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Didática na Educação Inclusiva

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Prévia do material em texto

Didática Aplicada à Pessoas 
com Deficiência 
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Dr.ª Sueli Yngaunis
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Luciene Oliveira da Costa Granadeiro
Didática na Educação Inclusiva: Reflexão e Prática 
• O Professor, o Aluno com Deficiência e a Diversidade.
• Reconhecer a importância da interação entre o professor e aluno com defi ciência;
• Reconhecer a diversidade como uma característica importante da sociedade humana;
• Conhecer as sete dimensões da acessibilidade e refl etir sobre elas na educação inclusiva.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
Didática na Educação Inclusiva: 
Refl exão e Prática 
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Didática na Educação Inclusiva: Reflexão e Prática 
O Professor, o Aluno com 
Deficiência e a Diversidade
Quando atuamos na área da educação, é inevitável revisitarmos periodicamente 
algumas das teorias da aprendizagem para relembrarmos sobre as diferentes expli-
cações que importantes teóricos deram sobre como a criança aprende. Para esta 
unidade, iremos abordar em linhas gerais as diferentes correntes teóricas, e como 
elas podem ser pensadas sob a ótica da educação inclusiva, lembrando que já men-
cionamos sobre a necessidade de focar as potencialidades, e não as limitações.
Reunimos, na tabela 1, as diferentes perspectivas citadas por Papalia (2006) 
sobre o desenvolvimento humano. Na sequência, abordamos as teorias da aprendi-
zagem e como podemos compreender os caminhos pelos quais o aluno percorre, 
ou deve percorrer mediante o estímulo adequado do professor. Veja que estamos 
ressaltando a figura do professor como a pessoa que irá selecionar e utilizar os es-
tímulos adequados, que ajudem seu aluno a aprender.
Tabela 1 – Perspectivas do Desenvolvimento Humano
Psicanalítica Aprendizagem Cognitiva Contextual Evolucionista
Influência dos fatores 
internos e inconscientes Papel ativo do indivíduo Interação social
Interação com 
o contexto Mecanismos adaptativos
Fonte: PAPALIA, 2006
Diferentes forças atuam no desenvolvimento do indivíduo, e é a partir da iden-
tificação e reconhecimento dessas forças que é possível pensar em estratégias de 
ensino, ou didática, que é nada mais que a seleção dos estímulos adequados às pos-
sibilidades de cada aluno. Ao pensarmos no aluno com deficiência, é necessário re-
conhecer as suas limitações no sentido de descartar estímulos e práticas de ensino 
com potencial de excluir esse aluno, e focar nas suas possibilidades de aprendizado, 
utilizando métodos que favoreçam o desenvolvimento do aluno a partir do que ele 
consegue fazer, de como ele apreende e processa as informações.
Vejamos, por exemplo, a perspectiva cognitiva, que vê a interação social como 
parte importante do processo de aprendizagem. Sendo Piaget e Vygokstky os te-
óricos que se dedicaram a estudar como a criança aprende, Piaget reconheceu os 
esforços que a criança faz para compreender e agir no mundo em que ela vive, e 
Vygostky reconheceu as experiências sociais que as crianças têm com o outro como 
parte importante no seu desenvolvimento. Para esse teórico, é a partir das intera-
ções sociais que a criança consegue internalizar a maneira como a sociedade pensa, 
sendo a linguagem o meio que a criança utiliza para aprender e pensar o mundo.
Quando pensamos em interação social e na linguagem, podemos fazer várias 
inferências sobre como cada indivíduo, com diferentes tipos de deficiência, pode 
conduzir o seu desenvolvimento e se situar no ambiente em que vive. Vamos falar, 
por exemplo, sobre o aluno surdo, que não percebe os estímulos sonoros, que não 
aprendeu a língua vernácula, que é a língua utilizada pela maioria das pessoas, no 
8
9
nosso caso a Língua Portuguesa. Esse aluno pode dominar apenas a língua de 
sinais, que não é a língua da maioria ouvinte. Como fica então a questão da inte-
ração social, a questão da linguagem como um meio de apreensão do mundo? Se 
quisermos, podemos nos prender a essa visão que se concentra apenas no que o 
surdo não consegue: 
O aluno não 
consegue falar
O aluno não 
consegue ouvir
Não sabe a língua 
portuguesa
Figura 1
O professor não pode afirmar que o aluno surdo não consegue aprender.
