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CBI of Miami 
 
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CBI of Miami 
 
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As 7 Dimensões da ABA 
Lucelmo Lacerda 
 
 
Se você faz qualquer processo de ensino para pessoas com TEA, já deve 
ter percebido de que muito do que aqui já foi dito coincide com o que você faz e 
deve estar se perguntando coisas como “Então já trabalho baseado em ABA?” 
ou ainda “Se isso eu já faço, porque estou fazendo este curso?” (espero que não, 
para esta última pergunta). Eu explico que, na verdade, simplifiquei bastante o 
que seja a ABA, porque ainda estamos no começo do curso, ainda tem muito 
mais pela frente, mas isso não quer dizer que você não esteja no caminho. 
Normalmente, só é necessário incrementar o que já se faz para que isso seja 
“baseado em ABA”. 
Imaginemos o seguinte, que você seja uma professora ou terapeuta ou mãe 
que está tentando ensinar sua criança a imitar, digamos que você diz a esta 
criança “faz igual” e põe o dedo no nariz e se a criança eventualmente acerta, 
você a elogia e diz “muito bem, parabéns, que bonito”. Este é só um exemplo, 
eu poderia dar centenas de outros que são coisas que as pessoas fazem no dia-
a-dia com pessoas com autismo ou outros atrasos no desenvolvimento e que 
pode ser considerado como muito próximo de uma intervenção “baseada em 
ABA”. 
Neste caso, eu diria que esta pessoa está quase lá, basta um 
empurrãozinho para que ela trabalhe “baseado em ABA” e isso está escrito neste 
módulo porque têm tudo a ver com as dimensões apresentadas, pois este é o 
cerne desta ciência. Vou elencar aqui resumidamente as 7 dimensões da ABA, 
que são justamente o que esta pessoa precisaria fazer para melhorar sua prática, 
torna-la mais eficaz e poder dizer que ela é “baseada em ABA”. 
1º - DIMENSÃO APLICADA – é preciso que a intervenção tenha como 
objetivo uma mudança de comportamento realmente significativa para o sujeito. 
Sem nenhuma dúvida, o ensino de imitação é simplesmente fundamental. Esta 
dimensão já está sendo atendida por esta pessoa. Não dá para fazer uma 
pesquisa que se diga de ABA só por curiosidade científica (como é possível na 
Análise Experimental do Comportamento) é necessário melhorar a vida humana. 
 
 
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2º DIMENSÃO COMPORTAMENTAL – aqui a coisa se complica um pouco. 
É preciso lidar com o comportamento de forma objetiva, medindo, avaliando, e 
há uma base conceitual para isso. É preciso avaliar este ensino como uma 
contingência. Ou seja, não basta que a consequência do comportamento pareça 
reforçadora, como o elogio parece, mas que se tenha certeza se o é, assim, é 
necessário avaliar se esta consequência, o elogio, está reforçando o 
comportamento. E esta avaliação não é subjetiva, é medindo a frequência do 
comportamento. Se ele ocorre com maior probabilidade ao ser consequenciado 
com elogios, então o elogio é reforçador, se não, não é. E se o elogio não for 
reforçador, ou não for o suficiente, usar testes de preferências para selecionar 
outros reforçadores e utilizá-los como consequência para o comportamento a ser 
ensinado. 
Não existe intervenção que se possa chamar de “baseada em ABA” sem 
registro. Um ensino de imitação com este modelo deve ser feito com uma tabela 
do lado, anotando cada resposta, se houve erro, acerto com ou sem ajuda e 
esses dados devem ser utilizados para avaliar e replanejar sempre a 
intervenção. 
3ª DIMENSÃO CONCEITUALMENTE SISTEMÁTICA – isso indica que o 
sujeito irá mobilizar os conceitos a Análise Experimental do Comportamento, 
como antecedente, reforçamento, contingência, para avaliar este ensino e 
planejar seu trabalho. Também irá se servir daquilo que já foi escrito, se basear 
na literatura sobre o tema – neste caso, ensino de imitação. E esta é a base que 
instrui as demais transformações necessárias. O Analista do Comportamento é 
um rato de biblioteca (ok, esta metáfora não é mais tão boa em tempos de google 
acadêmico), ele lê os artigos mais novos e sempre se atualiza sobre como 
ensinar mais e melhor. 
Se ele se baseia na literatura científica, vai descobrir que para ensinar 
imitação motora fina (colocar a mão no nariz está nesta categoria), a criança 
precisa, antes, ter aprendido uma série de coisas, como controle instrucional e 
imitação motora grossa, então esta pessoa vai avaliar, antes do começo do 
ensino, se estas outras habilidades estão presentes. 
Se ele se basear na literatura, ele irá dar ajuda quando necessário. Se este 
educador recorre à literatura científica, vai ver que embora frases como “A gente 
 
 
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aprende é pelo erro” sejam clássicos dos pais da velha guarda, as evidências 
demonstram o contrário, o ideal é uma aprendizagem sem erros, o erro 
desmotiva. Então, ao ensinar imitação, existe uma hierarquia de ajudas a serem 
dadas à criança até ela atingir a autonomia, para que ela erre o mínimo possível. 
4ª DIMENSÃO TECNOLÓGICA – para atender a esta dimensão, é preciso 
que o procedimento seja escrito e que esteja muito claro o que se faz para que 
ensinar à criança o comportamento de imitar. Assim, o terapeuta, o professor, os 
pais, podem realizar este procedimento em diversas circunstâncias. 
5ª DIMENSÃO DA GENERALIZAÇÃO – o objetivo desta intervenção não é 
que a criança aprenda a imitar na terapia, mas em sua vida. Assim, se planejará 
a aplicação de diversas estratégias para que esta criança, sempre que 
necessário, em sua vida, imite. 
6ª DIMENSÃO ANALÍTICA – o Analista do Comportamento terá também 
que ter certeza de que é a sua intervenção que está realmente ensinando esta 
criança a imitar. Isso não é nada fácil, mas uma linha de base múltipla é uma das 
possibilidades para isso. 
7ª DIMENSÃO DA EFICÁCIA – para atender a esta dimensão, é preciso 
garantir que a criança aprenda. Se ela não aprender, ao invés de colocar a culpa 
nela, é preciso reconhecer que a intervenção é que não foi adequada (já que 
sabemos que todos os seres humanos aprendem) e mudar nossa estratégia. 
O que acha de incorporarem esses ensinamentos àquilo que vocês já 
fazem?

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