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1 5º SEMESTRE 2021.2 – UNIFTC HEMATOLOGIA JULIANA OLIVEIRA ESPLENOMEGALIA DE GRANDE MONTA BAÇO O baço é um órgão funcionalmente diverso, assumindo até a função de produção de células quando a medula se torna hipofuncionante. Estipula-se um tamanho normal de até 11 cm e que ele tenha ≤ 400g, quando o peso for > 400g isso já é chamado de esplenomegalia. Já a esplenomegalia maciça, consiste em um órgão que é > 20cm e com um peso > 1kg, assim, cruza a linha média do abdome e alcança a FIE. ESTRUTURA E FUNÇÃO: A estrutura do baço é composta por uma polpa vermelha e uma polpa branca. Esse órgão é repleto de irrigação sanguínea e vai ser nos sinusóides que as hemácias antigas serão degradadas, além disso, há também uma função importantíssima em relação a circulação de antígenos, de modo que a linfa que banha a polpa do baço apresenta antígenos para os macrófagos e demais células de defesa que estão presentes no baço, fazendo a apresentação de antígeno e preparando essas células para que elas consigam se defender. A camada linfóide periarteriolar é rica em linfócitos T e a camada marginal é rica em linfócitos B, T e macrófagos. Além disso, como órgão linfopoiético é muito importante, pois, corresponde a 25% da massa linfoide total. Quando estamos diante de algum processo infeccioso agudo, qualquer baço vai aumentar sua atividade e, consequentemente, também vai aumentar seu tamanho, visto que, quanto maior sua atividade, maior a irrigação sanguínea, maior a atividade do baço e consequentemente, maior seu tamanho. Atenção! Nem todo baço aumentado terá sua função aumentada, logo, é possível ter esplenomegalia, mas a função de fagocitar células vermelhas e guardar células linfoides pode não estar aumentada. No entanto, toda vez que houver uma tendência de aumento dessa atividade, geralmente haverá uma esplenomegalia associada. Contudo, se o baço aumentou por algum outro motivo, não necessariamente haverá hiperesplenismo ou aumento da atividade. Uma outra função muito importante em relação as células de defesa é a opsonização de todas as células que estão ligadas à anticorpos, é um dos mecanismos que o corpo da gente se livra de patógenos. Aquelas células são ligadas a anticorpos e quando vão para o sistema reticulo endotelial do baço são reconhecidas, fagocitadas e destruídas. Uma outra função que é específica da polpa vermelha do baço é a remoção de hemácias senescentes deformadas, essa ação é muito presente nas anemias autoimune, falciforme ou hemolítica, devido à um defeito na arquitetura dessa célula. Além disso, mesmo que a pessoa tenha hemácias normais e funcionais, quando a hemácia fica velha, ela passa pelo sinusóide do baço e por estar velha, ela não se deforma bem e é destruída lá. COMO IDENTIFICAR SE A PESSOA TEM OU NÃO O BAÇO? Toda vez que se tem células com remanescentes nucleares, essas células vão se fagocitadas pelo baço, no entanto, se não houver o baço, é como que os corpúsculos de Howell- Jolly apareçam na periferia. Logo, pacientes que fizeram a retirada do baço ou pacientes com anemia falciforme que têm uma redução natural da função do baço em decorrência das constantes crises, possuem a presença dos corpúsculos de Howell Jolly ou corpúsculos de Heinz, que são depósitos insolúveis de globina, sinalizando que há uma função reduzida do baço, quando acumulados em grandes quantidades há danos, por isso são reconhecidos e destruídos. Sintetizando as funções do baço: ▪ Clearance de microrganismos e partículas antigênicas. 