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INTRODUÇÃO À PEDAGOGIA Alex Ribeiro Nunes Formação acadêmica do profissional Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever a importância de uma formação teórica e metodológica na formação acadêmica do profissional em Pedagogia. Identificar as relações existentes entre a formação do pedagogo e a sua atuação no contexto escolar. Reconhecer a influência dos desafios contemporâneos na formação acadêmica do profissional em Pedagogia. Introdução Neste capítulo, você vai estudar sobre a formação e reconhecimento acadêmico do pedagogo, além de analisar a atuação deste profissional no âmbito escolar e, ainda, os desafios da contemporaneidade no processo de formação e no campo de trabalho da Pedagogia. Nesta perspectiva, vale ressaltar a necessidade de compreendermos quem é o profissional em Pedagogia, os conhecimentos necessários para tal, as demandas existentes, as lacunas da profissão e, também, os distanciamentos que, muitas vezes, ocorrem entre o processo formativo e a realidade de atu- ação do profissional. Ou seja, é necessário a realização de uma análise acerca da identidade do pedagogo, contemplando principalmente seu percurso acadêmico profissional. Com base nos conteúdos e atividades propostas, a pretensão é que você, com interesse e dedicação, possa construir novos conhecimentos, além de novas aplicabilidades para o material aqui apresentado. Pensemos, portanto, a partir daqui, na formação acadêmica do profissional em Pedagogia. Formação teórica-metodológica profissional Para discutirmos sobre o processo de formação teórica-metodológica do pedagogo, que, entre outros vieses, perpassa pela área da formação e pelo aperfeiçoamento docente, inicialmente é necessário ressaltar que são muitos os desafi os quando o assunto é formação dos profi ssionais da educação (pe- dagogos, professores, gestores, etc.). Contudo, é preciso lembrar também que existem diversos pesquisadores que têm se debruçado nessa temática e, assim, muitos estudos têm apresentado possibilidades de refl exão sobre formação continuada e práticas pedagógicas que envolvem os diferentes assuntos no contexto escolar. A formação pedagógica, assim assumida, surge como a construção de caminhos coletivos que possibilitam o novo, além de contribuir para o reco- nhecimento da necessidade de problematizar e discutir os diversos aspectos que envolvem o contexto escolar, entendendo a construção do conhecimento como algo processual, com vistas a ir além para analisar, ressignificar, des- construir e articular saberes. De maneira a aprofundar em alguns conceitos para promover atravessamen- tos, destaco que o termo problematização foi muito utilizado por Foucault nos seus últimos dois anos de sua vida. Ele entendia como o conjunto de práticas discursivas ou não discursivas introduz algo no jogo do verdadeiro e do falso e o constitui como objeto para o pensamento (seja sob a forma da reflexão moral, do conhecimento científico, da análise política, etc.) (REVEL, 2011). Michel Foucault foi considerado um filósofo contemporâneo dos mais polêmicos, pois possuía um olhar crítico de si mesmo. Devido às suas tentativas de suicídio, aproximou-se da psicologia e da psiquiatria e produziu diversas obras sobre esse tema. Seus estudos e pensamentos envolvem, principalmente, o biopoder e a sociedade disciplinar. Para tanto, o filósofo percorreu três técnicas independentes, mas sucessivas, e que são incorporadas umas pelas outras: do discurso, do poder e da subjetivação. Ele acreditava ser possível a luta contra padrões de pensamentos e comportamentos, mas impossível se livrar das relações de poder. Foucault trata, principalmente, do tema poder, que para ele não está localizado em uma instituição e tampouco pode ser considerado como algo que é cedido, por contratos jurídicos ou políticos. O poder em Foucault reprime, mas também produz efeitos de saber e verdade (FOUCAULT, 2010, p. 79). Formação acadêmica do profissional2 Na perspectiva da problematização, é preciso pensar a escola como um lugar de produção de verdades e de condutas, bem como um ambiente onde as relações são marcadas pelas diferenças, portanto, as práticas pedagógicas devem ser repensadas e o profissional em pedagogia deve estar sempre atua- lizado, com uma visão crítica, criativa e eficaz. A escola é também regida por normatizações que, muitas vezes, controlam, proíbem e reprimem, impedindo os acessos e ocultando saberes, porém, é também um lugar de resistências, pois, diante do medo, da repressão e da renúncia, emergem resistências, fu- gas e vontades estratégicas que se materializam em pequenas revoluções cotidianas, pois “onde há poder há resistência” (FOUCAULT, 2010, p. 105). Dessa maneira, há inúmeras possibilidades para o fazer pedagógico, para a atuação do profissional em pedagogia e para a reelaboração de processos e espaços escolares. O termo resistência emergiu, a partir da década de 1970, distante da ideia de transgressão: “a resistência ocorre, onde existe poder, porque poder e resistência não se separam [...]