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Inserir Título Aqui Inserir Título Aqui Coaching e Mentoring Processo de Mentoring Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª M.ª Fabiana de Mello Revisão Textual: Maria Cecília Andreo Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos: • Definição e Objetivos; • Como Atua um Mentor? • Estilos e Abordagem; • Competências do Líder como Mentor; • Técnicas e Etapas do Processo; • Programas de Mentoria; • Parâmetros de Avaliação e Evolução do Mentorado; • Como Conduzir Conversas Difíceis? Objetivos • Compreender como um líder mentor atua e os benefícios da prática para o desenvolvimento da equipe e da organização; • Conduzir conversas difíceis de maneira mais efetiva. Caro Aluno(a)! Normalmente, com a correria do dia a dia, não nos organizamos e deixamos para o úl- timo momento o acesso ao estudo, o que implicará o não aprofundamento no material trabalhado ou, ainda, a perda dos prazos para o lançamento das atividades solicitadas. Assim, organize seus estudos de maneira que entrem na sua rotina. Por exemplo, você poderá escolher um dia ao longo da semana ou um determinado horário todos ou alguns dias e determinar como o seu “momento do estudo”. No material de cada Unidade, há videoaulas e leituras indicadas, assim como sugestões de materiais complementares, elementos didáticos que ampliarão sua interpretação e auxiliarão o pleno entendimento dos temas abordados. Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, pois estes ajudarão a verificar o quanto você absorveu do conteúdo, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem. Bons Estudos! Processo de Mentoring Fonte: Getty Im ages UNIDADE Processo de Mentoring Contextualização Um mentor é definido, de maneira bem simples, como alguém que ajuda outra pes- soa a lidar com os próprios obstáculos a partir do compartilhamento de uma experiência já vivenciada em sua própria trajetória. É possível imaginar o impacto positivo dessa prática para as organizações? E, por que não dizer, para toda a sociedade? Contar com o apoio de um mentor garante a pos- sibilidade de evitar a repetição de erros que outros já vivenciaram; é ter alguém para te guiar quando você se sente sem alternativa. No Brasil, atualmente, há mais de 14 milhões de pessoas desempregadas, segundo dados do IBGE publicados no final de 2020. Analisando essa informação por faixa etá- ria, aproximadamente 20% dos desempregados têm entre 18 e 24 anos. Mentores que pudessem apoiar esses jovens na busca por alternativas poderiam gerar um impacto social exponencial. Reggie Nelson, um bem-sucedido jovem britânico do mercado financeiro, vem com- partilhando com o mundo o poder da mentoria em seu próprio desenvolvimento e relatos sobre como um mentor o ajudou a superar sua história familiar. Em entrevistas concedidas, ele compartilhou três elementos que foram importantes nessa trajetória: • Visibilidade: Novas perspectivas a partir da experiência de outros; • Orientação: Encorajamento e incentivo ao longo do caminho; • Esperança: Na ocorrência de falhas, ajuda do mentor para manter a esperança. Nesta unidade, vamos entender como contribuir com o desenvolvimento de outras pessoas a partir da mentoria. Nesse sentido, faço o convite para que você considere o impacto positivo que ela pode causar em seu ambiente de trabalho e em sua comunida- de a partir desse aprendizado. Vamos ajudar a mudar o mundo? 