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HIPERPLASIA E CÂNCER DE PROSTÁTA PRÓSTATA: órgão retro peritoneal, vai estar em contato com a base da bexiga e a uretra (uretra prostática), muito próximo do reto e ânus. • Peso médio: 20g: variando de 10g a 30 g dependendo do tamanho • Em casos de hiperplasia a próstata aumenta seu peso para até 100 gramas A PRÓSTATA PODE SER DIVIDIDA EM ZONAS: 1. ZONA PERIFÉRICA: essa regia periférica vai abranger a porção distal da uretra 2. REGIÃO CENTRAL: responsável por englobar os ductos ejaculatórios (liga a vesícula seminal) 3. ZONA DE TRANSIÇÃO: essa região envolve a região proximal da uretra 4. ZONA ANTERIOR: Só tem estroma !!! – está em contato com a base da bexiga. Ela apresenta uma predominância de tecido fibromuscular (células musculares lisas + tecido conjuntivo) PRÓSTATA • Glândulas túbulo-alveolares: por toda a próstata temos a distribuição de glândulas túbulos alveolares, exceto a parte anterior a qual é predominante de constituição fibromuscular • Na região central dessas glândulas, próximo a uretra, temos a predominância de glândulas mucosas • Sendo assim, em relação a disposição dessas glândulas túbulo-alveolares: ► Região central, próxima/ ao redor da uretra, tem as glândulas mucosas. ► Região próxima aos ductos ejaculatórios tem as glândulas submucosas. ► Zona periférica tem as glândulas principais, periféricas ou externas. Morfologicamente essas glândulas não apresentam diferenças entre si, fazemos essa divisão apenas para indicar o que está próximo de cada região (o que está mais próximo da uretra, o que está mais próximo dos ductos ejaculatórios e etc.) HISTOLOGICAMENTE • O epitélio glandular das glândulas prostática apresentam uma dupla camada de células: ► Uma camada de células epiteliais superficiais que são colunares altas. ► A segunda camada que é a camada mais interna, elas vão ser formadas por células basais Cada tipo de lesão proliferativa vai ter predileção por determinada área. A zona de transição é onde ocorre as hiperplasias prostáticas; Já os cânceres prostáticos (adenocarcinoma prostático) predominam na zona periférica da próstata, raramente envolvendo a uretra distal. Glandulas tubulo-alveolares, com estroma prostático ao redor (composto por tecido fibromuscular – células musculares lisas entremeadas a um tecido conjuntivo) • Células colunares altas: citoplasma mais claro – células secretoras de conteúdo prostático • A células colunares altas secretam o PCA (antígeno específico da próstata) que será usado como auxilio no diagnóstico • Células basais: núcleo mais achatado (ovalado) disposto de maneira horizontal Essas células basais podem se apresentar de maneira continua ou descontinua. Eu posso estar olhando uma glândula da próstata e ver as células basais e um espaço que não tem células basais, mas isso é normal. LESÕES PROSTÁTICAS • Prostatites agudas ou crônicas • Hiperplasia prostática benigna (HPB) (mais comum) → proliferação celular não neoplásica • Adenocarcinoma → Neoplasia maligna DIAGNÓSTICO DE HIPERPLASIA E CA DE PRÓSTATA Morfológico: Biópsia (12 fragmentos): retira-se 12 fragmentos para tentar retirar e analisar o máximo numero de lesões para serem analisadas. Ou seja, para terem certeza de que não há CA em nenhuma região OS TIPOS DE LESOES PROLIFERATIVAS VARIAM EM CADA REGIÃO... • As HIPERPLASIAS ocorrem apenas na REGIÃO DE TRANSIÇÃO: como essa região de transição encontra-se muito próximo da uretra, quando ocorre a hiperplasia dessa região, consequentemente pode-se ter obstrução da uretra • O CÂNCER DE PRÓSTATA ocorre na REGIÃO PERIFÉRICA - o câncer ao contrario da hiperplasia, pode ocorrer