Se o professor focar a sua atenção apenas no que o aluno não faz, ele deixa de 
pensar nas possibilidades alternativas. Assim pensando, deixamos de reconhecer o 
canal principal que o surdo usa para absorver as informações: o canal visual – sim, 
as informações podem chegar até ele por meio de imagens, sejam figuras, dese-
nhos, fotos, esquemas. Veja que esse foi apenas um simples exercício para que nós, 
professores, possamos refletir sobre os nossos métodos de aula.
Leia, a seguir, o depoimento que um aluno surdo, matriculado no ensino supe-
rior, concedeu para uma tese de doutorado:
O professor sempre, como é o jeito dele, ele chega na sala de aula, ele 
pensa que todo mundo vai aprender igual, mas ele tem que entender que 
há pessoas diferentes, precisa ver que há algumas necessidades que são 
individuais. O professor está na área acadêmica, ele vai e pronto. 
[...] 
Já está resolvido. E não é. É preciso pensar na especificidade do surdo, 
ele precisa de uma educação surda. E não tem nada disso, agora a gente 
está tentando remanejar algumas coisas. 
Então o professor fica falando, falando, e passa os slides com aqueles tex-
tos enormes para ler. Se o professor só falar não dá, ou eu foco no intérpre-
te, e aí eu perco o que está lá no slide, ou o que ele está falando, é preciso 
de uma aula mais imagética, com imagens, com fotos, ele precisa entender 
que a experiência de educação de surdo é visual. (YNGAUNIS, 2019)
Podemos identificar, pela fala desse aluno, que a questão não é conseguir ou 
não aprender, mas sim o método de comunicação adotado e os recursos utilizados 
em sala de aula. Ainda na perspectiva cognitiva do desenvolvimento humano 
que citamos acima, relacionando com a interação social, podemos refletir sobre 
as dificuldades que alunos com deficiência intelectual podem ter em sala de aula. 
Alguns podem ter dificuldades de interação social e, nesses casos, o professor 
precisa atentar em como ele se dirige a esse estudante, ou como apresentar esses 
alunos a uma brincadeiraou a uma tarefa. Vejamos, no quadro a seguir, alguns 
9
UNIDADE Didática na Educação Inclusiva: Reflexão e Prática 
dos recursos sugeridos por um artigo que fala sobre deficiência intelectual. Tam-
bém recomendamos a leitura desse artigo, o link para acessá-lo está na legenda 
da figura:
Figura 2
Fonte: Adaptado de Getty Images
Saiba mais com o artigo “Aluno com deficiência intelectual. E agora?”. 
Disponível em: http://bit.ly/2Cq9A8QE
xp
lo
r
Em uma sala de aula de educação inclusiva, práticas de ensino homogêneas 
devem ceder espaço para práticas de ensino que atendam à diversidade, e esse mo-
vimento implica uma mudança da cultura escolar, e não simplesmente adotar prá-
ticas adicionais de ensino. O sistema de ensino tradicional pressupõe que o aluno 
deve se adaptar ao sistema escolar vigente, e a proposta da educação inclusiva é a 
adoção da didática inclusiva que leve em conta as características dos alunos, sejam 
eles com deficiência ou não. A questão são as diferenças.
Já que mencionamos a palavra diversidade, vamos conhecer alguns conceitos 
sobre o que significa diversidade:
Diversidade: significa variedade, pluralidade, diferença. Caráter que distingue um ser do 
outro ser, uma coisa da outra coisa. Qualidade daquilo que é diverso, diferença, desseme-
lhança, variação, variedade. 
Ex
pl
or
Fontes: http://bit.ly/32m5bP7; http://bit.ly/2WRVlmM e http://bit.ly/2pPoxPh
10
11
O Portal da Educação traz um artigo muito interessante sobre diversidade, “cará-
ter que distingue um ser do outro ser, uma coisa da outra coisa”, também provoca 
uma reflexão. Leiamos o trecho transcrito abaixo, e façamos uma reflexão:
Diversidade não diz respeito somente ao reconhecimento do outro, mas significa pensar a 
relação entre o eu e o outro. Considerar o outro é manter o foco de atenção sobre o próprio 
grupo, mergulhado na sua história, no seu povo. Semelhanças e diferenças são continua-
mente lembradas nas relações, e são marcas presentes nas definições dos valores sociais. 