6 7 Definição e Objetivos Anteriormente nesta disciplina, definimos e diferenciamos a prática da mentoria e do coaching. Nesta unidade, vamos revisar a definição e os objetivos da prática da mentoria. De acordo com Julie Starr, autoridade em coaching, mentoria e desenvolvimento pessoal, autora de diversos livros, entre eles The mentoring manual, a mentoria é uma relação em que uma pessoa (o mentor) suporta o aprendizado, o desenvolvimento e o progresso de outra pessoa (o mentorado). Um mentor provê suporte oferecendo infor- mação, conselho e assistência de tal forma que empodera o mentorado. Apesar de conceitualmente ser amplamente conhecida, no ambiente organizacional é uma prática que pode ser ainda mais bem explorada. E tem o potencial de proporcionar benefícios para a organização e para o mentor, por meio do reconhecimento e da satis- fação em apoiar o desenvolvimento de outros, e para o mentorado, que encontra apoio para o seu desenvolvimento e crescimento profissional. Nesse sentido, a mentoria é uma prática em que todos ganham. Para que a prática da mentoria possa ser exercitada, é preciso, antes de tudo, cora- gem para deixar a zona de conforto. Um mentor é naturalmente alguém que desenvol- veu experiência em determinada área. É preciso abrir espaço para acolher o mentorado e, em contrapartida, o mentorado precisa se abrir para o que o mentor tem a oferecer, pondo em prática as orientações dele. É importante também destacar que o mentor, apesar de obter ganhos no relacionamento com seu mentorado, deve adotar sempre uma atitude altruísta e focar sempre as necessidades, os objetivos e os desafios do men- torado, e não seus interesses. A palavra mentor tem origem na mitologia grega. Na Odisseia, poema épico de Homero, Mentor era amigo de Odisseu, também conhecido como Ulisses, que, quando partiu para a Guerra de Troia, deu a Mentor a incumbência de orientar seu filho Telêmaco. Se analisarmos nossa própria experiência de vida, poderemos reconhecer momentos em que uma pessoa próxima agiu como um mentor e orientou o próximo passo de nossa jornada. Muitos podem ser os motivos para que alguém se beneficie com o trabalho de um mentor. Entre eles, estão: • desejo de conhecer mais sobre alguma área específica; • perceber que entre o conhecimento e a prática existe alguma dificuldade; • tornar-se mais confiante sobre determinado tema. Quando nos deparamos com a definição do papel do mentor, pode nos parecer correto relacionar essa atividade à maturidade com relação à faixa etária. Entretanto, idade não é sinônimo de sabedoria sobre determinado tema. Dessa forma, devemos levar em conta a experiência, a capacidade e a autoridade sobre a área em questão. Assumir o papel de mentor envolve praticar empatia com o outro. 7 UNIDADE Processo de Mentoring No ambiente organizacional, é possível implementar programas de mentoria inter- nos ou contar com o apoio de profissionais externos. É comum, inclusive, que as duas abordagens sejam ser aplicadas, buscando maior benefício para a organização e para seus colaboradores. De qualquer forma, o mentor é alguém que está interessado no de- senvolvimento de seu mentorado; assim, mesmo para programas internos, é importante que o papel de mentor seja conquistado por iniciativa própria, e não imposto por outros. O processo de mentoria pode se tornar de coaching ou de gestão quando a organização definir objetivos específicos relacionados à performance do mentorado. Não há problema que isso ocorra; porém, é importante definir acordos claros sobre esses limites. O contexto organizacional atual requer ambientes mais autônomos, ou seja, menos hierárquicos. Muitas organizações têm colaboradores que atuam como líderes de projeto em equipes que se modificam de acordo com a necessidade de entrega. Estabelecer um programa de mentoria nesse contexto pode ser muito eficiente. O colaborador poderia ter o apoio de um líder de projeto, preocupado com a entrega, e de um mentor, que apoia o seu desenvolvimento. Nesse caso, a relação entre mentor e mentorado deveria ser de médio a longo prazo, enquanto a relação com o líder do projeto é temporal, em razão da entrega a ser realizada. Rosa Bernhoeft, precursora da prática de mentoria no Brasil, destaca a necessidade de presença e atenção plena do mentor durante o processo de mentoria. Exercer esse papel requer autoconsciência e capacidade de lidar com as próprias emoções. Como Atua um Mentor? Um mentor pode atuar de diferentesformas, desde que seja possível alcançar o ob- jetivo de apoiar o processo de