em outras regiões, entretanto, o local que mais ocorrem é na região periférica. HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA • Hiperplasia Nodular da Próstata (peso 60 – 100g) • Crescimento nodular do órgão resultante da proliferação do estroma e das glândulas prostáticas • Esse crescimento sempre terá esse aspecto nodular, (nódulos ao redor da próstata) • Afecção mais comum da próstata, homens acima dos 40 anos • Frequência cresce com idade • Manifestações clinicas: 60 – 70 anos → aparece mais nessa idade porque a hiperplasia nesses pacientes já se encontra bem avançada. NÃO EVOLUÍ PARA ADENOCARCINOMA (É BENIGNA) HIPERPLASIA DA PRÓSTATA – ORIGEM: • Zona de transição ► Estroma: células fibromusculares ► Glândulas mucosas e submucosas PORQUE QUE É IMPORTANTE SABER RECONHECER QUE EXISTEM AS DUAS CAMADAS DE CÉLULAS EPITELIAIS? Pois quando temos as duas camadas de células epiteliais é sugestivo de uma lesão benigna. Ou seja, presença de célula basal, e uma colunar alta. Quando temos a ausência de células basais (principalmente) é sugestivo de lesões malignas, ou seja, CA de próstata. SINTOMAS • Relatados por 10% dos pacientes ► Aumento da frequência urinaria ► Jato urinário fraco ► Gotejamento pós-miccional ► Sensação de esvaziamento incompleto MACROSCOPICAMENTE • Nódulos de diferentes tamanhos e consistências • Aspecto e consistências variados • Áreas de infarto próximo a nódulos hiperplásicos → resultam de isquemia em próstatas volumosas (isso ocorre devido a proliferação do tecido estromal que acaba comprimindo os vasos sanguíneos) Nódulos hiperplásicos mais duros e fasciculados, com aspecto cístico, envolve menos glândulas e mais estroma fibromuscular – tem coloração mais esbranquiçada Já os nódulos menos consistentes (mais maleáveis), com característica esponjosa, significam que tem mais glândulas acometidas e menos estroma fibromuscular – coloração mais rosada/amarelada OS NÓDULOS PODEM SER: • Estromatosos (mais duros) • Estromatoglandulares (mais comum) • Glandulares (mais raro) MICROSCOPICAMENTE • As glândulas hiperplásicas podem apresentar tamanho e formatos variados • Algumas glândulas podem se apresentarem dilatadas (dilatações císticas) e infiltrado mononuclear (reacional, devido ao conteúdo prostátio liberado = não é obrigatório ter) • Algumas glândulas hiperplásicas apresentam umas dobras epiteliais papilares (lembram uma projeção pilífera) • Esperamos encontrar as duas camadas de células epiteliais – tanto as colunares altas quanto as células basais (por se tratar de uma lesão benigna) ETIOPATOGÊNESE: CONTROVERSA • Ação dos andrógenos: T e DHT • Fatores de crescimento: vão ↑ a proliferação de células estromais (células musculares lisas e a deposição de tecido conjuntivo) e ↓ morte das células A grande controversa na literatura, é que uns falam que vai ter aumento da proliferação de células estromais enquanto outros falam que vai ter diminuição da morte de células epiteliais, sendo por isso que ocorre um acúmulo dessas células epiteliais glandulares. ↑ Aumento da proliferação de células estromais ↓ Diminuição da morte das células epiteliais Os pesquisadores relatam que existem uma relação dos hormônios andrógenos, testosterona e DHT; A testosterona chega nas células do estroma da próstata e nas células epiteliais; Em relação as células estromaticas: a testosterona é reconhecido por essas celulas → elas são reduzidas em DHT por ação da enzima 5 alfa- redutase tipo 2 → consequentemente, com essa redução, o DHT vai se ligar ao receptor de andrógeno (tanto na célula estromática quanto na célula epitelial glandular) → a partir disso, o núcleo dispara a produção de