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Clínica Médica de Cães e Gatos 1 Lívia Maria GASTROENTEROLOGIA INTESTINO Diarreias Agudas: Início abrupto, com duração de até 7 dias Diarreias Crônicas: Quando cursa por mais de 3 semanas e possui episódios intermitentes Quantidade de fezes: problema no ID vai eliminar TODAS as fezes do delgado e grosso. Principais diferenças das diarreias - frequência e a quantidade No intestino delgado (enterite) - grande quantidade de fezes, pouca frequência, melena, animal magro e polifagico No intestino grosso (colite) - pouca quantidade e aumento da frequência (várias vezes com urgência em defecar), hematoquezia, dermatite perianal, tenesmo, fezes com muco Clínica Médica de Cães e Gatos 2 Lívia Maria DIARREIAS AGUDAS (ENTERITES) As enterites pode estar associadas a vômito, borborigmos, dor abdominal e às vezes é autolimitante Entre as causas de enterites: Intolerância alimentar , Medicamentos, Toxinas, Parasitos, Bactérias, Vírus: (parvo, cinomose, corona, FeLV, FIV, panleucopenia felina) , Riquétsias e tendem a ser + graves em animais jovens com diarreia viral por parvovírus. DIAGNÓSTICO- ENTERITES/COLITES Histórico: troca de ração, acesso a lixo, toxinas, estado vacinal, idade (comeu lixo, corpo estranho - jovem, doença inflamatória intestinal ou neoplasia - idoso Palpação: distensão alças, corpo estranho e intussuscepção A Desidratação deve ser mensurada e corrigida e determinar se é uma condição autolimitante e as alterações de risco - se precisa ser internado Os exames complementares que auxiliarão no diagnostico são: Hemograma c/ plaquetas PPT e albumina (casos de diarreia ID crônica - hipoalbuminemia, enterite viral - ppt alta), Glicemia, ureia, potássio, parasitológicos fezes - descartar parasitas, Imunoenzimático (ELISA) para Giardia e Parvovírus, US, RX, endoscopia, biópsia GIARDÍASE A giardíase é o segundo parasito mais comum encontrado em cães e gatos. Infecta o ID (cães) e IG e ID (gatos). A eliminação dos oocistos ocorre de forma intermitente, então os exames devem ser seriados, coproparasitologico (um dia sim e outro não – 3 dias). Existe o imunoensaio (ELISA – SNAP Giardia IDEXX – sensibilidade de 90% em cães). Quando há suspeita que o paciente só tenha Giardia, utiliza-se o protocolo: FEMBENDAZOL (50MG/KG/SID/5 DIAS) ou METRONIDAZOL (25MG/KG/BID/5-7 DIAS). O ambiente tem que ser higienizado com amônia quaternária e os contactantes também devem ser tratados. Se há suspeita de infestações multietiológicas, usa-se: Febantel-praziquantel-pirantel. Existe vacinação para Giárdia com objetivo de diminuir oocistos eliminados, mas a vacinação não garante a proteção contra a giárdia. ENTERITES E COLITES - TRATAMENTO ◦ Tratar causa de base: anti-parasitários, atb, etc ◦ Manejo alimentar ◦ Fluidoterapia e correção de distúrbio hidroeletrolíticos ◦ Simbióticos - prebióticos e probióticos Clínica Médica de Cães e Gatos 3 Lívia Maria - Prébioticos: fibra quando digerida vira substrato que vai nutrir bactérias benéficas - Probióticos: bactérias benéficas TRATAMENTO-DIARREIAS AGUDAS CRISTALÓIDES: Ringer Lactato ou NaCl 0,9%. Nos animais desidratados: primeiras 4-6 hs repor perda estimada: peso(kg) x (%) desidratação. Em casos de choque hipovolêmico: quantidade de fluido = volume sanguíneo na 1ª. Hora APÓS REPOSIÇÃO DA VOLEMIA, CALCULAR: Déficit = peso (kg) X desidratação (%) Manutenção = 40 a 60 mℓ/kg/dia Perdas (vômito e diarreia) = 40 a 60 mℓ/kg/dia FLUIDOS HIPOTÔNICOS COM RELAÇÃO AO PLASMA (NACL 0,45% + GLICOSE 5%) Acrescidos de potássio; NaCl ou Ringer+Potássio HIPOGLICÊMICOS: GLICOSE A 25% em bolus, manter com fluido com glicose a 5% ANTIBIOTICOTERAPIA: empírica (poucos estudos). Profilaxia de translocação bacteriana e sepse (os enterócitos começam a morrer e a bact. que estiver presente acaba sendo absorvida, faz bacteremia e se for muito intensa faz sepse e leva o animal a