. A resistência é a possibilidade de abrir espaços de lutas e de administrar possibilidades de transformação por toda parte.” (REVEL, 2011, p. 127-128) Vale lembrar que a transgressão sugere um passar dos limites, ocorrendo no processo coletivo relacional, enquanto a resistência é singular, a partir das pequenas revoluções diárias que ocorrem no íntimo de nossas práticas individuais. Devemos pensar em resistência como uma estratégia para mostrar que, mesmo em meio a todos os desafios e todos os percalços que acometem o sujeito, nesse caso o profissional em pedagogia, ele resiste, além disso, mesmo em meio a todo disciplinamento, este é capaz de criar mecanismos e estraté- gias para fugir ao enquadramento. Nesse momento, é necessário pensar com profundidade esses conceitos. Assim, podemos pensar que a escola, por muitas vezes, tem procedimen- tos disciplinares de controle e de massificações, designando uma série de mecanismos de vigilância que têm como meta conter condutas, limitar com- portamentos e ações, restringir desempenhos e gerenciar posturas. A visão e a postura críticas de um pedagogo poderão resultar em um novo modelo de instituição escolar. A essas alturas, é relevante atentarmos para o quanto a formação do pro- fissional em pedagogia nos é favorável e necessária para repensarmos a escola e as diversas formas de sermos pedagogos e professores. Dessa maneira, 3Formação acadêmica do profissional as possibilidades não se excluem, mas se conectam em um movimento de descobertas, reconhecimentos e reinvenções. Enfim, para elevarmos ainda mais nossas reflexões sobre a urgência e a importância da formação teórica-metodológica profissional em pedagogia, torna-se indispensável considerar o que nos diz Larrosa (2004) quando este fala da (im)possibilidade traduzida como aquilo frente ao qual se desfalece todo o saber e todo o poder. Para pensar em uma formação eficaz para o pedagogo, é necessário nos despojarmos de todo o saber e de todo o poder, ou seja, abrirmo-nos ao (im)possível. Pensar no (im)possível é vislumbrar as possibilidades. O (im)possível, portanto, é aquilo que exige uma relação constituída segundo uma medida diferente à do saber e à do poder. O autor descreve, ainda, que o nascimento constitui a possibilidade de tudo o que escapa ao possível, ou, dito de outra maneira, do que não está determinado pelo que sabemos ou podemos. Dessa forma, como será possível pensar em uma formação significativa ao profis- sional de pedagogia? Cita-se como exemplo o projeto que resultou em um livro sobre diversidade nos currícu- los da Educação Infantil, aprovado pela Universidade Federal de Lavras e desenvolvido por diferentes instituições de ensino superior: Campo Grande/MS (UFMS), São Paulo/ SP (USP), Lavras/MG (UFLA), Campinas/SP (Unicamp) e Juiz de Fora/MG (UFJF). Esse projeto enfatiza as novas possibilidadesde diálogo e proposições críticas surgidas ao longo da execução do projeto na cidade de Campo Grande (MS). Todo o conteúdo do livro apresenta as experiências das cinco universidades integrantes do projeto, no que se refere ao processo de formação pedagógica continuada. O livro intitulado Educação inclusiva: tecendo gênero e diversidade sexual nas redes de proteção, organizado por Cláudia Ribeiro e Ila Maria Silva de Souza (RIBEIRO; SOUZA, 2012), resultou de uma ação de formação pedagógica/docente que envolveu direta- mente 500 profissionais de 22 cidades do sul de Minas Gerais em cursos e projetos de intervenção nas áreas de educação e pedagogia (Figura 1). Formação acadêmica do profissional4 Figura 1. Pedagogia. Fonte: wavebreakmedia/Shutterstock.com. A formação do pedagogo e a atuação no contexto escolar Pensar o processo de formação do profi ssional em pedagogia, vislumbrando sua atuação no contexto escolar, requer mais do que uma simples refl exão. Na verdade, é preciso levar em consideração toda a complexidade que envolve as transformações sociais, bem como os diferentes contextos escolares, para assim iniciarmos uma possível discussão e, certamente, um aprofundamento sobre o assunto, sem a pretensão de esgotá-lo ou de chegar a uma resposta única para tal situação. De antemão, no que se