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Autor: Ricardo Calasans Colaboradores: Prof. Luiz Carlos Felix Profa. Rachel Niza Saúde e Segurança no Trabalho Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Professor conteudista: Ricardo Calasans Engenheiro de Produção Mecânica pela Universidade Metodista de Piracicaba – Unimep (1994). Pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho (1995) e em TI (1996) pela Universidade Paulista (UNIP). Mestre em Engenharia de Produção pela UNIP (2000). Bacharel em Direito (2008) e Médico-Veterinário pela UNIP (2014). Doutorando na Faculdade de Saúde Pública da USP em Organização dos Processos Produtivos e Saúde do Trabalhador. Diretor da Associação Brasileira dos Profissionais de Medicina e Segurança do Trabalho e Meio Ambiente desde 1997, onde atua como consultor e perito em questões de insalubridade, periculosidade, doenças e acidentes do trabalho, cursos e treinamentos em SST. Coordenador-geral do curso de Tecnologia de Segurança do Trabalho, coordenador do curso de pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho da UNIP nos campi Anchieta e Campinas, coordenador-geral do curso técnico de Segurança do Trabalho do Pronatec da UNIP. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) C143s Calasans, Ricardo. Saúde e Segurança no Trabalho / Ricardo Calasans. – São Paulo: Editora Sol, 2018. 124 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXIV, n. 2-132/18, ISSN 1517-9230. 1. Legislação. 2. Riscos. 3. Planejamento. I. Título CDU 331.823 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Marcilia Brito Aline Ricciardi Vitor Andrade Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Sumário Saúde e Segurança no Trabalho APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO .......................................................................................................9 1.1 Origem da área de Segurança e Saúde no Trabalho .................................................................9 2 CONCEITOS IMPORTANTES PARA ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA NACIONAL ..... 24 Unidade II 3 LEGISLAÇÃO ....................................................................................................................................................... 36 4 NORMAS REGULAMENTADORAS DE SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO ......................... 43 Unidade III 5 RISCOS ................................................................................................................................................................. 72 6 PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS OCUPACIONAIS – NR-9.............................................. 84 Unidade IV 7 PLANEJAMENTO DE SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO .......................................................... 93 7.1 Gerenciamento de riscos ................................................................................................................... 94 8 GESTÃO DE MUDANÇAS .............................................................................................................................104 8.1 Prevenção às emergências ..............................................................................................................108 8.2 Análise Crítica (AC) ............................................................................................................................112 7 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 APRESENTAÇÃO Este livro-texto busca introduzir o aluno nas questões de Saúde e Segurança no Trabalho, apresentando conceitos necessários para a compreensão dos principais temas que envolvem as atividades prevencionistas. Muitos conceitos relevantes serão tratados para permitir que o aluno possa ter uma visão clara da abrangência do tema e de sua importância para a sociedade, as empresas, as indústrias, os governos e os próprios trabalhadores. Por se tratar de um tema central para todos, uma vez que as consequências das doenças e acidentes do trabalho recaem em toda a sociedade, serão apresentados o papel dos profissionais prevencionistas, as técnicas de análise de riscos e, em seguida, a forma correta para sua prevenção e controle. Outro aspecto vital que se deve conhecer é a legislação vigente. Esse conhecimento é básico para exercer sua atividade profissional com segurança e profissionalismo. Como o tema é muito amplo, alguns pontos principais e mais comuns à maioria das atividades econômicas serão abordados, como a questão da prevenção contra incêndios, o atendimento pré-hospitalar ou mais conhecido como primeiros socorros, entre outros. Também é essencial a parte administrativa, pois temos que conhecer a forma correta de registro dos dados e das informações pertinentes às questões prevencionistas. Ao longo do livro-texto, de forma gradual, o aluno poderá perceber a importância do tema e, assim, ter condições de se preparar para ser um profissional competitivo, responsável e consciente das suas responsabilidades e obrigações. Tenha um ótimo aproveitamento! Bons estudos! INTRODUÇÃO Ao longo dos últimos anos, uma série de novas normas de sistemas de gestão surgiram no mercado. Isso mostra como o mercado competitivo exige que as empresas invistam em sistemas de gestão na busca de eficiência e maior competitividade sem comprometer seus processos. O Brasil desenvolveu a ABNT 18.801:2010 – Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho – Requisitos, publicada no dia 1º de dezembro de 2010. Ela entrou em vigor em 1º de dezembro de 2014, porém acabou sendo cancelada em 14 de outubro do mesmo ano, infelizmente, pois era a primeira e única norma nacional de Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho. Independentemente disso, essa norma serviu como uma referência para muitas empresas que buscavam criar seus sistemas de gestão, uma vez que ela especificava os requisitos necessários para 8 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 desenvolver um Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho (SGSST). Esse sistema permite que qualquer organizaçãopossa controlar os respectivos riscos da Segurança e Saúde no Trabalho (SST) e, dessa forma, possa melhorar o seu desempenho. Mas para a boa compreensão de tudo o que se refere à Segurança e Saúde no Trabalho (SST), deve-se ter uma boa compreensão dos conceitos-chaves da área de SST, sendo importante também uma visão da histórica do desenvolvimento das ações de SST no Brasil e no mundo. Para isso, iremos abordar, neste livro-texto, essas questões, retrocedendo na história e, assim, permitindo acompanhar toda a evolução. Buscando compreender o estado atual da SST no mundo e no Brasil. Isso influenciou e influencia a criação de leis, normas, procedimentos, políticas públicas etc., fazendo parte das relações de trabalho. Também abordaremos os principais agentes de riscos que devem ser considerados nos programas de prevenção de riscos nas empresas e os controles necessários. É vital conhecer esses agentes de risco, pois trataremos sobre eles, buscando eliminá-los dos ambientes de trabalho e, quando não for possível, adotando medidas coletivas de proteção que, quando não forem suficientes, deverão ser complementadas com uso de equipamentos individuais, treinamentos e capacitação, para que os trabalhadores possam desenvolver suas tarefas com segurança e com sua saúde preservada. Por fim, passaremos os principais pontos sobre sistemas de gestão de SST e a importância, em um mercado globalizado, de se desenvolver tal sistema de gestão que, cada dia mais, se torna requisito para poder entrar nos mercados internacionais. 