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GESTÃO DO DESEMPENHO PROFESSORES Me. Angela Ferreira de Lima Pizzaia Me. Luciano Santana Pereira Me. Renata Emy Koyama ACESSE AQUI O SEU LIVRO NA VERSÃO DIGITAL! https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8973 EXPEDIENTE C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância. PIZZAIA, Angela Ferreira de Lima; PEREIRA, Luciano Santana; KOYAMA, Renata Emy. Gestão do Desempenho. Angela Ferreira de Lima Pizzaia, Luciano Santana Pereira e Re- nata Emy Koyama. Maringá - PR.: UniCesumar, 2021. 208 p. “Graduação - EaD”. 1. Gestão 2. Desempenho. FICHA CATALOGRÁFICA NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Coordenador(a) de Conteúdo Luciano Santana Pereira Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli, Jhonny Coelho e Thayla Guimarães Editoração Isabela M. Belido. Design Educacional Barbara Neves Revisão Textual Carla Farinha Ilustração Natalia Scalassara Fotos Shutterstock CDD - 22 ed. 658.3 CIP - NBR 12899 - AACR/2Impresso por: Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 DIREÇÃO UNICESUMAR NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Cursos Híbridos Fabricio Ricardo Lazilha Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Head de Graduação Marcia de Souza Head de Metodologias Ativas Thuinie Medeiros Vilela Daros Head de Tecnologia e Planejamento Educacional Tania C. Yoshie Fukushima Head de Recursos Digitais e Multimídias Franklin Portela Correia Gerência de Planejamento e Design Educacional Jislaine Cristina da Silva Gerência de Produção Digital Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Recursos Educacionais Digitais Daniel Fuverki Hey Supervisora de Design Educacional e Curadoria Yasminn T. Tavares Zagonel Supervisora de Produção Digital Daniele Correia Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi BOAS-VINDAS Neste mundo globalizado e dinâmico, nós tra- balhamos com princípios éticos e profissiona- lismo, não somente para oferecer educação de qualidade, como, acima de tudo, gerar a con- versão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profis- sional, emocional e espiritual. Assim, iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil, nos quatro campi presenciais (Maringá, Londrina, Curitiba e Ponta Grossa) e em mais de 500 polos de educação a distância espalhados por todos os estados do Brasil e, também, no exterior, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Por ano, pro- duzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares. Somos reconhe- cidos pelo MEC como uma instituição de exce- lência, com IGC 4 por sete anos consecutivos e estamos entre os 10 maiores grupos educa- cionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos edu- cadores soluções inteligentes para as neces- sidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter, pelo menos, três virtudes: inovação, coragem e compromis- so com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ati- vas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Reitor Wilson de Matos Silva Tudo isso para honrarmos a nossa mis- são, que é promover a educação de qua- lidade nas diferentes áreas do conheci- mento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. P R O F I S S I O N A LT R A J E T Ó R I A Me. Angela Ferreira de Lima Pizzaia Mestre em Gestão do Conhecimento nas Organizações pela Unicesumar. Pós-Gra- duada em Gestão em Marketing e RH pela Faculdade Estadual de Ciências Econô- micas de Apucarana; em Docência no Ensino Superior pela Unicesumar; em Ensino a Distância e as Novas Tecnologias pela Unicesumar; em Administração Pública pela Unicesumar; e em Docência no Ensino Superior: Tecnologias Educacionais e Inovação pela Unicesumar. Graduada em Administração pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana. Professional & Self Coaching pelo IBC (Insti- tuto Brasileiro de Coaching), Business and Executive Coaching pelo IBC, Professora Universitária nas modalidades presencial e a distância em cursos de graduação e pós-graduação e empreendedora. http://lattes.cnpq.br/5976910976816385 Me. Luciano Santana Pereira Professor universitário, mentor de carreiras e consultor empresarial. Possui 25 anos de experiência na gestão empresarial e gestão de pessoas. Possui mestrado em Ciências Sociais, Especialização em Gestão de pessoas e desenvolvimento de equipes, Pós-graduação em Estratégias empresariais. Graduação em Administração, Graduação em Gestão de Negócios, Graduação em Pedagogia. É coordenador de cursos pelo NEaD Unicesumar. Autor do livro Projeto de Vida: Construindo o Suces- so no dia a dia. Idealizador do Projeto Papo Carreira <www.papocarreira.com.br> http://lattes.cnpq.br/9751673396391832 Me. Renata Emy Koyama Mestra em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Graduada em Psicologia pela Universidade do Sagrado Coração em Bauru. Atua como Professora Universitária, desde 2001, nas universidades, como USC, UEM e outras. Atualmente, é coordenadora na Unicesumar de cursos de graduação na mo- dalidade EaD e professora nos cursos (presenciais e a distância) de Administração, Gestão de Recursos Humanos, Contabilidade, Publicidade e Propaganda, Serviço Social, Terceiro Setor. http://lattes.cnpq.br/9574646486151558 A P R E S E N TA Ç Ã O D A D I S C I P L I N A GESTÃO DO DESEMPENHO Prezado(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à disciplina Gestão do Desempenho. O conteúdo des- te livro foi elaborado com muito carinho e atenção. Esperamos que goste do material, pois, durante todo o processo de análise e estudo dos textos, a maior preocupação foi encontrar e disponibilizar a você um conjunto de informações que pudesse, verdadeiramente, proporcionar conhecimento e aprendizado, abrindo novos horizontes para o seu dia a dia, desenvolvendo uma percepção mais apurada e novas possibilidades na sua maneira de pensar sobre o tema proposto. O objetivo deste livro é trabalhar o tema Gestão do Desempenho considerando sua perspectiva contemporânea. O tema se torna indispensável para o Gestor de Recursos Humanos, pois a tendência é que, cada vez mais, esse profissional seja acionado a atuar, de forma estratégica, dentro do contexto organizacional, buscando contribuir com o desempenho humano e seus reflexos dentro do ambiente empresarial. Iremos desenvolver, da melhor forma possível, condições didático-pedagógicas, para que você compreenda as abordagens histórica e processuais sobre os estudos do desempenho humano nas organizações, suas origens e suas tendências bem como suas técnicas e as ferramentas disponíveis em relação ao processo de gestão de desempenho. Considerando a complexidade na qual as organizações atuam, junto à necessidade e à perma- nente busca por resultados, o profissional de RH precisa estar contextualizado a essa realidade e instrumentalizado por meio de conhecimentos e técnicas específicas que o possibilitem parti- cipar e contribuir de maneira expressiva em relação ao processo de gestão de desempenho e, consequentemente, aos resultados organizacionais. O conteúdo do livro está organizado em dois momentos, sendo que o primeiro nos traz as abordagens correspondentes ao processo de evolução das organizações e dos profissionais, e o segundo tem sua atenção voltada para os aspectos que envolvem a atuação do Recursos Hu- manos, frenteao novo contexto, e todo o processo de avaliação e gestão do desempenho. Todo o conteúdo se encontra distribuído em cinco unidades e, nelas, discutiremos assuntos muito in- teressantes. Assim, como dica de estudo, primeiramente, busque estabelecer uma compreensão básica do assunto, começando a entender alguns dos termos mais usuais, tal como se, apenas, estivesse reconhecendo o terreno. Em seguida, após saber, por alto, como são as coisas, será mais fácil sair e caminhar em terra firme, como iremos fazer, pouco a pouco. Registramos nossos sinceros agradecimentos pela oportunidade de fazer parte do seu processo de aprendizagem e desejamos a você muito sucesso! Bons estudos! ÍCONES Sabe aquele termo ou aquela palavra que você não conhece? Este ele- mento ajudará você a conceituá-lo(a) melhor da maneira mais simples. conceituando No fim da unidade, o tema em estudo aparecerá de forma resumida para ajudar você a fixar e a memorizar melhor os conceitos aprendidos. quadro-resumo Neste elemento, você fará uma pausa para conhecer um pouco mais sobre o assunto em estudo e aprenderá novos conceitos. explorando ideias Ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e transformar. Aproveite este momento! pensando juntos Enquanto estuda, você encontrará conteúdos relevantes on-line e aprenderá de maneira interativa usando a tecno- logia a seu favor. conecte-se Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos on-line. O download do aplicati- vo está disponível nas plataformas: Google Play App Store CONTEÚDO PROGRAMÁTICO UNIDADE 01 UNIDADE 02 UNIDADE 03 UNIDADE 05 UNIDADE 04 FECHAMENTO CONTEXTO HISTÓRICO E TENDÊNCIAS PARA GESTÃO DE PESSOAS 8 O DESEMPENHO HUMANO E SUA IMPORTÂNCIA NAS ORGANIZAÇÕES 44 71 AVALIAÇÃO E GESTÃO DO DESEMPENHO 118 IMPLANTANDO O PROCESSO DE GESTÃO DO DESEMPENHO 162 GERENCIANDO O DESEMPENHO 206 CONCLUSÃO 1 CONTEXTO HISTÓRICO E TENDÊNCIAS para Gestão de Pessoas PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: Entendendo a gestão de pessoas e sua evolução histórica • O contexto atual da gestão de pessoas: seu papel e os aspectos fundamen- tais para uma gestão moderna • Pessoas como parceiras das organizações • As novas perspectivas da gestão de pessoas e a atuação do novo profissional • Processos e subsistemas da gestão de pessoas. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Conceituar o que é gestão de pessoas e seu desenrolar histórico • Apresentar os principais objetivos da gestão de pessoas e os desafios de uma gestão moderna • Esclarecer a diferença entre perceber as pessoas como recursos ou parceiros em uma organização e suas implicações • Pensar o papel atual da gestão de pessoas e refletir sobre o perfil do profissional que atua nessa nova perspectiva • Apresentar a função dos processos e subsistemas da gestão de pessoas. PROFESSORES Me. Luciano Santana Pereira Me. Renata Emy Koyama Me. Angela Ferreira de Lima Pizzaia INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Iniciamos os nossos estudos sobre a Gestão de De- sempenho de uma forma especial. Nesta primeira unidade, queremos pro- por a você uma viagem no tempo, em que investigaremos e conheceremos todo o processo histórico da gestão de pessoas. Tais eventos influenciaram não só a forma como as pessoas são vistas e tratadas nas empresas, mas também trouxeram grandes avanços no que se refere aos instrumentos e ferramentas gerenciais para a gestão de recursos humanos, sendo que a Avaliação e Gestão do Desempenho é fruto desse processo evolutivo. Portanto, para se entender melhor como a Gestão de Desempenho fun- ciona e se é objetiva, é de grande importância conhecer seus precedentes históricos. Nesta unidade, inicialmente, apresentaremos o contexto histó- rico da gestão de pessoas e, também, demonstraremos os aspectos funda- mentais da nova gestão de pessoas, sobretudo, a percepção das pessoas, verdadeiramente, como seres humanos e parceiras da organização, e não, apenas, como meros recursos, que podem ser utilizados e descartados ao bem entender da empresa. Em seguida, abordaremos o novo perfil do profissional de Recursos Hu- manos bem como o ambiente de trabalho do RH, considerando suas novas características e desafios. Encerraremos a unidade com a apresentação da estrutura de gestão de recursos humanos, envolvendo seus processos e subsistemas. Esperamos que você aproveite o conteúdo e bom estudo! U N ID A D E 1 10 A gestão de pessoas como conhecemos nem sempre esteve conceituada ou mes- mo foi aceita da forma que temos atualmente. Iniciando nosso conteúdo, que- remos apresentar alguns conceitos que podem nos ajudar a entender melhor o que vem a ser a gestão de pessoas, considerando seu novo contexto e desafios. Levando em conta a diversidade de autores que escrevem sobre o assunto, consi- deramos importante destacar que, apesar de existir, entre eles, formas diferentes de apresentar seus conceitos, a ideia central permanece a mesma. Dessa forma, Dessler (apud CHIAVENATO, 2006, p. 9) nos relata que: “ Administração de Recursos Humanos (ARH) é o conjunto de po-líticas e práticas necessárias para conduzir os aspectos da posição gerencial relacionados com as pessoas ou recursos humanos, in- cluindo recrutamento, seleção, treinamento, recompensas e avalia- ção de desempenho. Ainda de acordo com o autor, Administração de Recursos Humanos é a função administrativa devotada à aquisição, treinamento, avaliação e remuneração dos empregados. Todos os gerentes são, em certo sentido, gerentes de pessoas, porque todos estão envolvidos em atividades, como recrutamento, entrevistas, seleção e treinamento (DESSLER, 2014). 1 ENTENDENDO A GESTÃO DE PESSOAS E sua Evolução Histórica U N IC ES U M A R 11 Complementando nosso entendimento sobre o que vem a ser a Gestão de Pessoas nos dias atuais, autores, como Milkovich, George, Broudreau e John W. (1994 apud DESSLER, 2014), dizem-nos que Administração de Recursos Hu- manos é um conjunto de decisões integradas sobre as relações de emprego que influenciam a eficácia dos funcionários e das organizações. E, ainda, segundo Robbins (1996), Administração de Recursos Humanos é função na organização que está relacionada com provisão, treinamento, desenvolvimento, motivação e manutenção dos empregados. Perceba que, apesar de os autores se referirem à Gestão de Pessoas como Ad- ministração de Recursos Humanos, todos mantêm-se alinhados ao propósito de que a gestão de pessoas deve buscar o equilíbrio entre os interesses da empresa e, também, os interesses dos indivíduos. Perceba, ainda, que tal objetivo pode ser alcançado mediante o estabelecimento de políticas de gestão voltado às pessoas e, também, por meio do uso das ferramentas e subsistemas disponíveis no processo de gestão de recursos humanos. Buscando melhor entender o termo Administração de Recursos Humanos ou Gestão de pessoas, faz-se necessário reportarmos ao conceito do que seja administração, assim, encontramos a seguinte definição: é o processo que visa alcançar, com eficiência e eficácia, os objetivos estratégicos da organização, com as pessoas e por meio delas (SILVA, 2008). Dessa forma, fica claro que não mais podemos subjugar as pessoas nas organizações, mas devemos trabalhar com elas para que os resultados sejam alcançados. Outro ponto que, também, chama-nos a atenção é que existem fatores co- muns a todas as organizações, tais como: os objetivos, os recursos limitados e as pessoas; essas características independem do tipo, ramo ou tamanho do negócio, ou seja, fica evidente que a “bola da vez” é a Gestão de Pessoas. Saiba que administrar com pessoas significa tocar a organização juntamente com os colaboradores, os parceiros internos que mais entendem dela, de seu fun- cionamento e de seu futuro. Esses colaboradores não são mais vistos como um recurso servil e passivo no processo de uma organização, mas como um objetivo,um sujeito ativo e provocador das decisões, empreendedor das ações e criador da inovação dentro das organizações. U N ID A D E 1 12 Evolução Histórica da área de Recursos Humanos De acordo com Araújo (2006), as primeiras ideias relacionadas com o processo de gerenciamento de pessoal decorrem com o surgimento da necessidade de se contabilizar os registros dos trabalhadores, principalmente, as horas trabalhadas, faltas e atrasos, para efeitos de pagamento ou de desconto. Teve início, então, o papel do controlador de pessoas, que, normalmente, era feito pelo contador da Administração de Recursos Humanos é a função, na organização, que está relacionada com provisão, treinamento, desenvolvimento, dentre outros aspectos. Sendo assim, você acha que ela está ligada, diretamente, à motivação e manutenção dos empregados? (Stephen P. Robbins) PENSANDO JUNTOS U N IC ES U M A R 13 empresa. As primeiras mudanças, na área de administração de pessoas, surgiram no início do século XX, pois, para o empresário, o trabalhador nada mais era do que um instrumento a mais na busca de resultados da empresa. Na década de 20, surgiu o movimento de relações humanas, e esse novo mo- delo trouxe uma grande pressão ao chefe de pessoal, pois a ordem, agora, era preocupar-se com o indivíduo, com suas necessidades e outras variáveis, com as quais ninguém estava preparado, nem o empresário, nem o trabalhador e, muito menos, o chefe de pessoal. Em 1945, surgiram os primeiros estudos sobre liderança, autocratismo, demo- cracia no trabalho e motivação humana, e eles passaram a lidar com uma variável, até então, desprezada: o poder das relações informais. Nesse cenário, a função de “cuidar do pessoal” passou a ser valorizada, uma função que era de terceiro escalão passou a ter status de gerência, deixando de ser uma função, puramente, operacional para tornar-se tática (ARAÚJO, 2006). Somente, nos anos 50, passou-se a ligar essa área à de ciências humanas. No auge da escola de relações humanas, criou-se o termo “Gerente de Recursos Humanos”. Nos anos 1960, surgiu, paralelamente, ao GRH, o GRI (Gerente de Relações Industriais), para distinguir a pessoa que cuida de aspectos, pura- mente, administrativos (GRI) do especialista em questões “humanas” (GRH). Dos anos 1970 aos 1990, a Administração de Pessoal deixou de ser uma função administrativa para se tornar estratégica, influenciando, diretamente, nas ações e servindo como apoio para o atendimento dos objetivos gerais da empresa (ARAÚJO, 2006). Decorrente de pesquisas e estudos referentes às novas posturas de comando como forma de se conseguir otimizar os resultados produtivos das organizações encomendadas pelas grandes organizações, levou-se a uma mudança nas formas de gestão das pessoas nas organizações. Foi a partir do desenvolvimento dos pro- cessos, métodos e normas de trabalho que surgiu o interesse no estudo de alguns fenômenos relativos ao comportamento humano. Marras (2000, p. 25) ilustra, de forma bem clara, o desenvolvimento das áreas de responsabilidade da função de pessoal, o que nos faz levantar uma questão: quais são as novas responsabilidades da gestão de pessoas no século XXI? U N ID A D E 1 14 Chefe de pessoal Até 1950 Gerente de RI De 1950 a 1970 Gerente de RH De 1970 a 1999 Controle de frequência e faltas Pagamentos Admissões e Demissões Cumprimento da CLT Serviços Gerais Medicina e Higiene Segurança patrimonial Segurança industrial Contenciosos trabalhista Cargos e salários Benefícios Recrutamento e seleção Treinamento Controle de frequência e faltas Pagamentos Admissões e Demissões Cumprimento da CLT Controle de frequência e faltas Pagamentos Admissões e Demissões Cumprimento da CLT Serviços Gerais Medicina e Higiene e Segurança Segurança patrimonial Segurança industrial Contenciosos trabalhista Cargos e salários Benefícios Recrutamento e seleção Treinamento Aval. de desempenho Qualidade de vida Desenvolvimento Gerencial Rel. Trabalhistas e Sindicalismo Desenvolvimento Organizacional Estrutura Organizacional Figura 1 - Áreas de responsabilidade da função de pessoal Fonte: adaptada de Marras (2000, p. 25). Em pesquisa realizada pela professora Tose (2000 apud MARRAS, 2000), há descrição das características que predominavam nas fases de evolução da gestão de pessoas. Segundo Tose (2000 apud MARRAS, 2000), as fases possuíam as seguintes características. Fase Contábil: essa fase caracteriza-se pela preocupação com os custos da organização. Para as organizações, os trabalhadores eram vistos, somente, sob o enfoque contábil, quando o candidato era “aprovado”, imediatamente, assinava o “contrato de trabalho”, que era, na verdade, o chamado Livro de Escrita do Pessoal, em que outra pessoa, a partir do ingresso na empresa, fazia a conta- bilidade dos salários devidos. Quem comandava o trabalho era denominado feitor. U N IC ES U M A R 15 Fase Legal: nessa fase, faz-se presente a função de chefe de pes- soal, profissional cuja preocupação era com as recém-criadas leis trabalhistas (CLT). O poder exercido sobre os emprega- dos, antes, unicamente, centrado na figura dos feitores (chefes de produção), passou para o chefe de pessoal. Isso acontecia porque se fazia necessário o domínio sobre as novas regras e normas jurídicas impostas. Fase Tecnicista: foi nesse período que o presidente Juscelino Kubitschek implantou a indústria automobilística em nosso país. Neste momento, os empresários tiveram que aceitar, em seus organogramas, o Gerente de Relações Industriais (GRI), para distinguir o gerente que cuidava de aspectos, puramen- te, administrativos (GRI) daquele que seria o especialista so- bre questões “humanas” (GRH). Foi nessa fase, também, que a área de RH passou a operacionalizar serviços, como os de treinamento, recrutamento/seleção, cargos e salários, higiene e segurança no trabalho, benefícios e outros. Fase Administrativa: nessa fase, ocorreu novas mudanças: surgiu o novo sindicalismo; criou-se uma nova denominação, bem como uma nova responsabilidade do, até aqui, gerente de relações industriais. O cargo passou a chamar gerente de recursos humanos; com isso, pretendia-se humanizar proce- dimentos burocráticos e, puramente, operacionais, voltando- -os para os indivíduos e suas relações (com os sindicatos e a sociedade). Essa fase é considerada muito importante para o modelo de gestão de pessoas que temos atualmente pelo fato de ter sido neste período que os subsistemas e as ferramentas de gestão de pessoas se consolidaram, entre eles, o processo de recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, avaliação de desempenho, cargos e salários, dentre outros. Fase Estratégica: esta fase foi demarcada pela introdução dos primeiros programas de planejamento estratégico atrelados ao planejamento estratégico central das organizações. O GRH subiu no seu nível hierárquico, saindo de um terceiro escalão, nível tático, para assumir posição de alto nível e ser reconheci- do como diretoria, em nível estratégico na organização. U N ID A D E 1 16 Observe quantas mudanças envolvem esse processo de evolução da gestão de pes- soas, sendo uma das áreas que mais têm sofrido mudanças e transformações nos últimos anos. Dessa forma, a área de recursos humanos ganhou um novo perfil, uma nova forma de ajudar a organização a crescer. Ficaram, para outro plano, as chamadas rotinas trabalhistas e as de cunho, fortemente, legal-trabalhista. Com isso, chegamos ao estágio atual, em que a gestão de pessoas surgiu como solução para as demandas de excelência organizacional. Para reforçar essa perspectiva apresentada, Ribeiro (2006, p. 4) nos propõe que: “ Com a globalização dos negócios, o desenvolvimento tecnológico, o forte impacto da mudança e o intenso movimento por qualidade e produtividade, surgiu uma eloqüente constatação na maioria das or- ganizações: o grande diferencial, a principal vantagem competitiva das empresas decorre das pessoas que mantême conservam o status – que geram e fortalecem a inovação e o que deverá vir a ser. São pessoas que produzem, vendem, servem o cliente, tomam decisões, lideram, mo- tivam, comunicam, supervisionam, gerenciam e dirigem os negócios das empresas. Varia enormemente a maneira pela qual as pessoas se comportam, decidem, agem, trabalham, executam e melhoram suas atividades, cuidam dos clientes e tocam os negócios das empresas. E essa variação depende, em grande parte, de políticas e diretrizes das organizações que dizem respeito a como lidar com as pessoas em suas atividades. Perceba que o autor nos aponta alguns dos grandes motivadores para a revolução no modelo de gestão de pessoas. Naturalmente, todas as fases vivenciadas pela área de Recursos Humanos foram reflexas e, de certa forma, uma resposta a forte neces- sidade apresentada pelas empresas em face às demandas do mercado. Se pararmos para refletir sobre o que estamos vivenciando atualmente, podemos dizer que essas constantes mudanças não deixaram de acontecer, pelo contrário, intensificaram-se ainda mais e, por sua vez, exigem permanente aprendizagem e mudança por parte das empresas, profissionais e, consequentemente, do modelo de gestão de pessoas. Com- plementando nosso raciocínio, Ribeiro (2006, p. 4, grifo nosso), ainda, acrescenta: “ A tendência atual, porém, está voltada para muito mais além: fala-se, agora, em administração com as pessoas. Administrar com as pes-soas significa tocar a organização juntamente com os colaboradores e U N IC ES U M A R 17 os parceiros internos que mais entendem dela e de seu futuro. Trata-se de uma nova visão das pessoas, não mais como um recurso de uma organização, mas como um objetivo. Essa é uma nova visão das pes- soas, não mais como um recurso de organização, servil e passivo no processo, mas, fundamentalmente, como um sujeito ativo e provocador das decisões, empreendedor das ações e criador da inovação dentro das organizações. Mais do que isso, esse sujeito é um agente proativo, dotado de visão própria e, sobretudo, de inteligência – a maior, mais avançada e sofisticada habilidade humana. Refletindo sobre as colocações apontadas pelo autor, podemos compreender melhor o estágio atual que a área de Recursos Humanos vivencia; além de ter que se posi- cionar, estrategicamente, junto ao negócio, o profissional de RH precisa desenvolver e criar políticas que possam influenciar a cultura organizacional de tal forma que os velhos paradigmas sejam superados, ou seja, sair de uma condição de administrar as pessoas e, verdadeiramente, construir uma gestão com pessoas e por meio delas . ESTRATÉGICA 1985 a Atual ADMINISTRATIVA 1965 a 1985 TECNICISTA 1950 a 1965 LEGAL 1930 a 1950 CONTÁBIL Antes de 1930 Final da década de 80, a Gestão de Pessoas deixa de ser uma função administrativa para se tornar estratégica, in�uenciando diretamente nas ações e servindo como apoio para o atingimento dos objetivos gerais das organizações. A gestão de pessoas torna-se uma atividade administrativa, focando suas atenções nas rotinas e métodos de gerenciamento. 1950 surge o termo Gerente de RH e passa a ser valorizado, deixando de ser puramente operacional e torna-se tático. Foco nos aspectos técnicos e produtivos. Foco em atender as leis trabalhistas (CTL) 1945 primeiros estudos sobre liderança, motivação humana e as relações informais. A função sai do terceiro escalão e ganha status de Gerência. Início do século XX, surge a necessidade de contabilizar o registro dos funcionários. Década de 20 surge o movimento das relações humanas. Figura 2 - Fases de evolução da gestão de pessoas Fonte: adaptada de Tose (2000 apud MARRAS, 2000). U N ID A D E 1 18 A Figura 2 nos traz, de forma resumida, o entendimento das fases de evolução da área de gestão de pessoas. Perceba que esta tem acompanhado o mesmo ritmo ou, pelo menos, vem tentando. A evolução das empresas ocorre em face aos próprios princípios e fundamentos das escolas administrativas. Conforme as teorias da ad- ministração foram sendo desenvolvidas e implementadas, novas oportunidades e necessidades se evidenciaram, demandando pessoas e processos. Naturalmente, a área responsável por prover e disponibilizar os recursos humanos teve que se inovar e buscar meios para atender às novas exigências. Dessa forma, podemos afirmar que a evolução da gestão de pessoas pode ser vista como uma forte neces- sidade promovida pela evolução dos sistemas sociais, econômicos e empresariais. Se as empresas estão demitindo mais e gastando mais com assessorias especializadas, ganham espaço nos conselhos de administração os direitos de recursos humanos. Como ocorre com os demais profissionais de alto escalão, contudo, seu perfil deve se adaptar à crise. Com isso, saem os patriarcalistas e entram os racionalistas, o RH mais intimamente ligado ao “business” e capaz de cortar com precisão profissionais de baixo rendimento. O RH ficará completamente ligado ao negócio, vai ascender na crise e virar um braço de “board” da empresa. Todos perceberam que são as pessoas que fazem a diferença em um negócio. Fonte: Pearson Education do Brasil (2010 p. 25). EXPLORANDO IDEIAS U N IC ES U M A R 19 Para Chiavenato (2006), a Gestão de pessoas está inserida em um contexto for- mado por pessoas e organizações. As pessoas dependem das organizações para sua subsistência, para atingir seus objetivos pessoais e individuais. Quando se fala em crescer na vida e ser bem-sucedido, normalmente, atrela-se a isso uma organização. Do outro lado, encontramos as organizações que dependem, dire- tamente, de seus funcionários para produzir seus bens e serviços, atender seus clientes, competir nos mercados, atingir seus objetivos globais e estratégicos. As organizações funcionam por meio e com as pessoas que delas fazem parte, as quais decidem e agem em seus nomes. Pouco tempo atrás, o relacionamento en- tre as pessoas e a organização era considerado antagônico e conflitante. Tornou-se senso comum dizer que os interesses organizacionais e individuais nunca seriam compatíveis, visto que um pretendia usurpar o máximo do outro. O profissional de recursos humanos participa dos desafios mais relevantes da organização e con- tribui para o alcance dos objetivos organizacionais e dos objetivos individuais. No Quadro 1, demonstraremos os principais objetivos organizacionais e in- dividuais. Sempre que nos referirmos a essa questão, procuraremos exemplificar por meio do seguinte questionamento: quais são os possíveis interesses de um empresário frente ao negócio? E quais os possíveis interesses de um indivíduo (funcionário) frente ao negócio? Imagine-se dono de um negócio, qual resposta você teria? Ou, ainda, imagine-se como um colaborador, quais suas possíveis ne- cessidades e vontades? Observe o quadro a seguir e perceba que, provavelmente, algumas de suas respostas, possivelmente, estarão listadas. 2 O CONTEXTO ATUAL DA GESTÃO DE PESSOAS: seu Papel e os Aspectos Fundamentais para uma Gestão Moderna U N ID A D E 1 20 OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS OBJETIVOS INDIVIDUAIS Sobrevivência. Crescimento sustentado. Lucratividade. Produtividade. Qualidade nos Produtos/Serviços. Redução de custos. Participação no Mercado. Novos mercados, novos clientes. Competitividade. Imagem no Mercado. Melhores salários. Melhores benefícios. Estabilidade no emprego. Segurança no trabalho. Qualidade de vida no trabalho. Satisfação no trabalho. Consideração e Respeito. Oportunidade de crescimento. Liberdade para trabalhar. Liderança liberal. Orgulho da organização. Quadro 1 - Objetivos organizacionais e individuais Fonte: adaptada de Chiavenato (2006, p. 5). Diante desse novo contexto e de acordo com Chiavenato (2006), faz parte do papel da área de recursos humanos ajudar a organização a alcançar seus ob- jetivos e a realizar suas missões, tornando-se competitiva. Ela, também, deve prover empregados bem treinados e bem motivados, ao mesmo tempo emque desenvolve e mantém a qualidade de vida no trabalho, administra as mudanças e incentiva políticas éticas e comportamento, socialmente, responsável. Reforçando essa ideia, Ribeiro (2006, p. 4) nos diz: As organizações são constituídas de pessoas e dependem delas para atingir seus objetivos e cumprir suas missões. E, para as pessoas, as organizações constituem o meio pelo qual elas podem alcançar vários objetivos pessoais com um mínimo de tempo, esforço e conflito. (Idalberto Chiavenato) PENSANDO JUNTOS U N IC ES U M A R 21 “ A área de Recursos Humanos deve estar voltada, permanentemente, para ajudar a organização a alcançar seus objetivos e a realizar suas missões, tornando-a competitiva. Além disso, também tem de pro- ver empregados bem treinados e bem motivados, ao mesmo tempo em que desenvolve e mantém a qualidade de vida no trabalho, ad- ministra as mudanças e incentiva políticas éticas e comportamento socialmente responsável. Ainda conforme Ribeiro (2006), a área de Recursos Humanos, atualmente, possui uma missão na qual, entre outras coisas, deve: ■ Dimensionar e planejar as necessidades de pessoal, no longo, médio e curto prazos, para atender às exigências do negócio e aos objetivos da empresa. ■ Criar, atualizar e manter uma estrutura organizacional adequada aos ob- jetivos empresariais e às suas relações com o ambiente. ■ Atender às necessidades de recursos humanos da organização, no longo, médio e curto prazos, além de manter todos os cargos e funções, adequa- damente, preenchidos. ■ Prover a qualificação profissional dos recursos humanos da empresa. ■ Remunerar o pessoal, competitiva e equivalentemente, considerando as características e as peculiaridades do negócio empresarial que impactam a relação do profissional com seu cargo e a contribuição para o desenvol- vimento da empresa. ■ Assegurar o bom relacionamento da empresa com o empregado, em todos os níveis da organização. Para alcançar essa missão, porém, a área de recursos humanos necessita quebrar alguns paradigmas oriundos das décadas anteriores, ou seja, de acordo com Chia- venato (2006), primeiramente, ela deve quebrar os velhos paradigmas organiza- cionais que definem a Administração de Recursos Humanos como: ■ Uma estrutura hierárquica e funcional. ■ Voltada para a especialização das suas funções. ■ Voltada para a centralização e monopólio. ■ Completa ausência de coordenação entre as funções. ■ Criadora de conflitos entre linha e staff, isto é, os clientes internos de ARH. ■ Preocupada com atividades rotineiras e burocráticas, avessa à inovação e à criatividade. ■ Falta de conhecimento das interdependências e dos processos empresariais. U N ID A D E 1 22 A Administração de Recursos Humanos, também, necessita romper com os velhos paradigmas culturais, que, de acordo com Chiavenato (2006), caracterizam-se por: ■ Dar ênfase ao indivíduo e à iniciativa pessoal, omitindo a atividade grupal. ■ Promover o confinamento dos cargos e isolamento das pessoas. ■ Permitir a ausência de contatos interpessoais e sociais. ■ Ser submisso ao chefe, tendo ele como único cliente. ■ Apresentar uma avaliação pessoal e individual, voltada para o desempe- nho passado. ■ Possuir tendência à permanência e ao definitivo. ■ Promover o conservadorismo da ARH, que funciona como anti-habili- tadora da mudança. ■ Possuir visão voltada para o passado ou para manutenção do status quo. Complementando as ideias de Chiavenato (2006), Ribeiro (2006, p. 16) nos apon- ta o Velho Papel dos Recursos Humanos que necessitam ser superados, sendo: ■ Controlar rigidamente a carreira dos funcionários. ■ Manter as escalas salariais em segredo, de tal forma que nem os gerentes saibam como tal escala funciona. ■ Manter a avaliação de potencial como uma tarefa exclusiva da função de Recursos Humanos. ■ Entender que a manutenção de um clima organizacional adequado é ta- refa exclusiva de Recursos Humanos. ■ Manter tudo que diga respeito a Recursos Humanos em um clima cheio de mistérios e segredos. ■ Conservar a imagem de Recursos Humanos com um departamento fe- chado e à parte da organização. ■ Valorizar excessivamente a área, em detrimento dos objetivos estratégicos da empresa. Como se não bastasse o desafio da Administração de Recursos Humanos de ter que quebrar esses paradigmas, ela deve desenvolver, junto aos gestores da organização, um novo entendimento de seus papéis, pois, até então, a ARH é vista como: ■ Simples prestadora de serviços burocráticos e rotineiros ao nível opera- cional. U N IC ES U M A R 23 ■ Centralizadora e pouco apta a delegar decisões e ações para terceiros. ■ Introvertida e pouco contato com as demais áreas da empresa. ■ Pouca visibilidade e pouca transparência. ■ Decisões impostas sob um ponto de vista exclusivo da sua especialidade. ■ Deformação profissional e muita “perfumaria”. ■ Preocupação com aspectos não essenciais ao negócio da empresa, tornando-se, marginalidade, em relação às decisões principais da empresa. As pessoas da organização (salvo lembrar) é que formam o corpo funcional e que contribuem para a instalação de um clima organizacional favorável, que conduz a resultados, incluindo resultados nos negócios ou qualquer que seja a atividade- -fim da organização. E esse é o chamado capital humano que serve de combustível e faz a máquina (organização) andar e chegar ao destino. Perceba o quanto é desafiador atuar na área de Recursos Humanos, são inú- meros os paradigmas a serem superados, e uma das situações que mais chama a atenção é que, apesar de sua grande importância no ambiente das organizações, a área de Recursos Humanos não possui autonomia de decisão, e todas as tarefas e desafios precisam ser superados, apenas, pela sua habilidade de influenciar as de- mais áreas a mudarem e a fazerem aquilo que necessita ser feito. Realmente, é um desafio e tanto ter, em mãos, tantas mudanças para serem promovidas, mas sem o poder de, verdadeiramente, implementá-las, ou seja, sem poder tomar decisões. Dessa forma, o profissional de recursos humanos passa a se posicionar como um prestador de serviços para as outras áreas, muitas vezes, atuando como con- sultor interno, conselheiro, mas nunca assumindo, sozinho, a responsabilidade de executar tarefas pelas áreas do negócio. Nessa visão, a área de Recursos Humanos disponibilizará o suporte necessário para que as demais áreas da empresa possam funcionar, perfeitamente, naquilo que se refere a pessoas. Por meio dessa nova postura da área de recursos humanos, cria-se um novo entendimento sobre quem é o gestor de pessoas, sendo este entendido como aquele que assume a responsabilidade por outras pessoas, ou seja, toda pessoa que esteja à frente de outras pessoas e, por elas, acabar assumindo responsabili- dades pode ser considerada gestor de pessoas; dessa forma, podemos encerrar essa etapa mencionando que todo gestor é um gestor de pessoas, independente de sua área ou nível de atuação. U N ID A D E 1 24 Aspectos Fundamentais da Moderna Gestão de Pessoas Considerando os inúmeros desafios e paradigmas a serem superados pela área de Recursos Humanos, apresentaremos alguns aspectos importantes a serem considerados na nova gestão de pessoas, em que Chiavenato (2006) salienta que ela deve considerar três aspectos fundamentais para embasar suas ações, sendo: 1. As pessoas como seres humanos: refere-se ao entendimento de que as pessoas possuem personalidade própria, sendo elas diferentes entre si, decorrente de um histórico particular e individualizado, possuidores de conhecimentos, habilidades, destrezas e capacidades indispensáveis à adequada gestão dos recursos organizacionais. 2. As pessoas como ativadores inteligentes de recursos organizacio- nais: as pessoas não devem ser vistas como agentes passivos, inertes e estáticos, mas, sim, como elementos impulsionadores da organização e capazes de dotá-la de inteligência, talento e aprendizados indispensáveisà sua constante renovação e competitividade em um mundo de constantes mudanças. 3. As pessoas como parceiras da organização: as pessoas, por serem parceiras, acreditam na organização e investem nela, por meio de seus esforços e dedicação. Observe que o grande foco da nova gestão são as pessoas e, para isso, é necessá- ria uma virada de 360º (graus) na forma como observamos o fator humano e as suas contribuições para o negócio. Primeiramente, devemos, antes de qualquer outra análise ou interpretação, observar as pessoas, verdadeiramente, como se- res humanos, dotados de sentimentos, necessidades, vontades, que podem, sim, comprometer-se com o trabalho e engajar-se na busca pelo crescimento, pelo aprendizado e resultado. Qualquer gestor pode ser um gestor de pessoas, mas, somente, um tem os meios ne- cessários para se tornar um bom gestor de pessoas. É o titular (ou a titular) da área de pessoas. Mas, para se tornar um excelente gestor, terá de agir estrategicamente. Sempre! Fonte: Araújo (2006). EXPLORANDO IDEIAS U N IC ES U M A R 25 Em segundo momento, devemos observar as pessoas como dotadas de inte- ligência, recursos e potencialidades. Pode-se até afirmar que o maior desperdício das empresas não é mais aquele relacionado à produção ou recursos materiais, mas, sim, ao desperdício de pessoas, de conhecimento, de habilidades e de inte- ligência. Fechando nosso raciocínio, temos o terceiro aspecto que deve ser levado em consideração, sendo este a visão de que as pessoas são parceiras da organização. Quando se consegue estabelecer um modelo de relacionamento embasado na transparência e no respeito, naturalmente, as pessoas passam a ser parceiras da organização, pois visualizam um motivo, uma causa maior a ser trabalhada, não, apenas, a execução de um trabalho apenas, mas a concretização de uma missão. U N ID A D E 1 26 A globalização nos negócios, o desenvolvimento tecnológico, o forte impacto da mudança e o intenso movimento por qualidade e produtividade evidenciam mu- danças significativas na gestão de pessoas. Tais mudanças mostram uma evidente constatação, na maioria das organizações, que o grande diferencial competitivo das empresas decorre das pessoas que geram e fortalecem a inovação. São pessoas que produzem, vendem, servem o cliente, tomam decisões, lideram, motivam, co- municam, supervisionam, gerenciam e dirigem os negócios das empresas (CHIA- VENATO, 2006). Outro fato, extremamente, relevante é que uma organização vive e sobrevive de suas parcerias, cada qual contribuindo e esperando algo da organização, como pode ser visto no quadro a seguir: PARCEIROS CONTRIBUEM COM: ESPERAM RETORNOS DE: Acionistas e Investidores Capital de risco, investimento. Lucros e dividendos, valor agregado. Empregados Trabalho, esforço, conheci- mentos e habilidades. Salários, benefícios, retri- buições e satisfações. Fornecedores Matérias primas, serviços, insumos básicos, tecnologias. Lucros e novos negócios. Clientes e Consumidores Compras e aquisição dos bens e serviços. Qualidade, preço, satisfa- ção, valor agregado. Quadro 2 - Parceiros das organizações Fonte: adaptado de Chiavenato (2006). 