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@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
1 
SÍNDROME METABÓLICA 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
Transtorno complexo representado por um conjunto de 
fatores de risco cardiovascular usualmente relacionados à 
deposição central de gordura e à resistência à insulina. 
Prevalência estimada em 38% da população brasileira 
(IBGE, 2014/2015). 
Sua presença aumenta a mortalidade geral em cerca de 1,5 
vezes e a cardiovascular em cerca de 2,5 vezes. 
DEFINIÇÃO 
Segundo o NCEP-ATP III, a SM representa a combinação 
de pelo menos 3 componentes: 
Obs.: glicemia de jejum > 100 mg/dl 
INVESTIGAÇÃO 
Confirmar diagnostico (anamnese, exame físico e exames 
complementares); 
Identificar fatores de risco cardiovasculares associados 
Fatores de risco 
− Tabagismo; 
− Hábitos de vida; 
− Diabetes e HAS não controlada; 
− Outras comorbidades. 
HISTÓRIA CLINICA 
− Idade; 
− História pregressa de hipertensão, diabetes, 
diabetes gestacional, doença arterial coronariana, 
acidente vascular encefálico, síndrome de ovários 
policísticos (SOP), doença hepática gordurosa não 
alcóolica, hiperuricemia, dislipidemia, doenças da 
tireoide; 
− História familiar de hipertensão, diabetes e doença 
cardiovascular; 
− Tabagismo, pratica de atividade física 
(quantidade/frequência); 
− Uso de medicamentos hiperglicemiantes 
(corticosteroides, betabloqueadores, diuréticos), 
ou que interfiram na PA e no colesterol. 
EXAME FÍSICO 
1. Obter medidas repetidas e acuradas em ambos os 
braços da PA; 
2. Medir parâmetros antropométricos: peso, altura, 
FC, CA e cálculo do IMC; 
3. Procurar sinais de lesões em órgãos-alvo; 
4. Detectar características de doenças endócrinas 
como Cushing, hiper ou hipotireoidismo; 
5. Examinar a região cervical: palpação e ausculta 
das artérias carótidas, verificação de estase jugular 
e palpação de tireoide; 
6. Avaliar o aparelho cardiovascular: desvio de ictus 
e propulsão à palpação; na ausculta, presença de 
B3 ou B4, hiperfonese de segunda bulha, sopros e 
arritmias; 
7. Avaliar o sistema respiratório: ausculta de 
estertores, roncos e sibilos; 
8. Observar as extremidades: edemas, pulsos em 
membros superiores e inferiores (na presença de 
pulso femorais diminuídos, sugere coartação de 
aorta, doença da aorta ou ramos); 
9. Palpar e auscultar o abdômen: frêmitos, sopros, 
massas abdominais indicativas de rins policísticos 
e tumores (podem sugerir causas secundárias ou 
LOA); 
10. Detectar déficits motores ou sensoriais no exame 
neurológico; 
11. Realizar fundoscopia ou retinografia (quando 
disponível): identificar aumento do reflexo dorsal, 
estreitamento arteriolar, cruzamentos 
arteriovenosos patológicos, hemorragias, 
exsudatos e papiledema (sinais de retinopatia 
hipertensiva); 
EXAMES LABORATORIAIS 
Glicemia em jejum, triglicerídeos, HDL-colesterol. 
Melhor avaliação do risco cardiovascular global: 
colesterol total, LDL-colesterol, creatinina, ácido úrico, 
microalbuminúria, teste de tolerância oral a glicose, ECG. 
PREVENÇÃO PRIMARIA 
ALIMENTAÇÃO ADEQUADA 
− Permitir a manutenção do balanço energético e do 
peso saudável (B, 2B); (B, 2B); 
− Reduzir a ingestão de calorias sob a forma de 
gorduras, mudar o consumo de gorduras saturadas 
para gorduras insaturadas, reduzir o consumo de 
gorduras trans (hidrogenada) (A, 1B); (A, 1B); 
− Aumentar a ingestão de frutas, hortaliças, 
leguminosas e cereais integrais (A, 1B); (A, 1B); 
− Reduzir a ingestão de açúcar livre (B, 2C); reduzir 
a ingestão (B, 2C) de sal (sódio) sob todas as 
formas. 
@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
2 
ATIVIDADE FÍSICA 
− Duração mínima de 30 minutos, 
preferencialmente diário, incluindo exercícios 
aeróbicos e de fortalecimento muscular; 
− Redução do tempo de lazer passivo. 
CESSAR TABAGISMO 
− Combate e abandono do tabagismo. 
Graus de Recomendação e Força de Evidência 
A. Estudos experimentais ou observacionais de melhor 
consistência (comprovação cientifica) 
B. Estudos experimentais ou observacionais de menor 
consistência 
C. Relatos de casos (estudos não-controlados) 
D. Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em 
consensos, estudos fisiológicos ou modelos animais 
TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO 
 