9 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO Unidade I 1 SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO De uma forma geral, há uma compreensão de que o trabalho é uma fonte de adoecimento, de lesões ou mesmo de morte aos trabalhadores. Para poder compreender o momento atual em que nos encontramos, é importante que possamos entender um pouco a origem das atividades prevencionistas e a evolução de todo o conceito de Segurança no Trabalho. Então, vamos voltar um pouco no tempo e na história da humanidade. 1.1 Origem da área de Segurança e Saúde no Trabalho Como o próprio no já diz, a Segurança e Saúde estão relacionadas com o Trabalho. Sendo assim, é importante discutir o conceito de trabalho. Pode-se dizer que trabalho é uma atividade humana em que o indivíduo emprega sua força para a obtenção da sua subsistência. Registros em um papiro egípcio, de Anastacius V (2.000 a.C), foram encontrados fazendo referências aos cuidados com a saúde e a vida do trabalhador, referindo-se à atividade de um pedreiro. Podem-se encontrar referências a acidentes com trabalhadores, inclusive no Novo Testamento de Lucas, em que cita a morte de dezoito trabalhadores no desabamento da Torre de Siloé. Conhecido como Pai da Medicina, Hipócrates, há mais de dois mil anos, descreveu a intoxicação de mineiros por chumbo. Outras descrições do sofrimento vivido pelos mineiros foram feitas no na época dos Romanos (MENDES, 1995; ROSEN, 1994). Na civilização greco-romana, Aristóteles (384-322 a.C) buscou tratar e prevenir as enfermidades que ocorriam com os mineiros. Nessa época o trabalho já era considerado como uma fator que afetava e alterava as condições de viver. Em 1556, a obra De re metallica, de Georg Bauer (Georgius Agricola, 1494-1555), metalurgista alemão, geólogo e alquimista, já descrevia a questão das doenças pulmonares que afetavam os mineiros, que possuíam as características da silicose, doença respiratória bem conhecida na atualidade. Já em 1700, tivemos um marco para a medicina do trabalho, que se trata da obra do médico Bernadino Ramazzini, da cidade de Modena, na Itália, que se intitulava De Morbis Artificum Diatriba (RAMAZZINI, 2016), em que apresentava seus estudos e registros minuciosos das doenças que afetavam trabalhadores em mais de cinquenta profissões diferentes. Mesmo com esses registros, não se tem conhecimento da adoção de qualquer tipo de política pública ou proposta com o objetivo de reduzir os riscos aos quais os trabalhadores estavam expostos. Cabe 10 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I lembrar que, nesse período, as vítimas dos acidentes ou mesmo das doenças decorrentes do trabalho eram quase que na sua totalidade escravos ou pessoas que vinham de níveis sociais considerados inferiores dentro da escala social da época. Por esta obra, Ramazzini recebeu o título de pai da Medicina do Trabalho. Saiba mais Você poderá fazer o download da obra de Ramazzini, “As doenças dos trabalhadores” pelo link: RAMAZZINI, B. As doenças dos trabalhadores. Tradução de Raimundo Estrêla. 4. ed. São Paulo: Fundacentro, 2016. Disponível em: <http://www. fundacentro.gov.br/biblioteca/biblioteca-digital/download/Publicacao/253/ DoencasTrabalhadores_portal-pdf>. Acesso em: 5 jul. 2018. Sem dúvida sua obra tornou-se referência para muitos outros médicos que buscavam tratar da saúde dos trabalhadores e, com a Revolução Industrial, que se deu em meados do século XVIII, o trabalho teve alterações significativas. Deixou de ser artesanal e passou a ser um trabalho assalariado, no qual o trabalhador se deparava com uma produção a partir do uso de máquinas, uma mecanização dos sistemas de produção, o surgimento de novos produtos químicos, bem como novos processos de trabalho, em que os empresários buscavam maiores lucros e menores custos de produção. Logo, a produção era acelerada e o trabalhador era apenas mais uma das engrenagens desse sistema. Em decorrência disso, houve um crescente aumento do número de agravos relacionados ao trabalho. É fácil de imaginar como era a situação na qual se encontrava um número enorme de trabalhadores, muitas vezes crianças, em locais confinados, passando por extensas jornadas de trabalho em ambientes insalubres. Essa nova realidade colocou trabalhadores que estavam acostumados às atividades rurais ou mesmo artesanais em ambientes de risco, que exigiam muita atenção e que acarretavam muitos acidentes e mutilações. Outra questão importante que decorreu dessa nova relação de trabalho imposta pela industrialização, criando um grande número de trabalhadores assalariados, foi a percepção coletiva, por parte destes trabalhadores, que eles eram alvo da exploração econômica e social, resultando em muitos danos a sua saúde e provocando o seu adoecimento e a sua morte. Isso tudo acarretou em uma crescente mobilização social que cobrava do Estado uma intervenção nas relações entre empregadores e empregados, buscando com isso uma redução dos riscos ocupacionais. Como resultado, aparecem, na Inglaterra, as primeiras normas trabalhistas, em 1802, como a Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes, seguida por diversas outras nas demais nações que passavam pelo processo de industrialização (ROSEN, 1994). 11 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO No século XIX já havia o pensamento de criação de uma organização internacional do trabalho, como apresentado por Arnaldo Sussekind (1998, p. 18-19), referindo-se ao Manifesto Comunista de Marx e Engels (1848) e à encíclica Retrum Novarum., escrita pelo Papa Leão XIII, em 15 de maio de 1891: 25. No que diz respeito aos bens naturais e exteriores, primeiro que tudo é um dever da autoridade pública subtrair o pobre operário à desumanidade de ávidos especuladores, que abusam, sem nenhuma descrição, tanto das pessoas como das coisas. Não é justo nem humano exigir do homem tanto trabalho a ponto de fazer pelo excesso da fadiga embrutecer o espírito e enfraquecer o corpo. A atividade do homem, restrita como a sua natureza, tem limites que se não podem ultrapassar. Saiba mais Pode-se encontrarna sua íntegra a encíclica do Papa Leão XIII sobre a condição dos operários em: PAPA LEÃO XIII. Carta enclítica “Rerum Novarum” do sumo pontífice Papa Leão XIII a todos os nossos veneráveis irmãos, os patriarcas, primazes, arcebispos e bispos do orbe católico, em graça e comunhão com a Sé apostólica. La Santa Sede, Roma, 15 maio 1891. Disponível em: <https://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/ hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html>. Acesso em: 5 jul. 2018. Havia uma tensão crescente entre trabalhadores e empregadores, sindicatos que surgiam chamando os trabalhadores a uma união contra as condições de trabalho impostas. Assim, a encíclica buscava uma forma alternativa de permitir uma convivência pacífica entre a relação capital e trabalho. Não é por acaso que essa encíclica tornou-se um marco na história do Direito do Trabalho, pois ressaltou a importância para o progresso de leis trabalhistas. Em 1890, realizou-se a primeira Conferência Internacional do Trabalho, na Alemanha, na cidade de Berlim, que resultou em recomendações a respeito do trabalho infantil e das mulheres, determinando jornadas de trabalho e repousos semanais remunerados, entre outros assuntos. Sem dúvida nenhuma, um dos maiores marcos na história de proteção dos trabalhadores foi a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 1919, em Versalhes, onde se assinou o tratado de paz que pôs fim a Primeira Guerra Mundial. Entendeu-se que as questões relacionadas às condições de trabalho eram fundamentais para a paz universal, devendo estar apoiada na justiça social. 