3 PESSOAS COMO PARCEIRAS das Organizações U N IC ES U M A R 27 Como pôde ser visto, as organizações possuem parcerias com os acionistas que investiram na organização e que esperam colher os lucros desse investimento; têm parceria com os fornecedores que acreditaram na organização e a eles en- tregaram a matéria-prima, insumos, tecnologias e esperam receber bem como vender mais; os clientes e consumidores buscam produtos com qualidade, preço, com valor agregado e esperam adquiri-los, deixando, na empresa, o seu dinheiro; e os empregados, os quais se dedicam para que a empresa lucre, cresça e olhe para ele, visualizando o esforço e dedicação que, ali, foram deixados. Fica a cargo da gestão de pessoas buscar a conciliação desses interesses para que todos tenham suas expectativas atendidas, podendo utilizar-se das ferramen- tas de RH. Objetivando o alcance das necessidades das partes, o profissional de Recursos Humanos torna-se estratégico para o negócio. Um ponto que devemos salientar, para que haja essa conciliação (objetivos organizacionais e dos empre- gados para que sejam alcançados), é que se faz necessário a definição de como serão tratadas as pessoas na organização, como recursos ou como parceiros. Caso a organização opte por tratar as pessoas como recursos, Chiavenato (2006, p. 6) observa que “eles precisam ser administrados, o que envolve planeja- mento, organização, direção e controle de suas atividades, já que são considerados sujeitos passivos de ação organizacional”. Mas existe a opção de a empresa consi- derar as pessoas como parceiras, nesse caso, Chiavenato (2006, p. 7) nos aponta que, “como tais, elas são fornecedoras de conhecimentos, habilidades, capacidade e, sobretudo, o mais importante aporte para as organizações”. PESSOAS COMO RECURSOS PESSOAS COMO PARCEIROS Empregados isolados nos cargos. Horário, rigidamente, estabelecido. Preocupação com normas e regras. Subordinação ao chefe. Fidelidade à organização. Dependência da chefia. Alienação em relação à organização. Ênfase na especialização. Executores de tarefas. Ênfase nas destrezas manuais. Mão-de-obra. Colaboradores agrupados em equips. Metas negociadas e compartilhadas. Preocupação com resultados. Atendimento e satisfação do cliente. Vinculação à missão e à visão. Interdependência entre colegas e equipes. Participação e comprometimento. Ênfase na ética e na responsabilidade. Fornecedoras de atividade. Ênfase no conhecimento. Inteligência e talento. Quadro 3 - Pessoas como parceiras ou recursos na organização Fonte: adaptado de Chiavenatto, (2006, p. 7) U N ID A D E 1 28 Como já pudemos perceber, o RH é uma das áreas de que mais tem se exigido mudanças nos últimos anos. Para quem atua no meio empresarial, os períodos de crise e a retomada de crescimento têm sido, extremamente, duros. Posições ameaçadas, orçamentos diminuídos e status reduzido passaram a fazer parte do dia a dia das organizações, que, por sua vez, também, afetam, diretamente, a função de Recursos Humanos. Diante desse quadro, faz-se necessário que o profissional de Recursos Humanos se torne mais eficaz nesses períodos de crise, com isso, Ribeiro (2006) sugere que: ■ Mantenha a preocupação voltada, fundamentalmente, para resultados e produtos tangíveis, custo/benefícios dos programas, mas não para aspectos processualísticos. ■ Assuma riscos na busca de programas inovadores, que visem melhorar o status quo, evitando uma atitude conservadora e tradicional. ■ Desenvolva uma mentalidade de prestador de serviços, atendendo, com qualidade, sua clientela, bem como buscando acompanhar os resultados de sua prestação de serviços. Não se deve esquecer que Recursos Huma- nos é um dos meios para se atingir os objetivos organizacionais, e não o fim, ou seja, o próprio objetivo. ■ Visar um comportamento de antecipação, ou seja, ser proativo, buscando antecipar as soluções para os problemas que ocorrem periodicamente; acabar com eles ou minimizar seus efeitos negativos; não se tornar um 4 AS NOVAS PERSPECTIVAS DA GESTÃO DE Pessoas e a Atuação do Novo Profissional U N IC ES U M A R 29 “apaga fogo”, ou seja, só atua quando o problema já aconteceu. ■ Prestigiar a área de Recursos Humanos, dando a ela visibilidade, permi- tindo estarem presentes (criação, implementação e controle) nos eventos benéficos à organização bem como para os trabalhadores. ■ Ser um disseminador de novas informações, utilizando-se, para tanto, as novas tecnologias disponíveis. ■ Ser um “olheiro”, buscando identificar novas tecnologias, processos, bem como novos processos de gestão. Implementando treinamentos que se fizerem necessários. ■ Adotar um relacionamento com os subordinados mais na base homem/ grupo (reuniões) do que do homem/homem (entrevistas). Tomar de- cisões com critériosparticipativos, e não individualistas. ■ Respeitar as metas, objetivos e prazos estabelecidos a fim de que se consiga o cumprimento do que foi planejado. ■ Assumir a responsabilidade sobre os erros e acertos de sua unidade. ■ Ser um ativador de soluções, levando sempre para a chefia opções para solucionar os problemas. ■ Equacionar problemas da unidade de RH, ou de outra, com os usuários de seus serviços, trabalhando por uma melhor qualidade de vida. Assumindo esse novo perfil, o gestor de Recursos Humanos se apresentará mais preparado para enfrentar os desafios presentes nas organizações. Chiavenato (2006) observa que o papel do gestor de pessoas é fundamental para o sucesso da organização, mas salienta que ele trabalha em um ambiente diferenciado dos demais porque, segundo o autor: ■ Lida com meios, com recursos intermediários, e não com fins. ■ Lida com recursos vivos, complexos, diversificados e variáveis: as pessoas. ■ É uma responsabilidade de linha e uma função de staff. As pessoas estão alocadas e espalhadas nos demais órgãos da empresa. ■ Preocupa-se, fundamentalmente, com a eficiência e, muito pouco, com a eficácia. Ela está, geralmente, voltada para os meios e, quase nunca, para os fins. ■ Trabalha em ambientes e em condições que não determinou e sobre as quais possui um grau de poder e controle muito pequeno. ■ Os padrões de desempenho e de qualidade dos recursos humanos são, extremamente, complexos e diferenciados. U N ID A D E 1 30 ■ Não lida, diretamente, com fontes de receita, ele não proporciona aportes de dinheiro para a organização. ■ Possui dificuldade de saber se a ARH está fazendo ou não um bom tra- balho para a empresa. ■ Tornar-se global requer uma mudança de seus métodos tradicionais. ■ Deve adotar nova tecnologia. ■ Deve gerenciar mudanças. ■ Deve desenvolver o capital humano. ■ Buscar reagir ao mercado. ■ Aprender a conter custos. Os Novos Caminhos da Gestão de Pessoas As organizações estão vivendo uma experiência inédita, graças aos aconteci- mentos históricos da Era Pós-Moderna, como as mudanças drásticas nas áreas econômicas, tecnológica e, principalmente, a de mercado. Isso tem exigido dos executivos verdadeiros exercícios de criatividade e coragem para enfrentar mu- danças de uma grandeza e de uma velocidade nunca imaginada. A nova situação obrigou as organizações a reverem os seus conceitos e paradigmas em todos os ângulos possíveis. Retomou-se a preocupação com o viés do humanismo e, principalmente, com a necessidade de profissionais com visão abrangente, horizontalizada, não, somente, no que dizia respeito aos contornos organizacionais, mas, no caso do ARH, principalmente, com relação ao indivíduo como ser humano. Exige-se do ARH um perfil cognitivo que lhe permita analisar cenários multidisciplinares dos indivíduos não mais como simples trabalhadores assalariados, mas como “parceiros” do negócio, responsáveis, portanto, por uma parcela significativa dos resultados projetados. Diante disso, Ribeiro (2006) menciona que, para atuar na área de gestão de pessoas, o profissional necessita, além de ser graduado em curso superior e es- pecializado em Recursos Humanos, possuir algumas características pessoais es- pecíficas, que influenciarão, diretamente, em sua assertividade enquanto Gestor de Recursos Humanos. O quadro a seguir nos apresenta esse conjunto de carac- terísticas cognitivas e comportamentais sugeridas pelo autor: U N IC ES U M A R 31 CARACTERÍSTICAS DO PERFIL PROFISSIONAL DE RECURSOS HUMANOS Adaptabilidade. Boa comunicação. Bom humor. Capacidade de negociar. Relacionamento. Compromisso com resultados. Liderança. Disposição para aprender. Flexibilidade e criatividade. Habilidade em administrar conflitos. Habilidade em atuar em equips. Capacidade de planejamento. Capacidade de trabalhar sob pressão. Visão estratégica e holística. Quadro 4 - Características do perfil profissional de recursos humanos Fonte: adaptado de Ribeiro (2006, p. 2). A forma mais prática de visualizar como todas essas características pessoais são exigidas e aplicadas é por meio da consultoria interna de recursos humanos. Complementando nosso pensamento e, até mesmo, para especificar um pouco mais, Ribeiro (2006) nos traz a ideia do Novo Papel dos Recursos Humanos que pode ser entendido conforme os requisitos a seguir: ■ Propor, definir e garantir um conjunto de normas e procedimentos ali- nhados com os princípios empresariais e de acordo com legislação tra- balhista. ■ Criar sistemas que permitam que as oportunidades estejam disponíveis a todos. ■ Dar suporte às demais áreas da empresa, agindo como facilitador no pro- cesso de administração de pessoal. ■ Dar suporte às demais áreas da empresa no recrutamento e desenvolvi- mento de pessoas. ■ Criar, propor, instrumentos que possibilite remuneração competitiva a todos os colaboradores. ■ Buscar, na adversidade de pessoas, a possibilidade de ampliar o capital intelectual. ■ Ver as pessoas como seres espirituais e ajudá-las no seu desenvolvimento. ■ Ter, no treinamento, a principal ferramenta para retenção do capital hu- mano e desenvolver novas competências para a atual era empresarial. ■ Dignificar o trabalho e o ser humano, agindo sempre com humildade, ética e respeito. U N ID A D E 1 32 Para finalizar esta aula, é importante reforçar a ideia de que, atualmente, o profis- sional de Recursos Humanos deve apresentar características e traços de perso- nalidade que atenda ao novo perfil, como altruísmo, gostar de lidar com pessoas, equilíbrio emocional, visão estratégica, senso de justiça e postura ética. O novo gestor de pessoas precisa, ainda, apresentar conhecimento sobre o negócio da empresa, além das ferramentas administrativas relacionadas ao processo de ava- liação e gestão do desempenho individual e coletivo na organização. Consultoria Interna de RH é uma atividade de staff prestadora de serviços que atua, de maneira estratégica, junto às necessidades organizacionais. Para essa atuação, o profis- sional necessita de um perfil multidisciplinar, ou seja, necessita conhecer o negócio, seu mercado, concorrentes, estratégias mercadológicas, além de conhecimentos específicos de sua área de atuação e dos setores onde terá de intervir. Fonte: Ribeiro (2006). EXPLORANDO IDEIAS U N IC ES U M A R 33 A moderna gestão de pessoas veio passando por um processo de transformação. Antes, enquadrava-se em uma estrutura tradicional dentro de um modelo departa- mentalizado funcional, predominante nas organizações. Com os constantes proces- sos de mudanças ocorridos nas últimas décadas, a atividade de Recursos Humanos, que se apresentava conservadora, preocupada, somente, com processos rotineiros, passou a interagir com a estratégia da organização, desenvolvendo novos processos e concebendo uma estrutura organizada em seis grandes subsistemas que norteiam toda gestão de pessoas. A Figura 3 ilustra esses seis subsistemas da gestão de pessoas: Administração de Recursos Humanos Medicina e Segurança do Trabalho Treinamento e Desenvolvimento Depto. Pessoal Obrigações Trabalhistas e Sindicais Recrutamento e Seleção de Pessoal Cargos e Salários Avaliação Desempenho Remuneração, Benefícios e Serviços Figura 3 - Subsistemas de Recursos Humanos Fonte: adaptado de Chiavenato (2006). Como se pôde observar, a figura apresentada nos traz as áreas na qual o setor de Recursos Humanos se estrutura. Verificaremos, a partir de agora, quais são as caracte- rísticas predominantes em cada um dos subsistemas apresentados e, para nos auxiliar 5 PROCESSOS E SUBSISTEMAS DA GESTÃO de Pessoas U N ID A D E 1 34 nesse entendimento, utilizaremos as ideias de Chiavenato (2006), nas quais propõe esse entendimento quanto às etapas e funções para a atividade de gestão de pessoas. 1º Processo de Agregar Pessoas: aqui, a gestão de pessoas deve preocupar-se com a identificação das necessidades de pessoal por parte da empresa,utilizando-se de pesquisa de mercado e recrutamento/seleção (inclui fontes recentes de recruta- mento e seleção). Suas principais atividades envolvem: ■ Recrutamento, Seleção e Ambientação de Pessoal: subsistema muito im- portante na empresa, recebe a informação das áreas sobre vagas disponíveis e o perfil que o candidato deve ter para ser aprovado. Mediante essas informa- ções, o setor começa o processo de busca do profissional para a seleção. Pode- mos entender o Recrutamento como as formas e técnicas de recrutamento dos recursos necessários para a organização, e a Seleção como os critérios utilizados para análise entre as características que o cargo exige e as caracte- rísticas dos candidatos, relacionando com suas habilidades, competências e conhecimentos técnicos. Já a Ambientação são os critérios utilizados para integrar os novos colaboradores ao ambiente interno da organização. 2º Processo de Aplicar Pessoas: neste processo, ocorre a busca de informações para se identificar o perfil do profissional desejado dentro da organização bem como o desenho das atribuições dos cargos existentes: análise e descrição de cargos (que exige flexibilização, e não “engessamento” dos cargos); também, é feito o pla- nejamento para melhor alocação interna das pessoas na organização (inclui ação conjunta com as unidades envolvidas). Suas principais atividades contemplam: ■ Desenho de Cargos: subsistema responsável pela descrição de cargos (funções), pesquisas salariais, elaboração de planos de carreira. ■ Acompanhamento: é o critério adotado para análise dos novos colabora- dores no ambiente organizacional e no desempenho das funções. ■ Avaliação de Desempenho: é o critério estabelecido para mensurar os resultados do trabalhador, em suas tarefas, por um determinado período. ■ Plano de Carreira: critério determinado para a progressão funcional de acordo com o tempo, desempenho, conhecimentos e habilidades. 3º Processo de Recompensar Pessoas: é o processo utilizado para incentivar as pessoas a satisfazer suas necessidades individuais mais elevadas, nele, está incluso a recompensa por meio de salários e benefícios. Suas principais atividades contemplam: U N IC ES U M A R 35 ■ Recompensas: subsistema responsável pelo processo dedicado a incenti- var e recompensar os indivíduos, seja em função das posições ocupadas, em função do tempo na organização, desempenho alcançado ou metas e resultados cumpridos, por exemplo: participação em lucros e resultados, dia de folga, reconhecimento por meio de premiações diversas etc. ■ Remuneração e Incentivos: são os critérios adotados pela organiza- ção para a composição da remuneração, envolvendo todas as formas de pagamento, recompensas e incentivos decorrentes do seu trabalho, por exemplo: salário, comissão etc. ■ Benefícios e Serviços: são os critérios estabelecidos para desenvolver pro- gramas para remuneração adicional ou parte integrante da remuneração total. Benefícios e serviços, normalmente, são oferecidos de forma não fi- nanceira, podendo ser benefícios sociais e espontâneos, por exemplo: plano de saúde, vale alimentação etc. 4º Processo de Desenvolver Pessoas: nesse processo, ocorre a preocupação com a capacitação e o desenvolvimento profissional do colaborador; os investi- mentos em treinamento e desenvolvimento das pessoas; programas de mudança e desenvolvimento de carreira; e programas de comunicação e consonância. Ob- servamos que, nesta fase, também, faz-se importante o envolvimento das diversas áreas da organização para a formulação de um planejamento de treinamento e desenvolvimento, que pode ser entendido como subsistema responsável pelo desenvolvimento e treinamento de acordo com as necessidades da empresa ou de cada indivíduo. Suas principais atividades contemplam: ■ Treinamento: meio de diagnosticar a necessidade de atualização do cola- borador para repassar novos conhecimentos e habilidades ao profissional no cargo, por exemplo: curso de aperfeiçoamento, curso para aprendizado de uma nova técnica etc. ■ Desenvolvimento de Pessoas: critério adotado para o desenvolvimento profissional dos recursos humanos, a médio e longo prazos, preparando o funcionário para o crescimento profissional e a sua empregabilidade, por exemplo: processo de coaching, mentoria etc. ■ Desenvolvimento Organizacional: criação e desenvolvimento de con- dições de crescimento do indivíduo de acordo com o crescimento da organização, por exemplo: plano de carreira, participação nos lucros e resultados da empresa etc. U N ID A D E 1 36 5º Processo de Manter Pessoal: subsistema responsável por manter as pessoas traba- lhando na organização. Trata-se das condições ambientais e psicológicas de trabalho que cercam as pessoas nas atividades cotidianas. Aqui, são utilizados processos para criar condições ambientais e psicológicas satisfatórias para as atividades das pessoas. Incluem o desenvolvimento de planos de carreiras; preocupação com fatores de hi- giene e segurança no trabalho; programas de qualidade de vida; e o envolvimento com questões trabalhistas (inclui sindicato). Suas principais atividades contemplam: ■ Relação com Colaboradores: está relacionado à forma com que a organi- zação se relaciona com seus colaboradores envolvendo estilo de liderança, processo decisório, sistema de comunicação, relações interpessoais, traba- lhistas e sindicais, recompensas e punições, administração de conflitos. ■ Meio Ambiente Organizacional: está relacionado com as condições am- bientais e estruturais de trabalho que asseguram a saúde física e mental e com as condições de bem-estar das pessoas. 6º Processo de Monitorar Pessoas: subsistema responsável por mostrar como as organizações estabelecem meios para monitorar o comportamento das pessoas dentro da organização. O controle está deixando de ser externo, impositivo e coer- citivo, para ser baseado no conhecimento e parcela de contribuição individual à organização. São os processos utilizados para acompanhar e controlar as atividades das pessoas e verificar os resultados. Neles, estão inclusos os programas de avaliação de desempenho; elaboração de um banco de dados contendo informações relevan- tes sobre o seu quadro de pessoal; utilização de sistemas de informações gerenciais (específicos e genéricos, ou seja, sistemas gerenciais globais); e promoção de audi- toria de gestão de pessoas. Entre suas atividades, destacam-se: ■ Departamento Pessoal: está relacionado com os trabalhos burocráticos, envolvendo os registros, computação de horas, folha de pagamento, férias, 13º salário e outros. ■ Banco de Dados: está relacionado aos critérios utilizados para manter um cadastro dos colaboradores capaz de fornecer informações precisas do histórico do colaborador. ■ Sistema de Informações: critérios utilizados para mensurar a qualidade e o desempenho dos serviços e atividades realizadas. U N IC ES U M A R 37 Já parou para pensar sobre o quanto o subsistema Processo de Monitorar Pessoas con- tribui para que se desenvolva programas de treinamento e desenvolvimento adequados para uma organização? PENSANDO JUNTOS Considerções Finais Chegamos ao final de nossa Unidade 1, caro(a) aluno(a). Nela, apresentamos in- formações que nos levam a um entendimento sobre como era a atuação da função do RH, e, atualmente, como se espera que seja o trabalho a ser desenvolvido por essa importante área da empresa: Recursos Humanos. Quantas empresas, ainda, nos dias de hoje, confundem o DP (Departamento Pessoal) com o RH (Recursos Humanos) e misturam as obrigações trabalhistas e folha de pagamento com as funções essenciais da área de RH que, atualmente, são: atrair, reter e desenvolver pessoas. Na prática, são pouquíssimas empresas que, efetivamente, conseguem atuar dentro na nova realidade da gestão de pessoas. O profissional de Recursos Humanos deve prover a organização de meios para assegurar a sustentabilidade do negócio, ao longo do tempo, de forma quesejam previstos e antecipados os recursos humanos necessários, em termos de conhecimentos, habilidades e número de pessoas, para que a organização não sofra déficit de mão de obra. Ao longo da unidade de estudo, apresentamos o perfil profissional de re- cursos humanos, os diferentes subsistemas na qual a área de RH, atualmente, configura-se e os desafios vivenciados pela área de gestão de pessoas bem como as características que moldam o Velho e o Novo papel do RH nas empresas. Assim, encerramos nossa primeira unidade e fica, aqui, o desafio lançado. O desafio de tornar a área de RH, cada vez mais, atuante, agregando valor e contri- buindo para o alcance dos objetivos empresariais. Um bom estudo e até a pró- xima unidade, na qual abordaremos o desempenho humano e seus reflexos no desempenho organizacional. Até lá! 38 na prática 1. Marras (2000) ilustra que a área de Recursos Humanos passou por várias mudan- ças significativas e desenvolvimento das áreas de responsabilidades da função de pessoal. Considerando este tema, assinale a alternativa correta. a) A fase administrativa ocorre do início da Revolução Industrial até 1950, momento em que a área de recursos humanos possuía a função de “chefe” de pessoal. b) A fase contábil se caracteriza pela mudança de nomenclatura, quando o cargo assumido, na gestão de pessoas, passou a ser chamado de gerente de recursos humanos em 1980. c) A fase legal ocorre atualmente, e o responsável pela gestão de pessoas é cha- mado de gerente de relações industriais e o cargo assume posição de diretoria com grande responsabilidade na organização. d) Na fase tecnicista, o cargo para gestão de pessoas é denominado gerente de recur- sos humanos, passando a ser valorizado atuando nos níveis operacional e tático. e) A fase estratégica se divide em recursos industriais e gerente de recursos huma- nos, possui o foco nos aspectos técnicos e produtivos. 2. A moderna gestão de pessoas passou por várias transformações e, até as últimas décadas, a atividade de Recursos Humanos, que era conservadora, teve que se modi- ficar e interagir com a estratégia da organização, formando uma estrutura organiza- da em subsistemas que a norteiam (CHIAVENATO, 2006). Sobre esses subsistemas, assinale a alternativa correta. a) O processo de manter pessoas inclui o desenvolvimento de plano de carreira, preocupação com fatores de higiene e segurança no trabalho, programas de qualidade de vida e o envolvimento com as questões trabalhistas. b) O processo de desenvolver pessoas é responsável por manter as pessoas tra- balhando na organização, tendo, como principais atividades, a relação com o colaborador e o meio ambiente organizacional. c) O processo de aplicar pessoas é responsável para incentivar as pessoas e satisfa- zer as necessidades, tendo, como principal atividade, recompensas, remuneração e serviços. d) O processo de monitorar pessoas é responsável em investir em treinamento e desenvolvimento de pessoas, contemplando as atividades de desenvolvimento organizacional e treinamento. 39 na prática e) O processo de recompensar pessoas se preocupa com a identificação das ne- cessidades de pessoal por parte da empresa, utilizando-se da pesquisa de re- crutamento/seleção. 3. A contemporaneidade vivida pela organização com a competitividade, globalização, mudanças tecnológicas, nova postura do consumidor faz necessária uma mudança de visão dos profissionais de recursos humanos para que estes se tornem mais eficazes e estratégicos na organização. Assim, diante deste contexto, avalie as afir- mativas a seguir. I - A necessidade do gestor de recursos humanos precisar assumir riscos com programas inovadores buscando melhorar o status quo. II - O gestor de recursos humanos deve desenvolver uma mentalidade de presta- dor de serviços, atendendo, com qualidade, sua clientela e acompanhando os resultados. III - O profissional de recursos humanos deve ser disseminador de novas informa- ções, inclusive, das novas tecnologias que surgem em todo momento. IV - Deve o gestor de recursos humanos adotar uma postura homem/homem e tomar decisões, com critérios individualistas, na organização. É correto o que se afirma em: a) I, II e IV apenas. b) I, III e IV apenas. c) II, III e IV apenas. d) I, II e III apenas. e) I e IV apenas. 4. Chiavenato (2006) relata que o papel da administração de recursos humanos é ajudar a organização a atingir seus objetivos e a realizar suas missões tornando-se competitiva. Desse modo, sobre este tema, assinale a alternativa correta. a) A área de recursos humanos tem, como parte de sua missão, a criação, desenvol- vimento, atualização e manutenção de uma estrutura organizacional adequada aos objetivos organizacionais. 40 na prática b) A gestão de pessoas deve compreender que manter um clima organizacional adequado é tarefa exclusiva dela, uma vez que os mistérios e segredos envolvidos no clima estão ao seu poder. c) A área de recursos humanos deve ter, como foco, o curto prazo na busca da satisfação das exigências do negócio e da empresa, como adequar os cargos funções de modo imediatista. d) A administração de recursos humanos deve possuir uma visão voltada ao passa- do para a manutenção do status quo, além de apresentar uma avaliação pessoal e individual, voltada para o desempenho passado. e) A área de recursos humanos, atualmente, deve conservar a imagem do RH como parte da organização, mantendo escalas salariais em segredo e controlar, rigida- mente, a carreira dos funcionários. 5. Nesta unidade, estudamos que a gestão de recursos humanos possui muitos desa- fios e paradigmas que necessitam ser superados. Diante dessa superação, a gestão de recursos humanos deve considerar: a) Que as pessoas da organização são passivas e preferem a acomodação, sendo uma zona de conforto para elas, e possuem dificuldades em aprender, uma vez que utilizam sua inteligência de modo limitado. b) Que as pessoas são ativas, flexíveis, impulsionam a organização e que todos são inteligentes, talentosos, sendo importante a aprendizagem constante na busca de sua renovação em todo momento. c) Que as pessoas visualizam a organização como uma oposição, que elas, somente, querem explorá-la, e, assim, elas devem exigir e tentar explorar a organização, pois ela, dificilmente, visualiza seus esforços. d) Que as pessoas devem ser tratadas de forma igual em todos os momentos e independente da hierarquia, pois se deve sempre visualizá-la de forma geral como mais uma ferramenta na organização. e) Que as pessoas são submissas e não gostam de trabalhar precisando serem fiscalizadas em todo momento, a centralização de poder é a mais viável para elas, uma vez que não gostam de participar do processo. 41 aprimore-se Gestão de pessoas não é com o RH! Presidentes e gestores têm papel fundamental na atração, retenção e na adminis- tração de pessoas; a área de RH é estratégica e atua como parceiro de negócios. “Passe lá no RH!” Não são poucas as vezes que os colaboradores de uma empresa recebem esta orientação. Não são poucos os chefes que não sabem como tratar um tema que envolve seus subordinados, ou não têm coragem de fazê-lo, e empurram a responsabilidade lateralmente para seus colegas da área de RH. Promover ou comunicar um aumento de salário é com o chefe mesmo; resolver conflitos, comunicar uma demissão, selecionar pessoas, identificar necessidades de treinamento é “lá com o RH”. É impressionante ver quantas áreas de RH aceitam equivocadamente essa abdicação de responsabilidade dos gestores! Em pleno século 21, ainda existem empresas cujos executivos não sabem quem são os reais responsáveis pela gestão de seu capital humano, além de tratá-lo como custo e não como ativo. Os responsáveis pela gestão de pessoas numa organização são os gestores, e não a área de RH. E, ao contrário do que possa parecer pelo título, não digo que a área tem atribuições menos importantes do que cuidar das pessoas. Ao contrário:defendo-a como maior do que isso, uma área estratégica que deve ser parceira de negócios dentro da organização. Gente é o ativo mais importante nas organizações: é o propulsor que as move e lhes dá vida. As barreiras que inibem a formação e manutenção de equipes de alto desempenho, porém, são várias: a) líderes que não encaram seu capital humano como ativo, influenciando a cultura da empresa e a atitude de seus gestores; b) des- preparo dos executivos para gerir seu pessoal, não raro servindo de mau exemplo a seus subordinados; c) posicionamento não estratégico e falta de valorização das áreas de recursos humanos nas empresas; d) não tratamento desse tema como matéria relevante nos cursos superiores. Os aspectos que envolvem a gestão de pessoas têm de ser tratados como parte de uma política de valorização desse ativo, na qual gestores e RH são vasos comunicantes, trabalhando em conjunto, cada um desempenhando seu papel de forma adequada. Fonte: Bichuetti (2015, on-line). 42 eu recomendo! Práticas de Recursos Humanos PRH: conceitos, ferramentas e procedimentos Autor: Ana Cristina Limongi França Editora: Atlas Sinopse: o livro da Limongi França nos traz uma abordagem, ge- nuinamente, brasileira sobre as práticas de gestão de pessoas. Especialmente, no Capítulo 1 da página 7 a 11, a autora traz uma breve história brasileira das práticas de Recursos Humanos com a apresentação da pré-história e os períodos clássicos da administração de recursos humanos no Brasil. Sem dúvida, é uma leitura obrigatória a todos os profissionais que atuam ou pretendem atuar nessa área. livro Gestão do Amanhã: tudo o que você precisa saber sobre gestão, inovação e liderança para vencer na 4ª Revolução Industrial Autor: Sandro Magaldi e José Salibi Neto Editora: Gente Sinopse: Sandro Magaldi e José Salibi Neto trazem, nesta obra, um panorama completo dos modelos de gestão ao decorrer da história e qual deve ser o modelo nesse novo momento no qual estamos vivendo. Em um texto abrangente e ao mesmo tempo simples, eles apresentam tudo o que você precisa saber para não ser derrubado(a) por não se adaptar ao novo. livro 43 eu recomendo! O vídeo indicado no link a seguir nos traz uma entrevista muito inte- ressante concedida por Mário Sérgio Cortella na qual tem, como tema, o novo papel do gestor de pessoas. Acesse o link e confira a entrevista: conecte-se O Homem Bicentenário Ano: 1999 Sinopse: o filme retrata o conceito de humanidade, o homem e a máquina. Trazendo para o conteúdo de nossa unidade, pode- mos comparar os modelos de gestão de pessoas, em que o ser humano pode ser visto como recurso (máquina) ou como par- ceiro (humano). Uma família norte-americana compra um novo utensílio doméstico: o robô chamado Andrew programado com as Três Leis da Robótica, para realizar tarefas domésticas simples. Entretanto, aos poucos, o robô vai apresentando traços característicos de um ser humano, como curiosidade, inteligência, emoções e personalidade própria. filme Recém-Chegada Ano: 2009 Sinopse: Renée Zellweger é Lucy Hill, uma executiva enviada a uma pequena cidade para reestruturar uma fábrica. Arrogante, ela mostra o perfil “chefe” que, na gestão de pessoas, foi trocado pelo de líder. O filme aborda as relações e negociações com o sindicato, a percepção de que, ao se tornar líder, as coisas fluem com mais facilidade, a importância do capital humano para qual- quer tipo de negócio e a visão inovadora. filme https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8895 2 O DESEMPENHO HUMANO E SUA IMPORTÂNCIA nas Organizações PROFESSORES Me. Angela Ferreira de Lima Pizzaia Me. Luciano Santana Pereira Me. Renata Emy Koyama PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: O impacto do desempenho huma- no nos resultados da organização • Administração moderna e o desempenho humano • As dimensões do processo avaliativo aplicado às pessoas • Visão sistêmica do processo de gestão do desempenho • Modelo metodológico do processo de gestão de desempenho. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Refletir sobre a relação entre o desempenho do ser humano e seu impacto nos resultados organiza- cionais • Refletir sobre a relação entre as organizações e o novo papel do colaborador • Apresentar as dimensões do desempenho humano • Apresentar a visão sistêmica acerca da gestão de desempenho Descrever a metodologia para o processo de gestão de desempenho. INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a), chegamos à Unidade 2! Agora que você já se fami- liarizou com o novo contexto da gestão de pessoas e, também, já pôde perceber quantos desafios existem para essa área, começaremos, a partir desta unidade, a contextualizar a importância do desempenho humano para os resultados empresariais. No decorrer desta unidade, veremos como as organizações têm se compor- tado frente às constantes mudanças e, também, abordaremos de que forma o fator humano impacta nos resultados das organizações. Assim, com base nesse entendimento, ao longo da unidade, apresentaremos as dimensões do processo avaliativo aplicado a pessoas, sendo interessante observar como esses fatores alteram o desempenho das pessoas e, consequentemente, das empresas, uma vez que, para que haja o desempenho, é necessário o equi- líbrio entre os três componentes. Na sequência de nosso conteúdo, proporemos o entendimento do processo da gestão de desempenho sob uma perspectiva sistêmica, trazendo alguns questionamentos para facilitar o entendimento do processo. No que se refere ao modelo metodológico do processo de gestão de desempenho, inicialmente, observaremos a importância de estabelecer alguns critérios e considerar as fases do processo. Desse modo, no final desta unidade, certamente, você terá condições para enxergar o processo de gestão de desempenho de uma forma sistêmica. Esperamos que aprecie o conteúdo e desejamos uma boa leitura e ótimo aprendizado! U N ID A D E 2 46 1 O IMPACTO DO DESEMPENHO HUMANO NOS Resultados da Organização Considerando o contexto empresarial em nossa atualidade, observamos grandes mudanças que impactam, diretamente, na estrutura de administração de pessoas. Em um passado não muito distante, o ser humano, dentro das organizações, era referenciado, apenas, como uma peça da grande engrenagem. Os estudos das relações humanas, somadas aos conceitos das ciências sociais, trouxeram uma nova perspectiva sobre a importância das pessoas no contexto organizacional e o forte impacto que o desempenho humano exerce sobre os re- sultados organizacionais. Impulsionados pela alta competitividade e as constantes inovações, o gestor contemporâneo assume o papel de catalisador, conciliando, em sua organização, o desempenho econômico e a expressão dos talentos indi- viduais, descobrindo e alocando-os onde possam contribuir, positivamente, para o bom desempenho organizacional (LUCENA, 2004). Muitas empresas com objetivo de acompanhar o processo evolutivo apos- tam suas fichas em programas de avaliação para mensurar o desempenho da organização e, também, o grau de contribuição individual de seus colaboradores para os resultados. Dessa forma, acredita-se que os profissionais conseguirão reconhecer seu papel na organização, antecipando a visão do que é esperado e o quanto estão contribuindo para o sucesso da organização e seu próprio sucesso como profissional (LUCENA, 2004). U N IC ES U M A R 47 2 ADMINISTRAÇÃO MODERNA E O Desempenho Humano Nenhuma empresa é melhor do as pessoas que nela trabalham. Uma organização só evolui quando as pessoas evoluem, logo, o sucesso de uma empresa no futuro está rela- cionado em como ela lida com seus profissionais no presente. Fonte: adaptado de Lucena (2004). explorando Ideias A imprevisibilidade do mundo contemporâneo e as frequentes mudanças que se processam caracterizam um ambiente no qual podemos identificar inúmeras variáveis atuando simultaneamente: incertezas econômicas, avanço tecnológico, complexidade nas relações,alterações nos hábitos e valores, contradições políticas e sociais, posicionamento ecológico, expectativas dos trabalhadores, concorrência e exigências do mercado. As organizações navegam em meio a esse ambiente, interagindo e recebendo o impacto dessas mudanças e das incertezas. Esse ambiente gerador de mudanças impõe às organizações uma dinâmica de adequação permanente, exigindo uma visão empresarial que vai além da preocupação e da iniciativa de colocar um produto no mercado e obter retorno imediato (LUCENA, 2004). U N ID A D E 2 48 Essa visão empresarial requer o exercício da percepção para analisar o negó- cio nas suas interações com as variáveis do ambiente. Tal postura exige constantes avaliações, ações criativas e inovadoras para assegurar a qualidade, rapidez, cre- dibilidade e a competitividade. Atuar em ambientes complexos exige das organi- zações a aplicação de um processo de avaliação sistêmico, em que a organização possa obter do ambiente feedback constante, envolvendo: clientes, concorrência, fornecedores, colaboradores e sociedade (LUCENA, 2004). Diante de tal contexto, as organizações necessitam implementar uma for- te mudança em suas culturas, adequando-as a essa nova demanda, ou seja, as empresas necessitam compreender a importância de se implantar um processo avaliativo permanente, que permita o monitoramento de sua performance em tempo real. Considerando essa importante área da gestão empresarial, Lucena (2004, p. 16) menciona que: “ O desempenho humano não é algo que se possa isolar da dinâ-mica cotidiana de uma organização e das relações de organização com o contexto maior onde atua. A complexidade do contexto em que vivemos conduz a uma reflexão sobre questões relacionadas com o desempenho. Primeiro: como percebemos os impactos, no desempenho humano, das transformações que se processam con- tinuamente no ambiente organizacional, como consequência das transformações do ambiente externo? Segundo: como os trabalha- dores conseguem identificar seu papel na organização, antecipando a visão do que é esperado deles e quanto estão contribuindo para gerar resultados? Terceiro: como cada trabalhador está assumindo seu papel de facilitador das demandas da clientela? Perceba que a autora nos coloca alguns questionamentos muito interessantes, que nos fazem refletir sobre essa nova ordem empresarial. Atualmente, cada vez mais, as empresas dependerão da atuação das pessoas para o atendimento de seus resultados, em que, primeiramente, é necessário reconhecer qual o impacto do desempenho humano no resultado do negócio e, em seguida, como as pessoas estão orientadas com relação ao que devem fazer e como fazer — essa orientação pode determinar o sucesso ou fracasso no desempenho individual, e, por fim, identificar como cada pessoa, verdadeiramente, assume seu papel e suas respon- sabilidades frente às demandas de trabalho. U N IC ES U M A R 49 Diante desses questionamentos e no objetivo de encontrar respostas, as em- presas necessitam implementar processos de avaliação e gerenciamento do de- sempenho, pois, somente, dessa forma, ela (empresa) terá condições de continuar competindo no mercado. O processo de gestão do desempenho, em sua forma mais simplista, pode ser chamado de avaliação de desempenho e deverá conter, em suas aplicações, as respostas para as questões colocadas. Para que as organizações consigam acompanhar o processo evolutivo, é ne- cessário que a força de trabalho evolua ao mesmo ritmo que as mudanças acon- tecem. É evidente o impacto dessas transformações no desempenho humano, o que requer esforço permanente de readaptação e de assimilação de novos conhe- cimentos, melhor qualificação pessoal para assumir desafios, responsabilidades, riscos e flexibilidade para conviver com a instabilidade. Dessa forma, o desempenho humano constitui a força vital para a realização dos objetivos organizacionais. Uma vez que o sucesso organizacional é o resultado de decisões tomadas e operacionalizadas por pessoas, portanto, são as pessoas que promovem as mudanças para manter a empresa em processo evolutivo (LU- CENA, 2004). Ainda com base nessa ideia do processo evolutivo das empresas, Lucena (2004, p. 17) apresenta a resposta para o seguinte questionamento: “O que é, em sua essência, o processo de transformação e de modernização das organizações? É o processo de transformação das pessoas”. Isso significa que uma organiza- ção só evolui quando as pessoas que a compõem, também, evoluem. Perceba que o diferencial está nas pessoas, portanto, nenhuma organização é melhor do que as pessoas que nela trabalham. Do ponto de vista profissional, as constantes mudanças passam a exigir mais qualificações e competências para lidar com as novas tecnologias, ao mesmo tempo em que se lança um desafio, no qual o pro- fissional dependerá menos das tecnologias e mais do seu potencial para integrar e utilizá-las com eficácia, ou seja, a diferença está em como a empresa utiliza a tecnologia e como essa utilização está, diretamente, ligada ao potencial de sua força de trabalho (LUCENA, 2004). U N ID A D E 2 50 Para entendermos de que forma o desempenho e o resultado são gerados, antes, é preciso compreender a dinâmica do processo de gestão do desempenho. Na ação prática cotidiana, desempenho e resultado estão integrados. Em essência, toda ação (desempenho) produz um resultado, a qualidade do resultado alcançado é que caracterizará se o desempenho foi satisfatório ou insatisfatório. A contribui- ção de cada pessoa para o sucesso da organização é reconhecida pelo resultado que produz, e não pelo que ela faz. Observe que o desempenho humano está relacionado ao nível de qualificação pessoal, que, por sua vez, segundo Lucena (2004), abrange três dimensões: 1. (Saber Fazer) Habilidades Técnico-Operacionais: referem-se ao conjunto de conhecimentos, experiências e o domínio de técnicas, métodos e processos de trabalho, assim como aos Atributos Pessoais, que qualificam uma pessoa a executar determinadas tarefas ou atividades, exigindo, na maioria das situações, iniciativa, criatividade, solução de problemas, tomada de decisão. 2. (Querer Fazer) Competência Comportamental: refere-se, prioritariamente, à postura, à atitude e aos comportamentos demonstrados pela pessoa em suas relações e interações com o trabalho, com a organização, com os clientes, com os colegas, com a sociedade, com o mundo. A competência comportamental está relacionada com motivações, sendo uma característica subjacente do indivíduo 3 AS DIMENSÕES DO PROCESSO AVALIATIVO Aplicado às Pessoas U N IC ES U M A R 51 fundamentada em valores, crenças, paradigmas, autoestima, que levam a prever sua capacidade de desempenho no ambiente de trabalho. 