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Acidente Vascular Encefálico Isquêmico Definição Fatores de Risco Suspeita Clínica Rápida do AVE Episódio de disfunção neurológica decorrente de isquemia focal cerebral ou retiniana, com sintomas típicos que duram mais de 24 horas e com lesão em exames de imagem Face Arms Speak Time Alguma alteração na face Diferença entre a altura dos braços elevados Alteração na fala Horário do início dos sintomas Fisiopatologia Redução do fluxo sanguíneo para determinada área encefálica, gerando isquemia com necrose e perda de tecido cerebral Hipertensão Arterial Classificação Cardioembólico Ateroembólico Fonte emboligênica é o coração AVE isquêmico típico dos pacientes hipertensos Fonte emboligênica geralmente é uma placa aterosclerótica instável (com trombo) na carótida comum ou bifurcação carotídea ou na artéria vertebral Embólico Trombótico AVE lacunar Infarto de tamanho < 2cm, causado pela oclusão de pequenas artérias perfurantes cerebrais, que nutrem o tálamo, a cápsula interna e os gânglios da base, ou dos ramos arteriais que irrigam o tronco cerebral 45% dos casos Criptogênico 30% dos casos Artéria de médio calibre 5% dos casos 20% dos casos Quadro clínico idêntico aos AVE embólicos (deficit focal de instalação súbita), possui ecocardiograma transtorácico sem cardiopatias emboligênicas e Doppler de carótidas/vertebrais normal, não podendo ser classificado como cardioembólico ou ateroembólico Fibrilação atrial IAM de parede anterior Cardiomiopatia dilatada Trombo em VE e/ou AE Trombo em AE Trombo em VE Principalmente a hipertensão sistólica História familiar de doença cerebrovascular Diabetes mellitus Tabagismo Hipercolesterolemia Idade > 60 anos Fibrilação atrial crônica IAM de parede anterior Cardiomiopatia dilatada Principal fator Fatores comuns Fatores menos comuns Síndrome do anticorpo antifosfolipídio Anticoncepcionais + tabagismo ± fator V de Leiden Overdose de cocaína Meningite bacteriana ou tuberculosa Neurossífilis Endocardite infecciosa Lúpus Eritematoso Sistêmico Vasculites necrosantes Vasculite primária do SNC Fibrodisplasia Síndromes hematológicas Fator raro Doença de Moyamoya Obesidade Classificação Etiológica de TOAST TOAST 1 TOAST 2 TOAST 3 TOAST 4 TOAST 5 Doença de grandes vasos Cardioembolia Doença de pequenos vasos Causas incomuns Quando não é possível identi!car a etiologia ou há mais de uma etiologia determinada Quadro Clínico Artéria Cerebral Anterior (ACA) Artéria Cerebral Média (ACM) Artéria Carótida Interna (ACI) Artéria Cerebral Posterior Artérias Perfurantes Artéria basilar Artérias Cerebelares Superior e Inferior Hemiparesia e/ou hemi-hipoestesia contralateral com predomínio de MMII e tronco Hemiparesia contralateral com predomínio de MMSS e face Hemi-hipoestesia contralateral Afasia Heminegligência contralateral Desvio do olhar conjugado ipsilateral Combinação de ACA e ACM Hemianopsia visual contralateral Dé!cits focais motores e/ou sensitivos contralaterais Lesão de nervos cranianos Hemiparesia e/ou hemi-hipoestesia contralateral Vertigem Ataxia Disartria Alterações visuais Coma Ataxia de membro ipsilateral Ataxia de marcha Vertigem Exame de Imagem Escala de AVE do NIHSS Nível de consciência Orientação Comandos Motricidade ocular Campos visuais Paresia facial Motor MMSS Motor MMII Ataxia Sensibilidade dolorosa Linguagem Disartria Negligência 0 – alerta 1 – desperta com estímulo verbal 2 – desperta com estímulo doloroso 3 – apenas resposta re"exa/coma Idade e mês 0 – 2 corretos 1 – 1 correto 2 – nenhum correto Abrir/fechar os olhos 0 – 2 corretos 1 – 1 correto 2 – nenhum correto 0 – normal 1 – paresia do olhar conjugado 2 – desvio do olhar conjugado 0 – normal 1 – hemianopsia parcial, quadrantanopsia 2 – hemianopsia completa 3 – cegueira cortical 0 – normal 1 – paresia central mínima 2 – paresia central evidente 3 – paresia do padrão periférico 0 – sem queda por 10” 1 – queda, mas não atinge o leito em 10” 2 – queda e atinge o leito 3 – movimenta, mas não vence gravidade 4 – sem movimento 0 – sem queda por 5” 1 – queda, mas não atinge o leito em 5” 2 – queda e atinge o leito 3 – movimenta, mas não vence gravidade 4 – sem movimento 0 – sem ataxia 1 – ataxia em 1 membro 2 – ataxia em 2 membros 0 – normal 1 – dé!cit unilateral, mas reconhece estímulo (ou afásico, confuso) 