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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESPÍRITO 
SANTO – CAMPUS SANTA TERESA 
CURSO DE AGRONOMIA 
 
 
 
 
CARLOS AVELINO PANCIERI 
& 
THIAGO BASTOS 
 
 
 
 
TECNOLOGIAS DE PRODUÇÃO APLICADAS À COTURNICULTURA 
 
 
 
 
 
 
 
SANTA TERESA/ES 
2021 
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESPÍRITO 
SANTO – CAMPUS SANTA TERESA 
CURSO DE AGRONOMIA 
 
 
 
 
PRODUÇÃO DE NÃO-RUMINANTES 
TECNOLOGIAS DE PRODUÇÃO APLICADAS À COTURNICULTURA 
 
 
 
 
Trabalho apresentado a disciplina de Produção 
de Não-Ruminantes do Instituto Federal de 
Educação do Espírito Santo Campus – Santa 
Teresa, como um dos requisitos para aprovação 
na disciplina. 
 
Professora: Nair Elizabeth 
 
 
 
 
 
Santa Teresa/ES 
2021 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO......................................................................... 04 
2. CARACTERÍSTICAS GERAIS................................................. 05 
3. CRIAÇÃO DE CODORNAS..................................................... 06 
3.1. LOCAL........................................................................... 06 
3.2. DOENÇAS COMUNS.................................................... 07 
4. MANEJO NA COTURNICULTURA......................................... 08 
4.1. ACASALAMENTO E POSTURA.................................. 09 
4.2. REPRODUÇÃO............................................................. 09 
4.3. INCUBAÇÃO.................................................................. 10 
4.4. MELHORAMENTO GENÉTICO..................................... 10 
5. TECNOLOGIAS DA COTURNICULTURA................................ 11 
5.1. PROGRAMA DE LUZ..................................................... 11 
5.2. MONITORAMENTO DA PRODUÇÃO (Sensores)......... 12 
5.3. BIOSSEGURANÇA........................................................ 12 
6. ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO................................................. 13 
7. MERCADO NA COTURNICULTURA....................................... 14 
8. CONCLUSÃO........................................................................... 16 
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................... 17 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 A coturnicultura é um segmento da avicultura brasileira que cria, melhora e fomenta 
a produção de codornas. O aumento do interesse pela coturnicultura pode ser percebido 
pelo crescimento de estudos acadêmicos sobre questões de melhoramento genético, 
nutrição, manejo, equipamentos para a produção das aves e a tecnificação na produção de 
ovos. Os maiores centros coturnicultores brasileiros estão nos estados de Minas Gerais e 
São Paulo, porém há presença da criação de codornas em outras regiões do Brasil. No 
Centro-Oeste, ainda há poucos registros da coturnicultura (IBGE, 2012). 
 O grande interesse pela produção de codornas deve-se principalmente a sua 
precocidade e alta produtividade, o uso de pequenas áreas, o baixo investimento e o rápido 
retorno financeiro. Outra razão do aumento efetivo dessa produção é a qualidade 
excepcional de sua carne e pelo alto valor nutritivo e agradável do sabor de seu ovo, o que 
tem resultado em boa aceitação no mercado consumidor. Esse segmento é uma opção 
para a exploração avícola, pois é uma cultura com manejo simplificado. As codornas 
possuem as seguintes qualidades: rápido crescimento, precocidade sexual, postura e 
rusticidade elevadas e baixo consumo de alimento. Para a implantação das granjas, 
demanda-se pequeno espaço físico (em comparação à outras criações). 
 A característica e o sabor diferenciado da carne de codorna são explorados 
comercialmente como alternativa gastronômica, para as carnes de bovinos, suínos e 
frangos. Porém, a carne de codorna ainda possui um preço elevado e é considerado 
exótico, desse modo, o principal produto da coturnicultura é o ovo. Sendo que a 
permanência na atividade depende do sucesso financeiro e isso se relaciona diretamente 
com a rentabilidade líquida que é determinada pelos custos de produção e o preço de 
venda. Assim para se tornar um negócio rentável, o produtor deve investir em alternativas 
para potencializar a sua produção. 
 O trabalho tem como objetivo apresentar novas tecnologias aplicadas à produção da 
coturnicultura, bem como apresentar métodos lucrativos e melhor custo benefício para o 
produtor. 
 
