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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE ARTES, CIÊNCIAS E HUMANIDADES BACHARELADO EM BIOTECNOLOGIA QUÍMICA ORGÂNICA - ACH5523 Larissa Braga Nunes - 10720670 Matheus Lima Matias - 10720580 Ricardo Lucena - 10720621 Sabrina Goes Paixão Bargas Santos - 10798524 RELATÓRIO DE SÍNTESE, PURIFICAÇÃO E VERIFICAÇÃO DO PONTO DE FUSÃO DO ÁCIDO ACETILSALICÍLICO São Paulo 2019 1. INTRODUÇÃO O processo para realização da síntese é a reação de dois ou mais reagentes, que podem ser de origem natural ou não, onde se obtém um produto com características diferentes dos reagentes de origem (NETO et al., 2012).A síntese de fármacos é um importante ramo da química orgânica, pois além de um fator importante para tratamento de doenças, possui uma grande parcela no mercado farmacêutico,estimado, em 390 bilhões de dólares em 2000 (MENEGATTI et al., 2001). O ácido acetilsalicílico (AAS) foi o primeiro fármaco sintético da história e é conhecido comercialmente como aspirina, possui potencial analgésico, anti-inflamatório e antitérmico. A aspirina foi sintetizada pela primeira vez em 1897, no laboratório da bayer pelo químico alemão Felix Hoffman, a partir da salicina que já era conhecida por seu efeito terapêutico, porém seus efeitos colaterais causavam grande desconforto (MENEGATTI et al., 2001). Apesar da aspirina não ter sido sintetizada a muito tempo, a salicina, composto que dá origem a aspirina, já era utilizada, a salicina é obtida a partir da casca da árvore do Salgueiro; que é encontrado no mundo nteiro e é mencionada em textos de povos antigos do oriente médio Egito, Assíria e Suméria. Em 1763 foi extraído um pó branco da casca do salgueiro, mais tarde em 1828, Johann Buchner conseguiu isolar sua substância ativa, e a chamou de salicina essa possuía aspecto cristalino e amarelado; por fim, Rafaelle Piria conseguiu isolar um dos compostos da salicina, que após uma etapa de hidrólise oxidativa, obteve o ácido salicílico(LOPES & MURTA, 2011),uma molécula bifuncional, que possui os grupos carboxila e fenol, podendo sofrer esterificação na presença de anidro acético e formar a aspirina(EL-MAGBRI, 2014). Para compreender a ação dos fármacos é necessário o conhecimento de fatores estruturais como grupos funcionais, peso molecular, constante dielétrica, ponto de fusão, ponto de ebulição e arranjo conformacional: responsável pelo reconhecimento molecular do fármaco pelo biossensor, que nos permite entender melhor como esses compostos bioativos se comportam. A resposta analgésica e antiinflamatória da aspirina se deve ao fato da inibição do complexo enzimático prostaglandina endoperóxido sintase (PGHS), chamada de cicloxigenase (COX) essa responsável pela biossíntese de prostaglandinas inflamatogênicas (BARREIRO, FRAGA, 2008). 2. OBJETIVO Sintetizar, purificar, medir e avaliar o ponto de fusão do ácido acetilsalicílico. 3. MATERIAIS E MÉTODOS 3. MATERIAIS: ● Balança analítica ● Erlenmeyer de 125 mL ● Pipeta graduada 5 mL ● Óculos de proteção ● Luva ● Chapa de aquecimento ● Bastão de vidro ● Béquer 125 mL ● Funil de buchner ● Kitasato ● Trompa de vácuo ● Espátula ● Tubos de ensaio ● Pipeta de pasteur ● Béquer 100 mL ● Dessecador ● Aparelho para medir ponto de fusão fisatom modelo 431D ● Capilares de vidro ● Almofariz ● Pistilo ● Régua ● Termômetro ● Bomba a vácuo ● Pêra ● Vidro de relógio ● Proveta 10ml 3. REAGENTES ● Ácido Clorídrico (HCl) concentrado (3,5 mL) ● Ácido Salicílico (C7H6O3) (2g) ● Ácido Sulfúrico (H2SO4) concentrado (5 gotas) ● Água gelada ● Água destilada ● Anidrido Acético (C4H6O3) (5 mL) ● Gelo ● Solução de Bicarbonato de Sódio (NaHCO3) saturada (25 mL) ● Solução de Cloreto Férrico (FeCl3) 1% (10 gotas) 3.3 MÉTODOS: Para síntese, pesou-se 2,0 g de ácido salicílico, que foi transferido para um erlenmeyer de 125 mL, e em seguida, na capela, foram adicionados 5 mL de anidrido acético e 5 gotas de ácido sulfúrico concentrado. Em seguida, a solução foi agitada para homogeneização e permaneceu em repouso por 10 minutos. Após o tempo de repouso, a solução foi aquecida em banho maria a 50-60ºC, por 15 minutos, sendo a temperatura controlada com o auxílio do um termômetro. Em seguida a mistura foi resfriada em banho de gelo e o fundo do erlenmeyer foi atritado com o auxílio de um bastão de vidro, para a formação de uma pasta semi-cristalina, que foi solubilizado pela agitação e adição de 25 mL de água gelada. A solução foi então filtrada à baixa pressão, com um sistema de filtração à vácuo (funil de Buchner, kitasato, trompa à vácuo e papel filtro), sendo lavado o Erlenmeyer com água gelada e passado o líquido pelo funil até que todos os cristais fossem transferidos no funil de Buchner, permanecendo no papel de filtro o material de interesse. Após as lavagens o kitassato com o funil foi levado para uma bomba a vácuo, para que os cristais fossem melhor secados, sendo em seguida os cristais transferidos para um béquer. Após a pré-purificação, a amostra foi testada com cloreto férrico, para detectar a presença de ácido salicílico, sendo numerados 3 tubos de ensaio com 5 mL de água cada, e adicionado a eles respectivamente, com exceção do tubo 1, um pouco da amostra sintetizada e um pouco de ácido salicílico. Após a preparação dos tubos, foram adicionadas 10 gotas de solução de cloreto férrico 1% em cada um dos tubos e observado a reação. O produto obtido foi passado para um béquer de 100mL, onde também foi adicionado 25 ml de solução aquosa saturada de NaHCO₃ para a reação. A mistura foi filtrada no equipamento de filtração à vácuo, sendo lavado o conteúdo do béquer e o funil de Bünchner duas vezes com 5mL de água destilada. O filtrado foi passado para um béquer de 100mL e na capela, foram adicionados 3,5 ml de HCl concentrado ao béquer, e em seguida o béquer foi resfriado em gelo. Após o resfriamento, a solução foi filtrada no equipamento de filtração à vácuo e lavada com água gelada até que todo o material de interesse fosse separado, sendo em seguida deixado o material filtrado para secar no dessecador. Após secagem, parte dos cristais foram macerados em um almofariz, e inserido o pó obtido em um capilar de vidro até aproximadamente 1,5 cm do capilar. Em seguida, foi inserido o capilar no aparelho para a medição do ponto de fusão. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO A síntese do ácido acetilsalicílico acontece através de uma reação de esterificação entre o ácido salicílico e anidrido acético (EL-MAGBRI, 2014). Nessa reação também é produzido ácido acético, como pode ser visto na Figura 1. Figura 1: Reação de síntese do ácido acetilsalicílico. Fonte: EL-MAGBRI, 2014. Como pode ser visto na Figura 2, o hidrogênio do ácido se liga ao oxigênio da carbonila (C=O) do anidrido acético, formando um intermediário positivamente carregado. Em seguida, o grupo hidroxila (-OH) do ácido salicílico realiza um ataque nucleofílico no carbono positivamente carregado do anidrido acético, formando um intermediário tetraédrico que é então separado em ácido acético e ácido acetilsalicílico (EL-MAGBRI, 2014). Figura 2: Mecanismo de reação. Fonte: EL-MAGBRI, 2014 A reação entre ácido salicílico e anidrido acético, é uma reação lenta. Para aumentar a velocidade da reação pode ser feito a utilização de ácidos minerais, como o ácido sulfúrico, que atuam