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1 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros FARMACOLOGIA P2 Prof.: LUCIANO NEVES AULA 01: BLOQUEADOR NEUROMUSCULAR (Antagonista Colinérgico) Bloqueador neuromuscular está associado com contração muscular esquelética. O potencial da placa motora tem que ser suficiente para poder gerar um potencial de ação no sarcolema. O potencial de ação no sarcolema, invade o túbulo T, agindo em um receptor chamado de dihidropiridina, abrindo o canal de rianodina, liberando cálcio no sarcoplasma, ocorrendo a contração muscular esquelética. O bloqueador neuromuscular bloqueia o receptor N(m), como por exemplo o curare. O curare bloqueia o N(m), impedindo que chegue no limiar de excitabilidade. Os bloqueadores neuromusculares são utilizados em anestesia local, por exemplo. O anestésico geral bloqueia o sistema nervoso, bloqueando o controle motor (via piramidal, via extra piramidal, via lateral e via medial), não ocorrendo a contração vindo do sistema nervoso. Só que o controle motor é estabelecido pelo SNC, pela parte aferente e através de reflexos medulares (interneurônios). A parte motora fica bloqueada pelo anestésico geral, porém os interneurônios (os reflexos), não estão bloqueados, então a pessoa pode estar anestesiada, Na placa motora temos o receptor nicotínico muscular (N(m) – receptor ionotrópico acetilcolina dependente). Ao liberarmos acetilcolina na placa motora da musculatura esquelética, ela interage com o receptor N(m), abrindo um canal. Esse canal, entra Na⁺ e sai K⁺, gerando o potencial da placa motora. O potencial da placa motora é um potencial em decremento, ele depende da quantidade de acetilcolina (quanto maior for a quantidade de acetilcolina, maior vai ser o potencial), então esse potencial surge e depois vai decaindo. Em – 90mV, a membrana está em repouso. Ao liberar acetilcolina, ocorre a abertura de um canal para o Na⁺ entrar. Quando o Na⁺ entra, de -90 mV passa para -75 mV, gerando o potencial de ação no sarcolema. O curare bloqueia o receptor N(m), surgindo o potencial de ação, mas que não chega no limiar, ou seja, o potencial da placa motora não foi suficiente para gerar o potencial de ação no sarcolema. 2 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros ainda tendo contração. Em uma cirurgia aberta, se utiliza o bloqueador neuromuscular, para relaxar a musculatura. CLASSIFICAÇÃO RELACIONADA COM A DURAÇÃO DE AÇÃO DO FÁMACO: Ultracurta➔ succinilcolina Curta ➔ mivacúrio Intermediária ➔ vecurônio e atracúrio (rocurônio e o rapacurônio) Longa➔ d-tubocurarina, metocurina, pancurônio e doxacúrio MECANISMO DE AÇÃO ✓ Agentes bloqueadores não despolarizantes - bloqueiam os receptores de Ach e/ou canal iônico; não gera o potencial da placa motora. É o mais utilizado hoje. ✓ Agentes bloqueadores despolarizantes - são agonistas nos receptores de Ach. NÃO DESPOLARIZANTES: não gera o potencial da placa motora. Exemplos: D – Tubocurarina: usado na Amazonia para pegar animal, pois paralisa o animal. É de rápida eliminação. Foi o primeiro bloqueador neuromuscular descoberto. Succinilcolina: hoje em dia não é mais utilizada, pois se utilizada junto com algum anestésico geral, pode causar hipertermia maligna (mata). Possui ação ultra curta, em pouco tempo perde o seu efeito. Era utilizada para fazer endoscopia. Possuem mecanismos de ação diferentes. Um é não despolarizante e o outro é despolarizante. A succinilcolina tem um mecanismo de ação, e todos os outros bloqueadores possuem outro mecanismo de ação. Veremos adiante. Curare (tubocurarina): depuração hepática; Mec. Ação ➔ longa duração (baixas e altas doses). Outros: atracúrio, mivacúrio, pancurônio, tubocurarina e rocurônio. São utilizados nas cirurgias como anestésicos locais; no tratamento do tétano (pois no tétano ocorre muita liberação de acetilcolina). 3 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros DESPOLARIZANTES: succinilcolina Mec. Ação → ultracurta duração de ação. Hidrolisada pela colinesterase plasmática (infusão contínua). A succinilcolina tem um mecanismo de ação muito curto, ela ativa o receptor (age igual a acetilcolina), abrindo o canal, gerando o potencial auto excitável (o Na⁺ entra e o K⁺ sai); porém a succinilcolina não sai do receptor, portanto ela vai ter duas fases de ação: - Fase I: despolariza; - Fase II: fica no receptor, bloqueando a acetilcolina. Foi realizado um experimento com a aplicação de D – tubocurarina e succicinilcolina em pintinhos, aonde o pintinho que recebeu a D – tubocurarina ficava mole e, o que recebeu succicinilcolina, inicialmente ficava duro e depois mole. O maior problema da succinilcolina é a HIPERTERMIA MALIGNA, por isso que normalmente não é mais utilizada. A hipertermia maligna é uma doença genética do receptor rianodina, que desacopla a contração da excitação. O canal de rianodina desses pacientes possui mutações que conferem sensitividade a anestésicos voláteis como o halotano, enflurano e succinilcolina. No meio da cirurgia a temperatura corporal do paciente aumenta. O hipotálamo é quem controla a temperatura corporal. A COX II quebra o ácido araquidônico e forma a prostaglandina, esta, por sua vez, no hipotálamo, gera febre. Tanto que, ao usarmos antitérmico (dipirona), ele bloqueia a prostaglandina por bloquear a ciclooxigenase, reduzindo a febre. Então, em um primeiro momento, ocorre uma despolarização, gerando o potencial da placa motora, havendo a contração. Na segunda fase, como ela não deixa o receptor, a acetilcolina não consegue agir, não ocorrendo assim a contração. A succinilcolina é hidrolisada pela colinesterase, por isso tem um efeito rápido. 4 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros HIPERTERMIA MALIGNA - Rigidez muscular (por conta da liberação de cálcio); - Febre marcadamente alta (durante a cirurgia); - Aumento da produção de dióxido de carbono (por causa da contratura); - Batimentos cardíacos rápidos para aumentar a taxa de remoção de dióxido de carbono dos pulmões; - Acidose – o pH do sangue cai devido ao aumento da produção de dióxido de carbono das células musculares. EFEITOS ADVERSOS DA SUCCINILCOLINA - Hipertermia maligna (rigidez muscular e hiperpirexia): ocorre ocasionalmente quando usado com halotano (succinilcolina). Tratamento➔ DANTROLENO (bloqueia a liberação de cálcio) - Hiperpotassemia induzida pela succinilcolina; - Apneia quando o paciente tem uma deficiência genética de colinesterase plasmática ou em casos de uso de dose excessiva, pois aumenta a duração do efeito da succinilcolina, ficando bloqueado o receptor, não havendo a contração: o paciente não respira. Tratamento ➔ anticolinesterásicos reversíveis. Irão retirar o bloqueador neuromuscular. O anticolinesterásico aumenta a acetilcolina, retirando o bloqueador neuromuscular, é um antagonista competitivo reversível. Exemplos de anticolinesterásicos: - Fisostigmina → encontrado nas plantas. Penetra no SNC. - Neostigmina → não penetra no SNC. Usada no tratamento miastenia grave pois sua atividade sobre a musculatura esquelética é mais intensa que a da fisostigmina. A succinilcolina aumenta a febre e desregula o canal de rianodina (canal que abre a comporta de cálcio), ficando aberto, ocorrendo a saída do Ca⁺⁺ para o sarcoplasma e consequentemente contração muscular. Paciente com hipertermia maligna tem febre alta e tônus muscular. Quando ocorre o tônus muscular, ele libera muito CO₂, aumentando o CO₂ sanguíneo. 5 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros - Piridostigmina → usada no tratamento crônico da miastenia grave. - Edrofônio→ ações similares às da neostigimina. USOS TERAPÊUTICOS: - Adjuvante na anestesia cirúrgica para obter relaxamento da musculatura esquelética; - Facilitar intubação com um tubo endotraqueal; - Facilitar ➔ laringoscopia, broncoscopia, esofagoscopia. VIA DE ADMINISTRAÇÃO ➔ via parenteral (quase sempre viaintravenosa); não tem por VO. Sua biodisponibilidade é de 100%. CAIU NA MINHA PROVA: Mecanismo de ação da succinilcolina; hipertermia maligna e tratamento para hipertermia maligna (DANTROLENO). Foi uma questão discursiva de um paciente em cirurgia que teve febre alta e rigidez muscular. AULA 02: INTRODUÇÃO À ANTIBIOTICOTERAPIA Importante: Temos que tomar muito cuidado com a RESISTÊNCIA BACTERIANA, pois a bactéria tem que ser sensível ao antibiótico, ele tem que matar a bactéria. USAR COM CAUTELA. O que vai cair na prova? Resistência bacteriana; mecanismo de ação de alguns ATB na bactéria e alguns efeitos colaterais. ANTIBIÓTICOS Antibióticos são medicamentos poderosos que combatem as infecções bacterianas. Não pode matar célula do nosso corpo, quem mata células do nosso corpo é o antineoplásico (células cancerígenas). “Substância produzida por um organismo ou obtida sinteticamente que, em soluções diluídas, destrói as bactérias e outros microrganismos ou inibe o seu desenvolvimento.” Temos os ATB bactericidas (mata a bactéria) e os bacteriostáticos (impede o crescimento bacteriano). Um antibiótico “...apresenta boa capacidade antimicrobiana em baixa concentração (para ser viável) além de apresentar uma boa toxidade seletiva (sendo tóxico para bactérias e não para as células do corpo) ...”. Hoje em dia utilizamos muito os ATB sintéticos principalmente por ser de baixa dose e mais viável para a infecção, além de apresentar uma boa toxicidade seletiva. A história dos antibióticos NÃO CAI HISTÓRIA!!! 6 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros ➢ Em 1889, Vuillemin propõe o termo “antibiose” – antagonismo dos seres vivos em geral. ➢ O termo “antibiótico” surge em 1942 por Waksman. ➢ A história dos antibióticos pode dividir-se em 3 eras: – Era dos alcalóides; – Era dos compostos sintéticos; – Era moderna dos antibióticos. Era dos alcalóides: ➢ Tem início em 1619 com o sucesso no tratamento da malária e disenteria amebiana. ➢ Em 1860 Joseph Lister estudou a inibição provocada por produtos químicos sobre as bactérias. ➢ Lister usou fenol para esterilizar instrumentos com que praticava cirurgia (marcando o início da era antimicrobiana). O trabalho de Lister possibilitou uma redução nas infecções pós-operatórias e tornou a cirurgia mais segura para os pacientes, distinguindo-o como o “pai da cirurgia moderna”. Lister (1827 – 1912), foi um cirurgião britânico pioneiro na cirurgia anti-séptica. Descobriu que o fenol limpava tudo. Era dos compostos sintéticos: ➢ Em 1909 descoberta do salvarsan por Paul Ehrlich – tratamento de tripanossomas e outros protozoários. ➢ Klarer e Meitzsch sintetizaram o prontosil (sulfonamida) em 1932. Os efeitos e resultados organizados por Gerhard Domagk garantiram-lhe o Prémio Nobel de Medicina em 1938. ➢ Em 1929 Alexander Fleming sintetiza a penicilina. Alexander Fleming em 1928: ➢ Era um cientista microbiologista; ➢ Voltou de férias para observar o crescimento de bolor numas placas de ágar com Staphylococcus; ➢ Verificou que o Staphylococcus não crescia à volta do bolor; ➢ O bolor evitava o crescimento das bactérias! 7 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros O Staphylococcus é uma bactéria muito potente, tanto que hoje em dia, existe o Staphylococcus meticilina resistente (MRSA – Staphylococcus marsa), é uma bactéria resistente a qualquer tipo de ATB. A penicilina salvou milhares de vidas de soldados dos aliados na Segunda Guerra Mundial. A penicilina é muito utilizada até hoje, como por exemplo a Amoxicilina com clavulanato. O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 1945 foi atribuído conjuntamente: Alexander Fleming, Ernst Chain e Howard Walter Florey “Pela descoberta da penicilina e seu efeito curativo para várias doenças infecciosas”. ➢Verificou-se que o prontosil não tinha atividade antibacteriana in vitro, daí que muitos químicos tentaram melhorar a molécula, dando origem, em 1938, à sulfapiridina, a primeira droga efetiva no tratamento das pneumonias pneumocócicas. Era moderna dos antibióticos: ➢Controle das infecções por estreptococos e pneumococos com utilização clínica das sulfonamidas. No final dos anos 40, verificou-se resistência ao antibiótico. ➢A resistência bacteriana leva à busca de novas substâncias. ➢O uso clínico da penicilina deu origem à mais variada e utilizada classe de antibióticos: -Lactâmicos; ➢Em 1944 Waksman e Schatz isolaram a estreptomicina, primeira droga efetiva contra a tuberculose. ➢Mesmo após séculos de estudos, a resistência bacteriana continua a ser o principal desafio. Cura Milagrosa? ➢Antes de 1930 não existia tratamento para as infecções bacterianas; ➢Após a descoberta da penicilina a indústria começou a procurar mais antibióticos na natureza; ➢A Estreptomicina foi o primeiro medicamento a ter um efeito na tuberculose – uma situação que era incurável; ➢Os cirurgiões começaram a tentar fazer cirurgias mais perigosas. RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS ➢Muitas bactérias desenvolvem a capacidade de se tornarem resistentes aos antibióticos. ➢Estas bactérias são hoje uma das maiores ameaças nos nossos hospitais. 8 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros ➢As bactérias resistentes aos antibióticos incluem o Staphylococcus Aureus Meticilino Resistente (SARM). Obs.: Tratamento empírico: tem uma infecção, primeiramente colhe o material e manda para fazer o antibacteriograma (demora de 24h a 48h), para saber qual ATB pode dar. Mas não podemos esperar, colhe o material e inicia o tratamento com algum antibiótico. É um tratamento empírico, pois a pessoa já tem que saber qual é a microbiota do local. RESISTÊNCIA BACTERIANA AOS ANTIBIÓTICOS Tem que ser explicado ao paciente como o antibiótico deve ser tomado. O que causa resistência bacteriana? ➢ Uso excessivo dos antibióticos em infecções em que não estão indicados. Ex. gripe. ➢ Uso incorreto: ▪ Não completar o tratamento prescrito: tem ATB que tem que tomar no mínimo 7 dias; tem ATB que mata pela concentração, mas normalmente mata pelo tempo; ▪ Uso de antibióticos prescritos para outros doentes. Não devemos tomar ATB para qualquer coisa, nem tudo vai ser o ATB que irá tratar. Prescrição excessiva encoraja o surgimento de superbactérias que resistem ao tratamento. Como se pode prevenir a resistência aos antibióticos ➢ Os antibióticos devem ser usados como último recurso e NÃO como primeiro recurso. Tem que ser feita uma boa anamnese e exame físico para avaliar a necessidade da prescrição do ATB; caso seja prescrito tem que explicar bem ao paciente como deve ser tomado. As infecções mais comuns melhoram espontaneamente com repouso, reforço de ingestão de líquidos e vida saudável. Staphylococcus aureus: causa furunculose. Antigamente a penicilina benzatina (bezetacil) fazia efeito. Hoje em dia não faz nenhum efeito sobre a bactéria, pois esta já está resistente. Todos os Staphylococcus aureus produzem uma enzima chamada de β – lactamase ou penicilinase. A penicilina tem um anel chamado de anel β – lactâmico. A β – lactamase destrói o anel β – lactâmico da penicilina, fazendo com que ela perca o seu efeito. 