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1 Introdução Olá, seja bem-vindo(a)! Nesta etapa, abordaremos diferentes conceitos que nos leva a entender que todo gestor, independente de sua atividade, ramo de negócio ou nível hierárquico, deve atuar como um gestor de pessoas. Uma vez que o gestor possua pessoas a sua volta, as quais sofrem o impacto de suas ações e decisões, logo entende-se que esse gestor é também um gestor de pessoas. Sempre comentamos que tudo começa e termina nas pessoas, são as pessoas que pensam, criam, inovam, decidem e agem de forma a construir um determinado resultado. Portanto, nenhuma empresa é melhor do que as pessoas que nela trabalham e para uma empresa evoluir, primeiramente, é necessário que as pessoas evoluam. Ao longo desta unidade, expor-se-á o líder como um gestor de pessoas e apresentaremos todo um contexto histórico que nos permite afirmar com segurança que “todo gestor é um gestor de pessoas”. Em seguida, abordaremos sobre a comunicação e os relacionamentos interpessoais, sendo estas duas importantes atribuições dos líderes e gestores de pessoas. Dando sequência, falaremos sobre o feedback e desempenho. As práticas da avaliação de desempenho e do feedback podem ser consideradas as grandes ferramentas para o desenvolvimento de pessoas, pois, somente com o feedback, as pessoas poderão tomar medidas e ações que as levem ao desenvolvimento e à aprendizagem. Por fim, trataremos sobre o modelo de gestão participativa, bem como seus desafios. Fonte: Dzianis Apolka / 123RF 2 Vamos lá, boa leitura e bom aprendizado! 1. Conceitos de gestão de pessoas Falar sobre a gestão de pessoas é algo difícil pelas diferenças individuais e, ao mesmo tempo, fácil porque todo ser humano nada mais quer do que ser tratado com justiça. Efetuar uma correta gestão de pessoas é, atualmente, um fator que permite às organizações alcançarem seus objetivos com mais facilidade. Se considerarmos o atual momento social e econômico em que vivemos, de alta volatilidade econômica, concorrência acirrada, grandes avanços tecnológicos, logo percebemos que a obstinação por resultados, muitas vezes, atropela e se sobrepõe ao fator humano. Dessa forma, os ambientes de trabalho cada vez se tornam mais dinâmicos, exigindo uma profunda reflexão sobre como a gestão de pessoas tem se posicionado nesse novo contexto. Dois fenômenos estão invadindo as organizações contemporâneas. Existe um movimento voltado para a renovação do modelo tradicional de gestão, pautado, exclusivamente, no planejar, organizar, dirigir e controlar, para um modelo mais dinâmico, participativo e flexível, onde o gestor assume um papel diferenciado de mediador da relação entre os interesses da organização e a mobilização dos esforços para o alcance de tais interesses, sem perder de vista o lado humano dessa interação. Antes os gestores fechavam-se em suas salas e, com uma postura autoritária, apenas ordenavam os afazeres. Atualmente, os gestores estão trabalhando em conjunto com as pessoas no ponto em que a ação se desenrola e as decisões são tomadas. Cada vez mais os gestores estão se transformando em líderes impulsionadores e, acima de tudo, gestores de pessoas. Do outro lado, o trabalho em si tem apresentado diferentes características, deixando de ser individual e isolado para se tornar cada vez mais grupal e coletivo. O resultado é fantástico quando juntamos e não separamos as pessoas para obter efeitos multiplicadores nunca antes alcançados. Atualmente, a concepção tradicional da relação entre gerente e subordinado cedeu espaço para uma concepção de líder e equipe. Em face às necessidades apresentadas pelas organizações, a gestão de pessoas é, hoje, uma alternativa que pode proporcionar um salto de qualidade e elevado crescimento no desempenho organizacional. A gestão de pessoas nem sempre foi conceituada e aceita como temos nos dias de hoje. Para auxiliar a nossa compreensão, quero apresentar alguns conceitos sobre a gestão de pessoas, considerando seu momento atual e seus desafios. Muitos autores escrevem sobre o assunto, mas em essência, os princípios fundantes são, basicamente, os mesmos. 3 Dessa forma, Dessler e Gary (1997, p. 9) nos relatam que: Administração de Recursos Humanos (ARH) é o conjunto de políticas e práticas necessárias para conduzir os aspectos da posição gerencial relacionados com as pessoas ou recursos humanos, incluindo recrutamento, seleção, treinamento, recompensas e avaliação de desempenho. A administração de recursos humanos envolve uma série de atividades como recrutamento, seleção, treinamento, acompanhamento, avaliação e remuneração que recaem a todos aqueles que se colocam à frente de grupos e equipes, ou seja, todos os gestores são, de alguma forma, gestores de pessoas. Note que, apesar dos autores, comumente, mencionarem a gestão de pessoas como administração de recursos humanos, todos apresentam um ponto em comum que é a busca no equilíbrio na relação entre empresa e colaboradores. Para auxiliar em nossa compreensão, Chiavenato (2006) nos propõe uma diferenciação entre os termos gestão de pessoas e administração de recursos humanos. Segundo o autor, administração de recursos humanos é o processo que envolve todo o departamento de recursos humanos, incluindo seus diferentes subsistemas e ferramentas específicas. A gestão de pessoas, segundo o autor, é a forma como se conduz os trabalhos junto com as pessoas, considerando as habilidades do gestor em realizar esse trabalho. Podemos destacar a habilidade de comunicação, liderança, motivação, relacionamento, além de conhecimentos específicos sobre técnicas e ferramentas para a gestão de pessoas. Reflita Evolução Pessoal e de Equipe “Nenhuma organização é melhor do que as pessoas que nela trabalham. Uma organização só evolui quando as pessoas evoluem”. Fonte: Zabot (2002, p. 80). 