Prévia do material em texto
O PENTATEUCO LIÇÃO 1 GÊNESIS Introdução Segundo antiqüíssima tradição hebraica cristã, Moisés, dirigido pelo Espírito de Deus, compôs o Gênesis à vista de antigos documentos existentes em seus dias, pois os fatos do final do livro ocorreram uns 300 anos antes dos dias de Moisés. O livro de Gênesis, neste caso é formado por vários livros de gerações. O Hino da Criação, Gn 1.1- 2.3 O Livro das Gerações dos Céus e da Terra, Gn 2.4-4.26. O Livro das Gerações de Adão, Gn 5.1-6.8. As Gerações de Noé, Gn 6.9-9.29. As Gerações dos filhos de Noé, Gn 10.1-11.9. As Gerações de Sem, Gn 11.10-26. As Gerações de Terá, Gn 11.2725.11. As Gerações de Ismael, Gn 25.12-18. As Gerações de Isaque, Gn 25.19-35.29. As Gerações de Esaú, Gn 36.1-43. As Gerações de Jacó, Gn 37.1-50.26. Estes onze documentos primitivos , originalmente registros de famílias de linhagem escolhida de Deus e de famílias aparentadas, que compõem o livro de Gênesis, cobrem os primeiros milênios da história humana, desde a criação do homem até o estabelecimento do povo escolhido de Deus no Egito. GÊNESIS 1.1-2.3 Trata de: CRIAÇÃO OU RESTAURAÇÃO? OU CRIAÇÃO E RESTAURAÇÃO? GÊNESIS 1.1 GÊNESIS 1.2 Deus criou a terra sem forma e vazia? ISAÍAS 45.18; 14.12-16; EZEQUIEL 28.11-19 GÊNESIS 1.2 LEI DA ENCUBAÇÃO, Gn 1.2b HOMEM GÊNESIS 1.3-12 A Criação do Universo, Gn 1.1-25 É possível que Gênesis 1.1 afirme criou a matéria em um ato. Vocábulo “bara” traduzido “criou”, só se usa em conexão com a atividade de Deus, e significa criar do nada, ou criar algo completamente novo, sem precedentes. A palavra “bara” encontra-se em Gn 1.1,21 e 27, e se refere à criação da matéria, da vida animal e do ser humano. A CRIAÇÃO DO HOMEM Criado conforme a Imagem e Semelhança de Deus. Inteligente Perfeito, Ec 7.29 Recebeu o poder de domínio Tinha comunhão com Deus, Gn 3.8 QUEDA E SUAS CONSEQÜÊNCIAS, GN 3,4. O tentador e a tentação, Gn 3.1-6 Perda da vestidura de luz Perda da comunhão com Deus Perda do domínio sobre a criação Porta aberta para os sofrimentos e a morte. DILÚVIO, Gn 5-9 A DISPERSÃO DAS NAÇÕES A torre de Babel, Gn 11.1-9 Edificada entre os rios Tigre e Eufrates Desobediência a ordem de Gn 9.1 Exaltação humana HISTORIA PATRIARCAL, Gn 12-50 Palavra Chave: Promessa Propósito: Levar Abraão e seus descendentes a terem fé em Deus e obedecerem a Jeová. Sua família seria a nação escolhida, que se tornaria precursora do Redentor, o Messias da promessa de Gn 3.15. Revelação: Deus apareceu a Abraão 6 vezes: Gn 12.1-3,7; 13.14,17; 15.1-21; 18.1-33; 22.1-8. Revelou-lhe seus propósitos e a sua vontade. Personagem Principal: Abraão Concerto Divino: Com Abraão, Gn 12.2,3; 13.15; 15.1; 17.7, e também com a sua descendência, Gn 15.4- 17.19 Atos de Desobediência: Existem 3 passos na desobediência de Abraão: 1º) Desceu ao Egito 2º) Tomou Agar por mulher 3º) Mentiu a Abimeleque ISAQUE Filho da Promessa Tipo de Cristo JACÓ Astuto, Gn 25.31-33 Enganador, Gn 27.18-29 Religioso, Gn 28.10, 20,21 Afetuoso, Gn 29.18 Trabalhador, Gn 31.40 Habituado a Oração, Gn 32.9-12; 24.30 Disciplinado pela aflição, Gn 37.28; 42.36 Homem de fé, Hb 11.21 Perseverante, Gn 32 JOSÉ Seus sonhos Sua túnica Rejeitado pelos irmãos Escravo de Potifar Na Prisão Governador do Egito Tipo de Cristo LIÇÃO 2 ÊXODO INTRODUÇÃO Moisés escreveu o Gênesis à vista de documentos já existentes. Com Êxodo começa a história do próprio Moisés. Sua vida e sua obra são o assunto de Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio; ele mesmo escreveu estes livros. A história de Moisés constitui cerca de um sétimo da Bíblia toda, e ocupa dois terços do tamanho do Novo Testamento. O termo “Êxodo” que dá título ao livro tem origem no grego “exoaos”, que significa “saída”, “partida”. Refere- se a redenção de Israel. Relata a revelação escrita do concerto entre Deus e o seu povo, portanto, refere-se à formação da sua nação escolhida, cumprimento literal da promessa que o Senhor fizera a Abraão, visando abençoar todas as famílias da terra. AUTORIA Embora os críticos modernos consideram que o livro foi preparado numa época muito superior a Moisés, a tradição judaica desde dos dias de Josué, Js 8.31-35, bem como o testemunho do próprio Senhor, Mc 12.26, as evidências internas do livro e o testemunho do Cristianismo primitivo apóia a autoria de Moisés. DATA DO LIVRO Cerca de 1445 – 1045 a. C. RELIGIÃO Sir Flinders Petrie, famoso arqueólogo egípcio, diz que a religião original do Egito foi monoteísta. Contudo, antes do alvorecer do período histórico, uma religião desenvolveu-se, na qual cada tribo tinha seu próprio deus, representado por um animal. Observe no próximo slide. Ptá (Apis) deus de Mênfis (Touro) Amom, deus de Tebas, (Carneiro) Hator, deusa da alegria, (Vaca) Mut, esposa de Amom, (Abutre) Horus, deus do céu, (Falcão) Ra, deus do sol, (Gavião) Set, deus da fronteira oriental, (Crocodilo) Osiris, deus dos mortos, (Bode) Ísis, esposa de Osiris, (Vaca) Tote, deus da inteligência, (Macaco) Hequite, (Rã) Nechebt, deusa do Sul, (Serpente) Bast, (Gato) Havia muitos outros deuses, os próprio Faraós eram endeusados. O Rio Nilo era sagrado, etc. Nos vários templos os animais sagrados eram alimentados e tratados da maneira a mais luxuosa, por grandes colégios de sacerdotes. De todos os animais, o touro era o mais sagrado. Incenso e sacrifício se ofereciam perante o touro sagrado. Quando morria, era embalsamado e com pompa e cerimonial próprios dos reis era sepultado em magnífico sarcófago. O crocodilo também recebia muitas honras. Era assistido, em seu templo em Tânis, por 50 ou mais sacerdotes. Tal era a religião do povo, no meio do qual a nação hebraica se criou durante 400 anos. SERVIDÃO Nos dias de José, a família de Jacó se transferiu para o Egito, foram habitar em Gósen, a terra fértil do Egito. Porém, o Faraó que não conhecia José, sentindo-se ameaçado, devido o crescimento numérico do povo, escravizou a família de Jacó, se valendo dos filhos de Israel para construir obras públicas, e visando reduzir numericamente o povo, fez uso de decretos; contudo, Deus frustrou o plano de Faraó, porque a formação da nação israelita, era parte do plano de Deus para toda a humanidade. MOISÉS, SEUS 40 ANOS NO PALÁCIO Os críticos de Moisés, vem e vão, porém, ele permanece sobranceiro, como o homem de maior relevância do mundo pré-cristão. Assim foi que ele tomou uma raça de escravos e, sob circunstâncias inconcebivelmente adversas, moldou-a numa poderosa nação que alterou todo o curso da História. Era levita, Ex 2.1. A irmã que arquitetou o plano do seu livramento foi Miriã, Ex 15.20. Seu pai se chamava Anrão; sua mãe, Joquebede, Ex 6.20. E que mãe! Gravou nele tão perfeitamente, em sua meninice, as tradições do seu povo, que todo o fascínio do palácio pagão nunca erradicou aquelas primeiras impressões. Recebeu ele a mais fina educação que o Egito podia proporcionar, mas que não pode virar-lhe a cabeça, nem fazê-lo perder a fé simples recebida na infância. Moisés e Paulo foram dois exemplos de como Deus usa, em sua obra, os talentos humanos mais requintados. Geralmente se pensa que a “filha do Faraó”, que adotou Moisés, foi a famosa Rainha Hatchepsute. Isso podia fazê-lo um herdeiro possível do trono, conquanto tivesse ele renunciado à educação que sua mãe lhe dera, poderia tornar-se rei do mais orgulhoso reino da terra. Seus colegas e companheiros de brincadeiras eram príncipes do palácio. Pensa-se que, homem já feito, foi designado para exercer elevada função, civil ou militar, no governo do Egito. Diz Flávio Josefo que ele comandou um exército no Sul. Deve ter conquistado autoridade e reputação consideráveis; de outro modo só dificilmente poderia assumir a tarefa ingente de livrar Israel, o que ele tinha em mente fazer,segundo Atos 7.25, quando interveio naquela contenda, Ex 2.11-15. Mas, embora cônscio de sua autoridade e confiado em si, falhou, porque o povo não estava ainda pronto para submeter-se à sua liderança. MOISÉS, SEUS 40 ANOS NO DESERTO Na providência divina isso fêz parte do adestramento de Moisés. A solidão e rusticidade do deserto desenvolveram nele uma austeridade que só dificilmente poderia alcançar na vida fácil do palácio. Familiarizou-o também com a região por onde teria de conduzir Israel durante