9 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros ➢ Tomar apenas os antibióticos prescritos pelo médico; ➢ Se forem prescritos, faça o tratamento até ao fim; ➢ Não use antibióticos prescritos para outras pessoas, eles são específicos para a outra infecção. A sua infecção é diferente da outra pessoa. Existem bactérias gram (+) e gram (-). As bactérias gram (-) são as piores, pois eles liberam uma endotoxina que pode até matar, além de serem as bactérias que mais possuem resistência. Mecanismos de resistência bacteriana CAIU NA MINHA PROVA: Questão discursiva, com essa imagem para explicar o mecanismo de resistência bacteriana da letra A e B! Os nomes dos mecanismos estavam apagados. Existem vários mecanismos de resistência: ➢ RESISTÊNCIA INTRÍNSECA e/ouRESISTÊNCIA ADQUIRIDA A) Modificação dos sítios de ligação dos antibióticos: dentro da bactéria existe um local que a penicilina vai agir; é um receptor para a penicilina. Só que a bactéria possui a capacidade de modificar esse receptor, impedindo a ação da penicilina. B) Degradação enzimática: Produção de enzimas pelas bactérias que inativa os antibióticos: β – lactamase; C) Via alternativa: Desenvolvimento de caminhos metabólicos resistentes: o ATB entra por um caminho que ele não vai conseguir ser nem bactericida, nem bacteriostático; D) Redução da permeabilidade ao antibiótico: presença de uma bomba de efluxo que diminui o acúmulo de antibióticos na bactéria ou ausência de canais de porina, diminuindo a entrada do ATB. 10 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Podemos nos infectar com uma bactéria a qual nunca tomamos um ATB contra ela e, ela já tem uma resistência adquirida, ou seja, pegamos essa bactéria de alguém. P. aeruginosa é um microrganismo que apresenta resistência intrínseca a vários substratos, devido à baixa permeabilidade da membrana externa, o que se deve ao número de sistemas de efluxo, como também à presença de β-lactamases codificadas no DNA cromossomal (PÉRICHON e COURVALIN, 2009). Ou seja, o ATB não consegue entrar na bactéria para destruí-la. A Pseudomona está muito presente no hospital. RESISTÊNCIA ADQUIRIDA A: CONJUGAÇÃO entre duas bactérias ligadas fisicamente e com troca de plasmídeo, contendo DNA determinante da resistência. B: TRANSDUÇÃO com um vírus (bacteriófago) portando o determinante da resistência para a bactéria alvo. C: TRANSFORMAÇÃO é a habilidade de determinadas bactérias de pegar DNA livre do ambiente. Obs.: não precisa saber essas classes. β-lactâmicos: são os antibióticos que possuem o anel β-lactâmico. Ex.: penicilina, cefalosporina, carbapenêmicos. Os antibióticos citados abaixo são indicados para o tratamento dessas bactérias, porém essas bactérias citadas são resistentes a esses ATBs; podemos usá-los, mas temos que ficar atentos à resistência. Quando começamos uma antibioticoterapia em um paciente, no terceiro dia, o paciente já não deve ter mais febre, caso contrário tem que fazer um segundo antibiótico. O que é muito perigoso. Normalmente não tira o primeiro, adicionamos o segundo. Tem que ficar atento. Por isso a anamnese é fundamental para saber se o paciente já tomou ATB, se tem alergia, etc. Dividida em três classes: conjugação, transdução e transformação. É uma resistência aonde a bactéria que está causando a infeção, já tem resistência por algum motivo. 11 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Mecanismos de resistência bacteriana aos - Lactâmicos: - Modificação do sítio de ligação com o antibiótico, ou seja, a penicilina não consegue chegar no receptor; - Produção da -lactamase, que inativa o ATB; - Permeabilidade reduzida. Mecanismos de resistência bacteriana aos Aminoglicosídeos: - Produção de enzimas e diminuição da permeabilidade. Mecanismo de resistência bacteriana às Tetraciclinas: - Diminuem da permeabilidade. A tetraciclina não pode ser utilizada em crianças, seu principal efeito colateral é o escurecimento do esmalte dentário. Tem que optar por outros ATBs. AULA 03: CLASSIFICAÇÃO DOS ANTIBIÓTICOS Classificação dos antibióticos Com base na origem: ➢ Naturais (penicilina G): utiliza-se menos. Ex.: penicilina benzatina. ➢ Semi - sintéticos (aminopenicilinas); ➢Sintéticos (cloranfenicol). Com base na ação biológica (mecanismo de ação): ➢ Bactericidas: destrói as bactérias, mata a bactéria; 12 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros ➢ Bacteriostáticos: paralisam o crescimento das bactérias, ou seja, dificulta a reprodução da bactéria. Normalmente quando damos dois antibióticos para uma pessoa, associamos os dois. Analisando o gráfico abaixo, podemos visualizar que ao usarmos um bacteriostático, como o cloranfenicol, por exemplo, durante uma infecção bacteriana, a bactéria não cresce (o antibiótico inibe o seu crescimento); ao usarmos o bactericida (penicilina, cefalosporina), a bactéria morre, diminuindo a infecção. Podemos usar os dois, porém o ideal é usar apenas um antibiótico, pois se usarmos os dois juntos pode crescer ainda mais o mecanismo de resistência da bactéria. BACTERICIDAS BACTERIOSTÁTICOS: ✓ -lactâmicos ✓ Macrolídeos ✓ Penicilinas ✓ Lincosamidas ✓ Cefalosporinas ✓ Tetraciclinas ✓ Carbapenêmicos ✓ Cloranfenicol ✓ Monobactâmicos ✓ Vancomicina ✓ Bacitracina ✓ Aminoglicosídeos ✓ Fluorquinolonas O uso excessivo de antibióticos pode destruir as bactérias inofensivas /úteis (microbiota). ➢ Muitos dos antibióticos prescritos pelo médico são de largo espectro. ➢ Estes matam as bactérias nocivas, mas também as inofensivas; ➢ O desaparecimento das bactérias inofensivas, deixa espaço para a invasão de mais infecção. Classificação dos antibióticos: ➢ Quanto ao espectro de ação: - Grande espectro: matam um grande leque de bactérias; Ex. Penicilina; - Pequeno espectro: matam um tipo específico de bactérias; Ex. Isoniazida. Gráfico: tempo x número de bactérias : infecção bacteriana : bacteriostático : bactericida Temos muito mais bactericidas do que bacteriostáticos, pois nos interessa muito mais eliminar a bactéria do que diminuir sua colonização. Tem ATB que é bacteriostático, mas que dependendo da dose, vira bactericida. 13 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros A cultura para ver se é gram (+) ou (-) demora 24h; o antibacteriograma, que diz qual é a bactéria, demora 48h. O material é coletado antes de dar a medicação, como ainda não sabemos qual é a bactéria, damos um antibiótico de forma empírica (sem saber o que temos), é o antibiótico de largo espectro. O ideal é saber a microbiota do local, pois ao colhermos o material de um determinado local, temos que saber qual bactéria já tem ali normalmente, para sabermos qual antibiótico vamos dar, mesmo dando de forma empírica. Ao sair o antibacteriograma, conferimos se a bactéria é sensível ao antibiótico receitado. Dificilmente conseguimos utilizar o antibiótico de pequeno espectro, pela demora do antibacteriograma. Escherichia coli é comum em infecção urinária, então já passa o antibiótico sensível a ela, sempre depois de coletar. O perigo do antibiótico de amplo espectro é que mata bactéria ruim e boa, então, o ideal é saber qual bactéria está causando a infecção. Forma correta de utilização: ➢ Tomar antibiótico apenas sob indicação médica. ➢ Não tomar nem ceder a terceiros o antibiótico que possa ter em casa, visto que pode não ser o indicado para a infecção. ➢ Tomá-lo sempre à mesma hora, todos os dias e até ao fim do tratamento: por causa da biodisponibilidade da droga, que se não for no horário certo, diminui, podendo não fazer mais efeito. ➢ Se após 3 dias não se verificarem melhorias, contactar o médico. 14 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Ex.: A amoxicilina demora 5 meias vidas para chegar na biodisponibilidade correta. Se tomar de 8/8h, vai demorar 2 dias, se for de 12/12h também, ou seja, no terceiro dia o paciente já tem que melhorar. PRINCÍPIOS DA ANTIBIOTICOTERAPIA CARACTERÍSTICA DE UM ANTIBIÓTICO IDEAL: Interferir com as funções vitais das bactérias sem comprometer as células do hospedeiro. • Toxicidade seletiva para o agente infectante; • Baixa incidência de efeitos adversos e toxicidade para o hospedeiro: tem antibiótico que pode causar surdez, lesão renal; • Não desenvolver o aparecimento de resistências bacterianas. Fatores a considerar na seleção dos antibióticos O agente antibiótico é necessário? ➢ Terapia empírica versus direcionada: Empírica: prescrever sem saber o que tem; Direcionada: já sabe o que tem. ➢ Identificação do microrganismo infectante; ➢ Susceptibilidade do microrganismoinfectante para um fármaco; ➢ Local anatômico da infecção e capacidade do antibiótico de atingir o sítio da infecção: ex.: pé diabéticos, aonde, por causa da vasculopatia causada pela DM, o antibiótico não chega; penicilina não atravessa a BHE, porém quando tem infecção (meningite) ela ultrapassa; ➢ Fatores do paciente: idade, função hepática e renal; gravidez, histórico de alergias e sistema imune. ➢ Fatores do fármaco: segurança, espectro de ação, toxicidade, capacidade de atingir o sítio da infecção e custo do tratamento. Identificação do microrganismo infectante Técnicas laboratoriais úteis no diagnóstico de doenças microbianas: 1. Técnica de coloração de gram + / gram –; 2. Cultivo, identificação e determinação da susceptibilidade da bactéria aos antibióticos; 3. Detecção de antígenos microbianos; 4. Detecção de RNA ou DNA microbiano: último caso; 5. Detecção da resposta inflamatória e imune do hospedeiro contra o microrganismo. 15 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Determinação da suscetibilidade da bactéria ao antibiótico CONCENTRAÇÃO INIBITÓRIA MÍNIMA: a concentração mínima de antibiótico capaz de inibir o crescimento bacteriano. CONCENTRAÇÃO BACTERICIDA MÍNIMA: a concentração mínima de antibiótico capaz de eliminar 99,9% das bactérias. Esses valores vêm descritos no medicamento para fazer o cálculo da dose. Criança acima de 30kg toma a mesma dose de adulto. Método da difusão em disco de ágar para testar a susceptibilidade da bactéria a agentes antimicrobianos específicos: Hans Christian, ao colorir as bactérias viu que as gram (-) ficavam vermelhas, enquanto as gram (+), ficavam mais roxas. Isso ocorre por causa da membrana de cada bactéria; a gram (+) possui uma membrana rica em proteoglicanos; a gram (-) possui duas paredes celular, uma interna e uma externa, com uma fina camada de proteoglicanos. O que colore é a camada de proteoglicanos, por isso que a gram (+) fica com uma coloração mais roxa. Gram (-): a infecção é mais violenta, essas bactérias produzem uma endotoxina que piora a infecção, possuem maior resistência aos antibióticos. GRAM (-) Tem uma maior virulência de serem ou se tornarem mais facilmente resistentes aos antibióticos; essa membrana libera substâncias tóxicas chamadas de endotoxinas. As endotoxinas contribuem para a gravidade dos sintomas durante infecções com bactérias gram (-). 16 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Coleta a bactéria e coloca no swab juntamente com alguns antibióticos para ver qual vai ser o comportamento da bactéria; terão antibióticos sensíveis, que são os que podemos usar e antibióticos o qual as bactérias são resistentes; esse método demora em torno de 48h, é o antibacteriograma. Através do antibacteriograma selecionamos qual antibiótico será utilizado. Acesso do antibiótico ao local da infecção: A penetração e a concentração de um antibiótico no LCR dependem: - Lipossolubilidade do antibiótico que favorece a passagem; - Condições patológicas: inflamação (meningite) favorece a passagem; - Peso molecular do fármaco; - Ligação do fármaco às proteínas plasmáticas (penetração é proporcional ao fármaco livre): ligado às proteínas plasmáticas o fármaco não consegue atravessar. Escolha do antibiótico: CAIU NA MINHA PROVA MULTIPLA ESCOLHA - Fatores relacionados ao Fármaco: ➢ Capacidade de atingir a concentração terapêutica eficaz no local da infecção: tem que saber se o medicamento vai atingir o local da infecção. ➢ Espectro de ação: quanto maior o espectro de ação, pior. ➢ Escolha da via, dose, intervalo e duração do tratamento. 17 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros ➢ Perfil dos efeitos adversos – Toxicidade: principalmente pra grávidas, lactantes, imunodeprimidos. ➢ Custo da antibioticoterapia. - Fatores relacionados ao Paciente: ➢ Sistema imune: a eliminação dos microrganismos depende do sistema imune funcionante, se o paciente estiver com o sistema imune competente, nem de antibiótico ele precisa. Fatores que podem afetar a imunocompetência: alcoolismo, diabetes, HIV, má nutrição, idade avançada, imunossupressores. ➢ Disfunção renal (corrigir a dose ou intervalo pela taxa de creatinina – Penicilinas, cefalosporinas, aminoglicosídeos e vancomicina): pacientes com disfunção renal não mantém o medicamento na circulação, é mais complicado. ➢ Disfunção hepática (eritromicina, tetraciclinas, cloranfenicol, metronidazol e clindamicina); muitos antibióticos dependem que o paciente tenha um bom fígado para trabalhar. ➢ Idade: ex. recém natos (contraindicado cloranfenicol, sulfonamidas, tetraciclinas e fluorquinolonas). Penicilinas e cefalosporinas podem ser utilizados. ➢ Alergias prévias: -lactâmicos e Sulfas, costumam dar mais alergias, usa a azitromicina no lugar. ➢ Gestação e lactação: tomar cuidado se ultrapassar a barreira placentária. ASSOCIAÇÕES DE ANTIBIÓTICOS Razões para o uso concomitante de mais de um agente antimicrobiano por paciente: • Tratar uma infecção que provoca risco de vida; • Tratar uma infecção polimicrobiana: causada por várias bactérias; • Terapia empírica quando nenhum agente é ativo contra patógenos em potencial: infecções que não fazemos exame de cultura antes; • Atingir sinergismo (obter potencialização da atividade antimicrobiana): Ex.: amoxicilina + ácido clavulânico. • Prevenir a emergência de resistência bacteriana; Cefalosporina e penicilina podem ser usados na grávida! 18 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros • Permitir o uso de baixas doses de um dos agentes antimicrobianos: evitando reações adversas; facilita a ação dos antibióticos. SINERGISMO: associação de dois antibióticos, como por exemplo amoxicilina + ácido clavulânico; são sinérgicos, pois um ajuda o outro; penicilina + aminoglicosídeo: possuem sinergismo, então pode diminuir a dose. ASSOCIAÇÕES SINÉRGICAS: ➢ Inibidor da síntese da parede celular (penicilina) + aminoglicosídeo. ➢ Sulfonamida + Trimetoprima (inibem os passos sequenciais da síntese do folato). ➢ Amoxicilina + Inibidor da -lactamase (Ácido Clavulânico). SINERGISMO Penicilina + Aminoglicosídeo A penicilina é inibidora da parede celular e o aminoglicosídeo precisa atingir o ribossomo 30s para fazer efeito contra a bactéria, mas ele não consegue atravessar a parede celular da bactéria. Então, ao associar com a penicilina, o aminoglicosídeo consegue entrar, pois esta destrói a parede da bactéria; consequentemente podemos usar uma dose menor de aminoglicosídeo. Gráfico: SINERGISMO: Droga A + Droga B: diminui a infecção bacteriana. ANTAGONISMO: Droga A + Droga B não melhoram ao associar dois antibióticos; a infecção permanece. 