fatores de crescimento (tanto pelas células estromáticas quanto para celulas glandulares) → nas duas células eles transcrevem genes relacionados aos fatores de crescimento → esses fatores de crescimento tem uma atuação diferente para cada tipo celular → quanto atuam na célula do estroma = induzem a proliferação celular → nas cel. epiteliais glandulares= impedem que as células morram Acúmulo de células epiteliais glandures e aumento do tecido fibromuscular = hiperplasia prostática beninga. • (?) Despertar das propriedades proliferativas embrionárias (?) → vão se proliferar e diferenciar em células epiteliais glandulares, desencadeada por esses fatores de crescimento. Isso porque nenhuma das teorias propostas até o momento não conseguem explicar todos os padrões de crescimento. A segunda hipótese é que esses fatores de crescimento, ao invés de estarem atuando nas células do estroma ou nas células epiteliais, estariam atuando diretamente em algumas células epiteliais embrionárias presentes no interior da próstata, que passariam a se proliferar “se despertariam” COMPLICAÇÕES BENIGNAS DA PRÓSTATA • Compressão da uretra prostática → retenção urinária → INFECÇÃO • Hipertrofia (trabeculação) e distensão da bexiga → retenção urinaria → INFECÇÃO • Refluxo vesicoureteral → Hidroureter e Hidronefrose bilaterais Hipertrofia e distensão da bexiga Não podemos afirmar qual a teoria é a correta. O que sabemos é que tem que ter produção de testosterona e redução dela e DHT. Agora saber os locais na qual os fatores de crescimento estão atuando, ainda é uma incógnita HIDROURETER: é uma dilatação do ureter devido ao acúmulo de urina nos ureteres. Se esse fluxo de urina continua a subir em direção ao rim teremos a Hidronefrose. HIDRONEFROSE: acumulo de urina nos rins – podemos observar macroscopicamente a dilatação tanto dos cálices quanto da pelve renal. Devido a esse acúmulo que ocorre nos rins, mais especificamente na pelve e nos cálices renais, teremos um aumento da pressão na cortical renal que vai gerar uma hipertrofia Podem evoluir para insuficiência renal e geralmente só aparecem esses sintomas em quadros de HBP bem avançados TRATAMENTO CLÍNICO • Inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida) • Alfa-1-Bloqueadores (diminui a contratilidade da musculatura lisa) • Muito comum ocorrer a associação dos dois medicamentos • Cirúrgico (quando ocorre retenção urinária recorrente): prostatectomia parcial ADENOCARCINOMA DA PRÓSTATA • Câncer de próstata → variante histológica acinar (mais comum) • Homens acima de 50 anos • Necrópsia, frequência aumenta com a idade: 50 anos ( 20%), 70-80% anos (70%) • Negros, brancos, asiáticos ► Raro em asiáticos, exceto os que mudaram para EUA (pois está relacionado com mudanças no estilo de vida/alimentação) • Negros são muito mais acometidos, seguidos pelos brancos e raramente pelos asiáticos • De forma geral, inicialemente são assintomáticos, sendo descobertos ao toque retal ou com a ↑ do PSA (pois se desenvolvem distantes da uretra) • Os sintomas urinários estarão relacionados com uma evolução da lesão, por compressão ou invasão da uretra ETIOPATOGÊNESE (GRANDE PARTE DESCONHECIDA) • Aumento da idade • Raça • Fatores hereditários • Andrógenos: crescimento e sobrevida das células neoplásicas • Alterações genômicas: deleção e/ou silenciamento de genes supressores de tumor TP53, PTEN, RB, GSTP1, CDKN2A e APC CA DE PRÓSTATA - ORIGEM • A grande maioria ocorre na Zona Periférica • Pode ser palpável ao exame retal (por ter localização mais posterior) • Obs: mas ele pode ocorrer em outras zonas MACROSCOPICAMENTE • Formato irregular, firme, granuloso, amarelado • No CA