desenvolvimento de seu mentorado. Segundo Djalma de Pinho Rebouças de Oliveira, autor do livro Coaching, mentoring e counseling, o proces- so de mentoria deve se preocupar com a explicação “do que” e de “como fazer” o que o mentorado tem como expectativa. De maneira lúdica, a tabela a seguir apresenta exemplos de formas diferentes de atuação de um mentor: Tabela 1 Filme/ Série Relacionamento O que o mentorado deseja? O que o mentor deseja para o mentorado? Características do relacionamento Harry Potter Professor Dumbledore: mentor de Harry Potter. Vencer Voldemort e vingar a morte de seus pais. • Manter Harry seguro; • Ajudá-lo a aprender e ter sucesso sem interferir muito. • Harry respeita a posição de Dumbledore, sua reputação e seu status; • O senso de dever e responsabilidade de Dumbledore com relação a Harry é pessoal e profissional. 8 9 Filme/ Série Relacionamento O que o mentorado deseja? O que o mentor deseja para o mentorado? Características do relacionamento Homeland Saul Berenson: mentor de Carrie Mathison. Obter sucesso na derrota das forças terroristas e encontrar a verdadeira felicidade. • Encorajá-la a atuar com segurança e de maneira adequada em cada situação; • Ajudá-la a obter sucesso pessoal e profissional. • Saul tem a experiência e a sabedoria de que Carrie necessita; • Saul e Carrie estão unidos por amizade, respeito mútuo e confiança; • Ambos podem discordar um do outro e manter um bom relacionamento. Matrix Morpheus: mentorde Neo. Libertar a raça humana do controle da Matrix. • Manter Neo vivo; • Ajudá-lo em sua busca sem interferência, até descobrir se Neo é o aguardado messias. • Morpheus parece ter sabedoria e integridade e Neo escolhe confiar em Morpheus; • Morpheus inicialmente desconfia do potencial de Neo, mas vai ganhando confiança ao longo do tempo. Game of Thrones Jorah Mormont: mentor de Daenerys Targaryen. Reivindicar o poder de sua família sobre os sete reinos. • Mantê-la segura e ajudá-la a ter sucesso. • Jorah acredita em Daenerys e faz um juramento de servi-la e protegê-la. Consequentemente, ele coloca os interesses dela antes dos próprios; • Daenerys respeita a experiência e o conhecimento de Jorah, mas o ignora quando sua intuição é forte. Fonte: Adaptada de STARR, 2014, p. 35 Os exemplos da tabela são fictícios, mas todos envolvem algumas atitudes do mentor que fazem sentido na vida real, tais como: • esforço e energia focados; • perseverança, aprendizado e trabalho duro; • necessidade de superação de desafios pessoais e de crenças limitantes; • boa vontade e ajuda de outras pessoas; • saber lidar com o sucesso do mentorado, e não o com o próprio. Nem sempre temos os mentores que queremos, mas talvez eles sejam os que precisamos. Uma característica que distingue um mentor de um coach ou consultor é a bene- volência. Não utilizamos muito essa palavra em nosso cotidiano, mas ela representa compaixão, respeito e generosidade. Como mentor, é preciso assumir um compromisso pessoal em contribuir com o desenvolvimento do mentorado. Isso não quer dizer que ele deve realizar no lugar dele. É preciso ter cuidado para que os limites não sejam ultrapas- sados. A busca do mentorado sugere um caminho, uma jornada de desafios que inclui tentativas para ser superada. 9 UNIDADE Processo de Mentoring Estilos e Abordagem Como visto, o mentor pode atuar de maneiras diferentes, considerando o que tem a oferecer e a necessidade do mentorado. Um mentor pode oferecer várias formas de apoio, como: • compartilhar sua experiência; • prover espaço para que o mentorado possa refletir sobre seus desafios; • oferecer feedback construtivo; • dar conselhos e oferecer sugestões; • compartilhar conhecimento, o que é diferente de experiência; • compartilhar poder ou influência; • compartilhar rede de contatos. É importante determinar a abordagem a partir dos resultados que se deseja alcançar. Nesse sentido, pode-se, inclusive, combinar abordagens diferentes para um mesmo tema. Alguns princípios são importantes