2 5º SEMESTRE 2021.2 – UNIFTC HEMATOLOGIA JULIANA OLIVEIRA ▪ Síntese de IgG, properdina, tuftisina (peptídeo imunoestimulador). ▪ Remoção de hemácias anormais. ▪ Hematopoieses → nos casos em que a medula está hipofuncionante, no entanto, quando isso ocorre, há células de defesa imatura e eritroblastos (leucoeritroblastose). CAUSAS: Se alguma das funções normais do baço estiverem muito aumentadas, repercutirá no tamanho do baço. ▪ Hipertrofia em resposta a alguma causa imune ou a algum quadro inflamatório/infeccioso. ▪ Hipertrofia por destruição de glóbulos vermelhos. ▪ Congestivas. ▪ Mieloproliferativas. ▪ Infiltrativas → tuberculose, doenças infecciosas. ▪ Neoplásicas ➔ Causas miscelânea: ▪ Trauma ▪ Cistos ▪ Hemangiomas ▪ Metástase ▪ Abscesso ▪ Drogas. ➔ Causa inflamatória Existem doenças autoimunes que vão se manifestar com esplenomegalia no quadro normalmente. Sendo assim, 20 a 30% dos pacientes com lúpus vão apresentar esplenomegalia. ▪ Felty: Paciente que possui neutropenia, esplenomegalia e normalmente um quadro de artrite reumatoide bem grave com acometimento multiarticular. ▪ Anemia ▪ Trombocitopenia ▪ Linfoadenopatia ▪ Articulares/sistêmicas ▪ Síndrome de Schnitzler → Normlamente acomete mulheres na 4ª década de vida, abre o quadro com rash e apresenta artralgia em cerca de 70% dos casos. A esplenomegalia está presente em até 12% dos casos, está muito relacionada com amiloidose e doenças linfoproliferativas. ➔ Causas infecciosas: ▪ Hepatites virais. ▪ EBV. ▪ HIV. ▪ Febre tifóide. ▪ Endocardite bacteriana ▪ Brucelose ▪ Sífilis secundária. ▪ Leptospirose ▪ Malária ▪ Esquistossomose ▪ Leishmaniose visceral ➔ Causas hiperplásicas: ▪ Talassemia. ▪ Anemia falciforme: 1 a 2 anos. ▪ Esferocitose. ➔ Causas congestivas: ▪ Hipertensão portal → cirrose. ▪ Aumento da pressão venosa → ICC. ▪ Trombose de veia esplênica. → importante fazer o diag diferencial com doenças mieloproliferativas. ▪ Síndrome de obstrução sinusoidal hepática. ➔ Causas infiltrativas: ▪ Aumento de partículas não degradadas em macrófagos. ▪ Gaucher. ▪ Sarcoidose → linfonodomegalia mediastinais + esplenomegalia. ▪ Amiloidose → esplenomegalia + ICC + insuficiência hepática. Causas + comuns de esplenomegalia: ▪ Cirrose (33%). ▪ Malignidades hematológicas (27%) → linfoma. ▪ Infecção (23%) → AIDS e endocardite. ▪ Congestão ou inflamação. (8%) → ICC. ▪ Doença primária do baço (4%) → Trombose de veia esplênica. ▪ Outros ou desconhecidos (5%). Atenção! Ao encontrar um paciente com um baço que cruza a linha média e alcança a FIE, é importante fazer diagnóstico diferencial com: ▪ LMC. ▪ Mielofibrose, Policitemia vera, trombocitose essencial. ▪ Doença de Gaucher. ▪ Linfoma (indolente, leucemia de células pilosas). ▪ Leishmaniose visceral. ▪ Malária: Sindrome de esplenomegalia tropical. ▪ Beta talassemia major. ▪ AIDS (mycobacterium avium complex). SINAIS E SINTOMAS: ▪ Dor abdominal: Referida ou não em ombro esquerdo. ▪ Saciedade precoce. ▪ Febre. ▪ Palidez, dispneia, petéquias, hematomas. ▪ Perda ponderal (neoplasia). ▪ Pancreatite crônica (trombose de veia esplênica). 3 5º SEMESTRE 2021.2 – UNIFTC HEMATOLOGIA JULIANA OLIVEIRAToda vez que o baço “cresce” e há aumento da sua função, tem-se células presas ali dentro, sendo mais destruídas que o normal. ABORDAGEM DIAGNÓSTICA: ▪ Hemograma completo: Anemia, leucopenia, plaquetopenia. ▪ Esfregaço de sangue periférico. ▪ TC de abdome: CC 11-13cm. → analisa se há infiltrações no baço. ▪ USG de abdome. É o único exame de imagem que possui um índice para medir o baço reconhecido por estudo. (padrão-ouro) → primeira escolha para analisar aumento de tamanho. Lembre-se! Leucoeritroblastose é marcador de hematopoiese extramedular. Eritroblastos e células brancas imaturas não devem aparecer no sangue periférico. ESPLENECTOMIA Quando o paciente retira o baço, fica com uma deficiência para germes encapsulados, logo, é obrigatório vacinar o paciente que irá fazer esplenectomia cerca de 2 meses antes do procedimento e 24h após. ➔ Vacinas necessárias: ▪ Streptococcus pneumoniae. ▪ H. influenza tipo B. ▪ Neisseria meningitidis. ▪ Streptococcus do grupo A. ▪ Pneumo 23. ▪ Anti-meningocócica. ▪ Influenza.