refere à formação do pedagogo, vale ressaltar que, para ingressar nessa área, é preciso cursar o Ensino Superior em Pedagogia, que tem duração de 4 anos. Ao curso de Graduação em Pedagogia, conforme Art. 2º das Diretrizes Curriculares Nacionais – Resolução CNEC/CP nº 1, de 15 de maio de 2006, e dos Pareceres CNEC/CP 5/2005 e 3/2006 –, o profissional se forma para o exercício da docência na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio da modalidade normal e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar, além de outras 5Formação acadêmica do profissional áreas nas quais sejam previstos conhecimentos de âmbito educacional, didático e pedagógico (BRASIL, 2006). A Resolução CNE/CP nº 2, de 1º de julho de 2015, define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada (BRASIL, 2015). Ainda, a Resolução CNE/CP nº 1, de 9 de agosto de 2017, altera o Art. 22º da Resolução CNE/CP nº 2, de 1º de julho de 2015, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada (BRASIL, 2017). Nessa perspectiva, compreende-se a docência como ação educativa e processo pedagógico, metódico e intencional, construído com relações sociais, étnico-raciais e produtivas, as quais influenciam conceitos, princípios e ob- jetivos da Pedagogia, desenvolvendo-se na articulação entre conhecimentos científicos e culturais, valores éticos e estéticos inerentes a processos de aprendizagem, socialização e construção do conhecimento no âmbito do diálogo entre diferentes visões de mundo (BRASIL, 2006). É recomendável, na hora da escolha da instituição a cursar, que seja uma reconhecida pelo MEC e um curso pautado em seriedade e compromisso com a profissão, pois isso fará diferença na formação e no concorrido mercado de trabalho. Após esse período, como opção, há as especializações em várias áreas. O site Pedagogia ao Pé da Letra (2014) aponta que, considerando as trans- formações sociais e, consequentemente, as mudanças no contexto escolar, o pedagogo deverá exercer, de forma satisfatória, as suas funções em seu campo de atuação e deverá trabalhar, de maneira determinada, para que possa: identificar a realidade de cada problema; solucionar de forma favorável; conseguir resultados eficientes ao corpo docente. Reafirmando a necessidade de uma formação teórica-metodológica que seja eficaz, é possível traçar alguns pontos importantes para o sucesso desse processo: desenvolver projetos educacionais, de modo a contribuir com a profis- sionalização e o crescimento dos demais educadores; liderar em sistemas educacionais e em níveis de coordenação, super- visão ou ensino; Formação acadêmica do profissional6 implementar, planejar e acompanhar a qualidade e o desenvolvimento do ensino; auxiliar o corpo docente, conferindo-lhe maior criatividade na aplicação das disciplinas, implementar técnicas de estudo e buscar a integração da escola com a comunidade; organizar os métodos de ensino, sempre almejando inovar, formar gru- pos de professores competentes e motivados, tendo como consequência uma instituição de ensino moderna e de referência; identificar áreas mais fracas ou com resultados pobres, entrando com medidas apropriadas para sanar tais problemas; construir e qualificar equipes de ensino; orientar estudantes em processo de aprendizagem, utilizando-se de métodos psicológicos e pedagógicos; orientação vocacional, ou seja, orientar jovens na escolha da profissão; desenvolver programas de treinamento empresarial em recursos humanos; assessorar, pedagogicamente, os serviços de comunicação de massa (jornais, revistas, etc.) e de difusão cultural (museus, feiras); atuar no terceiro setor (ONGs), na coordenação de programas de saúde, trânsito, meio-ambiente, etc; empenhar-se e desenvolver pesquisas. Reflexões pertinentes à formação do pedagogo As circunstâncias sociais muitas vezes implicam, ao pedagogo, uma série de vivências que poderão moldá-lo diante de condutas e comportamentos. No entanto, esse ser que carrega tantas possibilidades de aprendizagens em sua formação se vê diante da oportunidade de problematizar vários aspectos que estão ao seu redor. Assim, viver nessa sociedade não é somente se acostumar, mas questionar, buscar novas ideias, novas fórmulas, novas maneiras, inclusive de ser pedagogo. A cultura escolar, hoje, ainda se propaga e gira em torno de várias identidades fixas e imóveis, explicitadas como inabaláveis ou até mesmo implícitas com aparências de mudanças. Abalar essas identidades seria o pontapé inicial para o surgimento de novas ideias, novas metodologias de ensino, novas atitudes e novos olhares sobre a pedagogia. Ocorreria o nascimento de novas políticas identitárias dentro da escola, políticas essas que reformulariam e poderiam permitir novos redirecionamentos ao contexto escolar. 7Formação acadêmica do profissional O pedagogo que não considera as singularidades e as especificidades existentes em seu âmbito escolar enfatiza aspectos de desigualdade, dando continuidade a uma corrente histórica de preconceitos e discriminações. Assim, torna-se conivente com injustiças que, por muitas vezes, acontecem comumente e parecem ser irreversíveis, pois tomam uma dimensão cultural e são vistas com legitimidade. Portanto, é importante buscarmos rever e problematizar a formação teórica- -metodológica da formação dos profissionais em pedagogia. É preciso incitarmos a pesquisa e a prática pedagógica para o aperfeiçoamento na profissão, cientes de que nesse trabalho não existe um final, mas, sim, um constante exercício de repensar atitudes e comportamentos. Desafios contemporâneos na formação acadêmica do profissional de Pedagogia De acordo com o site Pedagogia ao Pé da Letra (2014), o profi ssional em pedagogia é aquele que estuda, conhece e se ocupa da educação. Ele é um estudante permanente, cujo papel central é organizar e sistematizar os diver- sos conhecimentos advindos do processo naturalmente humano de ensino e aprendizagem. Vale lembrar ainda que, o pedagogo deverá construir e exercitar a responsabilidade de acompanhar todas as questões educacionais, visando a direcionar e a qualifi car esse processo. Educação e pedagogia são comumente confundidos, ou vistos como a mesma coisa. Por isso, para tratarmos do papeldo pedagogo, faz-se necessário abordar, ainda que em linhas gerais, a diferença existente entre educação e pedagogia. Educação consiste em um processo amplo, assistemático de ensino-aprendizagem e natural à condição humana. Por isso, educação se dá nos mais diferentes momentos e espaços, como na rua, em casa, entre amigos, de pai para filho, e assim por diante. Já a pedagogia se constitui na ciência que se ocupa das questões da educação. É ela quem faz o estudo organizado e sistemático dos problemas da educação, traçando métodos e didáticas que venham a qualificar o processo educativo (PEDAGOGIA AO PÉ DA LETRA, 2014). Formação acadêmica do profissional8 É de responsabilidade deste, portanto, ter uma boa fundamentação teórica, conhecer a legislação educacional e ter uma capacidade aguçada de planeja- mento, pois é por meio de um bom planejamento que a garantia de um trabalho mais qualificado ocorrerá. Além disso, o pedagogo, em uma instituição de ensino, necessita saber trabalhar em equipe, pois seu trabalho necessariamente se dá na interlocução com as demais pessoas e os demais setores, assim como também precisa se envolver com a elaboração e/ou reestruturação permanente de documentos que registrem e organizem o fazer pedagógico. Em suma, o papel central do pedagogo é criar e recriar instrumentos que qualifiquem o contexto educacional. Discutir a função do pedagogo frente à diversidade curricular é funda- mental quando se pretende ter uma postura crítica diante do processo ensino- -aprendizagem que acontece dentro da escola. Nesse processo de ensinar-aprender, esse profissional possui diferentes objetivos e, entre eles, organizar o processo de aplicação do currículo junto à sua equipe escolar e dar vistas a todo o processo realizado anteriormente. Mas isso não é tão simples quanto parece, pois a aprendizagem se faz além dos processos didáticos e fora das regras metodológicas, ou seja, a aprendizagem acontece, no aluno, de dentro para fora, por meio de experiências externas pos- sibilitadas pelo professor na aplicação de atividades interativas que permitem o contato, a reflexão e a tomada de consciência do objeto a ser apreendido. A Base é um documento normativo que define o conjunto orgânico progressivo das aprendizagens essenciais e indica os conhecimentos e as competências que se espera que todos os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade. Ela se baseia nas diretrizes curriculares nacionais da educação básica e se soma aos propósitos que direcionam a educação brasileira para a formação integral e para a construção de uma sociedade melhor.” – Maria Helena Guimarães, Secretária Executiva do Ministério da Educação. Nesse contexto, vale reforçar que o profissional de pedagogia deve reco- nhecer para fazer valer as propostas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que visa a unificar influências e referências de cada instituição de ensino. A BNCC surge, portanto, para solucionar um problema muito comum no Brasil. Quando são analisados os currículos escolares espalhados pelo país, é possível encontrar discrepâncias muito grandes. A ideia de uma base curricular comum às escolas de todo o Brasil já existe desde a promulgação da Constituição de 1988, em que o Artigo 210º prevê a criação de uma matriz de conteúdos fixos a serem estudados no Ensino Fundamental. 