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24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3gV… 1/39 NARRATIVA PARA JOGOSNARRATIVA PARA JOGOS A IMPORTÂNCIA DAA IMPORTÂNCIA DA NARRATIVANARRATIVA Autor: Esp. Ísis Alves de Farias Revisor : Michele Perrone IN IC IAR 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3gV… 2/39 introdução Introdução Nesta unidade estudaremos sobre as narrativas. As narrativas estão presentes na vida humana desde os primórdios. Fazemos uso delas para perpetuar histórias, para contar fatos, para disseminar informações em geral. A narrativa assume importante papel em diferentes artes como o cinema, o teatro, a televisão, entre outras, e com jogos não é muito diferente. Hoje, uma boa narrativa é o cerne de um bom um jogo e aquilo que pode torná-lo memorável ou não ou escalável, ou seja, permitir sua sequenciação. Nesta unidade esperamos que você possa compreender o que é uma narrativa reconhecendo suas características e como ela se diferencia de termos correlatos. Além disso, aprenderá sobre o que são narrativas interativas e identi�cará os tipos de personagens e seus papéis dentro da narrativa. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3gV… 3/39 Contar uma boa história requer muito mais do que a nossa simples imaginação. Ela é, de fato a força motriz de qualquer história, porém é necessário entender antes de qualquer coisa o que é uma narrativa, seus elementos e tipos de narrativa. Saber isso é fundamental para que você comece a construir histórias cada vez mais ricas e complexas. E aí, você sabe o que é uma narrativa? Conceito de Narrativa Existem muitas de�nições sobre narrativa. Alguns de�nem narrativa como: uma história, como algo que é contado ou recontado por outrem, como uma história baseada em fatos reais ou �ctícios, como um relato de eventos sequenciais, ou ainda como um relato de eventos lógicos e cronológicos, e por aí vai. Rollings e Adams (2003) de�nem narrativa como o ato de contar parte ou o todo de uma história. Sendo assim, a história em questão é aquilo que se relata, ou melhor dizendo, aquilo que se narra. O que é Narrativa A�nal?O que é Narrativa A�nal? 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3gV… 4/39 É fato que as narrativas permeiam a existência humana desde seus primórdios. Ela se dá por diferentes meios que vão desde a oralidade, até materiais escritos e visuais. Existem muitas de�nições sobre narrativa. Mas aquele que parece abordar todas as outras é a ideia de Todorov sobre o que é uma narrativa. Para o referido autor, uma narrativa é “uma história que começa com uma situação estável e que é perturbada por uma força qualquer” (TODOROV, 1979, p. 138). A partir dessa interação, ocorre o desequilíbrio que deve ser restaurado por uma força que vá no sentido inverso e restabeleça o equilíbrio semelhante ao estado inicial, mas jamais igual. É importante não confundirmos o conceito de narrativa com conceitos correlatos como roteiro, narrador, narratário, narração, enredo e história. Veja abaixo a diferença entre eles. Narrador: Narrador é aquele que conta a história. Ele pode ser um narrador onipresente/onisciente, ou seja, aquele que tudo vê e tudo sabe. Ele pode ser um narrador em primeira pessoa, ou seja, aquele que vivencia os fatos, ou ainda um narrador em terceira pessoa, que é o narrador que não vivenciou diretamente, mas testemunhou os acontecimentos que ocorreram a outrem. Figura 1.1 - Narrativa escrita Fonte: Valentin Salja / Unsplash. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3gV… 5/39 Narratário: É aquele para quem contamos a história. Nosso espectador. Aquele que ouve, lê, acompanha os fatos narrados. Narração: É o ato de narrar, contar, verbalizar uma história. Roteiro: Segundo Field (2001, p. 11-12), “uma história contada em imagens, diálogos e descrições, localizada no contexto da estrutura dramática”. Enredo: Enredo é o conjunto de acontecimentos que levam a uma ação. História: É o conjunto de acontecimentos passados relativos a um local, povo ou pessoa. Os conceitos correlatos à narrativa povoam o universo da criação de roteiros. Saber diferenciá-los é necessário para termos noção daquilo que construímos, para quem construímos e do que falamos. Se estou a falar de narração estou me referindo sobre quem narra e não à história em si. Se falo de enredo não estou falando de roteiro e assim por diante. Sempre tenha a de�nição correta desses termos em mente, eles lhe acompanharão sempre que estiver criando suas histórias. Importância da Narrativa A narrativa é elemento importante em diversos segmentos como o cinema, o teatro, a televisão, o rádio, a internet etc. Cada um desses meios desenvolveu sua própria estrutura e elementos que ajudassem na organização da narrativa como um todo. Não iremos, no entanto, aprofundar em grandes detalhes nesta disciplina, pois cada meio demanda extensas conversar e materiais para dar conta de explicarmos tudo. O fato é