19 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Desvantagens das Associações de Antibióticos: ➢ Risco aumentado de toxicidade; ➢ Seleção de microrganismos resistentes a múltiplos fármacos: se iniciou um antibiótico não tira, entra com outro junto, pra evitar a resistência. É o ideal. ➢ Alteração da flora bacteriana normal do trato intestinal, respiratório e gênito-urinário, predispondo ao aparecimento de microrganismos resistentes e desenvolvimento de superinfecções: a diarreia pode ser ocasionada pela mudança da flora intestinal ocasionada pelo antibiótico. ➢ Aumento do custo do tratamento. ANTIBIÓTICOS PROFILÁTICOS Algumas situações clínicas onde o tratamento profilático de infecções é recomendado: Complicações da Antibioticoterapia: ➢ HIPERSENSIBILIDADE ▪ Penicilina e cefalosporina são antibióticos muito utilizados, porém podem causar hipersensibilidade, como urticária e choque anafilático. ➢ TOXICIDADE DIRETA ▪ Aminoglicosídeos – Ototoxicidade e nefrotoxicidade. É irreversível. Aminoglicosídeos são medicamentos usados por muito tempo, o tratamento tem duração de 24 dias, 18 dias, então tem que tomarmuito cuidado. Tem que avisar à família das possíveis complicações, pois uma vez iniciada a antibioticoterapia não pode parar, o paciente pode ficar surdo para sempre. ▪ Cloranfenicol – depressão da medula. ➢ SUPERINFECÇÕES 20 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros ▪ Antibióticos de amplo espectro pode alterar a microflora normal dos tratos intestinal e geniturinário, permitindo o supercrescimento de microrganismos oportunistas, especialmente fungos e bactérias resistentes. ➢ RESISTÊNCIA BACTERIANA Considerações farmacodinâmicas para escolha do antimicrobiano: ✓ Bacteriostático: inibe o crescimento; ✓ Bactericida: causa morte bacteriana. A morte é dependente da concentração e dependente do tempo. Cocos Gram positivos (associadas a infecções com pus): As infecções piogênicas (que produzem pus) estão primariamente associadas à Staphylococcus, Streptococcus e Enterococcus: ✓ Infecções associadas a estes gêneros; ✓ Infecções da pele e dos tecidos moles; ✓ Infecções ósseas e articulares; ✓ Endocardite; ✓ Pneumonia bacteriana; ✓ Síndrome de Choque Tóxico; ✓ Causa 50-60% das infecções da corrente sanguínea. Bastões Gram negativos (comum em infecções hospitalares): ✓ Inclui membros da família Enterobacteriaceae e Pseudomonas; ✓ 30-35% de todas as infecções da corrente sanguínea; ✓ 70% das infecções do trato urinário; ✓ Pneumonia bacteriana; ✓ Infecções intestinais / abdominais: sempre gram (-); ✓ Pseudomonas são patógenos oportunistas que causam infecções em pacientes com defesas hospedeiras comprometidas, ou aqueles que tiveram tratamento antibiótico de longo prazo. AULA 04: CLASSES DOS ANTIBIÓTICOS Existem várias classes de antibióticos, tais como: - Inibidores da síntese da parede celular: β – lactâmico, cefalexina (tem um anel cefalosporânico); - Tetraciclinas; - Cloranfenicol - Aminoglicosídeos; - Macrolídeos; - Quinolonas; 21 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros - Inibidores da síntese de folato: Bactrim (trimetoprima + sulfametoxazol). Com base no mecanismo de ação, teremos um antibiótico que pode: - Alterar a parede bacteriana: inibição da síntese da parede, matando a bactéria; - Agir na membrana celular: alteração da permeabilidade seletiva da membrana celular, matando também a bactéria. - Ribossomos: alteração na síntese ou interrupção da síntese proteica, na fase 50s e 30s, irão alterar o crescimento da bactéria; - DNA e RNA: inibição da síntese do material genético; - Metabólitos essenciais: inibição dos mesmos. CLASSE: INIBIDORES DA PAREDE CELULAR ATB: PENICILINA CEFALOSPORINA MONOBACTÂMICOS CARBAPENÊMICOS Bloqueiam a parede celular. Os inibidores da parede celular são os antibióticos β lactâmicos, todos possuem o anel β lactâmico, assim como o ácido clavulânico; eles destroem a parede celular. A β lactamase, é uma enzima que destrói o anel β lactâmico, ou seja, pode destruir a cefalosporina e a penicilina, impedindo que este tenha efeito. A cefalosporina tem de 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª geração, ou seja, uns são mais resistentes às bactérias que outros, ou seja, são melhores. MECANISMO DE AÇÃO Os antibióticos β lactâmicos interagem com as PROTEÍNAS LIGADORAS DE PENICILINA, inibindo as transpeptidases, ativando autolisinas que lisam a parede bacteriana. São as transpeptidases que se unem para formar a parede celular, se elas estiverem inibidas, não tem a formação da parede celular. Os β lactâmicos são considerados bactericidas. Gram (-): possuem porinas. 22 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Tanto as bactérias gram (+) quanto as bactérias gram (-) possuem a β lactamase como mecanismo de resistência. As bactérias gram (-) possuem um canal de porinas na sua camada externa que permite a passagem do antibiótico para que assim possa se ligar à PLP. Existe um mecanismo de resistência o qual as bactérias gram (-) bloqueiam o canal de porina, impedindo que o antibiótico entre e se ligue à PLP. PROVA: Mecanismo de ação dos antibióticos β lactâmicos. MECANISMO DE RESISTÊNCIA Exemplos de algumas bactérias que, ao usarmos a penicilina, irá desencadear algum mecanismo de resistência: 1 - Inativação do antibiótico pelas -lactamases. Ex. cocos gram (+) com S. aureus, S. pneumoniae Cocos gram (-) N. gonorhoeae, H. influenzae. Nesses casos tem que associar o ácido clavulânico com a penicilina. 2 - Alterações conformacionais das PLPs. Ex. S. aureus, Streptococcus pneumoniae; 3 – Ausência dos canais de porina que reduz a permeabilidade aos antibióticos hidrossolúveis. Ex. P. aeruginosa (comum no hospital); 4 – Presença de uma bomba de efluxo do antibiótico. Ex. P. aeruginosa, E. coli, N. gonorhoeae. ASSOCIAÇÃO MEDICAMENTOSA 1 - Inativação do antibiótico pelas -lactamases: quase todas as bactérias possuem a β lactamase, então não pode usar penicilina e nem cefalosporina, teremos que usar outros β lactâmicos resistentes a β lactamase. 2 - Alterações conformacionais das PLPs: a penicilina entra, mas não consegue aderir; 3 - Redução da permeabilidade da parede celular: as bactérias gram (-) podem bloquear as porinas, impedindo a entrada da penicilina; 4 - Presença de uma bomba de efluxo do antibiótico: ele entra, mas volta. IMPORTÂNCIA: Amplia a atividade destas penicilinas para cepas de Staphylococcus aureus e Haemophilus influenzae, Klebsiela sp, Bacteroides sp e enterobacteriáceas produtoras de - lactamases. 23 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Aumenta o espectro de ação da penicilina ao se associar ao ácido clavulânico, pois esse bloqueia β lactamase, permitindo que a penicilina tenha efeito. Efeito sinérgico. CEFALOSPORINA É classificada em geração, cada uma pega uma determinada bactéria. Mesmo mecanismo de ação das penicilinas: inibição da síntese da parede celular bacteriana; efeito bactericida. Mecanismos de resistências: - Alterações das PLPs reduzindo a afinidade com o antibiótico. - Impermeabilidade do antibiótico - Elaboração de -lactamase (cefalosporinases) que destroem cefalosoporinas específicas. Temos cefalosporina de 1ª até 5ª geração. - 1ª geração: CEFAZOLINA e CEFALEXINA (6/6h) Resistem bem à β lactamase. Ex.: Infecções de S. aureus, que tem muito pus, usamos cefalexina. Infecções por bactérias gram +. - 2ª geração: CEFACLOR e CEFUROXIMA Cefaclor é muito indicado para pneumonia bacteriana em crianças. Menos ativa contra cocos gram (+) que as de 1ª geração, mas mais ativa contra gram (-) e mais resistentes às - lactamases. - 3ª geração: CEFOTAXIMA, CEFTRIAXONA e CEFTAZIDIMA Apenas para bactérias gram -. - 4ª geração: CEFEPIMA Gram-positivos, Gram-negativos e enterobacteriáceas. É mais resistente à hidrólise pelas -lactamases. Não é um medicamento de primeira escolha. Anti pseudomonas e consegue agir contra estafilococos resistentes à oxacilina (penicilina muito resistente à β lactamase). Espectro de Ação: Enterobacter resistentes à penicilina, Pseudomonas, S. aureus, S. pneumoniae, Haemophilus e Neisseria. Indicação: No tratamento de pacientes hospitalizados com infecções graves respiratórias, urinárias, ginecológicas e de pele e tecido subcutâneo causado por Enterobactérias e P. aeruginosas. - 5ª geração: CEFTOBIPROLE e CEFTAROLINA Último recurso. Assemelha-se à ceftriaxona, com a vantagem de apresentar maior eficácia contra estreptococos e estafilococos resistentes aos outros antibióticos. Infecções causadas por MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina), essa cefalosporina de 5ª geração é eficaz no tratamento de infecções causadas por bactérias gram (-) e outras bactérias gram (+) multirresistentes. 24 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Apesar da vancomicina ainda ser considerada o “padrão ouro” para a terapia parenteral para o tratamento de infecções graves por MRSA, as cefalosporinas de 5ª geração constituem opção terapêutica viável, devido aos resultadossatisfatórios revelados em diferentes estudos frente ao tratamento de infecções. OUTROS ANTIBIÓTICOS -LACTÂMICOS CARBAPENENS e MONOBACTÂMICOS Desenvolvidos para o tratamento das infecções por microrganismos Gram (-) produtores de -lactamases, resistentes às Penicilinas e Cefalosporinas. CARBAPENENS ESPECTRO DE AÇÃO: Cocos e bacilos gram (+) e (-), aeróbios e anaeróbios. Não sofre inativação pelas -lactamases, mas podem ser hidrolisadas pela metalo--lactamase (carbapenemase) – é outro mecanismo de resistência da bactéria. GLICOPEPTÍDEOS – VANCOMICINA Utilizada em infecções graves. É um bactericida. Inibe a síntese da parede celular ao ligar-se ao terminal D-ala-D-ala, impedindo a ligação péptica cruzada entre as cadeias de peptideoglicanos. A vancomicina e a teicoplanina inibem a síntese da parede celular de bactérias sensíveis, através de sua ligação de alta afinidade à extremidade terminal D-alanil-D-alanina de unidades precursoras da parede celular. Espectro Antimicrobiano: Bactericida para bactérias gram (+), particularmente o Stafilococcos produtores de - lactamases. CLASSE: AMINOGLICOSÍDEOS - Antibiótico bacteriostático – bactericida; - Espectro antimicrobiano: Aeróbicos Gram (-); - Aminoglicosídeos têm atividade bactericida dependente da concentração; do tempo do tratamento. - Podem causar nefrotoxicidade e ototoxicidade. Aminoglicosídeos em uso no Brasil: AMINOGLICOSÍDEOS TÓPICOS: NEOMICINA AMINOGLICOSÍDEOS SISTÊMICOS: BACTERIOSTÁTICOS Existem antibióticos que são bacteriostáticos, mas que também são bactericidas dependendo da dose. Antimicrobianos que interferem na síntese proteica: Aminoglicosídeos; Macrolídeos; Tetraciclina; Cloranfenicol; Lincosamidas. 25 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros ESTREPTOMICINA: não se utiliza mais. Foi o primeiro antibiótico aminoglicosídeo formado. Já existem antibióticos sintéticos mais potentes que ela. GENTAMICINA TOBRAMICINA NETILMICINA AMICACINA Pegam mais enterobacteriáceas. MECANISMO DE AÇÃO Aminoglicosídeos não possuem ação sob bactérias anaeróbicas; pois eles precisam de utilizar o transportador de O₂ das bactérias aeróbicas para atravessarem a parede celular e se conectar a subunidade 30s. ➢Entrada na célula bacteriana depende de energia e oxigênio; ➢Liga-se irreversivelmente à subunidade 30s do ribossomo. O que impede a ação dos aminoglicosídeos? Bactéria anaeróbica, pH muito ácido e excesso de Mg⁺ ou Ca⁺⁺ dentro da bactéria. MECANISMOS DE RESISTÊNCIAS 1. Produção de enzimas bacterianas que inativam os aminoglicosídeos (acetilases, adenilases e fosforilases). Ex. Enterococcus faecalis, E. faecium; 2. Falha na permeação do antibiótico para o meio intracelular. Ex. ausência do sistema de transporte oxigênio - dependente. Pegam enterobacteriáceas e Pseudomonas aeroginosas (gram (-), encontrada no ambiente hospitalar); IM ou IV PROVA: mecanismo de ação dos aminoglicosídeos: inibe a subunidade 30s. Não tem a síntese de proteína. 26 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros 3. Baixa afinidade com o ribossomo bacteriano. Ex. E. coli, Pseudomonas (5%), enterococos (50%). Espectro de ação: Bacilos aeróbios Gram (-) e pequena ação Gram (+). Mas, atenção, bactérias gram (+) não possuem porinas, eles possuem uma parede celular e depois a membrana, essa parede celular tem que ser destruída pelos β lactâmicos para que os aminoglicosídeos consigam entrar. Então, para pegar gram (+) temos que associar: aminoglicosídeo + β lactâmico; ou vancomicina. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS - Infecções por bactérias entéricas aeróbicas gram (-): Tratamento das infecções urinárias, biliares e pulmonares, peritonite, apendicite, abscessos abdominais causados por E. coli, Klebsiella, Proteus e outros bacilos aeróbicos gram (-) entéricos. - Infecções graves por Staphylococcus aureus, Estreptoccus viridans e enterococcus (Associado a um -lactâmico ou Vancomicina); - Infecções por Pseudomonas aeruginosa (-lactâmico antipseudomonas Gentamicina ou tobramicina ou amicacina). Em resumo: Associação aminoglicosídeo + β lactâmico A penicilina destrói a parede celular para o aminoglicosídeo entrar e ativar a subunidade 30s, inibindo a síntese de proteínas. É um efeito sinérgico. 27 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros CLASSE: MACROLÍDEO (AZITROMICINA) Inibidores da síntese proteica; Antibiótico bacteriostático / Bactericida, dependendo da concentração pois também alteram a síntese proteica através da subunidade 50s. Antibióticos: ERITROMICINA, AZITROMICINA E CLARITROMICINA. Antigamente, pacientes alérgicos a cefalosporina e a penicilina, tinham que tomar eritromicina. MECANISMO DE AÇÃO Ligam-se à subunidade 50s do ribossomo, impedindo a transferência dos aminoácidos conduzidos pelo RNA de transporte para a cadeia polipeptídica em formação, resultando na inibição da síntese proteica. Em resumo, bloqueiam a subunidade 50s inibindo a síntese proteica. CLASSE: TETRACICLINA Antibióticos: TETRACICLINA, DOXICICLINA e MINOCICLINA TETRACICLINA Bacteriostático de amplo espectro inibidores da síntese proteica (30S). MECANISMO DE AÇÃO: bloqueia a subunidade 30s. É um bactericida dependendo da concentração. ➢ Inibição da síntese proteica, por ligarem-se à fração 30s do cromossomo bacteriano, impedindo a fixação do RNA de transporte; ➢Interferem no aporte e na ligação dos aminoácidos formadores da proteína. Espectro antibacteriano de amplo espectro: - Gram (+) e (-); - Aeróbios e anaeróbios; - Rickettsia, Chlamydia; - Mycoplasma, Legionella; - Plasmodium, espiroquetas; - Alguns protozoários (ex. Ameba). Resistências são frequentes para Enterococos e Pseudomonas aeruginosa, então, utiliza-se os aminoglicosídeos. Não é um antibiótico muito utilizado, costuma usar em pneumonias causadas por clamídia, é uma pneumonia atípica. PRECAUÇÕES: As tetraciclinas atravessam a placenta, e não são recomendadas durante a segunda metade da gravidez, pois causam descoloramento permanente dos dentes, hiperplasia do esmalte e inibição do crescimento ósseo do feto. 28 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Não são recomendadas durante a lactação, pois são excretadas pelo leite. Contraindicação: GRAVIDEZ - LACTAÇÃO e CRIANÇAS MENORES DE 08 ANOS. CLASSE: CLORANFENICOL Resistência bacteriana; Toxicidade: causa aplasia de medula. MECANISMO DE AÇÃO: inibidores da síntese proteica ao ligar-se a subunidade 50s. É bacteriostático. Espectro antibacteriano de amplo espectro de ação: - Bactérias gram (+) e (-); - Aeróbios e anaeróbicos; - Ativo contra ricketisia; - Mas não é ativo contra Chlamydia e Pseudomonas aeruginosa; - Bacteriostático para a maioria dos microrganismos; - Bactericida para Haemophilus influenzae, N. meningitidis e S. pneumoniae. Devido ao potencial tóxico, da resistência bacteriana e da disponibilidade de outros antibióticos mais efetivos, o uso do cloranfenicol deve ser reservado para situações graves. Em resumo: - Inibidores da síntese proteica: clorafenicol, macrolídeos (50s), tetraciclina e aminoglicosídeo (30s). CLASSE: LINCOSAMIDA Bloqueiam a subunidade 50s. Antibióticos: LINCOMICINA e CLINDAMICINA (infecções cardíacas) A clindamicina as vezes é utilizada como antibiótico profilático para endocardite bacteriana, pré cirúrgico, tratamento dentário. São bacteriostáticos ou bactericidas, dependendo da concentração; contra gram (+) e bacteriáceas. A clindamicina é bacteriostática, dependendo da dose pode ser bactericida, com atividade de Streptococcus e Staphilococcus resistentes a penicilina. CLASSE: METABOLISMO DO ÁCIDO FÓLICO ATB: Trimetoprima e Sulfonamidas. O ácido fólico é importante para a bactéria. Ele é formado a partir do PABA até formar o DNA bacteriano. A sulfa compete com o PABA, bloqueando o Dihidropteroato sintetase, enquanto o trimetropimbloqueia a dihidrofolato redutase. 