como catalisadores diminuindo a energia de ativação da reação, proporcionando um mecanismo de reação diferente (CLARK, 2018). O mecanismo desta reação em meio ácido está representado na Figura 2. Após a adição do ácido a solução foi agitada e apresentou-se turva, por conta disso a solução foi colocada em banho maria a 50-60 C durante 15 minutos, ao final do processo a solução estava totalmente límpida, esse processo ocorre porque as reações de esterificação apresentam características endotérmicas e por conta disso o aumento na temperatura favorece a reação. Após o término da reação o produto de interesse foi levado para ser resfriado em água com gelo, já queas temperaturas baixas favorecem a precipitação dos cristais. para a retirada dos cristais foi feita uma filtração a vácuo e o resultado foi um cristal sólido e branco (WEAVER, 2011). Esse sólido branco foi levado a o dessecador por sete dias e uma pequena parte foi retiradas para os testes. Para testar a presença do ácido acetilsalicílico, foi feito um teste com cloreto de ferro III (cloreto férrico), representado nas Figuras 3.1 e 3.2, onde na Figura 3.1 estão respectivamente em cada tubo: água, amostra sintetizada solubilizada com água e ácido salicílico solubilizado com água. Já na figura 3.2, estão os componentes anteriormente citados após a reação com cloreto férrico, para verificar a presença de ácido salicílico na amostra feita. O teste com cloreto férrico permite essa verificação, pois ele reage com fenol formando um complexo ferro-fenol de cor roxa (CHICKOS, 2019), e como pode ser visto na Figura 1, o ácido salicílico possui um grupo fenol em sua estrutura. Portanto, pela coloração do tubo com a amostra filtrada, pode-se concluir que há ácido salicílico na amostra, mas graças a formação do ácido acetilsalicílico que não apresenta um grupo fenol (como pode ser visto na Figura 1) a tonalidade do violeta diminui. Figura 3.1: tubos contendo água e amostras solubilizadas Figura 3.2: mistura de componentes Fonte: Ricardo, 2019. Fonte:Ricardo, 2019. Para retirar as impurezas restantes no ácido acetilsalicílico sintetizado, principalmente os polímeros que podem ser formados por conta da carbonila e o grupo hidroxila fenólica do ácido acetilsalicílico, foi adicionado adicionado a amostra a solução saturada de bicarbonato de sódio que reage com o ácido acetilsalicílico formando um sal solúvel em água enquanto os polímeros são insolúveis em bicarbonato (OLIVEIRA, 2010). A diferença de comportamento será utilizada para eliminar essas impurezas, que ficaram retidas no papel de filtro. Porém a maior parte das impurezas é formada pelo ácido salicílico, que é formado por conta da acetilação incompleta, que será retirado no processo de recristalização. O processo de separação de sólidos por recristalização é baseado na diferença de solubilidade do soluto à quente e à frio, utilizando um solvente apropriado (UNIVERSITY OF TORONTO). A solubilização do sólido à quente permite que uma quantidade maior do sólido dissocie, enquanto à frio o sólido em específico precipita na forma de cristais, que podem ser separados por filtração (WEAVER, 2016). Por fim, o ponto de fusão do ácido acetilsalicílico foi medido utilizando o aparelho para medir ponto de fusão fisatom modelo 431D. Os valores obtidos para o primeiro sinal de fusão e a fusão total da amostra de ácido acetilsalicílico foram respectivamente, 136,1°C e 139,3°C, sendo a diferença das faixas de temperaturas de ponto de fusão igual a 3,8°C. Levando em conta que a faixa do ponto de fusão de substâncias é pequeno ( ≥ 2 C) e as substâncias impuras não possuem um único ponto de fusão(MENDES & PERUCHE & FRITZEN, 2012), mas uma faixa de fusão que aumenta junto o grau de impurezas e o valor do ponto de fusão do ácido acetilsalicílico é 135°C (MENDES & FRITZEN & FRITZEN, 2012), pode-se concluir que a amostra sintetizada é impura. 