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Ética médica 
 
@andressavnc 
Aula 01 28/01/2026 Princípios gerais da Bioética, 
Biodireito e ensino na Medicina 
O dever do médico é salvar vidas a todo custo? 
Não. Do ponto de vista jurídico e técnico, o dever do médico é 
cuidar, aliviando sofrimento e agindo com boas práticas 
médicas, respeitando a dignidade humana, a autonomia do 
paciente e os limites da ciência. 
Caráter curativo  Caráter paliativo 
→ O caráter curativo tem como objetivo eliminar ou controlar 
as doenças de base, buscando a cura. Portanto, seu foco é na 
doença! 
→ O caráter paliativo tem como objetivo aliviar o sofrimento 
humano e promover uma qualidade de vida, sem intenção 
de cura. Portanto, seu foco é na pessoa! 
Fases da medicina e a judicialização da saúde 
→ A prática médica passou por mudanças estruturais ao longo 
do tempo, principalmente na forma como a sociedade tem a 
percepção do papel do médico. 
 
→ Atualmente, percebe-se um novo olhar: o médico atua em 
um contexto de vigilância, desconfiança e 
responsabilização jurídica, no qual sua conduta necessita 
ser constantemente justificada. 
 
→ Um dos fatores centrais desse contexto, é a 
hiperespecialização médica, impulsionada por um 
crescimento do conhecimento científico. Com isso, o 
profissional que atua em uma área mais específica favorece 
a excelência técnica, porém traz uma certa fragmentação do 
cuidado. Essa ruptura vai favorecer a judicialização. 
 
→ A judicialização da saúde emerge como resposta social às 
falhas percebidas no sistema assistencial. A Agência 
Nacional de Saúde Suplementar (ANS) surge com objetivo 
de contribuir para o questionamento acerca da 
responsabilidade civil do médico. Ao estabelecer normas 
regulatórias, a ANS objetiva garantir o acesso à assistência 
em saúde. 
Dessa forma é essencial distinguir ética, moral e direito. 
Ética Reflexão critica sobre a ação humana, 
avaliando condutas sem impor regras; 
Moral Refere-se ao conjunto de valores 
assumido por um indivíduo ou por grupos 
sociais; 
Direito Corresponde às normas jurídicas impostas 
pelo Estado, dotadas de caráter coercitivo. 
Essas três esferas podem dialogar ou até mesmo entrar em 
conflito, especialmente em decisões médicas, já que o que é 
legal nem sempre pode coincidir com o que é moral ou 
eticamente desejável. 
Um questionamento a ser feito ABORTO legal ou não? → 
Judicialmente SIM (em três ocasiões: quando oferta risco de 
vida à mãe, feto anencefálico ou estupro), moralmente não é 
(principalmente quando atrelado à religião). 
O direito busca estabelecer um regramento social, 
delimitado pelas fronteiras do Estado. O Civil Law, é o 
referencial adotado pelo Brasil, em que a lei se baseia na 
escrita. 
→ A bioética é o campo da ética voltado à reflexão sobre a vida 
e as intervenções que a envolvem. Ela propõe parâmetros 
reflexivos para orientar a conduta profissional diante de 
situações complexas. 
→ O objetivo dela é avaliar comportamentos e decisões, 
buscando identificar a conduta mais adequada diante de 
conflitos morais, científicos e sociais. 
 
→ No âmbito assistencial, a bioética reconhece que as 
pessoas incapazes juridicamente devem ser 
representadas por responsáveis legais, como ocorre com 
menores de idade, ébrios habituais, viciados em tóxicos, 
aqueles que, por causa transitória ou permanente, não 
puderem exprimir sua vontade e... 
 
→ Porém a bioética ultrapassa o critério puramente legal. Em 
situações envolvendo menores de 18 anos, a bioética 
defende que o jovem que demonstra sua capacidade de 
compreensão sobre riscos e benefícios deve ser ouvido 
e considerado como sujeito ativo no processo decisório. 
 
Caso 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
→ Diante do risco iminente de morte, o médico DEVE realizar 
a transfusão sanguínea, mesmo sem consentimento dos 
pais. A conduta é aparada por: ECA, princípio da 
beneficência, princípio da não maleficência, doutrina do 
melhor interesse menor. 
Histórico de códigos 
 
 
 
 
 
 
O código de ética médica (CEM) é um documento de 
caráter punitivo EXCLUSIVAMENTE no exercício da 
profissão! 
Estrutura do CEM/2018: 
o 26 princípios fundamentais no exercício médico; 
o 11 normas diceológicas (direito dos médicos); 
o 117 normas deontológicas (dever dos médicos); 
o 4 disposições gerais. 
Tipos de normas 
Regras: São normas específicas e objetivas, que 
determinam o que pode e o que não pode ser feito em 
situações concretas. 
Características: 
Criança de 7 anos, sexo feminino, chega ao PS levada por 
seus pais após episódio de queda de bicicleta com trauma 
abdominal. Na admissão apresenta-se hipocorada, 
taquicárdica, com P.A. limítrofe e dor Abd difusa. O exame 
físico evidencia hemorragia interna ativa, com queda 
progressiva de hemoglobina e risco iminente de morte. 
A equipe médica indica transfusão sanguínea imediata. No 
entanto os pais que se identificam como testemunha de 
jeová, recusam formalmente a transfusão, alegando 
princípios religiosos. 
Diante da recusa dos pais a equipe se encontra em um 
conflito entre o respeito à autonomia familiar e religiosa e 
o dever de proteção à vida e à saúde da criança. 
@andressavnc 
 
o Tem caráter descritivo (“pode” / “não pode”); 
o De aplicação direta e imediata; 
o Menor margem para erros de interpretação; 
o Quando violadas tem punições. 
Exemplos: 
o Sigilo profissional (salvo exceções, obvio); 
o Não abandonar o paciente; 
o Obter consentimento informado; 
o Não praticar atos sem competência médica. 
Princípios: são diretrizes fundamentais, amplos e 
abstratos, que orientam a reflexão ética e ajudam a decidir 
em situações complexas. 
Características: 
o Não são absolutos; 
o Podem entrar em conflitos entre si (exemplo dos caba); 
o Exigem ponderação; 
o Não determinam a conduta, mas fundamentam a decisão. 
Vou explicar os principais princípios da bioética que Igor 
falou em sala: 
1. Autonomia – respeito à capacidade de decisão do 
paciente; 
2. Beneficência – agir em benefício ao seu paciente; 
3. Não maleficência – não causar danos ao paciente; 
4. Justiça – distribuição equitativa de recursos e tratamentos. 
A autonomia do paciente é absoluta? 
→ Testemunha de Jeová 
o Paciente lúcido, capaz e informado pode recusar 
transfusão, mesmo que isso aumente risco de morte. 
o Aqui a autonomia é muito forte. 
Mas não é absoluta porque: 
o Se for criança/adolescente, a recusa dos pais pode 
ser superada para salvar a vida. 
o Se o paciente estiver inconsciente, sem diretiva 
antecipada, o médico tende a agir para salvar a vida. 
 
→ ONR (Ordem de Não Ressuscitar) 
Pode ser respeitada quando: 
o É decisão do paciente (ou representante legal); 
o Está bem registrada e discutida; 
o Há contexto clínico (ex.: terminalidade, futilidade 
terapêutica). 
Limites: 
o Não pode ser usada para “abandonar” cuidados; 
o Não significa “não tratar”, e sim não fazer RCP em 
PCR; 
o Se estiver mal documentada ou duvidosa, pode gerar 
conflito. 
 
→ “Wannabes” (ex: paciente quer conduta sem 
indicação) 
Aqui a autonomia tem limite bem claro. 
O paciente não pode obrigar o médico a: 
o Prescrever antibiótico sem necessidade; 
o Fazer cirurgia estética sem indicação/segurança; 
o Solicitar exames desnecessários; 
o Pedir internação sem critério; 
o Pedir laudo falso ou conduta antiética. 
A autonomia do paciente é fundamental, mas não 
absoluta: ela deve ser respeitada quando o paciente é 
capaz e informado, porém não obriga o médico a condutas 
antiéticas, ilegais ou sem indicação, e pode ser limitada 
para proteção de incapazes ou de terceiros. 
Medicina sacerdotal 
→ Subordinação médico-paciente; 
→ O médico decide o tratamento e o paciente apenas aceita 
(vai contra o protagonismo do paciente na consulta); 
→ Resulta numa heterodeterminação do tratamento (quando 
a decisão sobre o tratamento não é tomada pelo 
próprio paciente, e sim por outra pessoa ou instituição, 
ou seja, a vontade do paciente é substituída). 
→ Termo de livre esclarecimento:claramente 
individualizados. 
→ o paciente precisa saber quem está cobrando o quê. 
→ Isso garante transparência financeira 
 
• Art. 71. Oferecer seus serviços profissionais como prêmio, 
qualquer que seja sua natureza. 
→ “Marque X amigos e concorra a uma 
consulta/procedimento”. 
Isso resulta como: 
❖ banaliza o cuidado 
❖ introduz lógica de marketing agressivo 
❖ pode induzir o paciente a decisões sem base clínica 
 
• Art. 72. Estabelecer vínculo de qualquer natureza com empresas 
que anunciam ou comercializam planos de financiamento ou 
consórcios para procedimentos médicos. (Modificado pela 
Resolução CFM nº 2.226/2019). 
→ Consórcios pode para indicar, mas o médico não pode 
se associar! 
→ O paciente contemplado pega a carta e vai até o médico. 
Isso pode. 
→ O médico não pode fazer uma linha com o consórcio. 
Aula 9 27/04/2026 “sigilo profissional”. 
Capítulo IX 
SIGILO PROFISSIONAL 
É vedado ao médico: 
• Art. 73. Revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do 
exercício de sua profissão, salvo por motivo justo, dever legal ou 
consentimento, por escrito, do paciente. 
@andressavnc 
 
Parágrafo único. Permanece essa proibição: a) mesmo que o fato 
seja de conhecimento público ou o paciente tenha falecido; b) 
quando de seu depoimento como testemunha (nessa hipótese, o 
médico comparecerá perante a autoridade e declarará seu 
impedimento); c) na investigação de suspeita de crime, o médico 
estará impedido de revelar segredo que possa expor o paciente a 
processo penal. 
→ Tudo que o médico sabe por causa do atendimento é 
confidencial, incluindo: diagnóstico, exames, história 
clínica, informações pessoais e até o fato de o paciente 
estar em atendimento. 
Motivo justo 
Quando há 
risco 
relevante 
para 
terceiros ou 
para a 
coletividade. 
 paciente com 
doença 
infectocontagiosa 
grave que expõe 
outros 
 risco iminente de 
violência 
Dever legal 
Quando a lei 
obriga a 
notificação. 
 doenças de 
notificação 
compulsória 
 casos de violência 
(ex.: doméstica, 
infantil) 
 comunicação a 
autoridades 
judiciais quando 
exigido 
Consentimento 
do paciente 
(por escrito) 
O paciente 
autoriza 
formalmente 
a 
divulgação. 
 envio de 
informações para 
seguro 
 compartilhamento 
com outro 
profissional fora da 
rotina assistencial 
 
• Art. 74. Revelar sigilo profissional relacionado a paciente criança 
ou adolescente, desde que estes tenham capacidade de 
discernimento, inclusive a seus pais ou representantes legais, 
salvo quando a não revelação possa acarretar dano ao paciente. 
→ Os menores podem ser interpretados como: 
absolutamente incapaz ou relativamente incapaz. 
o Menor de 16 anos: pais ou responsáveis legais. 
o Entre 16 e 18: quem eu vou decidir sendo apoiado 
em conjunto por meu responsável legal. 
 