29 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Sulfonamidas foram os primeiros agentes quimioterápicos eficazes. As sulfas são ativas contra bactérias gram (+) e gram (-), bem como contra determinados protozoários e alguns fungos. Hoje em dia se utiliza só se for primeira vez que teve infecção urinária, sem nunca ter utilizado antibiótico nenhum. CLASSE: QUINOLONA Bloqueiam a DNA girase. ➢ Interferência na síntese do DNA bacteriano, através da inibição de 2 enzimas: DNA girase - Gram (-) e (+); Topoisomerase IV - Gram (+). Responsáveis pelo controle do processo de divisão, reunião de novas cadeias e enovelamento do novo DNA durante a replicação. É bacteriostático, inibe o crescimento bacteriano. Tem de 1ª, 2ª, 3ª e 4ª geração; a depender da bactéria que tem que pegar. 1ª Geração: Ácido Nalidíxico: profilaxia para infecção urinária em pacientes tetraplégicos que retém muita urina; 2ª Geração: Norfloxacina, Ofloxacina e Ciprofloxacina: infecção urinária; 3ª Geração: Levofloxacina; 4ª Geração: Trovafloxacina. CLASSE: METRONIDAZOL É anaerobicida. Deve-se evitar uso de preparações vitamínicas e homeopáticas que contenha álcool até 48 horas após a última dose: não pode misturar com álcool. Efeito antabuse (rubor, vômito e taquicardia). Muito usado para infecção da gengiva, associado à penicilina. Gráfico: Se usar esses antibióticos em separados não terá nenhum efeito sobre a infecção; porém se for associado trimetropim + sulfa, ocorre a inibição do crescimento bacteriano. 30 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros AULA 05: INSULINA Células α: glucagon Célula δ: somatostatina Célula PP: polipeptídios pancreáticos Célula β: insulina A insulina circula na forma livre, tem meia-vida de 6 minutos, depurada de 10 a 15 minutos e degradada pela insulinase no fígado, rins, músculo e outro tecidos. A insulina é muito importante para o metabolismo basal. REGULAÇÃO DA SECREÇÃO DE INSULINA: RELEMBRANDO! Existem os receptores β e α que liberam insulina; então toda vez que a adrenalina / noradrenalina atuarem no receptor β adrenérgico, ativa a proteína Gs, que ativa a adenilato ciclase, aumentando o AMPc, aumentando a liberação de insulina. A insulina é produzida pelo pâncreas, através das ilhotas de Langerhans, que produzem além da insulina, o glucagon, somatostatina e polipeptídios pancreático. Liberação da Insulina A glicose entra e é metabolizada formando ATP. O ATP bloqueia o canal de K⁺, abrindo o canal de Ca⁺⁺. O Ca⁺⁺ entra, aumentando sua concentração intracelular, liberando a insulina. Existem vários fatores que estimulam a liberação da insulina. • Estimulantes da secreção de insulina: – Estimulação vagal e agonistas do receptor ₂ adrenérgico; – Antagonistas ₂ adrenérgicos; – Ácidos graxos, corpos cetônicos e aminoácidos; – Hormônios gastrointestinais → gastrina, secretina, colecistocinina, peptídeo gastrintestinal inibidor. • Inibidores da secreção de insulina: – Estimulação de receptores α₂ adrenérgicos; – Antagonistas ₂ adrenérgicos. 31 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Quando a noradrenalina e a adrenalina agem no receptor α, ativa a proteína Gi, que inibe a adenilato ciclase, que diminui o AMPc, diminuindo a liberação de insulina. Ou seja, em uma descarga adrenérgica temos predomínio dos receptores α, diminuindo a liberação de insulina, consequentemente teremos um aumento da glicose: HIPERGLICEMIA por causa do estresse. Então, um paciente diabético não pode ficar estressado, quanto mais estressado, mais difícil fica de controlar essa glicose, até mesmo por meio do uso de medicamentos. GLP - 1: é um hormônio que ativa a proteína Gs para aumentar a liberação de insulina. Ex.: Paciente diabético tipo 1 é insulino dependente; diabético tipo 2 produz pouca insulina ou possui resistência dos receptores de insulina. O GLP-1 é formado no íleo terminal (ou seja, é produzido toda vez que comemos) e age no pâncreas aumentando a liberação de insulina. Muito utilizado para emagrecer (ozempic). A acetilcolina também aumenta a liberação de insulina. A insulina não entra direto na célula porque ela é uma proteína, formada por duas pontes A e B, ligadas por duas pontes de dissulfeto, formada por aminoácidos. 🤯RECORDANDO FISIOLOGIA e BIOQUÍMICA 🤯 A formação do triglicerídeo depende da glicose. A glicose entra no tecido adiposo e se transforma em glicerolfosfato, formando o glicerol. Glicerol + 3 ácidos graxos formam o triglicerídeo, que vai ser armazenado dentro do tecido adiposo. A insulina inibe a lipase hormônio sensível, que é responsável pela quebra do lipídeo e o glucagon ativa. Quilomícron, VLDL na circulação são resgatados pelo hormônio lipase sensível, que quebra esses lipídeos transformando-os em ácido graxo, que entra no tecido adiposo. Junto com o glicerol, forma o triglicerídeo. Para a insulina agir ela tem que se ligar a um receptor que possui uma subunidade α, que ao se ligar a insulina, é ativada; uma vez ativada a subunidade α, ela ativa a subunidade β, que ativa a tirosina hidroxilase, que vai agir dentro da célula, aumentando o GLUT-4. Locais que encontramos receptor para insulina: tecido muscular esquelético e tecido adiposo. Para a glicose entrar no tecido adiposo e muscular esquelético tem que ter insulina, se não tiver não entra! 32 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros A glicose dentro do tecido muscular esquelético é fundamental para a produção de ATP. Ela entra e fica armazenada como glicogênio, então a insulina aumenta o armazenamento de glicogênio dentro da musculatura esquelética. A insulina bloqueia no fígado a gliconeogênese (formação de glicose por sustâncias não glicídicas), pois seu objetivo é diminuir a glicose sanguínea, causar uma euglicemia (glicose normal). Quando necessitamos de ATP, gastamos dentro do músculo a creatina fosfato, que através da creatina cinase é quebrada liberando Pi, que junta com o ADP para formar o ATP; até que gastamos toda creatina fosfato e entramos na via glicolítica (fosforilação). A via glicolítica quebra glicose dentro da musculatura esquelética, formando piruvato. De glicose até piruvato, temos os transportadores de hidrogênio chamados de NAD. O NAD pega o hidrogênio e leva para a cadeia respiratória (“Toma que o hidrogênio é seu”), que se não tiver oxigênio não pega o hidrogênio (“Não, não quero hidrogênio aqui não!”); então o NAD entrega o hidrogênio para o piruvato que através da lactato desidrogenase, forma o lactato. Então toda vez que formamos lactato, é porque estamos sem o oxigênio para que ocorre a respiração celular (cadeia respiratória). O lactato não pode subir, se subir tem falência de múltiplos órgãos. Tem que descobrir por que o oxigênio não está chegando naquela célula. Existem fatores que atrapalham a hemoglobina a levar o oxigênio até o tecido, tais como: acidose (aumenta a tensão da Hb), aumento de CO₂, aumento da 2,3-DPG, hipertermia (altera a forma da Hb). Na presença de oxigênio, o NAD entrega o oxigênio na cadeia respiratória e o piruvato forma o acetilCoa, formando o oxalacetato, responsável pelo início do Ciclo de Krebs, que forma de 36 a 38 ATP. Se gastarmos muito ATP (atividade física intensa, por exemplo), o tecido começa a queimar o lipídio: β oxidação dos ácidos graxos, através do palmitato, formando o acetilCoa, rodando o Ciclo de Krebs, aumentando a formação de ATP. Se acabar o lipídeo, começamos a queimar a proteína. No DM, ou a glicose não entra na célula pela ausência total de insulina (DM 1), ou entra pouca glicose (DM 2), formando em menor quantidade o piruvato. Consequentemente, não forma o oxalacetato, não tem Ciclo de Krebs; então a maneira de conseguir energia é queimando o lipídeo, formando acetilCoa, porém, como não tem oxalacetato,não vai ter o Ciclo de Krebs; ocorre o acúmulo de acetilCoa. Esse acetilCoa vai pro fígado e formam os corpos cetônicos, que são lançados na corrente sanguínea levando à principal complicação da DM: a cetoacidose diabética! A cetoacidose diabética ocorre principalmente no DM 1. A secreção de insulina, fisiológica, tem duas fases: Diabetes Mellitus (DM): Tipo 1: não tem produção de insulina; Tipo 2: menor produção ou resistência dos receptores de insulina. 33 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros - Fase 1: quando tem pico de insulina (ao comer); - Fase 2: durante a absorção dos nutrientes. Diabetes Mellitus: POLIFAGIA, POLIÚRIA E POLIDIPSIA. Paciente que não produz insulina tem polifagia: Por quê? No hipotálamo também tem um receptor de insulina e toda vez que tem um pico de insulina, ela vai lá no hipotálamo e bloqueia a fome. Existem três coisas que bloqueiam a fome: enchimento gástrico, colecistocinina e a insulina. Paciente que não produz insulina tem poliúria e polidipsia. Por quê? A glicose não entra na célula, o paciente tem hiperglicemia, que tem que ser filtrada pelo néfron. O túbulo contornado proximal vai ter que absorver 100% da glicose por transportadores. É muita glicose pra ser filtrada, os transportadores vão ficar saturados, então esse paciente vai ter glicosúria! A glicosúria puxa água, tendo poliúria e polidipsia. AÇÕES DA INSULINA NO METABOLISMO INTERMEDIÁRIO (carboidratos, lipídeos e proteínas): EFEITO DA INSULINA SOBRE O METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS: - Aumenta glicogênio: aumento do armazenamento de glicose dentro da célula; - Aumenta a captação de glicose pelo fígado; - Inibe a gliconeogênese: inibe a formação de glicose por substâncias não glicídicas. EFEITO DA INSULINA SOBRE O METABOLISMO DAS GORDURAS: - Poupador de gordura para formar triglicerídeos: ativação da lipoproteína lipase (parede capilar do tecido adiposo) que transformam os triglicerídeos (dos quilomícrons e lipoproteínas de densidade muito baixa – VLDL) em ácidos graxos para que ocorra a absorção pelo tecido adiposo. Curva da insulina Primeiro tem um pico, depois ela desce, para começar a absorção dos carboidratos, proteínas, aminoácidos, lipídeos; com isso, a insulina começa a aumentar novamente de acordo com a absorção. O pico ocorre por causa da colecistocinina. 34 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros - Aumenta o transporte de glicose para células adiposas (alfa-glicerofosfato que fornece glicerol): glicerol + ácido graxos = triglicerídeos; - Armazenamento de gordura nas células adiposas: hormônio anticetogênico, inibe a ação da lipase sensível a hormônio (causa hidrólise dos triglicerídeos). EFEITO DA INSULINA SOBRE O METABOLISMO DAS PROTEÍNAS E SOBRE O CRESCIMENTO: - Hormônio anabólico; - Captação de aminoácidos leucina, valina e isoleucina diferentes dos captados pelo GH; - Aumenta síntese de proteínas (sem ela não ocorre a síntese); diminui aminoácidos no sangue; - Inibe o catabolismo das proteínas; - Estimula a transcrição de genes IGF-1 e IGF-2 (fator de crescimento semelhante a insulina): efeito sinérgico com o GH. O GH só faz crescer se tiver insulina, pois tem 3 aminoácidos que só a insulina coloca pra dentro da célula: valina, isoleucina e leucina. A insulina e o GH são hormônios sinérgicos. Um recém nascido que não produz insulina, não cresce. No SNC, o consumo de glicose independe de insulina. Obs.→ o hipotálamo possui receptores para insulina (bloqueia a fome). - Hiperglicemia; - Dislipidemia; - Aumento dos corpos cetônicos. CETOACIDOSE DIABÉTICA Toda vez que comemos aumentamos a liberação de insulina; enquanto armazenamos, diminui a insulina e aumenta a liberação de glucagon. 35 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros DIABETES MELLITUS (DM): INSULINA E HIPOGLICEMIANTES ORAIS Diabetes mellitus TIPO 1 Não tem a produção de insulina. Antigamente dizia-se que a pessoa tinha que nascer com DM 1; hoje já se sabe que um paciente DM 2, sem tratamento, sem reeducação alimentar, pode tornar-se DM 1, por exaustão das células β. Por isso que no tratamento da DM 2 tem paciente que faz uso de insulina junto com hipoglicemiante oral. Destruição seletiva de células β; Deficiência grave/absoluta de insulina. Tratamento: Insulinoterapia. Diabetes mellitus TIPO 2: Resistência dos receptores à insulina ou uma deficiência relativa na secreção de insulina. Tratamento: hipoglicemiante oral; e em 30% dos pacientes: insulinoterapia. Os hipoglicemiantes orais agem aumentando a liberação de insulina. São hipoglicemiantes orais: sulfaniluréia e GLP-1. Existem medicamentos que agem no receptor, diminuindo sua resistência à insulina. Complicações do DM: - Complicações agudas: coma hiperosmolar hiperglicêmico (DM 2) e a cetoacidose diabética (DM 1); - Complicações crônicas derivadas da hiperglicemia prolongada: retinopatia, doenças cerebrovasculares, cardiovasculares, nefropatia, neuropatia, vasculopatia. É essencial que faça o tratamento para DM, que vai além da medicação, o paciente tem que fazer atividade física e reeducação alimentar. Reeducação Alimentar para o Diabético: 1- Melhorar o controle glicêmico; 2- Evitar a hipoglicemia; 3- Corrigir a hipertensão; 4- Corrigir a dislipidemia. ➢ Apenas 20% aderem condutas higiênicos-dietéticas. Se não fizer dieta e atividade física, o paciente já tem que entrar com a monoterapia e o hipoglicemiante, chegando cada vez mais rápido a insulinoterapia. 36 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros O exercício físico aumenta a AK 1, que aumenta o GLUT-4 na membrana da célula, assim como a insulina também aumenta o GLUT-4. Então, precisa da atividade física para internalizar a glicose no tecido adiposo e muscular esquelético. TRATAMENTO PARA DM 1 Terapêutica insulínica, apenas, não adianta dar hipoglicemiantes orais para o DM 1. TRATAMENTO PARA DM 2 Hipoglicemiantes orais: secretam mais insulina, alteram a sensibilidade do receptor e bloqueiam a α glicosidase (enzima que aumenta a absorção de glicose). A arcabose bloqueia a α glicosidase, para não absorver mais glicose; pode causar hipoglicemia. A metformina não causa hipoglicemia. Terapêutica insulínica Tem que fazer o glico test para ver como está a glicose e dependendo do valor, tem que utilizar unidades de insulina. Hoje em dia utiliza-se a bomba de insulina, pois mede a glicose e já injeta a insulina de acordo com a necessidade da pessoa. Pode-se injetar a insulina por IV, IM e SC. Pode causar uma hipercalemia ou hiperpotassemia: a insulina diminui o K⁺. Temos insulina de vários tipos: curta, intermediaria, longa e ultra curta (bem rápida). Origem da insulina: Humana: obtida a partir de recombinação genética; Suína: difere em 1 aminoácido na cadeia : • Treonina por alanina no aa 30 da cadeia β insulina. Bovina: difere em 3 aminoácidos: • Treonina e isoleucina por alanina e valina no aa 8 e 10 da cadeia α insulina análogos (lispro e aspart) Hoje em dia, utilizamos somente a insulina humana. 