12 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I É interessante observar que a OIT é a única entidade do sistema das Nações Unidas que possui uma estrutura tripartite, formada por representantes dos empregadores, dos empregados e dos governos. Entre suas atribuições ela é responsável por criar e aplicar normas internacionais do trabalho, por meio de convenções cujos países membros devem ratificá-las em leis, nos seus respectivos Estados. As recomendações podem ou não ser acatadas, como o próprio nome diz, são recomendações, que buscam melhorar determinadas condições. Essas convenções e diretrizes surgem da Conferência Internacional, que ocorre em junho, em Genebra, na Suíça. Lá, reúnem-se todos os países membros e discutem-se os assuntos que foram considerados mais relevantes pelos escritórios internacionais da OIT ou denúncias que serão analisadas. Saiba mais No site da OIT, pode-se encontrar todo tipo de informação sobre seu histórico, criação, atuação e divulgação de seus trabalhos: <http://www.oit.org.br/>. O Brasil é um dos membros permanentes da Assembleia Geral da OIT desde a sua criação, tendo iniciado com 42 membros e hoje tendo em torno de 183 membros. Sem dúvidas, a proteção ao trabalhador evoluiu muito ao longo dessas décadas e a atividade profissional ganhou uma série de proteções advindas das normas internacionais, que estão sendo constantemente criadas e atualizadas. Entre todos os países membros, o Brasil é um dos que mais seguem as convenções da OIT. A seguir, temos a relação de convenções que foram ratificadas pelo Brasil: Quadro 1 Convenção Título Adoção OIT Ratificação Brasil Observação 3 Convenção relativa ao Emprego das Mulheres antes e depois do parto (Proteção à Maternidade) 1919 26/04/1934 Status: não está em vigor Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº 103 em 26.07.1961. 4 Convenção relativa ao Trabalho Noturno das Mulheres 1919 26/04/1934 Status: não está em vigor Denunciada em 12.05.1937. 5 Idade Mínima de Admissão nos Trabalhos Industriais 1919 26/04/1934 Status: não está em vigor Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº 138 em 28.06.2001. 6 Trabalho Noturno dos Menores na Indústria 1919 26/04/1934 Status: em vigor Nota: instrumento pendente de revisão. 13 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO 7 Convenção sobre a Idade Mínima para Admissão de Menores no Trabalho Marítimo (Revista em 1936) 1920 08/06/1936 Status: não está em vigor Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº 58 em 09.01.1974. 11 Direito de Sindicalização na Agricultura 1921 25/04/1957 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 12 Indenização por Acidente do Trabalho na Agricultura 1921 25/04/1957 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 14 Repouso Semanal na Indústria 1921 25/04/1957 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 16 Exame Médico de Menores no Trabalho Marítimo 1921 08/06/1936 Status: em vigor Nota: instrumento pendente de revisão. 19 Igualdade de Tratamento (Indenização por Acidente de Trabalho) 1925 25/04/1957 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 21 Inspeção dos Emigrantes a Bordo dos Navios 1926 18/06/1965 Status: em vigor Nota: deixado de lado (não é pertinente no contexto atual). 22 Contrato de Engajamento de Marinheiros 1926 18/06/1965 Status: em vigor Nota: instrumento pendente de revisão. 26 Métodos de Fixação de Salários Mínimos 1928 25/04/1957 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 29 Trabalho Forçado ou Obrigatório 1930 25/04/1957 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 41 Convenção Relativa ao Trabalho Noturno das Mulheres (Revista, 1934) 1934 08/06/1936 Status: não está em vigor Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº 89 em 24.04.1957. 42 Indenização por Enfermidade Profissional (Revista) 1934 08/06/1936 Status: em vigor Nota: instrumento desatualizado. 45 Emprego de Mulheres nos Trabalhos Subterrâneos das Minas 1935 22/09/1938 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 52 Férias Remuneradas 1936 22/09/1938 Status: não está em vigor Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº 132 em 23.09.1998. 53 Certificados de Capacidade dos Oficiais da Marinha Mercante 1936 12/10/1938 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 58 Idade Mínima no Trabalho Marítimo (Revista) 1936 12/10/1938 Status: não está em vigor Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº 138 em 26.06.2001. 80 Revisão dos Artigos Finais 1946 13/04/1948 Status: em vigor 81 Inspeção do Trabalho na Indústria e no Comércio 1947 11/10/1989 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 14 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I 88 Organização do Serviço de Emprego 1948 25/04/1957 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 89 Trabalho Noturno das Mulheres na Indústria (Revista) 1948 25/04/1957 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 91 Férias Remuneradas dos Marítimos (Revista) 1949 18/06/1965 Status: não está em vigor Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº 146 em 24.09.1998. 92 Alojamento de Tripulação a Bordo (Revista) 1949 08/06/1954 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 93 Convenção sobre Salários, Duração de Trabalho a Bordo e Tripulação (Revista em 1949) 1949 18/06/1965 Status: não está em vigor Nota: instrumento desatualizado. 94 Cláusulas de Trabalho em Contratos com Órgãos Públicos 1949 18/06/1965 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 95 Proteção do Salário 1949 25/04/1957 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 96 Concernente aos escritórios remunerados de empregos 1949 21/06/1957 Status: não está em vigor. 97 Trabalhadores Migrantes (Revista) 1949 18/06/1965 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 98 Direito de Sindicalização e de Negociação Coletiva 1949 18/11/1952 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado.99 Métodos de Fixação de Salário Mínimo na Agricultura 1951 25/04/1957 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 100 Igualdade de Remuneração de Homens e Mulheres Trabalhadores por Trabalho de Igual Valor 1951 25/04/1957 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 101 Férias Remuneradas na Agricultura 1952 25/04/1957 Status: não está em vigor Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº 132 em 23.09.1998. 