→ Paciente de 15 anos acompanhado pela mãe ou pelo 
pai. Eu devo levar em consideração o nível de 
“consciência” (maturidade) do meu paciente menor de 
idade. 
→ Só conto quando o “não contar” gere mais dano que o 
“contar”. Ex: paciente menor soropositivo. 
 
• Art. 75. Fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir 
pacientes ou imagens que os tornem reconhecíveis em anúncios 
profissionais ou na divulgação de assuntos médicos em meios de 
comunicação em geral, mesmo com autorização do paciente. 
→ Aqui TANTO FAZ ter consentimento ou não. NÃO 
PODE! 
→ Mesmo que o paciente autorize por escrito 
→ Mesmo que ele queira aparecer 
→ a proteção da dignidade do paciente é superior ao 
consentimento nesse contexto. 
 
• Art. 76. Revelar informações confidenciais obtidas quando do 
exame médico de trabalhadores, inclusive por exigência dos 
dirigentes de empresas ou de instituições, salvo se o silêncio puser 
em risco a saúde dos empregados ou da comunidade. 
→ Médico pode divulgar para a empresa o que ele 
encontrou? NÃO, salvo em caso que a informação viole 
a saúde de alguém. 
 
• Art. 77. Prestar informações a empresas seguradoras sobre as 
circunstâncias da morte do paciente sob seus cuidados, além das 
contidas na declaração de óbito, salvo por expresso 
consentimento do seu representante legal. 
→ É vedado ao médico: 
→ Fornecer a seguradoras informações sobre as 
circunstâncias da morte, além daquelas já constantes na 
Declaração de Óbito. 
 
• Art. 78. Deixar de orientar seus auxiliares e alunos a respeitar o 
sigilo profissional e zelar para que seja por eles mantido. Art. 79. 
Deixar de guardar o sigilo profissional na cobrança de honorários 
por meio judicial ou extrajudicial. 
→ O sigilo deontológico é apenas do médico. 
→ Estudantes, secretárias... não tem esse sigilo 
deontológico, mas o médico tem que advertir 
 
• Art. 79. Deixar de guardar o sigilo profissional na cobrança de 
honorários por meio judicial ou extrajudicial. 
→ Em termos diretos: você pode cobrar, mas sem expor o 
paciente. 
→ O médico pode cobrar judicialmente, isso é legítimo. O 
que ele não pode é usar informações clínicas do 
paciente como forma de justificar ou reforçar a cobrança. 
Capítulo X 
DOCUMENTOS MÉDICOS 
É vedado ao médico: 
• Art. 80. Expedir documento médico sem ter praticado ato 
profissional que o justifique, que seja tendencioso ou que não 
corresponda à verdade. 
→ Exemplo: dar atestado ou laudo que não são 
verdadeiros. 
→ Tendencioso: dar com mais dias do que o necessário. 
→ Para a ética médica, o atestado médico é sempre 
verdadeiro, mas o conteúdo pode ser falso. 
→ Posso fazer um diagnóstico para um irmão? SIM. Poder, 
pode, mas não é de bom tom. 
→ Posso fazer um autodiagnóstico? Não tem uma 
regulamentação clara sobre isso, mas “pode”. 
 
• Art. 81. Atestar como forma de obter vantagem. 
→ Do ATESTADO. 
→ Obter VANTAGEM!! → Dinheiro, favor sexual... 
 
• Art. 82. Usar formulários institucionais para atestar, prescrever e 
solicitar exames ou procedimentos fora da instituição a que 
pertençam tais formulários. 
→ Se o paciente morre por algum motivo relacionado à 
medicação, a prova que tenho é o receituário. Se pego 
esse receituário e vou ao hospital pegar o prontuário, 
não tenho prontuário. 
Ou seja, prescreva em uma folha em branco sem identificação 
nenhuma quando um vizinho pedir pra “dar uma olhadinha” 
• Art. 83. Atestar óbito quando não o tenha verificado pessoalmente, 
ou quando não tenha prestado assistência ao paciente, salvo, no 
último caso, se o fizer como plantonista, médico substituto ou em 
caso de necropsia e verificação médico-legal. 
→ Se eu já prestava serviço (ex: acompanhar na UBS), 
posso atestar. 
→ Se eu nunca tiver visto o paciente, não posso. 
→ Se eu VI O CORPO, eu posso sim atestar. 
→ Médico registra como que não há indícios de fatores 
externos, exemplo violência. Se tiver indício de 
violência, eu mando para o serviço de avaliação (IML). 
→ Paciente já enterrado, não pratico nenhum ato. 
 
• Art. 84. Deixar de atestar óbito de paciente ao qual vinha prestando 
assistência, exceto quando houver indícios de morte violenta. 
→ Você está acompanhando o paciente e ele falece, eu 
tenho o DEVER de atestar o óbito. 
→ Suspeita de morte violenta: IML. 
• Art. 85. Permitir o manuseio e o conhecimento dos prontuários por 
pessoas não obrigadas ao sigilo profissional quando sob sua 
responsabilidade. 
@andressavnc 
 
→ Eu enquanto médico não posso permitir que outras 
pessoas não manuseiem o prontuário. 
 
• Art. 86. Deixar de fornecer laudo médico ao paciente ou a seu 
representante legal quando aquele for encaminhado ou transferido 
para continuação do tratamento ou em caso de solicitação de alta. 
→ Laudo médico é direito do paciente e não deve ser 
cobrada. 
→ Eu faço o laudo para permitir a continuidade do 
atendimento. 
→ Alta: para que saiba o que o paciente tinha e o que foi 
feito. 
 
• Art. 87. Deixar de elaborar prontuário legível para cada paciente. 
→ A culpa é do médico, por ter a letra ilegível. Aculpa é 
maior da enfermeira porque tentou adivinhar e não foi 
ter certeza do que era. 
 
 § 1º O prontuário deve conter os dados clínicos 
necessários para a boa condução do caso, sendo 
preenchido, em cada avaliação, em ordem cronológica 
com data, hora, assinatura e número de registro do 
médico no Conselho Regional de Medicina. 
▪ Prontuário tem que ter ordem cronológica. 
▪ Alterar dados, rasurar... não pode. 
▪ Preciso de data, hora e assinatura. 
❖ O prontuário é DO PACIENTE, mas ele NÃO TEM 
POSSE. Quem guarda é a instituição. Quanto tempo 
o médico fica com a guarda do prontuário? 20 anos. 
 
 § 2º O prontuário estará sob a guarda do médico ou da 
instituição que assiste o paciente. 
 
 § 3º Cabe ao médico assistente ou a seu substituto 
elaborar e entregar o sumário de alta ao paciente ou, na 
sua impossibilidade, ao seu representante legal.a decisão é tomada pelo 
paciente após receber as devidas orientações, requerendo 
compreensão, informação e voluntariedade. 
Tomada de decisão 
A compreensão do processo de tomada de decisão é um 
elemento fundamental na Bioética. Uma das questões 
mais fundamentais neste processo é como estabelecem as 
relações de poder. A Dra. Rosa Krausz propôs cinco 
diferentes modelos de relações de poder no processo de 
tomada de decisões de acordo com o seu posicionamento 
relativo a ação-omissão e cooperação-não cooperação. A 
sua proposta foi desdobrada em um esquema de nove 
relações possíveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dominação: Um lado decide tudo e controla o outro. 
Imposição: conduta é forçada mesmo com resistência. 
Compromisso: os dois cedem um pouco, buscando um 
meio-termo. 
Negociação: há diálogo e construção conjunta. 
Barganha: troca direta: “se você fizer isso, eu faço aquilo.” 
Indiferença: ninguém se importa ou se envolve de 
verdade. 
Alienação: a pessoa se desliga totalmente da decisão. 
Acomodação: um lado evita conflito e só acompanha o 
outro. 
Submissão: um lado obedece completamente, sem 
questionar. 
Justiça 
O princípio da justiça estabelece como condição 
fundamental a equidade. Desse modo, o médico deve 
trabalhar com imparcialidade, evitando aspectos sociais, 
culturais, religiosos, financeiros ou outros que interfiram na 
relação médico-paciente. 
Caso abaixo: 
 
 
@andressavnc 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para a justiça: eu dou mais a quem precisa mais, PORÉM 
neste caso eu tenho falta de recursos, então eu devo 
ofertar o que eu tenho ao paciente com maior possibilidade 
de cura, portanto, paciente 1. 
Dignidade da pessoa humana (DPH) 
Art. 1° A República Federativa do Brasil, formada pela 
união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito 
Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e 
tem como fundamentos: 
III – a dignidade da pessoa humana; 
Lançamento de anão 
O princípio da dignidade humana protege o anão dele 
mesmo. 
→ O lançamento de anão é proibido, mesmo que o anão 
queira. 
→ O anão não pode dispor da dignidade dele. 
Médico e dignidade 
No hospital de trauma os médicos dormiam em 
colchonetes no chão, isso resultou em ações contra o 
hospital, justificando que não tem condições dignas de 
trabalho. 
Aula 2 04/02/2026 Ética e Bioética na Prática Médica 
Médico pode atuar em qualquer ramo da medicina? 
→ Sim, desde que esteja regularizado o seu CRM. Entretanto 
ele não pode se autodenominar especialista naquela área. 
 
→ Lei 3268/57 Art.17. 
Princípios fundamentais - CEM 
São os valores que vão orientar todo o CEM. 
I. A medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser 
humano e da coletividade e será exercida sem 
discriminação de nenhuma natureza. 
✓ A medicina não é seletiva: o médico não escolhe paciente 
por preconceito. 
II. O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser 
humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo 
de zelo e o melhor de sua capacidade profissional. 
✓ O médico deve priorizar a saúde do paciente, atuando com 
máximo zelo e competência. 
III. Para exercer a medicina com honra e dignidade, o médico 
necessita ter boas condições de trabalho e ser remunerado 
de forma justa. 
✓ A prática médica ética depende de condições dignas de 
trabalho e remuneração justa (exemplo: descanso). 
 