37 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros A principal complicação é a hipoglicemia. O tratamento com insulina tem como objetivo: - Manter a euglicemia pré e pós-prandial; - Normalização dos níveis de HB-glicosilada. REAÇÕES ADVERSAS COM A INSULINOTERAPIA: hipoglicemia, alergia, resistência à insulina e lipodistrofia. Complicação do paciente diabético em controle estrito do DM 1: pode ocorrer em pacientes usando sulfoniluréias, principalmente idosos ou com insuficiência renal. A sulfaniluréia é um hipoglicemiante que não é dado para DM 1. Antigamente, quando a metformina não fazia efeito, usava a sulfaniluréia por ser de fácil acesso. Ela pode causar hipoglicemia por bloquear o canal de K⁺ das células β pancreáticas, abrindo o canal de Ca⁺, que entra aumentando a liberação de insulina, podendo levar a uma hipoglicemia. - Fenômenos catecolaminérgicos (glicemia= 60 mg/dl): sensação de fome, taquicardia e sudorese; - Fraqueza (fenômenos neuroglicopênicos) 45 mg/dl: parestesia, distúrbios cognitivos, distúrbios de conduta, convulsão e coma. - Resistência à insulina: presença de anticorpos anti-insulina ou anti-receptor (mais comum). Comum na obesidade. Presença de protease no tecido. TRATAMENTO: glicocorticoides (40 a 80 mg/dia) para inibir, permitindo a ação da insulina. O glicocorticoide (cortisol), aumenta a glicemia. Esse paciente está tomando glicocorticoide para tomar insulina, mas o próprio glicocorticoide aumenta a glicemia. Glicocorticoide leva a diabetes da supra renal; mas tem que dar. NPH é a mais utilizada; tem que saber qual é o pico de ação dela; seu efeito se inicia 2h após. Paciente não pode ficar sem comer. Hipoglicemia mata mais que hiperglicemia. 38 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros - Lipodistrofia: hipertrofia ou atrofia do tecido subcutâneo nas áreas de aplicação da insulina. Insulina não purificada. Fazer rodízio nas áreas de aplicação previne esse efeito. DM 2, tende a ser mais obeso; quando ele começa a perder peso, com hiperglicemia, é indicativo de tomar insulina. AULA 06: DIABETES MELLITUS TIPO 2: HIPOGLICEMIANTES ORAIS CAIU NA MINHA PROVA: Duas questões de marcar sobre hipoglicemiantes orais: uma de bloqueador da DPP IV (saber o nome do medicamento) e outra sobre o mecanismo de vários hipoglicemiantes para dizer qual era a correta! Pioglitazona foi muito falado nas alternativas. Tem que saber o mecanismo de ação das medicações e alguns efeitos adversos! Para o tratamento de DM 2 usamos terapia insulínica apenas quando o paciente não se trata e está com risco de passar para a DM 1; no geral tratamos com hipoglicemiantes orais. As classes de hipoglicemiantes orais que temos, são: - Os que não aumentam a secreção de insulina: Acarbose, Metformina, Pioglitazona; - Os que aumentam a secreção de insulina: Sulfoniluréias, Glinidas; - Os que aumentam a secreção de insulina de maneira dependente da glicose, além de promover a supressão do glucagon: inibidor da dipeptidilpeptidase do tipo IV (DPP IV) e Análogo de GLP-1 (fator semelhante ao glucagon, age no pâncreas liberando mais insulina); - Os que promovem glicosúria (sem relação com a secreção de insulina): Inibidor de SGLT-2 (cotransporte); ocorre na parte renal, pois toda glicose é reabsorvida no túbulo contornado proximal, ao bloquear o canal, eliminamos mais glicose. SULFONILURÉIAS, GLINIDAS: aumentam a secreção de insulina SULFONILURÉIAS: CLORPROPAMIDA Hoje em dia não é tão utilizada, pois já existem outras; mas é o medicamento que recebemos gratuitamente pelo SUS. Mecanismos de ação: Indicações para o uso de insulina Gravidez; DM 1; Cetose e cetoacidose diabética; Insuficiência renal crônica em estado terminal; Cirurgias de grande porte; Insuficiência coronariana grave (pós IAM); Pacientes diabéticos tratados como tipo 2 que começam a perder peso com glicemias elevadas. Pacientes diabéticos tipo 2 com muitos anos de doença que já possuem falência da célula β. 39 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros A glicose é o principal fator para a liberação da insulina. Quando ela entra na célula β, a glicose é quebrada para a formação de ATP; esse ATP fecha o canal de K⁺, e toda vez que isso acontece, o canal de Ca⁺⁺ se abre, entra o Ca⁺⁺, aumentando a liberação de insulina. As sulfoniluréias são drogas secretoras de insulina; agem bloqueando o canal de K⁺. As sulfoniluréias liberam mais insulina, então a glicose pode diminuir, causando hipoglicemia; também pode causar hiponatremia por liberar muito Na⁺ pela parte renal. Também está relacionada com o ganho de peso. É metabolizada pelo fígado e eliminada pela via renal; então tem que pensar nos pacientes com algum problema hepático, se esses pacientes estão metabolizando ou não a droga; se não estiverem, esses pacientes estarão acumulando a droga na circulação, gerando efeitos colaterais. Paciente com insuficiência renal, se não estiver eliminando a droga, ocorre o mesmo. Efeitos colaterais: 1. Ganho de peso; 2. Hiperinsulinismo; 3. Hipoglicemia; 4. Hiponatremia. USO – 30` antes da refeição Podem ser associadas à insulina e inibidores de - glicosidase (arcabose), glitazones, metformina (melhor e mais usada associação). Agem na célula β através de um receptor específico (SUR), fechando os canais de K⁺ e abrindo o Ca⁺⁺, despolarizando a membrana a fim de desencadear o processo intracelular de secreção de insulina. O problema: tem muito efeito colateral! 40 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Se a dose é menor, os efeitos colaterais são menores; quanto maior a potência, menor a dose. METIGLINIDAS (ácido benzóico) É uma medicação nova, que não causa muito efeito colateral como as sulfoniluréias. Repaglinida (Novonorm®), Prandin®, (Gluconorm®) e Nateglinida (Starlix®). Mecanismo de ação: Também agem bloqueando o canal de K⁺, causando despolarização da célula β, abrindo os canais de Ca⁺⁺, liberando mais insulina. O risco de hipoglicemia existe, mas é menos acentuado que nas sulfoniluréias; e não causa hiponatremia e nem ganho de peso. É uma droga mais segura. Excretada por via biliar. Tomar no pré-prandial. Contra indicação formal: DM 1, gravidez, I.R.C, hepatopatia grave, IAM. Obs.: gravidez não pode ser usado nenhum hipoglicemiante oral, apenas insulina. BIGUANIDAS: Metformina · Metformina é a única biguanida em uso no mercado; é um medicamento muito antigo, é conhecido como glifage. Obs.: também pode ser usado para ovário policístico, por causa do aumento da testosterona. · Reduzem a neoglicogênese ou gliconeogênese hepática (formação de glicose por substâncias não glicídicas), aumentam a captação da glicose a nível muscular (GLUT-4). Ação hepática é maior do que no músculo. Bloqueia a gliconeogênese hepática, ou seja, deixa de produzir glicose no fígado, consequentemente, diminui a glicemia. Então o principal efeito da metformina é bloquear a neoglicogênese para não formar glicose no fígado. Mas ela também tem ação na musculatura esquelética, aumentando o GLUT-4. A metformina diminui a absorção de glicose. Existem sulfoniluréias de várias gerações, o que modifica cada uma delas é a potência da droga (Kd): quanto menor o Kd, maior é a potência da droga, maior é a afinidade da droga pelo receptor. Da primeira geração o único que ainda se utiliza é a Clorpropamida, as demais gerações, todas são utilizadas. Todas possuem o mesmo mecanismo de ação. 41 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros · Inibem a absorção intestinal de glicose diminuindo o peso e segundo os estudos do U.K.P.D.S (United Kingdom Prospective Diabetes Study) diminui a mortalidade por D.C.V em DM 2. É uma medicação que diminui a glicose, mas não é uma medicação para utilizar em pacientes que já são diabéticos; é importante para os pacientes pré-diabéticos, pois não altera insulina, não dá hipoglicemia; o que pode acontecer, é, em concentrações maiores, aumentar o ácido lático (acidose lática). Efeito colaterais: - Acidose láctica (MALA): tríade clássica de MALA é o aumento da metformina, insuficiência renal e aumento do ácido láctico; Pacientes com insuficiência renal, não eliminam a metformina, tendo aumento na sua concentração. Pacientes com problema respiratório, como, bronquite, asma, enfisema pulmonar, são pacientes que não fazem a troca gasosa, então a Hb carreia mais CO₂, levando a uma hipercapnia, tendo aumento da hemoglobina reduzida (Hb que carreia CO₂), levando a cianose. A cianose significa que não tem O₂ na cadeia respiratória! Ao quebrar a glicose, forma o piruvato, liberando hidrogênio, que na ausência de oxigênio, transforma o piruvato em ácido lático: acidose lática. ESSES PACIENTES NÃO PODEM USAR METFORMINA. - Efeitos gastrointestinais: por causa da diminuição da absorção da glicose, podendo levarà diarreia. A metformina é a droga de escolha para diabéticos obesos, pois não causa aumento de peso. Não causa hipoglicemia, mas causa acidose lática. Única que não causa hipoglicemia. BIGUANIDAS liberadas no mercado: - Metformina (Glifage®, Dimefor®, Glucoformin®) Devem ser administradas durante ou logo após às refeições. - Glitazonas (ou tiazolidinedionas): Rosiglitazona (Avandia®) Pioglitazona (Actos®) Troglitazona (Rezulin®) É um medicamento novo. Agem aumentando a sensibilidade à insulina no fígado, músculos e adipócitos, diminuindo a resistência periférica à insulina: agem diretamente no receptor, aumentando a sensibilidade. Aumentam a expressão dos transportadores de glicose (GLUT4), da lipoproteína lipase e reduzem a expressão da leptina e do fator de necrose tumoral (TNF-α). Devem ser administrados durante ou logo após às refeições. É um bom medicamento, que não causa hipoglicemia, apenas diminui a resistência periférica à insulina. Mas é um medicamento muito caro. Contra indicação absoluta: - Gravidez: tem que dar insulina; - Insuficiência coronariana; - Creatinina >1,1: indicativo de insuficiência renal; 42 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros - Infecção; - Stress; - Anóxia tecidual: aumenta o ácido lático; - Insuficiência Hepática e Álcool. ESTIMULADORES DE INCRETINAS (GIP E GLP-1): exenatida Muito utilizado para o emagrecimento; já está liberado para o tratamento de obesidade (Semaglutide – Ozempic). Tem a Semaglutide VO e SC. Incretinas são enterohormônios produzidos pelo próprio corpo, pelos enterócitos, liberados no intestino delgado, no íleo terminal. Metabolizada pela DPP IV. Toda vez que comemos, produzimos a incretina. Um dos mecanismos de ação da incretina é aumentar a liberação de insulina nas células β pancreáticas. Incretinas: GIP e GLP-1 (que é o que fabricam) – pró hormônio semelhante ao glucagon. Mecanismo de ação: O GLP-1 se liga ao seu receptor, ativando a proteína Gs, ativando a adenilato ciclase, aumentando o AMPc, aumentando a liberação de insulina. Então fizeram um agonista do GLP-1, ele age igual ao GLP-1; porém o GLP-1 é sintetizado e degradado pela dipeptidildipeptidase tipo IV (DPP IV), que metaboliza o GLP-1. Então, fizeram um antagonista do DPP IV, bloqueando essa enzima, tendo a produção do GLP-1, mas não vai ser metabolizado, vai ter mais GLP-1 na circulação. Os medicamentos que temos são: agonistas de GLP-1 e antagonista da DPP IV. A insulina pode ser liberada de várias formas, inclusive através dos estímulos dos receptores α (bloqueia a liberação de insulina) e β (libera mais insulina); uma descarga adrenérgica age mais em α₂, diminuindo a liberação da insulina, aumentando a glicose. Então, situações de estresse aumentam a glicose, além de aumentar o cortisol, aumentando ainda mais a glicose. 43 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Medicamentos encontrados no mercado: LIRAGLUTIDA: Saxenda e Victoza; são muito caros; dificilmente conseguimos encontrar. Os efeitos colaterais mais comuns causados pela Liraglutida são: constipação, diarreia e vômito; disgeusia (perda do paladar) e perda de apetite; dor abdominal; gastrite; hipoglicemia; náuseas; reações alérgicas no local da aplicação e urticária; tontura. SEMAGLUTIDE: Ozempic. Também é caro. É a febre do remédio para emagrecer e está aprovado seu uso para tal indicação. Efeitos colaterais da semaglutida: náuseas, vômitos, constipação, diarreia, constipação, gases, dor abdominal, fadiga, indisposição, tontura, aumento da lipase e amilase pancreática. A dose é mais baixa que a liraglutida. Já tem por VO (mas pode ter mais efeito colateral, pois tem maior biodisponibilidade da droga) e SC. Fizeram um estudo em ratos Zucker, esses ratos já nascem com DM 1: injetaram GLP-1. Descobriram que o GLP-1 forma mais célula β e bloqueia a apoptose (morte celular). Gráfico: Controle dando GLP-1: ao tratar com GLP-1, aumenta as células β e bloqueia a apoptose; os que não fizeram o uso do GLP-1, houve uma maior destruição das células β. É uma medicação revolucionária! DM 2 e GLP-1: Existem três situação que inibem a fome (saciedade), já ditas anteriormente: enchimento gástrico, colecistocinina e insulina. DM 2 altera o efeito e ação da insulina, diferente do GLP-1, não altera o efeito e nem a ação da insulina, apenas aumenta a sua produção. DM 2 aumenta a ingesta de alimentos, enquanto o GLP-1 diminui. 44 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros INIBIDORES DA DPP-IV: Evogliptina e gliptinas Caiu na prova uma questão de múltipla escolha de um inibidor da DPP! Chegaram faz pouco tempo no Brasil (ano passado): Evogliptina, Sitagliptina (Januvia®) e Vildagliptina (Galvus®). Devem ser administrados durante as refeições. INIBIDORES DO COTRANSPORTADOR SÓDIO-GLICOSE 2 (SGLT2): dapagliflozina e empagliflozina A glicose é reabsorvida no túbulo contornado proximal através do cotransporte de sódio-glicose (SGLT 2) - (transporte ativo secundário). Esses hipoglicemiantes bloqueiam o SGLT 2, causando a glicosúria, ou seja, elimina ainda mais glicose, em um paciente que já é diabético; pacientes que são pré-diabéticos já usam. É um medicamento fornecido pelo SUS. Mecanismo de ação: GLP-1 é um medicamento que trabalha similar com a curva de liberação da insulina, conforme podemos analisar no gráfico comparando com o paciente não diabético, reduzindo a glicemia. 45 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Essa classe de medicamentos está indicada em associação à metformina e/ou a outros antidiabéticos, pois impede a reabsorção, por isso pode ser usado com qualquer outro hipoglicemiante oral, inclusive com insulina (tomar cuidado com a hipoglicemia). O medicamento da classe dos inibidores de SGLT 2 disponibilizado pelo SUS para a intensificação do tratamento é a DAPAGLIFLOZINA. A quantidade de glicose filtrada pelos rins é de 180g/dia e não é excretada, ou seja, é toda absorvida. A dapagliflozina é um inibidor altamente potente, seletivo e reversível do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2). Reduz a reabsorção renal de glicose, levando à excreção do excesso dessa glicose na urina (glicosúria). O uso da dapagliflozina é recomendado para pacientes com DM 2, com idade igual ou superior a 65 anos e doença cardiovascular estabelecida que não conseguiram controle adequado em tratamento otimizado com metformina e sulfoniluréias. EFEITOS COLATERAIS DA DAPAGLIFOZINA - Infeção urinária e genital (5%); - Depleção de volume (poliúria), hipotensão e confusão mental; - Aumento do LDL; - Aumento transitório da creatinina; - Cetoacidose euglicêmica. Nome comercial: Forxiga® (dapagliflozina) INIBIDORES DA ALFA-GLICOSIDASE: Acarbose GLUCOBAY® 50mg e 100mg A α glicosidase é responsável pela absorção de glicose no intestino. Mecanismo de ação: Agem diminuindo a absorção da glicose de alimentos contendo carboidratos. Os alfas glicosidases são enzimas que degradam o amido e a sacarose para serem absorvidos. Evita a hiperglicemia pós prandial; retarda manifestações crônicas do DM 2 ou até do DM 1, pois não aumenta a glicemia. Agem diminuindo a reabsorção renal de glicose, consequentemente aumentando a excreção de glicose urinária, favorecendo a redução da glicemia independentemente da secreção endógena ou da ação da insulina. Não é um bloqueio total, é parcial! 46 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Deve ser administrada durante as refeições. Efeitos colaterais: efeitos gastrointestinais, como diarreia pelo aumento da eliminação de glicose pelas fezes. Não causa hipoglicemia. É uma droga de escolha em indivíduos de risco para desenvolver DM; Pode ser associada à insulina, sulfoniluréias, metformina, glitazone. Contra indicação: I.R.C, Hepatopatia Gravidez e Doença gastrointestinal grave. 