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Dibe Doenças da Tireoide Hipotireoidismo Localizada na região anterior do pescoço, abaixo da proeminência da cartilagem cricoide (“pomo de adão”) - Dois lobos unidos pelo istmo - Volume normal: 7 a 15 cm3 - Unidade funcional→folículo tireoidiano, responsável pela produção dos hormônios tireoidianos Composição celular: Células foliculares (síntese dos hormônios), células endoteliais (formam os capilares sanguíneos), células parafoliculares ou C (síntese de calcitonina), fibroblastos/linfócitos/adipócitos Funções: manutenção da homeostasia e regulação do consumo de energia. - Estimula o metabolismo e a atividade celular - Desenvolvimento, diferenciação e maturação Dopamina, Somatostatina, Glicocorticóides TRH produzido pelo hipotálamo e liberado na eminência mediana, transportado pelo plexo capilar porta até a hipófise anterior onde leva a liberação de TSH. - TSH se liga a receptores nas células foliculares da tireoide, levando a liberação de T4 e T3. Folículo tireoideno (unidade funcional): camada de células epiteliais da tireoide dispostas ao redor de uma grande cavidade central repleta de colóide, que contém tireoglobulina. A produção dos hormônios exige a iodação dos resíduos de tirosina da tireoglobulina armazenada no colóide Hipotireoidismo DEFINIÇÃO: Consequente a deficiência da ação ou produção dos hormônios tireoidianos. Classificação: - Primário: por doença da tireoide - Secundário: doença hipofisária (↓TSH) - Terciário: doença hipotalâmica (↓ TRH) Secundário e terciário juntos formam> HIPOTIREOIDISMO CENTRAL HIPOTIREOIDISMO PRIMÁRIO: - 95% dos hipotireoidismos +comum! - Alta prevalência (até 5,3% da população hipotireoidismo franco) - Hipotireoidismo subclínico em até 10% (19% em mulheres acima de 75anos) - Mulheres, idade > 60anos, doenças autoimunes, história familiar, Síndrome de Down e Turner, deficiência de iodo (no Brasil existe suplementação populacional Etiologia TIREOIDITE DE HASHIMOTO – É a causa mais comum. - autoimune, com altos níveis de Anticorpo antitireoperoxidase (Anti-TPO). -Tratamento do hipertireoidismo (Iodo radioativo x Cirurgia x Tapazol em doses excessivas). -Medicamentos: Antitireoidianos, Amiodarona, contrastes radiológicos-pois a maioria é iodada, Lítio. -Tireoidite Subaguda (granulomatosa, linfocítica): geralmente transitório. -Tireoidite pós-parto: 20-30% terão hipotireoidismo em 5 anos (Anti-TPO alto). -Tireoidite de Riedel: pela fibrose da tireoide. -Doença de Graves (TRAb pode ser bloqueador ou estimulador do receptor do TSH). -Doenças infiltrativas: hemocromatose, sarcoidose, esclerose sistêmica progressiva, amiloidose... -Radioterapia cervical. CÂNCER DE TIREOIDE NÃO CAUSA HIPOTIREOIDISMO Na infância o Hashimoto é a causa mais comum. Hipotireoidismo congênito (diagnosticado no teste do pezinho): pode ser transitório ou permanente. Transitório: passagem transplacentária de anticorpos maternos contra o receptor de TSH, uso de medicações antitireoidianas ou ingestão excessiva/deficiente de iodo pela mãe. Permanente: 85% por defeitos na formação da tireoide durante a embriogênese (disgenesias tireoidianas). FUNDAMENTAL O DIAGNÓSTICO DE HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO NO PERÍODO NEONATAL!!! Causa evitável de retardo mental (cretinismo). Sinais e Sintomas em diversos órgãos e sistemas. ▪Alentecimento geral do metabolismo. ▪Sintomas pouco específicos. ▪Muitas vezes assintomáticos ou oligossintomáticos. Mais comuns: astenia, sonolência, intolerância ao frio, pele seca e descamativa, voz arrastada, hiporreflexia profunda, edema facial, anemia e bradicardia. - 50% dos pacientes apresentam ganho ponderal, em geral modesto e por retenção hídrica. Dibe - A obesidade não faz parte do quadro do hipotireoidismo. Outras alterações: Metabólicas: aumentos do LDL e dos triglicerídeos com redução discreta do HDL. Endócrinas- hiperprolactinemia, redução do IGF1 e IGFBP3 Neurológicas: coma mixedematoso e a mais grave. Outras: cefaléia, tontura, déficit