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CIRURGIA PRÁTICA HUPP, JAMES R.; TUCKER, MYRON R.; ELLIS, EDWARD. Cirurgia oral e maxilofacial contemporânea. 6. Ed. Rio de janeiro: elsevier, 2015. CONTEÚDO Exodontia: visão geral • Incisando tecido (pág. 2) • Elevando mucoperiósteo (pág. 2) • Afastando tecido mole (pág. 3) • Apreendendo tecido mole (pág. 3) • Controlando hemorragias (pág. 4) • Removendo osso (pág. 4) • Irrigando (pág. 5) • Extraindo dentes (pág. 5) • Suturando tecido mole (pág. 9) • Checklist da exodontia (pág. 10) Princípios para o uso de alavanca e fórceps (pág. 11) Procedimentos para extração fechada (pág. 14) • Incisivos maxilares (pág. 17) • Canino maxilar (pág. 18) • 1 Pré-molar maxilar (pág. 19) • 2 Pré-molar maxilar (pág. 20) • Molares maxilares (pág. 21) • Dentes anteriores da mandíbula (pág. 22) • Pré-molares mandibulares (pág. 23) • Molares mandibulares (pág. 24) Retalhos de tecidos moles (pág. 25) • Princípios para a realização de retalhos mucoperiósteos (pág. 27) • Usando a técnica aberta para resolução de casos (pág. 29) Princípios de sutura (pág. 31) Frenectomia Labial e Lingual (pág. 34) Classificação de Le Fort e fratura do côndilo (pág. 40) Prescrição farmacológica (pág. 41) @williamls.odonto 2 EXODONTIA: VISÃO GERAL INCISANDO O TECIDO Muitos procedimentos cirúrgicos se iniciam com uma incisão. O instrumento básico para fazer estas incisões é o bisturi, que é composto por um cabo reutilizável e por uma lâmina afiada estéril e descartável. A lâmina de bisturi mais empregada na cirurgia intraoral é a de no 15. A lâmina de bisturi é cuidadosamente montada no cabo, sendo segura por um porta-agulhas. Depois de usada ela deve ser descartada imediatamente em uma caixa coletora rígida de materiais perfurocortantes, especificamente desenhada para este fim. Quando se utiliza um bisturi para fazer a incisão, o cirurgião quase sempre segura o cabo como uma caneta. Faz-se movimento firme e contínuo deve ser utilizado quando da incisão. Movimentos repetidos e hesitantes aumentam a quantidade de tecido danificado no interior da ferida e a quantidade de sangramento, prejudicando, dessa forma, a cicatrização da ferida. Assim, um movimento perpendicular firme é ideal. ELEVANDO O MUCOPERIÓSTEO Quando uma incisão é feita através do periósteo, este, idealmente, deve ser descolado do osso cortical subjacente em apenas uma camada com um descolador de periósteo. O instrumento utilizado com maior frequência em cirurgia oral é o descolador de periósteo tipo Molt no 9. Este instrumento tem uma ponta afiada e pontiaguda e uma outra mais larga e arredondada. A parte pontiaguda é utilizada para iniciar o descolamento e para descolar a papila gengival entre os @williamls.odonto 3 dentes, e a parte mais larga e arredondada é utilizada para continuar o descolamento do periósteo do osso. • A parte pontiaguda pode ser usada com movimentos de alavanca para elevar o tecido mole. Isto é mais comumente utilizado quando se descola uma papila gengival da região interdental ou da mucosa aderida ao redor de um dente a ser extraído. • O movimento de empurrar, no qual a parte pontiaguda ou a parte mais larga é forçada para baixo do periósteo, separa o osso subjacente. AFASTANDO O TECIDO MOLE Um bom acesso e uma boa visão são essenciais para uma excelente cirurgia. Uma variedade de afastadores tem sido desenhada para afastar as bochechas, língua e retalhos mucoperiósteos com o objetivo de fornecer acesso e visibilidade durante a cirurgia. Os afastadores também podem auxiliar na proteção do tecido mole de instrumentos perfurocortantes. O instrumento mais usado para afastar a língua durante a exodontia de rotina é o espelho bucal. O espelho normalmente é parte de qualquer bandeja básica por ter a função de permitir a visualização indireta durante o exame e procedimentos odontológicos. O espelho também pode ser utilizado como um afastador de língua ou bochecha. Afastador de Minnesota: é utilizado para separar a bochecha e um retalho mucoperiósteo simultaneamente. Antes de ser feito o retalho, o afastador aparta delicadamente a bochecha, e uma vez que o retalho tenha sido descolado, a borda do afastador é apoiada sobre o osso e, então, ele é utilizado para separar o retalho. APREENDENDO O TECIDO MOLE Vários procedimentos em cirurgia oral exigem do cirurgião a apreensão do tecido mole para incisá- lo, controlar sangramento ou para passar a agulha de sutura. @williamls.odonto 4 • A pinça de