5. CONCLUSÃO Esse trabalho possibilitou o entendimento dos mecanismos de reação e síntese do Ácido Acetilsalicílico (AAS), bem como sua devida importância. Para compreender como é realizada a síntese do AAS, bem como o seu mecanismo de reação, foram estabelecidos quatro objetivos que foram denominados como síntese, purificação, medição do ponto de fusão e análise do ponto de fusão. Observou-se que por conta dos níveis de impurezas da amostra do AAS, a mesma se torna imprópria para consumo. A presença dessas impurezas também foi responsável pelo maior intervalo do ponto de fusão que foi de 3,8°C, sendo que este deveria ser menor segundo o protocolo de experimento. Por fim, pode-se concluir que os objetivos foram atingidos, mas a amostra se mostrou imprópria para consumo. Isso revela que, mesmo com os protocolos sendo seguidos de forma correta, pequenos erros influenciaram de forma drástica a amostra. 6. REFERÊNCIAS BARREIRO, E. J; FRAGA C. A. M. Química medicinal: as bases moleculares da ação dos fármacos 2.ed. Porto Alegre, Artmed, 2008. p. 29-30, 213-220. CLARK, J. THE EFFECT OF CATALYSTS ON REACTION RATES. Chemguide. 2018. Disponível em: https://www.chemguide.co.uk/physical/basicrates/catalyst.html. Acesso em: 20 junho 2019. CHICKOS, J.; GARIN. D.; D'SOUZA V. Synthesis of Aspirin (Experiment). CHEMISTRY LIBRETEXTS. 2019. Disponível em: https://chem.libretexts.org/Anci llary_Materials/Laboratory_Experiments/Wet_Lab_Experiments/Organic_Chemistry_L abs/Experiments/1%3A__Synthesis_of_Aspirin_(Experiment). Acesso em: 20 junho 2019. EL-MAGBRI, M. The Synthesis and Analysis of Aspirin. JOURNAL OF CHEMICAL EDUCATION, 2014. LOPES R. O. M.; MURTA M. M. Aspirina: aspectos culturais, históricos e científicos. UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA - INSTITUTO DE QUÍMICA. 2011. Disponível em: <http://bdm.unb.br/bitstream/10483/4095/2/2011_RicardoOliveira MonteiroLopes.pdf> acesso em: 21 de junho de 2019. MENDES, A. S. P.; FRITZEN, M. G. B. & FRITZEN, M. SÍNTESE E PURIFICAÇÃO DO ÁCIDO ACETILSALICÍLICO ATRAVÉS DA RECRISTALIZAÇÃO UTILIZANDO DIFERENTES TIPOS DE SOLVENTES. Disponível em: http://revistaadmmade.estacio.br/index.php/saudesantacatarina/article/vi ew245. Acesso em: 24 junho 2019 MENEGATTI, R.; MANSSOUR, C. A. F.; BARREIRO, E. J. A importância da síntese de Fármacos. Química Nova na Escola, n. 3. p. 16-22, 2001. http://bdm.unb.br/bitstream/10483/4095/2/2011_RicardoOliveiraMonteiroLopes.pdf http://bdm.unb.br/bitstream/10483/4095/2/2011_RicardoOliveiraMonteiroLopes.pdf NETO, A. P. dos S.; FILHO, J. G. da R.; ALVES, A. J. Síntese do Ácido Acetilsalicílico (AAS). Escola Técnica Estadual Professor Agamêmnon Magalhães, ETEPAM, 2012. OLIVEIRA, C. J. SÍNTESE DO ÁCIDO ACETILSALICÍLICO. 2010. Relatório (LICENCIATURA EM QUÍMICA) - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, VITÓRIA DA CONQUISTA – BA, 2010. PDF. UNIVERSITY OF TORONTO. Recrystallization. Disponível em: http://www.chem.utoronto.ca/coursenotes/CHM249/Recrystallization.pdf. Acesso em: 25 junho 2019. WEAVER, S. L. Synthesis of Aspirin Notes. Xavier University of Louisiana, 2016. Disponível em: http://www2.xula.edu/chemistry/crs-orgleclab/Organic_Lab_1_2230 L_Web_Files/23_Aspirin_notes.pdf . Acesso em: 20 junho 2019. http://www2.xula.edu/chemistry/crs-orgleclab/Organic_Lab_1_2230L_Web_Files/23_Aspirin_notes.pdf http://www2.xula.edu/chemistry/crs-orgleclab/Organic_Lab_1_2230L_Web_Files/23_Aspirin_notes.pdf