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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESPÍRITO SANTO – CAMPUS SANTA TERESA CURSO DE AGRONOMIA CARLOS AVELINO PANCIERI & THIAGO BASTOS TECNOLOGIAS DE PRODUÇÃO APLICADAS À COTURNICULTURA SANTA TERESA/ES 2021 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESPÍRITO SANTO – CAMPUS SANTA TERESA CURSO DE AGRONOMIA PRODUÇÃO DE NÃO-RUMINANTES TECNOLOGIAS DE PRODUÇÃO APLICADAS À COTURNICULTURA Trabalho apresentado a disciplina de Produção de Não-Ruminantes do Instituto Federal de Educação do Espírito Santo Campus – Santa Teresa, como um dos requisitos para aprovação na disciplina. Professora: Nair Elizabeth Santa Teresa/ES 2021 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO......................................................................... 04 2. CARACTERÍSTICAS GERAIS................................................. 05 3. CRIAÇÃO DE CODORNAS..................................................... 06 3.1. LOCAL........................................................................... 06 3.2. DOENÇAS COMUNS.................................................... 07 4. MANEJO NA COTURNICULTURA......................................... 08 4.1. ACASALAMENTO E POSTURA.................................. 09 4.2. REPRODUÇÃO............................................................. 09 4.3. INCUBAÇÃO.................................................................. 10 4.4. MELHORAMENTO GENÉTICO..................................... 10 5. TECNOLOGIAS DA COTURNICULTURA................................ 11 5.1. PROGRAMA DE LUZ..................................................... 11 5.2. MONITORAMENTO DA PRODUÇÃO (Sensores)......... 12 5.3. BIOSSEGURANÇA........................................................ 12 6. ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO................................................. 13 7. MERCADO NA COTURNICULTURA....................................... 14 8. CONCLUSÃO........................................................................... 16 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................... 17 1. INTRODUÇÃO A coturnicultura é um segmento da avicultura brasileira que cria, melhora e fomenta a produção de codornas. O aumento do interesse pela coturnicultura pode ser percebido pelo crescimento de estudos acadêmicos sobre questões de melhoramento genético, nutrição, manejo, equipamentos para a produção das aves e a tecnificação na produção de ovos. Os maiores centros coturnicultores brasileiros estão nos estados de Minas Gerais e São Paulo, porém há presença da criação de codornas em outras regiões do Brasil. No Centro-Oeste, ainda há poucos registros da coturnicultura (IBGE, 2012). O grande interesse pela produção de codornas deve-se principalmente a sua precocidade e alta produtividade, o uso de pequenas áreas, o baixo investimento e o rápido retorno financeiro. Outra razão do aumento efetivo dessa produção é a qualidade excepcional de sua carne e pelo alto valor nutritivo e agradável do sabor de seu ovo, o que tem resultado em boa aceitação no mercado consumidor. Esse segmento é uma opção para a exploração avícola, pois é uma cultura com manejo simplificado. As codornas possuem as seguintes qualidades: rápido crescimento, precocidade sexual, postura e rusticidade elevadas e baixo consumo de alimento. Para a implantação das granjas, demanda-se pequeno espaço físico (em comparação à outras criações). A característica e o sabor diferenciado da carne de codorna são explorados comercialmente como alternativa gastronômica, para as carnes de bovinos, suínos e frangos. Porém, a carne de codorna ainda possui um preço elevado e é considerado exótico, desse modo, o principal produto da coturnicultura é o ovo. Sendo que a permanência na atividade depende do sucesso financeiro e isso se relaciona diretamente com a rentabilidade líquida que é determinada pelos custos de produção e o preço de venda. Assim para se tornar um negócio rentável, o produtor deve investir em alternativas para potencializar a sua produção. O trabalho tem como objetivo apresentar novas tecnologias aplicadas à produção da coturnicultura, bem como apresentar métodos lucrativos e melhor custo benefício para o produtor. 