 
O paciente com SM deve-se procurar perder peso, pois assim indiretamente reduzirá a pressão arterial, a glicemia, o 
triglicérides e aumentará o HDL. 
Quem irá prescrever a dieta é a nutricionista, porem o médico deve saber a composição do plano alimentar. 
@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
3 
CONTROLE DAS SITUAÇÕES ESTRESSANTES; 
ESPIRITUALIDADE / LAZER; 
CESSAÇÃO DO FUMO; 
CONTROLE NA INGESTÃO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS: o limite máximo recomendado é de 30 g de etanol ao 
dia para o sexo masculino e 15 g para as mulheres. Na SM, para as mulheres e para os pacientes com elevação dos níveis 
de triglicérides e do peso corporal esses valores devem ser reduzidos à metade. 
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 
 
HIPERTENSÃO 
 
 
 
Nos hipertensos de risco CV baixo ou moderado, a meta de tratamento é alcançar valores inferiores a 140/90 mmHg. 
No hipertenso com doença arterial coronária (DAC), a meta terapêutica é obter PA<130/80 mmHg, mas a PA diastólica 
deve ser mantida com valores acima de 70 mmHg. 
@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
4 
Para os hipertensos com IC ou episódio prévio de AVE, o tratamento anti-hipertensivo deve ser titulado até alcançar a 
meta de PA<130/80 mmHg, mas a concomitância de doença DAC e idade avançada, comum em tal situação, limita a 
redução da PA até 120/70 mmHg. 
Nos hipertensos com DRC, o objetivo do tratamento é alcançar PA < 130/80 mmHg, mas sempre com monitorização 
de eventos adversos, especialmente redução da função renal e alterações eletrolíticas. 
O tratamento da hipertensão nos indivíduos diabéticos deve procurar manter valores < 130/80 mmHg, evitando-se a 
redução acentuada da PA para valores inferiores a 120/70 mmHg. 
META DA REDUÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL 
Redução da pressão arterial para cifras inferiores a 130mmHg/ 85mmHg pode ser útil em pacientes com elevado risco 
cardiovascular. 
Nos pacientes diabéticos, recomenda-se reduções da pressão arterial para níveis inferiores a 130/80mmHg e para os 
pacientes com proteinúria maior que 1g/24h, cifras inferiores a 120/75mmHg deverão ser a meta. 
TRATAMENTO 
 
*Hidroclorotiazida: é importante lembrar que apresenta o efeito de a glicemia e o triglicérides, porem é em baixa dose 
não havendo contraindicação para a prescrição nos pacientes com diabetes e SM. 
*Betabloqueador: é melhor utilizado em pacientes com história de infarto, angina, síndrome coronariana aguda e 
insuficiência cardíaca (IC). Diminui quadros de crise de enxaqueca. 
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5 
*Classe: I eu devo; IIa eu posso; 
*Quando se utiliza o quarto fármaco tem-se uma hipertensão resistente. 
DIABETES MELLITUS 
No individuo assintomáticos (poliuria, polidipsia, polifagia e perda involuntária de peso), é necessário que dois exames 
estejam alterados. Se somente um exame estiver alterado, este deverá ser repetido para confirmação. 
Na presença de sintomas inequívocos de hiperglicemia, é recomendado que o diagnostico seja realizado por meio de 
glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dl. 
Deve ser considerado estabelecer o diagnóstico de DM na presença de glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl e HbA1c ≥ 6,5% 
em uma mesma amostra de sangue. 
CRITÉRIOS NORMAL PRÉ-DM DM2 
Glicemia de jejum (mg/dl) < 100 100-125 >125 
Glicemia 2h após TOTG (mg/dl) < 140 140-199 >199 
HBa1c (%) < 5,7 5,7-6,4 >6,4 
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6 
META TERAPÊUTICA 
Objetivo: diminuir o risco global e cardiovascular do paciente. Que os valores ficam o máximo próximos da 
normalidade. 
*Valores normais de glicemia de jejum para adultos não gestantes: 70-99mg/dL; Valores normais de HbA1c para adultos não gestantes < 
5,7%. TIR: Tempo no alvo (“Time in Range”); T Hipog: Tempo em hipoglicemia. 
 
