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PRENHEZ ECTÓPICA E ABORTO

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Prenhez Ectópica 
O que é? Nada mais é que a implantação e desenvolvimento do ovo fora da cavidade uterina. O 
local mais comum desse implante é na tuba, logo, quase considerado sinônimo de ectópica. Porém, 
também pode acontecer nos ovários, ligamento largo, peritônio e até dentro do útero com presença 
de prenhez cervical e intersticial. 
OBS: A aula do sanar está boa e já conferi para vocês. 
 
1. Incidência: 
O ovo pode se implantar no cérvice (terrível). Pode ser intersticial, na parte estreita da tuba 
(ístmo), ampular, fimbrionar, ovariana e peritoneal, que é no abdome. 
 
2. Etiologia 
➢ Fatores mecânicos: 
• Salpingite: inflamação da tuba por clamídia ou neisseria por exemplo, aquela tuba fica 
danificada, semi-obstruida, e a célula ovo não consegue caminhar para o destino final. 
Aqui preciso lembrar dos cílios da tuba que tem papel fundamental no transporte da 
célula ovo, que estarão completamente danificados também. 
• Aderências. 
• Alterações anatômicas, como uma tuba estreita. 
• Prenhez ectópica anterior: conheço uma paciente que teve um ano a direita, outro a 
esquerda e depois ela teve que seguir para fertilização. 
• Laqueadura ou plástica tubária, pois mesmo interrompendo mecanicamente ainda esta 
funcionante. Hoje não se faz mais plástica tubária após a laqueadura. 
• Pacientes com histórico de abortamentos, tumores ou divertículos. 
 
Então, sabemos que o óvulo sai do ovário e caminha para a tuba. No terço distal há o 
encontro com o espermatozóide, acontecendo a fertilização. Logo, há um grande caminho que 
precisa ser percorrido até atingir a fase de mórula e se implantar no útero, sob a forma de 
blastocisto. Esse é o caminho ideal para a implantação. Qualquer barreira ou anormalidade no 
meio faz com que não haja um bom transporte e assim o bebe começa a se desenvolver em locais 
nçao apropriados. 
 
 
➢ Fatores funcionais: 
• Migração externa. Quando fecunda de um lado e migra para o outro. Ex: paciente não 
tem ovário esquerdo e ocorre uma tubária na tuba esquerda. 
• Refluxo menstrual: quando há refluxo do sangue do endométrio, pode refluir para uma 
das tubas, e quando o ovo é fecundado e faz esse caminho, encontra células 
endometriais na tuba e se implanta. 
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• Alteração da motilidade tubária: há casos em que a tuba tem uma motilidade é tão 
aumentada, que a fecundação acontece de um lado e o ovo se implanta do outro. Como 
isso foi visto? Quando uma paciente não tinha ovário do lado que estava implantado. 
• Tabagismo: também esta relacionado a motilidade desses cílios que tem no interior da 
tuba. 
• DIU. Principalmente mirena. “Semana passada atendemos uma paciente que tinha DIU 
mirena e fez uma ectópica. 
• Reprodução assistida. 
• Endometriose, pela situação do refluxo já explicada acima. 
 
3. Formas clínicas: 
• Intersticial ou Cornual 
• Istmica: é a parte mais estreita da tuba. Aqui vai romper com mais facilidade, ou seja, 
com 6, 7 ou 8 semanas. 
• Ampular: aqui o rompimento acontece mais tardiamente e as vezes a gravidez é 
reconhecida sem o rompimento. 
• Fimbrionar ou do pavilhão tubário. 
 
4. Quadro clínico: 
Pode ser agudo ou sub-agudo. A maior preocupação é no quadro sub-agudo. 
• AGUDO: 30% dos casos. Implantação geralmente ístmica e a clínica são de mulheres 
jovens em idade fértil, com hemorragia e descoradas. Desconfiar sempre de ectópica e 
nunca mandar pra casa, pois ela pode romper e voltar com choque hipovolêmico. 
Então, não mandem essa paciente pra casa, deixa no repouso e pede um Beta, uma 
USG. 
• SUB-AGUDO: 70% dos casos. Implantação geralmente é ampular. A clínica é marcada 
por perdas sanguineas intermitentes, ou seja, queixa de escape, de irregularidade, de 
amenorréia. Pode ter dor. A paciente não chega tão grave como no agudo, por isso, 
devemos ter muita atenção e fazer o diagnóstico preococe. 
 
ATENÇÃO: Pacientes com DIU não descartam gravidez ectópica, pois pode estar um 
pouco deslocado e não evitar a impantação. 
 