2. CARACTERÍSTICAS GERAIS A codorna é uma ave originária do norte da África, da Europa e da Ásia. Pertence à ordem dos Galináceos; família dos Fasianídeos (Fhasianidae), onde se incluem também a galinha e a perdiz; subfamília dos Pernicídios (Perdicinidae) e Gênero Coturnix (Pinto et al. 2002). Os registros, ainda que imprecisos, sobre a existência da codorna selvagem europeia, classificada como Coturnix coturnix coturnix, são do século XII, porém há indícios de que no século XI já havia codornas no Japão (MURAKAMI; ARIKI, 1998). No início do século XIX japoneses iniciaram trabalhos de cruzamentos entre codornas advindas da Europa e espécies silvestres, o que levou a uma ave domesticada que foi chamada Coturnix coturnix japônica, e a partir de então deu-se o início de sua exploração (Reis, 1980 apud Pastore et al., 2012). Em comparação às galinhas, as codornas são aves pequenas e pertencentes à mesma família dos faisões, pavões e perus. Seguindo as características dessas outras aves, apesar do tamanho reduzido, seu corpo é robusto e sua coloração e plumagem. Ainda, suas asas são curtas, arredondadas e seu focinho tem forma de gancho, com a ponta da mandíbula superior um pouco mais presa. Ainda em comparação aos outros animais da mesma família, o tamanho, já mencionado, o pescoço curto, a cauda curta, o bico pequeno e a ausência de esporas nas pernas são algumas das diferenças. Suas patas são robustas e a ave utiliza tanto para executar outros animais como para arranhar superfícies, na busca por alimentos como sementes e invertebrados. De origem migratória, a codorna não possui essa característica e é considerada ave terrestre. Na natureza habita pastagens, matas abertas e bordas de florestas. Sua alimentação natural é à base de frutas, sementes, brotos e folhas, além de insetos e outros invertebrados que ela encontra quando está arranhando o chão. Presume-se que a codorna doméstica teria chegado ao Brasil em 1959, através do imigrante Italiano Oscar Molena, que já tinha o “hobby” de criar codornas na Itália. O termo “codorna” denomina popularmente a menor espécie de ave galinácea da família Phasianidae, que habita a Europa. Seu corpo é pequeno e arredondado, mas com longas asas, permitindo a elas a capacidade de voar longas distâncias. Uma anatomia ideal para uma ave nômade que migra entre os 5 continentes, principalmente entre a África e a Eurásia. Os tons pardos, marrons e negros permitem uma camuflagem quase perfeita com o solo e com os troncos das árvores. Isso confunde seus predadores e ajuda a proteger a espécie. Machos e fêmeas são muito parecidos, no entanto, os machos se destacam por possuírem uma pequena mancha negra (parecida com uma âncora) em sua garganta, no início do bico, assim o dismorfismo sexual acontecendo por volta dos 14 dias de vida. Outra diferença é que as fêmeas também costumam ser um pouco maiores: enquanto um macho de codorna pode pesar entre 70 e 100 gramas, uma fêmea costuma atingir entre os 85 e os 135 gramas. Quando adulta, a ave mede de 11 a 13 centímetros de altura, as penas têm tonalidade cinzento-acastanhada e castanho esbranquiçada. A cabeça possui grande mobilidade, porque o pescoço curto permite uma rotação quase que completa. Os ossos são frágeis, o tronco é redondo e resistente, mal desenvolvido nas fêmeas. Elas são consideradas aves de boa resistência a uma grande diversidade de doenças, porém em caso de criações comerciais, devido ao grande número de animais alojados num mesmo local, a possibilidadede propagação de doenças é muito grande, por isso deve-se realizar adequadamente as medidas profiláticas que devem conter vacinações, higienização, fornecimento de alimentos e água de boa qualidade. 3. CRIAÇÃO DE CODORNAS Existem dois sistemas de criação de codornas: criação no piso, a qual consiste, basicamente, em criar as aves soltas sobre um material adsorvente (cama), além disso, é sistema de menor tecnologia e maior economia quando implantado; e a criação em gaiolas, evidenciando um sistema mais moderno, com maior tecnologia e melhor controle produtivo das aves, porém com desvantagem devido ao alto custo das instalações. 