o profissional de serviços: 2 tenha foco no processo e desenvolva melhoria continuamente; 2 crie oportunidades para atender e servir melhor ao cliente; 2 ouça as reclamações e as sugestões dos clientes; 2 tenha senso de justiça e discernimento ao atender reclama- ções de clientes; 2 mantenha um relacionamento positivo e contínuo com o cliente. Portanto, os serviços podem ser comercializados de forma pura, como os serviços de conhecimentos profissionais de um médico, ou, ainda, podem ser ofertados em conexão com a venda de bens ou mercadorias, como é o caso de aluguel de um imóvel, em que o imóvel é o bem e a cobrança e a assessoria ao aluguel são os serviços inclusos. Entretanto, nota-se que no mercado existem diversos tipos de serviços, porém alguns são mais intangíveis que outros. 4.2 A classificação dos tipos de serviços No Brasil, o setor de serviços vem evoluindo gradativamente, represen- tando 55% do Produto Interno Bruto da economia brasileira (LOVELOCK; WRIGHT, 2005; CHURCHILL JÚNIOR; PETER, 2000). Além disso, observa-se a elevação de profissionais e empresas especializadas atuando em serviços. Em consonância, muitas indústrias passaram a oferecer um bem em conjunto com um serviço. A evolução da economia e do setor de serviços está em constante adap- tação e mutação em conformidade com o ambiente que é dinâmico. Por isso, novos tipos de serviços são criados e desenvolvidos constantemente. Dentro desse contexto, os bens e serviços podem ser ofertados em algumas categorias distintas, ou, ainda, como afirmam Kotler e Keller (2006), existem cinco cate- gorias de mix de serviços ofertados ao mercado: 2 bem durável tangível – é somente o bem físico, como a compra de um computador; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 80 30/06/2016 08:39:18 – 81 – Conceituação e características dos serviços 2 bem tangível associado a serviços – é bem físico associado a um serviço, como a compra de um computador associado com o ser- viço de instalação na residência do cliente; 2 híbrido ou serviço acompanhado de um bem tangível – é o ser- viço realizado associado a um bem físico, como o serviço de conhe- cimento profissional de um dentista que oferece na saída um con- junto de escovas de dente; 2 serviço puro – a oferta consiste essencialmente em um serviço, como o serviço de conhecimento profissional de um advogado ou os serviços de uma babá. Tradicionalmente, os serviços são agrupados por setor ou por grupo de atividades. Porém, existem vários critérios de classificação que variam de autor para autor, e, portanto, a classificação de serviços é controversa e sem definição universal. No Brasil, segundo o IBGE (2010) e a RAIS (2011), a classificação nacional de atividades econômicas na área de serviços está agru- pada, conforme a seguir: 2 serviços de administração pública, defesa e seguridade social; 2 serviços de agricultura, pecuária e serviços relacionados; 2 serviços de alojamento e alimentação; 2 serviços de aluguel de máquinas, equipamentos, veículos e de obje- tos pessoais e domésticos; 2 serviços de atividades anexas e auxiliares do transporte e agências de viagens; 2 serviços de atividades associativa; 2 serviços de intermediação financeira, seguros e previ- dência complementar; 2 serviços de atividades artísticas, recreativas, culturais e desportivas; 2 serviços de atividades de informática e relacionados; 2 serviços de atividades imobiliárias; 2 serviços de captação, tratamento e distribuição de água; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 81 30/06/2016 08:39:18 Gestão de Serviços – 82 – 2 serviços de reparação de veículos automotores, reboques, carroce- rias, motocicletas e serviços de combustíveis; 2 serviços de varejo e reparação de objetos pessoais e domésticos; 2 serviços na confecção de artigos do vestuário e acessórios; 2 serviços da construção; 2 serviços de correio e telecomunicações; 2 serviços edição, impressão e reprodução de gravações; 2 serviços de educação; 2 serviços de energia e gás; 2 serviços de extração de minerais metálicos, não metálicos, petróleo e serviços correlatos; 2 serviços de eletrônica e de comunicação; 2 serviços em máquinas e equipamentos; 2 serviços em móveis, artefatos de couro, artigos de viagem e calçados; 2 serviços de limpeza urbana e esgoto, gestão de resíduos, desconta- minação, reciclagem e atividades relacionadas; 2 serviços de metalurgia; 2 serviços de organismos internacionais e outras instituições extra- territoriais; 2 serviços de pesca, aquicultura e serviços relacionados; 2 serviços de pesquisa e desenvolvimento; 2 serviços de atividades profissionais, científicas e técnicas; 2 serviços de saúde e serviços sociais; 2 serviços de seguros e previdência privada; 2 serviços profissionais, empresariais, pessoais e domésticos; 2 serviços de silvicultura, exploração florestal e serviços relacionados; 2 serviços de transporte aéreo, terrestre e aquaviário; 2 outros serviços. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 82 30/06/2016 08:39:18 – 83 – Conceituação e características dos serviços De fato, existem vários tipos e diversas categorias de serviços, porém alguns podem ser mais intangíveis que outros. No entanto, existem diversos estágios da prestação de serviços ao cliente (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). Pode-se observar que o serviço poderá estar presente na pré-venda, na efetiva- ção da venda ou na pós-venda, ou, ainda, em todos esses momentos. Na pré-venda, por exemplo, um vendedor de uma loja tem vital impor- tância ao fornecer informações técnicas sobre o uso de um produto. Do mesmo modo, na efetivação da venda poderá ser agregado um serviço adicio- nalao cliente, como na reserva de diárias de um hotel oferecer o transporte gratuito do aeroporto ao hotel. Ainda, no pós-venda poderá ser oferecido algum serviço de garantia ou de assistência técnica. O quadro 1, a seguir, evidencia os diversos estágios da presença da prestação de serviços ao cliente. Quadro 1 – Estágios da prestação de serviços ao cliente Estágios da prestação de serviços ao cliente Pré-venda Efetivação da venda Pós-venda – fornecer informações – satisfazer necessidades – posicionamento – relacionamento Processo de prestação de serviços ao cliente – assistência ao cliente – relacionamento constante – medir a satisfação – efetuar correções Fonte: LOVELOCK, WIRTZ, 2007. Adaptado. Nessa perspectiva, percebe-se que quanto mais aprofundamos os estu- dos, mais evidente fica a amplitude e vastidão da inserção do setor de servi- ços em nossa economia. Teboul (2008) apresenta a classificação de Brow- ning e Singlemann: 2 serviços comercializados – considerados os serviços financeiros, bancários, seguros, jurídicos, imobiliários; 2 serviços à empresa – considerados os serviços fornecidos para a empresa, como a contabilidade, consultoria, design, publicidade, tecnologia da informação e manutenção em geral; 2 serviços pessoais – considerados os serviços domésticos, hotelaria, entretenimento e reparos; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 83 30/06/2016 08:39:18 Gestão de Serviços – 84 – 2 serviços distributivos – considerados os serviços de atacado, arma- zenagem, varejo, transporte e comunicações; 2 serviços não comercializados – considerados os serviços de saúde, educação, previdência, administração pública, polícia, serviços jurídicos, combate a incêndio e defesa. Nos próximos anos haverá maior empregabilidade para profissionais de serviços (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005) menos qualificados, como faxineiros, garçons e motoristas, porém sem perspectivas de cresci- mento em sua carreira profissional (TEBOUL, 2008). Porém, o setor que mais têm crescido é o de terceirização de serviços pelas empresas, devido à crescente importância dos serviços nas empresas. Entre os diversos estudos, Teboul (2008) apresenta uma classificação dos tipos de serviços, conforme a proximidade com o consumidor final: 2 serviços business-to-business – a terceirização de serviços da indústria com o deslocamento de atividades para uma empresa terceirizada. A elevação gradativa desses serviços deve-se à redução de custos, aumento da flexibilidade da força de trabalho e maior especialização, conhecimento técnico e experiência por parte das empresas contratadas. Como exemplo, citam-se os serviços jurídi- cos, publicidade e propaganda, serviços de limpeza e segurança, serviços contábeis, entre outros; 2 serviços ao consumidor – englobam todos os serviços ofertados ao público, como serviços bancários, serviços da saúde, serviços da edu- cação, entre outros; 2 autosserviços – a prestação do serviço é executada pelo próprio consumidor. Notadamente é um tipo de serviço que aumenta a produtividade e reduz custos, por exemplo, o autoatendimento em supermercados, postos de gasolina. Em maior ou menor grau, alguns serviços foram automatizados, é o caso de empregadas domésticas que foram substituídas por lavadoras, aspiradores de pó, lava-louças, entre outros. É interessante observar que as indústrias estão aumentando a oferta de serviços aos seus consumidores, e os prestadores de serviços possuem uma 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 84 30/06/2016 08:39:18 – 85 – Conceituação e características dos serviços tendência a industrializar seus processos, como as atividades de restaurantes fast-food. Em outras palavras, de acordo com Levitt (1972) e Welch e Welch (2005), estamos todos atuando em serviços. 4.3 As características básicas dos serviços De acordo com Grönroos (2004), as estatísticas não refletem na tota- lidade a economia baseada em serviços, pois os serviços produzidos pelas indústrias de bens não estão contabilizadas como serviços. Porém, gradativa- mente, observa-se no mercado a mudança de posicionamento das empresas com o passar do tempo. As indústrias passaram a incorporar a oferta de serviços, e, desse modo, as fronteiras entre o bem ou produto (bem tangível) e o serviço (bem intangível) estão se extinguindo ou reduzindo. De outro modo, McKenna (2005) pontua o aumento gradativo de “servicilização” dos produtos, bem como um aumento na “produtilização” dos serviços. Diante disso, os serviços possuem características diversas. Lovelock e Wright (2005), no entanto, destacam que existem alguns fatores que carac- terizam os serviços: 2 natureza predominantemente intangível do produto; 2 participação do cliente no processo de produção; 2 pessoas como parte do produto; 2 dificuldades em estabelecer e manter padrões de qualidade; 2 maior dificuldade de avaliação pelo cliente; 2 impossibilidade de estocagem; 2 maior relevância do fator tempo; 2 estrutura de distribuição diferenciada. Por outro lado, Hoffman et al. (2010) e Kotler e Keller (2006) ressaltam que existem quatro características principais que afetam a elaboração de pro- gramas e que são específicas em serviços, conforme a seguir: 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 85 30/06/2016 08:39:19 Gestão de Serviços – 86 – 2 intangibilidade – serviços são ideias e conceitos (processos), não são patenteáveis. O consumidor baseia-se na reputação de uma marca ou de um serviço. Essa é considerada a maior diferença, da qual emergem as demais; 2 inseparabilidade – serviços são criados e consumidos simultanea- mente, portanto, não podem ser estocados; 2 variabilidade ou heterogeneidade – os serviços variam de cliente para cliente. É uma atividade voltada para pessoas que possuem diferentes necessidades; 2 perecibilidade – duração do serviço, se não for usado, está per- dido, como o assento em avião ou o quarto em hotel. Na área de serviços, cada uma dessas características representa desafios específicos à organização e aos profissionais de marketing, exigindo, portanto, a adoção de estratégias diferenciadas (KOTLER; KELLER, 2006). Desse modo, é importante que os profissionais encontrem formas de tornar o ser- viço tangível, aumentem a produtividade na prestação de serviços, elevem e padronizem a qualidade do serviço e encontrem maneiras de adequar o forne- cimento de serviços em períodos de altas e baixas demandas. 4.4 A característica da intangibilidade dos serviços A intangibilidade é considerada a principal característica dos serviços. Diferentemente de bens físicos, um serviço não pode ser olhado, sentido, pro- vado, tocado ou cheirado antes de adquirido (KOTLER; KELLER, 2006). Na verdade, ao adquirir um serviço, o cliente compra a expectativa ou a pro- messa de satisfação de suas necessidades. Ao comprar uma calça, que é um bem, por exemplo, temos um benefício funcional ao vestir o produto. Porém, ao comprar um ingresso para assistir a um filme no cinema temos um bene- fício subjetivo, que pode nos remeter a emoções positivas ou negativas, con- forme o seu conteúdo. Devido à sua intangibilidade, o papel dos funcionários ou profissionais que executam o serviço é fundamental para proporcionar experiências agradá- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 86 30/06/2016 08:39:19 – 87 – Conceituação e características dos serviços veis aos clientes (LOVELOCK; WRIGHT, 2005). Um cliente não consegue medir os resultados, antes ou durante a compra dos serviços. Ao adquirir uma cirurgia plástica ou contratar os serviços de um detetive, o cliente somente consegue avaliar os resultados após a compra. Desse modo, para reduzir incertezas, os consumidores analisam a repu- tação do prestador de serviços (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005)ou buscam evidências ou sinais da qualidade do serviço prestado em outros clientes, ou ponderam avaliando a qualidade por meio de provas físicas ou apresentação, conforme Kotler e Keller (2006) e Hoffman et al. (2010): 2 instalações ou servicescape ou ambiente físico – refere-se à evi- dência física para planejar os ambientes de serviços. Os corredores externos e internos devem permitir rápido deslocamento. A dis- posição dos caixas, em bancos, lojas ou supermercados, deve ser planejada e com pouca fila; 2 pessoas ou provedores de contato pessoal – os funcionários devem estar ocupados e em número suficiente para administrar o volume de trabalho que poderá oscilar. Representam uma impor- tante fonte de diferenciação do produto; 2 equipamentos – os equipamentos devem refletir que são moder- nos e de tecnologia de ponta, como os computadores e as mesas de trabalho; 2 material de comunicação – a comunicação com o cliente deve transmitir eficiência, agilidade e rapidez; 2 símbolos – o nome da empresa e seu símbolo deve sugerir rapidez; 2 preço – deve manter um preço que seja coerente aos serviços pres- tados e atraente ao cliente. Por outro lado, os serviços possuem diferentes tipos de intangibilidade (LAS CASAS, 2007). Alguns serviços, por exemplo, podem ser armazenados, produzidos e transportados, como o serviço de telefonia. Os serviços de uma manicure ou de um cabeleireiro, no entanto, não podem ser armazenados ou transportados, refletindo sua característica de intangibilidade. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 87 30/06/2016 08:39:19 Gestão de Serviços – 88 – 4.5 A característica da inseparabilidade dos serviços Tradicionalmente, os serviços são produzidos e consumidos no mesmo momento (KOTLER; KELLER, 2006), diferentemente dos bens físicos que podem ser fabricados, estocados, distribuídos e posteriormente consumidos. O cliente tam- bém está presente no processo da realização do serviço, portanto a interação mútua entre cliente e prestador de serviço é uma característica muito importante. A oscilação de preços e o valor de mercado de um prestador de ser- viços crescem conforme a procura pelo mesmo, além da demonstração de preferência dos clientes ao requisitarem o seu serviço. Ou seja, o preço de um prestador de serviço pode aumentar quanto mais limitado estiver a sua disponibilidade de tempo. Na maioria dos casos em que clientes adquirem um serviço profissional, eles querem um prestador específico. Por exemplo, se um cliente adquire um ingresso para assistir ao show de Caetano Veloso, não será a mesma coisa se o show for realizado por uma banda cover do cantor. A característica da inseparabilidade nos serviços reduz a capacidade de oportunidades de melhoria do processo da qualidade em virtude da produ- ção e do consumo de serviços serem realizados simultâneos. Em decorrência disso, dependem essencialmente de que o cliente esteja no local da realização do serviço, ou, ainda, esperando ser atendido, ocasionando filas de espera. Dessa forma, os serviços com essa característica devem projetar a capa- cidade do serviço, a utilização das instalações e o tempo ocioso a partir do tempo de uso e de espera do cliente. Os serviços profissionais normalmente possuem hora marcada para o atendimento, porém os serviços em restau- rantes em horário de almoço, em que clientes possuem pouco tempo para saborear a sua refeição devem ter especial cuidado para projetar a capacidade da demanda do uso dos serviços. 4.6 A característica da heterogeneidade dos serviços A combinação do cliente atuando como participante do processo de prestação de serviços aliada à natureza intangível dos serviços resulta na varia- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 88 30/06/2016 08:39:19 – 89 – Conceituação e características dos serviços ção ou diferenciação de serviços de cliente para cliente (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). O atendimento personalizado possibilita a varia- ção nos serviços oferecidos. Notadamente, a interação entre o cliente e o prestador de serviços é elevada, criando oportunidades de relacionamento humano efetivo. Porém, os clientes não poderão perceber uma variação elevada na qualidade dos servi- ços, evidenciando a necessidade de desenvolver padrões de desempenho e de treinamento aos colaboradores para assegurar uma consistência e constância nos serviços oferecidos. Os serviços são muito variáveis, dependendo de onde, quando e quem os realiza. Um pediatra, por exemplo, pode ser muito afável, e outro nem tanto. Um eletricista pode ser muito especialista, mas não ter um tratamento adequado e desejável ao cliente. Desse modo, Kotler e Keller (2006) sugerem que as empresas controlem a qualidade adotando as seguintes medidas: 2 investir em bons processos e programas de contratação e treina- mento de colaboradores; 2 padronizar o processo de execução de serviço em toda a empresa; 2 acompanhar a satisfação do cliente através de pesquisas. Além disso, os colaboradores, ao se sentirem satisfeitos e motivados em seu ambiente de trabalho, proporcionam um atendimento de qualidade aos clientes. Por essa razão, é importante avaliar as atitudes e o desempenho dos colaboradores, uma vez que se estiverem infelizes dificilmente deixarão os clientes satisfeitos. Monitorar as reclamações de clientes através de pesquisas, por outro lado, torna-se uma medida importante para melhorar a qualidade do serviço prestado. 4.7 A característica da perecibilidade dos serviços Notadamente, a oscilação na demanda de serviços pode propiciar pro- blemas para a empresa. A perecibilidade dos serviços indica que, se o serviço não for usado naquele momento, ele estará perdido. Por isso o ideal é que a demanda de serviços se mantenha estável ou sob controle. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 89 30/06/2016 08:39:19 Gestão de Serviços – 90 – Por exemplo, em dias de chuva existe uma demanda e uma procura maior pelos serviços de táxi, ou, ainda, em aeroportos, nos pousos de aeronaves, há uma demanda maior por esses serviços. Em ambas as situações, existe o aumento na demanda dos serviços, porém, este deve ser disponibilizado naquele momento. Existe uma previsibilidade maior para aumentar o número de táxis disponíveis nos pousos de aeronaves, uma vez que é mais fácil controlar os horários de pou- sos do que controlar o clima. Nas universidades, o momento crítico para disponibilizar os produtos e serviços das lancherias e dos serviços de copiadoras é nos horários de intervalo das aulas dos estudantes. Desse modo, as empresas podem desenvolver algu- mas estratégias eficientes para manter o equilíbrio entre a oferta e demanda (KOTLER; KELLER, 2006): 2 atuar com preços diferenciados pode transferir demanda dos horá- rios de pico para os horários de baixa demanda: descontos nos ingressos de cinema em alguns dias da semana, descontos nos hotéis e nas passagens aéreas em épocas de baixa temporada. Supermerca- dos designaram um dia da semana com diversas ofertas. Cabelei- reiros ofertam descontos nas segundas-feiras, considerado o dia de menor movimento; 2 períodos de baixa demanda podem ser aproveitados: o McDonald’s e restaurantes oferecem o serviço de café da manhã, hotéis promo- vem pacotes em finais de semana; 2 desenvolver serviços complementares aos clientes que aguardam nos horários de alta demanda: como por exemplo, os caixas eletrô- nicos em bancos, os bares nos restaurantes, os jornais e revistas nos serviços profissionais; 2 desenvolver sistemas de reserva: muito utilizados pelas empresas aéreas, hotéis, consultórios médicos e serviços profissionais para gerenciar a demanda. A Disney, após 40 anos, instituiu um serviço que permite que o visitante efetue a reserva e elimine a espera na fila. Em contrapartida, as empresas aéreas desenvolvem preçospromocionais aos assentos que não foram comer- cializados, especialmente quando estiverem em grande número. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 90 30/06/2016 08:39:19 – 91 – Conceituação e características dos serviços Entretanto, as empresas precisam criar estratégias em relação à oferta de serviços, contratando mais colaboradores para atender o pico da demanda. Restaurantes, por exemplo, contratam garçons para trabalhar meio período. Os processos das empresas podem ser revistos, priorizando as tarefas essenciais em momentos de pico. Além disso, a participação do cliente pode ser estimu- lada, por exemplo, embalar as suas compras efetuadas no supermercado. Evidentemente, o setor de serviços poderá ter melhorias significativas nos próximos anos, o que poderá ter um efeito profundo em todo o setor e na utilização dos serviços pelos consumidores. Moreira et al. (2008) ressaltam que a cultura do ambiente é fundamental na concepção do serviço, razão pela qual deve-se ter em mente quem é o cliente e quais as suas reais necessidades. No entanto, as empresas, ao prestarem serviços, devem ter o cuidado especial de maximizar a satisfação dos clientes. Ampliando seus conhecimentos As quatro coisas que uma empresa prestadora de serviços precisa fazer corretamente (FRANCES, 2008) À medida que as maiores economias do mundo foram ama- durecendo, elas tornaram-se predominantemente focadas em serviços. Ainda assim, a maior parte das ferramentas e técnicas de gerenciamento que os gestores dessa indústria utilizam foi criada para lidar com os desafios das empresas que fornecem produtos. Seriam tais ferramentas adequadas para o cliente de serviços? Novas ferramentas são necessárias. Quando um segmento lança um produto no mercado, independentemente de ele ser uma commodity ou um produto tecnológico de ponta, a empresa 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 91 30/06/2016 08:39:19 Gestão de Serviços – 92 – precisa fazer o produto “acontecer” e também alocar uma força de trabalho capaz de produzi-lo por um preço atrativo. Quantidades imensas de pesquisas acadêmicas e de mercado já foram realizadas para resolver tais desafios. Mas, no que se refere à prestação de serviços, algo mais precisa ser feito: o management dos clientes, que não são apenas simples clientes do serviço, mas também essenciais para sua produção. E porque o envolvimento dos clientes na produção pode causar muitos impactos nos custos, as empresas de serviços precisam também desenvolver formas criativas de bancar suas vantagens competitivas. Quaisquer destes quatro elementos – o mecanismo de oferta do serviço; o suporte financeiro do serviço; o sistema de gerenciamento do funcionário ou do cliente – podem levar o negócio à ruína. Isso é ampla- mente demonstrado por análises de empresas de serviços que enfrentaram grandes batalhas para sobreviver ao longo da última década. O que é claro, no entanto, é que não há o jeito certo de combinar tais elementos. A formatação apropriada de qual- quer um deles depende necessariamente dos outros três. Quando olhamos para uma empresa de serviços que pros- perou, como o Walmart, percebemos que é a integração efi- ciente dos elementos que se destaca, em vez da eficiência isolada de cada um. À proporção que as empresas de serviços inovam, são bem- -sucedidas e são estudadas, as respostas para questionamen- tos dessa natureza vão se tornando mais claras. O que fica sugerido aqui é que muito do que determina a saúde de um produto – como ele é oferecido e como os colaboradores são gerenciados – é tão indispensável para a indústria de ser- viços quanto os papéis que os clientes desempenham nela, esses sim, diferentes. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 92 30/06/2016 08:39:19 – 93 – Conceituação e características dos serviços Atividades 1. Defina serviços. 2. Quais as categorias de mix de serviços, conforme Kotler e Keller (2006)? Explique e exemplifique cada categoria. 3. O que são autosserviços? Cite alguns exemplos. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 93 30/06/2016 08:39:19 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 94 30/06/2016 08:39:19 Os serviços e o gerenciamento de processos O objetivo deste capítulo é proporcionar situações de ensino- -aprendizagem para compreender o gerenciamento de processos no setor de serviços. Dessa forma, serão estudados os seguintes conteúdos: 2 projetando e gerenciando processos de serviços; 2 o processo de prestação de serviços; 2 os diferentes estágios do produto e dos serviços agregados; 2 serviços para mercados industriais ou empresariais; 2 serviços aplicados ao varejo; 2 serviços como sistemas abertos e o cliente como coprodutor. Habitualmente, os serviços são produzidos e consumidos simultaneamente e a interação mútua entre cliente e prestador de serviço é uma característica muito peculiar que caracteriza os ser- viços como um sistema aberto sujeito às influências do cliente. Em outras palavras, em decorrência das características específicas dos serviços, os processos em sua execução requerem um gerenciamento eficaz, exigindo a adoção de estratégias diferenciadas que promovam a satisfação do cliente. 5 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 95 30/06/2016 08:39:19 Gestão de Serviços – 96 – 5.1 Projetando e gerenciando processos de serviços As organizações são sistemas abertos que, constantemente, são influenciadas pelas variáveis ambientais em que estão inseridas. Desse modo, os processos precisam estar estruturados adequadamente para apresentarem resultados efi- cazes e um desempenho desejável ao consumidor final. No setor de serviços, existem diversos processos, que são as atividades logicamente relacionadas que, usando recursos do negócio, produzem resul- tados reais, adicionando e agregando valor a cada etapa executada. Em outras palavras, os processos são o resultado da articulação de recursos, como os colaboradores, instalações, equipamentos, tecnologia e informação (CARA- VANTES; PANNO; KLOECKNER, 2005). Nessa perspectiva, cabe à alta administração, ou ao gerente de serviços a função administrativa de planejar, organizar, dirigir e controlar adequada- mente esses recursos, para garantir eficiência e eficácia em seus resultados, especialmente nos produtos e serviços que serão consumidos pelos clientes. Por outro lado, o objetivo primordial das empresas é a satisfação de seus clien- tes, que são a razão de ser de um negócio. A figura 1 esclarece o processo administrativo e as funções administrativas esperados pela gerência de serviços: Figura 1 – Processo administrativo e as funções administrativas. Planejamento Formular objetivos e os meios para alcançá-los. Organização Modelar o trabalho, alocar recursos e coordenar atividades. Resultados • Desempenho • Objetivos • Produtos • Serviços • Eficiência • Eficácia Recursos • Humanos • Financeiros • Materiais • Tecnológicos • Informação Controle Monitorar as atividades e corrigir os desvios. Direção Designar pessoas, dirigir seus esforços, motivá-las, liderá- -las e comunicar. Fonte: CARAVANTES; PANNO; KLOECKNER, 2005; STONER; FREEMAN, 1998. Adaptado. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 96 30/06/2016 08:39:19 – 97 – Os serviços e o gerenciamento de processos De maneira geral, os processos descrevem as tarefas ou atividades na sequência em que devem ser executadas, e podem, por exemplo, ser esboça- das em um fluxograma (figura 2) para facilitar o entendimento, ou, ainda, evidenciar a realização de melhorias: Figura 2 – Exemplo de fluxograma resumido no atendimento em restaurante. INÍCIO FIM Receber pedido Entregar prato Cliente finalizou? Receber pagamento Fechando conta do cliente NÃO SIM Registrao pedido na cozinha Caixa Garçom Garçom 1 1 Elaborar Prato Fonte: Susana Elisabeth Neumann. No fluxograma, é possível observar o passo a passo realizado no aten- dimento em um restaurante. Porém, os processos podem ser esboçados em um esquema (figura 3), que é mais sofisticado que o fluxograma e serve para 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 97 30/06/2016 08:39:19 Gestão de Serviços – 98 – detalhar e descrever os processos que envolvem fluxos, sequências, interações, relações e dependências, além de identificar os possíveis gargalos que poderão ocorrer quando houver grande interação com o cliente. Figura 3 – Exemplo de esquema de atendimento parcial em restaurante (ato inicial). Linha temporal ATO I Tempo de resposta Roteiro para aceitar reservas • Som e tom de voz Fazer reserva Estacionamento com manobrista Chapelaria • Natureza da vizinhança • Exterior do edifício • Aparência do funcionário Padrões e roteiros de serviços Ce na Ba sti do re s Linha de interação Evidência física Linha de interação física interna Linha de interação interna de TI Processos de suporte Pessoas de contato (ações visíveis) Pessoas de contato (ações visíveis) Linha de visibilidade • Chapelaria • Funcionário • Outros casacos Tempo de resposta Roteiro para cumprimentar clientes e pegar o carro Tempo de reserva Roteiro para guardar casacos Aceitar reserva, confirmar data, horário, número de pessoas. Verificar disponibili- dade, registrar reserva. Manter sistema de reserva. Manter (ou alugar) instalações. Manter instalações/ equipamento. Levar carro até o estacionamento. Pendurar casacos com números de comprovante visíveis. Cumprimentar cliente, pegar chaves do carro. Cumprimentar, receber casacos, fornecer comprovantes. B an an aS to ck . S ch ut te rs to ck . P ol ka D ot . Capacidade/Reservas Registros de clientes Pedidos e cobrança Estoque/compra Bancos de dados W F W F Pontos de falha Legenda Risco de espera excessiva (Padrões de tempo devem especificar limites.) Fonte: LOVELOCK; WIRTZ, 2007. Adaptado. W W 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 98 30/06/2016 08:39:22 – 99 – Os serviços e o gerenciamento de processos O esquema na figura 3 ilustra o atendimento inicial aos clientes em um restaurante, sendo possível observar nos processos a interação existente entre o colaborador, o cliente e o banco de dados que, ao executar a reserva de mesa, analisa a capacidade física, verificando no sistema de informática. Nesse momento, existe o risco de tempo de espera excessiva pelo cliente, caso o sistema não esteja funcionando adequadamente. É também um momento de contato direto com o cliente, portanto o som e o tom de voz do colaborador devem ser claros, cordiais e objetivos. Em outras palavras, esquemas de serviços têm como objetivo esclarecer quais são as interações entre os colaboradores e os clientes e o apoio existente nesse processo, como as atividades adicionais e o funcionamento de procedi- mentos nos bastidores. Contudo, um esquema oportuniza a identificação de pontos críticos em que poderão ocorrer falhas no atendimento, como filas ou longa espera, habilitando o gerente a desenvolver procedimentos para evitar que os mesmos aconteçam ou definir alternativas para conter falhas e riscos nos atendimentos (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). Pode ocorrer uma maior probabilidade de falhas na prestação do serviço, especialmente em serviços com alto contato e grande interação entre colabo- radores e clientes (HOFFMAN et al., 2010). Desse modo, é conveniente um estudo antecipado para que os processos sejam conhecidos e divulgados aos colaboradores, resultando em uma entrega de serviços ágil e de boa qualidade. Ao gerenciar serviços, analisar cada processo detalhadamente pode pro- porcionar melhorias e maior satisfação ao cliente. O fluxograma e o esquema descrevem claramente o fluxo das atividades realizadas em qualquer tipo de empresa, que poderá auxiliar na produtividade e na redução de custos, pois por meio deles é possível visualizar: 2 quais são as operações realizadas no processo; 2 em que momento e quem realiza as operações; 2 quais são as entradas e as saídas nos processos; 2 como interagem e fluem as informações; 2 quais são os recursos gastos no processo; 2 qual é o volume de trabalho executado; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 99 30/06/2016 08:39:22 Gestão de Serviços – 100 – 2 quais são os gargalos e pontos críticos; 2 qual é o tempo de execução necessário para cada processo. Diante disso, desenvolver, projetar e gerenciar processos em serviços é uma tarefa que exige a participação conjunta de profissionais de marketing e de especialistas em operações e recursos humanos para a obtenção de resulta- dos satisfatórios. Como observado, uma das vantagens do fluxograma ou do esquema é permitir a visão sistêmica de todo o processo, especialmente para localizar gargalos e corrigir desvios (HOFFMAN et al., 2010). Ao projetar e gerenciar serviços, é necessário ter em mente a redução de pontos falhos que possam afetar negativamente a experiência do cliente (ZEI- THAML; BITNER, 2003; FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Portanto, a melhoria de processos em serviços é favorecida com o uso de ferramentas como a elaboração de um esquema, que propicia a identificação de novos métodos e procedimentos para o processo de serviços, ou, ainda, oportuniza a criação de experiências de valor e operações produtivas e signi- ficativas aos clientes. 