9Formação acadêmica do profissional O profissional de pedagogia, ao realizar suas ações, precisa trabalhar acerca das competências do BNCC para o século XXI, que dizem respeito a formar cidadãos mais críticos, com capacidade de aprender a aprender, de resolver problemas, de ter autonomia para a tomada de decisões, ou seja, cidadãos que sejam capazes de trabalhar em equipe, respeitar o outro e o pluralismo de ideias, que tenham a capacidade de argumentar e defender seu ponto de vista. A sociedade contemporânea impõe um novo olhar a questões centrais da educação, em especial: o que aprender, para que aprender, como ensinar e como avaliar o aprendizado. Dessa maneira e nessas condições, emergem inúmeros desafios para a atuação do pedagogo. A pedagogia vive à procura de estratégias e metodologias que garantam uma melhor aprendizagem e apropriação de conhecimentos, tendo como alvo principal gerar mudanças no comportamento dos sujeitos, de modo que estes se aperfeiçoem. Portanto, em função de toda a mudança, há a necessidade do pedagogo se tornar uma pessoa crítica e visionária, que seja capaz de se adaptar a mudanças, ser mais flexível e que contribua, efetivamente, para o processo pedagógico e educacional. Isso estende ainda mais as funções desse profissional diante da realidade curricular, de modo que seja possível a abertura do ser em busca de novas visões e novos conhecimentos, para que novas dúvidas sejam postas nesse ser, a fim de a sua curiosidade não se acabar, mas, sim, criar oportunidades para novas descobertas e novas conclusões. É fato que muitas pessoas são resistentes a mudanças e novas ideias, seja por medo ou mesmo por acomodação. Talvez sejam essas as características que assombram a educação e a pedagogia e aniquilam as possibilidades de continuidade e transformação. Priorizar o desejo por mudanças e novas perspectivas deve ser um argu- mento primordial para as pessoas inseridas nos processos de formação do profissional de pedagogia. Para que isso ocorra, faz-se necessária a ferramenta da desconstrução, pois só a partir dela poderão surgir aspectos que norteiam novas propostas educacionais e olhares renovadores sobre inúmeros assuntos dentro da educação, refletindo em novos profissionais de pedagogia. Formação acadêmica do profissional10 11Formação acadêmica do profissional BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP n° 1, de 15 de maio de 2006. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura. Brasília, DF, 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/ pdf/rcp01_06.pdf>. Acesso em: 26 fev. 2018. BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº 1, de 9 de agosto de 2017. Altera o Art. 22 da Resolução CNE/CP nº 2, de 1º de 2015, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e curso de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Brasília, DF, 2017. Disponível em: <http://www.lex. com.br/legis_27485980_RESOLUCAO_N_1_DE_9_DE_AGOSTO_DE_2017.aspx>. Acesso em: 26 fev. 2018. BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº 2, de 1º de julho de 2015. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Brasília, DF, 2015. Disponível em: <http://pronacampo.mec.gov.br/images/pdf/res_cne_cp_02_03072015.pdf>. Acesso em: 26 fev. 2018. FOUCAULT, M. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Tradução Laura Fraga de Almeida Sampaio. 20. ed. São Paulo: Loyola, 2010. LARROSA, J. Pedagogia profana: danças, piruetas e mascaradas. 6. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. (Coleção Educação: experiência e sentido). PEDAGOGIA AO PÉ DA LETRA. O papel do pedagogo na escola. 23 fev. 2014. Disponí- vel em: <https://pedagogiaaopedaletra.com/o-papel-do-pedagogo-na-escola/>. Acesso em: 17 fev. 2018. RABELO, I. P. O papel do Pedagogo na escola. JUFMA. 2014. REVEL, J. Dicionário Foucault. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011. RIBEIRO, C. M. (Org.). Tecendo gênero e diversidade sexual nos currículos da Educação Infantil. Lavras: UFLA, 2012. RIBEIRO, C. M.; SOUZA, I. M. S. (Org.). Educação inclusiva: tecendo gênero e diversidade sexual nas redes de proteção. Lavras: Ed. UFLA, 2008. Leitura recomendada BRASIL. Ministério da Educação. Formação continuada para professores. 2016. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=18838&Itemid=842>. Acesso em: 18 fev. 2018.