Prévia do material em texto
LABORATÓRIO MORFOFUNCIONAL | SOI III CIRCULAÇÃO RESTRITA Laboratório de Anatomopatologia Professor(a): Patricia F. Herkert, PhD 7ª Semana 1ª ESTAÇÃO: Tuberculose primária Objetivo: Conhecer os mecanismos da resposta imune contra Mycobacterium tuberculosis. A tuberculose primária ocorre em indivíduos que não tiveram contato prévio com o M. tuberculosis. Na maioria dos indivíduos é assintomática e tem evolução benigna. O primeiro contato do bacilo determina diversas reações: exsudativa, produtiva, produtivo-caseosa e cicatrizante. Reação exsudativa: Os bacilos inalados chegam aos alvéolos e nas três primeiras semanas de infecção, a resposta inflamatória pulmonar é inespecífica e feita por neutrófilos e macrófagos. Apesar de fagocitarem os bacilos, os macrófagos não os destroem, pois o M. tuberculosis impede a formação do fagolisossomo. Com isso, os bacilos permanecem vivos e se proliferam no interior dos macrófagos. Em alguns indivíduos, há liberação de substâncias oxidantes e elastases, sobretudo pelos neutrófilos, que originam um foco de alveolite aguda exsudativa caracterizada por necrose de alvéolos, exsudação de fibrina, neutrófilos degenerados e grande número de bacilos viáveis. Reação produtiva: A resposta exsudativa não é suficiente para conter o avanço do bacilo, por isso, uma segunda linha de defesa é acionada. Macrófagos contendo bacilos liberam IL-12, que estimula linfócitos T (Th1) a liberar citocinas, sobretudo IFN-γ, que é o principal ativador de macrófagos, tornando-os capazes de matar os bacilos fagocitados. Ao mesmo tempo, os macrófagos ativados liberam TNF-α e quimiocinas que comandam a reação de hipersensibilidade mediada por células T e a formação de granulomas. Por ação do IFN-γ, macrófagos ativados transformam-se em células epitelioides que se organizam em camadas ao redor do agente infeccioso. Com a organização dessas células, a inflamação adquire o padrão granulomatoso. Na tuberculose, os granulomas contêm uma ou mais células gigantes no centro, ao redor das quais existem células epitelioides; na periferia, encontram-se linfócitos, macrófagos e poucos plasmócitos. No centro do granuloma há necrose caseosa de extensão variada. - Reação produtivo-caseosa: Macrófagos, células epitelioides e linfócitos T causam a morte dos bacilos existentes no granuloma. Dependendo do número de bacilos presentes e do grau de hipersensibilidade do hospedeiro, surge necrose caseosa no centro do granuloma. Quanto maior a carga de bacilos e maior o grau de hipersensibilidade (inflamação induzida por citocinas produzidas por células T) do hospedeiro, maior é a extensão da necrose nos granulomas. Reação de cicatrização: Com a morte dos bacilos e o controle da multiplicação bacteriana, o granuloma segue o curso natural de reparação de toda reação inflamatória, que é a cicatrização induzida pelo fator de crescimento de fibroblastos secretado por macrófagos, com deposição de colágeno e fibras elásticas. Com isso, a lesão entra em processo de cicatrização e calcificação. Comando 1: Utilizando a imagem 1 como apoio, expliquem como se desenvolve a resposta imune contra M. tuberculosis. Comando 2: Escrevam na mesa todos os componentes do granuloma. Comando 3: Vejam a lâmina de tuberculose e encontrem os granulomas e seus componentes. Comando 4: Identifiquem nas imagens os tipos de reações desencadeadas pela infecção pelo bacilo (exsudativa, produtiva e cicatrização). LABORATÓRIO MORFOFUNCIONAL | SOI III CIRCULAÇÃO RESTRITA Imagem 1: Sequência de eventos da tuberculose pulmonar primária. Fonte: KUMAR, 2016. LABORATÓRIO MORFOFUNCIONAL | SOI III CIRCULAÇÃO RESTRITA Imagem 2: Reação exsudativa. Fonte: http://anatpat.unicamp.br/laminfl13.html. LABORATÓRIO MORFOFUNCIONAL | SOI III CIRCULAÇÃO RESTRITA CÉLULA GIGANTE GRANULOMA