cognitivo, parestesias... Oftalmológicas: glaucoma. Pele e fâneros: pele e cabelos secos, unhas quebradiças, rarefação do terço distal das sobrancelhas (madarose), edema de face e membros inferiores. Cardiovasculares: bradicardia, redução do débito cardíaco, hipofonese de bulhas, baixa voltagem no ECG, cardiomegalia e derrame pericárdico. Hipotir primário T3 e T4 caem, TSH aumenta!! Inicialmente normaliza T3 e T4 e pode gerar hipotireoidismo subclínico Exame da Tireoide Hipotireoidismo com bócio, quase sempre a causa é Hashimoto Hipotireoidismo central NUNCA tem bócio. Madarose= rarefação dos pelos em sobrancelhas Edema palpebral- hipotireoidismo severo. Diagnóstico ipotireoidismo primário: TSH elevado com T4 livre e T3 reduzidos. - Hipotireoidismo subclínico: TSH elevado com T4 livre e T3 normais. Hipotireoidismo central: T4 livre baixo com TSH baixo (8%), normal (84%) ou elevado (8%). Tireoide está funcionando normalmente aqui. Tratamento Levotiroxina ou L-tiroxina (LT4) → dose única diária, 30 minutos antes do café. Não administrar medicamentos junto. Retirar da cartela apenas para a tomada. Meia-vida de 7 dias. ➢16 a 65 anos: dose diária 1,6-1,8 μg/kg de peso ideal (±75-100μg/dia para mulheres e 100- Dibe 150μg/dia para homens) ➢65 anos de idade, coronariopatas ou com hipotireoidismo grave de longa duração → iniciar com 12,5-25μg/dia, com aumentos da dose 2,5 a 25 μg/dia, a cada 15 a 30 dias até a dose adequada. ➢As necessidades para crianças e adolescentes são maiores do que as de adultos. Repetir TSH a cada 6 semanas até se atingir a dose de manutenção, depois, a cada 6 a 12 meses Hipotireoidismo subclínico: - considerar tratamento apenas quando TSH >10 (>7 se risco cardiovascular aumentado), ou entre 4,5-9,9 se Anti-TPO positivo ou alterações ecográficas sugestivas de Hashimoto. Tratamento Levotiroxina ou L-tiroxina (LT4) → dose única diária, 30 minutos antes do café. Não administrar medicamentos junto. Retirar da cartela apenas para a tomada. Meia-vida de 7 dias. ➢16 a 65 anos: dose diária 1,6-1,8 μg/kg de peso ideal (±75-100μg/dia para mulheres e 100- 150μg/dia para homens) ➢65 anos de idade, coronariopatas ou com hipotireoidismo grave de longa duração → iniciar com 12,5-25μg/dia, com aumentos da dose 2,5 a 25 μg/dia, a cada 15 a 30 dias até a dose adequada. ➢As necessidades para crianças e adolescentes são maiores do que as de adultos. Repetir TSH a cada 6 semanas até se atingir a dose de manutenção, depois, a cada 6 a 12 meses Hipotireoidismo subclínico: - considerar tratamento apenas quando TSH >10 (>7 se risco cardiovascular aumentado), ou entre 4,5-9,9 se Anti-TPO positivo ou alterações ecográficas sugestivas de Hashimoto. Tratamento-alvo TSH é mais confiável que T4 e T3!!! Situações que interferem com a dose de levotiroxina Hipotireoidismo Refratário Questionar adesão ao tto- principal causa Coma Mixedematoso Hipotireoidismo grave com rebaixamento do nível de consciência e hipotermia. ▪Hipotireoidismo prévio conhecido ou não, inadequadamente tratado, precipitado por eventos agudos. ▪Mais comum em mulheres idosas, no inverno, precipitado por: sepse, AVC, IAM, IC, IRp, medicamentos. ▪ALTA MORTALIDADE: até 60%, mesmo com tratamento adequado. QC: TRÍADE: alteração do estado mental (não necessariamente coma), hipotermia e fator precipitante. - Outras manifestações: bradicardia, hipotensão, hipoventilação, hiponatremia e hipoglicemia, além das manifestações do hipotireoidismo. Diagnóstico Solicitar função tireoidiana e cortisol na suspeita. INICIAR TERAPIA IMEDIATAMENTE, NÃO AGUARDAR EXAMES! -TSH elevado com T4 livre baixo e T3 normal ou baixo. Tratamento suporte hemodinâmicoe ventilatório em UTI. Tratamento do fator precipitante (antibióticos na sepse, revascularização no IAM...), aquecimento passivo (com cobertores), correção da hipoglicemia e hiponatremia. -LT4 VO ou por SNE: 300 a 500μg/dia ou 2× a dose de manutenção (fase crítica: 4 a 7 dias), após dose de manutenção. - Hidrocortisona: 50 a 100 g IV a cada 6 a 8h.