➢ É vedado ao médico: 
➢ o Art. 58. O exercício mercantilista da Medicina. 
➢ CRM/SC: No arbitramento dos seus honorários, o médico deve 
levar em conta a praxe do lugar, as posses do paciente, a hora, o 
meio de locomoção e, principalmente, o valor intrínseco do 
trabalho executado e a complexidade do caso. Estas 
considerações valem mais para os chamados domiciliares, os 
tratamentos de longa duração sobretudo se domiciliares e as 
cirurgias, do que, propriamente para as consultas médicas em 
consultório. 
Necessitamos pesar o contexto e os riscos, e ter noção de que o 
honorário tem que compreender o que estou perdendo. 
Não entendeu? vamos lá. 
a) condição econômica do paciente; - Paciente mais rico paga 
mais caro. 
b) fama do profissional; - Profissional de início de carreira não vai 
cobrar o mesmo de um profissional com anos de trabalho. 
c) valor do trabalho; - Nesse caso iremos considerar: 
complexidade do procedimento, tempo dependido, risco envolvido, 
grau de especialização exigido. 
d) local e hora do trabalho; - Nesse caso iremos considerar: 
atendimento domiciliar, urgência e emergência, atuação noturna 
ou feriados, além do deslocamento. 
e) usos e costumes do lugar; - Refere-se aos padrões praticados 
regionalmente, evitando distorções abusivas. 
f) êxito dos serviços prestados; - Este critério é controverso. Pois 
o êxito não deve significar pagamento condicionado ao resultado, 
pois a obrigação médica é o MEIO, não o resultado. 
QUESTIONAMENTO→ COBRAR HONORÁRIOS MÉDICOS 
SUPERIORES EM RAZÃO DA MUDANÇA DE ACOMODAÇÃO 
DO PACIENTE É ÉTICO? Segundo o entendimento doutrinário de 
Genival Veloso de França e a interpretação do Conselho Federal de 
Medicina à luz do Código de Ética Médica, a mudança de acomodação 
hospitalar (enfermaria → apartamento, por exemplo) não justifica aumento 
de honorários médicos. 
IV.Ao médico cabe zelar e trabalhar pelo perfeito desempenho 
ético da medicina, bem como pelo prestígio e bom conceito 
da profissão. 
✓ O médico deve manter conduta ética e contribuir para o 
prestígio da profissão. 
V.Compete ao médico aprimorar continuamente seus 
conhecimentos e usar o melhor do progresso científico em 
benefício do paciente e da sociedade. 
✓ O médico deve se atualizar continuamente e usar o 
progresso científico em benefício do paciente e da 
sociedade (ou seja, estudar todo dia). 
VI.O médico respeitará o ser humano e atuará em seu 
benefício, mesmo após a morte; jamais usará seus 
conhecimentos para causar sofrimento ou violar dignidade. 
✓ O médico deve respeitar a dignidade humana sempre, 
inclusive após a morte, e nunca usar a medicina para causar 
dano. 
VII.O médico atuará com autonomia, podendo recusar 
serviços contra sua consciência, exceto em 
urgência/emergência ou ausência de outro médico. 
✓ O médico tem autonomia e pode recusar atos contra sua 
consciência, salvo em urgência/emergência, risco ao 
paciente e único médico presente. 
✓ Objeção de consciência é um direito médico, mas não é 
absoluto. O mesmo pode se recusar a realizar certos 
procedimentos. 
Resolução do CFM n° 2.168/2017: é permitido o uso das 
técnicas de RA para relacionamentos homoafetivos e 
pessoas solteiras, respeitando o direito a objeção de 
consciência por parte do médico. 
Partindo disso, fazemos a seguinte pergunta: Qual a 
distinção entre objeção de consciência e 
discriminação? 
Exemplo: caso de cirurgia de transgenitalização e 
tratamento hormonal para pacientes transexuais o médico 
se nega a fazer. Fica ai a pergunta pra vcs refletirem  
Você, médico recém formado está trabalhando na 1° onda da 
covid-19 e tem apenas UM leito de UTI disponível, mas você 
se depara com a seguinte situação: 
Paciente 1: Homem 30 anos, sem comorbidades, com 
complicações respiratórias por covid-19. 
Paciente 2: Homem, 60 anos, diabético, hipertenso, 
tabagista, com complicações respiratórias por covid-19. 
Quem pega o leito? 
@andressavnc 
 
VIII.O médico não pode renunciar à sua liberdade profissional 
nem aceitar restrições que prejudiquem a eficiência e 
correção do trabalho. 
✓ O médico não pode aceitar imposições que prejudiquem sua 
liberdade e a qualidade da assistência (exemplo: pressão). 
IX.A medicina não pode ser exercida como comércio. 
✓ Autoexplicativo. 
X.O trabalho do médico não pode ser explorado por terceiros 
com fins lucrativos, políticos ou religiosos. 
✓ O trabalho médico não pode ser explorado, impedindo lucro 
abusivo campanha política... 
XI.O médico guardará sigilo das informações obtidas no 
exercício profissional, salvo exceçõeslegais. 
✓ Autoexplicativo também. 
XII.O médico deve adequar o trabalho ao ser humano, 
eliminando e controlando riscos à saúde no trabalho. 
✓ Medicina preventiva, do trabalhador etc. 
XIII.O médico comunicará às autoridades deteriorações do 
ecossistema prejudiciais à saúde e à vida. 
✓ O médico deve comunicar danos ambientais que ameacem 
saúde e vida. 
XIV.O médico deve melhorar padrões dos serviços médicos e 
assumir responsabilidade com saúde pública, educação 
sanitária e legislação. 
✓ SUS e saúde pública, educação em saúde... 
XV.O médico será solidário com movimentos de defesa da 
dignidade profissional, por remuneração e condições 
compatíveis. 
✓ O médico deve apoiar a dignidade profissional e a luta por 
condições e remuneração justas. 
XVI.Nenhuma norma institucional pode limitar a escolha do 
médico quanto aos meios cientificamente reconhecidos 
para diagnóstico e tratamento, salvo benefício ao paciente. 
✓ Nenhuma instituição pode impedir o médico de usar meios 
científicos adequados, salvo para benefício do paciente 
(exemplo: não pode impor protocolos). 
XVII. As relações do médico com outros profissionais devem 
se basear em respeito, liberdade e independência, 
buscando o bem-estar do paciente. 
✓ Relações interprofissionais devem ter respeito mútuo e foco 
no bem do paciente (não deve haver hierarquia abusiva). 
XVIII. O médico deve respeitar colegas, com solidariedade, 
mas deve denunciar atos antiéticos. 
✓ O médico deve respeitar colegas, mas denunciar condutas 
antiéticas (denúncia ética é dever). 
XIX. O médico se responsabiliza pessoalmente (nunca 
presumido) por seus atos, executados com diligência, 
competência e prudência. 
✓ O médico responde pessoalmente por seus atos, devendo 
atuar com cuidado, técnica e evitando riscos. 
XX. A atuação médica é personalíssima e não caracteriza 
relação de consumo. 
✓ Relação médico-paciente não é igual a “cliente x 
empresa”. 
XXI. O médico aceitará as escolhas do paciente sobre 
procedimentos, desde que adequadas ao caso e 
cientificamente reconhecidas. 
✓ Respeita autonomia do paciente, mas o paciente 
pode escolher/recusar. 
XXII. Em situações irreversíveis e terminais, o médico evitará 
procedimentos desnecessários e oferecerá cuidados 
paliativos. 
✓ Proíbe distanásia (prolongamento inútil do sofrimento). 
Valoriza cuidados paliativos. 
XXIII. Na produção científica, o médico deve agir com 
isenção, independência, veracidade e honestidade. 
✓ Proíbe fraude científica, manipulação de resultados e 
exige ética na pesquisa. 
XXIV. Em pesquisas com humanos ou animais, o médico 
deve respeitar normas éticas nacionais e proteger 
sujeitos vulneráveis. 
✓ Autoexplicativo de novo. 
XXV. Nas novas tecnologias, o médico deve evitar 
discriminação genética e proteger dignidade, 
identidade e integridade. 
✓ Protege contra: eugenia, exclusão por genética. 
XXVI. A medicina será exercida com os meios técnicos e 
científicos disponíveis que visem aos melhores 
resultados. 
✓ O médico deve utilizar os melhores meios técnicos e 
científicos disponíveis para alcançar os melhores 
resultados. 
 
Não tem muito o que ser explicado desses princípios, tem q ter 
noção de interpretação mesmo. 
É direito do médico 
I- Exercer a medicina sem ser discriminado por questões de 
religião, etnia, cor, sexo, orientação sexual, nacionalidade, 
idade, condição social, opinião política, deficiência ou de 
qualquer outra natureza. 
https://youtu.be/PLVxj7zof-Y?si=h4vWRuuqgJW9Yaq3 
 Exemplo do que é PROIBIDO! 
 
Pode (ou deve) o cirurgião obstetra recusar-se a operar 
com o médico residente, mesmo em caso de cirurgia de 
urgência? 
PROCESSO CONSULTA N°11/2009 – CRM/PB 
 
Em resumo, um residente de anestesiologia foi proibido de 
realizar um procedimento cirúrgico por médico especialista 
em obstetrícia  
“Comunico-lhe, outrossim, que temos um caso prático neste Nosocômio, 
onde o médico obstetra plantonista transfere todas as gestantes para outro 
serviço em virtude de o Anestesista plantonista ser estudante (R- 3 de 
anestesia).” 
 
II- Indicar o procedimento adequado ao paciente, observadas 
as práticas cientificamente reconhecidas e respeitada a 
legislação vigente. 
 
O médico tem total autonomia, desde que tenha 
embasamento científico. 
 
Lei do ato médico 12.842/2013: 
Art. 7° Compreende-se entre as competências do Conselho 
Federal de Medicina editar normas para definir o caráter 
experimental de procedimentos em Medicina, autorizando 
ou vedando a sua prática pelos médicos. 
Parágrafo único. A competência fiscalizadora dos 
Conselhos Regionais de Medicina abrange a fiscalização e 
o controle dos procedimentos especificados no caput, bem 
como a aplicação das sanções pertinentes em caso de 
inobservância das normas determinadas pelo Conselho 
Federal. 
 
 explicando: O CFM define e regulamenta procedimentos 
médicos (inclusive se são experimentais), e os CRMs 
fiscalizam e aplicam sanções quando as normas não são 
respeitadas. 
 