4 Para entendermos o impacto que a gestão de pessoas exerce sobre o dia a dia corporativo, é importante trazer para a nossa reflexão o conceito do que vem a ser administrar. Silva (2008) define que administrar é o processo que visa alcançar, com eficiência e eficácia, os objetivos estratégicos da organização, com e por meio das pessoas. Diante disso, podemos afirmar que uma empresa é o reflexo das pessoas que a compõe, ou seja, todo e qualquer resultado somente é possível de ser alcançado por meio da atuação das pessoas, por mais que a empresa possua os demais recursos empresariais, como: infraestrutura, tecnologia, financeiro e produção. O processo empresarial só acontece com e por meio da atuação humana, ou seja, são pessoas que pensam, refletem, analisam, decidem e agem em prol da construção dos resultados organizacionais. 1.1 Contexto histórico da gestão de pessoas Ao longo da história, a gestão de pessoas já passou por três grandes fases, também denominadas de Eras da Gestão de Pessoas. A primeira concepção sobre o processo de gestão de pessoas nas organizações surgiu pela necessidade de contabilizar os registros de horas e produtividade para fins de geração de pagamentos ou descontos. Essa 1º Fase da Gestão de Pessoas (1900 a 1945) ficou conhecida como o RH 1.0 e se caracterizou pela predominância de um modelo de gestão burocrático e autoritário, pautado nos princípios da Administração Científica de Taylor e Fayol, uma vez que o ser humano, até então, era visto como mais um recurso empresarial, assim como o recurso financeiro, estrutural, informacional, entre outros. Até então, não existia nenhum tipo de valorização do ser humano, pelo contrário, o ser humano era visto como um mal necessário para que as empresas funcionassem. A 2º Fase da Gestão de Pessoas (1950 a 1990) ficou conhecida como RH 2.0 e teve como foco atuar com o desenvolvimento humano na empresa. Por volta da década de 1940, diferentes estudos científicos sobre o comportamento humanoe a psicologia organizacional começaram a ganhar espaço, como a teoria da motivação de Abraham Maslow, os Estudos na Fábrica de Hawthorne de Elton Mayo e o surgimento da Escola Comportamentalista da Administração. Com essa evolução, o ser humano passou a ser reconhecido como importante na geração dos resultados, logo, as empresas passaram a investir na capacitação de seus quadros, entendendo que quanto mais capacitadas as pessoas estivessem mais produtivas elas seriam. Na 3º Fase da Gestão de Pessoas (2000 - até hoje), o foco tem sido cada vez mais desenvolver todo o potencial das pessoas, tendo como prioridade a inovação e a 5 capacidade de gerar soluções criativas para os problemas do dia a dia. Nesta fase, a gestão de pessoas ganha status e passa a ser estratégica. Dessa forma, as pessoas, por meio de seus conhecimentos e habilidades, tornaram-se o grande gerador de diferencial competitivo das empresas e, por esse motivo, a gestão de pessoas tem sido tão requisitada para o processo de liderança e gestão de equipes. De acordo com Ribeiro (2005), a área de Recursos Humanos é uma das que mais evoluíram nas últimas décadas e, certamente, continuará a evoluir, pois essa área reflete exatamente as mudanças vividas pelas organizações e pela sociedade. De fato, a gestão de pessoas nas organizações tem ganhado outra roupagem, deixando as práticas antigas de se preocupar, exclusivamente, com os aspectos trabalhistas e legais para o atual contexto de dedicar-se para a geração de políticas de pessoal que possam gerar engajamento, reconhecimento e motivação nas pessoas. Complementando nosso raciocínio, Ribeiro (2005, p. 4) ainda acrescenta: A tendência atual, porém, está voltada para muito mais além: fala-se, agora, em administração com as pessoas. Administrar com as pessoas significa tocar a organização juntamente com os colaboradores e os parceiros internos que mais entendem dela e de seu futuro. Trata-se de uma nova visão das pessoas, não mais como um recurso de uma organização, mas como um objetivo. Essa é uma nova visão das pessoas, não mais como um recurso de organização, servil e passivo no processo, mas, fundamentalmente, como um sujeito ativo e provocador das decisões, empreendedor das ações e criador da inovação dentro das organizações. Mais do que isso, esse sujeito é um agente proativo, dotado de visão própria e, sobretudo, de inteligência – a maior, mais avançada e sofisticada habilidade humana. A mudança no paradigma da gestão de pessoas para uma gestão com pessoas traz impactos positivos quando observamos as novas expectativas que se têm sobre a atuação do gestor. A partir desse novo paradigma, seu foco, além de ser a geração de resultados financeiros é, também, atuar de forma a gerar resultados em termos qualitativos no que se refere à cultura e ambiente organizacional, bem como a relação estabelecida entre o gestor e sua equipe, pois, agora, entende-se que o atingimento dos objetivos organizacionais tem passagem obrigatória sobre a forma de como o gestor se relaciona com a equipe. 