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Apostila_saude ambiental e Epidemiologia

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no processo.
A caracterização do risco compreende 
o cálculo do risco mediante a associação com a 
exposição à substância de interesse. Para essa ca-
racterização, são necessárias informações sobre a 
substância envolvida, as características da popu-
lação exposta e a metodologia de coleta de da-
dos. Uma vez estimado o excesso de risco, ou a 
proporção de risco que uma população exposta 
tem a mais do que a não exposta, são propostas 
medidas de intervenção para prevenção e contro-
le dos riscos ambientais identificados. 
A caracterização da exposição de um indi-
víduo a um determinado fator de risco implica a 
existência de uma via de ingresso desse fator no 
organismo, se por contato de pele ou mucosas, 
por via respiratória, por ingestão ou outra forma. 
Em caso de exposição à poluição, é necessá-
rio conhecer o agente poluente, sua persistência 
no ambiente, as vias de ingresso no organismo 
humano, quem está exposto ao poluente espe-
cífico, onde a exposição ocorre, em que tempo, 
intensidade e frequência. 
O tipo de exposição pode ser descrito como 
agudo (acidental), reiterado e intermitente (ex.: 
exposição ocupacional) ou múltiplo. A intensida-
de da exposição é descrita como maciça (alta) ou 
progressiva (acumulativa); e a duração conside-
rada entre contínua, intermitente e ocasional. O 
detalhamento da exposição auxilia no estabeleci-
mento das relações causa e efeito. 
5.2 Alteração do Ambiente e Efeitos na Saúde Pública e Ambiental
Estimar a exposição, os efeitos e suas rela-
ções é muito difícil, principalmente levando em 
conta que as características individuais, como nu-
trição, sexo, idade, predisposição genética, estilo 
de vida, entre outras, podem influenciar as res-
postas à exposição ambiental. Além disso, algu-
mas doenças podem ter um período de latência 
muito longo, como é o caso de alguns tipos de 
câncer que se manifestam décadas após a exposi-
ção ao fator ambiental. 
Saiba maisSaiba mais
O Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) 
considera impacto ambiental qualquer alteração do 
meio ambiente quanto a propriedades físicas, quími-
cas ou biológicas causada por qualquer matéria ou 
energia produzida por meio de atividade humana e 
que, direta ou indiretamente, afete a saúde, a seguran-
ça ou o bem-estar da população; as atividades sociais 
e econômicas; a biota; as condições estéticas e sani-
tárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos 
ambientais.
Epidemiologia e Saúde Ambiental
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Os poluentes ambientais podem atingir o 
organismo humano de diferentes formas, inten-
sidades e locais. Os pulmões, rins, fígado e siste-
ma nervoso são órgãos bastante atingidos, mas 
pode-se acrescentar a eles os efeitos sobre a pele, 
sistema de defesa, sobre o comportamento, cres-
cimento e desenvolvimento, entre outros. Os 
danos desencadeados podem ser reversíveis e ir-
reversíveis, dependendo da capacidade de rege-
neração dos órgãos e sistemas atingidos. 
Tanto a exposição quanto os efeitos são pas-
síveis de monitoramento, definido como sistema 
de medições de rotina, para detectar alterações 
no ambiente e no estado de saúde das popula-
ções expostas (MEDRONHO et al., 2006). 
O monitoramento ambiental acompanha a 
emissão de poluentes com a finalidade de reduzir 
ou impedir que as pessoas sejam expostas a ele. 
A partir de parâmetros previamente estabeleci-
dos de níveis seguros de exposição, são emitidos 
alertas para a população ou adotadas condutas 
de proteção das pessoas. Por exemplo, os alertas 
para suspensão de atividades físicas quando o 
nível de poluição atmosférica está elevado ou as 
condições de baixa umidade relativa do ar favore-
cem a dispersão de partículas no ar.
O monitoramento biológico é feito pela do-
sagem do poluente em amostras de sangue, uri-
na, leite materno etc. e, posteriormente, dos efei-
tos clínicos na fase de sua manifestação. 