102 Normas Mínimas da Seguridade Social 1952 15/06/2009 Status: em vigor Nota: aceita as partes II-X. 103 Amparo à Maternidade (Revista) 1952 18/06/1965 Status: em vigor Nota: com exceção dos trabalhos a que se refere o artigo 7, parágrafo 1, b) e c). 104 Abolição das Sanções Penais no Trabalho Indígena 1955 18/06/1965 Status: em vigor Nota: Deixado de lado (não é pertinente no contexto atual). 105 Abolição do Trabalho Forçado 1957 18/06/1965 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 106 Repouso Semanal no Comércio e nos Escritórios 1957 18/06/1965 Status: em vigor Nota: o governo declarou que a Convenção se aplica também às pessoas empregadas nos estabelecimentos especificados no artigo 3, parágrafo 1, a), c) e d). 15 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO 107 Populações Indígenas e Tribais 1957 18/06/1965 Status: não está em vigor Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº 169 em 25.07.2002. 108 Documentos de Identidade dos Marítimos 1958 05/11/1963 Status: não está em vigor Denunciada, como resultado da ratificação da Convenção nº 185, em 21.01.2010 109 Convenção sobre os Salários, a Duração do Trabalho a Bordo e as Lotações (revista em 1958) 1958 30/11/1966 A Convenção não entrou em vigor. 110 Convenção sobre as Condições de Emprego dos Trabalhadores em Fazendas 1958 01/03/1965 Status: não está em vigor Denunciada em 28.08.1970. 111 Discriminação em Matéria de Emprego e Ocupação 1958 26/11/1965 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 113 Exame Médico dos Pescadores 1959 01/03/1965 Status: em vigor Nota: instrumento pendente de revisão. 115 Proteção Contra as Radiações 1960 05/09/1966 Status: em vigor 116 Revisão dos Artigos Finais 1961 05/09/1966 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 117 Objetivos e Normas Básicas da Política Social 1962 24/03/1969 Status: em vigor 118 Igualdade de Tratamento entre Nacionais e Estrangeiros em Previdência Social 1962 24/03/1969 Status: em vigor Nota: instrumento pendente de revisão. 119 Proteção das Máquinas 1963 16/04/1992 120 Higiene no Comércio e nos Escritórios 1964 24/03/1969 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 122 Política de Emprego 1964 24/03/1969 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 124 Exame Médico dos Adolescentes para o Trabalho Subterrâneo nas Minas 1965 21/08/1970 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 125 Certificados de Capacidade dos Pescadores 1966 21/08/1970 Status: em vigor Nota: instrumento pendente de revisão. 126 Alojamento a Bordo dos Navios de Pesca 1966 12/04/1994 Status: em vigor 127 Peso Máximo das Cargas 1967 21/08/1970 Status: em vigor Nota: instrumento pendente de revisão. 131 Fixação de Salários Mínimos, Especialmente nos Países em Desenvolvimento 1970 04/05/1983 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 132 Férias Remuneradas (Revista) 1970 23/09/1998 Status: em vigor Nota: duração especificada das férias: 30 dias. Aceitou as disposições do artigo 15, parágrafo 1, a) e b). 133 Alojamento a Bordo de Navios (Disposições Complementares) 1970 16/04/1992 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 16 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I 134 Prevenção de Acidentes do Trabalho dos Marítimos 1970 25/07/1996 Status: em vigor Nota: instrumento pendente de revisão. 135 Proteção de Representantes de Trabalhadores 1971 18/05/1990 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 136 Proteção Contra os Riscos da Intoxicação pelo Benzeno 1971 24/03/1993 Status: em vigor Nota: instrumento pendente de revisão. 137 Trabalho Portuário 1973 12/08/1994 Status: em vigor Nota: instrumento em situação provisória. 138 Idade Mínima para Admissão 1973 28/06/2001 Status: em vigor Nota: idade mínima especificada: 16 anos. 139 Prevenção e Controle de Riscos Profissionais Causados por Substâncias ou Agentes Cancerígenos 1974 27/06/1990 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 140 Licença Remunerada para Estudos 1974 16/04/1992 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 141 Organizações de Trabalhadores Rurais 1975 27/09/1994 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 142 Desenvolvimento de Recursos Humanos 1975 24/11/1981 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 144 Consultas Tripartites sobre Normas Internacionais do Trabalho 1976 27/09/1994 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 145 Continuidade no Emprego do Marítimo 1976 18/05/1990 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 146 Convenção Relativa às Férias Anuais Pagas dos Marítimos 1976 24/09/1998 Status: em vigor Nota: duração especificada das férias anuais: 30 dias. 147 Normas Mínimas da Marinha Mercante 1976 17/01/1991 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 148 Contaminação do Ar, Ruído e Vibrações 1977 14/01/1982 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 151 Direito de Sindicalização e Relações de Trabalho na Administração Pública 1978 15/06/2010 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 152 Segurança e Higiene dos Trabalhos Portuários 1979 18/05/1990 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 154 Fomento à Negociação Coletiva 1981 10/07/1992 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 155 Segurança e Saúde dos Trabalhadores 1981 18/05/1992 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 158 Término da Relação de Trabalho por Iniciativa do Empregador 1982 05/01/1995 Status: não está em vigor Denunciada em 20.11.1996. 159 Reabilitação Profissional e Emprego de Pessoas Deficientes 1883 18/05/1990 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 160 Estatísticas do Trabalho (Revista) 1985 02/07/1990 Status: em vigor Nota: de acordo com o artigo 16, parágrafo 2, da Convenção, os artigos 7 a 10, 12, 13 e 15 da parte II foram aceitos. 17 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO 161 Serviços de Saúde do Trabalho 1985 18/05/1990 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 162 Utilização do Amianto com Segurança 1986 18/05/1990 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 163 Bem-estar dos Trabalhadores Marítimos no Mar e no Porto 1987 04/03/1997 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 164 Proteção à Saúde e Assistência Médica aos Trabalhadores Marítimos 1987 04/03/1997 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 166 Repatriação de Trabalhadores Marítimos 1987 04/03/1997 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 167 Convenção sobre a Segurança e Saúde na Construção 1988 19/05/2006 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 168 Promoção do Emprego e Proteção Contra o Desemprego 1988 24/03/1993 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 169 Sobre Povos Indígenas e Tribais 1989 25/07/2002 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 170 Segurança no Trabalho com Produtos Químicos 1990 23/12/1996 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 171 Trabalho Noturno 1990 18/12/2002 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 174 Convenção sobre a Prevenção de Acidentes Industriais Maiores 1993 02/08/2001 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 176 Convenção sobre Segurança e Saúde nas Minas 1995 18/05/2006 Status: em vigorNota: instrumento atualizado. 