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O PLANEJAMENTO 
TRIBUTÁRIO E SEUS 
ELEMENTOS
Prof. Gabriela de Bem Fonseca
Nesta unidade temática, você vai aprender
Objetivos do Planejamento Tributário;
Tipos de Planejamento Tributário;
Elementos do Planejamento.
 
https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
 
https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
Introdução
O Brasil possui sistema tributário complexo, fato que por si só já reduz o interesse das
empresas. A simplificação dos sistema é uma das maiores reivindicações dos empresários,
pois essa complexa malha tributária impõe significativos custos de transação e aqui o
planejamento tributário encontra campo fértil no impacto negativo que a tributação gera aos
agentes econômicos. Assim, visto sob esse ângulo, há uma tendência natural do agente
econômico reagir à tributação, e uma das formas é pelo planejamento tributário.
Para as pessoas jurídicas, o planejamento tributário atualmente é indispensável. Para elaborá-
lo de forma eficaz, é de suma importância analisar em conjunto os impostos e as
contribuições que incidem sobre essa atividade econômica, pois, conforme o sistema adotado
haverá variações significativas no montante da carga tributária.
Neste capítulo, vamos começar a construir as competências, explicando algumas bases do
sistema tributário, os limites à atividade do estado de tributar bem como iniciar a segregação
entre as atividades de Evasão e Elisão Fiscal.
Bons Estudos.
 
https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
O planejamento tributário e seus elementos
O profissional que deseja atuar com planejamento tributário deve ter conhecimento em
gestão de estratégia. Deve, ainda, saber interpretar a legislação relativa aos tributos, ter
técnicas contábeis e de controle para que o seu planejamento tributário seja baseado por
interpretações e aplicações oportunas das leis, para que assim alcance o diferencial
competitivo.
Para isso, será apresentado neste conteúdo muito do que se faz necessário para
compreender a gestão estratégica tributária, pois Moge (2011, p. 15) afirma que “para se fazer
qualquer tipo de planejamento, é necessário uma visão ampla do negócio, e com o
planejamento tributário não pode ser diferente”, assim descrevendo o que são os tributos, a
quem compete cada tributo e os regimes de tributação com intenção de auxiliar na
interpretação dos resultados propostos nos objetivos.
Para entendimento da Gestão tributária é importante conhecermos todos os passos da
formação dos tributos, qual sua função dentro do mercado e, principalmente, por que
pagamos os impostos. A existência dos tributos está relacionada com uma figura
centralizadora e responsável pela organização dos padrões sociais de convivência de um
povo, num certo território ou até mesmo povos de diferentes territórios, denominados como
Estado. Para essa organização, o povo delega poderes a um ente chamado de governo, que se
compromete em zelar pelo bem da comunidade, enquanto o povo se compromete em
fornecer-lhe os recursos necessários.
O Estado de Direito é uma sociedade civil política e juridicamente organizada. Ela é
estabelecida em três poderes: Poder Legislativo, Executivo e Judiciário e assim é tanto em
nível nacional, estadual e municipal. É fundamental esse entendimento para que possamos
abordar as fontes do direito onde são emanadas as normas e princípios.
As fontes de Direito não se restringem apenas às leis, elas incorporam uma série de princípios
e normas de conduta que regulam a convivência da sociedade. Fonte tem o sentido de
origem, proveniência, lugar de onde emanam normas e princípios jurídicos.
As fontes do Direito em fontes primárias e secundárias, onde as fontes primárias podem
inovar em matéria jurídica. Isso significa que podem criar, modificar ou extinguir preceitos
jurídicos, o que está apresentado no Quadro abaixo.
 