47 Farmacologia P2 – Por Júlia BarrosFARMACOLOGIA P2 - ROSSY MOREIRA AULA 01: FARMACOLOGIA RESPIRATÓRIA Dentro das doenças respiratórias, a asma é a doença mais prevalente depois das infecções respiratórias agudas (rinites virais, estados gripais). Dentre as doenças crônicas, temos a asma e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que vem aumentando nos últimos anos, devido ao uso de cigarros eletrônicos, por exemplo. ASMA A asma é uma doença caracterizada por três grandes pontos: - Inflamação: que é o pilar mais importante da fisiopatogenia da asma; - Hiperresponsividade brônquica ou hiperreatividade; - Broncoespasmo. O processo inflamatório vai gerar uma condição que vai fazer com que o limiar de contração da musculatura lisa do brônquio, seja um limiar mais baixo; com isso, qualquer situação pode levar a um processo de broncoespasmo. A inflamação está intimamente relacionada com esse processo de facilidade com que o brônquio tem de contrair. Quando a inflamação está controlada, temos uma menor chance de fazer hiperreatividade brônquica e menor chance de fazer broncoespasmo. Por isso que é importante manter a inflamação controlada. Até mais ou menos 30 anos atrás, a terapia da asma era basicamente relacionada com os broncodilatadores, até que descobriram que alguns broncodilatadores cursavam com alterações cardíacas importantes; pois o paciente só tratava a doença asmática com os broncodilatadores; eles não usavam, em hipótese nenhuma, uma medicação que fosse de controle da doença; usavam apenas a terapia de resgate da doença. Isso trouxe uma sobrecarga do coração, já que o efeito colateral mais importante dos β2 agonistas, que são os principais broncodilatadores, é atuar na função cardíaca causando um aumento da frequência cardíaca, levando a uma hipertrofia do coração. Hoje em dia, já se tem um entendimento que a asma é uma doença inflamatória, então, não se usa mais tanto apenas o broncodilatador; hoje usa-se menos broncodilatador. O paciente que não tem um controle adequado do processo inflamatório com as terapias habituais, pode utilizar as terapias moleculares, tratando na fisiopatogenia o processo inflamatório como um todo, bloqueando a gênese da formação da inflamação (tratar da onde está vindo o processo inflamatório). 48 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Os broncodilatadores ainda são utilizados, principalmente em crianças acima de 5 anos de idade, os broncodilatadores de longa ação, são usados juntamente com os corticosteroides inalatórios. BRONCODILATADORES Existem os broncodilatadores de dois grandes grupos: - Curta duração: atingem o receptor mais na sua porção externa; - Longa duração: são um pouco mais lipossolúveis, penetram na membrana e atingem o seu receptor em sua grande totalidade (porção transmembraníca); isso faz com que a ligação seja maior, deixando o tratamento mais eficaz. Se o paciente faz uso de uma medicação de longa duração, não faz sentido que utilize um medicamento de curta duração, pois ele já está usando um medicamento que está aderindo ao receptor por um tempo prolongado. Os medicamentos de curta duração agem no receptor, se deslocam e vão para o outro lugar. Existe uma broncodilatação proveniente de receptores colinérgicos, que estão correlacionados com a formação do broncoespasmo e com o processo de hipersecreção glandular (da mucosa respiratória). Na arvore brônquica, temos muito mais receptores β₂ e receptores anti-inflamatórios na periferia, nos brônquios terminais. Quanto mais chegar na periferia, melhor. Tem muitos corticoides que são ótimos para controlar a inflamação, porém possuem a partícula muito grande e não conseguem chegar nos bronquíolos terminais. Drogas utilizadas em doenças respiratórias Hoje em dia, utilizamos basicamente dois medicamentos: I – Drogas broncodilatadoras: para manter o tônus brônquico. Betamiméticos: Ação curta: terbutalino, salbutamol. Ação longa: salmeterol, formoterol (possui também rápido início de ação). Só via oral: bambuterol. Anticolinérgicos: ipratrópio, tiotrique Metilxantinas: teofilina, aminofilina, acebrofilina, bamifilina... As xantinas não são mais utilizadas com tanta frequência, são utilizadas em pacientes que possuem uma asma não controlada com os β₂ agonistas de longa duração associado com os corticosteroides. Na maioria das vezes 49 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros são os pacientes DPOC, aonde mesmo fazendo o tratamento, o brônquio já está remodelado, não tem como broncodilatar mais esse paciente; ele acaba utilizando muitas medicações broncodilatadoras e ao utilizar a xantina, temos uma ação adicional na broncodilatação desse paciente. A acebrofilina é um fluidificante que possui um certo grau de broncodilatação, mas não é tão adequado. II - Expectorantes e mucolíticos: iodetos, guaiacolato de glicerila, bromexina e ambroxol, N-acetilcisteína, ipeca... A N-acetilcisteína hoje é considerada como o melhor fluidificante; ela quebra as ligações entre um aminoácido e outro do muco que é produzido pelas glândulas mucosas, fazendo com que o muco fique mais fluido. Muito usado em pacientes com DPOC pelo seu grau de hipersecreção muito grande, até porque pacientes DPOC tem o batimento ciliar muito ruim, além do remodelamento brônquico, tendo dificuldade de eliminar as secreções. Muitos pacientes tem bronquiectasia, já tem alguma metaplasia da mucosa respiratória, então pode ser usado como um antioxidante, melhorando a fisiologia de todas as respostas metabólicas. III - Antitussígenos: Codeína, dextrometafano, levodropropizina, levopropoxifeno... Possuem dois grandes grupos: um de ação central e um de ação periférica. O de ação periférica é o de escolha, pois o de ação central pode ocasionar vários outros prejuízos por atuar no SNC. Os dois grupos principalmente utilizados são a levodropropizina e o levopropoxifeno. IV – Antileucotrienos: montelucast e zafirlucast O leucotrieno é um mediador inflamatório, proveniente do ácido araquidônico através da lipoxigenase. Alguns estudos mostraram que quanto mais leucotrienos, mais se tem broncoespasmo. Então, em um pulmão de um asmático, temos muito mais leucotrienos do que histamina. Então o mediador broncoconstritor mais importante na doença asmática é o leucotrieno. Ao usarmos um corticosteroide, inibimos a fosfolipase, a COX e lipoxigenase, ou seja, ao usarmos um corticoide melhoramos a produção do leucotrieno. A fosfolipase na membrana celular, pega o ácido araquidônico e disponibiliza para a lipoxigenase e pra ciclooxigenase. Por isso é muito importante controlarmos os mediadores da inflamação. No tratamento da asma, já utilizamos prioritariamente os corticosteroides e se utiliza pouco os antileucotrienos, por bloquear só uma parte. 50 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Os antileucotrienos, hoje, no tratamento da asma, entram como uma medicação alternativa, quando não queremos aumentar a dose do corticoide. Ex.: Paciente em tratamento de asma, porém é um paciente hipertenso, com glaucoma, com várias comorbidades, então não podemos fazer alta doses de corticoides, mesmo sendo seguro. Então associa-se o antileucotrieno, controlando melhor a inflamação, já que é um mediador que tem ação broncoconstritora, não tendo necessidade de aumentar a dose do corticoide. V - Cromonas: cromoglicato e nedocromil. Não existem no Brasil. São medicamentos utilizados nos casos de hipersensibilidade tipo I. Na hipersensibilidade tipo I, o alérgeno liga-se na IgE na membrana do mastócito, ocorre a degranulação mastocitária, liberando histamina; para que isso ocorra tem que haver a entrada do cálcio, fazendo com que as vesículas marginem a periferia, para ocorrer a fusão das membranas com a liberação da histamina. O cromoglicato e nedocromil estabilizam a membrana para que não ocorra a entrada de cálcio, não ocorrendo a degranulação mastocitária. Porém a histamina não é o principal mediador broncoconstritor;então é um medicamento de ação fraca, pode resolver em alguns pacientes e em outros não. São medicamentos caros e que não possuem tanta eficácia. Por isso que também não utilizamos anti-histamínicos no tratamento da asma. Pacientes que já teve crise de asma no passado, começou com terapia inalatória e quer passar um inverno melhor. Como profilaxia, o médico passa o uso de antialérgico direto durante o inverno, porém não é o recomendado. VI – Cetotifeno. VII - Corticóides sistêmicos e tópicos (inalatórios). São os medicamentos mais adequados. Outras: antimicrobianos, imunossupressores, nitritos, inibidores das fosfodiesterases (sildenafil), omazilumab, etc. 51 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Os medicamentos vão atuar nos receptores M₃ ou β₂. Temos que saber quais são os mediadores inflamatórios: histamina, leucotrienos, prostaglandina, fator de agregação plaquetária, bradicinina, etc. Os melhores anti-inflamatórios são os corticosteroides, são os mais potentes. 52 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros ASMA BRÔNQUICA Existem quatro perguntas que precisamos avaliar no nosso paciente, para saber se ele está controlado, além dos exames laboratoriais. - Exames laboratoriais: Fração de óxido nítrico exalado (FENO): um aparelho que ao soprarmos, diz o grau da inflamação pulmonar; quanto maior a concentração de NO sendo eliminada, mostra que a inflamação alérgica eosinofílica e não eosinofílica, no caso especifico da alergia, está muito aumentada; ou seja, se a FENO está aumentada, tem inflamação; Espirometria. O GINA, que é principal guideline (diretriz) no tratamento de asma, nos orienta a fazer quatro perguntas ao paciente para saber se ele está controlado: 1ª Teve sintomas diurnos característicos da asma, nos últimos três meses? Ex.: tosse, sensação de aperto no peito ou cansaço. 2ª Precisou de usar algum medicamento de resgate para tratar esses sintomas? Qual? 3ª Teve despertar noturno? Ex.: Acordou a noite com tosse, sensação de falta de ar ou aperto no peito? 4ª Deixou de fazer algo por conta disso? Ex.: Malhar, ir a aula, sair, etc. A asma é uma Síndrome caracterizada por: Obstrução “reversível” recorrente das vias aéreas (VA) em resposta a estímulos; Inflamação; Hiper-responsividade das vias aéreas inferiores. É uma doença muito prevalente, porém mau tratada pela maioria dos médicos, a maioria dos pacientes não estão controlados, apenas 9% está controlado. 53 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Na maioria das vezes com relação familiar, mas não se esquecendo da carga de exposição individual – principalmente aos aero alérgenos domiciliares. BRONCODILATADORES: - Agentes Simpaticomiméticos; - Antagonistas Muscarínicos; - Metilxantinas. ANTIINFLAMATÓRIOS: - Glicocorticóides; - Inibidores dos receptores de leucotrienos: antileucotrienos; - Cromolinas: cromoglicato e nedocromil FISIOPATOLOGIA DA ASMA Processo Inflamatório A inflação alérgica é muito importante pois caso não seja controlada, teremos o que chamamos de remodelamento brônquico, pelo aumento de produção das fibras. Na imagem ao lado, podemos observar os antígenos entrando na via respiratória, os mastócitos com a IgE em sua superfície e um processo inflamatório rico em leucotrienos, histamina, interleucinas (produzidas pelo eixo Th2). Recordando: Eixo Th1: possui citocinas que são pró- inflamatórias (IL – 1, IL – 6, TNF, interferon); Eixo Th2: IL – 4, IL – 5, IL – 13, que são citocinas que irão levar a migração do sangue dos eosinófilos até a periferia, ou seja, até a árvore brônquica. 54 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Isso é muito importante, pois até hoje, dividimos a inflamação asmática em dois grandes grupos: - T2 high: temos todas as características do eixo Th2; temos uma inflamação alérgica eosinofílica e não- eosinofílica. - T2 low: pobreza de inflamação. Existe uma concomitância desse processo inflamatório alérgico e do não – alérgico, pois existem estímulos externos que podem causar o processo inflamatório e o remodelamento brônquico, além de uma doença de base, como ocorre com o DPOC, por exemplo. O próprio estímulo da mucosa respiratória também vai acionar alarminas, que são substancias químicas produzidas pelo epitélio brônquico, que irão ativar a resposta inflamatória, que podem ativar células imunológicas do sistema imune inato, chamada de células linfoides da imunidade inata que irão ativar a resposta inflamatória eosinofílica ou não-eosinofílica, dependendo de qual célula será estimulada. O importante é saber que se não controlamos a inflamação, migramos de uma inflamação aguda, que ocorre por algum estímulo inflamatório, para uma inflamação crônica, que na grande maioria das vezes é eosinofílica, mas também temos uma asma não- eosinofílica; ocorrendo um remodelamento das vias aéreas. Quanto mais tardiamente tratarmos esse paciente, maior vai ser o grau do remodelamento. 55 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Em um corte histológico do brônquio de um paciente asmático, encontraríamos que a asma tem uma camada muscular muito aumentada, com a presença de secreção dentro do brônquio. Já no enfisema pulmonar, tem uma camada muscular aumentada, mas os alvéolos estarão totalmente lesionados, pois se perde toda a arquitetura alveolar; além disso tem um colapso brônquico, o brônquio perde toda a sua função de broncoconstrição e broncodilatação. Já na bronquite crônica, que é uma fase “antes do pulmão enfisematoso” (nem sempre é assim essa evolução: asma -> bronquite crônica -> enfisema); encontramos uma camada muscular um pouco maior, mas não tanto quanto na asma, mas temos muito mais secreção dentro do brônquio. A bronquite crônica cursa com tosse com expectoração amarelada por mais de três meses seguidos. Até dá para confundir com o paciente que tem asma, mas a bronquite é mais crônica que a asma. 56 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Diagnóstico da ASMA Na criança, o diagnóstico de asma é um pouco mais amplo, assim como nos adultos. O diagnóstico é preferencialmente clínico: Tosse: recorrente ou persistente; Sibilo: que aparecem durante o sono, com a exposição a agentes externos ou choro; Dispneia: falta de ar desencadeada por exercícios; Redução das atividades do dia a dia (não quer andar, por exemplo); Desconforto torácico; Sintomas episódicos e recidivantes; Respondem a terapia medicamentosa: importante fazer o teste terapêutico, saber se o paciente responde a terapia com broncodilatadores e corticoide, por exemplo; se o paciente melhorar é porque ele tem broncoespasmo junto, podendo ser asma; Afastado outras patologias. Diagnóstico funcional: diagnóstico clínico predomina: Espirometria – padrão obstrutivo com PBD positiva VEF1 (volume expiratório forçado) < 80% VEF1/CVF (índice de Tiffeneau) < 75% 57 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Crianças, a partir da terceira crise de broncoespasmo, já se pensa que um paciente é asmático. O primeiro episódio de sibilância na infância é chamado de bronquiolite viral aguda, que é uma doença causada pelo vírus sincicial respiratório que causa o primeiro broncoespasmo. TRATAMENTO Então temos que pensar em reduzir as exacerbações, melhorar a estabilidade do paciente, diminuir a perda da função pulmonar e diminuir o número de medicamentos, pois temos que tentar diminuir os eventos adversos que cursam com os medicamentos que usamos para tratar a asma de uma forma geral. O tratamento global da asma envolve algumas coisas. 