178 Convenção Relativa à Inspeção das Condições de Vida e de Trabalho dos Trabalhadores Marítimos 1996 21/12/2007 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 182 Convenção sobre Proibição das Piores Formas de Trabalho Infantil e Ação Imediata para sua Eliminação 1999 02/02/2000 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. 185 Convenção sobre os Documentos de Identidade da Gente do Mar (Revista) 2003 21/01/2010 Status: em vigor Nota: instrumento atualizado. Fonte: OIT [s.d.]. Como se pode observar, de todas as convenções ratificadas e em vigor no Brasil, vinte tratam diretamente de SST. As mais amplas na abordagem destas questões de SST são as convenções 148 e 155. A Convenção 148 determina que o País deve adotar medidas para prevenir e limitar fatores de risco ambientais no local de trabalho, priorizando as medidas de proteção coletiva sobre as individuais. Já a Convenção 155 trata da segurança, da saúde ocupacional e do meio ambiente de trabalho, determinando a adoção de uma política nacional de segurança e saúde dos trabalhadores e do meio ambiente de trabalho, procurando prevenir acidentes e danos à saúde. Para isso, devem-se reduzir ao mínimo as possíveis causas dos riscos inerentes a esse meio. Um fato importante é que destaca que o trabalho deve ser adaptado ao homem, e não o contrário. Os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais devem ser reportados ao Poder Público, determinando também que sejam feitas análises com objetivo de verificar a existência de situações graves. 18 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I Saiba mais Para se saber mais sobre os tratados internacionais que o Brasil assinou, deve-se consultar o site do Planalto no link: BRASIL. Tratados equivalentes a emendas constitucionais. Portal da Legislação, Brasília, [s.d.]c. Disponível em: <http://www4.planalto.gov.br/ legislacao/portal-legis/internacional/tratados-equivalentes-a-emendas- constitucionais-1>. Acesso em: 5 jul. 2018. Com isso, o pensamento para a internacionalização da legislação social trabalhista criou força em meados do século XX, difundindo-se, assim, a tese de que o Estado deveria intervir nas questões econômicas e sociopolíticas para garantir os direitos sociais mínimos dos cidadãos. Dessa forma a OIT buscou uma política social de cooperação entre seus membros, permitindo um desenvolvimento social que envolvesse todos os sistemas jurídicos nacionais com foco na melhoria das condições de trabalho e com a adoção de normas de proteção aos trabalhadores. Observação Os temas tratados pela OIT são: diálogo social; emprego; gênero e raça; normas de convenções ratificadas ou não pelos países; proteção social; trabalho escravo e forçado; e trabalho infantil. Pode-se dizer que o trabalho passou a ser reconhecido como uma atividade profissional que, segundo o Dicionário Michaelis (TRABALHO, [s.d.]), descreve a atividade profissional como uma atividade remunerada ou assalariada, regular e objeto de um contrato de trabalho. Compreendendo o conceito de trabalho, poderemos então entender o conceito de acidente de trabalho. No aspecto legal, conforme o art. 19 da Lei nº 8.213 (BRASIL, 1991), temos que acidente de trabalho “é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho”. Essa é a interpretação para acidente típico, ou seja, aqueles decorrentes da característica da atividade profissional que está sendo desempenhada pelo trabalhador. Também é importante entender o conceito de acidente de trajeto e de doenças do trabalho. Os acidentes de trajeto são aqueles que ocorrem entre o percurso da residência e o local de trabalho, tanto na ida quanto na volta. 19 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO Já as doenças podem ser classificadas como doenças profissionais e doenças do trabalho. As doenças profissionais são aquelas que se originam pelo exercício do trabalho, estando relacionadas a determinado ramo de atividade, como disposto no Anexo II do Regulamento da Previdência Social – RPS e aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Já as doenças do trabalho são aquelas decorrentes de condições especiais em que o trabalhador desenvolve sua atividade ou com que ele se relaciona diariamente. Conforme o último Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho de 2015 (BRASIL, 2015), o Brasil teve em 2013, 2014 e 2015, respectivamente, 725.664, 712.302 e 612.632 acidentes do trabalho. As estimativas indicam que nosso país gasta aproximadamente 4% do PIB com as questões relacionadas aos acidentes, afastamentos, tratamento e reabilitação do acidentado, pensões nos casos de morte, aposentadorias especiais etc. Ou seja, o custo para toda a sociedade é elevado, sem contar a dor e o sofrimento, que são imensuráveis. Considerando que no mundo atual as mudanças tecnológicas e econômicas se dão de forma muito rápida, surgem questões complexas: como a diminuição da interferência nas relações capital-trabalho e a redução dos direitos trabalhistas. Esses processos de reestruturação produtiva visam um ganho na competitividade econômica internacional, por outro lado, ocorre o aumento da busca por justiça social, a universalização de direitos e a redução dos riscos ocupacionais. Conforme Oliveira (1996), é possível observar algumas tendências globais e nacionais como: • O avanço das questões sobre a dignificação do trabalho, é visto como uma fonte de gratificação, além da sobrevivência dos indivíduos, possibilitando oportunidades de promoção pessoal e profissional. • A consolidação do conceito ampliado de saúde, que não se limita apenas à ausência de doenças, mas busca o completo bem-estar mental, físico e social. Para tanto, as exigências normativas devem direcionar a busca de um ambiente de trabalho agradável, preocupado em prevenir a fadiga e fatores considerados estressantes. • Buscar a adaptação do trabalho ao homem, reforçando cada vez mais aspectos ergonômicos nas normas de SST. Essa questão envolve não apenas a preocupação com equipamentos, máquinas e mobiliário, mas também as mudanças na organização do trabalho, como mudanças em processos de produção, na jornada de trabalho, nas pausas dos trabalhadores, na rotatividade de postos de trabalho e outras ações possíveis para cada situação específica. • A premissa básica do direito do saber, ou seja, do trabalhador ter direito à informação e à participação na elaboração das normas, através dos seus representantes, bem como de serem comunicados dos riscos inerentes a sua atividade ou existentes nos seus ambientes de trabalho e quais as medidas de controle disponíveis. • O enfoque global na questão do ambiente de trabalho, não considerando os fatores de risco de forma isolada, uma vez que diversos agentes ambientais são potencializados quando em conjunto com outros, gerando efeitos adversos. 