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Fichamento Da divisão do trabalho social (Cap 1) - Émile Durkheim

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DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. São Paulo: Abril Cultural, 1983. 
(Coleção Os Pensadores) 
Livro I – A função da divisão do trabalho 
Capítulo I – Método para determinar esta função 
“Perguntar-se qual é a função da divisão do trabalho, portanto, é procurar a qual necessidade 
ela corresponde; quando resolvermos esta questão, poderemos ver se esta necessidade é da 
mesma natureza que aquelas as quais correspondem outras regras de conduta cujo caráter moral 
não é discutido.” (pág. 23) 
“Nada parece mais fácil, à primeira vista, do que determinar o papel da divisão do trabalho. 
Seus esforços não são conhecidos por todo mundo? Tendo em vista que ela aumenta 
simultaneamente a força produtiva e a habilidade do trabalhador, ela é a condição necessária do 
desenvolvimento intelectual e material das sociedades; ela é a fonte da civilização. Por outro 
lado, como se atribui de bom grado a um valor absoluto, não se tenta nem mesmo procurar uma 
outra função para a divisão do trabalho.” (pág. 23) 
“De todos os elementos da civilização, a ciência é o único que, em certas condições, apresenta 
um caráter moral. Com efeito, as sociedades tendem cada vez mais a ver como um dever do 
indivíduo desenvolver sua inteligência, assimilando as verdades cientificas que são 
estabelecidas.” (pág. 24) 
“Ao menos, a ciência que se requer que todo mundo assim a possua não merece quase ser 
chamada por este nome. [...]. A ciência propriamente dita ultrapassa infinitamente este nível 
vulgar. Não compreende apenas isto que é vergonhoso ignorar, mas tudo o que é possível saber. 
Ela não supõe apenas, nos indivíduos que a cultivam, estas faculdades médias que todos os 
homens possuem, mas disposições especiais. Portanto, sendo acessível somente a uma elite, 
não é obrigatória.” (pág. 25) 
“Mas não é preciso que o domínio da ética seja tão indeterminado; ele compreende todas as 
regras de ação que se impõem imperativamente à conduta e às quais está ligada uma sanção, 
mas não vai mais Ione. Por conseguinte, visto não haver nada na civilização que apresente este 
critério da moralidade, ela é moralmente indiferente. Portanto, se a divisão do trabalho não 
tivesse outro papel além do de tornar a possível, participaria da civilização mesma neutralidade 
moral.” (pág. 25) 
“Portanto, se a divisão do trabalho não respondesse a outras necessidades além daquelas, não 
teria outra função que a de atenuar efeitos que ela própria produz... Nestas condições, poderia 
ser necessário suportá-la, mas não haveria nenhuma razão de querê-la, porque os serviços que 
ela prestaria reduzir-se-iam a reparar as perdas que ela causa. Portanto, tudo nos convida a 
procurar uma outra função para a divisão do trabalho.” (pág. 26) 
“...e sua verdadeira função [da divisão do trabalho] é criar entre duas ou várias pessoas um 
sentimento de solidariedade.” (pág. 27) 
 “Em todos estes exemplos, o mais notável efeito da divisão do trabalho não é que aumenta o 
rendimento das funções divididas, mas que as torna solidarias. Seu papel em todos estes casos 
não é simplesmente embelezar ou melhorar as sociedades existentes, mas tornar possíveis 
sociedades que, sem ela, não existiriam. [...]. É possível que a utilidade econômica da divisão 
do trabalho valha para alguma coisa neste resultado, mas, em todo caso, ele ultrapassa 
infinitamente a esfera dos interesses puramente econômicos; pois ele consiste no 
estabelecimento de uma ordem social e moral sui generis.” (pág. 30) 
“As duas representações tornam-se solidárias porque, sendo indistintas, totalmente ou em parte, 
confundem-se e não fazem mais senão uma, e são solidárias só na medida em que se confundem. 
Ao contrário, no caso da divisão do trabalho, estão fora uma da outra e estão ligadas apenas 
porque são distintas.” (pág. 30) 
“...[a divisão do trabalho] teria por função integrar o corpo social, assegurar sua unidade.” (pág. 
30-31) 
“Ela não serviria apenas para dotar nossas sociedades de um luxo, invejável talvez, mas 
supérfluo; ela seria uma condição de sua existência. É por ela, ou pelo menos é sobretudo por 
ela, que estaria assegurada sua coesão; é ela que determinaria os essenciais de sua constituição. 
Por isto mesmo, embora ainda não estejamos em condição de resolver a questão com rigor, 
pode-se entretanto entrever desde agora que, se tal é realmente a função da divisão do trabalho, 
ela deve ter um caráter moral, pois as necessidades de ordem, de harmonia, de solidariedade 
social geralmente passam por morais.” (pág. 31) 
“Mas é preciso sobretudo determinar em que medida a solidariedade que ela produz contribui 
para a integração geral da sociedade: pois é apenas então que saberemos até que ponto é 
necessária, se é um fator essencial da coesão social, ou, ao contrário, se é só uma condição 
acessória e secundaria. Para responder a esta questão é preciso, portanto, comparar este elo 
social aos outros, a fim e medir a parte que lhe cabe no efeito total, e para isto é indispensável 
começar por classificar as diferentes espécies de solidariedade social.” (pág. 31) 
“Portanto, se podem existir tipos de solidariedade social que os costumes são os únicos a 
manifestar, são certamente muito secundários; ao contrário, o direito reproduz todos aqueles 
que são essenciais, e estes são os únicos que temos necessidade de conhecer.” (pág. 32) 
“Portanto, nosso método está completamente traçado. Visto que o direito reproduz as formas 
principais da solidariedade social, precisamos apenas classificar as diferentes espécies de 
direito para buscar em seguida quais são as diferentes espécies de solidariedade social que a 
elas correspondem. É provável, desde já, que exista uma que simbolize esta solidariedade 
especial da qual a divisão do trabalho é a causa. Isto feito, para medir a parte desta última, será 
suficiente comparar o número das regras jurídicas que a exprimem com o volume total do 
direito.” (pág. 34) 
“Portanto, devemos dividir as regras jurídicas em duas grandes espécies, segundo tenham 
repressivas sanções organizadas ou apenas restitutivas. A primeira compreende todo o direito 
penal; a segunda o direito civil, o direito comercial, o direito processual, o direito administrativo 
e constitucional, abstração feita das regras penais que podem aí encontrar-se.” (pág. 34)

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