as células apresentam um aspecto amarelado É muito difícil reconhecer uma carcinom de prósata macroscopicamente; a visualização é difícil mas é facilmente percebido pelo toque retal EXTENSÃO LOCAL DO TUMOR: • Tecido periprostático • Vesículas seminais • Base da bexiga Obstrução uretral METÁSTASES • Via linfática → linfonodos regionais → principalmente os linfonodos paraórticos • Via hematogênica → ossos (vértebras lombares) LESÕES ÓSSEAS EM HOMENS IDOSOS – CURSO CLÍNICO É FATAL. HISTOLOGICAMENTE • PADRÃO GLANDULAR: pequenas, amontoadas, sem ramificações ou dobras • As glândulas centrais são as glândulas neoplásicas; • As glândulas da extremidade são as glândulas normais • Temos a ausência de dobras, ou seja, ausência de aspecto papilífero dessas glândulas neoplásicas Comparando as duas glândulas: As glândulas neoplásicas geralmente vão ser menores do que as normais. Além disso, as gl. neoplásicas tendem a ficar mais juntas (amontoadas) do que as normais • Núcleo: grandes, hipercromáticos, nucléolos evidentes • Citoplasma: escuro a claro (mas geralmente é basofílico) • Mitoses raras. • Invasão perineural → estágio avançado, dor Invasão perineural importante: explicaria a dor constante do paciente. LESÃO PRECURSORA DO CÂNCER INVASIVO DE PROSTATA NEOPLASIA INTRAEPITELIAL PROSTÁTICA (NIP) • Arranjo glandular • Células basais presentes • Células atípicas, dispostas irregularmente, núcleos volumosos, hipercromáticos e nucléolos evidentes NÃO SE USA O TERMO CARCINOMA IN SITU !!! Até o momento acredita-se ser uma lesão precursora, não podendo ter correlação com o adenocarcinoma (Aina não é câncer) AUSÊNCIA DE CÉLULAS BASAIS! MUITO IMPORTANTE ESSA CARACTERÍSTICA PARA DETERMINAR UM ADENOCARCINOMA DE PRÓSTATA GRADAÇÃO E ESTADIAMENTO INDICATIVOS DO PROGNÓSTICO • Gradação: Sistema de Gleason – 5 graus (padrões glandulares de diferenciação – bem diferenciados a indiferenciados) • Estadiamento: Extensão do tumor primário (T) GRADAÇÃO • A maioria dos tumores contém mais de um padrão. • Atribui-se um grau ao padrão dominante e um outro grau ao segundo padrão • Os dois graus numéricos são somados = Pontuação de Gleason EXEMPLOS: - Tumor com grau dominante 3 e grau secundário 4 = 7 (Pontuação de Gleason) - Tumor com apenas um grau (dobra-se o número = 1+1) = 2 • Tumores bem diferenciados: Pontuação Gleason 2 - 6 (tem alta chance de ser tratado e ter sucesso na terapia pós-cirúrgica) • Tumores indiferenciados = Pontuação Gleason 8 – 10 (estágio mais agressivo, reduz a probabilidade de cura) • Moderadamente diferenciado: Pontuaçao 7 - fica no meio do caminho, sendo considerado tumor moderadamente diferenciado ESTADIAMENTO • ESTAGIO I: são aqueles tumores que geralmente aparecem ao acaso – sem sintomas • ESTAGIO II: Temos o crescimento franco de um carcinoma só que ele está retido na próstata • ESTAGIO III: Temos já uma invasão de capsula prostática ou invasão dos ductos ejaculatórios • ESTAGIO IV - Temos a invasão de vesícula seminal, base de bexiga, ductos ejaculatórios, pode ter invasão de reto e etc (estagio mais agressivo) TRATAMENTO (DEPENDE DA GRADAÇÃO E ESTADIAMENTO) • Prostectomia radical • Radioterapia • Manipulações hormonais (privação androgênica) → administração de hormônios para evitar que a neoplasia surja. CURSO CLÍNICO • Lesões focais, descobertas ao acaso (T1) → acompanhamento, lesão não progreide por 10 anos • Lesões confinadas ao órgão (T2) → Assintomáticos • Lesões avançadas (T3 e T4) → Sintomas urinários: dificuldade para urinar, disúria, hematúria E grande parte dos indivíduos submetidos a esses tratamentos, mais de 90% acabam tendo sobrevida de até 15 anos após esses tratamentos.