tecido de Adson delicada e pequena é utilizada para estabilizar com delicadeza o tecido mole para sutura ou dissecção. • A pinça de Stillies (em cima) é mais longa que a pinça de Adson e é utilizada para segurar o tecido na região mais posterior da boca. • A pinça universitária (embaixo) é uma pinça angulada que é utilizada para apreender pequenos objetos na boca ou na bandeja. A pinça universitária apresentada aqui é uma versão com trava. CONTROLANDO HEMORRAGIAS Quando incisamos os tecidos, pequenas artérias e veias também são incisadas, causando sangramento. Para a maioria das cirurgias dentoalveolares, manter pressão sobre a ferida geralmente é suficiente para controlar o sangramento. Ocasionalmente, a pressão não cessa o sangramento de uma artéria ou veia mais calibrosa. Quando isto ocorre é útil um instrumento denominado pinça hemostática. REMOVENDO OSSO Pinças-goivas: O instrumento mais comumente utilizado para a remoção de osso em cirurgia dentoalveolar é a pinça-goiva. Este instrumento tem lâminas afiadas que são pressionadas uma contra a outra pelos cabos, cortando ou arrancando o osso. Broca e Peça de Mão: Outro método para remoção de osso é com uma broca e uma peça de mão. É esta a técnica que a maioria dos cirurgiões utiliza para remoção de osso durante exodontias cirúrgicas. Peças de mão de alta rotação e elevado torque com brocas de carboneto removem o osso com eficiência. @williamls.odonto 5 Lima para Osso: O alisamento final do osso antes da sutura do retalho mucoperiósteo em posição é preferencialmente obtido com uma pequena lima para osso. Esta lima geralmente é um instrumento de duas pontas, uma pequena e outra maior. A lima para osso não pode ser utilizada eficientemente na remoção de grande quantidade de osso; consequentemente, é utilizada apenas para o alisamento final. Os dentes de várias limas para osso são dispostos de maneira que elas apenas removam o osso através de um movimento de puxar. MANTENDO OS CAMPOS CIRÚRGICOS EM POSIÇÃO Quando os campos são posicionados em torno do paciente, eles podem ser mantidos no lugar com uma pinça de campo. Este instrumento tem um cabo com travamento e anéis para o polegar e outro dedo. IRRIGANDO Quando uma peça de mão e broca são utilizadas para a remoção de osso, é essencial que a área seja irrigada com um fluxo constante de solução para irrigação, geralmente soro fisiológico ou água estéril. A irrigação resfria a broca e previne o aquecimento. Uma seringa plástica grande com uma agulha romba de calibre 18 normalmente é utilizada para irrigação. EXTRAINDO DENTES Alavancas Dentais: Um dos instrumentos mais importantes nos procedimentos de exodontia é a alavanca dental. Esse instrumento é utilizado para luxar dentes (soltá-los) do osso circunvizinho. Soltar os dentes antes da aplicação do fórceps torna as extrações mais fáceis. As alavancas também são utilizadas para expandir o osso alveolar. Através da expansão da cortical óssea vestíbulo- cervical, o cirurgião facilita a remoção do dente que apresenta um espaço pequeno ou obstruído para sua remoção. Finalmente, as alavancas são usadas, ainda, para remover de seus alvéolos as raízes fraturadas ou seccionadas cirurgicamente. Os três tipos básicos de alavancas são: (1) o tipo reto, (2) o tipo triangular ou em forma de flâmula, e (3) o tipo apical.Alavanca reta: é a alavanca mais utilizada para luxar os dentes. Alavancas retas mais largas são utilizadas para deslocar raízes de seus alvéolos e @williamls.odonto 6 são empregadas para luxar dentes que estejam mais separados ou quando a alavanca reta menor se tornar ineficaz. Alavanca triangular: estão disponíveis em par, uma esquerda e uma direita. Indicada quando uma raiz fraturada permanece no alvéolo dental e o alvéolo adjacente está vazio. Um exemplo típico seria quando um primeiro molar mandibular é fraturado, deixando a raiz distal no alvéolo e com a raiz mesial tendo sido removida com a coroa. A ponta da alavanca triangular é posicionada dentro do alvéolo, com a haste da alavanca apoiada na cortical óssea vestibular. A alavanca é então girada no longo eixo da haste, fazendo com que a ponta afiada da alavanca trave no cemento da raiz distal remanescente; a alavanca é então girada e a raiz é removida. Alavanca apical: usada para remover raízes. Este instrumento é utilizado para elevar como uma alavanca uma raiz fraturada do alvéolo dental. Geralmente é necessário fazer um furo com uma broca, de cerca de 3 mm na raiz na