Leia mais sobre Diversidade em: http://bit.ly/2WRVlmM
Ex
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or
Pensemos agora na criança com deficiência física, que tem comprometimento 
em uma função motora ou mais, o qual pode variar de leve, moderado até grave. 
Essa criança pode ter dificuldade na sua locomoção ou algum tipo de mobilidade 
reduzida, nas mãos por exemplo. Tarefas que requeiram movimentação no espaço 
escolar, ou alguma atividade que exija habilidade manual podem não ser produtivas 
para crianças com esse tipo de deficiência. Quais alternativas podem ser viáveis? 
Ao se perguntar quais alternativas são viáveis para ensinar esse aluno, o professor 
está se mobilizando para o que é diferente. Esse envolvimento é muito importante 
para a sua ação docente e também para a sua interação com o aluno. Ao manter 
o foco no aluno, o professor já se predispõe a buscar alternativas diferentes no seu 
jeito de ministrar uma aula. O professor irá enriquecer o seu repertório de métodos 
de aula, sua didática, suas estratégias. Esse movimento dá espaço para a expansão 
da criatividade do professor, e o aluno com deficiência é o seu grande parceiro 
nessa jornada.
Existem adaptações idealizadas por terapeutas ocupacionais que auxiliam as 
crianças no desempenho de algumas tarefas. Veja alguns exemplos a seguir:
• Aparelhos para prender o lápis;
• Engrossamento do lápis, facilitando que o aluno consiga segurá-lo;
• Capacete com ponteira.
Órtese funcional favorecendo escrita: http://bit.ly/2JY8Hsr 
Ex
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or
Em algumas das atividades propostas pelo professor, a criança precisará de auxí-
lio e acompanhamento; em outras oportunidades, o professor pode adotar práticas 
que não excluam o aluno com deficiência. Por exemplo, em alguma atividade física, 
se há um aluno cadeirante, pode-se pensar em atividades em que todos participem 
da sentados. É importante que as brincadeiras e os jogos estejam presentes no pro-
cesso de aprendizagem das crianças com deficiência. A importância do “brincar” é 
11
UNIDADE Didática na Educação Inclusiva: Reflexão e Prática 
defendida por Vygotsky, pois são ferramentas importantes para o desenvolvimento 
da criança, pois, além de trabalhar com o cognitivo, também conta com as moti-
vações internas do aluno. E é na brincadeira que a criança consegue se incluir sem 
julgamento, sem a pressão social pelo desempenho.
Vejamos agora o depoimento de uma aluna com baixa visão, quando ela relata 
como foi a sua escolarização:
Eu tinha uma professora de geografia que passava as coisas na lousa, aí ela 
escrevia falando também. Mas não era por minha causa, já era o jeito dela. 
Eu gostava porque eu não precisava copiar da lousa e se ela fosse ditando 
eu copiava a atividade enquanto ela falava. [Karen] (VILARONGA, 2013)
O que podemos aprender a partir desse depoimento? Que a professora adotou 
como prática falar enquanto escrevia na lousa, permitindo que Karen, aluna com bai-
xa visão, pudesse também anotar o que estava sendo escrito na lousa. A escolha do 
método ou da ação docente em sala de aula deve ser sempre pensada considerando 
as especificidades dos alunos, visando sempre os objetivos propostos para cada aula.
O trabalho docente deve sempre estar permeado por um processo de reflexão-ação-reflexão, 
tarefa cada vez mais exigente, pois o professor precisa preparar sua aula e refletir sobre ela, 
ter claro os objetivos que quer alcançar com as atividades. Realidade às vezes adversa nas 
escolas, pois infelizmente convive-se com educadores que não preparam atividades, apenas 
seguem um livro didático e não refletem sobre o que realmente querem alcançar com aquele 
conteúdo. (FIGUEIRÓ, MOUSSA) Disponível em: http://bit.ly/2K0EzN5
Ex
pl
or
O que é Pensar Didática na Diversidade?
E se dissermos que não temos as respostas? 