20 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I • Com o desenvolvimento científico e tecnológico sucessivo, cresce a importância da progressividade das normas de proteção com objetivo de mantê-las sempre atualizadas com os estudos sobre os riscos e a forma de controlá-los. • A eliminação dos fatores de risco, priorizando as medidas de controle que buscam eliminá-los, preferencialmente, de forma coletiva, deixando as ações individuais apenas para os casos em que haja impossibilidade dessas ações. • Quanto às atividades insalubres, busca-se a diminuição dajornada, limitando o tempo de exposição às condições ou aos agentes que sejam prejudiciais à saúde dos trabalhadores, nas situações em que não estiverem controladas de forma adequada ou mesmo eliminadas pelas medidas de controle. • Buscar formas de proteger o trabalhador das atividades monótonas ou repetitivas que não exigem raciocínio criativo, mas apenas trabalhos mecânicos, mudando processos de trabalho, limitando a jornada de trabalho ou determinando rodízio de atividades e proibindo pagamento sobre metas de produção. • A responsabilização do empregador em aplicar as normas de SST, atendendo o princípio de que quem gera o risco é o responsável por ele. Para as questões de terceirização do trabalho, estabelece-se a responsabilidade solidária. Figura 1 – A cultura de segurança enraizada na empresa resulta em conquistas importantes para os trabalhadores, a sua proteção real e a ausência de acidentes graves, afastamentos, lesões ao trabalhador etc. 21 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO A B Figura 2 – Exemplo de investimentos feito pela empresa para evitar esforço excessivo do funcionário ao pegar peças para seu processo de trabalho. Com esse investimento, adaptou-se o processo ao trabalhador, respeitando, assim, seus limites e buscando condições melhores de trabalho Figura 3 – O Diamante de Hommel permite informar a todos os riscos de determinado produto químico, cumprindo a premissa básica do Direito do Saber versus Dever de Informar Figura 4 – Com o aprimoramento tecnológico, dificilmente encontraremos cenas como essa, de um operador de ponte rolante, esforçando-se para enxergar a área em que está manobrando carga, ficando boa parte da sua jornada de trabalho em posições ergonomicamente impróprias. Hoje, com a tecnologia, as pontes rolantes na sua maioria são operadas via radiocontrole, permitindo ao operador acompanhar a carga e visualizar com muito mais exatidão toda a operação 22 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I Figura 5 – Exemplo de medidas de proteção coletiva, fornos com tampas para exaustão sobre fornos de fundição, eliminando o máximo possível dos vapores e gases originados do processo, bem como o calor emanado por convecção Figura 6 – Nessa figura podemos observar a parede de exaustão instalada frente ao empregado, permitindo assim que todos os vapores, gases ou fumos metálicos, sejam eliminados do ambiente, protegendo o empregado e todos que atuam no setor 23 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO Figura 7 – Atividade de risco com grande esforço do trabalhador e, para minimizar os efeitos nocivos, instalou-se uma rotatividade no posto de trabalho, diminuindo assim a exposição e esforço do trabalhador Figura 8 – Orientação no posto de trabalho com as instruções de segurança para as tarefas a serem desenvolvidas e, no destaque da foto, os equipamentos de segurança individual obrigatórios na função 24 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I 2 CONCEITOS IMPORTANTES PARA ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA NACIONAL É importante tratarmos aqui de alguns conceitos para a atividade prevencionista, entre eles, entender a diferença entre perigo e risco. O Michaelis Moderno Dicionário de Língua Portuguesa (PERIGO, [s.d.]) define o verbete perigo como: “situação que ameaça a existência ou integridade de uma pessoa ou coisa; risco, inconveniente”. Então, podemos considerar que perigo é qualquer agente que cause dano à saúde ou à integridade física das pessoas. Já risco é a relação entre a probabilidade de ocorrência e a gravidade da sua ocorrência. Muitas vezes, não podemos eliminar o perigo do ambiente, mas podemos manter os riscos sob controle, evitando, assim, que um acidente se materialize. Figura 9 – Diversas atividades oferecem riscos ao trabalhador. As atividades em fundições oferecem diversos riscos. Visando à proteção adequada, a informação ainda é a melhor ferramenta para evitar que o empregado se coloque em situações que possam potencializar o risco e a gravidade de um acidente, caso ele se materialize 25 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO Figura 10 Figura 11 26 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I Figura 12 Figura 13 – Armazéns de produtos industriais e centros de distribuição contêm um pouco de tudo, tendo situações em que os riscos são potencializados pela proximidade de produtos, que podem se tornar ainda mais perigosos quando reagem com outros 27 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO Um bom exemplo são as seguradoras de automóveis, que fazem a análise de riscos para calcular o valor da sua apólice. Conforme o perfil do motorista de um automóvel que será segurado, a região onde ele se encontra e o tipo de veículo, a seguradora calcula a probabilidade de um sinistro ocorrer. Sempre existe o perigo, ao circular com um veículo nas vias públicas, de ocorrer um acidente. Se o motorista for mais jovem, será considerado com menos experiência ao volante e, portanto, mais provável de se envolver em algum tipo de sinistro. Se seu veículo for maior, por exemplo, o dano a terceiros provavelmente será maior. Se estiver em uma região com maior fluxo de carros, como nas grandes cidades, a probabilidade de acidente aumenta. Tudo isso será utilizado para se calcular o índice de risco – quanto maior ele for, maior o valor da apólice. No caso do seguro de um imóvel, por exemplo, poderemos considerar a questão da queda de uma aeronave, que, sem dúvidas, apresenta um potencial de dano enorme, logo, se o imóvel estiver nas proximidades de um aeroporto ou em uma rota de aeronaves, o valor será maior do que o de um imóvel fora dessas condições. Outro exemplo importante é na área de alimentos, que possui um sistema de controle de higiene e segurança alimentar conhecido como Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), que utiliza esses conceitos. Tudo isso se torna fundamental para que se possa fazer uma boa análise dos riscos e definir os seus controles, determinando um fator de segurança desejável. O perigo de contaminação sempre estará presente, mas se houver controle sobre os riscos sob controle, será minimizado dentro de padrões aceitáveis. Então podemos dizer que perigo é a fonte ou situação que tem potencial de causar um dano ou um prejuízo, enquanto o risco é a combinação da probabilidade de isso ocorrer e das consequências desse evento perigoso. No Dicionário Nosé Ilustrado, encontramos essas duas definições que representam bem todo esse conceito e também a definição de acidente: Perigo: exposição relativa a um risco que favorece a sua materialização em danos. Circunstância que prenuncia um mal para alguém ou para alguma coisa Risco: fator adverso que se antepõe aos esforços em produzir segurança à integridade física das pessoas e patrimônios. Acidente: toda e qualquer ocorrência que gere solução de continuidade no “estado de segurança”. Ocorrência súbita e funesta que causa danos materiais e lesões temporárias ou permanentes, podendo, também, causar a morte (FERREIRA, 1992). Sobre a questãodo acidente, no aspecto legal e de acidente do trabalho, encontraremos a definição pelo texto da Lei nº 6367, que