nesse contexto, como: • O relacionamento entre mentor e mentorado deve se basear na igualdade e consi- derar crenças que, naturalmente, são diferentes entre ambos; • A responsabilidade por aprender, progredir e atingir resultados é do mentorado; • Mentoria é colaboração entre mentor, mentorado e a vida cotidiana. Por isso, é preciso abraçar o desconhecido; • O mentorado tem autonomia para escolher o que pôr em prática, o que aprender e o que ignorar; • Alguns resultados no processo de mentoria podem ser identificados ou medidos, enquanto outros, não. Competências do Líder como Mentor Em nosso contexto atual, surge cada vez mais a necessidade de atuação do líder como mentor, no sentido de apoiar o desenvolvimento de sua equipe, tornando-a mais capacitada e, por consequência, mais produtiva. Além de competências reconhecidamente necessárias para o exercício desse papel, como dar feedback, saber fazer perguntas poderosas e desenvolver empatia, existem outras habilidades que são frequentemente demonstradas por mentores bem-sucedidos. São elas: Escuta ativa Praticar a escuta ativa é estar dedicado a ouvir e a compreender o que o outro tem a dizer, com empatia. Empatia, nesse contexto, pode ser definida como a capacidade de sustentar esse espaço de escuta, demonstrando ao outro que ele foi ouvido e reconhecido por você. 10 11 O psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg, reconhecido defensor da comuni- cação não violenta, sempre afirmou que a intenção faz grande diferença durante a co- municação, e a intenção revela a sua motivação naquele momento. Como nem sempre nos damos conta de nossa intenção durante uma conversa, faça o seguinte exercício quando vivenciar uma situação em que você sinta um pouco de tensão ou pressão: • Traga a consciência para o que você está fazendo naquele momento; • Identifique sua intenção em relação ao que você está fazendo; • Depois da conversa, pergunte a si mesmo: Minha intenção foi efetiva? Ela contri- buiu com a conversa? A atenção em uma conversa representa em que ponto estará o foco, e não deixa de ser importante. At en çã o Intenção Atenção clara e focada Baixa qualidade de escuta Escuta de alta efetividade Escuta menos efetiva Escuta efetivaAtenção parcial ou alternando Atenção dispersa ou dividida Intenção pouco construtiva Intenção neutra Intenção construtiva Figura 1 Fonte: Adaptada de STARR, 2014, p. 77 Nosso moderno estilo de vida convida à distração a todo tempo. Pratique a atenção plena durante a escuta. Não será confortável no início, mas, com o tempo, os resultados vão começar a aparecer. Poder de influência Para que um processo de mentoria funcione, é preciso influenciar o mentorado de maneira positiva. E isso só é possível em um relacionamento em que haja engajamento e confiança. Para construir esse relacionamento, é importante considerar: • Definir acordos de confidencialidade logo no início; • Manter a integridade; • Ter disposição para compartilhar informações pessoais; • Entender o motivo do mentorado; • Rever a efetividade dos encontros de mentoria regularmente. 11 UNIDADE Processo de Mentoring Manter um foco eficaz Manter o um foco eficaz refere-se a ajudar a identificar o que é importante para o mentorado trabalhar, facilitar as conversas de maneira a propiciar o maior valor possível para o encontro, manter a visão geral sobre o tema a ser tratado, estar atento a con- versas que distraem ou são contraproducentes, encorajar o foco em tópicos que geram benefícios para o mentorado, ter atitude flexível e criativa durante as conversas, com o objetivo de manter o progresso e desafiar o mentorado. Uma conversa de mentoria precisa ser desafiadora, e manter o foco é um dos princí- pios para que isso aconteça. Também é importante considerar que muita coisa aconteceentre encontros, fazendo com que o contexto mude. Nesse sentido, pode ser necessário abrir um espaço seguro para que o mentorado compartilhe os acontecimentos. É impor- tante encontrar o equilíbrio entre