Caso Romario: 
 
 
 
https://youtu.be/PLVxj7zof-Y?si=h4vWRuuqgJW9Yaq3
@andressavnc 
 
CFM nº30/2017–PARECER CFM nº 38/2017 Reconhece a cirurgia 
metabólica para o tratamento de pacientes portadores de diabetes 
mellitus tipo 2 com IMC entre 30 Kg/m² e 34,9 kg/m² sem resposta 
ao tratamento clínico convencional, como técnica não 
experimental de alto risco e complexidade. 
 
 na linguagem de pessoas normais: o tratamento foi 
reconhecido como efetivo, porém de alto risco. 
 
PARECER CFM nº 40/15 O procedimento de interposição 
ileal para tratamento de doença metabólica é técnica 
experimental, só podendo ser realizada em protocolo de 
pesquisa de acordo com as normas do CEP/Conep. 
 
 Ou seja, até 2015, o mesmo tratamento era considerado 
experimental. 
 
Resolução CFM 1982/2012 Art. 1º Adotar as normas éticas 
para o reconhecimento de novos procedimentos/terapias 
médicas pelo CFM, anexas a presente resolução, como 
dispositivo deontológico a ser seguido pelos médicos. 
 
→ Um procedimento/terapia não pode ser adotado 
livremente só porque “é novo”; 
→ O CFM precisa reconhecer formalmente; 
→ O médico deve seguir essas normas para não cometer 
infração ética. 
OZONIOTERAPIA é técnica experimental- Resolução CFM 
nº 2.181/2018 Carboxiterapia é técnica experimental– 
PROCESSOCONSULTA CFM nº 8/12– PARECER CFM nº 
34/12 
 O CFM considera ozonioterapia (Res. 2.181/2018) e 
carboxiterapia (Parecer 34/2012) como técnicas 
experimentais, não reconhecidas para uso médico 
rotineiro. 
Aula 3 25/02/2026 Bioética na Prática Médica: aborto, 
células tronco e RA. 
Continuação da última aula!!! 
III- Apontar falhas em normas, contratos e práticas internas 
das instituições em que trabalhe quando as julgar indignas 
do exercício da profissão ou prejudiciais a si mesmo, ao 
paciente ou a terceiros, devendo comunicá-las ao 
Conselho Regional de Medicina de sua Jurisdição e à 
Comissão de Ética da instituição, quando houver. 
O médico tem o DEVER de realizar a fiscalização. 
O médico deve apontar falhas em normas, contratos ou 
práticas internas da instituição onde trabalha 
Quando forem: 
• Indignas do exercício da profissão 
• Prejudiciais ao médico 
• Danosas ao paciente 
• Lesivas a terceiros 
Conduta obrigatória: 
• Comunicar ao Conselho Regional de Medicina 
(CRM) da jurisdição 
• Comunicar à Comissão de Ética da instituição, 
se houver 
Eu tenho o dever de denunciar ou eu tenho apenas o direito 
de denunciar?  
A princípio é apenas um direito. O médico não pode ser 
condenado por violar um direito dele, mas pode ser 
condenado se for um dever. 
IV- Recusar-se a exercer sua profissão em instituição pública 
ou privada onde as condições de trabalho não sejam 
dignas ou possam prejudicar a própria saúde ou a do 
paciente, bem como a dos demais profissionais. Nesse 
caso, comunicará com justificativa e maior brevidade sua 
decisão ao diretor técnico,ao Conselho Regional de 
Medicina de sua jurisdição e à Comissão de Ética da 
instituição, quando houver. 
Eu posso até não exercer minha profissão ali, mas antes 
tenho de comunicar ao conselho, ao diretor técnico e à 
comissão técnica. 
A recusa não é abandono arbitrário. O médico deve: 
• Comunicar com justificativa 
• Agir com a maior brevidade possível 
→ Conselho: supervisiona; 
→ Diretor: supre a falha; 
→ Comissão: supervisiona. 
Ou seja, não preciso me submeter a péssimas condições 
laborais. 
V- Suspender suas atividades, individualmente ou 
coletivamente, quando a instituição pública ou privada para 
a qual trabalhe não oferecer condições adequadas para o 
exercício profissional ou não o remunerar digna e 
justamente, ressalvadas as situações de urgência e 
emergência, devendo comunicar imediatamente sua 
decisão ao CRM. 
Ou seja, o médico pode suspender as atividades quando 
houver condições indignas de trabalho (seja por 
remuneração ou condições estruturais). 
NÃO posso me opor a situações de trabalho em condições 
de urgência emergência! Pois posso colocar a vida de um 
paciente em risco. 
Eu devo comunicar com 72h de antecedência porque: 
permite que outros profissionais se preparem para 
trabalhar no meu lugar. 
VI- Internar e assistir seus pacientes em hospitais privados e 
públicos com caráter filantrópico ou não, ainda que não 
faça parte do seu corpo clínico, respeitadas as normas 
técnicas aprovadas pelo CRM da pertinente jurisdição. 
 
É direito dos médicos acompanhar seus pacientes em 
qualquer hospital. No entanto, quem paga o médico é o 
paciente/família, não a instituição. 
 
A responsabilidade do médico é subjetiva, ele só pode ser 
culpado se tiver culpa. 
 
VII- Requerer desagravo público ao CRM quando atingido 
no exercício de sua profissão. 
Desagravo é quando o conselho atua em defesa do 
médico, e o CRM vai dizer que o médico não errou. 
É bom? Em partes, pois as vezes passa tanto tempo do 
caso que “trazer de volta” o que ocorreu não é o ideal. 
@andressavnc 
 
Art. 3°: Na sessão de desagravo será lida pelo Presidente do 
Conselho Regional a nota a ser publicada na impressa, 
encaminhada ao ofensor e às autoridades e registrada nos 
assentamentos do desagravado. 
VIII- Decidir, em qualquer circunstância, levando em 
consideração sua experiência e capacidade 
profissional, o tempo a ser dedicado ao paciente sem 
permitir que o acúmulo de encargos ou de consultas 
venha prejudicar seu trabalho. 
O médico decidirá seu tempo de consulta independente do 
que a instituição “impor”. Mesmo que elas estabeleçam 
essas metas, significa apenas um referencial, não uma 
regra. 
IX- Recusar-se a realizar atos médicos que, embora 
permitidos por lei, sejam contrários aos ditames de sua 
consciência. 
O médico antes de ser médico é ser humano. O mesmo 
tem direito a objeção/recusa de consciência: mediante 
justificativa como “não concordo por direitos morais, 
religiosos e etc...” no entanto essa consciência não é 
considerada absoluta. 
X- Estabelecer seus honorários de forma justa e digna. 
O médico deve ganhar de forma justa e digna, não 
podendo cobrar valores abaixo da classificação Brasileira 
Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), 
porque desse modo ele quer “conquistar” pacientes pelo 
baixo preço. 
XI- É direito do médico com deficiência ou com 
doença, nos limites de suas capacidades e da segurança 
dos pacientes, exercer a profissão sem ser discriminado. 
O Procedimento Administrativo de Verificação de 
Incapacidade com possibilidade de Interdição Cautelar, 
instaurado pelo Conselho Regional de Medicina com base nas 
normas do Conselho Federal de Medicina, é medida preventiva 
destinada a avaliar se o médico, por doença, deficiência ou até 
surto psíquico (caso isolado), mantém aptidão atual para o 
exercício seguro da profissão, podendo resultar em arquivamento, 
afastamento temporário ou interdição cautelar, sempre com 
garantia de defesa. 
É dever do médico 
É vedado ao médico: 
• Art. 1º Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, 
caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência. 
Parágrafo único. A responsabilidade médica é sempre pessoal e 
não pode ser presumida. 
• Para que haja responsabilização ética (e também civil), 
é indispensável demonstrar: 
Conduta – ação ou omissão do médico; 
Culpa – sob a forma de imperícia, imprudência ou 
negligência; 
Dano – prejuízo efetivo ao paciente; 
Nexo de causalidade – vínculo direto entre a conduta 
médica e o resultado lesivo. 
Tenho que demonstrar que foi uma ação ou omissão → NEXO DE 
CAUSALIDADE: ligação entre a omissão médica com resultado 
lesivo. 
Em síntese: Não basta haver dano; é necessário provar que ele decorreu 
da conduta culposa do médico. 
Lembrando: Dano iatrogênico é o prejuízo causado ao paciente 
em decorrência de ato médico ou intervenção em saúde, mesmo 
quando realizado de forma tecnicamente correta. 
Imperícia – imprudência – negligência 
1. Imperícia: não realizar um ato que um médico deveria 
saber. A pessoa que realizou o ato não tem 
conhecimento técnico para tal. Pode ser 
omissivo/comissivo. 
2. Imprudência: agir mais que o necessário. Um fazer 
perigoso. 
3. Negligência: omissão 
Atenção! Eu só posso ter infração se houver DANO ao paciente. 
Aula 4 11/03/2026 É vedado ao médico. 
Princípio da confiança → Partimos da premissa que o colega de 
trabalho estará trabalhando de forma correta. 
 
• Art. 2° Delegar a outros profissionais atos ou atribuições exclusivas 
da profissão médica. 
→ Aqui não entra em questão se houve dano ou não. 
→ Enfermeiro pode fazer parto? Sim, desde que não seja 
de alto risco. Desse modo, não é infração médica. 
→ Médico que deixa receitas carimbadas para outros 
PROFISSIONAIS (interno não se enquadra aqui) 
preencherem, nesse caso ele está descumprindo esse 
tópico. 
 
• Art. 3° Deixar de assumir responsabilidade sobre procedimento 
médico que indicou ou do qual participou, mesmo quando vários 
médicos tenham assistido o paciente. 
→ O médico TEM que assumir suas responsabilidades no 
exercício da profissão. 
→ Se realizei um procedimento que deu errado, tenho que 
assumir meu erro. 
→ Participei de um procedimento, mas o erro não foi 
decorrente da minha prática? Tenho que me defender e 
dizer que não fiz. 
 