3.1. LOCAL As principais funções do local e das benfeitorias são fornecer condições de segurança e conforto às aves; facilitar o manejo alimentar, sanitário e reprodutivo; e como são aves exóticas, impedir o contato com outros animais da fauna regional. As instalações devem ser construídas em função das exigências ambientais das aves e para dar início à criação de codornas, o avicultor deve estar preparado para instalá- las e manejá-las adequadamente. O local de instalação das granjas de codornas, devem atender aos seguintes requisitos: Ser afastado dos centros urbanos e de outras explorações avícolas; o terreno deve ter facilidade de acesso para vistorias e escoamento da produção; o local deve ser seco e de fácil drenagem; deve-se ter a possibilidade de instalação elétrica; deve-se ter água em abundância e de qualidade; o local deve ser bem arejado, sem ocorrência de ventos muito fortes; o local deve permitir a construção de galpões no sentido leste-oeste. A codorna é tida como uma das aves domésticas mais rústicas e, por isso, não se conhece casos em que elas sejam suscetíveis a muitas doenças que são comuns da avicultura industrial. Porém cuidados devem ser tomados, como a utilização de pedilúvios nos galpões. O pedilúvio tem como objetivo promover a higienização dos calçados dos funcionários, evitando a entrada ou a proliferação de doenças no criatório. Na entrada de cada setor, deve ser feito um reservatório, no nível do solo, no qual é colocada uma solução desinfetante. Nos setores com edificações, como o incubatório, o pedilúvio deve ser feito de alvenaria, em frente à porta de acesso. Nas áreas externas, como nos piquetes, pode ser utilizado um recipiente plástico com uma espuma embebida na solução desinfetante. Para ter acesso ao interior de cada seção o visitante ou o funcionário sempre deverá passar pelo pedilúvio. Na entrada da fazenda é recomendada a construção de um rodolúvio, com finalidade idêntica à do pedilúvio, para a desinfecção de veículos. 3.2 DOENÇAS COMUNS Um conjunto de medidas profiláticas é capaz de manter a integridade saudável do indivíduo. Na prática, entretanto, nem sempre é possível adotar todas as rigorosas medidas de sanidade compreendidas pela biossegurança, seja por impossibilidade econômica do produtor, seja por eventual desconhecimento técnico, ou seja, mais simplesmente, por mera falta de decisão. Um dos pontos principais é a aquisição de matrizes e reprodutores, que deve ser feita a partir de propriedades confiáveis. O exame de sanidade das aves deve ser exigido, evitando assim, uma possível contaminação do restante do aviário por alguma ave contaminada. Mas, mesmo com essas medidas, todo plantel está sujeito a vários tipos de doenças e para que estas sejam evitadas ou curadas, o produtor deve ficar atento a algumas doenças e como evitá-las. O controle das doenças é essencial quanto ao sucesso do produtor, já que as codornas são suscetíveis à doenças bacterianas, viróticas e fúngicas, por este motivo é importantíssimo nutrir de forma correta para aumentar a imunidade. A Aspergilose é uma doença fúngica que se desenvolve em codornas jovens com sintomas de sede excessiva, falta de ar, debilidade e bicos e pernas azulados. Já na fase adulta, não apresenta sinais evidentes. O tratamento é feito através de antibióticos, antifúngicos e complexos vitamínicos. A Newcastle é uma doença virótica, podendo até levar à morte instantânea, dependo da fase da doença, e ataca diretamente os sistemas nervoso, digestivo e respiratório. Os sintomas são febre alta, debilidade, diarréia, fluido fétido na boca, paralisia e aumento do bócio. A recomendação é descartar estas aves, por conta do nível alto de contágio. A Ornitose é causada por clamídias, podendo contaminar o homem (zoonose). Ataca o sistema respiratório, em especial as codornas jovens. Geralmente se tornam debilitadas e sonolentas, além de perderem o apetite e terem dificuldades de respiração. Em casos mais graves, ocorre paralisia e morte das aves. A Pulorose é causada pela salmonela, atacando os órgãos internos, proporcionando o mal funcionamento do organismo. Os sintomas são fezes com muco esbranquiçado, debilidade, pernas espaçadas mais que o normal, dificuldade de respiração, olhos fechados e morte. As instalações e incubadoras devem ser desinfetadas, e fazer o descarte das aves doentes. A Varíola é causada por vírus e apresenta os sintomas de febre, verrugas no bico, sobreposições dipteróticas na boca e erupções na cabeça e nos olhos. O tratamento é feito através de potentes antibióticos, uma dieta enriquecida de vitamina A, além da adição de iodeto de potássio na água dos bebedouros. A proteção contra a entrada de novos sorotipos na pirâmide de produção tem que ser a maior possível. Na prática, se reconhece que o grau de proteção será melhor nas camadas superiores da pirâmide. Ao retirar o lote e terminar o programa de higiene, o interior dos galpões normalmente possui uma contaminação menor, enquanto ainda persiste considerável contaminação ao redor dos galpões. E necessário estabelecer barreiras sanitárias entre as áreas sujas e áreas limpas. 