 
 
 
2. CARACTERÍSTICAS GERAIS 
 A codorna é uma ave originária do norte da África, da Europa e da Ásia. Pertence à 
ordem dos Galináceos; família dos Fasianídeos (Fhasianidae), onde se incluem também a 
galinha e a perdiz; subfamília dos Pernicídios (Perdicinidae) e Gênero Coturnix (Pinto et al. 
2002). Os registros, ainda que imprecisos, sobre a existência da codorna selvagem 
europeia, classificada como Coturnix coturnix coturnix, são do século XII, porém há indícios 
de que no século XI já havia codornas no Japão (MURAKAMI; ARIKI, 1998). 
 No início do século XIX japoneses iniciaram trabalhos de cruzamentos entre 
codornas advindas da Europa e espécies silvestres, o que levou a uma ave domesticada 
que foi chamada Coturnix coturnix japônica, e a partir de então deu-se o início de sua 
exploração (Reis, 1980 apud Pastore et al., 2012). 
 Em comparação às galinhas, as codornas são aves pequenas e pertencentes à 
mesma família dos faisões, pavões e perus. Seguindo as características dessas outras 
aves, apesar do tamanho reduzido, seu corpo é robusto e sua coloração e plumagem. 
Ainda, suas asas são curtas, arredondadas e seu focinho tem forma de gancho, com a 
ponta da mandíbula superior um pouco mais presa. Ainda em comparação aos outros 
animais da mesma família, o tamanho, já mencionado, o pescoço curto, a cauda curta, o 
bico pequeno e a ausência de esporas nas pernas são algumas das diferenças. Suas patas 
são robustas e a ave utiliza tanto para executar outros animais como para arranhar 
superfícies, na busca por alimentos como sementes e invertebrados. 
 De origem migratória, a codorna não possui essa característica e é considerada ave 
terrestre. Na natureza habita pastagens, matas abertas e bordas de florestas. Sua 
alimentação natural é à base de frutas, sementes, brotos e folhas, além de insetos e outros 
invertebrados que ela encontra quando está arranhando o chão. 
 Presume-se que a codorna doméstica teria chegado ao Brasil em 1959, através do 
imigrante Italiano Oscar Molena, que já tinha o “hobby” de criar codornas na Itália. O termo 
“codorna” denomina popularmente a menor espécie de ave galinácea da família 
Phasianidae, que habita a Europa. Seu corpo é pequeno e arredondado, mas com longas 
asas, permitindo a elas a capacidade de voar longas distâncias. Uma anatomia ideal para 
uma ave nômade que migra entre os 5 continentes, principalmente entre a África e a 
Eurásia. Os tons pardos, marrons e negros permitem uma camuflagem quase perfeita com 
o solo e com os troncos das árvores. Isso confunde seus predadores e ajuda a proteger a 
espécie. 
 Machos e fêmeas são muito parecidos, no entanto, os machos se destacam por 
possuírem uma pequena mancha negra (parecida com uma âncora) em sua garganta, no 
início do bico, assim o dismorfismo sexual acontecendo por volta dos 14 dias de vida. Outra 
diferença é que as fêmeas também costumam ser um pouco maiores: enquanto um macho 
de codorna pode pesar entre 70 e 100 gramas, uma fêmea costuma atingir entre os 85 e 
os 135 gramas. Quando adulta, a ave mede de 11 a 13 centímetros de altura, as penas têm 
tonalidade cinzento-acastanhada e castanho esbranquiçada. A cabeça possui grande 
mobilidade, porque o pescoço curto permite uma rotação quase que completa. Os ossos 
são frágeis, o tronco é redondo e resistente, mal desenvolvido nas fêmeas. 
 Elas são consideradas aves de boa resistência a uma grande diversidade de 
doenças, porém em caso de criações comerciais, devido ao grande número de animais 
alojados num mesmo local, a possibilidadede propagação de doenças é muito grande, por 
isso deve-se realizar adequadamente as medidas profiláticas que devem conter 
vacinações, higienização, fornecimento de alimentos e água de boa qualidade. 
 