• Art. 4° Deixar de assumir a responsabilidade de qualquer ato 
profissional que tenha praticado ou indicado, ainda que solicitado 
ou consentido pelo paciente ou por seu representante legal. 
→ Mesmo que o paciente queira o procedimento, eu estou 
protegido? NÃO, o médico ainda assim tem sua 
responsabilidade. 
→ Em 2020, se o médico passava o tratamento que não 
tinha embasamento científico e NÃO avisava ao 
paciente, ele era condenado. Independente da 
aceitação do paciente, tudo deve ser informado. 
Nesse caso o médico comete negligência informacional. Outro 
exemplo é a hiperidrose compensatória. A hiperidrose 
compensatória é um efeito colateral comum da simpatectomia 
torácica, uma cirurgia que interrompe os nervos responsáveis 
pela sudorese nas áreas afetadas pela hiperidrose. Após o 
procedimento, o corpo pode aumentar a produção de suor em 
outras regiões, como costas, abdômen, coxas e nádegas. 
O consentimento deve ser: 
o Livre 
o Informado 
o Consciente 
o Reversível 
o Individualizado 
Existe o “Blanket consent”, isto é, o consentimento genérico, em 
que não há individualização das informações prestadas ao 
paciente, dificultando, assim, o exercício de seu direito 
fundamental à autodeterminação. 
• Art. 5° Assumir responsabilidade por ato médico que não praticou 
ou do qual não participou. 
→ Exemplo: filho dando plantão usando o nome do pai. 
• Se o pai sabe, ele viola o art. 5. 
• Se o pai não sabe, ele não será julgado por 
atos de terceiros. 
 
@andressavnc 
 
• Art. 6° Atribuir seus insucessos a terceirose a circunstâncias 
ocasionais, exceto nos casos em que isso possa ser devidamente 
comprovado. 
→ Se o médico conseguir mostrar que foi inocente, não 
haverá punição. 
→ Se o médico ficar jogando a culpa p/ terceiros ou der 
uma defesa sem embasamento, será condenado. 
 
• Art. 7° Deixar de atender em setores de urgência e emergência, 
quando for de sua obrigação fazê-lo, mesmo respaldado por 
decisão majoritária da categoria. 
→ Autoexplicativo né gente?! 
 
• Art. 8° Afastar-se de suas atividades profissionais, mesmo 
temporariamente, sem deixar outro médico encarregado do 
atendimento de seus pacientes internados ou em estado grave. 
→ O paciente TEM que estar assistido a todo tempo o 
tempo todo. 
 
• Art. 9° Deixar de comparecer a plantão em horário preestabelecido 
ou abandoná-lo sem a presença de substituto, salvo por justo 
impedimento. 
→ Aqui é diferente do médico que abandona ou não se 
apresenta no plantão (o que é BEM pior), já que no 
abandono o serviço fica sem profissional. 
→ Diferente do não aparecimento, que acaba sendo uma 
reação em cadeia. 
 O médico que ia entregar o plantão acaba não 
entregando porque o que ia pegar não chegou. 
 A culpa é totalmente do 1° médico que não 
compareceu e atrasou todos os outros. 
Parágrafo único. Na ausência de médico plantonista substituto, a 
direção técnica do estabelecimento de saúde deve providenciar a 
substituição. 
• Art. 10° Acumpliciar-se com os que exercem ilegalmente a 
medicina ou com profissionais ou instituições médicas nas quais 
se pratiquem atos ilícitos. 
→ Ex: estudante de medicina que se intitula médico e 
exerce a profissão. Quem permitiu que ele exercesse 
viola este artigo. 
→ Médico que utiliza de sua clínica para vender drogas 
“por baixo dos panos” viola este artigo. 
 
• Art. 11° Receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou 
ilegível, sem a devida identificação de seu número de registro no 
Conselho Regional de Medicina da sua jurisdição, bem como 
assinar em branco folhas de receituários, atestados, laudos ou 
quaisquer outros documentos médicos. 
→ Médico não pode emitir receita/laudo com códigos, visto 
que, compromete a compreensão de quem vai ler. 
→ Utilizar letra legível (pelo amor de Deus)! 
 
• Art. 12° Deixar de esclarecer o trabalhador sobre as condições de 
trabalho que ponham em risco sua saúde, devendo comunicar o 
fato aos empregadores responsáveis. 
→ O médico não pode violar o sigilo do paciente, desde 
que o empregador não ignore a determinação (ficou 
difícil?) 
→ Exemplo: se uma grávida está fazendo trabalho braçal e 
me relata, eu como médico(a) devo informar às 
autoridades. 
Parágrafo único. Se o fato persistir, é dever do médico comunicar 
o ocorrido às autoridades competentes e ao Conselho Regional de 
Medicina. 
• Art. 13° Deixar de esclarecer o paciente sobre as determinantes 
sociais, ambientais ou profissionais de sua doença. 
• Tem doença de determinado ambiente ou categoria de 
trabalho? Sim? Então eu devo informar ao meu 
paciente. 
• Ex: Início de perda auditiva. O médico deve indicar o uso 
de protetores auriculares p/ diminuir a exposição aos 
ruídos. 
• Art. 14° Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou 
proibidos pela legislação vigente no País. 
Ex: DISTANÁSIA 
→ Paciente em estado terminal deve receber cuidados 
paliativos! 
→ “mas o paciente pediu” INDEPENDENTE meu patrão, 
quer perder a carteirinha?! 
→ Proibido = não posso fazer 
Aula 5 18/03/2026 É vedado ao médico. 
• Art. 15° Descumprir legislação específica nos casos de 
transplantes de órgãos ou de tecidos, esterilização, fecundação 
artificial, abortamento, manipulação ou terapia genética. 
→ Cada procedimento desses tem lei própria, então vira 
umas 500 infrações. 
→ P/ doar órgão em vida necessita de ação judicial, 
EXCETO em caso familiar porque você ama seu primo. 
§ 1º No caso de procriação medicamente assistida, a fertilização 
não deve conduzir sistematicamente à ocorrência de embriões 
supranumerários. 
 Embriões supranumerários- eu não posso produzir mais 
do que eu quero implantar. 
 Se minha cunhada não pode ter filhos eu posso ceder 
meu útero para realizar reprodução assistida. PORÉM 
se for um amigo meu necessita de ação judicial, porque 
a justiça entende que vai ser uma barriga de aluguel. 
§ 2º O médico não deve realizar a procriação medicamente 
assistida com nenhum dos seguintes objetivos: 
I – Criar seres humanos geneticamente modificados; 
II – Criar embriões para investigação; 
III – Criar embriões com finalidades de escolha de sexo, eugenia 
ou para originar híbridos ou quimeras. 
 Um casal de surdos utilizou da reprodução assistida 
para gerar uma filha surda. A partir daí, os pais 
utilizavam o argumento de que se a criança não fosse 
surda, ela sofreria discriminação no meio. NÃAO PODE. 
§ 3º Praticar procedimento de procriação medicamente assistida 
sem que os participantes estejam de inteiro acordo e devidamente 
esclarecidos sobre o método. 
 O médico tem o dever de informar e receber 
consentimento em relação ao paciente. 
 
• Art. 16° Intervir sobre o genoma humano com vista à sua 
modificação, exceto na terapia gênica, excluindo-se qualquer ação 
em células germinativas que resulte na modificação genética da 
descendência. 
→ Ou seja, eu só posso modificar geneticamente um 
embrião, se for com caráter terapêutico (ex: quero tirar 
um gene específico de uma doença=pode). 
 
• Art. 17° Deixar de cumprir, salvo por motivo justo, as normas 
emanadas dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina e de 
atender às suas requisições administrativas, intimações ou 
notificações no prazo determinado. 
→ EX: Um médico recebe uma notificação do CRM 
solicitando esclarecimentos sobre uma denúncia de erro 
médico, com prazo de 15 dias. 
→ Ele ignora a notificação e não responde dentro do prazo 
(isso configura infração ética, pois deixou de 
atender uma requisição administrativa sem 
justificativa). 
 
• Art. 18° Desobedecer aos acórdãos e às resoluções dos 
Conselhos Federal e Regionais de Medicina ou desrespeitá-los. 
→ Médico teve carteira suspensa pelo Estado, mas 
continua atuando como tal, ele infracionou o art 18. 
 
@andressavnc 
 
• Art. 19° Deixar de assegurar, quando investido em cargo ou função 
de direção, os direitos dos médicos e as demais condições 
adequadas para o desempenho ético-profissional da medicina. 
→ Isso se aplica apenas aos cargos de 
DIREÇÃO/GESTÃO! 
→ EX: Um diretor de hospital sabe que faltam EPIs (luvas, 
máscaras) e mesmo assim mantém o atendimento 
normalmente, sem tomar providências. 
 
• Art. 20° Permitir que interesses pecuniários, políticos, religiosos ou 
de quaisquer outras ordens, do seu empregador ou superior 
hierárquico ou do financiador público ou privado da assistência à 
saúde, interfiram na escolha dos melhores meios de prevenção, 
diagnóstico ou tratamento disponíveis e cientificamente 
reconhecidos no interesse da saúde do paciente ou da sociedade. 
→ O médico deve tomar a conduta que ele achar 
adequada, desde que, obviamente, não tenha vieses. 
→ EX: a médica que deixou de atender Francisco por conta 
de lula. 
 
• Art. 21° Deixar de colaborar com as autoridades sanitárias ou 
infringir a legislação pertinente. 
→ Enquanto médica, eu preciso colaborar com a ANVISA 
e GVISA, mas também com as normas do ministério da 
saúde. Se eu violar regras sanitárias estou violando o 
artigo 21. 
Capítulo IV 
DIREITOS HUMANOS 
• Art. 22° Deixar de obter consentimento do paciente ou de seu 
representante legal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser 
realizado, salvo em caso de risco iminente de morte. 
→ O consenso deve ser expresso ou presumido, sempre. 
→ Não tem uma norma de que ele deve ser por escrito, 
mas vamos ter senso e possuir provas né?! 
→ Lembrem do exemplo do médico que foi processado por 
não dizer ao paciente que o procedimento tinha0,2% de 
chance de um efeito adverso. 
 
• Art. 23° Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, 
desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo de qualquer forma ou 
sob qualquer pretexto. 
 
Parágrafo único. O médico deve ter para com seus colegas 
respeito, consideração e solidariedade. 
→ Se um médico xinga alguém no plantão ele será punido 
nesse artigo. 
→ Lembrem que é o SER HUMANO, não exclusivamente 
paciente e/ou colega de trabalho. 
 
• Art. 24° Deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de 
decidir livremente sobre sua pessoa ou seu bem-estar, bem como 
exercer sua autoridade para limitá-lo. 
→ Exemplo: o parto. Existem médicos que querem forçar a 
gestante a fazer um parto normal ou cesárea por puro 
capricho. 
→ O médico informa os riscos, mas sem induzir a paciente 
a escolher X conduta pela fala dele. 
 