1º Alcançar o controle atual da doença; 2º Reduzir o risco futuro: usar os medicamentos para diminuir a medicação de resgate; tentar melhorar a função pulmonar; melhorar as atividades do dia a dia; reduzir os sintomas. O que não pode pensar que quando tudoisso estiver melhor, posso parar o tratamento, pois o risco futuro existe. FEV no primeiro segundo em um paciente asmático vai estar bem reduzido; ao fazer uma medicação broncodilatadora, normaliza o fluxo do ar que sai do pulmão do paciente. 58 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros IMPORTANTE Estímulos externos: vírus, poluentes, bactérias, alérgenos, etc. MUCOSA PULMONAR Quando ocorre o estímulo do epitélio brônquico, ocorre a ativação de células caliciformes, o estímulo de uma citocina chamada de TSLP, que é muito importante em todas gêneses das inflamações, pois é a primeira citocina a ser produzida no processo inflamatório da asma. Depois que a TSLP é estimulada, também é estimulada a IL – 33, IL – 25, que são chamadas de alarminas, estas por sua vez, estimulam as células T naive, que migram para uma célula inflamatória do tipo Th2. Essa Th2 vai ser uma célula produtora de IL – 5, que estimula os eosinófilos (inflamação eosinofílica); a TSLP também pode estimular outras células, como os basófilos, ou até mesmo, estimularem as células B a produzirem IgE em grande quantidade, fazendo com que os mastócitos liberem histamina (inflamação alérgica – eosinofílica). Na inflamação alérgica, temos que lembrar da IL – 4 e da IL – 13; na inflamação eosinofílica, lembrar da IL – 5. Isso são pontos importantes na hora de estabelecera terapia da asma. Então, hoje, temos a divisão em três grandes pontos do tratamento da asma molecular: ou temos uma inflamação alérgica, com muita IgE, IL – 4 e IL – 13; ou temos uma asma eosinofílica, com muita IL – 5 e 59 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros eosinófilos; ou temos uma asma não-alérgica (neutrofílica), com bastante processo inflamatório de uma maneira geral, com uma hiperresponsividade muito grande, mas com um infiltrado neutrofílico. Para o tratamento teríamos uma anti IgE (Omalizumabe); ou uma anti IL – 4 (dupilumab); ou uma anti IL – 5 (mepolizumabe ou benralizumabe); ou temos uma anti – TSLP (tezepelumabe). Estes são os imunobiológicos utilizados no tratamento da asma grave de difícil controle; quando não podemos aumentar o corticoide ou já utilizo altas doses e o paciente não está controlando. São muito caros. OBJETIVOS DO TRATAMENTO Prevenir a morte; Prevenir riscos a longo prazo; Diminuir sintomas; Melhorar a execução de tarefas habituais; Melhora da função respiratória; Diminuir os efeitos colaterais das drogas; Diminuir o uso de β₂ de curta duração; Melhora da qualidade de vida desses pacientes. Asma brônquica: Critérios de tratamento O tratamento inicial da asma pode ser estabelecido de acordo com critérios de gravidade; ou seja, os critérios clínicos e funcionais (espirometria). No entanto, a manutenção deve ser baseada fundamentalmente no estado de controle da doença, naquelas quatro perguntas já citadas anteriormente. Doença moderada: Se mesmo assim esse paciente não se controlar, aumenta ainda mais a dose do corticoide inalatório e continua com os outros; Doença leve: controle ambiental e baixas doses de β₂ agonistas inalados (normalmente só para os momentos de crise), e, utilizaria baixas quantidades de corticoides. Se o paciente não está controlado, fazemos o step up, aumentar a dose do medicamento ou associar outro medicamento. Normalmente associamos um broncodilatador de longa ação, aumentando a dose do corticoide inalatória e fazemos uma terapia adicional com um leucotrieno, xantina, a depender. 60 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Doença grave: altas doses de corticoides inalados, altas doses de broncodilatadores e terapia adicional, e talvez esse paciente nem fique controlado. Então, em linhas gerais, a terapia antiasmática é baseada no controle ambiental, uso de β₂ agonistas de longa ação para manutenção e de curta duração para crise, corticosteroides que variam de acordo com a gravidade de baixa dose até alta dose e algumas terapias adicionais. Classificação da gravidade da asma IV Diretrizes Brasileiras para o Manejo da Asma De uma certa maneira, temos que saber se os sintomas são mensais, semanais ou diários, se tem exacerbação ou não, para assim poder qualificar o paciente e escolher o tratamento adequado. Farmacologia dos agentes usados na asma AGONISTAS β-ADRENÉRGICOS (BETAMINÉTICOS) Os β₂ agonistas são medicamentos que se ligam ao seu receptor, ativando a adenilciclase, aumentando a quantidade de AMP cíclico, levando a uma broncodilatação. Os anticolinérgicos bloqueiam o receptor M₃, fazendo broncodilatação. Ex.: Xantina (teofilina) inibe a fosfodiesterase. A fosfodiesterase degrada o AMPc, diminuindo a broncodilatação. Ao inibir essa enzima, aumenta a quantidade de AMPc, causando broncodilatação. Obs.: a adenosina não é utilizada no Brasil, não precisa saber. 61 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Os glicocorticoides inibem a fosfolipase A2 (diminuindo a liberação do ácido araquidônico), a 5 - lipooxigenase e também inibem a COX (1, 2 e 3), diminuindo todos os mediadores inflamatórios, consequentemente todo o processo inflamatório da asma, por isso também são muito utilizados. Os agonistas β₂ adrenérgicos dilatam os brônquios por ação direta sobre os receptores β₂ adrenérgicos existentes no músculo liso. O β receptor é acoplado à proteína G e sua ligação leva a subunidade da proteína G a estimular a adenilciclase e a produção de AMP cíclico (2). Este ativa a proteína quinase A, que produz a maioria dos efeitos celulares do β receptor. Os β₂ agonistas são parcialmente seletivos para os receptores β₂, concentrando o seu efeito sobre a musculatura brônquica e poupando o sistema cardiovascular de efeitos indesejáveis. β₂ adrenérgicos: Inibe a liberação de mediadores dos mastócitos e de TNFα um mediador da inflamação pelos monócitos; Aumenta a depuração de muco através de ação sobre os cílios; ADM: inalação de aerossol, pó ou solução nebulizada, VO ou IV. Temos os β₂ agonistas de curta duração e os de longa duração: Agentes de ação curta: - Salbutamol (AerolinR): - Terbutalina (BricanylR) - Fenoterol (BerotecR) Por via inalatória, efeito máximo em 30’; duração de 4 – 6 horas. Também disponíveis por VO, spray nasal e IV (salbutamol) Geralmente são utilizados “SOS” para controlar os sintomas. Pacientes com comorbidades, que não podemos usar ou aumentar o corticoide, podemos utilizar um anticolinérgico, que é o Zafirlukast ou Montelukast (que tem no Brasil). Antileucotrienos são bons para pacientes que possuem rinite e asma ao mesmo tempo, pois também é importante no processo de hiperreatividade nasal (espirros, coriza frequente). 62 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Maneiras de se oferecer β₂ agonistas por via inalatória: Nebulização: gotas do fármaco são adicionadas em soro fisiológico; quase não se encontra mais para comprar; MDI – metered dose inhaling (spray dosimetrado): jatos contendo doses fixas do fármaco que fica em suspensão em um recipiente (espaçadores); Aerosol de pó seco (DPI – dry powder inhaling) – turbohaler: droga na forma de pó; quase não se vê. Agentes de ação mais prolongada: Salmeterol (SereventR); Formoterol (ForadilR) - Administrados por via inalatória; - Só começa a fazer efeito 30 minutos depois da administração; - Duração de 12 horas; - Uso regular (2X/dia) como tratamento adjuvante quando a asma não está controlada somente com glicocorticóides. Terbutalina de liberação lenta (Bricanyl Duriles): VO Outros fármacos: VO Rimeterol (ação mais curta que salbutamol) Pirbuterol Reproterol Bambuterol (pró-droga da terbutalina) Vilanterol: de ultra longa duração, tem que usar uma vez por dia. MECANISMO DE AÇÃO Os de curta duração atingem os receptores externos; utilizados para tratamento da crise. Os de longaduração atingem os receptores internos (laterais) e externos; pelo seu caráter de lipossolubilidade. Os LABA são utilizados em associação aos corticoides inalatórios em pacientes acima de quatro anos, quando estes forem insuficientes para promover o controle da asma. 63 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Na crise grave do paciente temos que fazer o uso da EPINEFRINA (ADRENALINA): α₁ = α₂ β₂ > β₁ O músculo liso brônquico contém receptores β₂ que causam relaxamento de ação rápida. Os vasos sanguíneos possuem receptores α, sendo sua ação quando estimulados por agonistas a sua contração – importante nos quadros de aumento da permeabilidade capilar como na anafilaxia que também cursa com broncoespasmo. Benefícios dos Agonistas β₂ adrenérgicos na Asma A. CURTA DURAÇÃO Reversão da broncoconstricção – alívio da dispnéia B. LONGA DURAÇÃO Tratamento da Asma severa persistente Em geral, β₂ são medicamentos bons para a asma, porém são medicamentos de segunda linha, pois primeiramente temos que tratar a inflamação. Lembrar sempre que a inflamação é mais importante do que o broncoespasmo no processo inflamatório do paciente. Esses medicamentos não reduzem a inflamação. FORMOTEROL Broncodilatador de longa duração, muito bom, que, hoje, de acordo com o GINA, também é utilizado para tratar a crise de asma, pois tem um rápido início de ação (5 minutos), podendo ser usado tanto na manutenção quanto na crise. Porém é um medicamento que também contém corticoide inalado. Ex: salmeterenol + glicocorticóide 64 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros EFEITOS ADVERSOS: ⇒ Depende do fármaco (não-seletivo ou seletivo), da dose e da via de administração. - Taquicardia – Arritmias: β₁ no coração; - Hipertensão: pelo aumento da FC e da RVP (ação em α); - Tremores: β₂ no músculo esquelético; - Efeitos SNC: agitação, ansiedade e insônia; - Efeitos metabólicos: hiperglicemia, elevação dos níveis sanguíneos de ácidos graxos; - Uso contínuo: desensibilização dos receptores ou taquifilaxia. Antagonistas Muscarínicos Atuam inibindo o receptor M₃, impedindo a broncodilatação e diminuindo o processo de secreção glandular. Também possuem os de curta duração (ipatrópio (Atrovent)) e os de longa duração (tiotropio). Efeitos Adversos: Boca seca, visão turva, constipação, retenção urinária e tosse. METILXANTINAS Não utilizamos muito as xantinas pois para ela ter efeito a dose tem que ser de 10 a 20mg, e o seu efeito tóxico é acima de 15mg, então sua chance de efeito colateral é muito grave. TRATAMENTO DA ASMA – GINA em adultos Ao iniciarmos um tratamento de asma, inicialmente temos que classificar a asma desse paciente: se é leve, intermitente, persistente leve, persistente moderada ou persistente grave. Dependendo da classificação, introduzo uma certa quantidade de tratamento. 65 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros O GINA então estabelece quais são as linhas de tratamento para o paciente, para cada STEP tem uma quantidade de medicamento que o paciente deve usar. CAIU NA MINHA PROVA QUESTÃO OBJETIVA DE PACIENTE EM CRISE! STEP 1 – 2 No adulto, colocamos o STEP 1 e 2 no mesmo tipo de tratamento, pois nesse STEP a doença é leve ou muito leve. É o paciente que tem crise de asma de 3 em 3 meses, ou, uma crise discreta uma vez por mês, são pacientes com muitos poucos sintomas. A espirometria é muito pouco alterada. Sintomas leves: formoterol + baixas doses de corticoide inalatório (ICS); no momento da crise ou corticoide inalado junto com o SABA de acordo com os sintomas. Formoterol: β₂ agonista de longa duração, com um início de ação broncodilatadora muito rápida (5min). A GINA recomenda que esses pacientes com sintomatologia leve, não possuem necessidade de fazer uso contínuo de medicação, mas usam de acordo com a necessidade essa associação do corticoide com o broncodilatador. Eventualmente utilizamos o SABA (broncodilatador de curta duração), apesar de hoje o GINA recomendar o formoterol junto com o corticoide inalado, para tirar da crise, alguns médicos ainda seguem a recomendação antiga de usar um β₂ de curta duração (aerolin, salbutamol spray). STEP 3 Sintomas mais que uma vez por semana, crises de mais de uma vez por mês, doença mais moderada: baixa dose de corticoide inalado com o formeterol de manutenção todos os dias; podendo também ser utilizado na crise; Antigamente, utilizava-se o corticoide com o broncodilatador e na crise usava o β₂ de curta de duração. O paciente tem que ser avaliado de 3 em 3 meses para saber se é necessário fazer o STEP UP ou o STEP DOWN. Utilizamos as perguntas citadas anteriormente, e, se o paciente estiver controlado, pode fazer o STEP DOWN, mas se o paciente piorou, fazemos o STEP UP, aonde aumentamos a dose do corticoide. STEP 4 São os pacientes com asma moderada não controlados, aonde passamos a fazer uma dose média de corticoide inalado associado com um broncodilatador de longa ação. Obs.: Formoterol é o único que utilizamos para manutenção e para a crise. 66 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Seretide: salmeterol (broncodilatador de longa ação), faz efeito com 30 minutos de uso. Pode substituir o formoterol, mas demora mais para fazer efeito. Os efeitos colaterais do uso dos corticoides são muito grandes, mesmo com a segurança do tratamento inalatório, a partir do momento que temos que utilizar doses elevadas do corticoide, podemos ter efeitos colaterais. Nesses casos, aonde temos que aumentar muito a dose do corticoide, podemos associar o LAMA, que é um antimuscarínico (anticolinérgico) de longa ação (tiotrópio e glicopirrôneo). - Anticolinérgico de longa ação: tiotrópio e glicopirrôneo; - Anticolinérgico de curta ação: ipatrópio Se mesmo assim esse paciente piorar, aí tem que fazer uso de terapia imunológica. STEP 5 CAIU NA PROVA DISCURSIVA: FALAR SOBRE O TRATAMENTO NO STEP 5 Uso da terapia imunobiológica: anti IgE, anti IL – 5, anti IL – 4 ou um anti TSLP. Anticorpo contra IgE: Omalizumab: Liga-se à IgE circulante e impede a ligação da IgE nos mastócitos, inibindo a liberação de mediadores. Anticorpo conta a IL – 5: Mepolizumabe: citocina que promove o estimulo ao eosinófilo; sabemos que, na maioria das vezes, as asmas são eosinofílicas; Anti IL – 4: Dupilumabe: importante na troca de isotipo de cadeia pesada dos linfócitos para produzirem IgE, além de todo o estimulo do processo inflamatório; então faz-se um bloqueio da IL – 4; Anti TSLP: Tezepelumab: linfopoetina tímica estromal: é uma citocina encontrada no timo e, estudos apontam, que essas citocinas aparecem nas mucosas (principalmente respiratória) a partir do momento que temos qualquer tipo de estimulo da mucosa, como frio, poeira, bactérias, vírus. Ao estimular essas citocinas, elas estimulam a produção de citocinas pró – inflamatórias, então antes de ter esse estimulo, bloqueamos a TSLP (na base do processo inflamatório). É um medicamento novo, que acabou de chegar no Brasil; é um anticorpo monoclonal contra o TSLP. A terapia molecular com anticorpos ainda é estabelecida para pacientes que possuem a asma grave não controlada, pois são medicamentos que custam em torno de R$10.000 por mês. Efeitos adversos: cefaleia, infecção viral, infecção do trato respiratório; Reações no sítio de injeção: dor, eritema, edema, prurido; Reações alérgicas sérias (raro). 