 3. CRIAÇÃO DE CODORNAS 
 Existem dois sistemas de criação de codornas: criação no piso, a qual consiste, 
basicamente, em criar as aves soltas sobre um material adsorvente (cama), além disso, é 
sistema de menor tecnologia e maior economia quando implantado; e a criação em gaiolas, 
evidenciando um sistema mais moderno, com maior tecnologia e melhor controle produtivo 
das aves, porém com desvantagem devido ao alto custo das instalações. 
 
 3.1. LOCAL 
 As principais funções do local e das benfeitorias são fornecer condições de 
segurança e conforto às aves; facilitar o manejo alimentar, sanitário e reprodutivo; e como 
são aves exóticas, impedir o contato com outros animais da fauna regional. 
 As instalações devem ser construídas em função das exigências ambientais das 
aves e para dar início à criação de codornas, o avicultor deve estar preparado para instalá-
las e manejá-las adequadamente. 
 O local de instalação das granjas de codornas, devem atender aos seguintes 
requisitos: Ser afastado dos centros urbanos e de outras explorações avícolas; o terreno 
deve ter facilidade de acesso para vistorias e escoamento da produção; o local deve ser 
seco e de fácil drenagem; deve-se ter a possibilidade de instalação elétrica; deve-se ter 
água em abundância e de qualidade; o local deve ser bem arejado, sem ocorrência de 
ventos muito fortes; o local deve permitir a construção de galpões no sentido leste-oeste. 
 A codorna é tida como uma das aves domésticas mais rústicas e, por isso, não se 
conhece casos em que elas sejam suscetíveis a muitas doenças que são comuns da 
avicultura industrial. Porém cuidados devem ser tomados, como a utilização de pedilúvios 
nos galpões. 
 O pedilúvio tem como objetivo promover a higienização dos calçados dos 
funcionários, evitando a entrada ou a proliferação de doenças no criatório. Na entrada de 
cada setor, deve ser feito um reservatório, no nível do solo, no qual é colocada uma solução 
desinfetante. Nos setores com edificações, como o incubatório, o pedilúvio deve ser feito 
de alvenaria, em frente à porta de acesso. Nas áreas externas, como nos piquetes, pode 
ser utilizado um recipiente plástico com uma espuma embebida na solução desinfetante. 
Para ter acesso ao interior de cada seção o visitante ou o funcionário sempre deverá passar 
pelo pedilúvio. Na entrada da fazenda é recomendada a construção de um rodolúvio, com 
finalidade idêntica à do pedilúvio, para a desinfecção de veículos. 
 