que, contar boas histórias tornou-se fundamental em qualquer meio e mídia. O objetivo é sempre encantar e engajar o espectador para que ele consuma a história produzida e retorne para consumir novas histórias. Mas, então, o que muda no papel da narrativa em cada um desses meios e mídias? O que muda é a forma como a narrativa é organizada e como não 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3gV… 6/39 seguir tais organizações pode comprometer a história contada. Vejamos um exemplo: num meio de comunicação como o rádio, onde a base da narrativa é puramente oral, é necessário ter um foco especial na escrita do roteiro que será falado, garantindo que o espectador, ao ouvir a narração, seja capaz de compreender a história contada e imaginar cada um dos detalhes fornecidos. Já nos meios audiovisuais, como o cinema e a TV, ou visuais, como o teatro, existe toda uma organização, que começa pela de�nição da estrutura narrativa desde como a história será contada (linearmente, em �ashbacks etc.) até quem é o narrador da história. Existe uma liberdade maior na forma de se contar a história, pois há diferentes elementos que ajudam a ilustrar o que queremos contar. Perceba que, não é que não haja preocupação com o texto, mas existem preocupações que antecedem até mesmo a construção do roteiro, pois, em geral, o público estará vendo e não apenas ouvindo. E daí há uma preocupação com elementos que terão impacto visual. Nesse sentido, autores como Vogler (1998) defendem que a estrutura narrativa siga os 12 passos da Jornada do Herói de Campbell (1997), onde o personagem principal percorre um caminho similar ao de heróis antológicos. Figura 1.2 - Contando uma história Fonte: Wa�eboo / 123RF. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3gV… 7/39 No trabalho de Campbell, o herói começa sua jornada completamente alheio ao que o aguarda e sem qualquer interesse pela mudança. Até que então, uma força maior abala sua rotina trazendo a mudança e obrigando que o herói se movimente, a �m de mudar aquela situação e restabelecer o equilíbrio de sua vida. Esse foi um exemplo, mas há outros modelos de estrutura narrativa, contudo, que não se diferem entre si. Seja qual for a estrutura e a mídia utilizada, a narrativa assume um importante papel: de encantar o espectador de forma que ele venha a consumir toda história que lhe é ofertada e, de preferência, queretorne querendo mais conteúdo e entretenimento. E para além de contar boas histórias, as narrativas são atualmente, um dos principais meios de propagar conteúdos diversos. A exemplo disso temos, por exemplo, no Youtube canais como o da BBC, Vix, entre outros, que produzem vídeos curtos para passar uma informação onde se faz uso da narrativa, para contar de forma leve pequenas histórias, deixando o conteúdo menos “engessado”, por assim dizer. A narrativa, aliada a técnicas de Storytelling, tornou-se um importante braço da publicidade que busca angariar novos potenciais clientes por meio da contação de boas histórias. De acordo com Xavier (2015) storytelling é a nossa capacidade de contar histórias que gerem signi�cado para o espectador utilizando uma mescla de diferentes recursos, geralmente, digitais. A técnica de Storytelling pode ser aplicada a qualquer mídia/meio como uma forma de contar de forma mais envolvente uma história. Nos jogos não é diferente. A narrativa assume papel central dos games e tornou-se elemento determinante para entreter o jogador que, hoje em dia, quer ir além do tradicional: montar personagens, encarar desa�os, �car forte, conquistar recompensas. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3gV… 8/39 atividade Atividade Ao desenvolvermos nossas histórias é importante termos bem claro a de�nição de termos correlatos para não causarmos confusão. A seguir, analise os itens em cada uma das colunas e correlacione o conceito com sua respectiva característica: 1 - Narrador 2 - Narratário 3 - Narração 4 - Roteiro 5 - Enredo 6 - História ( ) Conjunto de acontecimentos que levam a uma ação. ( ) Ato de contar, verbalizar uma história. ( ) Aquele que conta a história tendo vivenciado os acontecimentos ou testemunhado os acontecimentos que ocorreram a outrem. ( ) História formada pelo conjunto de imagens, diálogos e descrições. ( ) É aquele para quem contamos a história. ( ) Conjunto de acontecimentos passados relativos a um local, povo ou pessoa. Agora, selecione a opção que contém a correlação correta entre eles. a) 5, 3, 1, 4, 2, 6. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3gV… 9/39 Feedback: alternativa correta . O enredo corresponde ao conjunto de acontecimentos de uma história e não deve ser confundido com a narração, que é o ato de contar uma história. Narrador é aquele que conta a história e esta forma o roteiro que é o conjunto de imagens, diálogos e descrições. Por �m temos o narratário, aquele para quem contamos a história que é o conjunto de acontecimentos passados relativos a um local, povo ou pessoa. b) 5, 1, 3, 4, 2, 6. c) 5, 2, 1, 3, 4, 6. d) 5, 3, 1, 3, 4, 6. e) 5, 2, 4, 3, 1, 6. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 10/39 A narrativa permeia diferentes mídias. Embora possa parecer que há uma forma correta de construí-las, em cada mídia essas estruturas podem assumir formas diferentes. Nos jogos as narrativas ganham características próprias, porém bebem de fontes mais antigas como o cinema e o teatro. O Conceito de Tempo, Lugar e Ação Todas as narrativas, independente de origem, possuem elementos básicos em comum. Os três elementos mais importantes de qualquer narrativa são: Tempo: o momento em que acontece o fato; Espaço: o lugar onde se passa o acontecimento; Ação: aquilo que acontece num determinado espaço/tempo e movimenta a história. É importante que pro�ssionais da área de jogos, principalmente roteiristas e produtores de games, estejam com esses conceitos bem amarrados na mente. Esses três elementos compõem a Lei das três unidades de Aristóteles. A Narrativa nos JogosA Narrativa nos Jogos 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 11/39 Essa lei permeia até hoje as narrativas do teatro e encontra-se presente, também, em outras estruturas narrativas de outras mídias. E do que trata essa lei? Em sua Poética, Aristóteles analisa as peças teatrais como uma forma de arte diferente da poesia épica e buscou estabelecer como estas funcionavam. Para isso, ele estabeleceu a lei das três unidades que tratam do tempo, lugar e da ação. Unidade de tempo Aristóteles propõe que toda ação se desenvolve em um curto espaço de tempo que não deve ultrapassar 24 horas de duração (SOUZA, 1993). Ao longo da narrativa, os personagens podem se referir a eventos passados, contudo o ideal é que a ação aconteça dentro do tempo da peça em si. Unidade de Lugar Na obra de Aristóteles, a�rma-se que as peças devem ocorrer apenas em um único cenário pois ele acreditava que se os personagens transitassem por múltiplos cenários isso deixaria a audiência confusa e causaria distração. Para o �lósofo, a trama, ou seja, a história que está sendo contada é o elemento central e é para ela que toda a atenção da audiência deve estar voltada. Sendo assim, outros elementos como os personagens e o cenário, por exemplo, são secundários. Unidade de ação Aristóteles de�ne que uma boa trama é movida por um assunto ou tema central que é apresentado com um claro início, meio e �m (SOUZA, 1993) no qual é possível ter bem de�nida a relação de "causa e efeito". Dessa forma as ações, ou seja, os acontecimentos transcorrem de forma lógica e �uida. Como dito anteriormente, as leis estabelecidas por Aristóteles em sua Poética guiaram e ainda guiam o teatro e encontram-se presentes em diferentes mídias. Porém, a sua aplicação à narrativa dos jogos não segue necessariamente aquilo que foi estabelecido pelo �lósofo no quarto século a.C. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 12/39 Essas três unidades assumem características extremamente diferentes quando aplicadas a uma narrativa de jogo, vamos ver: O tempo: O tempo dentro do jogo não necessariamente ocorre dentro do prazo das 24h. Embora muitos jogos utilizem o recurso de delimitar o tempo dentro da narrativa, se considerarmos que o jogador tem a opção de pausar seu jogo e recomeçá-lo em outro momento, podemos considerar que a barreira das 24h foi ultrapassada. Lugar: diferente do que foi estabelecido por Aristóteles, no jogo o personagem pode transitar por diferentes cenários onde a história se passa. Ação: o encadeamento das cenas e capítulos da história não seguem necessariamente uma sequência lógica. Apesar de serem aplicadas de forma diferente, as leis estabelecidas por Aristóteles continuam sendo a fonte principal onde todas as narrativas se inspiram e se baseiam. Importância da Narrativa em Jogos Hoje em dia, os jogos são verdadeiros universos virtualizados onde o jogador tem a liberdade de explorar quando quiser. Historicamente, os jogos se apropriam de elementos de outras áreas, baseando-se, principalmente, da fonte cinematográ�ca, para estruturar suas narrativas. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 13/39 Nesse contexto, é possível identi�car rapidamente similaridades entre a narrativa cinematográ�ca e a narrativa dos jogos, tais como: as sequências de cenas, personagens cujas ações interferem direta ou indiretamente na história, entre outros. Alguns estudiosos da área não consideram que os jogos sejam uma narrativa em si. Esses estudiosos consideram que, embora possuam elementos similares ao das narrativas clássicas como �lmes, novelas, peças de teatro, literatura etc., os jogos não podem ser tratados como narrativa pelo fato do Figura 1.3 - Narrativa em jogos Fonte: ExplorerBob / Pixabay. Figura 1.4- Similaridade entre narrativa cinematográ�ca e jogos Fonte: Dean Drobot / 123RF. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 14/39 tempo ser um elemento extremamente diferenciado de outras mídias, onde o jogador, pode pausar a experiência e reiniciá-la sempre que desejar. Nesta disciplina, trabalhamos com a perspectiva de que os jogos são narrativas sim! Apesar de ter se apropriado inicialmente da narrativa cinematográ�ca, com o passar do tempo as narrativas em jogos adquiriram uma estruturação própria e dinâmica distintas em relação a outros tipos de narrativas. Em relação à dinâmica, veja no infográ�co as narrativas em jogos (BRAND; KNIGHT, 2005; SALEN; ZIMMERMAN, 2012): reflita Re�ita As narrativas podem ser um elemento importante ou servir, simplesmente, de pano de fundo para a construção de um bom jogo. Que tipos de contribuições você acredita que a narrativa traz para experiência �nal do jogador? Fonte: Elaborado pelo autor. Narrativa forçada Narrativa embutida Narrativa emergente 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 15/39 Nas narrativas dos jogos outra grande diferença, além das dinâmicas, é o fato de que a interação com o jogador é bastante explícita e muito maior do que a de outras mídias. A importância da narrativa, hoje, atrelada aos avanços tecnológicos, reside dentro do universo dos jogos, talvez, na possibilidade de tirar o jogador de seu papel passivo e dar a ele a opção de ser mais ativo por meio da possibilidade de interação dando ao player maior domínio sobre o tempo no jogo e suas ações. Narrativa Interativa saiba mais Saiba mais Entender a função da narrativa dentro dos jogos digitais, para além dos mecanismos e regras, é fundamental. Leia o artigo: “Alice no País dos Videogames: um estudo da narrativa em jogos digitais” para saber mais sobre o conteúdo. Fonte: Elaborado pelo autor. ACESSAR https://www.sbgames.org/sbgames2018/files/papers/ArtesDesignFull/188268.pdf 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 16/39 Nas últimas três décadas ocorreram muitas tentativas de prover às narrativas clássicas elementos mais interativos. Talvez o mais clássico desses experimentos sejam os famosos livros do tipo Choose Your Own Adventure , que eram basicamente livros onde ao chegar em determinado ponto da história o leitor precisava decidir que caminho ele queria seguir e essas escolhas o levavam para um determinado ponto do livro ou outro. A dinâmica advinda das mesas de RPG foi aplicada a esse tipo de livro e, mais tarde, a jogos digitais do mesmo estilo. Na década de 1980 temos o exemplo da série de TV Capitão Power e os Soldados do Futuro , onde os jogadores, a partir do uso de dispositivos infravermelhos, tinham a oportunidade de lutar contra os inimigos na tela e marcar pontos. E dois exemplos mais recentes de narrativas com interatividade são as produções da net�ix: Bandersnatch (2018), e um exemplo recente é o episódio interativo de Puss in Boots (2017). Voltados para públicos distintos, ambas as produções permitem ao espectador escolher que caminho deseja seguir dentro da história. Conforme as tecnologias avançam, nossa forma de contar história também. Os exemplos citados acima são as diferentes tentativas de buscar novos Figura 1.5 - Narrativas interativas Fonte: Jakub Gojda / 123RF. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 17/39 meios de contar histórias de forma atrativa. A tendência, com os avanços tecnológicos, é que as narrativas se tornem cada vez mais interativas permitindo ao espectador interferir na história. Mas o que seria então uma narrativa interativa? Blotta (2017, p. 1) de�ne narrativa interativa como: uma produção cultural composta principalmente de sistemas computacionais capazes de gerar narrativas e histórias baseadas na emulação da criatividade humana e na intervenção em tempo real de jogadores, usuários ou produtores de conteúdo. Principalmente associado com o design de jogos digitais, jogos de RPG e outras formas de interação entre jogadores e designers, a narrativa interativa foi usada primeiramente em videogames de aventura e em narrativas escritas sobre mundos �ctícios. Isso signi�ca que numa narrativa interativa o espectador/jogador interfere diretamente na construção da história que está sendo contada, tornando-se assim em maior ou menor grau narrador dos fatos indo além da ação passiva de ver/ler aquela história sem ter poder de ação sobre ela. As narrativas interativas abrem um leque de possibilidades in�nitas de criação de conteúdos cada vez mais ricos e que podem trazer ao jogador experiências mais signi�cativas. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 18/39 atividade Atividade “Segundo Ferreira (2008, p. 2), nos primeiros jogos, as limitações técnicas di�cultavam o desenvolvimento narrativo e, por consequência, o envolvimento do jogador com enredo ou personagem. A experiência inicial oferecida pelos jogos eletrônicos, mesmo em seus melhores casos, não conseguia se distanciar da experiência encontrada nos livros.” (LIMA; LIMA, 2015, p. 695). LIMA, R.; LIMA, L. A Estrutura Narrativa Dos Jogos Eletrônicos. In: SBGAMES, XIV, 11 a 13 nov. 2015, Teresina. Proceedings [...] . Teresina: [s.n.], 11 a 13 nov. 2015. ISSN: 2179-2259. Sabendo da evolução dos jogos, é correto a�rmar que: a) Os jogos continuam a depender da estrutura narrativa de outras mídias. b) Os jogos não apresentam elementos sequenciados como ocorre na narrativa clássica. c) Os jogos são compostos por estruturas narrativas totalmente do tipo forçada. d) Nos jogos desenvolvemos estruturas próprias de narrativas. Feedback: A alternativa está correta , pois os jogos desenvolvem estruturas de narrativa próprias e que, muitas vezes, só são replicáveis dentro do ambiente dos jogos. e) Os jogos não são narrativas propriamente ditas, pois ainda dependem de outras estruturas narrativas. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 19/39 Personagens são os responsáveis por fazerem a história acontecer. São suas ações que movem a narrativa e dão vida a ela. Eles podem ter muitos papéis e funções dentro de uma narrativa. Construí-los de forma coerente e assertiva é o que garantirá que você desenvolva uma história atraente para o seu público. O Papel do Personagem em uma Narrativa De um modo bem geral, podemos dizer que o papel de um personagem é proporcionar o andamento da narrativa. A narrativa ocorre através de ações e do encadeamento destas. Os personagens são os responsáveis por realizar ações. Sem os personagens, sejam eles quais forem e de que tipos forem, a história não acontece. Isso porque são eles que vivenciam a história e, portanto, são aqueles que dão vida à narrativa. Os Personagens noOs Personagens no Universo dos JogosUniverso dos Jogos 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 20/39 A importância de um personagem muda de acordo com o papel que este assume dentro da trama. Um personagem poder ser: protagonista, falso protagonista, coprotagonista, antagonista, coadjuvante ou �gurante (OLIVEIRA, 2002, p. 166). Vamos entender a importância de cada um para a narrativa? Protagonista: Esse é o personagem central da obra onde a sua experiência é o foco da narrativa. A história é sempre contada a partir de seu ponto de vista sobre o con�itoda trama. Uma narrativa pode ter um ou mais protagonistas. Coprotagonista: Esse é o segundo personagem mais importante de uma trama. Ele possui uma forte relação com o protagonista e, geralmente, é o personagem responsável por ajudar o personagem principal da história a alcançar os seus objetivos. Ele também assume, muitas vezes, o papel daquele que questiona o protagonista em suas escolhas e atitudes, fazendo-o re�etir sobre suas ações como uma forma de ajudá-lo a crescer. Falso protagonista: É um personagem que engana o leitor/espectador fazendo-o acreditar que ele seja o foco principal da narrativa para, mais tarde, revelar quem é o verdadeiro protagonista da história. Antagonista: O antagonista não é necessariamente um vilão (no sentido de ser um personagem essencialmente mal). Contudo sua função é sempre se opor ao protagonista e seus objetivos. Em geral ele representa uma ameaça, di�culdade ou impedimento para que o protagonista alcance aquilo que almeja. O antagonista pode ser representado na forma de uma pessoa, objeto, animal, entidade espiritual, social, governamental e suas limitações podem ser de ordem física, psicológica, social ou cultural. Oponente ou Rival: Esse personagem é o equivalente ao coprotagonista. Mas sua relação mais próxima é com personagem antagonista, pois ambos têm o objetivo de impedir que o protagonista alcance seus objetivos. Coadjuvante: Personagens coadjuvantes são aqueles que auxiliam tanto o protagonista quanto o antagonista em seu desenvolvimento 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 21/39 durante a trama, exercendo uma função de suporte. O seu nível de importância em uma narrativa varia conforme o enredo. Figurante: Esse personagem tem uma presença pontual e �gurativa dentro da trama, sendo literalmente mais um elemento que completa o ambiente (cenário) do que sendo parte essencial da narrativa. Todos esses personagens podem ter diferentes tipos de existência. Oliveira (2002, p.167) ressalta que ele podem ser: Real ou histórica: as personagens existem ou existiram e/ou foram citadas em obras históricas ou jornalísticas. Fictícia ou �ccional: esses personagens não existem, tratam-se de criações originais de um autor ainda que sejam inspiradas em pessoas reais. Real-�ccional: são os personagens baseados em pessoas reais ou históricas, porém a sua representação psicológica é totalmente �ctícia. Ficcional-�ccional: são personagens �ccionais e que só existem dentro de uma determinada obra �ccional. Ficcional-real: são personagens �ccionais que ganham vida no mundo real por meio da interpretação de atores em peças teatrais, novelas, �lmes e séries. A construção de personagens não é fácil, muitas vezes nos inspiramos em pessoas que conhecemos, em histórias que ouvimos, em personagens que assistimos em um �lme ou roteiro. Esse tipo