altura da crista óssea (ponto de apoio). Ela é então colocada no furo e, com a cortical vestibular do osso como fulcro, a raiz é elevada do alvéolo dental. Fórceps para Exodontia: As pontas ativas do fórceps para exodontia são a fonte da maior variação entre os fórcepses. A ponta ativa é desenhada para se adaptar à raiz dental próxima à junção da coroa com a raiz. Deve-se lembrar que as pontas ativas dos fórcepses são projetadas para se adaptar à estrutura radicular do dente, e não à sua coroa. Fórceps utilizado para a remoção de dentes mandibulares é segurado com a palma da mão sobre o fórceps. O fórceps utilizado para a remoção de dentes maxilares é segurado com a palma da mão embaixo do cabo. @williamls.odonto 7 Fórceps Indicação Imagem Fórceps 150 Incisivos, caninos e pré-molares superiores Fórceps 18R Molares superiores direitos Fórceps 18L Molares superiores esquerdos @williamls.odonto 8 Fórceps 151 Incisivos, caninos e pré-molares inferiores Fórceps 17 Molares inferiores Fórceps 16 Molares inferiores com extensa destruição coronária @williamls.odonto 9 SUTURANDO O TECIDO MOLE Porta-agulhas Agulha de Sutura: O porta-agulhas é um instrumento com um cabo com trava e uma ponta atraumática e curta. A face ativa da ponta do porta- agulhas apresenta ranhuras dispostas de forma quadriculada a fim de permitir a correta apreensão da agulha de sutura. A pinça hemostática apresenta ranhuras paralelas em sua face ativa, diminuindo, consequentemente, o controle sobre a agulha e a sutura. Portanto, o hemostato é um instrumento ruim para esta última. O dedo polegar e o anelar são colocados nos anéis do cabo. O dedo indicador é mantido ao longo do comprimento do porta-agulhas para firmá-lo e direcioná- lo. O segundo dedo auxilia no controle do mecanismo de travamento. Agulha curva: é segurada a aproximadamente 2/3 da distância entre a ponta e a base da agulha. Isto permite que uma parte suficiente da agulha esteja exposta para passar pelo tecido, ao mesmo tempo em que permite que o porta-agulhas fixe a agulha em sua porção mais resistente, prevenindo sua dobra. Tesouras: A tesoura de sutura normalmente tem pontas cortantes curtas, pois seu único propósito é cortar suturas. A tesoura mais comumente utilizada em cirurgia oral é a tesoura de Dean. Outros tipos de tesouras são desenhados para cortar tecido mole, como a tesoura de Íris. @williamls.odonto 10 @williamls.odonto 11 PRINCÍPIOS PARA O USO DE ALAVANCA E FÓRCEPS ALAVANCAS Alavanca triangular desempenhando o papel de uma máquina de roda e eixo utilizada para remover uma raiz do alvéolo. Uma pequena alavanca reta utilizada como uma cunha para deslocar a raiz de um dente de seu alvéolo. Na remoção desse pré-molar mandibular, um ponto de apoio foi feito no dente, o que cria uma situação de uma alavanca de primeira classe. @williamls.odonto 12 O cabo da alavanca reta pequena, girado de maneira que o lado oclusal da lâmina da alavanca é girado em direção ao dente. O cabo também é deslocado apicalmente para auxiliar na elevação do dente. Os dois objetivos do uso do fórceps são: (1) expansão do alvéolo ósseo com o uso das pontas ativas em forma de cunha e dos movimentos do próprio dente com o fórceps; (2) remoção do dente do alvéolo. O fórceps pode aplicar cinco movimentos principais para luxar os dentes e expandir o alvéolo ósseo. • O primeiro é a pressão apical, o alvéolo dentário é expandido pela inserção das pontas ativas para dentro do espaço do ligamento periodontal. • A segunda é a força vestibular. As pressões vestibulares causam expansão da cortical vestibular, particularmente na crista óssea do alvéolo. Embora a pressão vestibular gere forças de expansão na crista do alvéolo, é importante lembrar que também gera pressão lingual no ápice. Portanto, força excessiva pode fraturar o osso vestibular ou causar uma fratura do terço apical da raiz. • Terceiro, a pressão palatina ou lingual é similar ao conceito da pressão vestibular. @williamls.odonto 13 • Quarto, pressão rotacional, como o nome indica, gira o dente, o que causa certa expansão interna do alvéolo dentário. Dentes com raízes únicas, cônicas (como os incisivos maxilares e os pré-molares mandibulares) e com raízes que não sejam curvas são mais passíveis de serem luxados por essa técnica. • Finalmente, forças de tração são úteis para remover o dente do alvéolo uma vez que tenha sido obtida uma adequada expansão óssea. Forças de tração devem ser limitadas à parte final do processo