4. MANEJO NA COTURNICULTURA Por muitos anos, a coturnicultura constituiu atividade alternativa para pequenos produtores, mas, em função do potencial das codornas pra a produção de ovos e da possibilidade de diversificação para comercialização desse produto, a exploração comercial se encontra em expansão. 4.1 ACASALAMENTO E POSTURA A fase inicial de 1 a 35 dias acontece no piso, com a transferência no trigésimo sexto dia, as codornas terão tempo suficiente para se adaptarem às novas instalações antes de começarem a produzir. Nessa época, somente as fêmeas de qualidade deverão estar presentes e a atenção deve ser redobrada com aves adquiridas com 35 ou 30 dias. Quando atingem 45 dias de idade e já são adultas, são escolhidos os melhores machos e fêmeas para a postura. Os acasalamentos devem ser realizados diariamente. Para isso, o macho é levado à gaiola da fêmea, no máximo durante 10 minutos, para evitar que se "esgotem", pois fariam diversos acasalamentos. As baterias devem ficar em quartos ou galpões frescos e bem ventilados, pois um calor excessivo faz baixar a fertilidade dos machos. O programa de luz é responsável pelo estímulo ao desenvolvimento dos hormônios reprodutivos das codornas, necessário à formação dos ovos. Algumas práticas de manejo de produção, de cortina, de reprodução e de alimentação, são essenciais para melhorar o desempenho das codornas e a qualidade de seus ovos, reduzindo os seus custos e estimulando o produtor a persistir no investimento e ampliá-lo. 4.2 REPRODUÇÃO As codornas de reprodução devem ser mantidas em gaiolas coletivas de macho e fêmea. Semanalmente, o macho de um abrigo deve ser trocado de lugar com o macho do abrigo vizinho e assim sucessivamente. Recomenda-se um macho para cada 2 à 3 fêmeas. Devido à grande sensibilidade das codornas à consanguinidade, com marcados efeitos nocivos, recomenda-se evitar os cruzamentos entre parentes próximos. O mais recomendável é através da incubação artificial. A fêmea inicia o período de reprodução entre 35 e 42 dias de vida,enquanto o macho aos 75 a 90 dias. Porém para incubação dos ovos férteis, recomenda-se ovos obtidos após 42 dias de vida da mãe. 4.3 INCUBAÇÃO Podem ser empregados o método natural ou artificial, com incubadoras. Os ovos devem estar perfeitamente frescos (4 à 8 dias), pesarem 11g e estar nem muito redondos nem muito pontudos. Após a coleta dos ovos, devem ser guardados com a ponta para baixo, dentro de tabuleiros com areia no fundo em lugares frescos. Onde depois de 16 a 17 dias incubados, os ovos eclodem para o nascimento dos filhotes de codorna, com peso próximo a 6 gramas. 4.4 MELHORAMENTO GENÉTICO A contribuição do melhoramento genético na evolução da avicultura pode ser considerada como a mais expressiva quando comparado ao que ocorreu em outras explorações zootécnicas. No Brasil, a criação de codorna vem crescendo, de maneira considerável, desde a sua implantação como atividade avícola econômica. A razão deste sucesso é plenamente justificável pela qualidade excepcional de sua carne e pelo alto valor nutritivo e agradável sabor de seu ovo, o que tem resultado em boa aceitação no mercado consumidor. Contudo, essa expansão tem encontrado barreiras que por vezes inviabilizam a exploração econômica. Uma dessas barreiras é a falta de material genético que garanta o potencial de produção, entretanto, não existe ainda no Brasil qualquer programa de melhoramento genético de codorna, desenvolvido em bases técnicas. A prática corrente tem sido a reprodução do material genético disponível que, pela deficiência de controle e falta de esquema de seleção adequados, sofre problemas de depressão pela consanguinidade resultando em redução de postura, queda de fertilidade e aumento de mortalidade. MINVIELLE (1998) apresentou uma revisão