6 1.2 Subsistemas da gestão de pessoas A prática da gestão nas organizações brasileiras reflete o condicionamento histórico que modelou o aprendizado e a formação desses gestores até os dias atuais. O despreparo conceitual, técnico e comportamental se torna evidente quando o gestor é colocado à prova, tendo que avaliar e administrar o resultado de sua equipe. De forma geral, as organizações apresentam um cenário típico de despreparo em nível de gestão para a prática da Gestão de Pessoas. Ao acompanhar a trajetória da gestão nas organizações brasileiras, vemos que os caminhos percorridos são marcados pela falta de critérios e ausência de políticas que possam orientar a atuação dos gestores (LUCENA, 2004). Tal prática define um estilo de gestão política e não profissional. As organizações contribuem para essa realidade, uma vez que ainda existe uma cultura paternalista para a tomada de decisão sobre a seleção dos gestores considerando apenas aspectos, como: fidelidade, obediência, pontualidade e desconsiderando aspectos, como: conhecimentos, experiências, habilidades, comportamentos, capacidade de liderar pessoas, comunicação, flexibilidade, abertura a mudanças etc. (LUCENA, 2004). Considerando a necessidade dos gestores quanto às estratégias na gestão de pessoas, Ribeiro (2005, p. 6) nos traz alguns encaminhamentos que podem auxiliar na compreensão sobre os caminhos a serem seguidos para o estabelecimento de políticas de gestão de pessoas mais equilibradas: ➢ Dimensionar e planejar as necessidades de pessoal, no longo, médio e curto prazo para atender às exigências da equipe e da organização; ➢ Criar, atualizar e manter uma estrutura organizacional adequada aos objetivos organizacionais e as suas demandas; ➢ Atender às necessidades de recursos humanos da organização no longo, médio e curto prazo, além de manter todos os cargos e funções adequadamente preenchidos; ➢ Prover a qualificação profissional das equipes de trabalho considerando as necessidades por cargo, setor ou departamento; ➢ Assegurar o bom relacionamento das equipes, bem como da organização com o seu quadro funcional em todos os níveis; ➢ Garantir as condições mínimas de trabalho para que os profissionais tenham a estrutura, os equipamentos e recursos necessários para a realização de seus trabalhos. Sem dúvidas, atuar com a gestão de pessoas é um grande desafio, visto que exerce forte influência sobre o comportamento das pessoas e, consequentemente, impacta nos 7 resultados organizacionais. Portanto, o resultado do trabalho do gestor é diretamente proporcional ao desempenho de sua equipe e, para que esse fluxo ocorra, o gestor deve adotar posturas e estratégias que lhe permitam conquistar a confiança e o engajamento de seus liderados. Portanto, dentre todas as condutas relacionadas à gestão de pessoas apresentadas, ousamos dizer que, para uma adequada gestão de pessoas nas organizações, é importante que o gestor assuma, verdadeiramente, em sua gestão uma postura de proximidade, diálogo e transparência nas informações, somente assim ele poderá obter a confiança e o comprometimento necessário das pessoas para que façam os trabalhos conforme o planejado e com a qualidade esperada. É fato que a gestão de pessoas vem passando por um processo de transformação e evolução, visto que as organizações estão em constante mudança. Vamos, a partir de agora, descrever quais são os subsistemas da gestão de pessoas e também as características predominantes em cada um. Vale destacar que o funcionamento desses subsistemas pode variar de acordo com a organização, principalmente se as instituições públicas apresentem fluxo diferente para algumas das atividades apresentadas a seguir. Contudo, independente se seu campo de atuação refere-se a organizações públicas ou privadas e é importante que conheça os subsistemas da gestão de pessoas para que possa compreender o seu funcionamento e auxiliar sua organização a avaliá-los e a melhorá-los. Para nos auxiliar nesse entendimento, utilizaremos as ideias de Chiavenato (2006, pp. 12 a 16), o qual propõe os subsistemas vistos como processos a seguir. As etapas e funções para a atividade de gestão de pessoas 1º Processo de Agregar Pessoas: a gestão de pessoas deve preocupar-se com a identificação das necessidades de pessoal por parte da organização, utilizando-se de pesquisa de mercado, recrutamento e seleção. Suas principais atividades envolvem: a) Recrutamento, Seleção e Ambientação de Pessoal: subsistema muito importante para a organização, recebe a informação das áreas sobre vagas disponíveis e o perfil que o Reflita Gestor “Qualquer gestor pode ser um gestor de pessoas, mas para se tornar um excelente gestor é preciso agir estrategicamente. Sempre!”. Fonte: Dessler (2003, p. 27).8 candidato deve ter para ser aprovado. Mediante essas informações, o setor começa o processo de busca do profissional para a seleção. Podemos entender o Recrutamento como as formas e técnicas utilizadas para atrair candidatos para a organização, e a Seleção como os critérios utilizados para análise entre as características que o cargo exige e as características dos candidatos, relacionando com suas habilidades, competências e conhecimentos técnicos. Já a Ambientação são os critérios utilizados para integrar e socializar os novos colaboradores ao ambiente interno da organização (CHIAVENATO, 2006). 2º Processo de Aplicar Pessoas: neste processo ocorre a busca de informações para identificar o perfil do profissional desejado dentro da organização, bem como o desenho das atribuições dos cargos existentes: análise e descrição de cargos (que exige flexibilização e não “engessamento” dos cargos); também é feito o planejamento para melhor alocação interna das pessoas na organização (inclui ação conjunta com as unidades envolvidas). Suas principais atividades contemplam: a) Desenho de Cargos: subsistema responsável pela descrição de cargos (funções), mapeamento das atribuições e responsabilidades, pesquisas salariais, elaboração de planos de carreira. b) Acompanhamento: são critérios adotados para análise dos novos colaboradores no ambiente organizacional e no desempenho das funções. c) Avaliação de Desempenho: é o critério estabelecido para mensurar os resultados do colaborador em suas tarefas em um determinado período. d) Plano de Carreira: critério determinado para a progressão funcional de acordo com o tempo, desempenho, conhecimentos, formação e habilidades (CHIAVENATO, 2006). 