*Inicio: preferir medicamentos quenão aumente a secreção de insulina e sim que ocorra a sensibilização (ex. metformina). 
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7 
*No paciente sintomático (estado grave de descompensação) a terapia de início pode ser com a insulina e depois com o controle pode-se 
escalonar a terapia. 
 
*Medicamentos da classe dos inibidores do cotransportador sódio-glicose (SGLT2): Canagliflozina (Invokana®). Dapagliflozina 
(Forxiga®); Empagliflozina (Jardiance®); Ertugliflozina (Steglatro®). 
*Análogos de GLP-1: Liraglutida; Albiglutida; Dulaglutida; Exenatida; Lixisenatida. 
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8 
DISLIPIDEMIA 
A abordagem dos indivíduos portadores de SM tem como objetivo a prevenção dos eventos cardiovasculares, 
representados principalmente pela doença arterial coronariana e pelo acidente vascular encefálico. Em relação à 
dislipidemia, as metas lipídicas a serem alcançadas com o tratamento deverão levar em consideração o risco 
individual de cada paciente e o custo-benefício do tratamento. 
ESTRATIFICAÇÃO DO RISCO CV 
* DASC: doença aterosclerótica subclínica; DRC: doença renal crônica (taxa de filtração glomerular < 60 ml/mn/m2, não dialítica); ER: 
estratificadores de risco; ERG: escore de risco global. 
 
MEDICAMENTOS: Estatinas e Vastarinas. 
 
Uma vez iniciado o tratamento farmacológico com estatina esse deverá se mantido, com raras exceções, de forma 
permanente. Os benefícios de uso das estatinas serão tanto maiores quanto mais prolongado for o tratamento. 
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9 
Dosagem de CK devem ser realizadas em um, três e seis meses após o uso das estatinas e fibratos (utilizados para o 
controle de triglicerídeos). Caso os pacientes estejam estáveis, podem ser repetidas a cada seis meses. 
Dosagem de CK devem ser realizadas antes da utilização das estatinas com os fibratos e em um e três meses após. 
Se houver elevação acima de dez vezes o limite superior da normalidade ou em presença de mialgia, mesmo com CK 
normal, deve-se suspender a medicação ou a associação. 
Caso haja elevação das aminotransferases acima de três vezes o limite superior do normal, a medicação também deverá 
ser suspensa. 
Deve-se atentar para a possibilidade da presença de hipotireoidismo em portadores de dislipidemias mistas em 
indivíduos acima de 50 anos, principalmente mulheres. O uso de hipolipemiantes nesses casos associa-se ao risco 
elevado de miopatia. Deve-se inicialmente controlar o TSH e reavaliar a necessidade do tratamento hipolipemiante, que 
poderá ser realizado com segurança. 
OBESIDADE 
IMC (kg/m2) CLASSIFICAÇÃO GRAU / CLASSE RISCO DE DOENÇA 
< 18,5 Magro ou baixo peso 0 Normal ou elevado 
18,5-24,9 Normal ou eutrófico 0 Normal 
25-29,9 Sobrepeso ou pré-obeso 0 Pouco elevado 
30-34,9 Obesidade I Elevado 
35-39,9 Obesidade II Muito elevado 
≥ 40 Obesidade grave III Muitíssimo elevado 
 
A obesidade não está somente associada com doenças cardiovasculares, mas também com inúmeras neoplasias, diabetes, 
entre outras patologias, devendo ser prevenida. 
 