sobre o melhoramento genético de codornas visando a produção. As informações levantadas indicam valores de herdabilidade para peso corporal entre 0,47 e 0,74, para a produção de ovos entre 0,32 e 0,39, e para peso do ovo entre 0,35 e 0,62, mostrando que ganhos genéticos podem ser obtidos. Adicionalmente, os valores para as correlações genéticas do número de ovos com o peso corporal e com o peso do ovo, respectivamente de 0 a -0,21 e de -0,19 a - 0,55, indicam uma margem razoável de possibilidade de obtenção de ganhos genéticos no número de ovos sem fortes alterações no peso corporal e no peso do ovo. A despeito dessas informações permitirem perspectivas de sucesso em programas de seleção, tanto para corte como para postura. Assim, permitindo que informações sobre a estrutura genética das populações de codornas disponíveis no Brasil sejam estudadas e estimadas. 5. TECNOLOGIAS DA COTURNICULTURA A tecnologia nos aviários facilitam e aprimoram os processos de produção, na criação das aves está presente nos sistemas que garantem a ambiência dos galpões (controle de temperatura, umidade e presença de gases), ferramentas para melhoria do bem-estar dos animais, na elaboração das rações, nos programas e softwares que auxiliam a automação e o gerenciamento das atividades, vigilância sanitária e técnicas de manuseio pré e pós-abate. Todas as etapas da cadeia produtiva avícola são permeadas por procedimentos desenvolvidos e conduzidos por meio da tecnologia. Ela permite que o avicultor tenha maior domínio dos fatores que influenciam a qualidade dos produtos (maximizando o desempenho das aves), além de aumentar a velocidade da produção e possibilitar uma resposta rápida e eficaz frente à qualquer eventualidade. 5.1 PROGRAMA DE LUZ A realização do programa de luz é responsável pelo estímulo ao desenvolvimento dos hormônios reprodutivos. Esse deve ser iniciado de 38 à 41 dias de idade, quando atingem a maturidade sexual. A luz artificial será acrescentada gradativamente até atingir 17 horas diária, entre a oitava e nona semana de vida, quando ocorre o pico de produção. Somente nesse período, depois de bem desenvolvida fisicamente, fornecendo a luz requerida, desencadeia-se o processo hormonal, necessário à formação dos ovos. Considerando a demanda por 17 horas de luz, e a luz do dia dura 12 horas, desde quando sol nasce até quando se põe, isto significa que a complementação artificial poderá ser efetuada automaticamente por um timer, garantindo que as aves fiquem em escuridão total por exatamente sete horas até a época do descarte. É importante observar que a complementação com luz artificial variará de acordo com a região e a época do ano. Um aspecto interessante da fisiologia das aves produtoras de ovos é que elas não necessitam estar submetidas a dias longos contínuos. Esse fenômeno é denominado de “dia subjetivo”, no qual as aves adultas em produção ignoram períodos de escuro inseridos entre as 14 e 16 horas estimulatórias. A noção do “dia subjetivo” designa o período no qual a ave permanece acordada, fisiologicamente ativa, mesmo na obscuridade. Esse fenômeno permite o uso de programas de iluminação intermitentes para aves de postura, os quais podem ser definidos como aqueles formados por mais de um período de luz (fotofase) e de escuro (escotofase) em um ciclo de 24 horas. 5.2 MONITORAMENTO DA PRODUÇÃO (Sensores) Os equipamentos e sistemas monitoradores permitem que as aves sejam classificadas, vacinadas, alimentadas e alojadas com menor uso de mão de obra. Por meio de equipamentos como comedores automáticos, que auxiliam e dinamizam o processo de nutrição das aves, é possível que o produtor controle e realize de forma automatizada a distribuição de ração, tornando o processo menos influenciável à qualidade da mão de obra e minimizando a atuação humana. O uso de tecnologia e de computadores na produção agrícola também oferece a esta maior controle e domínio sobre as diferentes atividades que a engloba. No setor de produção de ovos, permite o controle de etapas como a alimentação das aves, a coleta, o transporte e até mesmo o acondicionamento dos ovos, contribuindo para a produtividade monitorando dados relativos ao consumo de ração, peso das aves e taxas de mortalidade, além de apresentar sistemas de alerta ao produtor no caso de algum problema. Os equipamentos de monitoramento da qualidade da água e de controle da climatização de granjas vêm contribuindo para a produtividade do setor agrícola, evitando contaminações, reduzindo o descarte e garantindo maior uniformidade dos lotes. O monitoramento da água contribui de forma rápida, fácil e eficiente, reduzindo a possibilidade de contaminações e os prejuízos decorrentes destas. Já os sistemas de climatização permitem o controle da ventilação, da umidade e da temperatura das granjas, beneficiando o sistema imunológico das aves e contribuindo para seu desenvolvimento. 