 3.2 DOENÇAS COMUNS 
 Um conjunto de medidas profiláticas é capaz de manter a integridade saudável do 
indivíduo. Na prática, entretanto, nem sempre é possível adotar todas as rigorosas medidas 
de sanidade compreendidas pela biossegurança, seja por impossibilidade econômica do 
produtor, seja por eventual desconhecimento técnico, ou seja, mais simplesmente, por mera 
falta de decisão. 
Um dos pontos principais é a aquisição de matrizes e reprodutores, que deve ser 
feita a partir de propriedades confiáveis. O exame de sanidade das aves deve ser exigido, 
evitando assim, uma possível contaminação do restante do aviário por alguma ave 
contaminada. Mas, mesmo com essas medidas, todo plantel está sujeito a vários tipos de 
doenças e para que estas sejam evitadas ou curadas, o produtor deve ficar atento a 
algumas doenças e como evitá-las. O controle das doenças é essencial quanto ao sucesso 
do produtor, já que as codornas são suscetíveis à doenças bacterianas, viróticas e fúngicas, 
por este motivo é importantíssimo nutrir de forma correta para aumentar a imunidade. 
A Aspergilose é uma doença fúngica que se desenvolve em codornas jovens com 
sintomas de sede excessiva, falta de ar, debilidade e bicos e pernas azulados. Já na fase 
adulta, não apresenta sinais evidentes. O tratamento é feito através de antibióticos, 
antifúngicos e complexos vitamínicos. 
 A Newcastle é uma doença virótica, podendo até levar à morte instantânea, dependo 
da fase da doença, e ataca diretamente os sistemas nervoso, digestivo e respiratório. Os 
sintomas são febre alta, debilidade, diarréia, fluido fétido na boca, paralisia e aumento do 
bócio. A recomendação é descartar estas aves, por conta do nível alto de contágio. 
 A Ornitose é causada por clamídias, podendo contaminar o homem (zoonose). Ataca 
o sistema respiratório, em especial as codornas jovens. Geralmente se tornam debilitadas 
e sonolentas, além de perderem o apetite e terem dificuldades de respiração. Em casos 
mais graves, ocorre paralisia e morte das aves. 
 A Pulorose é causada pela salmonela, atacando os órgãos internos, proporcionando 
o mal funcionamento do organismo. Os sintomas são fezes com muco esbranquiçado, 
debilidade, pernas espaçadas mais que o normal, dificuldade de respiração, olhos fechados 
e morte. As instalações e incubadoras devem ser desinfetadas, e fazer o descarte das aves 
doentes. 
 A Varíola é causada por vírus e apresenta os sintomas de febre, verrugas no bico, 
sobreposições dipteróticas na boca e erupções na cabeça e nos olhos. O tratamento é feito 
através de potentes antibióticos, uma dieta enriquecida de vitamina A, além da adição de 
iodeto de potássio na água dos bebedouros. 
 A proteção contra a entrada de novos sorotipos na pirâmide de produção tem que 
ser a maior possível. Na prática, se reconhece que o grau de proteção será melhor nas 
camadas superiores da pirâmide. Ao retirar o lote e terminar o programa de higiene, o 
interior dos galpões normalmente possui uma contaminação menor, enquanto ainda 
persiste considerável contaminação ao redor dos galpões. E necessário estabelecer 
barreiras sanitárias entre as áreas sujas e áreas limpas. 
 
4. MANEJO NA COTURNICULTURA 
Por muitos anos, a coturnicultura constituiu atividade alternativa para pequenos 
produtores, mas, em função do potencial das codornas pra a produção de ovos e da 
possibilidade de diversificação para comercialização desse produto, a exploração comercial 
se encontra em expansão. 
 
4.1 ACASALAMENTO E POSTURA 
A fase inicial de 1 a 35 dias acontece no piso, com a transferência no trigésimo sexto 
dia, as codornas terão tempo suficiente para se adaptarem às novas instalações antes de 
começarem a produzir. Nessa época, somente as fêmeas de qualidade deverão estar 
presentes e a atenção deve ser redobrada com aves adquiridas com 35 ou 30 dias. 
Quando atingem 45 dias de idade e já são adultas, são escolhidos os melhores 
machos e fêmeas para a postura. Os acasalamentos devem ser realizados diariamente. 
Para isso, o macho é levado à gaiola da fêmea, no máximo durante 10 minutos, para evitar 
que se "esgotem", pois fariam diversos acasalamentos. As baterias devem ficar em quartos 
ou galpões frescos e bem ventilados, pois um calor excessivo faz baixar a fertilidade dos 
machos. 
O programa de luz é responsável pelo estímulo ao desenvolvimento dos hormônios 
reprodutivos das codornas, necessário à formação dos ovos. 
Algumas práticas de manejo de produção, de cortina, de reprodução e de 
alimentação, são essenciais para melhorar o desempenho das codornas e a qualidade de 
seus ovos, reduzindo os seus custos e estimulando o produtor a persistir no investimento e 
ampliá-lo. 
 