A Saúde Pública utiliza os sistemas de Vigi-
lância em Saúde para monitorar as alterações nos 
níveis de saúde da população e, embora mais fre-
quentemente se ocupe dos índices de morbidade 
(incidência de doenças) e mortalidade (incidência 
de óbitos), abrange seus determinantes e o con-
texto em que ocorreu a exposição. 
Para o monitoramento da relação entre am-
biente e saúde, a OMS propõe o uso de indicado-
res e uma metodologia de avaliação dos fatores 
ambientais, que são: forças motrizes, que são 
fatores que pressionam os processos ambientais, 
como desenvolvimento econômico e tecnoló-
gico; pressão, representada pela ação humana 
sobre o ambiente; o estado ou situação, que se 
refere às modificações no ambiente decorrentes 
das pressões; a exposição, que se refere à inter-
secção entre as pessoas e os perigos existentes; 
e os indicadores de efeito, que caracterizam a 
intensidade e magnitude do dano à saúde. O sex-
to indicador se refere às ações relacionadas aos 
indicadores anteriores e pode ser expresso pelo 
desenvolvimento de atividades relacionadas a 
mudanças de políticas econômicas, como progra-
mas de educação ambiental. Esse conjunto de in-
dicadores constitui o Sistema de Informações em 
Vigilância de Saúde Ambiental, que será discutido 
mais adiante. 
Algumas áreas em particular são de interes-
se da saúde pública por sua importância na deter-
minação de processos de adoecimento humano, 
relevantes principalmente por sua transcendên-
cia, como é o caso do uso dos resíduos sólidos 
produzidos nos serviços de saúde. 
Takanayagui (2005) lembra que esses resí-
duos, quando não são manejados da forma corre-
ta, representam risco para o ambiente pela possi-
bilidade de contaminação do solo, dos lençóis de 
água subterrâneos e do ar, e para a saúde huma-
na pelo contato direto e indireto por suas caracte-
rísticas específicas. Desde 1993, está em vigor no 
Brasil a Resolução CONAMA nº 5, que classifica os 
resíduos dos serviços de saúde, posteriormente 
modificada pela Resolução da Diretoria Colegia-
da (RDC) nº 33, de 2003, da Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (ANVISA). Os resíduos de ser-
viços de saúde são classificados em cinco grupos, 
a saber: grupo A – potencialmente infectantes 
(com possibilidade de conter agentes biológicos 
de maior virulência e em maior concentração); 
grupo B – químicos (têm em sua composição 
substâncias com graus de toxicidade, podem ser 
inflamáveis, corrosivos etc.); grupo C – rejeitos ra-
dioativos (contêm radionuclídeos); grupo D – resí-
duos comuns (qualquer resíduo que mesmo não 
contaminado pode causar acidentes); e grupo E 
– perfurocortantes (inclui objetos e instrumentos 
com características cortantes ou perfurantes). 
O manuseio desses materiais, incluindo a 
coleta, acondicionamento, tratamento, guarda e 
descarte final, é normatizado de acordo com a ca-
tegoria de classificação. Ainda assim, são frequen-
Hogla Cardozo Murai
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tes as denúncias e os acidentes com esse tipo de 
material, atingindo trabalhadores dos serviços de 
saúde e outros indivíduos quando inadequada-
mente expostos a esse tipo de resíduo. A melhor 
qualidade de serviços nesse aspecto envolve a 
capacitação das equipes, inclusive para a redução 
da geração desse tipo de resíduo e seu manejo 
adequado e responsável, visando à redução dos 
riscos à saúde humana e ao ambiente.
A estratégia encontrada para identificação 
de situações de risco e perigos no ambiente que 
podem causar danos à saúde com a finalidade de 
reduzir a exposição a esses riscos é definida como 
Vigilância em Saúde Ambiental, um dos subsis-
temas da Vigilância em Saúde, tema do próximo 
capítulo.
A Saúde Ambiental foi apresentada, neste capítulo, como uma área da Saúde Pública destinada à 
identificação e redução dos riscos ambientais à saúde humana, tendo como contexto o direito consti-
tucional

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