morte) - QUINOLONAS + METRONIDAZOL - CEFALOSPORINAS + METRONIDAZOL ANTI-EMÉTICOS: ONDANSETRONA, MAROPITANT e omeprazol SUPORTE NUTRICIONAL - em até 12hs de internamento (após controle dos vômitos, sonda nasoesofágica se ele não estiver comendo nada) VERMIFUGAÇÃO Tratar fêmea antes da cobertura e 10 dias antes do parto Sempre fazer dose única com repetição após 15 a 21 dias Re-vermifugar os adultos a cada 4 a 5 meses Vermifugar filhotes a partir de 2 semanas de idade: ◦ Drontal Puppy (Febantel, Pirantel) ou Panacur suspensão (febendazole) Repetir aos 3 meses com vermífugo contendo Praziquantel: ◦ Drontal, Endal, Petzi, Prapi, Panacur Plus Clínica Médica de Cães e Gatos 4 Lívia Maria DIARRÉIAS CRÔNICAS ETIOLOGIA Doenças parasitárias - giardia Doenças inflamatórias Hipersensibilidade alimentar Intolerância alimentar - 1 ingrediente na ração ele é alérgico Neoplasias -linfoma gastrointestinal Distinção difícil Muitos exames complementares ou Triagem terapêutica (HA) HIPERSENSIBILIDADE ALIMENTAR -ID A hipersensibilidade alimentar com manifestação gástrica é uma diarreia de intestino delgado e enterite eosinofílica ou linfocítica plasmocítica. Antígenos: proteínas Diagnóstico: dieta com proteína hidrolisada OU dieta de eliminação: 1 proteína inédita + 1 carboidrato no mínimo 8 semanas - cachorro Comprometimento tutor Sem imunossupressores Diagnóstico definitivo: exposição provocativa. Lembre-se que o animal já está sofrendo há um tempo, debilitado, é uma opção de se fazer, mas também é uma ótima opção para não fazer :), se ele responder bem a mudança da dieta dá certo. DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL (DII) O diagnóstico de DII é reservado àqueles pacientes com distúrbios gastrintestinais crônicos, cujas causas conhecidas de diarréia e/ou vômitos foram descartadas e inflamação intestinal foi CONFIRMADA POR BIÓPSIA. Reação de hipersensibilidade crônica Baseia-se na região afetada e na prevalência da célula inflamatória Enterite linfocítica-plasmocítica Enterite eosinofílica Enterite granulomatosa ETIOLOGIA MULTIFATORIAL ou de etiologia imunomediada genética à: Clínica Médica de Cães e Gatos 5 Lívia Maria ◦ Antígenos dietéticos e/ou Microbianos intraluminais Cães de meia-idade a idosos, qualquer raça e sexo: Pastor Alemão, Shar-pei, Rottweilers Esses infiltrados inflamatórios causam alterações na arquitetura da mucosa = SÍNDROME DE MÁ ABSORÇÃO TRATAMENTO - DII EM CÃES Lembrar que tem envolvimento de antígeno alimentar e antígeno microbianos (bactérias, parasitas) 1. IMUNOS SUPRESSORES + 2. DIETA HIPOALERGÊNICA OU DE ELIMINAÇÃO PREDINISOLONA 1-2mg/kg/SID/2-4 semanas, diminuindo a dose até completa retirada Ciclosporina: pouco utilizado em DII, não se tem consenso sob seu efeito na DII, tem que fazer teste de toxo porque a ciclosporina pode reativar a toxoplasmose. DOENÇA DO CÓLON COLITES CRÔNICAS Etiologia: 2 teorias: 1 -Perda da tolerância imunológica contra antígenos microbianos normais fazendo resposta inflamatória inadequada qualitativa e quantitativamente. 2-Anormalidade na quantidade de flora intestinal, no tipo e na interação com o sistema imunológico. A classificação é de acordo com o infiltrado inflamatório podendo ser: colite linfocítica- plasmocítica, colite eosinofílica granulomatosa = ulcerativa (comum em boxers jovens) Os sinais clínicos são anorexia, vômito e sinais de diarreia de intestino grosso. TRATAMENTO COLITE CRÔNICA 1. MANEJO DIETÉTICO: RAÇÃO COM FIBRAS FERMENTÁVEIS, que estimulam produção de ácidos graxos voláteis que servem de energia para colonócitos 2. PROBIÓTICOS 3. ANTIBIÓTICOS Empírico para evitar translocação bacteriana: METRONIDAZOL+ ENROFLOXACINA para colites ulcerativas- Cultura fecal Clínica Médica de Cães e Gatos 6 Lívia Maria 4. ANTIINFLAMATÓRIO MESALAMINA: tem ação anti-inflamatório no cólon. ~ AAS Escolher aqueles com proteção entérica 12 mg/kg, 6-8hs EM CÃO Cuidado com felinos!