67 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros PROVA: Segundo os critérios de GINA, a primeira opção para os tratamentos de asma são... Diferença do asmático e do DPOC: DPOC são pacientes que já possuem remodelamento brônquico e irreversível, mesmo com o uso de medicamento; diferente do asmático, que ao usar o medicamento, ele consegue broncodilatar, desde que ele ainda não tenha feito o remodelamento brônquico. Então, não adianta, no DPOC, ficar utilizando altas doses de corticoide, pois a inflamação delenão é tão importante, o problema dele é o dano que ele já tem no epitélio, o aumento da fibra dentro do brônquio que impede com que ele faça broncodilatação. Nesses pacientes usamos muito mais broncodilatador, do que o paciente com asma. Asma: corticoides com doses um pouco mais elevadas + broncodilatador DPOC: muito broncodilatador + pouco corticoide para controlar o processo inflamatório, mas não tem uma melhora clínica adequada, pois é irreversível. GINA em crianças: Não precisa de saber! STEP 1: dose baixa de corticoide associado ao SABA (broncodilatador de curta duração), em crise, ou dose baixa de corticoide todos os dias. Doença muito leve. STEP 2: doença um pouco mais persistente, utilizamos dose baixa de manutenção associado com um antagonista do leucotrieno, associado ou não a um corticoide de baixa dose. STEP 3: aumenta um pouco a dose, associa um broncodilatador de longa ação (apenas em crianças acima de 5 anos de idade); ou aumenta a dose do corticoide inalatório deixando de manutenção; outra opção também 68 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros seria associar o antileucotrieno. CAIU NA MINHA PROVA SE ERA CORRETO DAR BRONCODILATADOR PARA CRINAÇA MENOR QUE 5 ANOS! DISCURSIVA! PROVA: broncodilatador apenas acima de 5 anos! PROVA: paciente com asma grave, quando não queremos aumentar o corticoide, qual seria a outra opção? Anticolinérgico de longa ação, antileucotrienos ou anticorpo monoclonal. TSLP bloqueia todos os estímulos que podem gerar uma crise de asma desde o início, ele bloqueia a inflamação alérgica, inflamação eosinofílica, inflamação neutrofílica. O anti IgE é o mais utilizado. AULA 02: ANTI-HISTAMÍNICOS E HISTAMINA A Histamina é uma amina biologicamente ativa que pertence ao grupo dos autacóides junto com as prostaglandinas, leucotrienos e citocinas. Química – é uma molécula hidrofílica Distribuição – é distribuída amplamente em todo os animais, como também em todos os tecidos do corpo, inclusive o SNC no líquido cefaloraquidiano entre outros. Armazenamento – é feito prioritariamente nos mastócitos como na pele, árvore respiratória e tubo gastrointestinal. No sangue o armazenamento fica a cargo dos basófilos. É armazenada sob a forma de grânulos. Algumas células da epiderme, mucosa gastrointestinal e SNC também produzem e armazenam a histamina, nestes locais seu metabolismo é rápido como também a sua excreção renal. Produção – sua produção é proveniente da Histidina pela ação da L-histidina descarboxilase (aminoácido). Pode ser bloqueada por um inibidor chamado de α-fluorometil-histidina. Metabolismo – é lento exceto fora dos mastócitos e basófilos que é mais rápida. Seu metabolismo ocorre em duas vias: A via mais importante do metabolismo da histamina envolve metilação pela enzima N-metil-transferase, que possui distribuição ampla, formando N-,etil-histamina que posteriormente pela MAO e transformada em ácido acético N-metil imidazol. (excretados pela urina); Outra via de metabolização da histamina é desaminação oxidativa feita pela DAO com produto final o ácido acético imidazol (excretados pela urina). 69 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Importante: Pacientes que utilizam inibidores da MAO para tratar alguma doença neurológica, podem ter interação medicamentosa com a histamina. HISTAMINA E RESPOSTA ALÉRGICA Liberada: interação IgE + alérgeno específica (receptores alta afinidade na sup. mastócitos /basófilos); Promove regulação da secreção gástrica de ácido, também como neurotransmissor. O mecanismo de liberação dos grânulos é dependente da liberação de cálcio intracelular envolvendo ativação enzimática de tirosinoquinases e cinases e assim a exocitose dos grânulos. Junto com a histamina outros mediadores pré-formados são também liberados como triptase, quinases e proteases; mas também são ativadas outras vias como a do metabolismo do ácido araquidônico (fosfolipases), produzindo mediadores neo-formados como os leucotrienos, prostaglandinas entre outros. Por isso que quando temos rinite alérgica, tomamos anti-histamínicos, mas temos que associar com algum corticoide nasal, ou um anti-histamínico por um tempo prolongado, pois não liberamos apenas a histamina. HIPERSENSIBILIDADE DO TIPO I Hipersensibilidade tipo I: os mastócitos acumulam histamina, ao serem estimulados liberam histamina (degranulação mastocitária). A histamina é uma substância que tem uma grande importância no processo de vasodilatação, para que assim cheguem células do sistema imunológico para o sítio aonde teve o estímulo ao mastócito. 70 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Produzida através de um aminoácido, dura cerca de 4 -6h e já é degradada, mas o gatilho para sua liberação pode se prolongar. Existe uma variedade de mediadores então que são liberados após um contato com um alérgeno sendo então uma dificuldade tentar tratar estas reações com apenas uma única droga, como um anti-histamínico. A liberação destes mediadores pode ser regulada por receptores acoplados a este sistema sinalizador, intensificando ou bloqueando a liberação destes mediadores induzidos pela IgE. Alguns receptores muscarínicos ou α-adrenérgicos aumentam a liberação destes mediadores. Alguns receptores β-adrenérgicos diminuem a liberação dos mesmos. Existem outros liberadores inespecíficos de histamina, como a succinilcolina, tubocurarina, a morfina, radiocontrastes e alguns expansores plasmáticos, além de uma variedade de antibióticos são responsáveis por várias reações anafilactóides – Sind. Do Homem Vermelho da vancomicina. Outros liberadores conhecidos são: venenos; derivados da lesão tissular; Bradicinina; Anafilatoxinas; Urticárias físicas; Mastocitose sistêmica; Tumores carcinóides. Clinicamente um paciente com liberação maciça de histamina apresenta: Queda da pressão arterial, cefaléia, urticária, angioedema, queimação de mãos e pés, taquicardia, cólicas, náuseas, broncoespasmos, prurido e espirros. Os receptores de histamina estão distribuídos pelo corpo inteiro, até mesmo no SNC, por isso que ao tomarmos um anti-histamínico de primeira geração, temos sono, pois são lipossolúveis atravessando a BHE, causando sono, por isso praticamente não são mais prescritos. CAIU NA MINHA PROVA: DISCURSIVA Único lugar feito anti-histamínico de primeira geração é na emergência. HISTAMINA E SECREÇÃO GÁSTRICA A histamina é um poderoso secretor de ácido pelas células parietais agindo então em receptores do tipo H2. 71 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros HISTAMINA e SNC A histamina também pode atuar como um neurotransmissor no SNC, os receptores H1 são encontrados em todo o SNC e mais condensados no hipotálamo. Promove sensação de saciedade: alguns anti-histamínicos são utilizados para aumentar o apetite de crianças (Apevitin); Explicação para os efeitos neurológicos sobre o sono principalmente dos anti-histamínicos; Também de seus efeitos no controle da temperatura, pressão arterial e da secreção de hormônio anti-diurético. Os anti-histamínicos de primeira geração possuem ação anticolinérgica, eles atuam no SNC e também localmente, diminuindo a ação da acetilcolina, induzindo uma diminuição da secreção glandular, por isso é utilizado na gripe, reduzindo a secreção. CARDIOVASCULAR - Dilatação dos vasos menores resultando em rubor facial, diminuição da RVP com queda da PA. - VASODILATAÇÃO - envolve tanto receptores do tipo H1 e H2 H1 – possui maior afinidade pela histamina, com resposta dilatadora de início rápido e de curta duração (receptores mais no endotélio – levam ao aumento da Ca intracelular e aumento da produção de fator de relaxamento derivado do endotélio que é o óxido nítrico, além da ativação da Fosfolipase A2 e produção de Prostaciclina, um potente vasodilatador). H2 – dilatação mais lenta e mais duradoura ou persistente (receptores mais no músculo liso). - PERMEABILIDADE VASCULAR – aumento da permeabilidadevascular que resulta na passagem de proteínas plasmáticas e líquido para os espaços extra-vasculares – EDEMA - Ação nas vênulas pós-capilares com retração do endotélio - Ação em receptores do tipo H1 promovendo recrutamento leucocitário e a adesão dos mesmos ao endotélio. - CONTRICÇÃO DE VASOS MAIORES – observado em alguns animais como roedores, pode algumas vezes encobrir o efeito diminuidor da PA. - CORAÇÃO: Aumento da força da contração tanto do músculo atrial como no ventricular por promover aumento do influxo de cálcio, aumento o processo de despolarização do nodo sinoatrial prioritariamente por ação nos receptores H2; 72 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Lentificação da condução átrio-ventricular prioritariamente por ação nos receptores H1 - CHOQUE HISTAMÍNICO – durante a anafilaxia principalmente altas doses de histamina são liberadas, promovendo: Queda profunda e progressiva da PA; Aumento da permeabilidade capilar com formação de edema; Diminuição drástica do volume sanguíneo; Diminuição do retorno venoso; Diminuição da RVP; CHOQUE. MUSCULATURA LISA EXTRA-VASCULAR – normalmente estimula mais, raramente relaxa - Contração – ação nos receptores H1; - Relaxamento – ação nos receptores H2; - Contração da musculatura lisa brônquica com broncoespasmo; - Contração da musculatura lisa gastrointestinal; - GLÂNDULAS EXÓCRINAS – aumento da secreção ácida gástrica TERMINAÇÕES NERVOSAS: DOR, PRURIDO – epiderme causa prurido; na derme causa dor, algumas vezes acompanhada de prurido; outras vezes leva a dor. A histamina causa vasodilatação, o anti-histamínico causa vasoconstrição; a histamina aumenta a permeabilidade vascular, causando edema, o anti-histamínico diminui o edema, por isso usamos para tratar a urticária; o anti-histamínico faz vasoconstrição diminuindo vermelhidão, formação de pápulas; o anti- histamínico causa sono e diminui a FC. Uma liberação excessiva de histamina leva a um choque anafilático. ANTI-HISTAMÍNICOS Estão entre as medicações mais comumente utilizadas no mundo; Maior classe de medicamentos usados no tratamento de patologias alérgicas; As doenças alérgicas que podem requerer anti-histamínicos produzem morbidade substancial. PRIMEIRA GERAÇÃO: Lipofílicos, baixo PM e ultrapassam a barreira hematoencefálica – efeito SNC – respostas dopaminérgicas, serotoninérgicas e colinérgicas. (bloqueiam receptores autônomos) 73 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros SEGUNDA GERAÇÃO: lipofóbicos, afinidade pela glicoproteína P – não ultrapassam a barreira hematoencefálica (fexofenadina) ou ultrapassam menos (30% Cetirizina) Índice risco/benefício mais favorável Sem efeitos cardíacos (retirados do mercado - Terfenadina e Astemizol) A diferença básica entre os anti-histamínicos de primeira geração e os de segunda é a solubilidade; os de primeira geração são lipofílicos, muito solúveis, com baixo peso molecular, por isso atravessam facilmente a BHE, mas ainda possuem efeitos importantes; por isso não são muito mais utilizados. Os de segunda geração são menos lipossolúveis e não ultrapassam a BHE na dose habitual (1x/dia). PIMEIRA GERAÇÃO: Dexclorfeniramina (PolaramineR), Hidroxizina (HidroxizineR), Cetotifeno (ZaditenR) SEGUNDA GERAÇÃO: Loratadina (ClaritinR), Desloratadina (DesalexR), Cetirizina (ZyrtecR), Levocetirizina (ZyxenR), Ebastina (EbastelR), Fexofenadina (AllegraR), Epinastina (TalercR), Rupatadina (RupafinR), Bilastina (não tem metabolização hepática e nem renal – o que é ótimo, pois não precisa ser metabolizada) PROVA: Fármaco de melhor perfil farmacocinético: Bilastina CAIU NA MINHA PROVA QUESTÃO OBJETIVA MECANISMO DE AÇÃO DOS ANTI-HISTAMÍNICOS SÃO AGONISTAS INVERSOS do receptor de histamina, DA INTERAÇÃO ENTRE A HISTAMINA E O RECEPTOR (desativam o receptor). PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS Musculatura lisa – inibem a maioria das respostas lisa á histamina - relaxamento. Em humanos este efeito broncodilatador é pequeno sabendo-se que a broncoconstrição possui um componente causador maior de leucotrienos e PAF do que de histamina. Já na vasculatura promove mais contração da musculatura. PERMEABILIDADE CAPILAR – os antagonistas dos receptores H1 promovem diminuição da permeabilidade capilar diminuindo o edema e a formação de pápulas. ERITEMA E PRURIDO – diminuem o prurido e o eritema. GLANDULAS EXÓCRINAS - diminuem a secreção ácida gástrica. SISTEMA NERVOSO CENTRAL – os antagonistas dos receptores H1 de 1ª geração podem tanto deprimir quanto excitar o SNC; já os de 2ª geração em doses terapêuticas não interferem no SNC. Efeito anti-colinérgico - Muitos anti-histamínicos de 1ª geração exclusivamente possuem efeito anticolinérgico por inibir as respostas á acetilcolina que são mediadas pelos receptores muscarínicos. 74 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Efeito anestésico local – a procaína é um anti-histamínico com ação anestésica local, assim também como a prometazina. ANTI-HISTAMÍNICOS - ABSORÇÃO, DESTINO E SECREÇÃO Os anti-histamínicos são bem absorvidos pelo trato gastrointestinal com concentrações plasmáticas máximas em cerca de 1/3 horas, com duração de seus efeitos por cerca de 4/6 horas; algumas drogas possuem efeito mais prolongado (os de 2ª geração). A distribuição é bem ampla, sendo os de 2ª geração menor penetração no SNC. A metabolização é feita no fígado, citocromo P450, podendo alterar enzimas hepáticas principalmente quando associados a outros fármacos. A excreção é feita nos rins na grande maioria. ANTI-HISTAMÍNICOS X EFEITOS COLATERAIS São ocasionados principalmente pelos de primeira geração. Estimulantes: estímulo de apetite, espasmos musculares, reações anticolinérgicas - insônia, nervosismo, irritabilidade, tremor e taquicardia. Neuropsiquiátricas: ansiedade, confusão, depressão, raro alucinações e psicose. Efeitos neurológicos periféricos: pelo bloqueio colinérgico: pupilas dilatadas, visão turva, boca seca, retenção urinária, constipação e impotência. Raro – parestesias e paralisia. Depressoras: sedação, tontura, redução do alerta e habilidade cognitiva (difenidramina como indutor de sono). Ações antinauseantes e antieméticas – principalmente os de 1ª gerações possuem atividade significativa no tratamento da cinetose. Efeito antiparkisonismo – particularmente a difenidramina posui efeitos sobre os sintomas extra- piramidais. Ações anti- receptores colinérgicos – ação em receptores muscarínicos promovendo então boca seca entre outros. Ação bloqueadora dos adrenoreceptores – podem levar então a hipotensão postural principalmente e particularmente com a prometazina. Ação bloqueadora de serotonina. 75 Farmacologia P2 – Por Júlia Barros Anestesia local – por bloqueio dos canais de cálcio em membranas excitáveis como a prometazina e a difenidramina. Superdosagem/intoxicação: Coma Efeitos estimulantes do SNC – convulsões, discinesias, distonia, Efeitos neuropsiquiátricos: alucinação/overdose Raro: ataxia, delírios e narcolepsia Precauções: Lactentes, gestantes e idosos Cuidado com crianças! Os anti-histamínicos não podem ser usados abaixo de 6 meses de idade, apenas maiores de dois anos de idade. Loratadina, desloratadina, fexofenadina podem ser usados acima de 6 meses de idade. Bilastina apenas acima de 6 anos de idade. Os restos, apenas acima de 2 anos de idade. Gestantes usamos loratadina. Lactantes usam fexofenadina. Crianças usam fexofenadina, loratadina, desloratadina e levorotadina. Insuficiência hepática ou renal – ajustar a dose; Glaucoma de ângulo estreito – contra-indicados; Hiperplasia prostática (não usar 1a geração).