outros 40 anos. Midiã, Ex 2.15, era o centro do território midianita, onde Moisés permaneceu, ficava na costa oriental do Gôlfo de Ácaba, embora perambulassem por longe ao norte e oeste. Nos dias de Moisés, os midianitas dominavam as ricas terras de pasto ao redor do Sinai. Sem dúvida os 40 anos de sua vida pastoril levaram-no a percorrer toda aquela região. Desposou uma midianita, chamada Zípora, Ex 2.21, filha de Jetro, também chamado Reuel, Ex 2.18; 3.1. Jetro, sendo sacerdote de Midiã, deve ter sido governador. Os midianitas descendiam de Abraão, da parte de Quetura, Gn 25.2, e deviam possuir tradições acerca do Deus de Abraão. Moisés teve dois filhos, Gérson e Eliézer, Ex 18.3,4. Segundo algumas tradições, Moisés teria escrito o Livro de Jó durante estes 40 anos em Midiã. A SARÇA ARDENTE, Ex 3.4 Depois de uma vida de meditação sobre os sofrimentos do seu povo e sobre as velhas promessas de Deus, afinal, já com 80 anos, soou-lhe clara, da parte de Deus, a chamada definitiva para livrar Israel. Moisés, porém, não era mais o homem que confiava em si, como antes, quando mais moço. Relutou em ir, escusando-se de todos os modos. Mas, assegurado por Deus de que o ajudaria, e armado com o poder de operar milagres, partiu. AS PRAGAS A primeira das dez pragas, as águas do Nilo foram transformadas em sangue. Os magos imitaram este milagre mas em pequena escala. Seus nomes eram Janes e Jambres, II Tm 3.8. Fosse qual fosse a natureza do milagre, os peixes morreram e o povo não podia beber a água. O Nilo era um deus. As dez pragas visavam diretamente aos deuses do Egito e tiveram o objetivo de provar a superioridade do Deus de Israel sobre os do Egito. Foi repetido várias vezes, que por esses milagres, tanto Israel como os egípcios viriam a saber que o Senhor é Deus, Ex 6.7; 7.5; 17; 8.12; 10.2; 14.4, 18; como mais tarde o maná e as cordonizes tiveram este mesmo desígnio, Ex 16.6,12. AS PROPOSTAS DE FARAÓ Não querendo se render ante às contundentes manifestações de Deus mediante as pragas, Faraó tentou negociar fazendo pelo menos quatro propostas indecentes, as quais foram prontamente rejeitadas, observe: 1ª) Que adorassem a Deus no Egito, Ex 8.25 2ª) Que fossem ao deserto, mas que não fossem muito longe, Ex 8.28 3ª) Que fossem somente os homens e deixassem as mulheres e crianças, Ex 10.11 4ª) Que fossem com a família, mas deixassem o gado, Ex 10.24. ENDURECIMENTO DE FARAÓ Deus sabia de antemão que o coração de Faraó era duro , Ex 3.20,21, entretanto, somente depois da sexta praga que o Senhor o endureceu, Ex 9.12. Já que Faraó não aproveitou as oportunidades dadas por Deus, ele o endureceu, para que através das pragas, o Senhor manifestasse suas maravilhas a ponto de causar um verdadeiro impacto no Egito, no povo de Israel e até mesmo, nos filisteus, I Sm 4.7,8; 6.6. Era graça em forma de juízo; pois mediante as pragas Deus revelava a impotência dos deuses egípcios, e se revelava de maneira contundente, para que todos o temessem e dessa forma, pudessem desfrutar da sua incomensurável graça. Instituição da Páscoa O Cordeiro O Sangue O pão asmo Ervas amargosas A SAÍDA DOS ISRAELITAS A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO Por que Deus conduziu o povo pelo caminho mais longo e mais difícil? O CARRO DE DEUS “Faz das nuvens o seu carro...” Salmos 104.3b Deus utilizou do carro para guiá- los, Ex 13.21,22; Nm 14.14; Dt 1.33 Deus utilizou do carro para protegê-los, Ex 14.19,20 Deus acompanhou o povo na nuvem, Ex 14.24 Quando o povo murmurou, Deus apareceu no carro, Ex 16.10 Deus falava com Moisés do carro, Ex 19.9,19; 33.9 Moisés permaneceu 40 dias no carro de Deus, Ex 24.18 Deus desceu no seu carro para chamar auxiliares, Nm 11.25 Deus do seu carro falou a Arão e Miriã, Nm 12.5-10 Deus utilizou do seu carro para punir os rebeldes, Nm 16.42 Na transfiguração, Lc 9.34,35 Na ascensão, At 1.9 No arrebatamento, At 1.11; I Ts 4.17 Na segunda fase da sua vinda, Jesus virá no carro de Deus, Mt 24.30; Lc 21.27; Ap 1.7 A VIAGEM ATÉ O SINAI, Ex 15.22-18.27 Águas de Mara, Ex 15.22-25 As experiências difíceis não são punitivas e sim educativas. A Provisão do Maná, Ex 16.1-7 A Rocha ferida, Ex 17.1-7 O Pacto da lei a) Propriedade peculiar b) Reino sacerdotal c) Povo santo O que a lei devia representar para o povo judeu? Norma moral pela qual pudessem se relacionar com Deus e o próximo. Revelar a natureza santa de Deus Revelar a natureza pecaminosa, e a necessidade da graça, Gl 3.24,25 O TABERNÁCULO A Morada de Deus com os homens “Deus habita com um povo remido da escravidão (Faraó – tipo de Satanás) e (Egito – tipo do mundo) e habita também com um povo protegido pelo sangue, Is 57.15; 66.1,2”. TIPO DE JESUS, Ex 25.8,9 Vemos aqui um aspecto da graça divina em consentir habitar no meio do seu povo. Sobre Jesus diz: “Se fez carne e “habitou” entre nós. No gr. esquenesen, literalmente “tabernaculou”, Jo 1.14 A plenitude de Deus mora em Jesus (majestade, poder, personalidade), Jo 14.9; 3.3; 1.18; I Tm 3.16; Hb 1.3; Tt 2.13; Rm 9.5 e Jo 5.20 AS CORTINAS DO ÁTRIO Tipo da justiça prática As mesmas cortinas que separavam o homem de Deus, era por elas que o homem era admitido. Tipo de Cristo, o mediador, I Tm 2.5; Hb 8.6; 12.24; II Co 5.20 ALTAR DOS HOLOCAUSTOS Significa um lugar elevado Tipo de Cristo na cruz “Assim como Israel foi levantado à comunhão com Deus pelos sacrifícios, nós fomos levantados à comunhão pela morte de Jesus”. No altar a vítima era inocente. No altar Jeová encontrou-se com Israel O altar era de madeira de acácia, madeira que crescia no deserto, tipo da origem humilde de Jesus, qual raiz de uma terra seca, Is 53.2 O altar era revestido de cobre, tipo do juízo de Deus, que Jesus sofreu no calvário. LAVATÓRIO Na ocasião da consagração, os sacerdotes tomavam um banho, Ex 29.4; 40.11; Lv 8.6 – Isto fala da regeneração. Depois da consagração lavavam as mãos e os pés – Isto fala da lavagem diária pela palavra. Água, tipo da palavra de Deus, Jo 15.3 O bronze com que foi feito o lavatório, veio dos espelhos das mulheres, Ex 38.8, revelando que devemos sacrificar a beleza natural para receber a beleza espiritual. Juízo de si próprio, I Co 11.30,31. O tamanho não é revelado, isto sugere que Cristo e a sua palavra são imensuráveis O lavatório nunca foi coberto, isto significa que a Palavra de Deus não é um mistério, e sim, uma revelação O TABERNÁCULO PRÓPRIO Madeira de acácia revestida de ouro, tipo das duas naturezas de Cristo. Preparação Como árvores tinham suas raízes na terra, estavam perdidas, eram de pouco valor, tipo dos homens não regenerados. Preparação: Cortados Aparelhados Removidos à uma posição Revestidas de ouro por Bezaleel, tipo do Espírito Santo. Colocadas em sua posição devida, tipo da vocação de cada crente. Cada tábua tinha base de prata, tipo da redenção, sem a qual estávamos perdidos, I Pe 3.18; I Co 3.11. MESA DOS PÃES DA PROPOSIÇÃO, Ex 25.23-30 Tipo da Igreja, I Co 10.17 Centro de união da família sacerdotal, I Pe 2.9 Tipo de Jesus, o pão da vida, Jo 6.51 O CASTIÇAL DE OURO, Ex 25.31-40 Material – Ouro puro batido, Nm 8.4 Tipo de Jesus que passou pelo sofrimento, Is 53.6 Tipo de Jesus, a luz do mundo, Jo 8.12 Tipo da Igreja,a luz do mundo, Mt 5.14; Ap 1.12,13,20 Tipo do Espírito Santo, Lc 15.8 Espevitadeiras e apagadores, tipo dos instrumentos que Deus usa para correção, Gl 6.1 A maçã ou gomo, flor e copo ou amêndoa madura é tipo do fruto do Espírito e dos dons espirituais, Gl 5.22,23; I Co 12. O ALTAR DE INCENSO, Ex 30.1- 10,34,35,36 Lugar de adoração, culto e intercessões, Lc 1.9,10. Posição: Em frente ao véu e a arca, tipo de Jesus, o único acesso ao Pai, Jo 14.6; Ef 2.18 Incenso, tipo da oração, Sl 141.2; Ap 5.8; Ef 6.18 No altar de cobre Deus supre as necessidades do pecador. No altar de ouro Deus supre as necessidades do crente. As brasas que queimavam o incenso vinham do altar de cobre, significa que a eficácia da oração depende do sacrifício, I Co 15.17 Composição do Incenso 1º) Estoraque, substância que saia sem incisão de uma árvore, tipo da espontaneidade da oração. 2º) Onicha ou âmbar, substância extraída de uma espécie de caranguejo do fundo do mar, tipo da oração que sai do fundo do coração, Sl 130.1. 