2 – não reconhece estímulo 0 – normal 1 – afasia leve/moderada 2 – afasia grave 3 – afasia global (mudo, coma) 0 – normal 1 – leve a moderada 2 – grave, ininteligível ou mudo x – intubado 0 – normal 1 – negligência de uma modalidade sensorial 2 – negligência grave ou em mais de uma modalidade sensorial TC de crânio sem contraste RM de crânio Essencial para descartar AVE hemorrágico Primeiras 12 a 24h geralmente não mostra o AVE isquêmico 24-72h haverá área hipodensa (cinza) + edema Após 10 dias, a área fica mais hipodensa (preta) e com retração (sem edema e com atrofia), repuxando algum ventrículo Exame de maior acurácia Sequência T2 ou o FLAIR A técnica de RM com estudo de difusão (DWI) e perfusão (PWI) é capaz de detectar a isquemia após alguns minutos do início do quadro neurológico Doppler transcraniano Descobrir qual a artéria intracraniana obstruída Diagnóstico etiológico ECG ECO Duplex-scan de carótidas Conduta da Fase Aguda 3 primeiros dias do evento Objetivo Impedir a transformação da penumbra isquêmica em infarto cerebral Medidas de suporte Tratamento específico Cabeceira entre 0 e 15º nas primeiras 24 horas Cabeceira a 30º Paciente com grande área isquêmica Dieta dentro das primeiras 48h Dieta enteral se disfagia Administrar ringer lactato 1.000 a 1.500/mL/dia Monitorar natremia (diária), glicemia (6/6 horas) e temperatura axilar (4/4 horas) Solicitar exames laboratoriais ECG Hemograma Completo Glicemia Plasmática Eletrólitos Ureia Creatinina Coagulograma Gasometria arterial Marcadores de necrose miocárdica Se PA > ou = 220 x 120 mmHg Administrar nitroprussiato de sódio 0,5mcg/kg/min Administrar aspirina 160-300mg Administrar atorvastatina Administrar trombolítico Complicações Letalidade de 10-20% Contraturas musculares Broncoaspiração Pneumonia ITU Desnutrição Úlcera de decúbito TVP e embolia pulmonar Conduta Fase Crônica AVE cardioembólico Anticoagulação plena permanente com cumarínico oral Prevenção de novos eventos AVE ateroembólico AAS 100-300 mg/dia permanente Os pacientes alérgicos ao AAS devem usar clopidogrel Hipertensão arterial deve ser controlada com anti-hipertensivos orais Endarterectomia carotídea Diminui em 17% o risco absoluto de AVE nos 2 anos seguintes Alteplase na dose de 0,9 mg/kg (máximo 90 mg), infundido 10% em bólus e o restante em bomba de infusão por 1 hora Se houver critérios de inclusão presentes NIHSS > ou = 6 Até 4,5 horas do ictus Sinais: PA < 185x110 mmHg, glicemia normal, SatO 2 94% ASPECT > 6 escala tomográfica (0 10) Artéria cerebral média hiperdensa Apagamento de sulcos e fissuras Perda da diferenciação da substância branca e cinzenta Estenose arterial intracraniana: dupla Estenose arterial extracraniana (art. vertebrais): Estenose arterial extracraniana (art. carótidas) Dupla antiagregação por 3 meses AAS < 70% tratamento clínico (AAS + estatina)/ > 70% > 70% - angioplastia/endarterectomia AAS + estatina Acidente Vascular Encefálico Hemorrágico IntraparenquimatosaSubaracnoide Epidemiologia 10% dos casos Definição A hemorragia intraparenquimatosa espontânea, ou AVCH, decorre da ruptura de um vaso com extravasamento de sangue para o parênquima cerebral Etiologia Primária Secundária Hipertensão arterial sistêmica Angiopatia amiloide 40 a 70% dos casos 5 a 10% dos casos Malformações vasculares 4 a 10% dos casos Neoplasias intracranianas Coagulopatias, anticoagulantes Transformação isquêmico-hemorrágica Trombose venosa cerebral Vasculites Uso de drogas ou medicações2 a 10% dos casos 9 a 14% dos casos Acomete núcleos da base (putâmen), tálamo, ponte, cerebelo e substância branca subcortical Principal causa de hemorragia cerebral que ocorre em pacientes normotensos e idosos > 70 anos Manifesta-se por meio de lesões lobares, principalmente frontal, parietal e occipital Evolui para demência Quadro Clínico Sinais de hipertensão intracraniana Cefaleia Vômitos Sonolência Crises convulsivas Diagnóstico TC de crânio sem contraste RM de crânio Investigação etiológica Fatores de Risco HAS > 50 anos Doença renal crônica Angiopatia amiloide Malformação arteriovenosa Alcoolismo Vasculites Endocardite Uso de cocaína Uso de anticoagulantes Locais acometidos Putâmen: 30-50% dos casos Tálamo: 15-20% dos casos Cerebelo: 10-30% dos casos Ponte: 10-15% dos casos Hemorragia do putâmen Quadro súbito de hemiplegia