o foco no tema e o espaço para troca. Uma possibili- dade para isso é estabelecer algum relacionamento entre o que o mentorado apresentou como acontecimentos entre as sessões e o tema em desenvolvimento. Ajudar a superar falsos limites, obstáculos ou barreiras Um mentor ajuda o mentorado a se preparar para as mudanças e os desafios futuros. A tabela a seguir apresenta alguns exemplos de como mentores bem-sucedidos lidam com essa situação: Tabela 2 Bloqueio ou barreira aparente Como um mentor pode ajudar a superar Consciência profissional Por exemplo: Qual a diferença entre criatividade e inovação? Como eu interpreto uma conta de lucro ou de prejuízo? • Por meio de discussão, compartilhando histórias, oferecendo insights e perspectivas pessoais; • Introduzindo informações ou experiências de aprendizado, como indicação de livros ou especialistas; • Convidando-o para conferências, encontros em que o mentorado possa ter insights sobre o tema. Conexões, relacionamentos • Facilitando seus pensamentos. Por exemplo: você precisa da ajuda de que tipo de pessoa?; • Oferecendo conselhos; • Apresentando o mentorado à sua própria rede de relacionamentos. Barreiras relacionadas a crenças limitantes • Compartilhando experiências pessoais ou forma de pensar sobre o assunto; • Ajudando a organizar os pensamentos, focando os fatos; • Oferecendo conhecimento. Fonte: Adaptada de STARR, 2014, p. 87 Ajudar o outro a crescer Essa habilidade é resultado das anteriores. Ajudar o outro a crescer e se desenvolver diz respeito a ter intenção positiva quanto ao futuro do mentorado, oferecendo o suporte necessário para que isso aconteça. Talvez seja possível estabelecer uma analogia com a 12 13 profissão de jardineiro, que cuida das plantas, oferecendo a elas aquilo que é necessário para que cresçam e se desenvolvam, ainda que o esforço e a energia dedicados ao de- senvolvimento sejam da própria planta. Técnicas e Etapas do Processo Para suportar a jornada de mentoria, é importante estabelecer um processo. Primei- ramente, estabeleça um começo, um meio e um fim, com o planejamento de encontros, definindo a periodicidade deles e quando terminam. Isso ajuda a estabelecer foco e a maximizar a possibilidade de impacto e contribuição. Com a prática, o mentor define o próprio processo, mas o esquema proposto neste capítulo pode ser um começo eficiente. Prepare-se para ser mentor • Troque informações básicas com o mentorado. Além de informações de contato, identifique fatos importantes a respeito da carreira e da motivação dele para um processo de mentoria. Compreender o propósito e o significado do processo para o mentorado é essencial. Adicionalmente, pode ser interessante compreender quais são as barreiras enfrentadas por ele com relação ao tema e quais são os limites quanto ao processo; • Verifique a estrutura necessária. O sucesso do processo depende da estrutura adequada para o contexto. Reflita sobre a estrutura ideal, encontrando o ponto entre a falta de estrutura e inflexibilidade/burocratização; • Considere o seu propósito com relação à mentoria; • Identifique limites práticos: agenda, periodicidade e tempo de duração dos encon- tros, por exemplo; • Decida sua abordagem inicial, mesmo que seja preciso adaptá-la ao longo do processo. Comece • Estabeleça o tom da relação: É importante estabelecer e deixar claro o papel do mentor ao longo do processo, evitando que as sessões sejam confundidas com con- versas informais ou sessões de coaching ou de consultoria; • Conheçam um ao outro: A primeira sessão influenciará toda a jornada; • Entenda as aspirações e o propósito de seu mentorado; • Estabeleça acordos a respeito das expectativas; • Defina métodos para revisão e feedback. A tabela a seguir apresenta uma sugestão de agenda para a primeira sessão. 13 UNIDADE Processo de Mentoring Tabela 3 Item Tempo estimado Orientação Apresentação inicial: Mentor Dados pessoais, profissionais e o que mais enten- der que seja relevante. 