5.3 BIOSSEGURANÇA Os programas de biosseguridades são essenciais à saúde animal e ao controle de doenças para a saúde pública e grande impacto econômico. Assim, equipamentos como o arco de desinfecção contribuem para atender às necessidades de biossegurança requeridas pelo mercado avícola, contribuindo para o controle de contaminações e tornando a produção mais eficiente e com mais segurança para os planteis. O uso de equipamentos e da tecnologia aplicada à avicultura vem ganhando cada vez mais importância e se desenvolvendo de forma a mecanizar e aprimorar os processos produtivos. Os equipamentos a um preço acessível contribuem para melhoras significativas no sistema imunológico das aves, no controle contra contaminantes e na qualidade e uniformidade dos lotes. Os profissionais ligados à indústria avícola têm priorizado cada vez mais a biosseguridade para obtenção da rentabilidade das empresas, além do mercado consumidor que está mais exigente quando relacionado aos produtos de origem animal. Os produtores estão sendo obrigados a atuar mais na área da prevenção do que no tratamento de doenças. 6. ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO Tem deser de acordo com a idade e a finalidade da criação da codorna (carne ou ovos). Tecnicamente, as dietas são divididas nas fases de cria, que vai de um a 21 dias de vida; recria, de 21 a 35 dias; e produção, de 35 dias até o fim do período produtivo. A recomendação é usar rações para fase inicial, de crescimento e de postura, com 25% de proteína bruta, 3.000 quilocalorias por quilo de alimento, 3,5% de cálcio e 1,1% de fósforo. A alimentação representa de 70% a 80% dos custos de produção. Segundo Garcia et al. (2000), ao analisarem exigências nutricionais de cálcio (2,5%; 3,0%; 3,5% e 4,0%) e fósforo disponível (0,27%; 0,32%; 0,37% e 0,42%) para codornas japonesas em postura, concluíram que as exigências nessa fase foram 0,36% de fósforo disponível e 2,5% de cálcio. Na mesma linha de pesquisa, Stanquevis et al. (2021) avaliando níveis de cálcio (1,70%; 2,40%; 3,10% e 3,80%) e fósforo disponível (0,15%; 0,30%; 0,45% e 0,60%) para codornas no início de produção, estimaram que 2,68% de cálcio e 0,38% de fósforo foram as melhores respostas para o desempenho das aves. Na última Tabela Brasileira para Aves e Suínos, em 2017, para fase de produção, os autores sugeriram níveis de cálcio por volta de 3,15% e fósforo disponível em 0,32%. Nos primeiros 15 dias, as codornas de corte e as de postura devem receber uma nutrição semelhante: 26% PB (proteína bruta) e 3000 Kcal. Já na etapa de crescimento, a partir dos 16 dias de vida até o abate, acontecem as principais mudanças entre as diferentes criações. Nessa fase, indica-se reduzir a energia e a quantidade de proteína nas aves de postura (2950 Kcal e 24%); nas de corte, a porcentagem de PB cai para 24% e a energia fornecida sobe para 3100 Kcal. A alimentação afeta os custos de produção das codornas desde a base: da indústria do melhoramento genético até o topo da cadeia produtiva. Ao considerar que as rações para codornas contêm mais proteína que as rações de frangos e poedeiras, temos que o custo de alimentação por unidade de produto carne ou ovos é, supostamente, maior (SILVA et al., 2012). As codornas exigem mais proteína (aminoácidos), menos cálcio, mais energia para mantença quando alojadas em pisos, e menos energia quando alojadas em gaiolas (quando comparadas a poedeiras). Dentre os nutrientes mais importantes para produção de ovos, a proteína bruta da dieta, quando fornecida em níveis deficientes, promove redução no crescimento e na produção de ovos. Quando fornecida em excesso pode limitar o desempenho das aves, requerendo um gasto de energia extra para excretar o nitrogênio na forma de ácido úrico (JORDÃO FILHO et a., 2006). Segundo Barreto et al. (2007), somente uma parte do total de energia consumida, equivalente em torno de 20 a 27%, é destinada à produção. Entretanto, quando essa energia é oferecida na dieta em níveis marginais, não atendendo à manutenção e à produção de ovos, pode vir a prejudicar o desempenho zootécnico dessas aves. A energia é o fator de maior relevância para que sejam obtidos ótimos resultados de produção (LEESON et al., 1996). 