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Aula_2_Situacoes_de_influencia_para_a_doenca_mental 2

Apostila de Enfermagem em Saúde Mental sobre fatores que influenciam a doença mental. Descreve causas orgânicas/biológicas, funcionais/psicológicas, fatores predisponentes e precipitantes, influências ambientais e traz um estudo de caso sobre uso de maconha.

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Prévia do material em texto

ENFERMAGEM EM SAÚDE 
MENTAL
Situações de influência para a 
doença mental
Prof. Antônio Carlos Schwiderski
FATORES DE INFLUÊNCIA NA 
DOENÇA MENTAL
•Existem fatores que 
influenciam a doença 
mental e que são 
resultantes dos 
aspectos biológicos, 
psicológicos e sociais.
1-FATORES ORGÂNICOS OU 
BIOLÓGICOS
• Onde o quadro mental 
está associado a uma 
doença orgânico-cerebral, 
ou à intoxicação por 
agentes químicos
• (TCE, tumor cerebral,
uso SPA, distúrbios tireóide, 
neurossífilis, AIDS, Infecção 
urinária/idosos)
Alucinação visual e 
auditiva- está sozinho e 
está vendo e ouvindo 
alguém!
• Anomalias genéticas 
(Síndrome de Down)
• Fatores pré-natais (uso 
de drogas e exposição à 
radiações)- fator de risco 
para TM
• Fatores perinatais (lesões 
cerebrais no parto)- fator 
de risco para TM
FATORES ORGÂNICOS OU BIOLÓGICOS
•Causas orgânicas 
(exógena)
•Neuro-
endocrinológico
(liberação de 
hormônios-estresse)
FATORES ORGÂNICOS OU BIOLÓGICOS
2-FATORES FUNCIONAIS
•Não há relação 
evidente com o 
quadro orgânico
•São aspectos 
psicológicos que 
desestruturam a 
personalidade.
FATORES CAUSAIS 
PSICOLÓGICOS
•As mudanças 
significativas na 
personalidade 
durante 
períodos de 
crise (GATILHO).
ORIGEM DOS TRANSTORNOS 
MENTAIS
• FATORES QUE
PREDISPÕEM
AOS
DISTÚRBIOS
BIOLÓGICA (GESTAÇÃO, 
PARTO, DISTÚRBIOS 
GLANDULARES)
• FATORES QUE 
DESENCADEIAM
OS DISTÚRBIOS
(GATILHO)- AMBIENTAIS 
(ESTRESSE)
PAI FALECEU?
USAR DROGAS?
VESTIBULAR?
MUDANÇA DE TRABALHO
• O fator genético, constituição, idade, 
sexo e raça estão entre os fatores 
predisponentes para os transtornos 
mentais. (GENÉTICA-VULNERABILIDADE x 
AMBIENTAL)
No que se refere à 
constituição, as 
percepções da 
sensibilidade afetiva e as 
concepções do próprio 
corpo têm papel principal 
na determinação das 
respostas 
psicopatológicas 
individuais.
FATOR IDADE
•A idade traz que a ocorrência 
de transtornos mentais é rara 
até a adolescência, quando 
sua incidência sobe 
agudamente e continua a 
aumentar à medida que a 
idade avança, sendo 
marcante para as pessoas 
idosas (uso de SPA).
No fator sexo, os homens são 
mais frequentes os transtornos 
decorrentes do uso de álcool e 
outras drogas, traumas físicos;
Nas mulheres
se observam 
mais os 
transtornos do 
humor e os 
relacionados 
aos transtornos 
psicossomático
(ansiosa=gastrite, 
úlcera)
•No aspecto raça, 
acredita-se que a 
tensão e depreciação 
inter-racial (racismo) 
contribuem 
significativamente 
nos prejuízos 
causados ao 
desenvolvimento da 
personalidade 
estável. 
FATORES QUE PODEM PREDISPOR 
A UMA DEPRESSÃO
Fatores Sociais
Estressores-vida pessoal, profissional
Redes de suporte: família - escola
Fatores Psicológicos
Personalidade
Temperamento
Aprendizagem
Fatores Biológicos
Genéticos
Neurotransmissão
Alterações hormonais
Alterações anatômicas
FATORES PRECIPITANTES
•Fatores que 
desencadeiam os 
distúrbios. (gatilhos)
FATORES PRECIPITANTES
•1. O ambiente, social e cultural;
•2. a urbanização;
•3. sócio-econômico;
•4. estado conjugal;
•5. gravidez;
•6. ocupação e carga de trabalho;
•7. uso de álcool e outras drogas;
•8. defeitos físicos;
•9. enfermidades físicas;
•10. disfunção cerebral geral (demência);
•11. traumatismos;
•12. agentes tóxicos;
•13. pertubações endócrinas (tireóide);
•14. privações e deficiências;
FATORES PRECIPITANTES
FATORES AMBIENTAIS
Mudanças do 
meio
Impacto no 
Indivíduo
Riscos
Rural-Urbano Emigração Problemas de 
saúde
Emprego
Habitação
Relação Social 
e Familiar
Choque de 
Cultura
Desenraizamento 
Esforço 
Adaptativo
Ansiedade
Depressão
Alcoolismo
Polidependên-
cia
• Ballone e Moura (2008) 
no estudo dos fatores 
orgânicos (TCE) 
relacionados à agressão e 
violência, destaca que 
apesar de existir um fator 
genético capaz de 
aumentar a 
suscetibilidade da criança 
para comportamentos 
criminosos, esta 
suscetibilidade estará 
sujeita às condições 
ambientais. (relação 
parental, conflitos)
• O potencial de 
violência de cada 