10 min Ao iniciar o processo de mentoria, é provável que mentor e mentorado já se conheçam, mas é importante recapitular essas infor- mações no primeiro encontro. Apresentação inicial: Mentorado Dados pessoais, profissionais e o que mais enten der que seja relevante. 10 min Evite a tendência a ir direto para a expecta-tiva com relação ao processo. Enfatize áreas em comum Quais as similaridades observadas entre mentor e mentorado? 5 min Rapidamente, compartilhe as similaridades observadas, tanto no âmbito pessoal quan- to no profissional. Defina os acordos para o trabalho em conjunto Duração do processo, formas de contato, como revisar progresso e trocar feedback. 15 min Mesmo que isso já tenha sido feito antes do início do processo, é importante confirmar e esclarecer. Identifique temas em que o mentorado pre- cisa de apoio O que o mentorado espera do processo? Quais tópicos ele tem interesse em desenvolver? Quais são os objetivos pessoais e profissionais já identificados? 30 min Em um primeiro momento, talvez não este- ja tão claro para o mentorado qual o tema e as áreas em que precisa de apoio. Isso vai se tornando mais claro com a evolução. Discussão sobre potencial de suporte Deixe claro como e de qual forma você pode ajudar o mentorado. 10 min O mentor não deve se preocupar em de- talhar o que oferecerá, mas dar uma visão rápida sobre as possibilidades. Acordos O que vem a seguir? O que é necessário acontecer entre uma sessão e outra? O que mais precisa ser dito? 10 min O mentor deve tornar a conclusão informal e leve, lembrando que o mentorado não é seu subordinado. Fonte: Adaptada de STARR, 2014, p. 110 A partir da segunda sessão, o mentor pode optar por investir em desenvolver o rela- cionamento ou partir para realizar progressos em referência ao tema. Mantenha progresso • Execute o papel de mentor: Além de apresentar as suas contribuições, o mentor deve ter em mente o cumprimento de todos os acordos realizados com o mentorado; • Mantenha o tom do relacionamento: Equilibrar e sustentar o tom do relaciona- mento ao longo do processo pode ser um desafio. A estrutura do processo pode ser uma boa contribuição nesse sentido; • Invoque seu mentor interior: Ser um mentor é mais do que seguir um processo. Autoconhecimento e autodesenvolvimento são a chave para o sucesso do trabalho, refletindo sobre as próprias ações e identificando áreas em que pode melhorar; • Realize revisões informais do processo e da abordagem adotada. 14 15 Consolide os aprendizados • Revise o progresso do relacionamento e do avanço geral do tema. Em qual nível o mentorado está com relação a seu tema? O quanto já evoluiu? • Identifique pontos-chave de aprendizado no tocante ao tema. O que foi possível aprender sobre o tema? O que funcionou e o que não funcionou? • Defina a agenda para conclusão. O que precisa ser desenvolvido a partir de agora? O que falta para completar e alcançar o tema? Conclua o processo • Sumarize os resultados e aprendizados: Dependendo da duração do processo, alguns resultados e aprendizados vão sendo incorporados e podem passar desa- percebidos ao final do processo. Realizar uma retrospectiva ajudará o mentorado a se apropriar de suas experiências e de suas novas competências e/ou habilidades; • Defina acordos sobre contato futuro: O final pode ser o início de um novo começo; por isso, é importante esclarecer como a comunicação e o suporte vão ocorrer a partir da conclusão do processo. Deixar claro os limites, a periodicidade, o formato e a dura- ção é imprescindível; • Realize uma conversa informal de fechamento: Ao final do processo, mentor e mentorado devem ter desenvolvido um relacionamento de confiança, em que uma conversa formal de fechamento não fará sentido. Nessaconversa, um aspecto im- portante a ser abordado é o que o processo significou para ambos. Programas de Mentoria De acordo com Rosa Bernhoeft, considerada pioneira no tema no Brasil. há muitas razões para implementar um programa de mentoria em uma organização. A