3º) Gálbano, produzido das folhas de um arbusto da Síria que eram quebradas e moídas, tipo da oração que sai de um coração quebrantado e contrito, Sl 51.17 4º) Franquicenso, substância extraída duma pequena árvore por incisão à tarde, tipo dos sofrimentos de Jesus, Hb 10.19,20. O VÉU, Ex 26.31-35 Material: Estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino O véu rasgado, Mt 27.50,51 Segundo as autoridades judaicas, o véu do templo foi confeccionado de material forte, com quatro polegadas (100 mm) de espessura. O fato de ter sido rasgado de alto a baixo, evidencia que o sacrifício foi de Deus e não dos homens. A ARCA, Ex 25.10-16 A arca era um pequeno depositário, medindo dois cúbitos e meio por um cúbito e meio, construído de madeira revestida de ouro. Símbolo do trono de Deus A) Lugar da manifestação da glória Shekinah B) Nela estava o fundamento do reino de Deus – A Lei Conteúdo da Arca As duas tábuas da Lei, Ex 25.16, tipo de Cristo que cumpriu a lei. O vaso contendo o maná, Ex 16.11-15, tipo de Jesus o pão vivo que desceu do céu. A vara que floresceu, Nm 17.8, tipo do ministério frutífero de Jesus e também da sua ressurreição, Hb 7.24,25 A bordadura de ouro, tipo de Jesus, o Rei dos reis, Ap 19.16 Tipo da presença do próprio Deus. 1.Dirigindo o povo, Nm 10.35,36 2.Comunicando, Ex 25.22 3.Revelando, Js 7.6 4.Dando vitória, Js 3.3,4 O PROPICIATÓRIO, Ex 25.17-21 Feito de ouro batido, tipo dos sofrimentos de Cristo. Lugar da expiação, no ato da expiação cobria-se a Lei, Rm 4.15 “Significa que no ato da expiação o trono de juízo se tornava num trono de graça”. PROPICIATÓRIO CALVÁRIO Juízo suspenso Juízo proclamado Sentença adiada Sentença executada A lei coberta A lei cumprida O pecador perdoado O pecador salvo LIÇÃO 3 LEVÍTICO Introdução A palavra “Levítico” significa “concernente aos levitas”, isto é, o livro contém o sistema de leis administrado pelo sacerdócio levítico, sob o qual vivia a nação hebraica. Tais leis na maior parte foram dadas no Monte Sinai, com adições, repetições e interpretações fornecidas através da peregrinação no deserto. Os levitas, uma das doze tribos, eram separados para o serviço divino. Deus os tomou para esse mister em lugar dos primogênitos de todo o Israel. Deus reclamou para si os primogênitos dos homens e dos rebanhos. Eram sustentados com os dízimos e tinham 48 cidades, Nm 35.7; Js 21.19. Uma família de levitas, Arão e seus filhos, foram separados para serem sacerdotes. Os demais levitas tinham que ser assistentes dos sacerdotes. Seu dever era o cuidado e a remoção do Tabernáculo e, mais adiante, cuidarem do Templo e funcionarem como mestres, escribas, músicos, oficiais e juízes. Capítulos de 1-5 Várias Espécies de Ofertas 1ª) Ofertas Queimadas (holocaustos) De novilhos, carneiros, cabras, pombas e pombos, eram totalmente queimados, significando completa dedicação pessoal a Deus. 2ª) Ofertas de Manjares De cereais, farinha crua ou cozida, sem fermento. Um punhado era queimado, o resto pertencia aos sacerdotes. 3ª) Ofertas Pacíficas De gado vacum, do rebanho ou de cabras. A gordura era queimada, o resto era comido, em parte pelos sacerdotes, e em parte pelos ofertantes. 4ª) Ofertas pelo Pecado e pela Culpa Diferentes ofertas por diferentes pecados. A gordura era queimada, o resto, em alguns casos, era queimado fora do arraial, e noutros, era comido pelos sacerdotes. No caso de alguém defraudar outrem, antes da oferta, teria que fazer a restituição, acrescida de um quinto. Significava o reconhecimento do pecado e sua expiação. Capítulos 6,7 Outras Instruções Sobre Ofertas Além das ofertas mencionadas, havia ofertas de libações, ofertas movidas e ofertas alçadas; eram complementos de outras ofertas. O modo de sacrificar: O animal era apresentado no Tabernáculo. O ofertante impunha as mãos sobre ele, fazendo-o assim seu representante. Em seguida, o animal era morto. O sangue era aspergido sobre o altar. Após o que, a parte especificada era queimada. Freqüência dos sacrifícios: Havia holocaustos diariamente, um cordeiro cada manhã e cada tarde. No primeiro dia de cada mês havia outras ofertas. Nas festas de Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos, grandes quantidades de animais eram oferecidas. Também no Dia da Expiação. Além destas ofertas regulares pela nação, havia outras, por ocasiões especiais, e por indivíduos, pelo pecado, votos, ação de graças, etc. As Ofertas de Cereais Tipo da Humanidade de Cristo Azeite aplicado duas vezes, Lv 2.5,6 Incenso, Lv 2.1 Sem fermento, Lv 2.11 Sem mel, Lv 2.11 Temperada com sal, Lv 2.12 Capítulos 8,9 A Consagração de Arão Antes da época de Moisés, os sacrifícios eram oferecidos pelos chefes de família. Mas agora, organizada a nação, reserva-se um lugar para os sacrifícios e prescreve- se um ritual, cria-se uma ordem hereditária especial de homens para o serviço, em cerimônia solene. Arão e seu primogênito, por ordem de sucessão, eram sumos sacerdotes. O sacerdócio era sustentado com dízimos dos dízimos dos levitas, e parte de alguns sacrifícios. Foram-lhes dadas 13 cidades, Js 21.13-19. As Vestes do Sumo Sacerdote: Todas as minúcias foram ditadas por Deus, Ex 28. Uma túnica de azul com campainhas na orla, para que soassem ao entrar ele no Tabernáculo. Uma estola, espécie de manto, duas peças juntadas nos ombros, caindo uma na frente e outra nas costas, com uma pedra ônix sobre cada ombro. Cada uma das pedras tinha os nomes de seis tribos. A estola era feita de ouro, azul, púrpura, carmesim e linho fino. Um peitoral, de 25 cm cada lado, de ouro, azul, púrpura, carmesim e linho fino, dobrado, aberto na parte superior como bolsa, preso com cadeias de ouro à estola, adornado com 12 pedras preciosas, cada qual com o nome de uma tribo; continha o Urim e Tumim, utilizados quando se queria conhecer a vontade de Deus, mas desconhece-se o que eram. Este sistema de sacrifícios era de origem divina, foi posto por Deus no centro e âmago exato da vida nacional judaica. Quaisquer que fossem as aplicações e implicações imediatas que tinha para os judeus, o incessante sacrifício de animais e o lampejo incessante do fogo dos altares, sem dúvida, foram designados por Deus para inflamar na consciência dos homens o senso de sua profunda pecaminosidade e para ser uma figura multissecular do sacrifício vindouro de Cristo, para quem esses sacrifícios apontavam, e em quem tiveram seu cumprimento. O sacerdócio levítico foi divinamente ordenado como medianeiro entre Deus e a nação hebraica pelo ministério dos sacrifícios de animais . Aqueles sacrifícios cumpriram-se em Cristo, porquanto, não são mais necessários. Cristo mesmo é o grande Sumo Sacerdote do homem, o único mediador entre Deuse os homens, I Tm 2.5; Hb 8,9,10. Capítulo 10 Nadabe e Abiú O castigo deles, veloz e terrível, foi um aviso contra a maneira arbitrária de tratar com as ordenanças divinas; dirige-se até aos líderes de igrejas que deturpam o Evangelho de Cristo, adicionando-lhe toda a sorte de tradições humanas e diversos modismos e heresias. Capítulo 11 Animais Limpos e Imundos Antes do dilúvio já havia uma distinção entre animais puros e impuros, Gn 7.2. Moisés legislou sobre essa distinção. Baseava-se, em parte, na salubridade deles como alimento, e, em parte, em considerações de ordem religiosa, destinada a servir como um dos sinais de separação entre Israel e as outras nações. Jesus ab- rogou essa distinção, Mc 7.19, “considerou puros todos os alimentos”. Atos 10.12-15 esclarece que a distinção não existe mais e que os gentios não podem ser considerados imundos pelos judeus. Capítulo 12 Purificação das Mães Depois do Parto O período de separação, no caso de meninos, era de 40 dias; e no caso de meninas, 80 dias. Pensa-se que o propósito disto era mostrar que embora Deus não faça acepção de pessoas e nem de sexo, contudo, considera as diferenças sexuais. Capítulo 13,14 Preceitos para a Lepra Esses regulamentos tiveram o propósito de refrear a propagação de uma das moléstias mais repugnantes e temidas. A lepra é tipo do pecado. O ritual para o leproso depois de sarado apontava para Cristo, o libertador. Capítulo 15 A Impureza O sistema elaborado de especificações sobre como podia uma pessoa tornar-se cerimonialmente “impura”, e as exigências sobre o assunto, parece que tiveram o desígnio de fomentar o asseio físico individual, bem