pessoa é 
determinado pela 
herança genética, 
que é moldada 
por fatores 
socioculturais.
• (Ricardo de 
Oliveira-Médico 
neurologista)
•Na origem dos 
transtornos 
mentais, o 
fator genético 
e o ambiental 
são tratados 
em conjunto. 
ESTUDO DE CASO I 
• O Sr Fulano de Tal tinha 14 anos quando experimentou pela primeira vez um baseado, num fim de
semana passeando com os amigos. Não se sentiu bem, achou que ficou meio estranho, com
sensações diferentes no corpo. Mesmo assim em outras ocasiões ele voltou a usar maconha. No
início o uso era pouco freqüente, vez ou outra com os amigos. Dizia que a maconha o ajudava a ser
menos tímido e permitia que se sentisse mais próximo da galera. (característica dele)
• No entanto, à medida que os anos foram se passando ele passou a fumar seu baseado diariamente,
em geral à noite, “para relaxar”.
• Aos 17 anos ele já consumia de 2 a 4 baseados por dia. Durante as férias, com mais tempo livre e
passeando, o uso até aumentava um pouco. Foi nessa época que ele de repente se tornou agitado,
começou a dizer que os amigos o estavam prejudicando, ouvia suas vozes dizendo que ele era gay.
Sentia-se ansioso, não conseguia dormir. (ALUCINAÇÃO AUDITIVA DE COMANDO)
• Os amigos perceberam que algo errado estava acontecendo e o trouxeram para a casa dos pais.
Mesmo em casa ele continuava inquieto, não queria se alimentar e ficava tenso e irritado.
Depois de dois dias quase sem dormir foi levado a um psiquiatra que indicou uma internação para
tratamento da dependência de drogas. No hospital, mesmo após alguns dias sem o uso de
maconha, persistiam suas queixas: perseguições, desconfiança de tudo, as vozes continuavam
falando, achava que haviam colocado câmeras em seu quarto para observá-lo. (DELÍRIO
PERSECUTÓRIO/PARANÓICO)
• Começou a ser medicado com tranqüilizantes, mas apesar de mais calmo e dormindo melhor,
continuava com os mesmos sintomas. Passaram-se duas semanas e o médico então decidiu
começar o tratamento com medicações antipsicóticas. Foram necessárias ainda mais quatro
semanas para que ele “voltasse à realidade“: as vozes desapareceram, ele já não falava das
perseguições, mas não se mostrava mais tão alegre e falante como antes. Teve alta hospitalar e já
na primeira consulta com o médico dizia que estava se sentindo bem e não queria mais tomar
remédios “de louco“. (PRECONCEITO)
• Seu médico recomendou que continuasse com o tratamento, pois a crise psicótica havia sido muito
longa para ser causada apenas pela maconha e ele tinha um primo com esquizofrenia. Apesar das
explicações, interrompeu o tratamento por conta própria, aceitando apenas a recomendação de não
usar drogas. Mesmo estando “limpo“, após cerca de um ano, voltou a apresentar os mesmos
sintomas, que só melhoraram novamente com o uso de antipsicóticos. (REAGUDIZAÇÃO DOS
SINTOMAS PSICÓTICOS NA MAIORIA DAS VEZES POR FALTA DE MANUTENÇÃO)
•
• Fonte: Louzâ Neto, Mario Rodrigues. Convivendo com a esquizofrenia: um guia para portadores e familiares.
São Paulo:Prestígio, 2006.
•
ESTUDO DE CASO I
• Questões para debate em grupo:
• 1-Quais os fatores predisponentes ao
surgimento da doença?
• 2-Quais os fatores ambientais relacionados ao
aparecimento da doença?
• 3-Existe algum fator desencadeante ambiental?
• 4-Qual a relação da esquizofrenia com o uso da
maconha?
• 5-Que medidas poderiam ter sido utilizadas
visando a prevenção deste transtorno?
PALAVRA FINAL
• Trabalhamos com seres 
humanos em um momento 
de sofrimento/crise, e 
entendendo este 
momento, poderemos 
atendê-lo da melhor forma 
possível, contribuindo na 
sua recuperação.
SUGESTÕES DE LEITURA
AUTOR TÍTULO CIDADE EDITORA ANO
SCHWIDERSKI, A.C.; CORRÊA, 
R. G. 
Saúde Mental e Psiquiátrica Curitiba Monalisa 2020
TOWNSEND, M. Enfermagem psiquiátrica: conceitos e 
cuidados. 
Rio de Janeiro Guanabara 
Koogan. 
2002
VIDEBECK, S.L. Enfermagem em Saúde Mental e 
Psiquiatria
Porto Alegre Artmed 2012
MURTA, S. G. et al. (org) Prevenção e Promoção em SaúdeMental: fundamentos, planejamento e 
estratégias de intervenção
Novo Hamburgo Sinopsys 2015
KAPLAN & SADOCK. Compêndio de Psiquiatria. Porto Alegre Artmed 2007
MELLO, I.M. Bases Psicoterápicas da Enfermagem São Paulo Atheneu 2009
DEL PRETTE, Z. A. P. et al. (org) Habilidades sociais: diálogos e 
intercâmbios sobre pesquisa e prática
Novo Hamburgo Sinopsys 2015

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