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Tutorial 3 - Saúde da Mulher

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e hiperinsulinemia, 
que levam a diminuição do conteúdo de oxigênio livre arterial e estímulo da eritropoese. 
Também se descreve maior frequência de hiperbilirrubinemia neonatal em filhos de mãe 
diabética, além de maior frequência de hipocalcemia e hipomagnesemia nos primeiros dias de 
vida. A síndrome do desconforto respiratório, caracterizada por taquipneia, retração da 
musculatura intercostal, hipoventilação, hipoxia, evidência de broncogramas e densidades 
granulares finas no parênquima pulmonar à radiografia simples de tórax, ocorre mais 
frequentemente em casos de diabetes com controle glicêmico irregular. A hiperinsulinemia inibe 
a ação do cortisol no pulmão fetal, levando à inibição da produção de lecitina pelo 
pneumócito tipo 2. A lecitina é um fosfolípide presente no surfactante que estabiliza o alvéolo 
pulmonar durante a expiração, e sua diminuição leva à síndrome do desconforto respiratório. 
Complicações em longo prazo 
As crianças nascidas de mães diabéticas têm maiores taxas de obesidade na infância e 
na vida adulta e ainda têm descritas maiores frequências de diabetes tipo 2 na vida adulta. 
7. Definir puerpério e seu seguimento terapêutico. 
CONCEITO E DURAÇAO 
O puerpério, ou período pós-parto, tem início após a dequitação e se estende até 6 
semanas completas após o parto. Essa definição é baseada nos efeitos acarretados pela 
gestação em diversos órgãos maternos que, ao final desse período, já retornaram ao estado 
pré-gravídico. Entretanto, pelo fato de nem todos os sistemas maternos retornarem à condição 
primitiva até o término da sexta semana, alguns estudos postergam o final do puerpério para 
até 12 meses após o parto. As mamas são uma exceção, pois atingem o desenvolvimento e a 
diferenciação celular completos no puerpério e não retornam ao estado pré-gravídico. 
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TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
CLASSIFICAÇAO 
Admitindo como tempo de duração normal do puerpério o período de 6 a 8 semanas, 
este pode ser dividido nos seguintes períodos: 
• Puerpério imediato: até o término da segunda hora após o parto. 
• Puerpério mediato: do início da terceira hora até o final do décimo dia após o parto. 
• Puerpério tardio: do início do 11º dia até o retorno das menstruações, ou 6 a 8 semanas nas 
lactantes. 
ASSISTENCIA NO PUERPÉRIO 
HOSPITALAR 
A grande maioria das pacientes permanece nos primeiros dias de puerpério em 
ambiente hospitalar. A nova mãe necessita de suporte emocional e tranquilidade durante o 
período pós-parto para garantir que ela adquira confiança e estreite os laços emocionais com 
o recém-nascido. As informações adquiridas com o médico que a visita auxilia na confiança de 
poder cuidar bem de seu filho. O pai também deve ser encorajado a participar desses 
cuidados, não apenas para colaborar com a mãe, mas também para fortalecer a relação com 
o recém-nascido e com a família. 
Cuidados e controles 
Durante a internação, especialmente no primeiro dia de puerpério, a mãe deve ter 
aferidos a temperatura, a pressão arterial, os batimentos cardíacos e a frequência respiratória 
em intervalos regulares. Ela deve ser submetida a exame físico geral e especial, com avaliação 
de mamas, abdome, trato urinário, região perineal e membros inferiores. Deve-se monitorizar o 
sangramento vaginal e palpar o fundo uterino, para verificar se o útero está contraído. Pela 
maior probabilidade de hemorragia significativa logo após o parto, mesmo em se tratando de 
gestação de baixo risco, a puérpera deve ser avaliada cuidadosamente até pelo menos o 
término da primeira hora após a dequitação. 