como o reconhecimento contínuo de Deus em todas as esferas da vida. A penalidade era a pessoa afastar-se do santuário e da congregação. A purificação era, em parte, pelo banho e, em parte, pelo sacrifício. Capítulo 16 A Expiação Anual Dava-se isto no 10º dia do mês 7º. Era o dia mais solene do ano, aquele em que o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, para fazer expiação pelos pecados do povo. Os pecados removidos eram de um só ano, Hb 10.3, mas a cerimônia apontava para a remoção eterna, no futuro, Zc 3.4,8,9; 13.1; Hb 10.14. Capítulo 17 O Modo de Sacrificar A lei exigia a apresentação dos animais à porta do Tabernáculo. Comer sangue era rigorosamente proibido, Lv 3.17; 7.26,27; 17.10-16; Gn 9.4; Dt 12.16, 23- 25; e ainda o é, At 15.29. Capítulo 18 Abominações Cananéias . Se estranhamos que tais coisas como incesto, sodomia, coabitação com animais cheguem a ser mencionadas, a razão é que eram práticas comuns entre os vizinhos de Israel; contra isso Israel foi advertido. Capítulo 19,20 Leis Diversas Sobre o sábado. Ofertas pacíficas. Respigas. Furtos. Juramentos. Salários. Tribunais. Mexericos. Amor Fraternal. Criações e plantações promíscuas. Adultério. Pomares. Adivinhação. Danificação da barba e incisões na carne. Meretrício. Respeito aos velhos. Bondade para com os estrangeiros. Pesos e medidas justos. Culto de Moloque. Feitiçaria. Pais. Incesto. Sodomia. Animais. Pureza e impureza. Amarás o Teu Próximo Como a Ti Mesmo, Lv 19.18 Era este um dos pontos salientes da Lei Mosaica. Grande consideração era mostrada aos pobres. Os salários tinham que ser pagos cada dia. Nenhuma usura devia-se tomar. Empréstimos e presentes deviam ser feitos aos necessitados. Espigas caídas deviam ser deixadas nos campos para os pobres. Em todas as partes do Antigo Testamento, dá-se ênfase constante à gentileza com viúvas, órfãos e estrangeiros. Concubinato, Poligamia, Divórcio, Escravidão Permitiam-se estas coisas, mas com muita restrição, Lv 19.20; Dt 21.15; 24.1-4; Ex 21.2-11. A Lei de Moisés elevou o casamento a um nível muito mais alto do que o existente nas nações vizinhas. A escravidão era cercada de consideração humana; nunca existia em larga escala entre os judeus, nem com as crueldades e horrores prevalecentes no Egito, Assíria, Grécia, Roma e outras nações. A Pena Capital Os crimes puníveis com a morte eram: Homicídio, Gn 9.6; Ex 21.12; Dt 19.11-13. Seqüestro, Ex 21.16; Dt 24.7. Morte por negligência, Ex 21.28,29. Ferimento ou maldição de pai ou mãe, Ex 21.15-17; Lv 20.9; Dt 21.18-21. Idolatria, Lv 20.1-5; Dt 13; 17.2-5. Feitiçaria, Ex 22.18. Profecia por ciências ocultas, Dt 18.10,11,20. Blasfêmia, Lv 24.15,16. Profanação do sábado, Ex 31.14. Adultério, Lv 21.10; Dt 22.22. Estupro, Dt 22.23-27. Imoralidade pré-nupcial, Dt 22.13-21. Sodomia, Lv 20.13. Coabitação com animais, Lv 20.15,16. Casamentos incestuosos, Lv 20.11,12,14. Estas Leis Eram Leis de Deus Algumas são semelhantes às leis de Hamurabi, sobre as quais, sem dúvida, Moisés estava bem informado. Embora pudesse ter sido influenciado pela sua formação egípcia e pela tradição babilônica, contudo, ele repete sempre “Assim diz o Senhor”, indicando que estas leis foram promulgadas diretamente pelo próprio Deus. Algumas podem parecer severas. As se nós pudéssemos transportar-nos para a época de Moisés, provavelmente não nos pareciam bastante enérgicas. De modo geral, a Lei de Moisés, por sua insistência sobre moralidade pessoal e igualdade pessoal, por sua consideração aos velhos e aos moços, aos escravos e aos inimigos, aos animais, a regulamentação de sua alimentação e saúde, era muito mais pura, mais racional, humana e democrática do que qualquer outra da legislação antiga, babilônica, egípcia ou outra qualquer, e patenteava uma sabedoria muito mais avançada do que estas. Temos aí o milagre moral do mundo pré-cristão. A Lei de Moisés foi designada para ser um “mestre- escola para nos conduzir a Cristo”, Gl 3.24, contudo, algumas das suas provisões acomodavam-se à dureza de coração deles, Mt 19.8. Capítulos 21,22 Sacerdotes e Sacrifícios Um desenvolvimento das provisões dos capítulos de 1-9. Os sacerdotes deviam ser sem defeito físico, e só se podiam casar com uma moça virgem. Os animais para sacrifício deviam ser sem defeito e da idade mínima de 8 dias, Lv 22.27. Capítulos 23,24 Festas, Candelabro, Pães da Proposição, Blasfêmias O capítulo 23 legisla sobre as festas, o 24 legisla sobre as lâmpadas e a punição da blasfêmia. A lâmpada devia conservar acesa continuamente. Os pães da Proposição tinham que ser mudados cada sábado. A blasfêmia era punível com a morte. A legislação “olho por olho”, Lv 24.19-21, fazia parte da lei civil, era perfeitamente justa, leia Mt 5.38; Lc 6.27 Capítulo25 O Ano Sabático – O Ano do Jubileu O ano Sabático era todo o 7º ano. A terra ficava de descanso. Nenhuma semeadura, nem colheita, nem poda dos vinhedos. A produção espontânea devia deixar-se para os pobres e peregrinos. Deus prometia dar bastante no 6º ano, que sobraria para o 7º. A Ano do Jubileu era todo 50º ano. Seguia-se ao 7º ano sabático, havendo, pois, dois anos seguidos de repouso. Começava no Dia da Expiação. Todas as dívidas eram canceladas, os escravos eram libertados, as terras vendidas eram restituídas. Jesus o considerou como uma figura do grande jubileu que ele veio proclamar, Lv 25.10; Lc 4.19. a terra de Canaã foi dividida entre as 12 tribos e, dentro das tribos, entre as famílias. Uma venda equivalia a um arrendamento até ao jubileu, quando o imóvel voltaria à família original. Capítulo 26 Obediência ou Desobediência Este capítulo, como Dt 28, de magníficas promessas aos obedientes, e tremendos castigos aos desobedientes. É um dos mais notáveis capítulos. Capítulo 27 Votos e Dízimos Dízimos: Gn 14.20; 28.22; Lv 27.30-32; Nm 18.21-28; Dt 12.5,6, 11,17,18; 14.23; 26.12. Uma décima parte do produto da terra e do aumento dos rebanhos e manadas devia ser dada a Deus. Mencionam-se três dízimos: O levítico, o festivo e o dos pobres cada 3º ano. Pensam alguns que havia só um dízimo, usado em parte para as festas e em parte para os pobres cada3º ano. Pensam outros que o dízimo das festas era tirado dos 9/10 deixados, depois que se pagava o dízimo levítico. O dízimo esteve em uso muito antes dos dias de Moisés. Abraão e Jacó pagaram-no. Entre os judeus destinava-se ao sustento dos levitas; e os levitas se ocupavam do governo civil tanto quanto do serviço religioso, leia I Cr 23. Certo é que os cristãos devem dispor-se a dar tanto para a manutenção do evangelho quanto os judeus davam para o seu culto, e, ainda mais. Deus declara seus não só os dízimos, como também os primogênitos de todas as famílias (no lugar destes aceitou a tribo de Levi), e os primogênitos de todos os rebanhos e manadas, e os primeiros frutos dos campos. As primícias das colheitas deviam ser oferecidas na Páscoa, e nada da nova safra podia ser usado enquanto não se fizesse isso, Lv 23.14. A safra era considerada impura até que fosse dedicada a Deus, a lição que aprendemos é que devemos colocar Deus em primeiro lugar na vida. LIÇÃO 4 NÚMEROS Introdução O nome hebraico desse livro “bemidbar”, significa “no deserto”, sendo assim o modo mais adequado de descrever seu conteúdo: Um tratado inteiramente ambientado nos desertos do Sinai, Nequebe e Transjordânia. O título que usamos, Números, traduz Arithmoi, título usado pela antiga tradução grega, a Septuaginta. O termo reflete obviamente o censo das tribos de Israel no início do livro e outras listas e contagens. O último versículo de Números resume o todo ao dizer: “São estes os mandamentos e os juízos que ordenou o Senhor, por intermédio de Moisés, aos filhos de Israel nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, na altura de Jericó”, Nm 36.13. Moisés havia liderado os israelitas desde o monte Sinai até a entrada da terra prometida. O versículo final dá a entender que Números instrui a respeito dos pré-requisitos para obter posse da terra prometida e desfrutá-la. Tema O livro de Números é mais que um mero diário de viagem que narra a jornada de Israel desde o monte Sinai até as planícies de Moabe. As narrativas e leis em Números apresentam as condições para que Israel pudesse ter posse da terra prometida e a desfrutasse. Essas