3º Processo de Recompensar Pessoas: é o processo utilizado para incentivar as pessoas e satisfazer suas necessidades individuais mais elevadas. Nele está inclusa a recompensa por meio de salários, benefícios e serviços. Suas principais atividades contemplam: a) Recompensas: subsistema responsável pelo processo dedicado a incentivar e recompensar os indivíduos, seja em função das posições ocupadas, em função do tempo na organização, desempenho alcançado ou metas e resultados cumpridos. b) Remuneração e Incentivos: são os critérios adotados pela organização para a composição da remuneração, envolvendo os aspectos financeiros e não financeiros, recompensas e incentivos decorrentes do seu trabalho. c) Benefícios e Serviços: são os critérios estabelecidos para desenvolver programas para remuneração adicional ou parte integrante da remuneração total. Benefícios e serviços normalmente são oferecidos de 9 forma não financeira, podendo ser benefícios sociais estabelecidos em lei e os benefícios espontâneos, sendo de iniciativa da organização oferecê-los (CHIAVENATO, 2006). 4º Processo de Desenvolver Pessoas: neste processo ocorre a preocupação com a capacitação e o desenvolvimento profissional do colaborador, ocorre investimentos em treinamento e desenvolvimento das pessoas, programas de mudança e desenvolvimento de carreira e programas de comunicação e consonância. Observamos que nesta fase também se faz importante o envolvimento das diversas áreas da organização para a formulação de um planejamento de treinamento e desenvolvimento de acordo com as necessidades da organização ou de cada indivíduo. Suas principais atividades contemplam: a) Treinamento: meio de diagnosticar a necessidade de atualização do colaborador para repassar novos conhecimentos e habilidades ao profissional no cargo. b) Desenvolvimento de Pessoas: critério adotado para o desenvolvimento profissional dos recursos humanos, a médio e longo prazo, preparando o colaborador para assumir novas funções. c) Desenvolvimento Organizacional: processo planejado de mudança na cultura organizacional onde as pessoas exercem papel decisivo e necessitam acompanhar o ritmo das mudanças (CHIAVENATO, 2006). 5º Processo de Manter Pessoal: subsistema responsável por manter as pessoas trabalhando na organização. Trata-se das condições ambientais e psicológicas de trabalho que cercam as pessoas nas atividades cotidianas. Aqui são utilizados processos para criar condições ambientais e psicológicas satisfatórias para as atividades das pessoas. Incluem o desenvolvimento de planos de carreiras; preocupação com fatores de higiene e segurança no trabalho; programas de qualidade de vida; bem como o envolvimento com questões trabalhistas. Suas principais atividades contemplam: a) Relação com Colaboradores: está relacionado à forma com que a organização se relaciona com seus colaboradores envolvendo, estilo de liderança, processo decisorial, sistema de comunicação, relações interpessoais, trabalhistas e sindicais, recompensas e punições, administração de conflitos. b) Meio Ambiente Organizacional: está relacionado com as condições ambientais e estruturais de trabalho que asseguram a saúde física e mental, e com as condições de bem-estar das pessoas (CHIAVENATO, 2006). 6º Processo de Monitorar Pessoas: subsistema responsável por mostrar como as organizações estabelecem meios para monitorar o comportamento das pessoas dentro da organização. O controle está deixando de ser externo, impositivo e coercitivo para ser baseado no conhecimento e parcela de contribuição individual à organização. São os processos utilizados para acompanhar e controlar as atividades das pessoas e verificar 10 resultados. Neles estão inclusos os programas de avaliação de desempenho; elaboração de um banco de dados contendo informações relevantes sobre o seu quadro de pessoal; utilização de sistemas de informações gerenciais (específicos e genéricos, ou seja, sistemas gerenciais globais); auditoria de gestão de pessoas. Entre suas atividades, destacam-se: a) Departamento Pessoal: está relacionado com os trabalhos burocráticos envolvendo os registros, computação de horas, folha de pagamento, férias, 13º salário e outros. b) Banco de Dados: está relacionado aos critérios utilizados para manter um cadastro dos colaboradores capaz de fornecer informações precisas do histórico do colaborador. c) Sistema de Informações: critérios utilizados para mensurar a qualidade e o desempenho dos serviços e atividades realizadas (CHIAVENATO, 2006). Dessa forma, Chiavenato (2006) propõe os subsistemas vistos como processos e denomina como etapas e funções para a atividade de gestão de pessoas. 2. Comunicação e Relacionamento Interpessoal Todas as organizações são constituídas por pessoas e são elas que emitem, recebem e interpretam informações com base nas diferentes formas de comunicação, seja interpessoal, eletrônica, coletiva ou por meio de algum recurso específico. O fato é que a comunicação é algo que está presente em nosso dia a dia, em todas as nossas atividades, setores e níveis hierárquicos. O gestor precisa articular muito bem sua comunicação com os diferentes públicos envolvidos, pois contempla não só o público interno como as equipes de trabalho e alunos, mas também o público externo como o consumidor, sociedade, governo e entidades regulamentadoras e o gestor se torna o mediador das informações nesse processo de comunicação entre a organização e seus públicos interessados. Certamente, se o gestor conseguir articular essas demandas e informações, ele