• Art. 25° Deixar de denunciar prática de tortura ou de 
procedimentos degradantes, desumanos ou cruéis, praticá-las, 
bem como ser conivente com quem as realize ou fornecer meios, 
instrumentos, substâncias ou conhecimentos que as facilitem. 
→ A minha conduta é omissiva ou comissiva? 
 Omissão: quando eu não denuncio; 
 Ação: práticas degradantes, torturantes; 
 Auxílio moral: “você consegue!”; 
 Auxílio material: forneço insumos para que tudo 
aconteça. 
 Ser conivente = não denunciar. 
 
• Art. 26° Deixar de respeitar a vontade de qualquer pessoa, 
considerada capaz física e mentalmente, em greve de fome, ou 
alimentá-la compulsoriamente, devendo cientificá-la das prováveis 
complicações do jejum prolongado e, na hipótese de risco iminente 
de morte, tratá-la. 
→ Tenho uma paciente em greve de fome, vou força-la a 
comer? NÃO, eu forneço uma assistência informativa. 
→ Paciente em greve de fome desmaia → Aí sim devo 
intervir. 
“sustente seus B.O. se começou a greve, sustente as 
consequências dela”. 
Aula 6 01/04/2026 “Direito humanos”. 
• Art. 27° Desrespeitar a integridade física e mental do paciente ou 
utilizar-se de meio que possa alterar sua personalidade ou sua 
consciência em investigação policial ou de qualquer outra 
natureza. 
→ Não tem muito o que ser comentado né kkk, noção 
doctors. 
 
• Art. 28° Desrespeitar o interesse e a integridade do paciente em 
qualquer instituição na qual esteja recolhido, independentemente 
da própria vontade. Parágrafo único. Caso ocorram quaisquer atos 
lesivos à personalidade e à saúde física ou mental dos pacientes 
confiados ao médico, este estará obrigado a denunciar o fato à 
autoridade competente e ao Conselho Regional de Medicina. 
→ É vedado ao médico qualquer conduta que vá contra o 
bem-estar, a dignidade ou os direitos do paciente, 
mesmo que ele esteja internado ou institucionalizado 
(hospital, clínica psiquiátrica, ILPI, presídio etc.). 
 
• Art. 29° Participar, direta ou indiretamente, da execução de pena 
de morte. 
→ É expressamente proibido ao médico qualquer tipo de 
envolvimento com a execução. 
→ O que entra como participação? : 
Participação direta Participação indireta 
Administrar substâncias 
letais 
Avaliar se o indivíduo está 
“apto” para ser executado 
Monitorar sinais vitais 
durante a execução 
Orientar tecnicamente sobre 
métodos de execução 
Declarar condições clínicas 
para viabilizar o 
procedimento 
Estar presente com função 
assistencial no ato 
Essa norma se baseia em princípios centrais da medicina: 
✓ Princípio da não maleficência → “primum non nocere” 
(não causar dano) 
✓ Finalidade da medicina → preservar a vida e aliviar o 
sofrimento, nunca provocar a morte 
• Art. 30° Usar da profissão para corromper costumes, cometer ou 
favorecer crime. 
→ Você pratica um crime qualquer. Isso é relevante para o 
conselho? NÃO, contanto que eu não esteja no 
exercício da profissão! 
→ Eu pratiquei um crime sem ser médico e depois me 
tornei médico. Isso é irrelevante para o paciente e para 
o conselho. 
Lembrem: Falsificação documental é crime, porem NÃO se 
enquadra nesse artigo! 
Capítulo V 
RELAÇÃO COM PACIENTES E FAMILIARES 
• Art. 31° Desrespeitar o direito do paciente ou de seu representante 
legal de decidir livremente sobre a execução de práticas 
diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente risco de 
morte. 
→ O paciente (ou seu representante legal) tem o direito de 
aceitar ou recusar qualquer procedimento diagnóstico 
ou terapêutico. 
→ A decisão deve ser: 
✓ Informada (com explicação clara de riscos, 
benefícios e alternativas) 
@andressavnc 
 
✓ Livre de coerção 
Exceção importante: em situações de emergência com risco 
imediato à vida, o médico pode intervir mesmo sem 
consentimento. 
Conduta correta Conduta inadequada 
Paciente recusa cirurgia 
→ médico explica riscos 
→ respeita decisão 
Realizar procedimento sem 
explicar ao paciente 
Paciente inconsciente com 
hemorragia grave 
→ médico opera sem 
consentimento para salvar a 
vida 
Ignorar recusa consciente e 
esclarecida 
 Coagir paciente a aceitar 
tratamento 
 
• Art. 32° Deixar de usar todos os meios disponíveis de promoção 
de saúde e de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, 
cientificamente reconhecidos e a seu alcance, em favor do 
paciente. 
→ O médico deve empregar todos os recursos que estão 
ao seu alcance, dentro da realidade do serviço e da sua 
competência. 
→ A atuação médica é integral, não se limita ao 
tratamento: 
✓ Promoção de saúde (educação, orientação) 
✓ Prevenção (vacinas, rastreio) 
✓ Diagnóstico adequado 
✓ Tratamento eficaz 
→ Baseado em medicina baseada em evidências, 
evitando práticas sem respaldo científico. 
→ Sempre orientado pelo melhor interesse do paciente. 
 
• Art. 33° Deixar de atender paciente que procure seus cuidados 
profissionais em casos de urgência ou emergência, quando não 
haja outro médico ou serviço médico em condições de fazê-lo. 
→ Aqui vai concordar com a objeção de consciência. 
→ Tenho direito de ser objetor de consciência, mas não 
quando for o único médico ou em caso de urgência e 
emergência. 
→ Quanto mais relevante for o motivo da objeção, mais 
protegido o médico estará. 
 
• Art. 34° Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o 
prognóstico, os riscos e os objetivos do tratamento, salvo quando 
a comunicação direta possa lhe provocar dano, devendo, nesse 
caso, fazer a comunicação a seu representante legal. 
→ O paciente tem o direito de receber informações 
completas sobre seu estado de saúde, diagnóstico e 
tratamento. No entanto, em situações excepcionais, 
pode-se aplicar o privilégio terapêutico, no qual a 
informação é temporariamente omitida do paciente 
quando sua revelação possa lhe causar dano 
significativo. Nesses casos, as informações devem ser 
direcionadas ao representante legal ou a uma pessoa de 
confiança, preservando sempre o melhor interesse do 
paciente. 
→ Deve colocar no prontuário, SEMPRE. 
 
• Art. 35° Exagerar a gravidade do diagnóstico ou do prognóstico, 
complicar a terapêutica ou exceder-se no número de visitas, 
consultas ou quaisquer outros procedimentos médicos. 
→ Não confundam colocar medo com educação positiva 
 
→ MAS, se necessário, devo registrar no prontuário o 
motivo de tamanha hipérbole. 
→ Exceder-se no número de visitas, consultas ou qualquer 
procedimento: 
 Quanto mais eu visito um paciente, mais 
saúde ele tem? 
 Depende. Pode gerar mais ansiedade, e 
também mais desassistência a outros 
pacientes. 
 Mais consultas e mais procedimentos causa 
mais custo para o paciente. 
 
• Art. 36° Abandonar paciente sob seus cuidados. 
→ Médico pode SIM romper relação com seu paciente. 
→ O que o profissional não pode é simplesmente sumir 
sem dar um motivo justo (Lembrem do exemplo “não é 
você, sou eu”). 
 
§ 1° Ocorrendo fatos que, a seu critério, prejudiquem o bom 
relacionamento com o paciente ou o pleno desempenho 
profissional, o médico tem o direito de renunciar ao 
atendimento,desde que comunique previamente ao paciente 
ou a seu representante legal, assegurando-se da continuidade 
dos cuidados e fornecendo todas as informações necessárias 
ao médico que o suceder. 
 Situações que comprometem a relação médico-
paciente, como: 
Perda de confiança 
Conflitos recorrentes 
Desrespeito ou comportamento inadequado 
 Caso o paciente não tenha adesão ao tratamento 
isso não é motivo para rompimento de relação, o 
médico deve buscar outras alternativas. 
§ 2° Salvo por motivo justo, comunicado ao paciente ou aos 
seus familiares, o médico não abandonará o paciente por ser 
este portador de moléstia crônica ou incurável e continuará a 
assisti-lo ainda que para cuidados paliativos. 
 O médico não pode deixar de acompanhar o 
paciente apenas porque: 
A doença não tem cura 
O tratamento é prolongado 
O prognóstico é desfavorável 
 Mesmo sem possibilidade de cura, o dever continua. 
 
• Art. 37° Prescrever tratamento ou outros procedimentos sem 
exame direto do paciente, salvo em casos de urgência ou 
emergência e impossibilidade comprovada de realizá-lo, devendo, 
nessas circunstâncias, fazê-lo imediatamente após cessar o 
impedimento, assim como consultar, diagnosticar ou prescrever 
por qualquer meio de comunicação em massa. 
→ Isso só ocorre em urgência e emergência. 
→ O médico não deveria fazer renovação de receitas sem 
ver o paciente, pois em muitos casos os pacientes nem 
usam o medicamento (a família pode usar p/ tráfico e 
coisas bem punk) 
→ Médico em tese pode ter grupo de whatsapp com seus 
pacientes, o que não pode é fazer consultas no mesmo 
 
• Art. 38° Desrespeitar o pudor de qualquer pessoa sob seus 
cuidados profissionais. 
→ O paciente tem o direito de recusar a presença de 
terceiros durante a consulta. Nesses casos, alunos ou 
outros observadores devem ser afastados, garantindo-
se a privacidade e a confidencialidade do atendimento. 
(#soucontra ai depois reclamam que “esses médicos novos” não sabem 
das coisas.) 
 
• Art. 39° Opor-se à realização de junta médica ou segunda opinião 
solicitada pelo paciente ou por seu representante legal. 
→ É vedado ao médico impedir ou dificultar esse processo. 
→ O paciente pode: 
Buscar avaliação de outro médico (segunda opinião) 
Solicitar análise por um grupo de profissionais (junta 
médica) 
→ Esse direito pertence ao paciente ou, quando 
necessário, ao seu representante. 
@andressavnc 
 
• Art. 40° Aproveitar-se de situações decorrentes da relação médico-
paciente para obter vantagem física, emocional, financeira ou de 
qualquer outra natureza. 
→ Exemplo: paciente emocionalmente abalado e o médico 
faz com que o paciente se torne dependente dele. 
→ O médico não pode abusar da confiança que foi 
colocada nele. 
 