https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
 
https://drive.google.com/file/d/1LY8hKp1kBIaSEpOe4qcGHUM81H61d9te/view?usp=sharing
https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
 
https://drive.google.com/file/d/1LY8hKp1kBIaSEpOe4qcGHUM81H61d9te/view?usp=sharing
https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
As fontes secundárias não têm o poder de inovar no que diz respeito à matéria jurídica. Elas
podem detalhar ou auxiliar com explicação prática ou, ainda, reunir e consolidar, num único
texto legal, a legislação dispersa sobre determinado produto, assim são apresentados neste
grupo os decretos, jurisprudência e os costumes. As normas complementares das leis,
tratados e decretos como fontes secundárias, além do decreto regulamentar, jurisprudência e
costumes.
Conhecer o mínimo da estrutura governamental e tributária é fundamental no dia a dia na
administração de tributos (apuração, recolhimento, atendimento de obrigações acessórias
ligadas aos tributos etc.), é de grande importância conhecer as funções dos poderes
Executivo, Legislativo e Judiciário em todas as esferas.
O Estado tributa porque precisa de recursos para tratar do que é de interesse comum, mas
também porque tem poder para tanto, o chamado poder coercitivo. A ação de tributar é uma
prática que perdura há séculos, mas até a função de tributar do estado tem limitações.
As limitações ao poder de tributar devem ser observadas sob dois aspectos: o primeiro diz
respeito aos princípios, os quais regulam, norteiam a competência dos entes políticos; o
segundo as imunidades, regras que proíbem a tributação sobre certos bens, pessoas ou fatos
a fim de proteger determinados conteúdos axiológicos (é o ramo da filosofia que estuda os
valores) contidos na Constituição. Além de estabelecer quais são os tributos que a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem instituir e cobrar, a Constituição Federal
estabelece limites, que funcionam como princípios gerais, as quais devem se subordinar todas
as normas de natureza tributária.
Os Princípios Constitucionais, que funcionam como limitações ao poder coercitivo
(obrigatório) dos governos em suas diversas esferas, são os seguintes:
 
https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
Princípio da Legalidade:
O Princípio da Legalidade traz uma proteção para o cidadão, uma vez que o processo de
tramitação de uma lei é público e segue um ritual específico de legitimação. Assim, o
contribuinte pode tomar conhecimento do que está sendo discutido antes mesmo da
publicação da Lei. Se a Constituição não criasse essa limitação, o cidadão ficaria totalmente
exposto às vontades do Poder Executivo.
 
https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
Princípio da Igualdade (Isonomia):
Assim, o princípio da isonomia jurídica, também conhecido como princípio da igualdade, diz
que todos são iguais perante a lei, devendo nos garantir um tratamento igualitário, pela
entidade tributante, para aqueles que estão em condições iguais de fato para contribuir. A
existência de desigualdades justifica a criação de categorias ou classes distintas de
contribuintes. Esse princípio estabelece que o agente arrecadador deva tratar de forma igual
os contribuintes com uma situação econômica semelhante. A situação econômica equivalente
é chamada no âmbito tributário de capacidade contributiva. Segundo o princípio da
igualdade, quem tem maior poder aquisitivo deve pagar mais tributos. Essa é a lógica que
orienta, por exemplo, a progressividade da tabela do imposto de renda das pessoas físicas.
 
https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
Princípio da Irretroatividade Tributária:
Rezende, Pereira e Alencar (2010) explicam que o princípio da irretroatividade proíbe os entes
federativos de retroagir efeitos da lei, quer dizer, não podem cobrar tributos referentes a
fatos gerados antes do início da vigência da lei, sendo ela para aumentar ou criar tributos.
 
https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
Princípio da Anterioridade:
Como esse texto gerou alguns problemas, já que se a Leifosse alterada no dia 31 de
dezembro o tributo poderia ser cobrado a partir de 01 de janeiro, a Emenda Constitucional
N.42 de 19/12/2003, corrigiu tal distorção ao acrescentar a alínea “c”, estabelecendo que a
cobrança do tributo não possa ocorrer antes de decorridos 90 (noventa) dias da data da
publicação de antecedência (anterioridade nonagesimal), o que deve ser observado de forma
paralela e cumulativa à anterioridade de exercício. Com isso o contribuinte tem, portanto,
uma segurança de, no mínimo, 90 dias entre a data da publicação da lei e sua vigência.
 