condições incluíam um desejo tenaz de possuir a terra prometida por Deus, respeito aos líderes por ele estabelecidos e preocupação em manter a santidade da comunidade da aliança e da terra prometida. Alertas freqüentes quanto ao perigo da rebelião e a certeza do julgamento divino contra o pecado também instigavam Israel a prosseguir rumo ao alvo: A posse da terra prometida. Números documenta que quando o povo de Deus era fiel às condições da aliança, a viagem e a vida corriam bem para ele. Quando era desobediente, porém, pagava o preço com derrotas, atrasos e mortes no deserto. O livro, portanto, ensina às gerações posteriores que a conformidade com a aliança traz bênção, mas a rejeição da aliança acarreta tragédia e sofrimento. Números também documenta a organização efetiva das tribos para formar uma comunidade religiosa e política distinta para a conquista e ocupação de Canaã. Isso explica o interesse extraordinário na contagem das tribos, em sua organização para viajar e acampar e na centralização do tabernáculo e do sacerdócio como o centro da vida de Israel como povo da aliança. Isso também explica a introdução de nova legislação, especialmente de natureza cultual e cerimonial. Os mandamentos e estatutos adequados para o futuro estabelecimento em Canaã nem sempre seriam importantes para o povo num estado nômade, transitório da vida. Números prenuncia a posse da terra prometida e assim fornece instruções especiais para tal período e condição. Formas Literárias Grande parte de Números descreve um período aproximado de quarenta anos da história de Israel quase em forma de “diário”. Ao que parece, Moisés manteve um livro em que anotava eventos significativos que pudessem constituir, e constituíram , suas memórias, leia Nm 33.2. Além do material narrativo, Números contém listas de censos, Nm 1.5-46; 3.14-39; 4.34-49; 26.5-51, um manual de organização para acampamento e marcha, Nm 2.1-31 e regras para a ordem sacerdotal e levítica, Nm 3.40- 4.33; 8.5-26; 18. 1-32. Também contém leis de sacrifícios e rituais, Nm 5.1-7.89; 9.1-10.10; 15.1-41; 19.1-22; 28.1-30.16, instruções acerca da conquista e divisão da terra, Nm 32.33-42; 34.1-35.34 e leis regulamentando heranças, Nm 36.1-12. Números contém até mesmo poesia: Um trecho do “livro das guerras de Javé”, Nm 21.14,15, o “cântico do poço”, Nm 21.17,18, o “cântico de Hesbom”, Nm 21.27-30 e os vários oráculos proféticos de Balaão, Nm 23.7-10,18-24; 24.3-9,15-24. Essa rica diversidade de formas é uma das principais características da historiografia bíblica. A histórias dos propósitos redentores de Deus para Israel e todo o mundo é contada numa narrativa pontuada e iluminada por mandamentos, exortações, ilustrações, provérbios e cânticos. Números, portanto, não é mera história, mas “torá”, isto é, instruções para um viver santo. Ainda que sejam diversos os estilos literários em Números, o alvo da posse da terra prometida por Deus é um fator unificador constante. A ORGANIZAÇÃO DE ISRAEL PARA A CONQUISTA DA TERRA PROMETIDA, Nm 1.1-10.10 A aliança com Israel fora concluída no Sinai. E suas estipulações sociais, políticas e religiosas haviam sido delineadas, Ex 20-40; e Lv. Então, o Senhor ordenou que seu povo deixasse o monte santo e tomasse o rumo da terra prometida. A Organização das Tribos Para a Guerra, Nm 1.1-2.34. O censo dos homens em idade militar, Nm 1.3 revelou uma força de ataque de 603.550, Nm 1.46, excluindo os levitas. Deus cumprira sua promessa a Abraão, dando-lhe descendência numerosa. Com esse exército Israel estava bem preparado para tomar a terra prometida. Para facilitar a movimentação e o acampamento de tamanha tropa, tornaram-se necessárias instruções explícitas com respeito à organização por tribos, clãs e famílias. O acampamento dos israelitas foi organizado com a morada de Deus, o tabernáculo, no seu centro, Nm 2.17. Os levitas e os sacerdotes acampavam mais próximos do tabernáculo, com os sacerdotes guardando a entrada no lado leste, Nm 3.38. As tribos leigas acampavam um pouco mais longe, com Judá ocupando a posição de liderança, também ao leste, Nm 2.9. Tal organização dá ênfase à manutenção da pureza do tabernáculo. Os levitas eram responsáveis pelo transporte e pela manutenção do tabernáculo, de modo que permaneceram fora do censo militar, Nm 1.47-54. A Organização dos Levitas Para o Culto, Nm 3.1-4.49 Os levitas haviam sido separados para o serviço especial de Javé como substitutos dos primogênitos de Israel, Nm 3.12,13; 4.34-49. Moisés organizou-os de acordo com os três filhos de Levi, Gerson, Coate e Merari, Nm 3.14-20. Os gersonitas eram responsáveis pelas cortinas, pelo reposteiro e pelo revestimento do tabernáculo, Nm 3.21- 26; 4.21-28; os coatitas, pelos seus móveis, Nm 3.27-32; 4.1-20; e os meraritas, por sua estrutura de sustentação, Nm 3.33-37; 4.29-33. A Preservação da Pureza do Povo de Deus, Nm 5.1-6.27 A santidade do tabernáculo, aspecto esclarecido pela regulamentação detalhada de seu manuseio, Nm 3,4, deu origem à consideração de várias ordenanças ligadas à santidade e à separação, Nm 5.1-6.27. Assim, Moisés tratou da impureza cerimonial, Nm 5.1-4, de pecado e restituição, Nm 5.5-10 e de testes a serem aplicados à mulher acusada de adultério pelo marido, Nm 5.11-31. Uma vez que o nazireado era um exemplo clássico de alguém separado para o serviço divino, Moisés estabeleceu orientações a respeito do voto de nazireado, Nm 6.1-21. A bênção ensinada por Moisés a Arão e aos sacerdotes capta a própria essência do que significa para Israel ser o povo de Javé, uma fonte de bênção que torna conhecida a presença graciosa de Deus, Nm 6.24- 27. A Provisãode Uma Morada Para Deus no Acampamento, Nm 7.1- 8.26; 9.15 Os respectivos líderes tribais das doze tribos levaram as próprias ofertas de tributo ao Senhor no tabernáculo, reconhecendo com isso sua soberania sobre toda a esfera política e religiosa, Nm 7.1-88. Dia a dia as tribos chegavam umas após as outras, levando utensílios de prata e ouro e grande número de animais para sacrifício. Ainda mais importante que essas ofertas generosas, porém, era a entrega que Israel fazia de si mesmo para o Senhor. O povo havia separado e dedicado os levitas para Javé como tesouro de propriedade especial, Nm 8.5- 19. Isso já fora ordenado, Nm 3.5-10, mas agora ocorria de fato, Nm 8.20-26. A Celebração da Páscoa e a Saída do Acampamento, Nm 9.1-10.10 De modo oportuno, a saída de Israel, deixando o Sinai, rumo a Canaã, seguiu-se à celebração da Páscoa, a mesma festa que precedeu o êxodo do Egito, Nm 9.1- 14. Assim como o primeiro êxodo foi marcado pela manifestação da glória de Deus, que guiou Israel por fogo e nuvem, também a jornada pelo deserto seguiu liderança, Nm 9.15-23. A locomoção e a parada de Israel eram determinadas pela locomoção e parada de Javé, conforme representadas nos símbolos de sua presença gloriosa. O sinal para locomoção e para outras ocasiões em que o Senhor liderasse seu povo seria o tocar de trombetas de prata, uma testemunha audível de sua presença entre eles, Nm 10.1-10. A REJEIÇÃO DA PROMESSA DIVINA DA TERRA, Nm 10.11-14.45 Pouco mais de um ano após o êxodo, Nm 10.11 e após quase um ano no Sinai, Ex 19.1, Israel seguiu para a terra da promessa, mobilizado para a conquista. Seguindo o movimento da nuvem de glória, o acampamento saiu da maneira previamente ordenada. À frente de todo o acampamento seguia a arca de Deus, o símbolo de sua presença orientadora e protetora, Nm 10.33-36. Saudades do Egito, Nm 11.1-35 Mal a jornada havia começado, o povo começou a reclamar e a murmurar. A conseqüência foi julgamento por fogo, uma visitação de Deus só estancada pela intercessão urgente de Moisés, Nm 11.1-3. A principal reclamação parece ter sido por insatisfação com o maná, fornecido de maneira miraculosa por Deus, Ex 16.13-20, e anseio pelas iguarias do Egito, Nm 11.4-9. A agitação foi tão intensa que Moisés parecia sucumbir sob o peso da liderança. Assim, a bondade do Senhor providenciou-lhe setenta líderes cheios do Espírito para ajudá-lo nessas questões, Nm 11.10-30. A isso, Deus fez seguir-se uma provisão de codornizes em vôo rasante, que o povo consumiu com tamanha voracidade, que o Senhor lhe infligiu julgamento mais uma vez, Nm 11.31-35. A Rejeição do Profeta de