poderá evitar inúmeros desencontros e conflitos decorrentes de falhas na comunicação. A comunicação é a atividade humana que nos possibilita viver em sociedade e influencia, diretamente, os aspectos sociais, culturais e econômicos, ainda contribui para transmissão de conhecimento para as gerações futuras. Considerando isso, proponho a ideia de que comunicar significa a ação de tornar algo comum a muitos, ou ainda, podemos entendê-la como o ato de transmitir informações, ideias ou emoções de uma parte para outra utilizando códigos compartilhados. De forma geral, podemos entendera comunicação como um processo constituído de 11 diferentes etapas, sendo: Emissor: aquele que, num dado momento, emite uma mensagem para um receptor ou destinatário; Receptor: um dos protagonistas do ato da comunicação; aquele a quem se dirige a mensagem, aquele que recebe a informação e a decodifica, isto é, transforma os impulsos físicos (sinais) em mensagem recuperada; Mensagem: comunicação, notícia ou recado verbal ou escrito. Estrutura organizada de sinais que serve de suporte à comunicação. A mensagem e o objeto da comunicação; Ruído: todo sinal considerado indesejável na transmissão de uma mensagem por um canal. Tudo o que dificulta a comunicação, interfere na transmissão e perturba a recepção ou a compreensão da mensagem; Canal (meios de comunicação): todo suporte material que veicula uma mensagem de um emissor a um receptor, por meio do espaço e do tempo. Meio pelo qual a mensagem, já codificada pelo emissor, atinge o receptor, que a recebe (em código) e a interpreta (decodificada); Código: conjunto de signos relacionados de tal modo que estejam aptos para a formação e transmissão da mensagem. Por exemplo, a escrita e um código que permite transformar uma mensagem acústica em uma mensagem gráfica; Codificação: ato de transformar uma mensagem de acordo com regras predeterminadas, para convertê-la em linguagem; Decodificação: interpretação de uma mensagem, pelo receptor, de acordo com um código predeterminado (MATOS, 2009, p. 5). Esses elementos servem para nos auxiliar a compreender melhor todos os processos de comunicação. 12 Perceba que em todo ato ou processo de comunicação sempre teremos um emissor, uma mensagem, o canal ou meio utilizado, um receptor e o efeito, sendo este o impacto produzido pela mensagem sobre o receptor. As palavras impactam fortemente o comportamento das pessoas, por isso podemos afirmar que o gestor deve cuidar de sua comunicação de forma a gerar uma influência positiva nas pessoas. Ao pensar sobre como a comunicação impacta na vida das pessoas, devemos incluir as tecnologias digitais que, sem dúvidas, têm provocado uma revolução na forma como as pessoas interagem e se comunicam, e isso, naturalmente, vêm para dentro das organizações. É inegável o impacto que as tecnologias da informação e comunicação têm provocado em nosso dia a dia, possibilitando a participação, interação e influência em diferentes níveis e formas. Toda organização estabelece comunicação com seus públicos internos e externos. Mesmo que de forma inconsciente ou não intencional, o fato é que as organizações se comunicam o tempo todo, e isso inclui a organização escolar. Portanto, é imprescindível Reflita Falhas de Comunicação Muitos dos problemas de relacionamentos resultam de falhas na comunicação, e isso tende a se agravar à medida que as organizações se tornam maiores e mais complexas! 13 que o gestor escolar tome conhecimento sobre os diferentes tipos de comunicação existentes nas organizações. Uma vez que entendemos a importância da comunicação para as organizações, a partir de agora, quero apresentar, mesmo que de forma sucinta, o composto de comunicação organizacional, conforme Lupetti (2009, pp. 17-23), sendo: ➢ Comunicação Institucional: tem por objetivo interagir com o público interno e externo de uma organização e, por meio dos canais de comunicação e redes de relacionamento, conquistar a confiança, a credibilidade e a simpatia dos stakeholders (todos os públicos de interesse). É aquela que estabelece um conceito público para a empresa, difundindo sua filosofia, sua missão, sua visão e seus valores, que serão retratados em suas políticas e práticas. Compreende a identidade e a imagem corporativa, a propaganda institucional, o jornalismo empresarial, a assessoria de imprensa, a editoração multimídia, o marketing social e cultural, marketing esportivo, relações públicas. ➢ Comunicação Administrativa: abrange o fluxo de informações relacionado ao dia a dia de uma empresa, seja no contexto formal ou informal. Tem como objetivo principal coordenar, orientar e atualizar esse fluxo, para que as informações distribuídas em rede possam ser compartilhadas e compreendidas por todos os envolvidos no processo. ➢ Comunicação Interna ou Endomarketing: é aquela voltada aos colaboradores da empresa, da presidência aos auxiliares. O principal objetivo da comunicação interna é realizar a integração entre todos os trabalhadores da empresa com foco em suas políticas, valores e objetivos. ➢ Comunicação Mercadológica: é utilizada para atingir os objetivos de marketing de uma organização e, para isso, usa da divulgação de seus produtos e serviços ao seu público-alvo, por meio dos veículos de comunicação. Seus principais instrumentos são: a propaganda, a promoção de vendas, o merchandising, os eventos e o marketing direto de relacionamento. A seguir, veremos as Habilidades para as relações interpessoais. Saiba Mais Comunicação Empresarial Afinal, o que é comunicação empresarial? Nesse vídeo temos uma explicação muito bacana sobre essa importante área da gestão empresarial. <https://youtu.be/E4RV4oqoWmo >. 