5. Diagnóstico: 
• Relato de alteração menstrual. 
• Não mandar a paciente ir embora. 
• Exame clínico completo: atenção a Sinais de hemorragia, choque, alterações da PA. 
• Exames complementares: Beta Hcg, USG, Culdocentese ( Quando aspira sangue do 
fundo de saco, no espaço retrouterino. Esse sangue quando colhido e colocado na gaze, 
ele não se coagula. Não usado mais nos dias atuais, pois hoje tem beta e usg com 
facilidade.) 
 
6. Diagnóstico clínico: PROVA!!! 
 
• Dor abdominal que irradia para o ombro, pois irritou o nervo frêmico. Temos então o 
SINAL DE LAFFON. A paciente geralmente fala que esta grávida por exemplo de 9, 10 
semanas e vemos um útero pequeno para a idade gestacional. 
• Se esse sangramento evoluir, teremos equimose periumbilical, o SINAL DE CULLEN. 
• Posso ter o SINAL DE PROUST, que é dor e abaulamento ao toque do fundo de saco 
posterior de Douglas. 
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7. Exames complementares: 
• Beta HcG maior que 1500 mUI/ml 
• USG com ausência de saco gestacional. 
 
OBS: Repetir a dosagem de Beta se ela tiver bem hemodinamicamente. Lembrar que 
neste período, a concetração dobra, se ela não dobrar, ou diminuir, quer dizer que algo 
não esta indo bem nesta gestação. 
• USG com dopplerfluxometria para pacientes sug-agudas e estáveis. Veremos o fluxo 
sanguineo de baixa resistência na artéria tubária do lado comprometido. 
• Laparoscopia: exame de eleição. 
 
8. Formas clínicas: 
• Prenhez tubária – como foi dito, a tubária é a mais comum e importante. Podemos 
receber a paciente no estagio de gravidez tubária não rota, e assim tomamos uma 
conduta conservadora. Na maioria das vezes nossa conduta é uma salpingectomia. 
• Prenhez intersticial ou cornual – muito difícil. Devo fazer uma incisão em V e tirar a 
parte toda que esta comprometida, que na verdade é o corno uterino. Por isso, que essa 
gravidez é chamada de cornual. 
• Prenhez ovariana – corresponde de 1 a 2% de todas as ectópicas. Casos bem raros. Para 
ser ovariana, deve responder aos critérios descritos abaixo. 
 
➢ Critérios de Spielgerberg 
São eles: 
o Trompa do ovário comprometido intacta; 
o Saco gestacional implantado no ovário; 
o Gravidez conectada ao útero por um pedículo ovariano; 
o Na parede do saco gestacional deve haver tecido ovariano. 
 
Explicando: Trompa do ovário comprometida intacta. Sempre fica uma duvida: será que 
é uma gravidez tubária e teve um aborto tubário? Ou ela é inicialmente uma gravidez 
ovariana mesmo? Pra considerar que uma gravidez é ovariana primária, a trompa do 
ovário comprometido deve estar intacta. Então, não foi um abortamento tubário. Aquela 
célula ovo se implantou no ovário mesmo. Pode ser que eu tenha essa gravidez ovariana 
que criou um pedículo chamado tubo ovariano e na parede do saco gestacional, depois 
que eu fizer a excisão e tirar tudo, deve ter tecido ovariano. 
 
• Prenhez abdominal – tem um médico do Ceará, chamado Cícero, conhecido como o que 
mais publica sobre gravidez abdominal, o qual retira o bebe com vida. Dizem que o útero 
fica triste, isso eu não sei, porém, temos a certeza que é uma gravidez fora do lugar. 
Assim, podemos retirar um bebe viável com 32, 34, semanas e ir para a UTI neonatal, 
porem, a grande maioria acaba falecendo. 
• Gravidez ectópica combinada (heterotópica) – presença simultânea de gestações intra 
uterina e extra uterina, ou seja, uma tópica e uma ectópica. Quais podem ser as causas? 
o Ocorreu uma ovulação múltipla? 
o Teve diferentes sítios de nidação? 
o Foi for fertilização assistida? 
São causas que devemos pensar. Eu, com 42 anos de formada, so vi isso duas 
vezes na vida. Não é comum. 
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9. Diagnóstico diferencial: 
• Gravidez tópica; 
• Abortamento; 
• Cisto de ovário torcido. Já vi um caso de um cisto hemorrágico. 
• Rotura de cisto folicular, hemorrágico, corpo amarelo gravídico. 
• Processo inflamatório anexial; 
• Salpingite ou abcesso tubo ovariano; 
• Apendicite aguda faz diagnostico diferencial

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