COM CÉLULAS GIGANTES Imagem 3: Reação produtiva. Fonte: http://anatpat.unicamp.br/laminfl13.html. LABORATÓRIO MORFOFUNCIONAL | SOI III CIRCULAÇÃO RESTRITA Imagem 4: Reação de cicatrização. Fonte: http://anatpat.unicamp.br/laminfl12.html e http://anatpat.unicamp.br/laminfl16.html. LABORATÓRIO MORFOFUNCIONAL | SOI III CIRCULAÇÃO RESTRITA Laboratório de Anatomopatologia Professor(a): Patricia F. Herkert, PhD 7ª Semana 2ª ESTAÇÃO: Tuberculose secundária Objetivo: Conhecer as alterações anatomopatológicas observadas na tuberculose secundária. A tuberculose secundária é o padrão da doença que surge em um hospedeiro previamente sensibilizado. Ela pode seguir logo após a tuberculose primária, porém mais comumente aparece muitos anos após a infecção inicial, devido a reativação de uma infecção latente ou de uma reinfecção exógena. As lesões localizam-se, geralmente, nos segmentos apicais e posteriores dos lobos superiores, onde a tensão de oxigênio média é mais alta quando comparadas com as regiões inferiores, o que favorece o crescimento das micobactérias. As lesões da tuberculose secundária apresentam-se em quatro formas macroscópicas: apical, cavernosa, ácino-nodosa e miliar. Tuberculose apical: A reativação dos bacilos dá origem a granulomas produtivos, granulomas produtivo-caseosos e nódulos fibrocalcificados, em razão de surtos repetidos de ativação, formação de granulomas e neoformação conjuntiva. Por essa razão, nesses casos são frequentes extensas lesões fibrocaseosas nos ápices pulmonares. Tuberculose ácino-nodosa: A partir da lesão apical ou de reativação da lesão primária, pode haver proliferação dos bacilos e sua disseminação broncogênica. O transporte dos bacilos através dos brônquios por ação dos movimentos respiratórios leva ao aparecimento de lesões axiais peribrônquicas que acompanham a histoarquitetura pulmonar. Nesses casos, a inflamação granulomatosa compromete ácinos pulmonares inteiros, podendo ser reconhecida macroscopicamente como condensação parenquimatosa com a forma acinar. Quando ácinos adjacentes são acometidos, formam-se as lesões em trevo. Se os bacilos atingem a pleura, forma-se pleurite tuberculosa, com derrame pleural. Tuberculose cavernosa: Quando ocorre necrose extensa nos locais atingidos, o material necrótico se liquefaz e é drenado por um brônquio, dando origem a grandes cavitações conhecidas como cavernas tuberculosas. Quando há destruição também de vasos sanguíneos, surge hemoptise. O número, o tamanho e a forma das cavernas variam bastante. Com a fibrose que se forma na sua parede e no parênquima adjacente, às vezes podem surgir outras lesões pulmonares (obstrução brônquica, bronquiectasia, enfisema cicatricial etc.). Tuberculose miliar: Com a expansão das lesões destrutivas, pode ocorrer a disseminação hematogênica dos bacilos, através da penetração nos vasos sanguíneos, através dos quais são levados a outros pontos no próprio pulmão e a vários outros órgãos, sobretudo fígado, baço, rins, meninges e medula óssea. Forma-se assim grande número de pequenos nódulos inflamatórios nos locais atingidos (nódulos miliares), constituindo a tuberculose miliar, que pode ser observada tanto na tuberculose primária progressiva, quanto na tuberculose secundária progressiva. Comando 1: Vejam o aspecto macroscópico da necrose caseosa. Comando 2: Identifiquem qual das imagens representa as formas macroscópicas ácino-nodosa, cavernosa e miliar. LABORATÓRIO MORFOFUNCIONAL | SOI III CIRCULAÇÃO RESTRITA Tuberculose: Aspecto macroscópico da necrose caseosa. Tuberculose miliar. Fonte: https://www.pathorama.ch/pathopic/8849/show LABORATÓRIO MORFOFUNCIONAL | SOI III CIRCULAÇÃO RESTRITA Tuberculose ácino-nodosa. Fonte: http://anatpat.unicamp.br/pecasinfl22.html Tuberculose cavernosa. Fonte: https://www.pathorama.ch/pathopic/952/show