3. (Poder Fazer) Desempenho: refere-se à atuação das pessoas em relação aos cargos que ocupam ou às atribuições que lhe são designadas, dimensionando as responsabilidades, atividades, tarefas e desafios, tendo em vista produzir resulta- dos com qualidade, agregando valor aos clientes e à organização. O desempenho é a manifestação concreta do que é definido, acompanhado e mensurado e utili- za, como suporte básico, as habilidades técnico-operacional e comportamentos. Perceba que, antes de desenvolver o processo de Gestão do Desempenho, foca- lizando sua interação no contexto organizacional, é necessária uma avaliação prévia sobre a qualificação das pessoas da empresa e o exato diagnóstico sobre qual dos fatores tem impactado, com maior relevância, o desempenho individual e, consequentemente, o desempenho organizacional. Os três componentes do de- sempenho pessoal, são: querer fazer, saber fazer e poder fazer, esses são medidos por processos diferentes, mas são, absolutamente, interdependentes, naturalmen- te, qualquer falha ou carência em um dos três afetará os demais. A eficiência de uma pessoa no desempenho de uma tarefa depende diretamente de uma relação positiva entre essas três variáveis: a maneirade ser ou estilo do indivíduo, a ati- vidade e o ambiente. Quanto maior o ajustamento entre estilo vs tarefa; atividade e am- biente, mais eficiente será o resultado do desempenho. (Cecília Whitaker Bergamini) pensando juntos Existem diversos tipos de KPIs (Key Performance Indicator) que fornecem uma série de informações que podem estar encaixadas em categorias. Co- nheça alguns desses indicadores para a gestão do desempenho. conecte-se https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8898 U N ID A D E 2 52 O processo de gestão do desempenho confunde-se com a própria gerência do negócio, pois, se o desempenho não for gerenciado, o negócio, também, não será administrado adequadamente. Na prática, todas as ações devem estar orientadas para a busca da realização da Missão Empresarial, traduzida em objetivos eco- nômicos e sociais. Para realizar esse objetivo, segundo Lucena (2004), a empresa utiliza de vários recursos, sendo: financeiros, tecnológicos, matéria-prima, pro- cessos de produção e de vendas, marketing etc., no entanto tais recursos por si só não garantem o alcance dos objetivos, seu uso adequado depende das pessoas que os manipulam. Note que é das pessoas que vêm a ação, a criatividade, o desem- penho e, consequentemente, as decisões sobre como usar tais recursos. Diante desse raciocínio e conforme as ideias propostas por Lucena (2004), entende-se necessário a reflexão sobre os seguintes questionamentos: Por que avaliar o desempenho? A empresa precisa saber se os objetivos estão sendo alcançados; assegurar que os desempenhos individuais e da equipe produzam os resultados esperados; re- conhecer as contribuições dos colaboradores; promover o desenvolvimento das 4 VISÃO SISTÊMICA DO PROCESSO DE Gestão do Desempenho U N IC ES U M A R 53 habilidades e da capacitação das pessoas. Esses argumentos não dizem respeito, especificamente, à avaliação de desempenho, mas ao próprio negócio; mesmo que a empresa não disponha de um sistema formal de gestão de resultados, a gerência do desempenho é inerente ao processo administrativo do negócio. Não se trata, apenas, de saber se os objetivos da empresa foram alcançados, mas é preciso assegurar que sejam atingidos e como serão atingidos, isto requer a definição antecipada do desempenho desejado, a análise das possibilidades profissionais dos empregados, o desenvolvimento das habilidades necessárias e o reconhecimento pelo trabalho e contribuições (LUCENA, 2004). O que deve ser avaliado? Avaliam-se os resultados alcançados, tendo, como parâmetros, as metas e os respectivos indicadores definidos antecipadamente e relacionados com quali- dade e quantidade, prazo e custo. Avalia-se o conhecimento, sendo o grau com que o colaborador assimila as informações e comportamentos; nesse aspecto, a organização mensura os valores, as atitudes do colaborador, relacionando-os aos padrões culturais predefinidos pela empresa e as responsabilidades que lhe são conferidas para exercer suas funções. Por exemplo: relacionamento, cortesia, atendimento, ética etc. No contexto da gestão de desempenho, o foco é avaliar os resultados, que, por sua vez, passam a ser consequência do desempenho e representam a manifestação concreta e objetiva do que a pessoa é capaz de fazer, isso deve apresentar caracte- rísticas que permita ser definido, acompanhado e mensurado (LUCENA, 2004). Como avaliar o desempenho? O processo avaliativo envolve o acompanhamento por parte dos gestores, no dia a dia das pessoas, em suas ações e na produção de resultados. O acompanhamento do desempenho constitui o ponto crítico do processo, define o campo opera- cional no qual as ações acontecem e onde os problemas ocorrem, possibilitan- do ao gestor saber se o colaborador está trabalhando na direção dos resultados esperados; aferir a qualidade, o cumprimento de prazos, volume de produção e custos; analisar o preparo e a competência do colaborador para desempenhar U N ID A D E 2 54 suas funções, assim, identificar suas necessidades de desenvolvimento; analisar as variáveis do ambiente que afetam o desempenho; proporcionar feedback ao colaborador sobre seu desempenho (LUCENA, 2004). Quais os requisitos para o desempenho? Podemos dizer que o desempenho humano é composto por quatro dimensões que se interagem, impactando, diretamente, no desempenho e, consequentemen- te, nos resultados, que, segundo Lucena (2004), são: a) Qualificação Profissional: a qualificação profissional dimensiona a competência requerida pelas expectativas do negócio e pelo tipo de con- tribuição esperada de cada cargo. Define as responsabilidades, os conhe- cimentos, experiências, habilidades e outros requisitos profissionais e pes- soais necessários para o exercício do cargo, tendo, em vista, os resultados desejados. A qualificação relaciona-se ao Saber fazer e o Querer fazer. b) Ambiente Organizacional: o ambiente organizacional é formado pelo conjunto de valores, crenças, políticas que é compartilhado e vivencia- do pelos indivíduos, condicionando a maneira pela qual as pessoas se comportam e se relacionam no ambiente da empresa. O ambiente orga- nizacional é constituído de três indicadores, sendo: a existência de um código de valores, crenças e comportamentos; a manifestação de uma consciência coletiva sobre a filosofia, a missão, os valores, as crenças e as políticas gerais que moldam o comportamento empresarial; e o reconhecimento de uma identidade empresarial que a diferencia das demais empresas. c) Estilo Gerencial: o sucesso na gestão do desempenho depende, funda- mentalmente, da gerência, na medida em que esse processo é utilizado como ferramenta gerencial de acompanhamento e de ação permanente sobre o desempenho do colaborador na busca de qualidade, produtivi- dade e resultados positivos. De fato, o alcance dos objetivos propostos, a operacionalização do processo desde a negociação do desempenho, o acompanhamento bem como as ações decorrentes demonstram a atua- ção permanente da gerência no seu dia a dia de trabalho. Para atingir tais objetivos, torna-se imprescindível desenvolver uma postura gerencial que seja coerente com a visão e missão empresarial. U N IC ES U M A R 55 d) Ambiente Externo: do ponto de vista do desempenho individual, o im- pacto do ambiente externo está correlacionado com a capacidade da or- ganização em interpretar os efeitos das mudanças e adaptar, rapidamente, sua infraestrutura produtiva e a capacitação de sua força de trabalho para enfrentar as demandas de transformações. As percepções e a importância atribuída aos aspectos que compõem o ambiente externo influenciam, diretamente, nas decisões internas voltadas para o desempenho organi- zacional e individual. Perceba o quanto é importante compreender o contexto envolvido no processo de avaliação e gestão de desempenho para que se possa tomar a decisão mais assertiva com relação ao que fazer e como fazer. Já conseguimos entender que o desempenho humano exerce forte impacto sobre os resultados organizacionais e que as organizações necessitam implantar sistemáticas de monitoramento e avaliações que lhes permitam obter, com mais segurança, informações sobre seu desempenho enquanto negócio. Essas organizações, porém, devem buscar caminhos que possam, verdadei- ramente, conduzir a empresa a um processo de melhoria de seu desempenho e, para que isso venha a acontecer, é necessário que a gestão de pessoas conheça, profundamente, todo o processo de avaliação e gestão de desempenho bem como os procedimentos metodológicos, incluindo as vantagens e limitações de cada etapa do processo. Não basta só querer implantar a gestão de desempenho, é necessário o uso de procedimentos e metodologia adequados para minimizar as possíveis subjetividades que possam surgir no decorrer do processo. U N ID A D E 2 56 Partindo da visão sistêmica do processo de gestão do desempenho, percebemos, claramente, o desempenho como atuação da força de trabalho na produçãode resultados. Portanto, é necessário criar uma metodologia que programe o ge- renciamento contínuo e sistematizado, compondo, integradamente, aos demais processos gerenciais como uma ferramenta de gestão de pessoas na sua relação com o trabalho e com os objetivos da organização. O método a ser apresentado baseia-se na proposta de Lucena (2004) e pro- cura contemplar a dinâmica do processo de gerência do desempenho e possui as seguintes características básicas: ■ Continuidade: o processo de gestão do desempenho deve ser contínuo não podendo se limitar, apenas, ao preenchimento de um formulário em determinada data. ■ Periodicidade: refere-se aos prazos máximos estabelecidos na fase de acompanhamento do desempenho e o feedback a ser emitido sobre os resultados. É importante que os prazos sejam, previamente, negociados. ■ Flexibilidade: o método deve seguir um padrão de conduta, porém é necessário que haja flexibilidade para adequações conforme necessidades de cada unidade organizacional sem desviar o objetivo, que é avaliar o 5 MODELO METODOLÓGICO DO PROCESSO DE Gestão do Desempenho U N IC ES U M A R 57 desempenho, tendo como parâmetro, os resultados, responsabilidades, projetos desenvolvidos, metas a serem atingidas etc. ■ Individualidade: recomenda-se que as metas sejam individuais, isto é, em relação ao que é esperado de cada um em seu posto de trabalho. Aprofundando, um pouco mais, o nosso entendimento, veremos, agora, que o mé- todo apresentado se divide em cinco fases, o que, de acordo com Lucena (2004), pode ser denominado de fases do processo de gestão do desempenho: ■ FASE 1. Negociação do Desempenho: consiste em estabelecer, de forma conjunta, entre gerente e colaborador, as metas, objetivos e atribuições a serem alcançados (o que será feito, por que será feito, quando será realiza- do e quais recursos serão utilizados). Envolve, ainda, a definição de indi- cadores do desempenho, sendo: indicador de prazo, indicador qualitativo e quantitativo, indicador de custo, indicador de venda e rentabilidade etc. Entre as etapas da negociação do desempenho, temos os Critérios para Definição das Metas, que devem estar atrelados aos objetivos estratégi- cos, sendo esta a função básica da gestão de desempenho, ou seja, uma ferramenta gerencial para operacionalizar os objetivos estratégicos, foca- lizando os resultados esperados. Observando qualquer organização de uma forma geral, podemos iden- tificar cinco focos de resultados estratégicos, sendo: 1. Rentabilidade; 2. Satisfação e Fidelidade dos Clientes; 3. Ampliação da base de Clientes Ex- ternos; 4. Melhoria de Processos; e 5. Qualidade dos Recursos Humanos. Uma outra etapa é a Definição de Indicadores para as Metas, que, por sua vez, deverá especificar quantidade, qualidade, prazo, custo e, principal- mente, os meios de verificação (LUCENA, 2004). ■ FASE 2. Análise da Capacidade Profissional: entende-se que não é possível exigir de alguém alguma coisa para a qual não esteja habilitado. Nessa fase, o gestor, juntamente com o colaborador, verificará as neces- sidades de capacitação profissional orientada para os seguintes aspectos: reconhecer e fortalecer as qualidades do colaborador e discutir sobre suas dificuldades e as áreas nas quais precisa melhorar, seja a nível técnico, de conhecimento ou comportamental. Uma vez reconhecidas às necessidades de capacitação, estabelece-se as ações, direcionando cursos, orientações, treinamentos etc. Os instrumen- tos mais indicados para auxiliar nessa etapa é a descrição de cargo e o U N ID A D E 2 58 perfil profissional. Esses instrumentos conduzirão a análise objetiva dos requisitos necessários, evitando o desvio para requisitos que expressem o desejo do gestor, e não uma real exigência do cargo (LUCENA, 2004). ■ FASE 3. Acompanhamento do Desempenho: o acompanhamento do desempenho é operacionalizado, por meio de reuniões periódicas ou fol- low-up, entre gestor e colaborador para analisar o andamento dos traba- lhos e os resultados parciais ou finais obtidos. Geralmente, o gestor utiliza de algum recurso para registrar a sessão de acompanhamento. Estas reu- niões devem acontecer em clima de diálogo e de participação, para análise conjunta das variáveis que impactam o desempenho e os resultados. A habilidade do gestor na condução dessas reuniões de acompanhamento é fundamental, tendo em vista produzir experiências positivas e bem-su- cedida. Essas habilidades incluem comunicação, relacionamento inter- pessoal e liderança, tendo, como suporte básico, a capacidade de saber ouvir, a fim de que se estabeleça um diálogo construtivo (LUCENA, 2004). ■ FASE 4. Avaliação dos Resultados: tendo, como base, as metas estabe- lecidas, as avaliações periódicas dos resultados e os registros do desem- penho feitos na fase de acompanhamento, o avaliador dispõe de todos os dados objetivos e das informações complementares para dar o seu parecer final sobre o desempenho dos colaboradores. Desde que haja, por parte do avaliador, o acompanhamento durante o processo, não haverá expectativas nem surpresas nessa fase, pois o desempenho registrado já é conhecido e foi, amplamente, discutido, tendo o avaliado, participado, ativamente, de todas as fases, estando ele, devidamente, consciente dos resultados de sua avaliação (LUCENA, 2004). ■ FASE 5. Comprometimento: o comprometimento é o resultado da aprovação, aceitação e do empenho em adotar algo que se julgou necessá- rio e construtivo, ou seja, as vantagens usufruídas foram, altamente, com- pensadoras. O reforço dos resultados positivos, o forte apoio e assessoria às gerências no enfrentamento das dificuldades e problemas que possam surgir são as bases para a consolidação do processo e do comprometi- mento com a sua aplicação prática (LUCENA, 2004). U N IC ES U M A R 59 Para concluir, podemos observar que essa abordagem metodológica não tem nada de original. É, apenas, uma interpretação da realidade do trabalho no contexto organizacional. A sequência de fases, atividades e ações acontece, normalmente, no dia a dia de trabalho, com maior ou menor eficiência e com maior ou menor eficácia, confundindo-se com o próprio processo gerencial. O método, apenas, sistematiza e procura integrar a função gerencial em duas dimensões: a gerência do trabalho e a gerência de pessoas, propor- cionando mais clareza no dimensionamento do que no que deve ser ava- liado, melhor orientação para resultados, desenvolvimento do relaciona- mento profissional, conhecimento objetivo do que é esperado de cada um, redução de conflitos e estímulo a motivação. Toda pessoa precisa receber retroação a respeito de seu desempenho para saber como está indo no seu trabalho. Sem essa retroação, as pessoas e empresas caminham às cegas. Fonte: Chiavenato (1999). explorando Ideias A eficácia da avaliação de desempenho para as organizações Conquistar e manter colaboradores motivados, produtivos e com foco em resultados é um desafio constante para todas as organizações. Por esse mo- tivo, é fundamental fazer uma avaliação de desempenho de funcionários periodicamente, podendo maximizar performances e acelerar resultados, como treinamento, aperfeiçoamento de técnicas e dinâmicas de motivação. Saiba mais acessando o link no QRcode. conecte-se https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8899 U N ID A D E 2 60 Considerações Finais Caro(a) aluno(a), encerramos a Unidade 2 e, possivelmente, você deve estar come- çando a entender melhor sobre o processo de gestão de desempenho, bem como a importância do desempenho humano no contexto e resultados organizacionais. Logo no início dessa segunda unidade, você já pôde perceber a relação exis- tente entre a empresa e o contexto ambiental, provocando permanente processo de mudança e constante necessidade de avaliação. Dessa forma, fica evidente a im- portância do desempenho humano para os resultados organizacionais e, também, a necessidade de a empresa adotar um mecanismode mensuração de seus resultados, considerando uma perspectiva sistêmica, incluindo-se o feedback de todos os seus players, sendo: clientes, fornecedores, acionistas, colaboradores, dentre outros. No decorrer de nossos estudos, vimos a essência do processo de transformação e modernização das empresas e, em seguida, verificamos que o desempenho humano é composto por diferentes dimensões. Finalizando a unidade, apresentamos a visão sistêmica do processo de gestão do desempenho e o modelo metodológico. Conseguiu compreender a importância da visão sistêmica quando falamos sobre gestão do de- sempenho e sua metodologia? Não há como avaliar um resultado sem que este esteja, diretamente, relacionado a algum desempenho. A avaliação de desempenho possibi- lita a compreensão do porquê de determinado resultado, viabilizando a identificação imediata das carências em termos de desempenho, possibilitando o ajuste adequado. Assim, sobre esta unidade, deve-se destacar a importância de o gestor e os profissionais conhecerem as etapas e fases propostas para a gestão de desempe- nho, para que, na prática, possa-se evitar os equívocos decorrentes da subjetivi- dade contida no processo. Dessa forma, todo o cuidado e método a ser utilizado devem focalizar a melhoria contínua dos resultados empresariais por meio da melhoria dos desempenhos individuais. Bom estudo! 61 na prática 1. Nós estamos avaliando, a todo momento, as circunstâncias em que estamos en- volvidos e nos relacionando, avaliamos a bolsa de valores, o celular de um amigo, a televisão da sogra, a capacidade do professor. E, na organização, este processo de avaliação, também, está presente, pois se avaliam os aspectos financeiros, humano, operacional, técnico, vendas e marketing (CHIAVENATO, 2010). Assim, diante do cenário atual, o processo de avaliação de desempenho se torna necessário para as organizações. Sobre este tema, assinale a alternativa correta. a) O processo de avaliação de desempenho é uma avaliação que ocorre, anual- mente, na organização sendo um processo estático, rígido e imposto pela chefia. b) O processo de avaliação de desempenho é um instrumento que a organização utiliza para demissão e punição de colaboradores que não se adequam às solicitações da organização. c) O processo de avaliação de desempenho é um instrumento gerencial, par- ticipativo, dinâmico, contínuo que busca estimular o atingimento das metas organizacionais. d) O processo de avaliação de desempenho é um processo individual, sem custos, ocorre de forma parcial na organização, e não necessita de acompanhamento pela sua praticidade. e) O processo de avaliação de desempenho é um instrumento do gestor de re- cursos humanos que o utiliza com a finalidade de desligamento e punição aos colaboradores. 2. Lucena (2004) relata que o gestor contemporâneo, impulsionado pela alta com- petitividade e as constantes inovações, assume o papel de catalisador conciliando o desempenho econômico e a expressão dos talentos individuais, descobrindo e alocando-os para o bom desempenho organizacional. Assim, analise as afirmativas sobre a importância de se avaliar o desempenho na organização. I - Para saber se os objetivos estão sendo alcançados, individualmente ou em grupo. II - Para reconhecer as atribuições dos colaboradores. III - Para promover o desenvolvimento das habilidades e capacitação das pessoas. IV - Para promover ou desligar os colaboradores conforme seu desempenho. 62 na prática É correto o que se afirma em: a) I, II e III apenas. b) I e III apenas. c) II e III apenas. d) I, II e IV apenas. e) I, III e IV apenas. 3. Lucena (2004) apresenta um método que denomina fases do processo de gestão do desempenho; é uma proposta que busca contemplar a dinâmica do processo de gerência do desempenho e tem características básicas de continuidade, perio- dicidade, flexibilidade e individualidade. Sobre essas fases, assinale a alternativa correta. a) A fase de negociação do desempenho ocorre quando o gerente e o colaborador se reúnem para estabelecer as metas, objetivos e atribuições que este deverá atender de forma impositiva. b) A fase de análise da capacidade profissional verifica as necessidades de capa- citação profissional orientada para reconhecer e fortalecer as qualidades do colaborador e discutir as que precisam ser melhoradas. c) A fase de acompanhamento do desempenho ocorre no final do processo, quan- do se preenche a avaliação final do resultado e se faz o feedback ao avaliado dos seus pontos fortes e aqueles que precisam ser melhorados. d) A fase de comprometimento ocorre, somente, no início do processo de ava- liação, para que o colaborador aceite o processo consciente das vantagens usufruídas neste programa. e) A fase de avaliação dos resultados é realizada, somente, no final da avaliação com o parecer final do avaliador, sendo um momento de expectativas e sur- presas ao avaliado, que desconhece os resultados. 63 na prática 4. A consequência do estado emocional e do esforço emocional, na busca por atingir um determinado objetivo, pode se denominar desempenho e seus resultados. Tanto o desempenho quanto os resultados obtidos, quando percebidos de forma posi- tiva, resultam em uma satisfação pessoal que os realimentará, positivamente, em sua motivação para um novo desempenho. Desse modo, o desempenho humano ocorre a partir de inúmeras variáveis, não podendo se isolar da dinâmica cotidiana de uma organização e das relações de organização com o contexto maior onde atua (LUCENA, 2004). Assim, o desempenho humano possui diversas características, sobre estas avalie as afirmativas a seguir. I - Na busca da evolução da organização, é necessário que a sua força de traba- lho, também, evolua com os mesmos ritmos de mudanças ocorridos em toda organização. II - O desempenho humano está relacionado com o nível de qualificação pessoal, que abrange, somente, as habilidades técnicas que significa poder fazer. III - O desempenho humano e os resultados, quando são avaliados na prática, eles estão de forma integrados. IV - O sucesso organizacional é o resultado do desempenho do trabalho das pessoas diante das suas decisões e operacionalizações. É correto o que se afirma em: a) I e II apenas. b) I, II e IV apenas. c) II e IV apenas. d) I, III e IV apenas. e) I, II, III e IV. 5. A avaliação de desempenho é uma estratégia organizacional que se tornou necessá- ria neste momento contemporâneo que as organizações vivenciam. Lucena (2004) refere que, para o desenvolvimento de seu método de avaliação de desempenho, ela se divide em cinco fases do processo, que podem ser denominadas como: fase 1- negociação do desempenho, fase 2- análise da capacidade profissional, fase 3- acompanhamento do desempenho, fase 4- avaliação dos resultados e fase 5- com- prometimento. Considerando essas fases, avalie as afirmativas a seguir. 64 na prática I - A fase de análise da capacitação profissional é a necessidade de se exigir ao avaliado algo que não esteja habilitado para que este procure desenvolver para não ser desligado. II - A fase do acompanhamento do desempenho é feita pelo avaliador de forma surpresa e, muitas vezes, produz impacto surpresa, podendo ter como reação positiva ou negativa. III - A fase de avaliação dos resultados possui, como base, as metas que foram estabelecidas, os registros feitos no acompanhamento em que o avaliador pos- sui todos os dados objetivos e as informações complementares para dar seu parecer final. IV - A fase da negociação do desempenho é estabelecida pelo superior que está avaliando, e o avaliado necessita aceitar as metas, objetivos e atribuições que estão sendo exigidos sem contestação. É correto o que se afirma em: a) I apenas. b) III apenas. c) II apenas. d) I e IV apenas. e) I, II, III e IV. 65 aprimore-se METODOLOGIAS DE GESTÃO QUE TODO PROFISSIONAL PRECISA CONHECER Como sistematizar melhor os processos, de forma a garantir a eficiência e conside- rando as estratégiase objetivos de um negócio? Com as metodologias de gestão. Assim, é fundamental que o gestor conheça essas ferramentas para adotar aquela que mais se encaixa com as premissas de uma empresa. 1. Ciclo PDCA O ciclo PDC, chamado também de ciclo de Deming ou ciclo de Shewhart, é uma sigla que indica as 4 etapas dessa ferramenta: ■ Plan (Planejar) — definição do problema da organização e dos resultados es- perados para a definição de um plano de ação; ■ Do (Executar) — fase em que o plano de ação é posto em prática; ■ Control (Controlar) — análise dos resultados alcançados; ■ Act (Agir) — etapa de fazer os ajustes para que se obtenha a melhoria dos processos. É uma das metodologias de gestão que se volta para uma melhoria contínua dos processos, por isso recebe o nome de ciclo PDCA. Pode ser adotado, por exemplo, para obter qualidade no desenvolvimento de um produto, na implementação de alguma tecnologia por conta da transformação digital ou até mesmo na rotina de atendimento de um negócio. 66 aprimore-se 2. BSC BSC (Balanced Scorecard) significa Indicadores Balanceados de Desempenho, um método que permite que todos os colaboradores conheçam de modo simples a estratégia da organização. É uma ferramenta de avaliação e de performance organizacional, que auxilia a equi- pe a se aperfeiçoar para conquistar os objetivos do negócio. Com o BSC, que funcio- na como um painel de controle, é possível estabelecer metas, remuneração, orça- mento, além de contribuir para a aprendizagem estratégica. 3. GDP O GPD, chamado também de gerenciamento das diretrizes de uma organização, é um dos fundamentos da gestão da qualidade total e permite que o gestor desenvol- va o planejamento do negócio de um jeito prático. Basta seguir um passo a passo, com a liberdade de fazer mudanças no que foi estabelecido sempre que necessário. É uma metodologia que engloba o ciclo PDCA e se baseia em 3 pilares: ■ os resultados são diretamente afetados pelo empenho e criatividade dos pro- fissionais envolvidos no processo; ■ a inovação precisa fazer parte da rotina da empresa; ■ as mudanças devem realmente acontecer para fazer valer a dedicação e ação criativa das equipes. 67 aprimore-se 4. PMBOK PMBOK significa Project Management Body of Knowledge (Conjunto de Conheci- mentos em Gerenciamento de Projetos). É, na verdade, um guia que engloba as melhores práticas e diretrizes para o gerenciamento de projetos. De acordo com a metodologia, as 3 fases de um projeto que se relacionam direta- mente são: ■ entradas; ■ ferramentas e técnicas; ■ saídas. Essas fases são utilizadas para criar o ciclo de vida geral de um projeto e para des- crever as etapas e técnicas para o gerenciamento dos processos. 68 aprimore-se 5. MP Canvas A metodologia Project Model Canvas tem o intuito de retirar as complicações de modelos tradicionais de negócio, permitindo ter uma visão global da empresa em um diagrama, que contempla as principais áreas de um negócio: ■ cliente; ■ oferta; ■ infraestrutura; ■ viabilidade financeira. A vantagem é que possibilita uma rápida visualização de cada área, proporcionando facilidade de análise e um gerenciamento mais eficiente. Quem vai gerenciar um negócio ou almeja conquistar uma posição de liderança precisa conhecer as metodologias de gestão e buscar capacitações para obter bons resultados com essas ferramentas. Fonte: HSM University (2020, on-line)¹ 69 eu recomendo! Avaliação e Gestão de Desempenho Autor: Bruno Taranto Malheiros e Ana Raquel Coelho Rocha Editora: LCT Sinopse: tomando, como base, a visão sistêmica e a particulari- dade de cada contexto empresarial, a obra Avaliação e Gestão de Desempenho propõe um afastamento do tom prescritivo tradicional dos processos de avaliação, concentrando-se no seu potencial diagnosticador, com a finalidade construtiva de identificar as maneiras e as medidas mais produtivas para alcançar metas. Avaliação e Gestão de De- sempenho chama a atenção para a importância da coletividade, inclusive, no que tange aos objetivos individuais, estabelecendo, assim, uma abordagem renovada, humana e proativa à avaliação e à gestão de desempenho. livro Gestão de Desempenho Autor: Otávia Travençolo Muniz Editora: Estácio Sinopse: este livro aborda as Organizações e o Ambiente que elas vivem, os conceitos de Sistemas, elementos de Entrada as- sociados à Estrutura, à escolha da Metodologia e à definição do Processo e, por fim, apresenta os instrumentos tradicionais de Avaliação de Desempenho. livro 70 eu recomendo! O Óleo de Lorenzo Ano: 1992 Sinopse: o filme retrata a importância do método de trabalho no desenvolvimento de pesquisas para a busca de cura para uma doença rara. Considerando o processo de gestão de desempe- nho, sempre devemos nos respaldar nos métodos e procedimen- tos para assegurar o máximo de transparência e assertividade. filme O homem que mudou o jogo Ano: 2011 Sinopse: o dirigente Billy Beane nunca concordou com a sabe- doria convencional que domina o mundo do beisebol. Surpreen- dido com um corte no orçamento do clube, Billy e seu parceiro recrutam jogadores mais baratos, mas com potencial (baseado em uma história real). Comentário: no filme, está claro o verdadeiro conceito de inova- ção e como é importante monitorar o desempenho dos colaboradores para saber como utilizá-los, da melhor forma possível, dentro da empresa. Também, obser- va-se como o trabalho em equipe é fundamental e como é possível trabalhar com baixo orçamento. Uma ótima aula de administração e RH. filme Para que serve a avaliação de Desempenho? Esse vídeo é uma reportagem que discute o processo de avaliação de desempenho, apresentando, como exemplo, a empresa Pepsico do Brasil que realiza o sistema de avaliação de desempenho. O enfoque nesta reportagem é o feedback, que serve para que um funcionário tenha conhe- cimento se está agindo de acordo com o esperado e, também, é fundamental para o crescimento da empresa. Para assistir o vídeo, acesse o QRcode conecte-se https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8896 3 AVALIAÇÃO E GESTÃO do Desempenho PROFESSORES Me. Angela Ferreira de Lima Pizzaia Me. Luciano Santana Pereira Me. Renata Emy Koyama PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Conceituando a avaliação e a gestão de desempenho • Considerações históricas sobre a avaliação de desempenho • Objetivos e li- mitações da avaliação e da gestão de desempenho • Gestão de competências • A avaliação na gestão de competências. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Conceituar a avaliação e a gestão do desempenho • Apresentar o contexto histórico da avaliação do desempenho • Relacionar os objetivos e as limitações da avaliação e da gestão do desempenho • Con- ceituar gestão de competências • Apresentar método e ferramentas de avaliação de competências. INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Vamos iniciar mais uma etapa em nossa jornada. Nesta unidade, estudaremos, inicialmente, os conceitos de avaliação e gestão do desempenho bem como as diferenças existentes entre os dois termos. O segundo ponto a ser abordado nesta unidade envolve o con- texto histórico da avaliação. Dessa forma, é apresentada, de modo simples e objetiva, a evolução dessa importante ferramenta da gestão de pessoas. Sequencialmente, descreveremos os objetivos da avaliação e da gestão de desempenho, a existência dos objetivos administrativos e os objetivos de desenvolvimento, os quais geram informações e auxiliam na tomada de decisão em relação à gestão de pessoas, no que tange à remuneração, à transferência, à promoção, à demissão, ao remanejamento, ao treinamento, entre outros. Ainda, trataremos sobre um assunto muito delicado na avaliação, que re- mete às limitações e aos equívocos cometidos durante a operacionalização do processo de gestão do desempenho. Para evitar tais problemas, o(a) profissional de Recursos Humanos necessita conhecer, profundamen- te, cadauma dessas limitações e, a partir de uma análise organizacional, adotar estratégia que lhe permita minimizar os seus efeitos, destacando a importância de se adotar uma política baseada na transparência, para que os envolvidos possam se conscientizar sobre a importância e os objetivos do programa bem como os investimentos a serem realizados junto aos avaliadores, para que estejam, devidamente, preparados para lidar com a avaliação. Para finalizar nossa unidade, nas duas últimas aulas, falaremos sobre a Ges- tão de Competências, apresentando seu conceito, métodos e ferramentas de apoio à avaliação, que deve ocorrer quando se adota tal abordagem. Espero que aprecie o conteúdo e tenha um bom aprendizado! Um ótimo estudo! U N IC ES U M A R 73 1 CONCEITUANDO A AVALIAÇÃO E A GESTÃO de Desempenho A prática da avaliação, entendida no seu sentido genérico, é tão antiga quanto o próprio homem. É o exercício da análise e do julgamento sobre a natureza, sobre o mundo que nos cerca e sobre as ações humanas. A avaliação é a base para a aprecia- ção de um fato, de uma ideia, de um objetivo ou de um resultado e, também, a base para a tomada de decisão sobre qualquer situação que envolve uma escolha. Partindo dessa premissa, podemos dizer que todo ser humano é o resultado de um processo de avaliação, que gera consequências no desdobramento do julgamento feito ou da decisão tomada, ou seja, todos os contrastes da vida humana são consequências de julgamentos firmados e decisões assumidas, originários do processo avaliativo. No campo da administração, o processo avaliativo está presente a todo o momento. Avaliam-se as características e as condições do mercado, as expec- tativas dos consumidores, a posição dos concorrentes, o impacto das decisões e das leis governamentais na economia, as forças e as fraquezas da organização, seu desempenho financeiro, sua tecnologia bem como seus Recursos Humanos. Falando, especificamente, sobre os Recursos Humanos, estes são avaliados per- manentemente e são tomadas decisões sobre pessoas, fundamentadas nessas avaliações, independentemente de a organização dispor de um sistema formal de Gestão de Desempenho. Pessoas são admitidas, dispensadas, remanejadas, treinadas, promovidas, exaltadas, advertidas, enfim, todas essas ações decorrem de avaliações e julgamentos efetivados (LUCENA, 2004). U N ID A D E 3 74 Para entendermos esse assunto, quero apresentar o que, na concepção de Marras (2011), significa o “desempenho humano”. Segundo o autor, desempenho humano é o ato ou efeito de cumprir ou executar determinada missão ou meta previamente traçada. Dessa forma, a Avaliação de Desempenho é um instrumen- to gerencial que permite ao gestor mensurar os resultados obtidos por um colabo- rador ou um grupo em período e área específicos, podendo ser: conhecimentos, metas, habilidades etc. Para nos auxiliar a definir o que vem a ser a avaliação do desempenho, Lucena (2004, p. 42) nos propõe o seguinte conceito: “ Avaliação do Desempenho é a verificação formal e permanente dos resultados alcançados comparados com os indicadores estabele-cidos, utilizando-se as normas e critérios de avaliação definidos e o desempenho refere-se à atuação do funcionário em relação às responsabilidades e atribuições inerentes ao cargo que ocupa. Dessa forma, podemos afirmar que a avaliação de desempenho é um processo de estimular ou julgar a excelência, as qualidades e as contribuições de uma pessoa em um determinado contexto ou, ainda, a identificação. Mensuração e adminis- tração do desempenho humano, nas organizações, devem estar orientadas para o futuro para poder alcançar todo o potencial humano na organização. Complementando nosso pensamento sobre o que vem a ser a avaliação de desempenho, Chiavenato (1999) a define como sendo uma apreciação sistemá- tica do desempenho de cada pessoa no cargo em que ocupa seu potencial de desenvolvimento e das metas e os resultados a serem alcançados. Perceba que a Avaliação é uma parte muito importante do processo de Gestão de Desempenho, sendo esta uma atribuição bastante desafiadora para a área de Recursos Huma- nos, ou seja, implementar uma sistemática de gerenciamento do desempenho é, atualmente, ao mesmo tempo, uma necessidade e um grande desafio a serem superados pelas empresas, gestores, profissionais e, principalmente, pelo depar- tamento de RH. De acordo com Stoffel (2000, p. 75), a Gestão de Desempenho pode ser entendida como: “ [...] um processo participativo, dinâmico, contínuo e sistematizado de planejamento, acompanhamento, avaliação e melhoria do traba-lho, com os objetivos de estimular o atendimento das metas organi- zacionais e a promoção do desenvolvimento dos recursos humanos. U N IC ES U M A R 75 Note que a gestão do desempenho se torna algo muito mais complexo do que, apenas, avaliar o desempenho, exigindo, por parte dos envolvidos, capacidades e habilidades distintas para a condução do processo, entre elas, podemos desta- car a capacidade de planejamento das ações, ferramentas a serem utilizadas; os investimentos e os esforços empreendidos para acompanhar o desempenho dos avaliados; e a forte convicção de que a avaliação deve ser utilizada para a busca da melhoria contínua das pessoas, dos processos e das tecnologias, e não como algo punitivo e negativo. O desempenho é um conceito multifacetado que vem sendo explorado por uma varie- dade de campos do conhecimento, como Contabilidade, Estratégia, Recursos Humanos, Produção e Gestão de Operações, Marketing, Comportamento Organizacional e Gestão Estratégica. Tal dispersão epistemológica leva a uma ampla variedade de definições en- contradas na literatura. Entretanto é notável que, entre as várias definições encontradas, a medição como ferramenta de controle é, provavelmente, a mais conhecida e a mais frequente aplicação da medição. Por muito tempo, a medição de desempenho foi com- preendida como um processo estático, com o objetivo de gerar indicadores de resultados relativos a produtos ou serviços, principalmente, em termos de desempenho de custos, baseados em sistemas de orçamentação tradicionais ou de custos baseados em ativida- des (activity-based cost). Fonte: adaptado de Cândido, Lima e Barros Neto (2016). explorando Ideias U N ID A D E 3 76 2 CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE A Avaliação de Desempenho É comum encontrarmos, nas bibliografias especializadas, os conceitos e os méto- dos estabelecidos para utilização da avaliação e gerenciamento do desempenho. O que não se pode desconsiderar é que o modelo de gestão encontrado hoje é o resultado de anos de estudos e aprimoramentos, tendo, como pressupostos, várias áreas do conhecimento humano e o envolvimento de muitos estudiosos e autores. Os programas formais de administração do desempenho e classificação de méritos tiveram início nos Estados Unidos em 1842, quando o congresso apro- vou uma lei que obrigava a todos os funcionários e departamentos a fazer uma revisão do desempenho anualmente. Em 1880, o exército americano, também, desenvolveu o seu sistema de avaliação com as seguintes características básicas: missão permanente, estrutura organizacional rigidamente hierárquica, carrei- ra, fortemente, estruturada e estabilidade. Nessa época, os requisitos avaliados eram voltados para valores e qualidades imprescindíveis no militar, tais como: coragem, bravura, honestidade, lealdade, dedicação, solidariedade, obediência, disciplina, assiduidade, pontualidade, espírito de equipe, tempo de serviço etc. (BOHLANDER, 2003). U N IC ES U M A R 77 A Gestão do Desempenho deve integrar um conjunto de ações para alinhar, por um lado, as expectativas das pessoas em relação à empresa e, por outro, o atendimento das neces- sidades da empresa por meio do desempenho das pessoas. (Darcy Mitiko Mori Hanashiro e outros) pensando juntos Conhece os conceitos da Gestão da Qualidade Total? Não? Então, aces- se o QRcode ao lado. conecte-se De modogeral, o serviço público americano absorveu o modelo militar, ten- do, como pressuposto, a prestação de serviços à sociedade. As influências desses modelos, na estrutura administrativa das empresas, são evidentes. Em 1918, a Ge- neral Motors desenvolveu o seu próprio sistema de avaliação para seus executivos, sendo a primeira instituição privada a utilizar essa ferramenta administrativa. A partir do ano de 1945, com a teoria das Relações Humanas, somadas aos concei- tos da Gestão pela Qualidade Total (Juran e Deming), a gestão de desempenho ganhou força e sua metodologia passou a ser utilizada nas organizações voltadas à gerência por objetivos (BOHLANDER, 2003). https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8900 U N ID A D E 3 78 Como toda ferramenta administrativa, o processo de avaliação e, posteriormente, a gestão do desempenho apresentam algumas vantagens para a empresa e, também, para as pessoas, pois, caso contrário, não haveria motivos para sua implantação. Con- siderando essa ideia, Chiavenato (2004) nos apresenta alguns dos principais objetivos que o processo de avaliação e gestão de desempenho visa cumprir, entre eles, temos: ■ Proporcionar feedback aos funcionários, indicar pontos fortes e fracos do seu desempenho e sugerir mudanças no comportamento, atitudes e conhecimento. ■ Proporcionar julgamento sistemático fornecendo base de informações para recomendações Salariais, Promoções, Transferências e Demissões. ■ Permite que os funcionários conheçam aquilo que o “chefe” pensa a seu respeito. ■ A avaliação e gestão do desempenho é, amplamente, utilizada pelos ge- rentes como base para conduzir e aconselhar os subordinados a respeito de seu desempenho. Considerando que a avaliação de desempenho é a identificação, mensuração e administração do desempenho humano nas organizações, ela deve estar orien- tada para o futuro para poder alcançar todo o potencial humano na organização. Bohlander (2003) nos acrescenta mais alguns objetivos, sendo: 3 OBJETIVOS E LIMITAÇÕES DA AVALIAÇÃO E DA Gestão de Desempenho U N IC ES U M A R 79 ■ Dar aos funcionários a oportunidade de discutir, regularmente, com seu superior, o desempenho e os padrões de desempenho. ■ Fornecer ao superior um meio de identificar os pontos fortes e fracos do desempenho do funcionário. ■ Fornecer um formato que permita ao superior recomendar um programa específico para ajudar o aprimoramento de seu funcionário. ■ Influenciar o comportamento do funcionário, levando-o a um desempe- nho organizacional aprimorado. Bohlander (2003), ainda, nos diz que o processo de gestão de desempenho visa atender a dois objetivos, sendo: Administrativo e de Desenvolvimento. Objetivo Administrativo: fornece informações para as atividades gerenciais de RH, auxiliando na tomada de decisões quanto à remuneração, à promoção, à transferência, à demissão, ao planejamento estratégico e ao treinamento. Com- plementando, a avaliação e gestão de desempenho, em relação ao seu objetivo administrativo, tem por finalidade fornecer informações que possam subsidiar as ações gerenciais no que diz respeito à continuidade e ao aperfeiçoamento do processo, assim como a análise do perfil de desempenho da organização. Essas informações demonstram o perfil global do desempenho da organização e das unidades, cujas informações poderão ser utilizadas para: confrontar os resul- tados das avaliações das equipes com a avaliação do desempenho global das unidades em que atuam; analisar as tendências dos resultados (concentração de bons e maus desempenhos); analisar a situação dos colaboradores que não foram avaliados; e subsidiar a aplicação da política de recompensas e as decisões sobre promoções, carreira, ascensão funcional, demissões. Objetivo de Desenvolvimento: tendo como ponto de vista o desenvolvimen- to individual, a Avaliação fornece feedback essencial para discutir os pontos fortes e fracos dos funcionários. Ela proporciona oportunidade para identificar questões a serem discutidas, a fim de eliminar qualquer problema potencial e de estabelecer novas metas de desempenho. Apresenta os resultados das ações implementadas, durante o funcionamento do processo, cobrindo o período estabelecido. Esses relatórios demonstram informações sobre o atendimento às recomendações dos avaliadores, sendo elas: treinamentos realizados, estágios realizados, leitura orien- tada, remanejamentos efetuados, transferências, readaptações etc. U N ID A D E 3 80 O que deve ser avaliado Muitas empresas desenvolvem vários sistemas de avaliação para acompanhar resultados financeiros, custos de produção, quantidade e qualidade dos bens pro- duzidos, desempenho individual e satisfação de clientes, mas pecam na hora de estabelecer o que deve ser avaliado (CHIAVENATO, 1999). É comum encontrarmos empresas que, de certa forma, tentam padronizar os itens de avaliação para todos os setores e pessoas da empresa. Posso afirmar que isso é muito difícil de dar certo pelo fato de cada setor possuir características, ob- jetivos e finalidades distintas uns dos outros, sem contar as diferenças existentes entre as pessoas e os níveis hierárquicos da empresa. Certamente, há a possibilidade de estabelecer um conjunto de fatores de ava- liação que sejam comuns a todos da empresa, independente do setor, função ou nível hierárquico, mas é necessário muito cuidado no momento de estabelecer o que será avaliado. Geralmente, consideram-se os objetivos estratégicos da em- presa, as informações da descrição de cargo, os requisitos e as habilidades pes- soais específicas exigidas para o exercício da atividade. É preciso ficar claro que uma avaliação não pode ser composta, apenas, de fatores que avaliem resultados financeiros, ao mesmo passo, que não deve avaliar, apenas, habilidades compor- tamentais, ou seja, é preciso que a avaliação contemple um mix de fatores que, de acordo com Chiavenato (2004), possam abordar o desempenho como um todo, envolvendo três campos, sendo: Resultado, Conhecimento e Comportamento. Campo dos Resultados: refere-se às metas de trabalho predefinidas pela or- ganização que devem ser alcançadas em um determinado tempo pelo empregado: Resultados Quantitativos: quando o fator numérico está explícito na meta e no resultado a ser alcançado. Resultados Qualitativos: quando os parâmetros de exigências estão relacio- nados a padrões de qualidade, que definem a aceitação daquilo que foi pré-fixado. Toda pessoa precisa receber retroação a respeito de seu desempenho para saber como está indo no seu trabalho. Sem essa retroação as pessoas e empresas caminham às cegas. (Idalberto Chiavenato). pensando juntos U N IC ES U M A R 81 Campo do Conhecimento: abrange os aspectos na qual a empresa deseja conferir o andamento ou a trajetória cognitiva do indivíduo. Avalia-se o grau com que o colaborador assimila e atinge o volume de informações que lhe é proposto. Campo do Comportamento: nesse aspecto, a organização mensura os valores, as atitudes e os comportamentos do colaborador, relacionando-os aos padrões culturais predefinidos pela empresa e as responsabilidades que lhe são conferidas para exercer suas funções. Por exemplo: relacionamento, cortesia, atendimento, ética etc. Limitações no Processo de Avaliação de Desempenho O processo de avaliação do desempenho é bastante criticado por gerar dúvidas acerca dos resultados apresentados e, como trata-se de uma ferramenta bastante subjetiva, é necessário que o(a) profissional de Recursos Humanos conheça suas possíveis limitações para que possa se antecipar por meio da elaboração de es- tratégias que possam evitar tais críticas e questionamentos. Chiavenato (2004) nos traz algumas das possíveis limitações que podem ocorrer e as organiza entre avaliador e avaliado. Em relação ao Avaliador, temos: preocupa-se mais com o preenchimento do formulário do que sobre a avaliação crítica e objetiva; faz comentários desfavoráveis, conduzindo a uma reação negati-va do avaliado; e constrói uma avaliação baseada em fatores que não conduzem a nada. Já no que diz respeito ao Avaliado: percebe a avaliação como uma situação de recompensa ou punição e o processo como injusto ou tendencioso. Sem dúvidas, lidar com as limitações decorrentes do processo da avaliação é uma árdua tarefa que exige estratégia, assertividade nas decisões, disseminação de informação e investimentos em capacitação das pessoas envolvidas. Marras (2011), ao tratar sobre o assunto, apresenta-nos a ideia de que os vícios podem ser classificados em: Conscientes e Inconscientes. Vícios Conscientes: quando o avaliador, sob qualquer pretexto, “vicia” um resultado, premeditando, intencionalmente, atender a interesses em jogo ou bus- car ajudar ou prejudicar o avaliado. ■ Efeito Halo: é quando o avaliador se deixa levar por alguma característica do avaliado, que o marcou de tal forma que o impede de interpretar as demais características com neutralidade e clareza. U N ID A D E 3 82 ■ Efeito Tendência Central: é quando o avaliador força sua avaliação num ponto central da escala, geralmente, para não se comprometer ou para evitar situações em que deverá expor suas razões e argumentos para sus- tentar sua decisão. Vícios Inconscientes: quando o avaliador toma as mesmas atitudes anteriores, porém sem intenção premeditada, dolosa, de provocar uma alteração no resultado. ■ Julgar sob a Impressão de uma Qualidade: o avaliador se deixa influen- ciar por uma qualidade, fortemente, presente no conjunto de caracterís- ticas do avaliado. ■ Basear-se em Acontecimentos Recentes: o avaliador leva em conta, apenas, os fatos acontecidos num curto espaço de tempo anterior ao processo avaliativo. ■ Considerar Características Extra Cargo: o avaliador se deixa levar por va- lores ou atitudes que o avaliado possui fora do ambiente de trabalho, po- dendo influenciar, positiva ou negativamente, no resultado da avaliação. ■ Supervalorizar as Qualidades Potenciais: o avaliador confunde resulta- dos, concretamente, realizados com características potenciais que iden- tifica no avaliado. Marras (2011), ainda, esclarece-nos que tais limitações, somente, serão superadas se receberem o suporte adequado da alta gerência, junto ao apoio e ao compro- metimento das lideranças, e o total esclarecimento sobre o seu funcionamento, junto ao público