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RESUMO - ASMÁTICOS

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ASMÁTICOS
A asma brônquica é uma doença pulmonar obstrutiva, autolimitada, cujo principal sintoma é a falta de ar, causada pelo estreitamento das vias aéreas, pela inflamação de suas paredes e pela hiperprodução de muco aderente, em resposta a vários estímulos. 
Outros sintomas clássicos são: os chiados no peito (acompanhados ou não pela falta de ar) e a tosse seca ou com secreção, além da sensação de aperto no peito, que pode ser confundida com problemas cardíacos, especialmente em idosos.
 As crises asmáticas podem ser precipitadas por exercícios físicos, distúrbios emocionais, infecção respiratória viral, inalação de ar frio ou de agentes irritantes (fumaça de cigarro, gasolina, tinta fresca, etc.) e exposição a alérgenos específicos como os salicilatos e os sulfitos. 
Os fatores psicológicos têm papel modificador, podendo agravar uma crise asmática.
A asma não é uma doença hereditária.
A maior prevalência se dá em crianças na idade escolar, atingindo mais meninos do que meninas, e tende a diminuir após a puberdade. As crises podem reaparecer em fases mais avançadas da vida.
ANAMNESE DIRIGIDA
O dentista deve inicialmente identificar o grau de severidade da doença, por meio da anamnese dirigida ao problema. As seguintes perguntas podem ser feitas pelo profissional:
1. De qual tipo de asma você é portador? 
Com fundamento nos sinais e sintomas relatados pelo paciente e na frequência das crises, pode-se ter uma noção do quadro clínico atual. Quanto maior a severidade da doença, maior o risco de complicações. 
2. Qual era a sua idade quando a asma foi diagnosticada e quais mudanças você percebeu desde então? 
Essas informações permitem identificar a quanto tempo a doença está sendo controlada. 
3. Você tem algum tipo de alergia? 
Pacientes asmáticos podem apresentar alergia a certos materiais de uso odontológico, como o látex e o metilmetacrilato. 
Aproximadamente 10% dos pacientes asmáticos adultos são alérgicos à aspirina e podem apresentar sensibilidade cruzada com outros anti-inflamatórios não esteroides.
Pacientes asmáticos dependentes de corticosteroides podem apresentar alergia aos sulfitos na ordem de 8,4%.
Como se sabe, os sulfitos estão presentes nas soluções anestésicas que contêm epinefrina e outros vasoconstritores adrenérgicos, para evitar sua oxidação e consequente inativação.
4. Quais medicamentos você utiliza para o tratamento da asma? 
O uso contínuo de corticosteroides ou o uso frequente do broncodilatador em aerossol pode indicar quadros clínicos mais complexos.
5. Você passou por alguma crise ou complicação recente? Como foi tratada?
O tratamento de crises agudas de asma apenas com broncodilatadores em aerossol indica um quadro menos severo. 
Hospitalização recente indica quadro clínico instável e suscetível a novas crises. 
6. O que provoca seus ataques de asma? 
Evitar exposição aos agentes precipitantes das crises ajuda a evitar possíveis intercorrências. As sessões de atendimento devem ser agendadas preferencialmente para o início da manhã ou final da tarde, períodos nos quais as crises são menos frequentes.
7. Você se sente ansioso ou com medo quando vem ao consultório? 
Uma boa parte das crises agudas de asma é desencadeada por fatores psicológicos ou emocionais, e o próprio consultório odontológico pode se constituir num ambiente propício para que isso ocorra. Nesses casos, deve ser considerada a sedação mínima por meios farmacológicos.
Classificação da asma brônquica e suas características
Classificação / Características
Leve intermitente
- Ocorrência de sintomas como falta de ar, chiado, tosse e aperto no peito, numa frequência menor do que duas vezes por semana. 
- Função pulmonar normal entre as exacerbações, com crises noturnas menos do que duas vezes por mês. 
- Uso esporádico de broncodilatador para alívio dos sintomas (menos do que duas vezes por semana).
Leve persistente
- Ocorrência de mais do que duas crises por semana, mas não diariamente. 
- As exacerbações podem afetar a atividade física e podem ocorrer durante a noite mais do que duas vezes por mês. 
Moderada persistente 
- Os sintomas ocorrem diariamente com frequentes exacerbações que podem comprometer a atividade física. 
- Exacerbações noturnas ocorrem com uma frequência maior do que uma vez por semana. 
- Uso diário de broncodilatador em aerossol. 
Severa persistente 
- Sintomas contínuos e exacerbações frequentes.
- Durante a noite os sintomas ocorrem com maior frequência. 
- Limitação das atividades físicas. 
- Utilização de broncodilatador diariamente e corticosteroides por via oral para controle dos sintomas. É o quadro clínico mais severo da doença
*Fonte: Global Initiative Asthma.5
PROTOCOLO DE ATENDIMENTO
	Anestesia local e uso de medicamentos em pacientes asmáticos
	
SEDAÇÃO MINIMA
	Via respiratória – inalação da mistura de N2O/O2
Evitar em pacientes com asma severa persistente ou Via oral
Midazolam 7,5 mg 20-30 min antes do procedimento ou Lorazepam 1 mg (para idosos) 2 h antes do procedimento
	
ANESTESIA LOCAL
	Lidocaína 2%, Mepivacaína 2% ou Articaína 4% com epinefrina 1:100.000 ou 1:200.000 Para pacientes com história de alergia aos sulfitos Prilocaína 3% com felipressina 0,03 UI/mL
	
CONTROLE DA DOR
	Dipirona 500 mg ou Paracetamol* 750 mg (a cada 4 h) (a cada 6 h) *Atenção: a solução oral “gotas” de paracetamol contém metabissulfito de sódio em sua composição Anti-inflamatórios Betametasona ou Dexametasona 4 mg em dose única 1 h antes do procedimento
	
TRATAMENTO DAS INFECÇÕES BACTERIANAS
	Descontaminação do local Prescrição de antibiótico apenas na presença de sinais locais ou manifestações sistêmicas da infecção.
OUTROS CUIDADOS DE ORDEM GERAL 
A inalação da mistura de óxido nitroso e oxigênio é o método mais indicado para a sedação mínima de pacientes com asma leve ou moderada, uma vez que a mistura gasosa não é irritante ao epitélio pulmonar e proporciona uma sensação de bem-estar ao paciente. 
Ao contrário, deve ser evitada em pacientes com quadros severos de asma brônquica, pois o risco de hipoxia é maior em pacientes com insuficiência respiratória.
O uso de soluções anestésicas com epinefrina não é contraindicado. 
Deve-se, entretanto, ter cuidado com os asmáticos com história de alergia aos sulfitos, o que não é incomum, especialmente nos que dependem do uso de corticosteroides. Nesses casos, dá-se preferência à solução de prilocaína 3% com felipressina 0,03 UI/mL.
No controle da dor e edema, para pacientes alérgicos à aspirina, deve ser evitada a prescrição de anti-inflamatórios não esteroides, pelo risco de sensibilidade cruzada e desencadeamento de uma crise aguda de asma. Nesse caso, os corticosteroides (betametasona ou dexametasona) podem ser empregados como alternativa.
As crises de asma são tratadas primariamente com broncodilatadores na forma de aerossol. Portanto, é prudente solicitar ao paciente que traga sua “bombinha” por ocasião do atendimento, já que ele está habituado com a preparação e com a forma de aplicação. 
REFERENCIA
- Terapêutica medicamentosa em odontologia [recurso eletrônico] / Organizador, Eduardo Dias de Andrade. – Dados eletrônicos. – 3. ed. – São Paulo : Artes Médicas, 2014.
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