• Art. 41° Abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou 
de seu representante legal. 
→ O médico não pode realizar práticas que provoquem 
intencionalmente a morte do paciente, como a 
eutanásia. No entanto, é permitido adotar a 
ortotanásia, respeitando o curso natural da doença, 
sem prolongar artificialmente a vida, priorizando o 
conforto e os cuidados paliativos. 
Tipo Definição Conduta Situaçã
o no 
Brasil 
Eutanási
a 
Provoca a 
morte 
intencionalm
ente 
Ação ativa 
para abreviar 
a vida 
Proibida 
Distanás
ia 
Prolonga a 
vida com 
sofrimento 
Excesso de 
intervenções 
Inadequ
ada 
Ortotaná
sia 
Permite 
morte natural 
com 
dignidade 
Limita 
medidas 
desproporcio
nais + 
cuidados 
paliativos 
Permitid
a 
 
Parágrafo único. Nos casos de doença incurável e terminal, deve 
o médico oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis sem 
empreender ações diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou 
obstinadas, levando sempre em consideração a vontade expressa 
do paciente ou, na sua impossibilidade, a de seu representante 
legal. 
→ Ou seja, não é adequado fazer a distanásia, como Igor 
diria, sempre que há é com viés financeiro por parte da 
família. 
 
• Art. 42° Desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente 
sobre método contraceptivo, devendo sempre esclarecê-lo sobre 
indicação, segurança, reversibilidade e risco de cada método. 
→ O paciente tem o direito de escolher livremente 
→ Como profissional, devo apresentar ao paciente as 
diferentes opções disponíveis, explicando de forma 
clara suas vantagens, desvantagens e, principalmente, 
os riscos envolvidos, permitindo uma decisão informada 
 
Capítulo VI 
DOAÇÃO E TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS E TECIDOS 
 
• Art. 43° Participar do processo de diagnóstico da morte ou da 
decisão de suspender meios artificiais para prolongar a vida do 
possível doador, quando pertencente à equipe de transplante. 
→ O médico da equipe de transplante não pode participar 
da confirmação da morte (ex: morte encefálica). 
→ Também é proibido participar da decisão de retirar 
suporte de vida do possível doador. 
 
• Art. 44° Deixar de esclarecer o doador, o receptor ou seus 
representantes legais sobre os riscos decorrentes de exames, 
intervenções cirúrgicas e outros procedimentos nos casos de 
transplantes de órgãos. 
→ Transplante já é um babado delicado né 
→ TEM que ter um consentimento de quem ta envolvido 
→ Os envolvidos no processo tem que saber dos riscos, e 
que vão viver sem determinado órgão 
 
• Art. 45° Retirar órgão de doador vivo quando este for juridicamente 
incapaz, mesmo se houver autorização de seu representante 
legal, exceto nos casos permitidos e regulamentados em lei. 
→ Inclui: menores de idade, pessoas sem plena 
capacidade civil 
→ A autorização dos responsáveis não é suficiente, por si 
só, para legitimar o procedimento (isso evita a 
comercialização de órgãos). 
 
• Art. 46° Participar direta ou indiretamente da comercialização de 
órgãos ou de tecidos humanos. 
→ No Brasil posso ter venda de órgão ou tecido? NÃO! 
(cabelo pode porque não é algo essencial para a vida. 
Viva os mega hair uhu) 
 
LEI A PARTE SOBRE TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS 
Lei 9434: Dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do 
corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras 
providências. 
• Art. 1º A disposição gratuita de tecidos, órgãos e partes do corpo 
humano, em vida ou post mortem, para fins de transplante e 
tratamento, é permitida na forma desta Lei. 
→ A doação de órgãos e tecidos deve ser obrigatoriamente 
sem qualquer tipo de pagamento. 
→ A doação pode ocorrer em vida ou após a morte. 
→ Finalidade exclusivamente terapêutica, visando salvar 
ou melhorar vidas 
→ Deve seguir critérios legais rigorosos (consentimento, 
diagnóstico de morte, autorização familiar, etc.) 
Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, não estão 
compreendidos entre os tecidos a que se refere este artigo o 
sangue, o esperma e o óvulo. 
• Art. 2º A realização de transplante ou enxertos de tecidos, órgãos 
ou partes do corpo humano só poderá ser realizada por 
estabelecimento de saúde, público ou privado, e por equipes 
médico-cirúrgicas de remoção e transplante previamente 
autorizados pelo órgão de gestão nacional do Sistema Único de 
Saúde. 
→ Transplantes não podem ser feitos em qualquer lugar 
→ Devem ocorrer em hospitais ou serviços de saúde 
habilitados 
→ Necessidade de autorização oficial 
DA DISPOSIÇÃO POST MORTEM DE TECIDOS, ÓRGÃOS E 
PARTES DO CORPO HUMANO PARA FINS DE 
TRANSPLANTE. 
• Art. 3º A retirada post mortem de tecidos, órgãos ou partes do 
corpo humano destinados a transplante ou tratamento deverá ser 
precedida de diagnóstico de morte encefálica, constatada e 
registrada por dois médicos não participantes das equipes de 
remoção e transplante, mediante a utilização de critérios clínicos e 
tecnológicos definidos por resolução do Conselho Federal de 
Medicina. 
→ Só é possível retirar órgãos após confirmação da morte 
ENCEFÁLICA 
→ O diagnóstico segue protocolos rigorosos (exame clínico 
+ exames complementares quandonecessário) 
§ 3º Será admitida a presença de médico de confiança da família 
do falecido no ato da comprovação e atestação da morte 
encefálica. 
• Art. 4º A retirada de tecidos, órgãos e partes do corpo de pessoas 
falecidas para transplantes ou outra finalidade terapêutica, 
dependerá da autorização do cônjuge ou parente, maior de idade, 
obedecida a linha sucessória, reta ou colateral, até o segundo grau 
inclusive, firmada em documento subscrito por duas testemunhas 
presentes à verificação da morte. 
@andressavnc 
 
→ Nada adianta falar que é doador se a família não 
concordar que você é doador. 
→ Pode ser autorizado por cônjuge ou responsável maior 
de idade 
→ Existe uma ordem de prioridade: 
Linha reta: pais, filhos 
Linha colateral até 2º grau: irmãos, avós, netos 
→ A autorização deve ser: 
Formal e escrita 
Com duas testemunhas presentes na confirmação da 
morte 
• Art. 5º A remoção post mortem de tecidos, órgãos ou partes do 
corpo de pessoa juridicamente incapaz poderá ser feita desde que 
permitida expressamente por ambos os pais, ou por seus 
responsáveis legais. 
 
• Art. 6º É vedada a remoção post mortem de tecidos, órgãos ou 
partes do corpo de pessoas não identificadas. 
→ Não posso doar pois não tenho consentimento da 
família, PORÉM, posso doar p/ instituições de ensino 
com fins educacionais. 
Parágrafo único. No caso de morte sem assistência médica, de 
óbito em decorrência de causa mal definida ou de outras situações 
nas quais houver indicação de verificação da causa médica da 
morte, a remoção de tecidos, órgãos ou partes de cadáver para 
fins de transplante ou terapêutica somente poderá ser realizada 
após a autorização do patologista do serviço de verificação de 
óbito responsável pela investigação e citada em relatório de 
necrópsia. 
→ Casos em que não há diagnóstico claro da causa do 
óbito 
→ Inclui situações que exigem investigação, como: óbito 
suspeito, mortes súbitas sem explicação 
→ O caso deve ser avaliado pelo serviço competente que 
investiga a causa da morte 
 
• Art. 8º Após a retirada de tecidos, órgãos e partes, o cadáver será 
imediatamente necropsiado, se verificada a hipótese do parágrafo 
único do art. 7º, e, em qualquer caso, condignamente recomposto 
para ser entregue, em seguida, aos parentes do morto ou seus 
responsáveis legais para sepultamento. 
→ O corpo será concedido à família em condições dignas 
para sepultamento 
→ Não entrego o corpo aberto, deformado ou mutilado 
DA DISPOSIÇÃO DE TECIDOS, ÓRGÃOS E PARTES DO 
CORPO HUMANO VIVO PARA FINS DE TRANSPLANTE OU 
TRATAMENTO 
• Art. 9º É permitida à pessoa juridicamente capaz dispor 
gratuitamente de tecidos, órgãos e partes do próprio corpo vivo, 
para fins terapêuticos ou para transplantes em cônjuge ou 
parentes consanguíneos até o quarto grau, inclusive, na forma do 
§ 4º deste artigo, ou em qualquer outra pessoa, mediante 
autorização judicial, dispensada esta em relação à medula óssea. 
→ Apenas quem tem capacidade civil plena pode ser 
doador vivo 
→ A doação deve ser sem qualquer pagamento 
→ Vai dos pais (1° grau) até primos (4° grau) SEM 
intervenção judicial. 
→ Do 5° grau acima tem que ter intervenção judicial 
 
• § 3º Só é permitida a doação referida neste artigo quando se tratar 
de órgãos duplos, de partes de órgãos, tecidos ou partes do corpo 
cuja retirada não impeça o organismo do doador de continuar 
vivendo sem risco para a sua integridade e não represente grave 
comprometimento de suas aptidões vitais e saúde mental e não 
cause mutilação ou deformação inaceitável, e corresponda a uma 
necessidade terapêutica comprovadamente indispensável à 
pessoa receptora. 
→ Só pode doar estruturas cuja retirada não inviabilize a 
vida 
→ O doador deve permanecer vivo e funcional, sem riscos 
à saúde 
→ O transplante deve ser realmente necessário, não 
opcional ou supérfluo 
 
• § 4º O doador deverá autorizar, preferencialmente por escrito e 
diante de testemunhas, especificamente o tecido, órgão ou parte 
do corpo objeto da retirada. 
 
• § 5º A doação poderá ser revogada pelo doador ou pelos 
responsáveis legais a qualquer momento antes de sua 
concretização. 
→ Se eu decido doar e na hora da cirurgia me arrependo, 
posso desistir. 
→ Pode desistir até o momento de ser concretizada a 
doação. 
→ Se fez a doação, não pode mais tomar. 
 
• § 6º O indivíduo juridicamente incapaz, com compatibilidade 
imunológica comprovada, poderá fazer doação nos casos de 
transplante de medula óssea, desde que haja consentimento de 
ambos os pais ou seus responsáveis legais e autorização judicial 
e o ato não oferecer risco para a sua saúde. 
→ Transplante de MO está liberado até para 
incapaz 
→ Se estiver falando de criança e MO pode!!! 
 
• § 7º É vedado à gestante dispor de tecidos, órgãos ou partes de 
seu corpo vivo, exceto quando se tratar de doação de tecido para 
ser utilizado em transplante de medula óssea e o ato não oferecer 
risco à sua saúde ou ao feto. 
 
