A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
66 pág.
Tutorial 3 - Saúde da Mulher

Pré-visualização | Página 7 de 23

é feito com as 
variedades occipitoposteriores, nas quais se toca o 
lâmbda e a linha sagital. Antes da insinuação, já a 
apresentação defletida de 1° grau pode acentuar 
ainda mais seu grau de deflexão, originando as 
defletidas de 22 e 32 graus. Assim, o diagnóstico se 
firma com a insinuação do polo cefálico e a persistência desse grau de deflexão (Figura 21). 
Mecanismo de parto 
O diâmetro anteroposterior de insinuação é o 
occipitofrontal, que mede 12 cm. A circunferência que se 
oferece ao trânsito mede, por sua vez, 34 cm. Os parâmetros 
mais amplos da cabeça fetal requerem acentuado grau de 
moldagem cefálica e solicitam intensamente a vagina, que 
pode se lacerar devido à distensão. A descida é lenta e se 
faz sem que se modifique a atitude da cabeça. O hipomóclio 
é um ponto variável entre a glabela e o limite do couro 
cabeludo; e quanto mais próximo ao bregma, melhor o 
prognóstico, já que a circunferência de desprendimento será 
menor. A cabeça desprende-se em dois tempos: flete e libera 
o occipício para em seguida defletir e exteriorizar a fronte e 
a face (Figura 22). Por conta dos maiores riscos para gestante 
e feto, deve-se estar preparado para parto por via 
abdominal. Essa apresentação é relativamente frequente e 
possui chance de evolução para parto vaginal. Só se justifica 
a opção pela condução do trabalho de parto, nessas 
apresentações, em mulheres com bacia ginecoide, de 
dimensões adequadas e vitalidade fetal assegurada. 
Recomenda-se evitar o parto vaginal instrumentalizado e o 
uso indiscriminado de ocitócicos. 
CEFÁLICA DEFLETIDA DE 2° GRAU 
Etiologia 
Os fatores predisponentes repetem-se em relação às 
defletidas de 1 º grau, acrescentando-se também causas 
como feto volumoso, feto pequeno, feto morto, 
dolicocefalia, polidrâmnio e placenta prévia. São 
extremamente raras e, a não ser em fetos muito pequenos 
ou macerados, não é possível a evolução para parto 
vaginal. Para que ocorra, a apresentação defletida de 2° 
grau deve ser transitória, evoluindo para apresentação 
fletida ou defletida de 1 ° ou 3° graus. O parto é distócico na 
quase totalidade dos casos. 
Diagnóstico 
 21 
TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
No exame vaginal, é possível sentir a sutura metópica (como linha de orientação) e a 
glabela ou raiz do nariz, que corresponde ao ponto de referência fetal. O diâmetro transverso é 
o bitemporal, que, por possuir medida pouco extensa, não contribui para possíveis dificuldades. 
Em relação aos planos de De Lee, a apresentação situa-se sempre em nível mais alto (Fig. 23). 
Mecanismo de parto 
A apresentação cefálica defletida de 2° grau ou de fronte é a que oferece o maior 
diâmetro em direção ao canal de parto. Assim, o diâmetro occipitomentoniano, que mede 13 
a 13,5 cm em um feto a termo, não é capaz de realizar a insinuação do polo cefálico. Caso 
ocorra essa insinuação, será em feto pequeno, macerado ou à custa de extensos mecanismos 
de moldagem cefálica. Para que se suceda a descida, uma série de teorias aventa a 
necessidade de desnivelamento do mento ou do occipício, já que esses se encontram no 
mesmo nível e perpendiculares ao eixo da bacia materna. Nessa eventualidade, é mais 
provável que a apresentação evolua para as formas 
fletida ou defletida de 3° grau do que para um mecanismo 
próprio dessa apresentação. A rotação é custosa e muitas 
vezes a cabeça fetal permanece em variedade 
transversa. O hipomóclio é realizado locando-se a região 
da glabela ou raiz do nariz abaixo da sínfise púbica. Por 
mecanismos de flexão, desprendem-se os diâmetros 
subnasofrontal, subnasobregmático e subnaso-occipital. 
Apoiado o polo cefálico com a porção suboccipital na 
fúrcula vaginal, ocorre deflexão e desprende-se a porção 
restante da face (Figura 24). 
CEFÁLICA DEFLETIDA DE 3° GRAU 
Etiologia 
Não se sabe ao certo a etiologia da ocorrência das apresentações de face, mas é 
possível que estejam relacionadas a fatores que predisponham à extensão e/ ou limitem a 
flexão cervical. Entre os fatores fetais estão hidrocefalia acentuada, tumores cervicais 
anteriores, excesso de líquido amniótico e rotura intempestiva das membranas ovulares. Dos 
fatores maternos já citados em outros graus de deflexão, a multiparidade é o mais importante, 
pois a flacidez da musculatura abdominal faz com que o dorso fetal fique pendente, o que 
predispõe à extensão cervical do feto. 
Diagnóstico 
Ao toque vaginal, reconhece-se a linha de orientação representada pela linha facial, na 
qual é possível sentir glabela, nariz, boca e mento - este é o ponto de referência fetal. No 
momento do diagnóstico, 60% das apresentações de face serão variedades mentoanteriores; 
15%, mentotransversas; e 25%, mentoposteriores. No entanto, quase metade das ocorrências 
transversas e posteriores evoluirão para variedades anteriores. O diagnóstico diferencial é feito 
com as apresentações pélvicas, uma vez que ambas apresentam estruturas de consistência 
macia com orifício central ao exame de toque vaginal. Conforme a evolução do trabalho de 
parto, forma-se uma bossa serossanguína na face, podendo dificultar o diagnóstico diferencial 
com apresentação pélvica, contudo a pirâmide nasal nunca se infiltra, o que é útil para 
diferenciar do polo pélvico. 
 22 
TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
 