de extração e deve ser delicada. @williamls.odonto 14 PROCEDIMENTOS PARA EXTRAÇÃO FECHADA A técnica fechada é também conhecida como técnica simples. A técnica aberta é também conhecida como técnica cirúrgica ou a retalho. A técnica fechada é a técnica mais frequentemente usada e oferece as considerações básicas para quase todas as extrações. A técnica aberta é utilizada quando o clínico acredita que força excessiva será necessária para remover o dente, quando uma quantidade substancial da coroa está perdida ou coberta por tecido ou quando o acesso à raiz do dente é difícil, como quando uma coroa frágil está presente. Liberação dos tecidos moles aderidos à porção cervical do dente: Com um instrumento afiado, como uma lâmina de bisturi ou a ponta afiada do destaca periósteo de Molt no 9 faz-se o afastamento do tecido mole do dente. Uma pequena quantidade de pressão é sentida nesta fase, porém sem a sensação de dor aguda ou desconforto. Luxação do dente com uma alavanca dentária: A expansão e a dilatação do osso alveolar e a ruptura do ligamento periodontal, geralmente a alavanca reta, só são obtidas com a luxação do dente em várias direções. A alavanca reta é inserida perpendicular ao dente no espaço interdental, após o descolamento da papila interdental. A alavanca é, então, girada de maneira que a parte inferior da lâmina se apoie no osso alveolar e a parte superior, ou oclusal, da lâmina é girada ao encontro do dente que está sendo extraído. O giro lento, forte e consistente do cabo move o dente em uma direção posterior, o que resulta em alguma expansão do osso alveolar e rompimento do ligamento periodontal. Adaptação do fórceps ao dente: O fórceps apropriado é, então, escolhido para o dente a ser extraído. As pontas ativas do fórceps devem ser desenhadas para se adaptarem, anatomicamente, ao dente, apical à linha cervical, ou seja, na superfície da raiz. O fórceps é, então, forçado o mais apicalmente possível para apreender a raiz do dente. Luxação do dente com o fórceps:O cirurgião inicia a luxação do dente utilizando os movimentos já discutidos. A maior parte da força é direcionada para o osso mais fino e, consequentemente, mais fraco. Portanto, na maxila e em todos os dentes mandibulares com exceção dos molares, o principal movimento é vestibular (p. ex., na direção da camada mais fina de osso). O cirurgião utiliza uma força lenta e constante para deslocar o dente vestibularmente, em vez de uma série de @williamls.odonto 15 movimentos pequenos e rápidos que pouco fazem para expandir o osso. O movimento é calculado e lento, e aumenta, gradualmente, em força. Conforme o osso alveolar começa a se expandir, o fórceps é reposicionado apicalmente com um movimento deliberado e firme. Remoção do dente do alvéolo: Uma vez que o osso alveolar tenha expandido o suficiente e o dente tenha sido luxado, uma força de tração leve, em geral direcionada vestibularmente, pode ser utilizada. A força de tração deve ser minimizada, pois é o último movimento que é usado, uma vez que o processo alveolar esteja expandido o suficiente e o ligamento periodontal, completamente rompido. CUIDADOS PÓS-EXTRAÇÃO COM O ALVÉOLO DENTÁRIO Uma vez que o dente tenha sido removido, é necessário um cuidado apropriado com o alvéolo. Este deve ser debridado apenas se necessário. Se uma lesão periapical for visualizada na radiografia periapical e não houver nenhum granuloma preso ao dente quando ele for removido, a região periapical deve ser cuidadosamente curetada com uma cureta periapical para remover o granuloma ou o cisto. Se qualquer detrito for visível no alvéolo, como cálculo dental, amálgama ou fragmento do dente, ele deve ser delicadamente removido com uma cureta ou com a ponteira de aspiração. Entretanto, se não houver nenhuma lesão periapical, nenhum detrito, o alvéolo não deve ser curetado. Compressão das corticais: As corticais vestibular e lingual expandidas devem ser comprimidas de volta para sua configuração inicial. A pressão digital deve ser aplicada às paredes vestibular e lingual para comprimir as corticais gentilmente, mas, de maneira firme, de volta às suas posições originais. Osso afiado: Por último, o osso deve ser palpado pela mucosa para a presença de qualquer projeção óssea afiada. Se existir alguma, a mucosa deve ser rebatida e as bordas afiadas, criteriosamente, alisadas com uma lima de osso ou aparadas com uma pinça-goiva. @williamls.odonto 16 Controle da hemorragia: O controle inicial da