ao qual será aplicado. Da mesma forma, o programa de Avaliação só atingirá seu propósito por meio dessa condição. Perceba que o fato de ser uma ferramenta que tem, como base, a percep- ção do avaliador sobre o avaliado ocasiona forte vínculo com a subjetividade e, consequentemente, com as influências sobre a percepção e, naturalmente, sobre os resultados. Para evitar problemas e garantir o resultado, é necessário muito cuidado desde a elaboração da ferramenta, que, por sua vez, deve apresentar os fatores a serem avaliados muito bem descritos, conforme parâmetros da empresa. Além disso, é preciso, ainda, maciço investimento em treinamento e capacitação das pessoas para a operacionalização da ferramenta, pois, do contrário, ou seja, se a empresa não esclarecer, exatamente, o que se espera das pessoas em cada fator de avaliação, ela corre um sério risco de cada avaliador fazer “do seu jeito” conforme sua percepção da realidade. U N IC ES U M A R 83 4 GESTÃO DE COMPETÊNCIAS Tratamos, na atualidade, da Gestão Estratégica de Pessoas nas organizações, um conceito que, inclusive, absorve a abordagem de competências, que é o nosso foco principal nesta aula. A área de RH (Recursos Humanos) passou por mudanças significativas, principalmente, nas últimas décadas. São modificações que geram discussões e dividem opiniões de profissionais e estudiosos da área, mas que detêm, como premissa comum, a necessidade de reconhecimento do potencial de cada pessoa do contexto organizacional. Segundo Chiavenato (2010), o RH assume um novo papel nas organizações e para seus colaboradores, não se limitando a um departamento de atividades operacionais, mas atuando enquanto suporte aos gerentes de linha, ou seja, uma atividade de staff. Esse papel de suporte do RH, nas organizações, acarreta uma atuação estratégica de Gestão de Pessoas; é um conceito que, segundo Marras (2011), leva o órgão de RH a participar e assessorar na formação e no desen- volvimento de macro diretrizes organizacionais, prestando subsídio cognitivo à cúpula da empresa em questões administrativas e comportamentais. Observa-se, assim, que é necessário conceber uma estrutura de gestão de pessoas que esteja compatível e alinhada com as demandas estratégicas da organi- zação. Para atuar nesse novo papel, o RH precisa desenvolver o seu planejamento a partir e em consonância com a estratégia corporativa. Na Figura 1, Albuquerque (2002) mostra como pode ocorrer essa integração das estratégias de RH com as estratégias organizacionais. U N ID A D E 3 84 Visão do negócio De�nição da missão Análise do ambiente Análise das capacidades De�nição dos objetivos organizacionais De�nição de macropolíticas Elementos estratégicos críticos Seleção e desenvolvimento da estratégia Implementação Estratégia de RH Desenvolvimento da compreensão e do comprometimento com a visão do negócio Missão da ARH Análise do ambiente de RH Análise dos recursos humanos De�nição dos objetivos de RH De�nição de políticas de RH Elementos estratégicos críticos de RH Estratégias de RH para inclusão no Plano Estratégico da empresa Estratégia da empresa Fe ed ba ck Fe ed ba ck Figura 1 - Integração da estratégia de RH na estratégia da empresa. Etapas do processo de formulação Fonte: Albuquerque (2002, p. 41). Os elementos abordados na figura anterior retratam a forma pela qual deve acon- tecer a integração entre as estratégias de RH e as estratégias organizacionais. Ressalta-se, ainda, a importância do feedback contínuo durante todas as etapas do processo, que ocorre, por meio das avaliações de resultados, ao longo de seu desenvolvimento (ALBUQUERQUE, 2002). Por meio dessa integração, podemos falar em modelos estratégicos de Ges- tão de Pessoas. Enfatizo isso, caro(a) acadêmico(a), pois é necessário ter muito cuidado em propor ou tentar implantar modelos de Gestão de Pessoas contem- porâneos em organizações que não operacionalizam, adequadamente, os pro- cessos primários de RH. Refiro-me aqui aos processos de recrutamento, seleção, avaliação de desempenho etc. É importante enfatizar que a abordagem de competências na Gestão de Pes- soas tornou-se um componente estratégico nos ambientes das organizações. Isso porque, quando utilizada, representa um diferencial para a organização, no que diz respeito à vantagem competitiva e ao aumento do valor do negócio. São di- U N IC ES U M A R 85 versos os conceitos sobre competências, mas, voltando-se à Gestão de Pessoas, Maximiano (2014) destaca que a tipologia conhecimento, habilidades e atitu- des, o conhecido CHA, é a mais abordada por tornar possível instrumentalizar a aplicação das competências. Essa perspectiva da competência foi desenvolvida por Benjamin Bloom, em 1956, no intuito de analisar e avaliar, no campo da educação, informações que fossem além do aprendizado mecânico e repetitivo. CHA é um termo bastante enfatizado quando se fala na implementação do modelo de gestão de competência nas organizações; sendo assim, vamos compreendê-lo melhor? CONHECIMENTOS HABILIDADES ATITUDES C H A Saber Saber fazer Querer fazer Conhecimentos téc- nicos, escolaridade, cursos, especializações etc. Experiência nos co- nhecimentos técnicos, colocar em prática o saber. Ter atitudes compatí- veis para se chegar à eficácia em relação aos conhecimentos e habi- lidades adquiridos ou a serem adquiridos. Quadro 1 - CHA – Conhecimentos, Habilidades e Atitudes Fonte: adaptado de Rabaglio (2001, p. 6). Complementando esse entendimento, Fleury e Oliveira Junior (2002) afirmam que a competência é vista como o estoquede recursos que um indivíduo detém, ou seja, as capacidades pessoais que justificam, inclusive, a sua performance pro- fissional. Esse conceito de “estoque de recursos”, que, nessa concepção da autora, aplica-se aos indivíduos, pode se estender a cargos, setores e organizações como um todo. Considerando essa perspectiva da competência, note, caro(a) acadê- mico(a), que o conceito está vinculado à aprendizagem. Não se pode falar em desenvolvimento de competências, sejam estas individuais ou organizacionais, sem falar em aprendizagem. Fleury e Oliveira Junior (2002, p. 134) afirmam que a aprendizagem é com- preendida como “um processo de mudança provocado por estímulos diversos e mediado por emoções que podem ou não produzir mudança no comportamen- to da pessoa”. Quando levamos isso à dimensão de competências na Gestão de Pessoas, compreende-se que, ao instrumentalizar a aplicação de competências, pessoas e organização desenvolvem-se por meio da aprendizagem. U N ID A D E 3 86 Ainda, para Fleury (2002, p. 55), “[...] competência é o conjunto de aprendi- zagens sociais e comunicacionais nutridas a montante pela aprendizagem e pela formação e a jusante pelo sistema de avaliações”. Ou seja, a competência está interconectada com a aprendizagem dos indivíduos e grupos nos mais diversos ambientes em que estiverem inseridos, sendo sempre contextualizada. E, quando o RH está a par das estratégias empresariais e, com isso, determina as estratégias de Gestão de Pessoas, identifica-se o gap existente entre as competências exis- tentes e as que se fazem necessárias para consolidar o planejamento estratégico da empresa. De acordo com Silva (2017), quando uma organização opta pela abordagem de competências, é capaz de identificar as competências de seus colaboradores de forma a avaliar a efetividade e o uso dessas competências para atingir os objetivos organizacionais estipulados no plano estratégico da empresa. Desta forma, por meio dessa identificação, é viabilizado elucidar quais competências precisam ser desenvolvidas e/ou agregadas à organização. Feito isso, são desenvolvidas e aplicadas as ferramentas de Gestão de Pessoas voltadas à estratégia empresarial. O termo gap é compreendido aqui como a lacuna existente entre as competências que a empresa detém e aquelas necessárias para cumprir com os objetivos de seu planejamen- to estratégico. Ou seja, o que é necessário desenvolver nos indivíduos e na organização. conceituando Gestão estratégica de pessoas e os processos de RH Se, antes, o RH se envolvia, apenas, com os processos administrativos, for- mais, hoje, ele tem um papel muito importante nas organizações, um papel estratégico. Quer saber como isso acontece? Acesse o QRcode ao lado conecte-se https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8901 U N IC ES U M A R 87 O Conceito de Competência O conceito de competência vem sendo discutido tanto por estudiosos da área de Gestão de Pessoas como por profissionais que utilizam essa “ferramenta” nas organizações. Embora não sejam discussões recentes, o seu processo de com- preensão e desenvolvimento se mostra muito contemporâneo. Desta forma, o conceito está em “em construção”, isso porque a competência volta-se às pessoas e aos ambientes organizacionais, que, em períodos tão contingenciais, perpassam por transformações contínuas (SILVA, 2017). Segundo Fischer et al. (2008), a proposta, de forma estruturada do conceito de competência, ocorreu, pela primeira vez, em 1973, quando David McClelland bus- cava uma abordagem mais efetiva para os processos seletivos das organizações, que tinham o procedimento de escolha do novo empregado sustentado pelos testes de inteligência. Assim, a competência foi percebida por David McClelland como uma característica subjacente a uma pessoa e que poderia, casualmente, estar relacionada a um desempenho superior ao realizar uma tarefa ou enfrentar uma situação (FLEURY; FLEURY, 2001). Ou seja, haveria outras dimensões de avaliação das pessoas, além dos testes de inteligência, que demonstravam, também, as suas capacidades. Ainda, de acordo com Fleury e Fleury (2001), ao longo da década 80, o con- ceito de competência começou a contemplar a ideia de um conjunto de conheci- mentos, habilidades e atitudes. Tais capacidades acabariam por definir e justificar o alto desempenho dos indivíduos, fundamentados, assim, em sua inteligência e personalidade. É como se a competência passasse a ser vista como o estoque de recursos que uma pessoa detém. Nos anos 90, o conceito de competência emergiu na literatura francesa levando o debate para além da questão da qualificação e tornando o conceito passível de discussões ligadas, também, ao desempenho e ao ambiente das organizações. É possível compreendermos que o conceito de competência vai muito além de qualificação técnica, e o autor Zarifian (2001) torna mais clara esta ideia ao apre- sentar três mutações essenciais do mundo do trabalho que acabam por justificar essa expansão do conceito, as quais são: a noção de incidente, a comunicação e o serviço. De acordo com Zarifian (2001), a noção de incidente está relacionada ao fato de que o ambiente não é estático, mas, sim, dinâmico, levando a imprevistos e a situações não programadas. A comunicação é essencial nas relações, pois viabiliza a interação entre pessoas e organizações. E o serviço está relacionado ao atendimento das necessidades dos clientes externos e internos. U N ID A D E 3 88 No desenvolvimento de competências, é necessário considerar o ambiente no qual o in- divíduo está inserido. Assim, a cultura organizacional, a hierarquia, os ritos, as linguagens e o território são vistos como elementos simbólicos que interligam os indivíduos de uma organização (BITTENCOURT; VIEIRA; TENÓRIO, 2009). Sendo assim, como você percebe a influência da cultura no desenvolvimento de competências? pensando juntos A partir disso, podemos inferir que competência pode ser compreendida como uma forma de inteligência prática, utilizada pelas pessoas para enfrentar as situa- ções vivenciadas nos mais variados contextos, em especial, o organizacional; é a capacidade de saber mobilizar em um contexto e utilizar, adequadamente, o co- nhecimento e a habilidade nos diferentes ambientes e/ou situações (ZARIFIAN, 2001; LE BOTERF, 2003). Para Dutra (2001), o conceito de competência pode ser atribuído a diferentes elementos. Do ponto de vista das organizações, estas possuem um conjunto próprio de competências que se originam e desenvolvem a partir da fundação da empresa, constituindo, assim, o seu patrimônio de conhecimentos. O referido autor, ainda, ressalta que esse patrimônio, que é formado pelas competências da empresa, acaba estabelecendo vantagens competitivas no contexto (mercado) em que estiver inse- rido. Ou seja, são as competências de cada organização que geram competitividade perante o mercado, principalmente, por fortalecerem a empresa diante da concor- rência. Tendo, como ponto de vista, as pessoas, Dutra (2001) diz que a competência corresponde a um conjunto de elementos comportamentais e técnicos que precisam ser, devidamente, aproveitados pela empresa, no caso seus colaboradores. Assim, as competências das pessoas são as suas capacidades individuais que, compostas pelos seus conhecimentos, habilidades e experiências, contribuem para a organização e enriquecem as competências organizacionais. Para compreendermos melhor esse enlace entre pessoas e organizações, vejamos a citação de Dutra (2001, p. 27): “[...] são as pessoas que, ao colocarem em prática o patrimônio de conheci- mentos da organização, concretizam as competências organizacionais e fazem sua adequação ao contexto”. A partir dessa concepção do autor, compreendemos que organização e pessoas, quando bem integradas, propiciam um processo contínuo de troca de competências, o que promove enriquecimento para ambas as partes. U N IC ES U M A R 89 Core Competences Como vimos, caro(a) aluno(a),o conceito de competência pode ser apresentado e analisado a partir de diferentes perspectivas. Agora, abordaremos a perspectiva sob a dimensão estratégica da competência, que se volta às competências organi- zacionais. Segundo Dias et al. (2012), as perspectivas da expressão competência estão associadas a eixos conceituais específicos. O eixo no qual se desenvolve a dimensão estratégica tem sido considerado uma importante alternativa para o desenvolvimento de competitividade organizacional, e ele provém do conceito de Core Competence, dos autores Prahalad e Hamel (2000). Tais autores definem Core Competence como as competências de sustentação do negócio, aquelas que se mostram essenciais. Objetivando a avaliação de sua capacidade de sustentação, as competências estabelecidas devem responder a três critérios: ser difíceis de imitar, oferecer benefícios aos consumidores e prover acesso a diferentes mercados. Ratificando tal ideia, Fleury e Fleury (2000) se concentram na necessidade de combinação de várias competências que uma empresa tem, orientadas para desenvolver e levar produtos e serviços ao seu público-alvo. Ou seja, a compe- tência pode ser entendida como “[...] a capacidade de combinar, misturar e inte- grar recursos em produtos e serviços” (FLEURY; FLEURY, 2000, p. 23). Assim, as competências organizacionais emergem como fatores que delineiam a escolha das estratégias de competição da empresa, que têm, como princípio, o desenvol- vimento de competências organizacionais extraordinárias que viabilizem dife- renciais competitivos sustentáveis (DIAS et al., 2012). A competência organizacional surge quando o conjunto de recursos que compõem a estrutura organizacional é coordenado adequadamente, de forma a agregar valor à organização, por meio da criação de fatores-chave de sucesso, ou seja, aqueles difíceis de imitar e que têm impacto positivo sobre o desempenho organizacional (FERNANDES; FLEURY; MILLS, 2006). U N ID A D E 3 90 Mapeamento das Competências Organizacionais Para Fleury e Fleury (2000), é a partir da definição da estratégia de negócio de uma empresa que surge a possibilidade da identificação das competências es- senciais da organização e das competências pertinentes a cada cargo e função. Tal abordagem evidencia que a definição das competências essenciais depende da estratégia do negócio, entretanto, como as competências organizacionais dão sustentação e vantagem competitiva ao negócio, elas, também, podem levar ao aprimoramento e ao desenvolvimento de novas estratégias. Percebemos, assim, um ciclo constante de refinamento e inovação organizacional. Garantir que esse processo de interconectividade ocorra de maneira adequa- da e as competências elencadas representem, fielmente, a realidade do negócio torna-se um grande desafio. Por isso, utilizar ferramentas adequadas para a iden- tificação das competências organizacionais é primordial. Portanto, agora, vamos conhecer algumas formas de mapeamento. Levantamento de Dados Ao buscar um conjunto de técnicas para realizar o mapeamento de competências organizacionais, Behr (2010) utilizou a análise documental e as entrevistas. Em seu trabalho, este autor realizou entrevistas com o sócio diretor da empresa, buscando ele- mentos que contribuíssem para o entendimento do setor e, também, para a definição mais adequada do roteiro de entrevista a ser utilizado com os gestores e os clientes. Também foram analisados documentos comerciais da empresa e, por fim, entrevis- tados todos os gestores da empresa e alguns clientes indicados por ela. O Quadro 2, a seguir, registra os assuntos tratados e algumas das perguntas realizadas por Behr (2010), ao entrevistar sócios diretores, gestores e clientes da empresa estudada. ENTREVISTADOS ASSUNTOS TRATADOS E EXEMPLO DE PERGUNTAS Sócios diretores - Conhecimento da empresa e do ramo de negócio. - Identificação de fatores críticos de sucesso. - Identificação de pontos fortes e fracos. - Identificação de oportunidades e ameaças. - Identificação da visão dos sócios diretores acerca do conceito de competências. U N IC ES U M A R 91 Gestores - Há quanto tempo trabalham na empresa? - Qual a principal atividade na empresa? - Quais as reponsabilidades? - Quais aspectos podem gerar diferenciação ou ameaçar a sobrevivência do negócio? - Quais os pontos fortes da empresa e que podem gerar vantagem competitiva? - Quais ameaças podem ser identificadas? - Quais oportunidades podem ser identificadas? Clientes - Quais aspectos levam em consideração quando bus- cam um produto ou serviço similar ao que esta empresa oferece? - Quais os pontos fortes dessa empresa? - O que esta empresa faz de melhor? - Quais pontos fortes esta empresa não possui e deveria ter ou desenvolver? - Como veem o produto/serviço da empresa? Quadro 2 - Levantamento de dados para a identificação das competências organizacionais Fonte: adaptado de Behr (2010). É evidente o cuidado que se deve ter ao elaborar e trabalhar com instru- mentos de coleta de dados, que devem ser adequados para, assim, identificar as competências organizacionais, ou seja, os elementos que contribuirão para a de- finição dos pilares estratégicos do negócio. Além dos instrumentos apresentados por Behr (2010), é possível acrescentar, ainda, como formas de levantamento de dados, a observação e o uso de questionários (SILVA, 2017). Realizado esse mapeamento — levantamento de dados —, é necessário classi- ficar as competências mapeadas de maneira adequada. Dentre os pesquisadores e os estudiosos do tema, existe uma série de classificações que podem ser utilizadas, mas vamos concentrar nossas discussões nos autores: Gramigna (2007) e Fleury e Fleury (2000), conforme abordado a seguir. Classificação De acordo com Silva (2017), quando falamos sobre mapeamento de competências, deve-se considerar uma variação de terminologias sobre o conceito. Abordando U N ID A D E 3 92 tal variação de terminologias, destacamos, aqui, algumas expressões utilizadas, a saber: core competence, competências essenciais, competências organizacionais, competências funcionais, competências distintivas, competências seletivas, com- petências básicas, competências grupais, competências de suporte, competências dinâmicas e competências qualificadoras (DIAS et al., 2012). Apresentar essa variedade de nomenclaturas é importante, pois, ao realizar pesquisas sobre o assunto, você não se confundirá com os conceitos apresentados. Como nosso objetivo, aqui, é tratar sobre o mapeamento e a classificação das com- petências organizacionais, adotaremos as seguintes terminologias: Diferenciais, Essenciais e Básicas (GRAMIGNA, 2007); e de Negócio, Técnico-Profissionais e Sociais (FLEURY; FLEURY, 2000). Vejamos essa classificação a seguir. Segundo Gramigna (2007), o alicerce do modelo de competências é baseado em quatro indicadores organizacionais: definição do negócio, definição da missão, definição da visão de futuro e identificação dos valores organizacionais. Essa con- cepção vem ao encontro do que foi tratado, anteriormente, sobre retroalimentação, que acontece entre a definição das estratégias organizacionais e a definição das competências. Dito isso, Gramigna (2007, p. 21), ainda, destaca que “[...] é o domínio de deter- minadas competências que leva profissionais e organizações a fazerem a diferença no mercado”. Assim, a tentativa de determinar escores de competências para pes- soas e organizações é algo que já acontece faz algum tempo. Fala-se em competên- cias genéricas, referenciais, gerenciais etc., mas o mais importante, nesse processo, é identificar os desdobramentos de competências para a sustentação do negócio. Assim, Gramigna (2007) fala em competências de suporte, que são aquelas que sustentam as competências técnicas, ou seja, as que são exigidas dos profissionais para cumprir funções específicas. Então, a referida autora denomina tais compe- tências como: Diferenciais, Essenciais e Básicas. O Quadro3 evidencia cada uma das competências com as suas características. COMPETÊNCIAS CARACTERÍSTICAS Diferenciais Consideradas estratégicas, estabelecem vantagem com- petitiva da empresa. São identificadas no estabelecimen- to da missão empresarial e descritas de forma genérica. São constituídas por um conjunto de capacitações que auxiliam a empresa a alcançar seus resultados a fazer o diferencial no mercado. U N IC ES U M A R 93 Essenciais São identificadas e definidas como as mais importan- tes para o sucesso do negócio e devem ser percebidas pelos clientes. Básicas Necessárias para manter a organização funcionando, são percebidas no ambiente interno; além disso, estimu- lam e alicerçam o clima de produtividade. Quadro 3 - Desdobramento das competências de suporte da organização Fonte: Gramigna (2007, p. 25). A partir do quadro apresentado, notamos que as competências de suporte estão alinhadas ao presente e ao futuro da organização, pois consideraram os elementos que envolvem a estratégia da empresa (que falamos anteriormente) e, com isso, as orientações às ações da empresa em prol de suas perspectivas futuras. Exem- plificando, apresentamos, a seguir, algumas competências de suporte elencadas na fase de mapeamento, de acordo com Gramigna (2007): ■ Adaptação e flexibilidade: capacidade de conseguir adaptar-se, de ma- neira oportuna, às diferentes exigências do meio e ser capaz de rever a postura organizacional diante de novas realidades. ■ Autodesenvolvimento e gestão do conhecimento: capacidade de aceitar as próprias necessidades de desenvolvimento, investindo tempo e energia em aprendizagem contínua. ■ Comunicação e interação: capacidade de interação com as pessoas, apre- sentando facilidade em ouvir, processar e compreender a mensagem. Ca- pacidade de argumentar com coerência e clareza e promover feedback, quando necessário. ■ Criatividade e inovação: capacidade de conceber soluções inovadoras, viáveis e adequadas para as situações apresentadas. ■ Visão sistêmica: capacidade de perceber a interação e a interdependência das partes que compõem o todo, visualizando tendências e possíveis ações capazes de influenciar o futuro. Percebemos, por meio das competências de suporte apresentadas a partir de Gramigna (2007), que, em um contexto organizacional, essa lista pode ser infinita. Isso porque, como vimos anteriormente, as competências de uma organização devem estar alinhadas à sua estratégia e vice-versa. Esse processo se apresenta como um ciclo contínuo de inovação, torna-se perceptível, também, o fato de que sempre haverá o surgimento de novas com- U N ID A D E 3 94 petências, enquanto outras serão substituídas. Por esse motivo, o mapeamento e a identificação contínuos se mostram importantes. Outro ponto que merece ser mencionado é o de que as competências estão ligadas sempre à “capacidade de algo”. Assim, compreendemos porque muitos dos estudos sobre competências organi- zacionais estão ligados a temas, como Aprendizagem e Gestão do Conhecimento. Complementando as nossas discussões sobre o assunto, Fleury e Fleury (2000) ressaltam que as competências organizacionais podem ser organizadas em três blocos que envolvem a relação do indivíduo com toda a empresa, a partir de uma perspectiva sistêmica. Os três blocos são apresentados a seguir. COMPETÊNCIAS CARACTERÍSTICAS De negócio: Competências relacionadas à compreensão do negócio, seus objetivos na relação com o merca- do, clientes e competidores, assim como com o ambiente político e social; exemplo: conhecimento do negócio e orientação para o cliente. Técnico-profissionais Competências específicas para certa operação, ocupação ou atividade, como, por exemplo: dese- nho técnico, conhecimento de produto, finanças. Sociais Competências necessárias para interagir com as pessoas, como, por exemplo: comunicação, nego- ciação, mobilização para mudança, sensibilidade cultural, trabalhos em times. Quadro 4 - Desdobramento das competências organizacionais Fonte: Fleury e Fleury (2000, p. 24). Considerando as características apresentadas no Quadro 4, notamos que as pers- pectivas de Fleury e Fleury (2000) e de Gramigna (2007) estão relacionadas entre si e podem ser vistas como complementares. Ao conceber os desdobramentos das competências organizacionais, as duas perspectivas dão enfoque ao caminho que se inicia na concepção das estratégias organizacionais e termina em elementos comportamentais, como a capacidade de comunicação, por exemplo. Ademais, ambas as abordagens trazem “a capacidade de algo”, como elemento central das competências apresentadas. Como forma de instrumentalizar esse processo de mapeamento de competências organizacionais, o Quadro 5, a seguir, trará os signi- ficados atribuídos aos blocos de competência elencados por Fleury e Fleury (2000). U N IC ES U M A R 95 CONHECIMENTOS SIGNIFICADOS ATRIBUÍDOS Competências de negócio Visão estratégica: Conhecer o negócio, o ambiente interno e externo da empresa, iden- tificando oportunidades, ameaças, pontos fortes e fracos. Ter clareza e comprometimento sobre os objetivos e valores e auxiliar profissionais na descoberta do significado de sua área de atividade, suas responsabilidades e contribuições esperadas. Identi- ficar a necessidade de mudanças e as competências necessárias para enfrentar os desafios do negócio. As- sumir responsabilidades e mobilizar os demais profissionais nos projetos de transformação organizacional. Planejamento Capacidade de estruturar e sistema- tizar ações para aproveitar oportu- nidades e pontos fortes e minimizar ameaças e pontos fracos. Estabelecer mecanismos de controle e avaliação das ações, otimizando recursos exis- tentes. Competências técnicas Conhecimen- tos específi- cos: Deter informações e conhecimentos técnicos relativos a sua área; utili- zá-los constantemente, visando ao cumprimento de atividades, resolução de problemas ou desenvolvimento de projetos/produtos. Disponibilizar os novos conhecimentos desenvolvidos interna ou externamente, garantindo sua circulação. U N ID A D E 3 96 Competências sociais Comunicação Compreender o processo de comuni- cação em sua totalidade, garantindo o entendimento das mensagens pelos membros da organização. Capacidade de expressar ideias de modo claro, utilizando técnicas de comunicação apropriadas para cada situação. Negociação Ter capacidade de discutir, estimular e influenciar positivamente outras pessoas a colaborarem efetivamente para atingir os objetivos organizacio- nais. Conduzir processos de obtenção de consenso, objetivando resultados satisfatórios para as partes envolvidas e para a organização. Capacidade de argumentação e convencimento na venda de ideias e pontos de vista diferentes. Trabalho em equipe Criar e trabalhar grupos de pessoas que detenham habilidades e conheci- mentos diversos e complementares, propiciando, assim, a sinergia. Habi- lidade em manter os grupos traba- lhando em conjunto eficientemente, controlando participações excessivas e convidando membros silenciosos a participar, resolvendo conflitos. Quadro 5 - Os significados atribuídos às competências organizacionais Fonte: adaptado de Fleury e Fleury (2000). As competências evidenciadas no Quadro 5 são desenvolvidas pelos colabora- dores de uma organização, ou seja, classificam, também, as competências indi- viduais. Competências essas que, ao serem alinhadas às estratégias de negócio, constituem as competências essenciais da organização e revelam a sua vantagem competitiva perante a concorrência (SILVA, 2017). Sob essa perspectiva de importância das competências organizacionais, King, Fowler e Zeithaml (2002) ratificam as discussões abordadas aqui ao afirmarem que as competências são um reflexo da soma dos conhecimentos que estão pre- U N IC ES U M A R 97 sentes nas habilidades dos colaboradores e no próprio negócio, o que resulta no diferencial de uma a organizaçãodas demais e, ainda, na condução em relação à vantagem competitiva sustentável. Para Silva (2017), é muito importante preparar, adequadamente, o ambiente organizacional para o mapeamento de competências. Equipes de gestores, cola- boradores e alta cúpula da empresa precisam estar alinhados e munidos de fer- ramentas adequadas para que as competências organizacionais sejam, realmente, mapeadas. Observando as chamadas competências essenciais, estas são aquelas distintivas e percebidas pelos clientes, ou seja, decorrentes do mapeamento ade- quado das competências organizacionais e formadas a partir da combinação de: recursos da organização e competências dos indivíduos (FLEURY; FLEURY, 2004). Desta forma, evidencia-se a importância das competências individuais dos colaboradores de uma organização para a formação das competências e das estratégias organizacionais, culminando na “Dimensão de Gestão de Pessoas” da competência (SILVA, 2017). “O inventário comportamental para o mapeamento de competências é uma lista de in- dicadores de competências que traduz a conduta do comportamento ideal desejado e necessário para que a organização possa agir alinhada à missão, à visão, aos valores e à estratégia da organização” (LEME, 2005, p. 34). Ele representa uma metodologia de ma- peamento de competências que é apresentada, minuciosamente, na seguinte referência: LEME, R. Aplicação prática de gestão de pessoas: mapeamento, treinamento, seleção, ava- liação e mensuração de resultados de treinamento. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2005. Fonte: adaptado de Leme (2005). explorando Ideias Mapeamento das Competências Individuais O mapeamento das competências individuais se apresenta como um processo de coleta de informações acerca das capacidades técnicas e comportamentais das pessoas, para, assim, combiná-las com as competências exigidas pelo cargo pretendido ou ocupado, como também com as competências da organização U N ID A D E 3 98 (SILVA, 2017). Sob essa perspectiva interacional, Dutra (2001, p. 27) ratifica que “[...] o estabelecimento das competências individuais deve estar vinculado à re- flexão sobre as competências organizacionais, uma vez que há uma influência mútua entre elas”. Para Silva (2017) e Dutra (2001), ao se realizar a avaliação das competências in- dividuais mapeadas, o responsável por essa ação, geralmente, o RH, deve conhecer, claramente, os elementos estratégicos da organização, com um olhar apurado para as competências organizacionais. De acordo com Le Boterf (2003), a competência individual de um profissional pode ser descrita como a sua capacidade de “navegação” na complexidade de suas atribuições e responsabilidades, considerando, para isso, os elementos que envolvem a sua função e as imposições existentes. O processo seletivo pode ser considerado uma ferramenta de identificação e análise dos talentos “entrantes” na organização. Ou seja, trata-se de um processo de mapeamento de competências individuais dos indivíduos que são captados e triados, durante o recrutamento, por exibirem características que melhor se aproximam das competências desejadas pela organização ou, ainda, por terem sido notadas compe- tências que podem ser desenvolvidas. Para França (2009, p. 34), o processo seletivo “[...] é a escolha do(s) candidato(s) mais adequado(s) para a organização, dentre os candidatos recrutados, por meio de vários instrumentos de análise, avaliação e com- paração de dados”. Em um enfoque de competências, o profissional de RH pode se valer de duas fer- ramentas vistas como estratégicas para realizar a seleção: (1) entrevista comportamen- tal e (2) técnicas vivenciais. Por meio dessa modalidade de entrevista, torna-se possível avaliar o comportamento manifestado pelos candidatos, diante de situações descritas por eles, possibilitando, assim, um mapeamento de suas competências individuais. Segundo Rabaglio (2001), a principal finalidade da entrevista comportamental está em descobrir como um indivíduo se comportou, em uma situação específica, no seu passado e, a partir disso, prever como esse indivíduo se comportará em uma situação similar no futuro. Para isso, a referida autora estabelece que as questões rea- lizadas pelo entrevistador na entrevista comportamental devem objetivar respostas que apresentem: Contexto, Ação e Resultado. Esses três elementos constituem o CAR (Contexto, Ação e Resultado) U N IC ES U M A R 99 CONTEXTO Corresponde à descrição de uma situação de maneira compreensível. AÇÃO Corresponde às atitudes do indivíduo diante de tal contexto. RESULTADO Corresponde ao esclarecimento sobre os resultados alcançados por meio da ação, ou seja, como a história foi �nalizada. Um ponto importante sobre a técnica do CAR, de acordo com a percepção de Rabaglio (2001), é o de que o entrevistador esteja atento à identificação desses três elementos durante a realização da entrevista, ou seja, o CAR deve estar e ser completo. Para isso, é necessário haver bastante cuidado na elaboração das perguntas, pois elas precisam ser pontuais e suscitar respostas que possibilitem ao selecionador o mapeamento das competências individuais dos candidatos por meio de suas respostas. O Quadro 6 apresenta alguns tipos de perguntas que po- dem ser realizadas pelo entrevistador ao se utilizar da entrevista comportamental. 1. Descreva uma situação em seu emprego anterior em que fique clara a sua capacidade de trabalhar em equipe. Qual foi o seu papel nesse caso? 2. A capacidade de comunicação é determinante para esse cargo, então, relate uma situação que demonstre a comunicação como um diferencial de seu perfil profissional. 3. É necessário lidar com os conflitos de ideias com as lideranças. Apresenta uma situação de seu antigo trabalho em que o bom relacionamento com o líder foi determinante para o alcance de objetivos. Quadro 6 - Exemplos de perguntas para entrevista comportamental Fonte: adaptado de Silva (2017). Esses modelos de questões têm o intuito de demonstrar, caro(a) acadêmico(a), como podemos questionar os candidatos a fim de identificar os elementos supra- citados: Contexto, Ação e Resultado. Ademais, essa é uma modalidade de entrevis- ta que pode ser muito vantajosa, também, nos casos de “primeiro emprego”, pois, mesmo que o candidato não tenha experiência profissional, podem ser solicitadas situações de seu cotidiano escolar, familiar e/ou social. U N ID A D E 3 100 Corroborando as informações supracitadas sobre a entrevista comporta- mental, Leme (2007) diz que o objetivo dessa está em investigar o passado do profissional, já que o princípio dessa modalidade de entrevista tem como base o fato de que uma pessoa tem tendência de apresentar comportamentos “simila- res” ao mesmo estímulo vivenciado no passado, quando exposta no futuro. Mas, mesmo assim, essa não é uma verdade absoluta, já que as pessoas amadurecem e modificam os seus comportamentos, conforme ganham experiência e conhe- cimento. Sendo assim, a entrevista comportamental requer alguns cuidados para que os seus resultados sejam fidedignos (LEME, 2007). Tais cuidados se resumem em: ■ Analisar os comportamentos manifestados pelo candidato e compará-los com as competências requeridas pela função a ser desempenhada. ■ Perceber se as competências individuais notadas podem ser amadurecidas ou modificadas. ■ Perceber se as competências observadas nas situações apresen- tadas não se mostram específicas, somente, àquela necessidade. Diante dessas informações, ressalta Leme (2007, p. 79), que a entrevista compor- tamental com foco em competências apresenta como definição: “identificar na experiência recente do candidato evidências de comportamentos que constatem se ele possui ou não uma determinada competência”. Assim, notamos que o se- lecionador deve ter o cuidado de buscar experiências mais recentes da vida do candidato, principalmente, diante da possibilidade de mudanças de comporta- mentos apresentadas por esteao longo de suas experiências de vida e profissionais, conforme citado anteriormente. Complementando as nossas discussões, Pierry (2006) afirma, ainda, que o entre- vistador precisa se preparar previamente para a realização da entrevista. De forma que as informações importantes sejam coletadas e extraídas, sem constrangimentos ao entrevistado ou ao entrevistador, bem como aproveitadas adequadamente. Mas como deve ser o perfil do selecionador? Estamos falando da identificação de com- petências individuais de candidatos, mas quais seriam as competências essenciais ao entrevistador para a realização da entrevista comportamental? A seguir, apresentamos algumas dessas competências com base nas ideias de Banov (2011): U N IC ES U M A R 101 ■ O selecionador deve possuir conhecimento sobre os subsistemas que integram a organização, a cultura organizacional e o mercado de tra- balho bem como sobre os processos e os instrumentos que podem ser utilizados na seleção. ■ O selecionador deve ter as seguintes habilidades: descrever cargos e ma- pear competências, correlacionar o perfil do cargo com as competências dos candidatos, verificar a coerência entre o perfil do cargo e o compor- tamento individual e trabalhar em conjunto com o requisitante do cargo. ■ São atitudes pertinentes ao selecionador: adaptar práticas conforme as necessidades da organização, fazer networking com outros seleciona- dores, criar novas práticas, ser sigiloso, ser ético com a profissão, com a empresa, com os candidatos e demais pessoas envolvidas no processo seletivo. Por meio das características do selecionador apresentadas, torna-se possível iden- tificar um perfil adequado para as pessoas que realizarão o processo seletivo. E precisamos nos atentar, ainda, a elementos subjetivos da entrevista, ou seja, àque- les que se voltam mais à percepção pessoal do selecionador do que à racionalida- de, por exemplo, simpatia por um candidato ou outro. Tais elementos subjetivos podem “cegar” o selecionador no momento da decisão, tornando-se, assim, uma armadilha durante o processo. Dessa maneira, quanto mais o selecionador se amparar em técnicas e recursos que identifiquem características do candidato objetivamente, mais pertinentes serão as suas escolhas. Leme (2007) afirma que, para vencer a fragilidade da subjetividade, o entre- vistador pode se utilizar de indicadores para o direcionamento das competên- cias que precisa pesquisar durante a entrevista comportamental. Por exemplo, o selecionador deseja identificar no candidato evidências de comportamentos que constatem a competência “Criatividade”. Sob essa perspectiva, foram elencados quatro indicadores voltados à competência “Criatividade”: (1) criar estratégias que conquistem o cliente, (2) trazer soluções criativas para os problemas que pareçam difíceis, (3) buscar alternativas de procedimento para as limitações téc- nicas do produto e (4) trazer soluções quando faltarem recursos para um projeto. Ainda, para Leme (2007), os indicadores devem ser considerados para a prepa- ração das questões a serem utilizadas na entrevista comportamental. O Quadro 7, a seguir, apresenta essa relação descrita pelo referido autor. U N ID A D E 3 102 Outra forma de mapeamento das competências individuais, no processo seletivo, são as técnicas vivenciais. Segundo França (2009, p. 44), essas “[...] criam situações para os can- didatos interagirem e participarem ativamente, de forma a ser avaliado seu comporta- mento social em situações pré-selecionadas”. Dessa forma, quando utilizamos essa ferra- menta em processos seletivos, torna-se possível identificar expressões e projetá-las para comportamentos em cargos futuros. A seguir, apresentaremos três técnicas vivenciais que podem ser utilizadas em processos seletivos com enfoque em competências. 1. PROVAS SITUACIONAIS: estão relacionadas ao cargo. Por exemplo: testes de digi- tação, direção ou operação de equipamentos específicos. 2. DINÂMICA DE GRUPO: envolve os jogos, as situações estruturadas (relacionadas ou não ao cargo, ao levantamento de problemas, às discussões e às soluções de questões polêmicas) bem como a expressão de opiniões e os relacionamentos. 3. PSICODRAMA: tem, como pressuposto, a expressão da personalidade mediante um papel social atribuído, de forma que o candidato se expresse de acordo com a lingua- gem e dimensões desse papel. Exemplo: uma liderança dando feedback à sua equipe. explorando Ideias INDICADOR PERGUNTA COMPORTAMENTAL (1) Criar estratégias que conquistem o cliente. Em seu último emprego, quais estratégias você criou para conquistar os clientes? (2) Trazer soluções cria- tivas para os problemas que parecem difíceis Conte uma situação em que você trouxe soluções criativas para alguns problemas que eram difíceis de serem resolvidos. (3) Buscar alternativas de procedimento para as limitações técnicas do produto. Relate alternativas de procedimentos que você criou ou sugeriu para resolver algum problema de limitação técnica de alguns produtos da em- presa em que você trabalhou anteriormente. (4) Trazer soluções quando faltam recursos para um projeto. Cite um projeto em que você estava participando e faltaram recursos para dar continuidade a esse projeto. Quais foram as alternativas e soluções que você apresentou? Quadro 7 - Relação de indicadores e perguntas comportamentais Fonte: Leme (2007, p. 82). Notamos, a partir do Quadro 7, que, com os indicadores em mãos, o selecionador pode planejar as suas questões para a entrevista comportamental de maneira a direcionar esforços em identificar a competência “Criatividade” na resposta dos candidatos. U N IC ES U M A R 103 A avaliação com foco em competências fará uma mensuração sob medida das competências individuais dos colaboradores, relacionando-as com as compe- tências organizacionais e as de cada função identificadas anteriormente. Por meio dessa comparação, é possível visualizar o gap do colaborador em relação à função e às competências que precisam ser desenvolvidas para preenchê-lo (LEME, 2005). A partir dessa ideia, notamos que o enfoque não está na avaliação da forma como o indivíduo desenvolveu a sua tarefa e no resultado alcançado, ou seja, no seu desempenho, mas, sim, nas competências do colaborador e nas suas relações com as responsabilidades e atribuições pertencentes a ele. Sob essa perspectiva, o desempenho é percebido como um resultado do alinhamento adequado entre as competências individuais, as especificações do cargo e o atendimento às compe- tências organizacionais, conforme cada um executa a sua atividade. Assim, Leme (2005), ainda, destaca que a avaliação com foco em competências abre um leque de possibilidades em sua realização. Nesse tipo de avaliação, não é, somente, o superior que avalia o colaborador, já que mais pessoas podem contribuir com suas observações sobre o mesmo colaborador. E esse é mais um trabalho que deve ser bem estruturado. Os indicadores de competência, por exemplo, podem funcionar como norteadores da avaliação ao permitir uma observação mais direcionada. Ou seja, essa é uma metodologia de 5 A AVALIAÇÃO NA GESTÃO de Competências U N ID A D E 3 104 avaliação com foco e objetivos definidos, fugindo, assim, da visão generalista de ava- liações mais tradicionais (LEME, 2005). E como realizar a avaliação? Leme (2005) apresenta quatro tipos de avaliações por competências que podem ser realizadas: 1. Autoavaliação: o avaliado faz a sua própria avaliação. 2. Avaliação superior: somente o superior imediato avalia o subordinado. 