Queixas frequentes 
Nos primeiros dias após o parto vaginal ou a cesárea, a puérpera pode queixar-se de 
desconforto por uma série de razões, incluindo cólicas abdominais, dor na episiorrafia ou na 
cicatriz cirúrgica abdominal, ingurgitamento mamário, e, raramente, cefaleia após anestesia 
raquidiana. E aconselhável a administração de analgésicos e anti-inflamatórios a cada 6 ou 8 
horas, a fim de minimizar esse desconforto. A dor na região da episiorrafia pode dificultar os 
movimentos da puérpera nos primeiros dias, e o uso de gelo local ou, em alguns casos, de spray 
anestésico, minimiza esse desconforto. Se este for muito intenso, deve-se atentar para um 
problema maior, como um hematoma, no primeiro dia, ou infecção, a partir do quarto dia do 
pós- -parto. A episiorrafia deve ser avaliada como parte essencial do exame da puérpera. Há 
poucas evidências científicas sobre qual o cuidado ideal com o períneo após o nascimento. 
Deve-se realizar boa higiene perineal e, caso haja edema dessa região, recomenda-se a 
elevação dos pés da cama. Exercícios para a musculatura do assoalho pélvico podem ser 
benéficos para o fortalecimento desses músculos, mas não foi demonstrado que previnem o 
prolapso vaginal em intervalo curto de acompanhamento. 
Dieta e deambulação 
Tão logo seja possível, deve ser oferecida à mãe dieta geral, se não houver restrições 
dietéticas por alguma doença, encorajando-a também a deambular precocemente. A rápida 
deambulação é responsável por menor taxa de complicações urinárias e de obstipação, assim 
como menor risco de trombose venosa e de tromboembolismo pulmonar, já que há 
hipercoagulação persistente nas primeiras 3 semanas após o parto. Esse risco diminui 
gradativamente até atingir o risco basal, com 12 semanas de puerpério. 
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Alterações urinárias 
Se houver retenção urinária, o tratamento inicial pode ser não invasivo, administrando-se 
analgésicos por via oral e permitindo que a paciente vá ao banheiro, tome um banho quente 
ou molhe as mãos em água fria corrente. O tratamento farmacológico, porém, não se mostrou 
eficaz. Se a bexiga puder ser palpada por via abdominal (bexigoma), deve-se realizar o 
cateterismo vesical, caso a paciente seja incapaz de esvaziá-la. O volume urinário obtido na 
sondagem vesical pode orientar o acompanhamento da puérpera a seguir: cateterização 
intermitente ou sondagem vesical de demora por mais 24 horas. Em um estudo realizado por 
Burkhart, foram necessários cateterismos repetidos em uma a cada dez mulheres com volume 
urinário menor que 700 mL, duas de quatorze mulheres entre 700 e 1.000 mLe em cinco de 25 
pacientes acima de 1.000 mL. 
Doença hemorroidária 
Outra queixa relativamente frequente das pacientes é o aparecimento ou o 
agravamento de doença hemorroidária. Em um estudo prospectivo, por meio de exames 
proctológicos, verificou-se uma taxa de 7,8% de hemorroidas externas trombosadas no final da 
gestação e 20% no período pós-parto. Dessas pacientes, 91% notaram seu aparecimento no 
primeiro dia de puerpério. Partos traumáticos e recém-nascidos grandes podem ser 
considerados fatores de risco para o agravamento dessas afecções. Oito semanas depois do 
parto, a prevalência de doenças hemorroidárias relatada pelas pacientes foi de 30% e, depois 
de 6 meses, entre 13 e 25%. 
Cuidado com as mamas 
O alojamento conjunto (do recém-nascido com a mãe) durante a hospitalização deve 
ser encorajado, já que, juntamente à amamentação sob demanda, esteve associado à 
continuidade da amamentação, especialmente em primíparas. A ansiedade, especialmente 
em mulheres inexperientes, tem sido relatada como um dos motivos para a interrupção da 
lactação. Recomenda-se o uso de sutiãs com alças largas e firmes, para manter os duetos 
mamários em posição anatômica. Se o colostro já estiver presente no momento do parto, 
recomenda-se que a mãe amamente logo nas primeiras horas após o nascimento. A descida 
do leite ocorre somente entre o segundo e o terceiro dias do puerpério, com desconforto 
considerável às pacientes, que devem ser orientadas acerca da técnica correta de
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