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Apostila_saude ambiental e Epidemiologia

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A transição do modo de produção 
feudal para mercantil trouxe muitas famílias do 
campo para as cidades, favorecendo a ocorrência 
de epidemias, porque as pessoas passaram a con-
viver com maior proximidade e esse fenômeno 
permitiu a disseminação de microrganismos cau-
sadores de doenças com maior velocidade. 
Estudiosos do assunto dão conta de que no 
final do século XVIII, quando a solidariedade dos 
vizinhos no atendimento às famílias acometidas 
principalmente por doenças infecciosas era in-
suficiente, as autoridades intervinham de forma 
complementar. Um exemplo desse tipo de inter-
venção foi a obrigatoriedade do sepultamento de 
mortos para evitar a contaminação da atmosfera 
pelas partículas provenientes da decomposição 
dos corpos. Do mesmo modo, eram prescritos 
cuidados de higiene pessoal e alimentar à popu-
lação, para evitar o contágio. 
Após a Revolução Industrial, com o surgi-
mento do capitalismo na segunda metade do 
século XIX, o Estado assumiu claramente a fun-
ção de zelar pela saúde da população, atuando 
muitas vezes de forma autoritária, no modelo de 
Polícia Médica. A ideia de prevenção foi ampliada 
na medida em que a vacinação e o isolamento de 
germes fizeram crer que tanto o adoecimento in-
dividual quanto o coletivo poderiam ser evitados. 
Para tanto, as políticas governamentais passaram 
a ser instituídas segundo o Modelo Processual da 
SAÚDE PÚBLICA4
4.1 Conceito de Evolução
saúde e doença: prevenção primária, para remo-
ver as causas das doenças, intervindo sobre o am-
biente (tratamento da água para consumo huma-
no, por exemplo) ou sobre o estilo de vida (dieta, 
exercícios, lazer); prevenção secundária, para im-
pedir o aparecimento de doenças mediante me-
didas específicas para cada agravo (como vaci-
nação, por exemplo); e terciária, com objetivo de 
reduzir os danos, incapacidades físicas, e dissemi-
nação das doenças (como serviços de reabilitação 
fisioterapêutica, laboral, entre outras). 
Considerados esses aspectos, fica evidente 
que o conhecimento que propicia o desenvolvi-
mento das populações também resulta na gera-
ção de riscos à sua saúde. A identificação, análise 
e monitoramento desses riscos produzido pela 
Epidemiologia subsidiam a tomada de decisão 
no planejamento, administração e avaliação de 
sistemas, programas, serviços e ações de saúde. 
Estes, por sua vez, constituem o campo de ação 
da Saúde Pública. 
As Políticas Públicas para o enfrentamento 
dos problemas e riscos à saúde da população são 
definidas a partir do diagnóstico das suas condi-
ções de vida e saúde, estabelecido pela análise 
de indicadores epidemiológicos e aplicação de 
critérios para eleição de prioridades. As priorida-
des eleitas pelos critérios de magnitude ou ex-
pressão de maior frequência e de transcendência 
caracterizada pela gravidade do dano e seu po-
tencial para produzir custos elevados, sequelas 
e mortes, e a vulnerabilidade dos agravos repre-
sentada pela sua capacidade de responder às me-
Hogla Cardozo Murai
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didas de controle são apresentadas na forma de 
objetivos e metas a serem alcançadas mediante 
ações governamentais implementadas direta e 
indiretamente pelos serviços de saúde pública. 
A produção de saúde, entendida como o conjun-
to de ações que visam à recuperação da saúde, 
a prevenção específica de agravos e a promoção 
da saúde são o objeto da Saúde Pública que atua 
em contextos políticos, econômicos, ambientais e 
socioculturais sobre os fatores e condições bioló-
gicas, modificando-as e transformando continua-
mente tais condições para torná-las favoráveis à 
saúde.