seguir, destacamos algumas que consideramos relevantes: • facilitar processos de sucessão; • aumentar o espírito de equipe e de cooperação; • encorajar e apoiar colaboradores a assumir novas funções; • desenvolver confiança e respeito entre os colaboradores. Em um programa de mentoria interno, o investimento para a organização é baixo, mas o capital intelectual é altíssimo, considerando toda a experiência já adquirida pelos colaboradores que estão há mais tempo na empresa. De maneira geral, a implementa- ção de um programa de mentoria interno passa pelos seguintes passos: • Definição dos mentorados: A escolha, nesse caso, depende da necessidade da organização, considerando aqueles que precisam ampliar seus conhecimentos ou se adequar a mudanças realizadas na empresa, por exemplo. Em qualquer caso, é importante validar o interesse do mentorado; 15 UNIDADE Processo de Mentoring • Definição dos mentores: É recomendado que os mentores possam se voluntariar para essa tarefa, ou seja, que não seja uma responsabilidade imposta. É importante que eles tenham visibilidade e sejam reconhecidos como exemplos a serem segui- dos pelos colaboradores; • Dinâmica da mentoria: Compartilhar, com mentores e mentorados, como será a dinâmica dos encontros, os objetivos, os ganhos esperados e os papéis de cada um no processo; • Detalhamento do processo: A área responsável pela implementação do progra- ma na organização deve prover aos mentores o conhecimento de como funcionam as sessões e as competências esperada do mentor; • Reuniões de compartilhamento: É recomendado que a área responsável pela imple- mentação do programa promova reuniões periódicas para compartilhar experiências entre mentores e, também, entre mentorados, com o objetivo de avaliar o processo; • Fechamento da dinâmica: Ao final do processo de mentoria, a área responsável pelo programa deve realizar um fechamento, documentando resultados e aprendizados. Algumas perguntas que podem nortear a decisão de implantação de um programa de mentoria são: • Por que precisamos de um programa de mentoria? • Quais são as metas a serem atingidas? • O que queremos alcançar? • Quem ficará à frente do processo? • Podemos prever os obstáculos que surgirão? • Quem selecionará mentores e mentorados? • Quem deve ser mentorado? Por quê? • Como saberemos se as metas foram atingidas? • Quais critérios serão utilizados para a definição das duplas de mentor/mentorado? • Quais recursos são necessários para organizar o programa? • Qual suporte será dado aos mentores? • Como e quando o programa de mentoria será acompanhado e avaliado? Parâmetros de Avaliação e Evolução do Mentorado Os parâmetros de avaliação e evolução do processo de mentoria devem ser acordados entre mentor e mentorado e têm relação e dependência com o tema em desenvolvimento. Além da perspectiva de mentor e mentorado, pode ser interessante considerar a visão das pessoas que convivem com o mentorado. Se o processo de mentoria fizer parte de um programa interno de uma organização, a avaliação de desempenho corporativa pode ser considerada. Caso contrário, defina indicadores com o mentorado no início do processo e faça avaliação periódica sobre a evolução. A autoavaliação em um processo de mentoria é fundamental. 16 17 Como Conduzir Conversas Difíceis? Em um processo de mentoria nem tudo são flores. É muito provável que, ao longo do processo, ocorram situações em que surgirão temas desafiadores e difíceis. Para essas circunstâncias, é essencial que o mentor esteja preparado. Uma das formas de preparar-se para esse momento é considerar a metodologia de Comunicação Não Violenta, proposta por Marshall Rosenberg. Ela está sistematizada em quatros passos: • Observação: Qual é o fato observado? Sem julgamentos, interpretações ou ava- liações, mas somente o que observo. Diante de uma conversa difícil, fazer esse questionamento a si mesmo poderá eliminar grande parte da tensão emocional envolvida. Quando começamos a praticar esse exercício, percebemos