14 2.1 Habilidades para as relações interpessoais Atualmente, vivemos um período em que as habilidades comportamentais e de relacionamento têm sido requeridas e se apresentam como diferencial entre os profissionais, ou seja, não basta ser bom ou estar capacitado tecnicamente. É necessário o desenvolvimento das habilidades interpessoais, visto que o ambiente das empresas é interdependente e a dinâmica das interações são cada vez mais intensas. No entanto, nenhuma pessoa nasce com tais habilidades e é por meio da socialização e dos relacionamentos que conseguimos nossa competência social, que vai permitir desenvolver nossa forma de ser, pensar e agir. 2.2 Tipos de Comportamentos e as Relações Interpessoais Quando abordamos sobre as habilidades interpessoais, é imprescindível destacar a importância e o impacto que nosso comportamento exerce no outro, logo precisamos ser flexíveis para adaptarmos nossos comportamentos conforme a situação. Diante disso, chamamos a atenção para três tipos básicos de comportamento: ● comportamento assertivo: ocorre quando a pessoa consegue agir de forma adulta, posicionando seu ponto de vista de forma adequada e não agressiva; ● comportamento agressivo: ocorre quando a pessoa apresenta reações impulsivas, geralmente inconscientes e tende a prejudicar seriamente o relacionamento entre as partes; ● comportamento não assertivo: ocorre quando a pessoa não consegue se posicionar e emite uma resposta que vai contra sua vontade, ou seja, diz sim quando queria dizer não, e vice e versa. Nesse caso, a pessoa acaba ficando com um prejuízo emocional. Reflita Socialização O processo de Socialização influencia diretamente na formação da Personalidade, Percepção, Atitude e Aprendizagem das pessoas Fonte: Robbins (2000). 15 Mais do que nunca devemos buscar desenvolver nossas competências sociais, elevar o nosso nível de autoconhecimento e autorresponsabilidade de forma que possamos ser mais assertivos em nossos relacionamentos. Para isso, algumas habilidades são imprescindíveis, tais como: controle da impulsividade, observação do outro, introspecção e reflexão. Devemos considerar ainda que, ao longo de nossa trajetória, teremos que nos relacionar com uma grande diversidade de pessoas e, para isso, a flexibilidade de comportamento se torna indispensável. Por liderarmos com diferentes pessoas em nosso dia a dia, a iminência de conflitos é certa e, para isso, devemos buscar compreender porque os relacionamentos se deterioram, e entre os principais motivos temos: ● inflexibilidade para adaptação a ambientes,pessoas, estilos diferentes; ● julgamento e resistência antecipada; ● medo e insegurança sobre aquilo que desconhece; ● dificuldade de aceitar diferentes opiniões. Perceba o quanto os motivos apontados estão diretamente relacionados à falta de flexibilidade no comportamento, e para sermos mais assertivos é preciso estarmos atento ao contexto, ao perfil das pessoas e às expectativas, de forma que possamos ajustar nossa conduta a cada situação. Devemos, ainda, ter em mente que é necessário preservar os relacionamentos por meio de atitudes que favoreçam uma saudável convivência social, as quais destacamos a busca pelo contato humano, a cortesia, o respeito, a ação de se apresentar, cumprimentar, despedir-se, agradecer e, ainda, a prática do reconhecimento e da valorização de todos àqueles que compartilhamos o dia a dia, seja no ambiente profissional ou em qualquer área de nossa vida. Reflita As palavras têm poder! A linguagem é a forma com que as pessoas interagem, aprendem e transmitem com o meio a sua volta, indicando que as palavras trazem em si inúmeras possibilidades de transformação para o ser humano. As palavras que chegam às pessoas afetam diretamente suas atitudes e comportamentos Fonte: Pereira (2018, p. 34 apud ROBBINS, 2000). 16 3. Feedback e Desempenho Na prática da liderança e gestão de pessoas, o Feedback é uma técnica bastante conhecida e significa a retroalimentação que fornecemos a outra pessoa sobre como seu desempenho ou como o seu comportamento está sendo percebido pelos demais. Pontes (2008, p. 187) define o feedback como: Feedback é a comunicação para fornecer informações sobre como é percebida a atuação de quem está ouvindo e se a forma dessa atuação pode estar afetando o trabalho de outras pessoas. É um processo de ajuda para a mudança de comportamentos inadequados, manutenção de comportamentos desejáveis e orientação para novos comportamentos, contudo o feedback deve fornecer a informação sobre o desempenho de forma clara e objetiva. O feedback deve ser percebido e utilizado pelos gestores como uma poderosa ferramenta que possibilita fortalecer os aspectos positivos, bem como a mudança de comportamento e melhoria do desempenho, por meio de uma análise conjunta acerca do desempenho passado, com vistas ao desempenho futuro e para possibilitar o maior aproveitamento do potencial do profissional, portanto, gestores não podem utilizar essa ferramenta como um ajuste de contas. Ao adotar o feedback como uma estratégia para a gestão de pessoas, o líder deve ter em mente que existem desafios a serem superados, tanto daqueles que recebem quanto por parte daqueles que emitem, ou seja, nossas organizações não possuem uma cultura voltada à prática do feedback. Normalmente, as pessoas que recebem o feedback tendem a rejeitar o que está sendo relatado e, comumente, tentam terceirizar a responsabilidade. Em outras oportunidades, a reação pode ser de agressividade, exigindo alto nível de preparo do gestor para lidar com tais situações. Já as pessoas que emitem o feedback podem cometer equívocos sobre como utilizar o momento para intimidar e se impor ao outro, proceder com avaliações tendenciosas, utilizam a oportunidade como um desabafo ou