hemorragia é obtido com o uso de uma compressa de gaze úmida de 5 × 5 cm colocada sobre o alvéolo. A gaze deve ser posicionada de maneira que, quando o paciente morde, ela se encaixa no espaço previamente ocupado pela coroa do dente. PAPEL DA MÃO OPOSTA Durante o uso de fórceps e alavancas para luxar e remover os dentes, é importante que a mão oposta do cirurgião tenha um papel ativo no procedimento. Para o cirurgião destro, a mão esquerda tem uma variedade de funções. A mão esquerda é responsável por afastar os tecidos moles da bochecha, dos lábios e da língua para fornecer uma visualização adequada da área da cirurgia. Ela ajuda não só a proteger outros dentes do fórceps, caso ele escape, de repente, do alvéolo dentário, como também a estabilizar a cabeça do paciente durante o processo da extração. PAPEL DO ASSISTENTE DURANTE A EXTRAÇÃO Durante a extração, o assistente desempenha uma variedade de papéis importantes que contribui para fazer a experiência cirúrgica atraumática. Ele auxilia o cirurgião a visualizar e a obter acesso à área cirúrgica afastando o tecido mole das bochechas e da língua de maneira que o cirurgião possa ter uma visão livre do campo operatório. Outra atividade importante do assistente é aspirar sangue, saliva e solução para irrigação durante o procedimento cirúrgico. Isso evita que fluidos se acumulem e possibilita uma visualização apropriada do campo operatório. @williamls.odonto 17 INCISIVOS MAXILARES A- Os incisivos maxilares são extraídos com o fórceps no 150. A mão esquerda apreende o processo alveolar. B- O fórceps é posicionado o mais apicalmente possível. C- Inicia-se a luxação com força vestibular. D- Uma pequena força lingual é usada. E- O dente é removido para vestibular e incisal com movimento de tração e rotação. @williamls.odonto 18 CANINO MAXILAR A- A posição da mão e do fórceps para extração do canino maxilar é similar à dos incisivos. O fórceps é posicionado o mais apicalmente possível. B- O movimento inicial é vestibular. C- Pequena quantidade de força apical é aplicada. D- O dente é removido na direção vestíbulo-incisal com pequena força rotacional. @williamls.odonto 19 PRIMEIRO PRÉ-MOLAR MAXILAR A- Os pré-molares maxilares são removidos com o fórceps no 150. A posição é similar à usada para os dentes anteriores. B- Pressão apical firme é aplicada, primeiro, para abaixar o centro de rotação o mais possível e expandir a crista óssea. C- Pressão vestibular é, inicialmente, aplicada para expandir a cortical vestibular. Os ápices das raízes são empurrados lingualmente e, como consequência, estão sujeitos à fratura. D- A pressão palatina é aplicada com menos vigor que a pressão vestibular. E- O dente é removido na direção vestíbulo- oclusal com a combinação de forças vestibulares e de tração. @williamls.odonto 20 SEGUNDO PRÉ-MOLAR MAXILAR A- Quando extraímos o segundo pré-molar maxilar, o fórceps é posicionado o mais apicalmente possível. B- A luxação se inicia com pressão vestibular. C- Pouca pressão vestibular é utilizada. D- O dente é removido na direção vestíbulo-oclusal. @williamls.odonto 21 MOLARES MAXILARES A- A extração dos molares maxilares. O tecido mole dos lábios e da bochecha é afastado e o processo alveolar é apreendido com a mão oposta. B- As pontas ativas do fórceps são posicionadas o mais apicalmente possível. C- A luxação se inicia com uma pressão forte vestibular. D- Pressão lingual é utilizada apenas moderadamente. E- O dente é removido na direção vestíbulo-oclusal. @williamls.odonto 22 DENTES ANTERIORES DA MANDÍBULA A- Quando extraímos os dentes anteriores da mandíbula, o fórceps no 151 é usado. O assistente afasta a bochecha e fornece aspiração. B- O fórceps é posicionado o mais apicalmente possível. C- Pressão vestibular moderada é usada para iniciar o processo de luxação. D- Força lingual é usada para continuar a expandir o osso. E- O dente é removido na direção vestíbulo-incisal. @williamls.odonto 23 PRÉ-MOLAR MANDIBULAR A- Extração do pré-molar mandibular. A mandíbula é estabilizada, o tecido mole é afastado e o fórceps no 151 é posicionado. B- A posição da mão é, ligeiramente, modificada para a técnica por trás do paciente. O fórceps de estilo inglês também pode ser usado. D- O fórceps é posicionado o mais apicalmente possível para deslocar o centro de rotação e para iniciar a expansão do osso da crista. E- Força vestibular é usada para iniciar o processo de luxação. F- Leve pressão lingual é utilizada. G- O dente