− Prevenção primaria: Paciente com sobrepeso; comorbidades; para todos os pacientes. 
− Prevenção secundaria: paciente com obesidade; prevenir as complicações / doenças associadas. 
− Prevenção terciaria: paciente obeso com comorbidades. 
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10 
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 
Quando iniciar: 
− IMC maior ou igual a 30 kg/m2; ou 
− IMC maior ou igual a 25-27 kg/m2 na presença de comorbidades (dependendo do medicamento – considerar os 
efeitos adversos); além de 
− Falha em perder peso com o tratamento não farmacológico. A história previa de falência com tentativa com 
dieta com restrição calórica é suficiente. 
Medicações: Sibutramina; Liraglutida; Orlistate. 
TRATAMENTO CIRÚRGICO 
A cirurgia deve ser considerada para o paciente obeso mórbido (IMC > 40 kg/m2) ou obeso com IMC > 35 kg/m2 que 
presente comorbidades clinicas importantes, e somente após ter sido submetido a tratamento clinico adequado, mas sem 
resultados. 
O paciente só deverá ser operado se estiver bem informado sobre o tratamento, motivado e se apresentar risco operatório 
aceitável. 
O paciente deve ser selecionado para a cirurgia, após cuidadosa avaliação por equipe multidisciplinar especializada e 
comporta por endocrinologistas ou clínicos, intensivistas, cirurgiões, psiquiatras ou psicólogos e nutricionistas. 
A operação deve ser feita por um cirurgião experiente no procedimento e que trabalhe com equipe e em local com 
suporte adequado para todos os tipos de problemas e necessidades que possam ocorrer. 
Após a operação, deve haver acompanhamento médico de longo prazo. 
As mulheres férteis devem ser alertadas de que só poderão engravidar depois da cirurgia quando estiverem com o peso 
estabilizado e com o seu estado metabólico e nutricional normalizado. 
Em condições especiais, a cirurgia pode ser considerada em adolescentes, em crianças, em idosos e em pacientes com 
complicações graves de síndrome metabólica. 
CRISE HIPERTENSIVA (SITE Sanar) 
Crise hipertensiva é dividida entre urgência, emergência e pseudocrise hipertensiva. 
As Urgências Hipertensivas são situações clínicas em que há elevação acentuada da PA (PAS ≥ 180mmHg e/ou PAD 
≥ 120 mmHg) sem lesão de órgão alvo (LOA) aguda e progressiva (medicação oral). 
Já nas Emergências Hipertensivas há elevação acentuada da PA com LOA aguda e progressiva (medicação 
intravenosa). 
Há também a Pseudocrise Hipertensiva em que o paciente apresenta cefaleia, dor torácica atípica, dispneia, estresse 
psicológico agudo e síndrome de pânico associados à PA elevada. 
Lesão de órgão alvo: 
− Cardiovasculares: dor torácica compatível com SCA, SAA (dissecção), dispneia intensa e franco edema 
pulmonar agudo cardiogênico. 
− Alterações agudas de SNC: confusão, rebaixamento do nível de consciência, convulsão, déficit motor ou 
sensorial focal etc. 
− Alteração visual aguda (HSA, encefalopatia hipertensiva, HAS com retinopatia avançada). 
− Glomerulonefrite aguda (hipervolemia, oligúria, edema), eclâmpsia, síndrome adrenérgica (cocaína, 
feocromocitoma). 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
Aula administrada por Dra. Milana Gomes Prado (cardiologista) 
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11 
I Diretriz Brasileira De Diagnóstico E Tratamento Da Síndrome Metabólica. Disponível em: 
https://www.scielo.br/j/abc/a/qWzJH647dkF7H5dML8x8Nym/?format=pdf&lang=pt. 
Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Disponível em: http://departamentos.cardiol.br/sbc-
dha/profissional/pdf/Diretriz-HAS-2020.pdf. 
SANAR. Crise hipertensiva no pronto-socorro. Disponível em: https://www.sanarmed.com/crise-hipertensiva-no-
pronto-socorro. 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da SBC – 
2019. Disponível em: http://publicacoes.cardiol.br/portal/abc/portugues/2019/v11304/pdf/11304022.pdf. 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretriz 2022. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/.

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