para dar bronca naquele que recebe, por fim acabam dando foco demasiado nos aspectos negativos (crítica) e pouca ênfase no fortalecimento dos aspectos positivos (reconhecimento). Diante desse contexto, os gestores devem se preparar muito bem para o momento do feedback, visto que, quando bem conduzido, pode trazer excelentes benefícios tanto 17 para o colaborador quanto para a empresa como um todo. Para isso, necessitamos compreender que seu principal objetivo é fornecer informações sobre o comportamento e desempenho, tendo como base fatos e dados que possam descrever e comprovar o que está sendo apresentado e, ainda, gerar uma atitude mental positiva naquele que recebe, de forma que se comprometa em empreender as mudanças necessárias para mudar o desempenho atual. Krausz (1999) nos apresenta algumas ideias para que possamos utilizar o feedback de forma mais assertiva: ● construir uma relação pautada na confiança diminuindo possíveis barreiras entre aquele que emite e quem recebe o feedback; ● adotar postura profissional embasada no respeito a outra parte; ● considerar que o processo de feedback deve ser realizado de forma conjunta; ● gerenciar os impulsos emocionais no momento de interação; ● desenvolver a habilidade de comunicação, bem como a habilidade de ouvir com atenção. Perceba que, para a utilização adequada do feedback, o gestor necessita desenvolver suas habilidades de comunicação e relacionamento, bem como considerar os princípios da liderança e gestão de pessoas e ainda conhecer as técnicas para proceder de forma eficaz. 3.4 Princípios para o Feedback Eficaz O feedback eficaz é aquele capaz de gerar as mudanças necessárias por meio do estabelecimento de uma relação transparente, tratando os aspectos de melhoria, evidenciando e fortalecendo os aspectos positivos de forma a promover o aprimoramento do desempenho. Para isso, é importante considerar alguns princípios para sua aplicação, sendo: 18 Princípio Descrição Aplicável Ser dirigido para comportamentos que o receptor possa modificar. Quando indicamos alguma limitação sobre a qual a pessoa não possui controle algum, só conseguimos aumentar a frustração. Neutro Ser descritível ao invés de avaliativo. Quando evita-se o julgamento e faz-se apenas o relato de um evento ou fato, reduz-se a necessidade do outro reagir de forma defensiva. Nesse caso, o objetivo é provocar na pessoa uma autoavaliação por meio da análise dos fatos e não sobre opiniões. Específico É o oposto da generalização. Quando o feedback é generalizado, a mensagem fica vaga, perde sua força e significado e o receptor não dispõe de dados suficientes para compreendê-lo e utilizá-lo. Solicitado O feedback será mais útil quando não imposto, isto é, quando a própria pessoa formulou a pergunta que permite ao emissor oferecer uma observação. Oportuno Geralmente, é mais efetivo se for oferecido imediatamente depois de ocorrer à conduta. Saber quando oferecer feedback é tão importante quanto saber como fazê-lo. Direto Ser oferecido pessoal e diretamente ao interessado e não a colegas, superiores, subordinados ou outras pessoas. Comprovado Solicitar que o receptor repita a mensagem para a comprovação da sua compreensão, conforme a expectativa do emissor. Quadro 2 - Feedback eficaz Fonte: Adaptado de Krausz (1999). Considerando o que já estudamos até aqui, o feedback é uma ferramenta poderosa que permite a retroalimentação de informações acerca de uma pessoa ou grupo, exige um bom preparo por parte do emissor de forma a evitar traumas ou experiências negativas naquele que recebe o feedback. Cabe, ainda, mencionar que o processo de feedback deve ser visto pelo gestor como uma ótima oportunidade de fortalecer vínculos e ter como prioridade o desenvolvimento das pessoas. Considerando esse contexto, elaboramos um processo composto por cinco etapas que tem a finalidade instruir os gestores sobre como proceder no momento de aplicação do feedback. É importante destacar que é imprescindível um planejamento prévio sobre os assuntos que serão abordados, bem como o levantamento de fatos e dados para compor a argumentação no momento da aplicação. 19 Quadro 3 - Aplicação do feedback Fonte: Elaborado pelo autor. Sempre que proceder com o feedback, o gestor deve tomar alguns cuidados, como analisar cuidadosamente a situação-problema a ser tratada, providenciar um ambiente reservado para a conversa, observar os sinais verbais e não verbais da outra parte, ajustar a estratégia conforme as reações percebidas e ter focona geração de alternativas para a situação abordada. Note o quanto a ação do gestor influencia a performance individual e também os resultados organizacionais. Essa influência decorre do acompanhamento realizado pelo gestor junto a equipe, disponibilizando auxílio, orientações, reconhecimento e correção de rota quando necessário. A presença e acompanhamento do gestor no dia a dia da equipe lhe permite oferecer um feedback mais assertivo e, ainda, a intervenção antecipada sobre situações que fogem da normalidade, identificando as fontes do desempenho deficiente ao passo que, uma vez conhecidas as causas dos problemas de desempenho, o gestor, juntamente com o colaborador, pode planejar e empreender ações de melhoria. 