3. Ava- liação conjunta: o superior imediato avalia o subordinado e este, também, faz a sua autoavaliação, conhecida também como 180º. 4. Avaliação de múltiplas fontes: várias pessoas, como superiores, pa- res de trabalho, clientes e fornecedores, respondem à avaliação de um mesmo avaliado. Essa avaliação é conhecida também como 360º. Essas modalidades de avaliação, também, podem ter o foco no desempenhodo trabalho de uma pessoa. Contudo Leme (2005) destaca a sua utilização com o foco em competências, de maneira que seja possível chegar a um cenário livre de distorções ou, até mesmo, discriminações que uma única fonte pode gerar. Mas quais são as contribuições da avaliação com foco em competências? Notamos, caro(a) acadêmico(a), que, ao realizar esse tipo de avaliação, a organização tem um levantamento apurado das competências de seus colaboradores, ou seja, o mapeamento realizado, que viemos tratando ao longo de nossas discussões. Em posse desse mapeamento, os gestores organizacionais podem construir o seu “ban- co de talentos” e, assim, elencar todas as competências existentes na organização. Esse banco de talentos pode contribuir para o desenvolvimento do plano de carreira na organização, planejamento de quadros de substituição, como também servir de subsídio para os processos de capacitação de pessoas. Ademais, com o mapeamento das competências individuais por meio da avaliação com enfoque em competências, o RH, junto aos demais gestores organizacionais, inclusive os da alta cúpula, pode aferir a proximidade ou o afastamento das competências existentes com as competências da organização. E, assim, contribuir para o desen- volvimento do planejamento estratégico organizacional e planejamento de RH. Leme (2005) corrobora essa afirmação ao dizer que a definição e a análise do nível de competências do colaborador deverão mensurar: (1) o nível de com- petências para a função e (2) o nível de competências para a organização. Tais pontos precisam ser identificados justamente para contribuir para o destino da organização e do plano de desenvolvimento que será adotado com o avaliado. U N IC ES U M A R 105 Fernandes e Hipólito (2012) reiteram, ainda, que, utilizando o conceito de com- petência, é necessário definir quais serão os parâmetros considerados para que a avaliação possa subsidiar a tomada de decisão em Gestão de Pessoas. Para isso, esses autores descrevem que as avaliações podem se centrar em: conhecimentos, habilidades e atitudes; metas e objetivos; desenvolvimento do profissional; e análise do perfil e do potencial. Vejamos as características principais de cada uma delas. a) Conhecimentos, habilidades e atitudes: apoia-se na listagem e na des- crição desses elementos exigidos dos profissionais e que, se manifestados, dariam sustentação a um padrão diferenciado de performance no exer- cício de sua atividade. b) Metas e objetivos: para medir a agregação de valor, são estipuladas metas às pessoas, alinhando-as com suas necessidades principais, fazendo uso de indicadores que permitam mensurar o desempenho e, principalmente, identificar as competências individuais manifestadas. c) Desenvolvimento do profissional: está ligado ao conceito de complexi- dade estudado anteriormente, ou seja, a evolução profissional do indiví- duo vai sendo avaliada e, na medida em que ela aumenta, a complexidade de sua atividade também aumenta. Nesse contexto, a sua capacidade de entrega deve ser percebida para identificar as competências manifestadas. d) Análise do perfil e do potencial: instrumentos voltados a identificar traços e características que, quando trabalhados adequadamente, permi- tem a harmonia entre o profissional e sua atuação na empresa, geralmente testes psicológicos. São dimensões de análise que, apesar de revelarem mais aptidões do que competências, podem sinalizar para a predisposição ao exercício de algumas competências. A partir desses aspectos apresentados, notamos que o processo de avaliação com enfoque em competências apresenta uma diversidade de elementos e formas de operacionalização. O mais importante é que haja planejamento e, principalmen- te, objetivos bem delimitados que orientem a execução desse processo. Nesse ínterim, profissionais capacitados e conhecedores do negócio da empresa são primordiais para que ambas as partes (pessoas e organização), ao final, sejam beneficiadas e tenham as suas expectativas atendidas. Assim, Fernandes e Hi- U N ID A D E 3 106 pólito (2012) destacam que os instrumentos de avaliação acabam por propiciar aos gestores organizacionais a possibilidade de análise estruturada sobre as ca- racterísticas e contribuições profissionais das pessoas alocadas em suas equipes e, assim, sustentar a tomada de decisão a respeito dos principais processos de RH e a sua operacionalização. São exemplos de competências individuais mapeadas no processo de ava- liação: capacidade de trabalhar em equipe, capacidade de rápida aprendiza- gem, criatividade, visão holística, capacidade de inovação, perfil empreen- dedor, autocontrole emocional, proatividade, domínio de conhecimentos técnicos associados ao cargo ou à função, iniciativa, resiliência, flexibili- dade a novas situações, comprometimento, comunicação, entre outras. Fleury e Fleury (2000), quando falam em avaliação e identificação de competên- cias individuais, afirmam que estas podem ser categorizadas em três grandes blo- cos que envolvem a relação do indivíduo com todo o contexto organizacional. Os três blocos citados pelos autores são os mesmos apresentados no Quadro 4, onde abordam as competências organizacionais, está lembrado(a)? São as Competên- cias de Negócio, Competências Técnico-Profissionais e Competências Sociais. Ao analisar as competências apresentadas no Quadro 4, percebe-se que elas podem ser identificadas sempre que o mapeamento for realizado, seja na avalia- ção dos colaboradores ou, ainda, no processo seletivo. O importante é que tais competências individuais sejam analisadas, considerando, para isso, as compe- tências organizacionais, conforme tratamos anteriormente. Notamos, assim, que a avaliação, sob o enfoque de competências, tem caráter subjetivo, pois considera elementos comportamentais e habilidades implícitas dos indivíduos. Porém, mesmo assim, a objetividade desse tipo de avaliação é clara, já que o intuito maior está em aproximar as competências individuais das competências organizacionais e, dessa maneira, pessoas e organização. O mais importante, caro(a) aluno(a), é que sejam utilizados procedimentos adequados para a sua realização, sejam formulários próprios, entrevistas e/ou obser- vação. Quando tais procedimentos estiverem adequados ao contexto no qual estão sendo aplicados, a possibilidade de acerto e sucesso se torna, infinitamente, maior. U N IC ES U M A R 107 Avaliação das Competências Organizacionais Como já observamos, o desenvolvimento de competências organizacionais afeta o desempenho da organização. Dessa forma, pesquisadores da área demonstram a necessidade de mensurar a performance organizacional e, assim, o Balanced Scorecard (BSC) torna-se uma ferramenta bastante utilizada. Apresentado como um método de avaliação da performance organizacional, o Balanced Scorecard (BSC) foi proposto, na década de 90, pelos professores Robert S. Kaplan e David P. Norton, da Harvard Business School. O objetivo dos seus idealiza- dores foi demonstrar uma forma de monitoramento das atividades da empresa no que diz respeito ao alcance da estratégia empresarial (KAPLAN; NORTON, 2004). A proposta, a partir do BSC, é que as organizações monitorem, constante- mente, o seu desempenho, considerando, para isso, quatro perspectivas: finan- ceira, clientes, processos internos e aprendizagem. Essas perspectivas do BSC são apresentadas a seguir, na Figura 2. Aprendizado e crescimento: disponibilidade para a mudança organizacional, inovação e crescimento. Processos internos: estratégias de negócios voltadas à satisfação para os clientes e acionistas. Financeira: estratégia de conhecimento, realidade e risco. Objetivos e estratégia da empresa Cliente: criação de valor e diferenciação sobre a perspectiva do cliente. Figura 2 - Perspectivas do BSC Fonte: adaptada de Kaplan e Norton (2004). Ao analisar a Figura 2, notamos que o BSC é uma ferramenta de avaliação conjunta,pois direciona para o uso de ferramentas de medição (indicadores) no intuito de cumprir com a missão e atingir os objetivos organizacionais. As quatro perspectivas U N ID A D E 3 108 apresentadas permitem aos executivos um panorama da situação atual da organiza- ção, por intermédio de instrumentos de avaliação específicos para cada uma delas. Exemplificando, em uma perspectiva de Recursos Humanos (RH), o BSC permi- te a integração das ferramentas de Gestão de Pessoas com os seus objetivos de longo prazo. Para isso, devem ser considerados indicadores quantitativos que avaliem as questões voltadas à Gestão de Pessoas e que causem impacto no comportamento dos funcionários (FRANÇA, 2009; MASCARENHAS, 2008). Alguns instrumentos de avaliação que podem ser utilizados são: pesquisa de clima organizacional, avaliação de programas de capacitação, avaliação da eficácia do recrutamento e seleção etc. O mais importante aqui, caro(a) acadêmico(a), é que as ferramentas de avaliação sejam implementadas de forma a verificar o alinhamento adequado dessas ações com a estratégia da organização. Assim, o BSC representa uma ferramenta de avaliação constante, que fornece subsídios e alinhamento de informações para a determinação das competências organizacionais. Asseveram Kaplan e Norton (2004) que, a partir do momento que os resultados desejados pela empresa estão articulados com os vetores (meios), torna-se possível ter maior foco nas atividades e canalizar habilidades e conhecimentos específicos dos membros da organização para o alcance de objetivos a longo prazo. Cabe, ainda, ressaltar a análise de Fernandes, Fleury e Mills (2006), ao relacionarem o BSC com as competências organizacionais. Para esses autores, as competências organizacionais são percebidas no desempenho, que é manifestado por meio dos indicadores escolhi- dos para avaliar as perspectivas do BSC supracitadas. Ademais, os resultados dessas avaliações oferecem subsídios que servem de sustentação para o desenvolvimento de novas competências organizacionais que tragam valor ao negócio, difíceis de serem copiadas pela concorrência, e que proporcionem vantagem competitiva sustentável. As organizações desenvolvem novas competências, inovam competências ante- riores ou, então, abdicam daquelas que não se mostram mais importantes, de acordo com o cenário em que estão inseridas. Já as pessoas, pelos próprios processos de RH e, também, influenciadas pelo ambiente que as cerca, desenvolvem novas competên- cias e/ou aprimoram competências anteriores. Assim, caro(a) acadêmico(a), quando falamos em Gestão de Pessoas com enfoque em competências, vimo-nos em um processo dinâmico e evolutivo, no qual o(a) gestor(a) de RH tem papel fundamen- tal, contribuindo para o processo de mudança organizacional e desenvolvimento individual. E, ao utilizar a abordagem por competências, a Gestão de Pessoas fica mais alinhada com expectativas e necessidades das organizações e dos indivíduos, acarretando ganhos para ambas as partes (DUTRA, 2001). U N IC ES U M A R 109 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), chegamos ao final de nossa terceira unidade de estudo e, nela, vimos que a avaliação de desempenho é uma importante etapa do processo, porém, para que haja, verdadeiramente, a gestão do desempenho, é necessária a intervenção efetiva sobre os resultados, estimulando e alimentando o processo, por meio da busca pela melhoria dos resultados apresentados, de forma a criar, assim, um ciclo de planejamento, a tomada de decisão em conjunto, o acompa- nhamento, a avaliação dos resultados e, por fim, a realimentação do processo. De forma bastante clara e objetiva, apresentamos os aspectos históricos da avaliação de desempenho e os objetivos da avaliação e da gestão de desempenho, entre eles, podemos destacar o oferecimento de feedback aos funcionários, a indi- cação dos pontos fortes e fracos do seu desempenho e a sugestão de mudanças no comportamento, atitudes e conhecimento. Lembrando a existência dos objetivos administrativos e os objetivos de desenvolvimento que geram informações e auxiliam na tomada de decisão em relação à gestão de pessoas. Ainda, foi possível compreender as limitações que o processo de avaliação do desempenho pode apresentar e, também, os equívocos cometidos durante a operacionalização do processo de gestão do desempenho. Chamo a atenção sobre a importância de adotar uma política baseada na transparência, para que os envolvidos possam conscientizar-se sobre a importância e os objetivos do programa bem como sobre os investimentos a serem realizados junto aos avalia- dores, para que estejam, devidamente, preparados para lidarem com a avaliação, minimizando os efeitos das limitações e equívocos apresentados. Encerramos esta unidade evidenciando a diferença entre a gestão do desem- penho e a gestão de competências e, ainda, apresentamos como pode ser dar a avaliação dentro deste modelo de gestão. O desempenho sempre será resultado das competências aplicadas; desta forma, compreender e saber utilizar, em con- junto, esses modelos de gestão pode garantir uma performance que apresente resultados surpreendentes. Deste modo, finalizamos nossa terceira unidade e espero que esteja tendo uma boa aprendizagem. Bom estudo! 110 na prática 1. A gestão do desempenho deve integrar um conjunto de ações para alinhar as ex- pectativas das pessoas, em relação à empresa, e o atendimento das necessidades da empresa por meio do desempenho das pessoas. Assim, o processo de gestão e avaliação de desempenho apresenta vantagens para a empresa e para seus cola- boradores. Sobre estas vantagens, analise as afirmativas a seguir. I - Proporciona conhecer a percepção da chefia que conduz e aconselha os seus liderados a respeito de seu desempenho por meio do feedback. II - Permite, por meio do preenchimento do relatório final, promover colaboradores, fazer transferências e realizar aumento salarial e demissões. III - Deve estar orientada para o passado para servir de base de informação para que a próxima avaliação possa ser comparativa para cada colaborador. IV - Proporciona ao subordinado ter a oportunidade de discutir com sua chefia o desempenho e os padrões de desempenho para que possa se desenvolver. É correto o que se afirma em: a) I, II e III. b) I, II e IV. c) II, III e IV. d) I e III. e) I, II, III e IV. 2. Chiavenato (2004) define a avaliação de desempenho como sendo uma apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa no cargo em que ocupa, do seu poten- cial de desenvolvimento e das metas e resultados a serem alcançados. Considerando a avaliação de desempenho, analise as afirmativas sobre o que deve ser avaliado. I - Os resultados alcançados, as metas e os respectivos indicadores definidos, an- tecipadamente, e relacionados com qualidade e quantidade, prazo e custo. II - O conhecimento das pessoas sobre as atribuições de seu cargo. III - O caráter da pessoa, a integridade e os valores dentro e fora da organização. IV - As responsabilidades conforme seu cargo na organização. É correto o que se afirma em: 111 na prática a) I, II e III. b) I, II e IV. c) II, III e IV. d) I e III. e) I, II, III e IV. 3. Vimos, nesta unidade, que a avaliação de desempenho é um instrumento gerencial que permite ao gestor mensurar os resultados obtidos por um colaborador ou um grupo em período e áreas específicos. O uso deste instrumento traz inúmeras vantagens para a organização, no entanto evidencia-se que podem surgir alguns equívocos. Conside- rando tais equívocos, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa apropriada. a) Definição inadequada dos objetivos e um despreparo gerencial para administrar as pessoas. b) Comprometimento exagerado da alta administração e gerentes dedicados. c) Vários retornos dos resultados ao avaliado, ocorrendo periodicamente, e um grande desempenho do avaliado. d) Durante o processo de avaliação, avaliados comprometidos e episódios de flexi- bilidade noprocesso de avaliação. e) Os resultados da avaliação de desempenho servirem como auxílio de informa- ções para as subáreas de treinamento e desenvolvimento e seleção de pessoal. 4. A gestão do desempenho surge, nos últimos anos, como um conceito alternativo às técnicas tradicionais e, quando bem utilizada, constata-se que ela transforma as empresas. Sobre essa gestão, é possível afirmar que: a) A gestão de desempenho deve ser um processo permanente, estático e de ava- liação para o conhecimento do passado do colaborador e deve apresentar as expectativas de seu presente. b) A gestão de desempenho é um processo simples, uma vez que avalia o desem- penho das pessoas e cobra dos seus participantes habilidades e capacidades necessárias para o seu cargo; caso contrário, são desligados. c) A gestão de desempenho possui maior chance de sucesso quando ocorre um ciclo integrado onde o colaborador sabe o que a empresa espera dele e o que apresenta a sua contribuição. 112 na prática d) A gestão de desempenho não pode ser confundida com a gestão por objetivos, pois esta última trabalha, especialmente, para a empresa, não tendo, como foco principal, as pessoas. e) Para que a gestão de desempenho tenha sucesso, deve-se seguir uma sequên- cia, onde cada área é abordada separadamente para que ocorram mudanças necessárias e, quando esta parte finalizar, começa-se com outra área. 5. Bohlander (2003) descreve que a organização possui a área de Recursos Humanos, pois ela se tornou estratégica na contemporaneidade diante de diversos fatores externos, como globalização, alta competitividade, mudanças tecnológicas, crise econômica e política, mostrando que o diferencial das organizações passou a ser o seu talento humano e, assim, tornou-se fundamental o uso da ferramenta da ava- liação de desempenho. A respeito de tal avaliação, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta. a) A avaliação de desempenho é um instrumento do Gestor de Recursos Humanos, pois é ele quem irá avaliar todas as pessoas envolvidas, sendo o maior respon- sável pelo sucesso ou fracasso de sua utilização. b) A avaliação de desempenho é uma verificação informal e flexível dos resultados obtidos, evitando-se criar normas e procedimentos de avaliação, uma vez que o colaborador necessita de liberdade para produzir melhor. c) A avaliação de desempenho deve trabalhar com os dados passados e ser orien- tada para o presente, sendo uma apreciação parcial do desempenho de cada pessoa no cargo que ocupa. d) A avaliação de desempenho é considerada um instrumento da gerência, pois ela possibilita mensurar os resultados de um trabalhador ou um grupo em áreas específicas e em determinado período. e) A avaliação de desempenho é um instrumento que pode ser utilizado pelo ge- rente ou gestor de recursos humanos, sendo realizado, no final de seu prazo, com o preenchimento de um relatório. 113 aprimore-se METODOLOGIA DE IMPLANTAÇÃO DO MODELO DE COMPETÊNCIAS Quando falamos em metodologia para executar algo, trata-se de identificar quais devem ser as etapas seguidas e as ferramentas empregadas para se alcançar o ob- jetivo esperado. O nosso objetivo, aqui, é saber como implantar um modelo de com- petências na organização, então, para isso, basear-nos-emos na metodologia de Gramigna (2007), que é constituída de cinco blocos, sendo: Bloco 1: Sensibilização; Bloco 2: Definição de perfis; Bloco 3: Avaliação de potencial e formação de banco de talentos; Bloco 4: Capacitação; e Bloco 5: Gestão de desempenho. Gramigna (2007) destaca que os blocos representam maneiras de intervenção no ambiente organizacional e que se sucedem de forma simultânea ou passo a pas- so; e isso dependerá dos elementos que forem surgindo no ambiente, da realidade organizacional e, também, do responsável por seu desenvolvimento. No bloco de Sensibilização, são realizadas atividades que promovem o envolvi- mento e a adesão de “pessoas-chave” da administração da empresa e dos postos de trabalho. O intuito dessa etapa é buscar comprometimento das lideranças organiza- cionais. De acordo com Gramigna (2007), a sensibilização pode acontecer de formas variadas, conforme segue: ■ Reuniões de apresentação e discussão do modelo para prováveis adaptações à cultura da empresa. ■ Fóruns de discussão sobre o assunto. ■ Seminários para gestores e formadores de opinião. ■ Convite para participação de palestras e cursos externos que tratem do tema. ■ Uso de veículos internos de comunicação, como jornais, boletins, revistas etc. O mais importante na sensibilização é eliminar possíveis pré-conceitos que ve- nham a se estabelecer sobre o modelo de competências que será implantado. Ao passar por esse bloco, as pessoas da empresa se tornam menos resistentes à mudança e, assim, aceitam melhor as novas práticas que serão implantadas. 114 aprimore-se No segundo bloco, a Definição de perfis é a fase de elaboração da matriz de com- petências. Para Gramigna (2007), essa etapa exige alto comprometimento e partici- pação daqueles colaboradores que tenham informações essenciais da organização. No terceiro bloco, é realizada a Avaliação de potencial e formação do banco de talentos, ou seja, refere-se à fase de mapeamento das competências individuais. De acordo com Gramigna (2007), esse bloco prevê entrevistas, diagnósticos e semi- nários de identificação de potenciais, que resultam no Banco de Identificação de Talentos (BIT). O quarto bloco corresponde à fase de Capacitação, ou seja, como a filosofia do modelo de competências se ancora na crença do potencial ilimitado de desenvolvimento do indivíduo, é possível distribuir as pessoas em grupos distintos, de acordo com o seu potencial. Depois dessa distribuição, torna-se possível planejar o treinamento e o desenvolvimento dessa pessoa. Por meio da abordagem utilizada pela autora para a classificação de talentos, é possível definir e/ou alinhar as estratégias de capacitação a serem utilizadas, par- tindo da premissa de que cada grupo de pessoas exige intervenções com objetivos diferentes. Ou seja, sabendo quem são os talentos da empresa, em termos de po- tencial e desempenho, é possível implantar programas de capacitação específicos de acordo com as suas necessidades. Destacamos, ainda, caro(a) acadêmico(a), que essa distribuição deve considerar as competências organizacionais (existentes e al- mejadas), para que as capacitações realizadas voltem-se, também, a atendê-las. O quinto e último bloco trata da Gestão do Desempenho, ou seja, depois de mapear e definir perfis, verificar performances, montar o banco de identificação de talentos e capacitar, é chegada a hora de avaliar os resultados (GRAMIGNA, 2007). Para isso, o foco dessa etapa está em avaliar o desempenho das pessoas que fazem parte da organização. Fonte: adaptado de Gramigna (2007). 115 eu recomendo! Ferramentas de avaliação de performance com foco em competências Autor: Maria Odete Rabaglio Editora: Qualitymark Sinopse: a obra tem por objetivo preparar profissionais de Ges- tão na tarefa de avaliar pessoas, ética e, imparcialmente, focando o crescimento, o desenvolvimento e o aperfeiçoamento das mes- mas. Trata-se de uma ferramenta de desenvolvimento de pessoas que oferece uma contribuição neste processo, de forma a focar as competências, trunfo que pode ser usado em todo tipo de empresa, de qualquer segmento e por qualquer gestor de equipes. Todas as ferramentas apresentadas nesta obra são flexíveis e podem ser adaptadas para necessidades específicas da equipe. Tal contribuição pretende ajudar no crescimento de criação de empresas, que serão aproveitadas por outras pessoas. livro Gestão de Pessoas nas Organizações: práticas atuais sobre o RH Estratégico Autor: Ugo Franco Barbieri Editora: Atlas Sinopse: este livro busca mostrar que a Gestão de Pessoas nas or- ganizações, num mundo de mudanças contínuas, pode contribuir para a estratégia e a transformaçãode uma organização. Pode, também, ajudar no aperfeiçoamento das lideranças, na execução de uma mudan- ça em forma planejada (Change Management) e na geração da criatividade e da inovação, viabilizando novos produtos e serviços, mais rentáveis e competitivos. O texto foca mais as explicações do comportamento humano, mais profundo, dos líderes, que impactam na performance das organizações, dando, adicionalmente, algumas outras teorias sobre a liderança na empresa. livro 116 eu recomendo! Aplicação Prática de Gestão de Pessoas por Competências Autor: Rogerio Leme Editora: Qualitymark Sinopse: é uma obra que apresenta, com o auxílio de indicado- res, como implantar e conduzir uma metodologia de gestão de pessoas por competências, sem precisar ser especialista ou ter experiência na área. O autor apresenta este livro como um guia para Gestores de Pessoas e de Recursos Humanos em relação à Gestão por Com- petências. Apresenta uma metodologia simples, o Inventário Comportamental para Mapeamento de Competências, com suas ferramentas práticas e possíveis de serem implantadas. livro O Hobbit, uma jornada inesperada Ano: 2012 Sinopse: como a maioria dos hobbits, Bilbo Bolseiro leva uma vida tranquila até o dia em que recebe uma missão do mago Gandalf. Acompanhado por um grupo de anões, ele parte numa jornada até a Montanha Solitária para libertar o Reino de Erebor do dragão Smaug. Comentário: ao longo do filme, observe que a busca por formar um grupo que viabilize o sucesso da missão contempla inúmeras pessoas diferen- tes com características e “poderes” diferentes, saber conviver com as diferenças e entender que isso gera mais poder para o grupo é essencial para que se atinja o objetivo. filme 117 eu recomendo! “Gestão de Competências e Gestão de Desempenho: tecnologias dis- tintas ou instrumentos de um mesmo construto?” Este artigo discute até que ponto a gestão de competências e a gestão de desempenho constituem tecnologias gerenciais distintas ou partes interdependentes de um mesmo construto. conecte-se O vídeo apresenta as características da Avaliação de Desempenho por Competências, sendo uma ferramenta de gestão organizacional com foco no aumento da performance dos profissionais e na retenção de talentos. Ela é uma análise sistemática do desempenho de cada um dos profissionais de uma empresa e leva em conta as tarefas que ele executa; as atitudes que são esperadas; e os resultados que ele deve alcançar, além do seu potencial de desenvolvimento. conecte-se https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9018 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8897 4 IMPLANTANDO O PROCESSO DE Gestão do Desempenho PROFESSORES Me. Angela Ferreira de Lima Pizzaia Me. Luciano Santana Pereira Me. Renata Emy Koyama PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: Análise organizacional • Metodolo- gia para implantação do processo de gestão do desempenho • Orientação metodológica para gestão do desempenho • Elaboração do formulário para registro das etapas do processo • O avaliador e os métodos para a avaliação do desempenho. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Entender os perfis predominantes de empresas • Descrever a metodologia para a gestão de desempe- nho • Relatar sobre a importância da orientação metodológica • Apresentar os métodos de avaliação de desempenho • Explicar a dinâmica de quem deve avaliar quem e refletir sobre a importância da qualificação de quem atua como avaliador.. INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Espero que você esteja aproveitando o conteúdo trabalhado até aqui, pois, a partir desta unidade de estudo, avançaremos em nossa jornada de aprendizado. Ao longo desta unidade, teremos a oportu- nidade de conhecer, com maiores detalhes, todo o processo de implantação da gestão de desempenho e a importância do estabelecimento da visão geral desse processo. Além disso, veremos os principais perfis de empresas e, também, um modelo a ser adotado como metodologia na implantação da gestão do desempenho. É de suma importância que, antes de qualquer iniciativa para a implantação do processo de avaliação e gestão de desempenho, faça-se o levantamen- to das principais características da cultura organizacional e, também, do perfil das pessoas que estarão envolvidas, pois, somente, após conhecer, com clareza, essas questões, deve-se construir uma metodologia para a implantação. No decorrer desta unidade, abordaremos a metodologia para implantação da gestão de desempenho, a importância da elaboração da orientação metodológica e os diversos métodos de avaliação relacionados aos objetivos técnicos operacionais. Finalizando esta unidade, faça uma reflexão sobre o despreparo gerencial para lidar com pessoas, exigindo forte investimento na capacitação dos avaliadores. Ao chegar no final desta unidade, esperamos que tenha maior clareza quanto à importância de se adotar uma metodologia para a gestão do desempenho. Bom aprendizado! U N ID A D E 4 120 1 ANÁLISE ORGANIZACIONAL Comprometimento é a palavra-chave para qualquer processo de mudança. A administração das organizações necessita promover a qualidade, viabilizando a motivação dos trabalhadores e visando à conservação dos propósitos organi- zacionais. Para que as estratégias sejam alcançadas de forma sustentável, é ne- cessário que as ações estejam embasadas em metodologias que conduzam ao atendimento dos objetivos. Antes de estabelecer as estratégias para a implantação do processo de gestão do desempenho, é necessário que se faça a análise organizacional, identificando pontos favoráveis, pontos desfavoráveis bem como traços da cultura organizacio- nal que possam contribuir ou interferir no processo de implantação da Gestão de Desempenho. Obter, com antecedência, tais informações é de vital importância para a tomada de decisão quanto às estratégias e aos caminhos a serem percorri- dos nessa jornada, pois tais decisões podem influenciar positiva ou negativamen- te, comprometendo o sucesso do programa de gestão do desempenho. Estabelecendo a Visão Geral Estabelecer uma visão geral sobre o processo da gestão do desempenho refere-se ao re- conhecimento da organização como sistema social integrado, que estabelece relações com seu ambiente interno e externo, e à forma com que essas relações acontecem e U N IC ES U M A R 121 caracterizam a cultura organizacional. Ao analisar as particularidades da cultura orga- nizacional, deve-se considerar os aspectos positivos e negativos que possam impactar na implantação do processo, tais como: valores predominantes, estilo de liderança, tipos de relacionamentos, lideranças informais, comprometimento com qualidade e resultado etc. Embora identificada como sistema social, sujeita a transformações, inova- ções e mudanças, a cultura organizacional administrativa projeta uma identi- dade própria que tende a consolidar-se, gerando uma força reativa às interfe- rências que possam ameaçar sua dinâmica já estabelecida, ou alterar seu status quo vigente. Para muitas empresas, mudar os padrões operacionais já estabe- lecidos é um grande desafio. Naturalmente, ao decidir implantar o processo de gestão do desempenho, se a organização tiver as informações disponíveis, obviamente, terá a possibilidade de estabelecer uma estratégia mais assertiva (LUCENA, 2004). Perceba que a gestão de desempenho apresenta um foco bastante definido quanto a sua apuração de resultados, uma vez que a organização não apresenta características culturais que possam favorecer a transparência nas relações profissionais. Certamente, todo o resultado do processo e, também, da empresa se encontrará em risco por não atender às expectativas. Esse fato fica evidente na fala de Lucena (2004), quando menciona que: “ É fundamental alertar que a utilização do processo expõe as pessoas do ponto de vista administrativo profissional. A transparência das decisões tomadas, do comprometimento com resultados assumidos e a constatação do desempenhorealmente apresentado são maneiras de operar, são práticas de trabalho não muito comuns nem frequentes no dia a dia das empresas, pelo contrário, o que se observa é o jogo de esconde-esconde, das justificativas vazias e obscuras e do paternalismo inconsequente (LUCENA, 2004, p. 72). A referida autora, ainda, menciona que as percepções decorrentes deste traço cultural conduzem a interpretações que confundem a atitude profissional na busca de soluções de problemas, como: perseguição, análise demasiadamente detalhada com a finalidade de prejudicar o avaliado; omissão de informações sobre o despreparo e a qualificação do avaliado; e um ambiente artificial e falso, em que todos são enganados por todos, embora todos conheçam a verdade (LUCENA, 2004). U N ID A D E 4 122 Quando não existe o correto alinhamento entre a cultura organizacional, os métodos a serem utilizados e as pessoas envolvidas, o resultado de todo o processo de gestão de desempenho pode ser muito negativo, gerando ambiente de trabalho carregado e tóxico, relações interpessoais superficiais e baseadas na insegurança e baixo nível de compro- metimento mediante à sensação de que os indivíduos estão sendo prejudicados, enfim, cria-se um verdadeiro clima de “me engana que eu gosto”! pensando juntos Utilizando das ideias de Lucena (2004), as situações mencionadas reforçam a importância de diagnosticar, com cuidado, o ambiente organizacional e as carac- terísticas relevantes de sua cultura, uma vez que as variáveis mais significativas que responderão pelo sucesso do processo de gestão do desempenho estão fora do controle da área de Recursos Humanos. Dessa forma, é indispensável identificá-las corretamente, tendo em vista dimensionar os riscos, confrontar alternativas, criar estratégias para agir proativamente e assegurar o êxito de sua operacionalização. Perfis Predominantes de Empresas Como observamos no subtópico anterior (1.1 Estabelecendo a Visão Geral), é imprescindível que se faça o levantamento do perfil da empresa, antes de qualquer iniciativa, para implantar a gestão de desempenho. O diagnóstico pode se iniciar com o levantamento do perfil real da organização, cujos resultados configuram um determinado modelo de empresa, estampando, com clareza, sua forma de decidir e agir, seus valores, gestão de pessoas e foco em resultados. Podemos observar três modelos predominantes quanto ao perfil empresarial; segundo Lucena (2004), cada modelo exerce impactos diferentes no processo de gestão do desempenho, sendo: empresas tradicionais, empresas que estão buscando a modernização e empresas avançadas. ■ Empresas tradicionais: podem ser identificadas pela forte presença de indicadores considerados inadequados às demandas do mundo moderno, como: autoritarismo, centralização, paternalismo, dependência, comodis- mo, hierarquia rígida e gestão burocrática. Nessas organizações, é ausente qualquer política ou incentivo voltado à gestão de pessoas, gerando par- U N IC ES U M A R 123 ticipação reprimida, baixa competência profissional bem como política salarial obsoleta e não competitiva. Sem disponibilizar qualquer bene- fício ou possibilidade de desenvolvimento, essas empresas são marcadas pelo alto índice de rotatividade de pessoal (LUCENA, 2004). ■ Empresas que estão buscando a modernização: essas empresas vivem a mudança do modelo tradicional para o avançado, e esse tipo de orga- nização enfrenta conflitos, resistências e dificuldades para programar as mudanças. Seu ritmo de modernização é desnivelado, o que as obriga a conviver ora com o arcaico, ora com o novo, onde passado e presente se confundem, levando a uma convivência desgastante e, ao mesmo tempo, desafiadora. Essas empresas oferecem grandes possibilidades de cresci- mento profissional, pois “as coisas estão por fazer”. Um aspecto muito positivo nessas organizações é que elas demonstram a predisposição em mudar, muitas vezes, de forma desordenada, mas, quando bem assessora- das e compostas por pessoas que dividam o mesmo objetivo, certamente, poderão chegar ao estágio de empresas avançadas (LUCENA, 2004). ■ Empresas avançadas: essas empresas são abertas à inovação e às mu- danças do ambiente, do mercado e da organização do trabalho. São de- pendentes de pessoal motivado e, altamente, qualificado. Nessas empresas, as políticas de gestão de pessoas reconhecem a importância da força de trabalho para o sucesso do negócio. O estilo de liderança e a qualidade dos relacionamentos são elevados, pois estão integrados ao espírito e à filosofia da empresa. São empresas avançadas quanto aos processos de acompanhamento de resultados, uma vez que elas atuam e são orientadas pelo mercado e, assim, integram a gestão do desempenho e a gestão do negócio (LUCENA, 2004). Decisão para Implantar o Processo de Gestão de Desempenho Outra questão importante a ser observada e que pode comprometer o processo de gestão do desempenho é de onde surge a decisão para tal iniciativa. Na for- mulação de estratégias para implantação da gestão do desempenho, é importante considerar de onde surge a iniciativa, ou seja, de onde parte a resolução para dotar a empresa de um programa de gestão do desempenho. U N ID A D E 4 124 Segundo Lucena (2004), as iniciativas, basicamente, poderão partir dos seguintes pontos: alta administração, área de recursos humanos, gerência ou colaboradores. Cada um dos pontos de decisão implica diferentes estratégias de atuação tanto no nível dos objetivos, da venda da ideia sobre o processo e das facilidades ou dificuldades a serem encontradas quanto no nível de comprometimento com os resultados do processo (LUCENA, 2004). ■ Iniciativa da Alta Administração: pode ser entendida como iniciativa tomada pelo seu presidente ou diretoria. É, cada vez mais, comum a alta administração se interessar pelo processo de gestão do desempenho como ferramenta gerencial para definição, medição de resultados e produtivida- de da empresa. A decisão tomada nesse nível indica vantagens, como: po- sicionamento do processo como objetivo da empresa; apoio e aprovação da alta administração; facilita a conscientização nos demais níveis; e área responsável ganha força nas ações. No entanto alguns problemas poderão surgir, como: o programa se tornar uma obrigação a ser cumprida, por se tratar de uma “ordem de cima”, e dificuldade para perceber os grupos de colisões ou resistência, criando sentimento do tipo: “a diretoria quer, temos que fazer. Sem dúvida, a aprovação e o comprometimento da alta administração são importantes, pois será impossível implantar a gestão de desempenho sem essa aprovação (LUCENA, 2004). ■ Iniciativa da Área de Recursos Humanos: na maioria das organizações, a iniciativa para desenvolver o projeto de gestão do desempenho é da área de RH, o que não é nenhuma surpresa, pois essa área tem a respon- sabilidade de criar políticas, programas e ferramentas gerenciais para a gestão de pessoas. É recomendável considerar algumas peculiaridades dessa área no contexto da empresa, como: o grau de credibilidade da área de recursos humanos na empresa, o posicionamento na estrutura organizacional, o nível de influência e relacionamento com os demais setores, a participação nas decisões estratégicas e o nível de capacitação do setor (LUCENA, 2004). ■ Iniciativa da Gerência: geralmente, reflete a preocupação da gerência em acompanhar o desempenho dos colaboradores a fim de definir cri- U N IC ES U M A R 125 térios para tomada de decisão sobre as pessoas. Perceba que a iniciativa, partindo da gerência, pode significar omissão da área de RH, que não foi capaz de reconhecer e de se antecipar as expectativas da organização (LUCENA, 2004). ■ Iniciativa do Colaborador: o interesse, o desejo pelo processo, reflete as mesmas expectativas das gerências, isto é, gostariam que a empresa utili- zasse critérios mais objetivos e transparentes para avaliar e mensurar seus esforços e atuação no trabalho,principalmente, em relação ao futuro e à carreira profissional. Infelizmente, os colaboradores não dispõem de poder de influência para tornar realidade suas expectativas (LUCENA, 2004). Cada um dos pontos de decisão citados implicará estratégias diferentes de atuação e nível dos objetivos, da venda do processo, das facilidades maiores ou menores, da percepção do grau de seriedade do projeto e da força do comprometimento da empresa, como um todo, para o alcance dos resultados desejados. Diante dessa situação, Lucena (2004) nos propõe algumas considerações sobre a decisão para implantar o processo de gestão de desempenho, sendo: ■ Seja de quem for a ideia ou nível de decisão para formulação e implemen- tação do processo, deverá ter a aprovação oficial e o comprometimento da Alta Administração com seus objetivos e prática operacional estabelecida. ■ A responsabilidade pela formulação, implementação e coordenação do programa caberá à área de Recursos Humanos. No entanto a gerência do programa é de responsabilidade de cada gerente. ■ Ao assumir o projeto, a área de Recursos Humanos deverá analisar, obje- tivamente, suas condições internas, seus pontos positivos e dificuldades bem como sua capacitação profissional e dimensionar seu projeto global de interação em termos de políticas, processos e programas de gestão de recursos humanos. ■ Resolvida a situação interna, deverão ser analisadas e dimensionadas as condições, as facilidades e as dificuldades, a nível da organização, para qualificar as ações a serem tomadas, envolvendo a empresa no processo e, principalmente, suas gerências e supervisores. U N ID A D E 4 126 2 METODOLOGIA PARA IMPLANTAÇÃO DO Processo de Gestão do Desempenho Ao decidir implantar o processo de gestão do desempenho, é importante elaborar a estratégia de intervenção organizacional, envolvendo um plano de trabalho que dimensione as ações, as responsabilidades e os objetivos correspondentes. Esta maneira de pensar poderá evitar problemas na operacionalização do processo. A estratégia metodológica fundamenta-se no pressuposto de que, ao decidir pela implantação de algo novo na empresa, busca-se uma mudança que afetará os moldes atuais, que modificará padrões operacionais e, principalmente, procu- rará influir em atitudes, comportamentos e novos padrões de atuação gerencial envolvendo toda a força de trabalho da organização. Conforme Lucena (2004), a abordagem prática inicia-se com a sensibilização das pessoas, e o resultado é a interiorização das mudanças, que é sustentada pelo comprometimento. Comprometimento é a palavra-chave nesse processo, é o indicador relevante que responderá pelo sucesso ou fracasso dos resultados. Para alcançarmos o comprometimento das pessoas, é preciso entender que o ser humano reage às situações em duas dimensões: intelectual, sendo definida por respostas rápidas devido à capacidade de observação, entendimento e julgamen- to; e emocional, que se refere às respostas mais lentas devido às suas inseguran- ças, à reação ao desconhecido e ao medo de falhar e de se expor. Quando as respostas emocionais são em ritmo mais lento, o ser humano utiliza o processo intelectual para encontrar alternativas e argumentos para der- U N IC ES U M A R 127 rubar uma ideia, ou seja, critica e cria problemas e dificuldades. A proposta me- todológica procura atuar nos dois campos, isto é, tanto no emocional quanto no intelectual, podendo gerar reações positivas ou negativas, dependendo da força de cada uma dessas e da forma que serão gerenciadas. Fases de Implantação da Gestão de Desempenho As fases de implantação representam uma sequência lógica que possibilita me- lhor visualização e controle sobre o processo. A ideia é que, quando desmem- bramos o grande processo em partes, de certa forma, estamos restringindo a sua complexidade e facilitando o entendimento e o seu gerenciamento; dessa forma, Lucena (2004) nos propõe três fases: Fase 1 – Conhecimento: abrange três etapas, sendo sensibilização, conscien- tização e entendimento. Essa fase é crítica, exige intenso trabalho de comunica- ção e de intercâmbio de informações bem como esclarecimentos de dúvidas e problemas em potencial. A Sensibilização envolve os primeiros contatos com o ambiente organizacional: é o momento de falar sobre o programa, isto é, explicar os objetivos, o seu significado e os benefícios. Isso pode acontecer por meio de reuniões, debates, comunicados, treinamento, e-mail, troca de informações e de feedback etc. A Conscientização busca mostrar à população-alvo, a gerentes, a superviso- res, a encarregados e a colaboradores que o projeto, realmente, acontecerá, e que isso afetará a maneira e a forma como a empresa funciona. Além disso, ela busca aprofundar o conhecimento das pessoas sobre o processo e esclarecer possíveis dúvidas. Essas atividades poderão ser desenvolvidas, por meio de encontros for- mais, em pequenos grupos, envolvendo gerentes, supervisores e colaboradores. Nessa etapa, ficará claro o nível de comprometimento esperado de cada envolvi- do, podendo as reações serrem percebidas com facilidade. O Entendimento refere-se ao julgamento individual, sendo este o processa- mento das informações por meio dos filtros pessoais que envolvem os valores, a cultura organizacional, os conhecimentos, as habilidades, a motivação, o medo, o nível de resistência, as expectativas etc. A postura da alta administração é es- sencial para dar suporte e ser referenciada como exemplo dentro da empresa. A principal atividade a ser desenvolvida, de maneira formal, será o treinamento dos avaliadores e dos avaliados, que possibilite abranger toda a extensão do projeto: U N ID A D E 4 128 resultados esperados, responsabilidades, atitudes e comportamentos bem como procedimentos (LUCENA, 2004). Fase 2 – Implementação: a implantação é decisiva para o processo de gestão do desempenho, pois é nesta fase que descobrimos o quanto as pessoas são resis- tentes e inflexíveis. Essa fase representa a transição da decisão para a execução, da expectativa para a experimentação e da teoria para a prática, ou seja, significa o passo decisivo para o comprometimento e o resultado, e é, também, a fase mais demorada, pois contempla: implantação e a aceitação. A Implantação envolve aplicar os instrumentos da gestão do desempenho, ou seja, inicialmente, a negociação do desempenho e, posteriormente, a progra- mação de reuniões periódicas de feedback bem como a verificação dos resulta- dos até a avaliação final. Nessa etapa, a área de RH é fundamental, pois oferece suporte e orientações para o bom funcionamento do processo, assim como avalia e disponibiliza informações sobre resultados parciais, para que sejam feitos alte- rações e ajustamentos que venham a contribuir com a melhoria do desempenho, reconhecer o desempenho e auxiliar na motivação e no incentivo na busca pelos resultados. A Aceitação é a legitimação do processo a nível individual, e não por im- posição superior. Quando o nível de aceitação é alto, significa que os indivíduos internalizaram e admitiram o processo como algo positivo, e, quando o nível de aceitação é baixo, significa que os indivíduos perceberam o processo como obri- gação, uma burocracia a ser seguida, porém sem sentido ou significado individual (LUCENA, 2004). Fase 3 – Comprometimento: podemos perceber que o comprometimento não nasce de um impulso ou de uma ordem superior, mas é algo que se desenvol- ve de “dentro para fora”; sendo uma decisão pessoal, é a manifestação objetiva do “querer fazer”, ou seja, da motivação. Portanto, o comprometimento precisa ser in- corporado, conscientemente, por meio da institucionalização e da interiorização. A Institucionalização refere-se à incorporação dos novos valores e das fer- ramentas gerenciais ao dia a dia da organização, sendo esses novos valores perce- bidos e ajustados, passando a fazer parte da vida normal das pessoas. A Interiori- zação é o reconhecimentosobre os resultados e o atendimento das expectativas pessoais e profissionais. Nessa fase, as mudanças já foram incorporadas à cultura da organização, permanecendo as rotinas, a atualização e o aperfeiçoamento do processo para a manutenção, ou seja, a gestão do desempenho já é parte da his- tória e da cultura da organização. Atingir esse estágio de comprometimento exige U N IC ES U M A R 129 que o trabalho seja desenvolvido com visão de longo prazo, em média, de três a cinco anos (LUCENA, 2004). Como em todo processo de mudança, a metodologia pode dar certo, bem como também pode não gerar os resultados esperados. É importante que se tenha, em mente, algumas possibilidades alternativas para o processo de implantação da gestão do desempenho. A primeira a ser considerada nos diz que, após a fase de conhecimento, deve-se aplicar o método, somente, nos setores que apresen- tarem menor índice de resistência, para, posteriormente, expandir aos demais. A segunda alternativa orienta para utilizar um plano piloto, que possibilite analisar sua funcionalidade e adequação, oferecendo dados para ajustes que se façam necessários. Por fim, a terceira alternativa menciona implantar o processo por níveis hierárquicos, iniciando na gerência até expandir aos demais níveis da or- ganização. Observando o contexto empresarial, podemos afirmar que a implantação jamais se deve iniciar indo dos níveis inferiores aos mais elevados, pois, se agir assim, dificilmente se conseguirá das gerências o comprometimento, uma vez que, não sendo incluídas no processo, essas gerências não dariam a importância devida, sem falar de outros problemas consequentes, entre eles, o uso indiscrimi- nado do poder ou a não caracterização de problemas de desempenho na equipe, originários da incompetência gerencial, visto que esses gerentes não são avaliados. Todo processo de mudança requer uma dose de boas estratégias, muita persistência e principalmente a participação e comprometimento de toda organização. O gestor de pes- soas atua como o agente de mudança, vendendo ideias e direcionando as pessoas para o atendimento dos objetivos. (Antonio de Lima Ribeiro) pensando juntos U N ID A D E 4 130 3 ORIENTAÇÃO METODOLÓGICA PARA GESTÃO do Desempenho Para que a organização alcance os objetivos esperados, é importante que se adote uma metodologia que oriente as ações, de forma sequencial e sistêmica. Vale esclarecer que os métodos e os instrumentos a serem utilizados serão o alicerce para o sucesso do programa. As ferramentas incluem não somente formulários, mas também os instrumentos que compõem o processo, como: instrumento nor- mativo que define a filosofia, os conceitos básicos, as normas e os procedimentos operacionais, os critérios para formulação de metas e definição de indicadores de desempenho, os critérios para acompanhamento e avaliação dos resultados e demais informações que possam contribuir como subsídios para o desenvolvi- mento do processo de gestão do desempenho. Cabe, ainda, ressaltar que o processo não deve ser apresentado como uma ideia pronta, mas, sim, construído com a participação das gerências e dos cola- boradores, sendo esta uma importante estratégia para a conquista do compro- metimento das pessoas. U N IC ES U M A R 131 Elaboração do Documento Normativo Levando em consideração as recomendações de Lucena (2004), o Documento Normativo é utilizado para oficializar a aplicação do processo de gestão do de- sempenho, por meio de normas, resoluções ou critérios de regulamentação que a empresa irá adotar em suas decisões e políticas. Este documento deve ser o primeiro instrumento a ser desenvolvido, uma vez que ele definirá a filosofia, os objetivos, a interpretação dos conceitos, as normas a serem seguidas e os proce- dimentos operacionais que serão executados. Na sequência, utilizamos das ideias de Lucena (2004), a qual propõe um conjunto de informações que devem constar na elaboração do Documento Normativo, sendo: 1. Finalidade: este documento tem por finalidade estabelecer e divulgar as políticas, as normas e os procedimentos que nortearão o processo de gestão do desempenho. Representa o documento oficial que disciplina e orienta a utilização do processo, servindo de guia para o exercício da responsabilidade de cada indivíduo em suas respectivas áreas e funções. 