diz: 28 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I Acidente do trabalho é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou perda, ou redução permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho (BRASIL, 1976). Saiba mais O dia 28 de abril é o dia mundial às vítimas dos acidentes do trabalho. Assista ao vídeo disponibilizado pela Fundacentro no link a seguir: 28 DE ABRIL: dia mundial em memória às vítimas de acidentes de trabalho. Brasil: Serviço de Recursos Instrucionais, 2017. Disponível em: <http://www.fundacentro.gov.br/multimidia/detalhe-video/download/ Videocast/624/28%20de%20abril%202017_20170426101128-mp4>. Acesso em: 5 jul. 2018. Para os profissionais da prevenção, o acidente é um evento anunciado, pois existem diversos sinais que antecedem o evento e que, se observados pelos profissionais da prevenção, permitem ações para evitar a sua materialização. As causas que levam à ocorrência de um acidente do trabalho podem ser classificadas de duas formas: por condições inseguras, que estão presentes no ambiente de trabalho e colocam em risco a integridade física e/ou mental do trabalhador; e pelo fator humano, antes chamado de ato inseguro, mas como o termo era mal utilizado e mal interpretado, foi abolido. Os fatores humanos podem ser descritos como: • Inadaptação entre homem e função por fatores constitucionais (sexo, idade, tempo de reação a estímulos, coordenação motora, problema neurológico, nível de inteligência, grau de atenção, percepção, coordenação visual motora). • Fatores circunstanciais (problemas familiares, abalos emocionais, alcoolismo, doença, fadiga). • Desconhecimento dos riscos da função e/ou da forma de evitá-los (seleção ineficaz, falhas de treinamento, falta de treinamento). • Desajustamento, relacionamento com certas condições específicas do trabalho (problema com chefe, colegas, salário, plano de carreira, clima de insegurança). • Personalidade (desleixado, exibicionista, falador, desatento, brincalhão). [...] considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a 29 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO prestação pessoal de serviços. Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados” (BRASIL, 1943). Já conceito de empregado é: “toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário” (BRASIL, 1943). O conceito de empregado doméstico é: “aquele que presta serviço de natureza contínua, mediante remuneração, a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividade sem fins lucrativos” (BRASIL, 1999). Já o conceito de trabalhador autônomo ou por conta própria é: “quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego” e também a “pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não” (BRASIL, 1999). Quanto ao estagiário, temos: Ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos (BRASIL, 2008). Quanto a servidores e órgãos públicos, a CLT não se aplica quando estas são regidas por estatutos próprios. Em alguns casos, esses estatutos determinam o atendimento às normas de SST, mas como o MTE não tem competência legal para impor sanções administrativas quando há irregularidades nessa questão, não há fiscalização trabalhista para estes trabalhadores. O desenvolvimento do pensamento prevencionista teve um grande impulso com a discussão sobre prevenção e perdas. Para compreender essa questão é imprescindível falar do engenheiro Herbert Willian Heinrich, considerado como o pioneiro de segurança industrial nos Estados Unidos, na década de 1930. Como Superintendente Adjunto da Engenharia e Divisão de Inspeção da empresa Travelers Insurance Company, ele começou a estudar os casos de acidentes de seus segurados e concluiu que efetuar uma verdadeira prevenção de acidentes, buscando evitá-los, era mais importante do que somente cuidar do trabalhador acidentado. A partir da análise de algumas centenas de casos de seus segurados, ele formulou uma relação de 1 acidente grave ou fatal para cada 29 acidentes leves e outros 300 que não afetavam o trabalhador. Assim, ele criou a seguinte pirâmide: 30 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I 1 29 300 Lesão incapacitante Lesão leve Acidentes sem lesão Figura 14 Um pensamento fundamental que foi extraído das suas observações é que na atividade prevencionista, independentemente de qualquer acidente que venha a ocorrer, deve-se considerar o potencial que ele tem de causar uma lesão, e não no fato de ter resultado em uma lesão ou não. Heinrich concluiu que a prevenção de acidentes deve se apoiar em três princípios-chave, sendo: • O princípio da criação e conservação do interesse ativo em segurança. • O princípio da investigação dos fatos. • O princípio da ação corretiva baseada nos fatos. Em 1954, Frank Bird Jr., também engenheiro norte-americano, introduz, pela primeira vez na história da prevenção dos acidentes, o conceito de Controle de Danos. Ele conclui um estudo envolvendo 90.000 acidentes – 75.000 acidentes com danos a propriedade e 15.000 acidentes com lesão – ocorridos numa empresa metalúrgica chamada Luckens Steel Company, durante um período de mais de 7 anos, dando base para sua teoria de Controle de Danos. Esses fatos deram origem à pirâmide de Bird. 1 100 500 Lesão incapacitante Lesão leve Danos à propriedade Figura 15 Como resultado desses estudos, um novo conceito é criado, do controle de perdas, considerado uma prática administrativa que visa neutralizar os efeitos prejudiciais das perdas potenciais ou reais que venham a resultar dos eventos indesejados intrínsecos à operação. 31 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO Seguindo adiante com a sua pesquisa, em 1969, Bird Jr. e toda a equipe que o acompanhava nestes estudos analisaram 1.753.498 casos de acidentes do trabalho ocorridos em 297 empresas de 21 grupos industriais diferentes, que empregavam 1.750.000 funcionários, num total de mais de 3 bilhões de horas-homens no período analisado. Deste estudo surge então a sua “pirâmide dos 641”. Analisando os resultados da sua pesquisa, concluiu que dos 641 eventos prejudiciais as empresas, 600 eram classificados como meros “incidentes”, 30 apenas provocavam danos à propriedade, 10 originavam lesões leves e 1 deles tinha consequências fatais ou graves. 