20 4. Gestão Participativa Atualmente, cada vez mais os gestores e líderes vêm sendo desafiados a desenvolverem uma cultura de gestão mais participativa. Sem dúvidas, quando as pessoas participam do processo de construção e decisão das estratégias e procedimentos a serem executados, o nível de comprometimento com o que foi definido tende a ser mais elevado. Logo, entende-se que diferentes fatores têm impulsionado a concepção de uma gestão mais participativa, os quais destacamos: a) a necessidade das organizações em tomar decisões sobre situações complexas que envolvem um grande número de pessoas; b) gestores entendem que, sozinhos, é impossível construir um resultado sólido e duradouro; c) a competitividade exige que as organizações potencializem as capacidades e competências de sua força de trabalho; d) estimular a participação vem sendo utilizada como estratégia para fazer frente às necessidades de interação requeridas pelas novas gerações no local de trabalho. A gestão participativa proporciona uma série de benefícios para as organizações, para os colaboradores e para os gestores, contudo, não basta apenas ter a boa intenção em implantar esse modelo de trabalho, é preciso muito mais do que isso. Atuar de forma participativa, em primeiro lugar, necessita o desenvolvimento de uma cultura organizacional que possa favorecer e incentivar esse modelo de atuação. Partindo dessa premissa, todo o processo que envolve o desenho da estrutura organizacional deve ser repensado, pois, ao invés de áreas isoladas, as organizações devem pensar sua dinâmica em termos de trocas e compartilhamento de experiências e conhecimentos. O segundo ponto a ser destacado está relacionado com as estratégias comunicacionais adotadas pela empresa, sendo que, para uma atuação participativa, exige que as informações sejam compartilhadas com todos os níveis da organização. O terceiro ponto envolve o perfil das lideranças que estarão à frente a esse modelo de gestão, sendo imprescindível que esses líderes compreendam seu real papel no processo e contribuam incentivando e orientando as equipes de forma a participarem e engajarem-se com os trabalhos a serem realizados. Ainda considerando os aspectos que influenciam a gestão participativa, o perfil dos profissionais e seu nível de maturidade são extremamente relevantes para o pensar de um modelo de gestão participativa. Para que se possa, verdadeiramente, obter resultados 21 positivos na adoção de um modelo participativo, os profissionais envolvidos devem apresentar características comportamentais que os levem a participar do dia a dia da empresa, as quais denominamos cidadania organizacional, juntamente, espera-se que os profissionais apresentem certo nível de maturidade para que possam utilizar a autonomia concedida pela empresa com responsabilidade. Muitas empresas se frustram na implantação do modelo de gestão participativa exatamente por não contemplar algum desses itens. Quando a organização e a liderança concedem espaço para um profissional despreparado, ou sem maturidade, é muito comum que ocorra a vadiagem social, que representa a não responsabilidade pelos afazeres, ou seja, a pessoa se utiliza da autonomia ou do espaço concedido pela empresa para “matar o trabalho”, gerando perda na produtividade individual e coletiva, desentendimentos e até conflitos. Diante desse desafio, recomenda-se que a organização que almeja implantar uma cultura voltada à gestão participativa tenha ciência de que será necessário fazer investimentos na conscientização e formação das pessoas para atuarem responsavelmente sob esse modelo de gestão. Outro ponto a ser considerado é o de que se, por uma perspectiva, a organização abre suas portas para a participação das pessoas, gerando autonomia e incentivando a inovação e a criatividade, por outro, é imprescindível que a organização elabore indicadores de desempenho e resultados, pois somente dessa forma será possível aferir se os objetivos estão sendo alcançados. Indicação de Leitura Livro: Planejamento Estratégico e Gestão do Desempenho para Resultados Autora: Maria Diva de Salete Lucena Ano: 2004 Editora: Atlas ISBN: 9788522473595 Sinopse: Esse livro é muito relevante para a construção de um modelo de gestão pautado em desempenho. A obra nos traz toda uma construção sobre a importância da mensuração de resultados como recurso para a tomada de decisão e também apresenta o passo a passo, ou seja, a metodologia de como implantar esse modelo de gestão. 22 Considerações Finais Vimos que a área de gestão de pessoas vem passando por transformações ao longo do tempo, na esteira da evolução da administração. Abordamos as fases denominadas RH.1.0, RH 2.0 e a atual, que tem caráter mais estratégico. Tratamos, também, da importância da área de gestão de pessoas e de seus processos, quais sejam: agregar pessoas, aplicar pessoas, recompensar pessoas, desenvolver pessoas, manter pessoal e monitorar pessoas. Além do exposto, abordamos a importância da comunicação e do relacionamento interpessoal para a atuação eficaz do líder. Vimos, também, os elementos básicos do processo de comunicação. Além disso, tratamos do impacto que o nosso comportamento pode exercer sobre o outro. Nesse contexto, abordamos o comportamento assertivo, o agressivo e o não assertivo. Tratamos, ainda, da importância do feedback para fortalecer aspectos positivos, bem como para a melhoria do desempenho e para mudanças de comportamento de indivíduos e equipes. Vimos os princípios para o feedback eficaz. Por fim, abordamos a gestão participativa nas organizações. Espero que os temas apresentados aqui possam ser úteis para o seu dia a dia profissional. 23 Referências 5 DICAS para ter uma estrutura organizacional de primeira. Endeavor Brasil. Disponível em: <https://endeavor.org.br/pessoas/estrutura-organizacional/>. Acesso em: 15 ago. 2019. ANDRADE, R. O. B.; ALYRIO, R. V.; MACEDO, M. A. da S. Princípios de negociação: ferramentas e gestão. São Paulo: Atlas, 2010. ARAUJO, L. C. G. Gestão de Pessoas - Estratégias e Integração Organizacional. São Paulo: Atlas, 2006. BOHLANDER, G. W. Administração de Recursos Humanos. São Paulo: Thomson, 2003. CATHO. 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