faciobraquial contralateral Hemorragia talâmica Hemorragia do cerebelo Hemorragia de ponte Hemiplegia faciobraquial contralateral Hemianestesia para todas as sensibilidades Alterações oculares e pupilares Desvio dos olhos para baixo e dentro ou para o lado da hemiplegia Pupilas mióticas Anisocoria Afasia talâmica Vertigem Náuseas Vômitos Ataxia cerebelar aguda Apneia súbita Quadriplegia súbita Coma Pupilas puntiformes e fotorreagentes Descerebração Hiperpneia Hiperidrose Reflexos oculocefálico e oculovestibular são perdidos Área hiperdensa (hematoma) Edema (zona hipodensa) Desvio de linha média Essencial para confirmar diagnóstico Angiotomografia ou angiorressonância Indicadas quando houver suspeita de etiologia secundária Conduta Terapêutica Cuidados gerais Contre da PA Correção de discrasias sanguíneas Tratamento de hipertensão intracraniana Proteção de vias aéreas Garantia de ventilação Estabilização hemodinâmica PAS em torno de 140 mmHg Elevação de cabeceira Sedação endovenosa contínua (propofol), Manitol (0,25 a 1 g/kg em infusão rápida a cada 4 horas) Hiperventilação (PaCO2 entre 30 e 35 mmHg) Reverter anticoagulação se a causa for por uso de anticoagulantes Heparina não fracionada Dabigatrana (inibidor de trombina/fator IIa) Realizar lavagem gástrica + Rivaroxabana + Apixabana Alteplase Antiagregantes plaquetários Plaquetopenia Transfusão de plaquetas se < 100.000 Neurocirurgia Indicação Hematoma cerebelar > 3 cm ou entre 1-3 cm com repercussão neurológica (ex.: hidrocefalia obstrutiva, coma, compressão do tronco cerebral com arritmia respiratória) Hematoma lobar ou putaminal volumoso, com extensão para a periferia e repercussões clínicas Definição A Hemorragia Subaracnoide (HSA) espontânea ocorre pela ruptura de um aneurisma das artérias intracranianas Classificação Traumática Espontânea 10% de todos os casos de AVE Etiologia Ruptura de aneurisma intracraniano 80% dos casos Rotura de uma Malformação Arteriovenosa (MAV) Fatores de Risco Idade entre 50 e 55 anos Mulheres > Homens Negros Tabagismo HAS Etilismo Histórico familiar Gestação e parto Quadro Clínico Cefaleia súbita e de forte intensidade, que atinge o pico máximo em pouco tempo Cefaleia em trovoada Pior cefaleia da vida 80% dos casos Síncope Náuseas Vômitos Rigidez de nuca Crise convulsiva Diagnóstico Tc de crânio sem contraste Acomete indivíduos entre 35 e 55 anos Acomete indivíduos entre 15 e 30 anos Hemorragias sub-hialoides Complicações Ressangramento Vasospasmo Hidrocefalia Hiponatremia 20-30% dos casos 15% dos casos 20% dos pacientes nos primeiros sete dias Após a fase aguda: 3% Comum nas primeiras duas semanas Prognóstico por Imagem Fisher I: sem sangue nas cisternas Fisher II: sangue nas cisternas e/ou espaços verticais (fissuras inter-hemisféricas, cisterna insular, cisterna ambiente) com menos de 1 mm de espessura Fisher III: sangue nos espaços verticais com espessura maior ou igual a 1 mm, ou presença de coágulos Fisher IV: hemoventrículo Escala de Hunt-Hess Hunt-Hess I: assintomático ou cefaleia e rigidez de nuca leves, Glasgow = 15 Hunt-Hess II: cefaleia e rigidez de nuca moderadas a graves, pode haver acometimento de par craniano, Glasgow = 13-14 Hunt-Hess III: estado confusional ou letargia, pode haver deficit neurológico focal leve, Glasgow = 13-14 Hunt-Hess IV: torpor, pode haver hemiparesia moderada a grave, Glasgow = 7-12 Hunt-Hess V: coma, com ou sem descerebração, Glasgow = 3-6 Confirma o diagnóstico em 95% dos casos Exame liquórico Mostrará sangue (primeiras 12h) ou um líquido xantocrômico (amarelado) após 6-12h Conduta Terapêutica Angio TC Confirmação e planejamento terapêutico Internação em UTI Medidas de suporte necessárias Arteriografia cerebral de 4 vasos (carótidas e vertebrais), por punção da artéria femoral Localizar a lesão sangrante Implante de colis metálicos Via endovascular Induz trombose local e fechamento do lúmen da lesão Clipagem cirúrgica Requer craniotomia e retração do parênquima cerebral Monitorar PIC Manter a Pressão de Perfusão Cerebral (PPC) entre 60-70 mmHg Pressão Arterial Manter PA sistólica entre 140-150 mmHg Se falhar via endovascular Administrar nimodipina 60mg, via enteral, 4/4 horas Deve ser iniciada nos primeiros quatro dias do evento, sendo mantida por 21 dias Efeito de “neuroproteção” Bloqueador de canais de cálcio