é removido com força de tração e rotação. @williamls.odonto 24 MOLARES MANDIBULARES A- Os molares mandibulares são extraídos com o fórceps no 17 ou no 23. As posições das mãos do cirurgião e do assistente são as mesmas para ambos os fórcepses. B- O fórceps no 17 é posicionado o mais apicalmente possível. C- Luxação do molar é iniciada com um forte movimento vestibular. D- Pressão lingual forte é usada para continuar a luxação. E- O dente é removido na direção vestíbulo-oclusal. @williamls.odonto 25 RETALHOS DE TECIDOS MOLES Base do retalho: Quando o retalho é determinado, sua base deve ser mais ampla que a margem livre para manter o suprimento sanguíneo adequado. Isso significa que todas as áreas do retalho devem ter uma viade vascularização ininterrupta a fim de evitar necrose isquêmica de todo o retalho ou de partes dele. Rebatimento do retalho: É preciso que haja rebatimento suficiente do retalho, de modo a permitir ao afastador manter o retalho sem tensão. Incisões cortantes cicatrizam mais rapidamente que tecidos dilacerados. Portanto, uma incisão reta e longa, com afastamento adequado do retalho, cicatriza com mais rapidez que uma pequena, com dilaceração dos tecidos, a qual cicatriza lentamente por segunda intenção. Tamanho do retalho: Para que um retalho em envelope tenha um tamanho adequado, seu comprimento na direção ântero-posterior, geralmente, estende-se de dois dentes anteriores a um dente posterior à área da cirurgia. Se for feita uma incisão relaxante, esta deverá estender-se desde um dente anterior até um posterior à área de cirurgia. O retalho deve ser mucoperióstico de espessura total. Isso significa que ele deve incluir a mucosa, a submucosa e o periósteo. Para ter acesso suficiente à raiz do segundo pré-molar, o retalho em envelope deve estender-se, anteriormente, à mesial do canino, e, posteriormente, à distal do primeiro molar. Se for usada uma incisão de alívio (p. ex., retalho triangular), o retalho estende-se até a mesial do primeiro pré-molar. @williamls.odonto 26 Incisão sulcar: A incisão mais comum é a sulcular, que produz o retalho em envelope. Faz-se uma incisão no sulco gengival até a crista óssea através do periósteo, e rebate-se, apicalmente, um retalho mucoperióstico de espessura total. Relaxante vertical: Se a incisão sulcular possui uma incisão relaxante vertical, é um retalho de três ângulos. Essa incisão fornece um acesso maior com uma incisão sulcular mais curta. Quando é necessário um acesso maior na direção apical, em especial na região posterior da boca, essa incisão é, frequentemente, necessária. Retalho quadrangular: é uma incisão em envelope com duas incisões relaxantes. Embora esse retalho forneça acesso substancial nas áreas que têm dimensão ântero-posterior limitada, ele, raramente, é indicado. Quando as incisões relaxantes são necessárias, um retalho triangular é, em geral, suficiente. Posição correta para o final da incisão relaxante vertical: é no ângulo (nesta figura abaixo, ângulo mesiobucal) do dente. Da mesma forma, a incisão não cruza a eminência canina. O cruzamento dessa eminência óssea resulta em um risco aumentado de deiscência da ferida. B, Essas duas incisões foram feitas de modo incorreto. (1) A incisão cruza a proeminência sobre o dente canino, o que aumenta o risco de cicatrização tardia. A incisão através da papila resulta em dano @williamls.odonto 27 desnecessário. (2) A incisão cruza a gengiva inserida diretamente sobre o aspecto vestibular do dente, o que, é bem provável, resultará em defeito de tecido mole e em deformidade periodontal. Incisão em Y: é útil no palato para acesso adequado na remoção do torus palatino. As duas extremidades anteriores servem como incisões de alívio para fornecer maior acesso. TÉCNICA PARA REALIZAÇÃO DE UM RETALHO MUCOPERIÓSTICO Incisar os tecidos moles: a fim de permitir o descolamento do retalho. A lâmina no 15 é usada em um cabo de bisturi no 3, apreendido como se fosse uma caneta. A lâmina faz leve ângulo com o dente, e a incisão é feita de trás para a frente no sulco gengival, puxando-se a parte cortante na direção do operador. Utiliza- se força contínua e suave, mantendo a parte cortante da lâmina em contato com o osso durante a incisão. @williamls.odonto 28 Deslocamento do retalho: começa pela papila. A extremidade cortante do destaca periósteo no 9 inicia o descolamento do retalho, é introduzida sob a papila na área de incisão e girada lateralmente para afastar a papila