5.2 O processo de prestação de serviços Notadamente, os processos de serviço poderão variar entre procedi- mentos simples e básicos até atividades altamente complexas (LOVELOCK; WRIGHT, 2005). A entrega de água ou de um botijão de gás na residên- cia, ou, ainda, o abastecimento de tanque de um veículo são exemplos de procedimentos simples. Por outro lado, o transporte de passageiros em voos internacionais e cirurgias de alto risco são atividades altamente complexas em serviços. Lovelock e Wright (2005) destacam que existem quatro categorias de processos em serviços: 2 processamento com pessoas – são considerados aqueles servi- ços que envolvem ações tangíveis sobre os corpos das pessoas, por exemplo, transporte de passageiros, corte de cabelo, serviços odon- tológicos e massagens; 2 processamento com bens – são considerados aqueles serviços que envolvem ações tangíveis sobre os bens e outras posses físicas per- tencentes aos clientes, por exemplo, transporte de cargas aéreas, 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 100 30/06/2016 08:39:22 – 101 – Os serviços e o gerenciamento de processos corte e poda de gramado ou jardim, serviços de limpeza, serviços de clínica e estética aos animais domésticos; 2 processamento com estímulo mental – são considerados aque- les serviços que envolvem ações intangíveis dirigidas à mente das pessoas, por exemplo, o entretenimento, teatro, espetáculos espor- tivos, educação; 2 processamento com informações – são considerados aqueles serviços que envolvem ações intangíveis dirigidas a bens de clien- tes, por exemplo, seguros, serviços bancários, serviços advoca- tícios, consultorias. Porém, ao atuar em serviços, de acordo com Grönroos (2004), é neces- sário estruturar a organização e os processos de serviço orientados ao cliente. Em contrapartida, Johnston e Clark (2011) complementam que muitas orga- nizações disponibilizam pouca atenção para acompanhar e redesenhar os pro- cessos de serviço, razão pela qual existem atividades inúteis e inadequadas, que geram custos desnecessários e deixam clientes insatisfeitos. Como observado, a complexidade é medida pela quantidadee pelo nível de entrelaçamento das etapas e sequências existentes no processo de serviço em uma organização (HOFFMAN et al., 2010). Considerando essa complexidade, é interessante observar que as responsabilidades dos cola- boradores em serviços são dobradas, uma vez que precisam ter o domínio de tarefas técnicas, e, além disso, eles necessitam realizar as atividades de marketing que influenciam os clientes direta ou indiretamente. Desse modo, a satisfação do cliente pode ser afetada por diversos aspectos que envolvem os processos de serviço, inclusive pelas responsabilidades de for- necedores e pelas peculiaridades inerentes a cada cliente. Alguns processos são visíveis ao cliente, como a recepção em um hotel, no entanto, são realizados sem que o cliente perceba, como a limpeza e serviços de lavanderia do hotel. Nessa perspectiva, o processo de relacionamento com clientes é sempre visível e, inevitavelmente, um teste ao exercício da empresa e da sua imagem (JOHNSTON; CLARK, 2011). Dificilmente, existem empresas com servi- ços excelentes, pois normalmente elas apresentam algum exemplo de cliente com experiências negativas para relatar, o que denota a importância da gestão de processos de serviços. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 101 30/06/2016 08:39:22 Gestão de Serviços – 102 – Todavia, melhorar os processos de serviços é um fator imprescindível para as organizações reduzirem seus custos, propiciarem maior satisfação aos clientes, agregarem valor e, consequentemente, aumentarem os lucros. É interessante observar que a variedade de processos de serviço, conforme Johnston e Clark (2011) poderá conter atividades: 2 rotineiras – processos com atividades padronizadas e similares, encontradas em operações de grande volume, como os serviços telefônicos de consulta ao saldo de bancos, troca de óleo em veícu- los ou o serviço de caixa em um supermercado; 2 repetidas – processos com atividades padronizadas, porém mais complexas que rotineiras, mas com menor ocorrência, como pacotes de seguradoras de veículos, reclamações mais específicas de clientes, atendimento de clientes difíceis; 2 estranhas – processos com atividades não padronizadas, menos efi- cientes e com operações mais difíceis, como o lançamento de um novo tipo de serviço pelos bancos, novos procedimentos cirúrgicos ou recall de peças em automóveis. Contudo, em qualquer organização é possível encontrar os três tipos de atividade. Ao classificar e identificar os principais problemas, os processos podem ser reposicionados e gerenciados do início ao fim, razão pela qual é importante efetuar um mapeamento do processo, acompanhamento cons- tante com auditoria e análise dos resultados do serviço. O controle e a preven- ção de falhas nos processos de serviços têm por meta reduzir a quantidade de erros de colaboradores e, assim, assegurar maior satisfação de clientes. 5.3 Os diferentes estágios do produto e dos serviços agregados Ao desenvolver novos produtos e serviços, é importante ter em mente que existe um estágio de vida nesse processo, que podemos chamar de etapas percorridas, para o seu planejamento e desenvolvimento, e está dividido, con- forme a figura 4, nos seguintes estágios: da ideia, do conceito, do desenvolvi- mento do produto, de teste de mercado e de comercialização. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 102 30/06/2016 08:39:22 – 103 – Os serviços e o gerenciamento de processos Figura 4 – Processos de planejamento e desenvolvimento do produto. Estágio da ideia Estágio do conceito Estágio do teste de mercado Estágio da comercialização Ciclo de vida do produto Estágio do desenvolvimento do produto Id eia An ali sa r An ali sa r An ali sa r An ali sa r Introdução Crescimento Maturidade DeclínioDe se vo lv im en to em la bo ra tó rio Ex pe rim en to s d o pl an o se m ico m er cia l Pr od uç ão do p ilo to Fonte: HISRICH; PETERS apud HISRICH et al. 2008, p. 177. Diante disso, os produtos e serviços têm início, meio e fim. Aliado a isso, a dinamicidade da vida moderna resulta em mudanças nas necessidades e desejos dos consumidores, que procuram por novidades e, consequentemente exigem uma rápida adaptação e readaptação dos produtos e serviços oferecidos ao mer- cado, aliada à forte concorrência entre as empresas, que exige rapidez e inovação na oferta de produtos e serviços. Há 10 anos, por exemplo, poucos eram os supermercados que estavam abertos aos domingos para atender aos seus clientes. Atualmente, na agitada vida moderna, sobra pouco tempo para os consumidores efetuarem as suas compras, e, assim, os domingos são os dias de maior movimento nos super- mercados, que se esforçam para oferecer maior diversidade de produtos e ser- viços, como a oferta de eletrodomésticos, livros, vestuário e, inclusive, compras pela internet e atendimento aos domingos e feriados. Porém, a excelência no ciclo de serviços acontece quando a organização consegue, em todas as etapas do ciclo, atender ou superar as expectativas do cliente, de modo que consiga agregar valor, com um atendimento rápido e simples. As empresas poderão atuar eficazmente em cada ciclo de vida do ser- viço ao estabelecer a composição entre os cinco componentes a seguir: 2 estratégia de serviço – prever, conceituar e decidir qual o con- junto de serviços que a empresa disponibilizará para alcançar seus objetivos, podendo ser um complemento aos produtos da empresa ou não; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 103 30/06/2016 08:39:22 Gestão de Serviços – 104 – 2 desenho de serviço – desenhar e esquematizar o serviço conforme decidido na estratégia e nos objetivos de utilidade e garantia; 2 transição de serviço – implantar os serviços no ambiente da empresa, de modo que sejam desenvolvidos, testados e disponibili- zados de forma controlada; 2 operação de serviço – controlar e gerenciar os processos dos ser- viços diariamente para assegurar que seus objetivos de utilidade e garantia sejam alcançados e mantidos; 2 melhoria contínua de serviço – avaliar sistematicamente os servi- ços e identificar formas de melhorar continuamente sua utilidade e garantia, visando aos objetivos do negócio. Nessa perspectiva, as empresas, ao atuarem com serviços, devem investir constantemente seus esforços no aprimoramento de seus proces- sos. Em serviços, praticamente tudo o que envolve o processo e desen- volvimento dos estágios está relacionado aos detalhes que fazem toda a diferença para o cliente. Embora, não seja fácil estar atento a todos os detalhes, é primordial que a organização efetue esse controle para fidelizar os seus clientes. Dessa forma, o planejamento e o desenvolvimento de um produto ou de um serviço devem ser compatíveis com a capacidade produtiva e administrativa da empresa. Todavia, a definição da demanda de mercado, por exemplo, é um dos critérios mais importantes na concepção de um novo produto ou serviço, porém, de difícil mensuração pela gerência do negócio. Spiller et al. (2004) alertam que o cliente precisa percorrer um longo caminho para obter o serviço desejado, o que pode resultar na perda de clientes. Em outras palavras, o cliente experimenta o ciclo do serviço à medida que passa pela cadeia de eventos oferecidos no negócio (SPILLER et al., 2004). No ciclo inicial, o cliente forma uma opinião sobre a imagem da empresa, definindo se permanecerá e concluirá o processo de compra. Entretanto, é no ciclo final que o cliente decide se retornará ou não para a organização de serviços (LIMA; SAPIRO; VILHENA, 2005). A seguir, ilustra-se o ciclo de serviços de um restaurante self-service: 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 104 30/06/2016 08:39:22 – 105 –Os serviços e o gerenciamento de processos Figura 5 – Ciclo de serviço em restaurante. 8. Sair do restaurante. 2. Entrar no restaurante e localizar a mesa. 3. Pegar o prato e servir-se. 6. Tomar um café. 7. Aguardar na fila para pagar a conta. CICLO DE SERVIÇOS EM RESTAURANTE 1. Estacionar o veículo. 4. Pesar o prato na balança. 5. Sentar-se à mesa e comer. Fonte: Susana Elisabeth Neumann. De acordo com Albrecht (1992), são considerados como os momentos da verdade os instantes em que o cliente experimenta o ciclo de um serviço, ou quando entra em contato com algum setor ou colaborador da empresa em que estará formando uma opinião sobre a qualidade do serviço prestado. Portanto, a empresa deve definir as estratégias de serviço de modo que o cliente saia satisfeito, retorne ao estabelecimento e divulgue positivamente a empresa, de modo a criar uma posição competitiva efetiva. 5.4 Serviços para mercados industriais ou empresariais Ao estudar o segmento de serviços, é notório que existem no mercado organizações que atuam somente com serviços ou ainda, aquelas que atuam com a venda ou fabricação de bens e agregam serviços para facilitar a vida do consumidor. Como serviço puro, podemos analisar os escritórios de advoca- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 105 30/06/2016 08:39:22 Gestão de Serviços – 106 – cia. No varejo, podemos exemplificar as lojas de roupa feminina que oferecem os serviços de costureira para adaptar algumas peças de roupa. Os serviços também são ofertados por diversas indústrias que fabricam um determinado produto e que oferecem serviços. As fabricantes de auto- móveis, por exemplo, possuem lojas especializadas, também denominadas de serviços autorizados, para prestar assistência técnica nos veículos sempre que for necessário. Desde 1980, essas indústrias visam especialmente à competição e inser- ção global, e a ampliação dos serviços é ocasionada pela redução dos custos do trabalho, maior proximidade com o consumidor, condições ambientais e atendimento da demanda em escala mundial. Por essa razão, observa-se nas indústrias o crescente e considerável aumento dos insumos de serviços nos custos de produção (KON, 2004). Embora os produtos estejam se tornando similares, e o processo de pro- dutividade industrial esteja melhorando continuamente devido à inovação e à incorporação de novas tecnologias, nas indústrias, segundo Teboul (2002), a informática desempenha um papel vital no setor de serviços, especialmente por fomentar a base do conhecimento orientado ao consumidor. Nesse cenário, a modernização de serviços foi uma consequência segura para permitir e acelerar a atuação da indústria em escala mundial. Aliado a isso, existe maior flexibilidade e versatilidade nas instalações e nos proces- sos industriais para incorporar e adaptar rapidamente novas formas de tra- balho e maior personalização adaptadas às necessidades dos consumidores (KON, 2004). Nas indústrias, a comercialização de bens de consumo possui especifica- ções técnicas que são claras e padronizadas, como a fabricação de uma gela- deira, uma televisão ou um fogão. Mas, para prestar serviços com excelência para esse público consumidor, é necessário entender cada consumidor, sua cultura e sua linguagem. Paralelamente, diversos serviços foram terceirizados, o que aumentou a empregabilidade para os profissionais de serviços (FITZSIMMONS; FIT- ZSIMMONS, 2005), além de gerar um aumento expressivo no número de pequenas empresas, com diversos profissionais, porém com a necessidade 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 106 30/06/2016 08:39:22 – 107 – Os serviços e o gerenciamento de processos crescente de domínio de diversas técnicas diferenciadas no atendimento ao consumidor (TEBOUL, 2008). Historicamente, a excelência e a busca da qualidade na indústria come- çaram muito antes do processo de serviços. Por isso, a área produtiva conta atualmente com normas, metodologias e procedimentos padronizados. Mui- tos desses procedimentos foram adaptados para o setor de serviços, porém é grande o desafio desse segmento para garantir eficácia em toda a extensão de seu atendimento. É evidente, porém, que as inovações nas tecnologias da informação e no processo de comunicação têm propiciado às indústrias e empresas em geral, em especial as que atuam com serviços, novas formas de comercialização, de tratamento, de comunicação e de relacionamento com o consumidor, sendo esse um grande desafio para ser galgado pelas indústrias e organizações de sucesso. 5.5 Serviços aplicados ao varejo O varejo tradicionalmente oferece bens de consumo que normalmente são os mesmos produtos físicos comercializados pelos concorrentes. A dife- renciação, nesse caso, ocorre pelo mix de produtos e serviços oferecidos pelo lojista, que inevitavelmente interfere diretamente na percepção do cliente e aumenta o conceito de valor agregado ou valor recebido. Mattar (2011) classi- fica os serviços no varejo de forma distinta: 2 serviços ao consumidor – são serviços agregados ao produto que ampliam o benefício ao cliente, como os serviços de costureira para ajuste de roupas ao físico específico de cada cliente; 2 serviços utilitários – são serviços essenciais para o funcionamento da loja, como a segurança, limpeza, iluminação, eletricidade. Embora, a maior parte das operações de vendas de serviço no varejo seja realizada por lojas especializadas, existem outros tipos de vendas de varejo sem as lojas tradicionais destacadas por Parente (2009), como: 2 venda por marketing direto – vendas realizadas através de catá- logo, jornal, televisão, rádio ou computador; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 107 30/06/2016 08:39:22 Gestão de Serviços – 108 – 2 vendas diretas – vendas com explicações pessoais entre consumidor e vendedor utilizadas pela Avon, Natura, Amway ou Tupperware; 2 máquinas de venda automática – vendas realizadas pelas máqui- nas de café, suco, refrigerante, compra de passagens, entre outros, que possuem funcionamento 24 horas por dia e dispensam a atua- ção de colaboradores; 2 varejo virtual – lojas virtuais que oferecem a venda de produ- tos como os sites da Amazon, Pão de Açúcar, Lojas Marisa, Lojas Colombo e Submarino. Atualmente, a facilidade da tecnologia de comunicação vem propiciando a expansão de compras virtuais no varejo sem a existência da loja, devido às téc- nicas e facilidades de compra que possibilitam a aquisição de mercadorias e ser- viços 24 horas sem sair do conforto da sua casa. Contudo, Parente (2009, p. 35) destaca a existência de diferentes tipos de varejo de serviços: Quadro 1 – Tipos de varejo de serviços Tipos Exemplos de lojas Produtos alugados Locadoras de roupas de fes-tas, veículos, fitas de vídeo Produtos que o consumidor mantém posse Oficinas de carros, assistência técnica de eletrodomésticos e eletroeletrônicos Sem existência de produtos Escolas de idiomas, academias de ginásticas, escolas de dança Competência com alta especialização Clínicas médicas Competência com baixa especialização Reparos em sapatos, borracharias Mão de obra baseada em pessoas Salões de beleza Mão de obra baseada em equipamentos Lavanderias Contato com cliente em alto grau Lanchonetes, restaurantes, hotéis Contato com cliente em baixo grau Cinemas Com objetivo de lucro Bancos Sem objetivo de lucro Bibliotecas, postos médicos Fonte: BERMAN; EVANS apud PARENTE, 2009. Adaptado. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 108 30/06/2016 08:39:22 – 109 – Os serviços e o gerenciamento de processos No entanto, nem sempre é fácil separar o varejo de serviços do varejo de bens de consumo, pois muitos varejistas estrategicamente fazem uma combinação na oferta de bens e serviços para atrair mais consumidores. Nomercado, podemos observar exemplos de papelarias que agregam o serviço de máquinas copiadoras, ou ainda, as lojas de animais de estimação que ofe- recem um mix entre a oferta de produtos e serviços, como o banho, tosa e higiene do animal. Nesse contexto, Mattar (2011) esclarece que o mix de serviços a ser oferecido pelo varejista deve avaliar as expectativas do público-alvo e da sua estratégia de atuação no mercado, pois poderá atuar com autosserviço, ser- viços limitados ou ainda serviços completos. Dale (1991) acrescenta que os objetivos dos serviços oferecidos ao consumidor no varejo são: 2 incrementar a utilidade – oferta de ajustes de roupas, instalação de equipamentos, personalização e ajustes especiais em joias; 2 facilitar a utilidade de tempo – oferta de horários ampliados, crédito facilitado, diversidade na oferta de opções de pagamento, atendimentos por fax, telefone ou internet, entrega em domicílio; 2 ampliar a utilidade de lugar – loja mais próxima do consumi- dor, entregas domiciliares, supermercados e farmácias próximas ao consumidor; 2 promover a utilidade de posse – oferta de balcão de informações, ouvidoria para reclamações, listas de casamentos, consultores de moda e de beleza para auxiliar no processo de compra; 2 elevar a conveniência e o conforto – embalagem para presente, empacotamento, serviço de chá e café, sala de descanso, carri- nhos para bebês, berçário, local para amamentação e troca de fraldas, restaurante; 2 contribuir para aumentar a imagem da loja – o mix de serviços para criar, fixar e acentuar a imagem da loja, como mercadorias de qualidade, preço compatível, serviços diferenciados e variados; 2 prover segurança ao cliente – oferta de vigilância, controle de acesso aos estacionamentos, sala de primeiros socorros, garantias estendidas, devoluções e trocas de mercadorias; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 109 30/06/2016 08:39:22 Gestão de Serviços – 110 – 2 elevar o tráfego na loja – oferta de diversos serviços terceirizados para aumentar a circulação na loja, como sala de reuniões, agências de bancos, farmácias, floriculturas, academia de ginástica, escola de idiomas, cabeleireiros; 2 firmar posição competitiva – criar um mix de serviços difícil de ser copiada ou imitada pelos concorrentes ou novos entrantes de mercado. No varejo, especialmente nas lojas tradicionais, é estratégica a atuação conjunta com a oferta de produtos e serviços e do atendimento personalizado a cada tipo de cliente com o objetivo de cativá-lo e fidelizá-lo à loja. O varejista deverá dar atenção especial às reclamações, trocas e devoluções de mercado- rias que será um diferencial quando houver políticas e procedimentos claros, além de colaboradores qualificados para manter ou ainda recuperar clientes. 5.6 Serviços como sistemas abertos e o cliente como coprodutor A maioria dos serviços é classificada como um sistema aberto sujeito às interferências dos diferentes tipos e necessidades dos clientes, por isso, o cliente passa a ser um coprodutor do serviço, atuando ativamente em seu processo (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). A participação do cliente pode ainda elevar o grau de customização do serviço, de modo que ele durante a reali- zação do serviço passa a ser um espectador ativo e participativo. Os clientes podem auxiliar, por exemplo, no empacotamento de suas compras em supermercados, como é o caso do Supermercado Big, onde o próprio cliente empacota as suas compras depois que o caixa registra as mer- cadorias. Em restaurantes, eles podem escolher e servir os alimentos para o seu prato diretamente no bufê servido a quilo, permitindo que o prato seja individualizado de acordo com a sua necessidade. Em algumas lojas como a Renner, o cliente efetua o autoatendimento, dispensando a necessidade de colaboradores. Nos bancos, os clientes atuam como coprodutores do processo efetuando as transações na internet ou em caixas eletrônicos. Em alguns casos, como na Wikipédia, os clientes podem auxiliar a inse- rir informações. Porém, é importante ter em mente que nem todos os clientes 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 110 30/06/2016 08:39:22 – 111 – Os serviços e o gerenciamento de processos gostam de auxiliar na tarefa de elaboração ou cocriação do produto. Evi- dentemente, existem benefícios com o envolvimento do cliente, conforme Johnston e Clark (2011): 2 inclusão – ao participarem mais do processo, os clientes desen- volvem maior senso de lealdade e sentimento de pertença com a organização; 2 produtividade do recurso – a redução de custos na operação do serviço é significativa para a organização e poderá ser repas- sado ao cliente; 2 controle do cliente no processo – o sentimento de controle no acesso, execução ou mesmo do cancelamento a qualquer momento é uma das grandes atrações para o cliente, principalmente nos ser- viços baseados na internet. Em outras palavras, a organização e o cliente criam e concebem a expe- riência de realização de um serviço para o consumidor, sendo um processo conjunto de criação de valor no qual o cliente interage e envolve-se com a empresa através de seus produtos, processos e serviços (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Nesses processos, o cliente é diretamente envolvido na entrega dos serviços, e as organizações têm utilizado diferentes tipos de estratégias para incorporar a participação ativa e o envolvimento do cliente. Porém, histori- camente, as empresas estão acostumadas a empurrar produtos aos clientes, e, nesse novo processo, o cliente passa a desenvolver e participar da cocriação do serviço, estabelecendo o envolvimento da gerência e de colaboradores treina- dos para esse desenvolvimento compartilhado. Evidentemente, o foco central das empresas passa a ser o cliente e os esforços passam a ser orientados para os relacionamentos individuais, com o objetivo de reter clientes e aumentar a demanda e o valor dos negócios da organização. A palavra de ordem é elevar a interação com os novos clientes, clientes atuais, clientes da concorrência,clientes que não retornaram, consu- midores potenciais de mercado e clientes internos. O relacionamento, portanto, passa a ser uma questão-chave para aumen- tar os novos clientes e reter aqueles de maior valor, tornando-os cada vez 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 111 30/06/2016 08:39:22 Gestão de Serviços – 112 – mais importantes e fidelizados à organização. Embora estejamos na época da interação e de elevado número de relacionamentos, nem sempre as empresas estão preparadas para desenvolver alto grau de contato com seus clientes e responder às mais diversas mudanças nos perfis de demanda (SOUKI, 2006). Ampliando seus conhecimentos Momentos da verdade em serviços Quando o vendedor não percebe a qualidade percebida (IZUMI, 2010) Precisava, fazia algum tempo, substituir minha velha poltrona de escritório danificada pelo uso de muitos anos. Num belo dia, enquanto caminhava tranquilamente por uma das ruas de comércio da cidade reparei na placa de entrada da loja. Sempre desconfiara que ali houvesse uma loja, mas, tama- nha era a desorganização, com cadeiras sobre mesas, mesas sobre cadeiras, logo na entrada, impedindo uma visualização minimamente razoável da fachada, que mal poderia perceber que ali se estabelecera uma loja de móveis para escritório. Por sinal, era uma das poucas, senão a única do ramo naquela populosa cidade. Decidi, depois de refletir, durante dois ou três minutos parado em frente à fachada, com certa descon- fiança e pressentimento do que estaria por vir, entrar na loja. O acesso Com grande dificuldade, esgueirando-me entre as trilhas dei- xadas pelas mesas, poltronas, cadeiras, cestos, escrivaninhas, armários, bancadas, lixeiras e caixas, todas cuidadosamente desorganizadas, desalinhadas,empilhadas, descentralizadas e esparramadas, consegui adentrar o recinto até a metade do que pretensamente parecia ser um hall. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 112 30/06/2016 08:39:22 – 113 – Os serviços e o gerenciamento de processos O atendimento Atravessei a loja até o seu final por uma trilha formada pelos vãos dos móveis, procurando uma boa alma para me atender. Cheguei ao fundo, onde havia uma atendente só e sentada. Compreendi que o fato dela não ter se dirigido até mim não se tratava de desinteresse ou falta de educação. Na realidade, a pobre colaboradora não havia conseguido me enxergar adentrando a loja. O labirinto criado pela bagunça da posi- ção dos móveis expostos na loja impossibilitava qualquer visão de mim ou de qualquer cliente potencial que tivesse a mesma audácia que a minha de acessar o estabelecimento. As informações Comecei a solicitar informações sobre poltronas para escritório, enquanto observava os modelos disponíveis. A cada questio- namento que eu fazia a respeito dos preços dos produtos, a colaboradora, detidamente, pesquisava os preços em uma tabela e ia me informando, com uma agilidade de fazer inveja a qualquer monge budista em momento de profunda meditação. A experiência Sentei-me, no meio da bagunça, para experimentar uma pol- trona, dessas que tem um balanço no encosto. Sentei-me em outra que não tinha o tal balanço. Nesse momento, não se sabe de onde, surgiu uma faxineira passando um pano de chão pela loja. Pude, por alguns instantes, observá-la, cami- nhando, aproximando-se, avançando, com o rodo, em minha direção. E, no exato momento em que eu experimentava uma das poltronas, se prostrou ao meu lado. Momentaneamente, fixou seus olhos em mim. O suficiente para perceber que eu estava atrasando sua tarefa. Ela precisava esfregar o pano, exa- tamente no ponto onde me encontrava. E eu ali, empatando seu dia de serviço. Levantei-me, então, abrindo espaço para que ela continuasse seu trabalho. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 113 30/06/2016 08:39:22 Gestão de Serviços – 114 – Como gostei do design do modelo de poltrona que havia experimentado, mas não do balanço do encosto, leigo no assunto, perguntei à atendente se o tal balanço era regulável. Ela afirmou, com ar inseguro, que não havia como, pois a poltrona já saía montada da fábrica assim. Percebendo que ela não estava lá muito certa do que estava informando, insisti na pergunta. Então, a atendente resolveu telefonar à empresa montadora e repassou minha pergunta. Pude ouvi- -la agradecendo pela informação. Após desligar o telefone, afirmou confiante: – “O montador disse que existe um dispositivo para regula- gem do balanço. Ele fica embaixo da poltrona, mas o senhor precisa desmontá-la.” A decisão Achei um tanto estranho ter que desmontar a poltrona inteira para regular o balanço do encosto, mas fui em frente. Per- guntei sobre o preço da poltrona. A atendente realiza nova pesquisa na tabela e, então, me passa o preço: R$290. Já havia pesquisado em algumas outras lojas e o preço era o menor entre as pesquisadas, então, decidi comprar. Antes, porém, uma última pergunta: − “Só tem estofado desta cor? Ela respondeu: − “Preciso ligar para o montador.” E ligou. Enquanto isso, fui averiguar novamente a poltrona. Então, pela segunda vez, chegou a faxineira e pediu licença para passar o pano. Após desligar o telefone, a atendente informou-me que as cores possíveis eram a preta com detalhes em cinza, que eu já tinha visto; e outra, azul com detalhes em preto. Pensei um pouco e, pela segunda vez, decidi comprar: iria ficar com a preta de detalhes em cinza. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 114 30/06/2016 08:39:22 – 115 – Os serviços e o gerenciamento de processos Pós-compra Nesse exato momento adentrou a loja uma mulher, com ar de quem sabe de todas as coisas, segura de si, dona do pedaço. Concluí que era a gerente do estabelecimento. Passou por mim, conversou um pouco com a atendente e, solenemente, disse para a funcionária: − “Você pode ir resolver aquela outra coisa lá para mim? Deixe que eu o atendo!” A gerente, então, me cumprimentou e disse: − “Pois não! O que o senhor deseja?” Estranhei um pouco e pensei que poderia ter sido mais fácil se ela deixasse que a atendente continuasse a venda, já que estava decidido, era só finalizar o pedido. De qualquer forma, informei-lhe que havia visto a poltrona, gostado da preta e cinza, “etecetera” e tal. A sensação naquele momento era uma mistura de desconfiança e cansaço. Afinal, havia se pas- sado 42 minutos, desde minha entrada na loja, tempo sufi- ciente para experimentar alternadamente alguns sentimentos difusos de raiva, euforia, emoção, ódio, alegria e impaciência, não necessariamente nessa ordem. Perguntei à gerente, pela segunda vez: − “Quais as cores que vocês têm mesmo?” Então, ela abriu a segunda gaveta de sua escrivaninha e tirou um mostruário que continha mais de uma dezena de cores de estofado. E disse: − “Têm todas essas aqui, porém duas são cores-padrão, com entrega imediata. As outras demoram sete dias para chegar.” Não existiam apenas a preta com cinza e a azul com preta informados pela atendente, a variedade de cores possíveis era muito grande. Fiquei confuso novamente! Mas cliente é assim 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 115 30/06/2016 08:39:22 Gestão de Serviços – 116 – mesmo, indeciso! Somente para testar, pedi para a gerente confirmar o preço da preta com detalhes em cinza. Ela pegou a calculadora, somou e me disse: 320 reais. Contrariado, vol- tei à etapa das informações. E, então, retruquei, contundente: – “Mas a atendente me passou outro valor: R$290,00!” E a gerente: – “Não! Olha! a base custa R$80,00, a cadeira R$140,00 e o controle a gás R$100,00. O valor total é R$320,00 mesmo.” Nesse instante, senti que não tinha mais forças para continuar. Havia feito todo o esforço do mundo para comprar, passado por muitos obstáculos, superado o péssimo atendimento, o desconforto, o descaso, a falta de informações precisas e, agora, a ausência de bom-senso. Fiquei ali, sem pensar, um tanto anestesiado, sem sentir mais nada, talvez um pouco desamparado. Afinal, tinha feito o possível e o impossível para me comportar como um bom cliente. E, sinceramente, gostaria de ter podido comprar nessa loja. Bastaria terem me permitido! Apenas consegui dizer: – “Muito obrigado! Até logo!” E a gerente, toda solícita, muito educada e sorridente: − “Por nada! Estamos às ordens para quando você precisar!” As dimensões da qualidade Não foi fácil superar o trauma que sofri. Penso que minha melhor terapia foram as dezenas de palestras e aulas sobre qualidade de serviços que dei, durante vários anos, nos quais, logo após contar essa historinha, sempre fazia questão de citar em alto e bom som para públicos variados, o nome dessa loja como o pior exemplo de gestão de ciclo de serviços que poderia existir. Aliás, ela não existe mais e, desde então, parei de citá-la. A ausência da qualidade é algo ainda muito comum nas empresas, sejam elas de micro, pequeno ou grande portes. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 116 30/06/2016 08:39:22 – 117 – Os serviços e o gerenciamento de processos Ou seja, é uma história cotidiana, mas os problemas ocorri- dos infelizmente também são. Façamos então uma reflexão: em qual dimensão determinante da qualidade em servi- ços houve falha? Se você entender que é só o preço que me fez desistir da compra, você estará enxergando um detalhe somente da pres- tação do serviço e não o todo. As dimensões da qualidade nos serviços podem ser agrupa- das, conforme alguns autores, no seguinte conjunto de ele- mentos fundamentais. Eles são os principais critérios que os clientes se utilizampara julgar a qualidade dos serviços: 2 Confiabilidade – habilidade de prestar o serviço con- forme prometido, com precisão e consistência, dentro das especificações. 2 Prontidão – disposição ou desejo de ajudar o cliente e lhes prestar o serviço prontamente. Velocidade de atendimento. 2 Tangíveis – evidências físicas dos serviços, como instala- ções físicas, equipamentos e aparência dos funcionários. 2 Empatia – cordialidade, cuidado e atenção individual fornecida ao cliente. 2 Flexibilidade – a capacidade de mudar e adaptar o ser- viço para se ajustar às necessidades dos clientes. 2 Acesso – facilidade de entrar em contato ou de ter acesso físico ao serviço. 2 Disponibilidade – facilidade em encontrar disponíveis pessoal de atendimento, bens facilitadores e instalações. Na realidade, o conceito que se pode aproveitar dessa histó- ria é que “em prestação de serviços, cada etapa do ciclo tem características fundamentais para o cliente, porém, a sequência harmoniosa das etapas é que formam um conjunto eficaz”. Os 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 117 30/06/2016 08:39:22 Gestão de Serviços – 118 – proprietários dessa loja provavelmente não enxergam ou não estão preocupados em compreender isso. O resultado prático é que a percepção do serviço prestado ficou muito abaixo de minha expectativa, desde o primeiro contato com a loja, o que demonstra falhas na dimensão “acesso”. Na realidade, houve falhas, em maior ou menor grau, em todas as dimensões da qualidade e isso fez com que eu ficasse insatisfeito ao longo de todo ciclo do serviço. O cliente insatisfeito adota alguma ação pública, tal como bus- car reparação com o fornecedor, efetuar ação legal e reclamar junto a organizações de defesa; ou toma alguma ação privada tal como parar de comprar e contrarrecomendar o serviço ou o fornecedor. Este último resultado, como se sabe, é o que acarreta as piores consequências ao prestador do serviço. Atividades 1. Os processos de serviço podem ser elaborados e documentados em um fluxograma ou esquema. Os fluxogramas descrevem os passos, as tarefas e as sequências em que os processos devem ser executados, facilitando o entendimento dos procedimentos realizados, ou ainda, evidenciando a necessidade de implementar melhorias ou correções nas atividades desempenhadas. Elabore um fluxograma básico de um processo de contratação de consultoria. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 118 30/06/2016 08:39:22 – 119 – Os serviços e o gerenciamento de processos 2. De acordo com Caravantes et al. (2005) e Stoner e Freeman (1999), cabe à alta administração ou à gerência de serviços a incumbência de planejar, organizar, dirigir e controlar os recursos da organização para garantir resultados na empresa. Descreva, com suas palavras, o que significam as funções administrativas, que são planejar, organizar, dirigir e controlar os recursos de uma organização de serviços. 3. Conforme Parente (2009) a maior parte das vendas de serviço no varejo é realizado por lojas, porém o autor aponta outros tipos de venda de varejo com oferta de serviços. Descreva e comente quais são os tipos de venda, indicando alguns exemplos. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 119 30/06/2016 08:39:22 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 120 30/06/2016 08:39:22 Estratégias na operacionalização de serviços O objetivo deste capítulo é proporcionar situações de ensino-aprendizagem para compreender a adoção de estratégias na operacionalização dos serviços. Dessa forma, serão estudados os seguintes conteúdos: 2 o ambiente competitivo em serviços; 2 a visão estratégica em serviços; 2 a análise do ambiente interno e externo; 2 estratégias competitivas em serviços; 2 o posicionamento estratégico em serviços. Ao analisar o ambiente competitivo, observamos que os con- correntes competem pelos mesmos consumidores no mercado. Em serviços, a complexidade inerente que faz com que um consumi- dor adquira um serviço em um estabelecimento e não em outro, é um tema desafiador. Especialmente para os gestores, que com cui- dado acurado precisam efetuar uma análise criteriosa do ambiente interno e externo da organização, para definir sua visão estratégica de longo prazo e adotar estratégias competitivas em serviços que os diferenciem dos demais concorrentes. 6 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 121 30/06/2016 08:39:23 Gestão de Serviços – 122 – 6.1 O ambiente competitivo em serviços O ambiente competitivo em serviços tem se intensificado muito nas últimas décadas no Brasil e no mundo (PORTER, 1999). As diversas empre- sas que oferecem seus serviços no mercado precisam estar constantemente monitorando o ambiente externo para observar a inclusão de novos entrantes e, ainda, a evolução dos concorrentes existentes. O aumento da competitivi- dade significa ter que dividir os mesmos clientes, ou ainda, reduzir a lucrati- vidade, caso a empresa não atue estrategicamente para minimizar esse efeito. Nessa perspectiva, um grande desafio dos gestores de serviços consiste na antecipação e implementação de mudanças diante do elevado nível de compe- titividade e incerteza encontrado nos ambientes empresariais (PORTER, 2004; NONAKA; TAKEUCHI, 1997). Como exemplo, podemos citar o macro- ambiente e o microambiente organizacional que pressionam a empresa para adaptar-se aos diversos ambientes, exigindo rapidez e flexibilidade para efetuar mudanças antes que os concorrentes o façam. A empresa, portanto, sofre diver- sas influências ambientais, conforme demonstrado na figura 1. Figura 1 – Variáveis ambientais: microambiente e macroambiente organizacional. Ambiente demográfico Ambiente ecológico Ambiente sociocultural Ambiente tecnológico Ambiente legal Ambiente político Ambiente econômico CLIENTES CONCORRENTES FORNECEDORES ENTIDADES REGULADORAS MACROAMBIENTE MICROAMBIENTE Fonte: KOTLER; KELLER, 2006; STONER; FREEMAN, 1999. Adaptado. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 122 30/06/2016 08:39:25 – 123 – Estratégias na operacionalização de serviços Como observado, o macroambiente é o amplo sistema que envolve e pres- siona as organizações externamente, interagindo continuamente com elas que procuram influenciá-lo, mas sua capacidade é relativamente limitada. O micro- ambiente, por sua vez, corresponde aos processos próximos à empresa e que inte- ragem de modo efetivo e permanente, como os fornecedores, os clientes, os con- correntes e as entidades reguladoras. Sobanski (1995) acrescenta que o crescente dinamismo e o aumento da competitividade observados no contexto empresarial vêm criando novas formas de organização e interação entre os diversos agentes do ambiente orga- nizacional. Ao mesmo tempo em que induzem à criação e consolidação de novos métodos de trabalho, exigem abertura para a adoção de novos estilos de gestão adaptados às necessidades impostas pelo mercado e seus consumidores. Em síntese, conseguir angariar clientes nesse cenário significa competir em diversos aspectos e dimensões. Especialmente, nas empresas de serviços, conforme Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005, p. 64), o ambiente econômico é dificultado, motivado por diversas razões citadas a seguir: 2 existem poucas barreiras à entrada de novos concorrentes – a maioria dos serviços não necessita de grandes investimentos, e as inovações em serviços não são patenteáveis, assim novos competi- dores surgem rapidamente, pois as inovações são facilmente copia- das. Porém, alguns fatores como a localização privilegiada de um hotel no mesmo lugar é um tipo de barreira, pois não é possível instalar um hotel concorrente no mesmo lugar, por exemplo, que o Costão do Santinho; 2 oportunidades mínimas para economias de escala – a necessi- dadede deslocamento físico do cliente ou do prestador de serviço ao local da realização do serviço limita a área de abrangência ou de atuação no mercado, resultando no escoamento dos serviços em pequena escala. Alguns casos, porém, como as franquias, benefi- ciam-se com a redução dos custos de propaganda. As empresas vir- tuais com as compras via site evitam o deslocamento físico, e, em alguns casos, as comunicações de pedidos podem ser eletrônicas, como as realizadas por telefone, e-mail, fax, skype, entre outros; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 123 30/06/2016 08:39:25 Gestão de Serviços – 124 – 2 flutuações e oscilações imprevisíveis das vendas – a demanda dos serviços é muito volátil em função da procura do cliente, às vezes sazonal. Por exemplo, mensurar a quantidade de clientes de um banco que poderão chegar naquele dia e naquele horário para serem atendidos; 2 desvantagem de tamanho ao negociar com fornecedores e com- pradores – empresas de serviço de pequeno porte têm mais difi- culdade em negociar valores, quando comparadas às empresas de maior porte. Por exemplo, a operadora de telefonia celular Vivo, com atuação nacional, terá uma redução significativa de valores ao reservar diárias no Hotel Ibis para seus colaboradores, pois fará isso diversas vezes na rede hoteleira. A empresa de pequeno porte ao efetuar a reserva no mesmo hotel não usufruirá dos mesmos des- contos, pois utiliza os serviços eventualmente; 2 substituição de produtos – alguns produtos inovadores podem substituir serviços, como o teste de gravidez que pode ser feito em casa. Isso significa que a empresa deve prestar atenção nas empresas concorrentes de serviços, mas também estar em alerta nos produtos que podem tornar seus serviços obsoletos. A liberação de filmes pela TV paga pode afetar, por exemplo, as locadoras de filmes pró- ximas a nossa residência; 2 fidelidade dos clientes – serviços personalizados tendem a fide- lizar os clientes, por exemplo, uma empresa de material descartá- vel pode disponibilizar um terminal de computador para efetivar pedidos nas próprias instalações dos clientes. Outro exemplo é a marca de refrigerantes, como a Coca-Cola, que disponibiliza o ser- viço de freezer ou balcão refrigerado gratuitamente nas instalações do cliente com a promessa de que esse comprará somente produtos dessa marca. Esses serviços reduzem os custos dos clientes a ponto de eliminar a concorrência; 2 barreiras à saída – algumas empresas de serviços operam com lucros baixos ou inexistentes. Empresas familiares que tem como objetivo empregar a família, ou que não pagam aluguel, por exemplo, podem disponibilizar um preço inferior com menor lucratividade. Outras empresas podem atuar pelo prazer ou hobby naquele negócio, como 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 124 30/06/2016 08:39:26 – 125 – Estratégias na operacionalização de serviços uma loja de antiguidades ou loja de equipamentos esportivos. Os concorrentes motivados pelo lucro encontram dificuldade para competir nesse cenário, ou ainda, eliminar esses competidores. Nas diversas atividades de serviços, algumas empresas prosperam apesar da elevada concorrência e das dificuldades elencadas anteriormente. Diante da complexidade e competitividade ambiental, Hamel e Prahalad (2002) sugerem que o grande desafio das organizações é moldar e construir seu pró- prio futuro. Desse modo, a análise detalhada do ambiente interno e externo passa a ser um processo fundamental para a organização, além da definição do planejamento estratégico de ações para o crescimento da empresa. Em resumo, o ambiente competitivo nas organizações refere-se ao con- junto de pressões, forças, tendências e instituições, tanto internas como exter- nas à organização, que têm elevado potencial e probabilidade para influenciar o desempenho organizacional, tanto positivamente como negativamente. As empresas, portanto, precisam estar em constante alerta e em constante mobi- lidade para se adequar a esse cenário, através de inovação, capacitação, agili- dade, flexibilidade e adaptação às novas regras. 6.2 A visão estratégica em serviços Antes de definir a visão estratégica da empresa de serviços, convém fazer uma análise através do diagnóstico estratégico que tem por objetivo conhecer a empresa, seu negócio e tudo o que poderá influenciar, positivamente ou nega- tivamente, o rumo ou propósito do seu futuro (OLIVEIRA, 2010; CHIAVE- NATO; SAPIRO, 2004). Desse modo, constantemente a empresa deve moni- torar o mercado externo, para ter controle da atuação dos concorrentes e as suas implicações para a organização (CARVALHO; LAURINDO, 2007). No diagnóstico, por exemplo, é interessante realizar o benchmarking, que é o processo contínuo e sistemático de analisar e investigar as práticas adotadas pelos concorrentes de referência ou pelas empresas líderes de mer- cado, de modo que a empresa possa adaptar ou aprimorar estratégias para sua empresa (OLIVEIRA, 2010). O autor defende que os principais aspectos ou componentes do diagnóstico estratégico são: 2 definir a visão estratégica da empresa; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 125 30/06/2016 08:39:26 Gestão de Serviços – 126 – 2 definir os valores, princípios ou políticas da empresa; 2 fazer a análise externa da empresa, identificando as oportunidades e ameaças; 2 fazer a análise interna da empresa, identificando os pontos fortes e fracos; 2 integrar os fatores da análise interna e externa; 2 analisar os concorrentes. A empresa, ao definir a sua visão, expressa a imagem ambiciosa futura que deseja alcançar, ou seja, a visão ou intenção estratégica é um referencial e um guia para conduzir e nortear o futuro da organização (CHIAVENATO; SAPIRO, 2004). Collins e Porras (1996) conceituam a visão como a ideali- zação de um futuro desejado pela organização. Já para Oliveira (2010), são os limites que os gestores da empresa visualizam em longo prazo, ou ainda, representa o que a empresa quer ser. A definição da visão deverá ser revisada no planejamento estratégico anual da empresa, pois proporciona o grande delineamento para ser implementado pela organização. Como exemplo, a visão da Universidade de Caxias do Sul é: “Ser indispensável para o desenvolvimento sustentado no conhecimento”. A General Motors (2011) atualmente tem quatro prioridades culturais que consolidam a visão da empresa para a atuação de cada colaborador da GM: responsabilidade, gerenciamento de riscos, foco no cliente e no produto e rapidez. A visão do Walmart é “dar às pessoas comuns a chance de comprar as mesmas coisas que as pessoas ricas compram” e da Sony é “experimentar o prazer de avançar e aplicar tecnologia para o benefício das pessoas”. Notoriamente, algumas empresas que chegaram à liderança no âmbito global, nos últimos 20 anos, definiram ambições muito além de suas capaci- dades e recursos. Desenvolveram uma obsessão pela conquista do sucesso nos diversos níveis da organização e, em seguida, sustentaram essa obsessão na busca da liderança global ao longo dos anos. São exemplos de empresas com forte visão: Johnson & Johnson, Sony e Disney, que possuem grande capaci- dade de renovação e de desempenho superiores em longo prazo. Assim, toda empresa de serviços, ao se estabelecer, deve ter uma visão ou intenção estratégica, ou seja, definir seus objetivos e desafios em longo prazo, que 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 126 30/06/2016 08:39:26 – 127 – Estratégias na operacionalização de serviços estejam além dos recursos e capacidades atuais da empresa (OLIVEIRA, 2010). Os desafios representam quais são os grandes objetivos que a empresa deseja alcançar, com a quantificação de prazos e responsáveis, e para serem alcança- dos exigem um esforço extra da organização. Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005, p. 61)elencam os elementos que devem ser avaliados ao se formular a visão estratégica em serviços, baseados em Heskett et al., que propõe categorias básicas, com questionamentos para avaliar a efetividade da categoria e avaliar o suporte e apoio no atendimento ao cliente: 2 sistema de prestação do serviço – define as características impor- tantes na prestação do serviço e avalia o papel das pessoas, a tecno- logia, os equipamentos, o layout, os procedimentos, a capacidade de atendimento, a existência de picos, a qualidade ofertada, a dife- renciação com a concorrência e se proporciona barreiras à entrada de novos concorrentes; 2 estratégia operacional – define os elementos usados na estratégia de operações, financeiro, marketing, recursos humanos, além de estabelecer o controle, onde haverá maior concentração e esforço, onde haverá investimentos, de que modo a qualidade e os custos serão controlados e quais os resultados esperados pelos clientes na qualidade dos serviços, custos e produtividade; 2 conceito do serviço – define o que é importante nesse serviço para o cliente; 2 segmento de mercado-alvo – define as características comuns dos segmentos de mercado, as dimensões usadas para segmentar o mer- cado de atuação, quais as necessidades e a qualidade esperada de cada segmento. Em outras palavras, a visão estratégica representa um sonho definido pela alta administração que deve ser continuamente perseguido por toda organização em suas ações, exigindo um esforço extra por parte dos colabora- dores para atingir uma nova situação proposta, bem como para alcançar uma nova situação desejada para a organização que venha satisfazer o mercado- -alvo de atuação. Collins e Porras (1996) lembram que grandes navegadores sempre sabem onde desejam ir e o que fazer para chegar ao seu destino, e do mesmo modo, as 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 127 30/06/2016 08:39:26 Gestão de Serviços – 128 – grandes empresas devem ter forte senso de visão, com foco na continuidade e sobrevivência da sua organização. É imprescindível, portanto, que a organiza- ção tenha sua visão estratégica formalizada e divulgada, pois produz resultados eficazes para a empresa. 6.3 A análise do ambiente interno e externo O atual cenário competitivo existente no mercado ratifica a constante necessidade de avaliar o ambiente interno e externo da organização. Maximiano (2002) destaca que a análise do ambiente externo é um dos principais pilares que estruturam o processo de planejamento estratégico e afirma que em ambientes competitivos, instáveis e complexos, há maior necessidade de estudar o ambiente. O planejamento estratégico é um referencial para fornecer estrutura e consistência aos negócios, produtos e serviços da organização, de tal modo que gere resultados e crescimento (KOTLER, 1998). O processo de pla- nejamento estratégico de negócios pode ser dividido nas seguintes etapas (KOTLER, 1998; KOTLER; KELLER, 2006): Figura 2 – O processo de planejamento estratégico de negócios. Fonte: KOTLER, 1998; KOTLER; KELLER, 2006. Adaptado. Análise de ambiente externo (oportunidades e ameaças)Declaração sobre a missão do negócio Análise do ambiente interno (forças e fraquezas) Formulação de metas e objetivos Formulação de estratégias e programas Implementação Feedback e controle SW OT Os autores sinalizam, inicialmente, a necessidade de elaborar a declara- ção da missão. Em seguida, sugerem efetuar a análise do ambiente interno e externo, para posteriormente formular as metas, objetivos e estratégias. Após esse processo, sugerem implementar as definições e, então, controlar e ajustar os desvios que poderão ocorrer no processo e no ambiente. Desse modo, utilizar processos sistêmicos, como o planejamento estraté- gico, é uma condição essencial para o sucesso duradouro e estável da empresa 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 128 30/06/2016 08:39:26 – 129 – Estratégias na operacionalização de serviços de serviços. Ansoff Declerck e Hayes (1981) indicam o planejamento estratégico para todas as empresas, independentemente do seu tamanho, porte ou segmento, e Ackoff (1976) acrescenta que ele deve ser moldado de acordo com as caracterís- ticas e o contexto de cada organização. Em outras palavras, poderá auxiliar a organização no processo estra- tégico. Neumann (2009, p. 84-85) sugere que o processo de planejamento estratégico contemple quatro etapas básicas, que devem ser dinâmicas e con- tínuas, e que são caracterizadas da seguinte maneira: 2 elaboração – definir visão, negócio, missão, princípios, oportuni- dades, ameaças, pontos fortes e fracos, objetivos, estratégias, metas, planos de ação; 2 implementação – implementar as ações definidas no processo de elaboração do planejamento estratégico; 2 avaliação e controle – avaliar e monitorar o desempenho dos indi- cadores do planejamento estratégico; 2 ação corretiva – continuamente revisar e ajustar planos e desvios no processo. A figura 3, a seguir, caracteriza as quatro etapas do processo de planeja- mento estratégico que é um processo fundamental para a organização estraté- gica, conforme Neumann (2009): Figura 3 – Etapas do processo de planejamento estratégico. AÇÃO CORRETIVA Correção e ajustes de desvios e efeitos negativos. ELABORAÇÃO Definição e estrutu- ração do planeja- mento estratégico. AVALIAÇÃO E CONTROLE Sistemática de indicadores e parâmetros. IMPLEMENTAÇÃO Execução e cumpri- mento dos planos e ações definidos na elaboração. ETAPAS DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ETAPA 4 ETAPA 1 ETAPA 2ETAPA 3 Fonte: NEUMANN, 2009, p. 84. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 129 30/06/2016 08:39:26 Gestão de Serviços – 130 – Nessa parte, o objeto de estudo será a análise do ambiente externo e interno, inserida na etapa 1 da figura 3 do processo de planejamento estratégico. Nessa perspectiva, o ambiente externo é o contexto no qual as empresas operam seus processos, portanto é constituído pelos elementos que estão ao redor dos limites da organização, como as tendências do mercado, a concorrência, as políticas governamentais, a legislação, os clientes, entre outros. O ambiente interno, por outro lado, é espaço interno da empresa, como os recursos humanos, recursos financeiros, cultura organizacional, tecnologia, estrutura, instalações, processos operacionais, entre outros. O monitoramento e a análise do ambiente externo, portanto, é um requisito fundamental para a elaboração do processo do planejamento estra- tégico e vital para o crescimento da empresa. A primeira preocupação e análise que a empresa deve fazer é em relação ao ambiente geral, ou macroambiente, aquele ambiente mais amplo, composto por condições ou fatores externos que influenciam a empresa e no qual ela tem pouco ou nenhum poder de influência. De acordo com Oliveira (2010), através da análise do ambiente externo, a empresa passa a ter percepção das variáveis que influenciam os resultados da empresa, pois deverá fazer um levantamento minucioso sobre: 2 oportunidades – são as forças ambientais externas que a organização não pode controlar, mas que favorecem a sua execução estratégica. Se a empresa conhecer as oportunidades em tempo hábil e se usá-las ade- quadamente, poderá influenciar positivamente os negócios da orga- nização. Assim, são variáveis externas, que podem criar uma situação favorável e positiva para a empresa, por exemplo, as necessidades de mercado, a diversificação de produtos, entre outros; 2 ameaças – são as forças ambientais externas que a organização não pode controlar, mas que criam obstáculos para a sua execu- ção estratégica. Se a empresa conhecer as ameaças em tempo hábil, poderá evitar transtornos, ou ainda minimizar, eliminar ou evitar interferênciasnegativas. Caso contrário, poderão afetar o desem- penho e o crescimento organizacional. Como exemplo, citam- -se as crises mundiais, o desempenho e a elevação cambial. Atualmente, as modificações do ambiente ocorrem com uma velocidade cada vez maior. Por isso, visualizar antecipadamente as mudanças e monito- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 130 30/06/2016 08:39:26 – 131 – Estratégias na operacionalização de serviços rar o ambiente competitivo passa a ter um valor decisivo para o sucesso, a sobrevivência ou o fracasso da organização. É interessante observar que, para algumas empresas, uma ameaça pode representar uma oportunidade, assim como uma oportunidade pode representar uma ameaça. Cada caso deve ser analisado cuidadosamente e separadamente. A empresa também tem a tarefa de analisar o ambiente interno, identifi- cando os aspectos que precisam ser adequados e otimizados, que afetam posi- tivamente ou negativamente a organização. Apesar de parecer fácil fazer esse diagnóstico, é muito difícil fazer o julgamento próprio, como identificar e reconhecer seus limites, além de assumir seus próprios erros. Oliveira (2010) destaca os pontos que compõem a análise do ambiente interno: 2 pontos fortes ou forças – são as características da empresa, tangíveis ou não, que podem ser potencializadas para otimizar seu desempe- nho. São variáveis internas e controláveis que propiciam uma con- dição favorável para a empresa, em relação ao seu ambiente, ou que poderá proporcionar uma vantagem para a empresa; 2 pontos fracos ou fraquezas – são as características da empresa, tangíveis ou não, que devem ser minimizadas para evitar influência negativa sobre seu desempenho. São variáveis internas e controlá- veis que proporcionam uma condição desfavorável para a empresa em relação ao seu ambiente ou que poderá proporcionar uma des- vantagem para a empresa. Alguns autores, além dos pontos fortes e fracos, classificam o ponto neu- tro, que é uma variável que não é classificada nem como ponto forte, nem como ponto fraco, embora seja identificada pela organização. A avaliação glo- bal das forças, fraquezas, oportunidades e ameaças da organização denomina- -se análise SWOT (KOTLER, 2000; ANDREWS, 2001) ou FOFA, que têm o seguinte significado: 2 S – significa strength, na língua inglesa, ou forças da organização; 2 W – significa weakness ou as fraquezas ou pontos fracos; 2 O – significa opportunity ou as oportunidades para a empresa; 2 T – significa threat ou as ameaças existentes para a empresa. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 131 30/06/2016 08:39:26 Gestão de Serviços – 132 – A matriz SWOT é uma das ferramentas que pode ser utilizada para fazer a análise de cenários ou de ambientes organizacionais, servindo de base estrutural para o processo de planejamento estratégico. A figura 4 apresenta a matriz SWOT que auxilia na identificação da análise interna e externa da organização: Figura 4 – Matriz SWOT ou FOFA. Forças ou pontos fortes Lista as características positivas da empresa. Fraquezas ou pontos fracos Lista as características negativas da empresa. Oportunidades Lista as oportunida- des da empresa. Ameaças Lista as ameaças da empresa. MATRIZ SWOT OU FOFA ANÁLISE AMBIENTE EXTERNO ANÁLISE AMBIENTE INTERNO Fonte: KOTLER, 2000; ANDREWS, 2001. Adaptado. É importante salientar que, frequentemente, na análise do ambiente nos deparamos com a chamada “faca de dois gumes”, isto é, situações do ambiente que são, ao mesmo tempo, oportunidades e ameaças. Por exemplo, o Merco- sul, que representa uma oportunidade, pois aumenta o mercado para a venda de produtos e serviços da empresa, também representa uma ameaça, com a vinda de novos concorrentes. Outro exemplo é o crescimento da atratividade do segmento no qual a empresa atua, representando tanto uma oportunidade de novos negócios como ameaça de entrada de novos concorrentes. Por isso, estar atento às modificações do mercado é condição essencial para que a empresa possa sobreviver, podendo ser o diferencial entre o fracasso e o sucesso organizacional. A análise do ambiente, portanto, é o processo de identificação de oportunidades e ameaças, e dos pontos fortes e fracos que afetam a empresa no cumprimento de sua missão. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 132 30/06/2016 08:39:26 – 133 – Estratégias na operacionalização de serviços 6.4 Estratégias competitivas em serviços Quanto mais riqueza de recursos houver no ambiente, maior será a com- petitividade (HENDERSON, 1998). Quanto mais rica é uma região, maior é a presença do setor de serviços. Desse modo, duas empresas de serviços que competem de maneira idêntica não poderão sobreviver no mercado por muito tempo. A mais fraca se estagnará e definhará com o tempo. Por isso, empresas que possuem o desejo de crescer continuamente no seu mercado de atuação devem estabelecer suas estratégias empresariais, ou seja, decidir antecipadamente quais serão os caminhos ou programas de ação que devem ser perseguidos pela empresa para alcançar os objetivos e desafios estabelecidos. O termo estratégia é muito antigo e deriva da palavra grega strategos, surgida no século IV a.C. que significa a “arte do general” (STEINER, 1969). Péricles (450 a.C.) designava a estratégia como a liderança, oratória e poder (CHIAVENATO; SAPIRO, 2004). Alexandre, o Grande (330 a.C.), desig- nava estratégia como o uso das forças para vencer o inimigo em uma batalha (CARVALHO; LAURINDO, 2007). A partir da época napoleônica, o termo passou a incorporar um contexto mais amplo, como a economia e as políticas destinadas a aumentar as possi- bilidades da vitória nas guerras (TAVARES, 2000). Atualmente, a estratégia empresarial é a arte de utilizar adequadamente os recursos físicos, financeiros e humanos da organização, tendo em vista a minimização dos problemas e maximização das oportunidades. Porter (2004), sugere que a essência da formulação de uma estratégia é saber lidar com os concorrentes e, nas indústrias, em especial, o grau de concorrência possui cinco forças competitivas básicas que determinam o potencial de lucro que é medido, conforme o retorno em longo prazo sobre o capital investido: 2 entrantes potenciais (ameaça de novos entrantes no mercado); 2 compradores (poder de negociação dos compradores); 2 produtos substitutos (ameaça de produtos ou serviços substitutos); 2 fornecedores (poder de negociação dos fornecedores); 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 133 30/06/2016 08:39:26 Gestão de Serviços – 134 – 2 concorrentes na indústria (rivalidade entre as empresas existentes). As forças, conforme Porter (2004), variam de intensas a moderadas, e a estratégia competitiva tem como objetivo buscar uma posição privilegiada para que a empresa se defenda contra as forças competitivas ou possa influen- ciá-las em seu favor. Por isso, é essencial que a organização pesquise e analise as forças dos seus clientes, fornecedores, substitutos e os potenciais concor- rentes para desenvolver suas estratégias. Notadamente, Henderson (1998) recomenda como estratégia que a organização gerencie uma vantagem exclusiva por meio da diferenciação. Por- ter (1989), porém, diz que as empresas podem adotar estratégias diferentes de posicionamento; que se classificam na vantagem competitiva por preço e por diferenciação, conforme a figura 5: Figura 5 – Estratégias genéricas para obter vantagem competitiva. ESCOPO COMPETITIVO Custo mais baixo Diferenciação 1. Liderança de custo 2. Diferenciação 3a. Enfoque no custo 3b. Enfoque na diferenciaçãoAlvo estreito Alvo amplo Fonte: PORTER, 1989, p. 10. As empresas de serviços devem usufruir das estratégias competitivas genéricas, como a liderança global em custos, diferenciação e focalização.De acordo com Porter (2004) e Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005), a lide- rança global em custos requer instalações com eficiência de escala, controle rígido de custos e despesas, aliados a uma tecnologia inovadora. São exem- plos o McDonald’s e o Walmart. Porém, existem vários outros métodos que podem ser usados pelas empresas de serviços (FITZSIMMONS; FITZ- SIMMONS, 2005): 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 134 30/06/2016 08:39:26 – 135 – Estratégias na operacionalização de serviços 2 captar clientes de baixo custo; 2 padronizar ou rotinizar um serviço personalizado; 2 reduzir a interação de contato pessoal na prestação de serviços; 2 reduzir os custos da rede de serviços; 2 operações de serviços a distância. Por outro lado, a essência da diferenciação reside na concepção de um serviço que é considerado como único pelos clientes, por exemplo, a marca, a imagem da empresa, a tecnologia empregada, a rede de distribuição, o aten- dimento ao cliente, entre outros. A principal característica da diferenciação é conseguir gerar a lealdade do cliente, mesmo que ele precise pagar um valor maior para obter o benefício do serviço. Por fim, a estratégia da focalização ou segmentação é baseada na satisfa- ção de um mercado-alvo, e reside no foco da empresa em servir um mercado delimitado e restrito, porém, com eficácia e eficiência maior do que as empre- sas concorrentes. Assim, a empresa passa a ter maior conhecimento sobre as necessidades dos seus clientes e obter redução de custos em suas atividades. Nessa perspectiva, é preciso estabelecer as estratégias e os planos para a empresa, além de implementar e acompanhar a execução das ações propostas. As empresas em geral, portanto, devem traçar suas estratégias definindo um caminho ou um planejamento antecipado do que terá que fazer para ser bem- -sucedida na condução de suas atividades ou serviços. 6.5 O posicionamento estratégico em serviços Porter (2004, p. 3) afirma que “o campo da estratégia tem oferecido um número muito reduzido de técnicas analíticas” para compreender seu processo, e para as técnicas existe ntes falta conceber maior amplitude e alcance. Adicionalmente, Thompson Jr. e Strickland (2004) explicam que existem muitos fatores situacionais específicos que moldam a escolha da estratégia para cada organização e que variam de empresa para empresa, conforme figura 6: 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 135 30/06/2016 08:39:26 Gestão de Serviços – 136 – Figura 6 – Fatores que moldam a escolha da estratégia nas empresas. FATORES EXTERNOS Considerações políticas, legais e de cidadania da comunidade. Atratividade, mudanças e condições competitivas da indústria. Oportunidades e ameaças da empresa. Conclusões sobre como os fatores internos e externos se acumulam; suas impli- cações para a estratégia. Identifi- cação e avaliação das alterna- tivas para a estratégia. Elaboração de uma estratégia que se ajuste à situação geral. Pontos fortes e fracos da empresa e capacidades competitivas. Ambições, filosofia de negócio e prin- cípios éticos. Valores compartilhados e cultura da empresa. SITUAÇÃO ESTRATÉGICA DA EMPRESA FATORES INTERNOS Fonte: THOMPSON JR.; STRICKLAND, 2004. Adaptado. Desse modo, os fatores internos e externos propiciam mudanças ambien- tais e são relevantes e interferem no ambiente na empresa favorecendo que as organizações procedam com as mudanças estratégicas. Nesse sentido, o posi- cionamento estratégico passa a ser uma definição complexa que integra os objetivos e políticas da organização, em face ao seu ambiente interno e externo. Convém salientar que o posicionamento é um instrumento de apoio na tomada de decisões que se destaca no processo de elaboração de estra- tégias, especialmente na área de marketing. O posicionamento tem como pilar o processo de segmentação de mercados-alvo e a posição desejada pela empresa diante dos mesmos. Dimingo (1988) afirma que o posicionamento é a distinção de um produto ou um serviço de seus competidores, tornando-o preferido e significativo para seu mercado e consumidores. Nessa perspectiva, Kotler (1998) destaca o posicionamento estratégico como uma poderosa ferramenta para se criar, manter e aumentar a diferen- ciação no mercado. Já para Ries e Trout (2009), o posicionamento é uma estratégia e um processo organizado para criar um lugar privilegiado sobre a empresa na mente do consumidor. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 136 30/06/2016 08:39:26 – 137 – Estratégias na operacionalização de serviços Dessa forma, entende-se que o posicionamento estratégico da organiza- ção pode sofrer interferência direta do ambiente técnico e institucional em que essa está inserida, que podem atuar como agentes coercitivos, originados pelas informações e conhecimentos, tecnológicos, regulativos, normativo ou por aspectos cognitivos. Assim, o processo de formulação estratégica passa a ser um processo dinâmico e influenciado pelo ambiente, sendo a inovação uma palavra-chave para nortear a organização e manter-se competitiva, mas, essencialmente, para rever periodicamente a sua posição estratégica. Kotler (2000, p. 239) ensina que “as empresas ruins ignoram seus con- correntes, as medianas os copiam e as vencedoras os lideram”. Em essência, a estratégia competitiva em serviços é uma área de interesse primordial para os gestores, porém requer dedicação de tempo e um processo de análise crí- tica da própria organização e dos seus potenciais concorrentes. Ou seja, é necessário o esforço individual de cada gestor para criar e adaptar o melhor posicionamento estratégico para sua organização. Em síntese, ao definir o posicionamento, a empresa define como ela quer ser vista e entendida pelos seus clientes ou público-alvo. A ideia é fazer com que a empresa aproveite os valores e conceitos que os consumidores possuem em suas mentes. Diversos fatores poderão influenciar no posicio- namento estratégico da empresa, como o logotipo, o ambiente, o nome, o layout, o web site, os serviços, entre outros. A empresa passa a determinar quais as expectativas que os clientes pode- rão usufruir ao adquirir produtos ou serviços de uma determinada empresa. No supermercado Big, por exemplo, o posicionamento é o preço baixo, por isso atrai diversos clientes que têm impregnado na mente que o Big trabalha com preços inferiores. A rede de supermercados Zaffari atua com o posicionamento de que economizar é comprar bem, estando, nas entrelinhas, a mensagem subliminar de que às vezes pagar um pouco a mais é comprar melhor. A Natura, rede de cosméticos brasileira, posiciona-se fortemente como uma empresa de respon- sabilidade social e ambiental. Diante dessas afirmações, o posicionamento estratégico nas organiza- ções é reconhecido como o fator determinante para a obtenção de vantagem 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 137 30/06/2016 08:39:26 Gestão de Serviços – 138 – competitiva perante a concorrência, sendo fundamental para a sobrevivência no longo prazo (RIES; TROUT, 2009). Na definição de Lovelock e Wirtz (2007), é determinante que a empresa de serviços estabeleça e mantenha um lugar distintivo no mercado. Cabe, portanto, às empresas de serviços segmentarem seu mercado de atuação, definirem qual será seu mercado-alvo, além de selecionarem, desenvolverem e comunicarem suas escolhas de posicionamento estratégico ao mercado. Entretanto, devido às características peculiares de cada orga- nização, o posicionamento estratégico, por si só, não é responsável unica- mente pelo desempenho superior apresentado pelas organizações de serviços (LOVELOCK; WIRTZ, 2007; LOVELOCK; WRIGHT, 2005). Ampliando seus conhecimentos Serviços de atendimento ao consumidor:foco na visão estratégica (JUBRAM, 2010) Antes vistos apenas como um depósito de reclamações, hoje os Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC) pos- suem uma função estratégica e vem se tornando um valioso instrumento de suporte para pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços. Mais profissionalizados, muitos SACs mantêm profissionais graduados e preparados, que conhecem bem o negócio, o mercado e, principalmente, o perfil do público-alvo. A estraté- gia envolve sempre um processo de escolhas: quais clientes e mercados atender; quais produtos e serviços produzir e entre- gar; e quais processos e atividades desenvolver para satisfazer todas as necessidades e expectativas dos clientes. Poderíamos dizer que a estratégia trata da articulação de todos os recursos de uma organização para alcance da sua visão de futuro. Diante disso, as indústrias farmacêuticas, assim como os demais 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 138 30/06/2016 08:39:26 – 139 – Estratégias na operacionalização de serviços setores da economia, começaram a perceber que os SACs, quando bem estruturados, trazem importantes ganhos de ima- gem, agilidade e vantagens competitivas para a empresa. O SAC é um setor muito proativo dentro das indústrias farmacêuticas, e sua contribuição para os negócios evolui a passos rápidos, refi- nando seus modelos, incorporando aprendizado continuamente para proporcionar ao consumidor um atendimento cada vez mais personalizado. Uma série de fatores conduz o consumidor a bus- car esclarecimento para suas dúvidas com o próprio fabricante do medicamento. Entre os fatores estão: o consumo abusivo de medicamentos, falhas na farmacoterapia (que pode estar rela- cionada à má utilização do medicamento), o número elevado de especialidades farmacêuticas, o abandono do tratamento quando o paciente se sente melhor, prescrição inadequada do médico, sistema falho de saúde e outros. Estratégia e sinergia A execução de um plano estratégico exige tempo, par- ticipação das pessoas, treinamento e recursos adequa- dos, qualidade na realização dos processos e atividades, mecanismos de comunicação apropriados, infraestrutura de apoio e boa gestão das variáveis do ambiente externo. Para que a atuação do SAC origine bons resultados dentro da organização, a sinergia com outros departamentos é fun- damental. Esse alinhamento das percepções do SAC com a visão estratégica da empresa captura informações valiosas do ambiente para aperfeiçoar processos internos, lançar novos produtos, minimizar desvios de qualidade, obter dados rele- vantes de farmacovigilância. A troca constante de informações com as áreas médica, marketing, vendas, jurídica e industrial mostra que esse relacionamento é o caminho ideal para que os profissionais do front office, possam orientar o usuário de medicamentos, atendendo-o naquilo que ele tem de mais valioso: a sua vida e a sua saúde. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 139 30/06/2016 08:39:26 Gestão de Serviços – 140 – Durante muito tempo, a performance das empresas era medida por quantidade produzida. Hoje, porém, as empresas dis- põem das mesmas ferramentas tecnológicas, e a competição está baseada em inteligência, relacionamento com clientes e reputação. As indústrias farmacêuticas estão aprendendo a construir diálogos, utilizando uma linguagem adequada para orientar os consumidores, possibilitando uma otimização da farmacoterapia. A sinergia entre as áreas garante que toda a empresa esteja falando a mesma linguagem, buscando os mes- mos desafios com foco na mesma visão de futuro. O consumidor merece atenção Fazer da gestão estratégica um processo contínuo e dinâmico consiste em incorporar a estratégia ao dia a dia da empresa e fazer da execução da estratégia uma tarefa de todos. Nesse aspecto, é importante o papel de profissionais qualificados. Dependendo da linha de produtos, há necessidade de atu- ação de grupos multidisciplinares no SAC da indústria far- macêutica, como: farmacêuticos, psicólogos, nutricionistas, enfermeiros, biólogos e outros. Esses profissionais devem enfatizar a necessidade do paciente manter o tratamento, mesmo que não seja observada melhora nas primeiras semanas, além de reforçar a importância do retorno periódico às consultas. Não é raro recebermos no SAC da Organon, por exemplo, ligações e e-mails de pacientes que abandonam o tratamento assim que os “sinto- mas indesejados” desaparecem. Os profissionais do SAC têm a tarefa fundamental de cons- cientizar o paciente sobre a importância de informar ao médico toda e qualquer ocorrência durante o tratamento. Em um setor que está em constante mudança, o investi- mento em atualização é essencial. Além do conhecimento técnico sobre os medicamentos, outros treinamentos sobre legislação, assistência farmacêutica, perfil psicológico do con- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 140 30/06/2016 08:39:26 – 141 – Estratégias na operacionalização de serviços sumidor, aprimoramento em comunicação e farmacovigilância são necessários para orientar adequadamente o consumidor, promovendo o uso racional do medicamento. As indús- trias farmacêuticas têm aplicado seus esforços para que esse contato com o consumidor seja tratado como oportunidade positiva de inovação e busca de soluções para o crescimento da empresa. Diferencial Além da competência técnica, o profissional de atendimento precisa refinar-se, ampliar seus recursos de comunicação que aperfeiçoem substancialmente a qualidade de seu relaciona- mento com consumidores e colegas de equipe. Esse dife- rencial de atendimento por profissionais bem preparados é reconhecido pelos consumidores, que muitas vezes são lei- gos em assuntos farmacológicos. Nesse sentido, a falta de informação no momento da prescrição ou da dispensação pode trazer consequências indesejáveis. Os riscos de haver posologia inadequada pode levar desde a falta de efeito tera- pêutico até riscos de superdosagem. A equipe de profissionais do front office identifica os pontos principais do diálogo com o consumidor complementando seu conhecimento empírico. O suporte tecnológico é um instrumento eficiente em todos os processos de atendimento, pois estabelece uma forma mais organizada de coletar e arma- zenar os dados do consumidor, atualizar as informações, atuar como indicador de qualidade do atendimento. O médico como um importante cliente A interação médico-empresa-paciente traz informações essen- ciais para as decisões estratégicas das empresas. Quando o paciente recebe orientação e atenção, ele se sente respei- tado e relata ao médico a experiência positiva que teve ao 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 141 30/06/2016 08:39:26 Gestão de Serviços – 142 – entrar em contato com o SAC. Da mesma forma, o médico é atendido de maneira personalizada por meio de pesquisas de referências bibliográficas sobre os assuntos de interesse, envio de monografias, bulas, livros e outros materiais científicos que possam auxiliar na rotina médica. Toda estrutura de back office é oferecida aos médicos que podem conversar diretamente com os gerentes médicos da empresa para troca de experiências que envolvam conduta médica, melhores opções de tratamento e acesso a estudos clínicos atualizados. Aliada à visão estratégica da empresa e fortalecendo a relação médico-empresa-paciente está o Ser- viço de Farmacovigilância, que permite a comunicação de informações sobre segurança de medicamentos aos médicos e pacientes de modo rápido e efetivo. A farmacovigilância é a ciência e a atividade relativa à identifi- cação, avaliação, compreensão e prevenção de efeitos adver- sos ou qualquer possível problema relacionado a fármacos. Essa ciência tem como objetivo maior garantir a segurança do produto no mercado e melhorar a seleçãoe o uso racional de medicamentos pelos profissionais de saúde. O SAC é responsável pelo registro e encaminhamento de relatos de pacientes e de profissionais de saúde à área de farmacovigilân- cia da empresa. O médico é parte fundamental do sistema de farmaco- vigilância junto à indústria farmacêutica, contribuindo de forma efetiva para a avaliação dos riscos-benefícios dos tratamentos medicamentosos. Conclusão Uma das principais responsabilidades do SAC é fazer com que a estratégia se transforme em um processo sistematizado e contínuo na organização, em que as decisões tomadas estejam sempre fundamentadas nas demandas do consumidor, médi- cos e outros profissionais de saúde. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 142 30/06/2016 08:39:26 – 143 – Estratégias na operacionalização de serviços As novas tendências apontam para uma maior customização no relacionamento com consumidores, uma maior diversifica- ção dos canais de atendimento para comunicação com clientes e distribuição dos produtos, e busca de alternativas à inova- ção e ampliação do portfólio de produtos por meio de novas modalidades de negócio. Essa customização requer um método de trabalho rigoroso condicionado à atuação de profissionais bem preparados, com uma visão mais humanística, objetivando atender às necessi- dades do consumidor, valorizando-o como ser humano. O SAC da indústria farmacêutica vem dando provas de grande profissionalização, criatividade, excelência, investimentos em tecnologia e, principalmente, atenção às demandas e especi- ficidades dos clientes. Atividades 1. Porter (1999) assinala o aumento da concorrência nas empresas de serviços nas últimas décadas. Cite cinco exemplos de empresas de serviços em que você observa o aumento da concorrência. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 143 30/06/2016 08:39:26 Gestão de Serviços – 144 – 2. As empresas sofrem diversas influências do ambiente em que estão in- seridas, elevando o nível de competitividade e exigindo maior flexibili- dade para efetuar mudanças antes que os concorrentes. Nesse contexto, cite algumas variáveis macroambientais e microambientais às quais a empresa de serviços deve estar atenta e monitorando constantemente. 3. Quais são os principais elementos que devem ser avaliados ao definir a visão estratégica em serviços? Explique. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 144 30/06/2016 08:39:26 Introdução ao comportamento do consumidor Conhecer os diferentes comportamentos dos consumido- res é um fator preponderante e crucial ao atuar no segmento de serviços. Por isso, o objetivo deste capítulo é proporcionar situa- ções de ensino-aprendizagem para compreender os diferentes atores e os diferentes comportamentos dos consumidores no processo de prestação de serviços. Dessa forma, serão estudados os conteúdos, a seguir, relacionados: 2 conceitos e definições sobre o comportamento do consumidor; 2 um breve histórico do consumidor brasileiro; 2 determinantes do comportamento do consumidor; 2 a motivação e atitudes de clientes; 2 a satisfação, retenção e lealdade de clientes; 2 os desafios na conquista de clientes no mercado de serviços. 7 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 145 30/06/2016 08:39:27 Gestão de Serviços – 146 – O campo do comportamento do consumidor é vasto e amplo, pois estuda o processo de como os indivíduos selecionam, adquirem, compram, utilizam ou descartam ideias, experiências, emoções, produtos e serviços para satisfazer suas necessidades ou desejos. Na atual cultura global, os consumi- dores apreciam e procuram produtos e serviços que permitam diversificar e enriquecer as suas experiências de mundo, que são moldadas a partir das informações assimiladas com os meios de comunicação e com o universo à sua volta. O desafio das organizações, portanto, passa a ser a satisfação, a retenção e a lealdade de clientes nesse contexto. 7.1 Conceitos e definições sobre o comportamento do consumidor Os destinos das diversas empresas espalhadas no mercado são influencia- dos, em grande parte, pelas atitudes e comportamentos dos consumidores e dos clientes. Por isso, o tema comportamento do consumidor passa a ser um importante objeto de estudo para a sobrevivência e a perpetuação da empresa de serviços no mercado. De acordo com Sheth, Mittal e Newman (2008), as empresas reconhe- cem a importância de estudar, entender e interpretar o comportamento do consumidor para o êxito do seu negócio. Partindo desse pressuposto, observa- -se que o comportamento do consumidor norteará as empresas de serviços na adoção de ações e estratégias para fidelizar e captar novos clientes para o crescimento da empresa. Nessa perspectiva, Hawkins, Best e Coney (2004) e Solomon (2008) informam que o comportamento do consumidor é o estudo dos proces- sos envolvidos quando consumidores, organizações e grupos de indivíduos adquirem, compram, consomem ou descartam produtos ou serviços dispo- níveis no mercado para a satisfação de seus desejos e necessidades. Adicional- mente, Solomon (2008) comenta que os consumidores são como atores que representam vários papéis. Contudo, somente a partir da segunda metade da década de 1960 que o comportamento do consumidor tornou-se objeto de estudo relevante para a área de marketing (MOWEN; MINOR, 2003). É importante ressaltar que 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 146 30/06/2016 08:39:27 – 147 – Introdução ao comportamento do consumidor cliente e consumidor podem ser entendidos como sinônimos, no entanto, em matéria de comportamento de consumidor são dois termos que devem ser tratados distintamente pelas empresas em suas estratégias: 2 cliente – é quem compra um produto ou serviço periodicamente numa loja ou empresa, e pode ser ou não o utilizador final; 2 consumidor – é quem consome o produto ou serviço para obter o seu benefício principal, e pode ser a pessoa que toma a decisão de comprar. Como exemplo, podemos citar a esposa que compra um artigo espor- tivo para o marido, que é a cliente, e o marido, na verdade, é o consumidor, pois, de fato, é o indivíduo que consume e utiliza o produto. Ao analisar essa questão, Kotler e Keller (2006) sintetizam que as empresas precisam conhecer profundamente os hábitos dos seus clientes, para comercializar os produtos e serviços certos de modo eficaz. O conceito de comportamento do consumidor faz referência à atitude interna ou externa do indivíduo dirigida para a satisfação de suas necessida- des mediante bens ou serviços. Além disso, o ato do consumo nos introduz ao universo da economia, da Psicologia, da Sociologia, da Antropologia e de diversas outras ciências, uma vez que Kotler e Keller (2006) observam que o processo de compra do consumidor é influenciado por fatores sociais, pessoais, psicológicos e, com maior amplitude, pelos fatores culturais. Nesse contexto, Sheth, Mittal e Newman (2008) informam que o com- portamento dos consumidores são orientados pelas atividades mentais, como a análise da adequação da qualidade de uma marca de produto ou serviço em consonância com as informações veiculadas em propagandas. Os autores também ressaltam que o comportamento também é norteado pelas ativida- des físicas dos consumidores que incluem as experiências das visitas às lojas, informação e negociação com vendedores, emissão do pedido de compra e, por fim, avaliação do produto ou serviço adquirido e consumido. Em consonância, Mowen e Minor (2003) e Hawkins, Best e Coney (2004) observam que o comportamento do consumidor é definido como o estudo dos compradores e dos processos envolvidos na aquisição, no consumo e na disposição de mercadorias, serviços, experiências e ideias. Dessa forma, é 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 147 30/06/2016 08:39:27 Gestão de Serviços– 148 – primordial que a empresa desenvolva uma orientação focada no cliente, de tal modo que possa compreender seus desejos, anseios e necessidades. No contexto das empresas que atuam com serviços de massa, ou seja, atendimento para um grande volume de indivíduos é coerente que a orien- tação dos esforços seja voltada para o cliente, porém, atualmente, é prioritá- ria a orientação da empresa para as preferências e necessidades do consumi- dor final, que pode reger e definir a continuidade do consumo do produto no futuro através da fidelização. Portanto, em muitos casos, os esforços de marketing dirigem-se a ambos, cliente e consumidor. 7.2 Um breve histórico do consumidor brasileiro Notoriamente, pesquisar, analisar e explicar as mudanças do comporta- mento do consumidor brasileiro é um grande desafio para as organizações. No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor foi implantado em 1991 e a estabilidade econômica do Plano Real, criado em 1994, segundo Volpi (2007) foram fatores para que o consumidor brasileiro se tornasse mais con- sumista ao final do século XX, devido à comunicação telefônica, acesso à internet, estabilidade financeira e consciência de seu valor. Desse modo, o consumidor passou a exigir melhor atendimento. De acordo com BBC Brasil (2004), baseado no Relatório State of the World 2004 (Estado do Mundo), elaborado pelo WorldWatch Institute (EUA), o Brasil é o sétimo mercado consumidor do mundo, porém apenas 33% da população brasileira está incluída na sociedade de consumo. A classe consu- midora são as pessoas com poder de compra de mais de 7 mil dólares, ou 20 mil reais por ano. A pesquisa classifica os países com a parcela mais represen- tativa na sociedade do consumo: 1. Estados Unidos, com 242,5 milhões de integrantes, ou 84% da população do país; 2. China, com 239,8 milhões de consumidores, ou 19% da população; 3. Índia, com 121,9 milhões de consumidores, ou 12% da população; 4. Japão, com 120,7 milhões de pessoas, ou 95% da população; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 148 30/06/2016 08:39:27 – 149 – Introdução ao comportamento do consumidor 5. Alemanha, com 76,3 milhões, ou 92% da população; 6. Rússia, com 61,3 milhões, ou 43% da população; 7. Brasil, com 57,8 milhões, de consumidores, ou 33% da população. Segundo a pesquisa, o crescimento da sociedade de consumo ocorre, em maior escala, entre os países emergentes, que adotam a alimentação, os sistemas de transporte e os estilos de vida, que anteriormente eram limitados às nações ricas, como a Europa, Estados Unidos, Canadá e Japão. Os Estados Unidos, de acordo com o relatório, são os maiores consumi- dores de carne bovina, ficando o Brasil em segundo lugar. Porém, os dados indicam altos níveis de obesidade e dívidas pessoais, menos tempo livre e meio ambiente danificado, que sinalizam que o consumo excessivo está redu- zindo a qualidade de vida de muitas pessoas. Os Estados Unidos, apesar de ter apenas 4,5% da população mundial, é o maior consumidor de petróleo do mundo. O Brasil ocupa a sexta colocação. Outro dado apresentado no relatório é em relação ao consumo anual de energia e emissão de dióxido de carbono, que afirma que os Estados Unidos emitem 19,7 toneladas de dióxido de carbono anualmente por pessoa, e o Brasil emite 1,8 tonelada por pessoa. O Brasil é o quinto maior consumi- dor de energia elétrica do mundo, de acordo com dados coletados em 2000, com o consumo de 1 878 kW/hora por pessoa. Em primeiro lugar estão os Estados Unidos, com 12 331 kW/hora, seguidos de Alemanha, Coreia do Sul e Ucrânia. Na área da tecnologia, conforme a revista Exame (CASTRO, 2011), o consumidor brasileiro está entre o povo que mais consome eletrônicos em 15 categorias, de acordo com a pesquisa realizada pela Accenture nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Brasil, Rússia, China e Índia para ava- liar os hábitos de compra de artigos tecnológicos no mundo. Os resultados apontam que mais da metade dos brasileiros adquiriu um celular em 2010, superando a média internacional, que é de 32%. A pesquisa ainda revela que nas compras realizadas em 2010, os brasilei- ros superaram os demais países em relação a televisores em HD (28%), câme- ras digitais (28%), netbooks (19%), GPS (15%), leitores de música portáteis (12%) e consoles de jogos (12%). Em relação à intenção de compra, 40% dos 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 149 30/06/2016 08:39:27 Gestão de Serviços – 150 – entrevistados pretendem adquirir televisores de alta definição no ano de 2011 e 20% querem televisores com a tecnologia 3D. Enquanto isso, a expectativa mundial é 25% e 12%, respectivamente. Além disso, o Brasil assume o topo do consumo nas categorias de telefone móvel (89%), de televisores (69%) e de netbooks (32%). Na questão sobre a experiência de compra nos pontos de venda, os con- sumidores brasileiros estão bastante insatisfeitos, representando 62% dos entrevistados, superando a média internacional que é de 45%. Apenas 22% dos entrevistados classificaram o quesito rapidez de serviços na loja como “bom” ou “muito bom” e 20% afirmaram serem “excelentes” ou “muito boas” as oportunidades para experimentar produtos nas lojas, o que reflete que o atendimento, em geral, precisa ser melhorado no Brasil. No varejo, de acordo com a revista Exame (SIMON, 2010), a pesquisa Retratos do Varejo 2010, da Associação Paulista de Supermercados, realizada pela Nielsen, GFK e Kantar Worldpanel, estudou os hábitos, a satisfação e o comportamento dos consumidores, abordando 8 200 lares de todo Brasil e 73 executivos do setor. A seguir, apresenta-se os principais resultados: 2 41% dos consumidores de classe C fazem compras de carro; 2 31% dos consumidores de classe C têm cartão de crédito ou de loja; 2 a maioria dos consumidores de classe C compra mais no início do mês; 2 82% dos consumidores das classes A e B fazem compras de carro e 71% de seus gastos são direcionados ao autosserviço; 2 consumidores de classe A, B e C reaproveitam alimentos em igual proporção, assim como apresentam uma diferença de apenas 1% no controle do consumo de água; 2 65% dos consumidores da classe D e E fazem compras a pé; 2 48% dos gastos da classe D e E são destinados ao autosserviço; 2 consumidores brancos compram mais nas quartas-feiras; 2 consumidores brancos são responsáveis pelos maiores gastos em hipermercados e supermercados; 2 consumidores negros e pardos compram mais aos domingos; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 150 30/06/2016 08:39:27 – 151 – Introdução ao comportamento do consumidor 2 21% dos gastos de outras etnias são em canais alternativos como venda porta a porta, farmácias, drogarias e atacadistas; 2 outras etnias compram mais aos sábados; 2 23% das pessoas que moram sozinhas e dos casais sem filhos praticam exercícios físicos, sendo 10% a mais do que casais com filhos pequenos; 2 31% das pessoas que moram sozinhas ou de casais sem filhos pro- curam alimentos com baixo teor de gordura, contra 15% dos casais que moram com filhos pequenos; 2 casais com crianças pequenas têm uma taxa de separação de lixo para reciclagem 15% menor do que pessoas que moram sozinhas ou casais sem filhos; 2 pessoas que moram sozinhas ou casais sem filhos possuem um tíquete médio menor, mas gastam mais em grandes lojas, concen- trando suas compras no início do mês; 2 casais com crianças pequenas compram mais nas segundas-feiras; 2 casais com crianças pequenas fazem mais visitas ao ponto de venda; 2 63% dos gastos de lares com crianças pequenas são voltados ao autosserviço; 2 casais com crianças pequenas concentram-se mais na classe C; 2 pessoas que moram sozinhas ou casais sem crianças preocupam-se mais com a conservação e o reaproveitamento dos alimentos, pre- servação do meio ambiente,controle de consumo de água. Além disso, também verificam mais a lista de calorias dos alimentos; 2 casais com crianças pequenas, por sua vez, preocupam-se mais em fazer e seguir listas de compras; 2 em 2006, 74% dos consumidores estavam satisfeitos com a limpeza do local de compra. Em 2009, essa taxa caiu para 67%; 2 entre 2006 e 2009, a satisfação com a qualidade e o frescor de car- nes e aves nos locais de compra caiu 7%; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 151 30/06/2016 08:39:27 Gestão de Serviços – 152 – 2 houve um aumento de 5% no incômodo dos consumidores com a demora do atendimento no caixa de 2006 para cá; 2 12% dos consumidores acham importante ter produtos gourmet à venda, mas apenas 3% estão satisfeitos com esses produtos; 2 42% dos consumidores acham importante ter vagas especiais para idosos, mas apenas 7% estão satisfeitos com as vagas; 2 a seção de produtos para dietas especiais (diabetes, celíacos etc.) é importante para 34% dos consumidores, mas apenas 6% estão satisfeitos com os produtos; 2 a maioria dos consumidores de varejo continua insatisfeita com fatores básicos, como limpeza e organização da loja, rapidez no caixa etc., o que demonstra seu amadurecimento e o crescente nível de exigência. Esses dados revelam que os consumidores estão mudando seu perfil, o que exige uma nova postura das empresas que comercializam produtos e ser- viços. Os clientes, por exemplo, ao comprarem produtos ou serviços pela internet querem que o serviço de entrega seja rápido e eficaz. Observa-se também uma crescente mudança com a classe C, no Brasil, que passa a ter maior poder de compra, e isso significa que é um grande contingente de pes- soas que antes não consumiam e agora querem adquirir produtos e serviços. Será que as empresas de serviços estão preparadas para todas essas mudanças no comportamento do consumidor brasileiro? 