E se dissermos que a inclusão na educação é um processo permanente de construção? E
xp
lo
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A partir dos conceitos de diversidade, que transcrevemos no item anterior, 
podemos concluir que será difícil encontrarmos métodos padronizados, didática 
padronizada para ensinar. Não por causa da deficiência, mas as pessoas são dife-
rentes, elas desenvolveram estratégias diferentes para viver, sobreviver, superar di-
ficuldades, aprender. Os contextos sociais, econômicos, tecnológicos, entre outros, 
exercem uma influência importante na vida das pessoas, que em seus próprios 
ambientes, reagem de forma diferente às mesmas situações. Aqui, nesse ponto, 
retomamos uma das perspectivas do desenvolvimento humano citados por Papalia 
(2006), a perspectiva contextual. Essa perspectiva afirma que o desenvolvimento 
humano só pode ser compreendido em seu contexto social, e que o ser humano não 
12
13
pode ser entendido como parte separada do ambiente onde ele vive, com o qual ele 
interage. Esse indivíduo é parte desse ambiente, e o constitui também.
Dentro dessa linha, não podemos deixar de mencionar a teoria bioecológica 
de Brofenbrenner, que identifica cinco níveis de influência ambiental, e é preci-
so entender os tipos de influências desses ambientes sobre o indivíduo. A seguir, 
elaboramos uma tabela que foi adaptado do livro da Papalia (2006), para que 
possamos incluir algumas reflexões pertinentes à nossa temática, que é a didática 
para pessoas com deficiência. Na primeira coluna do quadro, colocamos os con-
ceitos de cada ambiente e como esses ambientes influenciam a vida do indivíduo; 
na segunda coluna, criamos um personagem que se chama Pedro, uma criança 
surda, e contamos algumas situações que se referem a cada ambiente citado na 
teoria bioecológica. Na terceira coluna, apresentamos João, também é surdo, tem 
a mesma idade de Pedro, mas mora no interior e na zona rural, e não consegue se 
comunicar, ninguém no seu rol de relações consegue se comunicar com ele e, na 
maioria das vezes, ele fica isolado. Vamos conhecer a história deles, e depois refletir 
sobre o que faríamos em cada situação?
Tabela 2
Infl uências Ambientais Contexto 1 Contexto 2
Microssistema: ambiente 
do dia a dia, nolar, na escola, 
na vizinhança, inclui os 
relacionamentos faca a face, com 
os pais, irmãos, amigos, professor.
Pedro, é surdo, e mora em uma grande 
cidade, família de classe média, mora em 
um bairro bem localizado. E tem acesso à 
tecnologia assistiva de que ele precisa.
João, é surdo, e mora em uma pequena 
cidade no interior, mora só com a mãe e 
seus cinco irmãos. A mãe é trabalhadora 
do campo, e a renda familiar é inferior ao 
salário mínimo.
Mesossistema: entrelaçamento 
entre vários microssistemas, 
como o relacionamento dos 
pais com a escola, influência do 
ambiente de trabalho dos pais 
sobre o ambiente da casa.
A mãe de Pedro vai a todas as reuniões 
de pais na escola, e é amiga das mães 
de seus colegas de escola. Ela também 
frequenta um curso de Libras, e aprende 
sobre a cultura surda, para poder 
compreender o seu filho.
A mãe de João é trabalhadora rural sem 
carteira assinada, e não consegue ir às 
poucas reuniões de pais que a escola 
rural faz. Ela não sabe que seu filho 
fica isolado na escola, e também não 
consegue se comunicar com ele.
Exossistema:
Relação entre um microssistema 
e sistemas de instituições 
externas, As condições de 
trânsito, os programas de TV, 
igrejas etc.
A cidade onde Pedro mora tem condições 
viárias favoráveis, a família conta com 
metrô, o que facilita levar o Pedro para 
a escola, ele gosta de assistir televisão, e 
uma emissora de TV já colocou janela de 
Libras nos seus desenhos favoritos.
João precisa caminhar 30 minutos para 
chegar até a escola rural, lá ele não tem 
intérprete de Libras, ele só vê as coisas 
acontecendo ao seu redor. A família não 
tem TV, o único passeio da família é para 
a igreja uma vez por semana.
Macrossistema:
Padrões culturais, crenças, 
sistemas econômicos e políticos.
Pedro conta com o apoio do poder 
público que fiscaliza se as escolas 
oferecem intérpretes de Libras. O 
movimento da inclusão, largamente 
disseminado pelos meios de 
comunicação está mudando a forma 
como as pessoas o veem.
Não há serviços públicos próximos ao 
local onde João mora. Ele não consegue 
ser atendido em suas necessidades, ele 
fica isolado, e as pessoas o chamam de 
“mudinho”, e acham que ele não é capaz 
de aprender, e que ele tem retardo mental.
Cronossistema:
Tem a ver com as mudanças 
pessoais e sociais ao longo da 
vida do indivíduo.