 4.2 REPRODUÇÃO 
As codornas de reprodução devem ser mantidas em gaiolas coletivas de macho e 
fêmea. Semanalmente, o macho de um abrigo deve ser trocado de lugar com o macho do 
abrigo vizinho e assim sucessivamente. Recomenda-se um macho para cada 2 à 3 fêmeas. 
Devido à grande sensibilidade das codornas à consanguinidade, com marcados efeitos 
nocivos, recomenda-se evitar os cruzamentos entre parentes próximos. O mais 
recomendável é através da incubação artificial. 
 A fêmea inicia o período de reprodução entre 35 e 42 dias de vida,enquanto o macho 
aos 75 a 90 dias. Porém para incubação dos ovos férteis, recomenda-se ovos obtidos após 
42 dias de vida da mãe. 
4.3 INCUBAÇÃO 
 Podem ser empregados o método natural ou artificial, com incubadoras. Os ovos 
devem estar perfeitamente frescos (4 à 8 dias), pesarem 11g e estar nem muito redondos 
nem muito pontudos. Após a coleta dos ovos, devem ser guardados com a ponta para 
baixo, dentro de tabuleiros com areia no fundo em lugares frescos. Onde depois de 16 a 17 
dias incubados, os ovos eclodem para o nascimento dos filhotes de codorna, com peso 
próximo a 6 gramas. 
 
4.4 MELHORAMENTO GENÉTICO 
 A contribuição do melhoramento genético na evolução da avicultura pode ser 
considerada como a mais expressiva quando comparado ao que ocorreu em outras 
explorações zootécnicas. No Brasil, a criação de codorna vem crescendo, de maneira 
considerável, desde a sua implantação como atividade avícola econômica. A razão deste 
sucesso é plenamente justificável pela qualidade excepcional de sua carne e pelo alto valor 
nutritivo e agradável sabor de seu ovo, o que tem resultado em boa aceitação no mercado 
consumidor. Contudo, essa expansão tem encontrado barreiras que por vezes inviabilizam 
a exploração econômica. Uma dessas barreiras é a falta de material genético que garanta 
o potencial de produção, entretanto, não existe ainda no Brasil qualquer programa de 
melhoramento genético de codorna, desenvolvido em bases técnicas. A prática corrente 
tem sido a reprodução do material genético disponível que, pela deficiência de controle e 
falta de esquema de seleção adequados, sofre problemas de depressão pela 
consanguinidade resultando em redução de postura, queda de fertilidade e aumento de 
mortalidade. 
MINVIELLE (1998) apresentou uma revisão sobre o melhoramento genético de 
codornas visando a produção. As informações levantadas indicam valores de herdabilidade 
para peso corporal entre 0,47 e 0,74, para a produção de ovos entre 0,32 e 0,39, e para 
peso do ovo entre 0,35 e 0,62, mostrando que ganhos genéticos podem ser obtidos. 
Adicionalmente, os valores para as correlações genéticas do número de ovos com o peso 
corporal e com o peso do ovo, respectivamente de 0 a -0,21 e de -0,19 a - 0,55, indicam 
uma margem razoável de possibilidade de obtenção de ganhos genéticos no número de 
ovos sem fortes alterações no peso corporal e no peso do ovo. A despeito dessas 
informações permitirem perspectivas de sucesso em programas de seleção, tanto para 
corte como para postura. Assim, permitindo que informações sobre a estrutura genética das 
populações de codornas disponíveis no Brasil sejam estudadas e estimadas. 
 