do osso subjacente. Essa técnica é usada ao longo de toda a extensão da gengiva livre. Se houver dificuldade para descolar o tecido em um determinado ponto, é porque a incisão, provavelmente, está incompleta, e aquela área deve ser incisada mais uma vez. Uma vez que toda a margem livre do retalho tenha sido descolada com a extremidade cortante do destaca periósteo, a extremidade maior é usada para descolar o retalho mucoperióstico até a extensão desejada. O descolador de Seldin ou o afastador de Minnesota ou de Austin é posicionado no local adequado e mantido firmemente contra o osso. Dessa maneira, o cirurgião pode concentrar-se, principalmente, no campo cirúrgico e não no afastador, e há menos chance de lesões inadvertidas ao retalho. @williamls.odonto 29 USANDO A TÉCNICA ABERTA PARA RESOLUÇÃO DOS CASOS Um pequeno retalho em envelope pode ser descolado para expor uma raiz fraturada. Sob visão direta, o fórceps pode ser colocado mais apicalmente dentro do ligamento periodontal. Se o molar inferior é de difícil extração, pode-se seccioná-lo e transformá-lo em unirradicular. A, Uma incisão em envelope é descolada, e pequena quantidade de osso da crista alveolar é removida para expor a bifurcação. A broca é usada para seccionar o dente em duas metades, mesial e distal. O fórceps universal inferior é usado para remover, separadamente, as duas porções de coroa-raiz do dente. @williamls.odonto 30 Quando a coroa do molar inferior não está presente devido à fratura ou à cárie, afasta-se pequeno retalho em envelope e remove-se pequena quantidade de osso da crista alveolar. Utiliza- se, então, a broca para seccionar o dente em duas raízes individuais. Após ter usado uma alavanca reta pequena para mobilizar as raízes, utiliza-se a alavanca de Cryer a fim de elevar a raiz distal. A ponta da alavanca é colocada dentro de uma ranhura preparada pela broca, e a alavanca é girada para liberar a raiz. A outra alavanca do par de alavancas de Cryer é, então, usada para liberar a raiz remanescente, usando o mesmo tipo de movimento de rotação. @williamls.odonto 31 PRINCÍPIOS DE SUTURA Uma vez completado o procedimento e cuidadosamente irrigada e debridada a ferida, o retalho deve voltar à sua posição original ou ser levado a uma nova posição, se necessário, por meio de uma sutura. O instrumental necessário inclui um porta-agulha, uma agulha, uma agulha de sutura e o material de sutura. Porta-agulha: Segura-se o porta-agulha com os dedos polegar e anelar. O dedo indicador estende-se ao longo do instrumento para oferecer estabilidade e controle. Passando o fio: Ao reaproximar o retalho, passa-se o fio, primeiro, através do tecido móvel (em geral, o vestibular); a agulha é, novamente, presa pelo porta-agulha e passada através da mucosa inserida da papila lingual. Como as duas margens da ferida são fechadas juntas, o cirurgião experiente pode ser capaz de inserir a agulha nas duas margens com uma única passagem. Porém, na maioria dos casos, é melhor usar a técnica das duas passagens @williamls.odonto 32 Sutura em oito (“X”): ocasionalmente colocada sobre o alvéolo para ajudar na hemostasia. B, Esta é comumente realizada para ajudar a manter a celulose oxidada no alvéolo dentário. Ângulo da agulha: Ao passar a agulha através do tecido, ela deve penetrar na superfície da mucosa em ângulo reto para fazer um orifício mínimo na mucosa. Apartamento do fio: O cirurgião deve lembrar que o objetivo do nó é, simplesmente, o de reaproximar os tecidos, e, portanto, o fio de sutura não deve ser apertado de modo exagerado. As suturas muito apertadas causam isquemia das margens do retalho e resultam em necrose dos tecidos com laceração da sutura. @williamls.odonto 33 A- O fio de sutura é puxado através do tecido até que reste apenas uma pequena quantidade de fio (15 a 20 cm aproximadamente). O porta-agulha é segurado horizontalmente pela mão direita na preparação do nó. B- A mão esquerda enrola depois a extremidade mais longa do fio de sutura ao redor do porta- agulha, duasvezes no sentido dos ponteiros do relógio para fazer dois laços de sutura. C- O cirurgião, então, abre o porta-agulha e pega a extremidade curta do fio de sutura perto da ponta. D- As extremidades do fio de sutura são puxadas para apertar o nó. O porta-agulha não deve, de modo algum, ser puxado até que o nó esteja quase apertado para evitar estiramento dessa parte do fio. @williamls.odonto 34 FRENECTOMIA LABIAL E LINGUAL Técnicas e indicações: Muitas