de criação, quase sempre, traz traços de experiências que temos nas interações com outras pessoas e/ou personagens de histórias que lemos ou vimos ou ouvimos. Construção de Personagem e o Personagem Jogador 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 22/39 Assim como na vida real, onde conforme vivemos e ganhamos experiência nós mudamos e crescemos, ao longo da narrativa as personagens evoluem ora �sicamente, ora psicologicamente, ora em ambos. Foster (1974) em sua obra de�ne que as personagens podem ser construídas de duas formas: Plana e Redonda. E a forma como elas são construídas determinam também como elas irão evoluir ao longo da história. Personagens Planas Também chamadas de estacionárias, são personagens construídas em torno de uma qualidade ou defeito físico com pouca ou nenhuma profundidade psicológica. Por exemplo, Quasimodo, da obra Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo. Por isso, conforme a narrativa avança, o comportamento desse personagem não se altera. Esses personagens são considerados estáticos, ou seja, podem ser facilmente descritos ou de�nidos com poucas palavras ou pela descrição de algum traço ou elemento muito característico presente durante toda a história. As personagens planas são, geralmente, agradáveis ao espectador e conquistam certa afetividade do mesmo. Isso porque é comum que as personagens planas sejam extremamente familiares ao espectador, além de Figura 1.6 - Construção de personagens Fonte: Sergey Nivens / 123RF. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 23/39 serem reconhecíveis (no sentido de que o espectador associa tais personagens a pessoas do mundo real) e previsíveis. Personagens planas também costumam ser caricatas, às vezes até exageradas. Sua baixa complexidade de desenvolvimento se re�ete também na baixa complexidade de suas ações ao longo da narrativa. Isso porque, não é necessário que sejam. Por exemplo, o personagem de um carteiro que entrega uma carta ao protagonista da história, está ali exclusivamente para desempenhar essa ação. Não é necessário desenvolver um background/backstory extremamente complexo para uma personagem que foi criada apenas para executar a ação (entregar a carta) e/ou personi�car a pro�ssão (o carteiro). Personagens Redondas Também conhecidas como personagens esféricos ou evolutivas. Esse tipo de personagem apresenta “várias qualidades ou tendências, surpreendendo convincentemente o leitor. São dinâmicas, são multifacetadas, constituindo imagens totais e, ao mesmo tempo, muito particulares do ser humano” (BRAIT, 2004, p. 41), isso signi�ca que as personagens redondas “têm uma tal gama de características que torna difícil sua associação a um ente social concreto” (CARDOSO, 2001, p. 43). Portanto, é impossível descrevê-los falando somente de um deles. Até porque, tais traços/características podem mudar ou desaparecer ao longo da trama. Além disso, esses personagens possuem comportamentos que vão ao longo da história evoluindo e se transformando. As personagens redondas são construídas ao redor de três dimensões básicas: a dimensão física, a dimensão psicológica e a dimensão social. Dimensão Física: diz respeito às características físicas propriamente ditas do personagem (se é baixo ou alto, gordo ou magro, branco ou negro etc.). Dimensão Psicológica: diz respeito às características psicológicas e como ele as manifesta (é um personagem calmo, agitado, que faz amizade fácil ou que tem di�culdades de se relacionar etc.). 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 24/39 Dimensão Social: diz respeito às características do contexto social onde o personagem está inserido e como isso afeta sua forma de agir e se comportar no mundo (é um personagem que vive numa mansão luxuosa ou numa área militarizada e ditatorial?). Cada uma dessas dimensões tem maior ou menor impacto na construção do personagem e se altera ao longo da narrativa. Falamos até aqui dos personagens e de sua importância. Em se tratando dos jogos, é importante pensarmos na relação que há entre Jogador e Personagem. Por que isso é importante? Bem, o personagem, ou avatar, no caso dos jogos, é forma por meio da qual o jogador manifesta sua presença dentro do universo do jogo. É por meio desse avatar que irá interagir com a história e demais personagens. Essa relação faz com que muitas vezes se confunda o que é o Personagem Jogador (PJ) e o protagonista da narrativa do jogo. Um PJ é um avatar controlado por um usuário (o jogador) que tem a capacidade de transitar pela narrativa conhecendo a história que é contada a partir do ponto de vista de um protagonista ou de personagens ligados de alguma forma a ele. Um PJ não é necessariamente o protagonista do jogo, embora tenha muitas características de um protagonista.24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 25/39 atividade Atividade Os personagens redondos são personagens mais complexos e assim são chamados pois são compostos por três dimensões. As dimensões às quais nos referimos são: a) Dimensão psicológica, �nanceira, social. b) Dimensão psicológica, �nanceira, pro�ssional. c) Dimensão psicológica, física, pro�ssional. d) Dimensão psicológica, física, social. Feedback: A alternativa está correta . Um personagem redondo é formado pelas dimensões psicológica, física e social que nos auxiliam numa construção mais realista e complexa de personagens com as quais nossos espectadores são capazes de se identi�car. e) Dimensão psicológica, física, �nanceira. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 26/39 Toda criação de jogos requer que você se atente a três pilares importantes: a narrativa, as regras e os personagens. No que diz respeito ao último pilar, os personagens, existem alguns tipos que sempre estão presentes em todos os tipos e estilos de narrativas e que podemos identi�car a partir de características clássicas. A esses personagens chamamos de arquétipos. Segundo Jung (2014, p. 13), arquétipos são “tipos arcaicos – ou melhor - primordiais [...] �guras simbólicas da cosmovisão primitiva” que existem desde tempos remotos. Ou seja, que estão no inconsciente coletivo. Esses arquétipos concentram a experiência de várias gerações que se repetiram e continuam a se repetir ao longo do tempo. Diferentes autores compilaram diferentes tipos de arquétipos. Mas, mesmo em uma análise mais rápida, identi�camos as similaridades: arquétipos que ajudam o herói ou que se opõem a ele. Mark e Pearson (2001) estabelecem uma listagem de arquétipos dividindo-os em categorias. Esses arquétipos possuem funções especí�cas dentro da Tipos de PersonagensTipos de Personagens 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 27/39 narrativa, a saber: Quadro 1.1 - Principais Arquétipos das Narrativas Fonte: Adaptado de Mark e Pearson (2001). CARACTERÍSTICAS ARQUÉTIPO FUNÇÃO Dão estrutura ao mundo Criador Prestativo Governante Criar Ajudar Governar Nenhum homem é uma ilha Bobo da Corte Cara Comum Amante Divertir Manter o Status Quo Encontrar/dar amor Deixam sua marca no mundo Herói Fora-da-lei Mago Ser corajoso/mudar o status quo Quebrar regras In�uenciar/Promover transformações Anseiam pelo paraíso Inocente Explorador Sábio Manter/Renovar a Fé Tornar-se Independente Compreender o Mundo/Prover sabedoria aos outros 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 28/39 Além dos arquétipos apresentados por Mark e Pearson (2001), temos os que Vogler chamou de principais arquétipos das narrativas, aqueles que estão sempre presentes em qualquer história, são eles: HERÓI: Esse arquétipo é caracterizado por sua capacidade de sacri�car-se pelo bem-estar comum e é geralmente o protagonista da narrativa. Seu embate com a morte (que pode ser física ou simbólica) está sempre presente na trajetória desse arquétipo. Ex: Harry Potter, personagem título de obra homônima. MENTOR: Esse arquétipo tem a função de promover conhecimento ao protagonista/herói da narrativa que o ajude em sua jornada. Raramente, esse arquétipo irá interferir de forma direta na narrativa, pois seu papel é sempre de auxiliar. Ex: Vitor Corleone, em O Poderoso Chefão. GUARDIÃO DO LIMIAR: Em algumas narrativas esse arquétipo é aliado do vilão/antagonista. Ele tem um poder menor, mas ainda assim representa um grande desa�o ou obstáculo aos objetivos do protagonista/herói. Sua função é preparar o protagonista/herói para os verdadeiros desa�os que este irá enfrentar. Exemplo: Severus Snape, Harry Potter. ARAUTO: O arauto é um personagem, fato ou acontecimento que tira o protagonista/herói de sua zona de conforto, obrigando-o à mudança. Ex: a morte de um personagem ou a destruição de um local. CAMALEÃO: Esse arquétipo é a mudança propriamente dita. Pode estar representado por uma personagem cujas ações são imprevisíveis. Sua função é basicamente acabar com toda e qualquer previsibilidade da história deixando o herói e o espectador em dúvida com a relação à sua �delidade do camaleão. SOMBRA: A sombra é a representação do vilão/antagonista da história. Seu objetivo principal é impedir que o protagonista/herói seja destruído ou vencido. Ex: Imperador, em Star Wars. PÍCARO: Geralmente é um personagem cômico cuja função é trazer descontração e leveza à história e ainda assim despertar o protagonista/herói para a realidade. Ex.: R2D2, em Star Wars. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 29/39 Dentro dos jogos temos alguns arquétipos um pouco diferentes, são eles: Entregadores de missão: Sua função é simplesmente dizer ao personagem o que ele deve fazer e recompensá-lo ou não por isso. Geralmente é um personagem não jogável (NPC), que só está ali para dar tarefas ao personagem e, às vezes, contar pequenos trechos que complementam a narrativa. Exemplo de jogo: No MMORPG Atlantica e Black Desert há NPCs com os quais os jogadores podem falar para obter missões. Quando completadas eles retornam a estes NPCs para receber prêmios/recompensas e pegar novas missões. Treinadores: Esse arquétipo tem a função de auxiliar o Personagem Jogador a desenvolver suas habilidades da melhor forma possível, provendo pouco ou nenhuma interação signi�cativa. Exemplo de jogo: Em MMPORGs geralmente há o sistema de guildas que abrigam funções de ter espaços e/ou personagens onde o jogador pode treinar seu personagem em batalhas amistosas (que não trarão danos ou perdas). Mercadores: Como o nome já propõe sua função é de comercializar itens e produtos. Podem ser fornecedores de pequenos trechos de histórias ou ainda não proveem nenhuma interação signi�cativa. Exemplo de jogo: Em Horizon Zero Down há mercadores espalhados Figura 1.7 - Arquétipos de Personagens Fonte: Sergey Nivens / 123RF. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 30/39 pelo map aos quais o jogador pode recorrer para adquirir itens. Alguns podem ser especí�cos de um mercador ou outro. As narrativas em jogos abriram um grande leque de construção de novos arquétipos que carecem serem devidamente estudados e compilados. Aqui apresentamos apenas três casos típicos extremamente comuns em diferentes tipos de jogos, pois seria impossível contemplar todos. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 31/39 atividade Atividade Os arquétipos são representações consideradas universais e são estudados e utilizados até hoje na construção das narrativas de qualquer mídia. Mas no que diz respeito ao universo dos jogos existem alguns arquétipos que podemos chamar de não convencionais. Sabendo disso, selecione a alternativa que possui um arquétipo não convencional e que só aparece em narrativas de jogos: a) Entregador de missões. Feedback: A alternativa está correta . O entregador de missão é um arquétipo comum no universo dos jogos, pois este é o responsável por dar ao jogador tarefas para serem realizadas ao longo do jogo que irão promover a movimentação da história. b) Herói. c) Sombra. d) Pícaro. e) Mentor. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 32/39 indicações Material ComplementarLIVRO Bug Narrativas Interativas e Imersivas Editora: Automática Autor: André Paz; Sandra Gaudenzi ISBN: 9788564919310 Comentário: Esse livro traz obras cujas narrativas são interativas e imersivas e apresentadas em diferentes formatos e plataformas, relacionando-se ao estudo desta unidade. 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 33/39 LIVRO Desenvolvimento de personagens e narrativas para games Editora: Cengage Learning; Edição: 1ª Autor: Lee Sheldon ISBN: 978-8522125562 Comentário: Esse livro traz cases de jogos reais mostrando como se deu sua construção e a importância dos personagens nas narrativas construídas. Este é um ótimo norte para quem está começando no desenvolvimento de narrativas de jogos e quer aprender também como se dá a construção de personagens cativantes e relevantes. FILME Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas Ano: 2003 Comentário: O clássico dirigido por Tim Burton narra a história de uma pessoa que contava para o �lho histórias sobre fatos reais de sua vida, porém repletos de elementos fantásticos. Depois de adulto, o �lho passa a questionar o que era ou não real nas histórias contadas pelo pai. Esse �lme é um excelente exemplo sobre o poder da narrativa e como ela pode ser envolvente. TRA ILER 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 34/39 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 35/39 conclusão Conclusão As narrativas sempre irão permear a humanidade e suas relações. E é imprescindível que, conforme as tecnologias avancem repensemos nossa forma de contar histórias e atingir nosso público-alvo. Graças aos avanços tecnológicos temos cada vez mais ferramentas que nos permitem criar experiências repletas de interatividade para o jogador dando a ele controle não apenas sobre o personagem, mas também sobre o que ele quer ver e conhecer da história que está vivenciando. Nesse sentido e sabendo que as tecnologias moldam nossa forma de nos relacionarmos às narrativas, se fazem necessários pro�ssionais que repensem as narrativas e seus elementos à luz das novas tecnologias de modo a criar experiências cada vez mais ricas e signi�cativas ao seu espectador. referências Referências Bibliográ�cas BLOTTA, V. S. L. Narrativas interativas e produção colaborativa de conteúdos pela internet: novos desa�os a direitos intelectuais exclusivos. In: 24/05/2022 18:31 Ead.br https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6BAtWJdR7xJsY1X2fPeIdw%3d%3d&l=apIBGOKnT2C0YZgBfLrEIQ%3d%3d&cd=5DRt3g… 36/39 Privacidade, sigilo e compartilhamento . [S.l]: [s.n.], 2017. Disponível em: http://www3.eca.usp.br/sites/default/�les/form/biblioteca/acervo/producao- academica/002842643.pdf . Acesso em: dez. 2019. BRAIT, B. A personagem . São Paulo: Editora Ática, 2004. BRAND, J. E.; KNIGHT, S. J. The narrative and ludic nexus in computer games: diverse worlds II. 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