Pedro frequentou uma escola especial 
no ensino infantil, depois foi para uma 
escola inclusiva, estudar com outros 
estudantes que não tinha deficiência. Mas 
ele consegue interagir com seus colegas, 
por que tem o intérprete de Libras.
João sempre ficou isolado em casa, e 
brincava sozinho. Sua mãe não tinha 
tempo para ele, e seus irmãos não o 
compreendem. Agora que está no ensino 
fundamental, ele está mais confuso, 
porque não consegue entender nada do 
que acontece na sala de aula.
Fonte: Adaptado de Papalia, 2013
13
UNIDADE Didática na Educação Inclusiva: Reflexão e Prática 
No contexto 1, seríamos professores em uma escola localizada em zona urbana, 
com fácil acesso à internet, poderíamos pesquisar por recursos de acessibilidade 
alternativos, poderíamos conversar com a mãe do Pedro. Contaríamos com o au-
xílio do profissional intérprete de Libras, e o Pedro consegue estabelecer contato 
com você, ele usa a mímica, escreve bilhetes. Mas, mesmo assim, você encontrará 
algumas dificuldades, e terá que observar como o Pedro aprende, e aprender junto 
com ele.
Já a professora que trabalha na zona rural, mora longe da escola, consegue che-
gar após uma hora e meia de ônibus em estrada de terra e, quando chega à escola, 
descobre que o giz, que acabou na semana passada, ainda não chegou, e quando 
vê o João, fica aflita, porque não sabe como lidar com esse aluno. Nunca recebeu 
qualquer orientação sobre como agir. Ela não tem nenhuma noção de Libras, tenta 
fazer mímica com ele, mas ele não entende, e prefere ficar sozinho no canto da sala.
Nessa altura dos acontecimentos, você deve estar se dando conta do peso do 
contexto sobre a vida desses alunos, e do quanto o contexto pode auxiliar ou difi-
cultar o processo de ensino-aprendizagem, que não depende só do professor, mas 
também do aluno, cujo jeito de ser depende de todas as experiências que ele viveu 
até o momento.
Neste momento em que podemos desanimar, assista ao vídeo a seguir e veja 
como podemos pensar na nossa ação docente de forma leve e tranquila. Afinal, 
merecemos um pouco de inspiração, não acha?
Dicas para adaptar atividades para alunos com deficiência intelectual? Assista em:
https://youtu.be/jcXybEOpAxEE
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As Sete Dimensões da Acessibilidade
Romeu Sassaki é um dos pesquisadores pioneiros no estudo da educação inclu-
siva no Brasil. Muitos anos antes da Declaração de Salamanca, assinada em 1994, 
Sassaki começou a se preocupar com a inclusão de pessoas com deficiência na 
educação, ainda na década de 1960, e jamais parou.
Trazemos aqui para você as sete dimensões da acessibilidade enumeradas por 
Sassaki, e que são obrigatórias por lei. Essas dimensões devem ser aplicadas em 
todos os campos da atividade humana. São elas: arquitetônica, comunicacional, 
atitudinal, programática, metodológica, instrumental e natural.
14
15
ARQUITETÔNICA
COMUNICACIONALNATURAL
INSTRUMENTAL ATITUDINAL
PROGRAMÁTICAMETODOLÓGICA
Figura 3 – As sete dimensões da acessibilidade 
Fonte: Adaptado de SASSAKI, 2019
A partir das referências de Sassaki, elaboramos a tabela a seguir, aplicando-as 
ao ambiente escolar:
Tabela 3
Dimensões As Barreiras na Escola
Dimensão Arquitetônica
Acesso sem barreiras físicas
Espaços internos em edificações
Quais são as condições arquitetônicas da escola, seus laboratórios, sua 
biblioteca, salas de estudo, áreas de convivência?
Espaços no entorno de edificações
Como são as calçadas em volta da escola, as condições de acesso à es-
cola, os jardins, o estacionamento?
Elementos de urbanização
Pavimentação, saneamento, iluminação pública, serviços de comunicação.
Dimensão Atitudinal
Acesso sem barreiras resultantes de 
preconceitos, estigmas, estereótipos 
e discriminação.
A escola dificulta a matrícula de uma criança com deficiência? O profes-
sor acredita que o seu aluno com deficiência pode aprender? Ele apre-
senta estímulos adequados para a criança de acordo com a deficiência 
dela? A criança é incluída nas brincadeiras e atividades desenvolvidas 
em sala de aula?