• § 8º O autotransplante depende apenas do consentimento do 
próprio indivíduo, registrado em seu prontuário médico ou, se ele 
for juridicamente incapaz, de um de seus pais ou responsáveis 
legais. 
→ Basta a autorização do próprio paciente 
→ Com consentimento formalizado 
→ Realiza-se em casos de queimaduras extensas 
(dopping em atletas- guardam o sangue e depois usam, 
testemunhas de jeová- guardam pra não usar de 
terceiros) 
 
• Art. 9º É garantido a toda mulher o acesso a informações sobre as 
possibilidades e os benefícios da doação voluntária de sangue do 
cordão umbilical e placentário durante o período de consultas pré-
natais e no momento da realização do parto. 
Aula 7 08/04/2026 “Direitos e deveres na relação entre 
médicos”. 
Capítulo VII 
RELAÇÃO ENTRE MÉDICOS 
É vedado ao médico: 
• Art. 47° Usar de sua posição hierárquica para impedir, por motivo 
de crença religiosa, convicção filosófica, política, interesse 
econômico ou qualquer outro que não técnico-científico ou ético, 
que as instalações e os demais recursos da instituição sob sua 
direção sejam utilizados por outros médicos no exercício da 
profissão, particularmente se forem os únicos existentes no local. 
→ É direito do médico de internar e assistir o médico em 
qualquer unidade 
→ Se eu sou diretor de um hospital não posso impedir que 
outro profissional atenda acompanhando um paciente 
dele 
→ Não posso usar da minha posição com fins políticos 
 
• Art. 48° Assumir emprego, cargo ou função para suceder médico 
demitido ou afastado em represália à atitude de defesa de 
movimentos legítimos da categoria ou da aplicação deste Código. 
→ Ex: Ivan exigiu um melhor salário e foi demitido por 
Franklin, Sabrina não pode assumir o cargo de Ivan 
@andressavnc 
 
→ Se Sabrina assumir, ela responderá pelo Art. 48° 
 
• Art. 49° Assumir condutas contrárias a movimentos legítimos da 
categoria médica com a finalidade de obter vantagens 
→ O fura greve NÃO pode se beneficiar com o fato de que 
ele foi contra os coleguinhas e a favor da gestão. 
→ EX: parte do P4 faz greve pra melhorar algo, ai uma 
parte do P4 vai e FURA a greve, os que furaram não 
podem receber chocolatinho de João Leuson por issomédico responsável. 
→ Se o médico faz uma prescrição e eu vou corrigir ela, eu 
preciso me comunicar com ele. Isso tem um risco de 
morte para o paciente. 
→ Se medicamento/procedimento A salva e B tem mais 
risco de morte, eu altero para A e comunico ao médico. 
 
• Art. 53° Deixar de encaminhar o paciente que lhe foi enviado para 
procedimento especializado de volta ao médico assistente e, na 
ocasião, fornecer-lhe as devidas informações sobre o ocorrido no 
período em que por ele se responsabilizou. 
→ Quando o paciente é enviado para um especialista, ele 
deve retornar ao médico 
→ toda a assistência prestada deve ser documentada e 
comunicada 
 
• Art. 54° Deixar de fornecer a outro médico informações sobre o 
quadro clínico de paciente, desde que autorizado por este ou por 
seu representante legal. 
→ Se outro médico pede informações sobre aquele 
paciente, não posso dar por causa do sigilo 
→ Se o paciente autorizar ou o representante, posso sim 
compartilhar a informação 
 
• Art. 55° Deixar de informar ao substituto o quadro clínico dos 
pacientes sob sua responsabilidade ao ser substituído ao fim do 
seu turno de trabalho. 
→ Acabou o plantão, eu TENHO que informar o quadro dos 
pacientes para o próximo médico. 
 
• Art. 56° Utilizar sua posição hierárquica para impedir que seus 
subordinados atuem dentro dos princípios éticos. 
→ Eu como DIRETOR não posso furar os direitos médicos 
 
• Art. 57° Deixar de denunciar atos que contrariem os postulados 
éticos à comissão de ética da instituição em que exerce seu 
trabalho profissional e, se necessário, ao Conselho Regional de 
Medicina. 
→ Se tiver uma violação ética eu preciso denunciar à 
comissão ética e até mesmo ao CRM 
Aula 8 22/04/2026 “remuneração profissional”. 
Capítulo VIII 
REMUNERAÇÃO PROFISSIONAL 
É vedado ao médico: 
• Art. 58. O exercício mercantilista da medicina. 
→ Publicidade e propaganda são coisas TOTALMENTE 
diferentes. 
→ Publicidade: caráter informativo, educativo, sem fins 
lucrativos. 
→ Propaganda: persuasão, captação de clientela, induzir 
escolhas. 
É quando o médico passa a agir como se estivesse vendendo um 
produto qualquer, por exemplo: 
→ Fazer promoções, descontos ou “pacotes” de 
procedimentos . 
→ Usar estratégias agressivas de marketing para captar 
pacientes. 
→ Prometer resultados garantidos. 
→ Induzir o paciente a realizar procedimentos 
desnecessários. 
→ Priorizar lucro em detrimento da indicação clínica 
adequada. 
Interpretando: O Art. 58 proíbe que o médico exerça a medicina 
como atividade comercial, impedindo práticas que transformem o 
cuidado em produto e o paciente em consumidor. 
• Art. 59. Oferecer ou aceitar remuneração ou vantagens por 
paciente encaminhado ou recebido, bem como por atendimentos 
não prestados. 
→ Esse artigo combate relações baseadas em interesse 
financeiro oculto, e não na necessidade clínica do 
paciente. 
→ Ou seja, o encaminhamento tem critério técnico, não de 
comissão. 
 
• Art. 60. Permitir a inclusão de nomes de profissionais que não 
participaram do ato médico para efeito de cobrança de honorários. 
@andressavnc 
 
→ Esse artigo combate a chamada “inclusão fictícia de 
profissionais” para: 
 Aumentar valores cobrados (particular ou convênios) 
 Dividir honorários indevidamente 
 Simular participação em procedimentos 
→ Portanto, só pode receber quem efetivamente participou 
do atendimento. 
 
• Art. 61. Deixar de ajustar previamente com o paciente o custo 
estimado dos procedimentos. 
→ Antes de qualquer procedimento (ainda mais se for o 
eletivo), devo informar aproximadamente os custos do 
procedimento. 
→ Informar valores aproximados (honorários, equipe, 
materiais, etc.). 
→ Esclarecer possíveis variações de custo. 
→ Garantir que o paciente tenha condições de decidir de 
forma consciente. 
 
• Art. 62. Subordinar os honorários ao resultado do tratamento ou à 
cura do paciente. 
→ Na medicina, o profissional assume uma obrigação de 
meio, não de resultado. 
→ O médico deve empregar técnica adequada, diligência e 
prudência. 
→ Ele não pode garantir cura ou sucesso, pois há variáveis 
biológicas fora do seu controle. 
→ Ou seja, a medicina não vende resultado, presta 
cuidado técnico. 
 
➢ Para o judiciário, a obrigação médica pode ser de meio ou 
pode ser de resultado. 
➢ Ela é de meio, à exceção de determinadas 
especialidades: radiologia, anestesio e cirurgia 
plástica embelezadora. 
Para o CFM SEMPRE será de MEIO!!!! 
• Art. 63. Explorar o trabalho de outro médico, isoladamente ou em 
equipe, na condição de proprietário, sócio, dirigente ou gestor de 
empresas ou instituições prestadoras de serviços médicos. 
→ Aqui, “explorar” não é apenas “pagar menos”, refere-se 
a relações de trabalho injustas ou abusivas, como: 
→ Remuneração desproporcional ao trabalho realizado. 
→ Retenção indevida de honorários. 
→ Imposição de condições precárias ou coercitivas. 
→ Uso da posição de poder para obter vantagem 
econômica indevida. 
 
• Art. 64. Agenciar, aliciar ou desviar, por qualquer meio, para clínica 
particular ou instituições de qualquer natureza, paciente atendido 
pelo sistema público de saúde ou dele utilizar-se para a execução 
de procedimentos médicos em sua clínica privada como forma de 
obter vantagens pessoais. 
→ O paciente do sistema público não pode ser convertido 
em “cliente privado” por influência do médico. 
 
• Art. 65. Cobrar honorários de paciente assistido em instituição que 
se destina à prestação de serviços públicos, ou receber 
remuneração de paciente como complemento de salário ou de 
honorários. 
→ Se o paciente está no SUS, não paga nada. 
→ Se estou no SUS e cobro para atender pelo SUS, violo 
esse artigo. 
 
• Art. 66. Praticar dupla cobrança por ato médico realizado. 
→ Não posso receber duas vezes: plano e privado / SUS e 
privado. 
→ Se o plano não cobre o procedimento eu posso sim falar 
para o paciente e informar o custo de tal atendimento. 
Parágrafo único. A complementação de honorários em serviço 
privado pode ser cobrada quando prevista em contrato. 
Atenção para o contrato de disponibilidade obstétrica! 
→ É um contrato em que a gestante paga ao obstetra para 
que ele: 
→ fique disponível (de sobreaviso) durante um período 
(geralmente final da gestação) 
→ acompanhe o trabalho de parto 
→ realize o parto pessoalmente, se possível 
Ou seja, não é pagamento pelo parto em si, mas pela 
disponibilidade exclusiva/contínua. 
• Art. 67. Deixar de manter a integralidade do pagamento e permitir 
descontos ou retenção de honorários, salvo os previstos em lei, 
quando em função de direção ou de chefia. 
→ É proibido: 
→ Não assegurar o pagamento integral dos honorários ao 
médico que executou o ato. 
→ Permitir descontos ou retenções indevidas, exceto 
quando previstas em lei. 
 
• Art. 68. Exercer a profissão com interação ou dependência de 
farmácia, indústria farmacêutica, óptica ou qualquer organização 
destinada à fabricação, manipulação, promoção ou 
comercialização de produtos de prescrição médica, qualquer que 
seja sua natureza. 
→ Eu NÃO posso ter os dois vínculos, pois trata-se de uma 
“venda casada”. 
→ não pode haver vínculo que comprometa a 
independência profissional. 
 
• Art. 69. Exercer simultaneamente a medicina e a farmácia ou obter 
vantagem pelo encaminhamento de procedimentos, pela 
prescrição e/ou comercialização de medicamentos, órteses, 
próteses ou implantes de qualquer natureza, cuja compra decorra 
de influência direta em virtude de sua atividade profissional. 
→ A pessoa não é obrigada a dar baixa, mas ela não pode 
exercer mais. 
→ Se sou médico em uma cidade e dono de farmácia em 
outro local, não tem problema! 
 
• Art. 70. Deixar de apresentar separadamente seus honorários 
quando outros profissionais participarem do atendimento ao 
paciente. 
→ ada um deve ter seus honorários

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