2. Princípios Básicos: o processo de gestão do desempenho precisa estar integrado ao planejamento estratégico da empresa, tendo a missão, os ob- jetivos e as metas estratégicas como bases para a atuação das pessoas, uma vez que são elas que promovem e criam alternativas inovadoras e geram resultados eficazes. É necessário, ainda, incentivar a gestão participativa, o trabalho em equipe e a interação entre as áreas de trabalho bem como fazer uso de mecanismos de avaliação de resultados e criar uma política de RH com foco na qualidade e um compromisso com resultados. 3. Política Geral: o processo de gestão do desempenho terá, como bases, o plano estratégico e as metas corporativas, e estas serão desdobradas em metas setoriais, focalizando os resultados esperados de cada área e de cada colaborador e as ações gerenciais voltadas para o desenvolvimento das pessoas e da organização. 4. Objetivos da Gestão do Desempenho: definir e mensurar, por meio de indicadores, os resultados esperados das áreas e indivíduos; facilitar a atuação dos gestores na liderança de suas equipes, buscando eficiência, reconhecimento e valorização das pessoas; contribuir para o desenvol- vimento das relações interpessoais e cooperação; disponibilizar infor- mações gerenciais que sustentem as ações de desenvolvimento profissio- nal, de movimentação, de promoções, de demissões e de remunerações; U N ID A D E 4 132 e possibilitar ao colaborador saber o que é esperado dele, analisar seu desempenho e buscar os meios necessários para o desenvolvimento por meio de sua participação e conhecimento dos resultados da avaliação. 5. Conceitos Básicos: ao utilizar conceitos ou termos não convencionais, a organização deve disponibilizar, de forma clara, os seus significados e, principalmente, as interpretações e a aplicabilidade. De acordo com Luce- na (2004), segue alguns exemplos de possíveis conceitos que necessitarão de definições: ■ Avaliação: é a verificação formal e permanente dos resultados alcançados comparados com os indicadores estabelecidos, utilizando- se as normas e os critérios definidos pela organização. ■ Desempenho: refere-se à atuação do indivíduo em relação às respon- sabilidades e às atribuições inerentes ao cargo que ocupa na organi- zação. O desempenho é a manifestação concreta, objetiva, do que a pessoa é capaz de fazer. ■ Plano de Desempenho: compreende o conjunto de projetos, proces- sos, etapas e atividades atribuído ao funcionário, que será executado por ele e que servirá de base para a avaliação dos resultados alcançados. ■ Indicador de Resultados: especificação dos resultados esperados, atribuídos às tarefas a serem executadas, relacionados com qualidade e quantidade, prazo e custo. Os indicadores de resultados possibilitam a avaliação objetiva e imparcial do desempenho. 6. Normas Gerais: refere-se à regulamentação do processo, destacando suas especificidades, aplicabilidade e público na qual se destina. A linguagem de seu conteúdo deverá ser clara, objetiva e simples, concentrando-se na definição de diretrizes de atuação. Seu conteúdo, após aprovado pela diretoria, deve ser, amplamente, divulgado. A elaboração de suas cláusulas abrange as seguintes etapas: ■ Informações gerais: menciona o público de abrangência, a perio- dicidade das avaliações e a forma como essas acontecerão, quem irá avaliar e, ainda, a observação específica para facilitar o entendimento do processo. ■ Elaboração do plano de desempenho: compreende descrever como a empresa espera que seja a negociação dos resultados esperados, em decorrência dos objetivos estratégicos, traduzidos em projetose pro- cessos alocados nos setores e áreas da empresa. U N IC ES U M A R 133 ■ Gestão do desempenho: descreve como deverá ocorrer o acompanha- mento, durante o período avaliativo, compreendendo em encontros formais ou informais do gestor com o avaliado. ■ Classificação do desempenho: a empresa deve deixar explícito como será a classificação do desempenho e o peso que cada classificação re- presentará sobre os itens avaliados. Ex.: SE (superou o esperado – peso 5); DE (dentro do esperado – peso 4); PE (próximo ao esperado – peso 3); AE (abaixo do esperado – peso 3). ■ Parametrização e alocação de pesos: se optar, a empresa pode atri- buir escala de pesos aos projetos ou às atividades conforme o grau de importância. Normalmente, utiliza-se escala de dezenas, sendo: 10, 20, 30, 40, 50, em que os projetos com peso 50 são aqueles com maior representatividade, e assim sucessivamente. ■ Responsabilidades e atribuições: esse é um importante aspecto den- tro das normas gerais, pois a organização atribuirá, de forma trans- parente, o papel de cada área da empresa bem como suas responsa- bilidades e atribuições frente ao processo de gestão do desempenho, envolvendo: Diretoria, área de Recursos Humanos, Gestores, Cola- boradores. 7. Procedimentos Gerais: refere-se às instruções operacionais, ao detalha- mento, quanto ao uso dos formulários, e às informações que orientarão o funcionamento do processo. Se todos assumirem integralmente suas responsabilidades e compromissos, certamente não será necessária tanta burocracia. (Reinaldo O. da Silva) pensando juntos U N ID A D E 4 134 4 ELABORAÇÃO DO FORMULÁRIO PARA Registro das Etapas do Processo A consistência do estilo gerencial voltado para a gestão do desempenho requer o uso de um instrumento que formalize ou expresse o seu funcionamento, visando a fornecer as informações que subsidiarão as ações relacionadas com o desem- penho esperado, o reconhecimento da atuação individual, o desenvolvimento e a capacitação profissional. A utilização do formulário será positiva na medida em que expressar o ato consciente e o comprometimento com a estratégia de gestão e de resultados. Não havendo esse comprometimento, certamente, o preen- chimento do formulário será um ato burocrático deixado para a última hora e preenchido sem a devida reflexão. Podemos fundamentar a necessidade do formulário, partindo da ideia de que ele instrumentaliza a gerência na prática da gestão do desempenho, simbolizando a única forma de materializar o desempenho. O uso do formulário possibilita minimizar os problemas quanto a considerações e julgamentos que não estejam apoiados em fatos comprovados. De acordo com Lucena (2004), o formulário deve conter os seguintes campos: U N IC ES U M A R 135 1. Dados de Identificação do Avaliado e do Avaliador: nesse campo, devem constar as informações que identificam o avaliado e o respectivo avaliador, como nome, cargo, unidade de trabalho, local, tempo de em- presa, tempo no cargo, posição salarial, idade etc. 2. Negociação do Desempenho: nesse campo, serão descritos as responsa- bilidades, as atribuições e os compromissos a serem assumidos pelo cola- borador em relação ao cargo que ocupa. Isso implica colaborador e gestor definirem, juntos, seus compromissos de trabalho a serem realizados, em determinado período de tempo, junto aos indicadores (quantitativos e qualitativos) de resultados, para cada projeto ou aspecto a ser avaliado. 3. Atribuição de Peso: cada projeto, processo ou aspecto avaliado, se for a opção da empresa, receberá um peso, caracterizando o grau de impacto e de importância nos resultados da organização. 4. Meios de Verificação para as Metas: Meios de Verificação para as Metas: são fontes de dados e informações para a verificação dos resultados. Refe- rem-se a relatórios ou a qualquer outro tipo de comprovante que indique os resultados. Os meios de verificação são fundamentais para orientar as reuniões de acompanhamento e justificar a avaliação dos resultados. 5. Áreas Envolvidas: implica identificar as áreas (internas ou externas) que contribuirão na realização do projeto de outras áreas, indicando interde- pendência de ações e atividades, o que resulta em negociações entre áreas. 6. Acompanhamento do Desempenho: deve conter, no formulário, um campo para preenchimento das anotações e observações feitas durante as avaliações periódicas. Neste campo, serão especificadas as informações mais relevantes sobre o desempenho do avaliado em períodos específicos, considerando ser o resumo do diálogo entre avaliado e avaliador. 7. Ações de Desenvolvimento: as recomendações para o desenvolvimento apoiam-se em dois pontos: na análise qualitativa dos resultados e na aná- lise da capacitação profissional. O formulário deve disponibilizar espaço para anotações e recomendações de melhoria. 8. Consolidação dos Resultados Alcançados: este campo processa a ava- liação final dos resultados alcançados, avaliando, separadamente, cada projeto e cada etapa com base nos indicadores estabelecidos, de acordo com os critérios de avaliação definidos. U N ID A D E 4 136 5 O AVALIADOR E OS MÉTODOS PARA a Avaliação do Desempenho A Avaliação e, posteriormente, a Gestão do Desempenho referem-se à verificação formal e permanente dos resultados alcançados comparados com os indicadores estabelecidos, utilizando-se as normas e os critérios de avaliação definidos. Por sua vez, o desempenho refere-se à atuação do funcionário em relação às respon- sabilidades e às atribuições inerentes ao cargo que ocupa (LUCENA, 2004). Dessa forma, faz-se necessário o uso de algum método para implantar, ade- quadamente, o processo de avaliação e, posteriormente, a gestão de desempenho, de forma a atingir seus objetivos esperados. Diante disso, são propostos vários métodos que podem nos auxiliar, entre eles: Método Checklist Tradicionalmente, é um método que tem uma forma simples de aplicação. Apre- senta uma lista que contém os adjetivos que descrevem o comportamento rela- cionado ao trabalho. Cada item da lista reflete-se em uma qualidade positiva ou negativa que o funcionário pode possuir. O conteúdo do Método Checklist consiste em uma lista de sentenças descritivas, que caracterizam o desempenho e o comportamento do funcionário. Funciona como uma espécie de lembrete, geralmente, aplicado pelo superior ao subordinado. Após a aplicação, é recomen- dável que o avaliador disponibilize feedback ao avaliado (BOHLANDER, 2003). U N IC ES U M A R 137 ITENS SATISFATÓRIO INSATISFATÓRIO NÃO SE APLICA 1. Pontualidade 2. Assiduidade 3. Produtividade 4. Relacionamento com os colegas 5. Relacionamento com a chefia Quadro 1 - Formulário de avaliação – Checklist Fonte: adaptado de Hanashiro et al. (2008). Método Escala Gráfica Avalia o desempenho das pessoas por meio de fatores de avaliação, previamente, definidos e graduados. O avaliador indica o grau em que o avaliado possui os tra- ços. É o método mais utilizado, divulgado e, aparentemente, o mais simples, mas sua aplicação requer uma multiplicidade de cuidados, a fim de diminuir a sub- jetividade e o prejulgamento do avaliador, que podem ter enorme interferência. O método da escala gráfica pode ser aplicado a um grande número de pessoas ao mesmo tempo. Como vantagens, esse método apresenta: facilidade de plane- jamento e construção da planilha; simplicidade e facilidade de compreensão e utilização; visão gráfica e global dos fatores avaliados; e facilidade de comparação dos resultados de vários avaliados. Além disso, proporciona fácil retroação de dados ao avaliado. Como desvantagens, esse método apresenta: superficialidade e subjetividade na avaliação; produz efeito generalização: se o avaliado recebe “bom” em um fator, provavelmente, receberá “bom” em todos; peca pela categorização e ho- mogeneização das características individuais; limita os fatores avaliados, como, por exemplo,o sistema fechado; possui rigidez e reducionismo no processo de avaliação; e avalia, apenas, o desempenho passado. Os fatores são selecionados para definir quais qualidades serão avaliadas. Cada fator é estabelecido com uma descrição simples e objetiva para não haver distorções. Após a aplicação, os resultados são pontuados para indicar a qualida- de e o nível que melhor expressam a posição da pessoa na empresa, no cargo ou U N ID A D E 4 138 no grupo. Esse instrumento indica, também, o desempenho geral e o número de características bem como os valores apontados, com maior frequência, pelos avaliadores (CHIAVENATO, 2004) FATORES GRAU DE AVALIAÇÃO PONTOS 1 Muito insatis- fatório 2 Pouco insatis- fatório 3 Pouco satisfa- tório 4 Satis- fató- rio 5 Muito satis- fatório 1. Pontualidade: o funcionário não se atrasa nem sai mais cedo . Segue, firme- mente, os horários determinados pela empresa/supervi- sor/unidade. 2. Assiduidade: o funcionário nunca falta, mas, quando necessita se ausen- tar, avisa, antecipa- damente, a chefia e repõe a falta em outro horário. 3. Integração 1: o funcionário está integrado às nor- mas e às regras da empresa. 4. Integração 2: o funcionário está integrado às diretrizes da chefia/ supervisor. Quadro 2 - Formulário de avaliação – Escala Gráfica Fonte: adaptado de Hanashiro et al. (2008). U N IC ES U M A R 139 Método Escolha Forçada Consiste em avaliar o desempenho das pessoas por meio de blocos de frases descritivas que focalizam determinados aspectos do comportamento. O avaliador deve escolher, forçosamente, as frases que mais se aplicam ao desempenho do avaliado. As frases devem distinguir entre o sucesso e o insucesso no desem- penho. Como características positivas, esse método apresenta: evita o efeito de generalização (hallo effect) na avaliação; tira influência pessoal do avaliador, isto é, a subjetividade; e não requer treinamento dos avaliadores para sua aplicação. Como características negativas, esse método apresenta: complexidade no pla- nejamento e na construção do instrumento; não proporciona visão global dos resultados; não provoca retroação de dados, nem permite comparações; é uma técnica pouco conclusiva a respeito dos resultados; e não há nenhuma partici- pação do avaliado (BOHLANDER, 2003). Colocar um X na resposta que melhor define o desempenho entre as assertivas 1 ou 2 1. Faço apenas o que me pedem para fazer 2. Tenho medo de pedir ajuda quando necessito 1 2 1. Estou sempre disposto a aprender 2. Procuro aprender o que me ensinam 1 2 1. Sou capaz de ouvir críticas sem me ofender 2. A crítica construtiva auxilia o meu crescimento 1 2 Quadro 3 - Formulário de avaliação – Escolha forçada Fonte: Hanashiro et al. (2008). Método Avaliação por Resultados A Avaliação por Resultados, ou APO (Avaliação por Objetivo), como, também, pode ser chamada, é um ciclo que consiste em definir objetivos e responsabilida- des, desenvolver padrões de desempenho, avaliar o desempenho e, novamente, redefinir objetivos. Esse método busca soluções criativas e inovadoras, substi- tuindo a estrutura departamentalizada pela organização por processos ou equipe. Os funcionários participam do resultado da organização, assim, requerem um U N ID A D E 4 140 sistema de medições franco e objetivo. É necessária a participação de Gerentes e Funcionários e esse método está orientado ao planejamento do desempenho futuro, e não ao julgamento do desempenho passado. O Método Avaliação por Resultados é bastante adequado para as empresas que adotam o planejamento estratégico, e ele requer negociação do desempenho que deve ser feita junto à chefia, o que dará origem aos padrões esperados. É, so- bretudo, um método prático, embora o seu funcionamento dependa das atitudes e do ponto de vista do supervisor a respeito da avaliação do desempenho como processo de avaliação (BOHLANDER, 2003). Para uma adequada utilização des- se método, Bohlander (2003) propõe seis passos, sendo: ■ 1º Passo – Formulação de objetivos consensuais: os objetivos são formulados pelo gestor junto ao funcionário, considerando as metas a serem atingidas e o período de tempo para alcançá-las. Os objetivos são consensuais, e não impostos de cima para baixo. ■ 2º Passo – Comprometimento pessoal: essa é a principal condição desse sistema. Deve haver a aceitação plena dos objetivos e o comprome- timento em alcançá-los por parte do avaliado. Algumas empresas estabe- lecem contratos, sejam formais ou psicológicos. ■ 3º Passo – Alocação de recursos: nessa etapa, é realizada uma verificação dos recursos que serão necessários para que os objetivos sejam atendidos. Sem os recursos e os meios, os objetivos se tornam inúteis, e os recursos podem ser materiais (máquinas, equipamentos), humanos (pessoas, equipe trabalho) ou de investimentos (treinamentos, orientações, aconselhamento). ■ 4º Passo – Desempenho: a estratégia e o comportamento pessoal são escolhidos para efetivar o alcance dos objetivos. Cada pessoa escolhe, com liberdade e autonomia, os seus próprios meios para alcançar os objetivos. O gestor proporciona orientação e aconselhamento, em vez de ordens, comando, controle e imposições. ■ 5º Passo – Monitoração dos resultados e comparação com os ob- jetivos: é a verificação do custo/benefício envolvido no processo. Os resultados precisam ser acompanhados, com frequência, por meio de indicadores quantitativos e qualitativos e que transmitam confiabilidade. ■ 6º Passo – Retroação: para essa etapa, são necessários muita informa- ção e suporte na comunicação para evitar distorções. É necessário que o avaliado tenha clara percepção de como está caminhando para poder avaliar seu esforço/resultado. U N IC ES U M A R 141 Método Incidentes Críticos Baseia-se nas características extremas, capazes de levar a resultados positivos (suces- so) ou negativos (fracasso). Ou seja, observa-se os fatos excepcionalmente positivos e os fatos excepcionalmente negativos a respeito do desempenho dos subordinados, e não com características situadas dentro da normalidade. Cada fator de avaliação é transformado em incidente crítico ou excepcional, para avaliar os pontos fortes e fracos de cada avaliado. Como características positivas, esse método apresenta: avalia o desempenho excepcionalmente bom e o ruim; e enfatiza os aspectos ex- cepcionais do desempenho. As exceções positivas devem ser realçadas e melhor aplicadas, enquanto as exce- ções negativas devem ser eliminadas e corrigidas; método de fácil montagem e fácil utilização. Como características negativas, esse método apresenta: não se preocupa com os aspectos normais do desempenho; e peca por fixar-se em poucos aspectos do desempenho, gerando tendenciosidade e parcialidade (CHIAVENATO, 2004). Métodos Mistos A empresa pode recorrer a mais de um dos métodos para implementar o seu processo de avaliação e gestão de desempenho. Recomenda-se que seja realiza- da uma análise da empresa para selecionar o método que possa, efetivamente, atendê-la. É comum as empresas utilizarem e mesclarem os métodos, e, quanto a isso, não existe nenhuma literatura que proíba ou que aponte um método único. É importante que a empresa desenvolva seu modelo conforme suas características culturais, levando em consideração o perfil das pessoas envolvidas, ou seja, tanto dos avaliadores quanto daqueles que serão avaliados, considerando os objetivos da empresa para com o processo (HANASHIRO et al. 2008). Método Avaliação 360 graus Refere-se à avaliação do desempenho que visa a combinar várias fontes de infor- mações para criar sistemas de feedback e de avaliação mais completos. Esse méto- do tem como objetivo avaliar o desempenho numa perspectiva de gestão; servir de base para construção de plano de desenvolvimento pessoal e profissional; e alinhar objetivos pessoais aos objetivos do grupo. Como resultado, a avaliação360 graus procura clarear o papel e os resultados obtidos pelo colaborador; focar U N ID A D E 4 142 competências para atingir sucesso; identificar pontos fortes e fracos; aprimorar o feedback entre os membros do grupo; indicar e localizar pessoas aptas a outros cargos; comprometer as pessoas rumo aos objetivos da organização; e servir como elemento integrador das práticas de RH (BOHLANDER, 2003). A avaliação 360 graus destina-se a fornecer aos colaboradores a visão mais precisa possível, com pareceres de todos os ângulos: superiores, colegas, su- bordinados, fornecedores, clientes e demais usuários do sistema. Embora o feedback 360 graus possa ser útil tanto para fins de desenvolvimento quanto de gestão/administrativo, a maioria das empresas o utilizam, apenas, com foco no desenvolvimento. O feedback de desenvolvimento não vinculado à remunera- ção ou a promoções faz com que as pessoas se habituem e valorizem as opiniões que recebem de várias partes. Os objetivos administrativos da avaliação 360 graus se tornam menos usuais devido à complexidade no seu gerenciamento, mas, com o uso de ferramentas administrativas, como o BSC (Balanced Score Card), é possível incorporar índices para todos os aspectos da avaliação 360 (BOHLANDER, 2003). O método de avaliação 360 graus apresenta as seguintes características po- sitivas: o sistema é mais abrangente no sentido de que são reunidas respostas de várias perspectivas; a qualidade das respostas é mais importante que a quanti- dade de respostas; pode suavizar noções tendenciosas, preconceitos, visto que o feedback vem de mais pessoas, e não, apenas, de um indivíduo; o feedback de colegas e de outros pode contribuir para o autodesenvolvimento do indivíduo. Como toda ferramenta administrativa apresenta falhas, as características negativas desse método, porém, são: avaliação, quando mal definida, leva a re- sultados obscuros; comunicação deficiente, mal orientada, pode não preservar o sigilo dos participantes; as pessoas podem utilizar a ferramenta para preju- dicar uma outra, estabelecendo “jogo”; por se tratar de um método complexo, poderão ocorrer falhas devido ao não entendimento quanto ao funcionamento; e difícil monitoramento, o que pode abrir espaço para outras falhas (BOHLAN- DER, 2003). Bohlander (2003), contudo, apresenta-nos algumas recomendações que po- dem ser utilizadas para minimizar os problemas decorrentes da complexidade existente no processo da avaliação 360 graus, sendo: utilizar critérios para evitar interpretações inadequadas; personalizar a ferramenta às necessidades; capacitar as pessoas para lidar com feedback qualitativo; esclarecer a finalidade e a estru- tura do método; criar ambiente favorável e assegurar o anonimato; implantar U N IC ES U M A R 143 No RH Portal, você encontrará uma série de ferramentas interessantes para a área de Recursos Humanos. Certamente, ela o(a) ajudará a entender me- lhor como aplicar, na prática os conceitos e as ideias. Entre os materiais disponíveis, você encontrará: instruções para recrutamento e seleção; for- mulário para descrição de cargos; planilha para avaliação de desempenho; entrevista de desligamento; entre outros. Para saber mais, acesse: http:// www.rhportal.com.br/materiais-gratis conecte-se Estabelecendo o Modelo de Quem deve Avaliar o Desempenho As organizações utilizam diferentes alternativas a respeito de quem deve avaliar o desempenho do colaborador. As mais democráticas e participativas propor- cionam ao próprio colaborador a responsabilidade de autoavaliar, livremente, seu desempenho. A seguir, a Figura 1 nos permite observar como funciona essa dinâmica de quem deve avaliar quem no processo de avaliação e gestão de de- sempenho. Na sequência, apresentaremos os modelos mais utilizados, conforme Bohlander (2003). Funcionáro Pares EuCliente Superior Fornecedor Figura 1 - Quem deve avaliar o desempenho Fonte: adaptada de Hanashiro et al. (2008). cultura de avaliação e não verificação; desenvolver plano de desenvolvimento com base em resultados; trabalhar a comunicação como recurso essencial; e ter clareza, quanto aos objetivos, para não focar em aspectos subjetivos. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8904 U N ID A D E 4 144 Autoavaliação do Desempenho A avaliação do desempenho é feita pelo colaborador em avaliação, geralmente, em um formulário específico preenchido por ele antes da entrevista de desempe- nho. O próprio indivíduo se autoavalia, tendo em vista determinados parâmetros fornecidos pela organização (Resultados, Conhecimentos e Comportamentos). Os funcionários refletem sobre os pontos fortes e fracos e a discussão sobre as barreiras do desempenho efetivo é favorecida. A autoavaliação do desempenho atende mais a objetivos de desenvolvimento do que às decisões administrativas e tende a aumentar a participação e o compromisso do avaliado no processo de revisão (BOHLANDER, 2003). Avaliação pelo Gerente ou Superior A avaliação de desempenho é feita pelo gerente ou superior imediato do cola- borador e, muitas vezes, revisada por um gerente de nível hierárquico superior. É a abordagem mais tradicional nas organizações e tem ajuda do órgão de RH, que estabelece meios e critérios para que a avaliação possa acontecer. A avaliação tem, como perspectiva base, a percepção do superior sobre o desempenho do avaliado. Nesse caso, o superior deve dispor de tempo para acompanhar, com mais proximidade, o desempenho do colaborador. Quando a avaliação é reali- zada sem a presença do colaborador, é comum o avaliador fazer uma revisão da avaliação junto ao seu superior imediato, buscando reduzir o risco de avaliações tendenciosas (CHIAVENATO, 2004). Avaliação Indivíduo e Gerente Refere-se à avaliação de desempenho feita por ambos os lados, ou seja, o co- laborador se autoavalia e seu superior, também, avalia-o dentro dos mesmos critérios. As informações levantadas, geralmente, são utilizadas como base para a entrevista de desempenho conduzida pelo gerente/superior imediato e colabo- rador. O gerente funciona como o elemento de guia e orientação, e o funcionário avalia o seu desempenho em função da retroação fornecida pelo gerente. Este fornece recursos, como orientação, informação, metas e objetivos a alcançar, e cobra resultados. O funcionário oferece o desempenho/resultado e cobra recur- sos (CHIAVENATO, 2004). U N IC ES U M A R 145 Avaliação de Pares A Avaliação de Pares, geralmente, utiliza formulários que são compilados para uso na entrevista de desempenho conduzida pelo gerente/superior imediato e colaborador. Indivíduos que trabalham juntos e estão em posições equivalentes são estimulados à avaliação mútua. A avaliação de pares procura explorar uma outra perspectiva, ou seja, outro ponto de vista, a dos próprios colaboradores, e possibilita identificar traços de liderança e habilidades interpessoais. Além disso, essa avaliação fornece informações mais exatas e válidas com- paradas às avaliações feitas pelos superiores, considerando o fato da convi- vência e proximidade. A problemática dessa modalidade é o envolvimento de disputas, ou seja, gerentes relutam em abrir mão do controle, e os que recebem avaliações fracas impõem retaliações e uso de estereótipos para fazer avaliação (BOHLANDER, 2003). Avaliação do Subordinado Refere-se à avaliação de desempenho de um superior por um subordinado, sendo mais adequada para fins de desenvolvimento que de administração. A equipe avalia o gerente, gerando feedback sobre como seus subordinados o percebem e o veem. Além disso, ela avalia como ele proporcionou os meios e os recursos para a equipe alcançar seus objetivos, isto é, como o gerente a ajudou a melhorar os resultados. Essa modalidade inclui, apenas, aspectos de desenvolvimento, uma vez que os aspectos administrativos requerem uma disposição maior de informação acerca do desempenho do avaliado, nesse caso, o gerente. Os aspectos avaliados, geralmente, envolvem: liderança,comunicação, delegação, coordenação de equi- pes bem como interesse e atenção pelos subordinados. As avaliações devem ser apresentadas anonimamente e combinadas com as de vários outros avaliadores para evitar resultados tendenciosos (BOHLANDER, 2003). Avaliação de Equipe Esse modelo de avaliação de desempenho é baseado nos conceitos TQM (Ges- tão da Qualidade Total), que reconhece as realizações da equipe, em vez do de- sempenho individual. Busca mensurar o desempenho da equipe como um todo, U N ID A D E 4 146 envolvendo metas de resultados e padrões de desempenho pré-estabelecidos ao grupo. Implica o estabelecimento de padrões com base em resultados mensurá- veis, (normalmente, os requisitos do cliente), buscando identificar oportunida- des para o aprimoramento contínuo. A Gestão pela Qualidade e a Avaliação de Desempenho são complementares, pois objetivam romper as barreiras entre os indivíduos e incentivar o esforço coletivo. Frequentemente, o sistema é comple- mentado pelo uso de incentivos a equipe, por meio de pagamento variável ao grupo (prêmio, cota, bônus etc.) (BOHLANDER, 2003). Avaliação do Cliente A avaliação do desempenho, assim como a avaliação de equipe, baseia-se em conceitos da TQM (Gestão da Qualidade Total) e busca a avaliação tanto de clientes externos como internos. Busca mensurar o desempenho do indivíduo e, também, da equipe como um todo, envolvendo metas de resultados e pa- drões de desempenho pré-estabelecidos. Implica o estabelecimento de padrões com base em resultados mensuráveis, buscando identificar oportunidades para o aprimoramento contínuo. Geralmente, são avaliados itens que implicam a satisfação dos clientes, externos e internos. Frequentemente, o sistema é com- plementado pelo uso de incentivos, por meio de pagamento variável (prêmio, cota, bônus etc.). Formando os Avaliadores A prática da gerência nas organizações, principalmente, no cenário brasileiro, reflete o condicionamento histórico que modelou o aprendizado e a formação gerencial até os dias atuais. O despreparo conceitual, técnico e comportamental se torna evidente quando o gerente é colocado à prova, passando a avaliar e ad- ministrar o desempenho de sua equipe. Diante dessa forte limitação, é necessário que haja investimentos pesados para a preparação e a formação daqueles que irão lidar e operacionalizar o processo de gestão do desempenho. Perceba que um avaliador mal preparado ou mal-intencionado pode colocar tudo a perder e, ainda, provocar sérios problemas em relação à moral da equipe e à manutenção das pessoas na empresa. Uma vez iniciado o processo de forma equivocada, a tendência é a geração de resultados, também, equivocados e errados, colocando em check a credibilidade de todos os envolvidos. U N IC ES U M A R 147 O Gerente e a Gestão do Desempenho A maioria das empresas apresenta um cenário típico de despreparo em nível gerencial para a prática da gestão do desempenho. Ao acompanhar a trajetória do gerente brasileiro, vemos que os caminhos percorridos são parecidos com as histórias marcadas pela falta de critérios e ausência de políticas internas para orientar a atuação gerencial. A questão se agrava quando os gerentes são cobrados pelo desempenho da equipe, produtividade, qualidade, enfim, resultados. A primeira dificuldade do gerente é estabelecer a diferença entre desempenho e características de personalidade. Quando o resultado vai mal, o enfoque de análise do gerente é o comportamento das pessoas, e não o contexto do trabalho e suas múltiplas relações, tais como: desconhecimento do objetivo, indefinição de responsabilidade, capacitação profissional etc. A conclusão natural é que este gerente não está preparado para administrar uma unidade de trabalho e liderar pessoas, não sabe estabelecer relações inter- nas e não sabe lidar com as diferenças individuais. Tal prática define um estilo gerencial político e não profissional, uma vez que as organizações contribuem para o estabelecimento dessa realidade, utilizando meios e critérios paternalistas, para selecionar seus gerentes, considerando, apenas, aspectos, como fidelidade, obediência e pontualidade, e desconsiderando aspectos, como conhecimentos, experiências, habilidades, comportamentos, capacidade de liderar pessoas, co- municação, flexibilidade e abertura a mudanças etc. (LUCENA, 2004). No decorrer do processo de evolução, encontramos características predo- minantes que marcam cada momento histórico vivenciado pelas organizações até os dias de hoje. A filosofia da gestão do desempenho, de alguma forma, sem- pre esteve embutida nas organizações, porém com objetivos distintos. Tomando como marco histórico a Segunda Guerra Mundial, as grandes transformações que impulsionaram a evolução dos modelos de gestão empresarial identificam três momentos marcantes: No Primeiro Momento Histórico, ocorrido entre a primeira e a segunda Guerra Mundial, a fábrica era o centro dos negócios, a administração era bas- tante simplificada, o grande foco era produção, existiam poucos concorrentes e o mercado absorvia tudo que se produzia. O Segundo Momento Histórico, que se refere às décadas de 60 e 70, foi mar- cado pela intensificação do desenvolvimento tecnológico, disputa de mercado, ex- pansão do mercado internacional e competitividade e diversificação de produtos. U N ID A D E 4 148 A Administração se tornava o centro do negócio em decorrência da complexida- de administrativa que se instalava, sendo fator crítico para o sucesso, exigindo alta competência para administrar o trabalho e conduzir o desempenho das equipes, tendo, como foco, a busca dos objetivos e interesses da empresa. O Terceiro Momento Histórico, de 1970 aos dias atuais, coloca o mercado no centro dos negócios, e esse mercado configura um ambiente de mudanças que abrange todos os campos do conhecimento humano, do avanço tecnológico sem limites, da globalização da economia, da competição agressiva e dos consumidores exigentes quanto à qualidade e ao preço. Esse terceiro momento é o marco da quebra dos para- digmas existentes que orientavam as ações empresariais até então (LUCENA, 2004). Considerando o contexto das empresas brasileiras, o grande desafio diz res- peito às mudanças de mentalidade, direcionadas para uma nova visão de negócio, do relacionamento no trabalho, do uso do poder e, inevitavelmente, da aplicação de novas concepções sobre estruturas organizacionais e novos modelos de gestão do negócio, substituindo a visão imediatista e oportunista pela visão estratégica de futuro, com foco na gestão do desempenho, por meio de resultados. Perceba que essa mudança pragmática, na área gerencial, representará um salto qualitativo que redimensionará o comportamento empresarial, o qual estará, assim, orientado para o mercado e para o cliente, tendo, como ponto de partida, a qualidade e, por fim, o modelo de gestão orientado para pessoas e resultados. Observe que esse salto deve acontecer apoiado por uma estratégia que contemple investimentos em educação, formação e capacitação dos gerentes, para que não comprometa o sucesso do programa (LUCENA, 2004). Critérios para o Programa de Formação de Avaliadores Atualmente, o programa de formação gerencial para a gestão de desempenho deve priorizar o desenvolvimento de algumas habilidades-chave, o que Hanashiro et al. (2008) nos apresentam como sendo os requisitos e as qualidades requeridos para os avaliadores, que estão organizados em três dimensões (Cognitiva, Com- portamental e Gerencial). Estas não são excludentes, e, sim, complementares. ■ Cognitiva: relacionada aos conhecimentos teóricos, técnicos, operacio- nais e situacionais. O avaliador precisa conhecer e reconhecer, com cla- reza, os instrumentos relacionados ao programa que coordenará. Cabe a ele estabelecer uma comunicação clara e objetiva bem como aprender a U N IC ES U M A R 149 interpretar e analisar dados e resultados. Além disso, esse avaliador deve desenvolvera habilidade de sintetizar, clara e objetivamente, os resultados; manter coerência diante dos critérios estabelecidos; possuir capacidade de manter os dados e os resultados organizados para consultas e planejamen- to; saber indicar as necessidades diagnosticadas dos avaliados; e propor cursos de aprimoramento, treinamento ou, mesmo, indicação de movi- mentação no plano de carreira ou de sucessão (HANASHIRO et al., 2008). ■ Comportamental: relacionada às características pessoais. Cabe ao ava- liador desenvolver a capacidade de escuta e de observação; respeitar e manter sigilo; promover um relacionamento agradável com todos os membros do grupo participante; estar aberto às opiniões contrárias; tra- tar todos com igualdade, sem demonstrar predileções ou preconceitos; compartilhar, se possível, com outros colegas, suas expectativas, insegu- ranças ou objetivos que pretenda alcançar com a avaliação; saber ouvir outra opinião; e ser transparente, ético e sensível às reações dos avaliados enquanto pessoa e grupo (HANASHIRO et al., 2008). ■ Gerencial: relacionada às características administrativas e de coordena- ção. Cabe ao avaliador reconhecer o valor do conhecimento de cada pessoa e o comportamento de cada um; habituar-se a trabalhar proativamente; utilizar todo o seu conhecimento especializado relacionado à avaliação; compartilhar o comando e a coordenação sempre que for necessário; não subestimar o potencial de nenhuma pessoa; manter coerência entre a ver- balização e a postura profissional; evitar aplicar a “técnica pela técnica” e “avaliar por avaliar”; ter sempre presente a finalidade e o objetivo da avaliação; deixar claro o que acontecerá com os resultados da avaliação; e estar seguro de seu papel profissional (HANASHIRO et al., 2008). Como qualquer programa de treinamento, a formação de avaliadores utiliza o planejamento como ponto de referência em relação aos objetivos que se preten- de alcançar e o contexto do ambiente organizacional em que se desenvolverá o programa. Cabe ressaltar a necessidade de investimentos na educação e no desen- volvimento gerencial, tendo em vista o cultivo de valores que identifique a cultura organizacional voltada para resultados. A formação dos avaliadores compõe um projeto especial que não se limita a um treinamento específico para informar sobre o processo, mas, sim, um diagnóstico sistematizado sobre o perfil gerencial confrontado com as características da organização e seus respectivos objetivos. U N ID A D E 4 150 Basicamente, o programa de formação de avaliadores possui duas dimen- sões: transmitir as informações sobre o funcionamento do processo de gestão do desempenho e desenvolver as habilidades gerenciais necessárias para sua opera- cionalização. O programa de formação de avaliadores deve utilizar referenciais relevantes na formulação do conteúdo do treinamento: cultura organizacional, estilo gerencial predominante, habilidades a serem desenvolvidas etc. A trans- missão das informações gerais sobre o processo deverá ser pautada pelas infor- mações contidas no Documento Normativo. O desenvolvimento das habilidades gerenciais deverá acontecer em duas etapas, sendo: Etapa 1 – Negociação do Desempenho e Análise da Capacitação Profissional Nessa etapa, o objetivo é desenvolver as seguintes habilidades: ■ Conhecer os objetivos gerais e setoriais. ■ Saber dimensionar os objetivos. ■ Técnicas de redação de metas. ■ Definir indicadores de resultados. ■ Saber planejar o trabalho. ■ Habilidade para negociação. ■ Capacidade para se relacionar. ■ Saber falar e saber ouvir. ■ Capacidade de liderar pessoas. ■ Saber comunicar-se com clareza. Etapa 2 – Acompanhamento e Avaliação do Desempenho Nessa etapa, o objetivo é desenvolver as seguintes habilidades: ■ Conhecer as dificuldades a enfrentar. ■ Conhecer e desenvolver as pessoas. ■ Saber emitir e receber feedback. ■ Administração de conflitos. ■ Disposição em ajudar pessoas. ■ Coerência nas ações. ■ Reconhecer o bom desempenho. ■ Utilizar a liderança e a comunicação de forma adequada. U N IC ES U M A R 151 Perceba o quanto temos mencionado sobre a importância do desenvolvimento e a capacitação gerencial, pois esses são fatores decisivos para o sucesso do programa de gestão do desempenho. Para que haja o salto de qualidade nas organizações e no comportamento gerencial, antes, é preciso entender que se faz necessário o rompimento de velhos paradigmas, que, durante muito tempo, orientaram as ações dos gestores. Atualmente, esses conceitos são analisados como limitaçõesl críticas que, ain- da, imperam nas organizações e no estilo gerencial, compondo um conjunto de atitudes que estão atrasando o processo de modernização das empresas. VELHOS PARADIGMAS NOVOS PARADIGMAS Mercado: o negócio como foco da admi- nistração, da competitividade controlada, da massificação de clientes, do acordo de preços e da resistência à mudança e à tecnologia. Mercado: o mercado como centro dos negócios, da liberdade de mercado, da globalização, da competitividade agres- siva, da segmentação de mercado e da flexibilidade a mudanças e à tecnologia. Estrutura Organizacional: refere-se ao modelo Taylorista, verticalizado e de- partamentalizado com hierarquia rígida e decisões centralizadas e individualistas. Estrutura Organizacional: refere-se ao modelo holístico, à estrutura flexível, à constante mudança, à delegação, à de- cisão participativa, à desburocratização e à equipe. Visão Estratégica: imediatista, com lu- cros em curto prazo. Essa visão não tem compromisso em relação à qualidade, ao consumo e às decisões de reação. Visão Estratégica: diz respeito à visão de futuro, à orientação para o cliente, à qua- lidade, ao preço justo, à integridade, ao foco do cliente e às decisões planejadas. Recurso Estratégico: refere-se ao capi- tal, ou seja, aos altos investimentos sem planejamento de custo x benefício. Recurso Estratégico: aborda as pessoas, o conhecimento, o cérebro humano, a competência, a habilidade e o comprometimento. Recursos Humanos: atuam como função de linha, departamento de pessoal e pro- cessamento de informações. Além disso, remetem-se ao profissional técnico buro- crático e ao cumpridor das leis trabalhistas. Recursos Humanos: atuam como função estratégica integrada à empresa, são flexíveis, inovadores, profissionais generalistas, proativos e negociadores. Trabalhador: é visto como o mal neces- sário e componente descartável, ou seja, pessoas certas fazendo as coisas certas. Trabalhador: é visto como componente estratégico e dinamizador do negócio, ou seja, nenhuma empresa é melhor do que as pessoas que nela trabalham. U N ID A D E 4 152 Visão imediatista. Visão de futuro. Manutenção do status quo. Questionamento, inovação, mudança. Voltada para a organização. Voltada para o cliente. Voltada para si mesma. Voltada para o negócio. Voltada para o controle do trabalho e de pessoas. Voltada para processos e resultados. Burocrática, isolada. Dinâmica, pensante, integrada, partici- pativa. Liderança: relação de poder e domina- ção. Liderança: articulação com inúmeros par- ceiros, realizando alianças, negociações. Detentor da inteligência. Uso da criatividade da equipe, liberdade de expressão. Relação “mandar/obedecer”. Educador, facilitador, catalisador de talentos, democracia no trabalho. Uso do poder institucional. Uso do poder de articulação e influência. Relacionamento hierárquico. Relacionamento de igual para igual. Quadro 4 - Limitações/Paradigmas Organizacionais Fonte: adaptado de Lucena (2004). Observe o quanto, ainda, precisamos desenvolver e quantos paradigmas precisamos superar para que as nossas organizações absorvam as novas práticas de gestão. É ine- gável que, atualmente, nossas empresas apresentam sérias limitações em suas políticas de gestão de pessoas e, principalmente, em seus critérios na seleção de seus gestores. Diante dessa realidade, somado à necessidade da gestãode pessoas, implementar uma sistemática mais profissional de verificação e gerenciamento de desempenho significa que há não outro direcionamento a ser seguido, se não um maciço investi- mento na formação e na capacitação desses profissionais, que, muitas vezes, sem culpa, passaram a ocupar um cargo de relevância na empresa, porém sem maiores preparos para isso. Esse é um problema enfrentado por muitas empresas no Brasil e, também, no mundo e nos leva a crer que, atualmente, vivemos uma séria crise de liderança nas organizações, exatamente, pelos vários motivos apresentados anteriormente. Dessa forma, podemos fechar nosso raciocínio sobre esse assunto, dizendo U N IC ES U M A R 153 que a área de Recursos Humanos vive uma fase bastante desafiadora, uma vez que, a cada dia, ganha status de importância estratégica e passa a atuar, de forma decisiva, para o desempenho e os resultados organizacionais. CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), chegamos ao final da quarta unidade, e, diante da leitura, espera- mos que você compreenda a importância da condução do programa de avaliação de desempenho, sendo esta uma das principais atividades a ser cumprida nesse processo, considerando a importância da definição de critérios para a avaliação; as diferentes maneiras de os avaliados participarem do processo; os requisitos e as qualidades necessárias aos avaliadores; e as possíveis distorções que podem ocorrer na aplicação do processo de gestão do desempenho. As empresas dependem da atuação humana para o alcance de seus objetivos e as pessoas, por sua vez, utilizam as empresas como meio para alcançar seus objetivos pessoais, porém, se é a atuação das pessoas que gera os resultados, as organizações, naturalmente, precisam monitorar a atuação das pessoas, e é nesse ponto que a avaliação e a gestão do desempenho podem ser utilizadas, mas a realidade é que pouquíssimas empresas, verdadeiramente, fazem o uso adequado dessas poderosas ferramentas da gestão de pessoas. O que se percebe é que as empresas que tentam implantar a gestão de desem- penho, na sua grande maioria, pecam por não adotarem uma metodologia que garanta a sustentabilidade do processo ao longo do tempo, utilizando a gestão do desempenho unicamente para avaliar resultados financeiros, não abrangendo as áreas de conhecimento e comportamento. Existe, ainda, a problemática de utilizarem a avaliação em uma perspectiva punitiva, ao invés do desenvolvimento e da melhoria contínua, devido às empre- sas não estarem preparadas, culturalmente, para o uso dessa ferramenta. Ademais, somado a isso, temos, ainda, o despreparo gerencial para lidar com pessoas, que, por sua vez, promove feedbacks catastróficos junto aos avaliados. Encerramos, assim, a nossa quarta unidade! Espero que você tenha aproveitado nosso con- teúdo e aguardamos você na próxima unidade. 