Dimensão Comunicacional
Acesso sem barreiras na 
comunicação interpessoal, escrita ou 
à distância.
A escola disponibiliza um intérprete de língua de sinais? O professor 
disponibiliza material com fonte ampliada para os alunos com baixa 
visão ou em Braille para os alunos cegos?
Dimensão Instrumental
Acesso sem barreiras nos 
instrumentos, ferramentas, 
utensílios e tecnologias.
Os computadores da escola têm software de voz instalado para uso pe-
los alunos cegos? A escola possui instrumento que permitam que uma 
criança com mobilidade reduzida nas mãos consiga segurar um lápis 
ou uma régua?
Dimensão Metodológica
Acesso sem barreiras nos métodos, 
teorias e técnicas.
A escola e seus professores utilizam o conceito de inteligências múlti-
plas? O professor explora novos estilos e conceitos de aprendizagem, 
com o objetivo de encontrar o mais adequado ao seu aluno? A escola 
possui métodos alternativos de avaliação de conhecimento e habilida-
des de seus alunos com deficiência?
15
UNIDADE Didática na Educação Inclusiva: Reflexão e Prática 
Dimensões As Barreiras na Escola
Dimensão Natural
Acesso sem barreiras aos espaços 
criados pela natureza e existentes 
em terra e águas – em propriedades 
públicas ou privadas.
A escola promove aprendizado junto à natureza, e acompanha o aluno 
cego em suas descobertas? A escola inclui os alunos com deficiência 
em visitas aos parques? A escola procura identificar parques que 
sejam acessíveis?
Dimensão Programática
Acesso sem barreiras invisíveis 
embutidas em textos normativos.
A escola revisa seus programas, leis, regulamentos, portarias e normas, 
de formaa identificar pontos que possam impedir a plena participação 
do aluno na vida escolar? Em alguns de seus documentos normativos, 
há alguma orientação que pode obstar a participação do aluno nas 
atividades escolares?
Fonte: Adaptado de Sassaki, 2019
Romeu Sassaki detalhou cada uma dessas dimensões em seu livro (consulte as 
referências bibliográficas), de maneira a nos alertar para aspectos aos quais muitos 
não atentariam. Para ser professor na Educação Inclusiva, é preciso desenvolver 
um olhar para as diferenças, considerando todos os aspectos da vida de um indi-
víduo, seja na família, na escola, no trabalho, na sociedade. Um olhar que possa 
identificar barreiras que estão “invisíveis” sob o “véu da normalidade”. O professor 
de Educação Inclusiva é um eterno aprendiz, pois no dia a dia, ele e seu aluno com 
deficiência irão se deparar com inúmeros desafios, cujas respostas ainda não foram 
escritas. E eles irão escrever suas descobertas no diário das práticas docentes do 
professor, e quem sabe, um dia, compartilhar com a sociedade.
16
17
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Leitura
Processos de Escolarização de Pessoas com Deficiência Visual
http://bit.ly/2PWMJtQ
A Deficiência Intelectual e o Processo de Ensino Aprendizagem
http://bit.ly/2K0EzN5
Qual a Diferença entre Doença Mental e Deficiência Intelectual?
http://bit.ly/2WS64xs
Desenvolvimento e Aprendizagem de Crianças com Deficiência Física
http://bit.ly/2NrfJbx
17
UNIDADE Didática na Educação Inclusiva: Reflexão e Prática 
Referências
PAPALIA, D. E. et al. Desenvolvimento humano [recurso eletrônico]. 12. ed. 
Dados eletrônicos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
SASSAKI, R. As sete dimensões da acessibilidade. São Paulo: Larvatus Prodeo, 2019.
VILARONGA, C. A. R.; CAIADO, K. R. M. Processos de escolarização de pessoas 
com deficiência visual. Rev. bras. educ. espec., Marília, v. 19, n. 1, p. 61-78, mar. 2013. 
Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-
-65382013000100005&lng=pt&nrm=iso>. Acessos em: 25 set. 2019. 
YNGAUNIS, S. A singularidade da pessoa surda se evidencia por meio da 
comunicação. São Paulo, 2018. Tese (doutorado). Programa de Pós-Graduação – 
Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades, da Faculdade de Filosofia, Letras e 
Ciências Humanas da USP da Universidade de São Paulo.
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