 5. TECNOLOGIAS DA COTURNICULTURA 
A tecnologia nos aviários facilitam e aprimoram os processos de produção, na 
criação das aves está presente nos sistemas que garantem a ambiência dos galpões 
(controle de temperatura, umidade e presença de gases), ferramentas para melhoria do 
bem-estar dos animais, na elaboração das rações, nos programas e softwares que auxiliam 
a automação e o gerenciamento das atividades, vigilância sanitária e técnicas de manuseio 
pré e pós-abate. 
 Todas as etapas da cadeia produtiva avícola são permeadas por procedimentos 
desenvolvidos e conduzidos por meio da tecnologia. Ela permite que o avicultor tenha maior 
domínio dos fatores que influenciam a qualidade dos produtos (maximizando o 
desempenho das aves), além de aumentar a velocidade da produção e possibilitar uma 
resposta rápida e eficaz frente à qualquer eventualidade. 
 
5.1 PROGRAMA DE LUZ 
A realização do programa de luz é responsável pelo estímulo ao desenvolvimento 
dos hormônios reprodutivos. Esse deve ser iniciado de 38 à 41 dias de idade, quando 
atingem a maturidade sexual. A luz artificial será acrescentada gradativamente até atingir 
17 horas diária, entre a oitava e nona semana de vida, quando ocorre o pico de produção. 
Somente nesse período, depois de bem desenvolvida fisicamente, fornecendo a luz 
requerida, desencadeia-se o processo hormonal, necessário à formação dos ovos. 
 Considerando a demanda por 17 horas de luz, e a luz do dia dura 12 horas, desde 
quando sol nasce até quando se põe, isto significa que a complementação artificial poderá 
ser efetuada automaticamente por um timer, garantindo que as aves fiquem em escuridão 
total por exatamente sete horas até a época do descarte. É importante observar que a 
complementação com luz artificial variará de acordo com a região e a época do ano. 
 Um aspecto interessante da fisiologia das aves produtoras de ovos é que elas não 
necessitam estar submetidas a dias longos contínuos. Esse fenômeno é denominado de 
“dia subjetivo”, no qual as aves adultas em produção ignoram períodos de escuro inseridos 
entre as 14 e 16 horas estimulatórias. A noção do “dia subjetivo” designa o período no qual 
a ave permanece acordada, fisiologicamente ativa, mesmo na obscuridade. Esse fenômeno 
permite o uso de programas de iluminação intermitentes para aves de postura, os quais 
podem ser definidos como aqueles formados por mais de um período de luz (fotofase) e de 
escuro (escotofase) em um ciclo de 24 horas. 
 
5.2 MONITORAMENTO DA PRODUÇÃO (Sensores) 
 Os equipamentos e sistemas monitoradores permitem que as aves sejam 
classificadas, vacinadas, alimentadas e alojadas com menor uso de mão de obra. Por meio 
de equipamentos como comedores automáticos, que auxiliam e dinamizam o processo de 
nutrição das aves, é possível que o produtor controle e realize de forma automatizada a 
distribuição de ração, tornando o processo menos influenciável à qualidade da mão de obra 
e minimizando a atuação humana. 
 O uso de tecnologia e de computadores na produção agrícola também oferece a esta 
maior controle e domínio sobre as diferentes atividades que a engloba. No setor de 
produção de ovos, permite o controle de etapas como a alimentação das aves, a coleta, o 
transporte e até mesmo o acondicionamento dos ovos, contribuindo para a produtividade 
monitorando dados relativos ao consumo de ração, peso das aves e taxas de mortalidade, 
além de apresentar sistemas de alerta ao produtor no caso de algum problema. 
 Os equipamentos de monitoramento da qualidade da água e de controle da 
climatização de granjas vêm contribuindo para a produtividade do setor agrícola, evitando 
contaminações, reduzindo o descarte e garantindo maior uniformidade dos lotes. O 
monitoramento da água contribui de forma rápida, fácil e eficiente, reduzindo a possibilidade 
de contaminações e os prejuízos decorrentes destas. Já os sistemas de climatização 
permitem o controle da ventilação, da umidade e da temperatura das granjas, beneficiando 
o sistema imunológico das aves e contribuindo para seu desenvolvimento. 
 