técnicas cirúrgicas são efetivas para remover a inserção do freio: (1) a técnica da excisão simples; (2) a técnica de plastia em Z, (3) vestibuloplastia localizada com epitelização secundária e (4) frenectomia a laser. A técnica com excisão simples e de plastia em Z são efetivas quando a faixa de tecido mucoso e fibroso é relativamente estreita. A vestibuloplastia localizada com epitelização secundária é frequentemente preferida quando a inserção do freio possui uma base larga. As técnicas com laser são versáteis em realizar uma excisão local e remoção do tecido mucoso excessivo e a inserção do tecido fibroso, permitindo epitelização secundária. Anestesia infiltrativa local: é invariavelmente sufi ciente para o tratamento cirúrgico da inserção do freio. Cuidado deve ser tomado para evitar uma infiltração excessiva de solução anestésica diretamente na área do freio, pois isso pode difi cultar a visualização da anatomia da região no momento da excisão. Em todos os casos, deve haver a ajuda de um assistente que deve elevar e everter o lábio durante o procedimento. Técnica de excisão simples • A e B, Eversão e exposição da área de inserção do freio. • C e D, Excisão junto às margens laterais do freio. O tecido é removido, expondo o periósteo subjacente. • E e F, Colocação da sutura através das margens da mucosa e do periósteo, a qual fecha a margem da mucosa e sutura a mucosa ao periósteo no fundo do vestíbulo. • G e H, Sutura da ferida. Remoção do tecido nas áreas adjacentes à inserção da mucosa algumas vezes evita o completo fechamento primário no aspecto mais inferior da margem da ferida. @williamls.odonto 35 Técnica de plastia em Z • A e B, Pequena incisão elíptica da mucosa e tecido conjuntivo frouxo subjacente. • C a E, Retalhos são solapados e rodados até a posição desejada. • F e G, Fechamento com suturas interrompidas. @williamls.odonto 36 Liberação do freio labial com ampla base • A e B, Incisão ampla tipo em V feita na porção mais inferior da inserção do freio na área do rebordo alveolar. • C, Dissecção supraperiosteal completada, liberação mucosa e fibrosa das inserções do freio. • D, Diagrama das margens da mucosa suturadas ao periósteo. • E, Margens da mucosa suturadas ao periósteo ao fundo do vestíbulo. @williamls.odonto 37 Excisão a laser do freio • A, Freio de base ampla na maxila anterior. • B, Ablação supraperiosteal da mucosa e fibras densas da inserção do freio. A cicatrização ocorre por epitelização secundária. @williamls.odonto 38 FRENECTOMIA LINGUAL Uma inserção anormal do freio lingual usualmente consiste em mucosa, com tecido conjuntivo fibroso denso, e, ocasionalmente, em fibras superiores do músculo genioglosso. Essa inserção prende a ponta da língua à parte posterior da superfície do rebordo alveolar da mandíbula. Bloqueio do nervo lingual bilateral e anestesia infiltrativa local na região anterior promovem uma adequada anestesia para a frenectomia lingual. A ponta da língua é mais bem controlada com a tração de uma sutura. Liberação do freio lingual • A, Inserção do freio conectando a ponta da língua à face lingual da mandíbula. Em pacientes edêntulos, o movimento da língua desloca a prótese. • B, Sutura para tração localizada na ponta da língua. • C, Pinça hemostática usada para comprimir a área do freio por 2 ou 3 minutos, permitindo melhor hemostasia. @williamls.odonto 39 @williamls.odonto 40 CLASSIFICAÇÃO DE LE FORT E FRATURA DO CÔNDILO Classificação de Le Fort de fraturas da face média I- Somente maxilar inferior; II- Rima infraorbital; III- Deslocamento total da face média do crânio (dissociação craniofacial). Fratura do côndilo: Os sinais e sintomas da fratura de côndilo são: dor, limitação dos movimentos mandibulares, oclusão dentária alterada, assimetria facial (às custas de um desvio do mento para o lado fraturado) e retroposicionamento mandibular (nas fraturas bilaterais). A maioria das fraturas de côndilo são tratadas de forma incruenta através de bloqueio maxilo- mandibular, fisioterapia elástica, somente observação juntamente com dieta líquida ou associação de ambas. A fixação interna rígida tem sido mais empregada em relação à osteossíntese a fio de aço, visto que ela promove a consolidação óssea primária sem a necessidade de bloqueio maxilo-mandibular pós-operatório. Classificação A- fratura da parte superior ou do pescoço condilar; B- fratura baixa ou da subcondilar; C- fratura diacapitular. @williamls.odonto 41 PROTOCOLOS FARMACOLÓGICOS