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Exemplificando:
Uma lei municipal que proponha o aumento da alíquota do ISSQN, em julho de 2015, só será
aplicável aos eventos ocorridos a partir de janeiro de 2016. Se observada apenas a
anterioridade nonagesimal, alíquota maior poderia ser cobrada já em novembro de 2015,
mas, em atendimento à anterioridade de exercício a cobrança só poderá ser feita no exercício
seguinte, ou seja, a partir do início de 2016.
Já se a mesma lei fosse publicada em 31 de dezembro de 2015, a nova alíquota só alcançaria
os eventos ocorridos a partir de 01 de abril de 2016, pois, embora pelo princípio da
anterioridade de exercício pudesse ser exigida já em janeiro de 2016, pelo princípio da
anterioridade nonagesimal seria necessário esperar 90 dias da publicação da lei.
O princípio da anterioridade foi criado com a intenção de proteger o contribuinte contra a
eficácia das leis que instituem ou majorem tributos, revoguem ou reduzam isenções fiscais,
sendo corolário do princípio da segurança jurídica, que tem como objetivo evitar surpresas
para o colaborador.
 
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Princípio da Vedação ao Confisco (significa a tomada de propriedade de 
uma determinada pessoa ou organização sem compensação por parte do 
ente político):
 
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O princípio da vedação ao confisco estabelece que o tributo não pode exercer efeito
confiscatório, assim, não pode destruir o patrimônio daquele que está sendo tributado ou
inviabilizar as atividades econômicas produtoras de riqueza.
Disse que o estudo feito previamente, antes da realização do fato administrativo,
pesquisando seus efeitos jurídicos e econômicos e as alternativas legais menos onerosas,
denomina-se Planejamento Tributário. Segundo Oliveira (2008), a expressão planejamento
tem por significado literal o ato de planejar, trabalho necessário para desenvolvimento de
qualquer empreendimento, uma aplicação coordenada de ações para o alcance de objetivos.
Para Fabretti (2009), o planejamento tributário exige, antes de tudo, bom senso do
planejador. Segundo o autor, deve-se avaliar o custo/benefício, pois não existe uma fórmula
mágica para planejamento tributário, e sim alternativas ou lacunas (brechas) existentes na
legislação.
Uma vez bem elaborado e definido, o planejamento tributário vai nortear a atividade
econômica da empresa e, então, passa-se à etapa seguinte, que é a da gestão de tributos. Ou
seja, o gerenciamento da emissão de documentos comerciais e fiscais, da escrituração
contábil e fiscal, da apuração do montante devido dos tributos , do controle de diversos
prazos de pagamento, da prestação de dezenas de informações exigidas pelas autoridades
tributárias federais, estaduais e municipais etc.
 
https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
 
https://drive.google.com/file/d/18WLdhGLDoPBEkSC8aLjZOBd1Kh6yzolD/view?usp=sharing
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Fonte: Freepik.
 
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O conceito do Planejamento Tributário visa reduzir a carga tributária utilizando-se de um
estudo prévio de acordo com cada atividade empresarial. Visa identificar e projetar os atos e
fatos tributáveis e seus efeitos. O caráter preventivo do planejamento tributário decorre do
fato de não se poder escolher alternativas senão antes de se concretizar a situação. Após
concretização dos fatos, via de regra, somente se apresentam duas alternativas para o sujeito
passivo da relação jurídico-tributário: pagar ou não pagar o tributo decorrente da previsão
legal descrita como fato gerador. A alternativa de não pagar se caracterizará como prática
ilícita, sujeitando-se a empresa à ação punitiva do estado, caso ele venha a tomar
conhecimento de tal prática.
Cada uma das formas de tributação tem a sua vantagem dentro desse contexto, por meio de
estudos da realidade de cada empresa, aliado a um profundo conhecimento da legislação.
Não há um tipo de tributação que seja benéfico para a totalidade das empresas. Cada pessoa
jurídica deve considerar suas particularidades, meios de operação, e tipos de atividades que
desenvolvem para conseguir vislumbrar a forma mais econômica de tributação. Uma vez
formalizada com a receita federal, ela é obrigada a cumprir o calendário anual.
Elisão Fiscal
 
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Fonte: Freepik.
 