7. MERCADO NA COTURNICULTURA O mercado dos produtos oriundos da coturnicultura é muito diferenciado de região para região, isso porque, existem locais onde a atividade é pequena ou inexistente. Também há mercados onde os ovos de codorna vendidos a varejo contam com preços superiores a 300% do valor praticado no atacado de um grande centro produtor. A Região Sudeste é a maior produtora nacional de codornas, independentemente da finalidade, seja para produção de carne ou de ovos. Em 2009, esta região alojava 64,9% das codornas do cenário nacional, sendo São Paulo o estado com maior efetivo de codornas (48,67%), com destaque para os municípios de Lacri – SP (13,1%) e Bastos (12,1%). Seus principais produtos são a carne de alta qualidade e os ovos, cada vez mais apreciados. Socialmente, torna-se uma alternativa na produção animal, pela rapidez no retorno de capital, baixo investimento, utilização de pequenas áreas e baixos gastos com mão de obra. A criação de codornas localizada em regiões de fraca produção, raramente terá problemas para escoar os seus produtos e, consequentemente, obterá um preço justo por eles. Comercializar diretamente com o consumidor é questão que exige uma avaliação caso a caso. Seguramente, o corte do intermediário promoverá um ganho substancialmente maior na atividade. Esta é quase que uma condição para os pequenos criadores. Evidentemente, o volume produzido e o potencial de absorção de produção do mercado local serão fatores que influenciarão as estratégias de comercialização. Tais potenciais são os supermercados, bares, padarias, restaurantes, hotéis, bufês, feiras livres, varejões, entre outros. Além disso, o consumo de ovos e carne de codorna tem aumentado significativamente. A solução para produtores que estejam em regiões de alta produção é a produção voltada para a exportação dos ovos “in natura” ou processados. Além disso, um controle rígido de qualidade e o conhecimento, por parte do criador, das principais características e vantagens dos produtos, são fatores de estímulo ao consumo. 8. CONCLUSÃO A coturnicultura é um empreendimento cuja implantação requer cuidados que abrangem todos os segmentos da produção, desde a localização do sistema produtivo, aquisição das aves, procedimentos sanitários e de manejo, para a obtenção de bons níveis de produtividade no rebanho. Independentemente do tamanho da granja e do plantel, é fundamental que o produtor busque estar sempre atualizado e procure estabelecer melhorias para o seu negócio. A alta demanda do mercado e as exigências dos consumidores somente podem ser supridas com o advento da tecnologia na cadeia produtiva. O investimento em estratégias tecnológicas garante uma alta produtividade, maior qualidade nos produtos e, consequentemente, maior lucro para o empreendedor. Atualmente, a coturnicultura no Brasil é uma atividade produtiva e economicamente rendável, por isso tem apresentado crescimento consistente ao longo dos últimos anos e incorporações de grandes empresas avícolas no setor. Porém, ainda é necessário se fazer estudos quanto ao melhoramento genético da espécie, já que por ser uma ave de grande potencial, o melhorando pode aumentar ainda mais os seus índices zootécnicos. 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS A FASE INICIAL DA CRIAÇÃO DE CODORNAS É MUITO IMPORTANTE PARA O SUCESSO DA PRODUÇÃO. Disponível em: https://www.portalagropecuario.com.br/avicultura/a-fase-inicial-da-criacao-de-codornas-e- muito-importante-para-o-sucesso-da-producao> Acesso em: 20 Out 2021 BARRETO, S.L.T.; QUIRINO, B.J.S.; BRITO, C.O.; UMIGI, R.T. et al. Níveis de energia metabolizável para codornas japonesas na fase inicial de postura. Revista Brasileira de Zootecnia, v.36, p.79-85, 2007. BERTECHINI, A.G. Situação atual e perspectivas para a coturnicultura no Brasil. 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