154 na prática 1. Nesta unidade, estudamos que a administração das organizações, na busca da qua- lidade e da motivação de seus colaboradores, almeja estratégias que sejam alcança- das de modo sustentável e, para que isso ocorra, ações são embasadas em meto- dologias que conduzam ao atendimento dos objetivos. Assim, antes de estabelecer as estratégias para a implantação do processo de gestão do desempenho, deve-se: a) Reconhecer que todas as organizações, apesar de terem cultura diferente, po- dem ser utilizadas no mesmo padrão de avaliação de desempenho com os mes- mos indicadores. b) Realizar uma análise organizacional identificando pontos favoráveis e desfavoráveis que contribuirão ou não com o processo de implantação da gestão do desempenho. c) Reconhecer a organização como um sistema social individualizado, porque cada pessoa é diferente uma das outras com suas peculiaridades e trabalham com objetivos diferentes. d) Perceber que o diagnóstico organizacional é irrelevante no processo de implan- tação da gestão do desempenho, uma vez que essa gestão objetiva mudanças no perfil do colaborador. e) Verificar o quanto a organização deseja aplicar no programa, pois o sucesso desse se concentra no investimento financeiro que a organização realizará. 2. Parte considerável do sucesso de uma empresa está baseada no desempenho de sua equipe de profissionais. Nesse sentido, é de suma importância utili- zar-se de ferramentas para mensurar este desempenho e permitir a tomada de decisões em busca do aumento da competitividade (LUCENA, 2004). Antes de se implantar a avaliação de desempenho, deve-se levar em consideração o surgimento da decisão para a implantação, pois podem ocorrer tanto impactos positivos quanto negativos neste processo. Deste modo, assinale a afirmativa correta sobre este tema. a) Quando a iniciativa da implantação da gestão do desempenho surge do colabo- rador, ela traz vantagem à área de recursos humanos que terá os colaboradores motivados e sensibilizados para a participação no programa. 155 na prática b) Quando a iniciativa surge do cliente, essa mostra um descaso para a área de recursos humanos que deveria ter o posicionamento inicial de reconhecer as necessidades da organização e suprir as expectativas de todos. c) Quando a iniciativa surge da área de recursos humanos, essa mostra que tem responsabilidade de criar políticas, programas e ferramentas para a gestão de pessoas. d) Quando a iniciativa surge da alta administração, há somente vantagens, uma vez que o processo de gestão do desempenho terá o apoio para que todos os colaboradores da organização o aceitem. e) Quando a iniciativa ocorre por parte da gerência, a área de recursos humanos possui vantagens, como um olhar positivo desta área sobre ela mesma, ou seja, de tê-la como aliada no processo e, assim, poder obter maior sucesso em sua realização. 3. Hanashiro et al. (2008) relatam que, no programa de formação gerencial para a ges- tão do desempenho, deve-se priorizar algumas habilidades chaves como requisitos e qualidades para os avaliadores, que devem estar organizados em três dimensões: cognitiva, comportamental e gerencial. No entanto os gerentes precisam incentivar mudanças de paradigmas organizacionais para a superação das novas práticas de gestão. Acerca dessas mudanças, analise as afirmativas a seguir. I - Ter visão para o futuro. II - Olhar voltado sempre para a organização. III - Usar o poder institucional. IV - Ter uma relação de educador, facilitador e catalisador de talentos. É correto o que se afirma em: a) II apenas. b) I e IV apenas. c) II, III e IV apenas. d) I, II e IV apenas. e) I, II, III e IV. 156 na prática 4. Lucena (2004) descreve que, para a implantação da avaliação de desempenho, é impor- tante realizar uma análise organizacional estabelecendo uma visão geral da empresa, pois muitas informações são vitais para a tomada de decisão, podendo influenciar no sucesso do programa. Sobre as características das empresas, analise as afirmativas a seguir. I - As empresas com o perfil de busca da modernização constatam-se que viven- ciam conflitos com o modelo antigo e o novo, ficando impossibilitadas, neste momento, de realizar uma avaliação de desempenho. II - No levantamento do perfil da empresa, as empresas tradicionais são as mais viáveis para a implantação de uma gestão de desempenho por necessitar de transformações. III - Em muitos casos, a cultura organizacional não precisa estar alinhada aos méto- dos utilizados, pois, com o tempo, esse alinhamento acontecerá naturalmente. IV - A cultura e a política organizacional podem interferir no sucesso do programa de gestão do desempenho, pois são forças que podem ameaçar a dinâmica do processo. É correto o que se afirma em: a) I, II e IV apenas. b) IV apenas. c) III e IV apenas. d) II e III apenas. e) I, II, III e IV. 5. O Método de Avaliação 360 graus visa a combinar várias fontes de informações para criar sistemas de feedback e de avaliação mais completos. Esse método é o mais completo e, também, o mais conhecido e, ainda, o mais complexo. Considerando esse métodode avaliação, analise as afirmativas a seguir. 157 na prática I - A avaliação 360 graus procura clarear o papel e os resultados obtidos pelo colaborador; focar competências para atingir sucesso; identificar pontos fortes e fracos; aprimorar o feedback entre os membros grupo; indicar e localizar pessoas aptas a outros cargos; comprometer as pessoas rumo aos objetivos da organização; e servir como elemento integrador das práticas de RH. II - A avaliação 360 graus destina-se a fornecer aos colaboradores a visão mais precisa possível, com pareceres de todos os ângulos: superiores, colegas, su- bordinados, fornecedores, clientes e demais usuários do sistema. III - O método de avaliação 360 graus apresenta as seguintes características positi- vas: o sistema é mais abrangente no sentido de que são reunidas respostas de várias perspectivas; a qualidade das respostas é mais importante que a quanti- dade de respostas; pode suavizar noções tendenciosas, preconceitos, visto que o feedback vem de mais pessoas, e não apenas de um indivíduo; e o feedback de colegas e de outros pode contribuir para o autodesenvolvimento do indivíduo. IV - As características negativas desse método são: avaliação, quando mal definida, leva a resultados obscuros; comunicação deficiente, mal orientada, pode não preservar o sigilo dos participantes; as pessoas podem utilizar a ferramenta para prejudicar uma outra, estabelecendo “jogo”; por se tratar de um método complexo, poderão ocorrer falhas devido ao não entendimento quanto ao fun- cionamento; e difícil monitoramento, podendo abrir espaço para outras falhas. É correto o que se afirma em: a) I e II apenas. b) I, II e IV apenas. c) II e IV apenas. d) I, III e IV apenas. e) I, II, III e IV. 158 aprimore-se AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO: PRIORIDADE E REGULARIDADE A avaliação de desempenho vem sendo aplicada há muitos anos nas grandes em- presas, porém, utilizada ainda hoje com certa miopia pelos empresários, gestores e colaboradores. Nas 20 empresas em que temos a solução Gestão de Gente implantada, per- cebemos que conseguir o engajamento dos gestores em ver a gestão de desem- penho como uma atividade estratégica ainda é bastante desafiador. A ferramenta de avaliação é usada, pela grande maioria, como uma fotografia de um momento específico do ano. Entretanto, a globalização, o avanço da tecnologia, a demanda crescente por per- formance e resultado e a competitividade muito acirrada entre as empresas, trou- xeram para os profissionais, homens e mulheres, a necessidade premente de estar sempre atentos e disponíveis para o mercado. Assim, o tempo médio de permanên- cia no cargo e na empresa é cada vez mais curto. Essa mudança de cenário traz a necessidade de tornar a avaliação de desem- penho um processo mais contínuo e não estático. Dispor de ferramenta adaptável, eficiente e flexível, pronta para atender a mudanças do processo é essencial. Mas de nada adianta se a cultura da empresa não estiver no mesmo caminho. É consenso que a gestão do desempenho deve fazer parte do dia a dia das empresas, porém, muitas ainda questionam como e por que avaliar seus colaboradores. A avaliação pode trazer benefícios a todos, pois permite compreender e acom- panhar a produtividade, motivação, satisfação e comprometimento dos colabora- dores. Para o colaborador, é útil no desenvolvimento profissional, pois o ajuda a trilhar sua carreira de acordo com suas melhores aptidões e habilidades, além de identificar oportunidades de aprimoramento pessoal e profissional. 159 aprimore-se A ferramenta de avaliação precisa deixar de ser uma obrigação para ser um meio do profissional autogerenciar sua carreira, sua evolução e melhorias. Estamos na transição que caminha para o profissional enxergar o sistema como um meio de or- ganizar suas metas, habilidades e necessidade de desenvolvimento. Em minha tra- jetória profissional tive a oportunidade de acompanhar de perto o sistema de ava- liação, planejamento de carreira e sucessão de empresas como ALL, Ambev e Grupo Pão de Açúcar. Muitos dos que começaram como trainees hoje estão em posições da alta liderança dessas empresas, no Brasil e no mundo. O que essas pessoas têm em comum? Paixão por desafio! Disciplina, foco no presente e visão de futuro! Mas, acima de tudo, um plano de carreira estruturado! E o que essas empresas têm em comum, para atrair e reter talentos tão preciosos? Plano de sucessão definido e aplicado! No Brasil, a prática do “mapa sucessório” ainda está restrita aos cargos da alta direção. Poucas vezes atinge gestores da média liderança, quando deveria ser uma política generalizada. E você? Tem um plano de carreira? Eu arriscaria perguntar: um plano de vida? Sua empresa tem e aplica um plano de sucessão em todos os níveis? Fonte: adaptado de Mei (2015, on-line). 160 eu recomendo! Administração de Recursos Humanos Autor: George W. Bohlander e Scott A Snell Editora: Cengage Learnig Sinopse: o papel dos gerentes de RH não está mais limitado a fun- ções relacionadas a serviços, como o recrutamento e a seleção de empregados. Atualmente, os gerentes de RH assumem um papel ativo no planejamento estratégico e na tomada de decisões em suas organizações. Administração de Recursos Humanos traz enfoque claro das mudanças que estão ocorrendo em todos os níveis gerenciais. Tem, como orien- tações, a aplicação prática e a apresentação de situações reais, propiciando o de- senvolvimento da análise crítica de RH. A obra tem, como foco, o papel de RH dos gerentes, sem excluir o impacto e a importância do papel do departamento de RH no desenvolvimento, na coordenação e no cumprimento de políticas públicas e procedimentos relacionados às funções de RH. livro Germano Glufke Reis Autor: George W. Bohlander e Scott A Snell Editora: Atlas Ano: 2010 Sinopse: O livro aborda uma técnica na qual os participantes do programa — em geral, os principais gestores da organização — recebem, simultaneamente, feedbacks estruturados de seus superiores, pares, subordinados e outros stakeholders. Discute, ainda, as alter- nativas e os possíveis problemas desse recurso de desenvolvimento de liderança. Comentário: considerando o grande desafio que é a implantação da Avaliação 360 Graus, quero deixar, aqui, a indicação desse livro, em especial, o Capítulo 10 (“Implementação da Avaliação 360 Graus”, p. 50-59), que, certamente, trará bons aprendizados quanto aos cuidados e aos métodos necessários para implantação da Avaliação 360 graus. livro 161 eu recomendo! O vídeo apresenta, de forma clara, como se pode aplicar o processo de avaliação e gestão do desempenho de forma prática. No decorrer da entrevista, são apresentadas algumas dicas sobre o que fazer e o que não fazer na aplicação da avaliação do desempenho. Acesse o QRcode ao lado e veja a matéria conecte-se SUITS (Série) Ano: 2011 Sinopse: a série é rodada em torno de casos jurídicos sem- pre bem resolvidos e, com um toque de humor sarcástico, tudo isso dentro do escritório de advocacia “Pearson Hard- man”. Michael “Mike” Ross (Patrick J. Adams) é um garoto que foi expulso do colégio, mas com uma brilhante memó- ria que lhe permitiu excelentes notas no teste de admissão em cursos de Direito, sem nunca ter obtido o diploma por não poder entrar em nenhuma faculdade. Harvey Specter Gabriel Macht, um dos melhores ad- vogados de Manhattan, testa-o e o aceita como um de seus associados. Devi- do à política da firma de aceitar, apenas, ex-alunos da Escola de Direito de Harvard, ambos mentem que Mike é um graduado que frequentou Harvard. Comentário: a série, mesmo apresentando o sucesso como resultado de aspec- tos ilegais e imorais, ela representa vários aspectos organizacionais quanto a re- cursos humanos, à gestão, à liderança, à gestão de conflitos, entre outros, que são muito interessantes para observarmos e refletirmos sobre tais práticas no dia a dia empresarial. filme https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/89065 GERENCIANDO O DESEMPENHO PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: Atuação gerencial sobre os resul- tados do processo • Entrevista de avaliação de desempenho • A importância da comunicação e do feedback na avaliação de desempenho • Da avaliação à gestão do desempenho • Ação disciplinar. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Abordar a atuação gerencial sobre o resultado do processo • Apresentar as etapas da entrevista de ava- liação de desempenho • Falar sobre comunicação e feedback na avaliação de desempenho • Entender o que muda da avaliação para a gestão do desempenho • Esclarecer como e quando deve acontecer a ação disciplinar. PROFESSORES Me. Angela Ferreira de Lima Pizzaia Me. Luciano Santana Pereira Me. Renata Emy Koyama INTRODUÇÃO Olá caro(a) aluno(a), chegamos a nossa quinta e última unidade de estudo, que contempla a Gestão de Desempenho. Agora que você já tomou conhe- cimento do que é e como funciona o processo de Gestão de Desempenho, vamos iniciar a última etapa dessa jornada: abordaremos alguns assuntos referentes à atuação gerencial sobre os resultados da avaliação. Todo o desenvolvimento do processo de gestão do desempenho objetiva gerar informações para auxiliar a atuação gerencial frente aos resultados apresentados. Nesta unidade, veremos como essa ferramenta pode ser uti- lizada para administrar o desempenho em suas várias dimensões, conside- rando, ainda, o feedback como ferramenta essencial para a consolidação dos resultados. Nesta quinta unidade, abordaremos a importância da atuação gerencial sobre os resultados da avaliação e apresentamos as ideias que se referem à entrevista de avaliação, contendo uma série de cuidados a serem tomados para que esse momento possa gerar uma experiência positiva no avalia- do. Em seguida, falaremos sobre a importância da comunicação assertiva, feedback, coaching e aconselhamento; desse modo, finalizaremos com al- gumas reflexões que nos permitem compreender como migrar da avalia- ção para a gestão do desempenho e, ainda, falaremos sobre o uso da ação disciplinar como última alternativa. Aproveite o conteúdo, bons estudos! U N ID A D E 5 164 1 ATUAÇÃO GERENCIAL SOBRE OS Resultados do Processo O processo de avaliação e, posteriormente, gestão do desempenho constitui uma ferramenta gerencial para administrar o desempenho em todas as suas dimen- sões, desde a negociação dos resultados esperados, a análise da capacitação pro- fissional, as reuniões para revisão do desempenho até o planejamento das ações para correção dos desvios de desempenho. O gerente é o responsável total pelo desempenho, portanto, a atuação gerencial sobre a dinâmica do processo, em suas várias dimensões, é que irá assegurar o alcance dos objetivos. Com base nesse entendimento, devemos destacar que as ações gerenciais so- bre o desempenho não podem ter dia e hora preestabelecidos. Devem acontecer no dia a dia de trabalho, como decorrência do acompanhamento do desempenho. O gerente assume a responsabilidade pela condução do processo e do desempe- nho apresentados em forma de resultados, atribuição, antes, delegada à área de Recursos Humanos, que, nessa mudança na filosofia de trabalho, assume papel de prestadora de serviços a seus clientes internos, auxiliando e assessorando os gerentes e as equipes na busca por soluções e melhores desempenhos. U N IC ES U M A R 165 No processo de gestão do desempenho, o resultado do gerente é diretamente proporcio- nal ao resultado dos membros da equipe. (Benedito Rodrigues Pontes) pensando juntos Essa forte alteração na forma de atuação coloca o gerente à frente de sua equipe, passando a exercer, integralmente, seu papel de gestor de pessoas. Por outro lado, a atuação do Gestor de Pessoas se torna estratégica quanto às suas responsabilidades de integrar as expectativas e a visão estratégica às atividades da organização, por meio da capacitação, treinamentos, formulação de políticas, normas, procedimentos e assessoria aos gerentes na condução do processo de gestão do desempenho (LUCENA, 2004). Perceba o quanto é importante a atividade gerencial frente aos resultados da equipe, dessa forma, podemos afirmar que o gestor exerce influência direta sobre os resultados alcançados. Essa influência decorre das iniciativas gerenciais em acompanhar a equipe durante o processo de construção dos resultados, dispo- nibilizando orientações, auxílio, reconhecimento e correções quando necessário, porém mais duas configurações, ainda, podem se desenvolver: a atuação ineficaz do gestor, que, por meio de orientações e correções não planejadas, acaba por influenciar, negativamente, na atuação das pessoas e, consequentemente, no de- sempenho e, por fim, a ausência de intervenção. Isso ocorre quando o gestor não reconhece ou abre mão de sua responsabilidade frente à equipe e aos resultados a serem apresentados, deixando de monitorar e acompanhar o desempenho da equipe, o que pode, assim, comprometer o resultado geral da equipe e da empresa. U N ID A D E 5 166 2 ENTREVISTA DE AVALIAÇÃO de Desempenho A entrevista de avaliação pode ser considerada a parte mais importante de todo o processo de avaliação do desempenho. Ela tem por objetivo dar feedback às pes- soas sobre como elas se saíram em suas atividades e planejar o desenvolvimento futuro. Para evitar a sobrecarga e o excesso de envolvimento do entrevistador no processo, recomenda-se que as entrevistas sejam divididas em duas sessões ou etapas. Uma para a revisão do desempenho e a outra para os planos de cres- cimento e desenvolvimento do avaliado. Esse procedimento alivia a pressão de tempo, e o entrevistador pode oferecer atenção adequada a cada uma das etapas da entrevista de avaliação (CHIAVENATO, 2004). O processo de devolutiva dos resultados, aqui, denominado entrevista de avaliação, deve ser entendido como um momento único entre o avaliador e o ava- liado, pois possibilita maior aproximação, compartilhamento de conhecimentos e criação de relacionamentos mais transparentes. Contudo esse propósito, somente, será alcançado mediante a uma atuação assertiva por parte do avaliador no mo- mento da entrevista, iniciando com o acompanhamento do desempenho ao longo do período, a revisão dos resultados e, principalmente, o seu planejamento bem como a capacidade de comunicação e argumentação junto ao avaliado. U N IC ES U M A R 167 Dessa forma, os gestores devem ser capazes de adequar o tipo de entrevista de acordo com o objetivo, o assunto, a personalidade do avaliado e o tempo dis- ponível, em que, geralmente, a entrevista requer uma abordagem flexível. Levando em consideração a importância que a entrevista de avaliação assume frente ao processo de gestão de desempenho, recorro à fala de Bohlander (2003) para elucidar um pouco mais sobre esse momento tão relevante, que é a entrevista de avaliação. De acordo com o referido autor, existem três tipos de entrevistas, sendo: Falar e Convencer; Falar e Ouvir; e Solução de Problemas. Vamos entender um pouco mais sobre cada um: ■ Falar e Convencer: as habilidades exigidas nesse tipo de entrevista in- cluem a capacidade de persuadir um colaborador a mudar no sentido da maneira prescrita. Isso pode exigir novos comportamentos por parte do avaliado, e o uso hábil de incentivos pode ajudar para a motivação no processo de mudança (BOHLANDER, 2003). ■ Falar e Ouvir: nesse tipo de entrevista, as habilidades exigidas incluem a capacidade de comunicar, na primeira parte da entrevista, os pontos fortes e fracos do desempenho. Na segunda parte, exploram-se, amplamente, os sentimentos do avaliado sobre a situação. Esse método requer do avalia- dor a capacidade de ouvir opiniões discordantes e lidar com comporta- mento defensivo. O método Falar e Ouvir pressupõe que a oportunidade de liberar sentimento de frustração ajudará o colaborador a reduzi-los ou superá-los (BOHLANDER, 2003). ■ Solução de Problemas: as habilidadesassociadas a esse tipo de entrevista são similares ao processo de “Falar e Ouvir”, pois ouvir, aceitar e reagir aos sentimentos são elementos importantes para resolução de problemas. Porém o método vai além, busca estimular o crescimento e o desenvolvi- mento, discutindo, racionalmente, os problemas, as necessidades, os mé- todos, as inovações e as insatisfações. Ao conduzir uma entrevista dentro desses moldes, o avaliador estará incentivando o colaborador a pensar, fazendo com que ele desenvolva sua criatividade, segurança, tomada de decisão, comprometimento e autovalorização (BOHLANDER, 2003). U N ID A D E 5 168 Conduzindo a Entrevista de Avaliação Embora não haja regras de como conduzir uma entrevista de avaliação, há algu- mas orientações que podem levar o colaborador a aceitar melhor o feedback, a ficar mais satisfeito com a entrevista e a desejar melhorar no futuro. É importante que o gestor avaliador desenvolva sua própria estratégia, levando em conside- ração seu próprio estilo e personalidade, o perfil e a personalidade do avaliado e, também, o contexto e as circunstâncias em que se desenvolverá a entrevista. Diante desse desafio, Bohlander (2003) nos traz uma série de orientações que visam a facilitar a condução da entrevista de avaliação. ■ Peça uma autoavaliação: peça para que o colaborador faça uma avalia- ção do próprio desempenho antes da entrevista, pois, mesmo que essas informações não sejam usadas formalmente, o objetivo é conduzi-lo a uma reflexão sobre seus próprios resultados evitando que a pessoa seja pega de surpresa. ■ Estimule a participação: o objetivo inicial de uma entrevista de avaliação é estabelecer o diálogo para o aprimoramento do desempenho. Quanto mais ativa for a participação do avaliado, maior será a probabilidade de gerar ideias e encontrar soluções criativas para os problemas. Portanto, o Avaliador deve, a todo o momento, estimular a participação e buscar o com- prometimento do avaliado. Em geral, o avaliador deve falar, em média, de 30 a 35% do tempo e, no restante, ele deve ouvir as respostas e as opiniões. ■ Expresse o reconhecimento: o elogio é um processo motivador, prin- cipalmente, em uma entrevista de avaliação, então, estabeleça o feedback positivo e reforce os pontos favoráveis do desempenho. Muitos autores recomendam iniciar a entrevista pelos pontos positivos, pois entende-se que, dessa forma, o avaliado se colocará em uma posição menos defensiva, porém esse método pode despertar no avaliado a preocupação de que as críticas ainda virão. ■ Minimize críticas: ninguém gosta de ser criticado. Geralmente, as pes- soas são capazes de absorver um número limitado de críticas antes de adotar uma postura defensiva. Partindo da ideia que a entrevista tem, por finalidade, o aprimoramento, o avaliador deve dosar o volume de críticas. Se houver um número grande de pontos negativos, é aconselhável que o U N IC ES U M A R 169 avaliador eleja as questões mais problemáticas e importantes para serem trabalhadas primeiro, porém controlando bem as dosagens. Faça, apenas, as críticas que forem, realmente, necessárias; tome cuidado, não exagere nas críticas e faça do aprimoramento sua meta. ■ Mude o comportamento, e não a pessoa: ao lidar com situações proble- máticas, o avaliador deve considerar que o problema não é a pessoa, mas suas ações e seus comportamentos adotados no trabalho. Trabalhe com base nos fatos evidenciados por meio do comportamento do avaliado, evitando emitir opiniões e recomendações a áreas que são, intrinseca- mente, pessoais. ■ Foco na solução de problemas: ao tratar questões de desempenho é co- mum entrar no jogo da culpa, iniciando uma discussão que, geralmente, só abala o relacionamento. É importante considerar que, diante de uma situação-problema, o mais importante é descobrir como solucionar o problema e, em segundo plano, se houver necessidade, quem, realmente, é o responsável ou o culpado. O foco da entrevista deve estar em encontrar as causas dos problemas e estabelecer planos para solucioná-los. ■ Dê apoio: uma das melhores técnicas para o avaliador engajar um co- laborador no processo de solução de problemas consiste em perguntar: “o que posso fazer para ajudá-lo?” Frequentemente, os colaboradores atribuem os problemas a obstáculos reais ou percebidos (como proce- dimentos burocráticos ou recursos inadequados). Ao estar disponível e dar apoio, o avaliador mostra ao colaborador que ele tentará eliminar os bloqueios externos e irá, junto a ele, atingir padrões elevados. ■ Estabeleça metas: o objetivo da entrevista é estabelecer planos para o aprimoramento do desempenho. É importante estabelecer uma visão de futuro, ao invés de resgatar o desempenho passado, ou seja, pé preciso enfatizar os pontos fortes que devem ser aproveitados; concentrar-se na oportunidade; estabelecer prioridades e datas para o cumprimento; e des- crever qual é o objetivo e como será atingido. ■ Follow-up diário: o feedback é mais útil quando imediato e específico a uma situação particular. É importante que o avaliador estabeleça fee- dback periódico, de preferência, informal. Algumas empresas adotam pequenas sessões de feedback diários. U N ID A D E 5 170 Observe quantas alternativas de atuação o gestor dispõe para a elaboração de sua estratégia para a entrevista de avaliação. É de suma importância que o gestor seja conhecedor de tais alternativas e recursos para que possa desenvolver, autonoma- mente, sua forma de atuação, porém levando em consideração o aspecto-chave: a busca da melhoria contínua. Etapas a serem Observadas na Entrevista de Avaliação Para que haja chances de sucesso no processo de execução da entrevista de ava- liação de desempenho, é necessário que o avaliador seja estratégico e cuidadoso com o desenvolvimento do processo, para evitar, assim, uma experiência nega- tiva ou traumática para o avaliado. Diante dessa necessidade, Bohlander (2003) nos propõe algumas ideias que denominamos, aqui, etapas para a entrevista de avaliação, sendo: Programação da Entrevista de Avaliação de Desempenho ■ Marque a data da revisão e avise o colaborador com antecedência de 10 a 15 dias. ■ Peça ao colaborador para que se prepare para a reunião, revisando seu desempenho, objetivos no cargo e metas de desenvolvimento. ■ Deixe claro que se trata de um processo de avaliação. U N IC ES U M A R 171 Preparando-se para a Entrevista de Avaliação de Desempenho ■ Revise a documentação coletada durante o período de avaliação. ■ Prepare-se para dar exemplos do desempenho acima ou abaixo da média. ■ Quando o desempenho fica aquém, discuta e planeje como reforçá-lo. ■ Depois que a avaliação for preenchida, deixe-a, de lado, por alguns dias e revise-a. ■ Siga e cumpra todas as etapas exigidas pelo sistema de avaliação de sua empresa. Conduzindo a Entrevista de Avaliação de Desempenho ■ Selecione um local que seja confortável para uma conversa franca e sincera. ■ Discuta cada período da avaliação, um por vez, considerando pontos for- tes e fracos. ■ Seja específico e descritivo, evitando generalizações e julgamentos, bem como relate fatos reais ao invés de avaliá-los. ■ Discuta a diferença entre você e o funcionário e resolva-a. Confira se o avaliado está de acordo com o resultado. ■ Discuta e elabore planos com o avaliado para que sejam tomadas ações corretivas. ■ Mantenha uma conduta profissional e de apoio em relação à discussão de avaliação. U N ID A D E 5 172 3 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO e do Feedback na Avaliação de Desempenho Para que uma entrevista ocorra, é necessária a troca de feedback. Partindo desse princípio, é importante considerar que o feedback se desenvolve com base no pro- cesso da comunicação humana. Diante disso, precisamos considerar alguns aspec- tos sobre a comunicação. Segundo Pontes (2008), comumente, pensa-se na forma como serão proferidas as palavras, sempre objetiva-se utilizar aforma mais clara possível considerando se o tom deverá ser mais baixo ou mais alto, se a fala deverá ser lenta ou rápida e, até mesmo, se deverá apresentar aspecto cômico ou sóbrio. A boa comunicação é uma série de verificações que fazemos, primeiro, em nós mesmos e, em seguida, na outra pessoa. Ouvir é o grande segredo da alta qualidade na comunicação. Segundo o referido autor, para que uma comunicação seja considerada boa, faz-se necessária a presença de quatro elementos, sendo: falar, ouvir, ouvir-nos falar e ouvir-nos ouvir. Ao pensar o processo da avaliação de desempenho, é essencial garantir uma comunicação de qualidade, pois, além de atender ao aspecto psicológico, é condição comum a todos o desejo de ter conhecimento acerca de seu próprio desempenho. O feedback é a ferramenta que orienta o desempenho das pessoas nessa di- reção, pois, se for emitido de forma clara e franca, permite o estabelecimento de um bom relacionamento, ajudando a criar um clima positivo para o trabalho. U N IC ES U M A R 173 O Processo de Comunicação É importante percebermos que todo comportamento é comunicação! Toda interação, qualquer que seja, supõe, por definição, um modo de comunicação. O problema básico, em uma comunicação, é que a informação captada por uma pessoa pode não ser aquela que o emissor quis transmitir. Quem fala e quem ouve são duas pessoas distintas, vivendo em mundos diferentes, por isso, um grande número de coisas podem acontecer e causar distorções nas mensagens entre elas. O aparelho sensorial humano não transmite uma duplicata exata da realidade do mundo externo para a mente do observador. Nossas necessidades e experiên- cias tendem a colorir o que vemos e ouvimos. As mensagens que não desejamos aceitar são reprimidas; outras, ampliadas e outras, ainda, tiradas do nada ou dis- torcidas da realidade. Na sequência, Pontes (2008) nos traz algumas ideias que procuram responder porque as comunicações se destroem. Acompanhe a seguir: Por que as comunicações se destroem • Um dos motivos é que ouvimos só o que queremos ouvir. • A maioria das pessoas resiste à mudança. Ignora qualquer coisa que vá contra às suas crenças. • O receptor não só avalia o que ouve em termos das bases de expe- riências pessoais, mas, também, leva em conta o emissor. • Grande dificuldade de separar o que ouvimos do que sentimos em relação ao emissor. As percepções diferentes, também, intervêm na distorção da comunicação, em que as pessoas interpretam o mesmo estímulo de modos diferentes, dependendo de sua experiência prévia. Como exemplo, tomemos o caso de um supervisor que está observando um grupo de funcionários rindo: ■ Para o administrador que acredita que o trabalho deve ser duro para ser produtivo, o riso lhe comunica que o tempo está sendo desperdiçado. ■ Para o administrador que acredita que funcionários contentes trabalham mais arduamente, o riso lhe comunica que ele está funcionando bem como administrador. ■ Para o administrador que tem uma personalidade insegura, o riso lhe comunica que as pessoas estão rindo dele. U N ID A D E 5 174 As palavras podem significar diferentes coisas às diferentes pessoas, pois a lingua- gem é um método de usar símbolos para representar fatos e sentimentos, ou seja, não podemos transmitir “significados”, e, sim, “palavras”. E as mesmas palavras podem sugerir coisas bem diferentes a diferentes pessoas. Os significados estão nas pessoas, e não nas palavras (PONTES, 2008). Grupos ocupacionais e grupos sociais tendem a desenvolver sua própria lin- guagem especial, chamada “gíria”. Algumas vezes, os membros do grupo esquecem disso quando estão falando com um estranho, que não entende estes significados internos. A comunicação não verbal, como, por exemplo, o olhar para os olhos, a forma da boca, os músculos da face e, até mesmo, a postura do corpo, pode dizer mais sobre o que a outra pessoa, realmente, pensa do que as palavras que ela está usando. O inverso é que nós mesmos, também, comunicamos coisas sem intenção. As emoções, também, produzem efeitos sobre a comunicação, pois, quando nos sentimos inseguros, aborrecidos ou receosos, o que ouvimos e vemos parece ser mais ameaçador do que quando nos sentimos seguros e em paz com o mundo. A tristeza e o desespero dão cor a tudo o que fazemos e vemos. Do mesmo modo, quando alegres, podemos “não ouvir” problemas ou críticas (PONTES, 2008). Vivemos em um mundo de palavras e cercados de sons o tempo todo, e as pessoas aprendem a “desligar” muitas coisas. O que o administrador diz pode ser ignorado, nunca ouvido, porque soa como o que ele sempre diz: “trabalhe com eficiência, economize material”. Assim, antes que as pessoas possam ouvir uma mensagem, devem aprender a discriminar entre os ruídos de fundo (o que sempre se diz) e o que constitui uma nova informação significativa (PONTES, 2008). Pode-se melhorar a comunicação por meio de técnicas, mas nenhuma delas cura tudo, pois a perfeita compreensão entre as pessoas é impossível. O feedback, talvez, seja o mais importante método de melhorar as comunicações. Esse termo, adotado da engenharia, refere-se à habilidade de certas máquinas complexas ve- rificarem seu próprio desempenho e corrigi-lo. Em nossas comunicações, mesmo em conversas casuais, estamos alerta para saber se somos compreendidos. Limitar o receptor à resposta “sim” ou “não” é menos eficiente do que permitir que amplie os seus comentários. A maioria das comunicações é uma combinação de fatos e sentimentos. So- mente, quando o emissor é capaz de experimentar um feedback do receptor, pode ele realmente saber o que está ouvindo e o que não está. É difícil entender-se com um ouvinte quando você está tentando comunicar algo que contradiz suas U N IC ES U M A R 175 expectativas. Portanto, é preciso ser sensível ao que se diz e ao impacto provoca- do nos sentimentos do receptor, adequando-se ao seu vocabulário, interesses e valores (PONTES, 2008). O Contexto e a Aplicação do Feedback Feedback é um termo oriundo da cibernética e, atualmente, é bastante difundido em Psicologia, Sociologia, Pedagogia, Medicina, Administração e outras áreas do conhecimento. É usual a utilização do termo em inglês, sua forma original. Feedback significa retroação, retroalimentação ou retro informação (MISSEL, 2016). Usa-se, principalmente, nos sistemas eletrônicos e, também, nas viagens espaciais para anotar o mecanismo que regula as naves no voo espacial. A estação terrestre observa e obtém informações da nave, que, por sua vez, envia informa- ções para a Terra, para prosseguir sua viagem ou para corrigir desvios da rota marcada (MISSEL, 2016). Nós, igualmente, desviamo-nos, às vezes, nas relações interpessoais, no nosso modo de proceder e de interagir, ocasionando falhas e queda em nosso desempe- nho. Por isso, é de toda convivência usar nosso próprio mecanismo de feedback para pôr-nos, novamente, em órbita. Aplicando nas relações interpessoais, torna- -se uma forma de ajuda a outra pessoa ou ao grupo, considerando a possibilidade de mudança na conduta. Pontes (2008, p. 187) define o feedback como: “ Feedback é a comunicação para fornecer informações sobre como é percebida a atuação de quem está ouvindo e se a forma dessa atuação pode estar afetando o trabalho de outras pessoas. É um pro- cesso de ajuda para a mudança de comportamentos inadequados, manutenção de comportamentos desejáveis e orientação para novos comportamentos, contudo o feedback deve fornecer a informação sobre o desempenho de forma clara e objetiva. Diante da fala do autor, podemos perceber que feedback é a informação que se dá a uma pessoa sobre como o seu comportamento está sendo percebido e como isto afeta a postura dos demais. É válido, também, para expressar como a atuação do grupo está afetando uma ou mais pessoas. Em suma, o feedback é um processo de ajuda mútua para a mudança de comportamento. É um mecanismo auxiliar U N ID A D E 5 176 para quem desejaperceber quanta afinidade existe entre suas intenções e sua conduta e, assim, melhorar o seu desempenho (PONTES, 2008). O Feedback utilizado em uma avaliação tanto formal como informal busca ana- lisar o desempenho passado com vistas ao desempenho futuro, objetivando o maior aproveitamento do potencial do profissional. Assim, o feedback não é um “ajuste de contas”, mas uma análise construtiva do desempenho e do potencial do colaborador. Por isso, é importante desenvolver tanto a habilidade de receber como a de emitir feedback. Mas, apenas, o reconhecimento dessa importância não basta, é preciso muito exercício, pois não é fácil dar e, muito menos, receber feedback (PONTES, 2008). Dificuldade para Receber Feedback Precisamos concordar que é difícil aceitar nossas limitações e carências e, ainda mais, admiti-las para outras pessoas publicamente. No processo de feedback, a questão da confiança no outro é o ponto crítico, e isto aumenta a dificuldade em aceitá-lo, principalmente, em situações de trabalho que possam afetar nosso status ou imagem. Podemos, também, recear o que a outra pessoa pensa a nosso respeito, por sentir que nossa privacidade esteja sendo violada ou por imaginar que o apoio que esperamos nos esteja sendo negado. Às vezes, ao recebermos informações que indicam estarmos contribuindo para manter um problema, reagimos defensivamente, negando a validade do feedback, agredimos o comunicador, apontando-lhe, também, seus erros etc. Isso porque, a resolução de um problema pode significar descobrir e reconhecer alguma faceta de nossa personalidade que temos negado ou, até mesmo, evitado pensar. Diante disso, devemos trocar os dois dês, defender e debater, pelos dois pês, prestar aten- ção e procurar entender o que está sendo comunicado (KRAUSZ, 1999). Dificuldade para Emitir Feedback Há alguns pontos de atenção ao se dar um feedback. O objetivo ao se dar um feedback não é demonstrar nossa inteligência e habilidade, mas, sim, pensar na utilidade da informação para o receptor. Também, é preciso atenção no que tange a se reagir, somente, a um aspecto do que vemos no comportamento do outro, considerando nossas próprias limitações e, com isso, demonstrarmos parcialidade U N IC ES U M A R 177 e ação, exclusivamente, avaliativas. Assim, o processo de feedback serve mais como desabafo, (alívio de tensão), como agressão ao receptor, velada ou manifestada. Outra questão que se evidencia é que, muitas vezes, amedrontamo-nos frente às reações dos outros, à sua mágoa, à sua impressão sobre nós, à sua raiva etc., isto é, amedrontamo-nos com a possibilidade de o feedback não ser, corretamente, interpretado, e isso ocorre porque, em nossa cultura, o feedback, ainda, é perce- bido como uma crítica negativa e tem implicações emocionais (KRAUSZ, 1999). Superando as Dificuldades de Emitir e Receber Feedback Para superar as dificuldades em emitir e receber feedback, primeiramente, neces- sitamos entender, essencialmente, a sua finalidade, que é fornecer informações sobre o comportamento e o desempenho, com base em dados objetivos, de tal forma que a pessoa avaliada possa manter uma atitude positiva em relação a si própria e a seu trabalho ou, ainda, estimular aquele que recebe a avaliação a com- prometer-se com o planejamento pessoal, a fim de buscar padrões estabelecidos de comportamento e desempenho. Krausz (1999) menciona que, para superar tais dificuldades, é necessário: ■ Estabelecer uma relação de confiança recíproca para diminuir as barreiras entre comunicador e receptor. ■ Demonstre respeito, lembre-se de tratá-los da maneira como você gos- taria de ser tratado. ■ Reconhecer que o feedback é um processo de exame conjunto. ■ Aprender a ouvir, a receber feedback sem reações emocionais intensas. ■ Aprender a dar feedback de forma habilidosa, sem conotações emocio- nais intensas. Princípios para o Feedback Eficaz O feedback eficaz é aquele que consegue promover as alterações ou as mudanças objetivadas de forma a evidenciar as qualidades do avaliado, estimulando-o para a mudança e o aprimoramento do desempenho. Diante desse desafio, Krausz (1999) nos oferece algumas orientações sobre como tornar o feedback mais eficaz, U N ID A D E 5 178 nesse sentido, a autora destaca que ele necessita apresentar algumas características específicas que o tornará mais poderoso, sendo: ■ Aplicável: ser dirigido para comportamentos que o receptor possa modificar. Quando indicamos alguma limitação sobre a qual a pessoa não possui controle algum, só conseguimos aumentar a frustração. ■ Neutro: ser descritível ao invés de avaliativo. Quando se evita o julgamento e faz-se, apenas, o relato de um evento ou fato, re- duz-se a necessidade do outro reagir de forma defensiva. Nesse caso, o objetivo é provocar na pessoa uma autoavaliação por meio da análise dos fatos, e não por meio das opiniões. ■ Específico: é o oposto da generalização. Quando o feedba- ck é generalizado, a mensagem fica vaga, perde sua força e significado, e o receptor não dispõe de dados suficientes para compreendê-lo e utilizá-lo. ■ Solicitado: o feedback será mais útil quando não imposto, isto é, quando a própria pessoa formulou a pergunta que permite ao emissor oferecer uma observação. ■ Oportuno: geralmente, é mais efetivo se for oferecido imedia- tamente depois de ocorrer à conduta. Saber quando oferecer feedback é tão importante quanto saber como fazê-lo. ■ Direto: ser oferecido, pessoal e diretamente, ao interessado, e não a colegas, superiores, subordinados ou outras pessoas. ■ Comprovado: solicitar que o receptor repita a mensagem para a comprovação da sua compreensão, conforme a expectativa do emissor. Tipos de Feedback, Coaching e Aconselhamento Apenas para reforçar nosso entendimento, o feedback é um mecanismo auxiliar para quem deseja perceber quanta afinidade existe entre suas intenções e sua con- duta e, assim, melhorar o seu desempenho. Dessa forma, existem diferentes manei- ras de emitir e percebê-lo. É importante que o gestor esteja, devidamente, preparado para lidar com as diferentes configurações que o feedback pode assumir. U N IC ES U M A R 179 De acordo com Minor (2005), existem, basicamente, quatro formas de ofe- recer o feedback e o uso adequado dessas formas quase sempre determinará a diferença entre o sucesso ou o fracasso no processo de feedback. O quadro a seguir procura apresentar as ideias da referida autora de forma resumida. TIPO DEFINIÇÃO FINALIDADE EFEITO Feedback Silêncio Nenhuma resposta dada. Exemplo: Silêncio. Manter o Status quo - Diminui a confiança (em longo prazo). - Reduz desempenho (em longo prazo). - Gera surpresas durante as avaliações de desempenho. - Pode gerar paranoia. Feedback Crítica (Negativa) Identifica comporta- mentos ou resultados indesejáveis, que não correspondem ao padrão. Exemplo: “Você não se saiu bem na coorde- nação daquela reunião hoje de manhã”. Cessar com- portamento/ resultados indesejáveis - Gera desculpas e censura as dos outros. - Tende a eliminar outros comportamentos correlatos. - Diminui a confiança. - Leva à fuga e à esquiva. - Abala o relacionamento. Feedback Conselho Identifica comporta- mentos ou resultados considerados alta- mente importantes e especifica, frequen- temente, a maneira como incorporá-los no futuro. Exemplo: “Lembre-se de falar com Susan e incluir suas ideias no relatório final”. Dar forma ou mudar compor- tamento/resul- tados, a fim de elevar o nível de desempenho. - Melhora a confiança - Pode melhorar o relaciona- mento. - Eleva o nível de desempe- nho. U N ID A D E 5 180 Feedback Reforço Positivo Identifica comporta- mentos ou resultados desejados, que corres- pondam aos padrões ou os excedam. Exemplo: “A diagra- mação deste relatório facilitará o meu traba- lho. Agradeço-lhe pela atenção de estruturá- -lo dessa maneira”. Aumenta o desempenho e os resultados desejados. - Aumenta a confiança.