A relação entre a Saúde Pública e o ambien-
te está registrada num dos documentos mais an-
tigos sobre a intervenção sobre a saúde: o tratado 
De Ares, Águas e Lugares, atribuído a Hipócrates, 
escrito cerca de 400 anos a.C. Em seu raciocínio, 
Hipócrates partiu da observação das funções e 
manifestações do organismo e suas relações com 
o meio natural, incluindo a exposição às variações 
de tempo e temperatura (chuva, seca, frio, calor) e 
exposição a variações sociais, como trabalho, mo-
radia, relações sociais e estilo de vida, e definiu a 
saúde como resultado do equilíbrio entre o ho-
mem e seu meio. 
A teoria hipocrática teve forte relevância 
no desenvolvimento da saúde pública e inspirou 
movimentos teóricos que marcaram o curso da 
história, não só como objeto de conhecimento, 
mas como campo da prá-
tica sobre a saúde coleti-
va. Exemplo disso é obser-
vado na formulação dos 
modelos explicativos do 
processo saúde e doença 
onde o ambiente ocupa 
posição de destaque, seja 
albergando os agentes 
etiológicos responsáveis pela agressão do ser hu-
mano (Modelo Biomédico), se constituindo espa-
ço de interação entre o ser humano e os fatores 
determinantes da história natural da doença (Mo-
delo Processual), ou como terceiro subsistema na 
tríade agente, suscetível e ambiente (Modelo Sis-
têmico). 
4.2 Saúde Pública e o Ambiente
Ao estudar a distribuição dos eventos rela-
cionados ao processo saúde e doença em uma 
população e seus determinantes, a Epidemiolo-
gia evidencia que a ação humana sobre a nature-
za modifica e degrada o ambiente, favorecendo 
a influência de fatores determinantes físicos, quí-
micos, biológicos e sociais de doenças e outros 
agravos, reduzindo a qualidade de vida. 
Os determinantes físico-químicos são des-
critos por Philippi Jr. (2005) como fenômenos 
naturais que podem ser agravados pela ação an-
trópica. O desmatamento, a alteração do curso de 
rios e a emissão de gases na atmosfera modificam 
o clima, a incidência de chuvas, o aquecimento 
do solo, entre outros fenômenos. 
A disponibilidade de água potável está di-
retamente relacionada à 
qualidade de vida e saúde 
humana. Contraditoria-
mente, as regiões de alta 
densidade demográfica 
(habitantes/km2) alta-
mente industrializadas e 
urbanizadas consomem 
um volume maior de re-
cursos hídricos e, ao mes-
mo tempo, poluem os mananciais. Esse tipo de 
ocupação do território e estilo de vida também 
resulta na emissão de resíduos na forma de par-
tículas lançados na atmosfera ou de resíduos só-
lidos lançados no solo ou nas águas (rios mares e 
outras fontes hídricas). 
AtençãoAtenção
Os seres humanos impõem uma pressão cada vez 
maior sobre o ambiente, tanto pelo uso excessivo 
dos recursos naturais em um ritmo incompatível 
com a renovação natural quanto pela geração de 
resíduos em velocidade e quantidades superio-
res à capacidade de processamento. 
Epidemiologia e Saúde Ambiental
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As partículas lançadas na atmosfera, a que 
chamamos poluição atmosférica, constituem im-
portante determinante de doenças respiratórias e 
consequente elevação de seus índices de mortali-
dade. Do ponto de vista da saúde pública, soma-
-se ao custo representado pelas perdas sociais e 
econômicas (causam faltas ao trabalho, perdas 
no processo produtivo), da qualidade de vida e/
ou da própria vida um aumento significativo no 
custo de medidas de controle e tratamento des-
ses agravos. 
Os determinantes biológicos abrangem 
atributos individuais endógenos, como a carga 
genética, e os exógenos, pertinentes ao ambien-
te. A oferta de água, abrigo e alimento favorece 
o aparecimento e aumento da fauna sinantró-
pica, representada por espécies animais que se 
adaptam a viver junto ao homem a despeito de 
sua vontade. São espécies que se adaptaram ao 
modo de viver do homem em áreas antrópicas 
para sobreviver e que, no contato com os seres 
humanos, podem causar prejuízos à saúde de or-
dem física, econômica ou ambiental. 
O manejo inadequado do ambiente na-
tural altera o equilíbrio ecológico, extinguindo 
algumas espécies da biota e favorecendo o cres-
cimento desordenado de outras,

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