7.3 Determinantes do comportamento do consumidor Existem vários fatores que influenciam o comportamento do consumidor, que pode ser gerado por influências internas e externas (HAWKINS; BEST; CONEY, 2004). No entanto, dos diversos modelos existentes para explicar as determinantes do comportamento do consumidor, Engel, Blackwell e Miniard (2000) informam que o processo de consumo é uma decisão do indivíduo que é influenciada por fatores psicológicos, pessoais e sociais, como também pode ser estimulada pelo marketing ao qual é exposto, que pode ser percebido ou não pelo consumidor. A figura 1 exemplifica o processo: 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 152 30/06/2016 08:39:27 – 153 – Introdução ao comportamento do consumidor Figura 1 – Processo de consumo e resultados da decisão de compra. ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000. Estímulos • Dominado pelo profissional de marketing • Outros Processamento das informações Exposição Atenção Compreensão Memória Busca Interna Processo de decisão Variáveis que influenciam a decisão Reconhecimento da necessidade Busca Avaliação de alternativa pré-compra Compra Consumo Resultados Busca externa ENTRADA Aceitação Retenção Influências ambientais • Cultura • Classe social • Influências pessoais • Família • Situação Diferenças individuais • Recursos do consumidor • Motivação e envolvimento • Conhecimento • Atitudes • Personalidade, valo- res e estilo de vidaInsatisfação Satisfação Desse modo, o indivíduo está exposto a diversas variáveis que podem influenciar a sua decisão. Ou seja, é fundamental conhecer o consumidor para que a variável externa possa influenciá-lo. Porém, Sheth, Mittal e Newman (2008) projetam três papéis do consumidor como sendo o usuário, o pagante e o comprador, e destaca que a conduta do cliente é extremamente dinâmica e apresenta alguns determinantes do comportamento dos consumidores: 2 contexto de mercado – economia, políticas governamentais e tecnologia; 2 características de mercado – clima, topografia e ecologia; 2 contexto pessoal – cultura, grupos de referência e valor pessoal; 2 características pessoais – genética, raça, gênero, idade e personalidade. Em grande parte, o comportamento do consumidor é influenciado pela sua cultura, ou seja, pelos seus valores, hábitos e crenças. Schiffman e Kanuk (2000, p. 324) destacam que a cultura refere-se ao “somatório de crenças, valores, ideias e outros símbolos importantes que auxiliam os indivíduos a se comunicar, interpretar e avaliar.” Mattar (2011, p. 104) acrescenta que a 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 153 30/06/2016 08:39:27 Gestão de Serviços – 154 – cultura “inclui o pensamento, o conhecimento, as crenças, as artes, a moral, os costumes, os hábitos e capacidades adquiridos pelos seres humanos”. Por outro lado, as subculturas são subdivisões da cultura com base em alguma característica semelhante e na qual os indivíduos compartilham padrões semelhantes de valores e comportamentos. As principais tipologias são abordadas por Hawkins, Best e Coney (2004) e Sheth, Mittal e Newman (2008), conforme segue: 2 faixa etária – os diferentes ciclos de vida do indivíduo revelam orientações e padrões de consumo diferenciados. Na infância (0 a 12 anos) ocorre a fase de construção das experiências sensoriais, experimentação concreta e a relação eu-mundo. Na adolescência, a ocorrência de crises instiga o indivíduo a socializar-se com a sua tribo ou grupo de referência, consumindo os produtos e serviços desses elementos. Na fase adulta, a demonstração das conquistas pessoais, visibilidade social e identidade favorecem o consumo de bens visíveis, construção da família e a busca pelos desejos próprios. Na velhice, a fase da maturidade explicita o consumo de produtos e serviços que apelam para a qualidade de vida e relacionamentos; 2 gênero – os papéis masculinos e femininos revelam diferentes formas e focos de consumo. O sexo feminino tem características como fragilidade, dependência, maternidade e afetividade, e o sexo masculino tem características como força, conquista, provedoria e racionalidade. A diminuição da renda aumentou o número de mulheres trabalhadoras e também a participação dos homens nas tarefas familiares. Ocorre maior interesse pela forma física, educa- ção, acompanhamento dos filhos e empenho em harmonizar lazer e trabalho; 2 nacionalidade – os países apresentam diferentes valores. Os Esta- dos Unidos valorizam os confortos modernos e bens materiais que inspiram prazer, entretenimento e informação. Na Canadá, os con- sumidores privilegiam o conhecimento, a coletividade e os relacio- namentos sociais; 2 classes sociais – as classes sociais possuem uma diversidade de valo- res, comportamentos, hábitos e atitudes entre os seus membros, 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 154 30/06/2016 08:39:27 – 155 – Introdução ao comportamento do consumidor que variam em rendimento financeiro, valores, visão de mundo e nível de educação e escolaridade dos indivíduos. Por isso, revelam diferentes estilos de vida e diferentes hábitos de consumo de pro- dutos e serviços; 2 ocupacional – as ocupações dos consumidores tendem a explicar diferentes hábitos e comportamentos de consumo. Professores, por exemplo, consomem mais livros e procuram por serviços ampara- dos no conhecimento, esportistas direcionam boa parte dos seus recursos em práticas esportivas e em produtos e serviços alusivos aos mesmos. Desse modo, a identificação dos aspectos culturais e subculturais dos consumidores são fundamentais para que a empresa possa utilizar e aplicar essas informações nas estratégias de condução do seu negócio. Porém, exis- tem outros determinantes ambientais que influenciam no comportamento do consumidor e afetam as decisões de compra ou de consumo de produtos e serviços, e que dependem docontexto de mercado e das características parti- culares de cada mercado, conforme Sheth, Mittal e Newman (2008): 2 clima – característica de mercado na qual o tempo influencia no cotidiano e no desenvolvimento da cultura humana. De modo geral, o consumo de Coca--Cola é menor nos países de baixa tem- peratura comparado aos de temperaturas mais elevadas. Na Suíça, por exemplo, o povo consome, em média, duas garrafas por mês e, no México, consome 30 garrafas por mês. Adicionalmente, em dias frios existe uma procura maior por bebidas quentes ou produ- tos que aquecem o ambiente da casa, como aquecedor elétrico e cobertor. Do mesmo modo, em dias de chuva existe uma procura maior por serviços de táxi e de telentrega. O clima afeta o consumo de acordo com as necessidades de alimentação, abrigo e vestuário do ser humano; 2 topografia – característica de mercado na qual as condições do terreno, altitude e solo influenciam no consumo de produtos e ser- viços. As diferentes demandas requerem a utilização de diferentes estratégias de marketing regional. Em locais com pistas de ciclismo e topografia facilitadora existe um maior número de ciclistas. Os seguros também têm maior consumo em locais com condições 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 155 30/06/2016 08:39:27 Gestão de Serviços – 156 – topográficas propícias a enchentes e vendavais. Os consumidores que vivem ao redor de lagos e rios possuem maior consumo de peixe, que é o seu principal alimento; 2 ecologia – característica de mercado, pois existem evidências de que, à medida que cresce a industrialização, aumenta o aqueci- mento global. A destruição da camada de ozônio, causada pelo uso de latas de aerossol e alguns sistemas de condicionamento de ar e refrigeração, afeta a filtragem dos raios ultravioletas do sol que prejudicam o ser humano. Os veículos poluem o ar, por isso alguns consumidores restringem o uso de veículos e optam por ficar em casa, assistir televisão ou ler em vez de jantar fora ou ir ao cinema; 2 economia – característica de contexto de mercado que reflete no consumo de câmbio, disponibilidade de renda, juros e financia- mentos. É a situação de um país com relação à empregabilidade, salários, inflação, taxas de juros e à renda do núcleo familiar. Os consumidores situados em climas econômicos desfavoráveis ten- dem a adiar o consumo de bens duráveis, como imóveis, veículos e eletrodomésticos. Em serviços, podem restringir ou deixar de rea- lizar viagens, visitas a dentistas, ou mesmo de serviços de cabelei- reiro. A consideração econômica de um país, portanto, estimula ou inibe os gastos dos consumidores, limitando os gastos aos itens de consumo essenciais; 2 política governamental – característica de contexto de mercado que se deve às políticas públicas (restrições ou obrigações de esco- lha, proteção do consumidor) e políticas fiscais e monetárias (taxas de juros, leis tributárias e programas de gastos). O governo pode regular o grau de importação ou exportação de produtos, através de tarifas para regular ou reduzir a importação ou benefícios fiscais para incentivar as exportações. As decisões de compra de imóveis e veículos são influenciadas pela prática das taxas de juros. O governo pode sancionar leis que influenciam no comportamento de con- sumidores, bem como pode controlar o consumo de produtos e serviços em locais públicos, como cigarro, bebida e jogos; 2 tecnologia – característica de contexto de mercado influenciada pelas ofertas de produtos e serviços que são disponibilizados para 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 156 30/06/2016 08:39:27 – 157 – Introdução ao comportamento do consumidor o consumidor. É o consumo de produtos e serviços que aumentam a qualidade de vida dos consumidores. As revoluções tecnológicas poderão mudar significativamente o comportamento dos consu- midores. A tecnologia molda o comportamento do cliente através de mecanismos: maior acesso à informação (internet, TV a cabo), inovações em produtos e serviços (computador, micro-ondas, livra- rias eletrônicas), produtos e serviços personalizados (calças jeans sob medida para mulheres, da Levi Strauss) e maior flexibilidade e con- trole (serviços bancários podem ser feitos em qualquer lugar a qual- quer hora durante as 24 horas do dia). É importante destacar que o consumo de um produto ou serviço pode ser realizado de maneira totalmente planejada, parcialmente planejada ou de maneira não planejada. Entretanto, o comportamento do consumidor é um estudo fascinante e essencial, pois algumas informações e detalhes são funda- mentais para o êxito do produto ou serviço no lançamento em um mercado tão competitivo e dinâmico. 7.4 A motivação e as atitudes de clientes Ao estudar o comportamento humano é importante analisar as razões ou os motivos que levam um indivíduo a consumir bens ou serviços, pois o comportamento do consumidor é motivado por um fator interno ou externo. O indivíduo passa a ter uma necessidade e uma tensão que gera um compor- tamento ou ação rumo à satisfação de seu desejo. A figura 2 ilustra as etapas que motivam os indivíduos a consumirem: Figura 2 – Etapas do ciclo motivacional. Fonte: MAXIMIANO, 2002; CHIAVENATO, 2005. Adaptado. Necessidade Estímulo ou incentivo Satisfação Comportamento ou ação Tensão Equilíbrio 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 157 30/06/2016 08:39:27 Gestão de Serviços – 158 – Entretanto, cada indivíduo poderá ter um comportamento diferente ao ser motivado por objetivos, ou, ainda, por um processo de frustração, dese- quilíbrio ou uma crise interna. Do mesmo modo, poderá estar modificando seu comportamento em detrimento de suas necessidades, desejos, vontades ou objetivos. Porém, poderá também receber estímulos visuais que o farão consumir. A figura 3 explica como ocorrem as motivações no comporta- mento humano: Figura 3 – Motivações do comportamento humano. MOTIVO OBJETIVO • Necessidades • Estímulos • Impulsos • Carências • Vontades • Desejos • Desconfortos • Objetivos • Frustração • Desequilíbrio • Crise AÇÃO COMPORTAMENTO Fonte: MAXIMINIANO, 2002; CHIAVENATO, 2005. Adaptado. Desse modo, o comportamento sempre terá uma causa, que foi gerada por um estímulo ou incentivo. Porém, existem diversos fatores que influen- ciam o comportamento do consumidor. O tempo ou o clima, por exemplo, afeta a demanda do cliente em relação a vários produtos ou serviços. Em dias de chuva, percebe-se maior demanda de telentrega em restaurantes no horá- rio do almoço, ocasionada, por exemplo, pelas solicitações dos colaboradores das empresas que preferem permanecer no ambiente de trabalho, sem se des- locar para a sua casa ou a algum restaurante. Porém, desde que nascemos temos desejos e necessidades que precisamos satisfazer. Maslow apud Chiavenato (2005) afirma que o comportamento é cíclico e dinâmico e mostra que existe uma hierarquia das necessidades huma- nas que influenciam no comportamento humano (figura 4), e, portanto, no consumo de produtos e serviços: 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 158 30/06/2016 08:39:27 – 159 – Introdução ao comportamento do consumidor Figura 4 – Necessidades de Maslow. Fonte: CHIAVENATO, 2005. Adaptado. Fisiológicas Segurança Sociais Estima Autorrealização • Alimento/água • Repouso/sono • Abrigo • Sexo • Segurança • Proteção contra: • Perigo • Doenças • Incerteza • Desemprego • Relacionamento • Amizade • Aceitação • Afeição • Compreensão • Consideração • Satisfação do ego • Orgulho • Status e prestígio • Autorrespeito • Reconhecimento • Confiança • Progresso • Apreciação • Admiração dos colegas • Autorrealização • Autodesen- volvimento • Excelência pessoal • Competência • Expertise • Crescimento • Educação• Passatempos A teoria de Maslow, de acordo com Chiavenato (2005), argumenta que as necessidades não satisfeitas geram um comportamento, induzindo um indivíduo para a busca de suas satisfações ou desejos. Além disso, cada pessoa tem suas necessidades específicas de acordo com as suas experiências, sendo que primeiramente o indivíduo parte em busca de suas necessidades fisioló- gicas (comida, sono etc.), depois passa para as necessidades de segurança, e assim por diante. À medida que as necessidades primárias são satisfeitas, o indivíduo passará a buscar as necessidades mais elevadas, modificando seu comportamento e suas atitudes frente ao consumo. No entanto, além da motivação, as atitudes dos consumidores refletem na maneira de consumir produtos ou serviços. A atitude, segundo Solomon (2008, p. 254), é uma “avaliação duradoura e geral das pessoas” em relação a produtos, serviços ou propagandas. Nesse contexto, Solomon (2008) apre- senta a teoria funcional das atitudes, elaborada pelo psicólogo Daniel Katz, que explica que os indivíduos podem ter uma atitude diferente para o mesmo produto ou serviço por diferentes razões. As funções de atitude defendidas por Katz são: 2 função utilitária – os produtos ou serviços podem oferecer dor ou prazer. Se um consumidor aprecia o gosto ou sabor de uma torta de limão, ele desenvolve uma atitude positiva em relação às tortas. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 159 30/06/2016 08:39:27 Gestão de Serviços – 160 – Os anúncios de marketing podem utilizar os apelos utilitários da função sabor para enfatizar os benefícios de produtos; 2 função expressiva de valor – as atitudes expressivas de valor são relevantes para o estilo de vida do consumidor, nas quais cultivam um conjunto de interesses, atividades e opiniões para expressar uma identidade social. Por exemplo, que tipo de consumidor lê a revista Veja?; 2 função defensiva do ego – são as atitudes que formamos que nos protegem de ameaças ou sentimentos internos, como as campanhas publicitárias que enfatizam o constrangimento de ser flagrado com caspa ou com odor de suor em público; 2 função do conhecimento – são as atitudes formadas devido à necessidade de ordem, estrutura ou significado. Por exemplo, adquirir um novo produto da marca Nestlé, que é uma marca já conhecida e aprovada pelo consumidor. Os cenários ou as tendências de futuro dos consumidores também são importantes, pois proporcionam informações sobre o comportamento futuro e podem ser utilizadas, por exemplo, em campanhas políticas. Do mesmo modo, as mudanças sociais afetam as atitudes dos consumidores, como a legalização dos divórcios, por exemplo, que facilita a atitude e decisão sobre essa questão. Portanto, a atitude é uma predisposição para analisar ou usar um pro- duto ou serviço que pode ser tanto positiva como negativa, formada com base nas crenças, no afeto e nas intenções comportamentais do indivíduo. Porém, as atitudes tendem a mudar de acordo com o ciclo de vida ou envelhecimento dos consumidores. 7.5 A satisfação, retenção e lealdade de clientes A percepção sobre a satisfação dos clientes é um indicador fundamental para a competitividade e sobrevivência das empresas de serviços. Desse modo, deverá ser destinada atenção especial aos serviços oferecidos, pois os consumi- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 160 30/06/2016 08:39:27 – 161 – Introdução ao comportamento do consumidor dores satisfeitos provavelmente retornarão e utilizarão novamente os mesmos. De acordo com Zeithaml e Bitner e Gremler (2011), uma organização de serviços deve preocupar-se com o desempenho de todos os serviços, avaliando e valorizando a percepção e o sentimento dos seus clientes, com o objetivo de proporcionar a satisfação geral aos mesmos. A satisfação, definida por Bateson e Hoffman (2001) e Lovelock e Wri- ght (2005), é uma reação emocional ao desempenho específico do serviço recebido; assim como a qualidade é uma avaliação individual de acordo com as experiências anteriores de serviços recebidos pelo consumidor. Em outras palavras, o cliente pode sentir-se satisfeito ou não com o serviço recebido. Desse modo, o marketing de relacionamento baseado na satisfação e na confiança do consumidor vem crescendo fortemente. Berry (2001) afirma que, em serviços, a confiança disponibilizada pelo relacionamento é uma fer- ramenta útil e eficaz para a empresa. Nesse sentido, a confiança é a chave determinante do compromisso nas relações entre a empresa e o consumidor, bem como é um elemento essencial na construção da lealdade em longo prazo com os consumidores. Podemos citar como exemplo que o fato de termos confiança em nosso cabeleireiro, na forma como ele efetua o corte em nossos cabelos, no atendi- mento prestado e, por fim, na qualidade que percebemos em seus serviços, é o que nos faz retornar diversas vezes ao mesmo profissional. O médico é outro exemplo, especialmente nas especialidades como pediatria e ginecologia, que requerem retornos frequentes ao consultório. Nessa perspectiva, Reichheld (2002) observa que para ganhar a lealdade dos consumidores, é necessário ganhar a confiança deles. Apesar de reconhe- cer o significado da confiança na construção do relacionamento com clientes, poucos estudos exemplificam os comportamentos e práticas nas empresas, e a maioria tem focalizado as consequências de perceber a confiança nos resulta- dos, como lealdade e cooperação. No entanto, Lovelock e Wright (2005) comentam que as falhas existentes no serviço podem afetar as percepções dos clientes sobre a qualidade e também afetar negativamente o êxito do serviço. Porém, se os colaboradores identificarem e solucionarem o problema dos clientes, mesmo quebrando procedimentos de rotina da empresa, eles conseguem reduzir o impacto da frustração do cliente e muitas vezes torná-lo fiel a empresa. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 161 30/06/2016 08:39:27 Gestão de Serviços – 162 – Os elementos-chave da confiança, conforme Mayer e Schoorman (1995) são as práticas, competências, características e habilidades existentes entre o relacionamento na prestação do serviço. No entanto, Morgan e Hunt (1994) definem a confiança como a existência de confiabilidade e integridade na troca com um parceiro, ou seja, é necessária transparência e ética no relacio- namento com consumidores. Em outras palavras, o marketing de relacionamento é a capacidade de atrair, manter e ampliar os relacionamentos com os clientes (GRÖNROOS, 2004; GUMMESSON, 2005; BERRY, 2001). Adicionalmente, Kotler (2000) argumenta que as empresas devem objetivar a construção de relacio- namentos de longo prazo, para obter lucro. O marketing de relacionamento, conforme Grönroos (1994), resulta na diminuição dos custos, ao longo do tempo, para o cliente e a empresa. Por isso, o relacionamento proporciona a retenção de clientes e seus respectivos benefícios, e é um elo que reforça a influência da satisfação, na retenção e lealdade dos clientes. Do mesmo modo, nas empresas de serviços a prática da confiabilidade e do comprometimento conduzem à retenção e à lealdade de clientes e, por- tanto, a prática efetiva da qualidade dos produtos ou serviços proporciona a satisfação e lealdade dos clientes e, consequentemente, o aumento da lucrati- vidade das empresas. Autores como Kotler (2000) e McKenna (1992) reforçam que a chave da retenção é a satisfação dos clientes e ressaltam que os clientes satisfeitos permanecem leais por mais tempo, falam favoravelmente da empresa e de seus serviços, são menos perceptíveis à concorrência, permitem uma rotina no atendimento, diminuindo os custos, compram novos serviços ou serviços aperfeiçoados pela empresa e oferecem novas ideias à empresa, percebendo-se como um ser participante do processo. Por outro lado,na atualidade, é inegável a forte influência de mudança de valores no consumo pelos clientes, principalmente com relação a troca constante de produtos, marcas e serviços, propiciada pela diversidade de ofer- tas no mercado. Atualmente, a atuação profissional exige um perfil proativo e aberto às mudanças e novidades no ambiente de trabalho. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 162 30/06/2016 08:39:27 – 163 – Introdução ao comportamento do consumidor Portanto, a retenção de clientes é percebida como a chave para o sucesso no mercado do novo milênio, no qual os clientes representam uma continui- dade de receitas e refletem o valor individual do cliente ao longo do tempo, reforçando a ideia que quanto mais tempo o consumidor adquirir de uma empresa mais dependente se tornará dos produtos ou serviços. 7.6 Os desafios na conquista de clientes no mercado de serviços Historicamente, até a década de 1990, as empresas preocupavam-se basicamente com seus produtos e o marketing era praticado para o público em massa. Nessa época, o cliente corria atrás das empresas. Por isso, o aten- dimento era considerado reativo e os esforços de marketing eram orientados especificamente para a conquista de novos clientes no mercado. Porém, com a evolução da tecnologia da informação em todas as áreas, os produtos cada vez mais similares e os clientes, mais exigentes, o foco das empresas passa a ser orientado para o cliente, e o marketing concentra esfor- ços para os relacionamentos individuais, para reter clientes e aumentar os negócios (KOTLER; KELLER, 2006). Em síntese, a empresa deve transfor- mar o consumidor em cliente, tratando-o como indivíduo, com necessidades entendidas e atendidas. Atualmente, estamos na era da interação, por isso é importante interagir e relacionar-se com os clientes atuais, os ex-clientes, os clientes da concor- rência, os consumidores e os clientes internos. Do mesmo modo, a empresa de serviços deve captar novos clientes, tentar efetuar vendas maiores para os clientes antigos e atuar para conseguir reter os clientes de maior valor. É sempre desejável e muito importante tratar os clientes para que se sintam especiais e únicos. Nessa perspectiva, é inegável a importância do marketing de relaciona- mento no atual cenário mercadológico, onde diferenciais competitivos são fundamentais para a sobrevivência das organizações. Ressalta-se, nesse con- texto, a importância de conhecer os aspectos culturais e os valores que nor- teiam as necessidades de uma empresa, uma cidade, um estado ou um país, para negociar continuamente com esses clientes. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 163 30/06/2016 08:39:27 Gestão de Serviços – 164 – Estratégias bem-sucedidas do marketing de relacionamento, em especial a lealdade, têm como objetivo específico a retenção dos clientes, evitando que passem para a concorrência. A lealdade, advinda da satisfação do consumidor, de acordo com Berry (2001), é a base de todos os relacionamentos signifi- cativos formados pela competência e honestidade e pelo valor que o cliente percebe na conexão emocional ao receber o serviço prestado. Adicionalmente, Zeithaml, Rust e Lemon (2001) assinalam que a chave para criar o valor da retenção é fortalecer os diversos aspectos da relação que são importantes e significativos para o cliente, levando em consideração que os clientes procuram atenção e reconhecimento e que os custos de mudança percebidos pelo consumidor são altos. A empresa de serviço deve criar e proporcionar afinidades, aumentando o valor da retenção, através do fortalecimento da conexão emocional do cliente com a organização. Souki (2006, p. 38) afirma que uma experiência de compra na qual as expectativas sejam superadas marcará para sempre a memória do cliente. Hoffman et al. (2010) dizem que é preciso ouvir e pes- quisar o cliente. Conclui-se que o marketing de relacionamento estende-se nas mais diver- sas áreas do setor de serviços e é um componente importante nas decisões estratégicas, criando vantagens competitivas para as organizações. Em essên- cia, na conquista e retenção de novos clientes, é importante que o consumidor sinta a necessidade de recomprar o serviço oferecido, ou seja, é preciso que ele se sinta encantado com o serviço recebido pela empresa, ou ainda que sinta um grau de comprometimento e de valor pelo serviço prestado que recebeu. Ampliando seus conhecimentos O segredo da fidelidade dos clientes (SIQUEIRA, 2010) Procuro ser sempre um cliente fiel, mas raramente sou cor- respondido. Seja para comer uma pizza, tomar um sorvete, café ou chope, quase sempre procuro os mesmos lugares. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 164 30/06/2016 08:39:27 – 165 – Introdução ao comportamento do consumidor Mesmos lugares é um modo de dizer. As mesas, cadeiras e equipamentos são os mesmos; os atendentes são sempre caras novas. Na sua maior parte são jovens num emprego tran- sitório e mal remunerado. São rápidos, educados e eficientes, mas geralmente frios e distantes. O produto pode ser bom e o atendimento correto, mas falta aquele toque humano que faça o cliente se sentir em casa. Você dirá: é a vida moderna, tudo muito rápido e transitório. Eu digo: isso é uma desculpa esfarrapada, e pode ser diferente. Toda vez que penso sobre a qualidade dos serviços que rece- bemos, lembro-me de George, um empresário nova-iorquino que conheci há alguns anos. Ele tinha uma empresa fornece- dora de peças sobressalentes para equipamentos de mine- ração e ferrovias. Ele sempre tinha aquelas peças difíceis de serem encontradas e cumpria o que prometia. Embora tivesse negócios com ele há muito tempo, não o conhecia pessoal- mente. Numa ocasião, passando por Nova York, combina- mos uma visita para nos conhecermos. Fiquei impressionado com suas instalações e a dimensão de sua empresa, com clien- tes em todos os continentes. Ao elogiar sua empresa, ele respondeu: isso aqui não é meu principal negócio. Só mantenho esse negócio de exportação porque me dá um status de empresário internacional; tenho outro muito mais lucrativo, que vou lhe mostrar depois do almoço. Durante o almoço, ele me falou sobre o outro bem- -sucedido negócio herdado de seu pai, uma rede de lojas de produtos baratos, espalhadas pelos distritos mais popu- lares, como Queens, Bronx e Brooklyn. Depois do almoço, circulamos por esses bairros para conhecer algumas lojas. Vi um atendimento que parecia mais um relacionamento entre amigos do que uma transação comercial. Numa rua do Brooklyn, ele estacionou o carro e ficamos por algum tempo observando o movimento. Ele apontou um jovem que estava entrando na loja e disse: esse garoto 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 165 30/06/2016 08:39:27 Gestão de Serviços – 166 – está indo à loja para comprar alguma coisa para ele, ou um presente para alguém como sua mãe ou namorada. Ele será atendido por uma pessoa que ele conhece e confia. Não o conheço mas, certamente, não é a primeira vez que ele entra na loja. Ainda criança ele frequentava a loja na companhia de seus pais, onde sempre foram bem recebidos; a loja fez parte de sua infância e fará parte de sua vida. Quando ele se casar e for pai, seus filhos o acompanharão nas suas visitas à loja, criando uma rede de clientes fiéis por várias gerações. Qual o segredo, perguntei? O segredo, respondeu, está em criar um ambiente em que as pessoas se sintam queridas e à vontade. Para isso você tem que ter empregados que também se sintam valorizados, queridos, seguros e recompensados pela sua dedicação. Somente recrutamos pessoas que gostam de pessoas, que residam na vizinhança e amem seu bairro e sua comunidade. Para elas, o emprego é mais do que uma fonte de renda, é também uma oportunidade de fazerem ami- gos e se sentirem importantes dentro da comunidade.Dê um sentido maior ao seu trabalho, elas amarão os clientes e os clientes amarão a empresa. Deu um sorriso e complementou: e ficarei cada vez mais rico. Na despedida ele me disse: hoje à noite você volta para o Brasil, mas estou certo de que nunca esquecerá o que viu aqui. Ele estava totalmente certo, lembro- -me do George sempre que sou atendido por alguém que não ama o seu trabalho e está ali de passagem. E isso está se tornando a regra ao invés de exceção. Atividades 1. Descreva as diferenças entre cliente e consumidor. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 166 30/06/2016 08:39:27 – 167 – Introdução ao comportamento do consumidor 2. De acordo com Sheth et al. (2008), quais os determinantes para o comportamento do consumidor? 3. No processo de consumo, o indivíduo passa a ter uma necessidade e uma tensão que gera um comportamento ou ação rumo à satisfação de seu desejo. Quais são as etapas que motivam os indivíduos a con- sumirem, conforme Maximiano (2002) e Chiavenato (2005)? 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 167 30/06/2016 08:39:27 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 168 30/06/2016 08:39:27 A administração dos recursos humanos em serviços Este capítulo visa proporcionar situações de ensino-apren- dizagem para compreender a importância dos recursos humanos no processo de relacionamento com os consumidores nas empresas que atuam com serviços. Dessa forma, serão estudados e aprofundados os seguintes conteúdos: 2 a importância dos colaboradores na administração de serviços; 2 o papel do pessoal da linha de frente em serviços; 2 as principais fontes de conflitos com colaboradores e clientes; 2 a administração de colaboradores de serviços; 2 o recrutamento e seleção de recursos humanos em serviços; 2 o papel da cultura e liderança em serviços. 8 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 169 30/06/2016 08:39:28 Gestão de Serviços – 170 – Nas organizações de serviços, os recursos humanos desempenham um papel fundamental, especialmente aqueles que possuem um contato direto com o consumidor. Nesses momentos, o cliente experimenta diversas emo- ções e chega a várias conclusões sobre a qualidade dos serviços que recebe. Portanto, o cliente em cada oportunidade de encontro com a linha de frente perceberá e emitirá um julgamento sobre a prestação de serviços, razão pela qual a empresa de serviços deve investir fortemente seus esforços para edifi- car uma cultura sólida, transparente e homogênea rumo à satisfação de seus clientes (SHETH; MITTAL; NEWMAN, 2008; ZEITHAML; BITNER; GREMLER, 2011). 8.1 A importância dos colaboradores na administração de serviços Atualmente, como consumidores, temos diversas empresas de servi- ços à nossa disposição. Se alguma delas falhar no processo de atendimento, automaticamente passamos para outra que nos atenderá melhor. Inclusive, em muitos casos, já não somos fiéis a um único estabelecimento por diver- sas razões, entre as quais podemos citar a elevada concorrência, localização, ambiente, facilidade de estacionamento, flexibilidade de horários, ou ainda, oferta de serviços adicionais como a telentrega, entre outros. Esse cenário nos reporta a uma afirmação latente e estratégica na presta- ção de serviços: como consumidores, somos cada vez mais exigentes, e sim- plesmente esperamos que as empresas e os profissionais nos atendam cada vez melhor e satisfaçam as nossas expectativas rapidamente, com qualidade e com preço adequado. Entretanto, conforme a revista Exame (CASTRO, 2011), 67% dos consumidores brasileiros estão bastante insatisfeitos com o atendimento que recebem nos pontos de venda do varejo, evidenciando que o atendimento, em geral, precisa ser melhorado e aperfeiçoado. Aliado a isso, a maioria dos con- sumidores de varejo continua insatisfeita com fatores básicos, como a rapidez no caixa e a limpeza e organização da loja, serviços que são essencialmente executados pelos recursos humanos da empresa de serviços e que refletem na satisfação dos clientes (CASTRO, 2011). 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 170 30/06/2016 08:39:28 – 171 – A administração dos recursos humanos em serviços Em outras palavras, a cultura da empresa deve ressaltar e destacar a importância do papel das pessoas dentro das empresas, pois em serviços os colaboradores representam um diferencial sobre os concorrentes, uma vez que o produto em si qualquer empresa poderá apresentar. Porém, o serviço irá se diferenciar de acordo com a motivação das pessoas em bem atender e relacionar-se com o cliente. Desse modo, a prática da melhoria da qualidade existe se, na cultura da empresa, for divulgada e disseminada a importância em sempre melhorar o atendimento ao cliente. A questão da motivação das pessoas relaciona-se em acender e manter alta a chama da disposição para fazer, dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, o que precisa ser feito para propi- ciar momentos agradáveis e de satisfação ao cliente. E isso deve fazer parte da cultura e do jeito de ser da empresa. Ao analisar esses cenários, podemos afirmar que os processos de melho- ria da qualidade em serviços implicam novas posturas das pessoas, com equi- pes motivadas e com disponibilidade em sempre melhor atender os clientes. Porém, isso exige que as organizações invistam em desenvolvimento e capa- citação para ter colaboradores de alto impacto, que apresentam excelentes habilidades de relacionamento, de comunicação, além de terem boa habili- dade de venda. Notoriamente, envolver a empresa em ações rápidas e de curta dura- ção não é necessariamente fácil, mas mantê-la comprometida e engajada, a longo prazo, é um desafio permanente e crucial para as empresas que buscam melhorar a sua competitividade em serviços. A atual ênfase na racionaliza- ção e sistematização do trabalho, com vistas a atender uma grande demanda voltada para a melhoria da qualidade e produtividade, a custos cada vez mais reduzidos, tem levado diversas organizações a comprometerem o processo de desenvolvimento de seu pessoal. Entretanto, uma empresa de serviços essencialmente dependerá do desempenho do seu pessoal. Berry e Parasuraman (1992) ressaltam que um serviço é considerado um desempenho e notadamente é difícil separar o desempenho de serviços das pessoas. Albrecht e Zemke (1992) apresentam o triângulo do serviço, no qual citam três características fundamentais para as organizações que buscam a excelência em serviço: 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 171 30/06/2016 08:39:28 Gestão de Serviços – 172 – Figura 1 – Triângulo do encontro de serviços. Estratégia de serviço Sistemas CLIENTE Pessoal da linha de frente Fonte: ALBRECHT; ZEMKE, 1992. Adaptado. Essas três características, se bem desenvolvidas e praticadas pela orga- nização, asseguram a excelência na prestação de serviços ao consumidor. A estratégia canaliza a atenção de toda empresa para as prioridades e necessi- dades do cliente. Os recursos humanos, por sua vez, devem manter o foco para superar a expectativa do cliente, e os processos e o sistema apoiarão a realização das atividades que servem os clientes. Cada uma das etapas do ciclo de serviço se constituirá na hora da ver- dade, e vai ser fundamental para garantir uma boa impressão que o cliente terá da organização. Em cada momento do ciclo, o cliente entra em contato com um aspecto da empresa. Por fim, cabe à gestão da empresa o papel decisivo de estar constantemente monitorando a execução dos serviços e oferecer apoio em todos os momentos para ofertar a excelência no atendi- mento ao cliente. Embora muitas empresas acreditem que tenham o melhor atendimento da cidade, rapidamente são desmentidas pelos seus clientes. Portanto, inicial- mente a empresa precisa se dar conta que precisa evoluir, emsegundo lugar, propiciar treinamento e ferramentas para que o funcionário tenha êxito no atendimento aos clientes, e, em terceiro lugar, oferecer valorização e recom- pensas justas aos colaboradores. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 172 30/06/2016 08:39:28 – 173 – A administração dos recursos humanos em serviços 8.2 O papel do pessoal da linha de frente em serviços A atuação dos processos de serviços é ampla e diversificada. Assim, é importante ressaltar que a prestação de serviços não inclui somente pessoas que trabalham nas empresas de serviços, como em hotéis e bancos, mas tam- bém as pessoas que prestam serviços dentro de indústrias como advogados e seguranças. Ou seja, o pessoal de linha de frente poderá atuar diretamente na empresa ou em pontos externos contratados. Além disso, os serviços possuem características diversas, entre as quais a localização geográfica da oferta do serviço é um aspecto relevante. Por exemplo, a distância física do escritório principal poderá determinar que a atividade será realizada por pessoal de serviço externo ou terceirizado, que muitas vezes não estão sob supervisão direta da empresa e podem agir de maneira não condizente com os objetivos organizacionais (HOFFMAN et al., 2010, p. 126). Fitzsim- mons e Fitzsimmons (2005) e Berry (2001) sugerem que as empresas de servi- ços ofereçam expectativas superiores aos seus clientes, mas para isso precisam investir fortemente no treinamento dos seus colaboradores. Isso evidencia que ao mesmo tempo em que é necessário satisfazer os clientes, é necessário deixar os colaboradores satisfeitos, pois, de acordo com Hoffman et al. (2010) e Bateson e Hoffman (2001), a satisfação dos clientes e dos colaboradores está intrinsecamente relacionada. No entanto, na prática, percebe-se que o profissional de serviços não é remunerado adequadamente, ou ainda, na visão de Hoffman et al. (2010) é mal pago, apesar de realizar atividades complexas. Como exemplo, na área da saúde os enfermeiros são os responsáveis pelo maior cuidado e zelo ao paciente e recebem o menor salário. Do mesmo modo, na educação, os professores são os maiores responsáveis pela educação e interação com os alunos e são mal remunerados. Evidentemente, não causa espanto que a rotatividade e troca de colaboradores em serviços seja elevada. Em serviços, a área de linha de frente, que atenderá os clientes em pri- meira instância, precisa estar mais preparada que a área de apoio. No entanto, apesar das diferenças e das atividades distintas, a linha de frente e a linha de apoio da empresa de serviços precisam estar alinhadas em prol da satisfação 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 173 30/06/2016 08:39:28 Gestão de Serviços – 174 – do atendimento ao cliente (TEBOUL, 2008). Desse modo, atuar na linha de frente oportuniza elevado contato com os clientes, mas alguns consideram esse serviço uma atividade entediante, estressante e repetitiva (FITZSIM- MONS; FITZSIMMONS, 2005; LOVELOCK; WIRTZ, 2007). A área de frente é responsável especialmente pelo desempenho apresen- tado no serviço, pois são os colaboradores que têm o contato direto com o cliente e sua necessidade. Podemos citar como exemplo, um restaurante, no qual a linha de frente é representada pelo garçom e pelo caixa, e a área de apoio é representada pela cozinheira e pelo assistente de cozinha. Portanto, os serviços de apoio são executados longe da presença dos clientes e os serviços de frente são realizados diretamente com o cliente. O fator decisivo da linha de frente em serviços, no entanto, é dispensar atenção e servir o cliente, embora exerçam vários papéis: produzir qualidade de serviços, produtividade e vendas (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). Estra- tegicamente, devem saber ouvir o cliente e agregar valor e diferencial para a empresa com habilidades específicas. Imagine, por exemplo, colaboradores da área da saúde ao anunciar graves problemas de saúde aos familiares dos pacientes hospitalizados. Certamente, deverão ter muita habilidade e diplo- macia para transmitir a informação, porém, sempre com atenção, atitude, cuidado e perspicácia. Como procedimento ideal, Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) reco- mendam que o pessoal da linha de frente tenha muita flexibilidade, tolerância e capacidade para adaptar-se rapidamente ao comportamento dos clientes, de acordo com a necessidade e empatia requerida pelos mesmos. Essa afirmação reforça que os clientes compram bens, serviços, informações, mas também, atenção pessoal e outros complementos de satisfação (GRÖNROOS, 2004). Evidentemente, cada cliente é único e possui necessidades específicas (TEBOUL, 2008). Por exemplo, ir a uma padaria na esquina pode ser um momento memorável para o cliente, caso encontre no local organização, som ambiental e um sorriso em quem o atender. Ou seja, tanto a área de frente, como os atendentes e o caixa devem dispensar tratamento único aos clientes, assim como, o pessoal de apoio deve prestar retaguarda e segurança para que os colaboradores da linha de frente garantam a entrega dos produtos e servi- ços com qualidade. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 174 30/06/2016 08:39:28 – 175 – A administração dos recursos humanos em serviços Por outro lado, Hoffman et al. (2010) ressaltam que a melhor maneira de determinar a qualidade de serviço é medir a satisfação do cliente. Em outras palavras, os autores esclarecem que o segredo do sucesso é assumir uma postura proativa, para reduzir a ocorrência de falhas de serviço, e equipar os funcio- nários com um conjunto de ferramentas eficazes de recuperação, para reparar a experiência de serviço quando falhas acontecem (HOFFMAN et al., 2010; BATESON; HOFFMAN, 2001). Em muitos setores de serviços, o sorriso dos colaboradores é essencial. Lovelock e Wirtz (2007, p. 262) exemplificam contando a história de uma autoria desconhecida: Um passageiro pediu à comissária de bordo: “Dê-me um sorriso”. Ela respondeu: “Vamos fazer um trato: primeiro você sorri e depois eu sorrio”. Ele sorriu. “Bom”, disse ela, “agora tente segurar esse sorriso por 15 horas”, e foi embora. O estresse emocional presente no ambiente de trabalho é enfrentado pelo pessoal da linha de frente, e as empresas devem planejar maneiras de reduzi-lo (LOVELOCK; WRIGHT, 2005). Em diversos momentos, o pes- soal precisa lidar com situações difíceis e, ainda assim, manter o controle emocional. Evidentemente, na linha de frente, às vezes, um simples sorriso pode ser entendido como um flerte, o que pode gerar outros problemas. Especialmente quando o principal foco da empresa é a prestação de ser- viços, o relacionamento entre os colaboradores e clientes é fundamental. Os colaboradores da linha de frente são responsáveis pela entrega dos serviços e também pela comercialização. O nível de contato dependerá do tipo de serviço prestado, que poderá ser intenso, moderado ou baixo, que pode ocorrer em um jantar, em uma transação bancária ou em um simples atendimento telefônico. 8.3 As principais fontes de conflitos entre colaboradores e clientes O ambiente de serviços tem forte influência no relacionamento entre clientes e colaboradores (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Ao observar um restaurante, por exemplo, podemos diagnosticar que o relacio- namento entre os colegas de trabalho interfere profundamente no atendi- mento que é dispensado ao cliente. Os garçons ao efetuarem o pedido para a 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 175 30/06/2016 08:39:28 Gestão de Serviços – 176 – área da cozinha ou solicitarem qualquer tarefa devem ter uma boa entonação de voz e gestos adequados para que esses não se sintam denegridos pelos mes- mos, ou não se sintam recebendo ordens. Por isso, a percepção do ambiente de trabalho influencia e determina como atuamos no desempenho do trabalho, o que pode gerarconflitos. Hoff- man et al. (2010, p. 289) ressaltam que existem conflitos entre os colabora- dores e clientes, sendo alguns mais acirrados que outros, e são ocasiões em que os clientes ficam irritados que poderão causar aspectos negativos na ima- gem da empresa. Porém, as principais causas de deficiências apresentadas pelo pessoal podem ter origem na gestão do negócio (HOFFMAN et al., 2010; FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). São elas: 2 cultura e clima organizacional inadequado e inconsistente; 2 papéis e responsabilidades não estão claros, definidos e disseminados; 2 delegação não utilizada adequadamente; 2 recrutamento, seleção e treinamento de pessoal inadequado ou inexistente; 2 política de remuneração e reconhecimento não é clara; 2 clientes internos não valorizados; 2 ausência de política com forte foco no cliente. Aliadas a esses fatores, no cotidiano de uma empresa, existem muitas razões para a desmotivação e o descontentamento dos colaboradores que por sua vez irão descontar sua frustração nos clientes. Os principais motivos, baseado em Hoffman et al. (2010) e Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005), são: 2 as expressões emocionais que resultam de sentimento de frustração, inveja, medo ou boicote, que acontecem por razões diversas. Uma delas pode ser a percepção de que um colega pode receber mais benefícios que ele próprio, ou ainda, o líder estar sempre prote- gendo ou favorecendo algum colega; 2 a ausência de valores como responsabilidade, ética profissional e respeito aos profissionais, como por exemplo, o líder chamar a atenção de um funcionário na frente dos demais colegas. O pro- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 176 30/06/2016 08:39:28 – 177 – A administração dos recursos humanos em serviços cedimento correto é chamar o colaborador para conversar em um ambiente reservado; 2 o aumento da ansiedade no ambiente de trabalho geralmente ocorre em virtude de descontentamentos com colegas, angústias internas, desgaste com o trabalho, insatisfação com o salário, o estresse resul- tante da sobrecarga de trabalho ou de tarefas com reduzido tempo para elaboração; 2 acontece o desequilíbrio mental, emocional, físico e espiritual, em decorrência de fatores como insegurança pessoal, instabilidade no emprego, sensação de incompetência profissional, pressão para com- provação de resultados, metas desafiadoras e falta de reconhecimento; 2 as preocupações, culpas, sentimentos negativos e emoções pessoais dificilmente são deixados fora do ambiente de trabalho, portanto interferem na rotina e no ambiente de trabalho. Entretanto, cabe ao gestor o papel de resolver os conflitos internos da sua equipe. A ele cabe a responsabilidade de disseminar uma cultura de cola- boração entre todos os níveis hierárquicos, pautando o ambiente de trabalho com atitudes de respeito, ética, transparência e diálogo (CHURCHILL JR.; PETER, 2000). Os princípios da empresa devem ser fatores norteadores e serem respeitados para seu crescimento. Os conflitos devem ser resolvidos assim que ocorrem, pois se qualquer mal-entendido permanecer entre a equipe, posteriormente poderá acumular desentendimentos irremediáveis. O líder deverá convidar as partes conflitan- tes para uma conversa aberta e franca para identificar a causa do conflito e conscientizar as partes de que o conflito precisa ser sanado e resolvido. Aliado a isso, a promoção do treinamento é fundamental para que as pessoas saibam lidar melhor com a diversidade do comportamento humano (FITZSIM- MONS; FITZSIMMONS, 2005). Por outro lado, muitos clientes reclamam sobre as maiores irritações que possuem nos atendimentos recebidos pelos prestadores de serviços. Rapida- mente, podemos imaginar algum mau atendimento que tivemos, por exem- plo, aquela ligação telefônica na qual nos passavam de um setor para outro, sem resolver o nosso problema. Albrecht (1988) relaciona sete categorias 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 177 30/06/2016 08:39:28 Gestão de Serviços – 178 – de comportamento que mais irritam os clientes em relação ao pessoal que presta atendimento: 2 apatia – colaborador demonstra desinteresse, sem se importar com o cliente; 2 rejeição – tentativa de livrar-se rapidamente do cliente, dispensando-o; 2 frieza – colaborador não se importa com o cliente e suas necessidades; 2 complacência – passando o sentimento de que o cliente é burro e não sabe nada; 2 robotismo – clientes tratados como máquinas e números; 2 manual de regras – atendentes que seguem as regras da empresa à risca; 2 passa-passa – clientes passados de um setor para outro, que passa para outro. Observa-se que, em todas as relações estabelecidas, o comportamento do prestador de serviço é rapidamente percebido pelo cliente, o que poderá causar maior irritação e distanciar uma possível solução para seu problema. Adicionalmente, conforme Hoffman et al. (2010), foi realizada uma pesquisa pelo Wall Street Journal com aproximadamente mil clientes para identificar as principais irritações dos clientes em relação ao pessoal de serviço: 2 pessoal que marca um horário para realizar o atendimento e não cum- pre (40%); 2 pessoal mal informado ou com desconhecimento do assunto (37%); 2 pessoal de contato que faz ligações pessoais enquanto fala com o cliente (25%); 2 pessoal que encaminha o cliente para outro setor, dizendo que o assunto não era com ele (25%); 2 pessoal que fala em tom de condescendência com o cliente (21%); 2 pessoal que não consegue explicar o funcionamento dos produtos (16%). A gestão da empresa de serviços, evidentemente, deve disseminar a prá- tica do bom relacionamento entre a equipe e os clientes, pois é impossível 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 178 30/06/2016 08:39:28 – 179 – A administração dos recursos humanos em serviços oferecer qualidade ao cliente se no ambiente predomina a apatia, descorte- sia, desconfiança, descaso e arrogância (LOVELOCK; WIRTZ, 2007). Por suposto, o exemplo deve vir da própria gestão que deve conduzir a equipe com ética, diálogo, cortesia, confiança, engajamento e valorização. Isso será possível através do estabelecimento da ética, transparência, espírito de equipe, treinamento e foco no compromisso com a satisfação dos clientes. 8.4 A administração de colaboradores de serviços Do ponto de vista de cliente, praticamente todos temos alguma história para ilustrar um péssimo atendimento em serviços. Entretanto, também temos boas experiências em serviços. Em ambos os casos, o pessoal de linha de frente figura com destaque, ora como vilões displicentes, arrogantes, incompetentes, ora como heróis (LOVELOCK; WIRTZ, 2007) ou anjos da guarda. Em uma organização de serviços, a administração de recursos humanos é um elemento-chave que inclui o processo de recrutar, selecionar, treinar e manter um quadro de pessoal com uma cultura distinta de serviço, lide- rança e envolvimento ativo dos responsáveis pela empresa (LOVELOCK; WRIGHT, 2005). Os colaboradores também precisam ter autonomia e conhecimento para resolver problemas e tomar decisões, especialmente nas situações emergenciais. Entretanto, em muitos setores de serviços a busca pela produtividade e lucratividade leva os gestores a simplificar as atividades e contratar colabora- dores pelo mínimo valor possível (LOVELOCK; WIRTZ, 2007) iniciando um ciclo de fracasso. Como exemplo, citam-se os serviços disponibilizados em lojas, supermercados, restaurantes fast-food, centrais de atendimento e bancos. Desse modo, o cliente não consegue se fidelizar a um local em que sem- pre existem novos colaboradores e com baixa qualificação. Assim, a rotati- vidade é elevada tanto de colaboradores quanto de clientes, e exige que a empresa adote estratégias (BERRY, 2001) para estar sempre buscando novos clientes e mantenhavolumes de vendas. Os gerentes de serviços alegam algu- mas justificativas e desculpas para continuar com esse ciclo, conforme Love- lock e Wirtz (2007): 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 179 30/06/2016 08:39:28 Gestão de Serviços – 180 – 2 dificuldade em conseguir bons profissionais; 2 atualmente as pessoas não querem trabalhar; 2 bons profissionais custam muito, e o custo não pode ser repassado ao cliente; 2 não vale a pena treinar os colaboradores, pois ficam pouco tempo na empresa; 2 a alta rotatividade é inevitável nesse negócio, por isso é preciso saber conviver. Nesse cenário, o desenvolvimento sustentável de uma empresa de servi- ços implica a necessidade de mudança da cultura empresarial de modo que se adapte ao ambiente como um todo e integre marketing, operações e recursos humanos (HOFFMAN et al., 2010), tendo em vista que a atuação dos colabo- radores influencia no contexto amplo com o cliente e é um fator crucial nesse contexto (LOVELOCK; WIRTZ, 2007; BATESON; HOFFMAN, 2001). Além disso, o aumento gradativo da complexidade em serviços é consi- derável em diversas empresas, especialmente naquelas que atuam em merca- dos de massa ou que possuem uma estratégia de penetração estabelecida em detrimento da elevada concorrência, pois haverá o acréscimo de serviços às ofertas já existentes na empresa e a melhoria dos serviços oferecidos (HOFF- MAN et al., 2010), o que pressupõe que os profissionais estejam mais prepa- rados para prestar serviços. Evidentemente, a administração de recursos humanos nesses ambientes requer habilidade e muito diálogo para a obtenção de resultados favoráveis. Nessa perspectiva, o crescimento contínuo ou os resultados que as peque- nas, médias e grandes empresas colhem está na gestão eficaz de seus recursos humanos, com políticas claras e condizentes com as expectativas de seus cola- boradores, além de mudança de cultura. Na gestão dos colaboradores, a liderança, portanto, é fundamental. Entretanto, líderes e gerentes são pessoas com características distintas que diferem em motivação, história pessoal e no modo de pensar e agir, o que reflete na gestão de seus liderados (ZALEZNIK, 2004; KOTTER, 1997). Na organização de serviços, esse é um detalhe fundamental, pois a entrega dos serviços normalmente é com a presença dos clientes. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 180 30/06/2016 08:39:28 – 181 – A administração dos recursos humanos em serviços Entretanto, os líderes estabelecem a direção desenvolvendo uma visão de futuro em direção à mudança e transformação, comunicando a visão e inspirando os colaboradores a vencerem obstáculos, e os gerentes, por outro lado, tendem a adotar atitudes impessoais, às vezes até passivas, em relação às metas, enquanto os líderes têm uma atitude pessoal e ativa em relação a metas. Desse modo, o ideal é que a empresa de serviços tenha líderes que conduzam as equipes em direção à excelência em serviços. Igualmente importante, o treinamento e desenvolvimento nas organi- zações de serviços é essencial para manter os colaboradores satisfeitos, com- prometidos e altamente preparados para as constantes mudanças de mercado. O foco principal deve ser o preparo das pessoas para a execução de tarefas, desenvolvimento de novas habilidades, conceitos, transmissão de informa- ções, aumento da produtividade, comunicação eficaz, redução do retrabalho e melhoria no relacionamento interpessoal baseado em um clima familiar. O treinamento deve ter objetivos específicos na formação e no aper- feiçoamento profissional, e gerar mudanças no comportamento dos colabo- radores (CHIAVENATO, 1999). Entretanto, o conteúdo deve envolver a transmissão de informações, desenvolvimento de habilidades, de atitudes e de conceitos. Adicionalmente, deve ser um processo cíclico, com as etapas de levantamento de necessidades, programação de treinamento, implementação, execução e avaliação dos resultados. Contudo, um líder se dispõe a trabalhar em equipe, compartilhar experiên- cias, dialogar e interagir com seus subordinados, visando à maximização dos resultados organizacionais. O comprometimento pessoal, nesse caso, está dire- tamente ligado à forma de liderança desenvolvida. Zaleznik (2004) e Kotter (1997) sugerem que o líder deve ter capacidade de agregar, não somente pelo controle e poder do nível hierárquico, mas pelo sacrifício, humildade, servidão e gerenciamento do ego ao atuar no setor de serviços. Observa-se que o líder, ao atuar em serviços, deve ser capaz de inter- pretar situações, compreender e disseminar o conhecimento, desenvolvendo suas habilidades ao longo de sua existência, com visão sistêmica e, principal- mente, liderar com simplicidade e humildade, mediante seu exemplo de vida, permitindo-lhe a possibilidade de ensinar, orientar, decidir, interagir e agir. Sintetiza-se, portanto, que na administração de colaboradores, a liderança é um grande desafio a ser galgado pelas empresas que atuam em serviços. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 181 30/06/2016 08:39:28 Gestão de Serviços – 182 – 8.5 Recrutamento e seleção de recursos humanos em serviços Em épocas de elevada empregabilidade, observa-se no mercado a escas- sez de profissionais especialmente para atuar em serviços. Os profissionais de uma indústria notadamente têm vantagem sobre o segmento de serviços, pois normalmente remuneram melhor seus profissionais, oferecem mais benefí- cios e o horário de trabalho é de segunda a sexta-feira. Ao atuar em serviços, verifica-se que o horário de trabalho normalmente incide, inclusive, nos finais de semana e feriados. Em algumas cidades mais industrializadas, é notória a dificuldade para recrutar e selecionar bons profissionais para atuarem em serviços, ou mesmo localizar pessoas disponíveis. E, em grande parte, existe a dificuldade para manter os colaboradores, pois se houver oferta de vagas na indústria, imedia- tamente esta passa a ser a opção mais atrativa, coincidindo com a rápida saída do colaborador. Esses fatores contribuem, porém Lovelock e Wirtz (2007) sugerem que a empresa precisa criar uma proposição de valor atrativa para os funcionários potenciais, o que inclui fatores como ser uma empresa com boa imagem no mercado, marca conhecida, imagem de boa empregadora, empresa com pro- dutos e serviços de qualidade, remuneração na média ou acima de mercado, entre outros. Enfim, saber atender às necessidades dos potenciais funcioná- rios e de valor para a empresa. De acordo com Lovelock e Wright (2005), no recrutamento e treina- mento de colaboradores que possuem alto contato com os clientes, é preciso buscar profissionais com os seguintes requisitos, para que possam oferecer diferenciais no atendimento e na satisfação das necessidades dos clientes: 2 habilidades interpessoais; 2 apresentação e aparência pessoal; 2 conhecimento do produto e do processo de operação; 2 capacidade de venda e negociação; 2 habilidade de coprodução, com capacidade de trabalhar em con- junto com o cliente para desenvolver o serviço desejado; 2 comportamento e expressão corporal; 2 habilidades técnicas e interpessoais. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 182 30/06/2016 08:39:28 – 183 – A administração dos recursos humanos em serviços O gerenciamento eficaz de recursos humanos, conforme Lovelock e Wirtz (2007) é um compromisso das empresas que são bem-sucedidas em serviços, no qual a liderança tem forte compromisso em canalizar a cultura rumo à excelência de serviço através da contratação de pessoas certas, capa- citação e desenvolvimento dos colaboradores e distribuição equitativa de recompensas para motivar o quadro de pessoal. A figura 2 ilustra e detalha essas informações: Figura 2 – Roda da gestão de recursos humanos bem-sucedida em empresas de serviços. Fonte: LOVELOCK; WIRTZ, 2007,p. 283. Liderança que: • focaliza toda a organização na linha de frente para dar suporte à linha de frente; • promove uma forte cultura de serviços com paixão pelo serviço e pela produtividade; • estimula valores que inspiram, energizam e orientam provedores de serviços. • Intensifique o processo de seleção para contratar as pessoas certas para a organização e para o cargo em questão. 3. Motive e energize seu pessoal • Utilize toda gama de recompensas: – Pagamentos em dinheiro; – Bônus; – Conteúdo do trabalho; – Retorno e reconhecimento; – Cumprimento de metas. Excelência de serviço e produtividade 1. Contrate as pessoas certas • Seja o empregador preferido e concorra por participação de mercado de talento. • Monte equipes de entrega de serviço de alto desempenho – O ideal é uma estru- tura transfuncional, centrada no cliente. • Fortaleça a linha de frente. • Treinamento intensivo em: – cultura, objetivo e estra- tégia de organização; 2. Capacite seu pessoal – Desenvolva estruturas de equipe e habilida- des que funcionem. – habilidades interpes- soais e técnicas; – Conhecimento do produto/serviço. É importante observar que não existem colaboradores perfeitos, e sim os que melhor se encaixam no perfil requisitado. Por isso, é imprescindível que a empresa tenha a descrição de cargos formalizada (LOVELOCK; WRIGHT, 2005), com as responsabilidades, habilidades, atitudes, conhecimentos, formação e expe- riências documentadas. Ao recrutar também é importante contar com o auxí- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 183 30/06/2016 08:39:28 Gestão de Serviços – 184 – lio de uma empresa especializada que poderá auxiliar a captar os profissionais mais adequados e com o melhor perfil para o cargo. No processo de seleção em serviços é preciso identificar os melhores can- didatos, especialmente os que atuarão na linha de frente, por isso é essencial planejar e dedicar tempo a essa tarefa. Lovelock e Wirtz (2007) sugerem que sejam observados os seguintes critérios: 2 observar o comportamento – decida a contratação com base no comportamento, e não nas palavras. Avalie as referências, prêmios e progressos do candidato; 2 fazer testes de personalidade – especialmente para cargos rele- vantes, avalie a disposição do candidato para tratar colegas com cortesia, consideração e tato, e avalie a discrição, capacidade de per- cepção e de comunicação; 2 realizar entrevistas estruturadas – procurar usar mais de um entrevistador, pois existe um cuidado maior especialmente no julgamento; 2 apresentar ao candidato uma visão realista do trabalho – a rea- lidade da empresa de serviços precisa ser exposta para haver uma seleção natural especialmente dos que não se encaixam para a rea- lidade do cargo. Algumas empresas de serviços, ao contratarem funcionários, optam pelos mais jovens. Outras, contudo, optam por funcionários mais experientes para exercer atividades que exigem maior responsabilidade e que favorecem a baixa rotatividade, pois pessoas com mais idade tendem a ser mais responsáveis devido à família, que depende de seus ganhos. Na prática algumas empresas aéreas, por exemplo, valorizam a maturidade e garantem ótimos resultados, e outras empresas aéreas, em contrapartida, possuem colaboradores essencial- mente jovens em seu quadro de pessoal. Além disso, a geração Y, formada por jovens nascidos após a década de 1980, é destemida, aberta e tecnológica, e poderá influenciar significativa- mente as organizações de serviços em suas práticas diárias (LIPKIN; PERRY- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 184 30/06/2016 08:39:28 – 185 – A administração dos recursos humanos em serviços MORE, 2010; OLIVEIRA, 2010). Portanto, o recrutamento e a seleção dos colaboradores é uma questão de cultura de cada empresa de serviços. 8.6 O papel da cultura e liderança em serviços Nas organizações de serviços, um grande desafio dos líderes é superar suas próprias resistências para promover um ambiente favorável ao desenvol- vimento de novas atitudes, ações e transformações para alinhar a estrutura da empresa. Diante disso, a capacitação de gestores e líderes em ambien- tes em constante mudança e mobilidade é fundamental para o cresci- mento organizacional. Entretanto, a cultura organizacional é constituída por um conjunto de crenças, valores, hábitos, filosofias, estilos de trabalho, relacionamentos, nor- mas, atitudes e expectativas que distingue uma organização das demais, e que dá a elas um modo particular de existência (LOVELOCK; WIRTZ, 2007; CHIAVENATO, 1999). A cultura, dessa forma, molda a identidade de uma organização, assim como fortalece a identidade e o reconhecimento dos pró- prios colaboradores. Na visão de Lacombe (2005) a cultura organizacional é um conjunto de valores, que define e norteia os padrões de comportamento que governam as ações mais importantes da administração, assim como as decisões da empresa são orientadas por sua cultura. A cultura organizacional é, portanto, parte fundamental da administração e do seu estilo, além de ser definitiva quanto à sobrevivência da empresa dentro do mercado de trabalho. Evidentemente, existem alguns fatores que influenciam a cultura, como os fundadores da empresa, o segmento ou o ramo da empresa e a localização geográfica. Se observarmos no mercado, verificamos que existem profissionais de serviços que cultuam o atendimento no horário marcado com o cliente e outros não. Entretanto, a seguir, apresentam-se as principais características que moldam a cultura da empresa de serviços: 2 valores – representa o que é importante para a organização. Algu- mas empresas, por exemplo, têm os valores voltados para a inova- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 185 30/06/2016 08:39:28 Gestão de Serviços – 186 – ção, trabalho em equipe, ética, atendimento no horário, serviços impecáveis, entre outros; 2 mitos – são as figuras imaginárias, geralmente utilizadas para reforçar as crenças organizacionais, por exemplo, as empresas de serviços que acreditam ser superiores aos concorrentes, e na ver- dade a própria concorrência usa o mesmo argumento para alavan- car a competitividade; 2 tabus – são as questões que não são bem-vistas na empresa de ser- viços. Por exemplo, não se pode discutir com os superiores as ques- tões salariais, as competências dos membros familiares, ou ainda o envolvimento da família no negócio da empresa; 2 ritos ou rituais – representam a forma que a empresa adota para se inte- grar, ou ainda para promover colaboradores ou mesmo para demitir; 2 herói – é a figura ou pessoa que inspira a organização e é bastante referenciada pelos funcionários, como um fundador ou um gerente marcante. Normalmente a organização é moldada pelo jeito de ser desse herói; 2 etiqueta – caracteriza o que é adequado e de “bom tom” na empresa, como chamar os superiores ou clientes de senhor ou doutor, cha- mar as pessoas pelos seus nomes, os trajes adequados ao ambiente, uso de maquiagem, entre outros. Nas organizações de serviços em que a cultura está bem disseminada, observa-se a existência de harmonia no ambiente organizacional, pois esse influencia diretamente na motivação, lealdade e interesse dos colaboradores no trabalho, bem como no desejo de satisfazer as necessidades dos clientes e pro- mover o crescimento da organização de serviços (MARRAS, 2010). Entretanto, nas empresas, a nova geração Y representa um desafio especialmente pelos conflitos entre as gerações que poderão influenciar sobremaneira a cultura da empresa (LIPKIN; PERRYMORE, 2010; OLIVEIRA, 2010). Contudo, empresas com um clima favorável tendem a ter recursos huma- nos proativos, que partilham conhecimentos, confiam nos seus líderes e cole- gas, procuram inovar, têm iniciativa e agem com forte sentimentode pertencer à organização. Se o clima for negativo, as pessoas tendem a executar o mínimo 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 186 30/06/2016 08:39:28 – 187 – A administração dos recursos humanos em serviços possível para se manterem empregadas, ou agem com descrença e revolta, aumentando a rotatividade e o absenteísmo, que são sintomas de um clima organizacional contraproducente (LACOMBE, 2005). Desse modo, é fundamental desenvolver na empresa de serviços uma cultura e um clima favorável à produtividade. A cultura pode ser ensinada aos colaboradores através de decisões, ações administrativas e exemplos, como reconhecer e premiar os profissionais e, ainda, promover, orientar e dissemi- nar os valores e princípios organizacionais em documentos, palestras, reuni- ões, entre outros (CURVELLO, 2002). Em outras palavras, a cultura é perceptível nas preocupações, decisões e prioridades estabelecidas pela alta administração, que podem ser observadas nas recompensas, promoções, punições, demissões e razões que ocasionam essas decisões (LACOMBE, 2005). Por isso, a liderança desempenha um papel importante, pois são eles que ditam a cultura de uma organização e promovem suas mudanças ou não. A cultura também é expressa na forma como a organização executa seus negócios, como ela trata seus clientes e colaboradores, ou ainda no grau de autonomia, lealdade e liberdade expressada pelos colaboradores e escritórios externos. Robbins (2005, p. 375) diz que existem sete características básicas que, em conjunto, representam a essência da cultura de uma organização: 2 inovação e assunção de riscos – o grau em que os funcionários são estimulados a inovar e a assumir riscos; 2 atenção aos detalhes – o grau em que se espera que os funcionários demonstrem precisão, análise e atenção aos detalhes; 2 orientação para os resultados – o grau em que os dirigentes focam mais os resultados do que as técnicas e os processos empregados para o seu alcance; 2 orientação para as pessoas – o grau em que as decisões dos diri- gentes levam em consideração o efeito dos resultados sobre as pes- soas dentro da organização; 2 orientação para a equipe – o grau em que as atividades de trabalho são mais organizadas em termos de equipes do que de indivíduos; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 187 30/06/2016 08:39:29 Gestão de Serviços – 188 – 2 agressividade – o grau em que as pessoas são competitivas e agres- sivas, em vez de dóceis e acomodadas; 2 estabilidade – o grau em que as atividades organizacionais enfati- zam a manutenção do status quo em contraste com o crescimento. Essas características são encontradas em diferentes graus e escalas nas organizações existentes no mercado. A avaliação da empresa nessas característi- cas revela uma ilustração complexa do comportamento organizacional. É fato que a cultura, devido à sua natureza abrangente e, frequentemente intangível, representa, para muitas empresas, a maior e mais difícil barreira à mudança. Os gerentes precisam compreender que é necessário obter a coopera- ção de todas as partes da empresa para promover uma mudança na cultura. Embora, Chiavenato (1999, p. 145) afirme que modificar uma cultura orga- nizacional é difícil, ele argumenta que é possível. No entanto, ele também ressalta que qualquer alteração fica mais fácil quando ocorrem uma ou mais das seguintes condições: 2 uma crise dramática – é o choque que abala o status quo e coloca a questão da relevância da cultura atual; crises como uma súbita dificuldade financeira, a perda de um grande cliente ou uma grande inovação tecnológica conduzida por um concorrente; 2 modificações na liderança – uma nova liderança de topo que pro- porcione um novo conjunto de valores que pode ser capaz de res- ponder a uma crise; 2 organização pequena e jovem – quanto mais nova a empresa, tanto mais fácil será mudar a sua cultura, pois é mais fácil para a administração comunicar os novos valores quando a organização é pequena. Isso explica a dificuldade que as grandes corporações têm para mudar suas culturas; 2 cultura fraca – quanto mais sólida é a cultura, tanto maior o com- prometimento entre os membros em relação aos valores e, por- tanto, mais difícil de mudar. As culturas fracas, ao contrário, são mais facilmente modificadas. Em última análise, a mudança da cultura organizacional é um processo lento e gradativo, avaliado em anos. Adicionalmente, Chiavenato (1999, p. 146) 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 188 30/06/2016 08:39:29 – 189 – A administração dos recursos humanos em serviços destaca que se ocorrerem essas condições que permitem a mudança cultural, é preciso considerar as seguintes sugestões: 2 os dirigentes devem assumir papéis positivos dando o tom de sua conduta; 2 devem criar novas histórias, símbolos e rituais para substituir os atuais; 2 selecionar, promover e apoiar empregados que adotam novos valores; 2 redesenhar os processos de socialização e alinhá-los com novos valores; 2 mudar o sistema de recompensas para obter a aceitação dos novos valores; 2 substituir normas não escritas por novas regras e regulamen- tos impostos; 2 agitar as subculturas com transferências de pessoas, rotação de car- gos e/ou demissões; 2 trabalhar com o consenso de grupos, com a participação dos fun- cionários e a criação de um clima com elevado nível de confiança. A cultura apresenta um forte e crescente impacto no desempenho das organizações, principalmente no aspecto econômico a longo prazo. Por isso, deve ser uma forte preocupação da liderança. Davis e Newstrom (1992) afir- mam que a liderança é o processo de encorajar e ajudar os colaboradores a atuarem entusiasticamente na direção dos objetivos da organização. No mercado, as culturas bem-sucedidas normalmente têm líderes positi- vos, que enfatizam recompensas, sejam elas econômicas ou de outra natureza, e ainda líderes participativos, que descentralizam a autoridade. Os emprega- dos são informados sobre as condições que afetam seu trabalho e encorajados a expressar suas ideias, bem como a fazer sugestões. A tendência é ampliar o uso de práticas participativas e colaborativas, pois elas impactam positivamente no comportamento organizacional. De modo geral, percebe-se que os líderes influenciam os resultados com a tomada de decisões, mas também afetam a cultura, o clima organizacional e o com- portamento das pessoas que constituem a cultura dessa organização. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 189 30/06/2016 08:39:29 Gestão de Serviços – 190 – Entretanto, a natureza de organizações que autorrenovam a sua cultura é identificada pela sua capacidade e disposição para correr riscos, superar desafios e para um contínuo aprendizado. Carvalho (1999) afirma que essa autorrenovação e mutação constante são necessárias às pessoas e às empresas e que devem desenvolver a capacidade de se modificarem, adaptando-se e solucionando seus problemas diariamente, senão, desaparecerão do mercado. Indubitavelmente, isso reforça a necessidade de mudança e a busca do aprimoramento organizacional, especialmente em serviços, em que existe o contato direto e constante com o cliente. Gardner (1963), por sua vez, comenta que as organizações autorrenováveis possuem as seguintes caracte- rísticas básicas: 2 capacidade de experimentação na busca de novas alternativas; 2 menor preocupação com as regras, procedimentos e o passado con- vencional; 2 disposição para assumir riscos, inerentes ao princípio de tomada de decisões; 2 capacidade de superar desafios próprios do processo de mudança autorrenovada; 2 desenvolver um contínuo aprendizado como filosofia de vida organizacional. Essas características reforçam que a disseminação de um contínuo apren- dizado em serviços é fundamental e umaprática das organizações de sucesso (BERRY, 2001). Senge (1995) afirma que a aprendizagem contínua é fazer com que todos contribuam com a cultura da empresa, considerando algumas responsabilidades particulares dos líderes para a condução eficaz no processo: 2 engajar e liderar pessoas com visão sistêmica; 2 demonstrar crença na empresa e nas pessoas; 2 ter posição firme em prol das ideias norteadoras; 2 ser aberto ao envolvimento e pontos de vista dos outros; 2 promover comunicação de visão compartilhada: ponto crucial; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 190 30/06/2016 08:39:29 – 191 – A administração dos recursos humanos em serviços 2 possuir habilidade de reflexão e inquirição (modelos mentais). Portanto, cabe à liderança a criação de mecanismos que promovam a participação dos colaboradores de serviços, tendo em vista a necessidade de tornar as condições de trabalho mais significativas. A apropriação coletiva do conhecimento, o desenvolvimento de novas habilidades e atitudes e o apren- dizado contínuo devem ser os diferenciais competitivos perseguidos pelas organizações de serviços, ou, em outras palavras, deverão estar abertas para aprender a aprender continuamente (FLEURY, 1995; MORGAN, 1996; HAMEL; PRAHALAD, 1995; AKTOUF, 1997; BERRY, 2001). Ampliando seus conhecimentos A força dos quarentões Os bons resultados que muitas pequenas e médias empresas colhem ao preferir contratar funcionários mais velhos para exercer determinadas funções (LORINI, 2007) Na TW Transportes, em Carazinho, a 300 quilômetros de Porto Alegre, pelo menos um terço dos 112 motoristas da empresa já passou dos 45 anos de idade. Não se trata de um processo de envelhecimento do quadro funcional – mas de critérios que a TW, com faturamento anual de 65 milhões de reais, vem utilizando para a contratação de seus motoristas. “No recrutamento, sempre damos preferência para pessoas com mais experiência”, diz Ana Paula Schmitz, diretora administrativa da TW Transportes. Por trás dessa política há uma razão prática – as estatísticas da transportadora revelaram que esses profissionais mais maduros tendem a envolver-se menos em acidentes nas estradas. Nos últimos três anos, a TW registrou seis acidentes. Em apenas dois os motoristas tinham mais de 45 anos. “A maturidade leva esses profissionais a ser mais responsáveis e comprometidos 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 191 30/06/2016 08:39:29 Gestão de Serviços – 192 – com as normas de funcionamento e segurança da empresa”, diz Alexandre Krummel, gerente de frota da TW. “Eles ado- tam uma direção mais defensiva, o que os torna bons profis- sionais para o transporte de cargas.” O que poderia ser visto como desvantagem para os motoristas com idade mais avançada – a dificuldade em trabalhar com as novas tecnologias que os modernos caminhões trazem – é resolvido com cursos adequados a eles. “O custo com treina- mento nessa faixa etária é maior, mas os resultados compen- sam”, diz Ana Paula. Assim como a TW, outras pequenas e médias empresas, principalmente das áreas de comércio e serviços, estão per- cebendo que pode ser vantajoso contratar funcionários mais maduros para determinadas funções. Essa estratégia tende a dar mais resultados em atividades que dependem de credibilidade, empatia, relacionamento, liderança e comunicação. Tomam a dianteira no processo empresas dos ramos de transportes, hote- laria, segurança, educação, limpeza, vendas imobiliárias e saúde. Muitas vezes, essas companhias acabam se beneficiando de trabalhadores que já passaram por grandes empresas e trazem consigo uma experiência importante para ajudar a deslanchar negócios que dependem muito do fator humano. “Um traba- lhador maduro e bem preparado pode ser um fator de diferen- ciação para uma pequena ou média empresa”, diz o consultor em recursos humanos Aguinaldo Neri. Segundo Neri, em hotéis, por exemplo, a presença de funcio- nários mais velhos confere um clima acolhedor. Em transações imobiliárias, eles também podem transmitir certa sensação de segurança aos clientes mais jovens, que muitas vezes estão adquirindo o primeiro imóvel. Essas pequenas e médias empresas interessadas em funcioná- rios mais velhos estão acompanhando uma tendência obser- vada em mercados mais maduros do que o brasileiro. Inspi- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 192 30/06/2016 08:39:29 – 193 – A administração dos recursos humanos em serviços rada em supermercados americanos e europeus, desde 1999 a rede de supermercados gaúcha Imec, em Lajeado, a 114 quilômetros de Porto Alegre, adotou a política de contratar pessoas com mais de 40 anos de idade para funções que exigem contato direto com o público. Eunice Rotta Bergesch, presidente do Imec, diz: “Tivemos óti- mos resultados. Os profissionais mais maduros têm maior empa- tia com os fregueses, dão dicas, trocam experiências e ajudam a torná-los fiéis.” A rede possui 15 lojas espalhadas pelo Rio Grande do Sul e emprega 955 funcionários, sendo que mais de 15% ultrapassaram a barreira dos 40 anos. Esses profissionais são utilizados nas áreas do supermercado em que é preciso interagir com os clientes, como padaria, fiambreria e caixas. Eunice Bergesch – Supermercados Imec, Lajeado (RS) Profissionais contratados: as funções que exigem contato direto com o público são preenchidas por funcionários com mais de 40 anos. Vantagem: menos faltas ao trabalho e atendimento que ajuda a tornar o cliente mais fiel. A experiência do Imec demonstra que, além de ajudar a cativar os consumidores, os profissionais mais maduros apre- sentam comprometimento em vestir a camisa da empresa. Em relação aos mais jovens, por exemplo, eles faltam 43% menos no trabalho. “Eles se ausentam apenas quando realmente têm necessidade”, diz Eunice. Ana Paula Schmitz – TW Transportes, Carazinho (RS) Profissionais contratados: 30% dos 112 motoristas da empresa têm mais de 45 anos. Vantagem: menos custos com o envolvimento da empresa em acidentes nas rodovias. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 193 30/06/2016 08:39:29 Gestão de Serviços – 194 – A experiência de grandes empresas no exterior indica que a prática da TW e da Imec em valorizar a maturidade dá resul- tados. As maiores redes de supermercados inglesas – Asda, Tesco e Sainsbury's – há tempos vêm colhendo os benefí- cios de contratar funcionários com mais idade. Na Asda, por exemplo, em lojas onde a proporção de trabalhadores madu- ros é grande, as taxas de absenteísmo chegam a ser menos de um terço da média da rede. E na locadora de carros americana Avis são os trabalhadores mais idosos os menos contemplados com multas e acidentes de trânsito. Em empresas europeias e americanas, o emprego de profissionais mais maduros começou, em parte, como con- sequência do envelhecimento da população. Como por aqui não há, ainda, dificuldade de encontrar jovens no mercado, cabe ao empreendedor fazer essa escolha. Atividades 1. A maioria dos clientes tem alguma experiência de mau atendimen- to em serviços que teve no decorrer de sua vida. Entretanto, mui- tos clientes reclamam sobre as maiores irritações que possuem nos atendimentos recebidos pelos prestadores de serviços, geralmente de- monstradas pelos colaboradores. Quais são as sete categorias de com- portamento que mais irritam os clientes em relação ao pessoal que presta atendimento, de acordo com Albrecht (1988)? 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 194 30/06/2016 08:39:29 – 195 – A administração dos recursos humanos em serviços 2. A percepção do ambiente de trabalho influencia e determina como atuamos no desempenho do trabalho, o que pode gerar conflitos na atuação em serviços, especialmente com o pessoal da linha de frente. Hoffman et al. (2010) comentam que existem conflitosentre os co- laboradores e clientes que podem causar danos à imagem da empre- sa. Entretanto, Hoffman et al., (2010) e Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) afirmam que as principais causas de deficiências apresentadas pelo pessoal da linha de frente podem ter origem na gestão do negó- cio. Quais são essas causas? 3. O que é cultura organizacional? Por que a cultura é de fundamental importância para as empresas de serviços? 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 195 30/06/2016 08:39:29 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 196 30/06/2016 08:39:29 O processo da qualidade em serviços O objetivo deste capítulo é proporcionar situações de ensino-aprendizagem para compreender o processo de qualidade na prestação de serviços ao consumidor e avaliar a melhoria constante dos processos em serviços. Dessa forma, serão estudados os seguin- tes conteúdos: 2 conceitos e definição de qualidade; 2 a evolução do processo de qualidade; 2 a qualidade em serviços; 2 as dimensões e os determinantes da qualidade em serviços; 2 a melhoria da qualidade e produtividade em serviços. 9 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 197 30/06/2016 08:39:29 Gestão de Serviços – 198 – Cada cliente é único e singular em suas necessidades e percepções ao receber um serviço, seja na área da gastronomia ou em um simples serviço telefônico. Por isso, o conceito de qualidade em serviços é de difícil definição e avaliação. Nesse sentido, a prestação de serviços requer maior processo de customização para atender e satisfazer uma gama maior de clientes. Entre- tanto, em serviços, o elevado grau de contato com os clientes faz com que a performance, atenção e comportamento dos colaboradores sejam um fator crucial e determinante na qualidade de serviço, que deve ser medida e melho- rada continuamente. 9.1 Conceitos e definição de qualidade Entender o conceito de qualidade e satisfação ao cliente é fundamental para a empresa que atua com serviços. Pearson (2010) ressalta que a quali- dade refere-se à qualidade total, que foi uma filosofia de gestão organizacional criada após a Segunda Guerra Mundial e colocada em prática por empresas japonesas com bastante sucesso. Após a guerra, os japoneses precisavam cres- cer rapidamente e se posicionar no competitivo mercado global. A filosofia da qualidade total garante sucesso aos produtos japoneses até hoje, como, por exemplo, os produtos da marca Sony e Toyota. O processo de qualidade requer que sejam removidas as causas dos pro- blemas nos processos, o que leva, inevitavelmente, ao aumento da produtivi- dade. Os recursos humanos são fundamentais no envolvimento e na execução das suas atividades, por isso precisam ser treinados, valorizados e ter conheci- mento sobre as tarefas executadas. A liderança também deve disseminar a cul- tura de que para melhorar os processos, serão alcançados melhores resultados com o esforço conjunto da equipe de trabalho, além do uso de ferramentas e técnicas para a solução e melhoria de problemas. Na atualidade, o conceito de qualidade total é largamente utilizado pelas empresas, especialmente as indústrias. De acordo com Pearson (2010), o con- ceito de qualidade está diretamente ligado à redução de custos, aumento da produtividade e satisfação dos clientes, conforme a figura 1: 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 198 30/06/2016 08:39:29 – 199 – O processo da qualidade em serviços Figura 1 – Conceitos básicos de qualidade. Redução de custos Aumento de produtividade QUALIDADE Satisfação do cliente Fonte: PEARSON, 2010. Adaptado. Em outras palavras, as empresas que adotam o processo da qualidade estão comprometidas em fazer melhor, com menor custo, e entregar o pro- duto ou o serviço ao cliente que corresponda ou supere as suas expectativas de consumo. Pearson (2010) destaca que existem três premissas em todas as definições de qualidade. Figura 2 – Premissas presentes nas definições da qualidade. Fonte: PEARSON, 2010. Adaptado. Implicações éticas PREMISSAS DA QUALIDADE Começa antes da produçãoNão gera custos Inicialmente, o relacionamento ético deve estar presente entre todos os elementos envolvidos na fabricação e venda de um produto ou na prestação de um serviço. Além disso, a qualidade diminui os custos, pois reduz a quan- tidade de erros envolvida nos processos, aumentando a produtividade. Desse modo, a qualidade evita o desperdício de recursos, reduz o tempo de produção e gera menos estresse e maior satisfação aos colaboradores. Por fim, a qualidade deve iniciar antes de iniciar o processo produtivo. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 199 30/06/2016 08:39:29 Gestão de Serviços – 200 – Por outro lado, existem vários conceitos de qualidade. Feigenbaum (1961) define a qualidade como a composição de todas as características do processo produtivo de bens e serviços, que atenderá as expectativas do cliente em seu efetivo uso. Juran e Godfrey (1999) afirmam que a qualidade é a adequação ao uso do produto ou serviço ao cliente. Crosby (1979) defende o conceito de qualidade com nenhum defeito (zero defeitos) no processo de fabricação. Adicionalmente, Gianese e Corrêa (1994) definem a qualidade como o grau em que as expectativas do cliente são atendidas de acordo com a percep- ção do cliente sobre o serviço prestado. Berry (2001) afirma que a qualidade em serviços é a diferença entre a percepção e a expectativa do cliente. Já para Nogueira (2003) é a adaptação da empresa às necessidades de seus clientes, de modo a mantê-los sempre satisfeitos. Entretanto, existem diferenças entre qualidade e satisfação do cliente, na qual a qualidade do serviço é uma avaliação e percepção do cliente sobre a confiabilidade, segurança, responsividade, empatia e os tangíveis, enquanto que a satisfação deriva da percepção do cliente sobre a qualidade do produto, serviço e preço, além de fatores situacionais e pessoais (PARASURAMAN et al. apud ZEITHAML; BITNER; GREMLER, 2011). A figura 3 ilustra as diferenças nesse contexto: Figura 3 – A satisfação e as percepções do cliente sobre a qualidade do serviço. Fatores situacionais Qualidade do produto Fatores pessoais Satisfação do cliente Fidelidade do cliente Confiabilidade Responsividade Segurança Empatia Tangíveis Qualidade do Serviço Preço Fonte: PARASURAMAN et al. apud ZEITHAML; BITNER; GREMLER, 2011. Adaptado. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 200 30/06/2016 08:39:29 – 201 – O processo da qualidade em serviços A qualidade do serviço de uma fisiatria, por exemplo, é avaliada pelo cliente de acordo com a disponibilidade dos aparelhos e seu funcionamento ao fazer uso dos mesmos, além da atenção dos técnicos e conservação das instalações do ambiente físico. Entretanto, a satisfação do cliente é medida de acordo com as percepções do cliente sobre a qualidade do produto, preço pago, estado emocional do cliente, clima e experiências no trajeto de ida e volta para o serviço de fisioterapia. A qualidade pode ser definida como a avaliação de um produto ou ser- viço em consonância com o atendimento das expectativas e anseios desejados pelo cliente (ZEITHAML; BITNER; GREMLER, 2011). Contudo, Fitz- simmons e Fitzsimmons (2005) destacam que a avaliação da qualidade em serviços ocorre ao longo do tempo em que o processo de serviço é prestado ao cliente. Desse modo, cada encontro adicional pode reforçar as percepções do cliente sobre a qualidade do serviço prestado (FITZSIMMONS; FITZSIM- MONS, 2005; HOFFMAN et al., 2010). Os serviços ainda podem surpreender positivamente os clientes, quando trazem um misto de felicidade, alegria e prazer, ou ainda de encantamento. Convém salientar que nos serviços puros, como de saúde, educação, financei- ros, jurídicos, entre outros, a qualidade doserviço é um elemento primordial na avaliação dos clientes (ZEITHAML; BITNER; GREMLER, 2011). Evidentemente, existem experiências negativas na qualidade em servi- ços. No entanto, Hoffman et al. (2010) recomendam que toda a organização deve se concentrar para propiciar experiências satisfatórias ao cliente, e para isso é fundamental medir a satisfação após cada serviço entregue, de modo que a empresa possa melhorar continuamente seus processos. 9.2 A evolução do processo de qualidade Embora o processo da qualidade e os processos de melhoria contínua sejam recomendados nas organizações, observa-se certa dificuldade em imple- mentar o processo de qualidade, especialmente em serviços, causada princi- palmente pelo desconhecimento e interpretação inadequada do processo de qualidade. Notoriamente, a qualidade é imprescindível em todas as empresas, especialmente nas prestadoras de serviços. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 201 30/06/2016 08:39:29 Gestão de Serviços – 202 – Historicamente, a preocupação com a qualidade é antiga. Contudo, a qua- lidade como sistema administrativo teve início no século XX, com maior ênfase no pós-guerra, com a necessidade de ofertar melhores produtos e serviços, e gradualmente a concorrência passou a obrigar as empresas a otimizarem seus bens e serviços para se manterem no mercado (SELEME; STADLER, 2008). Após a Segunda Guerra Mundial, diversos países, entre os quais o Japão, estavam destruídos e em ruínas, especialmente na área de telecomunicações, energia e estradas. O Japão, para reestruturar sua economia, estabeleceu uma troca de informações com os americanos. Desse modo, Deming, Juran e Fei- genbaum se uniram, no início da década de 1960, para relacionar o fator técnico, que dominavam bem, com o fator humano, em conformidade com as teorias de Maslow, Herzberg e McGregor. Tanto Juran quanto Feigenbaum defendiam o modelo de redução dos custos no processo da qualidade, ao afirmarem que o custo nas falhas na fabricação dos produtos pode ser reduzido e otimizado se houver prevenção no processo. Em 1961, Feigenbaum (1961) apresentou o Controle Total da Qualidade, no qual referenda a melhoria da comunicação entre as equipes envolvidas para melhorar a qualidade. Nessa época foram criados e desenvolvidos os conceitos dos grupos denominados Círculos de Controle da Qualidade e as ferramentas da qua- lidade, usadas até hoje em diversas empresas do mundo, conforme ilustra a figura 4: Figura 4 – Desenvolvimento da qualidade como sistema administrativo. Fonte: SELEME; STADLER, 2008. Adaptado. Taylor Shewhart Juse Deming Juran Feigenbaum Maslow McGregor Herzberg Círculo de Controle da Qualidade 1900 1939 1945 1980 Início da Administração Científica Segunda Guerra Mundial Concretização do Controle da Qualidade (CCQ) 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 202 30/06/2016 08:39:29 – 203 – O processo da qualidade em serviços Em síntese, inicialmente, a qualidade foi aplicada no processo produ- tivo e posteriormente passou a ser incorporada e aplicada nos processos de serviços. Entretanto, a qualidade em serviços é percebida como um diferen- cial para as empresas e prestadores de serviços (GARVIN, 1987; MOREIRA et al., 2008), e de acordo com Bateson e Hoffman (2001), a qualidade em serviços é uma forma de manter o êxito perante os demais concorrentes quando são oferecidos serviços semelhantes em uma região próxima. 9.3 A qualidade em serviços A qualidade em serviços começou a ser discutida na década de 1980 (GUMMESSON, 2005), e pode ser utilizada como uma vantagem compe- titiva perante os demais concorrentes (ALBRECHT, 1988; GRÖNROOS, 2004; ZEITHAML; BITNER; GREMLER, 2011). Desse modo, as empre- sas de serviços que precisam competir com muitos concorrentes poderão uti- lizar a qualidade para se diferenciar e se destacar no mercado. Porém, a qualidade de produtos é diferente da qualidade em serviços, pois enquanto a qualidade de produtos pode ser visualizada e medida obje- tivamente e fisicamente, a qualidade em serviços é uma experiência abstrata que é vivenciada e sentida pelo cliente (GARVIN, 1988; ZEITHAML; BIT- NER; GREMLER, 2011), e especialmente distinta, por ser uma experiência interativa envolvendo simultaneamente cliente e prestador de serviço (FIT- ZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005; LOVELOCK; WRIGHT, 2005; LOVELOCK; WIRTZ, 2007; ZEITHAML; BITNER; GREMLER, 2011). Assim, podemos dizer que em serviços a avaliação da qualidade decorre ao longo do processo em que a prestação do serviço é realizada, na qual geral- mente acontece a presença e interação simultânea entre o cliente e um colabo- rador da linha de frente (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Como exemplo, podemos citar a ida do cliente para receber um serviço de um cabeleireiro ou de um salão de beleza. Nesse momento, a satisfação do cliente com a qualidade do serviço é caracterizada pela percepção do serviço de corte de cabelo ou do serviço de manicure, que é comparado com a expec- tativa que o cliente tinha em relação ao serviço finalizado. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 203 30/06/2016 08:39:29 Gestão de Serviços – 204 – Se o profissional exceder a expectativa do cliente, o serviço é percebido como de qualidade excepcional, e também como uma agradável surpresa e contentamento do cliente. Entretanto, se não atender às expectativas do cliente, a qualidade do serviço passa a ser inaceitável e passível de reclamação ou de propaganda negativa dispensada pelo cliente. A qualidade também poderá ser considerada satisfatória, ao se confirma- rem as expectativas do cliente na percepção dos serviços (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). A figura 5 mostra que as expectativas derivam de várias fontes, entre elas a indicação pessoal ou propaganda boca a boca, neces- sidades pessoais e experiências anteriores do cliente: Figura 5 – Qualidade percebida do serviço. (Fonte: PARASURAMAN et al., 1985 apud FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005. Adaptado.) Indicação pessoal Dimensão da quali- dade em serviços Confiabilidade Responsabilidade Segurança Empatia Aspectos tangíveis Serviço Esperado (SE) Necessidades pessoais Experiência passada Serviço Percebido (SP) Qualidade percebida em serviços 1. Expectativas foram excedidas SE < SP (qualidade surpreendente) 2. Expectativas atendidas SE = SP (qualidade satisfatória) 3. Expectativas não atendidas SE > SP (qualidade inaceitável) Adicionalmente, Kotler (2000) sinaliza que uma empresa de serviços pode ter vantagens ao executar um serviço com qualidade consistentemente superior à da concorrência e especialmente se superar as expectativas dos seus clientes. O cliente forma as expectativas com base em suas experiências passa- das ou ainda, pelo boca a boca ou pela propaganda. Após o recebimento do serviço, os clientes sempre irão confrontar o serviço percebido com o serviço esperado. Ou seja, se o serviço percebido não atender às suas expectativas, os clientes perderão o interesse pelo prestador de serviço. Porém, se o serviço percebido atender às expectativas, os clientes tenderão a retornar ao prestador de serviços (KOTLER, 2000). 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 204 30/06/2016 08:39:29 – 205 – O processo da qualidade em serviços Nesse cenário, Bateson e Hoffman (2001) e Hoffman et al. (2010) salientam que as lacunas nos processos de qualidade do serviço precisam ser eliminadas ou reduzidas, ou seja, gradativamente a gerência deverá se preocu- par em minimizar as lacunas: 2 lacuna de conhecimento – diferença entre o que os clientes espe- ram de um serviço e o que a gerência consegue perceber que os clientes esperam; 2 lacuna de padrões – diferença entre o que a gerência percebe que os clientes esperam e as especificações de qualidadeestabelecidas para a prestação de serviços; 2 lacuna da execução – diferença entre as especificações de quali- dade estabelecidas para a prestação do serviço e sua qualidade real. É importante, avaliar se os funcionários realmente executam o serviço da maneira como foram treinados; 2 lacuna de comunicação – diferença entre a qualidade real do ser- viço prestado e a divulgada nas comunicações externas da empresa, como folhetos e propaganda. Como observado, Bateson e Hoffman (2001) e Hoffman et al. (2010) descrevem que o processo de qualidade do serviço pode ser verificado na lacuna entre as expectativas e as percepções da gerência, dos funcionários e dos clientes, e, portanto, em essência, o objetivo da empresa é eliminar ou reduzir essa lacuna ao máximo, conforme pode ser observado na figura 6: Figura 6 – Modelo conceitual da qualidade do serviço. LACUNA DE CONHECIMENTO LACUNA DE PADRÕES LACUNA DE EXECUÇÃO LACUNA DE COMUNICAÇÃO LA CU NA D E SE RV IÇ O Percepções das expectativas do cliente pela gerência Expectativas do cliente Comunicação do vare- jista sobre serviços Percepções do cliente sobre o serviço Padrões que espe- cificam o serviço a ser prestado Serviço real prestado Fonte: HOFFMAN et al., 2010. Adaptado de PARASURAMAN et al., 1985. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 205 30/06/2016 08:39:30 Gestão de Serviços – 206 – Finalmente, convém mencionar que, embora a qualidade possa ser uti- lizada como vantagem competitiva no mercado, a qualidade em serviço é um tema bastante complexo, e Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005), baseados em Parasuraman et al. (1985), enfatizam a necessidade da definição da qualidade em serviços em cinco dimensões: confiabilidade, responsabilidade, segurança, empatia e aspectos tangíveis. 9.4 As dimensões e os determinantes da qualidade em serviços Em conformidade com Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005), baseados nos estudos e modelo de Parasuraman et al. (1985), as dimensões da qua- lidade em serviço foram identificadas por pesquisadores de marketing no estudo de várias categorias de serviços como as empresas de reparo de ele- trodomésticos, serviços bancários, telefonia de longa distância, corretoras de seguros e companhias de cartão de crédito. Desse modo, foram identificadas e selecionadas as cinco dimensões que os clientes utilizam para julgar a quali- dade dos serviços (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005, p.146-147): 2 confiabilidade – é a capacidade de prestar o serviço prometido com confiança e exatidão. O desempenho de um serviço confiável é uma expectativa do cliente e significa um serviço cumprido no prazo, sem modificações e sem erros. Por exemplo, receber a cor- respondência em uma hora certa todos os dias é importante para a maioria das pessoas. A confiabilidade também depende da reta- guarda, da qual se espera exatidão na elaboração de contas e na manutenção de registros; 2 responsabilidade – é a disposição para auxiliar os clientes e forne- cer o serviço prontamente. Deixar o cliente esperando, principal- mente por razões não aparentes, cria desnecessariamente uma per- cepção negativa da qualidade. Se ocorrer uma falha em um serviço, a capacidade para recuperá-la rapidamente e com profissionalismo pode criar muitas percepções positivas da qualidade. Por exemplo, servir bebidas de cortesia durante a espera de um voo que está atra- sado pode transformar a má experiência do cliente em algo a ser lembrado favoravelmente; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 206 30/06/2016 08:39:30 – 207 – O processo da qualidade em serviços 2 segurança – é o conhecimento da cortesia dos funcionários bem como sua capacidade de transmitir confiança e confidencialidade. A dimensão segurança inclui as seguintes características: compe- tência para realizar o serviço, cortesia e respeito ao cliente, comu- nicação efetiva com o cliente e a ideia de que o funcionário está realmente interessado no melhor para o cliente; 2 empatia – é demonstrar interesse e atenção personalizada aos clien- tes. A empatia inclui as seguintes características: acessibilidade, sensibilidade e esforço para entender as necessidades dos clientes. Um exemplo de empatia é a capacidade de um funcionário de uma empresa aérea encontrar a solução para um cliente que perdeu sua conexão, como se o problema fosse seu; 2 aspectos tangíveis – é a aparência das instalações físicas, equipa- mentos, pessoal e material para a comunicação. A condição do ambiente, da limpeza, por exemplo, é uma evidência tangível do cuidado e da atenção aos detalhes exibidos pelo fornecedor do ser- viço. Essa dimensão também pode estender-se à conduta de outros clientes que estejam utilizando o serviço, como o barulho de um hóspede de um hotel, no quarto ao lado. Nos serviços e no seu fornecimento, a principal característica é a inte- ração, normalmente simultânea, entre o cliente e o prestador de serviço ou fornecedor, e é nesse momento que ocorre a avaliação por parte do consumi- dor. Gianesi e Corrêa (1994) propõem algumas dimensões, segundo as quais o serviço pode ser avaliado: 2 consistência – é a capacidade que o prestador tem para prestar os serviços sempre da mesma forma, de tal modo que o cliente saiba o esperado. Por exemplo, nos serviços bancários o cliente sabe que é necessário cumprir um horário ou que ele terá que aguardar na fila. Assim, o cliente divulga suas experiências aos outros, que irão ao local e podem comprovar que as expectativas criadas foram atendidas; 2 velocidade de atendimento – quando não atendida causa muita insatisfação aos clientes, pois é o tempo para executar o serviço, assim o tempo que ele perde esperando para receber um serviço é considerado desperdício. O fator psicológico é relevante, pois o 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 207 30/06/2016 08:39:30 Gestão de Serviços – 208 – cliente se dispõe a gastar bastante tempo nos corredores do super- mercado para abastecer seu carrinho, porém não quer esperar muito na fila do caixa; 2 competência – é a capacidade de prestar um serviço que vai ao encontro de uma necessidade técnica do consumidor. O cliente necessita da solução de um problema que não consegue resolver, como um serviço elétrico ou hidráulico; 2 atendimento e atmosfera – é o nível de satisfação que o cliente experimenta ao participar do processo de prestação do ser- viço, que envolve fatores físicos, como iluminação, limpeza do ambiente, pinturas, facilidade de deslocamento, e fatores psicoló- gicos, como a cortesia, atendimento personalizado, sensações etc. Por essa razão, os detalhes são fundamentais para que o cliente se sinta bem; 2 custos – é a disposição que o cliente tem para pagar pelo prestação do serviço, estando presentes as variáveis como o tempo de espera, a capacidade de negociação, o quanto o cliente se desgasta para adquirir o serviço. 2 flexibilidade – é a capacidade de adaptação do prestador de servi- ços às mudanças das necessidades dos clientes, por isso a empresa deve preparar-se para corrigir erros rapidamente, para evitar a insa- tisfação dos clientes; 2 credibilidade e segurança – é a oferta de conforto e confiança para o cliente, na qual o prestador de serviços deve reduzir a percepção de risco que o cliente tem; 2 acesso – é a facilidade que o cliente tem para entrar em contato com a prestadora do serviço, como o estacionamento, horário de funcionamento, localização, capacidade de levar o serviço ao cliente, disponibilidade de acesso telefônico e retorno de chamadas. Entretanto, cada tipo de serviço poderá ter características distintas, e exis- tem discordâncias entre os autores sobre as dimensões da qualidade em servi- ços. Em restaurantes, o cliente procura competência, higiene e custos. Porém, em alguns casos, comoem fast-food, o cliente procura rapidez no atendimento. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 208 30/06/2016 08:39:30 – 209 – O processo da qualidade em serviços Contudo, esse mesmo cliente poderá frequentar restaurantes com serviço à la carte, no qual o atendimento é personalizado e a espera não terá importância. Por isso, é imprescindível que a empresa prestadora de serviços determine as suas dimensões baseada em seu público-alvo e no valor que os consumido- res têm em mente ao usufruir os seus serviços (GIANESI; CORRÊA, 1994). Em essência, os clientes possuem expectativas claras e buscam satisfazer os seus desejos. Portanto, é importante que a empresa atue com competência e melhore gradativamente seus processos para ofertar as dimensões vendidas aos seus consumidores, pois eles serão considerados determinantes por estes. 9.5 A melhoria da qualidade e produtividade em serviços No processo da qualidade e no gerenciamento da rotina de trabalho, Campos (1994) sinaliza que não existem alternativas, temos como meta ser os melhores no que fazemos e ofertamos ao mercado consumidor. Entre as ferramentas da qualidade, Campos (1994) recomenda aos gestores em suas ações o uso da filosofia de controle da qualidade utilizando o método PDCA. O método ou ciclo PDCA desenvolve os processos da organização com ênfase no processo de melhoria contínua. Inicialmente, o PDCA foi intro- duzido no Japão no pós-guerra, idealizado por Shewhart e divulgado e apli- cado nas empresas por Deming. O ciclo PDCA tem por princípio tornar os processos envolvidos mais claros, objetivos e ágeis, e está dividido em quatro passos principais, conforme a seguir: Figura 7 – Ciclo PDCA. AGIR sobre as causas, se as metas planejadas não forem alcançadas. PLANEJAR onde a empresa quer chegar: META Definir como chegar lá: MEIOS. CAPACITAR as pessoas, se necessário. EXECUTAR o que foi planejado. VERIFICAR os resultados obtidos, comparando-os com as metas. A P DC Fonte: CAMPOS, 1994. Adaptado. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 209 30/06/2016 08:39:30 Gestão de Serviços – 210 – O ciclo, segundo Campos (1994), começa pelo planejamento com a definição dos padrões e metas, em seguida executa-se a ação ou conjunto de ações planejadas, posteriormente verifica-se se o planejado está em consonân- cia com o realizado e toma-se uma ação para eliminar ou reduzir os efeitos ou desvios negativos apresentados no processo de execução. O ciclo apresenta-se da seguinte maneira: 2 Plan (planejar) – estabelecer um padrão ou uma meta após anali- sar o problema, o processo e suas causas e definir um plano de ação; 2 Do (executar) – realizar e executar as atividades planejadas no plano de ação; 2 Check (verificar) – monitorar e avaliar os resultados periodica- mente confrontando-os com o planejado; 2 Act (agir) – agir e corrigir desvios para melhorar o processo da qualidade, a eficiência e a eficácia, aprimorando a execução e corri- gindo eventuais falhas. Nas organizações, para gerar qualidade, é determinante que se gire continu- amente o ciclo PDCA, pois é um meio seguro, racional e barato para executar os processos de diversas áreas, garantindo o processo de melhoria da qualidade e a produtividade em serviços. O PDCA é aplicado para se atingir resultados e pode ser utilizado em qualquer empresa, de diversos portes e segmentos, de forma a garantir o sucesso e crescimento dos negócios. Todavia, existem outros programas e ferramentas da qualidade que podem ser utilizados em serviços para melhorar continuamente os proces- sos, que, conforme Paladini (2010), deve ser uma preocupação constante da empresa. Campos (1994) e Maranhão e Macieira (2004) recomendam algumas ferramentas da qualidade para melhorar continuamente os processos em serviços: 2 diagrama de causa e efeito ou de Ishikawa – serve de apoio para a resolução de problemas, ao elencar a sua causa e o seu efeito; 2 brainstorming – é uma tempestade cerebral de ideias e serve para elencar soluções que são sugeridas pelos colaboradores para solu- cionar problemas; 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 210 30/06/2016 08:39:30 – 211 – O processo da qualidade em serviços 2 gráfico de Pareto – identifica, através de gráficos, qual o problema mais relevante a ser tratado; 2 tabela GUT – indica e estabelece a gravidade, tendência e urgência para a eliminação de problemas; 2 fluxograma – representa, através de simbologia, a realizações de processos, identificando tarefas, sistemas, documentos, gargalos de maneira ampla ou detalhada; 2 ferramenta 5W2H – serve para mapear o plano de ações que pre- cisam ser desenvolvidas para a melhoria do processo. Entretanto, a qualidade é um conceito intangível, que não se define uni- camente, pois é a forma como cada indivíduo ou cliente percebe ou enxerga um produto ou serviço. Paladini (2010) salienta que coordenar os esforços de todos os recursos é uma atividade complexa, com o objetivo de atingir a qua- lidade. Por isso, o processo de melhoria contínua é um método importante e permanente nas organizações de serviços, pois propicia a participação de todos para obter a satisfação do cliente. Hoffman et al. (2010) esclarecem que a satisfação do cliente e a quali- dade do serviço estão entrelaçadas, embora ainda não completamente esclare- cidas, pois existem autores que estabelecem que a satisfação do cliente leva à percepção da qualidade do serviço e outros, no entanto, que estabelecem que a qualidade do serviço resulta na satisfação do cliente. Entretanto, Nogueira (2003) elenca a importância de estabelecer os passos, com início, meio e fim, para seguir um processo. Infelizmente, existem algumas implicações estratégicas da qualidade, que precisam ser analisadas e solucionadas pelos gestores de serviços. Uma delas é que um produto ou serviço produzido poderá chegar ao cliente com defeito. Nesse caso, cabe à empresa recuperar esse cliente, através do ressarci- mento de danos ou prejuízos que lhe foram causados. Entretanto, na oferta de serviços ou produtos ao cliente, cabe um cuidado especial para exercer o processo de controle de qualidade antes e durante o processo de produção, nunca depois, pois a empresa correrá o risco de perder o cliente, e esse por sua vez espalhar para diversos poten- ciais clientes sobre a má qualidade do serviço. 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 211 30/06/2016 08:39:30 Gestão de Serviços – 212 – Indubitavelmente, é difícil para as empresas de serviços estabelecerem os graus de qualidade em serviços, uma vez que os clientes têm percepções distintas sobre a qualidade percebida no serviço. Porém, a percepção da qualidade pelo cliente é influenciada pelo valor que ele atribui aos diversos indicadores de qualidade, razão pela qual é importante conhecê-lo e ter conhecimento de suas preferências. Portanto, a dificuldade de padronizar a qualidade em serviços exige, dos gestores e recursos humanos, diversos cuidados, e atenção especial quanto à customização e à personalização dos serviços aos clientes. A customização do serviço ao cliente garante maior flexibilidade no processo de produção com o objetivo de atender às diferentes demandas dos clientes. A personalização também poderá ser uma estratégia utilizada para aqueles clientes que têm expectativas de produtos e serviços únicos, exclusivos e distintos para satisfa- zer as suas necessidades melhor que os concorrentes. Ampliando seus conhecimentos Modelo de Gestão da Qualidade Total para Serviços (CARDOSO, 1995. Adaptado) A concepção de um sistema de qualidade para serviços é fundamental quando se busca a melhoria das operações de uma empresa. Oliveira Júnior (1994, p. 44) comenta que entre “os vários problemas potenciais de qualquer atividade de serviçoo que sempre ocorre é: não conseguir realizar o serviço; realizar o serviço com atraso; realizar mal o serviço.” O serviço identificado como importante fator de competitivi- dade, na ocorrência de qualquer uma dessas alternativas, com- promete a vantagem que representa. Necessita-se uma busca contínua da confiabilidade do serviço, isto é, o desempenho confiável e preciso para resultados. É bom lembrar que aqui defende-se a ampliação do conceito: 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 212 30/06/2016 08:39:30 – 213 – O processo da qualidade em serviços toda empresa possui serviços, tanto aquela que tem suas ope- rações baseadas na prestação de serviços, como aquelas que prestam serviços em suas atividades internas estendidas ao marke- ting, sistemas de entrega e pós-venda de manufaturados. O que diferencia as empresas neste caso, é o volume de atividades que produzem características tangíveis/intangíveis, e que agregam valor ao resultado percebido pelo cliente. Um conceito assim adotado por uma empresa é entendido neste trabalho, como serviço competitivo. A qualidade de serviços como fator de competitividade possui conceitos, princípios e elementos que se aplicam a todas as for- mas de prestação de serviços, seja uma empresa de pequeno, médio ou grande porte. A concepção de um sistema para essa contínua busca de qualidade deve abranger todos os processos necessários à produção dos serviços, desde o marketing até o fornecimento, com análise dos produtos ampliados percebidos pelo cliente. A criação e a manutenção da qualidade de servi- ços em uma empresa depende de uma gestão sistemática para assegurar que necessidades dos clientes, implícitas ou explícitas, sejam determinadas, mantidas e atendidas. Um sistema para a qualidade passa a ter, recentemente, orien- tações da norma ISO 9004-2, onde se estabelecem diretri- zes para sua gestão em empresas que tenham atividades de serviços envolvendo pessoal e instalações para a produção desses serviços. A tendência atual é que a empresa em busca de servi- ços competitivos oriente suas políticas para o cliente, que derivam estratégias de captação de confiança e lealdade. Os clientes devem satisfazer suas expectativas e, preferencialmente, conforme defende esse trabalho para o produto ampliado, surpreender-se percebendo um maior valor agregado no que recebem. A satisfação do cliente através de um sistema que promova o 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 213 30/06/2016 08:39:30 Gestão de Serviços – 214 – seu perfeito atendimento, pode ser obtida considerando-se como meios de gerenciar serviços: 2 Valor para o cliente – entender e desenvolver formas de produzir valor através de serviços competitivos. Viabiliza- -se por pesquisa de mercado, benchmarking, entre outras técnicas do marketing. 2 Sistema operacional compatível – especificar e assegu- rar que expectativas sejam satisfeitas no nível de projeto da oferta de serviços. Um instrumento pode ser o QFD (Desdobramento de Função da Qualidade). 2 Controle de processo – manter o acompanhamento durante a operação e não apenas no resultado final, apurando níveis de atendimento do serviço. O con- trole estatístico possui ferramentas que, adequadamente selecionadas, têm grande utilidade no controle. Já que serviços essencialmente constituem-se de desempenho de pessoas, um ponto deficiente observado nas Nor- mas ISO é a pouca profundidade tratada para fatores humanos. 2 Sistema de informações – prover com fatos precisos que envolvam tanto erros como oportunidades de melhoria, constituindo-se em valiosa forma de controle de desempenhos, e, ainda, provendo especificações de projeto dos serviços competitivos. 2 Mensuração de resultados – colocar medidas comparando- -se o serviço esperado com o percebido, obtendo-se infor- mações para melhorias e inovações (serviço competitivo). Esses foram os pontos mais evidentes e comuns nas diversas abordagens encontradas na revisão bibliográfica. Existem marcos estabelecidos pela boa prática gerencial, e também pela ISO, como evidencia a análise de seus itens. É conveniente ressaltar, contudo, que os passos de qualquer modelo de GQT são permeados por providências que remo- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 214 30/06/2016 08:39:30 – 215 – O processo da qualidade em serviços vem bloqueios ao desempenho que agregue valor a resulta- dos. Em geral, continuamente a GQT está envolvida com: 2 coleta de informações para análise da situação, que pode ser realizada por comparações, folha de contagem, grupos de foco, simulação de cliente, indicação de dimensões/expectativa, histograma, entrevista, técnica de grupo nominal, amostragem, diagrama de disper- são, pesquisa, clima organizacional; 2 tradução de informações em medidas, para acompa- nhar evolução do desempenho, através de compara- ções, brainstorming, simulação de cliente, técnica de grupo nominal, gráfico de andamento, avaliação de dimensões/expectativas; 2 análise de processo identificando distorções e possibili- dades de melhorias, com ajuda de mapeamento de pro- cessos, rotinas, diagrama de controle, gráficos, estratifica- ção, técnica de grupo nominal, diagrama de causa-efeito, gráfico de Pareto; 2 esquemas do processo melhorado, a partir de melho- rias identificadas na análise, por avaliação de processos, simulação de cliente, diagrama de dispersão, mapea- mento de processos, diagrama de Pareto, comparações, brainstorming, análise de campo de força; 2 fixação de padrões para consolidação de melhorias através de matriz de padrões, brainstorming, simulação de clientes; 2 gerenciamento do desempenho para assegurar níveis alcançados e prever inovações por simulação de cliente, gráficos, análise de campo de força, gráfico de anda- mento, diagrama de controle, folha de contagem. O desenvolvimento de um sistema de qualidade para serviços não é muito simples. As etapas de um processo de serviços são identificáveis, porém a integração entre funções e a com- 46239_MIOLO_gestao_de_servicos.indb 215 30/06/2016 08:39:30 Gestão de Serviços – 216 – preensão dos papéis podem não ser muito claras. Assim, o desenvolvimento de um modelo não conseguirá atender todos os tipos de empresas, justamente pela variação estrutural e parti- cularidades que são próprias de qualquer organização. Um sistema bem coordenado de melhoria de processos e toda infraestrutura da organização, devem ser envolvidos den- tro de um esquema de gerenciamento de mudanças, estas estruturais e comportamentais. Um modelo típico envolve pas- sos de identificação de necessidades de clientes, definição de responsabilidades da administração, mapeamento de proces- sos de serviço, definição de projetos de melhoria, avaliação e correção. O grande foco é exatamente no cliente e nos que produzem/ fornecem o serviço. A qualidade de serviços está fortemente ligada à qualidade de pessoas, bem identificadas como clien- tes e bem preparadas como funcionários. A qualidade de serviços implica em qualidade dos processos internos, em que estão funcionários, e processos externos conduzem ao forneci- mento de serviços que satisfazem expectativas do consumidor. A ISO 9004-2, mesmo criticada como sendo de pouca ajuda em relação ao que já está definido na ISO 9004 e não tendo característica imperativa, constitui-se numa fonte de informação para se desenvolver um modelo de GQT para serviços. Examinando essa norma, pode-se estabelecer obje- tivos para o desenvolvimento de um sistema de GQT para serviços, como: 2 estabelecer as responsabilidades da administração; 2 determinar as características da qualidade e o mecanismo de fornecimento dos serviços; 2 definir o conceito de qualidade da empresa; 2 planejar o sistema da qualidade; 2 desenvolver processos