Mecanismo de parto 
A insinuação faz-se por um aumento da deflexão, pois inicialmente se apresenta em fase 
frontal de deflexão. O diâmetro anteroposterior que se oferece é o mentorretrobregmático; e o 
transverso, bimalar. Conforme a insinuação cefálica progride, a deflexão aumenta e ocorre a 
substituição do diâmetro mentorretrobregmático pelo diâmetro submentobregmático, também 
chamado hiobregmático (9,5 cm). Em razão da menor extensão dos diâmetros insinuados, o 
parto nas apresentações de face costuma não apresentar dificuldades. A descida nas 
variedades de posição mentoanteriores é curta, pois representa apenas a altura da sínfise 
púbica, sob a qual vem situar-se o mento. Nas mentoposteriores, porém, é imprescindível que 
ocorra a chamada rotação complementar de descida, que é de 90°. Sendo a distância que 
vai do mento ao manúbrio esternal menor que a altura do sacro, por mais que se distenda o 
pescoço, a cabeça não pode descer sem rodar, o que faria com que o mento se livrasse do 
côncavo sacral. Não ocorrendo tal fenômeno, é impossível a ultimação do parto (Figura 26). A 
rotação interna visa trazer o mento para a frente. Terminada a rotação, o diâmetro 
submentobregmático está em coincidência com o diâmetro anterop osterior do estreito inferior. 
O hipomóclio é realizado com o submento e o movimento de desprendimento é de flexão, com 
liberação sucessiva da face, da fronte, das regiões parietais e do occipício. A cabeça roda 
externamente em seguida, voltando o mento para o lado em que antes se situava (as 
variedades menta -esquerdas rodam o mento para a esquerda e as menta-direitas o fazem 
para a direita). 
Fenômenos plásticos do polo cefálico 
Os fenômenos plásticos do polo cefálico observados durante o mecanismo de parto são 
o cavalgamento ósseo e a bossa serossanguínea. O primeiro tem grande importância no 
 23 
TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
processo de insinuação e descida, sobretudo nas apresentações defletidas de 1 ° e 2° graus, 
nas quais esse processo ocorre de forma acentuada. O segundo é consequente ao mecanismo 
de parto e tem valor no diagnóstico de parto distócico. 
 
Cavalgamento ósseo do polo cefálico 
O cavalgamento ósseo tem por objetivo reduzir os diâmetros cefálicos, facilitando a 
adaptação e a descida da cabeça fetal pelo canal de

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.