1 10 30 600 Acidente com lesão grave Acidente com lesão leve Acidententes apenas com danos à propriedades Incidentes Figura 16 A partir de então, passa-se a considerar o conceito do incidente, sendo ele um evento não desejado que, em uma situaçãoum pouco diferente, poderia resultar em danos físicos e/ou danos à propriedade. Em 1970, John A. Fletcher, canadense, estabelece programas de Controle Total de Perdas, cujo objetivo é reduzir ou eliminar todos os acidentes que possam interferir ou paralisar um sistema. Segundo sua proposta, o programa de Controle Total de Perdas deve ser idealizado de modo a eliminar todas as fontes de interrupção de um processo de produção, quer elas resultem de lesão, dano à propriedade, incêndio, explosão, roubo, vandalismo, sabotagem, poluição da água, do ar e do solo, doença ocupacional ou defeito do produto. Figura 17 – A segurança patrimonial foi um dos tópicos abordados por Fletcher em seu controle total de perdas e que hoje está presente em todas as empresas, de forma mais ou menos rigorosa MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO 32 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I Em 1974, ex-presidente Ernesto Geisel diz, em seu discurso na instalação do XIII CONPAT: O que mais importa é a estruturação de esquemas preventivos, através dos quais, sem prejuízo da produção, antes ensejando-lhes maior coeficiente de produtividade, busque-se reduzir ao mínimo, senão eliminar, a ocorrência de acidente, tornando-o anomalia excepcional ao processo produtivo (BRASIL, [s.d.]a). Posteriormente, iremos apresentar os agentes de risco relacionados ao trabalho para que se possam compreender a sua intensidade e as ameaças à saúde física e mental do trabalhador. Após identificá-los e quantificá-los, podem-se definir programas de controle, buscando a segurança e a saúde do trabalhador. Resumo Como vimos, a questão da Segurança e Saúde do trabalhador iniciou-se com a percepção de que determinadas atividades laborais afetavam a saúde do trabalhador, mas o marco foi a publicação do livro A Doença dos Trabalhadores, por Bernadiono Ramazzini, em 1700, no qual ele conseguiu descrever, de forma minuciosa, as atividades laborais e as doenças decorrentes de tais atividades. Com isso, a preocupação em entender como as atividades laborais desencadeavam doenças no trabalhador fortaleceu-se e a Medicina do Trabalho surgiu com a intenção de tratar tais enfermidades. Houve uma pressão social, com a Revolução Industrial, quando um número cada vez maior de trabalhadores passou a se expor aos riscos das atividades industriais, gerando uma pressão social que forçou os governos a começar a criar leis que tratassem do assunto. A criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 1919, foi outro fato importante, quando a consciência de que condições dignas de trabalho eram necessárias para que houvesse equilíbrio entre capital e trabalho. Até a Igreja Católica se manifestou, através da Encíclica do papa Leão XIII, que fez fortes críticas à busca do enriquecimento desenfreado por meio da exploração do trabalhador. Como resultado destas pressões sociais, iniciou-se a elaboração de leis que protegessem os trabalhadores. Desde então, essa legislação foi se aprimorando através das recomendações e convenções da OIT, que deviam ser ratificadas em leis pelos seus países membros. 33 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO No Brasil não foi diferente, o País ratificou a grande maioria das convenções da OIT, seguindo uma política mundial que estava se instalando, no momento em que a busca constante pela dignidade do trabalho se tornou uma tendência norteadora das legislações mundiais. A ampliação do conceito de saúde também se tornou um fator importante na elaboração das leis que ampliaram o conceito de saúde, para muito além da preocupação apenas com equipamentos e instalações, passando a considerar os processos e organização do trabalho como fator importante nessa questão. Outro fator relevante a se destacar foi da informação dos riscos a que os trabalhadores estavam expostos, criando, assim, o binômio do direito do saber versus o dever de informar. Sem dúvida o desenvolvimento científico e tecnológico passou a ser um fator importante nessa questão, permitindo grandes avanços nas questões relacionadas à Segurança e Saúdo no Trabalho (SST). Os trabalhos de pesquisa e os estudos de caso elaborados por Herbert Willian Heinrich tornaram-se uma grande referência para o desenvolvimento do conceito do Controle de Perdas, que, pela continuidade dos estudos feitos por Frank Bird Junior, resultaram na pirâmide “641”. Os princípios criados por Heinrich serviram de base para estruturação de medidas efetivas de controle dos riscos, buscando condições seguras no trabalho. Em seguida, surgiu o conceito de incidente, mostrando que esses eram alertas sobre as situações de risco que não estavam sendo bem controladas, permitindo que se tomassem ações corretivas para evitar que os acidentes se materializassem e causassem lesões nos trabalhadores ou acidentes fatais. Assim, entendeu-se que com ações concretas e efetivas eles poderiam ser evitados. Exercícios Questão 1. (Enade 2010, adaptada) Um especialista é contratado por uma pequena indústria que gera, em seu processo produtivo, alguns tipos de resíduos sólidos. Ao elaborar o plano de gerenciamento de resíduos sólidos, ele recorre à NBR-10 004/2004. 34 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 Unidade I Avalie as alternativas que seguem, considerando o estabelecido na NBR-10 004/2004. I – Os resíduos sólidos são classificados em inertes e não inertes, sendo que os não inertes podem ser perigosos e não perigosos. II – A classificação de um resíduo é feita com base na identificação de seus constituintes e no processo que o originou. III – Quando se trata de resíduos tóxicos, as embalagens que os contêm (ou continham) seguem a mesma classificação dos resíduos. IV – Cada tipo de resíduo é identificado por um código formado por uma letra e três algarismos. Estão corretas apenas as afirmativas: A) I e IV. B) II e IV. C) I, II e III. D) I, II e IV. E) II, III e IV. Resposta correta: alternativa E. Análise das alternativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: a afirmativa indica que os resíduos são classificados em inertes e não inertes, subdividindo os últimos em perigosos e não perigosos. II – Afirmativa correta. Justificativa: de acordo com a Norma NBR-10 004/2004, a classificação dos resíduos é feita segundo a identificação de seus constituintes e do processo de origem. III – Afirmativa correta. Justificativa: a classificação aplicada às embalagens é a mesma aplicada aos resíduos, visto que aquelas podem conter resíduos já classificados de acordo com sua constituição e origem. 35 Re vi sã o: M ar ci lia B rit o/ Al in e Ri cc ia rd i - D ia gr am aç ão : E ve rt on M ar tin s S ou za - 1 3/ 07 /2 01 8 SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO IV – Afirmativa correta. Justificativa: cada tipo de resíduo é identificado por um código formado por uma letra e três dígitos. Por exemplo, resíduos inflamáveis são identificados pelo código D001 e resíduos corrosivos pelo código de identificação D002. Questão 2. (Enade 2010, adaptada) O Código de Águas, estabelecido pelo Decreto Federal nº 24.643, de 1934, constitui um marco legal na gestão dos recursos hídricos no Brasil. O código foi instituído em um momento de transição, em que o Brasil deixava de ser uma economia agrária para se tornar uma economia urbano-industrial. Ressalta-se que a água é essencial nos processos relacionados à saúde. Considerando o Código de Águas, avalie as afirmativas que seguem. I – A necessidade de preservação das condições da água pelo usuário de jusante perante os usuários de montante regulamenta o aproveitamento das águas comuns. II –O regime de outorga define que as águas públicas não podem ser derivadas para as aplicações da agricultura, da indústria e da higiene sem a existência de concessão administrativa. III – A definição do uso prioritário da água para o abastecimento público estabelece a preferência da derivação para o abastecimento das populações. É correto apenas o que se afirma em: A) I. B) II. C) III. D) I e II. E) II e III. Resolução desta questão na plataforma.