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Configura-se em um planejamento que utiliza métodos legais para diminuir o peso da carga
tributária em um determinado orçamento. Respeitando o ordenamento jurídico, o
administrador faz escolhas prévias (antes dos eventos que sofrerão agravo fiscal) que
permitem minorar o impacto tributário nos gastos do ente administrado. Diferentemente da
evasão fiscal (onde ocorre o fato gerador do tributo e o contribuinte não paga uma obrigação
legal) na elisão fiscal, através do planejamento evita-se a ocorrência do fato gerador e, por
não ocorrer o fato gerador, o tributo não é dividido. Dessa forma, o planejamento não
caracteriza ilegalidade, apenas usa-se das regras vigentes para evitar o surgimento de uma
obrigação fiscal.
A elisão fiscal é muito utilizada por empresas quando das transferências internacionais de
recursos, na busca de conceitos tributários diferentes em países diferentes de forma a
direcionar o tráfego dos valores. Assim, pode-se reduzir a carga tributária e fazer chegar às
matrizes as maiores quantidades possíveis de recursos vindos das filiais. Como as grandes
matrizes internacionais encontram-se em países já de mais recursos, as discussões sobre
elisão fiscal, revestidas de legalidade, tem também adquirido contornos de discussões morais.
Evasão Fiscal
 
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Fonte: Freepik.
 
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A evasão fiscal, ao contrário da elisão fiscal, consiste em prática contrária à Lei, geralmente é
cometida após a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objetivando reduzi-la ou
ocultá-la. A evasão fiscal é o uso de meios ilícitos para evitar o pagamento de taxas, impostos
e outros tributos. Entre os métodos usados para evadir tributos estão a omissão de
informações, as falsas declarações e a produção de documentos que contenham informações
falsas ou distorcidas, como a contratação de notas fiscais, faturas, duplicatas etc.
Essa condição está prevista e capitulada na Lei dos Crimes Contra a Ordem Tributária,
Econômica e Contra as Relações de Consumo (Lei N. 8.137/90). É preciso ter muita atenção no
atendimento da legislação tributária, pois na busca de pequenas brechas legais a empresa
pode incorrer em crime grave e responder às penalidades cabíveis.
 
https://drive.google.com/file/d/1cy8vaUZ0ABJ6oUNgHDCruIGwFEPigsx2/view?usp=sharing
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Infográfico 
https://drive.google.com/file/d/1cy8vaUZ0ABJ6oUNgHDCruIGwFEPigsx2/view?usp=sharing
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https://www.sites.google.com/ulbra.br/g000214gs001/t001
Referências
AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 23. ed., 2018.
BRASIL. Código Tributário Nacional. São Paulo - SP. Disponível também na biblioteca virtual,
2020.
CASTRO, Flávia de Almeida Viveiros de. Gestão e Planejamento de Tributos. 2. ed. Rio de
Janeiro: Editora FGV, 2014.
COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. 17. ed. Rio de
Janeiro – RJ: Forense, 2020.
FABRETTI, Láudio Camargo. Contabilidade Tributária. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
HARADA, Kiyoshi. Direito financeiro e tributário. 19. ed. São Paulo – SP: Atlas, 2020,
MOGE, José Eduardo et. al. Gestão de Tributos na Empresa Moderna. São Paulo: Senac São
Paulo, 2011.
OLIVEIRA, Gustavo Pedro de. Contabilidade Tributária. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
REZENDE, Amaury José; PEREIRA, Carlos Alberto; ALENCAR, Roberta Carvalho. Contabilidade
Tributária. Entendendo a Lógica dos Tributos e seus Reflexos sobre os Resultados das
Empresas. São Paulo: Atlas, 2010.
Créditos
Produzido por Núcleo de Audiovisual e Tecnologias Educacionais (NATE) - ULBRA EAD
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