Deus, Nm 12.1-15 A seleção de setenta anciãos de Israel para assitir Moisés enfureceu sua irmã, Miriã, e o irmão, Arão. Eles viram nisso uma diminuição no prestígio e na liderança que possuíam. Miriã, uma profetisa, havia desempenhado papel importante no êxodo, Ex 15.20,21; enquanto Arão, é claro, era o grande sumo sacerdote. Sob o pretexto de criticar Moisés por ter-se casado fora do povo da aliança, Nm 12.1, registraram seus verdadeiros sentimentos desafiando a autoridade profética dele, Nm 12.2. A conseqüência foi um castigo severo de Javé e seu lembrete de que Moisés, o mediador da aliança, era único entre todos os servos de Deus. Deus falou a Moisés abertamente, não em visões e sonhos, Nm 12.5-8. O sinal dessa relação especial estava na própria capacidade de Moisés restaurar a irmã enferma à pureza ritual, Nm 12.9-15. A Rejeição da Dádiva Divina da Terra, Nm 13.1-14.15 Em alguma parte do norte do Neguebe, perto de Canaã, o Senhor ordenou que Moisés enviasse espias que pudessem conferir os pontos fortes e os pontos fracos de seus habitantes e prescrever uma ação tática para a conquista, Nm 12.16-13.2. Os doze, inclusive Josué e Calebe, percorreram toda a extensão de Canaã, Nm 13.17-25 e voltaram com relatos diversos. A terra era rica e fértil, diziam, mas a maioria argumentava que não podia ser tomada por causa da força superior de seus cidadãos, Nm 13.26-29. Apesar das afirmações de Calebe a respeito da presença e do poder do Senhor, o povo deu ouvidos ao relato da maioria e recusou-se a prosseguir, Nm 13.30-14.3. O povo rejeitou a dádiva divina da terra prometida. Uma vez mais, estava em jogo a liderança de Moisés. Na realidade, o povo exigiu que ele renunciasse em favor de alguém que o liderasse na volta ao Egito, Nm 14.4-10. Sua resposta contundente ao povo, e ao Senhor que o testou ameaçando destruí-lo, é notável. Se Israel não conseguisse entrar em Canaã, disse, o mundo inteiro entenderia que Javé não merece confiança, Nm 14.11-19. Ele precisava perdoar o povo por causa do seu próprio nome, se não pelo povo. Movido por essa intercessão, o Senhor aplacou-se, mas anunciou a Moisés e ao povo que não viveriam para ver a terra da promessa. Em lugar disso, morreriam no deserto, deixando para os filhos desfrutar a promessa de Deus, Nm 14.26-35. Só Josué e Calebe, que haviam confiado em Deus quanto à vitória e à conquista, veriam pessoalmente a terra onde havia leite e mel, Nm 14.36-38. Tendo recusado a oportunidade de entrar em Canaã com o Senhor, o povo então resolveu, perversamente, fazê-lo sem ele. Deixando a arca no acampamento, avançou para o norte, sendo enfrentado e derrotado pelos amalequitas e cananeus da região montanhosa do sul, Nm 14.39-45. Assim, o povo começou seus quarenta anos de jornada sem objetivo no deserto. A PEREGRINAÇÃO FORA DA TERRA PROMETIDA: A JORNADA NAS PLANÍCIES DE MOABE, Nm 15.1-22.1 Com ironia admirável o Senhor, que acabara de sentenciar o povo de Israel à morte no deserto, delineou de imediato os princípios do sacrifício e do serviço a serem seguidos pelos seus descendentes na terra de Canaã, Nm 15.1-41. Esses princípios concordam em geral com os procedimentos de Levítico de 1-7, embora haja algumas emendas adequadas a uma vida estabelecida, não nômade. Dá-se atenção especial às ofertas pelo pecado, pois este sempre seria um problema, mesmo na terra prometida. Como que para ilustrar esse fato, a breve narrativa sobre um transgressor do sábado aparece após a instrução a respeito do pecado voluntário, Nm 15.32-36. Sua morte por apedrejamento salienta a seriedade de tal pecado e deu origem à nova ênfase na necessidade de Israel lembrar quem ele era como povo e o que o Senhor exigia dele, Nm 15.37-41. A Rejeição do Sacerdote de Deus, Nm 16.1-50 Uma segunda ilustração do problema contínuo do pecado segue-se na história da rebelião de Corá contra a autoridade sacerdotal de Arão, Nm 16.1-17.13. Corá era levita, mas não sacerdote. Ele se ressentiu por ser excluído contestou a alegação de que era de Arão e de seus filhos o direito exclusivo de serem mediadores diante de Deus. Moisés, portanto, ordenou que Corá e seus seguidores chegassem ao santuário, onde eles e Arão ofereceriam incenso diante do Senhor. Aquele cuja oferta fosse aceita seria legitimado, Nm 16.4-17. Quando chegou o momento da verdade, o Senhor apareceu em sua glória, ameaçando destruir não só a Corá e a seus seguidores, mas toda a congregação. Só a intercessão de Moisés e Arão evitou isso, Nm 16.20-24. Corá, com seus seguidores e família, foi tragado numa grande fenda na terra, Nm 16.25-35. Assim, foi encerada a rebelião de sacerdotes rivais. O julgamento divino não acabou com a murmuração do povo. De novo, o Senhor o ameaçou com aniquilação. Só a mediação fiel de Moisés livrou-o mais uma vez, ainda que milhares tenham morrido numa praga, Nm 16.41-50. A Legitimação do Sacerdote de Deus, Nm 17.1-13 A Congregação contestou de novo a escolha divina dos líderes. Quando o bordão de Arão (o símbolo da tribo de Levi) brotou e floresceu, ficou claro que a linhagem sacerdotal estava nele e em sua família e em mais ninguém, Nm 17.1-13. Sacerdotes, Levitase Pureza, Nm 18.1 – 19.22 Terminada essa crise, era de novo necessário detalhar os deveres e privilégios dos sacerdotes e levitas, Nm 18.1-32. Isso levou naturalmente a uma discussão de outras questões cultuais, em especial a purificação, Nm 19.1-22. Isso exigia coisas como a morte de uma bezerra vermelha como oferta pelo pecado, sendo aplicável à impureza causada pelo contato com um cadáver, Nm 19.11-13 e à tenda contaminada pela morte de alguém em seu interior, Nm 19.14-19. A Falta de Confiança na Palavra de Deus, Nm 20.1-13 A narrativa da jornada continua com o relato da chegada de Israel a Cades-Barnéia, o centro dos trinta e oito anos de peregrinações de Israel pelo deserto. Em Cades e perto dela, Miriã e Arão morreram, Nm 20.1,28, destacando as séries conseqüências da rebelião da primeira geração no deserto. Ali o povo voltou a se rebelar contra Moisés por falta de água, Nm 20.1-9. Dessa vez, fervendo de ira, Moisés bateu na rocha, em vez de falar, conforme o Senhor lhe havia instruído. Números descreve depois o pecado de Moisés como falta de respeito pela santidade de Deus, Nm 27.14. O ato temerário de Moisés resultou numa bênção para Israel, água abundante, mas numa maldição para ele próprio, censura e exclusão da terra prometida, Nm 20.10-13. De acordo com Salmos 106.32, Moisés sofreu pelo pecado dos israelitas: “... E, por causa deles, sucedeu mal a Moisés”. Jornada a Moabe, Nm 20.14-22.1 Fiel, porém, ao compromisso, Moisés fez planos para continuar a jornada até Canaã. Primeiro, buscou permissão do rei de Edom para atravessar a terra pela estrada real, permissão negada, Nm 20.14-21. Moisés então envolveu os cananeus de Arate num conflito que terminou em sólida vitória israelita, Nm 21.1-3. Motivado, Israel prosseguiu. Ainda que persistisse em rebelar-se de tempos em tempos, Nm 21.4-9, por fim chegou a Moabe, Nm 21.10-20. Sua chegada causou grande preocupação aos inimigos de Israel. Seom, rei dos amorreus, tentou deter o avanço do povo de Deus, mas não conseguiu, Nm 21.21-32. Ogue, rei de Basã, também sofreu derrota nas mãos de Israel. Assim, Moisés e seus seguidores finalmente chegaram às planícies de Moabe, logo a leste da terra que o Senhor lhes havia prometido, Nm 21.33- 22.1. A LUTA CONTRA OS OBSTÁCULOS À TERRA PROMETIDA POR DEUS, Nm 22.2-25.18 A derrota dos amorreus e basanitas indicou que o caminho estava aberto para Israel conquistar a terra prometida. Antes de entrar na terra, porém, Israel enfrentaria obstáculos rumo à terra prometida por Deus. O primeiro obstáculo foi externo, a ameaça da maldição de Balaão, Nm 22.2-24.25; o segundo, interno, a ameaça da influência dos padrões de conduta sexual dos moabitas, Nm 25.1- 18. A Ameaça Externa, Nm 22.2-24.25. Balaque, rei de Moabe, concluiu que sua nação seria a próxima a cair diante de Israel. Assim, contratou os serviços de Balaão, famoso vidente da Mesopotâmia. O Senhor alertou-o de que não devia colaborar com Balaque, pois era inútil tentar amaldiçoar um povo abençoado por Deus, Nm 22.2-20. Balaão prosseguiu para Moabe, esperando satisfazer o pedido de Balaque, mas havia aprendido que poderia dizer só o que Deus de Israel permitisse, Nm 22.21-55. Em Moabe, Balaão começou uma série de maldições que eram convertidas pelo Senhor em magníficas bênçãos para seu povo, Nm 22.36-24.25. Primeiro, predisse a hoste inumerável de Israel, então a fidelidade do Senhor para com seu povo, sua prosperidade e sucesso e o surgimento de um governante israelita que subjugaria os vizinhos de Israel. Assim, o plano diabólico de Balaque de amaldiçoa Israel, resultou exatamente no oposto; um derramar magnífico da bênção de Deus sobre seu povo e, por meio dele, sobre todo o mundo. A Ameaça Interna, Nm 25.1-18. Mas o que Balaão não conseguiu fazer, os próprios impulsos vis de Israel conseguiram. Enquanto estavam nas planícies de Moabe, depararam com o culto licencioso de Baal em Peor e logo foram atraídos por seus fascínios, Nm 25.1-5. Só o zelo de Finéias, filho do sumo sacerdote Eleazar, evitou uma apostasia completa, Nm 25.6-13. Com a lança na mão, ele matou os cabeças do tumulto. Assim, obteve expiação, Nm 25.13, mas não antes que milhares de compatriotas israelitas tivessem perecido numa praga enviada por Deus. UMA NOVA PREPARAÇÃO PARA A CONQUISTA, Nm 26.1-36.13 Tendo então aberto o caminho para a travessia do Jordão e para a conquista de Canaã, o Senhor deu instruções a esse respeito. Primeiro, ordenou um novo censo das tribos, Nm 26.1-65 e delineou alguns princípios de herança para famílias que não tivessem filhos homens, Nm 27.1-11. O desejo sincero de participar da terra dada por Deus, manifestado pelas filhas de Zelofeade, contrasta nitidamente com o desdém com que a geração anterior tratou a dádiva. Um Sucessor Para Moisés, Nm 27.1-23. Deus revelou a sua vontade quanto a um sucessor para Moisés. Seria alguém que se tornaria o mediador da aliança na terra de Canaã, na qual Moisés não pode entrar. Esse sucessor era Josué, o servo fiel do Senhor, a quem foi conferida a dignidade de Moisés, Nm 27.12-23. Instruções Para o Culto na Terra Prometida, Nm 28.1-30.16 As condições da vida estabelecida na terra exigiam ajustes na vida e na prática religiosa. Assim, o Senhor revelou novas regras para os sacrifícios e dias santificados, Nm 28.1-29.40 e reiterou, com algum refinamento, leis de voto; como tomá- lo e como encerrá-lo, Nm 30.1-16. A Manutenção da Pureza de Israel, Nm 31.1-54 Havia também a questão pendente dos midianitas. Eles haviam levado os israelitas à degradante devassidão de Baal- Peor, Nm 25.16,17 e, assim, tinham de sofrer o terrível julgamento divino. Doze mil homens de Israel foram convocados para a tarefa. Tendo matado a Balaão e a todos os reis e homens de Midiã, eles voltaram ao acampamento em triunfo, Nm 31.1-12. Uma vez que a rebelião em Baal-Peor envolvia imoralidade sexual, Moisés exigiu que as midianitas não virgens também fossem mortas, Nm 31.13-54. Um Novo Retorno, Nm 32.1-42 Canaã, propriamente dita, era a terra prometida aos patriarcas. Ainda assim, alguns dos israelitas, a saber, Rúben, Gade e meia tribo de Manassés, pediram a Moisés que lhes fosse permitido ter herança na Transjordânia, exatamente onde estavam, Nm 32.1- 19. Essas tribos, como a geração anterior, pareciam dispostas a rejeitar a terra que Deus havia prometido conceder-lhes. Moisés, relutante, atendeu ao pedido delas, sob a condição de que ajudassem seus companheiros a conquistar Canaã e fossem para sempre fiéis ao Senhor, Nm 32.20-42. Lembrança da Jornada, Prenúncio da Conquista, Nm 33.1-36.13 A recitação do itinerário de Israel desde o Egito, Nm 33.1-49, serve como lembrete do cuidado de Deus através dos anos no deserto. As instruções finais de Moisés acerca da conquista, Nm 33.50-56 e a distribuição de territórios entre as tribos prenunciam o cumprimento da promessa divina na terra, conforme registrado no livro de Josué. Instruções a respeito das cidades dos levitas e das cidades de refúgio, Nm 35.1-8 deviam guardar a terra prometida da poluição causada pelo derramamento de sangue inocente, Nm 35.9-34. A narrativa final em Números destaca o desejo das filhas de Zelofeade de ter parte na herança da terra. Deus premiou o anseio delas por sua promessa provendo leis de herança para famílias que não possuíssem herdeiors do sexo masculino, Nm 36.1-12. Estava então tudo pronto para a declaração final da aliança incorporada no livro de Deuteronômio e para a conquista de Canaã relatada no livro de Josué. Conclusão A forte mensagem ética que ressoa em alto e bom som em Números é que Deus possui um plano que leva à bênção. Mas o plano é construído em torno de princípios e práticas de comportamento que não podem ser abrandados ou negociados. Deus deseja abençoaros seus, mas essa bênção é firmada na submissão ao governo de Deus. O sucesso na vida depende não só de fazer a vontade de Deus, mas de fazê-la da maneira por ele prescrita. LIÇÃO 5 DEUTERONÔMIO Este Livro contém: A predição de um profeta semelhante a Moisés, Dt 18.15-19. O que Cristo chamou “O Grande Mandamento”, Dt 6.4. Palavras que Cristo citou contra o Tentador, Dt 6.13,16;8.3. Trechos da mais aprimorada eloqüência que no mundo existe. A palavra “Deuteronômio” quer dizer “Segunda Lei”, ou “Repetição da Lei”. Em Êxodo, Levítico e Números promulgaram-se leis a intervalos. Agora, terminada a peregrinação, nas vésperas de entrarem em Canaã, essas leis são repetidas e comentadas, em antecipação à vida sedentária e aplicadas a esta. Capítulos 1,2, e 3. (Do Sinai ao Jordão). Uma síntese retrospectiva de Nm 1- 33. Depois de ter realizado um dos mais nobres e heróicos empreendimentos dos séculos, o último apelo de Moisés a Deus, para que o deixasse passar o Jordão, não é atendido, Dt 3.23-28. Capítulos 4 e 5 (Apegai-vos à Palavra de Deus). Exortações veementíssimas para que os israelitas observem os mandamentos divinos, os ensinem diligentemente aos filhos e fujam da idolatria; com o lembrete reiterado de que a segurança e a prosperidade deles dependeriam de sua lealdade e obediência a Deus. No capítulo 5 foi repetido os dez mandamentos. Capítulo 6 (O Grande Mandamento) Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força, Dt 6.5. Isto é repetido sempre, veja: Dt 10.12;11.1,13,22. E foi frisado de novo por Jesus em Mt 22.37, em cujo ensino ocupou o primeiro lugar. Para que se perpetuassem as idéias de Deus entre o povo, eles não deviam depender só da instrução pública; tinham de ensiná-las diligentemente no lar, 6.6-9. Visto como os livros eram poucos, o povo tinha de escrever certas partes importantes da Lei nos umbrais das casas, atá-las nos braços e testas, e falar sobre elas constantemente. A finalidade era imprimir neles a Palavra de Deus com tanta persistência que viesse a fazer parte de sua natureza mental. Capítulo 7 (Os cananeus e os ídolos deviam ser destruídos) Nenhum convênio ou casamento se devia celebrar com eles. Isto era necessário para livrar Israel da idolatria e suas abominações. Capítulo 8 ( Recordação dos Prodígios do Deserto) Por 40 anos tinham sido provados e nutridos com maná; suas vestes não se envelheceram, nem seus pés incharam; para que aprendessem a confiar em Deus, e a viver pela sua Palavra, Dt 8.2-5. Capítulos 9,10. (A Persistente Rebelião de Israel) Três vezes Israel é lembrado de que o tratamento admirável que Deus lhe deu não foi por causa da justiça dele, 9.4-6. Ele tinha sido um povo descontente, rebelde e teimoso todo o tempo. Capítulo 11 ( Bênçãos da Obediência). Capítulo notável, apela para a devoção à Palavra de Deus e obediência a seus mandamentos, como base da prosperidade nacional, com magníficas promessas e diversas advertências. Capítulos 12,13,14 e 15. (Várias Ordenanças) Todos os ídolos tinham que ser destruídos. Criado no canteiro da idolatria egípcia e rodeado durante toda a vida por gente idólatra, Moisés nunca transigiu com a idolatria. E como avisara repetidamente, a idolatria tornou-se a ruína da nação. Alegrar-vos-eis: Note-se quantas vezes ocorre esta palavra, Dt 12. 7,12,18; 14.26; 28.47. É palavra predileta dos Salmos e das Epístolas. “Animais limpos e imundos, Dt 14.1-21; Dízimos Dt 14.22-29; o Ano Sabático, Dt 15.1-11; Escravidão, Dt 15.12-18; Primícias Dt 15.19-23. Capítulo 16 ( Festas ) Três vezes no ano todos os do sexo masculino tinham de comparecer diante de Deus; nas festas da Páscoa, do Pentecostes e dos Tabernáculos. Além destas, havia a festa das Trombetas e o Grande Dia da Expiação. O objetivo de tais festas era fazer que deus sempre estivesse no pensamento do povo, e fomentar a unidade nacional. A Páscoa, também chamada festa dos pães ázimos, observava-se na primavera, no dia 14 do 1º mês e durava 7 dias, como um memorial do livramento dos israelitas do Egito. O Pentecostes, também chamado festa das semanas, da ceifa, ou das primícias, celebrava-se no 50º dia depois da páscoa, e durava 1 dia. Tabernáculos, também chamada festa da colheita, ocorria no 15º dia do 7º mês, cinco dias depois do Dia da Expiação, e durava 7 dias. A Festa das Trombetas, no 1º dia do 7º mês, dava entrada ao ano civil, ver Nm 28. O Grande Dia da Expiação, no dia 10 do 7º mês, ver Lv 16. Capítulo 17 (A Predição de um Rei) Deus o prediz aqui, com algumas instruções e avisos, 14-20. O Reino inaugurou-se uns 400 anos mais tarde, I Sm 8. Samuel disse ao povo que, pedindo um rei, estavam rejeitando a Deus. Não há nisso contradição. O fato de Deus saber de antemão que eles iam querer um rei não importa em aprovar essa atitude, mas apenas diz que Ele previu isso, querendo ser consultado na escolha. Repudiando a forma de governo que Deus lhes dera, repudiavam o próprio Deus. Note-se o que diz sobre a obrigação dos reis de serem leitores da Palavra de Deus durante todos os dias de sua vida, 18- 20. que ótima sugestão para os governantes de hoje! Note-se também que os reis começaram logo a fazer o que Deus dissera que não deviam fazer; multiplicar para si mulheres, e cavalos e ouro, 16,17; I Rs 10.14-29; 11.1-13. Capítulo 18 ( O Profeta Semelhante a Moisés) Esta predição, 15-19, pode no seu sentido mais lato, referir-se à sucessão dos profetas que Deus haveria de suscitar nas emergências da história de Israel. Mas sua linguagem indiscutivelmente aponta para um indivíduo ilustre, O MESSIAS. Temos aí uma das predições mais específicas a respeito de Cristo, no Antigo Testamento, Jo 5.46; At 3.22. A nação judaica estava sendo estabelecida por Deus como meio pelo qual um dia todas as nações seriam abençoadas. Aqui está uma declaração explícita de que o sistema em torno do qual a nação estava sendo organizada não seria o sistema pelo qual esta nação abençoaria todas as outras; mas que seria suplantado por outro sistema, dado por um profeta, que teria a mensagem de Deus para todos os povos. O judaísmo seria suplantado pelo Cristianismo. Glória a Jesus! Capítulo 19 ( Cidades de Refúgio) Para proteção dos que causassem morte por algum acidente. Moisés já havia separado três de tais cidades a leste do Jordão: Bezer, Ramote e Golã, 4.41-43. Mais tarde Josué designou três ao oeste do Jordão: Quedes, Siquém e Hebrom. Todas as seis cidades eram cidades dos levitas, incluídas nas suas 48 cidades, Nm 35.6. Capítulo 20 (Leis de Guerra) Os que tivessem casa recém- edificada, ou tivessem acabado de plantar uma vinha, ou fossem recém-casados, ou fossem de coração tímido, deviam ser dispensados do serviço militar. Os cananeus deviam ser destruídos; as árvores frutíferas seriam poupadas. Capítulos 21-26 (Leis diversas) O caso de ser desconhecido um homicida; Esposas prisioneiras; Filhos de uniões poligâmicas; filhos rebeldes; O castigo da morte seria por enforcamento; Animais extraviados; Coisas Perdidas; As vestes do homem seria diferentes das da mulher; Disposição sobre pássaros chocando a serem poupados; Os tetos das casas teriam parapeito; Sobre trabalhos do campo e sobre vestes; Meretrício; Adultério; Estupro; Eunucos, Bastardos, Amonitas; Moabitas; Edomitas; Limpeza no Arraial; Tratamento a dar a escravos refugiados; Prostitutas; Sodomitas; Usura; Votos; Divórcio; Casamento; Penhores; Rapto; Lepra; Salários; Justiça com os pobres; Respigas; 40 Açoites seriam o limite; Casamentos leviratos; Interferência em brigas; Pesos e medidas diferentes; Amalequitas; Primícias e dízimos, ler também Lv 27. Capítulo 27 ( A Lei seria perpetuada no Monte Ebal) Josué fez assim, Js 8.30-32. Num tempo em que os livros eram escassos costumava-se registrar leis em pedrase erigi-las em várias cidades, de modo que o povo as conhecesse. Moisés ordenou aos israelitas que fosse isto a primeira coisa que fizessem em Canaã. As pedras deveriam ser rebocadas com reboco e as leis nelas escritas “muito claramente” Capítulo 28 ( A Grande Profecia sobre os Judeus) É um capítulo admirável. Esboça-se aí toda a história futura da nação judaica. O cativeiro babilônico e a destruição pelos romanos são descritos vívidamente. A Águia, v.49 era insígnia do exército romano. Tanto no cerco dos babilônicos como no dos romanos, homens e mulheres de Jerusalém comeram seus próprios filhos, 53-57. A dispersão dos judeus, sua vida errante, as contínuas perseguições que sofrem, o tremor de coração e o desmaio de alma, até à data presente, tudo está aí graficamente predito. Este capítulo posto ao lado da história do povo hebreu constitui uma das mais estupendas e indiscutíveis evidências da divina inspiração da Bíblia. Como negar a inspiração da Bíblia? Capítulos 29,30. (O Concerto e os Avisos Finais) Algumas das últimas palavras de Moisés, ao descrever ele as temíveis conseqüências da apostasia: Servi a Deus e tereis o caminho da vida; servi aos ídolos e encontrareis a morte certa. Capítulo 31 (Moisés escreveu esta Lei num Livro) 40 anos antes ele escrevera Palavras de Deus num livro, Ex 17.14; 24.4,7. Escrevera um diário de suas jornadas, Nm 33.2. Agora que o livro está completo, entrega-o aos sacerdotes e levitas com ordens que seja lido periodicamente ao povo, ou seja, de sete em sete anos, 10-13. Ensinar constantemente ao povo a Palavra de Deus escrita é a maneira mais segura e mais eficiente contra a corrupção de sua religião. Quando Israel dava ouvidos à Palavra de Divina, prosperava. Quando a negligenciava, sobrevinha-lhe adversidades. Foi a leitura do Livro de Deus que deu lugar à grande reforma do rei Josias, II Rs 23. Igualmente à de Esdras, Neemias, 8. Do mesmo modo à de Lutero. As Escrituras devem ser lidas na Igreja, I Ts 5.27; Cl 4.16. A Palavra de Deus em si é poder divino no coração humano. Oxalá os púlpitos de hoje fosse ocupado por obreiros que usassem todos os meios para fazer sobressair neles a excelsa e bendita Palavra de Deus. Capítulo 32 ( O Cântico de Moisés) Quando acabou de escrever o livro, Moisés compôs um cântico para que o povo o cantasse. Celebrara com cântico o livramento dele do Egito, Ex 15. Escrevera outro, conhecido como o Salmo 90. Um dos melhores meios de gravar idéias no coração do povo são os cânticos populares. Débora e Davi, cantando, derramaram suas almas diante de Deus. A igreja, desde seus primórdios até hoje, tem usado este meio para perpetuar e divulgar as idéias pelas quais ela se bate. Capítulo 33 ( Bênçãos de Moisés) Aí as tribos são chamadas pelo nome, havendo predições sobre cada uma; idênticas à bênção de Jacó sobre seus filho, Gn 49. Capítulo 34 (A Morte de Moisés) Aos 120 anos, de vista ainda clara, pleno de vigor natural, o ancião galgou o Monte Pisga. Enquanto contemplava a terra da promessa, na qual ansiava entrar, Deus ternamente o trasladou para uma habitação melhor. Num instante sua alma penetrou além do véu e ele se achou em casa com Deus. O Senhor sepultou-lhe o corpo em lugar que ninguém sabe. Seus restos mortais ficaram, assim, fora do alcance de qualquer idolatria. Moisés falava com Deus face a face, v 10; Ex 33.11; Nm 12.8. Não quer isto dizer que ele via a Deus em sua plena refulgência, o que nos é impossível enquanto na carne, Jo 1.18; mas uma manifestação da glória divina mais íntima do que a que outros tiveram. Encerra-se aqui a primeira quarta parte do Antigo Testamento (quase do tamanho do Novo testamento inteiro), toda escrita pelo homem Moisés. Que homem foi ele? Tão íntimo com Deus! Que obra a sua! Quarenta anos no palácio de Faraó. Quarenta refugiado em Midiã. Quarenta como guia de Israel pelo deserto. Livrou da servidão uma nação de uns 3.000.000 de pessoas; transplantou-a de uma terra para a outra; organizou para ela um sistema de jurisprudência em que se tem inspirado grande parte da civilização do mundo inteiro. E nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, a quem o Senhor conhecera face a face, Dt 34.10.