o quanto é difícil nos tornar isentos de julgamento; • Sentimentos. Expressar sentimentos é um desafio. Logo de partida, temos dificul- dade de nomear nossos sentimentos e nos conectar com eles. No entanto, é a partir do sentimento que podemos criar conexão com o outro. E é por meio da conexão e da empatia que podemos transformar uma conversa difícil em uma oportunidade de desbloquear uma tensão, removendo obstáculos; • Necessidades: O que faz com que eu me sinta como me sinto? Uma necessidade não atendida? O sentimento é, nesse caso, um mensageiro. É a necessidade não atendida que impulsiona a tensão diante de uma situação difícil; • Pedido: Um pedido é diferente de uma exigência, e uma exigência, nós, adultos, estamos pouco dispostos a atender. Diante do fato observado e dos sentimentos e necessidades associadas a ele, que pedido eu gostaria de fazer? Essa é a reflexão. É preciso ter a consciência de que um pedido deve carregar consigo honestidade e clareza. Para garantir que o outro compreendeu a seu pedido, peça a ele que o re- pita e, assim, você pode realizar qualquer correção na interpretação do que foi dito. Considerando esses quatro passos, é importante ter em conta que a intenção diante da conversa fará toda a diferença. Nesse sentido, a empatia é a base para que o diálogo flua. Inspirados na Comunicação Não Violenta, podemos dividir o processo relacionado a uma situação difícil em três etapas: preparação, conversa e aprendizado. Preparação Nessa fase, construa uma imagem da outra pessoa. Se você prevê que a conversa será difícil, talvez seja por haver alguma tensão emocional associada a ela. Normalmen- te, essa tensão surge por experiências que ocorreram no passado. Então, concentre-se no momento presente e no fato observado. Evite julgamentos e ofereça empatia a si mesmo quanto ao que você imagina obter como resposta de seu mentorado. Faça o exercício de visualizar a conversa e simule a sua reação diante da situação difícil. 17 UNIDADE Processo de Mentoring Conversa Independentemente de quanto foi possível preparar-se e encenar a situação difícil, no momento da conversa, esteja presente. Não se apegue ao roteiro que preparou e deixe que a conversa flua com naturalidade. Aprendizado Após a conversa, reserve um tempo para refletir sobre os resultados, sobre as neces- sidades atendidas ou não e sobre como você se sentiu. Reproduza mentalmente a con- versa, com a imagem de como gostaria que a conversa tivesse acontecido. Depois desse processo, talvez você possa ter insights sobre como se preparar melhor para uma pró- xima conversa ou sobre qual seria o próximo passo diante da dificuldade apresentada. 18 19 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos How to be a Great Mentor https://bit.ly/2LHV70F Leitura O Futuro do Mercado de Trabalho: Impacto em Empregos, Habilidades e Salários https://mck.co/2NoVWMf O Estudante que Transformou sua Vida batendo em portas de casas ricas de Londres https://bit.ly/2LOXkY1 Uma Mentoria de Verdade começa com a Cultura da Empresa, não com Programas Formais https://bit.ly/2LOXnTH Why Mentorship matters now more than ever https://bit.ly/35YmXMU 19 UNIDADE Processo de Mentoring Referências BERNHOEFT, R. Importância de estar presente. ABRH-SP, 2020. Disponível em: <https://abrhsp.org.br/conteudo/noticias/rosa-bernhoeft-fala-sobre-a-importancia-de- -estar-presente/>. Acesso em: 06/01/2021. ________. Mentoring: prática & casos. São Paulo: Évora, 2014. LASATER, I. Comunicação não violenta no trabalho. São José dos Campos: Colibri, 2020. OLIVEIRA, D. Coaching, mentoring e counseling. São Paulo: Atlas, 2018.ROSENBERG, M. Comunicação não violenta. São Paulo: Ágora, 2006. STARR, J. The mentoring manual. Mansfield: Pearson, 2014. Sites Visitados IBGE. Desemprego. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php>. Acesso em: 19/01/2021. NELSON, R. The power of mentoring. BBC, 2020. Disponível em: <https://www.bbc. co.uk/sounds/play/m000lg3f>. Acesso em: 06/01/2021. 20