 5.3 BIOSSEGURANÇA 
 Os programas de biosseguridades são essenciais à saúde animal e ao controle de 
doenças para a saúde pública e grande impacto econômico. Assim, equipamentos como o 
arco de desinfecção contribuem para atender às necessidades de biossegurança 
requeridas pelo mercado avícola, contribuindo para o controle de contaminações e tornando 
a produção mais eficiente e com mais segurança para os planteis. 
 O uso de equipamentos e da tecnologia aplicada à avicultura vem ganhando cada 
vez mais importância e se desenvolvendo de forma a mecanizar e aprimorar os processos 
produtivos. Os equipamentos a um preço acessível contribuem para melhoras significativas 
no sistema imunológico das aves, no controle contra contaminantes e na qualidade e 
uniformidade dos lotes. Os profissionais ligados à indústria avícola têm priorizado cada vez 
mais a biosseguridade para obtenção da rentabilidade das empresas, além do mercado 
consumidor que está mais exigente quando relacionado aos produtos de origem animal. Os 
produtores estão sendo obrigados a atuar mais na área da prevenção do que no tratamento 
de doenças. 
 
 6. ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO 
 Tem deser de acordo com a idade e a finalidade da criação da codorna (carne ou 
ovos). Tecnicamente, as dietas são divididas nas fases de cria, que vai de um a 21 dias de 
vida; recria, de 21 a 35 dias; e produção, de 35 dias até o fim do período produtivo. A 
recomendação é usar rações para fase inicial, de crescimento e de postura, com 25% de 
proteína bruta, 3.000 quilocalorias por quilo de alimento, 3,5% de cálcio e 1,1% de fósforo. 
A alimentação representa de 70% a 80% dos custos de produção. 
Segundo Garcia et al. (2000), ao analisarem exigências nutricionais de cálcio (2,5%; 
3,0%; 3,5% e 4,0%) e fósforo disponível (0,27%; 0,32%; 0,37% e 0,42%) para codornas 
japonesas em postura, concluíram que as exigências nessa fase foram 0,36% de fósforo 
disponível e 2,5% de cálcio. Na mesma linha de pesquisa, Stanquevis et al. (2021) 
avaliando níveis de cálcio (1,70%; 2,40%; 3,10% e 3,80%) e fósforo disponível (0,15%; 
0,30%; 0,45% e 0,60%) para codornas no início de produção, estimaram que 2,68% de 
cálcio e 0,38% de fósforo foram as melhores respostas para o desempenho das aves. Na 
última Tabela Brasileira para Aves e Suínos, em 2017, para fase de produção, os autores 
sugeriram níveis de cálcio por volta de 3,15% e fósforo disponível em 0,32%. 
 Nos primeiros 15 dias, as codornas de corte e as de postura devem receber uma 
nutrição semelhante: 26% PB (proteína bruta) e 3000 Kcal. Já na etapa de crescimento, a 
partir dos 16 dias de vida até o abate, acontecem as principais mudanças entre as diferentes 
criações. Nessa fase, indica-se reduzir a energia e a quantidade de proteína nas aves de 
postura (2950 Kcal e 24%); nas de corte, a porcentagem de PB cai para 24% e a energia 
fornecida sobe para 3100 Kcal. 
 A alimentação afeta os custos de produção das codornas desde a base: da indústria 
do melhoramento genético até o topo da cadeia produtiva. Ao considerar que as rações 
para codornas contêm mais proteína que as rações de frangos e poedeiras, temos que o 
custo de alimentação por unidade de produto carne ou ovos é, supostamente, maior (SILVA 
et al., 2012). As codornas exigem mais proteína (aminoácidos), menos cálcio, mais energia 
para mantença quando alojadas em pisos, e menos energia quando alojadas em gaiolas 
(quando comparadas a poedeiras). 
 Dentre os nutrientes mais importantes para produção de ovos, a proteína bruta da 
dieta, quando fornecida em níveis deficientes, promove redução no crescimento e na 
produção de ovos. Quando fornecida em excesso pode limitar o desempenho das aves, 
requerendo um gasto de energia extra para excretar o nitrogênio na forma de ácido úrico 
(JORDÃO FILHO et a., 2006). 
 Segundo Barreto et al. (2007), somente uma parte do total de energia consumida, 
equivalente em torno de 20 a 27%, é destinada à produção. Entretanto, quando essa 
energia é oferecida na dieta em níveis marginais, não atendendo à manutenção e à 
produção de ovos, pode vir a prejudicar o desempenho zootécnico dessas aves. A energia 
é o fator de maior relevância para que sejam obtidos ótimos resultados de produção 
(LEESON et al., 1996). 
 
 7. MERCADO NA COTURNICULTURA 
O mercado dos produtos oriundos da coturnicultura é muito diferenciado de região 
para região, isso porque, existem locais onde a atividade é pequena ou inexistente. 
Também há mercados onde os ovos de codorna vendidos a varejo contam com preços 
superiores a 300% do valor praticado no atacado de um grande centro produtor. 
A Região Sudeste é a maior produtora nacional de codornas, independentemente da 
finalidade, seja para produção de carne ou de ovos. Em 2009, esta região alojava 64,9% 
das codornas do cenário nacional, sendo São Paulo o estado com maior efetivo de 
codornas (48,67%), com destaque para os municípios de Lacri – SP (13,1%) e Bastos 
(12,1%). Seus principais produtos são a carne de alta qualidade e os ovos, cada vez mais 
apreciados. Socialmente, torna-se uma alternativa na produção animal, pela rapidez no 
retorno de capital, baixo investimento, utilização de pequenas áreas e baixos gastos com 
mão de obra. 
A criação de codornas localizada em regiões de fraca produção, raramente terá 
problemas para escoar os seus produtos e, consequentemente, obterá um preço justo por 
eles. Comercializar diretamente com o consumidor é questão que exige uma avaliação caso 
a caso. Seguramente, o corte do intermediário promoverá um ganho substancialmente 
maior na atividade. Esta é quase que uma condição para os pequenos criadores. 
Evidentemente, o volume produzido e o potencial de absorção de produção do 
mercado local serão fatores que influenciarão as estratégias de comercialização. Tais 
potenciais são os supermercados, bares, padarias, restaurantes, hotéis, bufês, feiras livres, 
varejões, entre outros. Além disso, o consumo de ovos e carne de codorna tem aumentado 
significativamente. 
A solução para produtores que estejam em regiões de alta produção é a produção 
voltada para a exportação dos ovos “in natura” ou processados. Além disso, um controle 
rígido de qualidade e o conhecimento, por parte do criador, das principais características e 
vantagens dos produtos, são fatores de estímulo ao consumo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8. CONCLUSÃO 
 A coturnicultura é um empreendimento cuja implantação requer cuidados que 
abrangem todos os segmentos da produção, desde a localização do sistema produtivo, 
aquisição das aves, procedimentos sanitários e de manejo, para a obtenção de bons níveis 
de produtividade no rebanho. Independentemente do tamanho da granja e do plantel, é 
fundamental que o produtor busque estar sempre atualizado e procure estabelecer 
melhorias para o seu negócio. A alta demanda do mercado e as exigências dos 
consumidores somente podem ser supridas com o advento da tecnologia na cadeia 
produtiva. O investimento em estratégias tecnológicas garante uma alta produtividade, 
maior qualidade nos produtos e, consequentemente, maior lucro para o empreendedor. 
Atualmente, a coturnicultura no Brasil é uma atividade produtiva e economicamente 
rendável, por isso tem apresentado crescimento consistente ao longo dos últimos anos e 
incorporações de grandes empresas avícolas no setor. 
Porém, ainda é necessário se fazer estudos quanto ao melhoramento genético da 
espécie, já que por ser uma ave de grande potencial, o melhorando pode aumentar ainda 
mais os seus índices zootécnicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 A FASE INICIAL DA CRIAÇÃO DE CODORNAS É MUITO IMPORTANTE PARA O 
SUCESSO DA PRODUÇÃO. Disponível em: 
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