- Eleva o nível de desempe- nho. - Aumenta a motivação. Quadro 1 - Tipos de Feedback Fonte: adaptado de Minor (2005). Uma vez compreendidas a importância do feedback na avaliação e, principal- mente, a forma que os diferentes tipos de feedback podem ser utilizados para auxiliar nesse processo, cabe incrementar e sofisticar um pouco mais o nosso entendimento por meio dos conceitos e métodos utilizados para o Coaching e o Aconselhamento. Ambos os métodos são utilizados no momento do feedback, porém cada um apresenta uma finalidade distinta, que, quando aplicada adequa- damente, contribui para potencializar o resultado da sessão de feedback. Para entendermos melhor cada um dos conceitos bem como seu modo de aplicação, recorro a Minor (2005), que propõe a seguinte definição. Coaching: processo diretivo desenvolvido pelo gestor, a fim de treinar e orientar um colaborador de acordo com as realidades do ambiente de trabalho e ajudá-lo a eliminar os obstáculos para um desempenho profis- sional ótimo. Aconselhamento: processo de apoio desenvolvido pelo gestor, a fim de ajudar um colaborador a definir e a trabalhar problemas pessoais que afetam o desempenho profissional. Na sequência, apresentaremos o Quadro 2, desenvolvido a partir da proposta básica de Minor (2005), que procura resumir as principais causas que motivam o uso do Coaching e, também, as principais motivações que motivam o uso do aconselhamento. U N IC ES U M A R 181 INDÍCIO DE QUEDA NO DESEMPENHO QUE NECESSITE DE COACHING Queda de produtividade Desorganização Má qualidade trabalho Falta de assunção de responsabilidade Perda de prazos Foge de trabalhos Falta de prioridades e foco Delegação ascendente Evita tarefas difíceis Absenteísmo INDÍCIO DE MÁ CONDUTA QUE NECESSITE DE ACONSELHAMENTO Pouca ou nenhuma iniciativa Culpa os outros pelos erros Omissão Postura de defesa Falta de interesse Evita contato com colegas Aumento de reclamações Falta entusiasmo no dia a dia Falta de cooperação Irritabilidade e depressão Quadro - Coaching Fonte: adaptado de Minor (2005). Desenvolvendo o Processo de Feedback Como já mencionado, o feedback é uma ferramenta administrativa que possibi- lita a troca e a retroalimentação de informações a respeito de uma determinada pessoa. Cabe reforçar a necessidade de alto preparo, por parte dos avaliadores, para o estabelecimento do feedback, evitando, assim, a geração de experiências negativas ou traumáticas naquele que recebe. Ainda, vale a pena mencionar que o processo de feedback deve ser entendido como um momento muito importante entre o gestor e seu colaborador e que ele deve sempre priorizar a melhoria contínua. Dessa forma, quanto mais o emissor do feedback estiver preparado e conhecer os processos e as etapas desse feedback, maior será seu poder sobre a situação e, naturalmente, a tendência em alcançar melhor o resultado. Como já estudamos, porém, é comum gerentes apresentarem dificuldades em lidar com pessoas e, ainda, terem sérias limitações em relação à prática do feedback. Partindo dessa realidade e de uma necessidade em instruir melhor os gestores sobre como é possível conduzir o feedback de maneira assertiva e pro- U N ID A D E 5 182 cessual, foi elaborado o Quadro 3, que resume as etapas e as instruções do que fazer em cada momento do processo do feedback. 1 - ABRE 2 - ESCLARECE 3 - ENVOLVE 4 - CONCORDA 4 - FECHA ABRE falando do motivo da reunião, reforçando os aspectos positivos da pessoa e do momento. Faz a proposta do contrato psicológico: 1º espontaneidade, 2º disponibilidade e 3º sigilo. ESCLARECE a situação, fala da sua percepção sobre o ponto abordado, sempre demonstrar casos práticos utilizando exemplos sobre o assunto. Estimular o treinando a relatar seu ponto de vista sobre o assunto abordado (O que você tem a dizer sobre esse assunto?) ENVOLVE a pessoa nos passos para a solução do problema, estimular o treinando a relatar sua proposta de mudança. (O que você está disposto a fazer para mudar essa situação?) FECHA resumindo os pontos abordados, rea�rma as expectativas, expressa sua con�ança, mantendo uma postura de respeito, valoriza os aspectos positivos da pessoa, sinaliza os ganhos positivos da mudança, agradece e despede-se. Ganha CONCORDÂNCIA sobre os próximos passos e responsabilidades. Estabelece objetivos e datas para uma nova avaliação. Quadro 3 - Etapas do processo de feedback Fonte: Pereira (2012, p. 194). O quadro anterior é o resultado de uma série de experiências com relação ao tema, em que procurei, de forma clara e objetiva, sistematizar uma sequência de eventos que pudesse proporcionar ao gestor avaliador maior segurança sobre o assunto. Baseado nessa proposta, o gestor pode estabelecer um planejamento prévio sobre os assuntos a serem abordados e especificar em que momento cada um deve ser tra- tado, podendo, ainda, identificar a necessidade de reforçar alguma informação em um dado momento ou, ainda, acelerar o processo de explicações e tratar, com maior foco, os resultados a serem alcançados, buscando o reconhecimento da outra parte sobre aquilo que está sendo tratado. Enfim, o quadro tem a finalidade de propor uma ideia geral sobre como conduzir, adequadamente, uma reunião de feedback. U N IC ES U M A R 183 Procedimentos para o Feedback Para reforçar a ideia sobre os cuidados a serem tomados na prática do feedback, Pontes (2008) nos propõe os procedimentos para o feedback, os quais consistem em uma série de observações e cuidados a serem tomados antes, durante e depois da reunião de feedback. ■ Analisar a situação: qual é o problema? Tenha bem claro o que, no comportamento e nos desempenhos atuais, precisa ser mudado e o porquê. Disponha de exemplos à mão. ■ Ajustar-se à receptividade: é muito importante ter em mente que as pes- soas diferem em sua capacidade de absorver as críticas, e que a capacidade de uma determinada pessoa, também, pode variar a cada dia. ■ Criar o ambiente propício: é importante estabelecer um clima de verdade, o respeito mútuo e a possibilidade de criticar e ser criticado prevaleçam. ■ Comunicar-se assertivamente: faça uso de sua competência em comu- nicar. Lembre-se de que: o que você diz representa 7% da comunicação; a maneira como você diz representa 38%; e sua linguagem corporal representa 55% da comunicação. ■ Descrever o comportamento que deseja mudar: é essencial que a pessoa, primeiro, compreenda qual é o ponto; depois, que aceite a existência do problema. E, finalmente, que ela aceite a necessidade de mudar. ■ Descrever o comportamento desejado: é muito importante deixar claro o comportamento ou o desempenho que se deseja que a pessoa apresente no futuro. ■ Concentrar-se naquilo que se acha bom: tenha certeza de que você está levando em conta o que está funcionando, o que está de acordo, tanto quanto o que não está de acordo, isto é, as áreas que precisam de melhorias. ■ Chegar a um acordo: você não pode forçar uma pessoa a mudar seu com- portamento ou desempenho; pode ajudá-la e encorajá-la, mas, apenas, a pessoa pode, efetivamente, executar a mudança. Assim, é essencial que a pessoa concorde. A Gestão do Desempenho deve integrar um conjunto de ações para alinhar, por um lado, as expectativas das pessoas em relação à empresa e, por outro, o atendimento das neces- sidades da empresa por meio do desempenho das pessoas. Fonte: adaptado de Lucena (2004). explorando Ideias U N ID A D E 5 184 4 DA AVALIAÇÃO À GESTÃO do Desempenho A mudança de um modelo de avaliação de desempenho para uma proposta de gestão do desempenho não pode ser confundida com uma mera aplicação de tal avaliação. A gestão do desempenho deve integrar um conjunto de ações para ali- nhar, por um lado, as expectativas das pessoas em elação à empresa e, por outro, o atendimento das necessidades da empresa por meio do desempenho das pessoas. Gerenciar a avaliação de desempenho desse ponto de vista significa valori-zar o potencial humano, que está disponível para atuar na empresa, levando em consideração suas competências, habilidades, condições de realização e as suas motivações. Assim, a gestão do desempenho tem, como resultado, o alinhamento das expectativas das pessoas às necessidades da empresa, reconhecendo que essa pode ganhar vantagem competitiva quando considera as diferenças individuais, os talentos e as potencialidades de cada um, além de valorizar o comprometi- mento das pessoas com o negócio da empresa. O resultado da gestão de desempenho é um dos maiores desafios da gestão de pessoas, pois implica um processo que alinha as políticas e as práticas de recursos humanos, podendo, ainda, contribuir para o direcionamento estratégico da em- presa. Entretanto esse desafio só poderá ser superado se a pessoa perceber que a sua relação com a empresa agrega valor para si mesma e sentir sua importância como parte dela (HANASHIRO et al., 2008). U N IC ES U M A R 185 Aprimorando o desempenho Em primeiro momento, os gestores ou os avaliadores precisam ser conscientiza- dos sobre os objetivos do processo e, principalmente, receber informações sobre como utilizar a ferramenta para potencializar o desempenho e, consequente- mente, os resultados da empresa. Cabe demonstrar aos gestores o quanto eles são responsáveis pelo mau ou bom desempenho dos membros de sua equipe. Em segundo momento, cabe à empresa investir no processo de preparação daqueles que serão avaliados, para que compreendam o que irá acontecer e como irá acontecer bem como os objetivos e os resultados esperados. Cabe, ainda, dei- xar claro aos colaboradores quais possíveis benefícios poderão ser aproveitados por aqueles que conseguirem atender aos requisitos avaliados. Dessa forma, a empresa precisa, principalmente, usar de toda transparência possível para conquistar a credibilidade junto aos envolvidos, evitando que per- cebam o processo como um instrumento de identificação de falhas ou punição, pois o processo deve ser percebido como uma possibilidade de melhoria, desen- volvimento e crescimento, não só para a empresa, mas, principalmente, para os colaboradores participantes (avaliados e avaliadores). Para auxiliar nesse processo de melhoria do desempenho, Bohlander (2003) nos propõe duas formas básicas para promovermos tal melhoria, sendo: identi- ficar as fontes do desempenho deficiente e gerenciar o desempenho deficiente. Identificar as Fontes do Desempenho Deficiente: Considerando que o de- sempenho é composto e sofre influências de três fatores (Capacidade, Motivação e Ambiente), recomenda-se que o diagnóstico do desempenho deficiente focalize esses três elementos interativos. O avaliador deve buscar a causa ou o porquê do mau desempenho, subdividindo-o e analisando, separadamente, cada um dos aspectos (BOHLANDER, 2003). Gerenciar o Desempenho Deficiente: Uma vez conhecidas as origens dos problemas de desempenho, o gestor, junto ao avaliado, pode planejar um curso de ações. Todas as ações devem ser objetivas, conscientes e com senso de ética e justiça. As ações podem contemplar: treinamento em área específica (técnica, humana e conceitual); transferência de setor, cargo ou unidade; implementa- ção de ações administrativas e disciplinares; e desligamento do colaborador (BOHLANDER, 2003). U N ID A D E 5 186 5 AÇÃO DISCIPLINAR A ação disciplinar surge como alternativa para os casos em que o gestor já esgotou todas as “fichas”, ou seja, deu o melhor de si para ajudar um colaborador a melho- rar o seu desempenho, porém seu esforço não resolveu. Diante dessa realidade, é necessário dar início a uma ação disciplinar que Minor (2005, p. 48) define como: “ Sistema formal de gerenciamento projetado de modo a fazer com que o empregado assuma a responsabilidade por seu próprio com-portamento e concorde em melhorar o desempenho ou enfrentar as alternativas específicas prescritas. A referida autora orienta que, antes de tomar qualquer decisão, busque informa- ções sobre as políticas estabelecidas pela empresa para administrar situações-pro- blema com colaboradores e procure saber qual é o procedimento que a empresa espera que seja adotado. É importante reforçar que a ação disciplinar, somente, deve ser acionada quando todas as outras possibilidades já foram esgotadas. U N IC ES U M A R 187 Importância da Documentação Por se tratar de algo que implica, diretamente, a relação entre a empresa e o co- laborador, Minor (2005) recomenda que todas as iniciativas, em relação à ação disciplinar, sejam documentadas, sendo necessário que o gestor formalize, por meio de documentos ou formulários, todas as atividades e ações desenvolvidas por cada colaborador. É importante conter a data, o nome dos participantes, o assunto trabalhado, as possíveis decisões tomadas e, principalmente, a assinatura dos envolvidos. O Papel do Gerente Mantenha seu superior imediato informado sobre o andamento da situação e busque sua opinião e, principalmente, envolva-o nas decisões. Perceba que é, ex- tremamente, importante obter o apoio do superior imediato antes de iniciar um processo de ação disciplinar, pois ele fará com que o gestor de recursos humanos, junto ao avaliador, não tome nenhuma ação que possa ir contra aos princípios e aos valores da empresa ou, ainda, não proceda conforme a visão da organização (MINOR, 2005). Passos Necessários à Ação Disciplinar Como qualquer intervenção administrativa, a ação disciplinar requer alguns cuidados para evitar distorções e, principalmente, injustiças. De acordo com Minor (2005), para a realização de uma ação disciplinar, é necessário seguir os passos listados a seguir: a) Advertência verbal: conversa formal entre o funcionário e seu superior imediato com objetivo de corrigir déficits de comportamento, habilidade e resultados. Recomenda-se que essa conversa seja realizada em particu- lar, em local reservado. É importante registrar o fato e anexá-lo ao arquivo do colaborador. b) Lembrete (advertência) por escrito: se, após a advertência verbal, o co- laborador, ainda, não apresentar melhorias, o gestor tem a possibilidade de recorrer à “Advertência por Escrito”. Essa ação administrativa objetiva formalizar o ato infracionário do colaborador e respaldar a empresa em fu- U N ID A D E 5 188 turas ações trabalhistas. A advertência necessita ser feita em duas vias (uma para colaborador e outra para empresa) e deve ser, devidamente, assinada e datada; caso o colaborador se recusar a assinar, a empresa pode formalizar e validar o documento por meio de duas assinaturas de testemunhas. c) Discussão de dispensa (desligamento): as decisões de dispensa, rara- mente, são simples ou fáceis. É um momento muito delicado que deve ser conduzido pelo gestor, com muita consciência e informação. O gerente informa ao funcionário o seu desligamento e especifica os motivos dessa decisão; nesse momento, o gestor pode utilizar, como base de argumen- tação, as advertências verbais e escritas. É muito importante o gestor preservar a pessoa, compreender as possíveis reações e, principalmente, manter uma postura profissional a fim de preservar a imagem da empresa. Apenas para reforçar, entre as causas que levam as empresas a demitir, desta- cam-se: furtos, absenteísmo, ataque aos bens da empresa, adulteração de documentos (cartão ponto), conduta criminosa, insubordinação e problemas de relacionamento. A demissão de um colaborador é uma das tarefas mais ingratas dos Geren- tes e Administradores, especialmente, quando se trata de um colaborador que é desligado por motivos que fogem ao seu controle. Porém, tão importante quanto admitir as pessoas certas nos momentos certos, é demitir as pessoas no momento em que se torna necessário. Deixar uma pessoa “ir ficando” porque é “boazinha” e não cria problemas não costuma ser uma boa prática. A demissão de um cola- borador não deve ficar ao arbítrio de uma só pessoa; embora o superior imediato tenha a maiorparcela de participação na decisão, outras pessoas podem ser ou- vidas e, até mesmo, participar da decisão. O erro mais frequente e grave é conviver muito tempo com pessoas que pro- duzem pouco ou nenhum resultado. Portanto, é preciso que o encarregado ou gerente avalie, periodicamente, seu pessoal, seja munido de coragem para tomar essas decisões e, também, tenha muita habilidade na forma de comunicar. A maneira como as demissões são decididas e comunicadas afeta o moral e a motivação dos que ficam, tanto quanto a decisão e a forma de comunicação sobre os admitidos. Não se deve mentir na hora da comunicação da demissão, a verdade sempre acaba aflorando. Pode-se aparar algumas arestas e omitir alguns detalhes mais duros, mas nunca mentir (MINOR, 2005). A demissão é um processo traumático não só para quem é demitido, mas também para aquele que tem a responsabilidade de tomar a decisão e executá-la, e U N IC ES U M A R 189 a melhor maneira de lidar com uma demissão é procurar evitá-la. Muitas demis- sões começam com más contratações ou com promoções indevidas. A decisão de dispensa é um momento muito delicado que deve ser conduzido pelo gerente ou encarregado, com muita consciência e informação. O responsável pela dispensa informa ao funcionário o seu desligamento e relata os motivos dessa decisão, nesse momento, pode-se utilizar, como base de argumentação, as avaliações periódicas, as sessões de orientação, os resultados, as advertências verbais e as escritas. Vale, ainda, ressaltar que essa conversa deve ser feita em um local reservado, e o gestor deve manter, acima de tudo, uma postura profissional e ética (MINOR, 2005). CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), chegamos ao final de nossa quinta unidade de estudo, na qual tratamos sobre os assuntos que se referem à atuação gerencial sobre os resultados da avaliação. Talvez, esse seja o momento mais importante de todo o processo de gestão de desempenho, pois de nada vale elaborar um excelente planejamento, desenvolver uma ótima ferramenta, investir em treinamento e capacitação para avaliadores e avaliados bem como implantar o processo e, sim- plesmente, não o apresentar à pessoa mais interessada, que é o próprio avaliado. Essa devolutiva, porém, é um momento revestido de muita complexidade, pois estamos tratando de assuntos que dizem respeito a outras pessoas e, nes- sas horas, nem sempre essas conseguem desvincular o fator emocional, o que faz tornar o processo, muitas vezes, traumático, de forma a gerar experiências negativas com relação ao feedback de avaliação. Por isso, é muito importante que o gestor desenvolva conhecimentos e habilidades referentes ao processo comunicacional para que possa agir, de forma mais assertiva, na hora de inter- vir sobre os desempenhos individuais e os da equipe no momento do feedback. Assim, encerramos nossa quinta unidade de estudo e esperamos ter con- tribuído com seu processo de formação! Queremos que saiba que, para che- garmos até aqui, foram muitas horas de dedicação, pesquisa, leitura e reflexões, tudo isso realizado com muito carinho e zelo, especialmente, para você. Nesse momento, dividimos nossa alegria por concluir esse importante desafio, que foi a elaboração e a construção deste livro. Forte abraço até uma próxima oportunidade! 190 na prática 1. Como vimos nesta unidade, o sucesso de uma empresa, também, está firmado no desempenho de seus profissionais. E, para aumentar o desempenho desses, o processo da gestão de desempenho poderá concretizar este objetivo, sendo uma ferramenta gerencial que os gestores da área irão administrar o desempenho de sua equipe em todas as suas dimensões. Assim, sobre a atuação gerencial, avalie as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta. a) O gerente não possui responsabilidade sobre os resultados de sua equipe, uma vez que ela pertence a cada avaliado e à área de recursos humanos que a de- senvolveu. b) Os resultados da equipe gerencial refletem, diretamente, nos resultados do ge- rente, uma vez que esse é responsável pelo desempenho de sua equipe que depende de sua dinâmica de atuação. c) Constata-se que o gerente possui responsabilidade parcial diante do desempe- nho, pois ele busca auxiliar o atingimento dos objetivos de sua equipe, sendo a responsabilidade maior de seus membros. d) O gerente assume a responsabilidade em avaliar sua equipe, mas a condução do processo da gestão de desempenho é de responsabilidade total da área de gestão de pessoas. e) O processo de gestão do desempenho é considerado uma ferramenta geren- cial, mas seus resultados são de responsabilidade exclusiva da área de recursos humanos. 2. O feedback tem por objetivo dar às pessoas um retorno sobre como elas se saíram em suas atividades e planejar o desenvolvimento futuro. Deste modo, a entrevista de avaliação ou feedback que deve ocorrer em todo o processo de avaliação de de- sempenho pode ser considerada uma parte essencial para o sucesso do programa (CHIAVENATO, 2004). Sobre a entrevista de avaliação, assinale a alternativa correta. a) A entrevista de avaliação, sendo um momento de feedback ao subordinado, provoca um afastamento de relação por apresentar críticas que devem ser mo- dificadas para o atingimento de seus objetivos. 191 na prática b) A entrevista de avaliação pode ser utilizada de forma a persuadir a pessoa a mo- dificar seu comportamento bem como ser um momento de liberar as frustrações do colaborador na busca de solucionar os problemas. c) A entrevista de avaliação promove maior aproximação promovida pelos vários momentos de entrevistas, permitindo uma imposição do avaliador na negociação para ocorrer as mudanças viáveis dentro de seu modo perceptivo. d) A entrevista de avaliação para ter um maior aproveitamento deve ser sempre feita em conjunto, pois, assim, as pessoas ficam mais confortáveis por ser abordado o grupo, e não ela especificamente. e) A entrevista de avaliação deve ser realizada, somente, nas datas agendadas na negociação, com o objetivo de impor ao avaliado a realização do trabalho da forma desejada pelo avaliador. 3. Não há regras para conduzir uma entrevista de avaliação, mas o avaliador-gestor deve ter em mente que precisa desenvolver a sua própria estratégia levando em consideração seu próprio estilo e personalidade e o perfil e a personalidade do avaliado e seu contexto. Vimos, nesta unidade, que, na busca de uma maior chance de sucesso, no processo da entrevista de avaliação de desempenho, deve-se tomar muito cuidado, para que se evite uma experiência negativa para o avaliado. Para isso, pode-se considerar que: a) O entrevistado deve ser avisado com antecedência de dez minutos para que ele não desenvolva ansiedade antes da entrevista. b) Após o período da avaliação, revise a documentação coletada evitando apresen- tar ao avaliado. c) Discuta com o avaliado os resultados pretendidos e, assim, elabore os planos com ele na busca de encontrar soluções de problemáticas. d) O local da entrevista pode ser feito em qualquer lugar, melhor no ambiente de trabalho do avaliado, pois ele está mais familiarizado. e) Ao iniciar a entrevista, comece com as críticas, de modo que todas sejam rela- tadas, para que ele perceba que precisa melhorar e mudar sua personalidade. 192 na prática 4. Estudamos, nesta unidade, que, no momento que a organização aprova para a área de recursos humanos uma mudança da avaliação de desempenho para uma gestão de desempenho, deve-se estar consciente das mudanças de atuação, não devendo ser confundidas como uma mera aplicação de um método de avaliação de desempenho. Sobre os pontos que devem ser considerados nesta mudança, analise as afirmativas a seguir. I - Faz-necessário entender que as expectativas das pessoas, em relação às neces- sidades da organização, são diferentes e devem permanecer assim. II - É preciso gerenciar as avaliações de desempenho no sentido de valorizar as potencialidades das pessoas independentementedos objetivos organizacionais. III - É necessário alinhar as políticas e as práticas da área de recursos humanos valorizando o comprometimento das pessoas com o negócio. IV - É preciso contribuir para uma direção estratégica da empresa auxiliando a busca do atingimento dos objetivos organizacionais. É correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) I, II e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 193 na prática 5. Sabe-se que as pessoas possuem personalidades diferentes e que isto influencia em suas atitudes dentro do ambiente organizacional. Então, no contexto organizacional, quando ocorre um caso que o gestor da área já utilizou todas as suas alternativas para ajudar o colaborador a melhorar o seu desempenho, mas não obteve resultado, tem-se como última tentativa realizar uma ação disciplinar (MINOR, 2005). Sobre esta ação, avalie as afirmativas a seguir. I - Antes de utilizar uma ação disciplinar ao colaborador de sua equipe, o gestor deve, primeiramente, utilizar uma advertência verbal. II - Pode ser utilizada, antes da ação disciplinar, uma advertência por escrito para forma- lizar o ato infracionário do colaborador, que servirá para futuras ações trabalhistas. III - A ação disciplinar representa o desligamento do colaborador diante de argu- mentos das advertências verbais e escritas que são feitas anteriormente. IV - A discussão de dispensa representa o momento em que o colaborador deve argumentar justificando o motivo que o levou a receber a advertência para o seu caso ser revisado. É correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) I, II e IV, apenas. c) I e III, apenas. d) III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 194 aprimore-se COMO REDUZIR A ANSIEDADE NA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Existem poucas coisas tão indutoras da ansiedade como uma avaliação de desem- penho. Quero dizer, há algo sobre estarmos sentados em uma pequena sala vazia e “sem janelas”, sendo interrogado por nossos superiores nos confrontando com o que conseguimos ou não no ano passado, que realmente acelera a nossa pulsação, certo? Eu sei, eu sei, isso não é o que acontece. Mas isso é, definitivamente, a visão que corre na nossa cabeça um segundo antes quando somos informados da nossa ava- liação de desempenho. Sério, mesmo que tenhamos sido avaliados durante a maior parte de três décadas de nossa vida profissional, ela ainda induz um leve ataque de pânico a cada vez. E enquanto nós provavelmente vamos se sentir da mesma forma até a nossa aposentadoria, eu também aprendi algumas técnicas ao longo dos anos para re- duzir esse pânico. Se você também estiver propenso à ansiedade da avaliação de desempenho, tente estas estratégias para manter a calma. 1. Receba as informações (e se prepare) Você provavelmente terá mais pânico quando não sabe o que esperar em um de- terminado cenário. A avaliação de desempenho, por exemplo, poderia ser qualquer coisa, desde um de acordo em uma tela de um aplicativo de computador após uma conversa amigável com seu líder a uma reunião cansativa de longas horas de dura- ção que se assemelha a execução por fuzilamento. E, embora você provavelmente pudesse lidar com qualquer uma dessas coisas, uma avaliação é muito mais manejável quando você já sabe o que esperar. Sua mente pode focar menos no pânico sobre o desconhecido e mais em preparar seus pontos de discussão, a sua autoavaliação, ou de quaisquer outras estatísticas ou documentos que você precisará fornecer. Então, uma vez que sua avaliação já está agendada no calendário anual da em- presa, envie um simples e-mail para o seu líder pedindo os detalhes sobre como será a avaliação. “Você pode me dizer um pouco sobre o formato da minha avalia- 195 aprimore-se ção? Há algo que eu deveria trazer ou preparar?” Funciona perfeitamente. Então, na verdade, reserve um pouco de tempo em sua agenda para se preparar. 2. Lembre-se sempre que o feedback é uma coisa boa Não é brincadeira, você pode ter uma avaliação do tipo: “Bem, você teve um grande ano! Isso é praticamente tudo que eu tenho a dizer”. Meu líder então me contou sobre um próximo projeto, e eu estava fora dele em apenas 10 minutos. Melhor avaliação de desempenho sempre, certo? Não exatamente. Por não me dar uma correta avaliação, meu líder pode ter facilitado o meu temporário estado de pânico, mas, em longo prazo, ele estava me privando de um feedback que real- mente me ajudaria a crescer. Ouvir a visão dele, com base em sua experiência acu- mulada no mundo da minha área de atuação, sobre o que achava que eu fiz bem, e quais novas habilidades e experiências que são necessárias para eu melhorar a minha performance, teria sido de valor inestimável. O ponto é: feedback, especialmente como crítica construtiva, é uma coisa boa. E a sua avaliação é um grande momento para realmente obter e solicitar o feedback e conselhos que vão ajudá-lo a chegar ao próximo nível. Ao ir com a mentalidade de que você vai ter um feedback construtivo, e que vai ser uma boa coisa, você será capaz de enfrentar a reunião com confiança. 3. Valorize-se A menos que você realmente passou o ano procurando receitas ou coisas fúteis na internet, eu garanto que sua opinião não vai ser de todo ruim. Na verdade, eu apos- to que você já realizou muito este ano que pode realmente se orgulhar. Então, antes de sua análise, faça uma lista das coisas e grandes projetos que tenha participado e opiniões de clientes que você superou as expectativas deles. Por um lado, ter uma lista de suas realizações é uma ótima maneira de comunicar o seu valor para o seu líder durante a sua avaliação. Mas, ele tem um bônus: Ele vai lembrá-lo de tudo o que você alcançou este ano e dar-lhe confiança para enfrentar essa reunião. 196 aprimore-se 4. Elimine surpresas A coisa mais reconfortante que um líder já me disse antes de uma avaliação foi: “Não se preocupe. Não haverá nenhuma surpresa”. Por isso ele quis dizer que o feedback que estaria me dando na minha opinião seria um resumo de coisas que já tinha me dito ao longo do ano. Na verdade, gran- des gestores não esperaram até a temporada crítica para “soltar as bombas” em você. Eles lhe dão feedback regularmente para ajudá-lo a entender o que você está fazendo bem e onde precisa melhorar para que você possa ajustar o curso da sua carreira, conforme necessário durante todo o ano. Se você tem um gerente que faz isso, pode ter certeza que não terá muitas sur- presas na sua avaliação. Mas, se o seu gerente não é desse tipo, tente ser pró-ativo e solicite feedback durante todo o ano. Peça ao seu líder uma avaliação mensal do seu desempenho para que você possa rever seus objetivos e seu progresso. Que ele saiba que você está comprometido com o crescimento profissional e gosta- ria de ter feedback regularmente, a fim de usar esse tempo para fazer perguntas como: “Existe alguma coisa que eu poderia fazer melhor?” “O que você gostaria que eu fizesse até a próxima avaliação de desempenho?” “Estas são as áreas em que eu gostaria de crescer, estou focado nas metas corretas?” Se você tem medo de feedback, essas conversas nem sempre são fáceis para qualquer um, mas eu digo-lhe: Eles são muito melhores do que uma avaliação misteriosa. Avaliações de desempenho nunca podem ser a sua reunião favorita do ano. Mas, se você sabe o que esperar, ir com a mentalidade certa e tentar eliminar as surpresas, verá que elas são mais produtivas e agradáveis do que jamais imaginou ser possível. Fonte: Pessoa (2013, on-line). 197 eu recomendo! Feedback Corporativo Autor: Simoni Missel Editora: Saraiva Sinopse: neste livro, está compilada uma pesquisa com 427 lí- deres organizacionais de 249 empresas conduzidas pela autora que têm como objetivo descrever as percepções e as dificuldades encontradas por esses gestores para a prática do feedback. Por meio da linguagem da autora, o leitor poderá apreender as conclusões da pesqui-sa e aplicá-las em seu dia a dia corporativo. Comentário: Como uma forma de auxiliá-los no desenvolvimento das habilidades essenciais para atuarem com Feedback, indico o Capítulo 12 (“Competências para dar feedback”), que traz toda a explicação sobre como operacionalizar o processo de Feedback com competência, e todo esse assunto vem ao encontro dos conteú- dos que estudamos nesta unidade de Estudo. livro Coach Carter - Treino para a Vida Ano: 2005 Sinopse: o filme é baseado em fatos reais. O dono de uma loja de artigos esportivos, Ken Carter (Samuel L. Jackson), aceita ser o técnico de basquete de sua antiga escola, onde conseguiu re- cordes e que fica em uma área pobre da cidade. Para surpresa de muitos, ele impõe um rígido regime, em que os alunos que queriam participar do time tinham que assinar um contrato que incluía um comportamento respeitoso, modo adequado de se vestir e ter boas notas em todas as matérias. A resistência inicial dos jovens acaba e o time, sob o comando de Carter, vai se tornando imbatível. Quando o comportamento do time fica muito abaixo do desejável, Carter descobre que muitos dos seus jogadores estão tendo um desempenho muito fraco nas salas de aula. Assim, Carter toma uma atitude que espanta o time. Comentário: o filme passa alguns aprendizados relacionados ao processo de Coaching, ou seja, à metodologia de desenvolvimento humano, que é focada na maximização da performance, a qual utiliza técnicas e ferramentas com emba- samento científico. filme 198 eu recomendo! As pessoas precisam de Feedback O vídeo apresentado pelo professor Luis Marins nos mostra que as pessoas precisam de feedback e é comum os gestores falharem com relação a esse assunto. O professor Marins, ainda, menciona que, após ter selecionado e contratado uma pessoa, a prática da avaliação e o feedback se tornam as atividades mais importantes a seres realizadas pelo gestor. Acesse o QRcode e confira o vídeo. conecte-se A arte de dar feedback Autor: Harvard Business Review Editora: Sextante Sinopse: para ajudar as pessoas a atingirem as metas e realiza- rem seu potencial, você precisa fornecer feedback regularmente. Mas a tensão de falar sobre questões delicadas pode ser esma- gadora. Como passar a mensagem adequada para que ela seja não, apenas, bem recebida, mas capaz de motivar e incentivar as mudanças ne- cessárias? A arte de dar feedback fornece conselhos práticos para transformar qualquer conversa sobre desempenho — de atualizações semanais a avaliações anuais — em uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento. Não importa se você quer reconhecer um trabalho exemplar ou abordar problemas de com- portamento, neste livro, você encontra dicas certeiras para promover o melhor da sua equipe. Aprenda a: • Conquistar a confiança de seus subordinados diretos. • Incluir feedback nas suas interações diárias com eles. • Transformar as avaliações anuais em catalisadores de crescimento. • Avaliar o desempenho de forma justa. • Enfatizar a melhoria e as conquistas, mesmo na hora de criticar. • Reagir, com calma, à alguém que fica na defensiva. • Reconhecer e motivar os destaques da equipe. • Criar planos de desenvolvimento individualizados. livro https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8907 199 eu recomendo! Feedback e Avaliação de Desempenho O vídeo apresenta a avaliação de desempenho, suas características e como ocorre o processo de avaliação incluindo o feedback. Aborda de- talhes de como o processo pode ser desenvolvido e onde se destaca a importância da formalização da avaliação e, também, do processo de feedback. Na oportunidade, o vídeo traz as experiências e as opiniões de uma gestora de recursos humanos e, também, de uma profissional da área de consultoria. Assista e confira essa rica troca de experiências. Acesse o QRcode e confira o vídeo. conecte-se O lobo de Wall Street Ano: 2013 Sinopse: Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) é um ambicioso cor- retor da bolsa de valores que cria um verdadeiro império, enri- quecendo-se de forma rápida, porém ilegal. Ele e seus amigos mergulham em um mundo de excessos, mas seus métodos ilíci- tos despertam a atenção da polícia. Comentário: o filme mostra como o talento pode ser empreen- dido, independentemente se você é uma grande ou pequena empresa. Sabendo utilizar boas condutas, as estratégias utilizadas no longa-metragem, também, po- dem ser úteis para se aplicar no dia a dia de vendedores de muitas áreas. Porém o filme deixa uma lição clara, que as escolhas erradas e a fascinação com a riqueza podem afundar qualquer profissional. filme https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8908 referências 200 UNIDADE 1 ARAÚJO, L. C. G. de. Gestão de Pessoas: Estratégias e Integração Organizacional. São Paulo: Atlas, 2006. BICHUETTI, J. L. Gestão de pessoas não é com RH! Harvard Business Review Brasil, 2015. Disponível em: https://hbrbr.com.br/gestao-de-pessoas-nao-e-com-o-rh/. Acesso em: 19 nov. 2020. DESSLER, G. Administração de Recursos Humanos. São Paulo: Pearson, Education do Brasil, 2014. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas. Rio de Janeiro: Campus, 2006. MARRAS, J. P. 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B. 5. E. UNIDADE 5 1. B. 2. B. 3. C. 4. C. 5. A. 206 conclusão geral conclusão geral Olá aluno(a), chegamos, assim, ao final de nosso conteúdo! A partir de agora, es- pero que você tenha uma visão ampliada em relação à gestão de pessoas e, princi- palmente, à ferramenta da avaliação e gestão do desempenho como uma estratégia contemporânea para esse segmento da Administração, que, ao longo dos anos, tem ganhado status de fundamental importância nas estratégias empresariais. Acredito que, ao longo de nossos estudos, tenha ficado evidente o quanto a área de recursos humanos, atualmente, tem absorvido uma grande responsabilidade e, por isso, a necessidade de entendermos esse trabalho de forma diferente. Atualmente, o profissional que atua na área de recursos humanos, necessi- ta entender profundamente de todos os subsistemas de RH e ainda, apresentar conhecimento consistente a respeito das diversas outras áreas do negócio, além de buscar constantemente aprimoramento no ramo de atividade da empresa na qual está vinculado. Por esse motivo, podemos afirmar que ser um profissional de Recursos Humanos não é tarefa para qualquer pessoa! Neste livro, abordamos todo um conjunto de informações que buscou caracte- rizar o que vem a ser a gestão de recursos humanos nos dias atuais e toda a com- plexidade que a torna essencial para os negócios. Estudamos como o desempenho humano pode influenciar os resultados organizacionais, a definição e o entendi- mento do que vêm a ser a avaliação e a gestão de desempenho. Além disso, vimos como deve ocorrer a implantação da gestão de desempenho, de forma a contem- plar alguns métodos específicos, o processo de gerenciamento do desempenho e a importância de o gestor realizar as entrevistas de feedback junto a cada avaliado. Para finalizar, abordamos o uso das ações disciplinares como a última tentativa para com o avaliado envolvido. Ainda, propusemosuma introdução ao modelo de gestão baseado em competências, diferenciando-o da gestão do desempenho. Espero que você tenha gostado do conteúdo e desejamos sucesso em sua carreira como gestor(a). Forte abraço e até uma próxima oportunidade! anotações anotações CONTEXTO HISTÓRICO E TENDÊNCIAS para Gestão de Pessoas O DESEMPENHO HUMANO E SUA IMPORTÂNCIA nas Organizações AVALIAÇÃO E GESTÃO do Desempenho IMPLANTANDO O PROCESSO DE Gestão do Desempenho GERENCIANDO O DESEMPENHO Olá aluno(a), chegamos, assim, ao final de nosso conteúdo! A partir de agora, espero que você tenha uma visão ampliada em relação à gestão de pessoas e, principalmente, à ferramenta da avaliação e gestão do desempenho como uma estratégia contemporânea par _Hlk69416226 _gjdgxs _qb3ait9ghzf7 _u142epryev5m _gjdgxs Botão 6: Botão 7: Botão 8: Botão 1: Botão 2: Botão 4: Botão 3: