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Tutorial 3 - Saúde da Mulher

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da coluna vertebral, e os polegares 
mantendo as coxas aconchegadas. Respeitando a lordose natural do feto, sem tracioná-lo, 
soergue-se o feto em tom o do púbis da mãe. No momento oportuno, faz-se a alça no cordão. 
A não tração do feto evita a extensão dos braços e as espáduas desprendem-se em 
correspondência com as extremidades do diâmetro transverso (diferente do mecanismo 
clássico, no qual as espáduas se desprendem no sentido anteroposterior). Por último, o feto é 
rebatido progressivamente sobre o abdome da mãe e a cabeça também se desprende de 
modo espontâneo. Admite-se e é útil que a essa altura um auxiliar delicadamente exerça 
pressão por trás do púbis, através da parede abdominal, sobre a cabeça última, para auxiliar 
sua expulsão. Cuidados com o desprendimento brusco da cabeça fetal na manobra de Bracht 
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TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
são recomendados, no sentido de se evitar eventuais hemorragias intracranianas (Figura 33). 
Nas apresentações pélvicas de nádegas, orienta-se realizar a manobra de Pinard, que consiste 
na transformação desse tipo de apresentação em pélvica completa. Dessa forma, toma-se a 
perna fetal anterior, imprimindo os dedos indicador e médio na face posterior do joelho fetal e 
o polegar na face anterior da coxa. Comprime-se suavemente o cavo poplíteo, levando à 
flexão da perna e alcançando-se o pé. Repete-se a manobra para a perna posterior, com 
opção de torná-la anterior por rotação axial fetal (Figura 34 ). 
 
 
Anormalidades do mecanismo de parto nas apresentações pélvicas 
Pelos mais variados motivos, o parto pélvico pode evoluir com dificuldades em um ou 
mais dos desprendimentos esperados. Orienta-se, antes de tudo, jamais tracionar o feto, de 
forma a impedir ou minimizar as deflexões que dificultariam sua expulsão. Eventualmente, a 
deflexão já existe e deve ser prontamente corrigida. As principais anormalidades que podem 
ocorrer no parto pélvico vaginal são: 
• Rotação posterior do dorso: quando o dorso se volta para trás, a cabeça geralmente o 
acompanha e se deflete, criando dificuldades para sua liberação. 
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TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
• Deflexão dos braços: normalmente os braços desprendem-se junto ao tórax; no entanto, se 
defletirem, aumenta a extensão do diâmetro biacromial e somam seu volume ao da 
cabeça derradeira, tornando impossível a saída, a 
não ser à custa de manobras especiais. Geralmente, 
o problema é criado por assistência defeituosa, por 
trações excessivas ou contração uterina ineficiente. 
• Deflexão da cabeça derradeira: se a cabeça deflete, 
impacta sobre o promontório materno e não há 
possibilidade de descer e desprender-se, a menos que 
haja uma rotação complementar de descida, 
levando o mento para a frente. 
Pelo risco de ocorrerem tais anormalidades, é 
obrigatória a presença de um ou mais auxiliares na sala 
de parto para correção desses eventos, lançando-se mão 
de diversas manobras para o desprendimento das 
espáduas e da cabeça derradeira. 
Manobras para o desprendimento das espáduas 
As espáduas costumam desprender-se com 
facilidade no parto pélvico se for mantida a posição 
fisiológica de flexão. A deflexão das espáduas ocorre 
quase sempre pela tração do feto por manobra 
intempestiva. 
Manobra clássica de desprendimento das espáduas. A manobra clássica de desprendimento 
das espáduas é utilizada em casos de resistência do desprendimento com os braços 
flexionados. Ela consiste na apreensão de um dos braços fetais (anterior ou posterior), 
aplicando-se os dedos indicador e médio no úmero e o polegar na axila, tracionando o braço 
pela face anterior do tórax fetal (Figura 35). 
Manobra de Deventer-Müller. A manobra de Deventer-Müller se baseia em movimentos 
pendulares de abaixamento e elevação do corpo fetal, procurando fazer com que o ombro 
anterior se encaixe no subpúbis e, em seguida, desprenda com auxílio digital. O movimento 
seguinte, de elevação, toma possível a expulsão do ombro posterior. Caso o ombro anterior se 
apresente impactado, orienta-se em primeiro lugar iniciar a manobra com a tentativa de 
exteriorização do ombro posterior (Figura 36). 
Manobra de Rajas. A manobra de Rojas consiste na transformação da espádua posterior em 
anterior, por meio de tração, rotação axial e translação fetal. Ao realizar tal movimento, o braço 
posterior flexiona-se pela face anterior do tronco do feto, desprendendo-se no subpúbis. 
Durante a manobra, o obstetra deve fixar as mãos na pelve do feto, girando-o no sentido do 
dorso (dorso para face materna anterior) com um movimento helicoidal, formando um arco de 
180º. A seguir, repete-se o movimento no outro sentido, para que se desprenda o outro ombro, 
agora posterior (previamente anterior). Essa manobra pode ser traumática, resultando em 
luxação de coluna cervical e sequelas neurológicas (Figura 37). 
Manobra de Pajot. A manobra de Pajot está indicada nos casos em que não houve apenas 
deflexão dos braços, mas também o deslocamento destes para a face anterior ou posterior da 
cabeça fetal. Apreende-se o braço anterior com os dedos médio e indicador na face externa 
e o polegar no cavo axilar, realizando movimento de flexão do cotovelo e descida do braço 
pela região anterior da face e do tronco fetal. Se o braço anterior não for acessível, recomenda-
se tornar o braço posterior em anterior, girando o dorso por trás, para evitar que o braço anterior 
passe para trás da cabeça fetal ("braço nucal") (Figura 38). 
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TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
Desprendimento das espáduas nas rotações posteriores do dorso. Quando o dorso fetal roda 
para a posição posterior, não se recomendam as manobras em que se realiza rotação axial do 
feto. Nesses casos, aconselha-se apreender os membros inferiores do feto com uma das mãos, 
abaixando-se o tronco fetal para facilitar o acesso anterior ao canal vaginal pela outra mão. 
Assim, o obstetra irá buscar um dos braços fetais e trazê-lo para fora da vagina, abaixando-o 
sobre o tórax. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
 
Manobras para o desprendimento da cabeça derradeira 
As dificuldades de extração da cabeça derradeira podem ocorrer por causa da não 
insinuação do polo cefálico ou, quando a insinuação acontece, do encravamento da cabeça 
nas partes moles ou estreitos médio e inferior. O desprendimento cefálico é o tempo mais difícil 
e arriscado do mecanismo do parto pélvico, por ser causa frequente de asfixia perinatal nessas 
apresentações. A manobra mais utilizada nesse tempo é a de Bracht, mas quando não há 
sucesso, pode-se lançar mão de outras manobras. 
Manobra de Liverpool e de McRoberts. A manobra de 
Liverpool consiste em manter pendente o corpo fetal por 
20 segundos, até que o polo cefálico desça e seja possível 
visualizar a raiz da nuca. Em seguida, segurando o feto 
pelos pés, eleva-se e traciona-se suavemente o corpo 
fetal, direcionando-o para o ventre materno, com 
consequente desprendimento cefálico. A manobra de 
McRoberts, também muito utilizada para distocia de 
biacromial, consiste na hiperflexão da coxa materna para 
aumentar a amplitude dos estreitos médio e inferior da bacia (Figura 39). 
Manobra de Mau riceau. A manobra de Mauriceau 
consiste em apreender o corpo fetal com uma das 
mãos sobre o dorso e os dedos indicador e médio em 
torno da região cervical. A outra mão deve segurá-lo 
pelo ventre, com os dedos indicador e médio locados 
no interior da boca fetal, mais propriamente na base 
da língua. Por meio de movimento